sábado, fevereiro 13, 2010

Editorial

Paradigma

Sidney Borges
A prisão de José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal pode significar mudança de atitude por parte das instituições que fiscalizam governos. Não digo que vá acontecer, seria bom se acontecesse.

Imagino o significado do evento no imaginário de jovens promotores de Justiça, entusiasmados e idealistas. Há muitos nessa condição. Chegou a vez deles agirem.

Alguém precisa acabar com a farra do enriquecimento imoral e ilícito.

Segundo a ONG Amarribo, em torno de 20% do orçamento das cidades vai pelo ralo através de corrupção. Está explicado como salários minguados compram carrões, motocicletas e casas suntuosas.

Os mágicos da multiplicação gastam a rodo, como se tivessem ganhado na loteria.

Fazem isso sem pudor em localidades onde todos sabem da vida de todo mundo. E aqueles que deveriam sentir-se lesados fingem que não é com eles.

Um dia o cara está dirigindo um pau velho. Semanas depois de ser nomeado passa a desfilar de carrão importado. Como? Milagre, Jesus ajudou.

O salário continua minguado, as roupas melhoram a olhos vistos, os restaurantes também. Mais milagre. Mais Jesus. Ou teria sido a herança da tia?

Corruptos têm uma incrível capacidade de dissimular. Agem de forma ilícita, aparelham laranjas e apagam vestígios.

Denunciar pode acabar virando um transtorno para quem o faz.

Aí entram os jovens do Ministério Público. Aquele que conseguir fisgar um peixe gordo terá mídia nacional garantida. Ficará famoso, as crianças o apontarão na rua: quero ser como ele.

E desfilará garboso ao lado de lindas mulheres sussurrando em seu ouvido: meu herói, vamos logo para Passárgada.

Twitter

Mensalão do DEM

Caso Arruda já faz história

Por Lucia Hippolito (original aqui)
Graças à decisão do ministro Marco Aurélio Mello, de negar o habeas corpus a José Roberto Arruda (grande Marco Aurélio, está batendo um bolão!), o governador vai passar o Carnaval na cadeia.

Esta é uma grande novidade. Nunca antes na história deste país um governador foi para a cadeia. Não na democracia. Não por corrupção.

(Em 1964, depois do golpe militar, os governadores Miguel Arraes, de Pernambuco, e Seixas Dória, de Sergipe, foram presos, mas a alegação era subversão.)

A segunda grande novidade, o que faz do caso um marco no combate à corrupção política, é mostrar que o processo judicial não precisa esperar o processo político se completar para se iniciar.

Quando nos lembramos de Fernando Collor, a sequência foi a seguinte: a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment, o Senado determinou o afastamento definitivo do presidente e só depois é que o procurador-geral da República instruiu o processo e deu entrada no STF.

Diferente está sendo o caso do Distrito Federal. O processo político segue seu rumo. O governador tem maioria, e essa maioria se faz valer. Já foram arquivados quatro pedidos de impeachment de Arruda.

Mas enquanto isso, o processo judicial começou a andar. O Ministério Público pediu a prisão preventiva, o ministro-relator, Fernando Gonçalves, aceitou e pediu que a corte especial do STJ confirmasse essa prisão, para que não se resumisse a uma decisão monocrática.

O Judiciário entendeu que havia um conluio, uma contaminação entre Executivo e Legislativo no Distrito Federal e decidiu acelerar o processo judicial.

A terceira novidade é o pedido de intervenção federal no Distrito Federal, pedido feito pela OAB e já recebido pelo Supremo Tribunal Federal, a quem cabe determinar a intervenção.

Não será uma decisão fácil.

A Constituição brasileira trata de intervenção federal em três artigos: 34, 35 e 36.

Duas justificativas para se decretar intervenção federal aplicam-se ao caso do Distrito Federal: “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública” e “garantir o livre exercício de qualquer dos poderes das unidades da federação”.

São razões apontadas no parecer do ministro Fernando Gonçalves para decretar a prisão preventiva de José Roberto Arruda. Portanto, razões encampadas pela corte especial do STJ.

Mas a intervenção federal é tratada também no § 1º do Art. 60, que trata das emendas constitucionais: “A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.

Isto significa que nenhuma PEC (proposta de emenda constitucional) pode ser apreciada enquanto durar uma intervenção federal.

O governo Lula tem algumas PECs de seu interesse tramitando no Congresso.

Algumas delas podem, inclusive, ajudar a campanha da ministra Dilma, como por exemplo a PEC que aumenta a licença-maternidade para seis meses.

Dilma pode faturar junto ao eleitorado feminino.

O presidente Lula vai trocar essa e outras PECs de seu interesse por uma intervenção no Distrito Federal?

De toda maneira, o caso Arruda já fez história.

Um governador eleito, em pleno exercício do mandato, é preso por corrupção e tem um habeas corpus negado por ministro do Supremo.

E vai passar o Carnaval em cana.


Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

No seu devido lugar

Editorial do Estadão
A prisão preventiva do governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda, não foi apenas um evento sem precedentes no Brasil democrático - o que, por si só, inscreve na história das instituições nacionais a corajosa decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi também, para os padrões brasileiros, um raro exemplo de celeridade na defesa do interesse público. Apenas sete dias transcorreram entre a prisão de um cupincha de Arruda, flagrado numa tentativa de suborno em favor do chefe, na quinta-feira da semana passada, e o ato do STJ. O flagrante levou a OAB, na terça seguinte, a pedir ao Ministério Público Federal que requeresse a medida. O requerimento foi encaminhado ao ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito que investiga o "mensalão do DEM" (alusão ao partido a que Arruda era filiado), ou "panetonegate" (referência à alegação do governador de que se destinavam à compra do doce para distribuir aos pobres os R$ 50 mil que foi filmado embolsando).

Uma hora depois de receber o documento no qual o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a sua colega Raquel Dodge sustentavam que Arruda e os seus paus-mandados se empenhavam em descarrilar as investigações em curso contra eles, Gonçalves acionou o presidente do STJ, Cesar Asfor Rocha, para que convocasse a Corte Especial, formada pelos 14 membros mais antigos do tribunal. Nada menos de 12 deles votaram a favor do pedido de prisão do governador e outros cinco cúmplices para impedir que "a organização criminosa instalada no governo do Distrito Federal" continuasse a tentar apagar os vestígios dos crimes cometidos, como assinalou o relator. Arruda, previsivelmente, se apresenta como vítima de "denúncias torpemente preparadas" e diz considerar "absurda" a decisão judicial. Ontem, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o habeas corpus solicitado pelos advogados do governador.

Na realidade, o que motivou a sua prisão foi apenas o mais recente episódio do mais documentado escândalo de corrupção no Brasil. A caixa de Pandora - nome da operação da Polícia Federal (PF) para apurar pagamentos de propina a deputados distritais com recursos vindos de empresas com contratos com o governo local - estava escancarada graças aos vídeos do ex-delegado Durval Barbosa, então secretário de Arruda. O mais popular deles há de ter sido o protagonizado pelo presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, enfurnando dinheiro na meia. No último dia 4, o conselheiro do metrô do DF, Antonio Bento da Silva, foi preso ao entregar R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, amigo de Durval Barbosa e uma das testemunhas do escândalo, para que mudasse o seu depoimento incriminador. Bento revelou que a iniciativa do suborno partiu de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular do governador - obviamente a mando deste.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 13 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"Supremo mantém Arruda na prisão"

Para Marco Aurélio, decisão do STJ foi tomada com 'esmero'; governador afastado não foi ouvido, diz defesa

O ministro do Supremo Marco Aurélio Mello negou pedido de habeas corpus e manteve preso o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido). Para Marco Aurélio, a decisão do Superior Tribunal de Justiça que o levou à cadeia foi tomada com “esmero insuplantável”. Segundo o ministro, não há dúvida de que Arruda participou de tentativa de suborno de testemunha do mensalão do DEM. O STF voltará a analisar o caso quando julgar o mérito, no plenário (com os 11 ministros) ou na 1ª Turma (com cinco), mas isso só deve ocorrer depois do Carnaval. A defesa do governador afastado, que nega as acusações, alega que até agora ele não foi ouvido por Polícia Federal e Justiça. Alvo de quatro pedidos de impeachment, o governador interino, Paulo Octávio (DEM), disse em entrevista a Fernando Rodrigues que buscará um “amplo leque” de apoios para concluir o mandato e que abrirá mão da eleição em outubro.

O Estado de São Paulo
"Arruda fica preso e vice é alvo de 4 pedidos de impeachment"

STF nega habeas corpus ao governador de DF; Paulo Octávio, que o substitui, também pode cair

O governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda(sem partido, ex-DEM), passará o carnaval preso. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), recusou ontem o pedido de liberdade feito pelos advogados de Arruda. Para Marco Aurélio, a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de determinar a prisão do governador, acusado de coagir uma testemunha do suposto esquema do mensalão do DEM, foi muito bem fundamentada. Ele disse que as instituições estão funcionando bem com o objetivo de impedir a impunidade. Já o governador em exercício Paulo Octávio (DEM), também suspeito de envolvimento no mensalão, tornou-se alvo de quatro pedidos de impeachment na Câmara Legislativa. O presidente Lula afirmou que, se a Justiça decidir pela intervenção no governo do Distrito Federal pedida pela Procuradoria-Geral da República, ela será realizada. Caberá a Lula nomear o interventor, com a aprovação do Congresso.

Twitter

Clique sobre a imagem e saiba mais

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Caças

Telegrama ao Comandante da Força Aérea

"O “site” Poder Aéreo republicou matéria do “blog” Carta Polis sobre eventual disposição de Vossa Excelência de postergar a aquisição de aeronaves de combate mencionando, mais uma vez, a preferência definida pela COPAC. O CECOMSAER não desmentiu. Qualquer que tenha sido a motivação de Vossa Excelência, é certo que esta disposição existe, está publicada, não foi desmentida e corresponde à exata obediência aos diplomas legais aplicáveis, especialmente à Lei 8.666/93, à qual Vossa Excelência está umbilicalmente atrelado. Principalmente, devido ao juramento de julho de 1966! A oportunidade parece adequada para publicar a ordem de preferência atribuída a cada um dos concorrentes.

Desde 09.01.2007, tenho demonstrado a Vossa Excelência, a existência de divergências ao mesmo diploma legal no procedimento PAG 934/DIRMA/1996.

Continuo, respeitosamente, leal companheiro d’armas.

Gustavo Adolfo Franco Ferreira – Ten.-Cel.-Av. Ref."

Twitter

Quem diria?

Arruda fica preso

Do Blog do Noblat (original aqui)
Foi o que decidiu o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, ao negar liminar em pedido de habeas corpus impetrado em favor do governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, preso desde ontem`na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Haverá sessão do Supremo na próxima quarta-feira. Nao é certo que os ministros decidam sobre o mérito do habeas corpus pedido.

Nota do Editor - Segundo a ex-prefeita e sexóloga, Marta Suplicy, resta ao governador licenciado relaxar. E, já que vai passar o carnaval na cadeia, pedir um pijama de listras e vivenciar a situação. Lendo Tio Patinhas. Especialmente histórias dos Irmãos Metralha. Ontem eu teria apostado em cadeia breve. Ainda bem que não apostei. (Sidney Borges)

Twitter

Brasil

Suborno politicamente correto

Sidney Borges
Os jornais e a televisão dizem que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi preso por tentativa de suborno. Tentativa? O que seria tentativa de suborno? Faço um teatrinho para contextualizar minha dúvida:

Cena única

Carro parado na estrada. Patrulheiro ao motorista:
- Documentos por favor.
Intenso movimento de busca. Porta-luvas, bolsos, atrás dos bancos. Nada. O condutor desmancha os cabelos e se dá por vencido:
- Esqueci em casa.
O guarda cumpre a praxe:
- Por favor, saia do carro. Vou lavrar a multa. O veículo será apreendido.
O motorista faz a última tentativa:
- Aqui estão cem reais seu guarda. Dá pra quebrar o galho?

Pano rápido.

Espero os leitores entendam que o exemplo é ficção. O caráter ilibado do brasileiro, povo de cultura baseada na mais fina ética, jamais admitiria tal afronta.

O que aconteceu acima? Suborno ou tentativa de suborno. Eu entendo como suborno. Não há necessidade de correspondência biunívoca para caracterizar o crime. O motorista subornou, ofereceu dinheiro para acobertar uma falta grave. O fato do guarda não ter aceitado - nossos policiais são assim - não tranforma o crime em tentativa.

Enfim, foi só uma divagação. E você o que acha? Houve suborno ou tentativa?

Twitter

Coluna do Celsinho

Bom sujeito

Celso de Almeida Jr.
Não dá para esquecer da bateria do BAC, vermelho e branco.


Eu ia de repique, sob a batuta do Cuca.

Com o mesmo mestre, toquei também no Acadêmicos, verde e rosa.

Que vibração deliciosa a entrada na avenida Iperoig.

Lembro o quanto foi bom.

Onde estão as nossas escolas de samba?

O pessoal tá por aí...

Alguns, não mais atacam no reco-reco por restrições religiosas.

Como se Deus estivesse muito preocupado com o barulhinho da haste de ferro roçando a mola...

Francamente!

Às vezes, sinto-me na Idade Média.

Onde estão os nossos músicos?

Aonde eles podem tocar, ganhar dinheiro?

Assisti a uma entrevista do Ricardo Benetti, no Programa Frente & Verso, da TV Litoral.

Benetti lembrou dos muitos salões que nossa cidade já teve.

Rememorou o início da Banda Tropical, da qual fui fã.

Convocou a garotada para as matinês no Tubão.

Ele está coberto de razão...

O que é bom precisa ser perpetuado.

E o Carnaval é bom.

Nos salões, então, melhor ainda!

Faz parte de nossa cultura.

É um momento de confraternização, de alegria, de liberdade de expressão.

Não tem nada a ver com o capeta!!!

Aliás, eu sempre o vejo nos gritos de Carnaval.

Aquele chifre, aquele tridente, aquele rabinho não enganam que, por trás da fantasia, existe uma pessoa divertida, bem humorada, em paz com a vida.

Um bom sujeito, sem dúvida.

Afinal, quem não gosta de samba...

Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

Becos escuros da violência

Washington Novaes
Anuncia o Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça (1º/2/10) que nas próximas semanas transferirá para o Centro-Oeste 156 presidiários, dos quais 53 para Goiás e os restantes para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. São detentos que aguardam julgamento em prisões distantes das regiões onde os crimes foram cometidos. Parece temerário. No mesmo dia desse comunicado, os jornais de Goiânia publicaram relatório sobre o maior complexo prisional do Estado, na capital, onde 1.500 detentos vivem entre entulhos, esgotos a céu aberto, sem atendimento à saúde, com suas "relações íntimas" em barracas de tecido num pátio de terra batida, a rotina definida por eles mesmos, alguns até comerciando alimentos e produtos de higiene (quando não drogas) e desfrutando televisões e freezers, enquanto os recém-chegados ficam amontoados em "corrós", à espera de que os outros detentos definam para onde irão, depois de verificar se não têm inimizades entre os demais ocupantes. Tudo isso é parte do relatório do promotor Haroldo Caetano da Silva, que há mais de dez anos já permaneceu como refém numa rebelião naquele mesmo presídio.


Não chega a surpreender. Em maio do ano passado, uma inspeção do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária já declarara (O Popular, 12/5/2009), após visita ao mesmo complexo, a "falência do sistema prisional". E o Ministério da Justiça colocara Goiás entre os cinco Estados que maior aumento de homicídios registraram entre 2007 e 2008, embora o governo estadual aplique quase R$ 1 bilhão por ano na área. Ainda assim, 30% dos homicídios em Goiânia permanecem sem solução.

É inevitável que a memória relembre 1982, quando o autor destas linhas se mudou para a capital goiana, a fim de dirigir o jornal Diário da Manhã. E ali, na reunião diária com os editores, no começo da tarde, repetia-se todos os dias a mesma cena, quando se via que a pré-diagramação reservara meia página para o noticiário policial. O editor da área dizia invariavelmente a mesma frase: "Eu não tenho notícias para preencher meia página." Hoje, provavelmente diria que seria necessário o espaço todo do jornal e ainda ficariam notícias de fora.

Mas Goiás não é exceção nesse quadro da violência e dos dramas prisionais. São Paulo mesmo, embora venha baixando o número de homicídios desde 1999 - quando foram 12.818, para 4.426 em 2008 -, ainda tem uma taxa de homicídios (11 por 100 mil habitantes) que o inclui na "zona epidêmica de homicídios" (acima de 10 por 100 mil), assim definida pela Organização Mundial de Saúde (Estado, 13/7/2009). E o mais grave continua sendo a incidência brutal desses crimes entre jovens de 15 a 24 anos no País. Em 2008 foram 27 mil, um quarto dos 106.848 óbitos (89 mil homens, 17 mil mulheres) que tiveram como causa homicídios e suicídios; 77,2% dos jovens morreram assim. Não é tudo. Entre jovens negros, o risco de ser assassinado é 2,7 vezes maior do que entre os jovens brancos - a quase totalidade deles no Rio de Janeiro, relacionados com o tráfico de drogas em mais de mil favelas. Não estranha, já que a taxa de desemprego entre jovens de 16 a 20 anos passou de 7% em 1987 para mais de 20% em 2007; e de 5% para 11% dos 21 aos 29 anos. Nesse ano de 2007, os 4,8 milhões de jovens sem emprego representavam 60,7% do total de desempregados, segundo o Ipea (O Globo, 20/1). Que iriam eles fazer? Esperar sentados na porta da casa que o emprego aparecesse? Ou aderir às possibilidades fora da lei?

Até 2012, diz o Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 32,4 mil jovens serão mortos em 267 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes - 13 mortos por dia (Estado, 22/7/2009). O pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea, que investiga o campo da violência, cita dados do Ministério da Saúde para concluir que, entre 1979 e 2008, 1 milhão de pessoas terão morrido por causa da violência no País.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 12 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"Governador do DF é preso, acusado de tentar suborno"

Arruda afirma ser vítima de ‘campanha difamatória’; Procuradoria pede intervenção federal

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), foi preso e afastado de suas funções por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Após a redemocratização do país, é a primeira vez que um governador no exercício do cargo é preso por crimes relacionados à corrupção. Ao mesmo tempo, a Procuradoria Geral da República requisitou a intervenção da União no Distrito Federal. A prisão foi decorrência das investigações do chamado mensalão do DEM, o antigo partido do governador.

O Estado de São Paulo
"Arruda é preso e procurador pede intervenção federal no DF"

Em carta à Câmara local, governador pede afastamento do cargo e diz ser vítima de 'armações'

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi preso ontem, sob acusação de tentar obstruir a investigação do esquema de pagamento de propinas conhecido como “mensalão do DEM”, partido ao qual ele era filiado. O vice Paulo Octávio (DEM), também suspeito de integrar o esquema, assumiu o governo. Ao mesmo tempo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal intervenção no governo do DF, com o impedimento de Arruda, de Octávio e do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR). Se a intervenção for acatada, caberá ao presidente Lula nomear o interventor. Arruda se entregou à Polícia Federal após ter sua prisão decretada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Antes, ele pediu afastamento do cargo, em carta à Câmara Legislativa na qual se disse vítima de “armações”. O afastamento já constava da decisão judicial, que ocorreu quatro meses e meio após a deflagração da operação Caixa de Pandora, da PF. A Corte também determinou a prisão de cinco aliados do governador. Para o autor do despacho que orientou a decisão, ministro Fernando Gonçalves, Arruda e seus aliados poderiam tentar coagir testemunhas se ficassem soltos. Na PF, o governador foi acomodado num espaço com cama, banheiro privativo, sem grades, apelidada de “sala de Estado-Maior”. Segundo a polícia, ele ficaria isolado.

Twitter

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Crianças

Descobrindo palavras

Sidney Borges
O neto de um amigo tem 5 anos e vocação para político. Gosta de discursos e presta atenção às palavras. Sempre tem uma nova para empregar e causar espanto.

Na semana passada eu estava na casa desse amigo quando o garoto chegou da escola. A mãe perguntou:

- Comeu todo o lanche Pedrinho?

- Comi. Inseto a maçã. Não deu tempo.

O avô piscou para mim. Orgulhoso.

Twitter

Brasil: "Sempre cabe recurso"

Decretada prisão de Arruda

STJ manda Polícia Federal prender governador e mais cinco pessoas

De Andrei Meirelles, da Época:
O Superior Tribunal de Justiça decretou a prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda, e de mais cinco pessoas pela tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do escândalo do panetone. O ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito da Operação Caixa de Pandora, acatou pedido da subprocuradora Geral da República Raquel Dodge para a prisão do governador, do ex-deputado Geraldo Naves, do ex-secretário de Comunicação do DF Wellington Morais, do diretor de Operações da Centrais Elétricas de Brasília, Haroaldo Brasil de Carvalho, e de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda. Antonio Bento, preso em flagrante pela Polícia Federal ao entregar uma sacola com R$ 200 mil a Edson Sombra, já está detido no presídio da Papuda. A Corte Especial do STJ acaba de ser convocada pelo presidente do Tribunal, ministro César Asfor, para referendar a decisão de Fernando Gonçalves.


Na quinta-feira (4), a Polícia Federal prendeu o funcionário aposentado Antonio Bento da Silva em uma confeitaria de Brasília. Ele foi flagrado entregando R$ 200 mil em espécie em uma sacola ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. Esse dinheiro seria a primeira parcela de um total de R$ 1 milhão para que Sombra assinasse um documento desqualificando a denúncia do ex-delegado Durval Barbosa no escândalo do panetone. Em depoimento prestado à PF, a que ÉPOCA teve acesso, Bento diz ter intermediado a tentativa de suborno convencido de que a ordem teria partido do próprio governador Arruda.
Leia mais

Nota do Editor - Ricos e políticos do Brasil tem uma particularidade que os impede de ficar na cadeia. Um inexplicável fenômeno paranormal faz com que esses seres especiais e as prisões sofram repulsão. Como acontece com cargas elétricas de mesmo sinal ou polos de ímãs de mesmo nome. Não acredito que Arruda vá preso, caso aconteça não ficará por muito tempo. A liminar já deve ter sido providenciada. Você conhece algum político que tenha sido encarcerado e permanecido no xilindró? Fora Hildebrando Pascoal, o mago da motoserra, que tratava adversários como árvores, desbastando galhos, digo braços, não existe registro. É de se supor que se o estelionatário Madoff tivesse nascido no Brasil seria presidente de escola de samba e estaria na lista dos 10 mais elegantes. Casado com alguma dondoca recauchutada. O crime só não compensa quando praticado por gente dos três pes. Pobres, pretos e prostitutas. Esses mofam atrás das grades. Como disse Caminha ao Rei: Jamais verás um país como este. E arrematou extasiado: são apetitosas as nativas! (Sidney Borges)

Twitter

Bomba, bomba...

Irã é um Estado nuclear, diz Ahmadinejad no dia da revolução

Segundo presidente, país terá capacidade tecnológica de construir a bomba atômica, mas não pretende fazê-la

estadao.com.br
TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou nesta quinta-feira, 11, que seu país é um "estado nuclear" e que pode aumentar sua capacidade para enriquecer urânio até 80%, mas por enquanto não está interessado em chegar a esse nível. Para a construção de armas nucleares é necessário enriquecer o mineral radioativo a mais de 90%.
Leia mais

Nota do Editor - O urânio é um elemento químico de grande densidade. Quando retirado da natureza na forma de minério precisa ser processado para que se obtenha o óxido de urânio que contém dois tipos (ou isótopos) de urânio: U-235 e U-238, com cerca de 99% de U-238. O urânio que pode ser dividido (o processo é chamado fissão) liberando energia é o U-235. Por isso é necessário separar o U-235 do U-238 e aumentar a quantidade de U-235. O processo de concentração do U-235 é chamado de enriquecimento. A separação é feita por centrífugas. Dizemos que o urânio está enriquecido a 20% quando a composição apresenta 20% de U-235 e 80% de U-238. Para fazer a bomba o enriquecimento precisa ser de 90%. A comunidade internacional diz que o Irã não tem tecnologia para tanto. O presidente Ahmadinejad diz que tem. Será? (Sidney Borges)

Twitter

Mundo cruel

Árabe pede divórcio de mulher que 'escondeu barba' sob véu

Do MSN (original aqui)
Um diplomata dos Emirados Árabes Unidos afirmou ter pedido a anulação imediata do seu casamento após ter descoberto que a noiva - que veste o tradicional véu islâmico niqab, que deixa aparecer apenas os olhos - é estrábica e tem excesso de pelos faciais, de acordo com o site de notícias Gulfnews.com.

O embaixador diz ainda ter sido enganado pela ex-futura sogra, que teria lhe mostrado fotos que, na realidade, seriam da irmã da noiva.
Leia mais

Nota do Editor - São demais os perigos desta vida. Barba! Credo, tô fora! (Sidney Borges)

Twitter

Região




Prestando serviços ao cidadão

Sidney Borges
Meu amigo Fausto ligou de São Paulo. Proprietário de um apartamento em Caraguatatuba, pediu que eu tirasse uma segunda via do carnê do IPTU. O original foi extraviado nos correios. Como sou amigo do ex-vereador Charles Medeiros, que trabalha em Caraguatatuba, pensei em transferir o favor, amigos são pra essas coisas. Liguei. Segunda via de IPTU? É simples, basta entrar no site da prefeitura e baixar. Está na aba de serviços ao cidadão. Fausto agradeceu e disse que passa em casa no sábado de carnaval. Vou colocar cervejas no congelador. E tirar antes que congelem. Experimente dar uma passeada pelo site da prefeitura de Caraguatatuba. Vale a pena. Acesse aqui.

Twitter

Eleições 2010

Planalto manda PT tirar viés estatizante do programa de Dilma

Ordem é para deixar claro no texto que ela manterá política econômica, com câmbio flutuante e metas de inflação

Vera Rosa, BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, não gostaram do tom do documento intitulado A Grande Transformação, que contém as diretrizes do programa de governo petista. Lula e Dilma avaliaram que o texto passa a imagem errônea de que um governo chefiado pela ministra representará uma guinada à esquerda e terá caráter estatizante. Não foi só: querem agora que o PT deixe claro no programa que Dilma manterá os fundamentos da política econômica, como câmbio flutuante, metas de inflação e ajuste fiscal.


O incômodo do presidente e da pré-candidata do PT em relação ao conteúdo do documento - que será apresentado no 4.º Congresso Nacional do partido, de 18 a 20 deste mês, em Brasília - foi transmitido ontem pelo Planalto aos integrantes da Executiva Nacional petista. Dilma reclamou que nem mesmo viu o texto, obtido pelo Estado e publicado na edição do último dia 5, e ficou surpresa com a repercussão negativa da proposta.
Leia mais

Nota do Editor - A ministra Dilma ficou surpresa com a repercussão negativa da proposta. Com lupa de sherlock leio nas entrelinhas: "a banca não gostou". Foi logo avisando que o sinal vermelho estava na iminência de ser ultrapassado. Começaram a aparecer aqui e alí elogios ao topete de Serra. Lula não é bobo, sabe que sem banca nada feito. Ou mantemos a política econômica ou damos com os burros n'água, disse "Nosso Guia". Logo virá a segunda carta ao povo brasileiro dando certeza a bancos e empreiteiras que tudo continuará como d'antes. E, antes do por do sol, haverá uma terceira missiva, desta vez com a chancela tucana. No texto escrito com tinta dourada haverá um parágrafo tecendo loas à continuidade. Quanto aos políticos da base dá para imaginar como agirão Sarney e Collor. Em caso de vitória de Serra esquecerão Lula e proclamarão apoio incondicional ao governo. Se há governo, são a favor. (Sidney Borges)

Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

O PT sempre foi dois

Editorial do Estadão
Os 30 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), completados ontem, reavivaram os habituais comentários sobre o partido que foi um e virou mais um. Não que essa metamorfose seja uma invencionice ou uma versão irreconhecível de seu percurso. A sigla da estrela de fato se apresentou ao País como portadora exclusiva de uma promessa de mudança radical fundamentada no combate a "tudo isso que está aí": não apenas o regime autoritário cujo esgotamento o novo sindicalismo liderado por Lula, o metalúrgico, ajudaria a apressar, mas a ordem política e as instituições de Estado que existiriam para perpetuar as iniquidades sociais brasileiras. E, de fato também, à medida que começou a subir os degraus que o levariam ao topo desse mesmo sistema, o PT passou a recorrer com desenvoltura crescente aos usos e costumes da velha política que fazia praça de abominar, sob o igualmente velho mantra, menos ou mais assumido, de que os fins justificam os meios.

Com Lula instalado e confirmado no Planalto, os fins originais do petismo - promover o desenvolvimento e o progresso social - se tornaram meios para um fim maior: a ocupação do aparato administrativo federal e de seus satélites na esfera econômica, criando uma relação simbiótica entre Estado e partido, a ponto de já não se saber com clareza quem aparelha quem. Perto disso, as alianças com figurões que representam o que a política nacional tem de mais arcaico - e o próprio mensalão - chegam a ser peças acessórias de um processo sistemático de açambarcamento do poder, que deu na República dos Companheiros. No entanto, dizer apenas que o PT era um antes e outro depois equivale a desconsiderar um aspecto central de sua história que importa, em não pouca medida, para a história da estabilidade política no País neste último quarto de século. Trata-se da dissonância, que vem do berço petista, entre o discurso e a prática.

Com a sua retórica incendiária, o PT parecia preparar-se para liderar uma revolução que desembocaria numa forma de socialismo. Não pelas armas, mas pela ação das massas que obrigaria os donos do poder a concessões cada vez mais significativas aos novos atores em cena: o partido e os movimentos populares a ele vinculados (além da Igreja Progressista, setores da intelligentsia, profissionais da área pública e figurantes sortidos). A realidade que o som e a fúria petista encobriam e que, por isso, muitos tardaram a perceber, mesmo entre a companheirada, era mais prosaica: o PT como partido eleitoral. Apesar das origens de uma parcela de seus membros, a agremiação jamais agiu como se contemplasse outra via de acesso ao poder além das urnas. A expressão "greve geral insurrecional", por exemplo, não entrou para o seu léxico. Ao contrário das aparências, em suma, jogou sempre pelas regras do sistema.

É o que distingue a legenda dos partidos da esquerda histórica europeia, a maioria dos quais nasceu de olhos postos na revolução. O PT, nesse sentido, é fruto do tempo em que o povo atacou não o Palácio de Inverno do czar, mas o Muro de Berlim do socialismo real. Assim como a social-democracia, porém com menos compostura, o petismo no poder também se inclinou para o centro. No seu caso, sob a condução do primeiro de seus pragmáticos, Lula da Silva. Além da opção pelas urnas, assim que surgiu no horizonte a primeira eleição presidencial direta pós-ditadura, em 1989, o PT decidiu que a disputa pelo Planalto prevaleceria sobre todas as outras (o que continua a fazer ainda agora para fechar o apoio do PMDB a Dilma Rousseff). Nada, portanto, de comer o pudim pelas bordas, ainda mais quando se tem um nome formidável para ir direto ao que interessa, como ficou provado com a ida de Lula ao segundo turno com Collor.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 11 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"Receita livra 5 milhões de declarar IR neste ano"

Governo também anuncia aumento da faixa de isenção a partir de 2011

Com o foco nos grandes contribuintes, a Receita afrouxou critérios para as declarações do Imposto de Renda neste ano. Cerca de 5 milhões de pessoas não serão obrigadas a declarar o IR, estima o governo. As mudanças incluem novo valor mínimo para o patrimônio - agora de R$ 300 mil. Sócio de empresa precisa entregar declaração só se estiver na faixa que mede a renda no ano anterior.

O Estado de São Paulo
"Irã sofre sanções unilaterais dos EUA"

Guarda Revolucionária é alvo de medidas de Obama

O governo americano apertou ainda mais o cerco ao Irã, ao anunciar ontem novas sanções unilaterais contra a Guarda Revolucionária - braço armado do regime que, segundo analistas, controla os programas nuclear e balístico de Teerã. O Departamento do Tesouro congelou ativos de um dos comandantes da guarda e de subsidiárias de uma empresa que ele administra. A medida não tem relação direta com o pacote de sanções que os EUA estão negociando no Conselho de Segurança da ONU. Em dezembro, o Congresso americano já havia tomado atitude semelhante ao multar empresas que tinham negócios no Irã e atuavam nos EUA - um dos multados foi o banco Credit Suisse, que teve de pagar US$ 530 milhões. Em Brasília, o Itamaraty avalia o risco de turbulência interna no Irã nos próximos meses para confirmar ou cancelar a visita do presidente Lula, prevista para maio. Há perspectiva de novas manifestações contra o governo.

Twitter

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

São Paulo


(Foto: Filipe Araújo/AE)
Acidente com helicóptero da Record é o terceiro em 41 dias em SP, diz FAB

Número é equivalente a um sexto do total de acidentes no país em 2009. Capital paulista tem maior tráfego aéreo da América Latina.
Mirella Nascimento do G1
O
acidente com um helicóptero da TV Record, na manhã desta quarta-feira (10) no Jockey Clube, em São Paulo, foi o terceiro envolvendo este tipo de aeronave na capital paulista em 2010, de acordo com informações da Força Aérea Brasileira (FAB). O número é o equivalente a um sexto do total de acidentes – 18 – com helicópteros em todo o Brasil em 2009. “Estamos em uma curva ascendente de acidentes com helicóptero no país. É uma preocupação que já vem de alguns anos”, disse o tenente-coronel Henry Munhoz, do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica em entrevista ao G1.

Segundo o oficial, além de um acidente
ocorrido na Rodovia Anchieta no dia 26 de janeiro, houve outra queda no Campo de Marte neste ano. Nos dois casos, não houve mortes.
Nota do Editor - Teoricamente não deveriam acontecer panes em rotores de cauda, causa do acidente desta manhã. Mas de vez em quando acontecem, apesar do programa rígido de manutenção ser observado. Ou melhor, em certos casos ser teoricamente observado. É da maior importância saber o porquê do acidente e assim evitar fatalidades. Vamos esperar o relatório. (Sidney Borges)

Ubatuba

Viver é dizer adeus

Sidney Borges
Meu amigo Edu, da Tecnáutica, liga dando a notícia triste: o Mike morreu.

Debruçou-se sobre o carrinho de compras no mercadinho do shopping Itaguá.

Enquanto as meninas que o socorreram providenciavam atendimento deu um suspiro profundo. O derradeiro.

Edu é proprietário da casa onde Mike morava. Foi chamado. Encontrou o computador ligado e a cachorrinha esperando pelo dono que voltaria logo.

Está abrigada na vizinha e certamente permanecerá atenta aos movimentos da porta. Depois esquecerá. A vida é plena de despedidas e esquecimentos.

Mike veio para Ubatuba na década de 1970 e trouxe consigo a arte paulistana da pizza. Quem freqüentava estas plagas naquele tempo sabe o significado do "Perequim", do Perequê-Mirim, na culinária local. Parada obrigatória na sexta-feira, na chegada e no domingo, antes da volta. A viagem durava pouco mais de três horas, raramente havia congestionamentos.

A pizzaria estava sempre lotada, com fila na porta. Valia a pena esperar, a pizza era comparável ao que havia de melhor na paulicéia e o garçon Thomas era gentil e simpático.

Eu conhecia o Mike de vista de São Paulo, era amigo do meu grande amigo Rubão, que também partiu cedo, aos 62 anos. Os dois tinham em comum a paixão pelo jogo. Jogavam na Santa Casa, na Poli, na porta do Paulistano (crepe) e onde mais houvesse jogo.

Jogadores eram tipos agradáveis, não polemizavam à toa, vestiam-se bem, eram educados e completamente centrados no jogo, só pensavam "naquilo".

Mas também eram bons relações públicas e trabalhadores, tanto Mike, como Rubão ou Oscar Andrade tiveram fases de sucesso profissional. Ganharam muito dinheiro e gastaram a rodo com imenso prazer.

Fico triste com a morte do Mike, 62 anos é cedo para partir. Boa viagem Mike, um dia a gente se encontra em algum lugar e você comenta este texto... Sucesso!

Twitter

Vento e Granizo

Tempestade causa transtornos e assusta moradores de Ubatuba

Ventos derrubaram árvores e levaram placas de sinalização

Do VNews (original aqui)
Uma tempestade atingiu Ubatuba no fim da tarde desta terça-feira (09), derrubando árvores e complicando o trânsito. O vento forte assustou os moradores e trouxe prejuízos para comerciantes.

A ventania deixou um rastro na orla da cidade. Os bombeiros registraram queda de mais de 20 árvores. A prefeitura teve trabalho para liberar as vias. Quem viu a tempestade se assustou.

“Começou de repente, vento forte, raios e caiu a chuva”, relata um motoqueiro. Já outra pessoa diz até as placas foram arrancadas com a força do vento. “Depois da chuva, veio aquele vento de rasgar tudo, levou a placa que tinha ali na estrada”, conta o morador.

A tempestade que atingiu a cidade foi isolada. Muitos moradores nem viram a ventania que deixou estragos principalmente na praia do Tenório e na praia Grande.

A queda de uma árvore bloqueou a ligação entre o Tenório e a praia Vermelha. Moradores e turistas tiveram que utilizar um desvio. Na praia grande, além de derrubar muitos galhos de árvores, o vento forte destelhou quiosques. O prejuízo do comerciante Gilberto Costa só não foi maior porque o quiosque dele estava fechado.
Leia mais

Nota do Editor - Hoje, ao caminhar pelas ruas da Ressaca e ver muitas árvores caídas deu para ter uma idéia dos estragos em áreas abertas. A redação do Ubatuba Víbora é abrigada, mesmo assim a tempestade teve aspecto assustador. Com o vento o Speedy deixou de funcionar. Antes estava devagar, quase parando, com desempenho de internet discada. Hoje por volta das 09h30 voltou ao normal. (Sidney Borges)

Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

O agronegócio faz a sua parte

Editorial do Estadão
A expectativa de um bom crescimento econômico neste ano - algo entre 5% e 6%, segundo as projeções correntes - é reforçada pelas estimativas da produção agrícola. A safra nacional de grãos, já colhida parcialmente, será a segunda maior de todos os tempos, segundo os novos levantamentos oficiais. Chegará a 143,1 milhões de toneladas e será 5,9% maior que a anterior, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Números muito parecidos foram obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na verificação de janeiro: 143,4 milhões de toneladas, com aumento de 7,2% em relação à temporada de 2008-2009. As duas pesquisas mostraram dados melhores que os obtidos na estimativa de dezembro. Boa produção no campo sempre evidencia, no entanto, velhos e persistentes problemas de logística. Nem sempre há armazéns nos locais certos, ferrovias e rodovias continuam deficientes e nem todos os portos estão preparados para o embarque de grandes volumes.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos e matérias-primas originárias do campo do mundo, mas há um descompasso entre a modernização do setor produtivo e a da infraestrutura. Pelo novo levantamento da Conab, Mato Grosso está colhendo 18,9 milhões de toneladas de soja e colherá 7,4 milhões de toneladas de milho entre a primeira e a segunda safras, além de 1,6 milhão de toneladas de algodão em caroço, mas o Estado só tem capacidade estática de armazenagem de 26,2 milhões.

Outro bom exemplo de problema é o atraso na ampliação do Porto de Itaqui, no Maranhão. Planejou-se um aumento de capacidade de 2 milhões para 13 milhões de toneladas, mas o projeto permanece emperrado. Enquanto isso, plantadores de soja do Tocantins, do norte de Mato Grosso e do sul do Maranhão desviam parte importante de sua colheita para embarque nos Portos de Santos e de Paranaguá. O custo do transporte seria muito menor e o ganho do produtor, bem maior, se fosse possível escoar essa produção por Itaqui.

A menor lucratividade afeta, naturalmente, a capacidade de investimento dos produtores e o potencial de consumo das famílias envolvidas na atividade. De uma perspectiva mais ampla, pode-se falar num enorme desperdício. Gasta-se mais do que seria necessário para transportar a safra e desviam-se recursos de outras áreas e de outras atividades onde poderiam ser muito úteis.

Apesar de tudo, os produtores têm continuado a investir, em busca de maior eficiência dentro dos limites de cada propriedade. Os investimentos caíram no ano passado, porque nenhum setor ficou imune à recessão global, mas já há sinais de retomada. Com a produção estimada para este ano, o agronegócio terá condições, mais uma vez, de contribuir para a robustez das contas externas do País. No ano passado, as exportações do setor renderam US$ 64,7 bilhões, 9,8% menos do que no ano anterior, porque a crise internacional derrubou os preços da maior parte dos produtos. Ainda assim, o superávit comercial do agronegócio, US$ 54,9 bilhões, foi mais que o dobro do superávit geral obtido pelo País no comércio exterior.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 10 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"Mínimo em SP sobe acima do previsto"

Em ano de eleições, reajuste para faixa mais baixa do piso estadual supera o índice do governo federal

O governador José Serra (PSDB) mudou o critério de aumento do piso salarial de São Paulo ao usar como referência, pela primeira vez, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) estadual, em vez da taxa nacional. Em ano de eleições, o índice do Estado superou o do salário mínimo nacional. Os reajustes propostos para as três faixas salariais pelo governo estadual variam de 6,42% a 10,89%. O governo federal concedeu 9,68% para o mínimo em 2010.Enquanto o piso nacional é de R$ 510, o paulista ficará entre R$ 560 e R$ 580. A Assembléia Legislativa - onde Serra tem maioria - precisa aprovar o projeto. Desde 2007, São Paulo adota um mínimo regional, a exemplo do Rio de Janeiro, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e do Paraná, que registra o piso mais alto do país - de R$ 605,52 para trabalhadores rurais e R$ 610,12 para empregados domésticos e dos setores de comércio e serviços.

O Estado de São Paulo
"Criticado, Brasil volta a defender diálogo com Irã"

Amorim diz que País se mantém contra sanções e condena visão unilateral

O chanceler Celso Amorim reiterou a oposição do Brasil à adoção de novas sanções ao Irã para diplomatas europeus, essa disposição tem atrapalhado o esforço de obter consenso no Conselho de Segurança da ONU para pressionar Teerã a respeito de seu programa nuclear. "Não sou ingênuo sobre as dificuldades de um acordo. Mas o outro caminho, o das sanções, foi perseguido nos casos do Iraque e do Irã sem que nada tivesse acontecido". disse Amorim ao Estado, salientando que sanções afetam "setores mais frágeis da sociedade". Para ele, as conclusões sobre as intenções do Irã "não podem ser tiradas de um lado só". isto é, das potências ocidentais.

Twitter

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Acredite se quiser

Eleições

Do Ex-Blog do Cesar Maia
1. A eleição presidencial na Costa Rica, no último domingo, caminhava para um segundo turno. A candidata vitoriosa, do presidente Árias, estabelecia um teto de 40% e, sem ultrapassá-lo, haveria segundo turno. O segundo colocado, Otto Guevara, crescia com um discurso de lei, ordem e polícia. Mas sua noiva, num gesto impensado ao comungar, cortou um pequeno pedaço da hóstia e colocou no bolso da camisa de Otto.

2. O sacerdote e Reitor da Basílica de Los Angeles (CR) avaliou: "A comunhão é o mais sagrado do que temos. Não pode ser levada como um 'souvenir'."

3. Resultado: Laura Chinchilla subiu para 46,78%. Otto Guevara baixou para 20,89% e perdeu o segundo lugar para Solis, com 25,11%. Isto na última hora da campanha eleitoral.

Nota do Editor - Só não entendo como a noiva não caiu fulminada na porta da igreja. No catecismo Frei Teobaldo nos alertava para os perigos da comunhão. Caso a hóstia encostasse em um dente não haveria perdão. O cadáver calcinado encheria a igreja de fumaça e a deixaria com o cheiro de Ubatuba nas férias. Churrasco. Por precaução comi 3 hóstias na vida, uma na primeira comunhão e as outras na comunhão pascal da escola. Comi não é bem o termo, deixei que derretessem na língua enquanto suava em bicas. Ainda tremo de medo só de pensar. Tenho lembrança de velhinhas comungando. Espertas. Deixavam os dentes no copo. Colocavam depois da missa para o sorriso "cheese". Risco zero. (Sidney Borges)

Twitter

Aviação

CP-973: o último Curtiss C-46 de passageiros do mundo

Cultura Aeronáutica (original aqui)
O Curtiss C-46 Commando serviu com destaque na Segunda Guerra Mundial, especialmente nas linhas de abastecimento da China, voando sobre o Himalaia. Depois da guerra, serviu como aeronave de passageiros e de carga pelo mundo inteiro, e foi operado por várias empresas aéreas brasileiras durante as decadas de 40, 50 e 60, sendo a segunda aeronave comercial a pistão mais usada no Brasil, depois dos Douglas DC-3.


Depois de desativados na maior parte do mundo, vários C-46 permaneceram voando na América Latina, especialmente na Bolívia, onde eram utilizados para transportar carne in natura, das fazendas até La Paz. Os "carniceros" foram objeto de um artigo neste blog há um tempo atrás.

O CP-973, como praticamente todos os C-46 bolivianos, era um "carnicero", e foi operado pelo Frigorifico Santa Rita (foto abaixo), até o final dos anos 90.


O tempo e a conservação precária foram aos poucos confinando os velhos Curtiss ao solo, mas a empresa LAC - Lineas Aereas Canedo resolveu restaurar um C-46 para transportar passageiros a partir de sua base em Cochabamba. Em pouquíssimos lugares do mundo ainda é possível voar em antigas aeronaves comerciais com motores a pistão.


A aeronave em questão é o velho CP-973 do Frigorifico Santa Rita, e trata-se, simplesmente, do último C-46 de passageiros em operação no mundo inteiro. Esse avião, fabricado em 1948, estava parado há oito anos, e em processo de restauração há seis anos.

A LAC instalou um luxuoso interior no velho Curtiss, e o destino da aeronave é transportar passageiros para conhecidos destinos turísticos da Bolívia, como o Salar de Uyuni, o maior lago seco salgado do mundo, a partir de Cochabamba, em voos charters.

Depois de muito tempo no chão, o CP-973 fez seu primeiro voo de prova em 9 de julho de 2009. Depois de outro voo em 16 de julho, a aeronave foi considerada apta para levar passageiros pagantes em 18 de julho.


Naturalmente, a aeronave será operada somente por pilotos muito experientes, como o Comandante Luís Ortiz, e a manutenção também está confiada a mecânicos experientes, como Victor Hugo Galindo, chefe do departamento de manutenção e especialista nesse tipo de avião.

Twitter

Adeus Tarso. Fique por lá...

Tarso se despede do governo e diz que não deixou "pepino" para Lula no caso Battisti

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília
Ao se despedir do Ministério da Justiça nesta terça-feira, o ministro Tarso Genro disse que não deixa nenhum "pepino" para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio da extradição do italiano Cesare Battisti. Tarso disse que Lula estava ciente da sua decisão de conceder refúgio político ao italiano antes de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar que ele deveria ser extraditado.


"Eu não deixo [pepino] porque antes de assinar o meu despacho, eu o levei ao presidente Lula. Ele estava consciente, disse que se meu despacho estava bem fundamentado com a lei e a Constituição, deveria firmá-lo", afirmou.

Depois de votar pela extradição, o STF entendeu que Lula tem autonomia para deliberar em última instância sobre o retorno do italiano. O STF entendeu que Battisti deve ser extraditado porque cometeu crimes hediondos, e não políticos.

Tarso disse que "ninguém perdeu" com a decisão do STF de deixar para Lula a palavra final sobre o caso. A expectativa é que o presidente se manifeste sobre o caso Battisti antes de deixar o governo, em dezembro, uma vez que o italiano está preso em Brasília esperando a decisão.
Leia mais

Nota do Editor - Tem razão o ex-ministro Tarso Genro. O caso Battisti não pode ser considerado um pepino. Quando muito um abacaxi. E olhe lá. Antigamente abacaxi era filme ruim, por falar nisso, acabei assistindo o filme do Lula. Fita de primeira, caríssima, bons atores, boa fotografia, boa música. E quase ninguém na platéia. Quem sabe filmando a vida de Battisti o público vá. (Sidney Borges)

Twitter

Circo da Notícia

A hora dos panos quentes

Por Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa (original aqui)
A revelação, algumas horas antes da abertura dos envelopes, das empresas de publicidade ganhadoras da concorrência da Petrobras, é exemplar por vários motivos. Primeiro, por ter ficado claro, mais uma vez, que o sistema de concorrência pública no Brasil ainda tem furos que permitem o favorecimento de grupos menos competentes ou mais careiros; segundo, porque a Petrobras levou alguns dias para cancelar a concorrência, quando deveria tê-lo feito imediatamente, tão logo se verificou a irregularidade. Terceiro, por ter mostrado que a imprensa, se foi capaz de repercutir a informação de uma revista eletrônica, a Meio&Mensagem Online, não teve fôlego para ir mais longe.

Ou, pior ainda, não teve fôlego para ir mais longe nem imaginação para buscar novas pautas a respeito de um tema tão escabroso. Por que, por exemplo, a Petrobras demorou tanto para cancelar a concorrência, se era público e notório que havia pelo menos uma irregularidade insanável? Qual o perfil das agências que ganharam a concorrência antes da abertura dos envelopes? Qual o relacionamento já existente entre elas e a Petrobras? Como é que uma empresa multinacional, que há pouquíssimo tempo deixou de ser um braço de sua sócia brasileira, de repente ganhou músculos para derrotar concorrentes com muito mais tradição no mercado? E, a partir daí, por que não verificar se nos estados, governados seja por que partido forem, as regras das concorrências têm as mesmas falhas?

Num ano eleitoral, e havendo envolvimento de uma empresa-símbolo do país, como a Petrobras, há o risco de partidarizar as investigações. Isso deve ser evitado: envolvimento partidário só se ficar comprovado que os partidos têm conhecimento das irregularidades, se beneficiam delas, participam da fraude.
Fraude, a propósito, é a palavra que deve nortear as coberturas. Se o resultado da concorrência era conhecido antes da abertura dos envelopes, houve fraude; alguém buscou, por algum motivo, controlar o resultado da concorrência. É difícil de apurar, mas se alguém o conseguir terá uma excelente reportagem nas mãos.

Jornalismo bonzinho


Aquela história de que os bancos só lhe emprestam dinheiro quando você não precisa continua válida; e a cada dia vale para mais setores da economia. Seguro saúde, por exemplo: à medida que o cliente envelhece (e tem sua capacidade de ganho reduzida), as seguradoras apertam mais a corda no seu pescoço, punindo-o pela ousadia de não morrer tão cedo quanto suas estatísticas estimavam.

Mas há abusos bem menos sofisticados do que esse. Uma jovem que mora em São José dos Campos (SP), associada à Unimed Paulistana, precisa fazer uma biópsia no seio – coisa urgente, já que se for problema sério terá de ser tratado imediatamente. A jovem foi à Unimed em São José dos Campos, levando toda a documentação, e nada de receber resposta. Reclamou, e soube que a empresa nem havia encaminhado ainda os documentos à congênere paulistana. Conversou com a Unimed Paulistana e soube que o pedido, quando chegasse, levaria pelo menos três dias para ser analisado. Experimente o caro colega atrasar três dias o pagamento do seguro-saúde (ou, no caso, mais de uma semana, já que houve a retenção em São José dos Campos). O lado de lá do balcão não costuma ter compreensão nenhuma em casos como este.

Resultado (por enquanto): a advogada da jovem registrou boletim de ocorrência na delegacia de polícia e prepara outras providências. E os meios de comunicação? Quietinhos, quietinhos. Não falam sobre problemas sérios, específicos, como este; não falam sobre problemas sérios, crônicos, como o dos aumentos astronômicos para os chatos que insistem em continuar vivos, ousados que são.

Uma amiga deste colunista entrou, há muitos anos, no plano mais caro de um seguro saúde bem conceituado. O seguro quebrou, foi vendido a outro, que quebrou, foi vendido a outra, e o plano dela foi caindo de patamar. Hoje a sede fica fora de São Paulo e o tratamento é analgésico da cintura para cima e elixir paregórico da cintura para baixo. E, embora continuem cobrando pelos planos top, nem os xaropinhos e comprimidos eles estão dando.

Imprensa? Não, isso não vale. Matéria boa é aquela que o promotor já dá pronta, não exige prática nem tampouco habilidade. No máximo, e só para constar, ouvir o outro lado, numa matéria que deverá ser publicada num canto, bem pequenininha. Pesquisar, fazer reportagem? Dá trabalho, e trabalho cansa.


Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

O futuro e o passado

Editorial do Estadão
O presidente Lula não pode ser condenado por desejar que a campanha pela sua sucessão seja um confronto plebiscitário entre os seus dois mandatos e os do antecessor Fernando Henrique. "Nós contra eles, pão, pão, queijo, queijo", como disse numa entrevista em outubro passado. Muito menos o PSDB pode ser criticado por não aceitar a agenda eleitoral nos termos estabelecidos pelo adversário. Mas Lula, a sua candidata Dilma Rousseff e o PT devem ser denunciados pela sistemática deturpação dos fatos que pretendem ver comparados. Já o provável candidato José Serra, o ex-presidenciável Aécio Neves e os tucanos em geral merecem ser expostos pelo modo como reagiram à tática lulista de intimidá-los. O nome clássico para esse tipo de reação é fuga para a frente.

Aécio Neves, por exemplo, se apresentava como o "pós-Lula". Serra deixa claro que a única comparação que a seu ver interessa ao povo brasileiro é entre os currículos dos competidores - a experiência (dele) contra o noviciado (de Dilma). Nem um nem outro afirmou que uma disputa presidencial comporta mais de um eixo: o essencial é o futuro, naturalmente, mas isso não significa ignorar o passado ou desatrelar uma coisa da outra. Trata-se, aliás, de uma repetição: José Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006, se recusaram a assumir o legado dos anos FHC. Como os petistas não perdem oportunidade de apontar, eles esconderam o ex-presidente. Agora, diante do intento lulista de ditar pela terceira vez as linhas do debate sucessório, reescrevendo a história recente do País, o PSDB tropeçou.

Foi o próprio Fernando Henrique quem tomou a si a tarefa de contestar, ponto por ponto, a versão caricatural do que foram os governos brasileiros dos últimos 16 anos. Em artigo no Estado de domingo ? cujo título, Sem medo do passado, pode ser lido também como uma sutil repreensão ao silêncio dos correligionários - ele acusa o sucessor de "baixar o nível da política à dissimulação e à mentira". A "desconstrução" do inimigo principal - principal, argumenta, "porque podemos ganhar as eleições" - consiste em negar "o que de bom foi feito" e em se apossar "de tudo o que dele herdaram, como se deles sempre tivesse sido". Seguramente não foi apenas a operação em curso de encurralar o candidato tucano que moveu o ex-presidente. Também a legítima preocupação com a sua biografia há de ter pesado na iniciativa.

No revide à teoria de que o governo "neoliberal" do PSDB travou o desenvolvimento e foi um modelo de insensibilidade social, Fernando Henrique arrolou as mudanças postas em marcha na sua administração, que permitiram a Lula "dar passos adiante". Para concluir que, embora eleições não se ganhem com o retrovisor, "se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa". O desafio produziu efeitos. A ministra Dilma, sem a agressividade costumeira, adotou uma linguagem que, na improvável hipótese de persistir, ajudaria a fazer da campanha uma contenda civilizada. "Não estou desmerecendo ninguém. Sem sombra de dúvida houve passos no governo anterior", ponderou. "O que estou dizendo é que o nosso caminho é melhor."
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 09 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"EUA e França defendem mais sanções contra o Irã"

Potências reagem a anúncio sobre enriquecimento de urânio iraniano

Potências ocidentais pediram à ONU novas e mais fortes sanções contra o Irã após o país anunciar que aumentará o enriquecimento de seu urânio de 3,5% para 20% e que começará a construir ainda neste ano dez novas centrais nucleares. Segundo o Irã, o objetivo do enriquecimento e abastecer reator usado para pesquisa médica. EUA e França, porém, temem o uso do urânio em bombas atômicas, o que os iranianos negam. "Não nos resta opção a não ser buscar novas medidas no Conselho de Segurança da ONU", afirmou o ministro da Defesa francês, Herve Morin, depois de receber em Paris seu colega americano, Robert Gates. Desde 2002, o Irã já foi submetido a três ciclos de sanções econômicas e comerciais em razão de seu programa nuclear. 0 Itamaraty disse acreditar que não estejam esgotadas as possibilidades de acordo.

O Estado de São Paulo
"Europeus criticam Brasil por dificultar sanções ao Irã"

Diplomatas questionam posição brasileira pelo diálogo ante escalada iraniana

Diplomatas europeus reclamam, nos bastidores, que a posição brasileira tem dificultado a imposição de novas sanções ao Irã pelo Conselho de Segurança da ONU, informou o jornal francês Le Monde. Segundo a França, seria necessária uma atuação em bloco dos membros do Conselho para que uma resolução seja aprovada. Só a unanimidade colocaria pressão sobre a China, membro permanente e com poder de veto, que não está disposta a apoiar novas sanções. EUA e França renovaram ontem a exigência de punição a Teerã, depois que os iranianos anunciaram planos para enriquecer seu próprio urânio. O Brasil havia assumido a posição de interlocutor entre o Irã e o Ocidente. O Itamaraty ainda defende um acordo para a troca de urânio enriquecido por combustível nuclear com os iranianos, e o chanceler Celso Amorim sugeriu que o Brasil não apoiara novas sanções.

Twitter

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Coluna do Mirisola

Crônica movediça

"O charlatão o aconselhou a mergulhar no estrume. O calor, em tese, evaporaria a água em excesso que havia em seu corpo. Heráclito mergulhou na merda com prazer: ele adorava esse papo de evaporação"

Marcelo Mirisola*
Com o devido termômetro e as devidas contas que me chegam todo final de mês; feito um peru da Sadia, condenado ao congelamento da véspera. Ainda assim, largado no meio de uma transamazônica que, segundo meu amigo Picanha de Tharso, me levará do nada a lugar nenhum. Quase afogado no rio de Heráclito de Éfeso (aquele rio que nunca será o mesmo duas vezes) carregado nos braços de Martinho da Vila, bêbado, recém chegado da boemia e engolido pelas sombras de J.L. Borges, e o pior: sem uma nega para curar meu porre e inapelavelmente refletido nos benditos espelhos de uma Bueno Aires que bem podia ficar ali na rua da Alfândega onde, em tempos idos, Dom João VI deve ter se lembrado da megera que o esperava em sua quinta e ponderou que há situações aparentemente sem retorno, ainda e mesmo assim ele voltou - vejam só - a gente volta, e se Dom João VI que era o Imperador dessa birosca voltou, por que eu não posso voltar – embora sendo outro - para morrer em casa, ainda que envenenado?


Por que comigo?

Heráclito foi um misantropo e pedófilo empedernido, antecedeu Diógenes (não na pedofilia, não há dados sobre isso) mas no, digamos, “pensamento sombrio”. As mesmas almas que se repetem ao longo dos séculos, mas que nunca, como as águas envenenadas de um rio, serão as mesmas, sim, depois viriam Luciano de Samósata, Schopenhauer, Nietzsche, Cioran e sei lá mais quem.

Diógenes nos diz: "Retirado no templo de Ártemis, Heráclito divertia-se em jogar com as crianças e, acercando-se dele os efésios, perguntou-lhes:

De que vos admirais, perversos? Que é melhor: fazer isso ou administrar a República convosco?"

Uma questão oportuna que, milênios depois, poderia ser ensejada em nossas pudicas casas legislativas, executivas e judiciárias. Nos últimos anos de sua vida, o homem-lúcifer juntou seus trapos e foi viver nas montanhas, alimentava-se de samambaias. Adoeceu, teve uma espécie de hidropsia – excesso de água no corpo. Voltou à cidade. Os médicos não conseguiram curá-lo, e ele – depois de evidentemente ridicularizá-los - resolveu consultar um curandeiro. Tava feita a cagada, literalmente. O charlatão o aconselhou a mergulhar no estrume. O calor, em tese, evaporaria a água em excesso que havia em seu corpo. Heráclito mergulhou na merda com prazer: ele adorava esse papo de evaporação. Tchibum! Lá foi ele. Resultado: seus cães confundiram seu costumeiro cheiro de mendigo com cheiro de merda de vaca, e o devoraram como se fosse uma carniça qualquer. Outra tese é a de que o enfezado filósofo e empedernido pedófilo tenha morrido sufocado sob a merda. O historiador Neantes de Cízico assegura que, tendo sido impossível retirar o corpo mergulhado no esterco, quedou por ali mesmo.

Eis o paradoxo de Heráclito. Logo o homem que disse que não entramos impunemente no mesmo rio duas vezes, o pensador dos fluxos e contra-fluxos, teria morrido afogado na merda grudenta, paralisante, movediça.

Tenho lá meus talentos e minhas idiossincrasias, vá lá, não sei fazer a diferença entre um arlequim, um pierrô e uma junta de emocinética; não bastasse, carrego nesse meu lombo maltratado todos os pecados do mundo, menos a omissão, será que é por isso que Deus brinca de sadomasoquismo comigo?

Num dia King Kong, noutro Saci Pererê. Logo eu que não acredito em efeitos especiais mas sou obrigado a acreditar no potencial explosivo de um Ahmadinejad, logo eu que perdi o amor daquela infeliz no dia 17 de junho de 2004, e logo eu que entendo perfeitamente - sinto todo dia quando Deus se ilumina com meus achaques – que os amores perdidos e a explosão anunciada são também implosões efetivas que reviram os intestinos do mundo que são os meus intestinos também (a despeito das piores e melhores intenções), logo eu que continuo mais perdido que cachorro em dia de mudança, logo eu que cometo a delicadeza de chafurdar na merda – gosto disso – não para me curar de hidropsia, mas para trazer notícias fresquinhas de lá; por que na minha direção?, logo eu que não pretendo ensinar o Padre Nosso ao vigário e que, depois de uma noite inteira na via Dutra costumo acordar no Santo Cristo dando bom dia aos galpões subutilizados pela companhia Docas e bom dia ao profeta Gentileza que gera gentileza, logo eu que divido com Heráclito e com o profeta a crença de que o fogo transforma e regenera, logo eu que aposto que o esquecimento é a melhor forma de vingança, ah, logo eu que jamais consigo esquecer! -, por que, meu Deus? , logo para um cara que está coberto de merda, afogado nas tormentas de Heráclito, logo para mim, as autoridades vem pedir CIC e RG?

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


Twitter
 
Free counter and web stats