sábado, dezembro 12, 2009

Deu na Época

Mensalão de Arruda abre crise no Ministério Público do DF

Promotores falam em corrupção, ameaças e até assassinato. Investigadores estão sob suspeita.

De Andrei Meireles e Murilo Ramos:
O Ministério Público tem a atribuição de atuar como defensor da sociedade contra os abusos e irregularidades cometidos por integrantes dos governos. As principais armas dos promotores de Justiça e dos procuradores da República são investigações que geralmente levam a peças de acusação na Justiça.


Quando os promotores passam a ser investigados e a responder a denúncias, a lógica de funcionamento do Ministério Público é corrompida. Mas essa tem sido a realidade no Ministério Público do Distrito Federal desde que o caso do mensalão do DEM explodiu em Brasília, há duas semanas.

O procurador-geral Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guerner são investigados no inquérito da Operação Caixa de Pandora por suspeitas de corrupção. Elas foram levantadas por Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais do governador José Roberto Arruda que detonou o escândalo ao fazer uma delação premiada.

Bandarra e Deborah estão também no centro de uma surpreendente polêmica que ameaça minar a credibilidade da instituição. A alta temperatura da crise no Ministério Público do Distrito Federal pode ser medida por e-mails que circularam na intranet da instituição, aos quais ÉPOCA teve acesso.

Sem mesuras, os documentos trazem discussões, ameaças e ásperos pedidos de explicação. Num dos e-mails, Deborah chega a manifestar o receio de vir a ser assassinada. Ela cobra de Bandarra resposta a um pedido de proteção a sua integridade física. “Se me assassinarem, será que vai jorrar fita de várias partes do mundo? Mas aí eu já morri”, afirma.

As suspeitas contra Bandarra e Deborah foram levantadas por Durval Barbosa num depoimento à Polícia Federal. Ele disse aos investigadores ter recebido, em 2007, a visita de Cláudia Marques, uma assessora do governador Arruda. No encontro, segundo Barbosa, Cláudia, falando em nome de Bandarra e de Deborah, teria pedido a ele ajuda para conseguir retirar de circulação da internet acusações contra os dois.

Naquele ano, Roberto Kuppê, um jornalista de Brasília que atua como dublê de empresário, publicara em seu blog que Deborah e Bandarra teriam favorecido empresas de coleta de lixo em contratos emergenciais com o governo do Distrito Federal. A Polícia Federal investiga se houve pagamento de propina de R$ 300 mil por mês para a renovação semestral desses contratos, que dependia de aval do Ministério Público.

No depoimento à PF, Barbosa disse também ter entregue a Cláudia Marques vídeos em que Arruda e assessores aparecem recebendo dinheiro. Segundo Barbosa, os vídeos teriam sido copiados na casa da promotora Deborah e repassados ao empresário Roberto Cortopassi, dono da WRJ Engenharia.

Em 2007, Cortopassi e Deborah tiveram um vínculo. Ele e o marido da promotora, Jorge Guerner, prospectavam negócios juntos – inclusive em Angola. A empresa de Cortopassi tem uma dívida milionária com o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal.
Leia mais

Twitter

Dança das cadeiras

Ubatuba. Mudanças no governo

Assessoria de Comunicação
Com o pedido de saída do então assessor de governo, Mauro Gilberto de Freitas, assumirá o cargo o atual assessor de Assuntos Comunitários, Geraldo Rofino.

A Assessoria de Assuntos Comunitários será passada ao atual secretário de Esporte e Lazer, Luiz Roberto Sant’ana de Paula.

Para a Secretaria de Esporte, volta o atual secretário de Turismo, Bittencurt Jr., que já esteve a frente da pasta durante a primeira gestão do prefeito Eduardo Cesar.

A Secretaria de Turismo será comandada pelo atual assessor de Planejamento, René Nakaya, que passará sua pasta a Rafael Ricardi Irineu, que hoje é secretário de Arquitetura e Planejamento Urbano.

O secretário de Obras e Serviços Públicos, João Paulo Rolim assumirá a Secretaria de Arquitetura e passará o seu atual cargo para o administrador da Regional Norte, José Roberto Junior, que vai acumular as duas funções.

A Assessoria de Comunicação informa ainda que outras medidas serão tomadas nos outros escalões. (PMU)

Twitter

Humor

O que eu sei sobre o clima?

Diogo Mainardi
Eu sei que é um assunto para lá de aborrecido. Eu sei que Giorgione podia pegar uma tempestade e transformá-la numa obra de arte. Eu sei que William Shakespeare podia pegar uma tempestade e transformá-la em outra obra de arte. Eu, prosaicamente, só sei pegar disenteria com as tempestades, como a que cai agora, espalhando esgoto pela Praia de Ipanema. Sim: eu sou um Giorgione dos protozoários. Sim: meu intestino delgado é uma Stratford-upon-Avon dos adenovírus.

Tuvalu
Meteorologistas do mundo inteiro reuniram-se em Copenhague para uns debates para lá de aborrecidos sobre o clima. Eles alardeiam que, se continuarmos a emitir CO2, a temperatura da Terra aumentará sem parar, causando uma catástrofe. O que eu sei sobre isso? Eu sei que, antes de ontem, os meteorologistas de O Globo calcularam que a temperatura mínima no Rio de Janeiro, ontem, chegaria a 22 graus. Na realidade, ela foi de 20,6 graus. Se os meteorologistas de O Globo, de um dia para o outro, cometem um erro desse tamanho, como posso confiar em seus prognósticos para 2050 ou, pior ainda, para 2100? Só esse erro de cálculo – de 1,4 grau – já seria suficiente para submergir os atóis de Tuvalu, na Polinésia.

Eu sei – e sei porque li em O Globo ou em algum outro jornal – que o alarme dos meteorologistas sobre o aquecimento global se baseia em um gráfico com a forma de taco de hóquei. A temperatura do planeta, segundo esse gráfico, teria se mantido igual por milhares de anos, subindo abruptamente – como a lâmina de um taco de hóquei – no último século, quando o homem passou a emitir uma grande quantidade de CO2. E como é que os meteorologistas sabem qual era a temperatura na Terra 1 000 anos atrás? Eles sabem porque um deles, professor de East Anglia, analisou doze troncos de pinheiros siberianos, colhidos na Península de Yamal. Agora os professores de East Anglia foram flagrados manipulando alguns desses dados.

Mais gelo na calota e terra quadrada
Os meteorologistas associam o CO2 ao derretimento da calota polar ártica. Eu só associo o CO2 à água Prata. A calota polar ártica, de acordo com todos os cálculos, deveria estar diminuindo. O que mostram as imagens de satélite, nos últimos anos, é o oposto. Em 2009, há mais gelo do que em 2008. Em 2008, havia mais gelo do que em 2007. Em 2007, havia mais gelo do que em 2006. A calota polar ártica, neste momento, cobre praticamente a mesma área de 1996, exceto por um ou dois pontos, confirmando a teoria de Lula de que a Terra é quadrada.

Os leitores de jornal, alguns dias atrás, foram amedrontados pela imagem de um urso polar canibal. O que eu sei sobre o assunto é que, nos tempos de Giorgione e de William Shakespeare, talvez houvesse menos CO2, mas nós brasileiros já comíamos uns aos outros.

Só Dilma continua a derreter
Um dado que ninguém tem, só eu: no segundo turno, de acordo com a última pesquisa eleitoral do Ibope, José Serra teria 51 pontos e Dilma Rousseff, 25. Descontando os votos brancos e nulos: 67 a 33. Ao contrário da calota polar ártica, Dilma Rousseff continua a derreter. (Do Trem Azul)

Twitter

Eleição no Chile

Uma pedra no sapato do Bolivarianismo

Sidney Borges
Amanhã tem eleição no Chile. O país vai bem, a economia segue em ritmo de crescimento, apesar da crise internacional. A população está satisfeita com a presidente Michelle Bachellet. Na últimas pesquisa ela alcançou 80% de aprovação, índice próximo ao de Lula.

O Chile tem menos desigualdade do que o Brasil. Também há uma grande diferença no quesito educação, os garotos chilenos saem da escola sabendo ler, escrever e fazer contas, até as difíceis, de dividir por três números que aqui no Brasil dão MBA.

A popularidade de Bachellet não está associada a esmolas travestidas de programas sociais. Ela é respeitada por ter governado com equilíbrio, melhorado as condições de vida dos chilenos. O país tem economia forte, com fundamentos sólidos que fazem prever um futuro brilhante.

Mesmo assim, pasmem leitores, o candidato apoiado pela presidente está atrás e deve ser derrotado. O argumento é: ela é boa, mas ele não é ela. Bachellet não transfere votos.

Por aqui há grande consternação nos círculos ligados ao governo. Estão tão embasbacados que ontem o comissário Dirceu disse no Blog do Noblat que lutou contra a ditadura financiada pelos Estados Unidos.

Esqueceu-se de dizer que os que lutaram contra a ditadura, como ele, do grupo Molipo, fizeram treinamento em Cuba. Financiados indiretamente pela União Soviética. O que Dirceu, Dilma, Gabeira, Franklin Martins e demais companheiros de luta armada queriam era trocar o modo de produção capitalista pelo modo de produção comunista.

Quanto à ditadura, sairiam os militares e entrariam os fiscais do partido. Continuaria ditadura, aliás esse nunca foi o ponto chave da luta armada.

Como aconteceu em todos os regimes comunistas e ainda acontece nos que restam, a liberdade de ir e vir iria para as cucúias. Não para todos, os comissários continuariam indo e vindo, como fazem agora, de preferência indo para a decadente, capitalista e charmosa Paris.

Lula nunca foi comunista. Como sindicalista jamais propôs a mudança do modo de produção capitalista. Lula lutou por melhores condições de vida para os trabalhadores do setor metalúrgico. A esquerda precisava de um operário padrão e elegeu Lula. Hoje come na mão dele. A criatura é maior do que o criador.

Michelle Bachellet é de esquerda. Pela lógica de mão única do Comintern, do alto de sua imensa popularidade, deveria fazer o sucessor, Eduardo Freire, também de esquerda.

Sebastián Piñera, adversário de Freire é o que os petistas chamam de diretista, apóia o liberalismo, não pretende aderir ao bolivarianismo chavista e vai reconhecer o governo eleito em Honduras.

As pesquisas indicam 44% a 31% em favor de Piñera.

Conclusão, o povo gosta de líderes carismáticos, mas decide em quem votar.

Carisma e popularidade são intransferíveis. Deve ser por isso que tantos golpes de estado são tramados na calada da noite. Alguns disfarçados de reforma política, eufemismo para mudanças na Constituição. Meros artifícios para permitir a reeleição perpétua. Não vão colar, a sociedade não quer ditadores. Nem de direita, nem de esquerda, muito menos populistas do grupo "tudo eu".

Com a alternância de poder segue a democracia associada ao mundo capitalista. Ruim, cheia de defeitos, mas certamente melhor do que a ditadura do proletariado.

Twitter

Clique pra ampliar

Opinião

A mordaça ignorada

Editorial do Estadão
Apegado ao formalismo jurídico, e decidindo como se fosse apenas um tribunal de quarto grau de jurisdição, e não uma corte constitucional, o Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu oportunidade histórica para afirmar a incolumidade do mais importante princípio singular das sociedades abertas - a liberdade de informar - que lhe incumbe salvaguardar em última instância. Prendendo-se a ritos processuais, o que é comum nas instâncias inferiores do Judiciário, a Corte arquivou, por 6 votos a 3 - sem que a maioria entrasse no mérito da questão -, recurso apresentado por este jornal contra o ato do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) que o proibiu de continuar publicando informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal. O alvo principal do inquérito é o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e responsável pelos negócios da família. A censura prévia foi imposta em julho, em caráter liminar, a pedido do empresário, que alegou invasão de privacidade.

O recurso - reclamação - sustentava que o TJDF, ao amordaçar o jornal, descumpriu decisão do próprio Supremo, que em abril deste ano derrubou a Lei de Imprensa, instituída em 1967 pelo regime militar, e consagrou o direito irrestrito à liberdade de informar e de ser informado. Na ocasião, a posição do STF foi inequívoca e deu aos advogados a segurança jurídica que tanto reivindicavam, em matéria de direito da comunicação. "Não há liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, inclusive a procedente do Poder Judiciário", definiu a Corte. Tratava-se, portanto, de fazer valer a sua decisão. Mas o relator da reclamação, ministro Cezar Peluso, relegando para segundo plano a questão maior do princípio constitucional da liberdade de comunicação, entendeu que o instrumento era inadequado porque o TJDF não se baseou na Lei de Imprensa quando acolheu a ação de Fernando Sarney. A lei citada foi a de Interceptações Telefônicas. Votaram com Peluso os ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Eros Grau, José Antonio Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Discordaram dele os ministros Celso de Mello, Carlos Ayres Britto e Cármen Lúcia.

Desse modo, o STF se dividiu em partes desiguais entre os que privilegiaram uma preliminar - a da pertinência da reclamação - e os que focalizaram o tema substantivo das liberdades fundamentais asseguradas pela Constituição. "Nada autoriza o juiz a exercer esse poder de censura prévia a nenhum jornal", argumentou, por exemplo, Ayres Britto. Para ele, o TJDF valeu-se indiretamente da Lei de Imprensa, porque essa seria "a única base legal" para a sua decisão. O seu colega Lewandowski disse concordar com ele no mérito - o primado da liberdade de expressão. Admitiu, porém, que não conseguia "ultrapassar a questão preliminar". Numa defesa apaixonada dos direitos fundamentais, pondo a questão dos princípios à frente das tecnicalidades processuais, Celso de Mello qualificou a decisão do TJDF de "discriminatória, além de arbitrária e inconstitucional".
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Sábado, 12 / 12 / 2009

Folha de São Paulo
"65% do país não tem acesso à internet"

Expansão de renda e crédito faz uso de rede crescer 75% em 3 anos; IBGE, porém, ainda vê ‘apagão digital’

Pesquisa feita pelo IBGE revela que 104,7 milhões de brasileiros (65,2% da população acima de dez anos) não têm internet. O acesso à rede, porém, registrou alta de 75% e passou de 32 milhões para 56 milhões de pessoas no país no período entre 2005 e 2008. O instituto atribui essa alta à expansão de renda e crédito. Em média, o brasileiro que acaba de descobrir a internet mora no Norte/Nordeste, tem renda de até um salário mínimo, 27 anos de idade, sete anos de estudo e acessa a rede de casa ou de LAN house. A pesquisa ouviu 391 mil pessoas acima de dez anos que entraram na internet pelo menos três meses antes da entrevista. “A evolução é fantástica, mas, pela quantidade de excluídos, ainda temos um apagão digital”, afirmou Cimar Azeredo, do IBGE. A pesquisa mostra também que 30 milhões de brasileiros passaram a ter celular entre 2005 e 2008. Agora, 86 milhões possuem o aparelho, salto de 53,6¨em relação a 2005.

O Estado de São Paulo

"Arruda cria esquema igual ao ‘valerioduto’"

Produtora da campanha de 2006 recebe dinheiro de contratados oficiais

O governo do Distrito Federal abasteceu nos últimos três anos com ao menos R$ 14,4 milhões, sem licitação, uma produtora que fez programas para o diretório do DEM em Brasília e cuidou da campanha do governador José Roberto Arruda em 2006. O sistema se assemelha ao “valerioduto”, que envolveu o governo Lula e a gestão de Eduardo Azeredo em Minas, no qual empresas-mãe contratadas repassavam dinheiro a políticos mediante subcontratações. No caso do Distrito Federal, o dinheiro vai primeiro para contratados oficiais que fazem publicidade e depois é transferido à produtora. O governo negou irregularidades. Nos últimos cinco anos, a verba de publicidade do Distrito Federal foi de R$ 500 milhões.

Twitter

sexta-feira, dezembro 11, 2009


O que é a vida?

É uma viagem

Sidney Borges
Estou convencido que a Terra é uma nave. A vida é mais curta ou mais longa conforme a passagem adquirida. Embarcamos ao nascer e desembarcamos quando batemos as botas. Na seqüência vem uma nova nave. Onde termina a viagem não sei, ninguém sabe, mas muita gente ganha dinheiro dizendo que sabe. E muita gente acredita no que dizem os que presumidamente sabem. Na verdade ninguém sabe de nada. É tudo um imenso mistério.
O que dá pra concluir impiricamente é que a gente cresce durante a viagem.
Vejam este exemplo, antes (aqui) e depois (aqui). Ela cresceu. Foi o fermento da sabedoria. Curta as músicas.

Twitter

Utilidade Pública

Estrada da Almada está liberada para carros e motos

Assessoria de Comunicação
A Prefeitura de Ubatuba, por meio da administração da Regional Norte, informa que a estrada que conduz à praia e bairro da Almada está liberada para passagem de veículos pequenos e motos.

O trânsito no local foi interrompido após o transtorno causado pelas fortes chuvas da última sexta-feira, 4, em que grandes pedras e barreiras desmoronaram sobre a estrada. As pedras foram dinamitadas, mas ainda restam detritos que estão sendo retirados.

“O acesso ainda está precário, por causa da grande quantidade de barro que há no local, por isso, a estrada ainda não está liberada para veículos grandes, como caminhões e ônibus. Mas pretendemos regularizar a situação dentro de dez dias”, afirma o administrador da regional Norte, José Roberto Júnior. (PMU)

Twitter

Natal

"Querido Papai do Céu, este ano, por favor, mande roupas para todas aquelas pobres mulheres do computador do papai e do vovô. Amém." (circulando na web)

Twitter

Imprensa

Lula fala 'merda' em discurso no Maranhão

Título da página 13 do jornal O Globo, o mais criativo título dos jornais sobre o assunto. (Do Blog do Noblat)

Twitter

Coluna do Mirisola

A beleza continua nas ruas, apesar de tudo

“Nossos políticos precisam, ao menos, sentir o aço frio do gume das guilhotinas. O bafio da morte. O hálito do povo. Eles precisam levar cagaço”

Marcelo Mirisola*
A violência é o pior caminho para se fazer justiça. A história é pródiga em exemplos desastrosos. Lavoisier, por exemplo. O cientista foi acusado, perante um tribunal revolucionário, de crimes contra o povo. Mandaram-no para guilhotina simplesmente porque fazia parte do ancien régime. Além de pai da química moderna, Lavoisier também era coletor de rendas públicas. O fato de que se tratava de um dos maiores cientistas de sua época serviu apenas como agravante: a revolução não precisava de cientistas. Precisava de sangue. Sifu.

Violência é uma merda. Digo, a física, porque a violência retórica, tem mais algumas possibilidades além de ensejar chiliques e de ficar entrincheirada no mundo das “ideias”. Quando escapa ao mundo da especulação e ultrapassa os próprios limites, quando perde o freio e desce ladeira abaixo, a violência retórica é, em suma, revolucionária, um tesão de consequências imprevisíveis.

Sob esse ponto de vista, o mais sensato é pedir sangue. As catilinárias (quatro peças) de Cícero são, a meu ver, o ponto máximo dessa construção explosiva:

Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?

Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes fatos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura...

Isso é só o começo do esporro que Cícero daria em Lucio Sergio Catilina. Voltemos. O lugar agora é Brasília, plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cícero não estava lá, mas sua avassaladora retórica que pedia sangue ecoou em Brasília, 2073 anos depois. Ora, direis: também pediste sangue, colunista?

Minha resposta é: fico feliz em senti-lo correndo nas minhas veias. E antes de alguém pensar em me mandar para a fogueira santa, digo: foi uma lavada de alma ver a invasão dos 300 de Brasília. Nem sei se eram estudantes, ou filiados a algum partido político. Não me interessa. Mas eu gostei de ver a explosão daquela molecada que invadiu e depredou o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Se eu tivesse 18 anos, iria pra Brasília. Aqueles garotos e garotas não eram figurantes de uma propaganda de cerveja. Não rebolavam no Big Brother. Ecoaram Cícero na prática e é claro, queriam sangue.

Confesso que fiquei orgulhoso. Logo eu, que achei que eram todos uns merdas que, ou se entregavam a um Jesus brega e quentinho, ou ao sonho conservador de pertencer a um mundo corporativo ou às próprias vaidadezinhas, bate-estacas binários e hormônios de praxe.

Depois disso, é só fazer a ligação entre o real e o figurado. Fazer a indignação e a juventude correrem pelas ruas, como se fossem glóbulos vermelhos e brancos numa ebulição imprevisível: la beauté est dans la rue, lembram disso? Desse modo, acho muito provável que, nas próximas invasões (espero que haja muitas), algum lobo seja levado ao sacrifício. Urge um símbolo.

Vejam bem: estou apenas especulando. Faço aqui minhas conjecturas como se fosse um co-roteirista dos filmes do Tarantino.

Mas que seria legal, seria. Os bueiros das esplanadas jorrando sangue. As ratazanas afogadas nas próprias ignomínias. O fato é que a cafajestice dos neo-catilinas que usurpam a república já ultrapassou todos os limites que a retórica poderia suportar. Quando isso acontece o verbo se transforma em ação. A casa deles está caindo.

O governador Arruda que não seja besta de dizer que não sabia de nada. Desta vez, não. Ou sai um impeachment, ou a molecada vai botar pra fuder. E eu, aqui, farei coro, podem ter certeza. Ninguém aguenta mais ser embromado. Tomem muito cuidado, senhores deputados, (...) não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração (leia-se comissões de ética, recursos etc) a têm já dominada todos estes que a conhecem?

Não abusem da nossa paciência, pois o deboche e o cinismo dos senhores estão se transformando no asco do nosso dia a dia. No veneno que irá condená-los a extinção. Até quando, Catilina?

Nossos políticos precisam, ao menos, sentir o aço frio do gume das guilhotinas. O bafio da morte. O hálito do povo. Eles precisam levar cagaço: À morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.

Um ano depois de ter sido escorraçado por Cícero, Catilina morreu no campo de batalha, traído por seus comparsas, falido e defenestrado para toda a eternidade.

PS: Na madrugada de sábado, meus amigos Mario Bortolotto e Carlos Carah foram baleados na Praça Roosevelt, em São Paulo. Reagiram a um assalto. Carah levou três tiros na perna e se recupera bem. Graças a Deus, os dois sobreviveram. O estado do Mário, porém, é mais grave: levou quatro tiros no peito, à queima roupa.

Uma semana antes, eu havia feito um comentário no blogue dele:

- Oi, Mario, o Tremendão saiu da Tijuca. Você sabe. Da próxima vez apareça por aqui, apesar do bangue-bangue e da indiferença do povo da Zona Sul. Apesar de tudo, continuamos. Abraço, MM

Vejam só o que ele respondeu: "É claro, Mirisola. Um tiro só não vai nos derrubar. Grande abraço".

Nem um, nem dois, nem três, nem quatro, Mario. Tô aqui torcendo por você. Continuamos!

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

Twitter

Coluna do Celsinho

Navalha

Celso de Almeida Jr.
O malandro original intimidava com a navalha.


Ligeiro, não titubeava, mesmo que precisasse levá-la ao pescoço do adversário.

Isso ilustra bem a minha teoria.

Política joga-se assim.

Não basta ser malandro.

Tem que estar armado.

Claro que é uma analogia.

Onde se lê malandro, dê um desconto.

Lembre-se que este blog chama-se Ubatuba Víbora.

Onde se lê navalha, imagine os diversos recursos para intimidar, que um maquiavélico moderno pode usar.

É essa a leitura que faço do afastamento do Mauro Gilberto Freitas, o Maurinho, da prefeitura de Ubatuba.

Não me convenci de uma saída tranquila.

Fala-se que ele irá colaborar na campanha do Gil Arantes, para deputado, tarefa que desempenharia com muito brilho.

Voltaria depois.

Será?

Considerei sólido o comentário de nosso editor, Sidney Borges, observando que Maurinho prepara-se para disputar a sucessão de Eduardo, afastando-se em tempo, para não colher tempestades.

Pois é...

Creio mesmo que só o Sombra sabe o que esconde os corações humanos...

Mudanças em governos são absolutamente normais.

Mas estamos falando do principal aliado do prefeito; um homem extremamente pragmático, que fez todo o jogo duro até aqui.

Como foram os bastidores dessa história?

Quem jogou e como jogou?

Não se trata de especulação, astuto leitor.

É um exercício próximo ao xadrez, que tanto bem faz ao pensamento.

E, nesse caso, ao nosso futuro também.

Twitter

Chuvas

Praia da Almada

Fernando Florindo de Souza
As chuvas que caíram na ultima semana em Ubatuba causaram vários estragos na cidade, inclusive no bairro da Almada.

A maioria das barreiras já foi retirada, mas as pedras que caíram e bloqueiam a estrada que liga a Praia à Rodovia continuam interditando o acesso. A previsão da liberação, segundo informação da Regional Norte é para dia 11 à tarde. O bairro também ficou sem energia elétrica de sexta até segunda feira a tarde.

A grande preocupação dos moradores era a quantidade de pescado em estoque não apenas nos restaurantes e bares, mas em todas as casas de pescadores. A solução encontrada pelo BAR DE PRAIA ALMADA foi a instalação de geradores, que atenderam ainda outros vizinhos. Algumas pessoas levaram seus freezers para a Ilha dos Porcos, onde grandes geradores fornecem energia para uma casa de veraneio. O acesso á praia é possível a pé até a rodovia ou de lanchinha ate a praia de Ubatumirim.

A Prefeitura, através da Regional Norte esta empenhada em solucionar o problema, mas o mau tempo não tem contribuído para o sucesso dos trabalhos.

A situação no bairro esta tranqüila, até porque a maioria da população sempre caminhou ate o a Rio-Santos para pegar o ônibus. Uma casa de veraneio foi totalmente destruída por deslizamento de terra no morro próximo á praia, por sorte não havia ninguém na casa. Na noite de quinta feira, quando choveu a noite toda, os moradores que tem casas no morro saíram ás pressas vindo a ocupar casas de parentes e amigos em áreas planas do bairro.

Apesar da situação crítica da estrada, não temos registro de vitimas ou de prejuízos maiores, e a população aguarda a liberação do acesso para receber os turistas com o carinho de sempre. A praia continua linda e não sofreu conseqüências além do isolamento.

Twitter

Clique para ampliar

Opinião

As tempestades de Copenhague

Washington Novaes
Eventos extremos, como as chuvas dramáticas, não estão acontecendo apenas em São Paulo, no Sul e em outras partes do País. Outros tipos de tempestade estão acontecendo também em Copenhague, na reunião da Convenção do Clima - de onde estas linhas estão sendo escritas na quinta-feira. Elas acontecem até mesmo nas negociações para um acordo que possa levar todos os países a reduzir suas emissões de gases que contribuem para o aquecimento da Terra e a intensificação das mudanças climáticas.


A primeira tempestade maior aqui aconteceu com o vazamento, pelo jornal The Guardian, do texto de um documento confidencial submetido pelo governo da Noruega a uns 15 países, entre eles Estados Unidos, China, Brasil, Índia e vários europeus, com propostas muito polêmicas:

Criar um grupo intermediário entre países industrializados e subdesenvolvidos, para China, Brasil, Índia e outros "emergentes" (o que quebraria a unidade do G-77);

exigências maiores de redução de emissões pelos subdesenvolvidos, mas sem criar obrigações maiores de financiamento para os países mais ricos;

nenhuma proposta de um acordo obrigatório, como o de Kyoto, para o período após 2012, quando termina a vigência da fase atual.

O documento confidencial foi recolhido pela Dinamarca, diante das dissensões, mas a tempestade inevitável foi forte e obrigou a muitas explicações e tomadas de posição, inclusive do Brasil, que discordou das propostas.

A segunda tempestade veio dois dias depois, com uma proposta do país-ilha Tuvalu (um dos mais de 30 ameaçados de desaparecer com a elevação do nível dos oceanos), apoiada por várias nações africanas e outros países-ilhas, que exigem a aprovação, aqui, de um documento vinculante, obrigatório para todos os países e mais duro que o Protocolo de Kyoto. E isso é praticamente impossível, não apenas por causa de discordâncias de muitos países, mas também porque os Estados Unidos não poderiam assiná-lo em Copenhague, já que nem a proposta do presidente Barack Obama para a área do clima foi ainda aprovada pelo Senado - o que é indispensável. Estabelecida a discórdia, as negociações tiveram de ser suspensas no plenário mais amplo. E só continuam nos vários grupos de trabalho (implementação, cooperação a longo prazo, assessoramento técnico e científico, novas metas para os países industrializados, etc.). Mas a suspensão ameaça o resultado final da convenção, porque um acordo teria de ser alcançado até o começo da próxima semana, para ser submetido aos chefes de Estado que chegarão. E nas convenções da ONU qualquer decisão tem obrigatoriamente de ser aprovada por consenso - basta um voto para impedir.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Sexta-feira, 11 / 12 / 2009

Folha de São Paulo
"PIB do 3º trimestre frustra governo"

Economia cresce 1,3% de julho a setembro ante esperados 2% e deve fechar ano com variação próxima de zero

Após uma sucessão de indicadores dando conta do aquecimento da economia, o PIB calculado pelo IBGE mostrou que o país se recupera da crise em ritmo mais lento do que se imaginava. Embora se mantenha a tendência de melhora, de julho a setembro a indústria, a agropecuária e os serviços produziram 1,3% a mais que nos três meses anteriores. O ministro Guido Mantega (Fazenda) previa expansão de 2%. Ontem, ele disse que o resultado ainda foi grande diante do desempenho de outros países. Mantega atribuiu o número à revisão de dados do IBGE e comparou o 1,3% ao 0,4% da União Europeia. Emergentes, porém, cresceram mais que o Brasil. O governo abandonou a projeção de crescimento de 1% para 2009. O PIB deve ter variação perto de zero. Não está descartada a possibilidade de o IBGE registrar a primeira queda anual desde o governo Collor. Para 2010, Mantega prevê agora que a economia cresça em torno de 5%. Em viagem ao Nordeste, o presidente Lula não comentou.

O Estado de São Paulo
"PIB de 1,3% decepciona e ameaça resultado do ano"

Mercado previa crescimento sobre o segundo trimestre em torno de 2%

O PIB cresceu 1,3% no terceiro trimestre de 2009, resultado que frustrou o governo - o mercado previa 2%. A expansão no segundo trimestre foi revisada de 1,9% para 1,1%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o recuo foi de 1,2% e, no acumulado do ano, foi de 1,7%. Com esse desempenho, para empatar com o resultado do ano passado, o PIB precisa crescer perto de 5% no quarto trimestre, sobre igual período do ano passado. Para analistas, a perspectiva de alta de juros no início de 2010 perde força. Dois destaques positivos do terceiro trimestre foram a recuperação da indústria e dos investimentos. Em tom de brincadeira, o ministro Guido Mantega (Fazenda) negou que o resultado seja um "Pibinho": "União Europeia, positivo 0,4%. Esse é que é o Pibinho".

Twitter

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Chuvas

Moradores da Praia da Almada, em Ubatuba, continuam ilhados. Chuva preocupa moradores

Do VNews (original aqui)
A chuva continua castigando Ubatuba. Moradores da Praia da Almada estão ilhados há quase uma semana e na região central da cidade, as famílias que já voltaram pra casa, têm medo de novas enchentes.

A chuva não para em Ubatuba e o medo de quem vive assim, tão perto do rio, só aumenta. "A gente não dorme mais, ontem à noite que choveu bastante aqui. Ninguém dormiu aqui à noite", diz uma moradora.

Os moradores do bairro Parque Guarani ainda se recuperam das enchentes. Muitos perderam móveis, colchões e eletrodomésticos. Na semana passada, em Ubatuba, mais de 160 pessoas tiveram que sair de suas casas por causa das enchentes. A maioria, do bairro Parque Guarani. As famílias ficaram abrigadas dois dias num ginásio do município.

Os moradores dizem que as enchentes são constantes. Para diminuir o problema, a prefeitura deve transferir oito famílias, agora em dezembro, para um conjunto habitacional.

"A previsão é a construção de 48 apartamentos. Neste momento estamos entregando o primeiro prédio com oito apartamentos. Já começamos a construir o segundo prédio e já passou pelo processo licitatório e já para começar a construção também do terceiro prédio", diz o Secretário de Planejamento, Claudinei Salgado.

O bairro Praia da Almada foi um dos mais atingidos pela chuva, em Ubatuba. Deslizamentos de terra e de pedras como essa bloquearam o único acesso. Cerca de 300 moradores estão ilhados. E os trabalhos estão prejudicados, porque a chuva continua.

A passagem só pode ser feita à pé. Por causa da pedra, um ônibus está parado desde sexta-feira passada. Os funcionários da prefeitura tentam liberar o acesso, mas ainda há risco de deslizamento.

"Queremos o quanto antes que isso seja resolvido. A gente vem trabalhando intensivamente para isso ser resolvido. Acreditamos para a temporada, a partir do dia 26 de dezembro, já consiga estar com essa estrada liberada, pronta, que as pessoas já possam estar fazendo a passgem aqui", diz José Roberto Monteiro, administrador da regional norte.

A Praia da Almada é um dos lugares mais procurados pelos turistas, em Ubatuba. Os moradores, que dependem do turismo, temem prejuízos na temporada. "A gente espera o ano todo essa época, né? Desse jeito é difícil. Vamos rezar pra dar certo", diz o pescador Renato.

E por causa da chuva forte, a Defesa Civil registrou várias quedas de árvores e barreiras na rodovia SP-50, que liga São José dos Campos a Monteiro Lobato. O motorista enfrenta lentidão em alguns pontos da estrada.

Twitter

Pensata

Mentiras

Hélio Schwartsman
Foi para comprar panetone.

-José Roberto Arruda

"Se houvesse um verbo significando 'acreditar falsamente', ele não faria nenhum sentido na primeira pessoa do presente do indicativo".

-Ludwig Wittgenstein

Por quão tolos os políticos nos tomam? Eles acham que acreditamos em qualquer coisa? Aparentemente, sim, pois a procissão de desculpas esfarrapadas desfrechadas por homens públicos pegos com a boca na botija tem caráter suprapartidário e transcende as linhas ideológicas conhecidas.

Num breviário que não tem a menor pretensão de esgotar o tema, primeiro vieram os "recursos não contabilizados", vulgo "mensalão", do PT, cujo precursor, agora se sabe, havia sido o tucano Eduardo Azeredo. Poderíamos também citar as prodigiosas vacas do senador peemedebista Renan Calheiros ou as traquinagens do clã Sarney. "At last but not least", há que lembrar a famigerada Operação Uruguai, engendrada pelo então PRNista Fernando Collor de Mello (acho que o partido nem existe mais, embora Collor já se tenha tornado aliado de Lula).
Leia mais

Twitter

Artigo

Dez erros sobre a crise em Honduras

Raul Jungmann
Estive em Honduras no final de setembro, chefiando uma missão parlamentar da Câmara dos Deputados, e estive com toda a cúpula política do país.

Em novembro voltei à capital hondurenha como observador internacional das eleições.

Acho que aprendi algo sobre o que se passa lá e me chama a atenção a repetição, como um mantra, de erros grosseiros, factuais ou de interpretação sobre a crise em que foi mergulhado o país.

Resolvi, então, selecionar os dez mais comuns e dar-lhes a minha visão, no propósito de desfazer equívocos e informar corretamente.

1) Em Honduras ocorreu um golpe - Se por um golpe tomamos algo que se dá contra a Constituição de um país, certamente não.

A deposição do presidente Zelaya se deu de acordo com a Carta hondurenha. Todas as instâncias legais foram observadas e todas as instituições se manifestaram como manda a Constituição e em todas elas o sr. Zelaya foi condenado jurídica e politicamente.

2) Micheletti é um presidente de facto e golpista - O sr. Micheletti é o presidente constitucional de Honduras, e não de facto ou interino.

Ele chegou à presidência por comando claro da Constituição, dado que era o sucessor legal, pois o vice se afastara para concorrer às eleições. Ele deverá passar o cargo ao seu sucessor no prazo previsto. Golpista algum se torna presidente e deixa de sê-lo de acordo com o que manda a Constituição.
(Do Blog do Noblat)
(Artigo transcrito de O Estado de S. Paulo de 10/12/2009)
Leia mais

Twitter

Afe!



Cadê?

Tato, Luiz Moura, Izildinha, Frediani e Marcos Guerra sumiram. Chame a NASA, podem ter sido abduzidos...

Sidney Borges
Como sempre faço às quintas-feiras, acessei o site do jornal da página 2. Gosto dos textos inteligentes e mordazes lá publicados. Hoje não encontrei as hilariantes e espirituosas tiradas. A página 2 está vazia, do lado direito tem um texto truncado e quase ilegível, publicado em corpo diminuto. Mistério.

Twitter

O plantão do Víbora informa:

Arruda desfilia-se do DEM

Do Blog do Noblat (original aqui)
O governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, acaba de se desfiliar do DEM. Fará um pronunciamento mais tarde a respeito de sua decisão.

Twitter

Chuva e mais chuva



x
Sertão da Pipoca teme
Gustavo Mertens (texto e fotos)
Assim como a Almada, a comunidade que vive no Morro da Pipoca vem sofrendo bastante desde a chuva forte do dia 04/12.
A ponte de acesso teve suas cabeceiras arrancadas pelas águas.
A prefeitura aterrou as cabeceiras, mas no dia 07/12 a forte chuva as arrancou de novo.
O acesso ao bairro está restrito, pois há risco constante.
A população local, que não tem outro acesso ao bairro, há tempos solicita que a prefeitura construa uma nova ponte, mais alta, mas até hoje não foi atendida.
Eles temem que alguém possa ser arrastado pelas águas nesta época de chuvas fortes.

Web/Conteúdo

Uma pequena descrição sobre o papel do curador de conteúdo on-line

Do Webmanário (original aqui)
Há tempos eu tinha determinado a mim mesmo escrever algumas linhas sobre o trabalho de curadoria de conteúdo na web, um aspecto novo e que me parece altamente relevante com o buzz das mídias sociais e sua integração cada vez maior ao nosso cotidiano.


Vai daí que encontrei uma descrição, feita por Rohit Bhargava, que considerei bem próxima da conceituação que daria ao termo “curador de conteúdo”.

Numa tradução livre, é essa:

“Especialistas preveem que, num futuro bem próximo, o conteúdo na web irá duplicar a cada 72 horas.

A análise pura e simples de um algoritmo não será mais suficiente para encontrar o que estamos procurando.

Para satisfazer a sede das pessoas por bom conteúdo em qualquer assunto que você possa imaginar, precisaremos de uma nova categoria de trabalho individual, de alguém cujo trabalho não seja produzir mais conteúdo, mas contextualizar e dar sentido a todo o conteúdo que os outros estão criando.

Alguém que encontre o conteúdo mais relevante e o passe adiante. Essas pessoas são os curadores de conteúdo, que coletarão e compartilharão coisas, fazendo o papel de “editores cidadãos”, publicando antologias altamente valiosas de material produzido na rede.

Esses curadores trarão mais utilidade e ordem às mídias sociais. Ajudarão, ainda, a estabelecer uma nova sistemática de conversação entre empresas e consumidores baseada em conteúdo de valor, e não mais apenas na criação de mensagens publicitárias.”

Coisas para o presente imediato que são legais para a gente ir pensando seriamente.

Twitter

Frases

"É difícil você ser notada pela inteligência e outros atributos que não os observados à 1ª vista."

Juliana Paes

Twitter

Eleições 2012

Mauro Freitas deixa governo municipal

Assessoria de Imprensa
Mauro Gilberto Freitas, que desde o início do primeiro mandato do prefeito Eduardo Cesar ocupava o cargo de Assessor de Governo, anunciou nesta quinta-feira, 10, que está deixando a administração municipal. Segundo ele, os motivos são de ordem pessoal.

“Saio do governo com a certeza de missão cumprida e vou sempre agradecer a Deus por ter tido a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento dessa cidade que tanto amo”, afirmou Mauro, que pretende agora buscar novos desafios em sua vida profissional.

O prefeito Eduardo Cesar lamentou a saída do seu assessor, que o acompanha desde a sua primeira gestão como vereador de Ubatuba.

“O Mauro é um grande amigo, um excelente profissional e o seu trabalho foi fundamental para realizarmos tantos avanços em nosso município”, declarou. Ainda segundo o prefeito, pessoas como o Mauro sempre terão as portas da prefeitura abertas caso decida retornar.

“Eu compreendo seus motivos, sei o quanto ele trabalhou para chegarmos até aqui, porém, quero deixar registrado o meu apreço e a nossa grande amizade”, reforçou.

Maurinho, como é mais conhecido, fez questão de salientar ainda o apoio que sempre recebeu não só do prefeito e dos secretários municipais, mas também da maioria dos funcionários da prefeitura.

“Quero registrar aqui o meu profundo agradecimento ao prefeito e meu grande amigo Eduardo Cesar, a toda equipe de governo e a todos os funcionários que sempre demonstraram muito empenho e não mediram esforços para conseguir realizar tudo que já realizamos em nossa cidade”, concluiu Freitas. (PMU)

Nota do Editor - É de conhecimento geral a possível candidatura de Maurinho ao cargo de prefeito de Ubatuba. Ao sair da administração ele fica desconectado do segundo mandato de Eduardo Cesar, podendo assumir postura crítica em relação ao antigo chefe. O tempo dirá se o afastamento foi uma boa medida. (Sidney Borges)

Twitter

Ubatuba em foco

Avisos prévios

Corsino Aliste Mezquita
Não devemos ficar presos ao passado, mas é necessário lembra-lo para tomar providências sobre seus avisos e, no presente, tomar medidas preventivas para não sermos surpreendidos no futuro.

Em 04-12-08, comentando as trombas de água de Santa Catarina, publicamos: “CUIDAR O PRRESENTE”. Fazíamos referência à “estrutura geológica podre” da Serra do Mar, às chuvas, freqüentemente, torrenciais nas suas encosta e vales e alertávamos:

“Ubatuba está situada nessa “estrutura geológica podre”, temos o terceiro maior índice pluviométrico do Brasil (+ - 3.000 mm3, por ano) e, nos últimos trinta anos, tivemos diversos avisos prévios da natureza. Infelizmente nossos administradores fizeram ouvidos moucos a esses alertas ou, em atitudes de leniência e ou cumplicidade, toleraram a ocupação de áreas de risco, desmatamentos, ocupação de encostas, margens de rios, áreas periodicamente inundadas, etc., etc. Os resultados, os problemas e os sofrimentos todos conhecemos e não tivemos uma possível grande catástrofe.”

Os alagamentos destes dias foram, no aspecto geral, mais um aviso prévio e indicativo da necessidade de tomar providências urgentes para evitar os constantes sofrimentos, as perdas de pertences e de vidas humanas.

Já para todos os atingidos (foram muitos que perderam quase tudo) foi uma enorme catástrofe. E que catástrofe!!! . Morte, destruição, desabamento de casas, perda de móveis, equipamentos e pertences, queda de barreiras, isolamento de pessoas sem água e luz, etc. Catástrofe previsível e repetidamente anunciada.

Os que constituem, o denominado pelo Sr. Prefeito e seus áulicos, “CLUBE DA MEIA DÚZIA” alertam constantemente sobre o abandono a que está relegada a cidade, da falta de planejamento, dos rios, córregos e canais entupidos de lixo e do aparente sono em berço esplendido de nossos governantes (Executivo e Legislativo) ao som das ondas do mar de Ubatuba, vendo navios passar e divulgando, como grandes conquistas, diplomas que nada significam, contradizem a realidade e que, como diria o poeta: “são verde de um dia ou flores do deserto”.

Observando o sofrimento de alguns moradores da Vila Guarani que, a cada chuva mais ou menos forte, tem suas casas alagadas e são deslocados para o TUBÃO, não posso deixar de lembrar os cartazes mentirosos da pré-reeleição do Sr. Eduardo de Souza César anunciando 48 (quarenta e oito) apartamentos, como já prontos, para resolver definitivamente o problema daqueles cidadãos. Onde será que foram construídos?. Na época nenhum existia. Eram todos virtuais para enganar incautos e conseguir seus votos. Quarenta e quatro continuam virtuais, passado mais de um ano das eleições. Cabe aos atingidos e prometidos beneficiários, se unirem e cobrarem o cumprimento da promessa. Alô Vereadores!!


As chuvas estão provando a leviandade das promessas eleitorais e a perna curta da mentira. Políticos e administradores ouçam os avisos prévios da natureza!!. Coisas piores podem estar para acontecer!!

Twitter

Clique para ampliar

Opinião

Mercosul, palanque para Chávez

Editorial do Estadão
Os otimistas erraram mais uma vez. Esperavam apenas uma reunião inútil, com pauta medíocre, nenhuma decisão importante e nenhum problema resolvido, mas a 38ª Conferência de Cúpula do Mercosul, na terça-feira, em Montevidéu, foi pior que isso. Terminou como sessão de circo mambembe, com um longo e ominoso discurso do presidente Hugo Chávez e com uma declaração de repúdio às eleições em Honduras, assinada pelos presidentes dos quatro países sócios do bloco, mais o líder bolivariano. Serviu, além disso, para se dar sobrevida a uma aberração, a lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). Vai durar mais um ano, até o fim de 2011. A prorrogação foi proposta pela presidente argentina, Cristina Kirchner, e de novo o presidente Lula baixou a cabeça, embora a decisão contrariasse posição explícita do governo brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o encontro para prometer ao colega Chávez a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Com um dia de antecedência, arriscou-se a anunciar o resultado da votação final no Senado, prevista para ontem. O presidente da Venezuela cobrou a aprovação também pelo Congresso do Paraguai. Os parlamentares argentinos e uruguaios já haviam admitido a entrada do quinto sócio.

Contrariando seus hábitos, Lula falou pouco - um discurso de apenas 10 minutos de duração. Chávez, ainda na condição de convidado, foi fiel a seus padrões. Falou durante 25 minutos e não tratou de um só tema relevante para o Mercosul. Voltou a criticar o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos e mencionou sinais de movimentação em bases de Curaçau e de Aruba. Acusou o governo americano de pretender declarar guerra a toda a América do Sul. O presidente Barack Obama, acrescentou, não foi "lento nem preguiçoso" em recorrer às políticas do passado, contrariando a promessa de mudanças. Falou sobre a situação de Honduras, dissertou sobre o risco de golpes na região e mencionou, aparentemente brincando, a hipótese de ter de pedir abrigo na Embaixada do Brasil, como fez o deposto Manuel Zelaya em seu retorno clandestino a Tegucigalpa.

O presidente da Venezuela comprovou mais uma vez, nesses 25 minutos, a sensatez dos opositores de seu ingresso no Mercosul. Nunca se fez oposição à admissão do Estado venezuelano, mas sim à participação de um governante como Chávez nas deliberações do bloco. O discurso foi mais uma demonstração do real objetivo de sua política regional: criar uma plataforma para a realização de suas ambições e um palanque para seus comícios. A vocação autoritária do líder bolivariano requer a criação de inimigos externos, como Estados Unidos e Colômbia, e o envolvimento do Mercosul em suas manobras foi sempre uma intenção evidente de Chávez.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Quinta-feira, 10 / 12 / 2009

Folha de São Paulo
"Governo amplia crédito e isenção fiscal"

Ministro anuncia R$ 80 bilhões adicionais para o BNDES e mais R$ 3,2 bilhões em novas desonerações

O governo decidiu renunciar a mais R$ 3,2 bilhões em arrecadação para estimular o crescimento da economia no início de 2010. Somente neste ano, o governo abriu mão de R$ 27 bilhões, segundo projeções do Ministério da Fazenda. Aproximadamente metade dos benefícios fiscais em 2010 irá para incentivos à venda de computadores no varejo. Ao todo foram tomadas medidas para 13 setores. O pacote divulgado ontem inclui ampliação de linhas de crédito para empresas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o BNDES receberá mais R$ 80 bilhões do Tesouro Nacional. O dinheiro vai servir para financiar a retomada de investimentos produtivos, área que é considerada o grande gargalo da economia -neste ano houve o reforço de R$ 100 bilhões. O governo permitiu ainda que os bancos privados emitam letras financeiras, com o objetivo de financiar projetos de longo prazo.

O Estado de São Paulo
"Após mensalão do DEM, Lula pede rigor contra corrupção"

Quatro anos após o mensalão do PT, presidente quer tornar o crime inafiançável

Quatro anos depois do "mensalão do PT", o presidente Lula aproveitou o "mensalão do DEM" para anunciar que vai propor ao Congresso que a corrupção cometida por autoridades seja considerada crime hediondo, ou seja, inafiançável. O anúncio foi feito na solenidade pelo Dia Internacional Contra a Corrupção, mas o ambiente foi o tempo todo de exploração político-eleitoral do escândalo que envolve o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). Segundo Lula, o projeto é “mais um degrau no combate à safadeza com o dinheiro público". Ele disse que é difícil atacar a corrupção porque, "às vezes, o corrupto é o cara que tem a cara mais de anjo, é aquele cara que mais fala contra a corrupção, é aquele cara que mais denuncia, porque acha que não vai ser pego".

Twitter

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Chuvas


O ônibus não pode seguir por causa da queda de barreiras

Praia da Almada continua isolada

Sidney Borges (com informações da PMU)
Vários pontos da estrada que leva ao bairro e praia da Almada tiveram quedas de barreiras. A prefeitura mantém 15 homens fazendo a remoção do entulho, mas a continuidade da chuva atrapalha o andamento dos trabalhos.

O administrador da Regional Norte, José Roberto Júnior, disse que não há previsão para a liberação da passagem de veículos pois o local ainda oferece perigo. A equipe da prefeitura dinamitou uma pedra, mas ainda restam duas de grandes proporções. O acesso a elas está difícil em função das chuvas. O local onde se encontram fica nas proximidades de um precipício, há casas embaixo, portanto todo cuidado é pouco.

Twitter

Ubatuba, estacionada no tempo e no espaço

Quem pode manda. Quem tem juizo obedece

Sidney Borges
Na rua Cunhambebe, altura do número 752 havia um buraco a atrapalhar motoristas e ciclistas. E a impedir o trânsito de mercadorias em atitude anti-progresso.

Minha amiga Beth, cidadã atuante e em dia com as obrigações fiscais, reclamou no departamento de buracos da prefeitura. Enviou ofício, telefonou, enviou outro ofício e outro e outro até obter resposta. Matrimônio, matrimônio, isso é lá com Santo Antônio. Para sermos mais precisos, excelentíssima contribuinte, isso é com a Sabesp, mãe da criança. Quem criou o buraco que o embale.

O buraco continuou altaneiro e pimpão a quebrar molas, sem suspeitar que seus dias estavam contados. Beth é, além de cidadã exemplar, exímia cabeleireira e tem entre os clientes a fina flor da sociedade ubatubana.

Alvinho é irmão do presidente da associação comercial, Alfredinho, ambos simpaticíssimos. Alvinho foi cortar os cabelos na Beth e deparou-se com o buraco.

Beth reclamou. Alvinho retrucou:

- Sabe quem vem me buscar?

Beth respondeu:

- Teu pai?

Não.

- Tua mãe?

Não.

Quem então?

Alvinho encheu o peito e exclamou:

- Maurinho. (Som de trovôes e trombetas)

E assim aconteceu. Maurinho foi buscar Alvinho e acabou apresentado ao buraco.

No mesmo dia, horas depois já não havia buraco, alguém tampou.

Desse fato podemos concluir que Maurinho que já era o manda-chuva municipal está agora atuando na esfera estadual e a continuar assim acabará na ONU.

Será que ele não dá um jeito de fazer o Sol voltar? He, he, he...

Twitter

Criatividade

Passaporte Azul

Sidney Borges
A empresa aérea Azul colocou no mercado um produto criativo e inovador, mostrando que ocupará em breve lugar de destaque na aviação brasileira. O Passaporte Azul, lançado em outubro, custa R$499,00 e dá ao portador o direito de voar para onde quiser, quantas vezes quiser, por 30 dias.

Um casal em férias pode conhecer o Brasil com apenas mil reais de passagens. Na Europa existem passaportes ferroviários, semelhantes ao Passaporte Azul. Na próxima vez em que eu viajar, farei o possível para que seja a bordo de um avião da Azul. Com a chancela da Embraer.

Twitter

Eleições 2010

A democracia avança

Sidney Borges
Tenho apreço pelo Zé Dirceu. Gosto de quem fala a verdade. Em evento das comemorações dos 30 anos do PT ele disse que o Brasil não quer ser governado novamente por FHC. É verdade. O Brasil não vai votar em FHC. Também não vai votar em Lula que não pode mais ser candidato, embora dê a sensação que ainda não caiu a ficha.

Por enquanto o Brasil parece inclinado a votar em Serra, isso pode mudar. Sempre digo que as pesquisas não mostram a realidade, apenas indicam tendências. Ainda é cedo para dizer quem será o vencedor.

Ontem, conversando com um amigo depois do apagão telefônico que atingiu Ubatuba, expressei meu otimismo. É bom ver a democracia em desenvolvimento e, acreditem, não há um mínimo de ironia nessas palavras. Ganhe Serra ou Dilma, o plano econômico traçado na década de 1990 será seguido à risca. Está funcionando, a economia vai bem, o Brasil cresce a olhos vistos.

Porém, antes de atingirmos o desenvolvimento pleno, há caminhos a percorrer. Educação, infra-estrutura precária e desigualdade são os principais problemas que o novo governo terá pela frente. Nas grandes cidades a violência é o xis da questão.

O Brasil é um modelo a ser seguido e parte considerável do sucesso nacional deve ser creditado ao presidente Lula. Embora o discurso em certos momentos provoque estranheza, as ações são o que importa. Um homem é o que faz, não o que diz. O que Lula faz é reconhecido em Londres e Nova Iorque, templos do neoliberalismo, como atitudes dignas de um estadista.

Mas a democracia pressupõe alternância e Lula, com toda a bagagem adquirida nesse anos de governo vai vestir o pijama. E dar conselhos.

Zé Dirceu não, ele nunca descansa. Pena que não chegou lá, nadou, nadou e morreu na praia. Mas acreditem, Zé Dirceu abomina o neoliberalismo, é contra, tem nojo. Seu único defeito é torcer um pouquinho os fatos...

Twitter

Charge - Amarildo


Original aqui

Campanhas eleitorais

A voz do dono e o dono da voz

Candidatos à Presidência sempre receberam apoio de cantores populares para ganhar prestígio e arrecadar votos

por Marcelo Xavier (original aqui)
O que tinham Isaura Garcia, Elizeth Cardoso, Alvarenga e Ranchinho, Sílvio Caldas, Francisco Alves, Luiz Gonzaga e Aracy de Almeida em comum? Mesmo sendo já conhecidos do grande público e, talvez por causa disto mesmo, grandes nomes da música popular também se envolveram em campanhas eleitorais e foram intérpretes de jingles políticos. Alguns números chegaram a fazer sucesso, e muitos são lembrados até hoje. Umas eram francamente favoráveis a este ou aquele candidato; outras, porém, faziam sátira política sobre nomes ou dos rumos da sucessão presidencial. Para não serem confundidos com os candidatos a quem defendiam e para evitar constrangimentos, muitas vezes eles gravavam as canções protegidos por pseudônimos.

Primórdios — Para a campanha de Júlio Prestes, em 1929, Luís Peixoto, um dos maiores cantores da chamada “Era do Rádio”, e que mais tarde faria sucesso com “No Tabuleiro da Baiana”, trouxe a campanha eleitoral para o disco na música “Não se meta com seu Júlio”, de Heckel Tavares. Na letra, de sua autoria, Peixoto desafiava a sopre de tuba o então candidato da Aliança Liberal, Getúlio Vargas, a tomar cuidado com seu adversário, que à época tinha o apoio dos principais grupos oligárquicos dos estados que o apoiavam. De Rio de Janeiro e São Paulo: Getúlio, Fon, fon fon, fon, você está comendo bola, não se mete com "seu Júlio" que seu Júlio tem escola”. Seu “Júlio” levaria as eleições no bico e no cabresto mas, a três do outubro de 1930, Getúlio Vargas tomaria o poder através de golpe militar.

Em 1937, o jonal A Noite promoveu um concurso para saber quem seria o vencedor no ano seguinte. Carmen Miranda defendia uma das músicas, “Minha Terra Tem Palmeiras”, de João de Barro e Alberto Ribeiro: minha Terra tem um homem, ninguém sabe quem será, minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, ô, que terra boa prá se vadiá”. Mas a vencedora foi “A Menina Presidência”, de Antônio Nássara, interpretada por Sílvio Caldas que, coincidentemente ou não, anteciparia o desfecho eleitoral: "o homem quem será, será seu “Manduba” ou será seu “Vavá, entre esses dois meu coração balança, porque, na hora “H” quem vai ficar é seu Gegê”. Dito e feito: nem José Américo, nem Armando Sales: à 10 de novembro, Vargas anunciou o Estado Novo. Eleição, agora, só dali a oito anos...
Leia mais

Marcelo Xavier
marcelo@rabisco.com.br

Twitter

Clique para ampliar

Opinião

O triste saldo do Enem

Editorial do Estadão
A abstenção de quase 40% dos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, a maior já registrada desde a criação da prova, há 11 anos, é o desdobramento natural da sucessão de equívocos que as autoridades educacionais cometeram a partir do momento em que tentaram converter esse importante mecanismo de avaliação em bandeira política com vistas às eleições de 2010. Dos 4,1 milhões de inscritos, apenas 2,5 milhões fizeram o teste no último fim de semana. Com 1 milhão de inscritos, São Paulo foi o Estado que registrou o maior número de ausentes, com um índice de abstenção de quase 46,9%.

Concebido como um teste optativo e aplicado pela primeira vez em 1998, o Enem sempre gozou de enorme credibilidade no meio estudantil, batendo recordes sucessivos de inscrições.

Segundo o Censo Escolar da Educação Básica, o índice de inscrição no Enem atinge 80% dos estudantes da 3ª série do ensino médio. Enquanto seguiu critérios rigorosamente pedagógicos, a prova foi o principal instrumento de avaliação das escolas públicas e privadas, dando ao Ministério da Educação (MEC) condições de identificar as diferenças entre elas e de tomar as medidas necessárias para reduzi-las.

As coisas começaram a mudar no primeiro semestre deste ano, quando o MEC decidiu reformular o sistema de avaliação, com o objetivo de utilizá-lo como alternativa para os vestibulares e de unificar o processo seletivo nas universidades federais.

Inspirada no modelo educacional dos Estados Unidos, a proposta foi bem recebida pelas instituições de ensino superior. Elas só recomendaram que a mudança fosse feita sem pressa e com planejamento adequado, para não comprometer a excelente imagem do Enem perante os alunos do ensino médio e pôr em risco o calendário das universidades.

As autoridades educacionais, porém, desprezaram a advertência e agiram de modo açodado, procurando persuadir universidades a substituir os vestibulares pelo Enem ainda em 2009. À medida que o MEC implementou o "novo" Enem a toque de caixa, para usá-lo como trunfo político a serviço de um projeto eleitoral, o que se temia aconteceu. Desde o início, houve falhas gritantes de infraestrutura, com o colapso da rede de informática do MEC, que não estava preparada para dar conta do alto número de inscrições pela internet.

Depois, os Correios atrasaram a entrega dos cartões de inscrição. A definição dos locais da prova também gerou problemas, pois muitos candidatos teriam de se deslocar para cidades distantes até 330 quilômetros de suas residências.

A falha maior, no entanto, foi de logística e de segurança, com o vazamento da prova na madrugada de 1º de outubro, dois dias antes de sua realização, quando o Estado publicou reportagem mostrando a tentativa de venda das questões.
Leia mais

Twitter
 
Free counter and web stats