sábado, janeiro 02, 2010

Concorrência...



Bolívia lança refrigerante de folha de coca

da BBC Brasil
O governo boliviano produzirá um refrigerante energizante feito com a folha de coca chamado "Coca Colla", segundo anunciaram, nesta quarta-feira, o vice-ministro da Coca, Jerónimo Meneses, e o vice-ministro de Desenvolvimento Rural, Víctor Hugo Vázquez.


Meneses mostrou um modelo da garrafa à imprensa local e afirmou que o governo apoia este projeto apresentado pelos produtores da folha de coca da região do Chapare, no departamento (equivalente a Estado) de Cochabamba, no centro do país. "Trata-se de uma iniciativa privada para produzir um energizante com a folha de coca. Mas nos interessa, como Estado, a industrialização da coca", disse Vázquez.

A intenção do governo do presidente Evo Morales seria formar uma empresa mista com alguma empresa privada, informou a imprensa local. Vázquez lembrou que já existem na Bolívia chás, doces e licores confeccionados com este produto.
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Pensata

Dica às pitonisas

Sidney Borges
Está difícil olhar as notícias. Os dramas próximos parecem - e são - mais intensos. Morre gente no Iêmen, explodem carros-bomba no Paquistão. Leio e nada acontece nas cordas vibrantes da minha sensibilidade. Mas aqui ao lado, em Angra dos Reis, é diferente. Não posso deixar de me emocionar com a história da família que comprou o fim de ano dos sonhos.

Pai, mãe e duas filhas, de 9 e 12 anos, foram passar o reveillon em uma pousada na Ilha Grande. Montanha, mar, tranqüilidade, aconchego. A montanha não suportou o aguaceiro e veio abaixo. Da família restou o pai tetraplégico. A mãe está em coma profundo na UTI, talvez não sobreviva. As meninas morreram. Isso é o que eu chamo de tragédia.

Não é preciso ter sido ungido pela sabedoria do Oráculo de Delfos para afirmar que em dezembro de 2010 teremos enchentes, deslizamentos, mortes, gente desabrigada, choro e ranger de dentes. Acontece quase todos os anos, varia a época, pode ser em dezembro, janeiro, fevereiro ou até março, mas sempre acontece.

Nas lembranças da infãncia está gravada a chuva do Natal de 1960. Sem ver a ponte do Tamanduateí transbordado, Seu Manoel, próspero comerciante do ramo de panificação entrou no rio com o Chevrolet 34. No carro viajavam três filhos pequenos. Acompanhavam o pai que levara para casa parentes que haviam comemorado o Natal com eles.

No mesmo dia, pela manhã, outros dois vizinhos, pai e filho, desceram do bonde na Rua São Jorge, iam ao Corinthians jogar bocha e comemorar o Natal com os companheiros. Morreram atropelados. Um carro na contramão lançou-os para o alto e fugiu sem prestar socorro.

No dia seguinte acompanhei dois velórios na mesma rua. Era costume velar os mortos em casa. O choque foi grande, crianças não entendem direito essa coisa de morte, não que adultos entendam, mas para crianças a vida é cheia de surpresas agradáveis. Morrer parece estranho, fora de propósito.

Comemoro a volta do Sol neste sábado luminoso. Não sei se foi por causa das tragédias que acompanhei na infância, mas depois de adulto prefiro ficar em casa quando há deslocamentos em massa. Os documentários do Discovery sobre manadas de gnus migrando no Serengeti reforçam minha disposição de pilotar a poltrona da sala enquanto a poeira não baixa.

Mas gosto de comemorações, apesar de ter como certo que não dependem da geografia. São coisas da alma, fenômenos vibratórios. Tanto faz aqui ou pra lá de Bagdá, o que importa é a disposição emocional de compartilhar momentos da existência com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Em companhia de amigos, raros que são.

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Opinião

Mais 31 legendas nos ameaçam

Editorial do Estadão
Com a chegada de mais um ano eleitoral, cientistas políticos e juristas especializados em legislação eleitoral constataram que, além das 27 agremiações já existentes no espectro partidário, outras 31 legendas estão funcionando em caráter provisório. E, como seus dirigentes não têm medido esforços para tentar obter o registro definitivo, isso pode levar o Brasil a contar com 58 partidos políticos, o que é um absurdo.

Os nomes desses partidos provisórios já dizem tudo. À esquerda, destacam-se a Liga Bolchevique Internacionalista e o Partido Comunista Revolucionário. À direita, destaca-se o Movimento Integralista Brasileiro. E, no meio dessa gelatina ideológica, há uma agremiação que apresenta um ideário alternativo sob o sugestivo nome de Partido Pirata. Evidentemente, todas essas legendas carecem de representatividade e, muito mais, de legitimidade. Apesar de a Constituição de 88 consagrar o sistema pluripartidário, é evidente que a maioria - se não a totalidade - dessas legendas não foi criada com propósitos sérios.

Algumas legendas pretendem atuar como simples "línguas de aluguel" - aquelas que, em troca de cargos ou de dinheiro, fazem o serviço sujo, atacando a honra de candidatos competitivos dos grandes partidos a cargos majoritários. Infelizmente, essa prática não é nova. Há vinte anos, por exemplo, na primeira eleição direta para a Presidência da República, esse papel foi exercido por "Marronzinho", um desconhecido que se candidatou por um partido nanico e passou a campanha difamando os candidatos que se destacaram nas primeiras pesquisas de opinião pública, como Mário Covas e Leonel Brizola. Outras agremiações foram criadas para vender vagas a candidatos que não conseguiram legenda nos principais partidos.

Mas os dirigentes das 31 legendas que funcionam em caráter provisório, aguardando a aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), têm ainda outros objetivos. O primeiro deles é abocanhar uma fatia dos R$ 149 milhões do Fundo Partidário, que são repassados anualmente às agremiações com registro definitivo. O segundo objetivo é dispor de cerca de cinco minutos de TV e de rádio por semestre para apresentar suas propostas, que variam de delirantes exercícios retóricos a promessas de obras absurdas, como a criação de linhas de "aerotrem" e a criação de novas unidades federativas a partir da divisão dos Estados já existentes.
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Manchetes do dia

Sábado, 02 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Soterramentos matam 30 em Angra"

Morros vêm abaixo e destroem casas e parte de uma pousada; no Estado do Rio, já são 50 mortos em 3 dias

Pelo menos 30 pessoas morreram na madrugada de ontem em Angra dos Reis (RJ), em decorrência de dois deslizamentos de terra. No mais grave deles, em Ilha Grande, 19 corpos foram retirados dos escombros de sete casas e de parte da pousada Sankay. O morro veio abaixo por volta das 3h30, quando turistas e moradores dormiam depois da comemoração do Réveillon. No continente, o deslizamento do morro da Carioca destruiu 80 casas, matando pelo menos 11 pessoas. Por causa dos estragos provocados pela chuva, o prefeito de Angra dos Reis cancelou as comemorações de final de ano, entre elas a tradicional procissão marítima que aconteceria ontem. Na capital fluminense, morreu a garota de três anos que era a única sobrevivente de uma família cuja casa desabou em Jacarepaguá. Com isso, subiu para 20 o número de mortos na região metropolitana. No total, as chuvas deixaram, desde quarta-feira, um saldo de 50 mortos no Estado do Rio.

O Estado de São Paulo
"Tragédia de Angra eleva para 56 total de mortos pela chuva"

Deslizamentos e inundações castigam Rio, São Paulo e Minas na virada do ano

As fortes chuvas registradas desde quarta-feira provocaram 56 mortes no Rio, em São Paulo e Minas. No pior incidente, ocorrido na madrugada de ontem, o deslizamento de toneladas de terra de uma encosta destruiu a pousada Sankay e sete casas na Ilha Grande, em Angra dos Reis, matando pelo menos 19 pessoas. No centro de Angra, outro desmoronamento, no Morro da Carioca, fez sete vítimas. Mais de cem pessoas, entre bombeiros, médicos, voluntários e marinheiros, foram mobilizadas para a operação de resgate em Angra. Autoridades estimaram que poderia haver pelo menos mais 6 corpos no Carioca e 25 na Ilha Grande. Entre as vítimas está a filha dos donos da Sankay, Yumi Faraci, de 18 anos, que costumava fazer trilhas no morro que deslizou.

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sexta-feira, janeiro 01, 2010

Força do hábito



Jornal da Band: Humilhação aos garis
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O Plantão do Ubatuba Víbora informa:

Chuvas causam problemas em Ubatuba

Sidney Borges
Segundo o jornal "O Globo", oito bairros foram afetados pelas chuvas. A situação é grave. São eles: Toninhas, Estufa I, Estufa II, Parque Guarani, Núcleo Botafogo, Ubatumirim, Enseada e Perequê Mirim.

Há desalojados, mas a Defesa Civil ainda não tem números. A situação pior é no bairro das Toninhas. Moradores estão sendo retirados pelo Corpo de Bombeiros e levados para o Ginásio Esportivo da Prefeitura (Tubão), que fica no Centro.

Voltaremos a informar a qualquer instante.

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História



Sao Paulo 1943
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A locução está em inglês e não há legendas. Apesar disso as imagens de São Paulo, da década de 1940, tornam o vídeo, produzido pelo governo americano como parte da "política de boa vizinhança", bastante atraente. Confira...

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Coluna do Celsinho

Integrando

Celso de Almeida Jr.
Vamos lá, admita...


Que lugar bonito este em que vivemos, né?

Vejo esse mundaréu de turistas, animados por chegar aqui.

E nós, sortudos, já moramos aqui!!!

Pode parar...

Não quero falar dos problemas da cidade.

Não me encha a paciência.

Já sei de tudo.

De trás pra frente.

Quem é pilantra, quem é ingênuo, quem é chato, quem é bobo.

Não quero, justamente hoje, ficar tocando nesse assunto.

Temos um ano inteiro pela frente.

Não fugirei da raia.

Comprei uma Bic nova.

Tem muita tinta.

Dá pra escrever sobre tudo e todos.

Hoje, não!

Paz Universal.

Primeiro, de uma seqüência de dias maravilhosos.

Quero começar esperançoso...sonhador...inocente...

Falando em sonhos, tomei um café com o Arnaldo Chieus e o Luiz Ernesto Kawall.

Fomos na Padaria Integrale, recém inaugurada, na esquina da Hans Staden com a Esteves da Silva, no centro de Ubatuba.

Meu amigo...vá conferir.

Os pães são deliciosos e o padeiro é caprichoso. Aliás, é o dono.

Eu viajo nas conversas com o Kawall e o Chieus.

E, acredite, tomando cafezinho, apenas.

Falamos do enorme potencial cultural da cidade e do muito que podemos fazer, independentemente das ações de governo.

Não perdi a chance de pedir ao Luis para nos ceder em comodato as cópias digitalizadas da Vídeo-Vozoteca LEK.

Trata-se de uma coleção de vozes das maiores personalidades mundiais; muito interessante, objeto de pesquisa de diversas universidades.

Combinamos que o acervo será gerenciado pelo Arnaldo, sob a guarda do Instituto Salerno-Chieus.

Vamos disponibilizá-lo para o público em geral e, também, estruturá-lo num pequeno espaço para visitação turística.

Estabelecemos o mês para a inauguração: julho de 2010.

Pode me cobrar, leitor chato.

Não é projeto pra ficar na gaveta.

Vamos fazer e pronto!!

E, assim, juntamos mais este sonho a tantos outros que pretendemos tornar real neste décimo ano do terceiro milênio.

Agora, escreva quais são os seus, para conferirmos juntos nas vésperas de 2011, quando faremos um balanço do que deu certo, pode ser?

Na expectativa de que todos se realizem, desejo também muita saúde e paz.

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Opinião

Temas para o novo ano

Washington Novaes
Em 2010 muito provavelmente o Brasil ouvirá, a partir do mundo da política, um discurso bastante diferente - seja por causa das eleições presidenciais, seja pela situação muito crítica em diversas áreas.


Na área da política, um primeiro ensaio já ocorreu na reunião da Convenção do Clima. Em Copenhague, o presidente da República, os ministros Dilma Rousseff (candidata a presidente) e Carlos Minc falaram muito sobre a prioridade de uma visão "ambiental" no processo de desenvolvimento, condicionadora do crescimento econômico, da política energética e de vários outros setores. Dois outros candidatos presidenciais - a senadora Marina Silva e o governador José Serra - também bateram nessa tecla. E isso certamente gerará desdobramentos importantes na campanha.

Já não é sem tempo que se chegue a essa "transversalidade", com as questões básicas do clima e dos recursos naturais assumindo a indispensável primazia, pois sem equacionar os problemas nas duas áreas, no meio físico, não haverá solução para nada. E além de avançar no combate ao desmatamento, na geração de energias "limpas" e renováveis, precisamos de políticas na área de ciência e tecnologia que nos levem à prevenção e mitigação de mudanças climáticas. Temos urgência de implantar sistemas capazes de nos avisar com muito mais antecedência sobre "eventos extremos" (chuvas intensas, tornados, secas, etc.), para que se possam tomar providências a tempo. Da mesma forma, precisamos avançar muito com a defesa civil, para socorrer populações atingidas.

Uma atuação competente nessas áreas exigirá também rever nossas políticas em relação às grandes cidades. Cuidar da impermeabilização do solo, que hoje favorece as inundações; impedir que os rios continuem a ser canalizados (reduzindo sua capacidade de receber água) e assoreados (pelo despejo de esgotos); tornar obrigatória a retenção de água em cada imóvel (para utilização posterior e para reduzir o volume de água no momento das chuvas fortes). Mas não é só. Como tantos autores têm observado, não podemos continuar sem macropolíticas para grandes cidades, que determinem o rumo da expansão, criem obstáculos a formatos inadequados de ocupação do solo, gerem políticas setoriais eficientes no setor de transportes.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Chuva mata ao menos 19 no RJ"

Maioria das mortes ocorreu em áreas que a prefeitura carioca não considerava de risco

Pelo menos 19 pessoas, entre as quais sete crianças, morreram entre a quarta-feira e a tarde de ontem devido às fortes chuvas que vêm atingindo a região metropolitana do Rio de Janeiro. Dez das mortes ocorreram na capital, sete na Baixada Fluminense e duas em Niterói. Em Jacarepaguá, na zona oeste da capital, um deslizamento matou cinco pessoas de uma mesma família. O bairro registrou 114,6 mm de chuva, um terço do volume total esperado para dezembro. As mortes no Rio foram em áreas que a prefeitura não considerava como sujeitas a deslizamento. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou que a situação não afetaria o Réveillon: "A gente está triste, mas o Rio é uma cidade de celebração e vai realizar uma grande festa". Segundo o Inmet, a chuva vai continuar hoje. especialistas declararam que o temporal decorreu da combinação de baixa pressão com massas úmidas vindas da Amazônia e do mar.

O Estado de São Paulo
"Gargalos voltam a ameaçar economia"

Retomada do crescimento pode causar apagão no transporte

Com o reaquecimento da economia, deficiências na rede de transporte e no abastecimento de energia elétrica voltam a ameaçar o crescimento do País. Os principais indicadores do setor já retornaram aos patamares anteriores à crise financeira. "O País foi salvo pela crise. Mas qualquer 4% ou 5% de crescimento trará à tona as deficiências da infraestrutura", diz o diretor da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga, Renato Voltaire. Um dos temores de especialistas é o de que a retração do investimento em ferrovias prejudique o escoamento da safra recorde de grãos prevista para este ano e provoque aumento expressivo no número de caminhões nas estradas. Em novembro, a venda de veículos pesados teve alta de 38,2% em relação ao mesmo mês de 2008, e empresários afirmam que já há fila para compra de caminhões. O consumo de diesel atingiu o maior nível em três anos. "Vamos crescer em cima do caminhão", diz Paulo Fleury, diretor do Instituto de Logística e Supply Chain.

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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Hip, Hip, Hurrah!

2009 Acabou

Sidney Borges
Diziam que o mundo não chegaria a 2000. Chegou. Com bug do milênio e tudo. Agora dizem que vai acabar em 2012. Será? Apesar das previsões catastróficas eu não acredito, se acabar ficarei desapontado. Desejar um bom ano me faz lembrar da infância, quando eu pedia a "bença" e recebia o "deusteabençoe" de tios, avós e pais. Ou quando espirrava e vinha o coro: "deustecri". Criou. Não deu muito certo, mas a criatura funciona até hoje. Bom ano a todos, amigos, inimigos, simpatizantes e detratores, passageiros da mesma nave. Para onde vamos? Ninguém sabe.

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A conferir...

A propósito do futuro...

Sidney Borges
O jornal inglês "Financial Times" aderiu ao espírito "Mâe Dinah" e sapecou duas previsões. Brasil campeão é a primeira, a outra diz que Dilma será eleita em 2010. A probabilidade de acerto é de 50%, só há dois concorrentes. Sobre a taça do mundo ser nossa, com brasileiro não há quem possa, tem gato na tuba. O Brasil tem grande chance de levar, mas eu não arriscaria dizer que vai. Talvez os ingleses não saibam que futebol é uma caixinha de surpresas. Enfim, jornal velho é pra embrulhar peixe, todo mundo esquece. Na internet não, erros e acertos ficam arquivados ao alcance de um clique. Vamos conferir em 31 de dezembro de 2010.


'Financial Times' prevê Brasil campeão da Copa e Dilma eleita em 2010

Diário britânico reuniu previsões para o ano que vem entre seus jornalistas de cada área.

Da BBC
Um painel de jornalistas do diário britânico "Financial Times" escolhido para fazer previsões sobre 2010 vê o Brasil como favorito para vencer a Copa do Mundo de futebol, na África do Sul, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, favorita nas eleições presidenciais brasileiras.


Diante da pergunta "Como será a vida após Lula?", o correspondente do diário no Brasil, Jonathan Wheatley, observa que, apesar do perfil parecido dos dois principais candidatos à Presidência, José Serra e Dilma Rousseff, de tecnocratas com pouco carisma, a escolha terá um grande impacto sobre o futuro do país.

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Brasil

Por trás da coincidência

Episódio da semana passada aparece em vários jornais no mesmo dia; a coincidência foi produzida antes disso

Janio de Freitas (original aqui)
UM EPISÓDIO que seria do início da semana passada aparece, de repente, em vários jornais no mesmo dia (ontem), em versões não exatamente iguais, mas, todas, de igual gravidade: uma crise entre as Forças Armadas, por seus comandos e seu original ministro, e o presidente Lula.

Certeza imediata: nem coincidência casual das iniciativas jornalísticas, nem ação combinada dos jornalistas. Coincidência produzida antes da etapa jornalística, sem dúvida. O que é até comum quando há fontes de informação explicitadas ou, se não, em notícias que ficam mais ou menos nos limites convencionais. Nunca em notícia de óbvia gravidade e risco de efeitos deletérios, a ponto de levar os jornais que a divulgaram à cautela de não lhes dar o destaque mancheteiro que seu teor poderia justificar.

O ministro Nelson Jobim fica muito bem na lealdade aos comandantes e ao conjunto das Forças Armadas, acompanhando-os na recusa a conviverem com o Plano Nacional de Direitos Humanos decretado pelo presidente da República no dia 21. Apesar de não ficar tão bem na lealdade ao presidente. Por justiça, Nelson Jobim até fica credenciado para um aval dos militares, por exemplo, na composição de uma chapa eleitoral, ou algo assim importante.

Mas o presidente não ficou e não está bem, nesse caso. A rigor, está mal, mesmo. No mínimo, porque contestado e posto sob pressão para alguma forma de recuo -cada versão é, para ele, pior do que a anterior. Nem é isso, porém, o que mais interessa.

Na(s) fonte(s) da coincidência fabricada e no teor de suas informações há um propósito de agitação política, seguindo a mais inconveniente das receitas conhecidas: com a inclusão das Forças Armadas. É bastante claro que, em discordância da área militar com partes do Plano de Direitos Humanos, como se esperava que houvesse, os pontos problemáticos podiam ser discutidos em normalidade com Lula e outros. Seja, porém, pelo que narra a coincidência fabricada, seja pela contestação incumbida ao ministro Tarso Genro, comprova-se que não houve a conduta normal, em termos funcionais, e exigida pelo regime democrático.

Tanto no teor do que foi passado a jornalistas, como na busca de difusão desse teor pelo uso simultâneo de vários jornais, sempre realçado o sentido de uma crise entre as Forças Armadas e Lula, o propósito de agitação se evidencia com uma indagação implícita: a que e a quem interessa, nestas alturas em que se encaminha um processo eleitoral sob o prestígio imenso de Lula; o Brasil desvia-se para entendimentos internacionais sem mais obediência às regras do Ocidente, e tantos interesses internos e externos se inquietam com as transições, também externas e internas, em curso ou possíveis?

Os desdobramentos imediatos talvez não respondam, é mesmo improvável que o façam. E, pior, Lula não é o tipo que avança em procurá-las. Mas que há resposta, há.

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Ubatuba

Chovem canivetes

Sidney Borges
Hoje é o último dia de 2009. Também é o último dia dos anos com dois zeros no meio. Aproveite e preencha um cheque com a data na forma X00X. Você jamais terá a oportunidade de repetir a dobradinha 00, que deu fama a James Bond. Se o cheque não tiver fundos, rasgue e se você não tiver talão desenhe um cheque com caneta BIC.

Em 3000 teremos novamente anos com par de zeros centrais, mas nenhum vivente de hoje estará presente para conferir. Posso ter queimado a língua. Melhor dizer que a maioria terá batido as botas, Oscar Niemeyer e Dona Canô são imprevisíveis.

Amanheceu chovendo muito, chuva da boa, sonho de beduíno do Saara, daqueles que rezam por chuva. Ventos estratosféricos arrastam os pedidos para o sul e chove. Podia chover menos aqui e um pouco lá. Falta planejamento pluviométrico. Devo calar. Zeus, o senhor do céu, o deus da chuva, o ceifeiro das nuvens pode se sentir ofendido e lançar um raio contra a minha pessoa.

Dentre as grandes revelações do ano de 2009 eu soube que vampiros precisam de sangue para ficar na Terra. Não mordem por intrínseca maldade embora alguns sejam detestáveis, é que sem cravar caninos em donzelas sobem por falta de massa gravitacional. E são destruídos pelos ráios cósmicos. Apesar do hábito nada recomendável, alguns são simpáticos e agradáveis, como a maioria dos políticos.

A chuva continua forte. Chove há pelo menos três horas. Sem parar. Bátegas caem do firmamento acinzentado. A queima de fogos corre risco. Vou jogar sal na rua, não há outra alternativa. Em certos momentos da vida é preciso radicalizar.

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China


A velocidade média do trem no percurso entre as cidades de Wuhan e Cantão é de 350 km/h

Fumante para trem mais rápido do mundo por quase 3 horas

EFE
Apenas uma semana depois de ser inaugurado com grande pompa na China, o trem mais rápido do mundo e seus cerca de mil passageiros ficaram bloqueados por quase três horas por causa de um fumante.


O jornal China Daily informou nesta quinta que a fumaça de um cigarro acionou o alarme contra incêndios na terça-feira a bordo do trem que une Cantão a Wuhan, um trajeto de 1.069 km que a nova maravilha da tecnologia chinesa realiza normalmente a uma velocidade recorde de 350 km/h.

O trem estava ainda na estação de Cantão quando o fumante resolveu acender seu cigarro num dos banheiros da composição, apesar da proibição de fumar. Resultado: o trem só pode partir da estação duas horas e 45 minutos mais tarde, depois de realizada toda uma série de controles de segurança.

O fumante, que causou todo o caos, não foi encontrado.
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Opinião

Brincando com fogo

Editorial do Estadão
Por pouco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não termina o ano imerso numa grave crise militar - seria a primeira desde a redemocratização, há um quarto de século. O governo petista brincou com fogo ao permitir a edição do decreto que instituiu o Programa Nacional de Direitos Humanos. Esse plano, que reúne 25 diretrizes e mais de 500 propostas e ações nas mais variadas áreas, seria apenas uma coleção de intenções, se não tivesse sido enxertado com algumas medidas que podem solapar os instrumentos que serviram de base para a pacificação da sociedade brasileira, na transição do regime militar para o Estado Democrático de Direito.

A reação dos comandantes militares à tentativa - mais uma vez patrocinada pelo ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi - de revogar a Lei da Anistia foi enérgica e recebeu inteiro apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que há tempos vem tentando conter as iniciativas revanchistas de Vannuchi e do ministro da Justiça, Tarso Genro.

As pessoas pouco afeitas aos fatos ligados à repressão política, durante os governos militares, e que somente tomem conhecimento das iniciativas daquela dupla de ministros certamente terão a impressão de que os quartéis, na atualidade, estão cheios de torturadores e as Forças Armadas são dirigidas por liberticidas. Nada mais falso.

Os militares que cometeram abusos, torturaram e mataram durante a repressão há muito deixaram o serviço ativo. Seus nomes e seus feitos são conhecidos, assim como os de suas vítimas. Alguns deles estão sendo processados e o Supremo Tribunal Federal deverá decidir qual o alcance e a abrangência da Lei da Anistia. Esses acontecimentos as lideranças militares veem com "naturalidade institucional", ou seja, não perturbam a rotina castrense.

Muito diferentes são as tentativas de revogar a Lei da Anistia, para punir todo e qualquer agente do Estado que participou da repressão - e isso não significa necessariamente ter abusado, torturado ou matado -, mas garantindo a imunidade dos que atentaram contra as leis e a ordem vigentes, mesmo tendo abusado, torturado e matado - pois a esquerda armada também fez isso.

Para os militares, é ponto de honra que a Lei da Anistia permaneça em vigor, nos termos em que foi aprovada em 1985. Entre outros motivos, porque assim se isola a instituição de uma fase histórica conflituosa, que exigiu que os militares deixassem de lado sua missão profissional tradicional e assumissem os encargos da luta contra a subversão. Isso não se fez sem prejuízos à coesão e à hierarquia das Forças Armadas.

Para a Nação, a manutenção da Lei da Anistia é mais que um ponto de honra. É a garantia de que os acontecimentos daquela época não serão usados como pretexto para que se promova uma nova e mais perniciosa divisão política e ideológica da família brasileira. Aqueles que viveram os acontecimentos de 1964 para cá sabem que a Lei da Anistia foi o marco que permitiu a reconciliação nacional e a redemocratização - esta completada três anos depois com a nova Constituição -, sem que houvesse os episódios de autoritarismo e violência que pipocaram durante os processos de abertura na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

Diante do pedido de demissão do ministro da Defesa e dos três comandantes militares, o presidente Lula recuou. Pediu ao ministro Nelson Jobim que garantisse aos comandantes das três Forças que o Palácio do Planalto não será porta-voz de medidas que levem à revogação da Lei da Anistia. Mas o mais absurdo é que o presidente da República argumentou que não tinha conhecimento do inteiro teor do Programa Nacional de Direitos Humanos - daí prometer rever a parte do decreto que causou descontentamento e adiar o envio ao Congresso do projeto de lei de criação da comissão encarregada de investigar os abusos cometidos durante a ditadura.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 31 / 12 / 2009

Folha de São Paulo
"Bolsa de SP tem maior valorização do mundo"

Alta em 2009 foi de 82,7%; para analistas, ela não se repetirá em 2010

A Bolsa brasileira foi o melhor investimento financeiro de 2009, com valorização de 82,7%. É a maior alta desde os 97,3% de 2003, primeiro ano do governo Lula, durante o qual foram recuperadas as perdas com a turbulência eleitoral de 2002. Em dólar, a Bovespa foi também o mercado acionário mais rentável em todo o mundo, com valorização de 142,7%, ultrapassando países como China e Rússia. Para o investidor externo, responsável por dois terços dos negócios na Bovespa, ela rendeu, além do ganho em moeda local, a valorização do real ante o dólar (33,9%, também a maior do mundo). Analistas atribuem a alta a fatores como a saída mais rápida da recessão, mas não acreditam que em 2010 a Bolsa repita o bom desempenho. Na outra ponta do ranking de investimentos, o dólar recuou 25,3%.

O Estado de São Paulo
"Bovespa sobe 120,9% e lidera ranking global"

Já o dólar registra em 2009 desvalorização recorde de 25,35%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou os maiores ganhos entre as principais bolsas do mundo em 2009. Até terça-feira, o índice MSCI Brasil avançava 120,9%, ante 118,8% do MSCI Indonésia, segundo colocado no levantamento feito pelo Estado. Comparada com índices das bolsas de países como EUA e Japão, a diferença é imensa. Nos pregões americanos, a valorização era de 25,4% e nos japoneses, de 6,7%. Contribuiu de forma decisiva para a boa performance da Bovespa a valorização do real ante o dólar. Ontem, último pregão do ano no mercado brasileiro, o dólar fechou em R$ 1,743, com queda acumulada no ano de 25,35%. Foi a maior desvalorização nominal da história da moeda americana no mercado brasileiro, segundo a empresa de informações financeiras Economática.

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quarta-feira, dezembro 30, 2009

Cinema

Conversas com Woody Allen

Ricardo Besen (original aqui)
O problema central que Woody Allen vem enfrentando ao longo de toda sua carreira é que as pessoas acham que ele é a pessoa que está na tela, e tudo se confunde. Essa afirmação é de Eric Lax, jornalista que o vem entrevistando regularmente desde 1971, e que reuniu, em volume recém-lançado, trechos das melhores entrevistas realizadas com o cineasta até 2006. O livro propõe-se a responder à seguinte pergunta: se Allen não é aquele que está na tela, então quem ele é?

Os capítulos são organizados em torno de temas principais, que abordam múltiplas facetas relacionadas à criação e à produção cinematográfica. Allen detalha o processo de elaboração de seus filmes, seu uso da fotografia, suas influências, sua relação com Nova York. No campo pessoal, a experiência de ter um filho, sua relação com o pai, a infância no Brooklyn. Porém, aquelas questões polêmicas sobre suas relações pessoais que causaram tanto impacto há alguns anos, especialmente a de sua relação com a atriz Mia Farrow e sua filha adotiva, Soon-Yi, estão ausentes do livro.

Na verdade, o foco central do livro é o processo criativo de Allen, que começou como uma espécie de fábrica de piadas: o cineasta começou sua carreira escrevendo 50 delas por dia, para ganhar US$ 20, nos anos 1950.

Já em 1973, esta "indústria" passa a mostrar uma sofisticação maior: Allen, já com alguns filmes no curriculum, afirma que a piada é o gancho para as cenas de seus filmes: "uma história maluca dá mais vontade de rir; uma história real é menos engraçada", diz. Na verdade, ao longo de sua carreira, Allen pende entre essas duas tendências. O ideal, para ele, é usar a piada como veículo para apresentar o perfil psicológico do personagem, o que é bem mais difícil. Já em 1974, diz que não pretende mais fazer o que o público espera (a "comédia maluca"), mas aquilo que lhe agrada (o "filme sério"). Lax trata da transição de seus "filmes engraçados", como Bananas (1971), que é uma sequência de gags, passando por O Dorminhoco (1973), uma "história maluca", para Annie Hall (1977), uma "história real".

Em 2005, em outro estágio de sua trajetória, Allen diz que a escrita de uma comédia lhe flui facilmente, mas que se sente inseguro com o texto dramático. Ainda assim, considera-se um "comediante menor". Diz-se consciente de suas limitações como ator e surpreso em ver que as plateias gostem de vê-lo atuando. Prefere fazer filmes sérios, em que não atue. Considera O escorpião de Jade seu pior filme ― ele foi o ator principal ― e Ponto Final o seu melhor drama, no qual consegue expressar alguns pontos de sua filosofia pessoal, sobre a moral num universo sem Deus. Ele revela que havia pressões no inicio de sua carreira para que fizesse comédias. Para muitos críticos (e mesmo amigos), Annie Hall foi um terrível erro ― para Allen, foi após este filme que ele sentiu ser um diretor capaz. Com o sucesso financeiro de Ponto Final, diz que os possíveis investidores não saem mais correndo quando ele resolve fazer um filme sério.

A escrita é, para ele, um trabalho metódico; cria formas de "extraí-la". Para combater eventuais crises de ideias, guarda piadas numa sacola. Considera o chuveiro (chega a tomar banhos extras) e os elevadores (em prédios de mais de três andares) bons locais de trabalho. Funciona por instinto, mas quando tem que decidir entre duas ideias, há sempre uma agonia, trazida pelo sentimento de perda: a ideia não usada é sempre a melhor... Para Allen, o texto é fundamental para o sucesso de um filme. Mas admite que "é difícil escrever uma coisa entre uma hora e meia e duas horas de duração que seja interessante, original, convincente e comovente".

Outro tema recorrente nas entrevistas é o suposto caráter autobiográfico de seus filmes que, apesar da afirmativa de Lax, nem sempre está ausente. Allen desistiu de negar, por exemplo, que Memórias ou Desconstruindo Harry sejam sobre sua vida. Ainda assim, ele comenta: "as pessoas pensam que a pessoa ficcional que criei sou eu. Não sou. Acontece que ela anda como eu e se veste como eu...". E explica que as poucas experiências próprias usadas em seus filmes não expressam seus verdadeiros sentimentos, mas vão para onde a piada é mais forte. Todas as confusões, segundo o cineasta, decorrem do fato de que seus filmes são muito "autoexpressivos", e que isso é erroneamente tomado por autobiografia. Quase tudo é inventado, mas a "serviço dos meus sentimentos sobre a falta de sentido da vida".

O judaísmo jamais é um tema explícito, mas aspectos filosóficos importantes para Allen aparecem com destaque, como o universo sem Deus, a vida sem sentido. "Se você admite a terrível verdade da existência humana e escolhe ser um ser humano decente diante dela, em vez de mentir para si mesmo que vai haver alguma recompensa ou algum castigo celestial, isso me parece mais nobre". É interessante saber que entre as leituras de Allen, em 1988, estava uma edição de bolso do Concílio Vaticano II, de 1965, que, entre outras decisões, repudiou o conceito de culpa coletiva dos judeus pela morte de Cristo. Leitura surpreendente para um ateu declarado.

Allen se mostra sinceramente modesto, muitas vezes lacônico, quase sempre coerente. Em 1973, diz que gostaria de fazer filmes comercialmente aceitáveis: "não há razão para que sejam obras de arte". Em 2000, afirma que não se vê como um artista e que nunca fez um grande filme. Segundo ele, só há uma razão para não tê-lo feito: ele mesmo, pois "não tem visão em profundidade para fazer isso". É apenas um cineasta "viciado em trabalho". Isso não o impede de se esquecer e se desinteressar de seus filmes: "Quando escrevo um roteiro, para mim acabou. É uma pena precisar ir e fazer o filme". Por paradoxal que pareça, ele também se considera preguiçoso: "não quero trabalhar até altas horas. Quero voltar para casa (...), ver os meus filhos... Nessas circunstâncias, faço o melhor filme que posso. Às vezes tenho sorte, e o filme sai bom". Revela também que raramente fala com os atores, e não os ensaia, porque "enche". Além disso, como ator cômico, não gosta de fazer a cena até precisar fazê-la.

Em 2000, diz que parou de ler críticas, porque "é uma perda de tempo, não ajuda em nada. (...) Não conseguiria mudar meu estilo, mesmo que quisesse". Afirma não saber quem é seu público, nem como explicar sua longevidade artística. Ele admite que perdeu parte do público, que se sentiu incomodado pelo rumo tomado na carreira após Interiores e Memórias. Já em 2005, diz que entende a crítica aos artistas, em geral: "o artista está sempre na mira (...). Se você não é bem-sucedido ou não agrada, [o público] tem o direito de te execrar, e você não tem o direito de esperar ser nada além de um objeto de desprezo. Te pagam para acertar o gol, e não para acertar a bola neles".

Nota ainda uma mudança no interesse do público: "as gerações mais novas (..) não são letradas em cinema, não conhecem os grandes filmes. Não estou fazendo nenhum juízo de valor; apenas são diferentes da minha. O cinema de que eles gostam não me interessa". E arremata: "Faz anos que parei de conferir se o público gosta de meus filmes, não porque eu seja indiferente ou arrogante, mas porque aprendi tristemente que a aprovação dele não afeta a minha mortalidade. Nenhum sucesso consegue aliviar a minha melancolia genética (...). Os prêmios são feitos para juntar poeira; eles não mudam a sua vida, não afetam a sua saúde de forma positiva, nem a sua longevidade ou a sua felicidade emocional, não resolvem os verdadeiros problemas (...). Nós todos sofremos impotentemente com a condição humana, mesmo se temos sucesso".

O trabalho é uma de suas estratégias (a clarineta é outra) para controlar sua "depressão de baixa intensidade". Allen faz um filme por ano. A disciplina é sua arma para combater a "horrenda melancolia da realidade".

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na Revista 18, edição de outubro de 2009.

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Lixo

Em Ubatuba, coleta seletiva de lixo tem alteração de horário

Do VNews (original aqui)
Para atender moradores e turistas, a Prefeitura de Ubatuba implanta novos horários de coleta seletiva na cidade. A orientação é que os cidadãos acondicionem em sacos diferentes o lixo orgânico (restos de comida, papel higiênico e sujeira) e o material reciclável (plástico, vidro, papel, papelão e alumínio).

O lixo reciclável deve ser colocado apenas nos dias em que o caminhão passa nos respectivos bairros. As coletas são feitas sempre a partir das 7h da manhã. Segue abaixo lista de bairros e dias correspondentes:

Centro da cidade, Sumaré e Silop: segunda, quarta e sexta

Itaguá, Parque Vivamar e Barra da Lagoa: terça, quinta e sábado

Pereque-Açu e Praia do Matarazzo: terça e quinta

Estufa I, Estufa II e Sesmaria: terça e sábado

Taquaral, Sumidouro, Usina-Velha, Pedreira, Ressaca, Mato dentro, Parque dos Ministérios, Vale do Sol, Ipiranguinha, Morro das Moças, Cachoeira dos Macacos, Pé da Serra e Figueira: quarta-feira

Barra Seca, Praia Vermelha do Norte, Casanga, Ranário, Sertão do Thiagão, Condomínio do Itamambuca, Felix, Prumirim, Puruba, Ubatumirim, Estaleiro, Cambucá, Fazenda da Caixa, Vila Rolim, Vila da Índia, Sertão do Ubatumirim, Transbordo, Praia do Camburi, Almada e Picinguaba: quinta-feira

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Brasil

Potência de bananas

Hélio Schwartsman
...Se há um aspecto que ainda nos deixa mais perto das repúblicas de bananas do que da zona civilizada do planeta é o da administração da Justiça. Cuidado, não se devem aqui nutrir ilusões. Favorecimentos ilícitos ocorrem em toda parte. O que diferencia uma Suécia de uma Suazilândia é se a corrupção tem ou não caráter endêmico e se o sistema é ou não eficiente.

No Brasil, receio, o Judiciário não sobrevive a nenhum dos dois critérios. Ele ainda é muito afeito a interferências indevidas, seja pela corrupção simples, consubstanciada na compra de sentenças, seja por mecanismos mais sutis de tráfico de influência, como o prestígio social das partes e a rede de amizades de seus advogados. O velho brocardo segundo o qual no Brasil apenas pobres, pretos e prostitutas vão para a cadeia não dista muito da realidade...
Leia na íntegra (aqui)

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Internet

Previsões para 2010: o ano em que cobraremos por conteúdo

2010 será, finalmente, o ano em que cobraremos por conteúdo?


Webmanario (original aqui)
Para alguns magnatas de mídia, certamente. A cruzada pelo pagamento por consumo de notícias, como se notícia fosse, por exemplo, música, move os últimos anos da vida de Rupert Murdoch _que rompeu com o Google e, mediante um acordo com o Bing, não vai sumir totalmente das máquinas de busca.

Richard Pérez-Peña faz, no NYT, uma análise coerente da escalada de acontecimentos que levou à drástica decisão de setores do mainstream (como o próprio NYT) a dar um tiro no pé e passar a cobrar pelo que os internautas sempre tiveram (e terão) de graça.

A constatação de especialistas ouvidos na matéria do NYT casa com a percepção geral de que conteúdo muito específico, como o econômico, o único que as pessoas não querem compartilhar, ou de nicho são capazes de prosperar num ambiente de payperview. Sites noticiosos generalistas, porém, dificilmente poderão se manter se adotarem a proteção do paredão pago.

Minha única dúvida é saber quanto vai custar, para a grande mídia, cobrar por conteúdo jornalístico. Será bem caro e sugere, de antemão, que haverá passo atrás.

É pagar pra ver.

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Pensata

Rumos da política em Ubatuba

Tato
Li atentamente o texto do Sr. Fernando Pedreira, referente aos quiosques e não pude deixar de me manifestar, haja vista que participei ativamente do processo político nestas eleições, onde na ocasião o atual desgoverno foi eleito pela primeira vez.

O senhor Fernando, que deve ser Petista de coração, em quase tudo o que escreve tem razão, tirando apenas a questão de que, “havia esperança na eleição deste que hoje é o nosso desgoverno e que a dupla PL–PT teria tudo para dar certo."

Eu não tenho e não tinha bola de cristal, mais era mais do que certo que o vereador Eduardo Cezar, de três mandatos, que navegava apenas a favor da maré não poderia dar em outra coisa a não ser no que deu.

Lembro como se fosse hoje, uma conversa que tive com um amigo Petista, o qual preservarei o nome.

Ele me dizia que os Petistas de coração não queriam a coligação, mas que foram vencidos com a idéia de que o Eduardo era o menos ruim e com a grande possibilidade de chegar ao poder.

Eu o questionei dizendo que o PT estava em alta e que iria ajudar a eleger o Eduardo, mas que isso seria ruim para o partido. Eu dizia ainda que o Eduardo já havia mostrado nos seus três anos de mandato como vereador como pensava e que só não via o que poderia acontecer quem não queria ver; que acreditar em promessas de campanha de quem já havia vencido três eleições era acreditar em conversa pra boi dormir.

Hoje depois de fazer uma grande parceria com o PT nas últimas eleições, aprendi a conhecer melhor o que pensa grande parte deles, e na minha modesta opinião esses aprenderam a lição e tem consciência de que o poder é bom, mas tem que se ter critério para alcançá-lo.

2012 vêm ai e se não houver uma união da oposição, sem salto alto, o continuísmo pode prevalecer, até porque com a experiência que o Eduardo possui, ele vai jogar com vários nomes para enganar novamente nossos eleitores. Resta a nós, que vivemos política e não da política, sabermos formar uma legião de eleitores que aprendam nestes três anos que a análise da vida e do passado de cada pré-candidato é requisito fundamental para errarmos menos.

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Buena Vista Social Club



Amor de Loca Juventud
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Arriégua!

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Do G1
Após se esconder em batalhão da PM, assaltante é preso

Jogador do Flamengo é assaltado em São Gonçalo

Homem é morto e turista americano é baleado em suposto assalto

Suspeito de tentar assaltar turista é preso no Aterro do Flamengo

Restaurante é assaltado em Copacabana

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Paisagem da Ressaca



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Política

Projeto que revoga Lei de Anistia fez Jobim ameaçar se demitir

Ministro vê revanchismo na proposta de Vannuchi e fecha acordo com Lula antes de projeto ir ao Congresso

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que se propõe a criar uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar na véspera do Natal e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a escrever uma carta de demissão e a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na Base Aérea de Brasília, para entregar o cargo.


Solidários a Jobim, os três comandantes das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) decidiram que também deixariam os cargos, se a saída de Jobim fosse consumada.

Na avaliação dos militares e do próprio ministro Jobim, o PNDH-3, proposto pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e lançado no dia 21 passado, tem trechos "revanchistas e provocativos".

Ao final de três dias de tensão, o presidente da República e o ministro da Defesa fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas de lei a enviar ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas e, se for preciso, a base partidária governista será mobilizada para não aprovar textos de caráter revanchista.
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Opinião

Mais distante o déficit zero

Editorial do Estadão
Durou pouco o namoro do governo Lula com a ideia de contas públicas equilibradas, isto é, com receitas suficientes para cobrir o custeio da administração, os investimentos públicos e os compromissos financeiros do Tesouro. "Teremos de esperar um pouco mais", disse recentemente o ministro da Fazenda, Guido Mantega, renunciando à esperança de um país sem déficit ainda neste mandato. Esse "pouco mais" pode corresponder a uns cinco ou seis anos, segundo analistas do setor privado. A crise ainda não havia chegado aos cofres do governo, em novembro do ano passado, quando o secretário do Tesouro, Arno Augustin, formulou a profecia otimista: "Os resultados de 2008 mostram que o País está caminhando para o déficit nominal zero, e o resultado poderá ser atingido antes de 2010." Mas o cenário mudou amplamente, nos meses seguintes, e só uma parte da mudança é atribuível à recessão e a seus desdobramentos.

A crise iniciada no exterior e importada nos meses finais do ano passado afetou direta e indiretamente as contas públicas brasileiras. A receita de impostos e contribuições diminuiu, por causa da retração econômica e do aumento do desemprego. Além disso, o Tesouro Nacional foi obrigado a gastar mais com a assistência aos desempregados. Esses foram os impactos diretos. Para atenuar os efeitos da crise, o governo concedeu incentivos fiscais a setores selecionados. O corte de tributos ajudou a sustentar o consumo e certo nível de produção em alguns segmentos da indústria. Parte da renúncia fiscal ainda será mantida em 2010, pelo menos por alguns meses. A perda de receita causada pelos incentivos é o efeito indireto.

Mas o governo, embora perdendo receita, continuou expandindo seus gastos. Investiu mais que nos anos anteriores e essa mudança foi positiva. Mas elevou também as despesas de custeio, principalmente os salários e demais encargos da folha de pessoal. A folha pesa muito mais que os investimentos no conjunto das contas públicas. Neste ano, até o dia 17 de dezembro, foram desembolsados R$ 153 bilhões para salários e encargos e apenas R$ 11,6 bilhões para investimentos.

As contas do Tesouro registram de janeiro a novembro R$ 134,8 bilhões gastos com a folha, sem contar a contribuição patronal para a seguridade. Essa despesa foi 17,2% maior que a de um ano antes, em valores correntes. De 2007 para 2008, o aumento havia sido de 11,5%. Em outras palavras: a expansão do gasto com pessoal ganhou impulso em 2009, apesar da crise econômica e da consequente redução da receita.

Essa política é uma aberração. Na maior parte do mundo, os governos em condição de adotar políticas anticrise aumentaram os investimentos públicos e concederam estímulos fiscais ao consumo. Em alguns países, houve socorro a bancos e a indústrias em dificuldades. Não há nenhuma novidade nesse tipo de ação. Medidas fiscais anticíclicas foram acrescentadas ao repertório das políticas públicas há várias décadas. São medidas emergenciais, adotadas para estimular a atividade econômica em fases difíceis, quando o consumo e o investimento privados se retraem.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 12 / 2009

Folha de São Paulo
"Índice do aluguel tem 1ª deflação da história"

Redução automática nos próximos reajustes deve provocar polêmica

O IGP-M, Índice Geral de Preços - Mercado, usado no reajuste da maioria dos contratos de aluguel, teve deflação inédita de 1,72% em 2009. Foi o primeiro recuo anual na série histórica do indicador, iniciada em 1989. A deflação do IGP-M deve gerar polêmica nos próximos reajustes. Para consultores, a redução nos preços dos aluguéis não faz parte da cultura do mercado imobiliário. Na avaliação da associação Pro Teste, deve prevalecer o contrato entre inquilino e proprietário. As partes precisam se certificar sobre a forma de correção do aluguel e se o índice é aplicado apenas quando está em território positivo. Em 2008, o IGP-M registrou alta de 9,81%, a maior desde os 12,41% de 2004. O índice foi criado na época da hiperinflação, quando o mercado precisava de indicador rápido para os contratos comerciais. A metodologia da Fundação Getulio Vargas é criticada por alguns economistas, pois capta a inflação no atacado, antes do consumidor final.

O Estado de São Paulo
"Projeto revoga Lei de Anistia e Jobim ameaça se demitir"

Lula recua após mobilização de militares, que consideram texto 'revanchista'

O Programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê a criação de uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, para entregar sua carta de demissão, informam as repórteres Christiane Samarco e Eugênia Lopes. Os três comandantes das Forças Armadas decidiram que também deixariam os cargos. Para os militares, o programa, lançado no dia 21 e proposto pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, tem trechos "revanchistas e provocativos". Eles reclamam do "ambiente de constantes provocações" criado pela secretaria. Ao final de três dias de tensão, Lula e Jobim fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas de lei a serem enviadas ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas.

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terça-feira, dezembro 29, 2009

Espaço do leitor

Quiosques, “a verdade”

Fernando Pedreira

Certo, Sidney Borges quanto ao ditado chinês “três anos passa rápido” esperanças no próximo.

E de próximo em próximo estamos no Caos.

Não são exatamente os Quiosques, mas tudo dentro desta Cidade, não sei das outras.

Legislar, Normatizar, Organizar, Planejar entre outros princípios aqui é PALAVRÃO.

Esperanças maiores tivemos exatamente neste último que nos “des-governa”.


Tínhamos tudo para dar certo:

a) Politicamente éramos a dupla PLxPT enquanto o governo federal PTxPL.

b) Exigia-se o Plano Diretor.

c) Assinava-se o Convenio entre Associação Comercial e SEBRAE para a aplicação do PDTR – Plano de Desenvolvimento do Turismo Receptivo.

d) O discurso era que seriamos governados através dos Conselhos.

e) Criaram-se então os CONSELHOS MUNICIPAIS DE DESENVOLVIMENTO, TURISMO e outros.

f) O Litoral Norte era foco, tanto do Governo Federal quanto do Estadual, pois projetos de Ampliação do Porto de São Sebastião, Centro de Detenção Provisória, Duplicação da Rodovia dos Tamoios, Hospital Regional, Saneamento Básico em virtude dos investimentos citados e nada mais nada menos que o Pré Sal com a descoberta do Gás, que Evo Morales nos regulava.

Tudo fazia crer que era a nossa vez.

Fizemos parte dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento dentro do núcleo gestor do Plano Diretor, e do de Turismo sendo Vice Presidente e Conselheiro Regional.

Foram quase dois anos para entender que, repito LEGISLAR, NORMATIZAR, ORGANIZAR, PLANEJAR eram verbos indeclináveis.

Até hoje não temos nem a LUOS, nem o PLANO MUNICIPAL DE TURISMO.

No Conselho de Desenvolvimento a esperança que fossem levados até nós Conselheiros, os principais problemas da Cidade, pois ali estavam reunidos todos os representantes de todos os seguimentos da Sociedade Civil, bem como os secretários de todas as pastas e o Presidente era o Sr. Prefeito Eduardo de Sousa Cezar.

Nunca participou de uma reunião sequer. Em seu lugar o então secretário de Arquitetura e Planejamento Urbano que fez questão de desmotivar todos que se reuniam na esperança de ajudar a Cidade, pois ficamos meses discutindo o “sexo dos anjos” para se elaborar o Regimento Interno e nada se trouxe para discutir efetivamente.

No do Turismo o mesmo se aplicou e abdicava-se de tudo para se elaborar o “PLANO MUNICIPAL DE TURISMO”.

Rejeitaram até o PDTR, em nome do Plano, já se passaram acho que cinco anos e agora o novo secretário vem pedir o apoio do empresariado para a elaboração do mesmo.

No Conselho Regional de Turismo, a primeira medida do Prefeito foi retirar a Cidade do Circuito Litoral Norte alegando falta de verba, enquanto que nas Jornadas do Turismo Paulista, elaborado pelo Governo Estadual, era tudo gratuito e nem assim participávamos.

Hoje parece voltamos ao Circuito Litoral Norte, uma vez que o Ministro do Turismo tem visitado nossa região e está monitorando a evolução de cada Cidade, o que nos faz crer que a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 serão apenas para nossos vizinhos, ficaremos na “porta do Circo vendo o filho dos ricos comendo pipoca”.

É bom lembrar que a rejeição do PDTR, bem como, as insistentes solicitações de reunir todos envolvidos para se discutir os principais problemas da cidade, com a disposição da então Promotora Elaine Taborda de participar foi rechaçada pelo outro secretário de assuntos jurídicos, que o Sidney menciona, e ninguém da Sociedade Civil veio ao encontro para fortalecer a idéia.

A “LEI DE GERSON’, enquanto não há leis, organização, podemos fazer o que queremos, agora colhemos o que plantamos, e esse é só o começo da safra.

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Frases

"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever o caralho aí."

Ciro Gomes, PSB-CE
Ao saber que vazara do Ministério Público a informação desmentida por ele de que sua mãe viajara ao exterior com passagem paga pela Câmara.

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Ubatuba

Não alimento polêmicas. Ponto Final.

Luiz Marino Jacob
Vocês leitores, podem ter certeza que não é de minha índole e tampouco minha vontade, alimentar polêmicas e ficar medindo meu grau de cultura, inteligência, conhecimento, discernimento enfim, quaisquer outros atributos, com quem quer que seja.

Também constitui meu caráter e personalidade, nunca subir sobre meu próprio ego, para de um ponto mais alto, manifestar-me e dirigir-me aos que venha considerar “seres inferiores”.

Principalmente porque para mim não existem seres inferiores dentre os seres humanos.

Evidentemente, existe um grande percentual da população que se comporta de outras maneiras. E tem direito. No entanto, meu pai me ensinou e eu tive a humildade de aprender que, antes de mais nada em nossas vidas, em todas nossas ações e reações, temos sempre que respeitar o direito dos outros.

Assim agindo e em total respeito à opinião expressada pelo meu interlocutor, no texto “Seriam os quiosqueiros Congregados Marianos”, publicado há pouco em O GUARUÇÁ apenas me utilizo mais uma vez desse espaço na mídia eletrônica local, para esclarecer que :

1. Para o trabalhador se beneficiar do seguro desemprego ele não precisa necessariamente estar registrado nos últimos seis meses em uma única empresa;

2. É possível sim, solicitar e receber Nota Fiscal Paulista nos quiosques de Ubatuba;

3. O município de Ubatuba nada vai perder de arrecadação de ISS com a proibição judicial, uma vez que esse tributo, de competência do Município, não incide sobre a atividade comercial;

4. Os funcionários temporários dos quiosques, após a temporada, fazem exatamente igual aos funcionários temporários dos restaurantes, das lanchonetes, das lojas de artesanado, das lojas e boutiques, etc..,etc.... Talvez encontrem vagas de trabalho em empresas de consultoria;

5. Os funcionários temporários não têm a jornada máxima de apenas 90 dias como afirmado.

Dada minha indisposição para continuar alimentando uma discussão que nada acrescenta de positivo ao tema tratado, simbolicamente jogo aqui um balde de água gelada, bem ao pé da fogueira que alimenta vaidades.

Ocupo apenas esse espaço na mídia eletrônica local, para prestar esclarecimentos sobre fatos verdadeiros e reais, que conheço. Reitero e ratifico tudo o que escrevi no texto anterior.

Luiz Marino Jacob
Administrador de Empresas e Contabilista
e-mail : luizmjacob@uol.com.br

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Coluna do Mirisola

Feliz 2010 na frente da tevê

“Às vezes reclamo da minha vida de escritor, mas – pensando bem - existem profissões muito mais cruéis. Tem gente que trabalha em plataformas de petróleo no alto mar, outros trabalham nas novelas do Manoel Carlos”

Marcelo Mirisola*

Natal na frente da tevê. Todo ano é assim: não posso deixar de ir visitar minha mãe. Que mora na Serra da Canastra, onde nasce o Rio São Francisco. A viagem é longa e cansativa, sobretudo para um cara que vai de ônibus convencional. São 18 horas. Mas vale a pena pelos rangos, porque meu pai também está lá e porque todo ano tem sobrinho novo na parada.

Dessa vez conheci Helena, que adorou o malabarismo que improvisei com bergamotas e tomates. A novidade das novidades é que agora tem uma lan house na cidade – que funciona quando não chove. Fez um dia de sol e outros quatro de ressaca, dilúvio e barriga cheia. Na brecha do sol, peguei uns carrapatos no São Francisco, vi um pato mergulhão (coisa rara) e fotografei um casal de maritacas na casa do João de Barro. O mundo está mudado. De resto, vi muita televisão.

A festa é sua, a festa é nossa e é a festa da cooptação do rap – não bastasse a Nike – agora a Rede Globo também comprou a franquia das quebradas. Robertão ameaçou ficar doente, mas estava lá firme e forte fazendo dueto com os bregas sertanejos e a Ana Carolina, a mulher gerúndio. Também fui obrigado a ver a novela do Manoel Carlos. Suspeito que dessa vez o “Maneco” conseguiu escrever a história mais chata de sua carreira. Minha mãe garante que ele vai se aposentar – leu em alguma revista de fofoca.

Fiz uns cálculos e cheguei a conclusão de que a fofoca deve ter algum fundamento. Manoel Carlos tem quase oitenta anos e o José Mayer terá mais ou menos isso daqui a três anos, que é o tempo de revezamento dos autores das Oito na Globo. Daí que o Maneco resolveu encerrar com chave de ouro.

A protagonista da novela é uma linda garota mimada que sofreu um acidente e foi parar numa cama, tetraplégica, só mexe o pescoço e chora o tempo inteiro. Compreensível. Qualquer um que tivesse que trabalhar num lugar desses choraria baldes de lágrimas mexicanas. Às vezes reclamo da minha vida de escritor, mas – pensando bem - existem profissões muito mais cruéis. Tem gente que trabalha em plataformas de petróleo no alto mar, outros trabalham nas novelas do Manoel Carlos: deve ser difícil ter que falar aqueles diálogos e não poder nem mexer os ombros. Só chorando e muito.

Com a graça dos céus, não acompanhei os primeiros capítulos e a agonia da garota que – imagino - deve se prolongar até o final do dramalhão. Então perguntei pra dona Marietta: “Mãe, não tem coisa melhor pra ver na tevê?” Ela me mostrou um treco chamado “A fazenda”.

Ah, o natal. Nenhum livro para ler: eu sou uma besta mesmo. Na viagem devorei Pilatos do Cony, a meu ver o melhor dele junto com O Ventre e também acabei de ler A vida secreta do Senhor de Musashi, do Tanizaki, ou seja, cheguei pleno de taras e aberrações deliciosas num lugar onde a Internet não funciona quando chove. Sobrou “Viver a Vida” do Manoel Carlos.

Fazer o quê? Ora, pensar. E quando é natal, eu penso de barriga cheia e cachaça nos cornos. Tenho achaques, febre alta. Idéias fora do lugar, elucubrações diabólicas. Se eu não me seguro, começo a fazer rimas, latir pra lua, dessa vez desejei Matilde Mastrangi em 1982. Não tem jeito.

Na febre, além de la Mastrangi, resolvi que ia ajudar o Manoel Carlos a sacudir o marasmo de “Viver a vida”. Corri pra sala, e pedi para minha mãe me contar a história desde o começo. Não precisava, é claro. Mas eu faço questão de detalhes porque sou um profissional, e não ia me aventurar a escrever bobagem sem fundamento. Merda, aqui, só fundamentada. Pois bem. Peguei a calculadora, e percebi que até o final desse ano, a linda garota tetraplégica começará a “aceitar sua nova condição” de linda garota tetraplégica, e que, afinal de contas, o nome do dramalhão é “Viver a vida”. Se é assim, ela vai ter que necessariamente redescobrir o amor!

Lindo, né? No capítulo que acompanhei, Maneco já havia providenciado um passeio na orla do Leblon: linda garota tetraplégica já ensaiava um novo ponto de vista e falava para a mãe (que é a Liliam Cabral, coroa bonitona que ainda dá um bom caldo) que parecia ser a primeira vez que passava por aquele lugar. Esse Maneco hein? Uma vez me disseram que ele é o Balzac brasileiro. Ah, tá. Esse país é surpreendente.

Manoel Carlos é o nosso Balzac, Nando Reis é o nosso Cat Stevens, Mano Brown é o nosso Che Guevara, Xuxa é a Madre Teresa de Calcutá e o Lula o nosso Abraham Lincoln. Tudo bem. A gente tem que viver a vida, e a vida continua. Vamos em frente. O que eu tava falando mesmo?

Ah, lembrei. Eu ia ajudar o Maneco a sacudir um pouco o marasmo da novela. Minha sugestão é a seguinte (não sei se vai dar tempo...). No réveillon, enquanto os demais personagens comemoram a passagem do ano numa linda festa à beira da piscina da mansão colonial, a linda garota tetraplégica chora muito e observa os fogos da janela de seu quarto. Nisso, o ex-namorado se atraca com a Liliam Cabral num caramanchão ao lado da churrasqueira, porque a coroa – como eu disse – dá uma meia-sola beleza. Em seguida, o caboclo, muito do sacana, lembra da linda garota tetraplégica abandonada em si mesma, presa no destino implacável armado pelo Manuel Carlos. Dá um carreirão e sobe a escala em caracol da mansão como se fosse um Stallone nas escadas da Filadélfia. Isso tudo com muita leveza e delicadeza, ao som de uma música triste (se não fosse novela do Maneco eu sugeriria um bolerão na voz de Altemar Dutra); enfim, ao som de qualquer coisa delicada e triste cantada pela Nara Leão, o galã entra no quarto e se aproxima da linda garota tetraplégica.

Antes de prosseguir, quero deixar muito claro que quem inventou essa personagem “a linda garota tetraplégica” foi o Manoel Carlos. Eu só estou aqui dando uma ajudazinha.

Pois bem. O galã se aproxima. Esqueci de dizer que ele está todo de branco. Ela chora, ele não fala nada. Nara Leão mia ao fundo (podia ser a Fernanda Takai imitando a Nara Leão...). A câmera faz um plano médio da cintura do galã para baixo. Vemos a calça branca dele cair lentamente. A bundinha do garotão se insinua, meio que embaçada porque a cena vai saindo de foco aos poucos. A mulherada enlouquece do lado de cá da telinha. Em momento algum o galã dobra o corpo, apenas leva “a câmera” em direção à boca da linda garota tetraplégica, que para de chorar imediatamente e começa a viver a vida na novela do Manoel Carlos ,nosso Balzac do Leblon. Corta!

Engula isso, digo, Praia de Copacabana. Fogos, luzes. Réveillon no Rio de Janeiro. Feliz 2010 politicamente correto para todos vocês. Beijos no coração.

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


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