sábado, abril 03, 2010

Sábado de Aleluia

Malhando o Judas

Sidney Borges
Em São Paulo fizeram bonecos de Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jatobá, do médico Roger Abdelmassih e do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Judas da vez. Tiveram o que mereciam na visão popular. Apanharam muito. Depois foram desmembrados e queimados. Um desmantelo. Eu também fiz um Judas. mas não o espanquei, sou contra a violência. Coloquei o dito cujo em uma cadeira, sentei-me em frente e falei aquelas verdades que doem, disse tudo o que pensava. Ele ouviu em silêncio, acho que ficou com medo do Brasil - meu cachorro - que acompanhou atentamente o monólogo. Sei que não vai adiantar nada. O discurso foi pura perda de tempo. Pau que nasce torto não endireita. Mas foi bom ter feito o que fiz, quando soltei a figura Brasil avançou, arrancou uma perna e levou para a cama. Tal dono tal cão. Detestamos corrupção.

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Aviação leve

A hora do Diesel

Cultura Aeronáutica (original aqui)
Há mais de 100 anos que os motores a gasolina imperam na propulsão de aeronaves leves. Foram amplamente superados pelos motores a turbina nas grandes aeronaves, mas ainda continuam imbatíveis na aviação geral, ao menos por enquanto.

Enquanto os motores a reação rapidamente dominaram o mercado de médias e grandes aeronaves, o alto consumo de combustível e o custo de manutenção praticamente inviabilizam esses motores para emprego em grande escala na aviação geral. A consequência disso é que mesmo as mais modernas aeronaves leves da atualidade utilizam motores cuja tecnologia é de 60 ou mesmo 70 atrás.

Os típicos motores de avião atuais são basicamente os mesmos motores utilizados nas últimas 6 décadas. São motores de 4 ou 6 cilindros horizontais opostos, refrigerados a ar, ignição por magneto, sistemas de injeção mecânica ou mesmo o velho carburador. Consomem exclusivamente a cara e problemática gasolina de aviação, a famigerada AVGAS, e consomem muito para a potência que produzem. Se são motores confiáveis, ao menos em tese, são relativamente frágeis em uso, não suportando, por exemplo, longos planeios em ar frio sem o risco de se trincar um cilindro.

A obsolescência dos motores a pistão aeronáuticos é gritante. Na indústria automobilistica, não se usam magnetos para sistemas de ignição há mais de 50 anos. Carburadores, controle manual de mistura e platinados fazem rir os mecânicos de automóveis, que não vêem lógica no uso disso nos dias de hoje, com tanta tecnologia e eletrônica embutida até mesmo nos motores de carros populares e de motocicletas.

De fato, questões de responsabilidade civil dos fabricantes de motores, na legislação americana, por muito tempo inibiram quaisquer inovações mais radicais, porque o desenvolvimento de novas tecnologias sempre tem um custo. Como consequência, os motores aeronáuticos mais usados na atualidade podem ser considerados como totalmente obsoletos, e é um absurdo total que continuem em uso por mais tempo.

Resta um problema: que motores irão substituí-los? O uso da gasolina de aviação, devido aos problemas ambientais e baixa disponibilidade, deve ser pura e simplesmente descartado. Deve-se, portanto, considerar a utilização de motores que consomem outros tipos de combustíveis menos poluentes e mais baratos.

A mais fácil solução é, sem dúvida, substituir os motores a gasolina, ciclo Otto, por motores ciclo Diesel. Embora seja possível converter os antiquados motores a gasolina para o uso do álcool etílico hidratado, isso é prático somente no Brasil, que tem grande disponibilidade desse combustível. No resto do mundo, o etanol ainda não é tão amplamente utilizado, mesmo que tenha grandes vantagens do ponto de vista ambiental.

Motores ciclo Diesel são geralmente associados a motores pesados e de grande porte, utilizados geralmente em caminhões, locomotivas e navios. Obviamente, motores muito pesados não são adequados para uso em aeronaves.

Entretanto, motores Diesel podem ser usados em aviões sem maiores problemas. Na Europa, mesmo antes da Segunda Guerra Mundial, os motores Diesel foram muito utilizados, inclusive para propulsionar aeronaves militares de alto desempenho, especialmente na Alemanha. Infelizmente, como a Alemanha perdeu a guerra, o mercado de motores aeronáuticos a pistão acabou dominado pelos norte-americanos, que se concentraram na produção dos populares motores de cilindros opostos a gasolina. Depois da Segunda Guerra, a gasolina era um produto muito barato, e ninguém ainda tinha consciência de problemas ambientais que causava. Somente a partir das crises do petróleo da década de 1970 é que os operadores de aeronaves começaram a se preocupar com o exagerado consumo de seus motores.

A empresa alemã Thielert AG foi pioneira na produção de motores Diesel para a aviação geral. Seus motores são baseados nos motores automotivos Mercedes Benz, uma das empresas mais conceituadas nessa tecnologia no mundo. A Thielert certificou, em 2002, um motor de 1,7 litros de cilindrada, com 135 Hp, no mercado europeu. Modelos mais potentes foram colocados posteriormente no mercado (foto abaixo).

Motores Diesel não são necessariamente motores pesados. Pelo contrário, são motores plenamente satisfatórios na relação peso-potência, superiores em muitos casos aos antiquados motores a gasolina utilizados nos aviões de hoje. Um exemplo é o motor Diesel francês SMA (foto abaixo), de 5 litros de cilindrada e 230 HP, que pode ser utilizado, por exemplo, nos Cessna 182 Skylane. O motor pesa cerca de 15 Kg a menos que o motor Lycoming IO-540 original, que tem a mesma potência. Motores diesel de ciclo dois tempos podem ser ainda mais leves, mesmo se utilizarem sistemas de refrigeração líquida.

Na cultura norte americana, motores diesel foram sinônimo de motores de locomotivas e navios por muitos anos. Mesmo os caminhões pesados americanos utilizaram gasolina como combustível durante décadas. Como maior potência mundial, os americanos influenciaram o todo o resto do mundo. No início da década de 1940, a empresa americana Guilberson Diesel, por exemplo, ofereceu no mercado um excelente motor radial de 9 cilindros Diesel, de 320 HP e que tinha apenas 280 Kg de peso. Era uma ótima relação peso-potência para a época, e seria satisfatória até hoje. Fez vários voos de teste, mas não equipou nenhuma aeronave de produção. Por que? Simplesmente porque os pilotos acharam os motores "preguiçosos" para acelerar, e os gases de escapamento eram "malcheirosos"... Realmente, com o irrisório preço da gasolina na década de 40, qual americano iria se dignar a operar um motor com escapamento malcheiroso?

As vantagens do motor Diesel sobre os motores Otto são inúmeras para a aviação: para começar, são motores muito mais eficientes e econômicos. O motor SMA de 230 Hp, por exemplo, consome 34 litros de querosene de aviação por hora, em média, quando o motor Lycoming IO-540 consome 60 litros de AVGAS por hora. Ou seja, além de ter operação mais barata, o avião pode ter maior autonomia ou carregar menos peso morto em combustível.

Outra grande vantagem é a simplicidade de operação. O motor Diesel não necessita de sistema de ignição, fonte de inúmeros problemas nos motores a gasolina. Controles de mistura de combustível são igualmente desnecessários e inexistentes. Os motores diesel também operam melhor com turbo-compressores que os motores a gasolina, o que garante boa reserva de potência a grande altitude, com um consumo irrisório se comparado com os motores a gasolina. Motores mais simples têm operação mais segura, pois possuem menos componentes para dar pane.

Uma vantagem adicional dos sistemas de ignição por compressão dos motores Diesel é que isso torna desnecessários os pesados e complexos sistemas de blindagem dos sistemas de ignição, fonte de interferência considerável nos sistemas de comunicação e navegação por rádio dos aviões.

Motores Diesel operam com combustível muito menos volátil que a gasolina. Os motores Diesel aeronáuticos consomem normalmente o querosene de aviação, amplamente disponível em qualquer aeroporto, mas podem consumir sem problemas o óleo diesel comum e o biodiesel. A baixa volatilidade desses combustíveis reduz dramaticamente o risco de incêndio, e deixa praticamente de existir o risco de formação de bolhas de vapor nas linhas de combustível (vapor lock), responsável por boa parte dos incidentes de parada ou perda de potência em voo dos motores a gasolina, especialmente em grande altitudes.

Com relação aos problemas de lentidão na aceleração reportados pelos pilotos na década de 1940, são coisas do passado, pois os motores gerenciados eletronicamente e de alta rotação de hoje possuem excelente resposta ao comando das manetes de potência, e mesmo os motores antigos eram mais rápidos de resposta do que qualquer tipo de motor a reação. Quanto aos gases de escapamento malcheirosos, são preferíveis aos altamente venenosos gases de escapamento da AVGAS. Vale dizer ainda que os pilotos de motores a reação não costumam reclamar do cheiro de querosene do escapamento dos seus motores.

Motores a gasolina de ciclo 2 tempos nunca foram populares na aviação, e só foram usados nos antigos ultraleves. A maior desvantagem desses motores é a lubrificação deficiente, o que causava eventuais travamentos do motor em voo e baixa durabilidade. Já os motores Diesel 2 tempos não têm essa desvantagem, pois não há circulação de mistura no cárter (nem mesmo existe a "mistura"). Os sistemas de lubrificação dos motores Diesel 2 tempo são semelhantes aos utilizados nos motores 4 tempos, e garantem excelente durabilidade, tanto é que são amplamente utilizados em locomotivas e navios, onde o requisito durabilidade do motor é fundamental.

O ciclo 2 tempos Diesel (esquema acima) é ideal para a aviação, pois produz grande potência sem aumento de peso e sem problemas de baixa durabilidade. O motor possui normalmente duas ou quatro válvulas de escapamento, e nenhuma válvula de admissão. A admissão de ar puro é feita pelo pistão alongado do motor, que ao atingir o ponto morto baixo do curso, abre uma série de janelas no cilindro, onde entra o ar que limpará o cilindro dos gases queimados (que saem pelas válvulas de escapamento) e que será comprimido para o próximo ciclo. Como o pistão desses motores não aspira ar, é necessário um compressor de baixa pressão e grande volume, geralmente do tipo "roots", que bombeia ar para um compartimento adjacente ao cilindro. Ao subir, o pistão fecha as janelas de admissão e comprime o ar até que o mesmo atinja a pressão e temperatura de ignição do combustível, injetado tão logo o pistão se aproxime do ponto morto superior. Ao abaixar sob o efeito da expansão dos gases de combustão, o pistão gera potência útil e inicia um novo ciclo, tão logo as válvulas de escapamento abram e o pistão abra as janelas para a admissão de ar fresco, quando chegar no ponto morto baixo.

Muitos fabricante estão oferecendo motores Diesel de 2 ou 4 tempos para a aviação leve, e é só uma questão de tempo para que os mesmos venham a substituir os obsoletos motores a gasolina ainda em uso. A empresa Delta Hawk, por exemplo, oferece no mercado vários motores Diesel 2 tempos de 4 cilindros em "V" invertido (foto abaixo), que consomem 30% a menos de combustível em volume que os motores a gasolina, e com praticamente o mesmo peso, ainda que utilizem refrigeração líquida. O custo da revisão geral do motor é um terço inferior ao dos motores a gasolina, e o motor é operado por uma única manete, sem que o piloto precise se preocupar com mistura, chumbo nas velas, cheque de magnetos e overcooling dos cilindros. Outro interessante motor Diesel 2 tempos é o Zoche, um radial de 8 cilindros (foto no início do artigo).

Gente


Luiza Brunet comemora 30 anos e confessa: 'Estou há dois anos e pouquinho sem sexo

Melina Dalboni em O Globo
RIO - Três décadas de carreira, quatro grandes campanhas no ar, um convite para posar nua, cachê para comerciais entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão, e dois anos e meio sem sexo. Este é o resumo da vida de Luiza Brunet em 2010. Aos 47 anos, linda, ela está em alta no mercado e não quer saber de namorado. Desde que se separou de Armando Fernandez, com quem ficou casada por 24 anos, a modelo diz só ter tempo para o trabalho e os filhos.

- Não tenho o menor interesse em namorar alguém. Estou há dois anos e pouquinho sem sexo. Acho supernatural. É claro que sinto falta de sexo, de afeto, de um companheiro, de um homem. Ainda mais eu, que sempre fui casada. É lógico que quando você se separa e ainda gosta da pessoa sempre acha que em algum momento pode haver uma reconciliação. Mas, na verdade, eu estou mesmo sem ninguém porque quero.

Não é por falta de assédio. Enquanto caminha no calçadão de Ipanema, ela ouve comentários de homens mais jovens - uma penca deles. Mas para estes ela não dá bola. Luiza não gosta de garotão. Harrison Ford é o homem de seus sonhos.

- Sempre gostei de homem com aspecto físico mais maduro, com consistência profissional e intelectual. Não sou o tipo de mulher que gosta de desfilar com rapazinho jovem - diz Luiza, na sala de seu apartamento. - Estou na entressafra, né? Não vai sobrar nada para mim, porque se eu não gosto de jovem e se os homens mais velhos não se interessam por mulheres da minha idade, então, vou acabar ficando sozinha.

O fim do casamento foi há pouco mais de dois anos, quando Luiza participou do quadro Dança no Gelo, do "Domingão do Faustão". Os rumores, na época, eram de que o marido teria ficado com ciúmes do professor de patinação.

- Isso surgiu pelo fato de eu ter feito o quadro e ter ficado muito tempo fora de casa para os ensaios. Mas não foi isso. Já havia um desgaste no casamento e fomos levando, até que chegou a um limite. Quando me separei, gostava muito do Armando, continuava apaixonada.

Coincidência ou não, Luiza tem trabalhado bastante e vem sendo chamada para fazer campanhas de grandes marcas. Atualmente, ela é a garota-propaganda de L'Oréal, Havaianas, Rio Sul, Avon e do concurso de design de joias Auditions Brasil 2010, promovido pela mineradora AngloGold Ashanti, que este ano tem como tema "Sincronicidade" (as inscrições começam no dia 7). A modelo também tem feito "presença" em eventos, pela qual lhe pagam cerca de R$ 40 mil.

- A Luiza é um ícone de beleza para a mulher brasileira madura. Ela consegue transmitir jovialidade e energia sem ter que negar sua idade, além de conseguir passar a credibilidade e a proximidade que a marca precisa - diz Deborah Berman, gerente de comunicação da L'Oréal.

Ter construído uma família com dois filhos lindos e um casamento longo, e ter tido uma vida sem escândalos pessoais contribuem para que Luiza continue tão requisitada como modelo.

- Estou numa fase muito legal. Nunca pensei que fosse trabalhar como modelo, ou mesmo como referência de beleza, com essa idade. Aos 40, pensei que minha carreira já tivesse acabado. Estou num momento superbom.

Some-se a isso o fato de ela continuar vestindo o jeans manequim 40 da Dijon, marca para a qual trabalhou nos anos 80. Com pilates, musculação, caminhada e botox uma vez ao ano, Luiza mantém o corpo e o rosto em forma (64 quilos; 1,76m; 70cm de cintura e 92cm de quadril). O vitiligo nas mãos, no joelho e no tornozelo - que ela tem desde 2 anos - é camuflado com autobronzeador e maquiagem.

- Vai envelhecer bem assim lá em casa - brinca Felipe Zobaran, publisher da "Playboy". - Ela está linda, maravilhosa.

Luiza mede sua popularidade não só por meio de convites de trabalho mas também pelo alerta Google. Faz isso para saber o que dizem e escrevem por aí sobre ela. E tem gostado do que lê, com exceção de um recente boato, desmentido, de que teria tido um caso com o presidente Lula.

Ubatuba Víbora Musical

Antonio Carlos Jobim
Samba De Uma Nota Só
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Política

Militância no poder

Ruy Fabiano (original aqui)
A palavra-chave que distingue o governo do PT dos que o antecederam – e que investe de maneira recorrente contra o Estado democrático de Direito – é “militância”. Lembrou-a, em recente conferência, o professor e filósofo Roberto Romano.

O vírus da militância política extrapola o âmbito partidário e introjeta-se nos Poderes do Estado, nas universidades e demais organizações da sociedade civil, influindo ou mesmo, em alguns casos, condicionando seu comportamento.

O militante é alguém que se julga imbuído de missão. Cabe-lhe, onde atua, implementar o ideário pelo qual milita, ainda que infringindo códigos e regulamentos. Não há separação entre vida partidária e profissional. Reporta-se não a seu superior hierárquico, mas ao comando partidário em que milita, com ou sem filiação.

No caso brasileiro, há exemplos abundantes dessa anomalia, sobretudo no Judiciário e no Ministério Público. E isso, a rigor, precede a chegada do PT ao poder. Ainda no governo FHC, o procurador Luiz Francisco de Souza notabilizou-se pela obstinação com que investigava figuras do governo – e só do governo.

Valeu-se de artifícios de toda ordem na obsessão missionária de condenar o ex-ministro Eduardo Jorge, em tabelinha com jornalistas militantes. A estratégia era simples: o jornalista publicava uma nota dando conta de que o Ministério Público estaria investigando algum personagem e a nota, artificialmente plantada, servia de base para abrir o processo investigatório.

Uma vez aberto, o noticiário se encorpava e dava sustentação à “notícia”, ampliando-a, o que, na sequência, justificaria pedido de abertura de CPI e passaria a mobilizar todo o noticiário político. Uma coisa alimentando a outra, em eficaz parceria, a que a bancada do partido aderia com estardalhaço. Eduardo Jorge, depois de brutal exposição pública, conseguiu provar sua inocência na Justiça.

No governo Lula, que já no seu segundo mês de vigência protagonizou o escândalo de Waldomiro Diniz - subchefe da Casa Civil, flagrado pedindo propina a um bicheiro -, o vigilante procurador Souza não mostrou o mesmo zelo pelo patrimônio público.

Ao contrário, saiu de cena. Não se ouviu também sua voz em todo o processo do Mensalão. Antes de ingressar no Ministério Público, Luiz Francisco fora filiado ao PT.

Com o partido no poder, novos personagens ocupariam a cena, com o mesmo ardor militante. O juiz Fausto De Sanctis, à frente do processo contra o banqueiro Daniel Dantas, fez dobradinha com o delegado Protógenes Queiroz (que, afastado da Polícia Federal, lançou-se candidato a deputado pelo PDT), no afã de condenar o réu sem obedecer o devido processo legal.

Com isso, favoreceu-o, mantendo-o em liberdade. Antes, porém, De Sanctis chegou a afirmar que a Constituição é apenas um documento, no que foi apoiado pelo procurador Rodrigo De Grandis, que sustentou, em palestra, que há, no Brasil, “um apego excessivo da jurisprudência à questão dos direitos e garantias fundamentais”.

Com isso, relativizou a letra da lei, considerando que, em algumas circunstâncias, pode (e deve) ser contrariada. De Sanctis foi ainda pivô de um acontecimento inédito: um abaixo-assinado de juízes de primeira instância contra o presidente do STF.

Mas a síntese dessa nova maneira de olhar o Direito mostrou-se por inteiro no célebre bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, que o desafiou a “ir às ruas”, “ouvir a voz do povo”. É o mesmo fundamento de De Sanctis, ao relativizar a Constituição e sustentar a necessidade de que prevaleçam não os autos, mas “a vontade do povo”. Nesse caso, cada julgamento deveria ser precedido de pesquisa de opinião, e a Justiça seria algo mais afeito ao Ibope que ao Judiciário.

Desde a semana passada, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) convocou greve da categoria. A motivação não era de ordem trabalhista. A presidente do sindicato, Maria Izabel Noronha, declarou publicamente a verdadeira motivação do ato: “Precisamos quebrar a espinha dorsal da candidatura de Serra e do PSDB”. Dias depois, estava no palanque de Dilma Roussef, num encontro de mulheres metalúrgicas, categoria à qual não pertence. Foi elogiada por Dilma como “uma companheira combativa”. Militância em estado bruto.

A esquerda, desde a fundação do Partido Comunista do Brasil, em 1922, inaugurou a militância política entre nós. O PC, porém, jamais governou e os reflexos desse modo de fazer política não se faziam sentir com tanta nitidez. O PT, que forjou sua história na militância, está no poder. Promove congressos e conferências para manter a militância em sintonia com as palavras de ordem.

O Plano Nacional de Direitos Humanos 3 brotou dessa mobilização – constante contínua -, que é a chave para a compreensão da política brasileira contemporânea.

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Opinião

Estímulo à má gestão

Editorial do Estadão
O governo federal desconhece o destino final de boa parte dos bilhões de reais que repassa voluntariamente todo ano aos Estados, às prefeituras e a instituições do terceiro setor - como organizações não-governamentais, sindicatos, centrais sindicais, entre outras. As autoridades federais não fiscalizam adequadamente a aplicação do dinheiro transferido, o que favorece a má gestão, a negligência, o desperdício e, sobretudo, a corrupção.

Uma estimativa apresentada há alguns meses pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar, indicou que cerca de metade dos convênios para o repasse voluntário de recursos da União não passa por nenhuma fiscalização. À época, isso representava mais de 112 mil convênios, no valor de R$ 32,4 bilhões. O exame de uma amostra deles mostrou a ocorrência de diferentes irregularidades, desde desvio de recursos - a falha mais grave constatada - até erros formais na prestação de contas.

Essa não é, porém, a única falha no sistema de fiscalização e controle dos recursos do Orçamento da União que o governo federal transfere para outros entes da Federação e para órgãos não-governamentais. Mesmo quando os órgãos conveniados apresentam as prestações de contas do dinheiro recebido, como é exigido por lei, o governo federal não as examina a tempo. De acordo com reportagem publicada no jornal O Globo de domingo passado, o TCU constatou a existência, em outubro do ano passado, de 44.819 prestações de contas relativas a convênios encerrados até 2008, no valor de R$ 17,4 bilhões, que aguardavam exame dos órgãos federais responsáveis pelo repasse dos recursos.

Os órgãos federais costumam alegar que falta pessoal para cumprir essa tarefa. É uma alegação que não convence, pois, se esses mesmos órgãos dispõem de equipe qualificada para examinar a legalidade, a necessidade e a oportunidade dos convênios, têm também pessoal para examinar a correção de sua execução.

É um problema antigo, que se tornou um escândalo quando a Polícia Federal descobriu uma rede de empresários, prefeitos, governadores e parlamentares que se apropriavam de verbas transferidas pela União, mediante convênios, para a compra de ambulâncias, que eram superfaturadas. Esse caso, que ficou conhecido como o escândalo dos sanguessugas, motivou alerta do TCU ao governo federal, no sentido de melhorar os sistemas de fiscalização dos convênios.

"Desde o escândalo dos sanguessugas, vimos que não dava para continuar do jeito atual", reconheceu, na época, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Por essa razão, o governo fez várias reuniões, das quais participaram representantes do TCU e da Controladoria-Geral da União (CGU), e que resultaram em algumas sugestões.

Em 2008, por exemplo, além de determinar o arquivamento de prestações de contas com mais de cinco anos e de valor inferior a R$ 100 mil, uma portaria interministerial criou uma força-tarefa para, no prazo de dois anos, examinar as prestações de contas que estavam acumuladas até então, aguardando fiscalização. O prazo terminou em fevereiro, mas o número de prestações de contas sem análise aumentou (em 2007, eram 38 mil, no valor de R$ 8,4 bilhões).

Em julho de 2007 foi criado o Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv), que disporia de um portal - o Portal de Convênios - para facilitar a celebração de convênios, a liberação de recursos e o acompanhamento pela internet, por qualquer cidadão, do andamento dos programas.

"O portal vai inibir as irregularidades, porque o responsável só vai poder executar o convênio prestando contas ao mesmo tempo", reconheceu o secretário de controle externo do TCU, Rosendo Severo, em setembro, quando, com grande atraso, o Portal de Convênios foi colocado à disposição na internet. Ocorre que o Siconv ainda não está funcionando de acordo com o programado. Alguns órgãos federais continuam a operar à maneira antiga, com seus sistemas próprios de informação e controle de convênios. Há queixas de conveniados que não conseguem entrar no sistema.
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Manchetes do dia

Sábado, 03 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Criação de emprego nos EUA é a maior em 3 anos"

Saldo em março foi de 162 mil vagas, mas desemprego continua estável

O mercado de trabalho norte-americano registrou no mês passado seu melhor desempenho desde março de 2007, com a criação de 162 mil empregos. Do total de contratações, o setor privado foi responsável por 123 mil novas vagas, melhor resultado no país em três anos. O dado indica recuperação mais sólida após a crise global, que deixou mais de 8 milhões de americanos sem emprego, e sinaliza que a economia está menos dependente da ajuda do governo, o que pode acelerar a decisão do Fed (o BC dos EUA) de aumentar o juro básico. Todas as grandes indústrias contrataram, mas a alta também foi puxada por postos temporários: em março, foram contratados 48 mil pessoas para trabalhar no censo dos EUA. Mesmo com o bom desempenho no mês, a taxa de desemprego no país ficou estável em 9,7%. Ao comentar o resultado, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as medidas tomadas pela Casa Branca estão ajudando o país a superar a recessão. “O que podemos ver é que a pior fase da crise chegou ao fim e teremos dias melhores pela frente”, afirmou.

O Estado de São Paulo
"Alckmin busca voto do interior; Mercadante se apóia em Lula"

Somente depois da oficialização da candidatura de José Serra à Presidência, no dia 10, é que Geraldo Alckmin (PSDB) vai agir na própria causa, a eleição para o governo de São Paulo. Ele quer viajar pelo interior do Estado para contatar líderes das várias regiões. Já Aloizio Mercadante (PT) pretende colar no presidente Lula e desconstruir a gestão tucana. A ideia é casar o discurso com o de Dilma Rousseff.

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sexta-feira, abril 02, 2010

Eleições 2010

Vitória do PV não é impossível, diz Marina Silva

De Angela Lacerda, da Agência Estado (original aqui)
A pré-candidata à Presidência da República, Marina Silva (PV), afirmou hoje em Caruaru, no agreste pernambucano, não ser muito provável, mas não ser impossível, uma vitória do PV, um partido pequeno com poucos recursos, na eleição de outubro.

Segundo ela, a candidatura do PV já está quebrando a maneira de fazer política e observou que o PT e o PSDB precisam ter maturidade para restabelecer o diálogo e perceber que existem questões importantes e estratégicas para o Brasil que não podem ser negligenciadas, como o desenvolvimento com preservação ambiental.

Para a senadora, é preciso garantir uma governabilidade mínima no Congresso buscando um arco de alianças que não tenha o "viés fisiológico". Ela observou que o PSDB quis ser sozinho (na presidência) e ficou refém do DEM, enquanto o PT quis governar sozinho e ficou refém do PMDB. Lembrou, então, uma citação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre quem vai "liderar sozinho para governar o atraso". "Não precisamos liderar o atraso", afirmou ela para uma plateia majoritariamente formada por alunos e professores da Faculdade do Vale do Ipojuca (Favip), no auditório da Rádio Difusora de Caruaru.

Nota do Editor - A pré-candidata tem razão. A vitória do PV não é impossível. Vou além, nada é impossível, mas convém lembrar que existem eventos com pouca probabilidade de acontecer. Se você jogar tinta de caneta em um copo com água, a tinta vai ser diluída. A Termodinâmica diz que nada impede que espontaneamente a tinta volte a se aglomerar em uma gota. A vitória do PV não é impossível. É apenas pouco provável. (Sidney Borges)

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Surfe


Luana Coutinho vem com tudo em 2010

Ricosurf
Luana Coutinho é paulista, local de Ubatuba. Iniciou no esporte aos sete anos na praia Prumirim e hoje, aos 21, exibe um talento nato que lhe permite o direito de estar entre as melhores do Brasil. Além do surf, a atleta se dedica a aprender fotografia, uma profissão que concilia com seu esporte.

Em 2009, Luana demonstrou seu valor e sua dedicação em todas as etapas do circuito Petrobras de Surfe Feminino, no qual se sagrou vice-campeã e no SuperSurf, onde ficou em nono lugar. “Consegui a vencer a última etapa do circuito e me sinto muito feliz, pois percebo que estou evoluindo e ainda tenho muito que apresentar”, disse a surfista.

Luana participou de todos os eventos do calendário nacional e, para que consiga permanecer competindo nos mesmos em 2010 e nos internacionais, a competidora vem buscando parceiros e um novo estilo de treinamento.

Coluna do Celsinho

Candidato

Celso de Almeida Jr.
Declaro para todos os fins a minha total incompetência.

Outrossim, informo que durante toda a vida emiti diversos cheques sem fundos.

Processos?

Sofro. Diversos.

Na pessoa física e na jurídica.

Assassinato?

De seres humanos, por enquanto, não.

Outras espécies?

Positivo.

Sou o próprio juiz d’O Caso dos Dez Negrinhos, da Agatha Christie.

Confessei?

Sim.

Na primeira comunhão declarei que liquidava passarinhos com a força do estilingue.

Cruel, lancei mão da espingardinha de pressão para matar gatos.

Foram diversos.

Chumbo Diabolô.

Bem no olho.

Morte instantânea.

Rasteiras de toda ordem?

Creio que sim.

Insensível e perverso, nem lembro contra quem.

Mas, certamente, prejudiquei bastante gente.

Golpes?

Sim.

Em amigos, família e outros inocentes.

Pois bem.

Com esta declaração lanço por terra a tentativa de amigos de me envolver na política local, imaginando-me candidato.

Peço ao leitor que reproduza este texto e divulgue por toda a cidade.

Espero, com isso, liquidar o assunto.

Em tempo: Pode parar!!! Por favor!! Não divulgue...

Um amigo observador alertou-me que o currículo me credencia para altos voos...

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Opinião

Os contrastes na largada

Editorial do Estadão
As despedidas da ministra Dilma Rousseff e do governador José Serra, além da fala do presidente Lula aos 10 ministros de Estado que se afastavam para participar das eleições de outubro, foram em geral o que se poderia esperar dessa abertura não declarada da corrida ao Planalto: uma ocasião em que os candidatos flexionam os músculos para a temporada que, pela barroca legislação eleitoral brasileira, só deveria começar em junho, quando os seus nomes tiverem sido formalmente aprovados pelos respectivos partidos.


Foi também uma oportunidade para os contendores testarem os bordões de suas campanhas. Dilma investiu contra os "viúvos do Brasil que crescia pouco", reiterando que a sua prioridade será "mostrar as realizações dos dois governos", como se Serra fosse em relação a Fernando Henrique o que ela é de Lula - uma emanação. O tucano, por sua vez, lançou o bordão "Vamos juntos, o Brasil pode mais", o tipo do traje publicitário que veste bem qualquer candidato em qualquer eleição, mas, ainda assim, contém uma promessa de superação e uma oferta de competência - reconhecida, aliás, até por adversários.

Descontem-se, em todo caso, os aspectos plastificados dos rituais da quarta-feira, em Brasília e em São Paulo. A substância que deles emerge é o contraste entre os candidatos - posto em evidência por ninguém menos do que o patrono de um deles. No seu discurso em que, para variar, criticou a imprensa, além de enveredar por uma digressão "extra-agenda" sobre a política externa brasileira para o Oriente Médio, Lula deixou escapar que ele praticamente forçou Dilma a concorrer ao que chamou, para não tornar a transgredir a lei, "um cargo talvez até melhor do que a Casa Civil". Ela, exagerou o presidente, era a única de seus ministros a não aspirar à sua sucessão.

Julgue-se como se queira o currículo, as ideias e o estilo de Serra, dele é impossível dizer que é um candidato fabricado ou que não tenha vida própria. A sua segunda tentativa de alcançar o Planalto, assim como a anterior, é um momento natural de uma longa trajetória política e de desafios eleitorais, vencidos uns, perdidos outros. Do outro lado da barricada, já não bastasse Lula assumir o óbvio - a paternidade da candidatura Dilma -, ela própria se incumbiu de apresentar-se como uma sombra apenas de seu criador, a quem citou, direta ou indiretamente, 67 vezes em sua fala.

"Com o senhor, presidente Lula, aprendemos a ser corajosos", entoou em dado momento. "O povo brasileiro sempre acredita no futuro. O senhor nos ensinou a construí-lo", desdobrou-se. Disse ainda que todos os que fizeram parte da era Lula, "deixam o governo melhor do que entraram". Esse abandono ao que em outros tempos se denominaria "culto à personalidade" faz pensar que o problema do País, sob uma eventual presidência Dilma, não serão os maus modos com que tenderá a tratar a sua equipe, a julgar pelo retrospecto, nem a sua confrangedora carência de carisma, mas o seu desvalimento, na ausência do chefe e patrocinador. Sua tarefa, como já afirmou, será a de "manter o Brasil nas suas mãos".
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 02 / 04 / 2010

Folha de São Paulo

"59% dos brasileiros acreditam em Deus e também em Darwin"

Pesquisa Datafolha mostra ainda que 25% creem em algo parecido com o relato bíblico de Adão e Eva

Ao investigar as convicções sobre o desenvolvimento da espécie humana, pesquisa Datafolha mostrou que a maioria crê em Deus e em Darwin. Para 59%, o homem resulta de milhões de anos de evolução, mas guiada por um ente supremo. Um em cada quatro brasileiros, porém, acredita que o ser humano foi criado por Deus há menos de 10 mil anos. Para 8%, a evolução se dá sem interferência divina. Os índices variam segundo a classe social e a educação. Quanto maiores a renda e a instrução, maior é a parcela de darwinistas e menor a de criacionistas, que dão mais peso à ação divina. Os resultados se assemelham aos da Europa e contrastam com os dos EUA. Segundo pesquisa Gallup de 2008, lá os criacionistas somam 44%. Os evolucionistas com Deus, 36%, e os darwinistas "puros", 14%. O Datafolha ouviu 4.158 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro é de dois pontos.

O Estado de São Paulo
"Sem apoio do PMDB, Meirelles desiste de eleição e fica no BC"

Intenção era ser vice de Dilma; argumento para o 'fico' é a estabilidade econômica

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou ontem que não deixará o cargo para disputar eleições. Justificou-se dizendo que sua permanência seria uma forma de contribuir para consolidar a estabilidade econômica. Com isso, ele atende a pedido do presidente Lula e encerra especulações em torno de seu nome - dizia-se que ele podia disputar o Senado ou o governo de Goiás, mas sua intenção era ser vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) ao Planalto. No entanto, ele não conseguiu construir no PMDB um caminho para se viabilizar como candidato. Meirelles negou ter sofrido uma derrota política. Ele não quis dizer se apoiaria o nome do presidente do PMDB, Michel Temer, para vice de Dilma: "No momento, estou dedicado à política monetária. O desafio é completar o trabalho já feito e a implementação da estratégia de saída da crise neste ano de eleições".

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quinta-feira, abril 01, 2010

Matriz elétrica nuclear

Suécia planeja reverter política antinuclear e construir novas usinas

ABEN
O governo da Suécia introduziu um projeto de lei que, se aprovado, permitirá a construção de novas usinas nucleares. A iniciativa tem o intuito de substituir os dez reatores em operação no país, que produzem cerca de 40% da energia elétrica nacional, mas estão envelhecendo. As informações são da agência Reuters.

A Suécia esteve à frente do movimento antinuclear europeu deflagrado após o acidente na usina de Three Mile Island, nos EUA, em 1979. Em 1980, os suecos aprovaram, em referendo, o desligamento de seus reatores, mas a política não vingou. O país não conseguiu encontrar fontes capazes de substituir a geração nuclear e, em 1997, decidiu manter a maioria de suas usinas em operação. O plano original era desligar todos os reatores nucleares até 2010, mas apenas dois foram desativados, em 1999 e 2005.

Agora, o governo pretende acabar com a proibição de construir novas usinas para garantir que a geração nuclear continue a ser um dos principais componentes da matriz elétrica sueca. O projeto de lei, proposto pelo ministério do meio ambiente do país, não busca expandir o uso da energia nuclear, mas garante que ele seja mantido nos níveis atuais, promovendo a substituição dos reatores antigos à medida que forem saindo de operação. A meta é manter o número atual de unidades. Nos próximos dez anos, um ou dois novos reatores podem ser construídos. Além disso, a legislação proposta prevê atualizações tecnológicas e aumenta a responsabilidade das operadoras como forma de reduzir os riscos de acidentes.

A tentativa do governo de manter a participação nuclear na matriz elétrica conta com o apoio da população. De acordo com o site “World Nuclear News”, pesquisa realizada em fevereiro – encomendada pela SKGS, entidade que representa a indústria eletrointensiva da Suécia – mostra que 52% dos suecos apoiam a continuação do uso da energia nuclear no país, enquanto 45% são contra.

No que diz respeito à construção de usinas nucleares, 30% apoiam a substituição dos reatores em operação, e 22% afirmam que unidades adicionais devem ser construídas, de forma a expandir o parque nuclear do país. Em contrapartida, 37% disseram que os reatores em operação não devem ser substituídos, e 9% querem o fechamento das usinas nucleares o mais rápido possível.

Além disso, ao serem perguntados sobre qual seria a melhor fonte de geração para criar empregos e evitar mudanças climáticas, 26% responderam que é a energia nuclear. Em seguida, vieram energia eólica (21%), hidroeletricidade (18%), energia solar (14%) e biocombustíveis (12%).

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Conflito no Oriente

A inútil guerra que destruiu o Iraque

Um especialista do exército americano que havia colaborado estreitamente com o general David Petraeus, ex-chefe das tropas enviadas ao Iraque, garantia, em 2008, que a guerra civil acabaria quando os xiitas se conscientizassem de que haviam vencido e os sunitas que haviam perdido. Dito e feito.

por Nir Rosen
Algumas semanas após o início do ataque estadunidense contra o Iraque, em março de 2003, milhares de pessoas se comprimiam diante da recém-fundada Associação dos Prisioneiros Libertados. A sede ficava em uma propriedade que acabara de ser confiscada de um antigo responsável do regime de Saddam Hussein. Nas paredes estavam fixadas as listas de nomes, classificados por ordem alfabética. A relação foi recuperada quando a população pilhou a sede dos serviços secretos. Desesperadas, as pessoas as percorriam com os dedos, na esperança de saber do destino reservado a parentes detidos pela polícia. Geralmente as notícias não eram boas.

Três anos mais tarde, o país mergulhava em uma guerra civil: as milícias e os esquadrões da morte reinaram nas ruas de Bagdá. As famílias faziam fila para procurar parentes – desta vez no necrotério, onde as vítimas estavam reunidas aguardando identificação.

Na verdade, não foi preciso muito tempo para que o Iraque entrasse em um caos incitado pelos conflitos entre as diferentes crenças. Certamente esses tumultos existiam antes de 2003, e parecia lógico que a queda do presidente Saddam Hussein conduziria a um reequilíbrio do poder em favor da maioria xiita1. Mas a compreensão bastante superficial das tensões existentes por parte de Washington contribuiu para atiçá-las. Os Estados Unidos, de fato, viram no partido Baas uma nova versão do partido nazista e o associaram, erroneamente, ao conjunto dos sunitas, classificados como “inimigo” – uma decisão que teve como consequência transformar rapidamente esta falsa hipótese em realidade.

Além disso, a presença das tropas de ocupação americanas impediu a implantação de um governo com uma real legitimidade popular. Ela agravou as relações entre as crenças quando grupos – essencialmente sunitas – em luta contra a presença estrangeira entraram em conflito com aqueles que acusavam de serem favoráveis a ela. Instalou-se um clima de anarquia generalizada, ao qual nem o poder iraquiano nem Washington puderam fazer frente. Após um período de pilhagem frenética, o vazio foi preenchido por homens armados, alguns usando turbantes de religiosos xiitas, outros lenços da resistência, mas que para muitos simplesmente pertenciam a bandos criminosos.

No mundo muçulmano, a mesquita sempre exerceu um papel de dimensões religiosas, sociais e políticas. Ecoando cinco vezes por dia pelos bairros, o chamado para a oração regula o ritmo do cotidiano e o ciclo da vida. Nesse local, os fiéis se reúnem para rezar, aprender, falar e se mobilizar; o sermão da sexta-feira, ou khoutba, é muitas vezes um apelo à ação; e, quer se trate de questões religiosas ou de assuntos internacionais, o imã que dirige a oração expõe os problemas referentes à comunidade. Nos Estados autoritários, é também do alto do minbar (o púlpito onde o religioso fala a seus fiéis) que se fazem ouvir as raras vozes que propõem uma alternativa ao discurso oficial. Foi assim que no Iraque, após a queda do Estado, a mesquita tornou-se a instituição mais importante do país, cumprindo a função de unir as comunidades: primeiro, garantindo os serviços sociais; em seguida, transformando-se ao mesmo tempo em depósito de armas, local de informação e ponto de reunião.
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Energia


Apresentado o maior barco solar da Alemanha

O objetivo dos criadores de "PlanetSolar", que vai viajar o mundo no próximo ano, é mostrar o potencial das energias renováveis

EFE - Berlim / El País
O maior barco do mundo alimentado pela eletricidade gerada por painéis solares foi apresentado hoje na cidade de Kiel, no norte da Alemanha. O PlanetSolar, assim chamados, tem 31 pés de comprimento por 15 metros de largura e uma superfície fotovoltaica de 500 metros quadrados e agora passará por uma série de testes antes de iniciar a navegação, no início do próximo ano, uma viagem ao redor do mundo para levá-lo a viajar 40,000 km em 140 dias.

Desenvolvido por uma equipe internacional de engenheiros, físicos e construtores da Sun Power Corporation, a energia utilizada pelo PlanetSolar para navegar provém de cerca de 38.000 painéis solares instalados no deck em uma área de 500 metros quadrados, conectados às baterias que pesam 13 toneladas, quase um quarto do peso total da embarcação de 60 toneladas. A empresa alemã desenvolveu baterias GAIA a partir do navio, que pode acumular até 1,3 megawatts de energia, permitindo que a embarcação continue navegando no escuro ou no meio de uma tempestade. Equipado com duas hélices de carbono duas vezes maior do que o normal para um navio de seu tamanho e que também servirá como leme, o barco é movido por quatro motores elétricos com potência de 176 quilowatts, com consumo de 20 kW por hora.
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Eleições 2010

Com 43%, Marta lidera corrida pelo Senado em São Paulo

Folha Online
A primeira pesquisa de intenção de voto para senador em São Paulo realizada pelo Datafolha mostra a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) na liderança, com grande vantagem em relação aos principais adversários apresentados, informa reportagem de Ana Flor publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

No levantamento, Marta aparece com 43% das intenções de voto. A seguir, com 25%, vem o senador Romeu Tuma (PTB), que concorre à reeleição. Logo após estão o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), com 22%, e o vereador e cantor Netinho de Paula (PC do B), com 19%. A ex-vereadora Soninha (PPS) se destaca em quinto lugar, com 18%.

Foram pesquisados também os nomes do vereador Gabriel Chalita (PSB), que tem 8% das intenções de voto, do chefe da Casa Civil do governo José Serra, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), com 6%, e de Ricardo Young (PV), presidente do Instituto Ethos, com 3%.

A eleição de outubro renovará duas das três vagas ao Senado. Hoje, além de Tuma, São Paulo é representado pelos petistas Aloizio Mercadante, que será candidato ao governo de São Paulo, e por Eduardo Suplicy, reeleito em 2006. O mandato é de oito anos.
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Nota do Editor - A pesquisa mostra o amadurecimento do eleitorado. Marta não chegou perto de Alckmin nas pesquisas para o governo do Estado. Os eleitores, no entanto, a avalizam como senadora. Cada eleição é diferente, o bom vereador nem sempre dá um bom prefeito. O povo de Ubatuba sabe disso. Marta é combativa e caso seja eleita terá atuação destacada. E o PT continuará bombando com dois representantes de São Paulo no Senado. Ambos da tribo dos Suplicy. (Sidney Borges)

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Futebol

O crédito dos craques

Daniel Piza
Vivemos tempos em que supostos craques são anunciados a cada semana, mas também em que os verdadeiros craques são depostos com igual rapidez. É verdade que “futebol é momento”, como diz o chavão, e que, por exemplo, não faz sentido convocar para uma Copa do Mundo um jogador em longa má fase. E também é verdade que os melhores devem ser mais cobrados, pois afinal é deles que se espera sempre o lampejo redentor, a ruptura dos esquemas, e que o passar dos anos apaga essa centelha, reduz esse brilho. Mas não vejo lógica em endeusar qualquer moleque capaz de um truque ou dois com a bola (você se lembra do Kerlon, o “foquinha”, que seria expressão do futebol-arte?) e simultaneamente demonizar craques que venceram a mais difícil das partidas, o teste do tempo, e acumularam títulos merecidos.

Nome e passado não ganham jogo, mas exigem respeito. A seleção de 2006, apesar de eu sempre ter desconfiado do oba-oba que antecedia a Copa, me deixou chateado com seu futebol modorrento, caranguejo; mas também me chateou o tratamento que imprensa, torcida e CBF dispensaram a alguns jogadores – como Cafu, que num país sério já teria sido homenageado com uma despedida de gala. Outro é Roberto Carlos, um dos que pagaram a conta da expiação nacional depois que a TV o mostrou arrumando meião no lance do gol da França. Estou dizendo que eles fizeram uma boa Copa? Não. Estou sugerindo que deveriam ter continuado na seleção? Também não. O que lamento é que não sejam reconhecidos à altura pelo que fizeram em tantos anos – do mesmo modo como lamento que Paulo Henrique e Neymar não tenham chances com Dunga.

No caso de Roberto Carlos, há o adicional de que continua com grande capacidade física e técnica. Teve um recomeço complicado, com expulsões e tudo, mas agora está bem, com gols e tudo. No clássico contra o São Paulo, foi quem mais vezes pegou na bola, como ocorria com André Santos. E se entendeu muito bem com Danilo, outro jogador que, apesar de não ter a mesma sala de troféus, voltou sob desconfiança e agora já começa a provar seu talento. Imagine, então, se Ronaldo voltar a jogar o que jogou em abril e maio do ano passado… Sim, ele também merece crédito, apesar de continuar sem acertar dribles e chutes. Pode e deve ser criticado, mas não entendo que o mesmo comentarista que pede para ele ser substituído em todos os jogos – todos – não peça nunca para um Souza ser substituído… Técnica é técnica. A parte física está melhorando.
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Opinião

O mapa da violência

Editorial do Estadão
Elaborado pelo sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, com base em dados extraídos do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, do Sistema de Informação Estatística da Organização Mundial da Saúde e do Sistema de Estatísticas Internacionais do Censo Americano, o Mapa da Violência de 2010 sinaliza as mesmas tendências já detectadas pelos relatórios da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Eles mostram que as taxas de homicídio no Brasil permaneceram estáveis ao longo da década, mas que as ocorrências estão se deslocando dos centros urbanos para pequenas cidades do interior. Segundo o Mapa, as cidades mais violentas do País são Juruena (MT), Novas Tebas (PR) e Tailândia (PA) - palcos de conflitos de terra e com indígenas. Entre as capitais, a primeira do ranking é Maceió, seguida por Recife.

A pesquisa revela que, em 1997, a taxa foi de 25,4 homicídios por 100 mil habitantes em todo o País. Em 2007, ela caiu para 25,2 por 100 mil habitantes. Nesses período, os índices de homicídio tiveram uma queda de 25% nas regiões metropolitanas e de 19,8% nas capitais, e um aumento de 37,1% no interior. Essas mudanças são atribuídas por Waiselfisz a vários fatores.

Um deles foi o Plano Nacional de Segurança Pública, em 1999, e o Fundo Nacional de Segurança, em 2001, que propiciaram o reaparelhamento dos sistemas de segurança dos grandes centros urbanos. Com isso, a criminalidade migrou para áreas de menor risco, especialmente os municípios do interior com maior taxa de crescimento econômico. Além de atrair investimentos e gerar renda, explica Waiselfisz, eles têm esquemas ineficientes de segurança pública.

Outro fator foi o sucesso do Estatuto do Desarmamento, de 2003, que tornou mais severas as punições por porte e posse de armas de fogo, e da Campanha do Desarmamento, de 2004. Um terceiro fator está associado às mudanças nas políticas de segurança pública adotadas nos três maiores Estados brasileiros, que no início da década concentravam 41% da população e 55% dos homicídios.

Com estratégias mais eficientes de combate à criminalidade, conjugadas com programas sociais, alianças com líderes comunitários e implantação das chamadas Unidades de Polícia Pacificadora em áreas antes dominadas pelo tráfico, o Rio de Janeiro vem, desde então, registrando um declínio lento ? mas constante ? em seus índices de criminalidade. Em São Paulo, que adotou políticas semelhantes, a queda foi mais expressiva. O mesmo ocorreu em Minas Gerais, que até a metade da década vinha registrando índices alarmantes de violência (entre 2004 e 2005, o número de homicídios pulou de 1.546 para 4.241).

Ao aprofundar a análise, Waiselfisz fez duas constatações importantes. A primeira é que vêm crescendo de forma significativa as taxas de homicídio na faixa etária dos 15 aos 24 anos - a idade com que as pessoas tentam ingressar no mercado de trabalho. Apesar de representarem 18,6% da população brasileira, em 2007, os jovens concentraram 36,6% dos homicídios desse ano - o último coberto pelo Mapa da Violência. Também nessa faixa etária as ocorrências diminuíram nas regiões metropolitanas e estagnaram nas capitais, crescendo, porém, nas cidades do interior.

Decorrente das diferenças de renda e escolaridade, a segunda constatação é de que a violência criminal continua atingindo mais pessoas negras do que brancas. Para cada pessoa branca assassinada em 2007, foram mortas duas pessoas negras. O estudo revela que, entre 2002 e 2007, o número de pessoas brancas vítimas de homicídio caiu de 18.852 para 14.308, enquanto o número de pessoas negras assassinadas aumentou de 26.915 para 30.193.

As mudanças detectadas pelo Mapa da Violência de 2010 trazem algumas lições. A principal delas é que, para se reduzir os índices de criminalidade, não é preciso, antes, distribuir renda ou acabar com a miséria. Políticas que combinam mais eficiência dos órgãos policiais com melhoria de serviços públicos podem, a curto prazo, trazer mais dividendos do que se imagina.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 01 / 04 / 2010

Folha de São Paulo
"Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação"

Tucano e petista deixaram ontem seus cargos para disputar Presidência

Os pré-candidatos do PT e do PSDB à Presidência, Dilma Rousseff, 62, e José Serra, 68, atacaram as gestões dos adversários nos discursos em que se despediram dos seus cargos (Casa Civil federal e governo paulista). Na saída do Palácio dos Bandeirantes, Serra afirmou que em seu governo não se cultivou a "roubalheira" nem se incentivou "o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito". O tucano não mencionou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o escândalo do mensalão. Dilma chamou de "viúvos da estagnação" os opositores à gestão petista e disse que o povo não aceitará "migalhas". "Nós nos orgulhamos de ter participado do governo Lula. Não importa perguntar por que alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Devem ter seus motivos." Professores grevistas da rede estadual de São Paulo voltaram a bloquear a avenida Paulista e a atacar Serra, no que chamaram de "bota-fora" para o tucano.

O Estado de São Paulo
"Dilma prega continuísmo e Serra diz que País 'pode mais'"

Na despedida do cargo, os principais pré-candidatos delineiam o eixo da campanha à Presidência

Os dois principais pré-candidatos à Presidência deixaram o cargo e delinearam o eixo da disputa na campanha: enquanto a ex-ministra Dilma Rousseff pregou a continuidade da obra do presidente Lula, o ex-governador José Serra disse que "o Brasil pode mais". A petista atacou o governo de FHC, chamando os tucanos e os demais partidos de oposição de "viúvos da estagnação". Para Dilma, os opositores do governo "não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza de que sua vida mudou e não aceita mais migalhas". Segundo a ex-ministra, no governo de Lula "o povo é o centro das nossas atenções". Já o ex-governador evitou críticas a Lula e preferiu enfatizar o que diz ter feito por São Paulo, como a criação de empregos e os investimentos. Serra afirmou que seu governo é "popular" e, numa comparação indireta com a administração petista, sublinhou que fez uma gestão “ética”: “O governo tem de ter honra. Assim falo porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras".

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quarta-feira, março 31, 2010

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Circo da Notícia

O limite da liberdade

Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa
Nardoni? Não, este será o tema de outra nota. Mas tem a ver com o noticiário sobre o julgamento do casal, condenado pela morte de sua filha Isabella. No setor de comentários de um grande portal noticioso, entre ataques ao casal (ampla maioria), defesa (bem menos), considerações sobre o júri, chamava a atenção um post com insinuações pornográficas a respeito da ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República. Inadmissível: protegida pelo uso covarde de pseudônimo, surge a despropositada agressão.

O problema, no entanto, não é apenas o pseudônimo: é a oferta de espaço para que mal-educados, malucos, grosseiros possam externar livremente seus preconceitos. O referido portal, um dos maiores do país, não pode abrir seu espaço privilegiado, sem mediação, a pessoas que baixam o nível do debate. O salário dos mediadores certamente não afetará o balanço de lucros da empresa.

E a liberdade de expressão? A liberdade de expressão tem alguns limites óbvios: por exemplo, ninguém tem liberdade de gritar "fogo" num teatro lotado, apenas para ver a confusão que vai dar. Ninguém tem a liberdade de apitar num estádio para bloquear as jogadas dos adversários (o torcedor pode até tentar, e alguns já o fizeram, mas se forem surpreendidos pelos seguranças terão outras surpresas). Ninguém pode subir num caixote, na calçada, e incitar um assassínio. A liberdade de expressão, como qualquer liberdade, encontra seu limite natural na liberdade dos outros – na liberdade de fazer campanha, por exemplo, sem que sua reputação seja manchada apenas por motivos eleitorais.

A internet é território livre e deve continuar a sê-lo. Quem quiser tem a possibilidade de montar gratuitamente seus blogs e exprimir sua opinião, seja qual for (respondendo por isso, civil e criminalmente, como qualquer pessoa que divulgue suas posições). Mas um espaço com leitura consolidada não tem o direito de se abrir para que malucos e idiotas procurem assassinar a reputação alheia.

Um blog esportivo, normalmente divertido, publicou um post que ultrapassa o limite da canalhice: na crítica a um dirigente de clube, insultou sua esposa, falecida há poucos meses.

Como agir para que a liberdade da internet, uma conquista da sociedade, não se transforme numa arma de difamar pessoas? É um bom tema de debate para nós, jornalistas. Pois ou nos autorregulamentamos ou encontraremos rapidamente alguém que, usando nossos erros como pretexto, irá regulamentar-nos para evitar nossos acertos.

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Meio Ambiente

Fundação Florestal inaugura escritório no Litoral Norte de SP

Espaço inaugurado em Ubatuba vai otimizar recursos humanos, agilizar processos e facilitar atendimento ao público

SÃO PAULO [ ABN NEWS ] - O Litoral Norte ganhou na sexta-feira (26), o Escritório Regional da Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo (FF). Localizado em Ubatuba, o local foi inaugurado pelo secretário estadual do meio ambiente, Xico Graziano, e pelo diretor executivo da FF, José Amaral Wagner Neto. Com a inauguração dessa unidade, o objetivo do Governo é implantar uma gestão administrativa integrada entre a Área de Proteção Ambiental - APA Marinha do Litoral Norte, o Parque Estadual da Ilha Anchieta e o Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar - PESM.

O novo escritório também facilitará o desenvolvimento de atividades que envolvam as outras Unidades de Conservação - UCs do Litoral Norte, como os núcleos São Sebastião e Caraguatatuba do PESM e o Parque Estadual de Ilhabela.

O imóvel conta com um auditório, balcão de atendimento ao público e recebimento de documentos, salas destinadas para administração do escritório, para técnicos do Núcleo Picinguaba e do Instituto Florestal - IF e para os três gestores das UCs, além de dois banheiros e cozinha. Foram investidos R$ 156 mil, entre reforma e compras (por meio de licitação) de equipamentos.

Na ocasião, foram empossados os novos gestores do Núcleo Picinguaba do PESM, Adriano Lopes de Melo, e do Núcleo Caraguatatuba do PESM, Carlos Zacchi.

Para o diretor da Fundação Florestal, José Amaral Wagner Neto, a instituição otimizará recursos com o novo escritório. "Vamos economizar com recursos financeiros e humanos, agilizar procedimentos integrados entres as Unidades de Conservação e facilitar o atendimento ao público. O mais importante é que vamos nos aproximar da população, facilitando as discussões e a participação de quem frequenta e mora nos arredores dessas áreas", afirmou.

O secretário Xico Graziano ressaltou que o escritório reforça o trabalho desenvolvido pela SMA e pela Fundação. "Estamos melhorando as condições dos nossos parques, preservando-os e criando estruturas para que além do turismo tradicional da orla, o ecoturismo também seja um atrativo para todos que visitam essa região. Estamos unindo o turismo azul do mar com o verde da floresta. E esse Escritório vai possibilitar avanços nessa agenda", concluiu.

O escritório da FF no Litoral Norte está sediado em Ubatuba, à Rua Dr. Esteves da Silva, 510, no Centro. O horário de funcionamento é das 8 às 17 horas e telefone para contato é (12) 3832-1397.

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Catacumbas do silêncio


A 'Legião' desmorona, ninguém noticia

Alberto Dines no Observatório da Imprensa
Na sexta-feira (26/3), em Roma, o comando da Legião de Cristo rendeu-se às evidências sobre a vida dupla ou tripla do seu fundador, o padre mexicano Marcial Maciel (1920-2008) - na foto acima, aos pés de João Paulo II.

Num breve comunicado admitiu, consternado, que "são certas as acusações contra o padre Maciel, entre as quais se incluíam abusos sexuais a seminaristas menores". O comunicado renegando o seu fundador foi assinado pelo atual diretor-geral da ordem, Álvaro Corcuera.

A inédita proclamação foi para a primeira página dos jornais europeus de sábado (27). O prestigioso El País dedicou-lhe duas páginas, uma delas com enorme foto do pontífice João Paulo II recebendo em audiência o sacerdote mexicano que tanto apreciava e tanto estimulou.

O padre Maciel não era apenas um assumido pedófilo (El País prefere usar a nomenclatura técnica: pederasta). Também abusou de seus filhos quando eram pequenos.

Filhos? Além do pecado da sodomia, Marcial Maciel, quebrou os votos de castidade e viveu maritalmente com Blanca Estela Lara (que conheceu quando tinha 18 e ele 56 anos), com quem teve três filhos.

A família apareceu há dias na TV mexicana e uma das crianças, agora adulto, contou com escabrosos pormenores com o seu pai tentou violá-lo e o obrigava a masturbá-lo.

Nossos jornais e revistas não têm correspondentes no México. Mas têm em Roma. Nada disso foi publicado aqui nem no sábado, nem no domingo.

A Legião de Cristo funciona no Brasil desde 1985. Em 2006, quando Bento XVI determinou que Marcial Maciel (então com 84 anos) se dedicasse apenas às orações e penitências, o caso foi escondido. Não era notícia. Esta é uma das centenas de não-notícias que uma imprensa engajada e assumidamente confessional como a nossa não se sente obrigada a publicar.

É preciso lembrar que Maciel não era apenas um pecador (na linguagem religiosa), criminoso (em termos jurídicos) ou um tarado (em linguagem corrente) – era um militante político de extrema importância.

A ordem dos Legionários de Cristo (fundada em 1941) era o braço armado da direita católica. Prosperou durante a longa ditadura franquista na Espanha e expandiu-se no Novo Mundo apoiada por uma igreja identificada com o que havia de mais conservador no espectro político.

A ordem conta hoje – segundo El País – com 900 sacerdotes, 3 mil seminaristas e 70 mil membros laicos espalhados por 18 países, Estados Unidos inclusive. Tem educandários, universidades e conta com formidáveis apoios empresariais.

De acordo com Garry Wills (historiador emérito, jornalista premiado, autor de 40 livros), a Legião de Cristo aparece nos créditos da famigerada produção de Mel Gibson, A Paixão de Cristo, e, junto com a Opus Dei, tentou extrair do Vaticano um endosso espiritual para o filme (The New York Review of Books, 8/4/2004).

Importante registrar que as duas organizações e seus fundadores assemelham-se tão somente no aspecto ideológico e no incentivo que receberam do Vaticano.

Josemaria Escrivá de Balaguer (1902-1975), criador da Opus Dei, canonizado em 2002, tem uma biografia imaculada. A de Maciel é a de um patife: além das imoralidades pessoais, passava-se por alto funcionário da Shell e agente da CIA.

A confirmação das heresias e apostasia de Marcial Maciel veio muito tarde. Há 13 anos, um canal de TV mexicano (CNI Canal 40) preparou uma longa reportagem sobre os abusos cometidos por Maciel.

O diretor do programa, jornalista Ciro Gomez Leyva convidou Legionários a contestar as acusações. A partir daquele momento a pressão da Igreja mexicana e da própria presidência da República tornou-se brutal. O documentário foi ao ar, mas no dia seguinte iniciou-se um bloqueio publicitário contra a emissora.

"Um dos mais vergonhosos casos de censura da história do México", relembra Leyva. "O poder e a fortuna dos Legionários de Cristo conseguiram, durante anos, converter o sofrimento de dezenas de vítmas em conspirações falsas e infundadas" (El País, 27/3/2010, págs. 28-29).

Vergonhoso também é o comportamento da imprensa brasileira (exceto Veja), que até hoje não conseguiu dar seqüência à reportagem de Roberto Cabrini emitida no SBT no dia 11/3 sobre os abusos sexuais praticados por um monsenhor em Arapiraca (AL).

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