sábado, março 27, 2010

Heresia


"Professores" protestam queimando livros

Sidney Borges
Professores têm razão em reclamar. Há muito a ser feito na Educação. Por enquanto as medidas tomadas pelos governos - todos os governos - não têm surtido efeito. Protestar é um direito que a democracia concede aos cidadãos. A foto é deprimente, lembra os piores momentos do nazismo.

Professores não queimam livros. Professores amam livros. 

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Opinião

A USP e o ensino a distância

Editorial do Estadão
Embora as universidades federais venham há muito tempo expandindo o sistema de educação a distância, só agora a USP - a maior e mais importante instituição de ensino superior do País - vai lançar seu primeiro curso com base nesse modelo pedagógico. Trata-se de uma licenciatura de ciências, que será oferecida aos interessados em geral, mas que foi especialmente concebida para qualificar os professores do ensino básico.

A educação a distância favorece quem reside em locais longínquos e não consegue acompanhar os cursos tradicionais de graduação, que são presenciais. Ela também beneficia quem decidiu voltar a estudar sem, contudo, precisar comparecer diariamente à universidade. Por isso, o aluno desse tipo de curso tende a ser um pouco mais velho do que os dos cursos universitários tradicionais. O projeto da USP prevê a abertura de 360 vagas, e os docentes da rede pública estadual que conseguirem ser aprovados no processo seletivo, que ficará sob responsabilidade da Fuvest, receberão um bônus do governo estadual.

Do total de aulas, 52% serão a distância e 48% exigirão a presença dos alunos nos campi de São Paulo, Ribeirão Preto, Piracicaba e São Carlos. Dependendo dos resultados, a reitoria poderá expandir essa forma de ensino, que sempre foi muito criticada na instituição. Apesar de a experiência vir apresentando excelentes resultados nas universidades federais, no âmbito da USP permanece a oposição contra ela, que decorre mais de razões ideológicas do que de argumentos técnicos e pedagógicos.

As críticas começaram em outubro de 2008, quando o governador José Serra assinou o decreto que criou a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), envolvendo o Centro Paula Souza, a Fundação Padre Anchieta, a Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e a Fapesp, além das três universidades públicas estaduais - a USP, a Unicamp e a Unesp. Inspirada na experiência da Open University, da Inglaterra, da Université Virtuelle em Pays de la Loire, na França, e da Universitat Oberta de Catalunya, na Espanha, a ideia era montar um consórcio acadêmico-tecnológico para ampliar a oferta de cursos gratuitos de graduação, pós-graduação e educação continuada no Estado.

Pelo decreto, a Univesp foi encarregada de definir o projeto acadêmico e a Fapesp, de assegurar o apoio financeiro. As três universidades, o Centro Paula Souza e a Fundap ficaram encarregados de formular os conteúdos dos cursos e produzir o material didático. E a Fundação Padre Anchieta se comprometeu a abrir um canal aberto para a transmissão dos cursos, com programação de 24 horas por dia. Os primeiros cursos foram abertos pela Unesp (em pedagogia) e pelo Centro Paula Souza (em tecnologia de processos gerenciais), sendo destinados ao magistério público e aos professores das Fatecs - as escolas e faculdades técnicas do governo estadual.
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Manchetes do dia

Sábado, 27 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Serra volta a crescer; Dilma estaciona"

Tucano abre nove pontos sobre a petista, vantagem que é superior à margem de erro, segundo Datafolha

Pré-candidato à Presidência do PSDB, José Serra, abriu nove pontos de vantagem sobre Dilma Rousseff (PT), mostra pesquisa Datafolha. As entrevistas foram feitas ontem e anteontem. O tucano registrou 36%. A petista pontuou 27%. Um mês atrás, tinha 32% e 28%, respectivamente. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O peessedebista, portanto, teve crescimento real em relação a fevereiro e voltou ao seu patamar de dezembro, quanto tinha 37%¨. Já a petista não apresentou crescimento pela primeira vez. Ciro Gomes (PSB) ficou com 11% (tinha 12% em fevereiro e 13% em dezembro). Marina Silva (PV) está estacionada e manteve os 8% obtidos em dezembro e há um mês.

O Estado de São Paulo
"Lula ignora TSE e usa tom eleitoral ao lado de Dilma"

Mesmo depois de multado duas vezes, presidente faz promessas de governo em eventos públicos

Um dia depois de ter sido multado pela segunda vez por campanha eleitoral antecipada, o presidente Lula comandou, ao lado da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, dois eventos públicos na Bahia animados com jingles de campanha e gritos de guerra de simpatizantes e militantes petistas. Em Itabuna, ao inaugurar um trecho de gasoduto, Lula fez novas promessas de governo: "Vamos acabar com o maldito déficit habitacional nos próximos anos". Mas tarde, em Ilhéus, ele e Dilma anunciaram a ampliação do programa "Minha Casa, Minha Vida" na cidade. Na opinião de ministros e ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral, Lula está provocando o TSE e poderá ser multado ainda outra vez.

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sexta-feira, março 26, 2010

Enquetes Víbora

A Cruz Vermelha na Santa Casa

Sidney Borges
Encerrada a enquete sobre a possível atuação da Cruz Vermelha na Santa Casa, tivemos 42 votantes com os seguintes resultados:

A primeira opção era para item: “Vai bombar”.
Aqui votaram os que acreditam que com o advento da Cruz Vermelha os problemas da Santa Casa serão sanados em definitivo.

Número de votos: 10, perfazendo 23% do total.

A segunda opção era para item: “Não vai fazer diferença”.
Aqui votaram aqueles que estão desiludidos e acham que tudo permanecerá como d’antes no quartel de Abrantes.

Número de votos: 7, perfazendo 16% do total.

A terceira opção era para item: “Vai piorar um pouco”.
Foi o item menos concorrido. A população representada pelos leitores do Blog não acredita que o hospital piore.

Número de votos: 2, perfazendo 4% do total.

A quarta e última opção era para item: “Vai aumentar a dívida”.
A dívida acumulada em anos de administrações desastrosas é o nó górdio da Santa Casa. Os eleitores assim entendem e são pessimistas quando ao quesito.

 Número de votos: 23, perfazendo 54% do total.

O resultado da enquete mostra um universo votante esperançoso, mas que teme que problemas financeiros possam atrapalhar a chegada da Cruz Vermelha. Nenhuma novidade, é o sentimento de quem está atento aos fatos.

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Dólares que voam

PF investiga suposta remessa ilegal de Fernando Sarney à China, diz jornal

Esquema envolveria falsas transações de comércio exterior. Empresário e seu advogado não comentaram assunto.

Do G1, em Brasília
A Polícia Federal investiga uma suposta operação simulada de comércio exterior que envolve o empresário Fernando Sarney, filho mais velho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), diz reportagem publicada na edição desta sexta-feira (26) do jornal “Folha de S.Paulo”. A suposta operação tinha como objetivo a remessa ilegal de recursos para fora do país.
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Nota do Editor - Mais um lance golpista do PIG? Atacar a família Sarney é atacar Lula, são carne e unha, farinha do mesmo saco. Os propalados 13 milhões de dólares não declarados à Receita podem ser produto da venda de algum terreno. Como no caso Maluf. Fernando Sarney é um homem ocupado. Provavelmente esqueceu-se. Agora é pagar a multa e tudo volta ao normal. Há milhares de ladrões encarcerados cuja soma das rapinas não atinge o montante enviado ao exterior por um único cidadão. Amigo do Rei. Sai uma de mussarela e calabresa. (Sidney Borges)

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Até trinca...


Bonita

Sidney Borges
Um dia Tom Jobim viu a moça da foto e ficou pasmado. Um pensamento invadiu a alma de poeta do maestro e acabou resumido numa canção: "Bonita".

Na verdade nem precisava ser poeta. Podia ser jardineiro, motorneiro, aviador, bombeiro, leiteiro, barbeiro, sapateiro, médico ou açougueiro. A moça trinca de boniteza.

Ouça "Bonita" (aqui) na interpretação magnífica de Dave Grusin ao piano e (aqui) na voz de Karin Hilel.

Crime e Castigo

Um caso fora do comum

Sidney Borges
Uma vez fiz um comentário sobre o caso Nardoni em um blog de grande audiência. O mundo despencou sobre a minha cabeça. Os leitores que comentaram o que escrevi não primavam pela educação. Queriam sangue, queriam vingança. Entenderam que fui brando.

O que eu disse que provocou tanta ira? Apenas que o casal Nardoni, independentemente do resultado do juri, estava condenado e teria contas a ajustar com o travesseiro pelo resto da vida. Isso supondo ser o casal normal do ponto de vista psicológico, psicopatas não sentem remorso.

O "Maníaco do Parque", perguntado se estava arrependido dos crimes cometidos, disse que sim, pois estava preso. Só por isso, se estivesse solto continuaria seqüestrando, torturando, violentando e matando.

O casal Nardoni não apresenta perfil criminoso. Antes da noite fatídica tinham vida de classe média urbana, passeavam em shopping centers, comiam hamburgueres e ficavam excitados com programas de sexo insinuado da televisão.

Uma coisa que a "madrasta" - quanta carga negativa há na palavra - disse é a pura verdade. Ela não sabe explicar o que aconteceu. Acredito. Para mim houve uma explosão de insensatez que culminou com a morte da criança.

Quem matou? Quem lançou a garota pela janela? Jamais saberemos, o casal vai para o túmulo alegando inocência e afirmando coisas sem sentido, como a presença de um terceiro personagem no apartamento.

Historinha boba. O dito cujo teria entrado, jogado a menina da janela e fugido sem roubar nada. Um arremessador de crianças que não deixa vestígios e não repete o crime. Fosse eu o juiz, ao ouvir tal balela, diria ao pai de Isabella:

- Faça-me um favor senhor Nardoni. Vá ver se estou na esquina.

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Coluna do Celsinho

Futurologia

Celso de Almeida Jr.
Toda semana, alguém me apresenta um currículo.

Quer trabalhar na escola.

Faxineiro. Inspetor.

Professor. Secretário.

Jardineiro. Pintor.

Respondo, com o coração apertado, que o quadro já está completo, mas que terei a maior satisfação em chamar para uma entrevista, quando surgir alguma vaga.

Penso na garotada que termina o ensino médio.

Trabalhar aonde?

Qual salário?

Está pronta para qual desafio?

Meus amigos...

Que tristeza!

Não vou entrar na discussão da legislação trabalhista, que desencoraja contratar.

Fica para outro dia...

Falo da angústia de não poder oferecer uma vaga para quem quer trabalhar.

E mais...

Saber que a grande maioria terá dificuldade para conquistar um emprego.

Sabe leitor...

Chateado, vou encerrar o artigo mais cedo.

Vislumbrei o futuro, num relance.

Não vi boas oportunidades para a minha filhinha que cresce em Ubatuba.

Terei que prepará-la para seguir outro caminho.

Talvez, eu consiga promover isso, sem muito aperto.

Mas....e grande parte de nosso povo?

Que tem poucas oportunidades.

Que não tem dinheiro para permitir que os filhos trilhem uma carreira fora daqui.

Que fica refém de nossa fragilidade econômica.

Que é doutrinada a se conformar com nossas limitações, valendo-se da fé.

Lançada a própria sorte.

Perspectivas mínimas.

No cada um por si, farinha pouca, meu pirão primeiro?

Não!!!

Isso é egoísmo; conformismo que só revela a incompetência para progredir.

Passou da hora de admitirmos o nosso despreparo.

Buscar ajuda com quem sabe não é apenas sinal de humildade.

É sinal de inteligência.

Instinto de sobrevivência.

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Opinião

Alguns passos na área do lixo

Washington Novaes - O Estadao de S.Paulo
Afinal, depois de 19 anos de tramitação, a Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou um projeto de Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ainda terá de passar pelo Senado. Mas contém princípios interessantes. Como o que recomenda conferir prioridade aos estímulos para as cooperativas de catadores de resíduos - que, segundo as justificativas ao texto, já contam com 800 mil pessoas no País. Também dá preferência a materiais reciclados em compras da administração pública; aprova a chamada logística reversa, em que os responsáveis pelas embalagens devem ser responsabilizados pelo retorno dos resíduos nas áreas dos agrotóxicos, pilhas, baterias, lâmpadas, pneus; define que a responsabilidade pelos resíduos deve ser compartilhada por governos, empresas e sociedade. Tudo para contemplar os objetivos centrais da política, que são a redução dos resíduos, sua reutilização e - caso impossíveis - sua reciclagem. A deposição em aterros deve ser a opção final, pois só recomenda a incineração caso não haja outra possibilidade. E será proibida a catação de lixo em aterros.

São, todos eles, princípios interessantes. Mas, além de ainda terem de passar pelo Senado, não criam instrumentos práticos para enfrentar a gravíssima questão dos resíduos no País, principalmente para eliminar os lixões a céu aberto, que ainda recebem mais de metade dos resíduos totais. O projeto recomenda que se criem consórcios intermunicipais para isso e que eles tenham prioridade para receber recursos federais. Além disso, os municípios terão de fazer planos de gestão integrada de resíduos sólidos e estabelecer metas para a coleta seletiva. Paralelamente, o setor empresarial deverá "gerenciar seus resíduos", especialmente criar pontos para receber de volta resíduos problemáticos e/ou perigosos, como pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, pneus, produtos eletrônicos, além de embalagens. Resíduos do saneamento, industriais, de serviços de saúde, da mineração, de empresas de construção e resíduos perigosos obrigarão os respectivos responsáveis a fazer planos de gerenciamento.

São avanços condicionados a que os princípios sejam seguidos por planos em cada Estado, em cada município, em cada setor. E que haja recursos financeiros para enfrentar a situação dramática nesse setor. Porque estamos hoje com uma realidade de cerca de 1,5 quilo de lixo domiciliar por dia por habitante e os 3.639 lixões recebendo 55 milhões de toneladas de resíduos por ano (no País, são 703 aterros adequados e 899 "controlados"). Todas as capitais mais populosas estão com seus aterros esgotados; 25 mil famílias moram em lixões. E os municípios gastam alguns bilhões de reais a cada ano, com a coleta e a deposição dos resíduos, com serviços próprios ou de terceiros (que recebem entre R$ 30 e R$ 60 por tonelada). As licitações para serviços nessa área são apontadas como um dos caminhos mais frequentes para doações ilegais nas campanhas eleitorais.

E tudo isso é um enorme desperdício, como já se escreveu aqui tantas vezes. O setor deveria, ao contrário, transformar-se em grande gerador de trabalho e renda para setores desfavorecidos. Para isso o melhor caminho é o das cooperativas de catadores. Mas ele precisa avançar, com o poder público financiando a construção e implantação de usinas de reciclagem (a reciclagem em usinas públicas não passa de 1% do total), a compra de equipamentos de coleta. Por aí é possível - como já o demonstrou em outros tempos, quando teve mais apoio, o Núcleo Industrial da Reciclagem, de Goiânia - reduzir em até 80% a deposição de resíduos em aterros. Compostando todo o lixo orgânico para transformá-lo em fertilizantes para jardins, recomposição de encostas, etc.; transformando todo o papel e papelão em telhas revestidas de betume, que substituem com muitas vantagens as de amianto; reciclando todo o PVC e transformando-o em mangueiras pretas ou pellets para empresas que os utilizam como matéria-prima; prensando latas e moendo vidros para recicladoras. E, last but not least, gerando trabalho e renda para pessoas com pouca educação formal. Sem perigo de desperdiçar o investimento, pois a cessão às cooperativas deve ser feita pelo regime de comodato renovável periodicamente.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo Chávez prende dono de TV oposicionista"

Empresário é liberado por juiz, mas continua impedido de deixar país

O proprietário da TV Globovisión, única emissora de sinal aberto crítica ao governo da Venezuela, foi detido após responsabilizar o presidente Hugo Chávez pelo suposto cerceamento da liberdade de expressão no país. Guillermo Zuloaga, 67, foi preso quando se preparava para voar para território das Antilhas Holandesas, próximo do litoral venezuelano. No ano passado, a Justiça o proibiu de ir para o exterior, sob acusações de fraude. O Ministério Público alegou temor de que o empresário saísse do país. Segundo deputado governista, o dono da TV "vilipendiou" (ofendeu) Chávez em reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa em Aruba. O empresário foi levado a tribunal, onde foi interrogado por mais de duas horas. Juiz decidiu deixá-lo livre, mas emitiu nova medida cautelar que o proíbe de sair do país. Entidades criticaram a prisão.

O Estado de São Paulo
"Empresário de TV é preso por criticas a Chávez"

Zuloaga é acusado de ofender presidente venezuelano por citar repressão à imprensa em encontro da SIP

O governo da Venezuela prendeu Guillermo Zuloaga, presidente da TV Globovisión, que faz oposição ao presidente Hugo Chávez. Segundo a procuradora-geral Luisa Ortega, Zuloaga foi preso por "ofensa e vilipêndio" a Chávez e por declarações em reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Na ocasião, o empresário disse que "não se pode falar em liberdade de expressão em um país quando o governo usa a força para fechar meios de comunicação". A ordem de prisão foi emitida a partir de um pedido da Assembleia Nacional, controlada pelos chavistas, para quem as declarações de Zuloaga tinham o objetivo de "criminalizar" o governo. A SIP qualificou a prisão de "agressão à liberdade de opinião".

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quinta-feira, março 25, 2010

Pensata

Santa pedofilia

Hélio Schwartsman na Folha Online
Parece uma epidemia. Por toda parte onde se escarafunche, jorram casos e mais casos de abuso sexual de jovens por padres católicos. A história começou a ganhar as manchetes dos jornais nas duas últimas décadas do século 20, quando pessoas que haviam sido vítimas de religiosos no Canadá, nos EUA e na Irlanda resolveram botar a boca no trombone.

De lá para cá, foi uma avalanche: histórias escabrosas emergiram de todos os cantos do mundo, da Nova Zelândia à Polônia passando por Argentina, Alemanha, Áustria (para ficar apenas na letra A). Até Arapiraca, em Alagoas, acaba de entrar para o mapa da sagrada pedofilia.

Foi por essas e outras que, na sexta-feira passada, o papa Bento 16 enviou aos fiéis irlandeses uma carta episcopal em que pede desculpas por tudo de errado que aconteceu naquele país, um bastião do catolicismo na Europa, ao lado da Polônia e da pequena Malta.

Apesar de meu anticlericalismo, não acho que a culpa aqui seja da religião propriamente dita. Afinal, nenhum texto sagrado ou documento da igreja afirma e nem traz a menor sugestão de que manter uma relação homossexual com jovem sob sua tutela seja algo diferente de um pecado muito grave.

A forma de organização da Igreja Católica, entretanto, parece favorecer a ocorrência dos abusos, que, ao menos aparentemente, não acontecem na mesma escala em colégios e seminários protestantes, islâmicos ou judeus. E a especificidade do catolicismo nessa matéria é bem conhecida: o celibato dos padres. Não sou o primeiro e nem serei o último a correlacionar o veto ao casamento para sacerdotes à maior frequência de episódios de pedofilia. O sempre arguto teólogo católico Hans Küng publicou um interessante texto a respeito, que foi reproduzido no caderno Mais! da Folha desta semana.

Temos duas camadas de problemas para analisar: os abusos propriamente ditos e os esforços da alta hierarquia da igreja para acobertá-los. Comecemos pelo fim, isto é, pelas tentativas de bispos de encobrir os crimes de seus subordinados. Durante muitas décadas, para não dizer séculos, quando tomava conhecimento de casos de abuso, a cúpula da igreja invariavelmente decidia não denunciar o suspeito às autoridades civis. Costumava apenas transferi-lo para outra função, onde, por vezes, podia até mesmo seguir colecionando vítimas.

Num certo sentido, essa atitude é até mais grave que o próprio molestamento, pois a pessoa que abusa pode pelo menos descrever-se como vítima de uma doença psiquiátrica catalogada no CID. Já o acobertamento, este ainda não foi definido como patologia por nenhuma associação médica. Aqui, ao que parece, bispos eram mais leais à instituição da igreja do que a seus próprios fiéis. Talvez seja isso que a Santa Sé espera deles, mas não é certamente o que recomenda a virtude republicana.

Passemos agora ao molestamento em si. Como já disse, estamos aqui no limiar do patológico. E a Igreja Católica funciona como um ímã para pessoas com propensões pedofílicas, pois não apenas legitima e confere elevado status social à vida de solteiro como ainda oferece incontáveis oportunidades de interagir com jovens estando numa posição de poder. Outras profissões que atraem pedófilos, hebéfilos e efebófilos são, não por acaso, as de professor, psicólogo, pediatra, orientador pedagógico, instrutor esportivo, chefe de escoteiros etc.

O sacerdócio nas fileiras católicas, entretanto, pela dupla vantagem, parece ser a escolha de primeira linha. Apenas os EUA e a Irlanda fizeram investigações sistemáticas do problema em nível nacional. E os números, no caso norte-americano, consubstanciados no Relatório John Jay, de 2004, são de deixar os cabelos em pé.

Encomendado pela Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (a CNBB deles) e realizado a partir de informações fornecidas pelas próprias dioceses e pelas vítimas, o estudo concluiu que, entre 1950 e 2002, 10.667 pessoas alegaram ter sido vítimas de abuso por parte de padres. Destes casos, 3.300 casos foram descartados porque o suposto molestador já havia morrido. Outro milhar foi desprezado devido a falta de provas. Para resumir o quadro, as dioceses encontraram elementos para consolidar 6.700 acusações de abuso contra 4.392 padres, isto é, contra cerca de 4% dos 109.694 membros do clero católico que atuaram durante o período coberto pelo trabalho. Evidentemente é uma minoria, mas uma minoria altamente significativa. Não conheço estatísticas para outras profissões, mas me surpreenderia muito se a proporção se aproximasse de algo como 1%. A prevalência da pedofilia na população geral não é conhecida e depende muito de como se define a parafilia, mas é um desvio que se conta em casos por milhar de habitantes, não por centena.

Das vítimas, 81% eram homens, a maioria dos quais já havia atingido a puberdade. Tecnicamente, portanto, hebefilia homossexual seria um termo mais adequado que pedofilia. Receio, porém, que o "framing" já esteja dado e não vá ser mudado.

Também acho difícil que uma eventual liberação do casamento para padres como defendida por Küng (em princípio, não se trata de de matéria dogmática, mas apenas de disciplina interna, estando, portanto, aberta a mudança) alteraria muito o quadro. A vida sacerdotal, em que o casamento jamais seria obrigatório, continuaria a ser uma opção atraente para todo gênero de pedófilo com inclinações religiosas.

A pergunta interessante aqui é: por que os católicos decidiram banir o casamento do sacerdócio? Há uma polêmica acre entre os próprios católicos. Küng, por exemplo, sustenta que a proscrição das núpcias para padres é relativamente recente, remontando à reforma gregoriana do século 11. A propaganda oficial, entretanto, faz com que a norma retroceda aos primeiros séculos do cristianismo.

Deixando essa controvérsia específica de lado, é seguro afirmar que os patriarcas da igreja tinham horror a sexo e que essa tendência se manifesta não apenas no celibato sacerdotal como também no próprio casamento entre leigos, ainda que com menor intensidade.

É claro que, oficialmente, a união matrimonial sempre foi considerada um sacramento. O próprio Jesus Cristo, quer a tradição, definiu o casamento indissolúvel entre o homem e a mulher como parte do plano de Deus.

Na prática, entretanto, a castidade quase sempre foi descrita como um estado preferível à vida conjugal. João Crisóstomo (c. 347 - c, 407), por exemplo, mandava que as pessoas se mirassem no exemplo de Cristo, "ele próprio a glória da virgindade". Patriarcas casados como Tertuliano (c. 160 - c. 225) e Gregório de Nissa (c. 335 -c. 394) não eram representantes muito entusiasmados da categoria. O primeiro afirmou que o casamento era "essencialmente fornicação" e o segundo disse que, se a mulher se mantivesse virgem, se livraria "do governo de um marido e dos grilhões das crianças".

Pragmático, Cipriano de Cartago (? - 258) reconhecia que Deus instruíra a humanidade a crescer e multiplicar-se, mas, uma vez que o mundo já se encontrava bastante povoado, não havia por que seguir com esse processo.

Assim, enquanto outros sacramentos como a eucaristia, o batismo e a confirmação ganharam desde o início liturgias formais sofisticadas, ninguém viu muita necessidade de ritualizar o casamento, que durante séculos e séculos dispensou até mesmo a presença de um padre. Para a união ser válida, bastava que os noivos declarassem um ao outro que se casavam ("verbum") e consumassem o ato fisicamente.

Essa situação perdurou até o século 16, quando, alarmada pela Reforma protestante --Lutero negava que o casamento fosse um sacramento-- e também pelo crescente número de uniões realizadas em privado, a Igreja Católica decidiu mudar as regras.

Após o Concílio de Trento, em 1563, ficou estabelecido que o casamento teria de ser oficializado por um padre e pelo menos duas testemunhas, regra válida até hoje.

Por que tanto horror ao sexo? Sinceramente, não sei. Tenho apenas algumas suposições. É claro que toda religião, como qualquer estrutura de poder, tenta dirigir e portanto controlar a vida de seus membros. Em geral, esse processo começa pelo corpo (a ponta final de todos os prazeres) e se dá através de normatizações e ritualizações. O catolicismo, porém, foi bem mais longe. Seus patriarcas flertaram com a própria eliminação do sexo (para eles, a fonte mesma da corrupção humana), ainda que jamais tenham apostado todas as fichas nessa vertente. É uma atitude que só se explica à luz de uma teleologia que tenha em mente o fim dos tempos. Trata-se, se quisermos e por paradoxal que parece, de uma filosofia com matizes niilistas, pelo menos no que diz respeito à vida neste mundo.

Também é notável uma inesperada semelhança com o marxismo: o caráter utópico. Católicos e comunistas comungam a crença (ou talvez devamos dizer esperança) de que, dadas as condições certas, é possível virar do avesso a natureza do homem.
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Giacomo Balla


O Carro Passou (1913)

O Futurismo na Itália não foi breve, marcou época, teve grande impacto político nas ruas. Criou uma escola nas Artes Plásticas e mexeu com a vida diária no país. Mas passou... como passam todas as modas, quase sempre abrindo caminho para outros “ismos”.

Eis pequenos trechos de uma carta de Antonio Gramsci a Léon Trotski que lhe perguntava sobre o Futurismo:

“Eis aqui as respostas às perguntas que você me fez sobre o futurismo italiano: o movimento futurista, na Itália, perdeu completamente seus traços característicos depois da guerra. Marinetti dedica-se muito pouco ao movimento. Casou-se e prefere consagrar sua energia à esposa. Monarquistas, comunistas, republicanos e fascistas participam, atualmente, do movimento futurista. Eis um exemplo: Milão, onde, recentemente, se fundou um semanário político, "Il Principe", que formula, ou procura formular, as teorias desenvolvidas por Maquiavel para a Itália do século XV, a saber: "Só um monarca absoluto, um novo César Borgia, colocando-se à frente dos grupos rivais, pode encerrar a luta que divide os partidos locais e leva a nação ao caos".

(...) Os pintores compõem o grupo mais importante entre os futuristas. Há, em Roma, uma exposição permanente de pintura futurista, organizada por um certo Antonio Giulio Bragaglia, fotógrafo falido, produtor de cinema e empresário. O mais conhecido dos pintores futuristas é Giacomo Balla.

(...) Pode-se dizer que, depois da conclusão da paz (1918), o movimento futurista perdeu completamente seu caráter e dissolveu-se em diversas correntes, formadas no transcurso da guerra e em conseqüência dela. Os jovens intelectuais são quase todos reacionários. Os operários, que viram no futurismo elementos de luta contra a velha cultura acadêmica italiana, ossificada e estranha ao povo, hoje devem combater de armas na mão por sua liberdade e demonstram pouco interesse por velhas querelas”.

Assim falou Gramsci. Vide que segue, ficaram belas obras, esculturas e telas. Como a que mostramos hoje, “Velocidade Abstrata - O Carro Passou”. Essa tela fazia parte de um tríptico: a folha esquerda chamava-se “Linha de Força + Paisagem” e a central “Linhas de Força + Ruídos”. O tema do tríptico era a passagem numa estrada branca de formas azuis e verdes, evocando terra e céu ao fundo. As áreas em rosa representam a fumaça expelida pelo cano de descarga. (Do Blog do Noblat)


Óleo sobre tela, mede 55,2 X 74,0 cm
Acervo Tate Gallery, Londres


Fontes: www.tate.org.uk/

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Papo do Editor

Enquete

Sidney Borges
Coloquei uma enquete para saber o que pensam os leitores do Ubatuba Víbora sobre a possibilidade da Santa Casa ser administrada pela Cruz Vermelha. Meu intuito, como sempre, não foi outro senão colher dados e informar. Há um consenso em relação ao hospital. A torcida é sensivelmente a favor de uma solução para os problemas que há. Todos querem a Santa Casa funcionando bem. Se a Cruz Vermelha conseguir sanar as dívidas e melhorar o atendimento, então viva a Cruz Vermelha. Nós que aqui vivemos temos o maior interesse que isso aconteça. Em caso de emergência é na Santa Casa que seremos atendidos.

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Mais uma do PIG?

Bloqueada na Suíça conta de US$ 13 mi de filho de Sarney

Rastreado a pedido da Justiça brasileira, depósito não foi declarado à Receita. Suíços retiveram recursos quando Fernando Sarney tentava transferi-los para paraíso fiscal; ele já afirmou não ter conta no exterior

De Leonardo Souza e Andreza Matais:
O governo suíço achou e bloqueou conta de US$ 13 milhões controlada pelo filho mais velho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Os depósitos foram rastreados a pedido da Justiça brasileira, por suspeita de que a família do senador tenha remetido ilegalmente dinheiro para fora do Brasil.

Os depósitos estão em nome de uma empresa e eram movimentados exclusivamente por Fernando Sarney, que cuida dos negócios da família no Maranhão. O dinheiro não está declarado à Receita Federal, segundo a Folha apurou.

O bloqueio da conta na Suíça é um desdobramento da Operação Faktor (ex-Boi Barrica), conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Nesse inquérito, Fernando já foi indiciado por formação de quadrilha, gestão financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Recursos no exterior não declarados à Receita caracterizam sonegação de tributos e geralmente são frutos de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Empresas da família Sarney são alvo do fisco e da PF sob a suspeita desses crimes.

O bloqueio determinado pelos suíços ocorreu quando Fernando tentava transferir recursos daquele país para o principado de Liechtenstein, conhecido paraíso fiscal entre a Áustria e a Suíça.

Trata-se de um bloqueio administrativo, adotado preventivamente quando há suspeitas sobre a natureza do dinheiro. Se comprovado que o dinheiro tem origem ilícita, como corrupção ou fraude bancária, o bloqueio passa a ter caráter criminal, e os recursos podem ser repatriados ao país de origem.

Procurado pela reportagem, Fernando disse que não comentaria o assunto. Em 2009, em entrevista ao jornal, ele negou operar contas no exterior. (Do Blog do Noblat)

Nota do Editor - Mistério. Primeiro aconteceu com o probo Dr. Paulo Salim Maluf, homem que granjeou a admiração de 9 entre 10 políticos de Ubatuba. Inimigos políticos plantaram milhões em contas no exterior para impedir que no ocaso da existência o honesto e trabalhador engenheiro não pudesse mais visitar Paris e desfrutar do modesto apartamento, comprado com as economias de anos de labuta. Agora acontece com o filho do "Donatário do Maranhão" e acadêmico, José Sarney, autor do consagrado "Marimbondos de Fogo", que Lula não leu, mas que garantiu a Sarney lugar privilegiado na mesa de Nosso Guia. Temo que mais uma vez o império, as elites de São Paulo, os intelectuais da USP e os tucanos de olhos azuis estejam em conluio com a finalidade de manchar a reputação de patriotas devotados, que só pensam no bem do Brasil. Como diria José Dirceu, repilo. (Sidney Borges)

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Opinião

As greves contra Serra

Editorial do Estadão
À medida que se aproxima a data de desincompatibilização do governador José Serra para se candidatar à Presidência da República, aumentam protestos e ameaças de greve das corporações da máquina pública estadual que são controladas por sindicatos vinculados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao PT. Embora com pequena adesão, prossegue a greve do professorado, decretada há duas semanas, e os servidores das áreas de saúde e segurança também estão prometendo parar nos próximos dias. As três categorias representam mais de dois terços do funcionalismo público estadual.

As reivindicações são irrealistas. Os líderes sindicais do magistério estadual querem reajuste de 34% e o fim do Programa de Valorização pelo Mérito, que prevê aumento de 25% para um quinto dos docentes, a cada ano, mediante a realização de prova de capacitação. Os dirigentes sindicais do setor de saúde pleiteiam para a categoria aumento salarial de 40%, reajuste do vale-refeição e jornada de trabalho de 30 horas semanais. E os porta-vozes dos servidores da área de segurança, que já tiveram grande parte de suas reivindicações atendidas em 2008, pretendem deflagrar operação-padrão para mostrar a "estrutura defasada" da Polícia Civil.

As lideranças sindicais das três categorias também exigem planos de cargos e carreiras - outra pretensão recorrente, que costuma aparecer quando as greves são meramente políticas, para criar dificuldades para dirigentes governamentais que não são filiados ao PT. O caráter eleiçoeiro dos protestos ficou claro quando os líderes do professorado, depois de terem parado por duas sextas-feiras consecutivas o trânsito na região das Avenidas Paulista e Consolação, decidiram fazer um protesto em frente ao Palácio dos Bandeirantes.

Na realidade, trata-se de mais uma provocação. Protestos nas ruas e avenidas em volta da sede do governo estadual são expressamente vedados por lei, que as classifica como "área de segurança". Os líderes sindicais do funcionalismo sabem que, frente a manifestação em local proibido, a Polícia Militar é obrigada a intervir. E é justamente isso que eles querem: aproveitar os incidentes para se apresentar como vítimas da "violência do governador". O "script" é conhecido e foi usado em grande escala nos últimos anos, especialmente durante a greve dos servidores da área de segurança pública, em 2008. Na ocasião, nas imediações do Palácio dos Bandeirantes, policiais civis usaram suas armas para enfrentar policiais militares. O embate resultou em 24 feridos e foi fartamente explorado pelo PT e pequenos partidos de esquerda.

Ao anunciar que as reivindicações dos líderes sindicais das áreas de educação, saúde e segurança não serão atendidas, as autoridades estaduais lembraram que a gestão Serra manteve os gastos com o funcionalismo abaixo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. E foi esse um dos fatores que permitiram investimentos em obras de grande porte. "Se damos dinheiro para servidores, não sobra para investimento e não se pode fazer Rodoanel e Metrô. É preciso equilíbrio para atender às demandas da sociedade", diz o secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo.

O mais irônico é que vários líderes sindicais dos servidores que tentam tumultuar as solenidades de inauguração dessas obras, para impedir Serra de colher os dividendos de sua gestão, reconhecem que o diálogo com o governo melhorou nos últimos anos. Eles admitem que foram recebidos com mais facilidade e frequência pelas autoridades, apesar de não terem conseguido os aumentos salariais desejados, porque, em matéria de gasto, o governo privilegiou o interesse público, em vez de ceder ao corporativismo.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Suíça bloqueia conta de filho de Sarney"

Segundo autoridades, recursos no exterior chegam a US$13 mi; empresário diz não falar sobre o que não conhece

O governo da Suíça encontrou e bloqueou conta de US$ 13 milhões controlada por Fernando Sarney, filho mais velho de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, relatam Leonardo Souza e Andreza Matais. Os depósitos foram rastreados a pedido da Justiça brasileira. Segundo a Folha apurou, o dinheiro não está declarado á Receita. O bloqueio ocorreu quando Fernando tentava enviar recursos da Suíça para Liechtenstein, paraíso fiscal. A medida é administrativa; se comprovado que o dinheiro tem origem ilícita, o bloqueio passará a ter caráter criminal, e os recursos poderão ser repatriados. Fernando Sarney disse que soube do assunto pela Folha e afirmou que não falaria do que não conhece. Procurada, sua defesa não ligou de volta. Segundo o senador Sarney, "Fernando é maior de idade e tem advogado constituído".

O Estado de São Paulo
"Mantega cobra de BB e Caixa explicação sobre alta de juros"

Instituições reagem contestando metodologia adotada em ranking do BC divulgado pelo 'Estado'

O ministro Guido Mantega (Fazenda) cobrou explicações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal sobre o aumento de suas taxas de juros, apontado pelo Estado no domingo passado. A reportagem, com base em ranking do Banco Central, mostrou que os bancos públicos lideram a alta dos juros em comparação com os privados. Após o encontro com Mantega, os presidentes do BB, Aldemir Bendine, e da Caixa, Maria Fernanda Coelho, convocaram uma entrevista coletiva na qual negaram que as instituições tenham elevado as taxas de juros mínimas e máximas para seus clientes. Eles criticaram a metodologia usada pelo BC para fazer o ranking, que, disseram, produziu um dado “enviesado”, com uma “interpretação errônea da realidade”. Os dois executivos argumentam que a elevação da taxa média se deve ao fato de BB e Caixa terem aumentado sua carteira de crédito com clientes novos que têm avaliação de risco maior. Segundo Bendine, é “natural” que, nesses casos, acabe ocorrendo uma elevação de juros na média. Ele afirmou que não há mudança na estratégia do governo de manter baixas as taxas dos bancos públicos.

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quarta-feira, março 24, 2010

Informática

Novo recurso do Photoshop apaga objetos das fotos

da Folha Online
A Adobe mostrou um recurso para o editor de imagens Photoshop que permite apagar objetos em imagens, criando automaticamente um fundo natural no espaço retirado.

A "tecnologia de síntese de textura", como diz a empresa, foi demonstrada por um dos gerentes de produto do software, Bryan O´Neil Hughes, em um vídeo publicado no blog da empresa nesta terça-feira (23).

No vídeo, a ferramenta é utilizada para apagar tanto uma árvore de uma cena campestre --criando no lugar uma cena de céu que acompanha naturalmente o cenário ao redor.
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Brasil

Para enrolar os enroláveis

É cômodo repisar a necessidade de “impedir a volta do neoliberalismo tucano” ou de “reverter o aparelhamento do Estado pelo petismo”. Difícil é responder sobre coisas mais práticas

Alon Feuerwerker no Blog do Alon
Se ninguém impedir, há o risco de assistirmos a mais uma eleição alinhavada por abordagens abstratas e divagações. Será conveniente para os candidatos, pois o vencedor irá depois governar com mãos bem desimpedidas —como de hábito. Tem sido frequente nas eleições brasileiras. Discute-se de tudo um pouco, mas não o que o eleito efetivamente vai executar.

É um traço de subdesenvolvimento político.

Entre nós, a abordagem realista dos temas importantes costuma ser privilégio da Casa Grande, em conversas educadas e cínicas. A senzala deve contentar-se com o circo. Com as emoções, diriam os marqueteiros. Ou com generalidades supostamente programáticas.

Um exemplo é a polêmica sobre o papel do Estado. Teoricamente, haverá dura polarização este ano entre estatistas e privatistas. Mas ela permanecerá no plano das abstrações, das diferenças ideológicas. O que seria normal se Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva estivessem disputando a chefia do departamento de Ciência Política numa universidade qualquer.

Como a luta é pelo Palácio do Planalto, impõem-se perguntas relacionadas à vida prática. Se Dilma for eleita, que companhias privadas vai estatizar? E que empresas privatizadas por Fernando Henrique Cardoso ela vai retomar para o Estado?

Vale também para Serra. Em meio à mudez ele deixou vazar a preferência por um “Estado ativo”. Do que se trata? No que difere da administração petista? Em que outras atividades o governo vai se meter no caso de vitória do PSDB? Em que setores é necessária mais presença governamental, ou estatal? Ou menos? E como vai ser feito?

Quando a vida real bate à porta, tucanos e petistas são parecidos no que gostam de se dizer diferentes.

O Brasil é um dos piores países para os usuários de internet e telefonia, operadas por companhias nascidas na era da privatização. Os serviços são caros e ruins. A operação é oligopolizada e a regulação, ineficaz. Sem concorrência real, a agência reguladora está reduzida a figurante.

O governo de São Paulo pressionou as telefônicas a oferecerem planos de banda algo mais larga por preços módicos. O governo federal pressiona as telefônicas a oferecerem um plano similar ao paulista, talvez um tanto melhorzinho. Qual é a diferença então? O preço? A largura da banda? É isso? Saber quem negocia melhor?

O que cada candidato vai fazer para o brasileiro finalmente pagar pela telefonia e pela internet o que paga um americano, ou um europeu? Qual é o caminho? Abrir para mais concorrência? Reduzir impostos? Criar uma estatal que compita no mercado forçando o preço para baixo? Essa ideia foi posta para circular pelo governismo, mas aparentemente os argumentos da turma de sempre vêm sendo bons para fazer, de novo, o governo recuar.

O mesmo raciocínio vale para outros temas, tão sensíveis quanto. Quem vai finalmente dar um jeito no spread bancário? Falar em “ativismo estatal” num país onde o capital financeiro pinta e borda sem nada temer das autoridades não é programa de governo, é roteiro de programa de humor.

Qual é a razão para o tomador de empréstimo consignado comprar uma televisão para a família e pagar duas, a dele e outra que dá de presente ao banco? Por que os equipamentos de informática à venda no Brasil são mais caros e de qualidade inferior? O que deve ser feito para corrigir isso? E em que prazo será corrigido?

São algumas perguntas. Há delas em quantidade suficiente para preencher colunas até outubro. Sobre todos os temas. Elas são fáceis de formular, mas pelo visto difíceis de responder. Daí que não tenham sido respondidas até hoje. Mais cômodo é repisar a necessidade de “impedir a volta do neoliberalismo tucano” ou de “reverter o aparelhamento do Estado pelo petismo”.

Conversas para enrolar incautos, enquanto o dia da eleição, e de estourar a champanhe, não chega.
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Papo do Editor

Educação ou deseducação?

Sidney Borges
Lendo o texto dos professores grevistas de Ubatuba, "Verdades Veladas na Educação" (aqui), relembrei meus mais de trinta anos de giz. Como tudo mudou! É inegável o fato de que hoje há escola para todos. Mas o que é considerado escola foge ao conceito universal.

A escola clássica era chata e difícil, mas nós que a freqüentávamos sabíamos que através de uma boa formação seria possível enfrentar a vida com dignidade. Esse conceito nos era passado em casa, a escola dava informação, os valores da cidadania vinham das famílias.

No esquema atual em que tudo é pemitido, onde alunos espancam professores e nada acontece, a escola acaba fornecendo uma visão distorcida da sociedade. Quando o aluno que nunca teve de fazer esforço e nunca respeitou colegas, funcionários e professores, sai da escola, o mundo à sua volta muda radicalmente. 

A permissividade acaba.

Caso ele cometa algum ato infracional a sociedade agirá de forma desproporcional ao que estava acostumado. O degrau entre a escola e a vida está se tornando imenso. O resultado é o aumento desmedido da violência entre os jovens.

A sociedade exige disciplina e trabalho, a escola não cobra nem uma coisa nem outra. Para que existe escola?

Há algo de podre no Reino da Dinamarca.

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Eleições 2010

PSDB e DEM fecham chapa Alckmin-Afif para governo de SP

FÁBIO ZAMBELI da Folha de S.Paulo, em Brasília
CATIA SEABRA da Folha de S.Paulo
PSDB e DEM avançaram na costura do acordo para a eleição ao governo do Estado de São Paulo e estão prestes a anunciar que o candidato a vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes será Guilherme Afif Domingos. Os dois ocupam secretarias do governo e devem deixar os cargos para a disputa.

O último nó para o acordo foi desatado ontem: o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, avisou aos aliados que concorrerá ao Senado. Atendendo ao pedido do governador e presidenciável José Serra, Aloysio desistiu de desafiar Alckmin para as prévias. Há duas semanas, a Folha adiantou que ele tendia a concorrer ao Senado.

Mas só ontem, depois de conversa com Serra, informou oficialmente a seus aliados.
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Nota do Editor - São Paulo é um caso à parte. Com PIB maior do que o da Argentina e do Chile, o Estado mais rico do Brasil costuma avaliar bem seus governadores, em contraste com a capital, cidade problema que tende a alternar prefeitos. Quércia deixou o governo com a popularidade lá em cima, fez o sucessor e teria sido forte candidato a suceder Sarney. Como diz o povo, a palavra proferida; a seta lançada e a oportunidade perdida não admitem retorno. Quércia apoiou Ulisses Guimarães (apoiou?) enquanto pensava: na próxima não tem pra ninguém. Nunca mais. O tempo dele passou. O sucessor, Luiz Antônio Fleury, começou bem e até chegou a ser cogitado para o Planalto, depois foi sumindo, sumindo, até sumir. Alckmin é um bom moço. Religioso, sorridente, simpático e médico. Foi vice de Mário Covas e, por circunstâncias, governador de São Paulo. Tentou a presidência da República. Perdeu. Será candidato ao governo de São Paulo novamente, com grande chance de vitória. Tenho sérias reservas quanto ao nome dele, embora tenha simpatia pelo partido. Aloysio Nunes Ferreira me parece mais consistente, tem um passado de lutas estudantis, mas eu sempre soube que dificilmente seria indicado para disputar o governo. Vai tentar o Senado. Terá o meu voto. Em caso de vitória espero que Alckmin não convide Chalita para a Educação. São Paulo não merece. (Sidney Borges)

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Opinião

Esquerda derrota Sarkozy

Editorial do Estadão
O eleitorado francês - ou melhor, a metade que se abalou a votar no segundo turno da disputa pelos governos regionais do país, domingo passado - infligiu ao presidente Nicolas Sarkozy uma derrota que excedeu as suas previsões mais pessimistas. As pesquisas já vinham indicando que o partido de Sarkozy, a União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, pagaria nas urnas pela insatisfação generalizada dos franceses com os projetos de reformas econômicas e sociais do presidente, quando o desemprego, passando de 10%, é o maior entre os principais países da União Europeia (e também ligeiramente superior ao dos Estados Unidos). Mas não se supunha que o protesto seria tão contundente.

Das 26 regiões em que o país foi dividido pela reforma administrativa de 1986 - 22 das quais na França continental -, a UMP só conseguiu vencer em 3: Alsácia, Guiana Francesa (na fronteira com o Brasil) e Ilhas Reunião (no Oceano Índico). As demais escolheram candidatos do Partido Socialista. E nenhum dos 20 ministros que se candidataram à presidência de alguma região conseguiu se eleger. Há três anos, quando Sarkozy superou por 53% a 47% a socialista Ségolène Royal na eleição nacional, tornando-se o primeiro candidato desde 1974 a chegar ao Palácio do Eliseu na tentativa inicial, os jornais e as mesas-redondas na televisão francesa se encheram de necrológios sobre o crepúsculo inexorável da esquerda.

Como diria o escritor americano Mark Twain, ao deparar com a notícia de que havia morrido, o prognóstico era "ligeiramente exagerado". Desta vez, nas urnas regionais, os socialistas deram o troco aos céticos e aos seus adversários históricos. Colheram 54% dos votos, ante apenas 36% obtidos pelo partido do presidente. Típico sintoma da malaise econômica francesa, a extrema-direita também ressurgiu das cinzas, embora em escala bem mais modesta. A xenófoba Frente Nacional, agora liderada por Marine Le Pen, filha do seu fundador, Jean-Marie, reuniu 8% dos sufrágios. A grande surpresa foi a ascensão dos verdes. Com os seus 13%, o partido ambientalista Europe Ecologie firmou-se como a terceira força política do país.

Embora não se deva incidir na mesma avaliação precipitada de 2007 sobre o definhamento inexorável dos socialistas, o que equivaleria a apostar que Sarkozy não se reelegerá em 2012, cedendo a cadeira à já declarada candidata Ségolène, presidente da região de Poitou-Charentes, não há duvida sobre qual foi a chamada mensagem das urnas no pleito regional. O destino das localidades, em si, tem escassa ou nenhuma importância para a grande maioria dos franceses, dada a sua baixa autonomia. Segundo uma pesquisa recente, não chega a 30% deles os que sabem o nome do presidente de sua região. Para os eleitores que ainda não se desencantaram de todo com a política, essas disputas geralmente oferecem uma oportunidade de mostrar o punho ao governo central.

Motivos, decerto, sempre haverá, ainda mais agora. Apesar do elevado desemprego, a economia francesa suportou razoavelmente a crise, em comparação com os vizinhos. O PIB recuou 2,1% no ano passado, mas, no último trimestre, indicando que a recuperação se iniciara, o resultado foi 0,6% positivo (ante, por exemplo, a estagnação alemã no mesmo período). No entanto, como já se observou, em tempos de vacas magras, a circunstância de que a desgraça alheia é maior não serve de consolo. Ao mesmo tempo, o desfile do midiático Sarkozy como salvador da indústria nacional parece cada vez menos convincente. O retrospecto das demissões e fechamentos de fábricas erodiu a credibilidade do presidente. Apenas 42% dos concidadãos o consideram "eficiente".
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 24 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Tesouro é contra reativar a Telebrás"

Estatal está exposta a muitas ações judiciais, diz nota técnica; governo cogita usá-la em plano de banda larga

O Tesouro Nacional emitiu nota técnica em que condena a reativação da Telebrás pelo governo Lula para gerir seu programa de banda larga, relatam Valdo Cruz e Humberto Medina. É a segunda autoridade do governo a se opor à idéia. Na semana passada, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, já levantara publicamente restrições a que a estatal seja reativada. A medida é defendida pelo Ministério do Planejamento e pela Casa Civil. Desde que o setor foi privatizado, em 1998, a função da Telebrás passou a ser administrar e pagar dívidas. Para o Tesouro, a estatal está exposta a muitas ações judiciais (era ré em 1.189 até o fim de 2009), e há risco' de "contaminar" os ativos que seriam usados no programa de banda larga. Segundo a Folha apurou, a nota técnica do Tesouro é vista como "consistente", embora a Casa Civil não esteja convencida dos argumentos das Comunicações e da equipe econômica. Licitar a rede de fibras ópticas das estatais do setor elétrico, com 16.000 km, é uma das opções que o governo estuda para viabilizar o programa. Outra é usar os Correios ou o Serpro.

O Estado de São Paulo
"Exclusividade do BB no consignado é contestada na Justiça"

Para bancos, privilégio nesse tipo de crédito fere o princípio da livre concorrência

A exclusividade do Banco do Brasil para operar com empréstimo consignado (descontado em folha de pagamento) está sendo contestada na Justiça em 11 ações. Oito delas são de bancos privados e entidades do setor, como a Associação Brasileira de Bancos. Um dos alvos é a exclusividade sobre os funcionários da Prefeitura de São Paulo. A prática "anula o princípio constitucional da liberdade de escolha do cliente", diz Renato Oliva, da associação. O consignado é o segmento de crédito que mais cresce no País. Antes, atraía só bancos pequenos, mas a baixa inadimplência ampliou a concorrência. A lei que institui o consignado não é clara sobre a exclusividade. Em nota, o Banco Central disse que está "avaliando as implicações da questão".

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terça-feira, março 23, 2010

Imprensa

A estratégia do medo

Joaquim Falcão no Blog do Noblat
A aprovação pelo Congresso Americano, ontem à noite, da nova lei de planos de saúde, vitória histórica do Obama, é uma boa oportunidade para se conhecer importantes mudanças, também históricas, que estão acontecendo na política americana.

Vitória apertada 219 contra 212, estes incluindo todos os republicanos.

Primeiro, a oposição parece estar rompendo com um padrão de cultura político, com um comportamento que limitava democraticamente sua ação. É como se antes houvesse um padrão onde a oposição sempre dizia para o partido vencedor das eleições: ok perdemos, reconhecemos sua vitória, você é legitimo e você pode governar.

Agora mais não. A oposição pretende deslegitimar o governo. De várias maneiras. Acusações sistemáticas de que Obama é socialista. Obama é antiamericano. Esta a nova forma de racismo político. Acusações que caem no terreno fértil do medo congênito do americano médio. O medo como deslegitimação.

Não é por menos que Obama acabou seu discurso de ontem de madrugada ao povo americano dizendo: “NÓS NÃO TEMEMOS O NOSSO FUTURO, NÓS O CONSTRUÍMOS”. O medo é o tema.

Um instrumento desta estratégia é a aliança entre o partido republicano que vota monoliticamente contra programas de governo e a importante rede de televisão de Rupert Murdoch, a FOX NEWS, que como diz o próprio Obama, não é mais um órgão de imprensa. Mas um ativo partido político em si.

Para ser um órgão de imprensa Fox News teria de ter um mínimo de pluralismo político. Não tem. Não informa, pois o eleitor. Converteu-se num pregador. Pesquisas mostram que quanto mais o telespectador assiste Fox News mais se restringe a assistir somente Fox News. Fica impermeável a outros pontos de vista.

Comporta-se como membro de uma seita cada dia com mais fé e menos diálogo. Quase um processo de crescente fundamentalismo televisivo.
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Nota do Editor - O que a Fox News faz não encontra paralelo no Brasil. Aqui qualquer crítica é logo tida como parte de um plano golpista. Os que repetem o mantra do PIG não percebem que os maiores beneficiados com os acertos do governo são os donos da mídia. Seria um despautério matar a galinha dos ovos de ouro. O que fica claro nas entrelinhas é a vontade férrea de parte do staff governamental de controlar não só a mídia, mas toda a sociedade. Vai ficar na vontade, a democracia não terá retrocesso. .(Sidney Borges)

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A vingança será maligna

Maluf processa promotor de Nova York

da Folha Online
O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e seu filho, Flávio, decidiram processar o promotor distrital de Nova York, Robert Morgenthau, após ele ter acusado o parlamentar brasileiro de usar bancos da cidade para esconder recursos desviados, que depois passaram por contas nas Ilhas Jersey e na Suíça para só então entrar no caixa da Eucatex, empresa que pertence à família Maluf.

"De uma maneira arbitrária e não condizente com o que rege o Direito Internacional e a soberania das nações livres, um promotor distrital de Nova Iorque decidiu acusar Cidadão Brasileiro, membro do Congresso Nacional, de supostos fatos que, por absurdo, teriam ocorrido no Brasil, com o fim de serem julgados pela Corte Americana, inclusive emitindo ilegalmente um alerta vermelho para a Interpol", diz Maluf em nota divulgada hoje.

A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) colocou o deputado e seu filho na difusão vermelha a pedido da Justiça de Nova York --o que, na prática, impede que o ex-prefeito de São Paulo deixe o país e passe por qualquer um dos 188 países que são signatários da organização policial internacional.

Segundo o promotor Silvio Marques, do MPE-SP (Ministério Público Estadual) de São Paulo, o Grande Júri de Nova York --que já tinha indiciado Maluf em 2007 pelos crimes de conspiração em 4º grau, transferência de recursos de origem ilícita e roubo de fundos públicos-- pediu a inclusão do deputado na "lista vermelha" da Interpol no final do ano passado.
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Nota do Editor - Maluf foi preso em Paris, em julho de 2003, após tentar movimentação financeira irregular em uma agência do banco Credit Agricole, na Champs Elysées. Naquela época o probo homem público, que tem muitos seguidores em Ubatuba, afirmou ter sido armação de petistas. Eu acredito. Maluf nunca teve contas no exterior. Os milhares de dólares que apareceram nas contas de sua dedicada esposa, mãe extremosa e religiosa temente, foram produto da venda de um terreno. De lá para cá o mundo mudou, Maluf hoje é um homem de esquerda, admirador de Lula e, por que não dizer, de Fidel. Mas continua vítima de perseguições políticas, agora por parte do "império" que teme o poder avassalador de sua liderança. Robert Morgenthau não perde por esperar. Maluf está bravo e quando Maluf fica bravo a terra treme. Pobre Dr. Paulo, nunca mais verá Paris. Felizmente ele é brasileiro e como tal ninguém o impedirá de visitar a Ilha Anchieta. Pode vir tranqüilo Dr. Paulo, na Ilha não tem mais cadeia. (Sidney Borges)

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Interesse público

Verdades Veladas na Educação

A busca vã por informações na mídia a respeito da assembléia de professores ocorrida na última 6ª feira, 19 de março, em São Paulo, nos fez lembrar de um trecho do livro “1984”, de George Orwell (criador do personagem Big Brother): “... mais tarde, algum cérebro privilegiado do Partido Interno escolheria esta ou aquela versão, retocá-la-ia em alguns pontos e daria início aos complicados processos de referência cruzada necessários, e daí a mentira selecionada passaria aos anais permanentes, tornando-se verdade...”

Por que milhares de professores vão às ruas de São Paulo, e só aparecem rapidamente como grupo que atrapalha o trânsito?

Por que o governo insiste em dizer que apenas 1% dos professores está em greve, quando quem participou da última assembléia sabe que, só ali, havia cerca de 60 mil manifestantes (sem contar os que permaneceram em suas cidades) ?

Será que tornar pública a realidade das escolas de São Paulo, geralmente comentada de forma idealizada por teóricos da educação ou maquiada pelas propagandas do governo, incomoda a todos os setores da sociedade?

Quantos colaboram para que a efetiva realidade da escola pública de São Paulo não seja mostrada?

A realidade da escola é conhecida, de fato, pelos professores que lá estão diariamente: são prédios mal cuidados, muitas vezes com goteiras e banheiros em péssimas condições de uso, espaços inadequados para as práticas pedagógicas que atendam às novas demandas dos alunos, além disso, há falta de funcionários que deem apoio pedagógico e burocrático.E até mesmo o número de funcionários de limpeza é insuficiente.

Os alunos que há algum tempo terminavam a 1ª série do Ensino Fundamental alfabetizados, hoje chegam à 5ª série semi-alfabetizados e as atuais 8ªs séries não correspondem nem de longe aos alunos que concluíram o Ensino Fundamental há uma década. Todos são frutos da legislação vigente de progressão continuada, que favorece o fluxo de uma série para a outra, mas incentiva o aluno a não mostrar empenho, já que apenas a freqüência diária garante-lhes aprovação.

A falta de respeito e a violência aumentam a cada dia no espaço escolar. Gritos, palavrões, indiferença para com o professor, enfrentamento e xingamentos entre colegas, infelizmente, tornaram-se habituais.

Os bônus, tão divulgados, são distribuídos aos professores num critério pouco transparente que alia os resultados do SARESP (nem sempre publicados) ao fluxo dos alunos na escola (por fluxo entenda-se: conclusão do ciclo na faixa etária esperada).

A data base para reajuste salarial é descaradamente ignorada pelo governo, ocasionando com isso uma perda que atualmente está na casa dos 34% e, o aumento salarial vinculado ao resultado da prova por mérito, caberá a até 20% de professores, incluídos nesses 20% professores, diretores, supervisores e coordenadores. Todos os demais não serão beneficiados.

Educação, para o governo é gasto e não investimento.

Os poucos espaços que nos cabem na mídia são os que causam sensacionalismo como atitudes violentas no âmbito escolar, muitas vezes com intervenção policial e os transtornos ao bom andamento do trânsito nas vias públicas; nos casos das legítimas manifestações da classe.

Não queremos ser transtorno para ninguém mas, lamentavelmente, não somos ouvidos e nem atendidos de outra forma.

Nossas reivindicações são importantes! Não temos medo de provas, não fugimos ao desafio diário!

Temos medo é da censura velada e da manipulação de informações que ocultam interesses nem sempre declarados.

Professores grevistas de Ubatuba (SP).

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