sábado, fevereiro 06, 2010

Dinheiro

Oscilações

Sidney Borges
A bolsa tá caindo e o dólar subindo. Culpa da quebra de quatro países, Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, onde tudo parecia ir bem. Parecia, mas não ia. Dizem que Grécia e Irlanda não têm mais salvação, estão literalmente na banca rota. Não aposte, dizem tantas coisas por aí. É notável o peso dos humores estrangeiros no desempenho do mercado financeiro. Demasiado. Um dia a casa pode cair. Tomara que não aconteça...

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Calor



Está quente, mesmo assim vamos em frente

Sidney Borges
A temperatura digna do deserto de Atacama não consegue esmorecer a vontade de informar dos colaboradores do Ubatuba Víbora. Na foto um instante da redação nesta manhã ensolarada de sábado. Eu disse às meninas para irem à praia pegar um bronze. Qual o quê. Não arredaram pé da redação.

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Do filme: Depois eu conto


Ivon Curi, 1956 - "Delicadeza"
Veja aqui

Vida Bandida

Preso na Islândia, Hosmany Ramos diz que foi transferido para "melhor prisão do planeta"

ANDRÉ MONTEIRO da Folha Online
O ex-cirurgião plástico Hosmany Ramos, preso na Islândia desde agosto do ano passado, afirma que o governo brasileiro terá que apresentar "argumentos robustos" caso queira concretizar a extradição que o traria de volta ao país. Nesta sexta-feira (5), a editora que publica seus livros informou que a Suprema Corte islandesa
suspendeu a decisão de extraditá-lo ao Brasil.

A Suprema Corte anulou a decisão da ministra da Justiça e da primeira instância, tendo em vista que não levaram em consideração meus argumentos e há uma falha quanto a pena cumprida. Isso significa que não serei extraditado, pelo menos agora. Se o Tarso [Genro, ministro da Justiça] quiser insistir nesse caso, terá que vir com argumentos robustos", disse Hosmany, em entrevista à Folha Online nesta sexta pelo programa Skype.
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Nota do Editor - Diz o ditado que de médico e de louco todo mundo tem um pouco. No caso de Hosmany é quase verdade, ele tem muito de médico e certamente não tem apenas um pouco de louco, é completamente maluco.
No início da carreira criminosa Dr. Hosmany passou por Ubatuba. Chegou de avião em companhia do piloto Joel Avon. Era um dia ensolarado, quase não havia movimento no aeroporto. Na sala de despachos Cláudio e Chacrinha observavam da janela o crescimento da grama e as volutas acrobáticas das libélulas.
O avião (Sêneca) precisava de combustível. O piloto parou no pátio sem desligar os motores, Hosmany foi até o controle e perguntou: tem? Chacrinha disse não. Ele voltou ao avião que taxiou para a cabeceira.
Cláudio ficou furioso, vestido a caráter com quatro faixas de comandante aboletou-se na Caravan branca, colocou a sirene magnética no teto e saiu disposto a tomar satisfações. Em sua cabeça de autoridade um pensamento remoía: Quem pousa em Ubatuba precisa mostrar os documentos do avião e fazer plano de vôo. Senão não sai mais daqui.
Na cabeceira o piloto fazia o cheque de decolagem quando notou a Caravan com os farois acesos indo em direção ao avião pelo meio da pista.
Hosmany pegou uma carabina de alto calibre com mira telescópica. Saiu da cabine, acocorou-se na asa e fez mira.
Cláudio tinha olho de lince, de longe percebeu que a coisa era pra valer. Não titubeou, virou à esquerda cantando os pneus e sumiu no mato.
O avião decolou. Cláudio esperou um pouco antes de sair da floresta. Estava assustado, empoeirado, com a calça rasgada, sem um sapato e com as divisas de comandante em apenas um dos ombros. Chamou Chacrinha pelo rádio para providenciar socorro. A Caravan jazia enfumaçada no fundo de um grotão. Naquele dia o comandante Cláudio nasceu de novo. Tem razão o povo quando diz que a aviação tem lá seus perigos. Depois de aposentar-se o comandante, gente fina, foi para São Paulo e fez o que todo mundo faz. Morreu. Mas durante o restante da vida nunca se esqueceu do dia em que enfrentou um perigoso meliante com diploma de doutor.
Semanas depois os jornais noticiaram o assassinato do piloto Joel Avon, crime atribuido a Hosmany. O mesmo Hosmany que ora está lá e de vez em quando está aqui. Em tempo: Hosmany é nome artístico, na pia batismal foi cravado Osmane. Eta nóis... (Sidney Borges)

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Mídia

Vamos resgatar a história do jornal Movimento?

Do Webmanario (original aqui)
Um grupo de jornalistas e historiadores está empenhado em resgatar a trajetória do jornal Movimento, que entre 1975 e 1981 desafiou a ditadura militar investindo em reportagens investigativas principalmente no campo dos direitos humanos e da consciência política. Foi, é claro, censurado (e muito), mas acabou eterno enquanto durou.


Outro aspecto valioso da experiência foi o sistema de autogestão. O Movimento, que acabaria conhecido como o “jornal dos jornalistas”, foi iniciativa de profissionais da área, sem patrão, sem capital pesado por trás de seu funcionamento _cerca de 300 colaboradores (ou “acionistas”) ajudavam a mantê-lo vivo.

A história do jornal, via Editora Manifesto, vai virar livro, mas para isso os autores estão procurando gente que colaborou com a publicação (dos repórteres aos acionistas, passando por vendedores de rua ou pessoas que tenham tido qualquer tipo de ligação com o veículo).

Gente capaz de dar depoimentos como o que reproduzo abaixo, que dão exatamente o tom do que se tratava trabalhar, ainda que indiretamente, numa publicação assumidamente de esquerda no Brasil dos anos 70.

“Foi com o jornal Movimento debaixo do braço que eu saí da casa dos meus pais e de São Paulo.

Conhecer o jornal foi um salto de consciência do que estava acontecendo no país e no mundo. Virei vendedora porque sentia que estava fazendo algo importante, eu era parte da resistência à ditadura. Uma bela noite cheguei em casa, estavam no quintal queimando uma pilha de exemplares… Estavam minha mãe, meu pai, minhas irmãs, queimando tudo. Meu pai disse: ‘prefiro ver você morta a comunista’”.

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Números

Chapéu de Napoleão

Engº Guaracy Fontes Monteiro Filho
Fiquei quase espantado ao saber, que foi publicado na imprensa sem expressão de Ubatuba, matéria afirmando que teríamos batido recorde de emendas e recursos na região . Como tenho afirmado em diversos textos, que por falta de articulação política, Ubatuba tem ficado esquecida e longe dos mecanismos que geram e estabelecem os parâmetros das decisões do nosso estado, resolvi me beliscar para acreditar na loucura e apresentar alguns números, que poderão ser conferidos nas páginas do Siga Brasil , www.senado.gov.br , www.fazenda.sp.gov.br.
Comparando as cidades de Ubatuba e Caraguatatuba, a surra é vergonhosa, Ubatuba firmou convênios com o Estado , cujo valores são da ordem de R$ 10.764.328,00 e teve a liberação nos últimos 12 meses no valor de R$ 6.671.405,00 , enquanto Caraguatatuba soma R$ 17.461.735,00, tendo liberação nos últimos 12 meses de R$ 10.943.354,00 ou seja, uma diferença de mais de 60%. Se analisarmos os recursos do Governo Federal, o caldo acaba de entornar, Ubatuba recebeu R$ 13.897.182,00, enquanto Caraguatatuba recebeu R$ 15.564.711 e São Sebastião R$ 16.627.411,00. Outra surra é nas transferências constitucionais, Ubatuba recebeu em 2009, recursos da ordem de R$ 37.244.775,88, São Sebastião R$ 45.527.344,44 e Caraguatatuba R$ 45.573.417,93. Saliento que os dados são públicos e demonstram a fragilidade do nosso município frente a região. Está é a realidade, a ficção fica por conta de quem ainda acredita em historinhas infantis e super homem de cueca vermelha. Por fim, como estou de bom humor e o carnaval está chegando, devo salientar que o cabo que piloto é o da “moto serra’ , que em breve , irá de jato pro planalto, o do machado só uso para assistir e rir nas sessões plenárias do TCE, com tato ou sem tato.

Em Tempo: Aproveito para saudar meu amigo Marcos de Oliveira Galvão, homem probo, prefeito de Roseira e eleito 1º vice presidente do CODIVAP.

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Sétima Arte

Prefiro as legendas

Miriam Tabarro
Segundo alguns conceitos de marketing, é fundamental para qualquer projeto ou campanha publicitária, qualquer atividade no lançamento e comercialização de um produto, a definição muito clara de qual público alvo se quer atingir. Definir para quem ele é destinado é meio caminho andado em seu sucesso comercial . Para tanto, para uma aproximada definição do perfil do público, várias técnicas podem ser empregadas, entre elas duas pesquisas importantes; uma quantitativa e outra qualitativa.Não, não sou nenhuma especialista nessa área, só quero deixar aqui uma reclamação.

Sugiro que o Cine Porto, por ser o único cinema da cidade, cuide um pouco mais de sua marca, para poder obter um retorno comercial mais consistente. Essa empresa , que em minha modesta opinião, não costuma investir nem em marketing e, muito menos, em comunicação de uma forma minimamente regular, precisa determinar qual o público que quer alcançar. E está fácil porque, por não ter concorrentes, pode fisgar a TODOS e de todas as classes. Repito, não sou expert no assunto, mas arrisco dizer que, como único cinema no município, com um pouco de perspicácia comercial, poderia ter muito mais publico, e vou explicar por quê.

Na quarta-feira, dia 3 de fevereiro, fui com mais duas amigas assistir ao Sherlock Holmes, de Guy Ritchie, recém lançado em cadeia nacional. Assim que o filme começou, para nossa decepção, percebemos que ele era dublado. O clima se perdeu totalmente: ambientado na Inglaterra vitoriana (final do séc. XIX), a estória se desenrola nos becos de Londres com toda a pulsação de seu submundo, onde personagens marginais e maléficos contracenam com o famoso detetive e seu auxiliar, Dr. Watson (comentários sobre o filme em si, dariam mais algumas páginas). Acontece que, independente do humor intrínseco ao enredo, o genero do filme torna-se naturalmente uma comédia, já que as vozes que dublam os atores são nossas velhas conhecidas em personagens que vão de Barth Simpson ao gato Batatinha, do Manda Chuva e sua turma, passando também pelo Zé Colmeia, Scoobidoo e outros. Ou seja, virou desenho animado.

Um espectador, inconformado como eu, reclamou no final da sessão e a pessoa que o atendeu alegou que eles estavam satisfazendo a seu público. Qual público? Um público de analfabetos, que não sabem nem mesmo ler uma legenda? Um público que tem preguiça de ler? É possível , e esta seria uma razão interessante para unir entretenimento e cultura, apresentando um filme legendado, que possibilitasse, no mínimo, o exercício da leitura. Mas quem se preocupa com isso? Eu mesma, no dia seguinte, resolvi reclamar e ouvi da gerente uma outra versão: a de que eles receberam a cópia por engano, e não tiveram tempo hábil para trocá-la. A mim me pareceu mais verdadeira a primeira resposta : eles sabem, sim, qual o público que desejam. E, por favor, reflitam: se o alvo do Cine Porto for só a classe C, penso que exatamente esse público mereceria um pouco mais de consideração, na oportunidade de aprender um pouco mais, mesmo enquanto se diverte; não precisa ser nivelado por baixo; todos devem ser “cutucados” em seu intelecto, nem que seja ao ler uma simples legenda; nada de incentivar a preguiça mental com filmes dublados. Argumento posto, além disso acho que escolhendo filmes legendados a empresa ganharia também a simpatia de quem gosta de ler e, dos que, conhecendo uma segunda língua, encontram nos filmes um meio de exercitá-la. De minha parte, vou prestar mais atenção e nas próximas vezes vou checar antes de ir ao cinema se o filme é dublado ou legendado. Adoro a telona mas vou esperar o DVD chegar às locadoras. Eu e muuiitaaaaa gente.

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Opinião

O que o PT quer de Dilma

Editorial do Estadão
A versão preliminar do projeto do PT para um eventual governo Dilma Rousseff, a ser aprovado no 4º Congresso Nacional do partido, logo depois do carnaval, quando a ministra será sagrada herdeira do presidente Lula, é uma espécie de PAC político. Junta alguns dos objetivos clássicos do petismo - a começar da expansão da presença do Estado na economia - com a preocupação de privilegiar a ideologia como força motriz da "grande transformação" que dá título ao documento. Dilma, encarnando o pós-Lula, seria uma presidente mais ortodoxa do que o seu patrono - uma posição que não lhe seria difícil assumir, a julgar por sua formação, trajetória e personalidade.

"O programa é mais à esquerda do presidente Lula, mas não é mais esquerdista", diz o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT. "Isso significa que poderemos cumprir agora os objetivos sociais mais ambiciosos, porque as grandes questões macroeconômicas, como a dívida interna, ou foram solucionadas ou estão equacionadas." Se o plano fosse além das generalidades, seria mais fácil avaliar se esses objetivos são compatíveis com os fundamentos macroeconômicos mantidos por Lula ou, se não forem, de que lado arrebentará a corda. De qualquer forma, o espírito do novo "projeto nacional de desenvolvimento" não é menos triunfalista do que a retórica do presidente - que só irá se intensificar para converter a sua popularidade em sufrágios para a candidata que pinçou, à falta de alternativas.

"O Brasil deixou de ser o país do futuro", proclama a carta de intenções petista, divulgada por este jornal. "O futuro chegou." Fortalecido por uma "burocracia de alta qualidade", o Estado dirigista teria condições de capitanear um ciclo presumivelmente duradouro de crescimento acelerado, com investimentos públicos pesados e gastos sociais robustos. "A elevação das taxas de crescimento deverá marcar o governo Dilma", prevê o partido, com "mais empregos, renda e bem-estar social". Em consequência, "programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, perderão a importância que têm", ousa o documento, talvez numa tentativa de responder às críticas da oposição segundo as quais esses programas não preveem portas de saída.

O PT não está preocupado em explicar como ocorrerá "a grande transformação" ou de onde virão os recursos para ter um SUS de qualidade e expandir o orçamento da educação, como propõe o texto. Basta-lhe afirmar que, sob Dilma, o Brasil terá tudo isso e o céu também. Não se equivocará quem encontrar nesse palavreado ecos do "ninguém segura este país" da ditadura militar. Como o papel aceita tudo, o programa promete ainda "melhor condição de vida nas grandes cidades" - nome de um dos seus 13 "eixos" -, com mais linhas de metrô, veículos leves sobre trilhos e corredores de ônibus. Pelo visto, Dilma seria presidente, governadora e prefeita. Mas a invasão retórica das atribuições dos poderes estaduais e municipais tem endereço certo. O PT precisa dos votos da nova classe média.
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Manchetes do dia

Sábado, 06 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"BC não vê ameaça na alta do dólar"

Governo alegra que cenário é diferente e decide não intervir na valorização da moeda; mercado critica

O Banco Central decidiu não intervir contra a alta do dólar, mesmo com a moeda americana subindo pela quarta semana seguida. Ontem, ela fechou a R$ 1,891, com alta de 0,37% no dia. Mesmo com a tensão nos mercados, o BC não apareceu vendendo dólares, como no final de 2008; ao contrário, durante a semana, comprou dólares nas faixas de R$ 1,84 e R$ 1,88, o que ratificou o novo valor da moeda. O argumento do governo é que, hoje, não há os mesmos problemas da época da crise global. Para o BC, as empresas brasileiras têm dólares de sobra e não há casos de aposta errada no câmbio, como ocorreu com Sadia e Aracruz. O mercado critica a atitude. Segundo operadores, o volume de negócios é reduzido porque importadores e exportadores esperam o câmbio se estabilizar. Neste ano, a Bovespa já perdeu 15% em dólar. Ontem, caiu 1,83% e desceu a 62.762 pontos, o menor patamar em três meses.

O Estado de São Paulo
"Justiça já prepara afastamento de Arruda"

Suspeito de liderar esquema de corrupção no DF, governador pode até ser preso, após flagrante de tentativa de suborno; ele diz que não sai

A Justiça e o Ministério Público discutem formas de afastar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que poderia até ser preso. Arruda é acusado de chefiar esquema de corrupção conhecido como “mensalão do DEM”. O que agravou a situação foi uma tentativa de suborno, feita por um servidor, a um jornalista que ajudaria a fragilizar provas contra o governador. No caso do afastamento de Arruda, assumirá o vice, Paulo Octávio, presidente do DEM de Brasília e também suspeito de integrar o esquema. Por meio de sua assessoria, Arruda disse que não renunciará e que ao acredita que a Justiça ordene seu afastamento ou prisão: “Eles vão ter de me agüentar até 31 de dezembro”.

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sexta-feira, fevereiro 05, 2010


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Caças

Lula diz que governo ainda não decidiu sobre compra de caças

da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o governo ainda não tomou uma decisão sobre da compra de caças para modernização da frota da FAB (Força Aérea Brasileira). Segundo o presidente, as propostas continuam sob análise do Ministério da Defesa.

"Quero reafirmar que, até o momento, não há qualquer decisão tomada em relação à compra dos caças. Trata-se de uma escolha muito importante para o governo e para o Brasil, considerando a nossa determinação de fazer da política nacional de defesa um eixo de desenvolvimento econômico e de autonomia tecnológica", afirmou o presidente ao Jornal do Comércio, de Porto Alegre.
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Nota do Editor - Tenho comigo que Lula já decidiu, mas só vai anunciar mais tarde. Alguns setores da sociedade argumentam que adquirir aviões americanos e fabricá-los aqui depois pode ser a criação de uma nova dependência. Concordo, quando a Venezuela quis comprar o "Super Tucano", não pudemos vender, os americanos não deixaram, o avião tem motor e instrumentos fabricados nos EUA. Em um futuro breve teremos condições de oferecer ao mercado o "caça da tecnologia transferida". Não terá sentido pedir a benção ao Tio Sam. É nosso direito vender, ainda que os compradores sejam inimigos do Império, hipótese fora da pauta de democratas e republicanos. Será que a França fará diferente dos Estados Unidos? Acho melhor comprar da Suécia que parece não ter inimigos. (Sidney Borges)

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Ubatuba em foco

O Sonho não terminou...

Sofia Szenczi
Aproximadamente a uns 2 anos atrás, meu primeiro Ano como aluna do curso de Pedagogia pela Universidade de Taubaté, estive presente na plenária da Câmara Municipal de Ubatuba, na época localizada na Avenida Iperoig, tornando pública minha tristeza e indignação pelos rumores do fechamento do Campus em nosso município.


Eu mesma durante a adolescência, presenciei amigos indo embora para cursar uma Universidade fora do município, afastando-se da família e dos amigos, deixando talvez de contribuir para o crescimento de Ubatuba e muitas vezes presenciei pessoas que não tinham as mesmas condições e ficavam por aqui, sem perspectivas profissionais.

Na época, lembro-me ter feito um apelo às autoridades da cidade, para que convênios fossem fechados e o Campus mantido.

Encerrei meu curso em Dezembro de 2009, ano passado de fato, com a tristeza do destino incerto da Universidade de Taubaté em Ubatuba...

Porém, é com imensa felicidade e gratidão com aqueles que fizeram com que Ubatuba continuasse a possuir uma Universidade de Verdade, que torno pública hoje minha satisfação, inclusive agradeço ao então Secretário de Educação, Arnaldo Alves, e toda a equipe do Campus da Unitau em Ubatuba e do EAD em Taubaté, pelos esforços e por acreditarem que Ubatuba merece mais uma chance e oferecerem ao Povo Ubatubense a Oportunidade de cursar uma Universidade com Professores reais e materializados, ou seja, uma EAD inovadora, onde o Professor não perde seu valor para máquinas e satélites, onde o valor monetário está ao alcance de mais cidadãos!

A Unitau retorna de cara nova e se não me engano, já está com inscrições abertas para o novo Vestibular,em seu site!

Mais uma vez Obrigada à todos que acreditaram neste sonho! Pois pra mim a Universidade de Taubaté faz parte de minha caminhada, uma vez que meu pai formou-se em 1987 em História, eu em 2009 em Pedagogia, sou casada com um Professor da mesma e atualmente minha Mãe cursa Pedagogia em Ubatuba!

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Palavrão não!

Ainda a violência

Sidney Borges
Quando o presidente Lula recebeu a faixa das mãos de Fernando Henrique Cardoso, ouviu um alerta. A crescente violência é um problema de difícil solução. Cuide disso. Dentre as fontes de inquietação que afligem o cidadão brasileiro a (in)segurança é, segundo estatísticas, o maior, o que mais preocupa. Eu seria leviano se imputasse a situação ao presidente Lula. O problema era grave anteriormente, continua grave e certamente vai tirar horas de sono do futuro presidente. No comentário que fiz sobre estarmos ricos, finos e chiques, apenas manifestei meu desapreço ao bombardeio ufanístico que vejo na mídia. Infinitamente maior e mais contundente do que o dos tempos da ditadura. Nem mesmo na época do "milagre", com o Brasil tri-campeão, pleno emprego e o povo sorrindo com o bolso cheio, vi tamanha lavagem cerebral. Aos comentaristas uma solicitação. Não se empolguem, palavrões não podem ser publicados. O Ubatuba Víbora é um blog de salão. E como tal, é contra o baixo calão. Os leitores nem imaginam o que um leitor petista escreveu sobre o governador Serra. Waal!

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Violência

Litoral e Vale do Paraíba

Diário de Taubaté Online (original aqui)
De acordo com a reportagem do jornal Folha de S. Paulo, na edição da última quinta-feira, 4, no Caderno Cotidiano, página C1, o Litoral e Vale do Paraíba têm as cidades mais violentas do estado de São Paulo. A reportagem de Evandro Spinelli e Fábio Amato, indica que seis dos dez municípios com maiores índices de homicídios em 2009 estão nessas áreas.

Segundo dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública), a cidade mais violenta do Estado é Mairiporã. No litoral, a cidade de Ubatuba é que ostenta o maior crescimento de homicídios.

Os dados da pesquisa foram tabulados pela Folha, a partir das informações divulgadas pela SSP. A pesquisa revela que após dez anos, o número de homicídios voltou a subir no Estado. A capital e a Grande SP seguiram a tendência de queda, que vinha desde 2000.

Segundo a Folha de S. Paulo, a cidade que teve a maior explosão da violência foi Ubatuba, no litoral norte. Foram 20 homicídios no ano passado, contra oito no ano anterior. Caçapava e Guaratinguetá também fazem parte do ranking das cidades com maior crescimento da violência em 2009. Na lista de municípios com maiores índices de homicídios estão Caraguatatuba, Ubatuba e Caçapava.

Para elaborar esses rankings, a Folha considerou apenas as cidades que tiveram pelo menos dez assassinatos em 2009. Foram usados os índices de assassinatos por 100 mil habitantes, para não haver distorção entre os números e ser possível comparar a violência em municípios de tamanhos diferentes.

Nota do Editor - Nem vou comentar, não é necessário, a notícia fala por sí. Somos campeões mais uma vez. Vou vestir uma camisa Lacoste e comemorar em São José dos Campos. Lá o clima é ameno. Note-se que o problema está atingindo o território nacional como um todo, apesar da propaganda lulista afirmar que nos tornamos ricos, finos e chiques. (Sidney Borges)

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Brasil visto de fora

Serra precisa começar já sua campanha, diz 'Economist'

Para revista, se não agir, governador corre risco de ser 'o melhor presidente que o Brasil nunca teve'.

Do Estadão

A revista britânica The Economist traz na sua última edição, publicada nesta quinta-feira, um artigo em que diz que o governador de São Paulo, José Serra, precisa iniciar já a sua campanha à Presidência da República para ter chances de vencer.

No texto, intitulado Serra espera, um pouco pacientemente demais, pela Presidência, a revista traça um perfil do governador, destacando que ele "é certamente um forte candidato a ocupar a vaga" de Luiz Inácio Lula da Silva.

"O líder na futura disputa presidencial no Brasil tem feito um bom trabalho governando o maior Estado do país. Mas para manter sua liderança, ele precisa começar a fazer campanha", diz o artigo.

"Apesar de todas as boas histórias que tem para contar sobre seu período como governador, a forte liderança que ele manteve nas pesquisas por um ano recentemente diminuiu, à medida que o presidente Lula, ainda imensamente popular após sete anos no governo, tem feito campanha com vigor para sua candidata, Dilma Rousseff."

A revista ressalta que Serra e Dilma têm semelhanças ideológicas, embora o governador "pareça mais inclinado a impulsionar reformas fundamentais necessárias para melhorar os serviços públicos e acelerar a economia".

"Rousseff, embora seja uma administradora capaz, é ainda menos carismática que seu rival. Por isso, os números de Serra devem voltar a subir assim que ele inicie sua campanha."
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Nota do Editor - Os ingleses perderam o império mas jamais perderão a empáfia. Refletir o que vai pelo Brasil através da imprensa e opinar é válido, mas ter a petulância de dizer o que o governador Serra deve fazer ultrapassa os limites do bom senso. As últimas pesquisas foram feitas para colocar Dilma onde ela aparece agora, a realidade é diferente. Serra sabe o que faz, é experiente. Vai lançar a candidatura, ou não, no momento apropriado. Ainda é cedo, quem vai com volúpia ao mingau queima a língua. (Sidney Borges)

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Eleições 2010



Plano de governo do PT para Dilma reforça papel do Estado na economia

Documento, que vai a debate, prega fortalecimento de estatais e de políticas de crédito oficiais para setor produtivo

Vera Rosa, BRASÍLIA
Ancorado pelo mote de um novo "projeto nacional de desenvolvimento", o programa de governo do PT vai situar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à esquerda da gestão Lula. Documento com as diretrizes que nortearão a plataforma política de Dilma, intitulado A grande transformação, prega maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para o setor produtivo. O texto a ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro - quando Dilma será aclamada candidata ao Palácio do Planalto num megaencontro em Brasília - diz que a herança transmitida à "próxima presidente" será "bendita", após duas décadas de estagnação e avaliações "medíocres". Em 2003, quando assumiu o primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido uma "herança maldita" do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na tentativa de esvaziar o mote do pós-Lula entoado pelo PSDB, o documento obtido pelo Estado sustenta que só o herdeiro do espólio lulista pode oferecer as bases para a formulação de um "projeto nacional de desenvolvimento", que mescla incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda."O Brasil deixou de ser o eterno país do futuro. O futuro chegou. E o pós-Lula é Dilma", diz um trecho da versão preliminar da plataforma. No diagnóstico que antecede a apresentação dos eixos programáticos, o PT afirma que "o Brasil foi programado para ser um país pequeno, cujo crescimento não poderia nunca ultrapassar os 3%, e que teria de se conformar com a existência de 30 ou 40 milhões de homens e mulheres para os quais não haveria espaço".

Com estocadas nos tucanos, o texto deixa claro que o PT deseja uma campanha polarizada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), potencial adversário de Dilma, embora o nome dele não seja citado. "Os preconceitos ideológicos hegemônicos nos anos 90 fizeram com que o Estado brasileiro passasse naquele período por um processo de desconstrução, que comprometeu sua eficácia", ataca o documento, numa referência ao governo Fernando Henrique. "Os mesmos que no passado foram responsáveis por esse desmantelamento são hoje os que denunciam a "gastança" e o inchaço da máquina pública."
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Nota do Editor - Eles continuam falando uma coisa e fazendo outra. Falam mal dos tucanos e conduzem a economia como se fossem tucanos. Falam em aumentar a presença do Estado sem especificar o significado disso. Vão estatizar empresas? Com esse discurso o PT vai colocar a banca ao lado de Serra e é de conhecimento geral que ganha eleição quem tem apoio da banca. Lula sabe disso, mas Lula é novamente uma peça a ser manipulada. Foi o operário padrão que a esquerda precisava, agora é o eleitor da verdadeira esquerdista. Com Dilma vitoriosa o PT começará a desconstrução de Lula. Mas antes disso Dilma precisa ganhar a eleição. Não vai ser fácil. Assustando a banca será muito difícil. (Sidney Borges)

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Coluna do Celsinho

No ponto

Celso de Almeida Jr.
Atendendo ao convite do Cássio Petreca participei do Programa Ponto de Encontro, comandado pelo Ednelson Prado.


Fiquei bem impressionado com a estrutura da TV Litoral Net, canal 18.

Dirigida por jovens muito dinâmicos, a emissora tem tudo para continuar crescendo, conquistando cada vez mais telespectadores.

Talentoso como sempre, Ednelson conduziu a conversa com aquela bossa que só quem é do ramo da comunicação tem.

É o tipo de entrevistador que nos deixa a vontade, provocando temas interessantes, convidando à reflexão.

Falamos do Ninja – Núcleo Infantojuvenil de Aviação; das ações do Instituto Salerno-Chieus e, não deu para escapar, entramos na política...

Comentei sobre as oportunidades que perdemos, dando como exemplo as atividades do consórcio responsável pelos trabalhos de engenharia, suprimento, construção e montagem da Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba.

Há alguns anos já sabíamos da instalação da UTGCA e não agimos rapidamente para capacitar os nossos trabalhadores, auxiliando-os a conquistarem as vagas de trabalho que estavam surgindo.

Enquanto o governo federal e as cidades vizinhas incrementaram cursos para a capacitação, nós dormimos no ponto.


Eu mesmo assisti a morosidade para implantar os cursos que o Senai de Taubaté nos ofereceu.

Infelizmente, a parte que dependia da prefeitura ficou naquela marcha lenta típica de um Ford modelo T.


A vantagem do Fordinho é que depois que embalava, beirava os 70 km/h.

No nosso caso, o embalo foi apenas aquele de nanar nenê.

É preciso despertar, prezado leitor.

Estamos a poucos anos de ter no país a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas e precisamos, já, agora, neste instante, começarmos a capacitar a nossa mão de obra para oferecer qualidade no atendimento aos visitantes.

Não quero no futuro ficar lamentando a falta de iniciativa reinante.

Temos capacidade; inteligência também.

Mas esta preguiça...

Esta falta de vontade política...

Esta ausência de articulação...

Assustam, incomodam, causam indignação.

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Opinião

Belo Monte: ora, as leis

Washington Novaes
Há muito se sabe e se diz que no Brasil há "leis que pegam" e "leis que não pegam" ou "ficam só no papel". É verdade. Os exemplos poderiam ser dezenas, centenas, mas não é preciso enumerá-los, cada pessoa tem em sua memória muitos exemplos. Mas talvez o exemplo mais aberrante seja o da Resolução nº 1, de 23 de janeiro de 1987, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que tem força de lei. Diz ela, no inciso I do artigo 5º, que projetos que precisem de licenciamento ambiental deverão "contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto". E entre as iniciativas que a essa exigência devem submeter-se estão as "barragens para quaisquer fins", assim como "abertura de canais" e implantação de "hidrelétricas acima de 10 MW".


A Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, que acaba de receber do Ibama licença prévia, enquadra-se em todos esses itens. Terá sido confrontada com alternativa de não execução? Não parece. Poderia ser confrontada, por exemplo, com o estudo de Unicamp e WWF, tantas vezes já mencionado neste espaço, que afirma não precisar o Brasil de ampliação de sua oferta de energia; poderia ganhar o equivalente a 30% de seu consumo atual com programas de conservação e eficiência energética (como ocorreu no apagão de 2001); ganhar mais 10% com a redução de perdas nas linhas de transmissão (o Brasil perde mais de 15% nesse caminho, ante 1% no Japão); e ainda outros 10% com a repotenciação de geradores muitos antigos - tudo a custos muitas vezes menores que os da nova geração. Mas não só os governantes deixam a lei no papel como o atual ministro de Minas e Energia atribui "intenções demoníacas" a quem recorde esse e outros questionamentos de alto nível na área científica e universitária. E ainda tem a desfaçatez de dizer que só estão sendo licenciadas numerosas usinas termoelétricas, altamente poluidoras, porque o licenciamento ambiental impede a implantação de hidrelétricas (no momento em que não há ameaça de falta de energia e os reservatórios transbordam).

O fato é que se concedeu licença prévia para o projeto de Belo Monte, mas "com 40 condicionantes", que incluem "ações de mitigação dos impactos do empreendimento". Isso incluiria projetos de saneamento, "melhoria das condições de vida da população impactada" (12 mil pessoas, segundo o governo, 80 mil, segundo várias ONGs), monitoramento da floresta e adoção de áreas de conservação. Ao todo, isso poderia chegar a R$ 1,5 bilhão, mais 0,5% do valor do empreendimento a título de "compensação ambiental".

A Resolução nº 1 do Conama já "não pegou". As condicionantes vão "pegar"? A julgar pela experiência, tudo indica que não. Pode-se voltar ao caso do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, tantas vezes comentado aqui. E na última (30/10/2009) para lembrar exatamente isto: que 31 condicionantes exigidas pelo Ibama ao conceder licença prévia (como agora em Belo Monte) não haviam sido cumpridas e ainda assim as obras tiveram licença de instalação e foram iniciadas. E não eram exigências simples: referiam-se à impropriedade para a agricultura da maior parte dos solos aos quais se destinaria à água; diziam que toda a água iria para açudes onde as perdas por evaporação podem chegar a 75%; afirmavam que quase todo o restante se destinaria ao abastecimento de cidades onde as perdas de água canalizada estão na casa dos 40%; que a transposição não beneficiaria as populações mais carentes, que vivem em pequenas comunidades isoladas.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 05 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"Crise na Europa e incerteza nos EUA derrubam Bolsas"

Bovespa tem forte queda; dólar fecha em R$ 1,884, alta de 8,09% neste ano, depois de chegar a R$ 1,90

Os mercados enfrentaram turbulência ontem, causada pelo receio de calote de países da zona do euro - Grécia, Portugal e Espanha - e por dados ruins referentes ao emprego nos EUA. Também pesou a possibilidade de que os EUA e o Reino Unido tenham avaliações rebaixadas pelas agências de classificação de risco pelo endividamento maior em decorrência dos planos para estimular a economia.

O Estado de São Paulo
"Plataforma do PT para Dilma amplia papel do Estado"

Documento coloca a candidata à esquerda de Lula

Com o mote de um novo "projeto nacional de desenvolvimento", as diretrizes de programa de governo do PT, reunidas em texto ao qual o Estado teve acesso, pretendem situar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff à esquerda da gestão Lula. O documento, intitulado "A grande transformação", prega maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das estatais e das políticas de crédito oficial. O texto diz que a herança à "próxima presidente" será "bendita", depois de décadas de estagnação. "O programa é mais à esquerda do presidente, mas não é mais esquerdista", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini.

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quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Convertendo energia



Bob Hoover Aerial Suite
Assista o vídeo aqui

Sidney Borges
Bob Hoover esteve em São Paulo em 1968 e fez um vôo inesquecível com um Aero Commander igual ao do vídeo, talvez o mesmo. Ele viajava pelo mundo mostrando a versatilidade do avião. Deu certo no Brasil, uma empresa que estava sendo formada para transportar malotes escolheu o Aero Commander. Alguém se lembra da Servencin?

Estive presente naquele ensolarado sábado. Assisti às manobras e depois vi o filme na sede do Aeroclube. E passei por mentiroso em muitas oportunidades. Ninguém acreditava que um avião com os motores desligados pudesse fazer manobras acrobáticas e após o pouso rolar mansamente até o hangar. Hoover apenas convertia energia de altura em velocidade, com a raríssima habilidade que os eleitos dos deuses têm. Com vocês, Bob Hoover.

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Brasil potência

Compramos aviões. Compramos?

Sidney Borges
Hoje a Folha Online publicou o que seria um furo: Caças Rafale foram comprados pelo Brasil depois de redução de preço. A notícia foi postada às 07h00.

Dassault diminui preço, e Lula escolhe caça francês
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Nelson Jobim (Defesa) bateram o martelo a favor do caça Rafale após a francesa Dassault reduzir de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira, informa reportagem da colunista Eliane Cantanhêde, publicada nesta quinta-feira pela Folha (
íntegra disponível somente para assinantes do jornal ou do UOL).

Pouco depois começaram os desmentidos, conforme os links abaixo.

Jobim nega acordo para compra de caças franceses Rafale
Empresa dos caças Rafale não confirma escolha brasileira
FAB e ministros confirmam que o Brasil ainda não definiu compra...

A compra dos aviões franceses parece lógica, o Brasil tem a experiência operacional dos Mirage. O governo faz jogo de cena e desmente, a grana envolvida é alta e o contrato da Índia levanta dúvidas que ainda não foram esclarecidas e pelo jeito nunca serão. Qualquer que seja o avião comprado, acredito que será o Rafale, chegará obsoleto em relação ao arsenal do Império. E a tal de transferência de tecnologia é pra inglês ver, ninguém doa riquezas, nem mesmo a França de Sarkozy e sua bela esposa cantante. Cabe lembrar que a França não cumpriu integralmente o contrato com a Argentina na Guerra das Malvinas, deixando de armar os mísseis Exocet que equipavam os caças Super Ètendard.

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Política

Uma bela sociedade

O PT protestava nos anos 90 contra a interdição do debate econômico. Hoje quem interdita o debate é o PT, em aliança com os mesmos vendedores de ilusões do primeiro mandato de FHC. Uns lutam para manter as posições de poder. Outros, os lucros

Do Blog do Alon (original aqui)
Ciro Gomes e o PSB experimentam as vicissitudes de um projeto político que não se encaixa no do presidente da República. O script é velho e repetido.


Vazam do palácio as manifestações de “carinho”, "apreço” e "consideração” de Luiz Inácio Lula da Silva pelo sonhador da vez. Pode haver até "gratidão” e, no limite, um “apoio”, que nunca se materializa. Enquanto isso, é colocada para rodar a máquina de moer outros sonhos que não os de sua excelência.

Resistirão Ciro e o PSB à blitzkrieg do Planalto? Um vetor da operação política palaciana nos últimos meses tem trabalhado para desidratar quaisquer possíveis alianças do eventual candidato socialista.

A razão é sabida. O PT temia que Ciro, podendo apresentar-se como alguém do “campo lulista”, acabasse tomando o lugar de Dilma Rousseff na polarização.

Como me disse um deputado do PT-SP no fim do ano passado. "O problema do Ciro é encarnar melhor que Dilma o espírito do confronto com os tucanos. Num ambiente de disputa feroz, ele estaria mais à vontade do que ela."

Mas esses são assuntos de Ciro, do PSB, do PT e das relações mútuas. Que resolvam como acharem melhor.

E o distinto público, teria algo a ganhar com a entrada do deputado e ex-ministro na corrida? Teria sim. E muito. A começar pela desinterdição de certa agenda, a do não financismo.

O PT ameaça agitar na campanha a ameaça de que o PSDB vai “mexer na economia”. Dado que os tucanos passarão os próximos meses lutando para escapar da excomunhão do mercado, por que não abrir espaço para alguém disposto a assumir o risco político de dizer que vai alterar o que precisa ser alterado?

O PT protestava nos anos 90 contra o que chamava de interdição do debate econômico. Criticou especialmente a cortina de fumaça erguida em 1998, com a colaboração da imprensa, para mascarar as fragilidades da economia na véspera da reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

Hoje quem interdita o debate é o PT, em aliança com os mesmos vendedores de ilusões do primeiro mandato de FHC. Uns lutam para manter as posições de poder. Outros, os lucros. Uma bela e rentável sociedade.

Com um agravante: FHC pelo menos tinha o argumento de que precisava da âncora cambial para quebrar a espinha da inflação inercial. Agora, nem isso.

Um sintoma do ambiente é a presença de Henrique Meirelles na lista de possíveis vices de Dilma. O presidente do BC, aliás, está em plena campanha, cuidando de produzir factoides para distrair, enquanto protege os juros altos.

O alvo agora são os bônus dos executivos de bancos. Mas não deixa de fazer algum sentido. Em ambos os casos, ao propor conter os bônus e ao colocar lenha na fogueira dos juros, zela em primeiro lugar pelos dividendos dos acionistas das instituições financeiras.

A projeção realista do déficit nas transações com o exterior este ano corresponde a um quarto das nossas reservas internacionais.

A conta vai fechar por causa dos investimentos diretos, que o governo espertamente chama de “produtivos”. Como se o dinheiro nas bolsas carregasse automaticamente esse rótulo. Como se não fosse um maravilhoso negócio captar dinheiro lá fora para gerar aqui dentro receitas não operacionais.

Esta semana, a produção industrial de 2009 confirmou-se desastrosa. Talvez no fim de 2010 a indústria volte ao nível de 2008. Mas há por acaso alguém estrategicamente preocupado com a indústria, com as exportações, com a geração acelerada de empregos?

No establishment econômico e político, pelo jeito ninguém. Para que se ocupar disso se o dólar barato funciona como anestesia? Se coloca mais comida na mesa do pobre, garante as viagens e os gastos da classe média no exterior e alivia a vida de todo mundo que precisa importar?

Nesse ambiente, ideal para o petismo será enfrentar adversários manietados pela necessidade de defender a administração FHC. O PT poderá desfilar na campanha como o partido da "ruptura com a herança maldita”, enquanto cultiva a continuidade do que ela tem de pior.

Ciro Gomes, assim como Roberto Requião (PMDB), representaria pelo menos a possibilidade de discutir esses temas. Suas dificuldades políticas são um retrato da miséria do debate político e intelectual hoje em dia no Brasil.

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Brasil

Esse tal de progresso

Sidney Borges
"Construção de hidrelétrica no rio Xingu fará região sofrer com aumento populacional, critica Marina Silva". (aqui). A candidata parece não ter notado que o aumento populacional é um fato irreversível, com fatores colaborando para que a curva de incremento se acentue.

No tempo de Cesar (imperador romano) a vida média era de 30 anos. Depois de 2000 anos houve aumento significativo (50%). Em 1940 a expectativa girava em torno de 45 anos. Hoje esse número está ao redor de 80 anos, com variações óbvias, vive-se mais na Escandinávia do que na África.

Nos últimos 70 anos a expectativa de vida aumentou mais do que nos 2000 anos anteriores. De vez em quando ouço saudosistas dizendo que antes a vida era melhor. Ilusão. Com todos os problemas que o progresso científico e tecnológico acarretam, nunca a humanidade viveu tão bem, com tanto conforto e fartura.

Claro que isso tem preço. As florestas desaparecem com o avanço da fronteira agrícola, a diversidade dá lugar à monotonia. Espécies migram, outras desaparecem. Os ambientalistas alertam para o perigo da devastação, mas nada podem fazer contra o poder do capital.

Lucro a qualquer preço, esse é o lema da humanidade. Ainda que possa redundar no fim de todos. Capitalistas parecem não ligar para o futuro, desejam apenas ser enterrados em suas Mercedes. Nunca a lenda do escorpião que queria atravessar o rio foi tão válida.

O homem trabalha sentado em duas cadeiras, estica a vida enquanto cria necessidades fundamentadas em propaganda, fabrica produtos que se não existissem não fariam falta, queima combustíveis fósseis e ao mesmo tempo protesta contra a ocupação de áreas virgens.

A equação é simples, mais gente, mais consumo, mais devastação. A situação vai permanecer até que esteja em jogo a continuidade da vida. Sou otimista, antes da debacle vamos diminuir o crescimento populacional, espalhar as pessoas homogêneamente e mudar a concepção da sociedade, hoje baseada no consumo de supérfluos.

Precisamos de pouco para viver bem, conceito diretamente relacionado à formação intelectual e ao ambiente cultural. Less is more...

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Opinião

O terceiro Chávez

Demétrio Magnoli
Karl Marx criou a 1ª Internacional, Friedrich Engels participou da fundação da 2ª, Lenin estabeleceu a 3ª, Leon Trotski fundou a 4ª e Hugo Chávez acaba de erguer o estandarte da 5ª. "Eu assumo a responsabilidade perante o mundo; penso que é tempo de reunir a 5ª Internacional e ouso fazer o chamado", declarou num discurso de cinco horas, na sessão inaugural do congresso extraordinário do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sob aplausos de 772 delegados em camisetas vermelhas.


O congresso ocorreu em novembro. Depois, Chávez impôs o racionamento energético no país, desvalorizou a moeda e implantou um câmbio duplo, estatizou uma rede de supermercados, suspendeu emissoras de TV a cabo e desencadeou sangrenta repressão contra os protestos estudantis. A Internacional chavista nascerá numa conferência mundial em Caracas, em abril, e as eleições parlamentares venezuelanas estão marcadas para setembro. Mas o futuro do homem que pretende suceder a Marx, Lenin e Trotski será moldado por um evento totalmente estranho à sua influência: a eleição presidencial brasileira de outubro.

Chávez vive a sua terceira encarnação, que é também a última. O primeiro Chávez emergiu depois do golpe frustrado de 1992, nas roupagens do caudilho nacionalista e antiamericano hipnotizado pela imagem de um Simón Bolívar imaginário. Sob a influência do sociólogo argentino Norberto Ceresole, aquele chavismo original flertava com o antissemitismo e sonhava com a implantação de um Estado autoritário, de corte fascista, que reunificaria Venezuela, Colômbia e Equador numa Grã-Colômbia restaurada.

Um segundo Chávez delineou-se na primavera do primeiro mandato, em 1999, a partir da ruptura com Ceresole e da aproximação do caudilho com o alemão Heinz Dieterich, o professor de Sociologia no México que deixou a obscuridade ao formular o conceito do "socialismo do século 21". O chavismo reinventado adquiriu colorações esquerdistas, firmou uma aliança com Cuba e engajou-se no projeto de edificação de um capitalismo de Estado que figuraria como longa transição rumo a um socialismo não maculado pela herança soviética.

Brandindo um exemplar de O Estado e a Revolução, de Lenin, o Chávez do congresso extraordinário do PSUV anunciou sua conversão ao programa de destruição do "Estado burguês" e construção de um "Estado revolucionário". Este terceiro Chávez se insinuou em 2004, quando o caudilho conheceu o trotskista britânico Alan Woods, e se configurou plenamente no momento da derrota no referendo de dezembro de 2007, pouco depois da ruptura com Dieterich. O PSUV é fruto do chavismo de terceira água, assim como a proclamação da 5ª Internacional.

O termo palimpsesto origina-se das palavras gregas palin (de novo) e psao (raspar ou borrar). Palimpsesto é o manuscrito reescrito várias vezes, pela superposição de camadas sucessivas de texto, no qual as camadas antigas não desaparecem por completo e mantêm relações complexas com a escritura mais recente. Para horror do sofisticado Woods, o chavismo é uma doutrina de palimpsesto que mescla de maneiras bizarras a Pátria Grande bolivariana, a aliança estratégica com o Irã, os impulsos bárbaros do caudilhismo e o difícil aprendizado da linguagem do marxismo. O texto mais novo, contudo, tem precedência sobre os antigos e indica o rumo da "revolução bolivariana". Chávez reage à crise provocada por seu próprio regime apertando os parafusos da ditadura e lançando-se desenfreadamente às expropriações.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 04 / 02 / 2010

Folha de São Paulo
"França baixa preço e Brasil compra caça"

Mesmo com corte de US$ 2 bilhões, Rafale é mais caro que rivais; Planalto não leva em conta relatório da FAB

O presidente Lula e o ministro Nelson Jobim (Defesa) bateram o martelo a favor do caça Rafale após a francesa Dassault reduzir de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira. O Rafale ficou em último no relatório técnico da FAB, que trouxe em primeiro o caça sueco Gripen e em segundo o americano F-18.

O Estado de São Paulo
"AGU ameaça procurador que contestar hidrelétrica"

Procurador-geral reage a advertência sobre processos contra obra de Belo Monte

Com o aval do presidente Lula, a Advocacia-Geral da União ameaçou ontem processar membros do Ministério Público que tentarem impedir a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Depois que a licença ambiental foi concedida pelo Ibama, procuradores federais disseram que poderiam processar os técnicos que a assinaram. A AGU advertiu que acusará os integrantes do MP de improbidade administrativa se eles "abusarem das prerrogativas por meio de ações sem fundamento, destinadas exclusivamente a tumultuar a consecução de políticas públicas relevantes para o País". Segundo a nota, os procuradores não podem "impor seu entendimento pessoal aos demais agentes do Estado". O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu: "O Ministério Público tem atuado cumprindo não a vontade pessoal do procurador-geral ou de um promotor, mas a vontade das leis".

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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Circo da Notícia

Os cinco minutos

Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa (original aqui)
Há muitos e muitos anos, um cavalheiro se apresentou ao chefe de reportagem de um grande jornal paulista e propôs uma pauta: mostrar como era frágil a segurança dos bancos. O jornalista se entusiasmou, designou repórter e fotógrafo, colocou um carro do jornal à disposição do grupo. O cavalheiro que liderava a comitiva provou tudo o que queria: enganou a segurança, assaltou o banco e sumiu com o dinheiro, deixando repórteres e motorista para explicar-se à polícia. E para explicar ao dono do jornal que tinham participado de um assalto a banco.

Não, não são coisas passadas. Há pouco, uma rede de TV, sabe-se lá por que motivo, alugou um táxi clandestino para gravar um programa no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Deu azar: a polícia interceptou o táxi. Deu mais azar ainda: para fugir da polícia, o motorista do táxi acabou ferindo um fiscal do aeroporto.

O grande escritor italiano Dino Segre, codinome Pitigrili, hoje meio fora de moda, dizia que todos os seres humanos estavam sujeitos a cinco minutos diários de imbecilidade. A diferença entre os gênios e as pessoas comuns é que, em seus minutos de imbecilidade, os gênios não faziam nada. Pois é: tem gente que exatamente nesses minutos tem espasmos de hiperatividade.

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Entrevista

Ciro Gomes: "Dirceu é golpista"

Do Estadão
"O presidente Lula já pediu diretamente para o senhor ser candidato ao governo de São Paulo?

Não trato o Lula como um mito. Trato como líder político. O Lula me fez um apelo para transferir o título para São Paulo. Alegou que isso ajudaria a arrumar o quadro lá. Não sou candidato ao governo de São Paulo e falei isso para o Lula. Mantenho a minha candidatura à Presidência da República.

A sua candidatura não tem o apoio de nenhum partido, enquanto o PT e o PMDB têm praticamente fechada uma aliança em torno do nome de Dilma Rousseff.

Não estou de acordo com o resultado da coalisão PT-PMDB. A moral dessa aliança é frouxa, é um roçado de escândalos já semeados. Amanhã, pode nos deixar com a brocha na mão.

Há um consenso de que sua desistência em disputar a Presidência beneficiaria a candidatura de Dilma Rousseff.

O PSDB e o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto está errado.

Sua candidatura perdeu fôlego na última pesquisa de intenção de voto.

Nunca tive tanta força como tenho agora. Estamos mais bem situados nos Estados do que o PT. É só dar uma olhada. Agora eu estou no céu. Tenho três governadores aliados, tenho base no Brasil inteiro. Problema de aliança quem tem é o PT. O PSB só tem problemas em Sergipe e no Rio Grande do Norte. O PT está pedindo que eu seja candidato ao governo de São Paulo. Quem está forte mesmo?

O ex-ministro José Dirceu tem conversado com os aliados para fechar alianças do PT nos Estados.

Pode escrever aí: Ciro Gomes não concorda com a articulação do Zé Dirceu, do PT. Isso é coisa golpista.

Por que golpista?

Não vou explicar isso... Quando Lula foi acusado de tráfico de influência, o Zé Dirceu era presidente do PT e abriu inquérito contra Lula na comissão de ética do partido para apurar as relações dele com o compadre Roberto Teixeira. Ele quis acabar com o Lula lá atrás. O Zé Dirceu estava decidido a destruir o Lula, era um trabalho para liquidar o Lula..."

Nota do Editor - Eles que são brancos que se entendam. Isso é jogo de cena, Dirceu, Lula e Ciro falam em acabar com a pobreza e coisas afins enquanto degustam vinho Romanée-Conti de dois mil dólares a garrafa e fumam charutos de 200 dólares. Viva a pobreza. Sempre haverá de render vida boa aos que a "combatem". (Sidney Borges)

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Eleições 2010

Serra e Dilma: diferenças entre primeiro e segundo turnos!

Do Ex-Blog do Cesar Maia
1. As eleições pelo mundo afora, nestes últimos anos, têm mostrado que se não ocorrer uma conjuntura de máxima ou de mínima (economia crescendo 8% a 10%, ou em recessão afirmada), o fator decisivo é a performance dos candidatos em campanha. No Brasil, com eleições coincidentes para governadores e acesso proporcional à TV, a performance dos candidatos se somam à capilaridade (candidatos a governador) e o tempo de TV. No caso específico de 2010, Serra e Dilma se equilibram nestes dois quesitos. Portanto, a performance em campanha tende a ser decisiva.

2. Os programas de governo e promessas eleitorais são cada vez mais (vide nota deste Ex-Blog sobre eleições de setembro na Alemanha) argumentos após se ter transposto a barreira da confiança. E esse é função da performance dos candidatos em campanha.

3. Importante lembrar para 2010 que se a cobertura na pré-campanha pela mídia coloca Lula como comissão de frente do desfile de Dilma, durante a campanha as lentes e microfones a focalizarão sem Lula. Assim serão aqueles 30 segundos diários no Jornal Nacional. Assim serão os debates. Assim serão as pegadinhas nas ruas e o acesso do eleitor.

4. E aí, inevitavelmente, entra a experiência adquirida em campanhas eleitorais. E não se trata aqui de experiência política, mas eleitoral, propriamente. Para lembrar Glorinha Beuttenmüller: o abraço redondo, o olhar envolvente, falar a partir do umbigo, o passeio do olhar na frente das câmeras, o A e o I, o exercício de relaxamento, a voz escandida na TV e agitada no Rádio, etc. A aula ajuda, mas só a prática incorpora na massa do sangue e torna espontânea a performance.

5. Dilma nunca foi candidata a nada, talvez nem à síndica. Vai começar a aprender -para valer- depois da convenção de junho e a partir de 5 de julho. E vai tropeçar, inevitavelmente. A TV editada só entra uns 50 dias depois da convenção. Vai levar um susto no final de julho quando as pesquisas anotarem a percepção do eleitor sobre ela. E a imprensa que apenas cobre estratégia de campanha vai querer saber das mudanças. A candidata se deprime um pouco. Mas logo vem a TV editada e a situação melhora.

6. Cada quinzena de campanha para presidente vale um ano de experiência eleitoral. Mas não dará tempo para Dilma ganhar. Serra vence o primeiro turno. E aí vem a questão. Vence no primeiro turno? Ou haverá segundo? O mais provável é que numa eleição plebiscitária ele vença no primeiro turno. Lembre-se que a TV é alternada dia sim, dia não. E que o primeiro turno é cheio de ruídos.

7. Mas se houver segundo turno o quadro já será diferente. Dilma terá adquirido experiência de performance em campanha. O segundo turno entra com TV contínua. Saem os deputados federais, estaduais e senadores. Desaparecem as suas placas nas ruas e seus cabos eleitorais com panfletos. A TV e a campanha ficam "limpas". Será mais fácil perceber a presença de Lula. O segundo turno tende a ser uma eleição indefinida. Mas o primeiro será muito favorável a Serra, pelas razões, e se for plebiscitária, a probabilidade de Serra vencer no primeiro turno é tão alta que -de hoje- parece inevitável.

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Comunicação

‘O negócio de mídia é um negócio de identidade. Você tem que ter algo a dizer, e com estilo único’

Do Webmanario (original aqui)
Paco Sánchez é um das poucas pessoas que realmente dá para chamar de mestre. E não apenas porque ele é professor de jornalismo (tive o prazer de ser seu aluno no Master em Jornalismo Digital Multimídia, no ano passado _sua disciplina, Planejamento de Conteúdos, valeria um semestre inteiro).

Paco também é diretor editorial do jornal espanhol La Voz de Galicia e tem bastante a dizer sobre a espécie de “crise de conteúdos” que estamos assistindo no jornalismo, em geral, e no on-line, especificamente, num momento em que todos os sites se parecem bastante entre si.

O diagnóstico de Paco é preciso. “O negócio de mídia é um negócio de identidade. Você tem que ser alguém com algo a dizer, e dizê-lo com um estilo único”. E como encontrar esse estilo? Leia a conversa que tivemos recentemente.

Paco, você defende que os portais de internet tiveram uma má influência sobre o menu dos sites jornalísticos em geral. Explicando isso melhor: você acredita que a competição por audiência leva sites menores ou “independentes” a, em alguma medida, apenas replicar o conteúdo alheio para não parecer desatualizado?

Eu acho que alguns jornais perderam, na internet, a identidade que têm no papel. Isto é grave. Claro que afeta principalmente os jornais com menos recursos, mas também alguns grandes. Se você se guiar apenas pelas páginas mais vistas, por estratégias de SEO, pode cometer erros absurdos. Por exemplo, é possível que as dez matérias mais acessadas de um jornal sejam superficiais, frequentemente frívolas, replicadas de agências internacionais ou capturadas em outro lugar.

Se quem gerencia o conteúdo se deixa levar por esses resultados e programa mais matérias parecidas, está cometendo dois erros simultâneos de percepção: seu público não chegou ao jornal por causa daquele conteúdo e o usa apenas como passagem (“vejo o noticiário do time de futebol local e aproveito para clicar nessa matéria da Britney Spears”). O que atrai o leitor é informação diferenciada. Se seu objetivo era ler sobre Britney Spears, provavelmente ele entraria em outro site, mais específico, com o qual não poderíamos competir. Se, apesar de tudo, o objetivo do usuário era Britney Spears, provavelmente caiu em nosso site através de um motor de busca. É, portanto, um leitor puramente aleatório, com o qual dificilmente podemos construir uma audiência estável. Então,se nós seguirmos este tipo de estratégia, só conseguiremos visitas hoje, e fome amanhã. E o pior: alguns periódicos de papel começaram a permitir que os resultados de acesso de sua edição on-line passassem a influenciar a agenda de conteúdos na edição impressa. A última gota.

Outro de seus mantras é que nós, jornalistas, não devemos procurar a audiência, mas ao contrário: pela qualidade e originalidade de nossos conteúdos, as pessoas virão até nós. Primeiro que eu adoraria tê-lo como chefe (risos). Sério, como se equilibra isso? Eu não posso manter um site que ninguém acessa. Isso significa que é importante saber o que os usuários querem, certo? Ou não, o jornalismo profissional deve saber quais são as notícias mais relevantes e não pode viver ao sabor da preferência do público?

Estava me referindo mais ao meio, como corporação, dos que aos jornalistas individualmente, ainda que de certa forma seja possível aplicar o conceito também. Em geral, a grande mídia nasceu de uma pessoa ou um grupo de pessoas que tinham algo a dizer e ecoou em uma audiência grande ou importante. Se o processo for ao contrário, raramente funciona.

Sempre lembro que Roberto Civita dizia que, primeiro, imaginava a revista que queria fazer, a que agradava a ele, e só depois começava a fazer pesquisas. O negócio de mídia é um negócio de identidade. Você tem que ser alguém com algo a dizer, e dizê-lo com um estilo único. O sucesso da The Economist é muito bem explicado a partir dessa perspectiva.

Há também exemplos no sentido oposto: no final do ano passado, houve alguma celeuma entre o público do jornal diário espanhol El Pais porque o diário criticou fortemente o governo socialista. Não era o que esperavam muitos leitores, embora o veículo estivesse certo, e alguns até mesmo chegaram a expressar o descontentamento público de uma forma muito significativa: “Este não é o meu ‘País’”. Com a identidade não se brinca.

Se estamos aguardando apenas o parecer volúvel que nos chega através de pesquisas de marketing, o destino mais provável é uma identidade confusa ou diluída e os termos se invertem: já não somos alguém que tem algo a dizer, e a audiência deixa de precisar da gente. A crise de tantas revistas noticiosas tradicionais tem a ver, em parte, com um processo dessa natureza.

Palavras suas: um jornal impresso tem valor por cerca de quatro horas. O que pode ser feito nas outras 20h para manter o público interessado? Você se lembra de exemplos de jornais que estão otimizando suas operações em grande parte através de intervenções nas suas edições digitais (editorial e produto)?

Com essas palavras o que eu quis dizer é que quase 100% dos exemplares diários impressos são vendidos quatro horas depois de publicados. O resto da venda é marginal. Isso não significa que as informações contidas no jornal expirem. Na verdade, minha proposta é encontrar maneiras de continuar lucrando com todo o volume de informação que continua a ser válida e útil em sua grande maioria.

A indústria do audiovisual entendeu isso muito bem desde o início, com alguma frequência amortiza investimento ou até mesmo começa a gerar lucros quando o filme estreia nos cinemas, mas ela passará anos tirando partido do produto, seja na TV paga, na TV aberta, no pay-per-view, no mercado de DVD etc.

Já existem muitos veículos que utilizam seu conteúdo impresso, aparentemente defasado, para agregar valor à edição eletrônica ou revendê-lo de outras maneiras: não só o The New York Times ou CNN, mas também meios pequenos já são capazes, por exemplo, de converter seu cartunista em uma marca ou vender as fotos do dia.

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Coluna do Mirisola

Oração a Santa Rita de Cássia

"Era a Senhora no alto do seu altarzinho nazista, lá no céu dos comerciantes estabelecidos, e o Pascoalão, o desossador, aqui na terra. O velho Pascoalão, meu avô. Que saudades"

Marcelo Mirisola*
Ah, Santa Rita de Cássia,

Tenha piedade de mim. Faz muito tempo que vivemos a mesma história, desde criança que a Senhora me acompanha. Nas minhas primeiras lembranças, lá na chácara de Osasco, a senhora bordejava num alo de luz que eu achava (até hoje...) vermelho. Essa visão sempre me hipnotizou. Até hoje é assim, lembro quando escrevi a palavra “suspensão” pela primeira vez, foi a Senhora quem veio me iluminar. Depois, foi parar no hall do apartamentão da rua Batataes, como se tivesse enriquecido e prosperado conosco. Eram quatro dormitórios, três vagas na garagem.

Um dia o velho Pascoal teve um infarto e o exportaram para Santos. A Senhora desceu a serra junto, lembra?

Era um apartamento grande também, na quadra da praia. Mas o rei do charque não suportava aquilo. O velho odiava morar em Santos. Ele cuspia caroços de azeitonas nos presépios da nonna Carmela – dizia que era cocô dos camelos. Não se conformava com a lei dos céus. O velho Pascoal blasfemava todos os dias aos seus pés – ele não dava trégua; quer dizer, só dava sossego quando o Palestra entubava os malditos maloqueiros. Aí ele fazia o sinal da cruz (ao contrário, porque não podia perder a piada) e mandava uma spernachia para os céus, para agradecer o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Que saudades. O aposentaram à revelia, tiraram o mercadão dele. Que saudades!, Santa Rita.

Tenho afeto pela Senhora, e um altar para venerá-la. O mesmo altar que guardo para rir das blasfêmias do velho Pascoal.

Quantos verões que morri de tesão junto às preces da nonna Carmela. O sol brilhando do lado de fora, e nós naquele apartamento quase de frente para o mar, trancados. A Senhora sabe. Quantas novenas em seu nome, as janelas fechadas, o cheiro das velas que empestavam as boas e as más intenções, meu pau gotejava as primeiras gotas de esperma & as empregadinhas eram denunciadas à policia & eu jamais consegui corresponder ao amor da nonna & jamais consegui provar a inocência das empregadinhas – infelizmente, Santa Rita, não controlamos as preces das pessoas que mais nos amam. Nem tampouco controlamos o ódio delas.

A Senhora também não sente assim, posso chamá-la de “minha” Santa Rita? Não sente assim?

Ah, minha Santa Rita de Cássia. Era a Senhora no alto do seu altarzinho nazista, lá no céu dos comerciantes estabelecidos, e o Pascoalão, o desossador, aqui na terra. O velho Pascoalão, meu avô. Que saudades.

Vivi essas histórias todas aos seus pés. E agora, depois de todo esse tempo que os velhos morreram, lembrei da Senhora. Senti sua falta. Fui achá-la encaixotada junto à prataria que mamãe herdou da vechia Carmela. De cabeça para baixo.

Ainda bem que a recuperei, o durepox ajudou a fixar o Cristo em seu colo – e de resto, creio que foi um milagre sadomasoquista o sulco que apareceu bem no meio do seu ventre. Obsceno, ostensivo, lúbrico. Suspeito que foi o candelabro italiano que abusou torpemente da senhora. Eu aposto que qualquer hora vai espirrar um cabrito desse talho. Um aborto sem pêlos, rosado, filho do candelabro italiano.

A senhora me perdoe, mas não vou fazer nada para corrigir essa aberração, talvez cante o o Sole Mio. Mais não posso fazer, lamento. Vocês sacaneiam a gente com as leis dos céus, e nós, aqui – chafurdando na miséria, e embaixo dos escombros - não podemos perder a oportunidade de dar o troco. Né?

Mesmo assim, minha Santa Rita de Cássia, a senhora vai ter piedade de mim? Ah, minha Santa Rita de Cássia, em nome das blasfêmias do velho Pascoal e dos dentinhos escuros do Papa Bento XVI, tenha piedade de mim.

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


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