sábado, maio 01, 2010

Ticket


Boxe


Pela Honra dos EUA

Mais do que apontar o adversário do filipino Manny Pacquiao no fim do ano, o duelo entre os meio-médios Floyd Mayweather e Shane Mosley, hoje, em Las Vegas, vai servir para resgatar o orgulho norte-americano na nobre arte. O maior centro do pugilismo está em crise. Apenas sete dos 68 campeões das 17 categorias distribuídas nas quatro principais entidades nasceram nos EUA.

Jornalistas, técnicos e boxeadores americanos apontam como causa a globalização, que proporcionou uma invasão hispânica, asiática e do leste europeu. “Talvez a necessidade deles seja maior que a nossa para se dedicar a um esporte duro como o boxe”, disse o lendário técnico Angelo Dundee, de 88 anos, que trabalhou com Muhammad Ali e Sugar Ray Leonard, entre outros grandes campeões.

Mayweather x Mosley é comparado com duelos que envolveram Sugar Ray Leonard, Marvin Hagler, Roberto Duran e Thomas Hearns. “Será uma grande luta, mas não irá superar as nossas disputas”, brincou Hearns, que teve o apoio de Leonard. Os dois estiveram ontem no MGM antes da pesagem oficial.

Pacquiao, que está nas Filipinas onde se prepara para disputar uma vaga no Congresso nas eleições de 10 de maio, aposta em Mosley. “Se ele estiver bem fisicamente, deverá vencer.” O técnico de Mosley, Naazim Richardson, está confiante. “Ele vai ganhar de vez o direito de ser chamado de Sugar III”, afirmou, referindo-se ao apelido de seu pupilo, o mesmo de Ray Leonard e Ray Robinson, dois dos maiores boxeadores de todos os tempos.

Mayweather, 33 anos, está invicto, com 40 vitórias (25 nocautes) e já foi campeão cinco vezes em quatro categorias. “O boxe precisa de mim.” Mosley, de 38 anos, soma 46 vitórias (39 nocautes) e 5 derrotas. O canal Combate transmite a partir das 22h.

Nota do Editor - Hoje é sábado, primeiro de de maio, dia do trabalho. Justamente nesse dia sagrado para idealistas de um mundo sem diferenças, ou seja, dia de reflexão em que não se deve trabalhar, dois pugilistas estarão trabalhando duro para divertir milhões ao redor do mundo. Nesta noite, em Las vegas, Floyd Mayweather e Shane Mosley trocarão sopapos em uma das lutas mais promovidas dos últimos tempos. Sinal dos tempos, como colocou com propriedade o especialista Wilson Baldini Jr.. Os títulos de boxe estão fugindo dos Estados Unidos, que por mais de 100 anos foi a meca do esporte das luvas. Os lutadores chegam à América de todas as partes do mundo. Os promotores, homens da grana, continuam firmes nos Estados Unidos promovendo boxe, para eles um mina de ouro. Esta noite promovem mais uma "luta do século". Entre aspas, por óbvio. Um campeão de 33 anos que ainda não mostrou sua arte frente aos melhores e um veterano (Mosley) em fim de carreira. Ambos bons pugilistas. Eu disse bons pugilistas. Não me empolgam. O filipino Manny Pacquiao sim, esse é diferente.

O canal Combate vai transmitir a luta para quem estiver disposto a pagar. O sistema PPV (Pay Per View) é comum nos Estados Unidos, onde a TV por assinatura custa 12 dólares por mês. No Brasil, terra de cartórios e amigos do rei, o mesmo serviço custa 70 dólares a cada 30 dias e se o assinante quiser ver um espetáculo pugilístico terá de pagar mais 60 dólares. Para quem está nos EUA a entrada custa entre 150 e 1250 dólares. Boxe é caro. Cada dia mais caro. E boas lutas, cada dia mais raras.

Eu não colocaria meu rico dinheirinho para ver um caça-níqueis (Mayweather) lutando contra um veterano que deveria estar aposentado. Shane Mosley ganhou o título dos meio-médios do mexicano Antônio Margarito, lutador previsível, burocrático. Foi uma contenda cercada de boatos. No vestiário Margarito foi surprendido quando enfaixava as mãos com gaze contendo gesso. O procedimento custou caro, ele está suspenso nos Estados Unidos. Na luta Mosley fez o de sempre, Margarito não, mal-preparado acabou beijando a lona.

Já Mayweather fez sua última apresentação contra o valente Juan Manuel Marques, de peso inferior. Marques, ao contrário de "Money", apelido de Mayweather, costuma trocar golpes e embora tenha um cartel com grandes vitórias carrega o peso dos golpes recebidos. Está na hora de parar. Não foi páreo para a velocidade e os contragolpes do adversário mais pesado.

Mosley (2 vezes) e Mayweather venceram Oscar De la Hoya em decisões divididas. Eu teria dado empate nas três lutas. O combate entre "Golden Boy" (Oscar) e "Money" foi aborrecido, monótono e repetitivo. Do terceiro round em diante sempre a mesma coisa, De La Hoya atacando sem eficiência e Mayweathher fechado, recebendo golpes na guarda e de vez em quando contragolpeando sem causar danos. Bulshit!

Quem viu as batalhas de Thomas Hearns contra "Mano de Piedra" Duran, "Sugar" Ray Leonard e Marvin "Marvelous" Hagler sentiu saudades dos tempos em que havia lutadores que de fato lutavam.

No apagar das luzes da brilhante carreira, De La Hoya resolveu voltar aos tempos de glória e escolheu um adversário "fácil". Manny Pacquiao. O filipino era mais leve e embora tivesse um cartel respeitável, sempre lutou contra adversários do mesmo porte ou menores. A mão pesada de De La Hoya deveria favorecê-lo.

Pacquiao é de fato mais leve, mas golpeia com as duas mãos e é rápido, além de ter queixo de aço. No dia da luta eu acreditei na propaganda oficial e tive uma surpresa, coisa difícil de acontecer comigo que acompanho a nobre arte desde os anos da década de 1960. Pacquiao deu uma verdadeira surra em De La Hoya, que desistiu do combate e parece ter entendido o recado. Os dias de glória foram para a glória. Melhor pendurar as luvas.

Meses depois outra luta entre um meio-médio nato e um leve que subiu de peso foi anunciada com estardalhaço. O demolidor Cotto foi escolhido para enfrentar o filipino Pacquiao, nova sensação do mundo do boxe. Depois de desmontar De La Hoya "Pacman" colocou o falastrao Haton para dormir no 2º round. Um dos nocautes mais espetaculares de todos os tempos.

Cotto foi outra vítima da velocidade e da eficiência de Pacquiao. Completamente dominado terminou a luta dando a impressão de ter sido atropelado por um fenemê. Para os leitores jovens esclareço, fenemê é o apelido de um tipo de caminhão feito no Brasil. (FNM) O bravíssimo utilitário foi da maior importãncia na construção de Brasília.

Eu não arrisco apostar em um favorito na noite de hoje. Acredito que dificilmente os golpes previsíveis de Mosley chegarão ao destino, bem como os contragolpes de Mayweather. No entanto, os dois são campeões e têm experiência, qualquer vacilo pode ser fatal. Imagino que a decisão será por pontos e sem unanimidade. Não descarto o empate. Money precisa enfrentar e vencer de forma clara Cotto e Margarito para então alcançar o nível de Pacquiao, hoje o melhor pugilista do mundo em todos os pesos. Aí sim teremos a luta do século.
(Sidney Borges)


Artigo publicado no site da Golden Boy Promotions:

Confira a agenda: Na noite de 16 de setembro de 1981 o tempo parou por uma hora enquanto o título dos meio-médios era disputado. Sugar Ray Leonard e Thomas Hearns fizeram uma grande luta em Las vegas. Hoje os também meio-médios, Floyd "Money" Mayweather e Sugar Shane Mosley, estarã frente a frente na maior luta de 2010.
Nos últimos anos, os campeões de boxe têm vindo do exterior como Vitali Klitschko e seu irmão Wladimir, Ricky Hatton, Manny Pacquiao, Joe Calzaghe e Juan Manuel Marquez.

Na década de 1980 a maioria das super-lutas eram realizadas entre americanos. Batalhas memoráveis podem ser citadas, Leonard-Hearns, Leonard-Hagler, Hearns-Hagler, Larry Holmes-Gerry Cooney, Ali-Holmes, Michael Spinks-Holmes e Mike Tyson-Spinks.

O mesmo pode ser dito de muitas das grandes batalhas da década de 90, incluindo Evander Holyfield- Riddick Bowe, Holyfield-Tyson, Holyfield-George Foreman, Roy Jones Jr-Bernard Hopkins, Jones Jr-James Toney e Pernell Whitaker-Oscar De La Hoya.

A primeira década do novo século assistiu a uma mudança. Algumas lutas de bom nível envolveram pugilistas norte-americanos (Mayweather-De la Hoya, Hopkins-De La Hoya, Mosley-De La Hoya I e II), mas nada perto do que aconteceu antes. Talvez Mayweather-Mosley represente o início de uma mudança no caminho de volta aos dias gloriosos do passado.

Ninguém tem certeza da origem da palavra "welterweight", (meio-médio) mas os historiadores de boxe estão certos de que o primeiro campeão mundial da divisão de 147 libras (66,15 kg) foi Paddy Duffy de Boston,  coroado em 1888. Nos 122 anos desde então, a divisão tem sido dominado pelos americanos.

* Em 1939, Henry Armstrong de San Luis, considerado inferior apenas a Sugar Ray Robinson nas listas dos melhores de todos os tempos, defendeu o seu título welterweight em 11 empolgantes combates.

* Robinson, de New York City, é lembrado principalmente como um peso médio, mas suas melhores lutas foram como welterweight. Ele manteve o título por cinco vezes e foi derrotado apenas uma vez, por um médio natural, o grande Jake LaMotta.

* Um punhado de meio-médios concorreu ao título de melhor em todas as categorias: Whitaker (Norfolk, Virginia), Leonard (Palmer Park, Maryland), Mayweather (Grand Rapids, Michigan), Mosley (Pomona, Califórnia), De la Hoya (Los Angeles), e Donald Curry (Fort Worth, Texas).

* Outros pugilistas lendários que ostentaram o título dos meio-médios antes de subir de categoria foram Mickey Walker (Elizabeth, New Jersey) e Carmen Basilio (Canastota, New York).

* A revista Ring Magazine coloca entre as 10 melhores lutas de todos os tempos quatro entre meio-médios americanos: Basilio-DeMarco II, Leonard-Hearns I; Simon Brown- Maurice Blocker e Mosley- De la Hoya I.

Entre os meio-médios há lutadores de muitas escolas pugilísticas. Pacquiao vem das filipinas, Miguel Cotto, Felix Trinidad e Wilfredo Benitez de Porto Rico, Ike Quartey de Gana, Ted "Kid" Lewis" da Inglaterra, Joe Walcott de Barbados, Jimmy McLarnin da Irlanda, Pipino Cuevas do México, Roberto Duran do Panamá e José Nápoles e Gavilan Kid de Cuba.

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Tecnologia

Megatelescópio em deserto do Chile está em construção e ficará pronto em 2018

European Extremely Large Telescope (E-ELT ")

A revolução na percepção do universo causada por Galileu, 400 anos atrás, vai ganhar um novo fôlego daqui a oito anos, inclusive com tecnologia capaz de detectar vida em outros planetas. É o que promete o E-ELT (European Extremely Large Telescope), o maior telescópio do planeta, que está sendo construído no deserto de Atacama, no Chile, e está previsto para começar a funcionar em 2018.

O Conselho do Observatório Europeu Astral, que reúne 14 países que investem na tecnologia de observação espacial, escolheu o deserto chileno por ele estar localizado a 3 mil metros de altitude, vencendo a "concorrência" com La Palma, na Espanha, que também estava na briga para abrigar o megatelescópio.

O E-ELT contará com um espelho primário de 42 metros de diâmetro e custará US$ 1,5 bilhão para ser construído. O E-ELT será instalado no centro do deserto do Atacama, o mais árido do mundo, a 1.200 quilômetros de Santiago, onde está o Very Large Telescope (VLT), até agora o observatório óptico mais poderoso do mundo.

bandiera rossa

Avanti Popolo

Manifestações do Primeiro de Maio de 1886

1º de Maio – Dia Mundial do Trabalho

“A história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mais também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade.”

Perseu Abramo

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho. (Fonte: IBGE / Ministério do Trabalho)

Nota do Editor - Em homenagem aos bravos idealistas-petistas que aguardam a eleição de Dilma Roussef e a conseqüente implantação da "Ditadura do Proletariado", o Ubatuba Víbora publica a letra da canção "Bandiera Rossa", ícone do ideal socialista. (Sidney Borges)

Primeiro verso
Avanti o popolo, alla riscossa,
Bandiera rossa, Bandiera rossa.
Avanti o popolo, alla riscossa,
Bandiera rossa trionferà.

Refrão
Bandiera rossa la trionferà
Bandiera rossa la trionferà
Bandiera rossa la trionferà
Evviva il comunismo e la libertà.

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Diana Krall

Astrud Gilberto

Deu na Veja

Sem nenhum medo de ser feliz

Dono de uma das maiores contas publicitárias do governo, ex-marqueteiro do presidente Lula é acusado de dar calote em pequenas emissoras de rádio e embolsar o dinheiro

De Alexandre Oltramari (original aqui)
A agência Matisse é um dos mais intrigantes casos de sucesso da propaganda brasileira. Em 2003, com a chegada de Lula ao governo, a empresa deixou de ser uma nanica regional para tornar-se uma potência. Comandada pelo publicitário Paulo de Tarso Santos, marqueteiro de Lula em 1989 e 1994, ela entrou para o time das grandes ao vencer a licitação para administrar a milionária verba publicitária da Presidência da República. Seu sucesso, a partir daí, foi estrondoso.

Nos últimos sete anos, a Matisse conseguiu a proeza de se manter como a única agência a prestar serviços ininterruptos à Secretaria de Comunicação do governo. Há dois meses, porém, essa escalada de sucesso sofreu um revés. Sem explicação, Paulo de Tarso Santos anunciou que estava abandonando a empresa para se dedicar a outros negócios. O que se descobre agora é que o publicitário, na verdade, deixou a Matisse por suspeita de desviar recursos públicos.

Sua agência recebia as verbas do governo para pagar anúncios de campanhas oficiais, mas o dinheiro não chegava ao destino – pequenas emissoras de rádio e jornais do interior. O que aconteceu? Por enquanto o máximo que se pode dizer é que alguém embolsou os valores, e o publicitário, como sócio da empresa, foi responsabilizado por isso.

A saída de Paulo de Tarso da Matisse tem relação direta com as irregularidades. No início do ano, a Secretaria de Comunicação (Secom), chefiada pelo ministro Franklin Martins, tomou conhecimento de que um grupo de pequenas empresas de comunicação reclamava ter sido vítima de um calote de 5 milhões de reais por parte do governo federal. Os casos não se encaixavam nos tradicionais atrasos provocados pela burocracia e, curiosamente, envolviam sempre a mesma agência, a Matisse.

Dívidas que se arrastavam havia mais de cinco anos e que começaram a criar dificuldades para o próprio governo. Além do constrangimento, algumas emissoras passaram a recusar publicidade oficial. A Secom tentou contornar o problema, notificando formalmente a Matisse para que quitasse as dívidas. Em outra frente, também mudou seu sistema de pagamento. Antes, o órgão repassava dinheiro às agências depois que elas comprovavam a exibição da propaganda. Agora, além de comprovar a exibição, as agências precisam atestar o pagamento aos veículos.

A mudança de procedimento ocorreu após duas reuniões entre o ex-marqueteiro de Lula Paulo de Tarso e executivos da Presidência da República, no início do ano. Numa delas, inclusive, os ânimos se exaltaram. Ao ser questionado sobre a falta de pagamentos, o publicitário teria insinuado que aquilo era um procedimento normal. Exaltado, o secretário executivo da Secom, Ottoni Fernandes Junior, teria convocado seguranças para expulsar Paulo de Tarso de sua sala.

A discussão foi narrada a VEJA por uma pessoa muito próxima aos dois personagens – que não querem falar sobre o assunto. "Não vou comentar a suposta expulsão", disse Ottoni a VEJA por meio de sua assessoria. Paulo de Tarso admite que as reuniões foram muito duras, mas diz que a versão do que exatamente ocorreu cabe a Ottoni. "A versão sempre deve ser do cliente", afirmou a VEJA o ex-marqueteiro de Lula. "Tínhamos um passivo de 1,5 milhão de reais com os fornecedores. O escalonamento é uma coisa normal. Mas a Secom também devia para a gente", justifica.

Procurada por VEJA, a Matisse garante que não deu calote nem desviou dinheiro público e que só deixou de pagar a quem não comprovou a veiculação dos comerciais. "O mecanismo de controle está cada vez melhor, cada vez mais azeitadinho", explica Valmir da Silva, gerente financeiro da agência. Não é o que narram as vítimas. Um dos lesados, sob a condição de anonimato, desabafou a VEJA: "O pior é que a gente não pode fazer nada. Como uma pequena emissora do interior do país vai afrontar a agência do governo?"

O grupo de comunicação do ex-presidente Fernando Collor de Mello, a Gazeta de Alagoas, encontrou uma maneira. Não publica mais propaganda da Presidência enquanto a Matisse não quitar uma dívida de 44.993 reais, referente aos anos de 2008 e 2009. "Sempre que ocorre inadimplência de uma agência, como agora, bloqueamos a veiculação de anúncios", explica Eduardo Frazão, coordenador financeiro da empresa.

No Maranhão, o Sistema Mirante de Comunicação, que pertence à família de José Sarney, também tomou o cano da Matisse, mas prefere não falar sobre o assunto. "São informações restritas. Não posso comentar", afirma Júlio Cesar Lima, auditor financeiro da empresa.

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Opinião

Anistia e acesso à verdade

Editorial do Estadão
O noticiário sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter inalterada a Lei da Anistia destacou que os 7 ministros contrários à revisão pleiteada pela Ordem dos Advogados do Brasil para permitir a abertura de processos contra acusados de torturar presos políticos durante a ditadura militar invocaram, todos, a dimensão política do ato de 1979. A anistia, apontaram eles com razão, resultou de um pacto entre o governo e as oposições, no Congresso e na sociedade, pela pacificação do País, inaugurando o processo de transição que desembocaria, 5 anos depois, no restabelecimento da democracia sem novos ciclos de violência.

De fato, embora não fosse propriamente essa a prioridade da grande maioria dos grupos e organizações, entre os quais a Ordem dos Advogados do Brasil, que se articularam para criar o Movimento pela Anistia, na passagem do governo do general Ernesto Geisel para o de João Figueiredo ? mas libertar os encarcerados do regime e promover o retorno dos exilados ?, as forças oposicionistas que negociavam com os militares aceitaram que, para se consumar, o perdão "amplo, geral e irrestrito" fossem incluídos na anistia os "crimes conexos" ? codinome para os abusos de toda ordem, inclusive a tortura.

E assim se deu. "A lei nasceu de um acordo de quem tinha legitimidade para celebrar esse pacto", avaliou o ministro Cezar Peluso, no seu primeiro julgamento como presidente do Supremo Tribunal Federal. Mesmo Ricardo Lewandowski, um dos dois juízes que se pronunciaram pela revisão da lei (o outro foi Ayres Britto), guardou-se de defender a quebra automática da anistia para todos os apontados como torturadores. Ele sustentou que a Justiça deveria decidir "caso a caso" para determinar se os crimes alegadamente cometidos foram políticos ou comuns.

No entanto, a sucessão de manifestações no Supremo Tribunal Federal em favor da incolumidade da Lei da Anistia, por ter sido a reconciliação política o seu objetivo essencial - "a anistia foi aprovada para esquecer o passado e viver o presente com vistas ao futuro", sintetizou o ministro Gilmar Mendes -, acabou deixando em segundo plano um argumento decerto ainda mais poderoso. Está contido no parecer do relator da ação, Eros Grau, ele próprio vítima do arbítrio nos anos 1970. "Nem mesmo o Supremo Tribunal Federal está autorizado a reescrever leis de anistia", apontou, depois de rever os casos anteriores do gênero no Brasil e em países vizinhos. "Só o Congresso Nacional (que aprovou a de 1979) poderia fazer isso."

O raciocínio se casa com princípios de direito que também desautorizam a revisão judicial da medida tomada há 30 anos. Os partidários do julgamento dos torturadores afirmam que a legislação penal brasileira considera a tortura crime e que o Brasil é signatário de convenções internacionais que tornam o crime imprescritível. É fato. Mas quando a anistia foi promulgada, nem uma coisa nem outra havia acontecido. Ambas datam de muito mais tarde. "A legislação não pode retroagir para punir quem quer que seja", observa o jurista Ives Gandra Martins. Leis só retroagem para beneficiar.
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Manchetes do dia

Sábado, 01 / 05 / 2010

Folha de São Paulo
"Número de homicídios cresce 23% na capital"

Depois de nove anos em queda, taxa no 1º trimestre volta a aumentar

Após nove anos em queda, a capital paulista voltou a registrar aumento do número de homicídios no primeiro trimestre do ano. Em média, foram mortas mais de quatro pessoas por dia. O crescimento de 23% foi quase o triplo do apurado no interior do Estado (8%) – que havia elevado o índice de assassinatos em 2009. O governo do Estado classificou a alta como uma oscilação. Em nota, afirmou que os índices de mortalidade em São Paulo são a metade do restante do país. O comunicado ressaltou a redução dos crimes contra o patrimônio. A principal queda foi em latrocínio (roubo seguido de morte) – 22%. Para especialistas, a alta dos homicídios alerta para a necessidade de rever a política de segurança pública. Segundo núcleo da Unesp, a polícia deveria investir mais na investigação dos crimes para evitar a impressão de impunidade.

O Estado de São Paulo
"Petrobrás prevê capitalização de US$ 60 bilhões até julho"

Estatal aposta que a operação, a maior já feita para uma única empresa, será autorizada pelo Congresso em maio

A Petrobrás decidiu realizar operação de capitalização de US$ 60 bilhões até o final de julho. Segundo disse o diretor financeiro Almir Barbassa ao Estado, a Petrobrás está segura de que até o fim de maio sairá a aprovação do Congresso para o projeto de lei que garante a operação de cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo de propriedade da União à estatal. Esse volume, das jazidas do pré-sal, corresponderá à parcela que o Tesouro subscreverá no capital de empresa, não em dinheiro, mas em petróleo. O projeto prevê que a cessão onerosa se faça primeiro com o repasse de títulos de dívida pública e que, em seguida, servirão para a Petrobrás pagar o petróleo que receberá da União. “Se, apesar de nossa aposta, essa aprovação não sair, então teremos de fazer a capitalização de outro jeito”, afirmou Barbassa. Embora essa deva ser a maior operação de capitalização de uma única empresa em todos os tempos, a Petrobrás tem certeza do sucesso.

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sexta-feira, abril 30, 2010

Brasil varonil

Os dois países de Lula

Sandro Vaia (original aqui)
Um país está indo bem, com a cabeça no lugar.

O presidente do Banco Central, com a austeridade de um monge, preside a reunião de um comitê de sábios financeiros que aumenta, por unanimidade, em 0,75% a taxa básica de juros, porque a inflação de demanda ameaça ressuscitar o velho e aparentemente adormecido dragão da inflação.

Um dia antes, Henrique Meirelles pontificou: “A autoridade monetária não precisa provar mais nada a ninguém. As decisões de política monetária são técnicas”.

País sério, esse país de Lula.

No Supremo Tribunal Federal, os juízes da mais alta corte do País decidiram que a Lei da Anistia não pode retroagir e excluir de seus efeitos os crimes de tortura, como a OAB queria. O Procurador Geral da República defendeu a posição do governo de que os efeitos da lei só poderiam ser modificados por outra lei aprovada pelo Congresso Nacional.

País maduro, esse país de Lula.

Na verdade, esse é um dos países de Lula - aquele mergulhado na realidade da vida cotidiana, que busca viver racionalmente, ao largo das paixões partidárias, sem malabarismo e sem feitiçarias, que procura - com percalços aqui e ali - seguir uma linha política e econômica pautada por um senso de responsabilidade que não tem nada a ver com as bravatas (na expressão dele) de campanha eleitoral. Um verdadeiro governo de continuidade - nenhuma linha mestra dos governos que o antecederam foi modificada, a não ser no discurso. E como se sabe, discursos podem mudar percepções, não a realidade.

O outro país de Lula, que ele mesmo manipula e estimula, é o país dos lulistas, que vivem num permanente e exaltado clima de recreio ideológico, brincando de arquitetar a reforma definitiva e profunda da sociedade, e que vão erigindo seus castelos de areia em cima, na maioria das vezes, de uma utopia socialista cujos escombros o resto do mundo civilizado já enterrou. Lula incentiva os seus lulistas a brincar com as bolhas de sabão, até que elas estourem sozinhas. Depois, sábio e ladino como é, dá de costas, deixa o recreio dos meninos para trás, e volta a cuidar da vida real.

As bolhas de sabão do recreio são os planos de estabelecer ‘controles sociais’ sobre a vida dos outros e sobre os meios de comunicação, de enterrar a anistia unilateralmente e punir só um dos lados, de apoiar as invasões de terra do MST, de estabelecer uma política externa Sul-Sul de efeitos pouco mais do que patéticos. O Lula lulista incendeia a retórica para animar o recreio ao mesmo tempo em que o Lula presidente, com a outra mão, cuida de não deixar o País sair dos trilhos.

Ele mesmo já disse, mas poucos de seus seguidores cuidaram de ouvi-lo e de refletir sobre o significado dessas palavras: “De vez em quando, acho que foi obra de Deus não permitir que eu ganhasse em 1989. Se eu chego em 1989 com a cabeça do jeito que eu pensava, ou eu tinha feito uma revolução no País ou tinha caído no dia seguinte.“

Lula está em 2010, mas a massa dos lulistas militantes está em 1989. E ele os mantém lá por puro cálculo político eleitoral. É mais fácil moldar as mentes quando elas estão em elevada temperatura, em grau de fusão. Manter o time pressionando no ataque, mesmo sem fazer gols, é a melhor maneira de deixar a arquibancada em excitação permanente.

O país de Lula é melhor que o país dos lulistas.

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Papo do Editor

Véspera de feriado

Sidney Borges
Continua chovendo em Ubatuba. Não aquela chuva pesada que quase arrasou o Rio de Janeiro. A chuva daqui é outra, ubachuva, constante, irritante, molhante, de encharcar ossos. Com ela o frio.

Ontem li no twitter que em Nova Iorque fez 5º C num dia e 30º C no outro, variação de pasteurizar. Consigo antever dias quentes pela proa, mas não convém palpitar. A meteorologia tem variado tanto que nem índios acertam o porvir.

Como não há novidades climáticas, tentei encontrar alguma coisa de novo na política. Não achei nada digno de nota. Há calma no horizonte.

Na Câmara houve uma significativa mudança. O vereador Silvinho Brandão estreou página no Orkut e mudou os cabelos. Trocou o rabo-de-cavalo argentino por um modelito chanel. Na cidade fala-se muito da Santa Casa. Boatos e boatos. Prefiro aguardar o relatório da Cruz Vermelha que deveria ter ficado pronto em vinte dias, mas até agora, passados mais de quarenta, ainda não deu as caras. O Ubatuba Víbora não tem pressa, o atraso é compreensível. Os auditores devem apresentar um trabalho detalhado e isso demanda tempo.

Nesta semana participei como observador de uma reunião política. Estão sendo formados grupos para discutir propostas e viabilizar candidaturas, embora a eleição ainda demore dois anos e meio. Fazer reuniões é bom, mas convém lembrar que eleições são ganhas com dinheiro. Quem tiver mais leva. Na última foi assim e na próxima também será. Paulo Ramos perdeu a reeleição por ter acreditado no ovo antes da postura, achou que o jogo estava no papo e não colocou a mão no bolso. Além de dinheiro é preciso legenda. Há muitos pretendentes ao trono filiados em partidos onde não terão vez. Antes de sonhar com a mão da donzela é preciso estar qualificado. Em breve será aberta a temporada de caça às legendas de aluguel.

Mudando o tema, acabo de voltar do Itaguá onde a beleza da paisagem afastou de minha mente problemas e maus pensamentos. A Baía é bonita com tempo bom e poética com chuva, quando a paisagem ao fundo perde o verde e fica acinzentada.

Um fato notório nos dias que antecedem os grandes espetáculos midiáticos do ano, Copa do Mundo e eleições, é a expansão da internet como fonte de notícias. Quando iniciamos este blog, em 2004, a rede engatinhava, hoje dá passos largos rumo à hegemonia da informação. Jornais e revistas sempre existirão, televisão e rádio também, mas a internet engloba os veículos que há e de quebra é temperada com pitadas de arte cinematográfica. Mas nem tudo são flores no jardim, a velocidade e a instabilidade da conexão que funciona a passos de tartaruga e o preço extorsivo, são fatores contrários ao desenvolvimento da rede.

O governo põe a culpa na privatização das teles. Depois de 8 anos com a caneta na mão esse discurso não convence. Se a Banda Larga é ruim é por falta de ação dos órgãos competentes e das agência fiscalizadoras que não fazem direito seu trabalho.

Amanhã é primeiro de maio, data importante dos movimentos socialistas. Aqueles desfiles que víamos no cinema, milhares de soldados da ex-União Soviética marchando ao lado de foguetes e canhões, sobrevoados por caças a jato e observados por generais carrancudos e medalhados, são inesquecíveis.

Os generais soviéticos eram mal encarados, os argentinos pior ainda, os brasileiros não ficavam atrás, mas nunca houve nem haverá personagem sinistro como Pinochet.

A televisão mostra dois documentários e um seriado sobre a Segunda Guerra Mundial. Hollywood gosta de violência. Tenho a impressão que os executivos do cinema almoçam estupros e jantam assassinatos em série. Tenho reservas quanto ao tema, prefiro comédias e musicais. Bom 1º de maio.

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Eleições 2010

Muda tudo na campanha do PT!

Radar Online - Veja
João Santana, o marqueteiro do PT, teve seu papel reduzido a produtor dos programas de televisão no horário político que começa em agosto. O comando da comunicação foi entregue ao deputado estadual e jornalista Rui Falcão (PT-SP), que está montando uma superestrutura em Brasília e São Paulo, com dezenas de profissionais renomados já contratados nas diferentes áreas. - O comando político da campanha está dividido entre o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, o ex-prefeito mineiro Fernando Pimentel, e os deputados federais paulistas Antonio Palocci e José Eduardo Cardoso, que nem sempre falam a mesma língua.
 
Kotscho é rigoroso:
 
- Dilma ainda não conseguiu se livrar do figurino e da linguagem de tecnocrata, (está) pouco à vontade no papel de candidata. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)
 
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Dança das cadeiras

Política e críticas a gestão ditam troca na TV Cultura

Markun deixou cargo por divergência com Sayad e necessidade de acomodar aliado. Conselheiros de fundação que administra emissora veem dificuldade de mudar estrutura administrativa e interesses internos do PSDB

Folha de S.Paulo
O jornalista Paulo Markun deixou de ser o candidato do governo paulista à presidência da TV Cultura para a eleição de 10 de maio por dois motivos práticos e por necessidade de acomodação política, segundo conselheiros da Fundação Padre Anchieta, que administra a emissora, ouvidos pela Folha.

Os motivos práticos citados pelos conselheiros são a suposta incapacidade de Markun de cortar funcionários (e custos) e de mudar a programação da emissora. A acomodação está ligada à dança de cadeiras no PSDB: com a troca de governo em 2011, João Sayad, secretário de Cultura do governo paulista, ficaria sem cargo mesmo em caso de vitória de Geraldo Alckmin, com quem não tem afinidade política.

Andrea Matarazzo deve substituir Sayad na secretaria. A acomodação política uniu-se ao desejo de Sayad de ocupar a presidência da TV para tentar mudá-la radicalmente.

Markun foi convidado para o cargo por Sayad, mas as críticas abertas do ex-secretário à programação da emissora corroeram a relação entre os dois. A tensão começou já no início do mandato de Markun, em 2007, como comprovam atas do conselho da fundação. Markun reclamava da redução de verbas do governo. Em outubro daquele ano, mencionou o corte de R$ 18,8 milhões, que seriam utilizados na digitalização da TV.

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Coluna do Celsinho

Vivo

Celso de Almeida Jr.
Quando eu era garoto, ficava no pé do meu avô para construirmos brinquedos de madeira.

Ele tinha uma pequena oficina, nos fundos de sua casa, no Itaguá.

Imagine...

Depois do almoço, ele tirava uma soneca.

Com pijama e tudo.

De repente, eu aparecia para por fim ao sossego merecido.

Ele se levantava, tomava um café...e pronto!

Eu farei o mesmo pelos meus netos?

Não sei. Vamos aguardar...

Quantas lembranças!

O pontalete de eucalipto que desdobrávamos na serra circular.

Aquele cheiro da madeira macia.

Lixar, furar, pintar, quantas passagens bacanas.

Fizemos de tudo.

Trenzinhos.

Caminhonetes.

Carrinhos de boneca.

Prateleiras estilizadas.

Depois, num bazar organizado na escola recém fundada, eu vendia aos pais dos alunos.

Poxa!

Que saudade!

Estou falando de 3 décadas atrás.

Onde estará o vovô?

Virou pó como aquele produzido com a lixa de madeira?

Pois é...

Ainda sinto a presença dele.

Morreremos todos?

Talvez o pensamento nos garanta a imortalidade.

Aliás, ficaremos nos corações de quem?

De quantos?

A lembrança em mentes diversas traduzirá realmente quem fomos nós?

Temos alguma missão a cumprir?

Fico confuso, leitor paciente.

Talvez, seja o fim de mês.

Pouco dinheiro, muitas contas.

Uma certa vontade de fabricar brinquedos.

Alimentar sonhos.

Voltar à bela infância.

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Opinião

Os 'hermanos' se afagam

Editorial do Estadão
Desde 2007, os presidentes do Brasil e da Venezuela têm se reunido a cada três meses. Desta vez, na quarta-feira, em Brasília, reuniram-se para assinar 21 tratados e acordos bilaterais nas mais variadas áreas e para discutir a agenda da próxima reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na semana que vem, em Buenos Aires. Dito assim, pode parecer que Lula da Silva e Hugo Chávez não tinham mãos a medir para dar conta de tão substanciosa agenda, decisiva, quem sabe, para a projeção do País no Hemisfério e para que a Venezuela "não fique dependente apenas do petróleo que produz, mas que também possa desenvolver-se em outros campos da economia", como declarou generosamente o brasileiro.

Deve contribuir para isso, é o caso de deduzir, a instalação de uma fábrica de latas para alimentos no vizinho país, objeto de um dos documentos a merecer o autógrafo dos dois assoberbados chefes de Estado hermanos. A bem da verdade, nem todos os acordos firmados por eles têm essa escassa envergadura. Mas a obra, no conjunto, foi claramente concebida para deixar a impressão de que as relações entre Brasília e Caracas, além de robustas, são exemplares em matéria de integração regional ? descontados o fato de a Venezuela atrasar pagamentos às empresas brasileiras de porte médio incentivadas a fazer negócios ali e o sufoco que é depender da burocracia bolivariana. Chávez, por sinal, já trocou duas vezes o ministro que cuida das negociações com o Brasil.

Se Lula e seu exuberante hóspede trataram em privado desses desconfortos não se sabe. Em público, aos afagos, referiram-se ao seu esporte preferido, a ponto de, em dado momento, Chávez troçar com a logorreia do anfitrião. "Tu hablas mucho", fingiu criticar, numa versão fraternal do célebre pito que lhe passou certa vez o rei da Espanha, Juan Carlos: "Por que no te callas?" Vai ver, o mais falastrão dos governantes mundiais, também nisso herdeiro do aposentado ditador cubano Fidel Castro, está passando por uma metamorfose desde que resolveu aderir a mais essa engenhoca do Império, como diria, que é o microblog Twitter, onde cada mensagem não pode ultrapassar 140 sinais.

Não escapa a ninguém que as manifestações da dupla são um convite à ironia, quando não ao desalento. Surpreendido pelos jornalistas brasileiros com a pergunta que os seus colegas venezuelanos pensariam duas vezes antes de não fazer ? quando deixará o governo? ?, um Chávez visivelmente agastado com tamanho delito de lesa-majestade traiu-se ao lembrar que o monarca espanhol tem um cargo "vitalício". Disse também que o seu primeiro-ministro pode se reeleger indefinidamente (o que é apenas normal nos sistemas parlamentaristas), alheio, como é óbvio, às ofuscantes diferenças entre a democracia espanhola, para ficar no seu exemplo, e a ditadura em avançado estágio de construção na Venezuela ao longo dos 11 anos de chavismo.

Ao fim e ao cabo, o caudilho desistiu do lero-lero e afirmou que não sabe quando se irá e que não tem sucessor à vista. Pouco antes, ao falar da expansão da democracia na América Latina - personificada, para ele, pelo líder boliviano Evo Morales, por ser indígena -, Lula evocou o apoio que dera a Chávez, por ocasião do fracassado golpe de Estado contra ele, em 2002. No seu costumeiro estilo leve, livre e solto, inventou que, então, só não foi crucificado "porque faltava madeira para fazer cruz". Naturalmente, a denúncia do golpismo passou ao largo da quartelada comandada em 1992 pelo então coronel Hugo Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 30 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Lei da Anistia fica como está, diz STF"

Por 7 votos a 2, tribunal decide que legislação de 1979 não pode ser alterada para permitir punição a torturador'

Por 7 votos a 2, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a Lei da Anistia, editada em 1979, não pode ser alterada para punir agentes do Estado que praticaram tortura durante a ditadura militar (1964-1985). Os ministros do Supremo julgaram pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Para a entidade, tortura é crime comum e imprescritível - quem o cometeu, portanto, não poderia ser beneficiado pelo perdão. Após dois dias de julgamento, o tribunal entendeu que a lei foi "bilateral" e fruto de acordo político resultante de um "amplo debate" travado pela sociedade. Prevaleceu a tese do relator, Eras Grau, ele próprio preso e torturado na década de 70. O julgamento encerra uma polêmica que dividiu o governo Lula entre os que queriam manter a lei, como a Advocacia-Geral da União, e os que queriam mudá-la, como a Casa Civil.

O Estado de São Paulo
"Revisão da Lei de Anistia é rejeitada pelo Supremo"

Por 7 a 2, STF mantém legislação que impede julgar agentes do Estado que cometeram crimes na ditadura

O Supremo Tribunal Federal concluiu que a Lei de Anistia é válida e, portanto, não se pode processar e punir os agentes de Estado que atuaram na ditadura e praticaram crimes contra os opositores, como tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados. Depois de dois dias de julgamento, a maioria dos ministros do STF rejeitou ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional que questionava a concessão de anistia a agentes da ditadura e propunha uma revisão. No debate, venceu, por 7 votos a 2, a tese defendida na quarta-feira, primeiro dia de julgamento, pelo relator da ação no STF, Eros Grau, ele próprio vítima do regime militar. O ministro disse não caber no STF alterar textos normativos que concedem anistias e observou que a lei resultou de amplo debate que envolveu políticos, intelectuais e entidades de classe, dentre as quais a própria OAB.

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quinta-feira, abril 29, 2010

Peixaria

Foto: Sidney Borges

Papo do Editor

Futebol e Boxe

Sidney Borges
Acabei de ler na internet um artigo assinado por um engenheiro chamado Carlos Alberto Borges. Na hora me veio à cabeça o atacante do Palmeiras e da Seleção Brasileira da década de 1980. Aconteceu com ele um fato inusitado, caiu-lhe um ráio na cabeça em pleno Parque Antartica.

O fenômeno inverteu a polaridade do craque. Em um jogo logo após o acontecimento ele desembestou a driblar adversários e companheiros atravessando o campo em direção ao próprio gol. Por pouco não marcou contra. Depois da eletrização o futebol insinuante do parente distante do editor deste blog, que também pertence ao tronco dos Borges, minguou. Emprestado ao Santos, retornou aos domínios palestrinos em 1987, mas nunca mais foi o mesmo.

Quem está fora dos padrões é o volumoso Ronaldo Fenômeno. Ontem não fez nada, embora o jogo estivesse mais para pólo aquático. A chuva estragou o espetáculo e o comentarista do canal SporTV torrou meus pacovás comparando o "time pesado" do Corinthians com a "leveza" do Flamengo. Como falam bobagens esse conhecedores. O Corinthians é muito mais time do que o Flamengo, o jogo de ontem foi uma exceção, na semana que vem, se não chover, o Timão passa pra outra fase. Se chover vira loteria. Comentário de alguém que é neutro. Meu time, o tricolor, foi bem no Peru. Espero que na semana que vem vá bem no Morumbi.

Mudando de futebol para boxe. No dia 1º de maio, sábado, Floyd Mayweather e. Shane Mosley estarão frente a frente em mais uma das propaladas "luta do século". Maywhwather já foi cogitado para enfrentar Popó, mas a luta acabou não acontecendo. É um pugilista rápido e contragolpeador, não gosta do combate franco, portanto não faz o gênero da maioria dos amantes da nobre arte.

Maywhwather tem dopping natural, nasceu com uma configuração muscular que o dotou de velocidade acima da usual. Há pugilistas rápidos, ele é um pouco mais rápido. E golpeia com precisão quando atacado. A luta mais importante de sua carreira foi contra Oscar De La Hoya, vencida em decisão dividida. Confesso que não gostei da luta e menos ainda da performance debochada de Maywheather. Ele pode continuar vencendo e até acabar a carreira invicto, mas jamais empolgará como Carlos Monzon, Muhammad Ali, Eder Jofre, Thomas Hearns e Manny Pacquiao.

Sobre Shane Mosley paira a dúvida. Se não conseguiu derrubar De La Hoya, conseguirá acertar o rapidíssimo Maywheather? Analistas americanos em maioria esmagadora apostam na vitória por decisão de Maywheather. Eu não arrisco um palpite, mas penso que quando há fumaça geralmente o fogo existe.

Mosley ataca bastante, mas em suas lutas irrita a quantidade de golpes que faz a torcida pensar: "se acertasse acabava a luta". Fica no ar o "se". Boxe é eficiência.

Monzon era implacável, quando percebia que o adversário estava em dificuldades combinava jab de esquerda, direto de direita e gancho de esquerda e quando o atônito adversário procurava se desvencilhar dos jabs vinha o gancho no baço com a direita e o cruzado em cima com a esquerda. Enquanto o adversário não fosse à lona ele não parava de bater. mas isso só acontecia depois do quarto round, nos primeiros ele media a distância e soltava poucos golpes fortes. Veja no YouTube a luta contra Tony Licata. (aqui)

O cubano Jose "Mantequilla" Nápoles foi campeão absoluto dos meio-médios. Sem adversários na categoria desafiou Monzon pelo título dos médios. A luta aconteceu em Paris, em 1974 e foi transmitida pela Tupi, com narração de Walter Abrahão e comentários de Gerdy Gomes, um cara engraçado que chamava o Parque São Jorge de Parque Jorge por conta de um boato que dizia que São Jorge não era santo.

Nápoles era habilidoso, praticava um boxe eficiente e envolveu Monzon nos primeiros assaltos, mas a partir do quinto só apanhou e preferiu não voltar para o sétimo. Durante alguns anos não houve pugilistas de grande destaque, mas de repente surgiu uma constelação de craques encabeçada pelo performático Thomas Hearns. Os nomes da época são: Roberto "Mano de Diedra" Duran, Sugar Ray Leonard e Marvin "Marvelous" Hagler, os melhores pesos médios que vi lutar, obviamente situados em um plano inferior ao de Monzon, o maior de todos os tempos.

Hoje os grandes lutadores são meio-médios, os pesados que tanto empolgavam o público não têm mais carisma. Depois da geração de Myke Tyson e seus coadjuvantes surgiram os gigantes da ex-União Soviética que dominaram a categoria e afastararam o foco dos refletores. Os irmãos Klitschko são previsíveis, burocráticos, aborrecem.
Enfim, se você gosta de boxe, fique atento no sábado, a luta não vai ser transmitida no Brasil, um absurdo, mas no dia seguinte acompanhe neste site: http://boxeohoy.blogspot.com/ . Eles costumam exibir coisas que outros sítios de boxe não fazem.

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Eleições 2010

Painel: Duda Mendonça ofereceu serviços à campanha de Dilma

colaboração para a Folha
Duda Mendonça tentou em janeiro oferecer seus serviços à pré-candidata petista à Presidência Dilma Rousseff, informa o "Painel" da Folha desta quinta-feira (29) (íntegra só para assinantes UOL e do jornal). O movimento foi abortado pelo presidente Lula, que impôs o publicitário João Santana na comunicação.

O marqueteiro, que, durante a CPI do Mensalão afirmou ter R$ 10,5 milhões do PT numa conta secreta no exterior, disse que "com Serra ou Dilma a gente está bem servido". Ele tem contas tanto no governo federal quanto no de São Paulo, terreno tucano.
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Nota do Editor - Duda não é bobo. Onde está a grana está a verdade e nessa campanha o ervário está com os candidatos Dilma e Serra. Como o Tucano escolheu Gonzales para cuidar do marketing, Duda tentou ficar com a mina de ouro remanescente. Imaginando a quantidade de galos de briga que daria para comprar com o cachê... (Sidney Borges)

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Sociais


Conexões

Sidney Borges
Acima as fotos de duas figuras que muito fazem por Ubatuba e merecem toda a consideração. Na foto superior o "estadista" Eduardo Cesar que dispensa apresentações. Abaixo o grande administrador da Câmara Municipal de Ubatuba, Dr. Rodrigo, de competência reconhecida e reputação ilibada.
Ambos são amigos entre sí e amicíssimos do editor do jornal Expressão Caiçara, Caito Espíndola, intelectual de renome que muita cultura traz à cidade.
Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Eduardo Cesar, Dr. Rodrigo e Caíto Espindola são amigos de fé, irmãos e camaradas. A eles a sincera homenagem do Bozo, digo do Ubatuba Víbora.

Manhã no Itaguá

Foto: Sidney Borges

Física

Força magnética

Sidney Borges
Uma partícula eletrizada é lançada com velocidade v, numa direção que forma um ângulo θ com o eixo Ox de um sistema cartesiano ortogonal xOy. Na região existe um campo magnético uniforme de intensidade B1, direção e sentido do eixo Ox. Além deste campo existe na região outro campo magnético uniforme de intensidade B2, direção e sentido de Oy.

Para que a força magnética resultante sobre a partícula seja nula a relação entre B1 e B2 é dada por:


a) B2 = B1 . senθ
b) B2 = B1 . cosθ
c) B2 = B1 . tgθ
d) B2 = B1
e) B2 = B1 . √2
Nota: Em negrito: vetor.

Danos morais

Ronaldo Ésper e Clodovil Hernandez

Justiça condena Clodovil, mesmo morto, a indenizar Ronaldo Ésper

Processo por danos morais foi provocado por entrevista em 2005. Justiça analisa outra ação em que Clodovil exige indenização do rival.

Roney Domingos Do G1 SP
A Justiça de São Paulo condenou o deputado federal e estilista Clodovil Hernandez, morto em março de 2009, a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais ao também estilista Ronaldo Ésper. O valor da sentença é metade dos R$ 10 mil reivindicados por Ésper, que três meses após a morte de Clodovil solicitou à Justiça que o espólio de Clodovil continuasse responsável pelo pagamento da indenização.

A advogada do espólio de Clodovil, Maria Hebe Pereira de Queiroz, disse ao G1 que a disputa judicial não termina agora. Clodovil, embora morto, ainda é parte em processo contra Ésper por danos morais.

A decisão proferida pela juíza Maria Carolina Mattos, da 14ª Vara Cível de São Paulo, em 13 de abril, refere-se a um processo aberto em 2005. Ainda cabe recurso. Na ação, Ésper acusou Clodovil de ter dito a uma revista que ele (Ésper) roubou obras de arte na Itália, local onde morou.

"Diante do exposto, julgo procedente o pedido para condenar o réu espólio de Clodovil Hernandes ao pagamento de indenização por danos morais", afirmou a juíza, na sentença.

Na ação, Clodovil afirmou que apenas reproduziu à revista o que ouviu de Ésper durante uma conversa entre os dois no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo. Segundo o texto da sentença, Clodovil contou à revista que ouviu de Ésper o relato de que ele, Ésper, "teve problemas ao sair da Itália com obras de arte por não conseguir comprovar sua procedência".

A advogada que cuida do espólio de Clodovil, Maria Hebe Pereira de Queiroz, disse que ainda não foi informada oficialmente da decisão que condena o espólio a pagar a indenização, mas antecipa que vai recorrer. Ela deixou claro, no entanto, que a sentença não a surpreende.

"A gente já esperava isso. O Clodovil falou efetivamente o que não devia e na época o Ronaldo não conseguiu ficar quieto, foi à TV e fez ofensas gravíssimas ao Clodovil", disse ela. "Eu ainda disse para o Clodovil na época: 'Não sei se é bom ou se é ruim, porque você vai perder essa ação, mas vai ganhar outra", afirmou Maria Hebe.
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Nota do Editor - Quero ver o Oficial de Justiça notificar o réu. Quem sabe com a ajuda de Chico Xavier. Por sinal o filme dele está bombando. (Sidney Borges)

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Veículos


Land Rover faz recall mundial com 18 mil veículos; 123 estão no Brasil

Folha Online da Reportagem Local 
A Land Rover anunciou nesta terça-feira recall do modelo Defender nas versões 90,110 e 130. A convocação atinge 18 mil proprietários nos países onde é comercializado, sendo 123 no Brasil, segundo a assessoria de imprensa da montadora.

De acordo com a empresa, o óleo lubrificante da caixa do sistema de transmissão pode vazar, devido a um dano causado em um anel vedador. Esse óleo pode impregnar as lonas do freio de estacionamento, fazendo com que não haja atrito suficiente para manter o veículo parado quando o sistema for acionado.

Os modelos com defeito foram fabricados em 2007 e 2008 e têm chassis entre 066843 e 068528, 740135 e 757662 e 739991.

O atendimento aos proprietários terá início amanhã (28). Segundo a empresa, os concessionários estão entrando em contato com os clientes, mas quem quiser obter mais informações pode procurar a Central de Atendimento, no telefone 0800 012 2733.

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Opinião

Um vexame europeu

Editorial do Estadão
A Europa fracassou em seu primeiro grande teste de cooperação e permitiu um assustador agravamento da crise iniciada em Atenas. A Grécia acabará sendo salva e o efeito dominó será interrompido, se as autoridades da zona do euro se mexerem nos próximos dias. Mas o estrago terá sido bem maior do que teria sido se os governantes das maiores economias da área tivessem demonstrado firmeza política e liderança. O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, reafirmou nessa quarta-feira a disposição de seu governo de participar do socorro financeiro à Grécia. A declaração foi feita depois de uma reunião, em Berlim, com o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Trichet pediu uma decisão rápida ao Parlamento alemão para a liberação do dinheiro - cerca de 8,4 bilhões em 2010.

A crise fiscal da Grécia tornou-se notícia em todo o mundo no começo do ano. O Tesouro grego estava quase quebrado e superendividado e, se entrasse em moratória, a reação do mercado poderia afetar outros países com as contas públicas em condições precárias. Na primeira reação, os governantes das principais economias da zona do euro vacilaram: a União Europeia não poderia ajudar um governo com problemas fiscais. Mas o risco de contaminação se tornou cada vez mais claro e uma solução igualmente óbvia foi sugerida. Cada governo poderia, como se agisse individualmente, pingar uma contribuição.

Combinou-se, nesse momento, evitar o recurso ao FMI. O Fundo havia ajudado vários países da União Europeia, desde 2008, mas nenhum da zona do euro. Um auxílio semelhante a um país-membro da união monetária seria vexaminoso. Até dirigentes do BCE se opuseram à participação do FMI na ajuda à Grécia.

Enquanto se perdia tempo, o mercado financeiro aumentava as apostas na insolvência grega e na contaminação de outros países. Decidiu-se, enfim, montar um pacote de ajuda. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciaram apoio à operação de socorro depois de uma reunião separada. Outros dirigentes da zona do euro concordaram. Até autoridades britânicas defenderam a iniciativa. Decidiu-se, além disso, admitir a participação do FMI. Afinal, a ajuda seria cara e algum reforço financeiro seria bem-vindo. Os países da zona do euro entrariam com cerca de 30 bilhões e o Fundo ajudaria com uns 15 bilhões.

Essa decisão de organizar o socorro à Grécia foi anunciada em 25 de março, logo depois do encontro de Merkel e Sarkozy e pouco antes de uma reunião de governantes da zona do euro com dirigentes da União Europeia. Passou-se um mês e nenhuma iniciativa realmente séria foi registrada na Europa. Na Alemanha, o governo deixou o tempo correr, sem pressa, por causa de eleições estaduais e da oposição de parte do eleitorado à ajuda à Grécia. Os dirigentes alemães parecem ter sido incapazes de mostrar ao público, durante esse tempo, as prováveis consequências de um calote grego e os custos para toda a zona do euro. Seus colegas de outros países foram igualmente omissos. Faltou liderança em cada país e também no conjunto do bloco.

O FMI foi mais rápido. Iniciou as negociações com o governo grego, em torno de um programa de ajuste de estilo tradicional, com critérios de desempenho e condições severas de ajuste. São condições pelo menos tão rigorosas quanto as alardeadas pela chanceler Angela Merkel e desenhadas por funcionários com maior experiência nesse tipo de assunto. Mas os alemães e governantes de outros países parecem não ter percebido ou valorizado suficientemente esse detalhe.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 29 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"BC aumenta juros após 19 meses"

Taxa básica subiu 0,75 ponto, para 9,5% ao ano; segundo o Copom, alta é resultado de pressões inflacionárias

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu aumentar em 0,75 ponto percentual o juro básico, para 9,5% ao ano. E a primeira alta em 19 meses. O Brasil continua tendo os maiores juros reais do mundo (descontando-se a inflação). Com a alta na taxa, o real deverá se valorizar ainda mais diante do dólar. A decisão de elevar os juros, unânime, visou "assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas", segundo nota do Copom divulgada depois da reunião. Desde março, as projeções de mercado para a inflação têm sido revisadas para cima. Nos últimos 12 meses, ela ficou em 5,1%, acima do centro da meta oficial, 4,5%. Nesta semana, a Folha revelou que o presidente do BC, Henrique Meirelles, defendeu uma "paulada" nos juros durante conversa com o presidente Lula. A taxa básica do BC serve só de referência; na prática, os juros da economia são bem maiores.

O Estado de São Paulo
"Planilha do caixa dois de Arruda cita 'Sarney'"

Sem especificar qual Sarney, texto escrito em parte pelo ex-governador mostra valores e as letras 'PG'

Um documento do caixa dois da campanha de José Roberto Arruda (DEM) ao governo do Distrito Federal lista o nome "Sarney", informa Leandro Colon. Não se sabe a quem da família o nome se refere. A anotação, manuscrita, foi feita pelo próprio Arruda, comprova perícia feita a pedido do Estado. À frente de "Sarney", o documento registra uma quantia e o quanto teria sido pago: "250/150 PG". Segundo a perícia, as letras "PG" foram escritas pelo tucano Márcio Machado, um dos arrecadadores do caixa dois e que, depois de vencida a eleição, virou secretário de Obras.

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quarta-feira, abril 28, 2010

Eleições 2010

Duda Mendonça diz que PT erra na vestimenta de Dilma

PLÍNIO FRAGA da Sucursal do Rio
O publicitário Duda Mendonça afirmou nesta terça-feira à noite que a campanha da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, erra na forma que tenta apresentá-la ao eleitor. "Não adianta desvirtuar a Dilma. Tem que deixar a Dilma ser como ela é. As pessoas vão entender como ela é ou não. Pegá-la e fazer outra pessoa...Vai ficar numa vestimenta que não é confortável, vai ficar escorregando volta e meia", disse Duda, em palestra de duas horas na Casa do Saber, em Ipanema, zona sul do Rio.

"Por que eu votaria na Dilma? Ou por que eu votaria no Serra? É a primeira pergunta fundamental. Tudo começa aí. Acabou-se o tempo em que a formação de opinião era de cima para baixo. O povo na base, e os artistas e intelectuais tinham uma opinião e saía na imprensa. A pirâmide virou de cabeça para baixo. Quem gera a opinião marcante que muda o voto é um igual, um colega de trabalho. A palavra mais importante é argumento. A palavra mágica em eleição hoje é argumento."

O publicitário tentou se mostrar imparcial, apesar da simpatia a Dilma. "Com a eleição de Serra ou de Dilma, acho que a gente está bem servido de qualquer lado. Sinceramente, independentemente da torcida da gente ser para este ou aquele candidato, não há risco de retrocesso. Cada um pode sua tendência aqui ou ali. O Serra é um baita governador, a Dilma está comprometida a prosseguir o que Lula está fazendo e dando certo."

Responsável pela campanha de Lula em 2002 e pelo marketing do governo até o escândalo do mensalão em 2005, Duda afirmou acreditar que Dilma deve vencer, graças ao apoio do presidente.

"A Dilma é de uma geração nova de política. Tenho privilégio de conhecê-la. Tem chance numa eleição muito disputada. Acho que Dilma ganha a eleição. O palco mais importante vai ser Minas", opina.

"Se não fosse o Lula, seria a vez do Serra. Serra é um baita de um quadro, puta governador. Se não fosse o Lula, era a vez dele. Mas Lula é igual Padre Cícero ou está ali perto."

Mensalão

Duda afirmou não ter certeza se devia ter confessado que recebeu R$ 10,5 milhões do PT numa conta secreta no exterior como fez na CPI do Mensalão. "Fiz meu trabalho, recebi e paguei meu imposto. Tenho um livro pronto, que vomitei na época. Não sei o título será 'Vale a Pena Falar a verdade' ou Não Vale a pena Falar a Verdade'."

Comentou as dificuldades de Dilma de obter apoio entre as mulheres, contingente em que as pesquisas a mostram mais frágil. "O PT tem uma camada de homens maior do que de mulheres. Talvez porque as mulheres sofrem mais com aquele momento inicial de greve, de apitaço...Ficou um pouco deste distanciamento. É possível melhorar? Sim. Na campanha do Lula melhorou. Ficou esta pontinha, sobretudo a ideia de radicalismo."

Marketing

Duda procurou vender-se como um vencedor. "Na eleição de prefeito, dei consultoria para 11 campanhas, tive a sorte de ganhar nove. Procuro pegar candidatos competitivos. É claro que as melhores propostas vêm de candidatos na UTI. Mas, se você for pegar assim, ganha muito dinheiro e perde todas. Vai ganhar uma e perder muitas. Tem que fazer um mix."

Duda afirmou que a imprensa dimensiona erradamente o papel do marqueteiro. "É uma profissão dura, para quem gosta de competir. É uma responsabilidade enorme lidar com a imagem dos outros. Quando você lida com a sua [imagem], você corre os riscos de dizer uma bobagem ou não. É exagerada a capacidade de poder que a imprensa dá a gente. É um trabalho de sensibilidade, de buscar conhecer a alma do povo."

O publicitário diz que não ser mágico. "Marketing é uma ferramenta de apoio. Importante, mas nada mais do que isso." Lembrou pesquisa que saiu na Folha dizendo que o eleitor escolhe por emoção. "Faço isso há 20 anos. Por quê? Não sei. É a minha cara."

Duda negou que seja marqueteiro de si mesmo. "Nunca fiz nada por estratégia nem pelo meu próprio marketing. Nunca corri atrás de dinheiro. O dinheiro é que correu atrás de mim."

Respondeu à velha questão sobre se eleger um candidato é semelhante a vender sabonete: "Não existe um público eleitor e um público consumidor. Existe um público, que pensa, que sofre, que tem ambições, expectativas. A velha polêmica: trabalhar para um candidato é a mesma coisa que vender um sabonete? Sim e não. O sabonete não fala, esta é a vantagem. Pode mudar o perfume. O candidato você não pode modificá-lo demais. Pode até ajeitá-lo com a roupa, fazer a barba direitinho. Mas não pode mudar tudo."
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