sábado, abril 17, 2010

Ubatuba

Turbulência no Legislativo

Sidney Borges
A sucessão da mesa do Legislativo está enfrentando turbulência mesmo sem ter começado. O mandato do atual presidente termina no final do ano. Para evitar atropelos de última hora a escolha da futura mesa foi proposta para o mês de junho. O projeto deveria ter sido colocado em pauta. Surprendentemente não foi. Como não houve explicação satisfatória, deu bate-boca pesado. O vereador que tem apelido de ave aquática não gostou. Quando a ave não gosta a Câmara balança.

O balanço se acentuou quando o vereador Rogério Frediani, do PSDB, entrou na Justiça pedindo o afastamento do presidente da Câmara, Dr. Ricardo Cortes, do Diretor Geral e de um Procurador. O motivo seria o Procurador estar advogando contra a Prefeitura e atuar no Fórum em causas particulares. Tudo isso em horário em que deveria estar à disposição da Câmara. Pelo fato de ter conhecimento das irregularidades e não tomar providências, Dr. Ricardo e o Diretor seriam coniventes. Consultado por telefone o Procurador disse que as acusações não procedem e que tudo faz parte do jogo político.

Fico imaginando o que vai acontecer daqui a um ano quando a sucessão começar de fato. Por enquanto é só treino. Todos sabem que treino é treino. Jogo é diferente. Vai ser da canela pra cima.

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Vulcão


Eyjafjallajokull

Sidney Borges
Tente pronunciar a palavra que dá título a este post. Lendo letra por letra, como fazia quando era criança, acabei conseguindo. Não foi fácil. É o nome da geleira que abriga o vulcão que colocou no chão boa parte da aviação da Europa. A coisa está feia, existe a possibilidade de que outro vulcão entre em atividade. O pesadelo pode durar meses. Para quem quiser saber mais recomendo o site do canal Discovery. Lá existe a reconstituição de um caso marcante. Ao atravessar uma nuvem vulcânica um Boeing 747 teve os 4 motores parados. A duras penas a tripulação conseguiu religá-los e pousar em segurança. Os motores ficaram imprestáveis e tiveram de ser substituídos. Partículas expelidas por vulcões solidificam-se em contato com o ar, formando uma poeira altamante abrasiva que destrói motores de aviões e adere aos pulmões, sufocando quem as respira.

Ubatuba em Foco


Aos vereadores de Ubatuba

José Luiz Moura Brasil

Protocolo 000250/014/10 de 06/04/2010

Sr Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Conselheiro Fulvio Julião Biazzi

JOSÉ LUIZ MOURA BRASIL, brasileiro, casado, portador da cédula de identidade RG nº 277.811 COMAER, regularmente inscrito no CPF/MF sob o nº 396.817.427-53, proprietário de imóvel situado á Rua Silvio Cunha Bueno, 142, apto 03 – Parais Grande - Ubatuba domiciliado à Rua Oscar de Almeida, 55 Jardim Rony, Guaratinguetá/SP, vem respeitosamente ante a V. Exa. Solicitar que durante a auditoria das contas de 2009, da Prefeitura de Ubatuba seja analisada falta de conclusão de obra de reurbanização da orla da Praia grande que consta o valor de R$ 1.469,151,00

Segue fotos do local Janeiro de 2010

Guaratinguetá, 23 de março de 2010

José Luiz Moura Brasil
RG 277.811 COMAER

Sr Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Conselheiro Edgar Camargo Rodrigues

JOSÉ LUIZ MOURA BRASIL, brasileiro, casado, Suplente de Vereador à Câmara Municipal de Guaratinguetá, portador da cédula de identidade RG nº 277.811 COMAER, regularmente inscrito no CPF/MF sob o nº 396.817.427-53, domiciliado à Rua Oscar de Almeida, 55 Jardim Rony, Guaratinguetá/SP, proprietário do apartamento situado à rua Silvio Cunha Bueno, 142 apto 03 Praia Grande Ubatuba vem respeitosamente ante a V. Exa. Solicitar que durante a auditoria das contas de 2008 do Município de Ubatuba, seja analisada a existência de autorização da prestação de serviços de para execução de obra de pavimentação da rua gaivotas Praia Grande Ubatuba , conforme consta no contrato de prestação de serviços anexo.

Solicito ainda a verificação da existência de Processo administrativo referente a contribuição de melhoria prevista no código Tributário Nacional.

Informo que busquei esclarecimentos, sem o sucesso desejado, que gerou o processo 63/2008- Procurador Municipal de Ubatuba

Guaratinguetá, 19 de setembro de 2009

José Luiz Moura Brasil
RG 277. 811. COMAER

Sr Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Conselheiro Edgar Camargo Rodrigues

JOSÉ LUIZ MOURA BRASIL, brasileiro, RG nº 277.811 COMAER, CPF 396.817.427-53, domiciliado à Rua Oscar de Almeida, 55 Jardim Rony, Guaratinguetá/SP, proprietário do apartamento situado à rua Silvio Cunha Bueno, 142 apto 03 Praia Grande -Ubatuba vem respeitosamente ante a V. Exa. Solicitar que durante a auditoria das contas de 2007, 2008 e 2009, do Município de Ubatuba, seja analisados os procedimentos para calçamento das ruas do Bairro da Praia Grande nos seguintes aspectos:

I ) QUANTO AO POSSIVEL FRACIONAMENTO DA OBRA:

1- Análise técnica e econômica com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e à ampliação da competitividade. ( art.23 da lei Federal 8666/93)

2- Existência de licitação distinta para cada etapa do Parcelamento.

3 - Compatibilidade do valor do parcelamento com valor da programação total da obra.

4- Cumprimento dos prazos da execução da obra, conforme avençado.

5- Existência de projeto básico e projeto executivo.

6 – Fiscalização da obra pelo Executivo Municipal.

7 - Projeto básico disponibilizado para exame dos interessados na licitação.

8- Existência de orçamento detalhado em planilha.

II ) QUANTO A CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA

a) memorial descritivo do projeto.

b) Existência de processo administrativo

c) Notificação do montante do valor para cada contribuinte.

d) Demonstrativo de custos, conforme dispõe o artigo 9º, do Decreto-Lei nº 195/67, como segue:

“Executada a obra de melhoramento na sua totalidade ou em parte suficiente para beneficiar determinados imóveis de modo a justificar o início da cobrança da Contribuição de Melhoria, proceder-se-à ao lançamento referente a esses imóveis, depois de publicado o respectivo demonstrativo de custos”.

Ressalto de tramita nesse tribunal o processo 583 / 014 / 09 referente ao serviço de calçamento da rua das Gaivotas- Praia Grande – Ubatuba

Guaratinguetá, 13 Dezembro de 2009

José Luiz Moura Brasil
RG 277. 811. COMAER

Proprietário de apartamento situado na Praia Grande -Ubatuba

Parecer do Tribunal de Contas (Ubatuba - Gaivotas)

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO
GABINETE DO CONSELHEIRO CLÁUDIO FERRAZ DE ALVARENGA
Fl. 11

Expediente: TC- 000583/014/09

Objeto: Representação formulada pelo Sr. José Luiz Moura Brasil, Suplente de Vereador à Câmara Municipal de Guaratinguetá (desacompanhada de documento de identificação do representante), solicitando que, durante a inspeção “in loco”, sobre as contas do exercício de 2008, do Município de Ubatuba, seja analisada eventual autorização de prestação de serviços para execução de obras de pavimentação da rua Gaivotas da Praia Grande de Ubatuba, conforme cópia de contrato de prestação de serviços (fls. 02/05), com a empresa JVS Engenharia.
Assunto: Notificação

Determino ao Cartório que, nos termos do art. 91, inciso I, da Lei Complementar estadual n. 709/93, notifique o Sr. Eduardo de Souza Cesar, Prefeito, com cópia de fl. 1, para que Sua Excelência, no prazo de 10 (dez) dias, junte as alegações que entender pertinentes.
Publique-se e notifique-se.

G.C., 07 de outubro de 2009.

CLÁUDIO FERRAZ DE ALVARENGA
CONSELHEIRO
exd

Parecer do Tribunal de Contas (Desp2)

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO
GABINETE DO CONSELHEIRO CLÁUDIO FERRAZ DE ALVARENGA
Fl. 11

Expediente: TC- 000583/014/09

Objeto: Representação formulada pelo Sr. José Luiz Moura Brasil, Suplente de Vereador à Câmara Municipal de Guaratinguetá (desacompanhada de documento de identificação do representante), solicitando que, durante a inspeção “in loco”, sobre as contas do exercício de 2008, do Município de Ubatuba, seja analisada eventual autorização de prestação de serviços para execução de obras de pavimentação da rua Gaivotas da Praia Grande de Ubatuba, conforme cópia de contrato de prestação de serviços (fls. 02/05), com a empresa JVS Engenharia.
Assunto: Notificação

Determino ao Cartório que, nos termos do art. 91, inciso I, da Lei Complementar estadual n. 709/93, notifique o Sr. Eduardo de Souza Cesar, Prefeito, com cópia de fl. 1, para que Sua Excelência, no prazo de 10 (dez) dias, junte as alegações que entender pertinentes.
Publique-se e notifique-se.

G.C., 07 de outubro de 2009.

CLÁUDIO FERRAZ DE ALVARENGA
CONSELHEIRO
exd

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Deu na Folha

Serra mantém dianteira sobre Dilma, diz Datafolha

da Reportagem Local
Pesquisa Datafolha mostra José Serra (PSDB) com 38% das intenções de voto ante 28% de Dilma Rousseff (PT). É a primeira enquete após o lançamento da candidatura tucana, no sábado passado. No fim de março, Serra e Dilma tinham, respectivamente, 36% e 27%.

Pela primeira vez Marina Silva (PV) aparece numericamente na frente de Ciro Gomes (PSB), embora do ponto de vista estatístico ambos estejam empatados.
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Nota do Editor - Vai começar mais uma pugna-binária no estilo Fla-Flu, ou para quem não gosta do esporte bretão, Marlene-Emilinha. Dois pesos-pesados da pesquisa eleitoral disputam o título de Mãe Dinah do momento. Datafolha versus Sensus. Ambos vão tentar influenciar meu voto. Não é esse o papel dos institutos de pesquisa? Se não é, parece. Dizem por aí que o Datafolha é Serra e o Sensus é Dilma. Tenho certeza disso, mas finjo ser bobo. Quero ser um mico de cavalinhos se na semana que vem não aparecer uma pesquisa com Dilma e Serra lado a lado, ainda que seja na margem de erro. Neste momento o Datafolha dá 10 pontos a favor de Serra. O Sensus acabou de dar empate. É muita diferença. Onde está a verdade? O Ibope bem que poderia oferecer uma terceira opção colocando Marina no páreo. Ciro não, esse pegou o pau-de-arara na contramão. A verdade? Só no dia da eleição saberemos. (Sidney Borges)

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Mistério

Carta-aberta sobre a morte de Celso Daniel

Do Blog do Noblat (original aqui)
Se vivo fosse, o ex-prefeito Celso Daniel (PT), de Sandré, assassinado em 2002, teria completado, ontem, 59 anos de idade.

Bruno Daniel, irmão dele, e sua mulher, Marilena Nakano, refugiados na França, escreveram a carta-aberta abaixo.

Depois de denunciar que ele e sua família eram seguidos e ameaçados, Bruno, a mulher e os três filhos saíram do Brasil para a França em 2006.

No final de março deste ano, o governo francês concedeu oficialmente a condição de asilados políticos a todos eles.

Bruno e Marilena publicaram no Diário de São Paulo a carta-aberta que segue aqui:

"Neste dia em que Celso Daniel completaria 59 anos, nossa maneira de homenageá-lo é seguir no nosso combate na busca da elucidação de seu assassinato e punição de culpados, porque mesmo que novos acontecimentos nos animem, sabemos que eles ainda não são suficientes e que há um longo caminho a percorrer.

O desvendamento das razões do assassinato de Celso poderá nos levar ao questionamento dos fundamentos a partir dos quais é feita a política em nosso país. E quem sabe poderemos caminhar para um outro jeito de fazê-la pautada pela utopia de uma sociedade mais justa e solidária, cujo alicerce é o respeito aos direitos humanos, dentre eles o direito à vida, coisa que Celso não teve.

Neste momento podemos dizer que vemos uma luz no fim do túnel. No dia 25 de março o juiz de Itapecerica da Serra mandou a júri popular 6 dos acusados do assassinato de Celso. Essa decisão reforça a nossa crença nas possibilidades de avanços de nossas instituições.

Há no entanto que manter a vigilância e continuar a agir, e é a isto que conclamamos a todos os que consideram que na base de sua morte encontram-se elementos emblemáticos de um jeito de fazer política que achamos que pode e deve ser mudado para que episódios como esse não se repitam mais.

Entre esses elementos estão a independência entre os poderes e sua eficácia, os mecanismos de financiamento de campanhas eleitorais, a manutenção das atuais prerrogativas do Ministério Publico (MP), a redução das desigualdades, a independência dos meios de comunicação de massa etc.

1. Por que tanta demora no caso de Celso?

Ora, como aceitar que inúmeros outros assassinatos já tenham ido a júri popular e resultado em condenações, enquanto que o de Celso tenha ocorrido em janeiro de 2002 e até hoje não está solucionado? O que explica essa lentidão? Como ela favorece a impunidade de sequestradores, executores de assassinatos e mandantes?

O processo de Sérgio Gomes da Silva foi separado daquele dos demais indiciados, hoje caminha de forma ainda mais lenta e ainda não há decisão se vai a júri popular. Por que há uma lentidão ainda maior para julgar este que é considerado mandante do assassinato de Celso?

2. Qual é o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) em crimes como o de Celso?

O STF concedeu habeas corpus a três dos acusados de assassinato de Celso Daniel, réus confessos, quando o encaminhamento deles a júri popular inviabilizaria sua soltura. É bom lembrar que os três já tentaram fuga de sua reclusão.

Se é injusto ficar detido sem julgamento, a argumentação do STF está longe da unanimidade: como discute o Ministério Público (MP), a partir de Lei de 2007, réus confessos desse tipo de crime só poderiam sair do regime fechado de reclusão se não houvesse julgamento, após cumprimento de 3/5 da pena, isto é, 18 anos! Mas por que o STF tomou essa decisão a apenas uma semana antes da data que o Juiz de Itapecerica comunicou sua decisão de encaminhá-los a júri popular?

Dos três réus confessos que receberam habeas corpus do STF, um está solto, enquanto os outros dois continuam presos por responderem a outros processos. Sobre este que foi solto, a vigilância se refere a adotar todos os meios para preservar sua vida até que ocorra o júri popular, marcado para 3 de agosto deste ano e para que ele esteja lá presente.

Esperamos que assim seu julgamento ocorra e se reavivem, junto à sociedade, as circunstâncias e as causas mais remotas e mais imediatas do assassinato de Celso, de tal modo que mudanças essenciais de nossas instituições sejam de fato colocadas na agenda nacional, sem o que tememos que nossa frágil democracia pouco avance. Teria o STF levado isso em conta?

Outro elemento que requer ação e vigilância refere-se ao questionamento do Dr. Podval, advogado de Sérgio Gomes da Silva, da inconstitucionalidade das atuais prerrogativas do MP. Se o mesmo STF aceitar tal questionamento, todas as provas por ele colhidas (materiais, testemunhais etc) e que provam que o crime foi planejado, que Celso foi torturado antes de ser assassinado e que há mandantes, serão consideradas ilegais e não poderão ser utilizadas no julgamento dos indiciados.

Reafirmamos o teor de nossa Carta, que foi enviada em 2007 ao STF por Hélio Bicudo, lutador incansável pelos Direitos Humanos : não é apenas a punição dos culpados da morte de Celso que estará em jogo. Se tais prerrogativas forem reduzidas, haverá enorme retrocesso institucional, uma vez que o mesmo ocorrerá com todas as provas de inúmeros outros indiciamentos e no futuro haverá menos independência para se realizarem investigações, principalmente daqueles que detêm poder político e/ou econômico.

O STF já se posicionou , por unanimidade, sobre habeas corpus impetrado por policial condenado por crime de tortura, que pediu a anulação do processo desde seu início sob a alegação de que ele foi baseado exclusivamente em investigação criminal do MP, reconhecendo, no dia 20 de outubro de 2009, o poder de investigação do MP nesse caso.

Quando o STF decidirá sobre o questionamento do Dr. Podval em nome de Sergio Gomes da Silva? Às vésperas do pronunciamento de sentença do juiz se vai encaminhar ou não este acusado a juri popular, como o fez ao conceder habeas corpus a 3 dos acusados de assassinato?

Que razões movem o STF para a tomada de suas decisões no caso do assassinato de Celso? Que forças atuam sobre ele? Haveria alguma relação com certos políticos e empresários que defendem a tese de que Celso foi vitima de crime comum? Como esperar que com essas decisões e essa lentidão da Justiça se reduza o sentimento de impunidade que impera no Brasil?

3. Qual é o papel da Polícia no caso da investigação do assassinato de Celso?

Conforme denunciamos já em 2002, a investigação realizada pelo Departamento de Homicídios e Proteçao à Pessoa (DHPP), que afirma que Celso foi vítima de crime comum, estava repleta de lacunas, contradições e falta de documentos, o que conduziu o MP a pedir a reabertura das investigações.

Que relação há entre tal tipo prática e o interesse de certos grupos do crime organizado que têm estreita relação com certos políticos e empresários, chegando inclusive a se instalar no aparelho do estado? Ou ainda, que relação tudo isso tem com os financiamentos irregulares de campanhas eleitorais, que ao fugirem da legalidade proporcionam a alguns enriquecimento ilícito?

4. Qual o papel da imprensa e do executivo com relaçao ao assassinato do Celso?

Está longe de haver um posicionamento único sobre o caso de Celso da parte da imprensa. Isso faz parte do jogo democrático.

No entanto, em livro lançado em 2008 no Brasil por Larry Rohter, do jornal New York Times, o jornalista escreve que viveu tentativa tumultuada de expulsão do nosso país, acionada pelo governo federal em 2004, em função de investigações que fazia sobre o assassinato de Celso e artigo publicado em seu jornal sobre tal fato. Em sendo isso verdade, pode-se perguntar: o executivo federal exerce alguma pressão sobre o trabalho de cobertura da imprensa quanto ao assassinato do Celso?

5. Qual o papel do legislativo no caso de Celso?

Também temos que ficar vigilantes com relação à Câmara Federal e ao Senado. Está em curso no Senado, já aprovada pelos deputados, uma lei que vem sendo chamada de « lei da mordaça » pela imprensa, para criar empecilhos à manifestaçao de promotores e juízes. No caso do Ministério Publico, reconhecido como « advogado do povo », não seria o mesmo que impedir que nós brasileiros pudéssemos nos manifestar.

Por que e em nome de quem agem os legisladores favoráveis à « lei da mordaça »?

Diante de tantas questões a enfrentar e ações a serem reforçadas e/ou desencadeadas, nos resta a luta para vermos esclarecidas as razões do assassinato do Celso e quem sabe com isso trabalhar para enriquecer a agenda Política brasileira de forma a contribuir para que assassinatos desta natureza não ocorram mais em nosso país."

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Opinião

Só uma gincana diplomática

Editorial do Estadão
Sobraram palavras e faltou conteúdo econômico e político nos comunicados e acordos firmados em Brasília, numa gincana diplomática, pelos chefes de governo do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul). Foi preciso comprimir os dois eventos na quinta-feira, porque o presidente chinês, Hu Jintao, teve de antecipar a volta a Pequim por causa do terremoto em seu país. O presidente Lula, como se previa, foi quem mais demonstrou entusiasmo em relação aos dois encontros. A consequência prática mais importante da conferência do Ibas foi um acordo para o lançamento de dois satélites de estudo climático. A declaração dos governantes do Bric não foi além de generalidades sobre o papel do Grupo dos 20 (G-20) e a ordem global em transformação.

A papelada mais extensa foi dedicada a um Plano de Ação Conjunta de brasileiros e chineses para o período 2010-2014. O plano inclui, entre outras ideias criativas, a "promoção do intercâmbio e da cooperação entre os partidos das duas partes". O intercâmbio poderá ser instrutivo, mas desequilibrado, já que na China só existe um partido.

O comunicado do Bric contém uma convocação ao G-20 para formular uma estratégia "coerente" para o pós-crise, reafirma a solidariedade dos quatro governos ao Haiti, defende o "diálogo entre civilizações, culturas, religiões e povos" e anuncia o compromisso - cobrado igualmente de todos os Estados - de "resistir a todas as formas de protecionismo comercial e combater restrições disfarçadas ao comércio".

Nenhum dos quatro países deixou de recorrer a barreiras e a outras formas de intervenção, desde o agravamento da crise, em 2008, e um deles é acusado por meio mundo de competir deslealmente, mantendo sua moeda desvalorizada (o yuan), e de prática habitual de dumping. Câmbio depreciado e práticas pouco transparentes de comércio têm sido apontados como fatores importantes para a conquista chinesa de mercados na América Latina. Parte desse avanço foi realizada à custa da indústria brasileira.

Mas, de acordo com o Plano de Ação Conjunta, "as duas partes verão positivamente o engajamento de cada uma na cooperação com sua própria região". Além disso, "apoiarão as trocas e cooperações entre a Ásia e a América Latina e o Caribe". Quem lê esse texto e desconhece os fatos pode até pensar num quadro de relações equilibradas e de competição equitativa. Quem sabe das coisas é tentado a repetir Nelson Rodrigues: há quem goste de apanhar. Mas Nelson Rodrigues, por machismo, dizia isso das mulheres, não dos governos.

Nas áreas de investimento e de comércio, a maior parte do plano se refere a ações interessantes principalmente para a China. Quando se menciona a cooperação nas áreas de energia, mineração, desenvolvimento, financiamento, serviços de engenharia e equipamento, os interesses facilmente identificáveis são os chineses.

Se a Petrobrás descobrir e explorar petróleo ou gás na China, o produto será destinado ao uso local. Se companhias chinesas participarem da mineração no Brasil, será para abastecer seu país. Não há nenhum crime nisso. Mas falta saber como isso afetará, por exemplo, a formação de preços no comércio bilateral. A mesma dúvida é justificável quando se fala sobre possíveis investimentos chineses na produção agrícola no Brasil. Para os chineses, Brasil e África não diferem muito nesse aspecto.
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Manchetes do dia

Sábado, 17 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Serra mantém dianteira sobre Dilma"

Datafolha mostra Marina à frente de Ciro pela 1ª vez, mas diferença entre os 2 está dentro da margem de erro

Pesquisa Datafolha realizada nos dias 15 e 16 mostrou José Serra (PSDB) com 38% das intenções de voto entre 28% de Dilma Rousseff (PT). É a primeira enquete após o lançamento da candidatura tucana, no sábado passado. No fim de março, Serra e Dilma tinham, respectivamente, 36% e 27%. A oscilação está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. Pela primeira vez Ciro Gomes (PSB) aparece numericamente atrás de Marina Silva (PV), embora do ponto de vista estatístico ambos estejam empatados. Quando Ciro Gomes não figura no quadro de candidatos – há ainda dúvidas se o PSB vai lançá-lo oficialmente-, a diferença entre Serra e Dilma se alarga um pouco. O tucano fica com 42% ante 30% da petista. Marina Silva vai a 12%. A avaliação de Luiz Inácio Lula da Silva continuou a melhor entre os presidentes eleitos pelo voto direto, apesar de ter oscilado negativamente: 73% acham a administração do petista ótima ou boa; na pesquisa anterior, eram 76%.

O Estado de São Paulo
"Leilão é mantido e 2 grupos vão disputar Belo Monte"

Cai liminar que impedia a disputa, marcada para terça-feira; estatais de energia lideram os dois consórcios

Dois consórcios disputarão o leilão para construir a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), marcado para a próxima terça-feira. A obra está orçada em R$ 19 bilhões. A inscrição foi feita ontem, depois que caiu a liminar que suspendia a operação – o Ministério Público vai recorrer. O primeiro consórcio, o Norte Energia, será liderado pela Chesf, subsidiária da Eletrobrás, com participação de 49,98%. Queiroz Galvão e Gaia Energia ficaram, cada uma, com 10,02% do grupo, que conta ainda com Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Serveng, J Melucelli Construtora, Contern Construções e Cetenco Engenharia. No segundo grupo, o governo incluiu duas subsidiárias da Eletrobrás – Furnas e Eletrosul. Juntas, terão 49% da participação. O consórcio, chamado Belo Monte Energia, conta ainda com Andrade Gutierrez, Vale, Neoenergia e Companhia Brasileira de Alumínio. A Eletronorte, outra subsidiária da Eletrobrás, entrará como sócia estratégia do vencedor.

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sexta-feira, abril 16, 2010

Idas e vindas

Estados Unidos do bem e
Estados Unidos do mal

Sidney Borges
Os Estados Unidos têm características de Dr Jekyll e Mr Hyde. O monstro aparece quando a nação do norte, ou como preferem alguns, o Império, faz acordos com a Colômbia e lá mantém bases militares.

Affe! Que perigo! Chávez quase morreu de urticária.

O médico desponta no instante em que bases americanas são instaladas no Brasil, com apoio de Lula e dos demais dirigentes de alto coturno do PT.

Affe! Que maravilha! Chávez ficou mudo de espanto.

Lula é meu ídolo, fala uma coisa, faz outra e dá certo. Base americana no Brasil, cruz credo, no meu tempo de USP seria intolerável. Abaixo o acordo MEC-USAID, fora com o decreto 477, "go home" Rockfeller.

Definitivamente os tempos mudaram.

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Shoper


Fica para a próxima estação

Ricardo Pimentel
Outono. Bastava chegar a primavera que a gente tinha encontro previamente agendado. Depois, quem sabe no verão. Tudo ia depender dos resultados eleitorais deste ano. Se a fatura fosse liquidada logo no primeiro turno a gente já se via em outubro, caso contrário somente após a segunda quinzena de novembro. E ainda, tendo resultado positivo haveria negociação para uma bonificação de campanha com o mês de janeiro inteirinho em Ubatuba.

Mas a vida é uma verdadeira caixinha de surpresas. A vida é uma fina linha tênue que desafia o outro lado da existência. O seu ciclo é fatal, infalível. Foi assim com o meu amigo Shoper que nesta semana saltou rumo ao desconhecido. E assim, deixando para trás todos os planos. Partiu na madrugada de terça-feira quando foi acomedido por um infarto fulminante.

Roberto Nunez de Lima, este é o seu nome de batismo. Iria completar seus 57 anos na próxima semana. Um dia, revelou que ganhou o apelido de Shoper ainda em criança. Gostava do apelido. Sabia que quando recebia ligações telefônicas solicitado por seu nome completo, era gerente de banco ou outros credores e este nunca estava. Já, quando era chamado por Shoper eram amigos para convidar para ir a praia, beber cervejas e outras coisas do gênero.

Foi uma pessoa interessante do ponto de vista físico e estético, e, principalmente, intelectual. Alto, magro, desengonçado, detentor de uma inteligência ímpar, rara. Apreciador do rock, do jazz e da fina MPB. Também apreciava um bom whisky escocês e charutos cubanos. Mas, nas vacas magras valia um Old Eight e charutos nacionais Alonso Menedez. Costuma dizer que possuía fino paladar e postura elitizada, mas que faltava apenas o numerário para patrocinar as boas coisas que a vida proporciona.

Lá estava Shoper, em Curitiba traçando seus planos. Neste pleito, Beto Richa seria seu candidato. Teria participação no marketing da campanha. Deusa, sua esposa, já estava a todo vapor na mobilização eleitoral. A expectativa da vitória era quase que uma certeza.

Por aqui, nós também estamos nos preparando para ingressar no processo eleitoral, deste vez em campanha majoritária no norte do país. Este é um momento muito interessante profissionalmente. Afinal, somos apaixonados pelo marketing eleitoral, é um desafio que nos move de dois em dois ano. É a oportunidade de ganhar uma bela grana e fortalecer ainda mais o nosso portifólio. E depois de tudo as nossas merecidas férias, um brinde ao ócio. Trocávamos figurinhas pelo MSN. Havia a cumplicidade de no final dos pleitos um abrir porta para o outro nas praças vencedoras.

Em minha vida, Shoper foi um dos mais interessantes profissionais de marketing político que já conheci e um dos poucos amigos que restavam. Afinal, está imortalizado no livro “Notícias do Planalto” de Mário Sérgio Conti (Editora Companhia das Letras 1999). Reconhecido profissionalmente como criador e produtor do maior case do marketing político brasileiro, Rede Povo, mote da campanha de Lula a Presidente da República em 1989. E tem até foto do nosso amigo!

Fez várias campanhas importantes no país como Suplicy, Mercadante e muitas outras. Em 1990 fundou sua própria agência, especializada em Marketing Sindical, a Terra Nova Propaganda. Em 1992, esbarramos com o Shoper na campanha vencedora do Sindicato dos Bancários no Rio de Janeiro. Conseguimos derrubar a Convergência Socialista (atual PSTU) e tinha até o Lula em nossas reuniões. Fazíamos parte da comunicação da campanha da chapa da Articulação. Neste momento ainda não ficamos amigos, apenas nos conhecemos por aquele período.

Shoper adotou Ubatuba definitivamente para viver e morar após conduzir as campanhas de Zizinho e Antônio Carlos em Caraguá. Em 1996 já tivemos uma campanha em Ubatuba com ingredientes publicitários fortes. Shoper lança o teaser do “Z”, que tinha a leitura da justiça do Zorro. O candidato já era a bola da vez e com um markerting amarrando todas as pontas, garantiu uma vitória esmagadora. A partir de 2000 nos tornamos amigos, definitivamente. Eu, Marcelo Pimentel, e Luizinho tivemos a oportunidade de convidá-lo para trabalhar em meia dúzia de campanhas municipais. Com certeza, aprendemos muito. Era um verdadeiro guru eleitoral. Sua fala, sua explanação, seu conhecimento, sua interpretação da conjuntura impressionavam nossos candidatos que se sentiam ainda mais seguros para prosseguir na busca da vitória. Formamos uma bela equipe de trabalho.

Por aqui, faltou um pouco de reconhecimento profissional do stablemam municipal. Talvez não tenham alcançado o raciocínio. Irreverente, fez amigos. Mas, também fez inimigos. A sua máxima e marca era que perdia o amigo, mas não perdia a piada. Este foi o percussor de uma pitadinha de profissionalismo em campanhas políticas no município, quando introduzimos a ferramenta do telemarketing em campanha eleitoral, isso em 2000. De lá pra cá, Shoper não teve mais espaço profissional até mudar-se de vez para Curitiba, onde estava reconstruindo sua carreira e conquistando seu merecido espaço.

Seu sonho era voltar para Ubatuba definitivamente. Tinha planos de mais uns oito anos, no máximo, no sul do país. Já estava em tratativa com o PT de Ubatuba para conduzir o próximo pleito municipal e assim ficar mais na cidade.

Por fim! Shoper partiu em uma nuvem vermelha para a próxima estação e com certeza a gente se encontra lá, em uma outra esfera. Fica aqui o meu adeus sideral. Só me resta colocar as minhas mãos nos bolsos traseiros e seguir, um pouco mais só. A vida é bela, a vida é vela. Um imenso e fraterno abraço ao amigo que ficará guardado em nossas memórias.

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Futebol não aliena

Juca Kfouri: Calor do jogo não justifica ofensa racista

da Reportagem Local
Quem é capaz de cuspir em outro homem é perfeitamente capaz de ser racista, diz Juca Kfouri, colunista da Folha. Ontem, o zagueiro Manoel, do Atlético-PR disse ter sido chamado de "macaco" pelo palmeirense Danilo, de quem levou uma cusparada no jogo válido pela Copa do Brasil.

Para Kfouri, o que mais incrimina o jogador Danilo é até menos "a estupidez de chamar alguém de macaco", mas o fato de ele também ter cuspido. Segundo o colunista, muitas vezes às vezes as ofensas que são ditas em um jogo de futebol entram por um ouvido e saem pelo outro.
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Nota do Editor - Está na hora da humanidade assumir a macaquice. Somos todos macacos, brancos, amarelos e negros. Cuspir não, macaco fino não faz isso, comportamento de Lhama. Sou contra. (Sidney Borges)

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Papo do Editor

Eu e a TV Câmara

Sidney Borges
Há dois anos fui convidado pelo Dr. Ricardo Cortes para fazer o projeto da TV Câmara. Gostei do convite e comecei a trabalhar. É um ideal que acalento há muito tempo. Imaginei criar campanhas educativas no estilo do "Sugismundo", da TV Cultura, discutir temas relevantes da região, encenar peças teatrais com alunos da rede pública. E dar opção aos jovens de aprender uma nova profissão. Televisão precisa de muita gente trabalhando. Ubatuba não é pródiga em oportunidades.

Eu jamais quis um emprego público. Em 2005, em conversa sobre a Fundart com o assessor de governo, Maurinho, me foi oferecida uma colocação. Agradeci e disse que não queria. Semanas depois houve o triste episódio da árvore em que ambos perdemos a cabeça, contingência da vida, águas passadas.

A televisão não aconteceu, não sei o porquê, mas respeito a decisão. A Câmara presidida pelo Dr. Ricardo Cortes houve por bem seguir outros caminhos. Nossa relação continua cordial.

Há duas semanas fui procurado por um assessor do prefeito que sondou meu interesse em fazer parte do grupo político que vai trabalhar pela continuidade. Não sou político e só trabalho em campanhas com dinheiro na mesa. Quando o então candidato Eduardo Cesar me convidou para fazer parte da campanha de 2004, pedi para ser remunerado. Não concordei com a sugerida troca de trabalho por um cargo futuro. Não tenho vocação para aspone, sei escrever e trabalhei alguns anos em televisão. Gosto dessas atividades, embora ganhe a vida escrevendo sobre Física.

No dia da visita do assessor eu disse ter lamentado não realizar o sonho televisivo e que gostaria de retomar o projeto. Isso é público, nunca disse nada diferente aos que privam da minha intimidade. Televisão em comunidades pequenas só é possível se for bancada por órgãos públicos. Não existe um universo de anunciantes capaz de fazer frente aos custos, Ubatuba já teve  tentativas. Resultaram em fracasso.

Querer fazer a TV Câmara não tem nada a ver com o meu posicionamento em relação à administração. Meus leitores sabem que é o mesmo desde os tempos de Paulo Ramos. Não faço elogios quando a prefeitura cumpre a obrigação. Não faço críticas sem que sejam fundamentadas. Não sou membro de grupos de oposição, tento informar o que vai pela cidade. Disse tento, nem sempre consigo pois não posso me dedicar como gostaria. Em Ubatuba as fontes são raras e tenho contas a pagar.

Além disso, o Ubatuba Víbora abrange um amplo leque de temas e a administração é apenas um deles. Em tempo, ganho a vida sem depender da cidade, trabalho o dobro do que deveria e ganho menos do que acredito merecer, mas vivo de forma honesta e honrada. Coloco a cabeça no travesseiro e durmo o sono dos justos.

Coincidência, enquanto escrevia este texto o telefone tocou. Me ofertaram uma colocação em São Paulo. Recusei, tenho cachorro, dois gatos e samamabaia. Gosto daqui e já passei da idade de ter ilusões. Decidi ficar em Ubatuba até o último dia.

A visita acabou dando resultado. O tiro que mirou no coelho e resvalou no gato colocou na berlinda uma boneca maledicente. Conhecendo as ligaçõso do  visitante com certas figurinhas carimbadas da cidade, juntei as pontas da corda, analisei textos recebidos pelo Blog e matei a charada. Waal!

Descobri o autor das gracinhas publicados no jornal que ataca quem não diz amém. Vou revelar no momento apropriado. Antes vou passar o nome da "boneca" às vítimas constantes. Como diz o ditado: "o peixe morre pela boca".

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Coluna do Celsinho

Santa fria

Celso de Almeida Jr.
Nada mais perigoso do que um arroubo juvenil.

Assumir compromissos que julgamos dar conta, para depois perceber que o fardo estava além de nossas possibilidades.

Tudo indica que esse é o doloroso resultado da “intervenção” da prefeitura na Santa Casa.

Lembro como foi esquisita a tomada do controle, valendo-se de uma postura que - querendo ou não - lançou dúvida sobre a competência dos gestores da época.

Quem acompanhou a história de nosso único hospital sabe que, na grande maioria das vezes, tivemos provedores e administradores abnegados, realmente dedicados à causa pública, que sofreram na busca do difícil equilíbrio das contas.

Por isso, pairou a incerteza sobre a decisão da prefeitura de assumir a responsabilidade administrativa.

A questão era falta de gestão ou falta de dinheiro?

Estávamos optando pela melhor alternativa?

A dúvida aumentou quando, na sequência, iniciou-se uma série de demissões, atingindo profissionais com muitos anos de vínculo, revelando certa despreocupação com os desdobramentos trabalhistas.

Ora, qualquer empresário mediano sabe a fria que representa mandar para o espaço os direitos conquistados por seus funcionários.

A legislação trabalhista, contrastando com outras áreas jurídicas é objetiva, direta, oferecendo rigorosos mecanismos de proteção, permitindo decisões com relativa rapidez.

Com isso, a dívida da Santa Casa foi ampliada, comprometendo ainda mais, num curto prazo, o seu patrimônio.

Mas - pergunto aos especialistas do direito - com o envolvimento da prefeitura e todas as decisões decorrentes a partir de então, o município passou a ser co-responsável pela dívida?

E os agentes públicos?

São devedores solidários?

Confesso que fiquei esperançoso com o anúncio do envolvimento da Cruz Vermelha no processo, para contribuir na correção de rumo.

Afinal, a prefeitura alimentou a expectativa de que a Santa Casa poderia contar com a participação desta respeitada entidade.

O anúncio foi feito com pompa e circunstância, dando a entender que tudo estava bem articulado, adiantado, bem ajustado.

Infelizmente, as últimas notícias começam a revelar que podemos estar diante de um grande jogo de cena.

Se isto for comprovado, teremos desdobramentos graves que exigirão apuração de responsabilidades.

E, inevitavelmente, ficaremos expostos a mais um vexame.

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Opinião

A deslealdade da base

Editorial do Estadão
Para o bem ou para o mal, existem limites à capacidade dos governos de fazer o Legislativo dançar conforme a sua música. Isso vale até para o presidente Lula, que fabricou a opulenta coalizão partidária graças à qual detém a maior base parlamentar já registrada na história da democracia brasileira. Os métodos de que ele se valeu para tanto são notórios, assim como as circunstâncias que mais adiante contribuiriam para calcificar o adesismo dos políticos, entre eles não poucos beneficiários do mensalão, ao governante premiado com índices astronômicos de popularidade.

O presidente pode muito, mas não pode tudo. Não pode, por exemplo, impedir os aliados de se entregar aos cálculos de conveniência dos quais dependem, mais do que das benesses do Planalto, as suas expectativas de uma vida política longeva e próspera. Esses cálculos, evidentemente, são de natureza eleitoral. As decisões envolvem a construção de posições de poder nos aparelhos partidários, o acesso a generosos recursos para as campanhas e, ao fim e ao cabo, a recompensa nas urnas. Quando se combinam anos de eleição com questões de interesse direto das forças que os legisladores identificam como determinantes para o seu futuro, a lealdade ao governo é duramente testada.

Viu-se isso com clareza quando a base lulista ajudou a implodir, na votação do marco regulatório do pré-sal, o razoável acerto entre o Executivo e os Estados produtores, a começar do Rio de Janeiro, sobre a distribuição dos royalties do petróleo a ser extraído das novas jazidas. Antes, a Câmara, onde por sinal se concentra a hegemonia do Executivo, havia mudado a destinação de parte dos recursos esperados da exploração nas camadas profundas da plataforma continental.

Agora, a demagogia a custo zero reapareceu em toda a plenitude com a apreciação da medida provisória (MP) editada por Lula em janeiro, depois de negociar com os sindicatos, reajustando em 6,14% os benefícios dos aposentados que recebem mais de um salário mínimo.

Iniciou-se no Congresso uma verdadeira corrida para saber quem conseguiria aprovar o maior índice possível. Sentindo o clima, embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistisse em que recomendaria ao presidente vetar qualquer aumento acima do valor original por seu impacto sobre as contas públicas, Lula autorizou o líder do governo na Câmara e relator da MP, o deputado petista Cândido Vaccarezza, a ir a 7% (a inflação de 2009, mais 2/3 da alta do PIB no ano anterior).

Mas os outros líderes da base, de braços dados com os da oposição, anunciaram na quarta-feira que aprovariam o reajuste proposto pelo Senado: 7,71%. "Não podemos ficar com a imagem de que aqui é maldade e lá é bondade", alegou o deputado Henrique Alves, o líder do PMDB, principal partido aliado ao Planalto.

Os aposentados, com o apoio das centrais sindicais, formam um grupo de pressão relevante - eles ganham pouco, votam e as suas famílias também. Poderão preferir esse ou aquele candidato a presidente, mas na hora de votar para deputado serão lembrados de como se comportaram os parlamentares de seus Estados em relação ao que interessa ao seu bolso. Para a oposição, a situação tem duplo sabor: permite agradar aos velhinhos e criar dificuldades para o governo - o que faz a demagogia correr solta. "Dão bilhões para o FMI, para o BNDES ajudar as grandes fusões e não querem dar um aumento que impacta o Orçamento em R$ 3,4 bilhões?", exibiu-se o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen, favorável a um aumento de 8,77%.

Mais divertido ainda foi ouvir a ameaça do deputado pedetista Paulinho da Força, conhecido comensal do Executivo: "Vamos derrotar o governo." Ele diz duvidar que o presidente vete os 7,71%. "Longe de mim fazer uma injustiça", comentou Lula, "mas tenho de levar em conta a disponibilidade do dinheiro que é do próprio trabalhador." A votação na Câmara ficou para o dia 27.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Fumaça de vulcão para voos na Europa"

Erupção na Islândia causa maior interrupção de tráfego aéreo desde o 11 de Setembro; transtorno afeta Brasil

Gigantescas colunas de fumaça e cinzas expelidas por um vulcão em erupção na Islândia causaram o fechamento do espaço aéreo de ao menos sete países europeus. O vulcão, localizado sob uma geleira, lançou nuvem de cinzas de até 11 km. Além de afetar a visibilidade nos voos, essas partículas podem danificar as aeronaves. O cancelamento de voos gerou a maior interrupção de tráfego aéreo desde o 11 de Setembro na Europa; cerca de 4.000 dos 20 mil voos diários foram suspensos. As principais companhias aéreas que operam trechos entre o Brasil e a Europa também cancelaram decolagens previstas para ontem e para a manhã de hoje. Empresas ofereceram a remarcação de passagens sem custos. A Agência Nacional de Aviação Civil recomenda aos viajantes checar os voos nos próximos dias. É difícil prever quando a situação voltará ao normal. A organização europeia de segurança aérea estima que a paralisação possa durar até mais dois dias.

O Estado de São Paulo
"Conflito agrário cresce no governo Lula"

Estudo dos últimos 25 anos mostra que a média anual da gestão petista é a maior desde a redemocratização, com 929 confrontos, contra 800 da era FHC

Nos últimos 25 anos, o período com o maior número de conflitos agrários no País foi o do governo Lula. Segundo estudo divulgado ontem pela Comissão Pastoral da Terra, a média anual de conflitos registrados entre os anos de 2003, quando Lula assumiu, e 2009 chegou a 929. O recorde anterior havia sido observado nos primeiros seis anos do governo FHC, com a média de 800 conflitos por ano. "O período entre 2003 e 2009 é claramente o mais conflituoso desde o início da redemocratização do País, em 1985", disse o geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves, pesquisador da Universidade Federal Fluminense e autor de estudo sobre o tema, com base em números da CPT. Para ele, o fenômeno tem a ver com o avanço da democracia, que "açulou o medo das oligarquias rurais", mas também mostra aumento do uso da violência pelo Estado. Para ruralistas, as invasões recrudesceram por causa da impunidade.

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quinta-feira, abril 15, 2010

Rumo à Libertadores

Lá vai o Corinthians...

Meteorologia

Chuva Capital

Sidney Borges
Primeiro foi em São Paulo. Choveu, choveu e quando parecia que a chuva ia dar trégua começou a chover mais forte. Alguns mais afoitos puseram a culpa no Serra e no Kassab. Choveu tanto que cheguei a ressuscitar o Amphicar dos anos 60, solução para ruas e avenidas alagadas.

Terminado o dilúvio paulistano o céu despencou sobre as cabeças dos cariocas, causando mortes e devastação, principalmente nos morros. A ocupação de áreas de risco representa um dos maiores problemas urbanísticos do Brasil. As cidades estão inchadas, não cresceram uniformemente, foram ocupadas em função das distorções da economia tupiniquim. Quem chegou sem recursos instalou-se onde conseguiu espaço e nem sempre levou em conta a geologia e o impacto das variações meteorológicas. É fácil pôr a culpa nos governantes do momento, mas se eles têm passivo a acertar este deve ser dividida com seus antecessores. No Rio de Janeiro não há tucanos a culpar, então culpe-se a providência.

Agora parece ter chegado a vez de Salvador onde está chovendo muito. Tomara que não cause sofrimento ao simpático povo da Boa Terra. Veja mais aqui.

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Sociedade

Os estupradores devem ser castrados?

Marcos Guterman (original aqui)
O caso do estupro de uma menina em Pernambuco, que gerou enorme comoção nacional por causa da posição do arcebispo local a respeito do aborto, provocou também a discussão sobre o crime em si. Como a sociedade deveria lidar com um criminoso capaz de violentar sexualmente uma criança?

Há quem defenda a castração.

O caso do tcheco “Pavel” (nome fictício), relatado pelo New York Times, é pertinente. Ele conta que, depois de assistir a um filme de Bruce Lee, sentiu um desejo sexual incontrolável e assassinou um vizinho de 12 anos. Passou sete anos preso e cinco num hospital psiquiátrico. Foi quando ele pediu para ter seus testículos retirados – e foi atendido. Ele diz que a cirurgia foi como tirar a gasolina de um carro programado para bater. Agora, só quer saber de relacionamentos românticos e trabalha como jardineiro para uma instituição de caridade.

Na República Tcheca, único país europeu a permitir a castração de estupradores, 94 presos sofreram a cirurgia. Para os médicos tchecos, é a maneira correta de acabar com desordens sexuais agudas. O Conselho da Europa, porém, exigiu que a República Tcheca interrompesse a prática, por considerá-la “invasiva, irreversível e mutiladora”. Há quem diga que está a meio caminho da eugenia.

Outros países europeus, porém, estão inclinados a permitir a castração para estupradores. “Há um debate intenso sobre quais direitos têm precedência: os dos estupradores ou os da sociedade que espera ser protegida deles”, diz o Times.

No Brasil, houve algumas tentativas de aprovar lei que permitisse a castração química de estupradores. Uma delas esbarrou na Constituição, que proíbe penas consideradas cruéis para os criminosos. Outro projeto, que ainda tramita, é do senador Gerson Camata (PMDB-ES). “No Brasil, não há essa lei, porque dizem: ‘Não, isso é direito humano’. Mas e o direito humano das crianças sacrificadas, abusadas, barbarizadas? Essas não podem ter direito humano. A teoria é fazer leis para favorecer os criminosos”, questionou Camata.

O tcheco Hynek Blasko, pai de um menino de nove anos violentado e assassinado por um estuprador, concorda: “Ninguém quer mexer nos direitos dos pedófilos, mas e os direitos de um menino de 9 anos com toda a vida pela frente?”.

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Arte


Piet Mondrian

Sidney Borges
O centenário arquiteto Oscar Niemeyer disse um dia que a arquitetura deve causar espanto. Tomo a liberdade de estender o raciocínio do mestre às artes plásticas. Há muito tempo, enquanto me dedicava a estudar Delacroix e Gericault para um trabalho escolar tive o primeiro contato com Mondrian e, confesso, fiquei espantado. Foi uma autêntica descoberta, compreendi então o que significa síntese e entendi a profundidade da afirmativa "less is more". Para saber mais sobre Mondrian, clique aqui.

Deu na Folha

Fumaça vinda de vulcão na Islândia afeta tráfego aéreo em países da Europa e força cancelamento de voos

Fumaça de vulcão força fechamento do espaço aéreo britânico até amanhã

Folha Online
O espaço aéreo britânico permanecerá fechado pelo menos até às 7h desta sexta-feira (3h no horário de Brasília), proibindo todos os voos de circularem no país, devido ao risco imposto pela nuvem de fumaça liberada por um vulcão na Islândia. A fumaça obrigou ainda outros países europeus a fechar seus espaços aéreos, como Holanda, Noruega, Dinamarca e Suécia, diante do risco de pane nas turbinas das aeronaves em pleno voo.


O Serviço de Controle do Tráfego Aéreo Nacional (Nats, na sigla em inglês) adotou a medida após constatar que os ventos seguem do vulcão, na geleira Eyjafjallajokull, na Islândia, que entrou em erupção nesta quarta-feira, em direção ao Reino Unido.

"A fumaça vulcânica agora se espalhou pelo Reino Unido e continua viajando ao sul. Em linha com a política de aviação civil internacional, nenhum voo, com exceção daqueles de emergência, serão permitidos no espaço aéreo controlado do Reino Unido", afirma o Nats, em comunicado divulgado em seu site.

O Nats afirma ainda que revisará a medida na noite desta quinta-feira, para avaliar se a restrição deve ser estendida. "Nós continuamos a trabalhar ao lado dos aeroportos, companhias aéreas e o resto da Europa para entender e mitigar as implicações da erupção vulcânica", completa o texto.

A medida fecha os cinco maiores aeroportos de Londres incluindo o de Heathrow, considerado ponto de parada de grande parte dos voos transatlânticos, onde passam 1.200 voos e 180 mil passageiros por dia.
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Deu em O Globo

Irã perto da bomba atômica

EUA preveem que país poderá enriquecer em um ano material para arma nuclear

De Fernando Eichenberg (original aqui)
O Irã teria condições de produzir urânio altamente enriquecido para uma bomba nuclear no prazo de um ano. A declaração foi feita ontem pelo tenente-general Ronald Burguess, diretor da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, durante uma audiência na comissão de armamento do Senado sobre a ameaça nuclear iraniana.

Os serviços de inteligência sustentam suas previsões na capacidade das novas centrífugas nucleares do Irã de produzir urânio altamente enriquecido e em maior velocidade.

Em seu testemunho aos senadores, o general James Cartwright, o segundo na hierarquia do Estado-Maior das Forças Armadas, acrescentou, no entanto, que seriam necessários mais três ou cinco anos para que a bomba pudesse ser utilizada.

No depoimento aos senadores, foi revelada também a preocupação da inteligência com um programa de míssil intercontinental que estaria sendo desenvolvido pelos iranianos, capaz de atingir os EUA.

A sessão da comissão do Senado ocorreu um dia depois do encerramento da Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington, na qual o presidente Barack Obama conclamou os líderes dos 47 países presentes a aumentar a pressão sobre Teerã.

Nota do Editor -  No caso do Irã e suas bombas cantadas em prosa e verso há detalhes que fogem à lógica. Primeiramente eu não entendo o porquê do Irã anunciar aos 4 ventos que tem capacidade de enriquecer urânio. Parece coisa de adolescente contando detalhes do namoro aos amigos. Tem coisas que precisam ser mantidas em segredo, no caso do desenvolvimento de armas estratégicas é fundamental a discrição. Por outro lado um general americano - daqueles que mordem o charuto e falam pelo canto da boca de onde escorre um fio de baba - dizer que o Irã vai desenvolver armas nucleares em um ano é matéria discutível. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos funcionam bem no cinema, na prática parecem cegos em tiroteios. Só faltou o general anunciar armas de destruição em massa, como fazia o relinchante Bush ao se referir ao Iraque. Não acredito em pressão contra o Irã, acho que vão é bombardear mesmo. Estão apenas esperando encontrar o pelo na casca do ovo. (Sidney Borges)

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Opinião

O risco da bomba do terror

Editorial do Estadão
Só não se pode dizer que a questão das sanções ao Irã roubou a cena da Cúpula de Segurança Nuclear, que na segunda e terça-feira reuniu em Washington dirigentes e outros representantes de 47 países, porque o próprio promotor do evento, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se valeu dele para insistir na "rápida e agressiva" adoção, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, de uma nova bateria de penalidades contra o governo iraniano por suas recorrentes transgressões do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Mas Obama foi mais bem-sucedido na conferência em si ? o maior encontro de líderes estrangeiros em solo americano desde aquele que criou a ONU, em 1945 ? do que nas suas exortações sobre o Irã.

O principal obstáculo às sanções, como se sabe, é a China. Um dos 5 membros do Conselho de Segurança com poder de veto, o país compra de Teerã 12% dos seus suprimentos de petróleo e gás ? e não está especialmente ansioso em pavimentar o caminho para a renovada afirmação da liderança mundial dos Estados Unidos. À margem da cúpula, Obama se reuniu com o presidente Hu Jintao, e os porta-vozes da Casa Branca se apressaram a espalhar que a China havia enfim anunciado o seu apoio ao pleito americano. Aparentemente, a versão não se sustém. A chancelaria chinesa logo fez saber que Pequim continua a preferir "o diálogo e o entendimento às sanções e pressões". É também a posição do Brasil e da Turquia, membros temporários do Conselho.

Mas, se continua incerto o desfecho da demanda americana ? cujo principal objetivo é o de confrontar o Irã com uma crescente coesão da comunidade internacional para que cumpra as suas obrigações como signatário do TNP ?, o resultado da cúpula propriamente dita representou um progresso notável. Obama fez da não-proliferação e do controle dos arsenais atômicos o carro-chefe da sua política externa. Há um ano, em Praga, numa fala que contribuiu para ser contemplado ? prematuramente ? com o Prêmio Nobel da Paz, pregou o desarmamento nuclear, embora, realista, tenha admitido que não viverá para ver essa meta alcançada.

A sua prioridade imediata, em todo caso, era neutralizar agora o risco de uma organização terrorista como a Al-Qaeda ter acesso à bomba ou aos materiais (urânio altamente enriquecido ou plutônio) que lhe permitiriam montá-la. Na abertura da cúpula, cuja realização ele havia anunciado em Praga, Obama declarou essa eventualidade "a maior ameaça singular à segurança dos Estados Unidos, no curto, médio e longo prazos". É uma hipótese improvável, porém não impossível. Existem, disseminados por meia centena de países, cerca de 1.600 toneladas de urânio fortemente enriquecido e 500 toneladas de plutônio, o suficiente para a produção de umas 100 mil bombas. Bastam 50 quilos de urânio para fazer uma réplica daquelas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Em tese, o presidente Lula tem razão quando diz que "o modo mais eficaz de reduzir os riscos de que agentes não-estatais utilizem explosivos nucleares é a eliminação total e irreversível de todos os arsenais". Na prática, equivale a dizer que a melhor solução para o contrabando de armas é a eliminação da indústria bélica. Com os pés no chão, Obama conseguiu que 47 países assumissem o compromisso voluntário de participar de um plano internacional para a salvaguarda de materiais atômicos em um prazo de 4 anos. O plano deverá desembocar numa série de medidas relacionadas com o armazenamento, uso, transporte e contabilização de substâncias radioativas, especialmente urânio e plutônio.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Terremoto mata 589 e fere 10 mil na China"

Cidade mais afetada teve 85% das casas destruídas; frio afeta resgate

Ao menos 589 pessoas morreram e 10 mil ficaram feridas no terremoto da Província de Qinghai, noroeste chinês, vizinho ao Tibete. O tremor chegou à magnitude de 6,9. A cidade mais afetada é Yushu, com 85% das casas destruídas, segundo a agência oficial Xinhua. Cerca de 100 mil pessoas vivem na região. Há relatos de ruas tomadas por pessoas em pânico e machucadas. Um dos principais desafios para as equipes de resgate é o frio de -3°C. O último grande terremoto na China ocorreu em 2008 e deixou cerca de 90 mil mortos na Província de Sichuan. Depois do abalo no Haiti, o novo tremor chinês é o que causou mais mortes neste ano no planeta. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o mundo sofre em média 16 abalos com magnitude igual ou superior a 7 por ano. Desde abril de 2009, foram 18.

O Estado de São Paulo
"Justiça suspende leilão da hidrelétrica de Belo Monte"

Liminar alega risco de 'dano irreparável' à região do Xingu; BNDES vai abrir crédito para até 70% da obra

O juiz federal Antonio Carlos de Almeida Campelo concedeu ontem liminar suspendendo a licença prévia para a obra da hidrelétrica de Belo Monte, cujo leilão estava previsto para a próxima terça-feira. A medida atende a ação do Ministério Público e considera que o projeto trará "dano irreparável" à região do Rio Xingu. A decisão ocorre em momento de incerteza sobre o leilão – apenas um consórcio se apresentou formalmente. Para garantir a obra, o BNDES deverá financiar 70% do custo, orçado pelo governo em R$ 19 bilhões. O porcentual é o limite máximo permitido para empréstimo a um único projeto. Há ainda a possibilidade de financiamento indireto, por meio de agentes repassadores. Hoje, o banco deve divulgar as condições do crédito.

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