sábado, abril 24, 2010

Em busca do voto

Ciro frustra o Planalto e irrita Lula com elogio a tucano

Furioso, presidente orientou Dilma a não entrar no bate-boca para não jogar mais combustível na crise

Vera Rosa e Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo
De todas as estocadas do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), a que mais surpreendeu e irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o elogio feito pelo antigo aliado a José Serra, candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Furioso, Lula orientou Dilma Rousseff, concorrente do PT, a não entrar no bate-boca para não jogar mais combustível na crise.

Para Lula, o fato de Ciro ter dito que ele está "navegando na maionese" não passa de "bobagem", mas a declaração referente a Serra - definido pelo deputado como "mais preparado, mais legítimo e mais capaz" do que Dilma - foi recebida como traição.Em público, Lula não comentou a entrevista de Ciro ao portal iG.

"Estou mudo", disse ele, ao chegar ontem para a posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso. Longe dos holofotes, porém, não escondeu a contrariedade. No seu diagnóstico, Ciro quebrou o acordo de tudo fazer para ajudar Dilma.

O presidente qualificou a situação como "dolorosa". A auxiliares, afirmou que não havia chamado Ciro para uma conversa a sós, até hoje, porque aguardava um sinal do PSB. Na prática, não sabia o que fazer. A certa altura, chegou mesmo a achar que ele aceitaria ser candidato ao governo de São Paulo, com o apoio do PT. Era o script combinado.

Depois, quando Ciro começou a bater cada vez mais duro, Lula recebeu da cúpula do PSB a garantia de que a desistência do cearense da disputa presidencial seria "administrada". O ex-ministro, porém, fugiu do controle.

Lula gosta de Ciro. Queria oferecer a ele a coordenação da campanha de Dilma ou afagá-lo de outra forma, mas não poderia jamais lhe dar a vice na chapa petista, já prometida ao PMDB. Para o governo, era isso o que o ex-ministro realmente queria.

"Ciro fez declarações injustas porque nós o acolhemos e brigamos com vários petistas por causa dele, quando havia a hipótese de sua candidatura ao governo paulista", afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). "Mas ele é nosso aliado. Não temos de cutucá-lo."

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também evitou a polêmica com Ciro. Cauteloso, Padilha disse que a comparação entre Dilma e Serra será feita pelos eleitores. "A campanha caminha para a polarização entre dois projetos e esperamos que o PSB esteja junto conosco", insistiu.
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Eleições 2010


Entrevista

Ciro Gomes falou ao SBT sobre sua pretensão de ser Presidente da República e tascou farpas em Lula, Dirceu, Serra e Dilma.

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2ª Parte

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Opinião

O golpe de graça do PSB

Editorial do Estadão
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) marcou para terça-feira as exéquias da candidatura Ciro Gomes ao Planalto. Se dependesse da cúpula da legenda, as pretensões presidenciais do deputado pelo Ceará deveriam se desmanchar "espontaneamente", em fogo brando, como já sugerem as pesquisas. Mas depois que - em um artigo tipicamente agressivo - ele chamou os socialistas às falas para se decidirem de uma vez por todas, o comando da agremiação resolveu antecipar o desenlace, mediante um golpe de graça para salvar a face de Ciro.

Em seguida a uma consulta aos diretórios regionais da sigla, neste fim de semana, a executiva socialista de 18 membros resolverá na terça o que de há muito resolvido está: o partido não terá candidato próprio à sucessão do presidente Lula e se integrará à caravana dilmista. Numa de suas exortações para que o PSB fizesse o contrário, indo consigo à disputa, o duas vezes ex-presidenciável argumentou que, de outro modo, a sigla estaria fadada a imitar o PC do B em matéria de subserviência ao governo. É verdade, mas não toda a verdade.

De um lado, o cacife político da legenda era e é notoriamente insuficiente para contrariar a estratégia eleitoral lulista do "nós e eles", firmada depois que se dissiparam as dúvidas sobre a saúde da então ministra Dilma Rousseff. A sorte de Ciro foi, como se diz, selada a partir do momento em que o presidente e o PT concluíram que a entrada em cena de um segundo nome governista, embora garantisse que a sucessão só se decidirá no segundo tempo, representaria um risco incalculável para as chances de Dilma.

Não seria o lulismo que se exporia à eventualidade de ver migrar para ele parcela decisiva do eleitorado, à medida que as limitações da candidata se revelassem insuperáveis. No limite, melhor perder com Dilma - hipótese que Lula trataria de tornar inconcebível - do que ganhar na segunda rodada com o instável e boquirroto aliado, que ainda ontem acusou Lula de "navegar na maionese" ao se achar o "Todo-Poderoso". Ciro detesta o PT quase tanto quanto o PSDB a que já esteve filiado, considerando ambos faces da mesma suposta hegemonia política paulista.

Além disso, no que dependesse do PMDB, Ciro morreria na praia. Não foi ele quem classificou a aliança PT-PMDB - neste caso coberto de razão - como um "roçado de escândalos"? (O que levou Dilma a atribuir-lhe o pecado da soberba.) De outro lado, com 28 deputados, formando a oitava bancada das 20 da Câmara, e apenas 3 governadores, o PSB precisa compor-se com o PT para não definhar no plano regional. Os socialistas têm 11 candidatos a governador, mas só 3 deles apoiados pelos petistas. E, correndo por fora, a anunciada aspiração do partido de "duplicar a bancada" federal se tornaria ainda mais despropositada do que já parece.

O próprio Ciro não tem moral para se queixar do presidente ou de seus correligionários. Afinal, ele aceitou prestar-se à ostensiva jogada de Lula para tirá-lo do pleito nacional, concordando em transferir do Ceará para São Paulo, seu Estado natal, o seu título de eleitor. Com isso, Ciro apequenou a sua alardeada imagem de altivez e independência, mesmo sabendo serem praticamente desprezíveis as chances de o PT paulista fechar com a sua candidatura ao governo estadual. Numa versão caridosa, ele teria querido dar uma prova de lealdade a Lula, na expectativa de que, ao fim e ao cabo, o "Todo-Poderoso" o deixasse competir no páreo principal. Se assim entendesse, agiria como um néscio - o que ele não é.
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Manchetes do dia

Sábado, 24 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Poluição por ozônio volta a aumentar em São Paulo"

Índice caía desde 2006; especialistas atribuem alta a aumento da frota

A qualidade do ar em regiões da Grande São Paulo piorou no primeiro trimestre por causa do ozônio, informa Eduardo Geraque. A poluição por ozônio, gerado na queima de combustível, vinha caindo desde 2006. Pela medição da Cetesb (agência ambiental paulista), a qualidade do ar só foi boa em 17 dias. Nos outros 73, oscilou entre má, inadequada e regular – o que, segundo analistas, coloca em risco a saúde a população. Os mais afetados são os idosos, crianças e portadores de doenças crônicas cardíacas e respiratórias. Para especialistas, um dos motivos do aumento da poluição por ozônio é o crescimento da frota automotiva. A Cetesb diz que o padrão de oscilação do ozônio no trimestre foi resultado de variação climática natural. Segundo o órgão, os danos à saúde só ocorrem quando a classificação cai para inadequada ou má.

O Estado de São Paulo
"Serra tem mais preparo que Dilma contra crise, diz Ciro"

Após ser preterido na disputa presidencial, deputado prevê vitória tucana e diz que Lula ‘navega na maionese’

Após a reunião com a cúpula do PSB que sacramentou o fim de sua candidatura à Presidência, para apoiar Dilma Rousseff (PT), Ciro Gomes disse ter a “sensação” de que José Serra (PSDB) vai ganhar a eleição. Em entrevista ao portal de internet Ig, Ciro afirmou que considera o tucano mais preparado que Dilma para enfrentar uma eventual crise cambial no futuro. Ele também fez críticas ao presidente Lula – que, para ele, “está navegando na maionese”, sentindo-se “o todo-poderoso” que “acha que vai batizar Dilma presidente”. O “pior”, afirmou Ciro, “é que ninguém chega para ele e diz ‘presidente, tenha calma’”. Ciro disse que não se envolverá na campanha: “Não me peçam para ir à TV declarar meu voto”. Em público, Lula não quis comentar as declarações de Ciro. “Estou mudo”, limitou-se a dizer. Mas Lula considerou o elogio a Serra uma traição e orientou Dilma a não entrar no bate-boca.

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sexta-feira, abril 23, 2010

Leitores

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Recado ao Prefeito

Sidney Borges
Na opinião do leitor Bruno o prefeito Eduardo Cesar não cuida das vias públicas como deveria. Eis o que ele escreveu a propósito do post "Aves!".

"Bruno para mim mostrar detalhes 21:49 (32 minutos atrás)
Bruno deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Aves!":

Interessante. Certas pessoas tem mesmo o talento para "observar" boas oportunidades de negócio, principlamete quando remuneradas pelo poder público. Gostaria de sugerir a municipalidade que contratasse alguns observadores de buracos, pois nossas vias estão em pésssimas condições.

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Postado por Bruno no blog Ubatuba Víbora em 9:49 PM

Obviamente o comentário foi recusado, não gosto de gente que critica a administração indiscriminadamente. Há casos em que a crítica é pertinente, mas o leitor Bruno generalisa de forma puramente especulativa. Ele está certo quando se refere aos que farejam bons negócios financiados pelo poder público.

Quando coloquei o cursor sobre a página do gmail apareceu a verdadeira identidade de Bruno. Está na figura, clique sobre ela para ver melhor.

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Luiz Inácio falou:

Sobre o clima

Luiz Inácio Lula da Silva
Essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado, sabe, ou retangular, e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetro de distância dos centros mais poluidores, ótimo, é ficá só lá, sabe, mas como o mundo gira e a gente também passa lá embaixo aonde tá mais poluído, a responsabilidade é de todos...

Eu já disse várias vezes. Freud dizia que tinha algumas coisas que a humanidade não controlaria. Uma dela era as intempéries.

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Dengue

Ubatuba é exemplo no controle da dengue na região

Cidade tem menos casos que municípios vizinhos graças a um intenso trabalho de prevenção por parte da prefeitura, mas é preciso a colaboração de todos para que a doença não se alastre

Sidney Borges
O título e o olho acima são do comunicado da Assessoria de Imprensa da Prefeitura. Eu acredito que a dengue seja um tema de interesse geral. Na eventualidade da desgraça prevalece o bom senso. Pelo menos uma vez na vida situação, oposição e os que não se preocupam com política estão do mesmo lado.

Sou testemunha do trabalho incessante dos funcionários encarregados do controle do vetor da dengue, o famigerado "Aedes aegypti".

Na minha casa vieram três vezes e nas três tomaram café, comeram biscoitos e não encontraram um criadouro sequer. Há algum tempo dei uma dica sobre libélulas, insetos eficazes na caçada ao Aedes. Eu sabia da voracidade desses exímios voadores, mas fiquei surpreso ao ver na Band uma matéria sobre cidades que estão plantando arbustos para atraí-los com a finalidade de combater a dengue.

A epidemia que tivemos não foi somente por falta de prevenção, em anos anteriores o trabalho tinha sido igual e nada aconteceu. O alerta fez com que os cuidados aumentassem, estamos  preparados, mas mesmo assim sujeitos a turbulências. Ubatuba é uma cidade aberta, recebe turistas de todo o Brasil. O Aedes, por mais controle que haja, não pode ser completamente erradicado.

Retomo a dica anterior: adote uma libélula e seja feliz. E torça para que não apareçam visitantes infectados.

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Rede Globoôôô...

Desocupados

"Bullying" digital

Geração 2.0
Casos de “bullying” na Internet já são comuns e têm merecido destaque na mídia: perfis falsos no orkut, páginas falsas ou informações inverídicas que agridem ou difamam pessoas ou instituições, e-mails falsos utilizando um endereço verdadeiro, etc.

Veja a definição de bullying no Widipedia: “é um termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz/es de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.”

O tema tem sido utilizado também para os casos de violência psicológica ou difamação provocadas com o auxílio da internet: mensagens falsas enviadas com o nome ou até o endereço de e-mail de outra pessoa, perfis falsos no Orkut ou sites de relacionamento, páginas na web falsas, etc.

Nota do Editor - O editor do Ubatuba Víbora, Sidney Borges, está sendo vítima de bullying digital.

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Nini

Os crimes que ninguém quer ver

Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa
Este colunista não tem nada favorável a dizer sobre o general Newton Cruz, que foi comandante militar do Planalto durante a ditadura. Mas ocupou cargos da mais alta importância, incluindo a agência central do SNI, o terrível Serviço Nacional de Informações; conheceu os governos por dentro; era companheiro dos generais que chegaram à Presidência da República. O que diz tem importância, portanto – ou por ser verdade, e nesse caso exige investigação, ou por ser mentira, e nesse caso exige punição. E, de qualquer maneira, o que diz pode configurar outro crime, o de ter conhecimento de fatos delituosos que ocorreram e, abdicando de suas responsabilidades, silenciar sobre eles.

A entrevista do general Newton Cruz ao jornalista Geneton Moraes Neto, no canal Globonews, foi quase ignorada pela grande imprensa. E, no entanto, ele narra coisas notáveis, como a proposta que disse ter recebido de Paulo Maluf, então candidato à Presidência da República, de mandar assassinar seu adversário Tancredo Neves, ou a informação de que sabe quem eram os militares que queriam promover novo atentado a bomba, logo após o atentado do Riocentro (veja a entrevista completa aqui ou leia o texto do próprio Geneton, aqui.

Muito bem: por que ninguém foi ouvir Paulo Maluf sobre a pesada acusação que lhe foi feita pelo general Newton Cruz? Ninguém foi investigar os passos do general no Rio de Janeiro quando, num encontro com militares-terroristas, disse ter mandado suspender o atentado que planejavam? Ninguém quis saber por que, sabendo que havia militares agindo fora da lei, fora da disciplina, fora da determinação de seu comando, não lhes deu voz de prisão, no momento ou mais tarde?

E não é só a imprensa: o Ministério Público já deveria ter aberto inquérito para apurar o que aconteceu. Os dois casos são espantosos: o primeiro, de proposta de magnicídio – o assassínio do candidato favorito à Presidência; o segundo, de terrorismo puro e simples, com a morte sabe-se lá de quantas pessoas inocentes.

E, no caso da imprensa, cadê a repercussão?

O caso Watergate foi liderado do início ao fim, nos Estados Unidos, pelo Washington Post. Mas os outros jornais foram atrás, lutaram, conseguiram suas informações. Aqui é capaz de nem terem visto a entrevista do general.

Nota do Editor - Buscar coerência em falas de Nini é perda de tempo. (Sidney Borges)

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Mundo

Bispo confessa que abusou de menor e se demite

Conexão América
O Papa Bento XVI aceitou a renúncia de do bispo de Brujas (Bélgica), Roger Vangheluwe, de 73 anos, esse que está lado de João Paulo II na foto acima. Roger confessou que, quando era padre, abusou sexualmente de um menino que fazia parte da equipe que o ajudava a rezar a missa. A foto de arquivo mostra Roger Vangheluwe junto a João Paulo II durante a visita do Papa à Bélgica, em 1985.

O bispo Roger afirmou que a vítima está até hoje marcada pelos fatos e embora tenha pedido perdão a ela e a sua família, nem uma das partes está em paz. Diante da torrente de acusações de vítimas com ampla cobertura da mídia, o bispo Roger tomou a decisão de se demitir. E declarou: "estou profundamente desgostoso com o que eu fiz, apresento minhas mais sinceras desculpas à vítima, à sua família, a toda a comunidade e à sociedfade em geral".

Roger é mais um dos vários sacerdotes que estão assumindo seus pecados depois que as vítimas resolveram botar a boca no trombone. O escândalo na Igreja Católica virou uma febre e o Papa Bento XVI aparentemente está aprovando essas demissões porque, ele acredita, podem ajudar a reeguer moralmente a instituição.

Já são dezenas de casos que estão sendo denunciados, como uma reação em cadeia. Nos EUA, só em Milwalkee são 200 vítimas, todas surdas, que sofreram abuso do padre Lawrende. O caso já está na Justiça.

Nota do Editor - Aqueles anjinhos barrocos... (Sidney Borges)

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Mundo Digital

"A Internet é um fenômeno de desintermediação"!

Trechos da entrevista do jornalista Juan Luis Cebrián, fundador do ‘El País’, hoje seu diretor. Estado SP (18)

No fundo a internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguarda os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? As próprias organizações políticas foram ultrapassadas pela movimentação dos cidadãos. Como ordenar tudo isso? Não sei. O envolvimento da imprensa com a política é um fenômeno antigo. O que é novo é a instantaneidade, a globalidade e a capacidade de transmissão de dados que, por si só, configura um poder fabuloso.

A internet cria um mundo sem hierarquias. E nós, acostumados ao mundo piramidal, com instituições fortes, o Estado, a Igreja, os partidos, enfim, com ordem estabelecida, agora temos que nos achar nessa imensa rede onde todos mandam e ninguém obedece. A sociedade democrática se move pela norma, que nos conduz à lei. No mundo virtual, a norma não conduz à lei, mas ao software.

Os jornais, tal como os conhecemos, se acabaram. Adiós... Não significa dizer que deixarão de existir. Esse adiós resulta tão somente da constatação de que os impressos pertencem à sociedade industrial, e não estamos mais nela. Entramos na sociedade digital. No ano passado, cerca de 600 jornais fecharam as portas nos EUA, alguns deles com muita tradição. Em geral, jornais nascem defendendo bandeiras políticas e, ao se manterem à custa das receitas publicitárias, preservam sua independência. Como esse modelo ficará? Não é uma bem-sucedida transposição do impresso para o online, porque não é verdade. São veículos diferentes. O que nos cabe perguntar é que tipo de jornalismo queremos ter na rede. Não está claro.

Teremos de investir em capital humano na rede se quisermos fazer diferença: ter bons jornalistas, gente com preparo para enfrentar operações globais. Mas é preciso mudar nossa forma de pensar. Nós continuamos a fazer jornais como se fôssemos o centro do mundo. Creio que já me livrei da dúvida de se a internet é uma ameaça ou uma oportunidade. Estou convicto de que é uma oportunidade. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)
 
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Vela


Rolex Ilhabela Sailing Week

Organização investe ainda mais no aumento de competitividade

A 37ª Rolex Ilhabela Sailing Week está confirmada. O maior evento de vela oceânica da América Latina será realizado entre os dias 17 e 24 de julho, tendo como sede o Yacht Club de Ilhabela (YCI), no Litoral Norte de São Paulo. A competição será aberta para as classes S40, ORC Internacional, ORC Club, HPE 25 e BRA-RGS.

José Manuel Nolasco, diretor de Vela do YCI e organizador do evento disse que este ano a RISW dará prioridade ainda maior para a competição e para a qualidade das disputas.

Em 2010, a Rolex Ilhabela Sailing Week terá apenas convidadas classes organizadas e ativas, com verdadeira expressão nacional e internacional. Teremos a novíssima Classe internacional S40, as Classes Internacionais ORC (ambas também válidas pelo Sul-Americano de Oceano), a HPE 25 e a BRA-RGS, em que os comandantes remanescentes da Bico de Proa poderão aderir e assim evoluir para o espírito competitivo, afinal de contas a razão maior da RISW, comentou o dirigente.
 
A Rolex Ilhabela Sailing Week tem patrocínio máster da Rolex, assim como da Mitsubishi Motors, da Semp Toshiba e Bradesco Private, com apoio da Marinha do Brasil, Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), Classe BRA-RGS, Classe HPE25 e Prefeitura Municipal de Ilhabela. A organização, sede e realização são do Yacht Club de Ilhabela.
 
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Aves!

Dia do Observador

Carlos Rizzo
O Observador de Aves já pode ser considerado hoje no Brasil como um grupo significativo e crescente de pessoas com um perfil bem definido de interesses e práticas, a exemplo do chamado birdwatcher, dos países de língua inglesa. É então interessante, para marcar junto à sociedade a presença desse grupo de pessoas, a instituição do Dia do Observador de Aves.

Assim o Centro de Estudos Ornitológicos decidiu promover a instituição desse dia. Entendemos que essa data não conflitará com o Dia da Ave, 5 de outubro, já instituído legalmente em nosso país, já que neste caso o foco de interesse e de comemoração são as aves. No Dia do Observador de Aves o homenageado é a pessoa que se dedica a essa prática.

Sugerimos que a data para ser o Dia do Observador de Aves seja uma data com um significado nacional, já que a proposta é que esse dia tenha essa abrangência.

Optamos, assim, pelo dia 28 de abril, a data em que Pero Vaz de Caminha fez as primeiras observações de aves documentadas em território brasileiro, em 1500, conforme consta em sua famosa carta ao rei de Portugal. É essa, portanto, a primeira informação de alguém que parou para contemplar as aves de nosso país bem como a primeira notícia dada ao ao Velho Mundo, da riqueza de nossa avifauna.

Veja mais sobre essa proposta e faça adesão no link:
http://www.ceo.org.br/campanhas/dia_do_observador.htm  

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Imprensa

Futuro do jornalismo investigativo preocupa Bill Gates

Do Webmanario
Bill Gates, quem diria, está extremamente preocupado com o futuro do jornalismo. Do jornalismo formal, por assim dizer, já que ele apenas recentemente aderiu às redes sociais _e onde também se faz jornalismo, apesar que em boa medida replicando o mainstream.

Numa entrevista ao San Francisco Chronicle, o criador da Microsoft bateu na tecla da preocupante redução de investimento em reportagens investigativas, especialmente de temas “que o público não gosta tanto, como a saúde global”.

Leitor inveterado de jornais, Gates diz que a blogosfera não irá substituir os grandes grupos de mídia, que teriam a obrigação moral de acompanhar de perto temas relevantes para a humanidade.

Na mesma entrevista, Gates fala bastante sobre redes sociais. Vale a pena dar uma olhada.

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Deu na Folha

Coreia do Norte alega "barbeiragem" e proíbe mulheres de dirigir

SÉRGIO RANGEL Enviado especial a Pyongyang
As mulheres trabalham pesado na sociedade norte-coreana, mas não têm os mesmos direitos que os homens. Elas não dirigem carros nem bicicleta na capital norte-coreana. Também não podem fumar no país. A alegação oficial para a proibição das mulheres no trânsito é que elas já provocaram muitos acidentes em Pyongyang.

A proibição foi determinada há cerca de dez anos pelo "querido líder" Kim Jong-Il, filho e sucessor do "pai da nação'', o "presidente eterno" Kim Il-Sung, morto em 1994.

Ao mesmo tempo são elas que tentam organizar o trânsito local, que tem ruas pouco movimentadas --a Coreia do Norte tem uma das menores frotas de carro do mundo.
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Nota do Editor - A notícia é mera propaganda do PIG contra o regime democrático da Coreia do Norte. Não posso deixar de protestar ante à insidiosa campanha que tem origem no revisionismo de Pyongyang e faz eco na imprensa burguesa. Coreia, Cuba, Venezuela, Irã e Bolívia estão juntos e nada deterá a união desses povos determinados. Por falar em Bolívia, é bom prestar atenção às palavras de Evo Morales. Consumir carne de frango é um perigo. Depois de algum tempo o distinto pode sentir vontade de atracar de marcha à ré, ou receber bafo quente na nuca. Ui! (Sidney Borges)

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Coluna do Celsinho

Ação positiva

Celso de Almeida Jr.
Uma das melhores notícias dos últimos tempos é a realização, nestes dois próximos finais de semana, do Ubatuba Sailing Festival, que poderá transformar a cidade num dos ícones do iatismo.

O evento realizado pelo Ubatuba Iate Clube acontecerá na região do Saco da Ribeira e contará com a ilustre presença do navegador Amyr Klink e de alguns dos melhores velejadores de oceano, nos mais velozes veleiros do país.

Disputando na raia, o veleiro Tabarly participará, tripulado por alunos da Escola de Vela do Ubatuba Iate Clube, sob o comando do Instrutor Fábio Rivetti.

Aliás, este é um dos mais belos trabalhos promovidos no município, que oferece bolsas integrais para estudantes ubatubenses; iniciativa que merece muitos aplausos e todo o apoio possível.

O Ubatuba Sailing Festival apresenta novidades no meio Náutico Brasileiro.

Além das classes que competem nas regatas tradicionais(ORC, RGS, Bico de Proa) participarão escunas e veleiros antigos, os “clássicos”, sem dúvida um show a parte.

A dica dos organizadores para assistir às provas é procurar o mirante entre as praias das Toninhas e Grande.

As largadas acontecerão nos dias 24, 25 de abril e 1, 2 de maio, entre as 12h e as 13h30.

Imperdível!!

Há, ainda, a possibilidade de acompanhar de perto, valendo-se de passeios organizados por escunas.

Dada a credibilidade dos organizadores, o evento conta com o apoio de empresas e entidades respeitadas e tem tudo para ser um sucesso.

Iniciativas como estas renovam as nossas esperanças em dias melhores para Ubatuba.

Admiro profundamente quem se dispõe a fazer, a agir.

Afinal, não bastam as idéias.

Estas, claro, são as sementes da transformação.

Mas é a capacidade de ação que traz à tona a mudança.

É disso que a cidade precisa.

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Opinião

A conta fictícia de Belo Monte

Editorial do Estadão
Por que uma empresa cuja história e experiência estão profundamente ligadas à evolução do setor elétrico brasileiro e, por isso, tinha todo interesse na construção e operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu - razão pela qual acompanhou, ao longo de 30 anos, as discussões técnicas, ambientais e financeiras desse projeto gigantesco -, desistiu de participar do leilão de energia realizado na terça-feira?

Ao responder a essa pergunta, em entrevista ao jornal Valor, o presidente da Construtora Camargo Corrêa, Antonio Miguel Marques, não deixa dúvidas: a empresa avaliou que, nas condições fixadas pelo governo, o empreendimento não assegurará a remuneração do investimento. Ou seja, feita de maneira racional, de modo a assegurar a viabilidade econômico-financeira do projeto e a produção e o fornecimento regular de energia elétrica nas condições contratadas, a conta não fecha.

Essa avaliação deve ter sido feita também por outra grande construtora com a experiência necessária para assumir um projeto do porte de Belo Monte - considerada a terceira maior hidrelétrica do mundo -, a Odebrecht, mas que, como a Camargo Corrêa, desistiu dele. A razão básica da desistência foi o valor máximo da tarifa a ser cobrada pelo grupo responsável pela construção e operação de Belo Monte, de R$ 83 por megawatt hora (MWh). O vencedor do leilão foi o consórcio de empresas que se comprometeu a cobrar a menor tarifa, de R$ 77,97.

Depois que as duas maiores construtoras do País desistiram do leilão, o governo anunciou a concessão de novo estímulo para Belo Monte - a isenção de até 75% do Imposto de Renda -, que se somou aos que já havia oferecido, como a possibilidade de financiamento de até 80% da obra pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por 30 anos e com juros subsidiados.

"Mesmo depois das isenções de impostos concedidas pelo governo, anunciadas depois da nossa saída, a conta não chegava na taxa de retorno esperada", explicou o presidente da Camargo Corrêa. "Foi dura a decisão de sair. Mas a razão tem de superar a emoção."

Outra grande construtora, a Andrade Gutierrez, integrou o outro consórcio que participou do processo até o fim, para garantir sua realização, e, ao que se informa, a oferta que fez teria sido muito pouco inferior ao teto. Assim, a oferta vencedora foi apenas 6% menor do que o máximo previamente fixado.

Se, realisticamente, empresas privadas com experiência no setor e vivamente interessadas no empreendimento não conseguiram fechar suas contas, como o grupo vencedor conseguiu montar sua oferta? E como cumprirá os compromissos que assumiu?

O que vai ficando claro é que, para garantir o leilão e assegurar a instalação rápida do canteiro de obras - diz-se que com objetivos eleitorais -, o governo forçou a formação do consórcio liderado por uma estatal, a Chesf, que responde por 49,98% do total das cotas, e, por meio dela, impôs aos demais participantes do grupo a tarifa vencedora.

A pressa com que se constituiu esse consórcio e se concluiu o leilão de energia de Belo Monte cria mais dúvidas sobre o futuro da usina. Uma delas é sobre a composição da empresa que se responsabilizará pelas obras e pela operação da Usina de Belo Monte. Os participantes dessa empresa terão de ser definidos até 23 de setembro, quando será assinado o contrato de outorga da concessão. Fala-se na participação de fundos de pensão de empresas estatais - o que aumentará a presença do Estado no setor - e de grandes consumidores de energia.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 23 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"PSB decide que Ciro não vai disputar Presidência"

Partido programa anúncio para terça e deve apoiar Dilma, do PT

O PSB deve anunciar na próxima terça-feira que o deputado Ciro Gomes não será candidato a presidente, relatam Vera Magalhães, Fernando Rodrigues e Maria Clara Cabral. Até lá, o partido cumprirá um ritual para dar uma saída honrosa a Ciro: consultará os diretórios sobre uma aliança com o PT. Caberá ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos, dizer a Ciro que ele está fora do páreo. Em queda nas pesquisas, o deputado se comprometeu a aceitar a decisão. No cenário sem Ciro do mais recente levantamento do Datafolha, a diferença entre José Serra e Dilma Rousseff se amplia de 10 para 12 pontos. O tucano passa de 38% a 42%, enquanto a petista oscila de 28% a 30%. Marina Silva (PV) também sobe dois pontos e chega a 12%. Ciro decidirá em quais campanhas estaduais do PSB pretende ajudar.

O Estado de São Paulo
"PSB combina 'saída honrosa' para Ciro desistir da disputa"

Pelo acerto, decisão sobre candidatura ficaria para os diretórios do partido, favoráveis à aliança com Dilma

O comando nacional do PSB deu ontem ao deputado Ciro Gomes (CE) a saída política honrosa que ele desejava para que o partido possa abandonar sua candidatura presidencial sem provocar crise interna na legenda. Em reunião com dirigentes do partido - o presidente Eduardo Campos, governador de Pernambuco, 'e o vice-presidente, Roberto Amaral -, Ciro reafirmou sua intenção de disputar o Planalto, mas ouviu que o PSB prefere não ter candidato próprio. Então, ficou combinado com Ciro que a proposta de candidatura será submetida aos diretórios regionais e discutida na próxima terça-feira, na reunião da Comissão Executiva Nacional. A maioria dos diretórios prefere apoiar a aliança em torno da petista Dilma Rousseff e selará a retirada do nome de Ciro da disputa. A medida atende, até mesmo, o desejo do presidente Lula, que quer o PSB coligado com o PT. O processo, no entanto, dará a Ciro o discurso de que sua saída foi uma decisão tomada pela maioria do partido, e não por interferência de Lula.

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quinta-feira, abril 22, 2010

Acontece em Ubatuba

Foto René Nakaya

Ubatuba Sailing Festival 2010

Divulgação PMU
Tem início nesta sexta-feira, 23, com um coquetel para convidados, um dos maiores eventos náuticos já acontecidos em Ubatuba - o Ubatuba Sailing Festival. Serão dois finais de semana com diversos tipos de regata, com destaque para as regatas de escunas, que estarão com suas velas içadas, um espetáculo raramente visto em nossos mares. O evento, realizado pelo Ubatuba Iate Clube acontecerá na região do Saco da Ribeira durante os dias 24 e 25 de abril e 1 e 2 de maio.

No primeiro final de semana, o evento contará com a presença ilustre do navegador brasileiro, Amyr Klink, entre outras personalidades ligadas à área. Além das regatas de escunas, que raramente são vistas velejando, o “Ubatuba Sailing Festival” contará com a participação de veleiros antigos, conhecidos como “clássicos”, que geralmente não participam de outros eventos.

Para mais informações, acesse o site do Ubatuba Iate Clube a partir do dia 18 de abril: (www.ubatubaiateclube.com.br), ou pelo telefone (12) 3842-8080, falar com Jaqueline e/ou Josiane. Programação e outras informações no site da escola de vela Ubatuba www.escoladevelaubatuba.com/ubatubasailingfestival/

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Teorema

Coisas d'antanho e d'além mar

Sidney Borges
Consta que em 1813 formosa viúva da cidade de O Porto enamorou-se de um cadete da armada. Algumas semanas após o encontro inicial o jovem saiu a navegar. Quis o destino que a gentil senhora, cujo coração era volúvel, se enamorasse de outro cadete, desta vez do exército. Quando o infante oficial dos mares retornou soube pela voz do povo que estava a ser corneado.

Procurou o rival e lançou-lhe a luva ao rosto. Marcaram dia e hora e saíram a duelar de florete. Ao ver o espetáculo pouco alvissareiro a pícara lusa interpô-se entre os litigantes de forma a ser trespassada pelas espadas de ambos, que também tombaram mortos.

Uma tragédia, não escapou ninguém.

No cemitério fizeram um arranjo peculiar, enterrando os três em túmulos quadrados. A área ocupada pelo dela era igual às áreas dos deles somadas.

A partir desse dia em Portugal o povo passou a dizer que "o quadrado da hipócrita lusa é igual à soma dos quadrados dos cadetes" e isso veio a facilitar a vida dos estudantes do liceu ao tomar contato com as artes geométricas de Pitágoras.

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Crônica

Trégua!

Luiz Fernando Verissimo no Blog do Noblat
Segundo algumas lendas dos Mares do Sul, os vulcões eram aplacados com o sacrifício de virgens. Assim que um vulcão começasse a dar sinais de que iria explodir selecionavam uma virgem e a atiravam na cratera em ebulição, como oferenda aos deuses irados. A persistência das lendas indica que a coisa funcionava. Ou que, quando não funcionava, concluíam que a moça não era virgem, e a ira dos desuses aumentava com a tentativa de enganá-los, acontecendo a erupção. Hoje em dia nem se pensaria em algo parecido. Não, bandalho, não pela escassez de virgens, mas porque somos pessoas civilizadas que não acreditam em deuses pagãos que controlam nosso destino e podem ser influenciados com presentes. O que é uma pena: sacrificar virgens seria pelo menos uma tentativa de dialogar com as forças da Natureza. Em vez de não fazer nada, que é o que nos resta diante de terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas. Além, claro, das preces para aplacar a ira do nosso deus único.

Está faltando diálogo entre a superfície e o interior da Terra. Nós, da crosta, estamos claramente sendo atacados pelas profundezas, sem meios para revidar. Placas tectônicas se movem subrepticiamente, derrubando nossas edificações e comprometendo nosso equilíbrio, e produzindo maremotos que completam a destruição. Quando parece que tudo serenou, explode um vulcão, a arma de fogo da Natureza, de surpresa, para nos manter desorientados e enfatizar nossa impotência. Queremos uma trégua, mas não sabemos para quem apelar. Queremos negociar, mas não temos intermediários. Quem falaria por nós na língua soturna das profundezas, que só se comunica com catástrofes? Com quem acertar os termos da nossa rendição? Talvez se deva tentar as virgens de novo.
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Quinta-Coluna

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Anônimo? Será?

Sidney Borges
Na figura acima reproduzo um comentário do Ubatuba Víbora que desce o pau no prefeito. Postado por um leitor anônimo.

O inimigo de Eduardo Cesar não perde por esperar, contratei técnicos especializados que estão trabalhando arduamente, dia e noite.

Quero desvendar o mistério. Quem é esse pseudo-cidadão que se esconde atrás do anonimato para ofender e injuriar?

Esse tipo de gente não faz nada pela cidade, vive de fofocas. Em breve o anonimato deixará de existir. O escriba misterioso vai ter a identidade revelada. Aguardem.

Deu em O Globo

Não existem respostas prontas

Especialista da ONU conta que cientistas ainda tentam descobrir como lidar com a ameaça vulcânica à aviação

Marília Martins. Correspondente em NOVA YORK
O francês Raymond Benjamin não hesitaria em pegar um avião para a Europa. Secretário geral da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao), agência da ONU responsável pelas normas internacionais de tráfego aéreo, ele se encontrou ontem com o secretário-geral Ban Ki-moon para fazer um balanço dos problemas no tráfego aéreo causados pela erupção do vulcão islandês e afirmou ao GLOBO que é seguro viajar.

ENTREVISTA
Raymond Benjamin

O GLOBO: O senhor considera seguro viajar de avião cinco dias depois da erupção do vulcão na Islândia, com a nuvem de cinzas que ainda circula no ar? O senhor viajaria de avião entre EUA e Europa?

RAYMOND BENJAMIN: Sim. Os cientistas da Icao já consideram que existem condições seguras de decolagem, voo e pouso, e foi por isto que a União Europeia decidiu abrir seu espaço aéreo a partir de hoje. Você me pergunta se eu pegaria um avião? Claro que sim. Se os cientistas dizem que é seguro, não tenho razão para duvidar.

Ainda há uma discordância entre os aeroportos quanto à segurança dos voos...

BENJAMIN: Veja bem, a Icao não é responsável pelo espaço aéreo. Cada país deve decidir sobre o seu espaço aéreo, cada país deve decidir se há segurança para permitir voos sobre seu território ou não. Isto não cabe à Icao.

Mas os voos são internacionais. Quem garante a segurança do espaço aéreo internacional?

BENJAMIN: Existem três partes envolvidas neste debate: há os governos dos vários países, há a indústria aeronáutica e há a agência internacional da ONU. A Icao cuida de monitorar as condições atmosféricas. Temos nove pontos internacionais de coleta de dados, pontos que nos informam sobre pressão, ventos, e também sobre a quantidade de cinzas. Nós, então, avaliamos os dados coletados com um grupo de cientistas que trabalha conosco e levamos esta informação aos diversos aeroportos e às autoridades nacionais para que tomem as suas decisões. Os aviões precisam ter toda a sua rota livre e segura para decolar de um aeroporto e aterrissar noutro.

E, diante do caos aéreo que se instalou nas rotas internacionais nos últimos cinco dias, será que não podemos dizer que houve uma falta de coordenação por parte dos responsáveis pela Icao?

BENJAMIN: Nós temos que coletar informações e repassá-las. E isto nós fizemos todo o tempo. Estamos diante de um problema muito novo, uma situação que ninguém tem respostas sobre como enfrentar. Se a indústria considera segura, mas as autoridades nacionais não concordam, cabe aos governantes decidirem e não aos agentes da Icao. As rotas internacionais, de acordo com os nossos cientistas, estão agora seguras. Mas você vê que nem a União Europeia soube dar uma resposta uniforme, porque a situação de um aeroporto no sul da Itália não é a mesma de outro no norte da França. Esta é uma situação nova, que mudou de hora para outra, e que exige um trabalho de cooperação entre vários níveis.

Os cientistas da Icao têm um número padrão de concentração de cinzas na atmosfera para determinar a segurança para os voos? Muitos cientistas não sabem dizer qual seria a quantidade de concentração segura para permitir voos e nem sabem dizer qual a quantidade de cinzas que um avião pode enfrentar.

BENJAMIN: Nós também não sabemos. Não existe uma concentração que sirva de padrão de segurança. Nós estamos trabalhando para conseguir chegar a isto. Não sabemos qual a concentração de cinzas que pode afetar seriamente os motores de um avião. E isto depende também do tamanho do avião, de sua autonomia de voo, de sua estrutura, da quantidade de combustível e de carga, da altitude em que voa. As variáveis são muitas. Não podemos inventar padrões. Os cientistas devem chegar a um acordo. Estamos reunindo especialistas de diferentes aéreas com representantes da indústria e autoridades governamentais. Estamos formando um grupo de trabalho para obter estas respostas. E este trabalho não vai ser feito num prazo curto porque temos que coletar muitos dados, fazer muitas análises. Como eu disse, não existem respostas prontas.

Mas se não existe um padrão de segurança para concentração de cinzas na atmosfera, como se pode dizer que é seguro voar?

BENJAMIN: Porque se há cinzas, não voamos. É simples. A rota precisa estar livre de cinzas para autorizarmos o voo.

Existe altitude segura?

BENJAMIN: O problema não é a altitude e sim as condições atmosféricas. Em qualquer altitude há riscos, dependendo das condições atmosféricas.

Há relatos de que um avião militar teve problemas durante o vôo. É verdade?

BENJAMIN: Sim, é verdade. Mas não posso dar mais detalhes. E este foi também um caso que está sendo levado em consideração. Todos nós estamos trabalhando tendo em vista a segurança dos passageiros. Isto interessa a todos nós: às autoridades nacionais, à indústria aérea, aos organismos internacionais.

Houve também relatos de que aviões vindos da África estavam tendo restrições de voo que não se justificavam. É verdade?

BENJAMIN: Houve restrições de voos para aviões de carga africanos, mas as restrições não se deveram aos problemas atmosféricos e sim a razões de segurança da aterrissagem. É só o que eu sei. Seria o caso de perguntar aos aeroportos a que se destinavam os voos quais os motivos para as restrições de voo. Nós podemos ajudar esses países a melhorar a segurança de seus voos e já a oferecemos. É o que podemos fazer.

Quando a Icao pretende publicar estes padrões internacionais de segurança atmosférica?

BENJAMIN: Não temos um prazo. Temos um longo trabalho a fazer. (Do AeroClipping)

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Papo do Editor

Quinta Coluna

Sidney Borges
Faltam 50 dia para a Copa. O tempo passa, o tempo voa, há poucos meses a Argentina penava para conseguir a classificação. Hoje é candidata ao título. A Espanha também é, embora o retrospecto da Fúria em copas do mundo não seja lá essas coisas. Parte do favoritismo espanhol deve-se à imprensa que faz das tripas coração para incentivar defensores do Rei. E exagera nas pinceladas. No automobilismo a coisa beira o absurdo. Para os leitores que queiram verificar in loco coloco aqui o link do jornal El País. Clique e tire suas conclusões.

A rapaziada da Prefeitura deu um jeito na rua em que moro. A coisa estava tão fora do contexto que tiveram de fazer esforço redobrado. Servi café e biscoitos aos profissionais. Entra governo, sai governo, eles continuam.

Volto à Espanha ao mencionar um termo nascido na Guerra Civil. "Quinta-coluna" designa quem ajuda o inimigo a solapar a pátria. Nas fileiras eduardianas tem um quinta-coluna bem posicionado.

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Eleições 2010

Dilma na Band: Um fiasco inacreditável!

Do Ex-Blog do Cesar Maia
1. Assim como Serra, Datena convidou Dilma para uma entrevista. A performance de Dilma foi amadora, de iniciante. A começar pelo modelito vermelho meio acetinado que lhe deram, realçando seu perfil. A sua posição em pé, quase em diagonal, acentuava. Lembrava Dircinha Batista em "Entrei de Gaiato".

2. Dilma repetiu várias vezes o dedo em riste, que tanto lhe criticam. E ainda batia ou dedava o braço esquerdo de Datena que deve ter saído com um pequeno hematoma. Dilma não consegue completar o pensamento. Gagueja no meio das frases. Passa às pessoas insegurança ao não saber que resposta dar. E às vezes exagera na diagonal ao entrevistador, dando as costas ao expectador.

3. Usa "melulancolicamente" a expressão "a gente". Pela contagem do Twitter deste Ex-Blog isso ocorreu umas 63 vezes. Seu sorriso é meio sem graça. O entrevistador se impõe e ainda mostra que está tentando ajudar. Na resposta ao programa habitacional, Dilma meteu os pés pelas mãos, estendeu-se e não sabia como concluir. Datena deu-lhe a mão.

4. Datena pediu que cantasse uma música. Escolheu o tango argentino "El Dia que me quieras" e cantarolou. Nenhuma lembrança de uma música brasileira. Chocante. Que pelo menos fosse Cambalache, para compor a coreografia de suas respostas. No final, Datena lhe deu um minuto para dar uma notícia para os jornais do dia seguinte. Dilma não sabia o que ia dizer e balbuciou: - Esta entrevista a você.

5. Numa situação dessas e, Lula já tendo usado as "3 substituições", o que resta é ir com ela em frente. Talvez devessem fazer uma imersão com ela num destes cursos de telegenia e só deixá-la voltar às ruas quando aprovada. O risco é isso ocorrer depois das eleições.

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Opinião

A diplomacia do gol contra

Editorial do Estadão
O presidente Lula fez anteontem o seu último discurso, como chefe de Estado, numa festa de formatura de novos diplomatas brasileiros. Não se sabe o que dizia o texto que lhe prepararam para a ocasião, afinal preterido por um improviso de meia hora, embora decerto contivesse uma exuberante louvação do que seriam os feitos da diplomacia lulista.

No entanto, mesmo levando em conta os padrões de decoro político do atual governo, é improvável que a versão escrita abrigasse a pequenez para a qual o presidente apelou no seu solo, ao comparar a sua política externa com a dos anos Fernando Henrique, uma época em que os brasileiros teriam sido induzidos a ter "complexo de vira-latas", na antiga expressão do cronista Nelson Rodrigues.

A mesquinharia consistiu em mencionar - a pretexto de expor a alegada subserviência do País - um episódio de 2002, quando o então chanceler Celso Lafer, em missão oficial aos Estados Unidos, tirou os sapatos ao passar pelos controles de segurança dos aeroportos do país, como era exigido. Sem citá-lo pelo nome, nem o do presidente a quem sucedeu, Lula repetiu a sua tirada de setembro de 2003, segundo a qual, "quando inventaram a história de tirar o sapato, disse para o Celso (Amorim): "ministro meu que tirar o sapato deixará de ser ministro"". Há formas e formas de um governo se dar ao respeito.

Fernando Henrique, por exemplo, não condecorou a mulher, a antropóloga Ruth Cardoso, nem a do vice Marco Maciel, nem ainda a do ministro Celso Lafer. Anteontem, as senhoras Marisa Letícia, Mariza Alencar e Ana Maria Amorim, casadas, respectivamente, com Luiz Inácio Lula da Silva, José de Alencar e Celso Amorim, foram agraciadas, entre outras pessoas, com a Ordem de Rio Branco. "Não se pode imaginar a atuação do presidente Lula sem o apoio de sua mulher", justificou o titular do Itamaraty, invocando o encanecido ditado de que por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher. É dele, por sinal, o termo "nosso guia" aplicado a Lula.

O improviso presidencial teve também uma metáfora sem pé nem cabeça. Para ilustrar o quanto o Brasil ficou importante, a ponto de gerar "ciúmes" (sic) e "inimigos", Lula imaginou a seguinte cena: "A gente vai chegando num baile que tinha 3 caras bonitos, 50 mulheres. Depois, chegam mais 50 caras bonitos e as mulheres vão variando. O dado concreto é que o Brasil não é mais coadjuvante." Imagine-se o que devem ter pensado os novos egressos do rigoroso Instituto Rio Branco que o ouviam. No exterior, o que começa a desconcertar é a conduta do Brasil, como apontou ontem no Financial Times de Londres o comentarista John-Paul Rathbone.

Lula de fato se comporta como se o País já fosse um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a meta das metas da sua política externa. Na realidade, a linha seguida pela diplomacia brasileira - "narcisista e ingênua", observa Rathbone, citando os críticos do Itamaraty - joga contra a pretensão do presidente. Ou, nas palavras do inglês, "a política brasileira do arco-íris pode estar chegando ao seu limite". Paradoxalmente, se é verdade, como tudo indica, que a comunidade internacional concedeu ao Brasil o atestado de maioridade de que Lula se vangloria, é também verdade que isso engendra expectativas de desempenho que o Itamaraty hoje em dia só faz frustrar.

Quanto mais o Ocidente presta atenção no que Brasília diz e faz na cena global, tanto maior a repercussão do que Rathbone chama, eufemisticamente, as "gafes" de Lula. Não foi o líder de um paiseco, ou de um "coadjuvante", como ele disse que o Brasil deixou de ser, que condenou o encarcerado ativista cubano de direitos humanos Orlando Zapata por ter feito a greve de fome que o matou depois de 86 dias.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 22 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Cresce número de crianças sem ensino infantil em SP"

Fila para alunos até 5 anos na rede municipal ganhou 22 mil nomes

O déficit no ensino infantil na rede pública municipal de São Paulo registrou aumento de 22 mil vagas neste ano, somando 123.780 crianças até cinco anos, informa Fábio Takahashi. O total de crianças de quatro e cinco anos sem vaga na pré-escola cresceu em 11 mil nomes, chegando a 45.496. Nas creches (zero a três anos), o déficit também aumentou em 11 mil, para 78.284, de acordo com a Secretaria da Educação. Na pré-escola, a prefeitura esperava acomodar mais alunos em novas unidades que não ficaram prontas. As obras atrasaram. Das 142 novas escolas anunciadas em 2009 (85 mil vagas previstas), apenas 8 estão em construção. O restante do projeto da prefeitura deve ficar para o próximo ano. O fim do déficit no ensino infantil até 2012 é uma das principais promessas de campanha da gestão Gilberto Kassab (DEM).

O Estado de São Paulo
"FMI alerta para risco de super aquecimento da economia do Brasil"

Fundo prevê expansão de 5,5% e inflação de 6,2%, com piora da dívida pública

A economia brasileira crescerá 5,5% neste ano e 4,1% no próximo, segundo o FMI, com inflação média de 6,2% e 5,9%, informa o enviado especial a Washington, Rolf Kuntz. Apresentado ontem, um relatório do Fundo cita somente o Brasil, entre os países latino-americanos, quando há referências ao risco de forte aquecimento e preocupações com a dívida pública. A demanda é mais forte que em outras partes da região, e o limite de capacidade está mais próximo. Por isso, acrescentou o FMI, espera-se a retirada de estímulos monetários e fiscais.

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quarta-feira, abril 21, 2010

Ciência

Imagem da erupção que criou uma labareda de 800 mil km (Foto: STEREO / NASA)

Nasa divulga imagem da maior erupção já captada do Sol

Labareda de plasma se estendeu a uma distância de 800 mil quilômetros da superfície solar

Um observatório espacial da Solar Terrestrial Relations Observatory (STEREO), missão da Nasa que monitora a atividade solar, captou no último dia 13 a maior erupção já registrada do Sol.

Para captar essa rara imagem, o observatório filmou a erupção por 19 horas.

Segundo os cientistas da agência espacial norte-americana, a labareda de plasma se estendeu a uma distância de 800 mil quilômetros da superfície solar.

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Papo do Editor

A propósito do feriado

Sidney Borges
Tiradentes foi enforcado no dia 21 de abril. Cabral chegou no dia 22, trazendo Pero Vaz de Caminha e o Coral dos Mares Bravios, que entoou a cantiga:

Quem foi que descobriu o Brasil?
Foi seu Cabral, foi seu Cabral;
No dia 22 de abril;
Dois meses, depois do carnaval...

Os nativos aplaudiram freneticamente e aceitaram presentes, contas coloridas e apitos, dando ouro em troca, prática que permanece até os dias atuais. Foi uma festa bonita, Frei Henrique de Coimbra rezou missa.

Mudando de conversa

Ontem vi o Barcelona perder do Inter de Milão. Aqui é o Inter, na Itália é a Inter, como estou em fase nacionalista não usarei estrangeirismos.

Policarpo Quaresma tinha razão. O Brasil é tão vasto, tão bonito, abriga tantas culturas que quem vive aqui não precisa viajar, nem falar outras línguas. Nem mesmo Português corretamente, coisa que políticos em evidência e seus micos amestrados atribuem a uspianos pedantes.

Recomendo aos leitores que antes de abraçar o nacionalismo exacerbado que invade minh'alma, convém dar uma espiada além mar para ver como vivem os bárbaros.

Dormindo tive um lampejo premonitório, antigamente eu teria cometido o anglicismo insight. Como eu ia dizendo, vivi um momento de exaltação iluminada quando vi a pesquisa do Ibope com Serra 7 pontos à frente. O Ibope é aquele do "Diferencial Delta" de 1982, que jurou de pé junto que Brizola mesmo vencendo não ia ganhar.

Datafolha e Sensus dão respectivamente 10 pontos para Serra e empate. Somando e dividindo por três a vantagem média de Serra é de 5, 6666... pontos, 5,7 arredondando.

O tempo voa. A candidata do Chefe não decola. O Chefe não admite largar o osso. Não suporta sequer imaginar uma ave emplumada no poleiro do aerolula.

Vou esperar o mês de maio, acredito que se não houver mudança nos números Lula vai renunciar ao mandato e sair candidato a vice na chapa de Dilma. A hipótese é fruto de um sonho, não estou dizendo que vai acontecer, mas sabendo que tudo aquilo que pode acontecer, um dia acontece, eu não apostaria contra. 

Voltando ao futebol, para que preciso de alguém me explicando o que estou vendo? Certos comentaristas torram, como dizia Mazzaropi. Com ar douto e empolado informam que o jogador chutou a bola depois de todo mundo ter visto o jogador chutar a bola. Arre! Tiro o som. Fica esquisito, no estádio tem torcida, serviço de alto-falantes, vento, pássaros...

Comecei a prestar atenção aos comentários na Copa de 1962. O Brasil torcia pelas ondas de rádio. No dia seguinte chegava o vídeotape nas asas da Panair. O que eu via não correpondia ao que tinha escutado. O juiz não roubou tanto quanto imaginei, na verdade até roubou contra a Espanha. Nilton Santos cometeu penalidade máxima e deu um passo à frente, saíndo da área. O juiz deu falta onde o craque parou. O Brasil, de Garrincha e Amarildo, venceu esse jogo e os demais e trouxe o caneco.

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Brasília, 50 anos

Como JK tomou a decisão

Do livro de JK: "Por que Construí Brasília"
"Tudo teve início na cidade de Jataí, em Goiás, a 4 de abril de 1955, durante minha campanha como candidato à Presidência da República. Os políticos que me antecederam realizavam sua pregação ao longo das cidades e capitais, situadas na faixa litorânea. Só ocasionalmente quebravam a linha desse roteiro, concordando em fazer um comício num centro populacional do interior. A conduta que adotei era inédita, e revelou-se da maior eficiência possível. Ao invés das populações do litoral, iria falar, em primeiro lugar, aos eleitores do Brasil Central."

"Daí a razão por que o meu primeiro comício foi realizado justamente em Jataí, cidade perdida nos sem - fins de Goiás. No discurso que ali pronunciei, referindo-me à agitação política que inquietava o Brasil e contra a qual só via um remédio eficaz - o respeito integral às leis -, declarei que, se eleito, cumpriria rigorosamente a Constituição. Contudo, era meu hábito, que viera dos tempos da campanha para a governadoria de Minas Gerais, estabelecer um diálogo com os ouvintes, após concluído o discurso de apresentação da minha candidatura. Punha-me, então, à disposição dos eleitores para responder, na hora, a qualquer pergunta que quisessem formular-me."

"Foi nesse momento que uma voz forte se impôs, para me interpelar: ‘O senhor disse que, se eleito, irá cumprir rigorosamente a constituição. Desejo saber, então, se pretende pôr em prática o dispositivo da Carta-Magna que determina, nas suas Disposições Transitórias, a mudança da capital federal para o Planalto Central’. Procurei identificar o interpelante. Era um dos ouvintes, Antônio Carvalho Soares - vulgo Toniquinho - que se encontrava bem perto do palanque. A pergunta era embaraçosa. Já possuía meu Programa de Metas e, em nenhuma parte dele, existia qualquer referência àquele problema."

"Respondi, contudo , como me cabia fazê-lo na ocasião: ‘Acabo de prometer que cumprirei, na íntegra, a Constituição e não vejo razão por que esse dispositivo seja ignorado. Se for eleito, construirei a nova capital e farei a mudança da sede do governo’. Essa afirmação provocou um delírio de aplausos. Desde muito, os goianos acalentavam aquele sonho e, pela primeira vez, ouviram um candidato à Presidência da República assumir, em público, tão solene compromisso."

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