sábado, junho 26, 2010

Corrida armamentista

José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”

Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba

Peter Moon
O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.
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Copa do Mundo


Jabulani  em questão

Sidney Borges
A Jabulani voltou à baila. A discussão em torno da esfericidade da redonda é tanta que a FIFA prometeu investigar. Uma coisa é inegável, se a bola atrapalha uma equipe, atrapalha igualmente à que se lhe opõe. Na Copa de 2010 o que está atrapalhando não é a bola, mas o tratamento que os craques vem dando a ela. Jabulani é um nome bonito, em tempos passados certamente Jorge Ben, ou Babulina, teria criado o samba da Jabulani. Com muito balanço.

A bola está tão famosa que tem gente querendo pegar carona. Físicos do mundo inteiro fazem ensaios e concluem com base na lógica matemática que o gol não foi gol, mas um incidente quântico irreversível. Eu imagino ser pouco produtivo e nada conclusivo estudar a bola em laboratórios e túneis de vento. E com base nos dados obtidos prever as possíveis trajetórias em estádios cheios de ar turbulento.

Mas enfim, quando não há engenho e arte tudo atrapalha. Será que os craques da Suíça culpam a bola pela falta de gols? Ou de golos, como dizem na Santa Terrinha? Os suíços, de bons queijos e ótimos chocolates, deveriam inventar um novo esporte, parecido com o futebol, mas sem as balizas. É tão difícil para eles enfiar a bola no retângulo fatal que certamente prefeririam outra forma de marcar pontos. Venceria quem ficasse mais tempo com a posse da bola, ou quem chutasse mais alto. De qualquer forma o esporte suíço seria tão emocionante como ver o cuco sair do relógio. Relógio suiço, naturalmente.

Esta quase na hora de começar mais um jogo do mata-mata, fase da Copa preferida de Felipe Melo. Estarão se defrontando craques do EUA e da República do Gana. Vai ser um jogão, como foi Uruguai e Coreia do Sul. Quando o jogo vale taça sempre é emocionante. Até logo mais. Volto depois do jogo. (Com informações da agência Tainha Press)

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Opinião

As absurdas cotas na TV paga

Editorial do Estadão
A TV por assinatura no Brasil necessita de nova regulamentação legal. Em primeiro lugar, para unificar a legislação do setor, pois hoje vigoram leis diferentes e conflitantes para cada uma das três modalidades de TV paga: uma lei para a TV a cabo, outra para a TV via satélite e uma terceira para a TV via rádio (UHF e MMDS). Em segundo lugar, para ampliar a competição no setor.

Foi com esses dois objetivos principais que o Congresso começou a discutir há três anos o Projeto de Lei 29/2007 (PL 29). Mas, como tem ocorrido em outras ocasiões, parlamentares apresentaram emendas totalmente estranhas ao objeto central da lei - os penduricalhos.

A mais polêmica dessas emendas, do deputado Jorge Bittar (PT-RJ), propõe a fixação de cotas para filmes e documentários brasileiros, a serem inseridos obrigatoriamente nos canais a cabo dublados ou legendados em português, com o propósito de proteger a produção e distribuição de conteúdos nacionais de cinema e TV. E pior de tudo foi que o PT e os partidos da base parlamentar do governo fecharam questão: ou se aprovam as cotas ou não haverá nova lei de TV por assinatura.

A Câmara dos Deputados consumiu três anos discutindo o assunto, até que, recentemente, a oposição aceitou a inclusão das cotas, com pequenas mudanças, para romper o impasse que impedia o aprimoramento da caótica legislação em vigor.

Assim, a Câmara aprovou o PL 29, com a emenda que concretiza intolerável interferência estatal no conteúdo da programação da TV paga.

A nova reserva de mercado é mais uma violência contra o usuário, aquele cidadão que, ao longo das últimas décadas, tem pago a conta de todas as formas de protecionismo e de cotas. O exemplo mais triste desse espírito protecionista, todos se lembram, foi decorrente da antiga Lei de Informática, que instituiu a reserva de mercado para computadores e periféricos por mais de 15 anos, impondo ao País produtos caros, defasados e de qualidade medíocre, até 1992. E tudo era justificado em nome da soberania nacional e da emancipação tecnológica do País. O resultado foram quase 20 anos de atraso tecnológico.

Como observou o jornalista Ethevaldo Siqueira, em sua coluna no Estado (13/06), há formas mais eficazes de apoiar a indústria e os produtores nacionais de cinema e TV do que a imposição de cotas. Entre as alternativas estão os estímulos, os incentivos, o fomento e a desoneração de impostos.

Para assegurar mercado à produção nacional de filmes e documentários, o único critério deveria ser o da qualidade. Essa é a questão fundamental de qualquer produção artística ou intelectual.

Ao aprovar o projeto, os deputados ignoram diferenças lógicas entre os dois modelos principais de TV no País. Enquanto a TV aberta alcança quase 100% dos domicílios brasileiros, com recepção gratuita, a TV por assinatura - seja via cabo, via satélite ou via rádio - não ultrapassa 12% das residências. A grande diferença da TV por assinatura reside no fato de o assinante pagar pelo que quer ver, pelo gênero que lhe agrada e com os padrões de qualidade que deseja.
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Manchetes do dia

Sábado, 26 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Acordo nos EUA limita especulação bancária"

Lei para conter crise, que tem de passar no Congresso, dá mais poder ao governo

Comissão do Congresso americano aprovou projeto que dará ao governo mais poder sobre os bancos,incluindo as possibilidades de assumir seu comando e dividir instituições cuja quebra poria o sistema em risco. A lei, que inclui restrições a investimentos arriscados e maior controle de agências de avaliação de risco, é um passo crucial para a mais ampla reforma financeira desde a década de 30. Ela ainda terá de voltar ao Congresso para ser aprovada.

O Estado de São Paulo
"Álvaro Dias é escolhido vice de Serra e irrita DEM"

Após longo impasse, PSDB anuncia tucano para a chapa presidencial, mas principal aliado faz ameaça

O PSDB anunciou, ontem, após longo impasse, a indicação do senador tucano Álvaro Dias (PR) para vice na chapa de José Serra à Presidência, ainda sob o impacto da pesquisa CNI/Ibope que mostrou a candidatura do partido em queda. Dirigentes do PSDB consideram a indicação de Dias "irreversível", apesar de o principal aliado dos tucanos, o DEM, recusar a chapa puro-sangue e insistir em ocupar o posto - Rodrigo Maia, presidente do DEM, disse que os tucanos têm até o dia 30, data da convenção dos democratas, para mudar de ideia. Já o PPS e o PTB aprovaram a decisão. A escolha tucana foi uma solução política para evitar que um curto-circuito no Paraná ameace sua liderança na única região em que bate a petista Dilma Rousseff. Com isso, o PSDB abandonou a possibilidade de escalar Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, que seria uma novidade de apelo popular.

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sexta-feira, junho 25, 2010

Brasil 0 x 0 Portugal

Copa do Mundo

Notícias (frescas) da África do Sul

Sidney Borges
O jogo chegou ao fim. O Brasil não marcou. Portugal também não. Usando de lógica elementar dá para concluir que o jogo empatou. No Brasil dirão que foi um jogo sem gols. Em Portugal talvez digam que não houve golos. Mas tanto aqui como lá existe unanimidade. Joguinho de quinta categoria. O Brasil não tem meio de campo. A defesa é sólida e bem postada e há bons atacantes lá na frente. Falta fazer a bola chegar a eles, tarefa que exige mais do que vontade, preparo físico e patriotismo. É preciso talento, qualidade que poucos têm. Parece que o único aquinhoado com a benção dos deuses é Kaká, sem ele o Brasil vira caca. Robinho chuta mal e cabeceia mal, mas é talentoso no passe. Fez falta hoje. Falar mais seria ruminar em torno de pouco capim. É o que veremos nas repetitivas  e enfadonhas mesas redondas da televisão. (Colaborou a agência Tainha Press)

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Copa do Mundo

Notícias da África do Sul

Sidney Borges (com apoio da agência Tainha Press)
Portugal tem um jogador chamado Meireles. Nome de delegado de filme brasileiro ambientado no tempo da ditadura. E tem outro com o sugestivo nome de Coentrão. Dizem que um ancestral desse craque esteve por aqui em 1567. Não teve sorte, aprisionado pelos nativos acabou como tempero de azul marinho. Brasil e Portugal vão empatando, estou acompanhando o jogo pelo rádio. Ondas curtas. Superstição, mania que conservo desde 1958. A transmissão é pitoresca, há pouco o locutor disse que o esférico tocou na moldura e quase o Brasil marca um golo. Gostei. Dunga fez bem em tirar o Felipe Melo, corrigiu a besteira que foi tê-lo escalado. Volto depois do segundo tempo.

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Coluna do Celsinho

Marca Famosa

Celso de Almeida Jr.
Na semana passada conheci o Cláudio Nunes, Diretor Presidente da Cimaer, uma empresa fabricante de aeronaves leves, instalada em Maricá-RJ.

Empresário da aviação, disse que se inspirou nos sonhos de menino, apaixonado por aviões, para trilhar a carreira profissional.

Cláudio esbanja simpatia.

Falou de seu avião Jabiru, produzido pela Cimaer, sob licença de uma empresa australiana.

Explicou que o pássaro Jabiru, conhecido pelos aborígenes da Austrália - e que inspirou o projeto - equivale ao nosso Tuiuiú, presente no Pantanal.

Estávamos na Expo Aero Brasil, conceituada feira aeronáutica, em São José dos Campos, acompanhados do Allan Benetti, do Celso Teixeira Leite e do César Rodrigues.

A Cimaer é afiliada da Abrafal, Associação Brasileira dos Fabricantes de Aeronaves Leves, que também estava na exposição.

Muito bem...em poucos minutos, Cláudio nos apresentou ao presidente da Abrafal, Brigadeiro Hermano Vianna e, juntos, esboçamos a possibilidade da realização de um encontro de aviões leves, em nosso aeroporto Gastão Madeira, em junho ou julho de 2011.

Nesta semana, Cláudio encaminhou um e-mail confirmando o forte interesse dos associados de que o encontro se realize aqui.

Agora, vamos começar as conversas com a Prefeitura, a Secretaria de Turismo, a Associação Comercial, o Sindicato de Hotéis e tantas outras entidades que certamente irão colaborar para que tudo seja um sucesso.

O detalhe desta história eu ainda não contei.

No começo da conversa, o entusiasmo do Cláudio ficou evidente quando soube que éramos de Ubatuba.

Falou que, vez ou outra, pousa em nossa pista, atravessa a avenida e almoça no Peixe com Banana.

Elogiou o aeroporto, sua estrutura de abastecimento, de atendimento, qualidade do asfalto, etc.

Revelou-se um fã incondicional de nossa terra.

Percebe, leitor atento?

Isso é uma pequenina amostra do potencial da cidade.

Um bate-papo despretensioso poderá garantir um encontro que envolverá uma centena de aeronaves, que demandará alimentação, hospedagem, uma grande equipe de voluntários, enfim, recursos para o município e para os nossos jovens. Sem falar no público das cidades vizinhas que poderá vir para acompanhar este fascinante evento.

Ubatuba é querida por muitos.

Aproveitar esse patrimônio é ação básica para a geração de empregos e de um melhor padrão de vida para a nossa gente.

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Opinião

Multas de trânsito parceladas

Editorial do Estadão
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou, em caráter terminativo, o Projeto de Lei 20/10, do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), que propõe o parcelamento de multas de trânsito em até seis vezes. A justificativa para esse benefício é o alto valor de algumas das multas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que variam de R$ 53,20, para infrações leves, a R$ 191,54, para as de natureza gravíssima. Cada valor pode ser multiplicado até por cinco, conforme a gravidade da infração.

Segundo o relator da matéria, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), se em tese o valor das multas estimula os motoristas a cumprirem a lei, na prática, a impossibilidade de quitar de uma só vez débitos acumulados tem levado uma grande parcela dos infratores à inadimplência, o que faz crescer a frota irregular que roda nas cidades e estradas.

O processo de licenciamento anual e obrigatório do veículo não pode ser feito enquanto houver multas pendentes. Se circular sem a regularização da documentação, o proprietário terá o veículo apreendido. Nesse caso, o pagamento das multas também é exigência para a liberação do veículo. E, se a dívida não for quitada em 90 dias, ele vai a leilão.

Na cidade de São Paulo, que tem uma frota de 6,8 milhões de veículos, cerca de 1,7 milhão está em situação irregular, principalmente pela falta de pagamento de multas de trânsito e do IPVA.

Críticos do projeto de lei argumentam que a flexibilização do pagamento das multas pode amenizar o rigor da legislação de trânsito, o que não é conveniente. Observe-se, porém, que não é apenas o valor das multas que inibe o infrator e assegura o cumprimento da lei. A fiscalização rígida, permanente e sem tolerância é essencial para manter os motoristas atentos às regras do trânsito e à sua observância.

O parcelamento já existe em São Paulo, estabelecido por lei - de iniciativa do vereador Adilson Amadeu (PTB) - sancionada há quatro anos pelo prefeito Gilberto Kassab, que possibilita o pagamento em até 12 parcelas mensais iguais e sucessivas, apenas para veículos registrados na capital e de multas de competência municipal. As parcelas são reajustadas pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Na época, 800 mil veículos tinham multas pendentes, num total de R$ 512 milhões. Esse valor é maior que o recorde de arrecadação com multas de trânsito registrado no ano passado, de R$ 473,3 milhões. Mesmo batendo recorde, a receita com multas em 2009 ficou aquém do previsto pela Prefeitura, que esperava arrecadar R$ 567 milhões. Apenas 64% do total se referia a infrações registradas em 2009. O restante correspondia ao pagamento de multas atrasadas.

Há dias, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo apreendeu um Gol 2001 que tinha 737 multas e mais de R$ 1 milhão em débitos. Foi o segundo veículo flagrado em uma semana em situação tão crítica. O outro foi um Palio Weekend, que acumulava 573 multas, que somam mais de R$ 1,3 milhão. Os dois veículos eram procurados pelo Detran há anos, o que comprova as deficiências da fiscalização.

Além da inadimplência, que compromete a arrecadação prevista pelo governo, esses veículos irregulares têm, na maior parte, manutenção inadequada, o que aumenta o risco de acidentes e compromete a fluidez do trânsito, porque enguiçam com frequência.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 25 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Faltam radares e equipes de prevenção no Nordeste"

Alagoas tem equipamento, mas falta Defesa Civil; Pernambuco tem Defesa Civil, mas falta equipamento

Alagoas e Pernambuco, os dois Estados devastados pelas fortes chuvas das últimas semanas, têm sistemas falhos de prevenção enchentes. O número de mortos chegou a 51 pessoas. Radar meteorológico detectou risco de chuva forte na Zona da Mata em Alagoas, mas as cidades da região não têm organizações municipais de Defesa Civil. Sem elas, não havia quem iniciasse a retirada de pessoas das áreas de risco. Em Pernambuco, há Defesa Civil, mas o Estado não tem radar. O alerta da tempestade chegou tarde. O presidente Lula esteve nas cidades destruídas. Abraçou moradores, chorou, andou na lama e prometeu ajuda "sem limite". Lula anunciou a liberação de R$ 550 milhões visitou Alagoas acompanhado do ex-presidente Fernando Collor (PTB).

O Estado de São Paulo
"Brasil e EUA se unem contra corte de gastos da Europa"

Com apoio de Lula, americanos pedirão no G-20 estímulo à economia, em resposta a aperto fiscal

A Europa vai levar à cúpula do G-20, no Canadá, neste fim de semana, a mensagem de que a prioridade é a reorganização das finanças públicas, e não as medidas de estímulo à economia. Para o governo francês, o retorno ao equilíbrio é um imperativo inegociável. A posição é uma resposta antecipada aos EUA, que nos últimos dias têm aumentado a pressão pela manutenção das medidas de estímulo à atividade econômica na Europa. As críticas de Washington se dirigem com mais ênfase à Alemanha e ao Reino Unido, cujos planos de austeridade representarão a redução dos gastos públicos em € 85 bilhões e € 104 bilhões, respectivamente. Na reunião, o presidente Lula deverá defender o ponto de vista americano.

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quinta-feira, junho 24, 2010

Desafio

As indicações do velocímetro e do radar

Do Blog Fundamentos da Física
Dois amigos, Pedro e Raphael, possuem carros de mesma marca e modelo. A única diferença está no diâmetro dos pneus. Pedro colocou pneus de diâmetro menor do que o original enquanto Raphael optou por pneus de diâmetro maior. A velocidade máxima permitida em uma avenida, onde os carros estavam transitando, é de 50 km/h. Os dois passaram por um radar e os velocímetros de seu carros indicavam, justamente, a velocidade de 50km/h. Entretanto, para um deles o radar registrou velocidade maior do que 50 km/h e o multou. Você sabe quem foi multado?

Para maiores detalhes sobre como funciona o velocímetro, clique aqui.

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Roda de causos

A ilha de Joatão

José Ronaldo dos Santos
“Ainda me alembro como se fosse hoje”. Com essas palavras comecei, numa bela manhã de domingo, escutando o velho Pedro Cabral, na praia do Perequê-mirim. O tema era a ilha Anchieta, um espaço tão corriqueiro dos pescadores caiçaras naquele tempo (início dos anos 70). O dia era 20 de junho; exatamente o dia em que estourou a rebelião no presídio da ilha, no ano de 1952. Naquele dia, da boca do citado praiano e de outros que formaram a roda, no jundu, eu escutava mais do que anotava. O interesse não era só porque eu gostava de escutar os causos do meu povo, mas também porque a professora nos deu a tarefa de pesquisar sobre a história do fato – o levante da ilha Anchieta. Disse que pretendia recolher o maior número possível de depoimentos, e, naquela praia, estavam vários ex-soldados e ex-funcionários que fizeram parte da história do presídio. Assim, um por um, nós montamos uma “colcha de retalhos”, um lindo painel que ficou bastante tempo na parede da nossa pequena escola para que todos lessem. Lá constava os nomes de honrados homens: Chico Cruz, Rodolfo Cabral, Dito Góis, Xavier, Faria Lima, Newton Cirillo e tantos outros.

A data da grande fuga: 20 de junho de 1952. No Instituto Correcional da Ilha Anchieta, cumpriam pena 453 presidiários. De 129 evadidos, 108 foram recapturados, 15 mortos e 6 desaparecidos. Policiais mortos: 8; funcionários civis: 2; presidiários: 3 (na ilha). Total de mortos: 28; órfãos: 23; viúvas: 9. Tais números estão documentados.

Assim como um ritual a cada ano, no último dia 20 pensei na data, mas as minhas obrigações com as escolas fizeram com que somente hoje, dia 24, sobrasse um tempo para redigir o presente texto. A cidade certamente esqueceu. Porém, ainda há tempo de fazer, como nos idos da minha escola primária, uma bela “colcha” com os retalhos de nossa história. Cada cidadão deste município tem o direito de manter viva memória, porque, como disse alguém, sem isso ninguém propõe nada; só copia. Também os que adotaram a cidade como a sua terra precisam refletir sobre uma identidade a ser resgatada, refeita, mantida e valorizada. Já passa da hora de, independente da região de onde veio, cada morador de Ubatuba refazer, participar da identidade local tal como fizeram os europeus, africanos e ameríndios: deixaram muito de si para se fundirem no ser brasileiro. É o que, no estudo da Filosofia, chamamos de dialética. E disso decorre a inspiração para o título deste: Joatão e a ilha, publicado em 1966, é uma obra maravilhosa para ser lida por todos, principalmente quem adora um desafio dialético. Seu autor, José Fonseca Fernandes, narra em forma de romance o grande levante. Por enquanto não vou escrever mais. Só deixo uma “isca”: “Quando Joatão e seus dois companheiros atingiram o Quiririm os demais já guardavam distância, ávidos de sumir do litoral. – Água boa esta – disse com satisfação o moço. -Não suportava mais a sede. Os outros dois já estavam de cara mergulhada no Quiririm. Joatão deitou-se na Praia do Puruba”.

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Opinião

Os 20 anos de um editorial

Demétrio Magnoli - O Estado de S.Paulo
"Você fez um bom trabalho em suas reportagens, embora não seja um marxista, porque tenta contar a verdade sobre nosso país (...). Eu devo dizer que você apostou no nosso cavalo quando outros pensavam que ele não tinha chance - e tenho certeza de que você não perdeu com isso." Estas palavras, dirigidas por Joseph Stalin a Walter Duranty no Natal de 1933, foram reproduzidas há exatas duas décadas num editorial do jornal The New York Times. O editorial representou o reconhecimento tardio de que o jornal publicara, entre 1921 e 1940, algumas das "piores reportagens" de sua venerável história, produzidas por seu correspondente em Moscou. A "verdade" de Stalin, refratada naquelas "piores reportagens", informa até hoje a visão dominante sobre a URSS e o stalinismo no Brasil. Os conceitos propagados por Duranty encontram-se nos manuais históricos mais celebrados e nos livros escolares mais vendidos.

Duranty não era, de fato, marxista. Ele fez sua reputação ao divergir das previsões de que o regime bolchevique cairia pouco após a Revolução Russa. Em seguida, apostou no "cavalo" de Stalin, contra a oposição trotskista, passou a idolatrar o ditador soviético e cunhou o termo "stalinismo". Stalinismo, explicava o correspondente, era um desvio positivo do socialismo, incompatível com as tradições ocidentais, mas adaptado às "características e necessidades raciais" da Rússia, "fundamentalmente mais asiáticas do que europeias". O homem não estava sendo pago pelo Kremlin, embora seus textos lhe assegurassem a oportunidade de continuar em Moscou, enquanto outros correspondentes eram expulsos, e de obter notícias e entrevistas exclusivas.

Era um caso de paixão por uma tese oficialista, útil à carreira profissional. Nesse sentido, Duranty não diferia de tantos jornalistas muito menos talentosos, do passado e do presente, inclusive no Brasil do "lulismo". Mas ele escrevia sobre o grande drama do "socialismo real", o tema mais crucial do século 20, e ensaiava os tons de uma música ideológica que continua a tocar na heterogênea banda do antiamericanismo dos nossos dias. O bolchevismo devolvera à Rússia a "autoridade absoluta não adocicada pela democracia ou o liberalismo do Ocidente". O stalinismo convertia "uma massa informe de escravos submissos, encharcados", numa "nação de ardentes, deliberados trabalhadores". No fim das contas, o totalitarismo soviético corresponderia a algo como um imperativo histórico.

O Pulitzer de 1934 foi parar nas mãos de Duranty, premiando suas reportagens analíticas publicadas três anos antes, que compunham uma das maiores farsas jornalísticas de todos os tempos. No verão de 1929 Stalin proclamara a coletivização forçada da agricultura e a liquidação dos camponeses autônomos. Em 1931 o terror vermelho disseminou-se pelos mais longínquos lugarejos, expropriando e deportando milhões de pequenos agricultores. As vítimas abatiam o gado antes de deixar suas terras, vendiam a carne e faziam botas com o couro. Os jornalistas Gareth Jones e Malcolm Muggeridge infiltraram-se na Ucrânia e reportaram a grande fome para o Times de Londres e o Guardian de Manchester. Dois anos mais tarde, a tragédia matara mais de 6 milhões de pessoas. O Kremlin negava tudo, respaldado por Duranty, que denunciou como falsificações as reportagens de Jones.

O correspondente do New York Times sabia mais sobre a fome pavorosa do que qualquer outro jornalista ocidental, como evidenciaram investigações posteriores. Duranty "viu aquilo que queria ver", segundo o diagnóstico do editorial de junho de 1990. O olhar do jornalista conservou sua seletividade interessada e ele fez a defesa dos Processos de Moscou, reproduzindo as alegações de Stalin sobre fantásticos complôs entre os dirigentes caídos em desgraça e as potências ocidentais. Naqueles anos, às vésperas da eclosão da 2.ª Guerra Mundial, Duranty conferiu forma definitiva à tese de que o stalinismo cumpria uma função histórica progressiva ao preparar a URSS para o embate com a Alemanha nazista.

Stalin aliou-se a Hitler em 1939 para partilhar a Polônia e os Estados Bálticos. A URSS forneceu quase dois terços das matérias-primas e alimentos importados pela Alemanha nos 16 meses iniciais da guerra mundial. Seis meses antes da invasão alemã da URSS, o Kremlin negociava o ingresso da "pátria do socialismo" no pacto do Eixo. Mas as narrativas canônicas sobre o século 20, contadas por "companheiros de viagem" da URSS, reduziram tudo isso a uma nota de rodapé, apegando-se ao núcleo argumentativo formulado por Duranty.

Eric Hobsbawm já militava no Partido Comunista Britânico no tempo dos Processos de Moscou, que não abalaram sua fé na doutrina. Ele nunca ofereceu apoio ao terror stalinista, mas conservou a carteirinha do partido até a implosão da URSS. Escrevendo após o encerramento da guerra fria, quando a abertura dos arquivos secretos do Kremlin já escancarava verdades previsíveis, o historiador não apenas reproduziu as justificativas oficiais de Moscou para o Pacto Germano-Soviético como deu um passo à frente e pronunciou o seguinte veredicto: "A vitória da URSS sobre Hitler foi uma realização do regime lá instalado pela Revolução de Outubro, como demonstra uma comparação do desempenho da economia russa czarista na Primeira Guerra Mundial com a economia soviética na Segunda Guerra (...). Sem isso, o mundo hoje (com exceção dos Estados Unidos) provavelmente seria um conjunto de variações sobre temas autoritários e fascistas, mais que de variações sobre temas parlamentares liberais" (A Era dos Extremos, Companhia das Letras, 1996).

O stalinismo, segundo Hobsbawm, salvou a democracia ocidental. As fontes ocultas do veredicto do aclamado historiador encontram-se nas reportagens do jornalista ocidental hipnotizado por Stalin. Tanto quanto Duranty, ele "viu aquilo que queria ver".

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 24 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"17 cidades destruídas já sofreram com as cheias"

Enchente se repete em 30% dos municípios afetados pela chuva em AL e PE

Levantamento da Folha mostra que 30% das cidades prejudicadas pela chuva em Alagoas e Pernambuco enfrentaram as cheias ao menos uma vez desde 2003. Os 17 municípios constam dos dados da Defesa Civil, informa Eduardo Geraque. Para especialista, medidas simples, como regular a vazão dos rios e recompor a vegetação das suas margens, evitariam o problema. De 2003 a junho deste ano, o governo Lula liberou R$ 5,8 bilhões para ajuda pós-tragédia e apenas R$ 1,1 bilhão para prevenção. O total de mortos chegou a 45; o ministro Nelson Jobim comparou a situação ao terremoto do Haiti.

O Estado de São Paulo
"Ibope mostra Dilma à frente de Serra pela primeira vez"

Petista cresce principalmente no Sudeste e aparece com 40% das intenções de voto, contra 35% do tucano

A candidata Dilma Rousseff (PT) ultrapassou José Serra (PSDB) e agora lidera a corrida presidencial por 40% a 35% segundo pesquisa Ibope/Confederação Nacional da Indústria. A dianteira está fora da margem de erro, de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. Num eventual segundo turno, Dilma venceria por 45% a 38%. Em relação à pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, no início de junho, Dilma subiu três pontos porcentuais e Serra teve oscilação negativa de dois pontos, mesmo com a propaganda partidária na TV a favor do tucano no período. O principal avanço da petista ocorreu no Sudeste, onde passou de uma desvantagem de nove pontos para um empate técnico (37% para Dilma e 36% para Serra).

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quarta-feira, junho 23, 2010

Brasil

Assim, nem o positivismo aguenta

Demóstenes Torres
Observados os aspectos isolados dos fundamentos econômicos básicos, o Brasil apresenta resultados aproximados dos prósperos anos 1970. Há aqueles mais apressados entusiastas do governo que vislumbram crescimento a taxas chinesas e vigorosa influência geopolítica brasileira depois que nos intrometemos nos interesses do Oriente Médio. No momento de euforia mesmo as iniciativas atabalhoadas e de efeito inútil podem se afeiçoar de grande providência.

Estariam os Estados Unidos, conforme entendimento ainda mais ufanista, a demonstrar inveja do nosso extraordinário desempenho global, como se fôssemos a mais nova ameaça ao império ianque em desencanto. Certamente estão no melhor juízo as análises que traçam perspectivas auspiciosas à economia brasileira. Como não deve haver ruptura nas ações permanentes de Estado iniciadas há 16 anos com o Plano Real a tendência é de o País avançar, independente de quem seja o novo presidente. Até aqui está tudo certo.

A dúvida se impõe sobre o que será feito para corrigir os nossos defeitos sociais, especialmente no que se refere ao estado de violência e banditismo que impera no Brasil. Em linhas gerais, a economia vai bem e o país vai mal quando aferidos os indicadores de criminalidade. Os números são ainda mais contundentes no que se refere ao que perdemos de riqueza por conta do delito.

Conforme cálculo efetuado pelo Instituto para a Economia e Paz, a violência retira do PIB brasileiro alguma coisa próxima de US$ 101 bilhões. Convertido para o Real, os valores seriam quase nove vezes superiores ao que o governo federal investiu no PAC Orçamentário do ano passado. Os dados da instituição australiana, da maior credibilidade internacional, constam do Indicador Global de Paz (IGP) composto por 23 critérios relacionados à política de administração externa de conflitos e aos problemas potenciais de segurança pública de 149 países.

O Brasil ocupa a 83ª posição e está mal situado no ranking mesmo em relação à América Latina. Se por um lado possuímos a nona economia do mundo com grande possibilidade de saltar para o quinto PIB em uma década, no que se refere à segurança estamos na parte baixa da lista em companhia de países conflagrados e de péssimo índice de desenvolvimento. O que joga o País à lona no rol de critérios são justamente os indicadores de criminalidade violenta, como o número de homicídios, de desrespeito aos direitos humanos e de acesso da população a armas de fogo.

O fato é que o indicador do instituto australiano nos obriga a inferir que o Brasil tem tido um desenvolvimento desigual e absolutamente ilusório quando se percebe não haver a conversão do crescimento econômico em conforto da sociedade. Mais de um século depois o País não consegue honrar o lema positivista da própria bandeira. Estamos a construir a prosperidade em um ambiente de profundo desarranjo social.

Neste sentido cada vez fica mais evidente a falência teórica do argumento de que a violência é motivada primordialmente pela desigualdade de renda. O mesmo governo que comemora a elevação de qualidade de vida do brasileiro, inclusive da composição social de uma maioria de classe média, é incapaz de dar respostas ao problema da criminalidade. Prosperamos, mas prosseguimos sitiados pelo delito. Do novo governo se espera mais pragmatismo contra o crime e menos postulados filosóficos. Interessa muito ao progresso do Brasil fazer respeitar a lei e a ordem. (Do Blog do Noblat)

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)

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Copa do Mundo


Jabulani deformada

Sidney Borges
A imagem mostra a Jabulani deformada na cabeça do atleta. A energia mecânica com que a bola chegou transformou-se em energia térmica, energia sonora e em energia potencial elástica. Num instante posterior a bola voltou ao jogo. Dependendo da cabeçada e da energia dissipada no choque, ela pode ter voltado com maior, menor ou eventualmente a mesma energia cinética. Bonito lance. Futebol é um esporte de grande beleza plástica.

Brasil e Coréia

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Opinião

Cadê esse socialismo que nunca emplaca?

Marco Antonio Rocha - O Estado de S.Paulo
Muitos políticos, quase todos, se dizem socialistas, até os de direita. Dezenas de partidos políticos no mundo ostentam no nome a palavra socialista. O socialismo é bandeira de inúmeros governantes ? há décadas. Por que, então, não há nenhum regime socialista solidamente instalado e consolidado? Haveria uma boa explicação sobre por que o socialismo não emplaca?

Há países ditos "socialistas" que não passam de ditaduras mesmo: de um só homem, como é o caso de Cuba; de um partido, como a China; de uma quadrilha, como a Coreia do Norte; de um bufão, como a Venezuela ou o Irã. É isso, então, o socialismo? Uma ditadura? Ou uma bouffonerie?

Claro que não, dirão os socialistas de toda parte. Então, por que não existe?

Todos os socialistas são contra o capitalismo na economia e contra o liberalismo na política, e parecem constituir maioria por toda parte. Então, o capitalismo já deveria ter sido extinto ou estar em extinção. Mas é o capitalismo que existe em tempo real e parece cada vez mais forte. Por quê? E o liberalismo, por que funciona?

Na semana passada, Dilma Rousseff encontrou-se em Paris com a secretária-geral Martine Aubry, do Partido Socialista (PS) francês, o maior partido da esquerda francesa. Desde Leon Blum, na década de 30, o PS francês já governou a França diversas vezes, sem nunca ter implantado o socialismo, ou algum regime que pudesse ser inequivocamente reconhecido como socialista. Por quê? Por que não é um partido revolucionário? Por que não sabe exatamente como implementar o socialismo? Por que não é socialista a não ser no nome? A propósito, Dominique Strauss-Kahn, do Partido Socialista francês, é também diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional - o maior guardião, segundo a esquerda, do capitalismo internacional. São fatos que justificam a suspeita de que todos os socialistas, quando estão no poder, praticam mesmo o bom e velho capitalismo. E até o administram melhor, em muitos casos, do que os capitalistas empedernidos.

As duas senhoras - Dilma e Martine - apareceram em belas fotos, trocando beijos e abraços. Em reunião fechada devem ter renovado mútuas juras de lutar pelo socialismo, de combater o capitalismo e o neoliberalismo.

A líder socialista francesa assegurou que há grande identidade política entre o PS e o PT. Deve haver, pois é suposto que Dilma seja socialista, já que militou numa agremiação guerrilheira de esquerda. Se bem que aquele era um grupo que, antes de mais nada, lutava para derrubar a ditadura militar. Não se sabe se a guerrilheira Dilma já era socialista. Na verdade, parece que nem petista é.

Depois de Martine, Dilma foi se encontrar com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, um empedernido capitalista, cuja maior fama nasceu do fato de ser casado com Carla Bruni. Martine combate Sarkozy e garante que vai derrotá-lo nas eleições de 2012 - com apoio da brasileira Rousseff: "Dilma nos disse que virá fazer a nossa (campanha), a do nosso candidato socialista", disse ela à imprensa, assegurando que também fará campanha por Dilma no Brasil. Temos aí a possível formação de uma nova internacional socialista - a Quinta Internacional, Dilma-Martine. Talvez por isso o encontro de Dilma com Sarkozy foi bastante frio e menos socialista. O presidente Sarkozy só quer vender aviões, mais nada.

O socialismo, desde Saint-Simon, Fourrier, Louis Blanc, Robert Owen, Marx, Engels, nos séculos 18 e 19, até chegar em Florestan Fernandes no Brasil do século 20, parece um ovo: não ofende ninguém, é bonito de se olhar, harmônico e encerra uma boa promessa. Dos ovos reais, a gente sabe que saem aves ou répteis. Do socialismo não se sabe o que pode sair, porque ainda não rompeu a casca. Isso facilita a vida dos políticos. Podem se declarar socialistas à vontade. Não os compromete, pois ninguém sabe do que se trata - mas parece que é uma coisa legal.

Já o capitalismo, não. Todos nós vivemos dentro dele. Sabemos que não é nada legal. Conhecemos todos os seus defeitos que os socialistas apontam: a busca do lucro pelo lucro; a vil exploração do trabalho humano - contida, um pouco, pelas leis trabalhistas; a volúpia em transformar em mercadoria vendável até o coração dos namorados e das mães. Tudo isso é odioso e visível. Torna fácil odiar o capitalismo e preferir o que é contra ele. É fácil também aspirar ao reino dos céus, quando se vive cercado das misérias da Terra. Bem o sabem os profiteurs dos Evangelhos que infestam as redes de TV.

De qualquer forma, na política é assim que la nave vá. Não se deve ser realista, dizendo que se vai fazer apenas o que for possível, apresentando as dificuldades e as propostas para superá-las. Nem adianta fazer belos discursos: a ordem é twittar, dizer cretinices pomposas em 140 toques. Churchill não poderia ter twittado seus chamamentos ao povo inglês contra Hitler - tinham mais de 140 toques. Dá mais lucro (político) twittar sonhos, como "construir o futuro", fazer o "Brasil de todos", "marchar para o socialismo". É o encanto da magia. Lula é o mago sedutor. Dilma, a auxiliar de palco, tentando ser sedutora sob as luzes da ribalta. Haja!

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 23 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"General critica Obama e abre crise nos EUA"

Comandante no Afeganistão afirma que o presidente é despreparado e é convocado para reunião na Casa Branca

O comandante dos EUA no Afeganistão, Stanley McChrystal, foi convocado para reunião na Casa Branca após ele e auxiliares chamarem Barack Obama de despreparado e insultarem assessores do presidente. Os comentários saíram em reportagem no site da revista "Rolling Stone". Segundo a mídia, o general pôs d seu cargo à disposição. Obama, descrito como "desconfortável e intimidado", não decidiu se aceitará o pedido de demissão. O total de americanos mortos no Afeganistão passou de mil na década. A retirada do país, marcada para 2011, pode demorar mais. Logo depois de assumir, Obama deslocou do Iraque para o Afeganistão o principal eixo da preocupação militar americana.

O Estado de São Paulo
"Chuva desabriga 115 mil no NE e ajuda federal deve levar 1 mês"

Mortos em Pernambuco e Alagoas chegam a 41; burocracia atrasará o anunciado socorro de R$ 100 milhões

O número de mortos em Pernambuco e Alagoas em consequência de enchentes desde o dia 18 subiu para 41, e o de desabrigados passou de 115 mil. A Defesa Civil falava ontem em 607 pessoas desaparecidas, informam os enviados especiais Angela Lacerda e Edmar Melo. "Lembrei do tsunami e do terremoto no Haiti", disse o vendedor Ladjane Lopes, de Santana do Mundaú (AL), uma das cidades mais atingidas. O governo federal anunciou R$ 100 milhões para os municípios atingidos, mas a previsão é que a liberação da verba leve ao menos um mês, tempo necessário para analisar a documentação. Segundo o Ministério do Planejamento, a Defesa Civil dos dois Estados já recebeu R$ 50 milhões em caráter emergencial. A prefeita de Branquinha (AL), Ana Renata da Purificação Moraes, disse que quase tudo na cidade foi destruído - escolas, postos de saúde e a biblioteca. "Não tenho uma folha de papel para fazer uma ficha de doente."

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terça-feira, junho 22, 2010

Papo do Editor

Universo em perigo 3

Sidney Borges
Maradona está com tudo e não está prosa. Ganhou a terceira seguida. E com isso a terceira peça de roupa foi removida. Agora faltam calça, camisa, meias e cueca. Será que Maradona usa cueca? Esquisito como é talvez use duas. Madrecita mia! Os franceses foram embora, bom para o Brasil que é freguês de carteirinha deles em copas do mundo. Sobre o gol de mão - ou de braço - de Luís Fabiano, acho que deveria ter sido anulado. Ganharíamos de qualquer jeito. Sou contra ilegalidades. Kaká está bravíssimo com Juca Kfouri que segundo ele o persegue por causa de Jesus. Kaká é o sonho de todos os pastores do mundo. Com o dízimo dele não há igreja que não prospere. Que Jesus ilumine Kaká, com ele em campo e em forma o Brasil vai bem, o problema é que ele ainda não está em forma. Dunga não é exatamente um modelo de educação, está mais para mal educado. Mas no frigir dos ovos ele até que tem razão. Se eu estivesse na África do Sul ficaria atrás do banco gritando: Ganso, Ganso, Ganso. Isso irrita qualquer cristão, digo mais até um ateu como Juca Kfouri ficaria assaz abespinhado. Uma coisa é certa, sem ter o que fazer, além de muito falar, os coleguinhas do esporte falam muito. E acabam por tirar histórias da cartola, como os mágicos tiram coelhos. E com o movimento incessante da língua, acabam dizendo bobagens. Dunga não é o meu técnico preferido, mas o que eu posso fazer em relação a isso? Nada, apenas torcer pelo Brasil. E desejar sorte a ele, E ao Kaká de Jesus. E ao Juca Kfouri não é de Jesus. Gostei do dia em que o Dunga dirigiu a orquestra vestido de capitão de fragata. Ou seria de almirante de hotel? Passou o tempo todo de cara feia - pleonasmo - resmungando palavrões. Quase sem mexer a boca, mas aquele olhar não me enganou. Sempre uma santa mãe era vilipendiada por palavras torpes, proferidas por aqueles lábios semicerrados de anão do Walt Disney. Ora a progenitora do juiz, ora a do Galvão Bueno, em outro momento a senhora mãe do Falcão, até a mãe do falecido Roberto Marinho entrou na dança. Nem preciso citar a mãe do Juca Kfouri, neste momento das mais votadas da seleção. Enfim, agora é esperar o jogo contra Portugal, que embora não valha taça, certamente será um bom espetáculo. Tenho dito. Espeto será a Argentina. Ou o Chile. Içaaaaa!

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Opinião

A confissão do chanceler

Editorial do Estadão
O presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, só podem culpar a si próprios por terem "queimado os dedos", como acaba de reconhecer o chanceler, na tentativa de mediar, ao lado da Turquia, a crise em torno do programa nuclear iraniano. A chamada Declaração de Teerã, pela qual o Irã concordou em enriquecer no exterior 1.200 quilos de urânio para uso em um reator de pesquisas medicinais, foi celebrada pelo governo brasileiro como um triunfo da sua atuação diplomática em escala global.

O acordo não impediu, como se sabe, que os Estados Unidos conseguissem aprovar no Conselho de Segurança (CS) da ONU um quarto pacote de sanções contra a República Islâmica pela insistência em manter os seus projetos de enriquecimento de urânio, proibidos em decisões anteriores do CS. A recusa iraniana a se submeter irrestritamente à fiscalização da agência atômica das Nações Unidas, a AIEA, e a descoberta de instalações nucleares clandestinas no país também foram invocadas para justificar a nova rodada de punições. Só o Brasil e a Turquia votaram contra.

Numa entrevista ao jornal londrino Financial Times, publicada domingo, Amorim desenvolveu um raciocínio que colide com os fatos para anunciar que, de agora em diante, só a convite o Brasil voltará a se envolver com o problema iraniano de forma "proativa". Segundo ele, foi como se Brasília tivesse levado uma rasteira de Washington. Nas suas palavras: "Queimamos os nossos dedos por fazer aquilo que todos diziam que seria útil e, no fim, descobrimos que algumas pessoas não aceitavam um "sim" como resposta." A alusão aos Estados Unidos é óbvia.

O argumento se baseia na carta que o presidente Barack Obama enviou ao seu colega Lula em abril e que o governo mais tarde vazou para a imprensa a fim de provar que o Brasil foi incentivado a procurar uma solução negociada com o Irã. Na mensagem, embora duvide da disposição iraniana "para um diálogo de boa-fé" e advirta que "continuaremos a levar adiante nossa busca por sanções", Obama considera que um acordo como o que seria selado em Teerã representaria "uma oportunidade clara e tangível de começar a construir confiança mútua".

Não fosse pelo proverbial pequeno detalhe, a versão do Itamaraty se sustentaria. Obama não precisaria ter escrito o que pode ser lido como um claro encorajamento. Bastaria o silêncio para exprimir a sua presumível contrariedade com as gestões brasileiras. Entre a carta e a pronta rejeição americana à Declaração de Teerã, um mês depois, acentuou-se em Washington um debate em surdina ao cabo do qual a linha-dura personificada pela secretária de Estado Hillary Clinton prevaleceu sobre os moderados da Casa Branca.

O detalhe, por assim dizer, é que o Brasil não foi a campo no Irã porque os Estados Unidos o estimularam a ir e depois lhe teriam dado as costas. Pelo menos desde que se preparou a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em novembro do ano passado, o governo assumiu ostensivamente a intenção de se promover a mediador do contencioso sobre o programa nuclear suspeito de se destinar à produção da bomba atômica. Nos cálculos do Itamaraty, a iniciativa daria ao Brasil, na arena política global, o equivalente ao que significa o investment grade para as transações financeiras do País.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 22 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Prisões têm escuta para gravar advogado e preso"

OAB questiona o governo federal sobre risco de gravações indiscriminadas

Relatório do próprio governo admite a instalação de equipamentos de gravação nos parlatórios, locais em que se realizam as conversas entre advogados e presos, das quatro penitenciárias federais do país. Segundo especialistas, a medida é inconstitucional, pois essas conversas deveriam ser invioláveis. Em pelo menos um caso, que ocorreu no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS), o governo gravou conversas entre os detentos e os profissionais que os defendem. O Ministério Público Federal investiga a instalação de equipamentos também nos locais para encontros íntimos da penitenciária. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti, questionou a possibilidade do uso dos aparelhos para gravação indiscriminada. A instalação de escutas tem um grave problema: permite fazer a gravação antes e pedir autorização à Justiça depois, diz o advogado Ives Gandra Martins. Em documento à OAB, o Ministério da Justiça alega que os equipamentos são voltados para "segurança" e "inteligência" e que o uso não faz parte da rotina das penitenciárias. Ocorreu em "caráter excepcional" e com "autorização judicial". Procurado, o Ministério da Justiça não se manifestou oficialmente.

O Estado de São Paulo
"Petrobras planeja investir US$ 224 bi"

Projeção para os próximos quatro anos é 28% maior que o estimado, e mercado reage mal; empresa terá de captar US$ 58 bilhões

A Petrobras elevou em 28% seu plano de investimentos, que atingirá US$ 224 bilhões entre 2010 e 2014. A informação foi mal recebida na Bovespa - as ações caíram 0,31%. A companhia informou que terá de buscar US$ 58 bilhões no mercado, mas não detalhou quanto desse valor virá via capitalização e quanto será via empréstimos. O planejamento foca no desenvolvimento de reservas de petróleo, que receberão US$ 108,2 bilhões - dos quais US$ 33 bilhões serão do pré-sal. Houve também alta na previsão de despesas com refino, com orçamento de US$ 73,6 bilhões. Para analistas, trata-se de um gasto muito alto em projetos com retorno baixo. Também ontem, a Petrobras Biocombustível anunciou sociedade com o Grupo São Martinho para criar a Nova Fronteira Bioenergia. "Seremos o segundo maior produtor de etanol do País", disse Miguel Rossetto, presidente da Petrobrás Biocombustível.

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segunda-feira, junho 21, 2010

Ficha Limpa na visão do Dr, Salata


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Enquanto isso...

Estariam as uvas verdes?

"Brasil, a eficácia sem encanto"

Do El País
A seleção de Dunga despachou sem dificuldade a Costa do Marfim, uma equipe com muito músculo e pouca cabeça. De uma partida modorrenta no início, o Brasil soube tirar proveito, mas definitivamente perdeu muita de sua graça. Hoje, ganha como antes, mas ná há alegria, não há samba, mas muito heavy metal. Com o bastão maçante de Dunga, a seleção canarinho continua poderosa. É uma equipe eficaz, um tanto cautelosa até se sentir em vantagem e a partir daí gotejar chispas. Bons futebolistas nunca lhe faltarão. Frente a uma equipe desestruturada como a Costa do Marfim passou um longo tempo cercando até sacar o machado. As vitórias do Brasil marcam pontos, mas são esquecidas por serem rotineiras. Esse Brasil continuará somando títulos, mas não mais lendas.
 
Nota do Editor - O artigo de El País toca em pontos com os quais concordamos. Mas enquanto o Brasil continua vencendo, a Espanha, que pratica jogo vistoso, não tem conseguido encontrar o caminho das redes. (Sidney Borges)
 
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Por falar em Ficha Limpa

Claudius

Deu em O Globo

Ficha Limpa: burocracia atrapalha punição

No TSE, decisão pune políticos condenados, mas lentidão da Justiça poupa os que são alvo de lista de processos

Carolina Brígido
O Supremo Tribunal Federal (STF) guarda em suas prateleiras milhares de processos ainda não julgados contra políticos brasileiros – que, se não forem condenados por nenhum outro tribunal, poderão ficar livres para concorrer às eleições deste ano, sem serem afetados pela Lei da Ficha Limpa. Alguns desses políticos colecionam ações na mais alta Corte do país sem nunca terem sido condenados por lá.

O deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), por exemplo, responde a cinco ações penais e a cinco inquéritos. Entre os crimes dos quais é acusado estão desvio de dinheiro público, peculato, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A mais antiga ação penal contra Jader chegou ao STF em 2003. O inquérito mais antigo, em 1997.

O deputado Neudo Campos (PP-RR) é outro que nunca foi condenado pelo STF, mesmo tendo atingido a impressionante marca de dez ações penais e onze inquéritos, nos quais responde por crimes como peculato, formação de quadrilha, fraude em licitação e compra de votos. A ação e o inquérito mais antigos contra ele chegaram à Corte no mesmo ano: 2007.

O senador Marconi Perillo, também oficialmente com a ficha limpa no STF, responde a três inquéritos e duas ações penais na Corte. São crimes de corrupção, prevaricação, abuso de autoridade e tráfico de influência.

O senador Ernandes Amorim (PTB-RO), responde a três ações penais e a quatro inquéritos. Entre os crimes a ele atribuídos estão desacato e fraude à Lei de Licitações.

Já o senador Romero Jucá (PMDB-RR) responde a um inquérito por compra de votos. O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), embora tenha sido absolvido no STF por casos de suposta corrupção em seu governo, responde a duas ações penais no STF, ambas datadas de 2007. Entre os crimes a ele atribuídos estão corrupção e falsidade ideológica. (Do Blog do Noblat)

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Coluna do Rui Grilo

A Guerra contra o crack

Rui Grilo
Na sua coluna de 04/06/10, o Celsinho diz: “É angustiante ver a falta de perspectivas para a nossa garotada.” Em seguida diz que há algumas ações, mas de pequeno alcance frente ao elevado número de jovens e que é necessário um esforço muito maior e mais abrangente; mas fica em dúvida se há atores confiáveis para conduzir um processo de mobilização da comunidade, isentos de interesses pessoais, sejam políticos, financeiros ou religiosos.

No entanto, é preciso estar com olhos abertos para ver que há várias iniciativas no sentido de articular ações e parceiros para que se consigam melhores resultados.

Uma delas é o Plano de Mobilização pela Educação,através do qual o Ministério de Educação e Cultura procura elevar o IDEB – índice de desenvolvimento da educação básica, chamando para a participação os governos estaduais e municipais, as escolas, as famílias, sindicatos e organizações não governamentais.

Outra iniciativa, que segue as mesmas orientações da primeira, é o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack**, assinado por Lula em 20/05/10, ocasião em que fez a seguinte análise:

“Sabemos que não é uma droga de rico, é mais para pobre, e sabemos que ela está sendo utilizada nas pequenas cidades. É uma droga mais barata e está tendo um efeito devastador. Vamos tentar encontrar um jeito de jogar muito duro para combater o crack em parceria com os prefeitos. Queremos a participação das igrejas, dos sindicatos”.

Para discutir essa questão, o programa Expressão Nacional*, da TV Câmara, reuniu os deputados Alceni Guerra (DEM-PR), Paulo Delgado (PT-MG) e Osmar Terra, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, e a coordenadora da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo, Ana Cecília Marques.

Os vários participantes foram unânimes em elogiar a atitude de Lula ao assinar o decreto e ao convocar uma reunião dos prefeitos pois o uso dessa droga se pulverizou, atingindo pequenas cidades e todas as classes sociais. Os prefeitos, por conhecerem o território e os problemas imediatos são fundamentais para a solução do problema.

Para Osmar Terra, “o crack nos pegou de surpresa” causando a morte de 6 pessoas por dia no RS e aproximadamente 100 em todo o Brasil, razão pela qual o traficante de crack deveria ter uma penalidade maior.

O efeito é tão devastador que Caetano Veloso, ao ver uma usuária de crack na rua, suspendeu a sua adesão à defesa da descriminalização das drogas.

Os vários participantes do programa chegaram à conclusão que, se não houver integração entre o governo, a sociedade, a igreja e a família a situação não vai melhorar.

Osmar Terra enfatizou a necessidade de prevenção a partir da melhoria da pré-escola, pois é lá que se desenvolvem habilidades, atitudes e valores; que se vai formar a resiliência, ou seja, a capacidade de resistir ao desejo de experimentar drogas, do consumo a qualquer preço, de praticar atos que considera imorais ou prejudiciais a si e aos outros.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, Paulo Delgado relatou a experiência de Governador Valadares, em que, para combater o envolvimento de adolescentes com drogas, a prefeita resolveu expandir os turnos escolares, conseguindo com essa medida baixar os índices de envolvimento com drogas.

Assim, Celsinho, concordo com você quando propõe a articulação de um grupo para pensar essas questões e a realização de um levantamento de dados dos trabalhos que estão sendo feitos aqui em Ubatuba, dentro dessa perspectiva de articulação entre os vários segmentos da sociedade.

Veja que os dois programas, embora elaborados pelo PT, chama e conta com a participação de pessoas de diferentes partidos e concepções religiosas. O programa da tv teve a participação da UNIFESP e de políticos de diferentes partidos: Alceni Guerra, do DEM; Paulo Delgado, do PT; e Osmar Terra, do PMDB.

Rui Grilo – ragrilo@terra.com.br

Para ver os dois blocos do programa aqui e aqui

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Opinião

As remessas de lucros

Editorial do Estadão
Está acontecendo com as multinacionais europeias o mesmo que ocorreu com as norte-americanas no período mais agudo da crise de crédito internacional - suas subsidiárias brasileiras estão remetendo para as matrizes todo o dinheiro que possam, seja ou não lançado contabilmente como lucro ou dividendos. Para isso, algumas delas estão vendendo ativos para empresas brasileiras, ou de outros países que querem entrar em nosso mercado ou ampliar seus negócios aqui. De janeiro a abril, as remessas de lucros foram de US$ 8,078 bilhões, dos quais US$ 4,4 bilhões ou 54,5% de responsabilidade de companhias europeias. Como as empresas brasileiras que operam no exterior remeteram para cá US$ 147 milhões, o déficit nessa conta é de US$ 7,931 bilhões, total que supera os investimentos estrangeiros diretos no período, US$ 7,880 bilhões (líquido).

Isso seria motivo de apreensão. Mas o Brasil já superou a fase em que alguns setores identificavam nas "transferências internacionais" as raízes de nossos males econômicos. Elas são livres e devem continuar livres, desde que não resultem de atividades ilícitas e cumpram as obrigações tributárias, estando em conformidade com as leis em vigor.

Mas o País está sofrendo, sim, o impacto da crise fiscal que se abate sobre os países da zona do euro e que, pelo menos até agora, não se refletiu nas exportações para nenhum país europeu. A situação é mais séria na Espanha e em Portugal, que figuram hoje como grandes investidores no Brasil. É significativo que as transferências de lucros para a Espanha tenham atingido cerca de US$ 1,1 bilhão no quadrimestre, um aumento de 80% com relação ao mesmo período do ano passado. Já os investimentos espanhóis no Brasil tiveram um recuo de 74% de janeiro a abril.

É normal esperar que, com a aceleração do ritmo de atividade no Brasil, as empresas instaladas no País obtenham maiores ganhos e que as subsidiárias das múltis remetam mais lucros para o exterior, o que tem sido também favorecido pela sobrevalorização do real. E essa tendência se acentua quando os países que aqui mais investem passam por crises.

Como mostrou reportagem do Estado (15/6), as remessas de lucros cresceram mais de dez vezes desde 2000, atingindo o pico de US$ 33,8 bilhões em 2008, sob influência direta das turbulências da economia nos EUA, que desembocaram na crise de 2008/2009, com repercussões globais.

Isso, naturalmente, causa problemas para o balanço de pagamentos do Brasil. Com um superávit comercial bem mais baixo que nos últimos anos e com forte pressão sobre a conta de serviços e rendas, que se agrava com o maior peso do déficit do item remessa de lucros e dividendos, o déficit em transações correntes pode superar US$ 76,1 bilhões este ano, como estima o Banco Central. Tudo vai depender do saldo da conta de comércio, que está em recuperação.

O Brasil não tem motivo para adotar restrições, ainda que burocráticas, ao fluxo internacional de capitais, mesmo porque é um de seus grandes beneficiários. Os investimentos diretos das empresas europeias podem cair, as suas remessas podem aumentar, mas não é irrealista esperar que o investimento estrangeiro cresça no segundo semestre deste ano, podendo alcançar US$ 36 bilhões em dezembro, como é a expectativa do mercado. Como mostrou um estudo do professor Antonio Corrêa de Lacerda, da PUC, o Brasil é, entre os Brics, o país que mais recebeu investimentos diretos estrangeiros em relação ao PIB.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 21 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Faculdades estão mais baratas"

Valores chegam ao menor nível em dez anos devido à concorrência e à estagnação no ingresso de novos alunos

Concorrência acirrada e estagnação na entrada de novos alunos derrubaram as mensalidades das universidades particulares ao menor nível em dez anos. De 1999 a 2009, o valor nominal médio caiu 31% - de R$ 532 para R$ 367-, aponta levantamento do Semesp (sindicato das universidades particulares de SP) em todo o país. No período, a inflação acumulada pelo INPC chegou a 104,3%. Dados do MEC mostram que, de 1999 a 2008, o número de instituições particulares de ensino superior subiu 123%. Mas, entre 2007 e 2008, o número de novos alunos avançou só 0,6%.

O Estado de São Paulo
"Brasileiro troca dívida em cheque especial por cartão"

Hoje o limite da conta é fonte de 34% dos empréstimos realizados pelas famílias, ante 60% há dez anos

Após vários anos como principal linha de crédito dos brasileiros, o endividamento pelo cheque especial tem perdido espaço. Dados do Banco Central mostram que o uso dessa opção nunca foi tão baixo. O limite da conte é fonte de 34% dos empréstimos realizados pelas famílias, ante 60% ha dez anos. Os clientes vêm migrando para o cartão de crédito, que tem o maior juro entre as operadoras bancárias: 238,3% ao ano, ante 116,3% do cheque especial. Para a Federação Brasileira dos Bancos, a mudança no perfil de endividamento ainda não preocupa, mas "pode haver problema" se o ritmo persistir. Brasileiros têm hoje 586,6 milhões de cartões, média de três por habitante.

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domingo, junho 20, 2010

Papo do Editor

Brasil passa para a segunda fase

Sidney Borges
O Brasil fez três, levou um e apanhou da falta de classe do adversário. Parecia um jogo fácil e quase acabou em tragédia. Elano saiu de campo em péssimo estado depois de receber uma entrada cavalar e sem propósito. O autor da deslealdade nem levou cartão amarelo. Na seqüência perdemos Kaká, expulso de campo. Não vai jogar contra Portugal. Vão mal na fita os franceses, o time é um desmantelo só e o bananão que apitou o jogo de hoje é fraco, não poderia estar na Copa do Mundo. Até gol de mão ele deixou passar. O juiz de Mali, que anulou o gol que daria a vitória aos Estados Unidos, também não. Apitou "mali".

Estou acompanhando o que vem saindo na mídia sobre o tema do momento, a necessidade de "Ficha Limpa" para registro de candidatura. Apesar de valer para a eleição deste ano, a lei tem brechas que manterão os "ficha-suja" em ação. O Brasil é a terra onde tudo pode, isto é, desde que haja dinheiro para cobrir honorários advocatícios.

Amanhã publicarei considerações do Dr. Salata, expert em legislação eleitoral. O texto, oportuno e esclarecedor, saiu no Estadão.

No mais tudo calmo em Ubatuba, calmo até demais. O frio veio e ameaçou ficar, mas hoje deu trégua aos torcedores. Churrascos, muitos churrascos, Ubatuba cheira a churrasco. Agora vou ver o Dunga resmungar na televisão, hoje ele esteve mais pra Zangado.

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