sábado, janeiro 30, 2010

Mágica

Brasil ajudará Chávez a sanar crise energética

da Folha Online
O governo brasileiro deve enviar, na próxima semana, uma equipe técnica para tentar minimizar a grave crise energética na Venezuela, informa o repórter Fabiano Maisonnave, enviado especial da Folha a Caracas.

Segundo reportagem publicada neste sábado no jornal a ajuda foi acertada pelo assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, e do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, durante visita a Caracas.

Garcia disse à Folha que técnicos brasileiros de estatais, como Furnas e Eletrobrás, vão inspecionar a hidrelétrica de Guri, a terceira maior do mundo, que está com reservatório baixo devido à falta de chuvas.

Também está sendo estudada a possibilidade de cortar a energia da Venezuela que é exportada para o Estado de Roraima. Na terça-feira, a cidade de Pacaraima (RR) ficou sem luz.

Chávez nacionalizou o setor de energia em 2007. Analistas dizem que os problemas foram provocados por falta de planejamento e por investimento insuficiente do governo e de empresas privadas.
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Nota do Editor - Eu sinceramente gostaria de saber o que os técnicos brasileiros vão fazer para socorrer Chávez. Talvez a dança da chuva. Ou moinhos de orações a Stalin e Che. A fé costuma funcionar. Lembro-me da pastora que ficou presa em uma caverna gelada na China com um filhote de ovelha nos braços. Durante a noite alcatéias de lobos (capitalistas?) fizeram com que a menina empunhasse o livrinho vermelho do camarada Mao. Com fé inabalável no lider ela e a ovelhinha suportaram temperaturas que de outra forma seriam fatais. A fé, digo o socialismo, ou melhor, a fé no socialismo remove montanhas. (Sidney Borges)

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Opinião

MST nas malhas da lei

Editorial do Estadão
Se o Movimento dos Sem-Terra (MST) viesse sendo considerado pelas autoridades, já há muito tempo, um caso de polícia, dada a sucessão rotineira de crimes praticados em suas operações - que vão desde a depredação de bens e matança de animais em propriedades invadidas, até a destruição de laboratórios de pesquisas necessárias aos avanços da atividade agrícola, sem esquecer o cárcere privado de trabalhadores das fazendas -, com certeza se teria evitado não só a repetição de tais crimes, como a grande insegurança que se instalou entre os produtores do campo, todos sob a permanente ameaça de ver suas propriedades invadidas por bandidos travestidos de militantes de movimentos sociais. De qualquer forma, nunca é tarde para fazer-se cumprir a lei.

Cumprindo 20 mandados de prisão e outros 30 de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Mário Ramos dos Santos, da 1ª Vara Criminal de Lençóis Paulista, a Polícia Civil de São Paulo prendeu, na terça-feira, nove pessoas ligadas ao MST, nos municípios de Iaras e Borebi, no interior do Estado, como parte da Operação Laranja, desencadeada em decorrência das investigações que apuraram e apontaram os responsáveis pela invasão da Fazenda Cutrale, em Borebi, em outubro do ano passado. A população brasileira pôde assistir, pelos telejornais, à brutalidade da destruição das plantações de laranja daquela fazenda, assim como a destruição vandálica de equipamentos. Comprovou-se, porém, que além da destruição os militantes emessetistas haviam praticado roubo de ferramentas, defensivos agrícolas, fertilizantes, documentos, aparelhos eletrônicos - agindo como as quadrilhas comuns, levando os produtos roubados para suas casas. Entre os detidos estão o ex-prefeito de Iaras Edilson Granjeiro Xavier, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), a vereadora - também petista - Rosemeire Pandarco de Almeida Serpa e seu marido, Miguel Serpa, um dos líderes do MST na região da fazenda da Cutrale.

De acordo com o delegado Roberval Antonio Fabbro, assistente da Delegacia Seccional de Bauru, onde está centralizada a operação, os militantes emessetistas são acusados de formação de quadrilha, furto, dano qualificado e esbulho possessório. Com a mobilização de 150 policiais a Operação Laranja continuará, como informa o delegado. Apesar de todos terem o direito de se defender, parece até cômica a "nota" em que a direção estadual do MST acusa os policiais de "promoverem o terror em algumas comunidades". De quem será a principal paternidade do terror no campo, em praticamente todas as regiões do território brasileiro, sob o pretexto - na verdade já nem mais utilizado - de obter do governo aceleração do programa de reforma agrária?

Na verdade os movimentos agrupados sob a bandeira do MST colocam-se sistematicamente à margem da lei, quando se recusam a assumir personalidade jurídica legal - isentando-se, assim, de fiscalização oficial -, e frontalmente contra a lei, quando praticam crimes e recorrem à violência, em suas operações de invasão sobejamente noticiadas. Mas apesar disso essas entidades continuam recebendo apoio e polpudos subsídios do governo, por meio de repasses de verbas públicas a associações organizadas, geralmente cooperativas a elas ligadas. Todos se lembram da famosa cena em que o presidente Lula, já no início de seu primeiro mandato, colocou na cabeça um boné do MST. De lá para cá - até a prisão de um ex-prefeito e de uma vereadora petista - estreitas têm sido as ligações de integrantes dos movimentos dos sem-terra com setores do governo.
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Manchetes do dia

Sábado, 30 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Chávez terá ajuda de Lula contra crise de energia"

Na semana que vem, técnicos irão à Venezuela, diz assessor do Planalto

O Brasil deve enviar na próxima semana missão técnica de alto nível para tentar minimizar a crise energética na Venezuela. A ajuda foi acertada em Caracas, em encontro de Marco Aurélio Garcia, assessor internacional do Planalto, e do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, com Ali Rodríguez, ministro de Energia Elétrica, pasta recém-criada pelo governo Hugo Chávez. Somados às novas medidas contra meios de comunicação, os cortes de energia têm provocado protestos contra o governo Chávez, que resultaram em dois mortos na segunda-feira. Segundo Garcia, serão enviados técnicos brasileiros à hidrelétrica de Guri, a terceira maior do mundo, cujo reservatório está mais baixo devido à falta de Chuvas. O Brasil também vai ajudar a Venezuela na instalação de usinas termelétricas.

O Estado de São Paulo
"Economia dos EUA cresce 5,7% e supera expectativas"

Mercado previa que PIB subiria 4,8%; ceticismo sobre recuperação persiste

O PIB dos EUA cresceu 5,7% no último trimestre de 2009, a maior expansão em seis anos, informa de Washington a correspondente Patrícia Campos Mello. O crescimento superou as expectativas do mercado, de 4,8%. Mas o PIB avançou sobretudo por causa da desaceleração na redução de estoques, e não por uma alta do consumo ou de investimentos. De acordo com a conselheira econômica da Casa Branca, Christina Romer, é “a notícia mais positiva que tivemos até agora”. Os analistas, porém, estão cautelosos. “É cedo para abrir champanhe e dizer: recuperação cumprida”, afirmou Josh Bivens, do Economic Policy Institute. No ano, o PIB dos EUA recuou 2,4%, a maior queda desde 1946.

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sexta-feira, janeiro 29, 2010

Rápido como um raio


Eduardo Cesar atravessa a ponte em meio à multidão.

Inaugurada a Ponte da Ressaca

Sidney Borges com informações da PMU
Sem que os moradores soubessem, ninguém foi avisado, em verdadeira manobra de "blitzkrieg", o prefeito de Ubatuba, sr. Eduardo de Souza Cesar, inaugurou a ponte da Ressaca.

No release enviado pela prefeitura consta o seguinte parágrafo:

O morador do bairro da Ressaca, Valdemir Fernandes Pedroso, afirmou que a ponte vai mudar muito a vida de todos que ali moram. “A construção desta ponte vai mudar pra melhor a vida de todos aqui, é uma obra excelente. Por esta e outras tantas obras que acredito que o Eduardo Cesar seja o melhor prefeito que Ubatuba já teve nos últimos trinta anos”, disse o morador.

Já o capitão da PM de São Paulo, Walter de Oliveira Heitor, freqüentador de Ubatuba desde os anos da década de 1960, discorda.

Eduardo Cesar o melhor prefeito? Qual o quê. Zizinho foi muito melhor.

Como podem notar os leitores, opiniões há muitas. Coisa da democracia.

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Final feliz


O marinheiro Adam Buczynski segura o cão Báltico. (Foto: AP)

Cão salvo de bloco de gelo à deriva no mar ganha donos e é batizado

Animal resgatado vai se chamar Báltico. Ele deve ser adotado pela tripulação do navio que o resgatou.

Do G1, com AP
O cão
resgatado esta semana de um bloco de gelo à deriva no Mar Báltico foi batizado como Báltico nesta sexta-feira (29).

Ele está se sentindo em casa no navio polonês que o resgatou e que está ancorado no porto polonês de Gdynia.
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Ora pílulas...

Céticos vão tomar overdose de remédio homeopático para provar sua ineficiência

Grupo marcou protesto para sábado diante de drogarias na Grã-Bretanha. A ingestão coletiva de milhares de pílulas vai ocorrer em 13 cidades.

Do G1, em São Paulo
Centenas de céticos da homeopatia vão encenar uma “overdose em massa” diante de várias unidades de uma rede britânica de drogarias. O ato, marcado para este sábado (30), é para protestar contra a venda pela rede Boots de remédios homeopáticos e denunciar a falta de base científica dos tratamentos. A informação é do jornal “The Guardian”.

No evento, cada manifestante vai ingerir todas as pílulas de vários frascos, para demonstrar que “não passam de pílulas de açúcar”. Entre as organizações que articulam a manifestação está a Merseyside Skeptics Society, entidade sem fins lucrativos dedicada a “desenvolver e apoiar a comunidade cética”.

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Kandinsky



Curva Dominante (1936)

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (original aqui)
Quando Kandisnky foi obrigado a deixar a Alemanha, em 1933, devido a pressões políticas, o ambiente na Europa era depressivo e de desolação, pois a iminência da guerra era palpável. O que só piorou durante os anos terríveis da II Guerra Mundial. Ele ficou na França até 1944. Em suas últimas obras a paleta de cores é mais suave, a rigidez da geometria apreendida em Bauhaus é suavizada, tem muito das formas usadas pelos surrealistas com quem trava amizade em Paris, tais como Jean Arp e Joan Mirò. Nota-se também a influência das composições extravagantes e fantasiosas de seu velho amigo Klee, em telas cheias de alegria, lúdicas.

Durante seus primeiros anos na França, ele experimentou com pigmentos misturados com areia, uma inovação técnica utilizada por muitos artistas parisienses durante os anos 30, inclusive por Georges Braque. Sempre atento às inovações artísticas e estilísticas de seus contemporâneos, Kandinsky nunca deixou de acrescentar sua marca pessoal em qualquer aspecto que tomasse emprestado de seus colegas. Como foi observado pela historiadora de arte Vivian Barnett, Kandinsky utilizava os motivos biomórficos dos surrealistas, e também de Paul Klee, mas nota-se sua fascinação pelas ciências orgânicas, especialmente embriologia, zoologia e botânica. Durante sua longa temporada em Bauhaus, ele criou muitas ilustrações com organismos microscópicos e colecionou vasta biblioteca sobre essas criaturas minúsculas, que depois aparecem de forma abstrata em muitas de suas telas.

“Os que duvidam do futuro da arte abstrata fundamentam seu juízo sobre um estágio evolutivo comparável ao dos anfíbios; estes não representam o resultado final da criação, apenas seu começo.” - W. Kandinsky (1866 - 1944)

Kandinsky nunca abriu mão da emoção em suas obras. Razão e emoção, eis o que ele quis nos provar ser possível coexistir. Faleceu em 1944, em Neuilly-sur-Seine, aos 78 anos.

A imagem de hoje mostra um dos quadros mais importantes do pintor russo: “Curva Dominante”. No alto à direita, flutua um embrião esquematizado, cor-de-rosa, e dentro de um pequeno retângulo escuro no canto esquerdo, microscópicas figuras que se assemelham a animais marinhos. Essas imagens leves, flutuantes, quase sempre apresentadas em cor pastel, podem ser lidas como a visão otimista de Kandinsky, de um futuro pacífico, e que o pós-guerra trouxesse o renascimento e a regeneração do Homem.

Óleo sobre tela, 129,3 x 194,3 cm
Acervo Museu Guggenheim, Nova York
Fontes:
http://www.guggenheim.org/
Encyclopedia Britannica

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Aviação

Crônica de um vôo muito, muito louco

Marcelo Ambrosio no JBlog Slot (original aqui)
Há coisas que acontecem na aviação brasileira que só podem ser contadas em forma de crônica, para que o leitor ria e se divirta em vez de ter um acesso de fúria. Recebi o relato de uma passageira, conhecida minha, a respeito do voo que fez pela Gol de Buenos Aires para Brasília, com escala em Guarulhos. Há tantos absurdos que a gente se pergunta para que serve a Anac...

Eis o relato:

“No dia 27 de dezembro (domingo), nosso voo – Gol 7659 – sairia de Buenos Aires às 13h30 com previsão de chegada em Guarulhos às 17h20. Bem, chegou a hora de decolar e a porta nem fechada estava. O piloto avisou que estávamos esperando cinco passageiros que haviam tido problemas com a imigração. Em seguida, voltou a avisar que só poderíamos decolar às 16h30 por termos perdido um tal de slot (Nota da redação: o slot, que batiza esta coluna, é a autorização concedida pelo controle de tráfego para que a aeronave pouse ou decole. Perder significa ir para o fim da fila). Nisso, os passageiros, acho que 190, não quiseram ficar dentro do avião, então saímos. Tínhamos que estar de volta às 15h30. Parte dos passageiros reclamou que a empresa deveria fornecer o almoço, mas nada aconteceu.

Decolamos pouco depois das 16h30. Em Buenos Aires, 30 israelenses do voo tinham ligado para a companhia que pegariam na conexão em São Paulo. Mas a El Al foi irredutível e disse que não poderia adiar a decolagem – só há dois voos por semana São Paulo - Tel-Aviv. A Gol, olha empresa de bom coração, pousou e foi ao finger no Terminal 1 para ver se daria tempo de pegarem o voo. Mas quando paramos eles viram pela janela o jato da El Al decolando.

Para piorar, nossas bagagens foram despachadas para o Terminal 2, onde deveríamos ter chegado. Depois de andarmos até lá, esperamos mais de uma hora pelas malas, que vieram, algumas, em estado lastimável. Uma passageira lamentou ter recebido a dela arregaçada e com 3 kg a menos, que tal?

Nessa, como você pode imaginar, perdemos a conexão para Brasília. Um grupo de Recife conseguiu embarcar quase 0h. Tinha ali uma anestesista com cirurgia agenda para 7h da manhã seguinte. Bom, quando perguntamos, ainda em Buenos Aires, porque prejudicaram mais de uma centena de pessoas por causa de cinco, a Gol justificou que a bagagem já estava embarcada. Quisemos saber se não tinham como tirar tudo. Responderam: “achamos que ia dar tempo”. Na base do achismo, a empresa deve ter gastado uma fortuna e eu levei 24 horas para chegar em Brasília.

Muita gente falou que ia processar, mas eu duvido. Estava no dia seguinte a caminho do aeroporto no ônibus que nos pegou no hotel me achando a mais feliz dos seres humanos. Sabe por quê? Porque conheci no ônibus um infeliz que saiu de João Pessoa e já tinha ido a Recife, Rio e estava em São Paulo ainda tentando chegar em casa em Goiânia. Ri na cara do pobre. E achei que tava no lucro, mesmo tendo gasto R$ 1.600 para viajar e relaxar e voltar estressada.

PS: Quando esperávamos a mala, os próprios comissários, constrangidos, falaram que acharam a decisão absurda.

”Fiz questão de reproduzir o relato que recebi porque casos assim infelizmente não são raridade. A Gol pode ter tido boa vontade ao trocar o slot do voo em Buenos Aires – e certamente isso teve custo – mas o risco é exatamente o de dar um nó nas outras conexões. Teria certamente saído mais barato hospedar os cinco passageiros com problemas na imigração (na saída? em pleno Mercosul?) do que arrumar 185 maneiras de turbinar o marketing negativo.

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Espaço do leitor

Advocacia e Sociedade

Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição (par. Único do artigo 1º da C.F.).

Jose Nelio de Carvalho
Por ocasião da posse dos novos dirigentes em Ubatuba da Ordem dos Advogados, em Ubatuba, no dia 28 de janeiro p.p., oportuna uma reflexão sobre a advocacia e a sociedade.


Na sua história, a atuação da Ordem dos Advogados tem se desdobradado em duas vertentes : a corporativa, voltada para os seus componentes, garantindo-lhes o exercício da função legal e constitucional, e a outra, mais voltada para a Sociedade, em que o peso da Instituição tem sido fundamental para a construção do Estado de Direito.

A Constituição Federal, no título IV – Organização dos Poderes, destaca entre as funções essenciais à Justiça, o papel indispensável do advogado (art. 133 da C.F.).

Nessa mesma linha, o Estatuto da Advocacia – Lei 8.906, de 4 de julho de 1994, define que “no seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social”.

Pelo exercício desta função social a OAB hoje apresenta uma folha de serviços à sociedade brasileira, com registro em nossa história, em especial, com a sua reação aos regimes políticos autoritários, sempre presentes em todas as esferas de governo.

A presença da OAB em todos os municípios brasileiros, reforça seu compromisso com a construção do Estado Democrático de Direito, ideal impresso na Constituição e que ainda está longe de ser alcançado. Por ser considerado como parte da Federação (art. 1º da Constituição Federal), o Município está inserido no Estado Democrático de Direito, com seus pressupostos básicos : a supremacia da lei e a gestão democrática.

Em Ubatuba, apesar de alguns esforços, desde muito estão sendo frustradas as iniciativas para que o Município tivesse um Plano Diretor Participativo e uma gestão democrática, em consonância com os princípios da Constituição de 1988. O ideal democrático está em construção. E seu estágio atual, talvez seja responsável pelos inúmeros problemais pontuais que atormentam os administradores de plantão.

O exercício da função institucional da OAB na construção de um Estado de Direito torna-se necessário também nos municípios, pois estes são partes integrantes da República Federativa do Brasil.

Também para esta tarefa estão sendo chamados os novos dirigentes da OAB em Ubatuba, que merecem todo o crédito para sua missão.

Os novos dirigentes, fortalecendo a corporação, e com a consciência de sua responsabilidade social , integrando-se com as demais forças vivas da sociedade local e de seus representantes no executivo, legislativo e judiciário, certamente irão contribuir para que o futuro seja melhor que o presente e traga sempre para Ubatuba, maiores e melhores oportunidades e qualidade de vida
Jose Nelio de Carvalho é advogado


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Apocalipse

Amazônia só tolera mais 3% de desmate, após perder 17% da extensão

GIULIANA MIRANDA colaboração para a Folha de S. Paulo
Se o desmatamento da Amazônia --que já consumiu 17% da floresta-- atingir a marca de 20%, o aquecimento global se encarregará de destruir o que sobrou, afirma uma compilação de estudos sobre a região feita pelo Banco Mundial.


As conclusões do documento, que reúne vários estudos publicados nos últimos anos, levam em conta simulações do comportamento da Amazônia em diferentes cenários projetados pelo IPCC (painel do clima da ONU).

Os cientistas identificaram que o efeito conjunto de incêndios, desmatamento e mudança climática empurra a floresta para um estado em que ela perde sua "massa crítica" para sobrevivência.

Como as árvores tropicais são importantes para a regulação do clima e o regime de chuvas, forma-se uma espécie de efeito dominó que afeta todo o bioma.
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Nota do Editor - Depois de ler a notícia acima comecei o rascunho do testamento. Houve época em que diziam, acho que ainda dizem, que em 2012 o mundo acaba. Duvidei, segundo a numerologia nada vai acontecer no ano em questão. Em meados do século XX era voz corrente que o mundo findaria em 2000. Não acabou nem com ajuda do bug do milênio. Mas esses 3% me parecem fatídicos, o desmatamento vai continuar por inércia e o número do apocalipse, 20%, será atingido. Triste, este é um bom planeta para se viver. Deixo a coleção de seleções de 1943, o ioiô e o poster da seleção de 58 para meu fiel cão Brasil. (Sidney Borges)

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Medicina

Alzheimer

Trem Azul (original aqui)
O médico francês Étienne-Émilie Baulieu anunciou a descoberta de uma proteína para combater o mal de Alzheimer, assim como outros tipos de demência senil. O descobrimento, anunciado na academia francesa de medicina e publicado na revista da academia americana, pode ser utilizado também para fazer um diagnóstico precoce da doença.

O médico, de 83 anos e pai da chamada pílula do dia seguinte, usada para evitar gravidez indesejada, disse que descobriu uma proteína encontrada de forma anômala nos casos de Alzheimer, e outra que destrói a primeira.

Baulieu explicou que, potencializando esta segunda proteína, é possível chegar a um medicamento que freie o desenvolvimento da doença. Embora tenha assegurado que ainda está longe de poder curar a doença, o pesquisador assegurou que a descoberta pode servir para identificá-la com 10 a 15 anos de antecedência.

Ele disse que será possível ter um perfil mais claro do funcionamento destas proteínas em dois a três anos, e que, segundo diversos analistas, será possível curar a doença em outros dez. Nos próximos meses será feita uma experiência no hospital Charles Foix de Ivry, nos arredores de Paris e especializado em geriatria. (EFE)

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Em foco


Foto: Victor Vassimon

Lixo: Ubatuba reage

Rui Grilo
Após quase quatro horas de reunião entre a Prefeitura, representantes do Movimento Ubatuba em Rede, de diversos bairros e setores, poderá ser implantado em Ubatuba o Projeto Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável, desenvolvidos pelos arquitetos Márcia Macul e Sergio Prado, membros da Associação Verdever.

Apesar de já ter sido apresentado à Prefeitura em 2005 e de ter sido aprovado em todas as comissões da Assembléia Legislativa através do PL 1269, o Projeto encontrava certa resistência por seu caráter inovador e por ainda não ter sido implantado em qualquer município. Outra dificuldade era o fato de ainda não ter um laudo técnico dos protótipos produzidos (tijolos, bloquetes, painéis, telhas) devido ao alto custo desse licenciamento.

Para vencer esses empecilhos, seus inventores procuraram o apoio do Ministro Sergio Rezende, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério das Cidades, do Ministério do Meio Ambiente e de instituições técnico-científicas como USP (FAU- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Escola Politécnica); FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo; FINEP – Financiadora de Estudos e Pesquisas; FATEC- Fundação Paula Souza e outras, o que poderá viabilizar em curto espaço de tempo os laudos necessários para o licenciamento pela CETESB.

O caráter inovador do Projeto Lixo Zero decorre do fato de aproveitar até mesmo os materiais que não eram aproveitados na reciclagem convencional, como o lodo do tratamento de esgoto. Esses materiais são tratados para eliminar o cheiro e para desinfecção para evitar danos à saúde e se transformam em matéria prima para a confecção de tijolos, bloquetes e painéis, os quais podem ser usados na construção civil e em serviços de urbanização (calçamento, construção de escolas, creches, postos de saúde).

Para a produção desses materiais é necessário o emprego de poliuretano vegetal que pode ser produzido da resina de várias plantas comuns em qualquer parte do Brasil, as mesmas utilizadas na produção de biodiesel. Esse material deverá substituir o emprego de cimento, diminuindo o consumo de energia para a sua produção.

Além de gerar empregos na reciclagem, evitando a perda de matéria prima, exigirá a criação de agroflorestas, gerando emprego e renda.

Para a realização da reunião foi muito importante o empenho do Promotor de Justiça Alexandre Petry Helena, a quem recorreram os participantes do Movimento Ubatuba em Rede, inconformados com o alto custo do transbordo para Tremembé.

A reunião começou na CETESB, presidida pelo Sr. João Carlos Milanelli, mas como o objetivo da reunião era a apresentação e o debate dos prós e contra o Projeto, ele se manifestou dizendo que a reunião deveria ser na Prefeitura e à Cetesb caberia, em outro momento, apenas a análise técnica da documentação para o licenciamento. Assim, a reunião continuou na Prefeitura, num clima mais descontraído, cabendo a cada uma das partes a apresentação de dados, de questionamentos e possíveis soluções.

O Sr. João Paulo Rolim, Secretário de Arquitetura e Urbanismo comentou sobre a preocupação de encontrar uma solução definitiva ou mais satisfatória que o transbordo. No final do ano, com a queda de barreiras nas rodovias que dão acesso à região, e com as enchentes que impediam o acesso ao galpão de transbordo local, o sistema de coleta de lixo quase entrou em colapso. Esse fato serviu para que houvesse uma percepção mais nítida da precariedade, dos riscos do atual sistema e da necessidade de encontrar uma alternativa.

Com verbas do FEHIDRO e da Prefeitura já há um projeto da construção de um galpão com 1.200 m², o qual poderá abrigar uma míniusina limpa de reciclagem, a qual poderá funcionar em melhores condições com os procedimentos e tecnologias previstos pelo Lixo Zero. Entretanto, não aumentará, de imediato o volume de reciclagem. Assim, não diminuirá de imediato o volume de resíduo a ser transportado para Tremembé.

O grande ganho dessa medida é mostrar que existe alternativa viável mais adequada que o transbordo. A idéia não é concentrar a destinação da coleta em grandes usinas, mas em várias usinas pequenas, evitando os gastos com o transporte e respeitando a distribuição geográfica da população. Elas poderão ser operadas por empresas ou cooperativas, criando alternativas de geração de renda.

Ao mesmo tempo, em caráter de urgência, está em discussão com a Fundação Florestal, a instalação de outra miniusina no Saco da Ribeira para processar o lixo proveniente das atividades náuticas e turísticas. Esse setor,que responde por quase 50% da renda proveniente do turismo, corre o risco de ser interditado pela Cetesb devido à degradação do meio ambiente devido à falta de processamento adequado do lixo. Junto com essa miniusina, o local ganharia um Museu do Mar, que servirá para atividades de educação ambiental, constituindo-se também em uma nova atração turística.

Ao final, era visível o grau de satisfação com os encaminhamentos e a comprovação de que a negociação e a discussão entre as partes é possível e necessária para que o município encontre soluções mais adequadas para seus problemas.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Coluna do Celsinho

Finalmente

Celso de Almeida Jr.
Alguns não entenderão.


Outros, dirão que eu exagero.

Aprendi que muito do que falamos não convence.

Tudo bem...

Acredito que o peso das palavras resulta da combinação de algumas forças especiais: entusiasmo, disciplina, convicção, estudo.

É uma mistura extraordinária que transforma o pensamento em ação.

E, de repente...a obra, a luz!

Fantástico, não é mesmo?

O invisível tornando-se visível e, quase sempre, nos surpreendendo.

É com este espírito que aguardo esta próxima segunda-feira, quando voltam as aulas em nossa escola.

Tantos projetos, tantos ideais, tanto planejamento, tantas reformas, tudo a garantir as melhores condições para que crianças e jovens acreditem na importância do estudo, na urgente necessidade de construir um ambiente solidário.

Muitos me entenderão.

Outros, dirão que sentem a mesma coisa.

Professores, diretores, coordenadores, secretários, inspetores, merendeiras, faxineiros conhecem este sentimento.

Todos, que vivem este desafiador mundo da educação, por mais sofrimento que tenham colhido ao longo desta nobre carreira, sabem que no coração e no pensamento está forte a chama da esperança, da confiança de que dias melhores virão.

Conquistá-los, porém, é tarefa de hoje, que cumpriremos com os olhos no futuro desta juventude que tanto espera de nós.

Torço para que os esforços de corresponder à expectativa da garotada não sejam ofuscados por nossos dramas pessoais.

O magistério é causa para gente de fibra, que não entrega os pontos diante das adversidades.

É para homens e mulheres assim que dedico o artigo desta semana.

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Opinião

Quase duas décadas sem sair do lugar

Washington Novaes
O tema é penoso, pode até parecer irritante ao eventual leitor - pela insistência -, mas não há como fugir dele. Porque na semana em que se encerra o prazo para os países registrarem voluntariamente se estão de acordo com o texto final apresentado na reunião da Convenção do Clima em Copenhague e quais são seus objetivos para reduzir emissões, na verdade, nada se avançou - embora se tenha discutido naquele encontro que é preciso fazer todos os esforços para que a temperatura da Terra não suba mais que l,5 grau até 2050 (esteve 0,56 grau acima da média em 2009; todos os anos da década estiveram entre os mais quentes).


Também se discutiu ali que será preciso que os países industrializados contribuam com US$ 10 bilhões anuais até 2012 para ajudar os países mais pobres a enfrentar mudanças climáticas ("chegando a US$ 195 bilhões anuais em 2020"), mas até aqui nada aconteceu. Os países industrializados continuam mergulhados apenas nas discussões sobre sua crise econômica e de mais não querem saber. Não espanta, assim, que o secretário-geral da convenção, Yvo de Boer, tenha dito (Estado, 21/1) que não garante que se consiga chegar este ano a um acordo satisfatório, embora já haja mais uma reunião da convenção marcada para Cancún, no fim do ano.

E tudo isso acontece no momento em que Sul e Sudeste brasileiros estão mergulhados em tragédias decorrentes de mudanças do clima e da nossa incapacidade de lidar com elas. Barragens rompem-se ou transbordam, centenas de milhares de pessoas estão sob ameaças graves em dezenas de cidades, onde as chuvas atingem volumes inéditos. Segundo a Agência Nacional de Águas (Estado, 12/1), mais da metade dos reservatórios de abastecimento no País está com as comportas abertas, capacidade de retenção esgotada.

Mas embora a acentuação de "eventos extremos" como as chuvas volumosas tenha sido evidente - com 525 municípios em estado de emergência em 2007, mais de 800 em 2008 e 841 até setembro de 2009 -, lembrou este jornal em editorial (6/1, A3) que foi gasto de 10 a 15 vezes mais em reparos após as catástrofes do que em medidas de prevenção. E, muito grave, nenhum centavo foi aplicado na implantação do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos ou no projeto de coordenação do Sistema Nacional de Defesa Civil. Caracteriza-se, assim, ao longo de muitos anos, um continuado descaso ante a possibilidade prevista de tragédias.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Concessões da área elétrica vão ser renovadas por MP"

Indefinição vinha travando investimento e crédito de empresas do setor

O governo decidiu renovar as concessões do setor elétrico que vencem entre 2015 e 2020. Minuta de medida provisória que regulamenta a decisão está em fase final, informa Leila Coimbra. Com essa decisão, o governo descartou a possibilidade de tomar as concessões para fazer um novo leilão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não decidiu quando encaminhará a MP ao Legislativo. Tudo indicava que a decisão ficaria para o próximo governo. Mas, como a indefinição prejudica o setor elétrico, o governo resolveu encaminhar agora uma solução para o problema. O impasse vem travando operações de fusões e aquisições. De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), empresas também não estão conseguindo contrair empréstimos para investimentos em suas redes nem renovar contratos para contratos de longo prazo de compra e venda de energia, que vencem a partir de 2012. A minuta da MP prevê ainda redução de tarifa.

O Estado de São Paulo
"Mantega anuncia fim de incentivos"

'A economia não precisa mais da ajuda do Estado', diz ministro sobre IPI menor para indústrias

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que as medidas fiscais para socorrer a economia, como o corte de IPI, serão eliminadas, informa o enviado especial a Zurique, Jamil Chade. "Achamos que, se a economia está crescendo, ela não precisa mais da ajuda do Estado." Ele adiantou que a isenção para a linha branca acabará neste fim de semana. Segundo Mantega, a indústria sofreu contração de 5% a 6% em 2009, mas as perspectivas são de crescimento. Mantega estimou que a expansão do PIB neste ano ficará entre 5% e 5,5%, puxada pelo consumo doméstico e pelos investimentos, e ele previu a criação de 1 milhão de empregos, com falta de mão de obra em alguns setores. Mas o ministro rejeitou a tese de superaquecimento e de risco de inflação: "A preocupação no Brasil é se vamos crescer demais ou não". Apesar de defender o fim dos pacotes de ajuda à economia contra a crise, Mantega disse que o Estado precisará ter uma nova regulação do sistema financeiro internacional e manter sua presença, tese que ele defenderá hoje no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).

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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Brasil

Crescimento insustentável

Exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou mais empregos e renda

Roberto Nikolsky
Felizmente o Brasil já superou os principais reflexos da recente crise econômica mundial. Mas mesmo assim a economia brasileira, que entre 2006 e 2008 cresceu a uma taxa média de cerca de 5% ao ano, em 2009 não repetirá esse desempenho e deverá até encolher um pouco, conforme as estatísticas irão mostrar. A questão a se discutir, portanto, é se o modo de crescer que o governo vem praticando é sustentável.

O crescimento brasileiro tem sido puxado, principalmente, pelos produtos agropecuários, extrativos e primários. São as chamadas commodities, de muito pouco valor por unidade física. Crescemos também produzindo para o mercado interno mediante a expansão do crédito, o que levou famílias a consumir mais, mas também a aumentar muito o seu endividamento. O inconveniente desse tipo de crescimento é que ele se sustenta no crescimento, bem mais acelerado, de outros países, como a China. Os preços de commodities são definidos pela demanda do mercado mundial, e se nos últimos anos têm estado elevados é porque a China compra muito. São fatores que fogem ao nosso controle e qualquer mudança pode paralisar o nosso crescimento, exatamente como aconteceu neste ano.

Esses fatores, em conjunto com a apreciação do real frente ao dólar, geram uma forte pressão de substituição da produção interna por produtos importados, principalmente aqueles de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado. Ou seja, exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou muito mais empregos e renda. A indústria brasileira de transformação, que agrega tecnologia e deixa o produto pronto para o consumidor final, está crescendo bem menos do que o PIB. A nossa economia é cada vez mais produtora de commodities agropecuárias e minerais, de produtos básicos e de serviços simples, como o comércio.

A indústria instalada no país, seja eletrônica, farmacêutica, de máquinas e equipamentos etc., importa mais e mais componentes com os quais finaliza ou monta os produtos, sem que o governo aja na defesa da renda e dos empregos industriais. Já tivemos a quinta indústria de bens de capital do mundo e hoje temos apenas a décima quarta, com muito menos conteúdo tecnológico próprio. Isto é a desindustrialização! Entre 2006 e 2008, o deficit do comércio exterior em produtos de maior valor agregado e alta intensidade tecnológica quadruplicou, alcançando US$ 51 bilhões, enquanto exportávamos cada vez mais commodities.
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Nota do Editor - Cinco toneladas de soja por um laptop. Ou quatro toneladas de minério de ferro pelo mesmo laptop. O país que faz o laptop gera recursos e aplica em infraestrutura, salários dignos, saúde do povo, ou seja, nesse país vive-se melhor do que no Brasil. Para fazer laptops é preciso tecnologia e para desenvolver tecnologia é preciso educação. Minério acaba, povo educado não. O presidente Lula diz que quer elevar o nível de vida do brasileiro. Só com educação será possivel. (Sidney Borges)

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Utilidade Pública

Lixo

Hoje, 28/01, às 14h00, na CETESB, Rua Cunhambebe, 521- Ubatuba, reunião para apresentação do Projeto "Lixo Zero" - alternativa mais barata de tratamento e reciclagem de lixo domiciliar, no municipio. Compareça, sua presença é importante.

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Deu em O Globo

Governos e banqueiros em guerra

Executivos financeiros criticam regulação proposta por autoridades

Do Blog do Noblat
O Fórum Econômico Mundial, em Davos, abriu ontem com uma disputa aberta entre banqueiros e governantes. Passado o susto da maior crise financeira desde 1929, bancos e outras instituições financeiras voltaram com força a Davos, reagindo à proposta de maior regulação sobre os mercados. Mas líderes políticos, como o presidente francês, Nicolas Sarkozy, engrossaram o tom.
Num discurso vigoroso na abertura oficial do Fórum, Sarkozy se queixou de “comportamentos indecentes” e “lucros excessivos”.


- Só vamos salvar o capitalismo se o refundarmos, tornando-o mais moral — disse Sarkozy, num dos discursos mais radicais na abertura do Fórum.

Horas antes do discurso do presidente francês, representantes de grandes bancos defenderam menos regulação, dizendo que o cerco ao mercado vai reduzir emprego e gerar outras crises no futuro. O presidente do banco inglês Barclays, Bob Diamond, alertou para a possibilidade de um êxodo de bancos de Londres e Nova York na direção de outros centros financeiros, em Cingapura, Taiwan ou Zurique. (Original aqui)

Nota do Editor - Sarkozy quer refundar o capitalismo. Com menos lucros dos bancos. Fica no ar a dúvida: o discurso foi sincero ou jogo de cena? Sarkozy é político, sabe que seu emprego depende de votos e que para conseguir votos é preciso dinheiro e quem tem dinheiro são os banqueiros. Bingo. Nenhum político afronta a banca impunemente, só os reis absolutistas tinham poder para tanto. O absolutismo acabou em 1789. Nos anos da década de 1960 o diabo vivia encarnado na Terra, disfarçado de banqueiro. Seu nome era Rockefeller. Faça o sinal da cruz e bata na madeira. O sócio brasileiro dele continua ativo. É amigão do Lula. E vai ser amigão do futuro presidente, seja quem for. (Sidney Borges)

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Opinião

Chávez avança para a ditadura

Editorial do Estadão
As ditaduras não costumam consolidar-se desrespeitando as leis, as liberdades, as garantias e os valores das pessoas em apenas um campo. Mas no conjunto da quebra de direitos, traçada por esses regimes, a intolerância à livre expressão é sempre uma prioridade. Por isso não surpreende, na Venezuela de Hugo Chávez, a retirada do ar - junto com mais cinco emissoras a cabo - da popular RCTV, por não transmitir em cadeia um discurso do caudilho.

Em 16 de julho de 2007 o caudilho venezuelano já retirara o sinal aberto da RCTV, que nunca se enquadrou nos padrões de comunicação exigidos pelo autoritarismo bolivariano. Atualmente, a RCTV só transmite sinal a cabo. Também não se enquadraram as 34 emissoras de rádio retiradas do ar pelo esbirro de Chávez, o tenente Diosdado Cabello, diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), com base em leis aprovadas sob medida pela Assembleia Nacional, totalmente dominada pelo chavismo. A Conatel também aplicara multa equivalente a US$ 2 milhões à Globovisión por ter difundido a notícia de um tremor de terra em Caracas.

O autoritarismo bolivariano nada tem de original. O truculento cerceamento da liberdade e da independência dos veículos de comunicação é um dos instrumentos que os governos ditatoriais usam para sufocar a reação popular a outras truculências. No dia 8, Chávez alterou a cotação da moeda venezuelana e criou um câmbio duplo - isso num país que importa 80% do que consome. O governo combate a escassez e a carestia, expropriando supermercados, como fez com o do grupo francês Exito. Mas o governo Chávez dá sinais de cisão, como indicam as renúncias do vice-presidente e ministro da Defesa, Ramón Garrizalez; de sua mulher, ministra do Meio Ambiente; do ministro da Ciência e Tecnologia, Jesse Chacon; do ministro da Energia Elétrica, Angelo Rodrigues; e do presidente do Banco Central, Vasquez Orellana.

É evidente que Chávez aumentou a violência contra a liberdade de imprensa na inútil tentativa de ocultar a situação cada vez mais deteriorada da economia e da administração pública bolivarianas. Só que não há como esconder do público a carestia, a escassez de produtos essenciais e os apagões frequentes. Apesar de ameaçada de ser fechada pelo governo, a emissora Globovisión ainda ecoa os protestos e manifestações populares contra a arbitrariedade do regime. Foi essa emissora, por exemplo, que divulgou a convocação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, para um panelaço de protesto contra o fechamento da RCTV.

Cresce entre a população venezuelana a reação aos desmandos chavistas. No sábado, milhares de pessoas foram às ruas protestar contra as políticas que levaram ao colapso do setor elétrico, à crise de abastecimento e a uma inflação acima de 25%. A Igreja, por meio do cardeal-arcebispo de Caracas, Jorge Urosa Savino, deplorou o fechamento da RCTV. "Não podemos assistir passivamente a essas coisas. Temos de lutar para que respeitem nosso direito. Calar um meio de comunicação não contribui em nada para a manutenção do Estado de Direito, mas sim enfraquece as garantias constitucionais."
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Lula ignora TCU e dá verba para obras sob suspeita"

Paralisação causaria prejuízos e corte de 25 mil empregos, alega o Planalto

Veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei or­çamentária liberou pagamentos de R$ 13,1 bilhões para quatro obras da Petro­bras que, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), apresentam irregu­laridades "graves", como preços acima dos de merca­do e falhas nos projetos. Entre as obras que foram liberadas pelo veto de Lula está a refinaria Abreu e Li­ma, em Pernambuco, que deve receber R$ 6,1 bilhões. Outras 38 obras, inclusive do PAC (Programa de Acele­ração do Crescimento), fo­ram mantidas na lista das que não podem receber re­cursos públicos em 2010. Na justificativa de veto, o Planalto alega que a parali­sação das quatro obras da Petrobras representaria cor­te de 25 mil empregos e um prejuízos mensal estimado em R$ 268 milhões. Em 2005, Lula também vetou o bloqueio de dinheiro públi­co para a construção da usina nuclear de Angra 3. Para derrubar o veto pre­sidencial, são necessários os votos de dois terços dos de­putados e senadores, hipó­tese que é tida como remota. "Cumprimos nossa parte", afirmou Ubiratan Aguiar, presidente do TCU.

O Estado de São Paulo
"Lula garante verba para obras federais sob suspeita"

Orçamento incluirá 4 projetos da Petrobras com indícios de irregularidades

O presidente Lula tirou quatro ­obras da Petrobras da lista de projetos que estão impedidos de receber recursos orçamentários por indícios de irregularidades, apontados pelo Tribunal de Contas da União. São as refinarias Abreu e Lima(PE) e Presidente Getúlio Vargas (PR)- empreendimentos que integram o PAC, estrela da campanha presidencial petista -, o terminal de escoamento de Barra do Riacho (ES) e o complexo petroquímico do Rio. Lula argumentou que parar as obras acarretaria a perda de 25 mil empregos e de R$ 268 milhões mensais. Segundo o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), o presidente acatou um "apelo" do governadores, trabalhadores do setor de petróleo e empresários.

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quarta-feira, janeiro 27, 2010

Aviação

O lançamento da mais poderosa bomba nuclear da história

Cultura Aeronáutica (original aqui)
No início dos anos 60, os Estados Unidos e a URSS estavam no auge da "Guerra Fria". Centenas de aeronaves de combate, incluindo bombardeiros estratétigos equipados com armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais estavam em prontidão para retaliar qualquer agressão.


Uma vez que não havia, de fato, uma guerra, ambos os lados procuravam demonstrar poderio para intimidar qualquer iniciativa de agressão. Uma das maiores demonstrações de poderio foi feita pela URSS, que fabricou a mais poderosa bomba nuclear da história e a lançou em uma remota ilha no Oceano Ártico, a Novaya Zemlya.

A equipe de cientistas russos que construiu a bomba era liderada pelo Dr. Julii Borisovich Khariton, e incluía os físicos Andrei Sakharov, Victor Adamsky, Yuri Babayev, Yuri Smirnov e Yuri Trutnev. O artefato que eles construíram tinha 3 estágios de operação, fissão-fusão-fissão, podia gerar, em tese, 100 Megatons (o equivalente a 100 milhões de toneladas de TNT), e era designada oficialmente como RDS-220 e recebeu dos cientistas o nome de "Ivan".

Os cientistas, entretanto, modificaram a bomba, pois temiam a grande quantidade de radiação que seria liberada na atmosfera, que afetaria principalmente o próprio território russo, e também efeitos imprevisíveis numa explosão de tão colossal escala na Terra, além de temerem a destruição das aeronaves lançadoras. Na versão final da bomba foi eliminada a carcaça externa de Urânio 238, que constituía o "terceiro estágio", e colocada uma nova carcaça de chumbo, de forma que 97 por cento da explosão seria causada por fusão nuclear. Mesmo assim, a bomba tinha ainda cerca de 57 Megatons de poder explosivo, equivalente a 10 vezes o total de bombas convencionais lançadas por todos os países durante a Segunda Guerra Mundial.


A tarefa seguinte foi adaptar uma aeronave para lançar a bomba, pois o artefato era enorme, 8 metros de comprimento, 2 metros de diâmetro e 27 toneladas de peso. Um bombardeiro turbo-hélice Tupolev Tu-95 (foto acima), o maior do arsenal russo, teve suas portas de bombas removidas, e a bomba foi levada semi-externamente, pois não cabia dentro da estrutura do avião. Para aliviar peso, alguns tanques de asa também foram removidos, restringindo seriamente seu alcance. O Tupolev Tu-95 e um jato Tupolev Tu-16 (foto abaixo), que seria usado como aeronave de observação e medição, foram pintados com uma tinta refletiva branca especial, para proteger os aviões do calor radiante que seria emitido pela explosão.


Para possibilitar o máximo afastamento das aeronaves da área da explosão, a bomba tinha um para-quedas para retardar sua queda, de forma que, quando explodisse, a 4.000 metros de altura, os aviões já estivessem a 45 km de distância.


Ambas as aeronaves decolaram na manhã do dia 10 de julho de 1961, de uma base na Península de Kola, em direção à Novaya Zemlya. O Tupolev Tu-95 que carregava a bomba era comandado pelo Major Andrei E. Durnotsev. Seu alvo era o campo de testes da Baía de Mityushikha. A bomba foi lançada de 10.500 metros de altura e explodiu às 11 horas e 32 minutos. A bola de fogo resultante atingiu o solo e também a altitude de lançamento. Era visível a mais de 1000 km do "ponto zero", e poderia provocar queimaduras de terceiro grau em pessoas a essa distância.

Uma enorme nuvem em forma de cogumelo chegou a 60 Km de altura e 35 Km de largura, podendo ser vista até do norte da Finlândia. A onda de choque foi sentida em muitas cidades russas e finlandesas, chegando mesmo a quebrar janelas a mais de 1.000 Km de distância. Apesar de atingidos em cheio pela onda de choque, os aviões sobreviveram e pousaram em segurança.


Embora fosse a mais poderosa bomba nuclear de todos os tempos, a Tsar Bomb (nome pelo qual a bomba foi conhecido no Ocidente) não era um artefato operacional, era apenas uma demonstração do enorme poder tecnológico da URSS. Sua potência foi rapidamente suplantada por mísseis balísticos de navegação inercial altamente precisa, que poderiam provocar danos localizados e muito mais eficientes.


Depois da explosão da Tsar Bomb, o físico Andrei Sakharov, um dos componentes da equipe que construiu a Tsar Bomb, passou a se posicionar publicamente contra o uso de armas nucleares, tornando-se um dos mais famosos dissidentes da antiga União Soviética.

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Cultura


Soldado da ONU tenta distribuir mantimentos na passarela. Organização se recusa a trocar biscoitos por barrinhas de cereal light

Ministério da Defesa desvia ajuda humanitária para a SPFW

The Piauí Herald (original aqui)
“Não podemos salvar o mundo. É preciso priorizar.” Foi com essa declaração seca que o general Charles Santoro, Chefe da Missão da ONU na São Paulo Fashion Week, explicou as razões pelas quais o Ministério da Defesa decidiu concentrar sua ação humanitária na semana da moda. “O Haiti já está recebendo ajuda dos Estados Unidos. A nossa maior responsabilidade são os problemas brasileiros e a situação aqui na Fashion Week é desesperadora.”

Santoro afirmou que, em trinta anos, nunca viu um quadro de desnutrição tão alarmante. “Integrei missões no Togo, na Somália e na Guiné-Bissau. Nunca vi nada parecido. Ontem conheci uma top-model que está há doze dias vivendo à base de água e cigarro. Isso as ONG's não vêem.”

De acordo com o general, o Ministério da Defesa destinou 30 milhões de dólares em alimentos (o dobro do que foi enviado ao Haiti) às vítimas da SPFW.

“Compramos carne, frango, batata, pão, biscoito, mas está tudo estragando. Elas se recusam a comer. Andam de um lado para o outro, que nem zumbis, dizendo: ‘Salada! Salada!’”. Santoro contou que as condições no solo têm feito desta missão a mais complexa de sua vida. “Veja bem. A ONU não doa salada! Isso é contra o nosso estatuto. Se for o caso, desloco todas as tropas do Haiti para enfiar pão goela abaixo dessas garotas.”

De acordo com números da organização Fashionistas Sem Fronteira, 37 modelos da SPFW foram internadas às pressas com sintomas agudos de subnutrição, dependência química e depressão profunda. Uma faleceu. Segundo relatos, sua última frase teria sido: “Tem glúten?”

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Oportunidade!


Agência Europeia Pressphoto (original aqui)

A câmera mais antiga e mais cara do mundo! Preço estimado entre 500.000 e 700.000 euros

VIENA, 27 de janeiro /PRNewswire/ -- No dia 29 de maio, a WestLicht Photographica Auction em Viena, Áustria, vai leiloar uma sensação histórica: um 'Daguerreótipo' -- a primeira câmera produzida em escala comercial!

A câmera em caixa de madeira deslizante foi fabricada em Paris em setembro de 1839 por Alphonse Giroux, cunhado de Louis Jacques Mande Daguerre. Daguerre, o inventor do primeiro processo fotográfico praticável, batizou a câmera para comprovar sua autenticidade. Somente cinco dias após o primeiro anúncio público da fotografia em 24 de agosto de 1839, o primeiro anúncio para o 'Daguerreótipo' foi impresso no 'Journal des Debats'. Não há registro do número total de câmeras que Giroux produziu, mas pelo fato de câmeras mais baratas e aprimoradas terem entrado no mercado com relativa rapidez, supõe-se que a quantidade delas foi muito limitada. Sabe-se que apenas poucas dessas câmeras existem no mundo, e todas elas estão em coleções de museus públicos.

O 'Daguerreótipo' de Giroux em leilão foi encontrado recentemente. Estava em posse privada no norte da Alemanha por gerações e nunca tinha sido documentada antes. A condição original impecável do aparato de 170 anos é impressionante. Jamais uma câmera desse tipo foi colocada à venda em um leilão. Um manual original em alemão de 1839 também está incluído nessa venda sensacional. Espera-se que o próprio preço recorde mundial da WestLicht Auctions de 576.000 euros por uma câmera seja superado significativamente. O preço inicial é de 200.000 euros, mas a estimativa é de que atinja algo em torno de 500.000 a 700.000 euros.

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Festa


Foto: Ricardo Stuckert/PR (original aqui)

Lula cumprimenta mãe de Chico

Sidney Borges
Maria Amélia Buarque de Hollanda, mãe de Chico Buarque, completou 100 anos e recebeu a visita do presidente Lula. A mãe de Caetano, Dona Canô, está com 102.
Em geral mães querem que os filhos sejam médicos. Talvez fosse mais interessante colocar o mimoso rebento a aprender violão. Ter filho cantor parece alongar a vida. Cantor de sucesso, não sei de mães de cantores de churrascarias, que prezo muito. Nada como trinchar uma picanha ao som de "Boneca cobiçada".

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Fim da novela

Zelaya aguarda salvo-conduto do presidente eleito de Honduras

Glauce Tolomei (original aqui)
Enviada Especial
Soldados do Exército fortemente armados continuam cercando o quarteirão onde fica a Embaixada do Brasil, no centro de Honduras. Depois de mais de quatro meses abrigado no prédio, o presidente deposto, Manuel Zelaya, deve receber um salvo-conduto do presidente eleito, Porfírio Lobo Sosa, depois que ele for empossado nessa quarta-feira (27). O documento permite que Zelaya e sua família deixem o país e sigam para a República Dominicana.


Na área próxima à embaixada, a expectativa é grande quanto à saída de Zelaya. Desde que ele se abrigou ali, o acesso a várias ruas foi bloqueado, causando prejuízo aos comerciantes. Rosamaria Matamoros, dona de quatro lojas vizinhas, entre elas um salão de beleza, reclama que os clientes foram embora. Ela conta que muitos ficavam constrangidos ao serem revistados pelos soldados e nunca mais voltaram. Rosamaria se diz feliz com um provável fim para a crise política mas considera que, mesmo assim, será difícil recuperar os prejuízos.

Em entrevista coletiva na véspera da posse, o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo Sosa, afirmou que seu governo será de integração nacional, do qual participarão todas as forças políticas. "Só em paz podemos seguir adiante", acrescentou. Ao ser perguntado, no entanto, não deu garantias de que Manuel Zelaya não será preso no momento em que deixar a Embaixada do Brasil.

Ainda não foi divulgado quando e como o presidente deposto sairá do prédio e seguirá para a República Dominicana. Porfírio Lobo explicou que o processo de concessão do salvo-conduto ainda está sendo definido.

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Opinião

O resgate e a reconstrução

Editorial do Estadão
A reunião preparatória para a conferência sobre o futuro do Haiti, realizada segunda-feira em Montreal, no Canadá, com a participação de autoridades de uma vintena de países e representantes de organizações multilaterais, deixou claro que a comunidade internacional pelo menos está atenta para evitar um imenso equívoco: concentrar esforços exclusivamente nas demandas imediatas do país devastado, e só quando estiverem minimamente satisfeitas pensar na sua reconstrução. Primeiro, porque até onde vai a vista, o desafio de prover socorro e segurança à população flagelada, numa situação de miséria extrema, caos social e virtual inexistência de Estado, exigirá um tempo que nem sequer pode ser estimado a esta altura. A distribuição de alimentos, por exemplo, ainda é errática. As equipes médicas estão no limite de suas forças. Na Cité Soleil, a maior favela de Porto Príncipe, a fome e a sede convivem com o pavor das gangues de novo em atividade.

Em segundo lugar, porque a destruição do pouco que havia de infraestrutura na capital impõe um limite intransponível à efetividade da ajuda humanitária. Terceiro, mas não menos importante, sendo as coisas como são, a generosidade estrangeira tem de ser canalizada com rapidez para fazer do Haiti um país antes que o mundo passe a olhar para o outro lado. O problema, a rigor, não é apenas dinheiro, conquanto obviamente essencial. É saber o que fazer, quem fará o que e sob quais regras. A arquitetura institucional requerida terá de ser inventada: o caso haitiano não tem precedentes pela escala da catástrofe, a sua concentração geográfica, o vácuo administrativo e a dizimação das equipes externas de cooperação civil e militar baseadas em Porto Príncipe - voluntários de ONGs, técnicos de agências de fomento, especialistas em gestão pública e as forças da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), sob comando brasileiro.

Uma das perguntas da hora é se faz sentido manter o mandato original da missão criada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2004 para combater a violência política e criminal no país e assegurar a realização de eleições presidenciais livres em 2006. Mesmo antes da catástrofe, a tendência do Brasil era de envolver cada vez mais a Minustah em programas de serviços sociais e de infraestrutura. Dias atrás, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo brasileiro poderia propor que a agenda do órgão passasse a incluir a reconstrução do Haiti. Já o chanceler Celso Amorim acha que "a mudança de mandato não é a coisa mais urgente nesse momento". Urgente, de todo modo, é o fim das picuinhas entre o Brasil e os Estados Unidos. No fim da semana passada, "para marcar posição", o general Floriano Peixoto, comandante-geral da Minustah, montou uma operação de distribuição de cestas básicas em frente ao que resta do palácio presidencial haitiano, cujos jardins foram transformados pelos americanos em campo de pouso para os seus helicópteros de transporte de víveres.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 27 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Presos 7 do MST acusados de destruir laranjal em SP"

Operação da polícia visa forjar acusações, afirmam líderes do grupo

Mais de três meses após a depredação de fazenda da empresa Cutrale em São Paulo, a Polícia Civil desencadeou a Operação Laranja, com o objetivo de cumprir 20 mandados de prisão de pessoas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). As prisões ocorreram na região de Iaras e Bauru (noroeste do Estado). Foram cumpridas sete ordens de prisão, mas duas pessoas que não estavam na lista foram detidas por porte ilegal de armas, levando a nove o total de detidos. Ao final do dia, havia 13 foragidos. Entre os detidos estão o ex-prefeito de Iaras Edilson Xavier, do PT, a vereadora Rosimeire Serpa (também petista) e o marido dela, Miguel Serpa, da direção estadual do MST, acusados de liderar a invasão. Foram apreendidos ainda computadores e celulares. Em nota, o MST disse que foram "apreendidos pertences pessoais de muitos militantes e exigidas notas fiscais e outros documentos para forjar acusações de roubos e crimes afins". A Cutrale disse que teve prejuízos de R$ 1,2 milhão com a invasão.

O Estado de São Paulo
"Proposta do governo obriga empresa a distribuir lucros"

Empresários classificam de 'eleitoreira' a ideia, lançada no Fórum Social

Uma proposta em estudo no governo torna obrigatória o pagamento, por empresas brasileiras, de 5% do lucro líquido a seus empregados. A idéia lançada no Fórum Social Mundial, e sua divulgação desencadeou versões conflitantes no governo. Depois que a discussão foi revelada na capital gaúcha pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho) e pelo secretário de Reforma do Judiciário, Rogério Favreto, o ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou em Brasília que “não há posição fechada” sobre o tema e que existem só “estudos”, divulgados prematuramente por assessores. Para entidades empresariais, há interesse eleitoreiro no debate. Já os sindicalistas criticaram o fato de não terem sido chamados para participar da elaboração.

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terça-feira, janeiro 26, 2010

Voar

Pensando na vida

Sidney Borges
O ar parece não existir, não nos damos conta dele, mas não só existe como é bastante pesado. A massa de ar contida em uma caixa em forma de cubo (dadinho), com um metro de aresta (lado) é da ordem de 1,2 kg. Ou seja, 1 metro cúbico de ar "pesa" um quilo e duzentos gramas. Quem não tem familiaridade com ciência costuma dizer duzentas gramas, força do hábito, não é correto.

Quando dizemos "a grama" estamos nos referindo àquela plantinha que faz a alegria dos ruminantes. Se estivermos lendo o mostrador de uma balança e a marcação for igual a 200 com um g minúsculo adiante, (200 g) é correto dizer que a massa é de "duzentos gramas". O grama (g) equivale à milésima parte do quilograma (kg), unidade de massa do Sistema Internacional de Unidades. O quilograma-padrão é um cilindro de platina iridiada de 4 cm de diâmetro na base e 4 cm de altura. Está depositado em Sèvres, cidade francesa sede do Escritório Internacional de Pesos e Medidas (Bureau International des Poids et Mesures).

O ar é um fluido e como tal aplica nos corpos nele imersos uma força contrária à ação da gravidade, chamada empuxo. Quando a densidade do corpo imerso é menor do que a densidade do fluido, ele sobe. Assim voam os balões, são mais leves do que o ar. A densidade do ar contido no balão é menor do que densidade do ar que o envolve. É uma boa forma de voar, mas tem limitações que foram determinantes em impedir os românticos dirigíveis de prosperar. Com o avanço de motores e materiais compostos talvez voltem a ser viáveis economicamente.

O homem escolheu imitar os pássaros e através de observação e experimentação dominou a arte de singrar os ares. Voou tarde, a tecnologia necessária à construção de aeronaves mais pesadas do que o ar está à disposição da humanidade desde o Egito antigo, ou até antes. Na Idade Média essa tecnologia sobrava, faltou alguma coisa para que Leonardo da Vinci e outros de seu naipe desenvolvessem planadores.

Penso que faltou método, organização. Uma vez perguntaram ao jornalista Millor Fernandes, autodidata em diversas áreas, tradutor, diretor de teatro, jornalista, humorista e mais alguns istas que me escapam, se sentiu falta de freqüentar escolas formais, ou seja, de ir à universidade. A resposta foi emblemática: "senti falta do método'. Em linhas gerais ele quis dizer que perdeu tempo inventando a roda sem saber que já existia.

Por volta de 1500 existiam materiais para construír planadores de razoável rendimento. Perdemos uns 400 anos da mais pura diversão, voar de planador é das melhores coisas que se pode fazer nesta vida.

Quem matou a charada do vôo foi Otto Lilienthal, com mais de 2000 vôos documentados. Convém lembrar que a tentativa de desatar o nó górdio estava em muitas cabeças, deve ter havido outros que chegaram lá. Quem sabe algum inventor tímido. Ou um egoísta que guardou a descoberta para sí.

Lilienthal nasceu em 1848. Inteligente e determinado construiu planadores a partir da observação do vôo das aves. Com eles decolava de encostas e fazia longos vôos, até que em 1896 estolou e despencou de 17 m, partindo a espinha dorsal e morrendo em seguida. Diz a lenda que suas últimas palavras foram: sacrifícios precisam ser feitos. Pode ser que seja verdade, acho que ele deve ter mesmo é reclamado de dor, mas quem conta um conto costuma aumentar um ponto e, se tiver talento, mais.

Voar era possível, Lilienthal provou isso mais de duas mil vezes. Hoje devemos estar caçando moscas como fizeram nossos antepassados, deve existir alguma forma de aproveitar o campo gravitacional como fonte de propulsão. Um dia alguém descobre. Pena que não estarei aqui para ver e não tenha QI suficiente para ser o descobridor. Morrerei curioso...

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