sábado, março 20, 2010

Aviação

Boeing 707 na Varig

Cultura Aeronáutica (original aqui)
No final dos anos 50, a Varig tinha estabelecido firmemente sua primeira linha internacional de longo curso, ligando várias cidades brasileiras a Nova York, nos Estados Unidos. Os equipamentos então utilizados eram os luxuosos Lockheed L-1049G Super Constellation, que imprimiram à rota uma imagem de glamour e elegância.

Muitos problemas se escondiam, entretanto, por trás de todo esse luxo: os Constellation eram excelentes aeronaves, mas o mesmo não se pode dizer dos seus motores e hélices. A Varig chegou mesmo a perder um deles por problemas técnicos em 1957, na República Dominicana, embora seus mecânicos fossem muito competentes e experientes. Outro problema era a baixa velocidade dos aviões. Os voos frequentemente duravam cansativas 25 horas.

Na mesma época, no entanto, uma revolução estava em curso. Em 1958, a Pan Am introduziu na rota do Atlântico Norte uma aeronave a jato, o Boeing 707, que podia transportar um número bem maior de passageiros, com quase o dobro da velocidade e ainda por cima com custo menor. A Pan Am também introduziu em serviço, na mesma época, outro jato da mesma categoria, o Douglas DC-8.

É óbvio que tal revolução não poderia passar desapercebida das demais empresas aéreas. A Varig sentiu que, caso a Pan Am resolvesse voar para o Brasil de jato, os voos de Super Constellation estariam liquidados. Então, a diretoria da empresa resolveu adquirir aeronaves a jato. Em setembro de 1957, a Varig encomendou à Boeing 2 jatos 707-441. Adicionalmente, a empresa também encomendou dois jatos bimotores Sud Aviation Caravelle I, para atender as linhas domésticas principais.

Como a linha de produção do 707 estava repleta de encomendas, a entrega das aeronaves demorou muito. Os Caravelles chegaram primeiro, e ao invés de atender linhas domésticas, foram imediatamente colocados na linha para Nova York, em 12 de setembro de 1959, dividindo a mesma com os Constellation. Eram dois voos com os Caravelle e três com os Constellation por semana.

Finalmente, em 22 de junho de 1960, o primeiro Boeing 707-441, matriculado PP-VJA, chega ao aeroporto do Galeão, já trazendo passageiros pagantes de Nova York. A Varig deixou de usar a sequência de matrículas do lote PP-VEA a PP-VIZ e passou direto para VJA, o "J" significando "jato".

O PP-VJA foi apresentado ao público em Porto Alegre da mesma maneira como o Super Constellation cinco anos antes, com um voo rasante sobre a pista. Isso certamente ficou na lembrança de quem viu e, principalmente, ouviu. O ruído produzido pelos motores Rolls-Royce certamente deixou a sua marca. Uma banda, contratada pela Varig e que estava tocando na hora do pouso, ficou desconcertada com o barulho e saiu totalmente do ritmo.

Os dois primeiros 707 da Varig, os PP-VJA e PP-VJB, eram do modelo 441. Os Boeing 707 série 400 (41 identificava o operador inicial, no caso, a Varig) eram equipados com quatro motores turbofan Rolls-Royce Conway MK-508-40, de 17.500 lbf de empuxo cada um. Esses motores eram mais econômicos que os turbojatos Pratt & Whitney usados nos 707 da Pan Am, conferindo uma maior autonomia e que permitia voar entre o Brasil e Nova York sem escalas pela primeira vez na história.

No início da carreira no Brasil, a pista do Aeroporto do Galeao passou por uma ampliação, impedindo temporariamente a operação dos 707 na mesma. Os voos passaram então a sair do novíssimo aeroporto de Brasília, a recém inaugurada capital do Brasil, até a conclusão das obras. O trecho entre Brasília e o Galeão era feito com os Caravelle. Esses problemas baixaram o nível de utilização do avião e a Varig resolveu arrendar o PP-VJB para a companhia israelense El Al, entre dezembro de 1960 e maio de 1961. Essa aeronave passou a voar entre Nova York e Tel Aviv, com uma escala intermediária, com tripulação mista Varig - El Al. Na foto abaixo, o PP-VJA carregando um motor extra, abaixo da asa.

Em agosto de 1961, a Varig adquiriu o controle acionário do consórcio REAL-Aerovias-Nacional. Entre as linhas operadas pelo consórcio, estava uma ligando o Rio de Janeiro a Los Angeles e Toquio, no Japão. A Varig colocou, a partir de 18 de novembro de 1961, o Boeing 707 nessa linha, mas somente até Los Angeles, com escalas em Lima, Bogota e Cidade do México.

Foi justamente nessa linha de Los Angeles que a Varig sofreu sua primeira grande tragédia da era do jato. A tripulação do PP-VJB, na madrugada do dia 27 de novembro de 1962, cometeu um erro de navegação na aproximação para o Aeroporto de Lima-Callao, no Peru, e o avião bateu na montanha de La Cruz, vitimando todos os 17 tripulantes e 80 passageiros a bordo. As 97 vítimas do voo 810 sustentaram por 11 anos o infeliz recorde de maior acidente com uma aeronave comercial brasileira, até o desastre do voo Varig 820, em Paris, em 1973.

A perda do PP-VJB foi desastrosa em todos os sentidos para a Varig. Era um dos únicos dois Boeing 707 da empresa, e sua perda teve que ser reposta às pressas nas linhas por qualquer avião que estivesse disponível. Até os Lockheed Electra II entraram em operação nos voos para os Estados Unidos. Somente em novembro de 1963, um ano depois, é que o PP-VJB foi substituído por um novo Boeing 707-441, matriculado PP-VJJ. O PP-VJJ foi o último Boeing 707 da série -400 a ser fabricado.

Em 1963, os dois Caravelles remanescentes, devido à sua pequena capacidade de passageiros, foram vendidos. A frota de jatos da Varig foi acrescida, entretanto, de três Convair 990 Coronado, adquiridos pelo consórcio REAL-Aerovias-Nacional, absorvido pela Varig. Em 1965, a Varig passou ainda a operar dois Douglas DC-8 que vieram da Panair do Brasil, cujas operações foram suspensas pelo Governo Federal por razões até hoje não muito bem explicadas. A Varig foi a única empresa aérea do mundo a operar simultaneamente os três modelos de quadrijatos americanos da primeira geração.

Em agosto de 1965, a Varig resolveu aumentar sua frota internacional, encomendando novas aeronaves Boeing 707 da série -300, com motores turbofan Pratt & Whitney JT-3D, que se tornaram depois os modelos definitivos do 707. Os primeiros aviões 707-341C a operar na Varig, matriculados PP-VJR e PP-VJS, chegaram ao Brasil em 28 de dezembro de 1966. Em 22 de março do ano seguinte, chegou o PP-VJT. Essas três aeronaves foram os únicos Boeing 707-341C encomendados diretamente ao fabricante pela Varig. As demais 14 aeronaves foram encomendadas por outros operadores antes da Varig e várias chegaram ao Brasil já bastante usadas.

Todos os Boeing 707 série -300 operados pela Varig eram tipo Combi, conversíveis carga-passageiro. Como as passagens eram caras, o transporte de carga compensava a eventual falta de passageiros. Os Boeing 707 foram o esteio da aviação internacional da Varig para a Europa, Estados Unidos e Japão até a chegada dos McDonnell-Douglas DC-10, em 1974. A linha para o Japão. via Los Angeles, foi reiniciada em 1968 com a chegada dos Boeing 707-300C.

Sem dúvida alguma, os Boeing 707 marcaram toda uma época na aviação brasileira, assim como aconteceu no resto do mundo. Mas a carreira deles foi bastante conturbada. A primeira perda, já citada, foi a do PP-VJB em 1962. Em 07 de setembro de 1968, o PP-VJR foi perdido em um incêndio no hangar da Varig no Aeroporto do Galeão, durante trabalhos de manutenção. Um mecânico, ao trocar as garrafas de oxigênio resolveu lubrificar as conexões com graxa, que entrou em combustão espontânea e incendiou a aeronave inteira.

Em 1969, o Boeing 707-345C PP-VJX foi sequestrado duas vezes e desviado para Cuba, mas sem vítimas a bordo. Em 1970, o PP-VJX foi novamente sequestrado, tornando-se uma espécie de recordista mundial nesse tipo de evento.

Em 9 de junho de 1973, o PP-VLJ, um B707-327C, acidentou-se na aproximação da pista 14 do Aeroporto do Galeão, proveniente de Viracopos. Era um voo de carga, com quatro tripulantes a bordo. O avião caiu no mar devido à operação marginal dos spoilers na aproximação, batendo nas torres do ALS e afundando na Baía da Guanabara. Dois dos quatro tripulantes faleceram no acidente.

Pouco mais de um mês depois, uma tragédia muito maior atingiu o voo Varig 820, operado pelo B707-345C matriculado PP-VJZ. Um incêndio na cabine de passageiros, iniciado em um dos toaletes traseiros, forçou a tripulação a pousar antes da pista do Aeroporto de Orly, em Paris, em 11 de julho de 1973. Embora o pouso tenha sido bem sucedido, somente um, dos 117 passageiros a bordo, sobreviveu. Dos tripulantes, 10 dos 17 a bordo sobreviveram, se refugiando dentro do cockpit e saindo do avião pelas janelas do mesmo, após o pouso. As mortes foram causadas pela fumaça tóxica a bordo. Até aquela data, foi o pior desastre aéreo da Varig e de qualquer avião matriculado no Brasil.

A vítima seguinte foi o PP-VJT, um B707-341C, em 11 de junho de 1981. Essa aeronave fazia um voo de carga para o Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, e aquaplanou na pista encharcada quando pousou com velocidade de 148 Knots, batendo no balizamente, o que causou o colapso do trem de pouso direito e perda total da aeronave. Não houve vítimas entre os 3 tripulantes da aeronave.

Os Boeing 707 utilizados pela Varig frequentaram as principais rotas da empresa por muitos anos, e podiam ser vistos quase diariamente nos aeroportos de Paris, Nova York, Londres, Tóquio, Lisboa, Madri e Johannesburgo. Essa aeronave foi responsável pela grande expansão nas rotas internacionais da empresa nos anos 60 e 70.

Para os pilotos, era uma aeronave complexa e manhosa. Seus comandos de voo, mecânicos, exigiam bom preparo físico por serem pesados. Como jato de primeira geração era pouco automatizado, dando muito trabalho aos tripulantes, em especial ao engenheiro de voo. O sistema de navegação por radar Doppler, introduzido nos pioneiros VJA e VJB, era bastante complicado e impreciso, e a margem de erro em um longo voo de 11 horas para a Europa, por exemplo, podia chegar a 20 milhas náuticas. O cockpit da aeronave era apertado para os 6 tripulantes, especialmente em longos voos de carga, lembrando, nas palavras do experiente Comandante José Geraldo de Souza Pinto, um submarino.

A partir de 1974, os Boeing 707 começaram a ser progressivamente substituídos por aeronaves wide-bodies, os McDonnell-Douglas DC-10, inicialmente nas linhas de maior prestígio e movimento. Como resultado disso, muitos passaram a atender linhas africanas, como Abdijan e Joahannesburgo, e voos exclusivos de carga. Em 1979, os dois pioneiros 707-441 foram vendidos.

Ainda em 1979, ocorre o misterioso desaparecimento do PP-VLU. A aeronave decolou do Aeroporto de Narita, no Japão, com destino a Los Angeles e Galeão, às 20 horas e 23 minutos do dia 30 de janeiro de 1979. Era um voo de carga, que carregava, entre outros ítens, 153 quadros do pintor japonês, naturalizado brasileiro, Manabu Nabe. O comandante do avião, 22 minutos depois de decolar, fez a primeira comunicação com os órgãos de controle de tráfego aéreo, e tudo estava normal. Mas não houve nenhuma outra comunicação e o PP-VLU desapareceu para sempre, sem deixar vestígios. Até hoje, ninguém sabe o que aconteceu com o avião. O comandante do voo, Gilberto Araújo da Silva, que também comandava o malfadado voo 820 em Orly, em 1973, e mais cinco tripulantes se foram junto com o avião.

A década de 1980 representou o fim da linha para os Boeing 707 na empresa. Em 1982, a Transbrasil comprou o PP-VJS, último remanescente da encomenda original de 707-441C feita à Boeing em 1965. Em 1986, a Força Aérea Brasileira resolve adquirir da Varig quatro aeronaves, para convertê-los em aviões tanques para reabastecimento no ar KC-137.

O primeiro desses aviões deveria ter sido o PP-VJK. No último voo que a aeronave fazia na Varig, antes de ser entregue à FAB, em 03 de janeiro de 1987, o VJK perdeu o motor #1, algum tempo depois de decolar de Abdijan, Costa do Marfim. Ao retornar ao aeroporto, a tripulação perdeu o controle da aeronave e a mesma se precipitou na selva, matando 12 tripulantes e 38 passageiros. Milagrosamente, um dos passageiros sobreviveu ao desastre.

Os aviões selecionados pela FAB foram os PP-VJK (FAB 2400), PP-VJY (FAB 2401), PP-VJX (FAB 2402) e PP-VJH (FAB 2403). Com a perda do PP-VJK, a Varig substituiu-o em março de 1987 pelo PP-VLK, que se tornou o FAB 2404. As aeronaves começaram uma nova carreira como aviões militares, inclusive transportando por um bom tempo o Presidente da República, e estão em serviço até hoje. A história dos KC-137 da FAB foi contada no artigo publicado neste blog no link: http://culturaaeronautica.blogspot.com/2009/08/os-boeing-707-na-forca-aerea-brasileira.html.

Finalmente, a Varig retirou de serviço seus últimos 707 em 1989, e todos os remanescentes foram vendidos.

Logo abaixo, pode se ver a relação completa dos Boeing 707 operados pela Varig em seus 29 anos de carreira. Seis dos vinte aviões foram perdidos em acidentes na empresa, e um foi destruído no hangar:

PP-VJA: Boeing 707-441, c/n 17905, comprado novo e entregue em 07 de junho de 1960. Foi vendido em 10 de abril de 1979 para a RDC Marine, como N59RD. Desmontado em Houston em 1990;

PP-VJB: Boeing 707-441, c/n 17906, comprado novo e entregue em 16 de junho de 1960. Acidentou-se com perda total em Lima, Peru, em 27 de novembro de 1962;

PP-VJH: Boeing 707-320C, c/n 20008, comprado novo e entregue em 14 de julho de 1969. Vendido para a FAB em 13 de março de 1986, onde opera até hoje como FAB 2403. Atualmente estocado;

PP-VJK: Boeing 707-379C, c/n 19822, comprado novo e entregue em 04 de novembro de 1968. Acidentou-se com perda total em Abdijam, Costa do Marfim, em 03 de janeiro de 1987;

PP-VJJ: Boeing 707-441, c/n 18694, comprado novo e entregue em 22 de outubro de 1963. Vendido em 03 de setembro de 1979 para a RDC Marine, como N58RD. Provavelmente desmontado em Goma, Uganda, onde sofreu um incidente em 20 de dezembro de 1991;

PP-VJR: Boeing 707-341C, c/n 19320, comprado novo e entregue em 28 de dezembro de 1966. Foi destruído em um incêndio no hangar da Varig no Aeroporto do Galeão, em 07 de setembro de 1968;

PP-VJS: Boeing 707-341C, c/n 19321, comprado novo e entregue em 28 de dezembro de 1966. Foi vendido para a Transbrasil em 29 de setembro de 1982. Desmontado em Kansas City entre 1999 e 2000;

PP-VJT: Boeing 707-341C, c/n 19322, comprado novo e entregue em 22 de março de 1967. Acidentou-se com perda total em Manaus/AM, em 11 de junho de 1981;

PP-VJX: Boeing 707-345C, c/n 19842, comprado pela Seabord, mas não entregue. Veio novo e entregue em 06 de agosto de 1968. Foi sequestrado três vezes. Foi vendido para a FAB em 12 de novembro de 1986, onde opera atualmente como FAB 2402;

PP-VJY: Boeing 707-345C, c/n 19840, arrendado da Seabord em operação de lease back, veio novo e entregue em 26 de fevereiro de 1968. Foi vendido para a FAB em 04 de julho de 1986, onde opera até hoje como FAB 2401. Voou muito tempo como aeronave presidencial, e apelidado pejorativamente de "Sucatão";

PP-VJZ: Boeing 707-345C, c/n 19841, arrendado da Seabord em operação de lease back, veio novo e entregue em 06 de março de 1968. Acidentou-se com perda total nas proximidades de Orly, França, em 11 de julho de 1973 (foto abaixo).

PP-VLI: Boeing 707-385C, c/n 19433, fabricado em 1966, comprado usado da American Airlines, onde era N8400 e entregue em 1º de setembro de 1971. Vendido em junho de 1989 para a ALG/Buffalo AW. Acidentou-se em Asmara, na Eritréia, em 25 de março de 1991;

PP-VLJ: Boeing 707-327C, c/n 19106, fabricado em 1966, foi comprado usado da Braniff, onde era N7097, e entregue em 24 de novembro de 1971. Acidentou-se com perda total no Rio de Janeiro, em 9 de junho de 1973;

PP-VLK: Boeing 707-324C, c/n 19870, fabricado em 1968, foi comprado usado da Continental, onde era N47332, e entregue em 30 de março de 1972. Foi vendido para a FAB em 16 de março de 1987, onde opera até hoje como FAB 2404;

PP-VLL: Boeing 707-324C, c/n 19871, fabricado em 1968, foi comprado usado da Continental, onde era N67333, e entregue em 14 de abril de 1972. Foi vendido para a Ecuator Leasing em 2 de dezembro de 1987. Desmontado em Luanda, Angola, em 1999;

PP-VLM: Boeing 707-324C, c/n 19869, fabricado em 1968, foi comprado usado da Continental, onde era N47331, e entregue em 04 de setembro de 1972. Vendido para a Ecuator Leasing em 14 de novembro de 1987. Estocado em Luanda, Angola, desde 1999.

PP-VLN: Boeing 707-324C, c/n 19177, fabricado em 1966, foi comprado usado da Continental, onde era N17325, e entregue em 7 de abril de 1973. Foi vendido para a ALG/Buffalo em agosto de 1989. Desmontado em Ostend, Bélgica, onde foi abandonado pela Uganda Airways, em 30 de junho de 2004 (foto abaixo).

PP-VLO: Boeing 707-324C, c/n 19350, fabricado em 1966, foi comprado usado da Continental, onde era N17327, e entregue em 7 de abril de 1973. Foi vendido para a Heavylift em 23 de janeiro de 1990 e provavelmente ainda opera na Trast Aero, no Quirquistão, como EX-120;

PP-VLP: Boeing 707-323C, c/n 18940, fabricado em 1965, foi comprado usado da American Airlines, onde era N7561A, e entregue em 20 de abril de 1973. Foi vendido em 20 de junho de 1989 para a ALG/Buffalo. Voou provavelmente até 2006 e está estocado em Sharjah, Emirados Árabes Unidos;

PP-VLU: Boeing 707-323C, c/n 19235, fabricado em 1966, foi comprado usado da Continental, onde era N7562A, e entregue em 28 de março de 1974. Desapareceu no Oceano Pacífico, após decolar de Narita, Japão, em 30 de janeiro de 1979.

Botticelli



Retrato de Dante Alighieri (1495) 

Dante nasceu em Florença, em 1265. Entre 1292 e 1293, dos 27 aos 28 anos, escreve a obra que seria a matriz da língua italiana e, alguns séculos antes de Stendhal, de um estilo literário: o que expõe, sem o intermédio de um narrador fictício, a história pessoal de seu autor.

Outros poetas populares já tinham se expressado na língua falada pelos habitantes da Toscana, mas Dante é o primeiro a abandonar o latim para criar, nesse “dolce stil nuovo”, logo no primeiro dos 35 poemas que compõem o “Vita Nuova”, o ponto de partida para a poesia lírica que vai marcar toda a sua geração. Em “Vita Nuova”, que não é só poesia, tem trechos em prosa, comentários teóricos, já encontramos o pai da língua moderna italiana.

Em sua obra-prima, “Commedia”, escrita inteiramente na que viria a ser a língua literária italiana, e que é obra poética fundamental para a literatura mundial, o poeta relata uma viagem imaginária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, uma alegoria do percurso do homem em busca de si mesmo.

Dante é, sem dúvida, um dos maiores gênios de toda a história dos feitos humanos. Basta lembrar que não é dele o título “A Divina Comédia”. A ele bastou intitular seu poema “Comédia”: o “Divina” é por conta da admiração que despertou e desperta.

Sandro Botticelli, homem do Renascimento e florentino apaixonado por sua cidade, pintou o retrato de seu conterrâneo como homenagem ao grande poeta que em vida sofreu o que não merecia: o exílio. Por motivos políticos mesquinhos e tortuosos, Dante Alighieri foi afastado de sua amada Florença e morreu no exílio, em Ravenna. No seu túmulo está gravado "Florença, mãe de pouco amor".

Se Botticelli não sofreu o exílio, sofreu outras ingratidões, vivo e morto. Não fora pela ajuda dos Medici, velho e doente, teria morrido de fome. E depois de morto, ficou esquecido durante dois séculos. É a John Ruskin, o excelente crítico de arte inglês do século XVIII, que devemos a redescoberta das obras do imenso pintor que ele foi. (Do Blog do Noblat)

Botticelli nasceu em 1445 e faleceu em 1510.
Acervo coleção particular, Genebra, Suíça.


Fontes
http://www.classicitaliani.it/index044.html
http://www.pileface.com/sollers/article.php3?id_article=312
Encyclopedia Britannica

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Papo do Editor

Sábado trabalhoso

Sidney Borges
Acabei de salvar uma vespa. Não fosse a minha intervenção e ela teria um destino triste e doloroso. Morreria de inanição, sem comida e água.

Não sei o que pensam as vespas, devem pensar alguma coisa, acho que até as minhocas e aquelas formiguinhas que parecem poeira e que surgem do nada, também pensam. Pois a vespa foi parada pela barreira invisível do vidro da cozinha.

A luz chegava até os olhos, mas por mais que ela tentasse voar só conseguia esmagar as antenas contra o ar endurecido. Imagino a adrenalina, o medo, o suor e o batimento cardíaco acelerado.

Como inteligência faz falta! Ela nem pensou em voar para o lado oposto.

A vespa que salvei era uma dessas que constroem casas coletivas, incapaz de fazer alguma coisa diferente do manual. Suas primas, as vespas hospedeiras, são individualistas e mais inteligentes, conseguem entrar em um ambiente escuro, passear e sair pelo lugar por onde entraram, nunca ficando presas.

Com um copo e um cartão tirei a criatura do vidro e a soltei. Dá uma sensação agradável salvar um bicho, ainda que seja uma vespa. Tenho no currículo a salvação de milhares de formigas, dezenas de passarinhos, algumas aranhas, um gafanhoto e um bagre.

Vou levar uma cópia para o dia do confronto com São Pedro.

Agora é hora de conversar com a samambaia que tem idéias interessantes sobre política e embora manifeste nítidas preferências, sempre nega a parcialidade.

"Sua Boba" - esse é o nome dela - arrasta folhas pelos verdes e até brilha quando Marina é mencionada.

A eleição tá aí.

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Eleições 2010

Fim da lenga-lenga

Sidney Borges
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), saiu de cima do muro. Não disse sim nem não, mas deixou claro nas entrelinhas que será candidato à Presidência da República. Enquanto eu discutia a nova com um amigo, ao telefone, meu cachorro Brasil deu um longo bocejo.

- Está querendo dizer alguma coisa cachorro?

- Grufhmzgrt, ele resmungou balbuciando.

Entendi, depois de quase 10 anos de convívio falo cachorrês.

Brasil disse que a notícia é requentada, os gatos, as lagartixas e o rato cinzento que moram em casa já sabiam. Quem mais senão Serra?

Entusiasmado continuou: a proposta desenvolvimentista encontra em Serra o candidato ideal pois a origem da estabilidade...

- Chega! Tive de gritar interrompendo.

Brasil é prolixo, fala pelos cotovelos. Adora Celso Furtado.

"Faltam poucos dias... no começo de abril"

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Opinião

Uma lição para o Itamaraty

Editorial do Estadão
A última moda da diplomacia brasileira é a teoria do "novo olhar". Algo assim: por não ter interesses estratégicos, militares e econômicos que restringiriam o seu campo de visão diante do impasse israelense-palestino, o Brasil, ao contrário das grandes potências, estaria em condições de focalizar de uma perspectiva original os obstáculos à paz no Oriente Médio e os caminhos para superá-los. Não se pergunte, para poupar do constrangimento os autores dessa tese fabulosa, no que consistiriam as descobertas brasileiras em relação ao mais esquadrinhado dos conflitos internacionais. Mas é impossível deixar de contrastar o pretenso novo olhar do Itamaraty sobre o Levante com o seu velho e embaçado olhar - este sim, absolutamente real - sobre as violações dos direitos humanos no mundo.

No foro apropriado para essas questões, no âmbito das Nações Unidas, o comportamento do Brasil é o que há de anacrônico. Embora a proteção da pessoa contra a violência do Estado equivalha a uma cláusula pétrea da Carta da ONU, concebida quando ainda fumegavam os fornos crematórios do nazismo, a guerra fria tornou praticamente inócuas as prescrições humanitárias do documento. Do alto de seu poder de veto no Conselho de Segurança, Estados Unidos e União Soviética bloqueavam todas as tentativas de sancionar os crimes dos respectivos governos aliados (quando não os próprios, no caso da URSS) enquanto travavam batalhas retóricas que apenas serviam para entravar a causa dos direitos humanos. Com a queda do Muro de Berlim, no entanto, essa causa assomou na agenda internacional.

Avançou-se menos do que ainda há para avançar. Ainda assim, os países tendem a ser cada vez mais avaliados pelo seu desempenho nessa matéria e pelas suas posições nas instituições multilaterais que dela se ocupam, a começar do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Ali, o retrospecto brasileiro é de quem parou no tempo de olhos fechados (ou seletivamente abertos). A pretexto de evitar a "politização" dos debates, a representação brasileira se recusa a apoiar os esforços de outros governos e de ONGs humanitárias para condenar violações notórias em países como Cuba, Irã, Coreia do Norte, Sudão, Congo, Mianmar e Sri Lanka, por exemplo. Os acusados, sustenta o Itamaraty, devem ser livres para aceitar ou não as "recomendações" da ONU, e ao Brasil não cabe criticar países específicos.

Depois que o presidente Lula comparou os dissidentes cubanos encarcerados a presos comuns, não será o Itamaraty que apoiará em Genebra uma resolução da Noruega, contra a qual Cuba é a primeira a se opor, para que os governos deixem de chamar de terroristas os seus prisioneiros políticos. Em relação ao regime homicida do iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o máximo que o Brasil se permitiu foi declarar-se "preocupado" com a situação dos direitos humanos no país e sugerir mudanças. A posição oficial é de "encorajar" o Irã a manter "um diálogo respeitoso com grupos políticos e sociais diferentes". Abrir uma investigação sobre os crimes de Teerã, como defendem países europeus, nem pensar. O negociador-chefe iraniano em Genebra ficou "satisfeito" com a atitude brasileira. Cedo ou tarde, isso dá em desmoralização.
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Manchetes do dia

Sábado, 20 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Manchete: Serra assume candidatura com elogio ao governo Lula"

'Queremos que o Brasil continue bem e até melhore', afirma o tucano

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assumiu publicamente a candidatura à Presidência. Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, o tucano elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas procurou minimizar sua influência ao processo eleitoral. "O Lula fez dois mandatos, está terminando bem o governo. O que nós queremos para o Brasil? Que continue bem e até melhore", disse Serra, que atribuiu o desempenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à exposição dela. Segundo o governador, o eleitor fará um "juízo mais pessoal" sobre os postulantes ao Planalto: "A partir de certo momento, a população vai julgar não quem já foi presidente ou quem é, mas quem é candidato".

O Estado de São Paulo
"Serra assume candidatura ao Planalto"

Em entrevista a emissora de TV, governador anuncia que iniciará campanha em abril e diz que alta da ministra Dilma Rousseff nas pesquisas não o assusta

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assumiu pela primeira vez sua candidatura à Presidência. Em entrevista à TV Bandeirantes, Serra, questionado sobre quando lançaria a candidatura, disse: "No começo de abril". O tucano afirmou que o avanço da pré-candidata petista, Dilma Rousseff, nas pesquisas "não assusta" e que isso já era esperado "pelo grau de exposição dela". A respeito da campanha, Serra disse que seria "pretensioso" comparar-se a Dilma, mas afirmou que o eleitor vai decidir "quem é mais capaz de garantir as coisas boas e melhorá-las e quem é capaz de enfrentar os problemas", razão pela qual o que pesa "é o passado" dos candidatos, "como é que foi provado na vida pública". Sobre o vice em sua chapa, Serra disse que é uma escolha a ser feita "muito mais adiante".

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sexta-feira, março 19, 2010

Interpol

Dr. Paulo. Procurado

Sidney Borges
Pobre Dr. Paulo, mais uma vez vítima de caluniadores. Um homem probo, que nunca teve nem terá contas no exterior, aparece no cartaz da Interpol como procurado. Isso significa que caso ele resolva colocar os pés fora do Brasil será encarcerado. Xilindró. Dr. Paulo vai sentir falta dos tempos em que podia viajar e passar parte do ano na deslumbrante Paris, onde dizem, possui belíssimo apartamento. Quem terá armado essa para o homem mais honesto deste país, segundo ele mesmo. Incas Venusianos? Vai saber...

Botticelli


O Retrato de Uma Beleza Ideal (1480)
 
Simonetta Cattaneo de Vespucci (apelidada la bella Simonetta; ca. 1453 – 26 April 1476) foi a beleza mais cantada de seu tempo. Nesse retrato póstumo feito por Botticelli podemos ver porque ela encantou tanto os florentinos mais importantes de seu tempo. Foi pintada por muitos artistas e homenageada por outros tantos poetas.
 
Piero di Cosimo, ao fazer “O Retrato de Simonetta”, a caracterizou como Cleópatra, com a áspide em torno do pescoço; para Botticelli ela era o ideal de beleza e apesar desse fato não estar documentado, há quem acredite que ela é a Vênus e a Atenas de “O Nascimento de Vênus” e de “Atenas doma o centauro”, respectivamente.
 
Segundo registros deixados por contemporâneos dos dois, ela foi a paixão do pintor e creio não haver dúvidas quanto a isso: ele está, como deixou pedido por escrito, enterrado aos pés dela na Igreja de Todos os Santos (Ognissanti), a paróquia da família Vespucci em Florença. É de notar que ele faleceu 34 anos depois dela: Simonetta morreu muito jovem, aos 22 anos, provavelmente tuberculosa.
 
Nascida na Ligúria, foi para Florença após seu casamento, aos 15 anos, com Marco Vespucci, um nobre florentino que era primo distante de Américo Vespucci, o cartógrafo e navegador. Seu enterro foi acompanhado por uma multidão, Florença inteira lastimou sua morte. Seu marido, no entanto, não ficou viúvo muito tempo...
 
Foi a ligação com a família Vespucci que permitiu que Botticelli e ela se tornassem amigos. Logo ela ficou conhecida em toda Florença pelo encantamento que sua beleza despertava. Não tardou para que os Medici a cobiçassem.
 
Num célèbre torneio de 1475, Giulianno de Medici se inscreveu carregando uma flâmula com o retrato de Simonetta usando o elmo de Palas Atenas, pintado pelo próprio Botticelli, com a inscrição em francês, “La Sans Pareille” (A Sem Igual). Ele ganhou não só o torneio como o amor de Simonetta. Mas não há documentos comprovando que tenham sido amantes.
 
No retrato pintado por Botticelli ela está usando um colar que remete à família Médici. A obra primeiramente foi instalada no salão nobre de um imenso palácio florentino como parte de uma série de painéis entre os quais havia um retrato de Giulianno, só o perfil, exatamente o inverso do dela, como se estivessem a se olhar. (Do Blog do Noblat)

Técnica mista em painel de madeira, mede 82 x 54 cm.
Acervo Museu Städel, Frankfurt, Alemanha

Fontes
www.staedelmuseum.de/sm/index.php?StoryID=337&ObjectID=169
http://en.wikipedia.org/wiki/Simonetta_Vespucci

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Mudanças

Devagar vamos em frente

Sidney Borges
Depois de muitas tentativas e a providencial ajuda do amigo Allan Benetti, homem de múltiplos talentos, consegui tirar as bolinhas do fundo da página. Há quem reclame do texto do lado direito. Com o tempo a gente acaba acostumando, eu mesmo não estou totalmente adaptado.

Com a nova formatação poderemos fazer consultas e aferir a opinião dos leitores sobre o que acontece em Ubatuba. É um avanço significativo. Outros virão.

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Coluna do Celsinho

Objeto misterioso

Celso de Almeida Jr.
Fico admirado com o poder do dinheiro.

Incrível...

Desafetos viram amiguinhos.

Mulheres descobrem o charme de um narigão.

Até aquela roupa surrada ganha um toque especial; vira estilo...

Cumprimentos a todo instante, telefonemas amáveis, propostas sedutoras.

Pois é, leitores queridos.

Recentemente vivi uma experiência assim.

Acho que foi arte de algum amigo espirituoso; gozador.

Pode ser...

Acontece que, por 48 horas, fui paparicado como nunca por uma figurinha carimbada.

Experimentei entrar no jogo, fazendo-me de milionário.

Impressionante!

Apesar de ator medíocre, quando revelei minha dureza, soou falso.

Demorou a perceber.

Mas, enfim, a realidade.

A deliciosa distância.

A paz.

Bom, muito bom!

Nada como os amigos verdadeiros.

Aqueles que gostam do que somos; não do que temos.

Curiosa esta vida, né?

Com um bom saldo em conta corrente, um carrão incrementado e aquela conversa macia, muitas portas ficam abertas.

Dizem que dinheiro chama dinheiro.

No meu caso, creio que chamaria encrenca.

Continuarei como estou.

Na dureza, mas com grandeza...

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Opinião

Energia nuclear volta à tona

Washington Novaes - O Estadao de S.Paulo
As questões referentes a formatos de energia, já no centro das discussões quando o tema são mudanças climáticas, também por isso alimentam algumas das mais complexas polêmicas de hoje - principalmente a da energia nuclear. E o combustível mais inflamável dessa polêmica é o mais recente livro de James Lovelock, "pai" da "Teoria Gaia", que entende o universo como um organismo vivo. Lovelock, que já foi adversário acirrado da energia nuclear, agora pensa (Gaia: Alerta Final, Editora Intrínseca, 2010) que não há tempo para esperar outro formato eficaz de redução nas emissões de poluentes, a não ser a energia nuclear. Considera pequenos os riscos de acidentes na operação (no pior desastre, Chernobyl, morreram 70 pessoas, diz). Quanto à falta de destinação para os perigosos resíduos das usinas, afirma que o lixo nuclear de uma geradora de mil MW "cabe num táxi", e terá sua radioatividade comparável à do urânio natural em 600 anos. Mas ressalva que não considera a energia nuclear a melhor opção para o Brasil, que tem feito "um bom trabalho com hidrelétricas"; só para países populosos com restrições de espaço.

Seja como for, há uma ofensiva no mundo em favor da energia nuclear. Mas também surgem estudos - até estritamente econômicos - para apontar seus problemas e sua inviabilidade. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, hoje há 53 usinas nucleares em construção no mundo, para gerar 47.223 MW até 2017. Elas se somarão às 436 em operação, com 370.304 MW, que correspondem a 17% da energia total. A elas se devem juntar mais 135 em fase de planejamento (148 mil MW), que elevarão a potência instalada em 50%. China (16 usinas), Grã-Bretanha (10), Rússia (9), Índia e Coreia do Sul (6 cada), Bulgária, Ucrânia, Eslováquia, Japão e Taiwan (2 cada) são os países com maior número de projetos (O Globo, 25/1). Mas nos EUA, com mais uma usina em construção (já tem 104, ou 19% da energia total), o presidente Barack Obama anunciou em fevereiro medidas que estimularão esse setor. Ao todo, US$ 54,5 bilhões para várias usinas - embora haja muitas controvérsias internas, já que não há destinação final para resíduos, que continuam armazenados em "piscinas" nas próprias geradoras (o depósito "final" em implantação sob a Serra Nevada continua embargado pela Justiça). Os Emirados Árabes Unidos tocam seu projeto, assim como a Argentina, a Finlândia, a França, o Irã, a Indonésia. Na Itália, que renunciou à energia nuclear em 1987, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi está oferecendo incentivos financeiros a municípios que aceitem novas usinas. O argumento central é o de que a Itália importa 85% da energia que consome.

Por aqui, o presidente da República e a ministra Dilma Rousseff continuam a defender novas usinas, além de Angra 3, que já teve licença prévia do Ministério do Meio Ambiente. Seu argumento principal é de que sem elas teremos problemas de abastecimento de energia, por causa das "dificuldades ambientais" no licenciamento de hidrelétricas. Só não se sabe ainda onde serão e quantas (fala-se de 4 a 8). Mas isso não elimina polêmicas. Ainda por ocasião dos mais recentes deslizamentos de terra e mortes que levaram à interdição da BR-101 perto de Angra dos Reis, o prefeito dessa cidade pediu o fechamento de Angra 1 e 2, argumentando que não haveria como evacuar a população se um deslizamento ameaçasse uma das usinas. Não foi atendido. E num recente programa Roda Viva, na TV Cultura de São Paulo, o professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que será o coordenador da política científica brasileira na área do clima, ao comentar números sobre a elevação do nível do mar no litoral fluminense, respondeu que se deveria ter muito cuidado no licenciamento de Angra 3, tendo em vista essa questão e os depósitos de lixo nuclear nas duas usinas já em funcionamento.

Mas a questão da segurança não é a única polêmica. Na Europa, nova discussão está em curso, após a divulgação (IPS/Envolverde, 27/2) de estudo do Citibank, sobre riscos tecnológicos e financeiros dos projetos nucleares. Diz ele - New Nuclear - the economics say no - que esses riscos são tão altos que "podem derrubar financeiramente as maiores empresas de serviços públicos. Uma usina de mil MW, afirma, pode custar US$ 7,6 bilhões e levar 20 anos para dar lucro - impraticável para empresas.

Entre nós, as notícias sobre investimentos no setor de energia ainda não contabilizam futuros projetos na área - a não ser Angra 3. Segundo o BNDES (Estado, 28/2), os novos projetos de geração, transmissão e distribuição de energia no País absorverão 33,6% dos R$ 274 bilhões que serão investidos na infraestrutura em quatro anos. Aí se incluem R$ 20 bilhões para as usinas do Rio Madeira, R$ 8 bilhões para Belo Monte e R$ 8 bilhões para usinas eólicas. Mas a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia afirma (Agência Estado, 28/2) que as tarifas no setor no Brasil só perdem para as da Alemanha; as residenciais são mais altas que as da Noruega (US$ 184 por MWh ante US$ 48), enquanto as industriais aqui chegam a US$ 138 por MWh, ante US$ 68 no Canadá.

Outra polêmica entre nós está no licenciamento e na implantação de usinas termoelétricas muito poluentes, também com o argumento de que é preciso tê-las de reserva, para a hipótese de a oferta de energia não ser ampliada. O BNDES em 2009 financiou R$ 2,6 bilhões para projetos nessa área, mais de metade do total destinado ao setor elétrico, contemplando projetos de 30 mil MW de energia térmica para serem implantados até 2030. (Folha de S.Paulo, 20/12/2009).
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 19 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Acerto entre empreiteiras envolveu até prédio da PF"

'Consórcio paralelo' foi feito para construir instituto que apura fraudes

Auditoria do governo e inquérito da Polícia Federal concluíram que empreiteiras montaram um "consórcio paralelo" para construir a sede do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, informam Leonardo Souza e Renata Lo Prete. No INC trabalham peritos que investigam esses consórcios, formados para driblar processo de licitação. As quatro empresas acusadas de fraudar a concorrência da sede do INC puseram as cláusulas do acerto em contrato, no qual detalham a divisão "por fora". O acordo veio à tona parque a empreiteira vencedora, a Gautama, deu calote nas demais. Com isso, uma das empresas "prejudicadas", a Atlanta, entrou com ação, na Justiça para fazer valer o esquema paralelo. Em 2007, a Gautama foi alvo da PF na Operação Navalha, que apontou superfaturamento e desvio de verba pública em obras espalhadas pelo país. A empreiteira e as demais envolvidas na caso (Atlanta, Vértice e Habra) não falaram sobre as acusações.

O Estado de São Paulo
"Arrecadação sobe, mas governo decide bloquear verbas"

Com despesa em alta, medida é necessária para garantir superávit

Mesmo com arrecadação recorde de impostos no primeiro bimestre, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) anunciou o bloqueio de R$ 21, 805 bilhões do Orçamento do ano. O ajuste é necessário para adequar as despesas à previsão de arrecadação estipulada na Lei de Diretrizes Orçamentárias, que está muito acima das novas projeções de receita feitas pelo governo. O corte - o maior feito no governo Lula, disse Bernardo - tem como objetivo mostrar compromisso, mesmo em um ano eleitoral, com o cumprimento da meta de superávit primário equivalente a 3,3% do PIB neste ano. Segundo ele, é uma medida de cautela, e as áreas afetadas não incluem educação, saúde e o Programa de Aceleração do Crescimento. A Receita informou que a arrecadação de impostos do primeiro bimestre foi de R$ 126,56 bilhões, com crescimento real de 13.46% ante o mesmo período de 2009.

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quinta-feira, março 18, 2010

O que é?

Energia misteriosa faz dez anos sem ganhar explicação

RAFAEL GARCIA da Folha de S.Paulo
Uma das maiores descobertas da história da astronomia está completando uma década neste ano, mas cientistas não têm muita motivação para comprar um bolo e tornar a data uma comemoração. Em 1998, dois grupos de pesquisa independentes descobriram que o Universo está se expandido de maneira acelerada --algo que ninguém esperava. Passados dez anos, a força que move esse fenômeno já tem um nome --energia escura--, mas ninguém ainda sabe o que ela é.

"Não estamos mesmo muito mais perto da resposta do que estávamos antes", disse à Folha Robert Kirshner, astrônomo da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA). "Mas estamos bem convencidos hoje de que essa coisa existe, e esse sinal não se foi nos últimos anos. Na verdade se tornou melhor, mais evidente."

Kirshner foi um dos astrônomos com papel crucial na descoberta de 1998. Ele inventou uma maneira de analisar a luz de supernovas (explosões de estrelas) em galáxias que se afastam da Terra a alta velocidade para estimar quão distantes elas estão. Sob liderança de Adam Riess, ex-aluno de Kirshner, astrônomos usaram essa técnica para fazer um grande mapeamento do Universo, mostrando que as galáxias mais distantes estão se afastando cada vez mais rápido.

Os astrônomos demoraram para acreditar no que estavam vendo. Já se sabia desde 1929 que o Universo estava em um movimento de expansão, que tinha iniciado com o impulso do Big Bang, a explosão que o originou. Todos achavam, porém, que a força da gravidade de toda a massa que existe no cosmo acabaria freando esse impulso alguma hora.

"No final de 1997, quando estavam saindo as primeiras análises de Adam Riess, ele me disse "Cuidado aí! Parece que nós estamos obtendo massa negativa". Eu respondi então: "Você deve estar fazendo algo errado. Tem certeza de que não esqueceu de dividir por pi?"

Mas não era um erro na fórmula. Os astrônomos ficaram tão chocados quanto Isaac Newton ficaria ao ver uma maçã caindo para cima. Não é possível perceber a energia escura em pequena escala --maçãs costumam cair para baixo aqui na Terra--, mas na escala cosmológica essa força está agindo contra a gravidade, afastando as galáxias umas das outras.
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Papo do Editor

Tentar é permitido...

Sidney Borges
Quem é alfabetizado em matemática conhece o teorema de Pitágoras. "No triângulo retângulo o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos."
a2 = b2 + c2 (leia a elevado ao quadrado; b elevado ao quadrado e c elevado ao quadrado).
(aa = bb + cc)

Desculpe leitor, o editor é analfabeto em HTML.

O último teorema de Fermat, ou teorema de Fermat-Wiles, afirma que não existe nenhum conjunto de inteiros positivos x, y, z e n com n maior que 2 que satisfaça:

xn = yn + zn (leia x elevado a n; y elevado a n e z elevado a n)

Por exemplo, você jamais encontrará três inteiros positivos que satisfaçam:
xxx = yyy + zzz; ou
xxxx = yyyy + zzzz, ou ainda
x (kx) = y (ky) + z (kz) com k inteiro positivo e diferente de 2.

Quando me foi proposto o desafio eu prontamente, no verdor e na audácia da juventude, aceitei. Passei bem uns 20 anos tentando. Não consegui, me faltaram ferramentas matemáticas e neurônios, mas antes de mim muita gente tentou. Durante 300 anos ninguém conseguiu, só em 1994 o matemático britânico Andrew Wiles chegou lá.

Devo confessar que a minha inclinação tende mais para a geometria, por isso também tentei com afinco e dedicação resolver um problema de enunciado simples e solução complexa:

Usando somente régua e compasso, obter a terça parte de um ãngulo dado. Ou, em outras palavras, dividir um ângulo em três partes iguais usando régua e compasso.

Parece simples não é mesmo? Tente.

Esse problema começou a ser resolvido por mim e um por grupo de colegas, em 1963, proposto pelo professor Rui, mestre de matemática do Ginásio Estadual Frei Paulo Luig, em São Paulo.

Em tempo, antes que alguém cometa suicídio, o problema não tem solução.

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Cultura


La hierba

Sidney Borges
Acabo de ler na Folha que o "Instituto de Glauco vai à Justiça contra acusações de daimista." Não vou reproduzir, mas deixo o link aqui aos interessados. O que atraiu minha atenção foram dois parágrafos:

Na internet, além de divulgar uma tese conspiratória de que o Cefluris estaria envolvido na morte de Glauco, Linhares ataca o uso ritualístico de maconha em igrejas daimistas ligadas ao Cefluris.

"Tudo que ele fala é um delírio, mas não vai ficar sem resposta", diz Staub. "Não há um único ritual oficial das igrejas ligadas a nós que faça uso da erva de Santa Maria (maconha)".

Ignorante sobre botânica-alucinógena recorri ao pai dos burros. O Aurélio Digital cita os seguintes sinônimos para maconha: aliamba, bagulho, bengue, birra, diamba, dirígio ou dirijo, erva, fuminho, fumo, fumo-de-angola, liamba, manga-rosa, massa, mato, pango, riamba, tabana-gira; (moç.) soruma, suruma.

O Wikcionário expande, primeiro com sinônimos de salão: aliamba, baga, banza, birga, biricutico, bomba. cannabis, dedo de gorila, fineco, fino, finório, fogueira, jererê, macona, majimba, marijuana, perninha de grilo, rojão, xibaba.

E enriquece nossa cultura com a gíria dos morros: baseado, baum, fino, marafa, feijão, café, bagulho, doce, beck, Brizola, cigarro do capeta, diamba, maranhão, erva, fuminho, fumo, manga rosa, pacal, chuin, caneta, pararau, veneno.

Fica então registrado um novo sinônimo para maconha: erva de Santa Maria. Coisa de louco!

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Região

Nova rodovia no litoral norte de SP terá 8 túneis e 33 viadutos

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO da Folha de S.Paulo (original aqui)
A nova rodovia de 35,5 km que o Estado planeja construir entre Caraguatatuba e São Sebastião, a maior obra no litoral norte de São Paulo desde os anos 70, vai exigir a derrubada de pelo menos 873 imóveis e o corte de 940 mil metros quadrados de mata atlântica.

O tamanho da área desmatada equivale a cerca de dois terços da área do parque Ibirapuera, zona sul de São Paulo. No total, serão desapropriados 363 hectares, ou dois Ibirapueras.

O impacto vai ocorrer mesmo com o projeto "ecológico" desenvolvido pelo governo José Serra (PSDB), inspirado, segundo o secretário Mauro Arce (Transportes), no modelo da nova Imigrantes, com grandes trechos em túneis e viadutos para reduzir o desmate, ainda que com custos muito maiores.

Os dados estão no EIA-Rima (Estudo-Relatório de Impacto Ambiental). Haverá oito túneis, com extensão de 6,2 km, 33 viadutos e oito pontes, números que ainda podem mudar até a conclusão do projeto básico. Também está prevista uma intersecção com o trajeto da nova rodovia dos Tamoios (SP-99), que deve ser duplicada.

A nova estrada é a maior obra no litoral norte desde a construção do porto de São Sebastião. Deve custar cerca de R$ 1 bilhão e durar três anos.

Projetada para eliminar o gargalo rodoviário entre as duas cidades e dar acesso ao porto de São Sebastião, a obra se soma a outras que vão alterar o perfil da economia do litoral norte, com ênfase na atividade portuária e de óleo e gás.

Segundo Arce, o cronograma prevê que a rodovia esteja licenciada até o final deste ano. Ficaria para o próximo governo o modelo de construção (por parceria público-privada, privatização ou verba do Estado).

Na fase de licenciamento, o governo poderá alterar o projeto, adaptando-o a pedidos da comunidade local e de órgãos como o Ibama (ambiental).

Quando for concluída, a estrada vai provocar alterações no trânsito entre São Sebastião e Caraguatatuba, pela Rio-Santos (SP-55), e no interior das duas cidades. São Sebastião terá acesso exclusivo ao porto e uma alça que vai desviar o tráfego dos trechos sinuosos entre o centro da cidade e Guaecá, onde terminará a estrada. Dali, chega-se à balsa para Ilhabela.

O número de 873 imóveis a serem demolidos pode mudar, mas o EIA-Rima já prevê que a maior parte, 373 casas, fica na Topolândia, bairro carente e violento de São Sebastião.

Contrário a novos desmatamentos no litoral norte, o ambientalista Eduardo do Rego, do Conselho Estadual do Meio Ambiente, considera a ampliação da capacidade viária a intervenção de maior impacto ambiental na região em décadas. "A nossa briga era que fosse tudo feito por túnel e viaduto nas áreas de mata. Depois, não dará para voltar atrás."

Nota do Editor - Eduardo do Rego tem razão, o impacto do desmatamento não se reduz aos poucos metros de pistas e acostamentos. Sendo possível construir sobre pilotis e perfurar túneis, não há razão para fazer diferente. O governo deveria saber que preservar o pouco que resta de Mata Atlãntica é da maior importância. Ao lado da nova estrada começarão as invasões e a favelização. Apesar da propaganda oficial dizer que somos desenvolvidos, não acredite, somos bem sucedidos na venda de produtos agrícolas e minério, o que não agrega valores capazes de aplacar a desigualdade. Com o agravante da população não parar de crescer. As péssimas condições de vida de grande parte do povo brasileiro torna o problema da moradia quase sem solução. Apesar da propaganda oficial o panorama não muda. Sem dinheiro para pagar aluguel resta ao trabalhador que chega do Vale do Jequitinhonha ou do interior do Nordeste erguer um barraco. Onde for possível. Como a terra sempre tem dono, o jeito e entrar na mata e abrir uma clareira ao lado de um rio. Onde o esgoto é lançado. Lá embaixo, na beira da praia, os dejetos atravessam boiando condomínios de luxo, exibindo a quem tem a realidade de quem não tem. E la nave va... (Sidney Borges)

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Opinião

Demagogia no pré-sal

Editorial do Estadão
A facilidade com que a Câmara aprovou a emenda que prevê a distribuição para todos os Estados e municípios dos royalties do petróleo e do gás do pré-sal - 369 votos a favor, 72 contra e 2 abstenções ? revela o desejo da maioria dos deputados de agradar a suas bases políticas em ano de eleição e, ao mesmo tempo, sua interpretação, deliberadamente equivocada, do que seja royalty.

A Constituição assegura que os Estados e municípios, "nos termos da lei", terão participação no resultado da exploração do petróleo ou do gás natural. Com base nesse dispositivo e também no fato de os recursos naturais da plataforma continental serem bens da União, os deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG) apresentaram a emenda pela qual os royalties serão distribuídos de acordo com as regras de distribuição dos recursos dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios, independentemente da distância que eles estejam das reservas de petróleo e gás. Garante-se, assim, dinheiro para todos.

A emenda trata os royalties como se fossem tributos (pois os Fundos de Participação são constituídos por parte da receita tributária). Mas não são.

É conveniente lembrar que os royalties são uma espécie de reparação que se paga a um município ou a um Estado pelo uso intenso de seu espaço público ou do patrimônio que lhes pertence para a execução da atividade de exploração do petróleo ou gás. É também uma indenização pelos danos ambientais que essa atividade provoca e também pelo esgotamento de recursos naturais não renováveis.

É claro, também, que a indústria petrolífera tem enorme poder de estimular a economia local - atrai fornecedores de bens e serviços, gerando mais receitas para o poder público -, mas o desenvolvimento gera novas demandas, o que implica investimentos e gastos adicionais do governo.

Cabe indagar se uma exploração a ser feita a mais de 300 quilômetros da costa, como deverão ser as do pré-sal, impõe custos tão grandes para as administrações locais como as geradas por explorações em áreas mais próximas do continente. Convém, neste ponto, lembrar que os autores da emenda representam dois Estados - Rio Grande do Sul e Minas Gerais - distantes dos poços localizados em alto-mar e, pelas regras atuais, com direito apenas a uma parte dos 7,5% dos royalties que cabem aos Estados e municípios fora das áreas produtoras.

Com a emenda, todos os Estados e municípios receberão uma fatia dos royalties igual à que têm direito dos fundos de participação (no caso do FPE, por decisão do STF, até o ano que vem o Congresso terá de aprovar nova forma de partilha de recursos, atualmente concentrada nas Regiões Norte e Nordeste).

É uma mudança brutal, que imporia a perda de R$ 7,6 bilhões por ano para o Rio de Janeiro e Espírito Santo. Também perderiam muitos de seus municípios, o que levaria suas finanças a uma situação dramática. Os números relativos ao Rio de Janeiro são claros: dos R$ 4,8 bilhões que recebe hoje, o Estado receberia apenas R$ 90 milhões; a receita dos municípios cairia de R$ 2,6 bilhões para R$ 146 milhões.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 18 / 03 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo investiga duplo emprego público"

Indícios de irregularidades chegam a 164 mil servidores; regularização pode economizar R$ l,7 bi por ano


O governo Lula anunciou ter descoberto indícios de irregularidade na ocupação de cargos por 164 mil servidores que também trabalham no funcionalismo de 12 Estados e do Distrito Federal. As suspeitas surgiram de levantamento inédito que cruzou dados da União com os cadastros dos governos locais. A. regularização dos casos pode gerar economia de R$ 1,7 bilhão por ano. A Constituição deixa que servidores públicos acumulem cargos na carreira jurídica, além de profissionais de saúde e professores. A regra não vale para contratados sob dedicação exclusiva. Em 53.793 casos, os servidores ocupavam mais de dois cargos. Outros 47.360, embora em regime de dedicação exclusiva, também respondiam por outra função no funcionalismo. Foram encontrados 36.113 servidores que acumulavam cargos fora das situações autorizadas pela Constituição. O levantamento ainda apontou 17 servidores com cinco vínculos no funcionalismo. A União e os governos locais agora checarão os casos individualmente. Os servidores serão notificados e, se constatada a irregularidade, deverão optar pelo cargo que querem manter.

O Estado de São Paulo
"Lula ajuda se pedir ao Irã que se afaste do Hamas, diz Abbas"

Em entrevista ao 'Estado', herdeiro de Arafat dispensa mediação do brasileiro no conflito interno palestino


A Autoridade Nacional Palestina, controlada pelo Fatah, dispensou a mediação do Brasil em seu conflito com o Hamas, oferecida pelo presidente Lula em sua visita à Cisjordânia. "Para isso, temos os nossos irmãos árabes", disse o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, em entrevista ao Estado. Mas Abbas disse que pediu a Lula que tratasse da questão com o governo iraniano, principal financiador do Hamas. “Atores influentes da região dificultam a reconciliação nacional, particularmente o Irã, que não se mostra interessado no diálogo nacional palestino com base em uma agenda palestina", criticou. Abbas disse ainda que o acordo de livre comércio do Mercosul com Israel, com apoio de Lula, “não foi um passo construtivo”, porque o governo israelense “está fazendo tudo contra a paz”. Segundo ele, não há garantias de que produtos de colonos judeus em assentamentos ilegais estarão excluídos de seus benefícios. "Se assim for, (o Mercosul) mandará a mensagem errada."


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quarta-feira, março 17, 2010

Sociais

Socorro, parem o mundo que eu quero descer

Sidney Borges
Dando uma rápida navegada em busca de novidades me deparei com a notícia do roubo de um violino. Aconteceu na avenida Indianópolis, em São Paulo, onde à noite nem tudo o que reluz é ouro.

Os larápios são travestis, homens que se vestem de mulheres para serem contratados por homens como se fossem mulheres, mas na hora do vamos ver fazer o papel de homens.

O contratante não está sendo enganando, está enganando os outros que pensam que ele é Zé, mas na verdade é Zezé. Pois é, dois travecos armados de facas levaram o violino. O que será que vão fazer com ele? Parece filme do Almodóvar. Talvez toquem para animar companheiros de cela. A polícia tem o endereço do trabalho da dupla, logo estarão cozinhando, varrendo e passando em alguma penitenciária.

Muitas notícias sobre o assassinato de Glauco e Raoni. O caso está resolvido, o assassino confessou. O que me espanta é que ninguém tenha se preocupado com as versões iniciais do advogado da família, Ricardo Handro. Mentiras deslavadas. O cara deveria explicar por que tentou enganar a opinião pública.

Em outro acontecimento funesto um rapaz de 22 anos matou a namorada de 17, com quem vivia e tinha um filho. Matou e enterrou no quintal. Como a cova fosse estreita o distinto arrancou um braço da moça com uma picareta.

Há fartos sinais de insanidade generalizada na nave esférica. Socorro! Quero descer...

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