sábado, novembro 14, 2009


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Panorama sombrio

Sexta-feira 13

Sidney Borges
Sobrevivemos a mais uma sexta-feira 13. Hoje vou brindar a isso. Comprei estoque extra de cocazero. Ontem almocei em companhia de um amigo e depois tomei café com outros três. Falamos inicialmente do clima, praxe entre cavalheiros, depois do apagão e das escorregadas midiáticas de ministra Dilma. Carisma, dom misterioso. Lula pode falar o que quiser na hora que quiser. Sempre haverá quem aplauda. Em compensação a ministra consegue torcer narizes até de petistas fanáticos, daqueles que acreditam em tudo.

Depois de revisar o panorama energético, discutir o pré-sal e os preparativos de Chávez para invadir o resto do mundo, acabamos em Ubatuba. É cedo diria o personagem de Nelson Rodrigues, mesmo assim enveredamos pela difícil seara de enumerar possíveis sucessores de E. Cesar. Chegamos a 12. Não aparecia o décimo terceiro para fechar a borboleta.

Afinal de contas o apagão foi provocado por três raios simultâneos que atingiram três pontos distintos em instantes sucessivos. Brutal coincidência. Dilma me fez lembrar de Lamartine Babo; "há uma forte corrente contra você, tome cuidado..."

De repente as núvens abriram passagem e um feixe luminoso de aspecto divino iluminou a cabeça do garçon: onde anda o Tuzino? Claro como água cristalina. Tínhamos esquecido do engenheiro. Fechou o quadro, 13 candidatos em busca do santo graal.

Todos de mesmo perfil ideológico. Dizem querer o bem de Ubatuba. No poder farão o que fizeram Nélio, Zizinho, Paulo Ramos e E. Cesar.

Só há uma pedra no meio do caminho dos postulantes: partidos. Eles precisam de legendas para enfrentar a fé dos eleitores. O quadro das principais agremiações está fechado. Há pelo menos 8 candidatos sem partido. Como diria nosso belicoso vizinho Chávez: a guerra vai começar.

De uma coisa os eleitores podem ter certeza. Ganhe este ou aquele, nada vai mudar. Ubatuba continuará igual. Há risco de piorar...

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Opinião

A teoria do raio e a lei do teflon

Editorial do Estadão
Na sua volta à cena, 40 horas depois do apagão da noite de terça-feira, que atingiu 18 Estados e afetou 60 milhões de pessoas, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que "não se pode politizar uma coisa tão séria para o País". De fato, não se pode. Mas é exatamente isso que o governo vem fazendo. A politização do blecaute, para dissociar o presidente Lula e a sua candidata do acidente que ela considerou "muito desagradável", ficou evidente desde logo no desaparecimento da própria Dilma, para quem o Planalto vinha criando sem cessar oportunidades de exposição, tratando-a como uma espécie de "ministra de tudo" - até do Meio Ambiente, como convém aos novos tempos verdes. A politização ficou evidente também na decisão de culpar uma tempestade pelo ocorrido. E, por fim, na pressa com que o titular de Minas e Energia, Edison Lobão, secundado pela antecessora que o telecomanda, decretou que o caso estava encerrado.

O governo segue religiosamente a lei do teflon: nada que a opinião pública possa perceber como problemático ou perturbador deve aderir à imagem da irrepreensível gestora de um governo aprovado pela maioria esmagadora da população. Para o seu patrono, tudo o mais, incluindo o modo de reagir a imprevistos adversos, tem de se subordinar a esse mandamento. Eis por que Lula e Dilma esperaram por uma ocasião favorável - o lançamento de um plano de ação contra o desmatamento da Amazônia e a revelação de que o abate caiu este ano mais do que em qualquer outro período desde que vem sendo medido - para se manifestar em coro sobre o apagão e explicá-lo pelo imponderável. "A gente não sabe o tamanho do vento, o tamanho da chuva", resignou-se o presidente, depois de lembrar que "Freud dizia" que a humanidade não pode controlar tudo, as intempéries, por exemplo. "Se tem uma coisa que nós humanos não controlamos são as chuvas, raios e ventos", repetiu a ministra.

Pouco importa que subsistam dúvidas consistentes sobre a versão oficial para a causa do blecaute - raios, ventos e chuvas, na região de Itaberá, no Estado de São Paulo, teriam danificado simultaneamente três linhas separadas de transmissão da Hidrelétrica de Itaipu, desencadeando uma reação em cadeia que deixou às escuras boa parte do País. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o principal centro brasileiro de estudos atmosféricos, confirma que, na hora do apagão, uma tempestade com raios se abatia sobre a região de Itaberá. Ressalva, no entanto, que as descargas mais próximas das instalações elétricas caíram a pelo menos 10 quilômetros de distância. Não estivesse o Planalto ansioso para varrer o problema para debaixo do tapete - e prosseguir com a campanha eleitoral antecipada - promoveria a "investigação cabal" sobre o episódio, defendida pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Ainda na remota hipótese de que tudo tenha começado com uma tempestade - e não com uma falha humana ou de equipamento -, o que deixa perplexos os especialistas do setor foi a disseminação do problema. Eles se perguntam por que os efeitos da pane não ficaram confinados à área de origem. "É preciso saber o que aconteceu com os sistemas inteligentes que teriam de isolar um defeito e impedir que a falha de fornecimento se alastrasse", observa o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes. A questão, em outras palavras, é a da vulnerabilidade do sistema elétrico brasileiro. Mas isso aparentemente não inquieta a ministra Dilma Rousseff. Para ela, a segurança da operação é de 95%. Não está claro se o número é força de expressão ou um índice preciso. De todo modo, argumentou, chegar a 100% de segurança obrigaria a população a "pagar uma conta de luz bastante mais gorda". Por isso, "não estamos livres de blecautes".
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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Obra do Rodoanel desaba e fere 3"

Vigas atingiram 3 veículos que passavam pela Régis Bittencourt; projeto é um dos principais da gestão Serra

Três vigas de um viaduto em construção no Rodoanel desabaram por volta das 22h de ontem, atingindo dois carros e um caminhão que passavam pelo km 279 da rodovia Régis Bittencourt, em Embu (SP). Três pessoas que estavam nos veículos feriram-se, uma delas gravemente, e foram levadas a hospitais próximos. O acidente de ontem é o segundo em grande obras do governo paulista desde 2007, quando uma cratera se abriu durante a construção da estação Pinheiros do Metrô e deixou sete mortos. O governador José Serra (PSDB), que foi ao local, disse que faria uma avaliação antes de falar sobre o acidente. “A obra tinha folga para ser inaugurada no prazo. Não estava nem mais depressa nem mais devagar.” O projeto do Rodoanel, de custo estimado em R$ 5 bilhões, é um dos principais da gestão do tucano, pré-candidato à Presidência.

O Estado de São Paulo
"Brasil fixa em até 38,9% meta para redução das emissões"

Objetivo ‘voluntário’ será apresentado na cúpula do clima em Copenhague

O Brasil vai levar à Conferência do Clima de Copenhague, no mês que vem, o compromisso de reduzir entre 36,1% e 38,9% suas emissões de gases que causam aquecimento global. O porcentual é relativo ao que o País emitiria em 2020 se nada fosse feito para alterar o cenário. Na prática, a redução resultará em diminuição de 300 milhões de toneladas de gases de efeito estufa ante o que o País emitiu em 2005. Para atingir o objetivo, o governo fixou como meta reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e do cerrado em 40% até 2020. Além disso, prevê medidas na área de agricultura, energia e siderurgia. O anúncio da meta “voluntária” foi feito ontem pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Para Carlos Minc (Meio Ambiente), a meta brasileira pode “injetar ânimo” na conferência.

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sexta-feira, novembro 13, 2009

Fofa



Caem na rede supostas fotos da Geisy Arruda de biquíni

Do EGO, em São Paulo
Quem quer ver Geisy Arruda, a estudante hostilizada da Uniban, nua em uma revista masculina, já pode sentir um aperitivo de como seria o ensaio. Fotos supostamente da loira usando biquíni foram divulgadas em um fotolog e trazem a mais nova celebridade brasileira em três diferentes looks praianos. Um biquíni em tons de rosa, um preto e branco e outra sainha pink de saída de praia.
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Boxe



Cotto x Pacquiao

Sidney Borges
Pergunta para fãs da nobre arte. Na sua opinião quem vence a luta do ano? Miguel Cotto ou Manny Pacquiao? Antes de fazer considerações sobre as possibilidades dos gentis cavalheiros que estarão no ringue na noite de sábado, 14 de novembro, no MGM Grand, em Las Vegas, vou falar do passado recente.


Primeiro de Pacquiao que começou a carreira de forma incerta, sofrendo vexaminosos nocautes. Suas lutas estão no YouTube, procure, você não vai acreditar.

Persistente, Pac Man, como é conhecido o filipino, aprendeu com as derrotas e tratou de virar o jogo. Tradução: treinamento árduo e contínuo. Hoje, apesar de ser uma das estrelas máximas do pugilismo dá sempre a impressão de que vai levar uma surra. Isso, claro, se você se fixar no porte físico. PAC Man é menor e mais frágil do que os adversários. No entanto, se o enfoque mudar para os olhos o conceito muda. São confiantes, determinados, expressam característica assustadora para adversários. Total alheamento ao entorno. Concentração plena.

Manny Pacquiao é rápido, ou melhor, muito rápido. Houve momentos em suas lutas que só consegui ver os golpes quando a TV mostrou em câmera lenta. Aficionados como eu que acompanho boxe há mais de 40 anos sabem que pugilistas de muita movimentação não costumam pegar forte. Podem até nocautear pelo volume de golpes, mas não é deles decidir pela potência.

A luta de Pacquiao contra Hatton, de cartel pra lá de respeitável, mostrou um Pac Man arrasador. O golpe fatal foi tão rápido e preciso que causou comoção no estádio. Próxima ao ringue a noiva de Hatton viu seu amado inerte sobre a lona e gritou desesperada. O lamento foi tão sentido e verdadeiro que calou milhares de pessoas. No chão, Hatton dormia o sono dos anjos.

De La Hoya escolheu a dedo o aversário. Parecia fácil bater o filipino, menor e aparentemente mais fraco. Quanto arrependimento deve ter passado em sua cabeça nos dois assaltos antes do abandono. Que surra monumental! De La Hoya foi minado, batido em todos os fundamentos. Poucas vezes se viu domínio tão grande sobre o ringue. O Golden Boy parecia barata picada por vespa, sem vontade, pronta a ser conduzida ao túmulo e morrer devorada por larvas vorazes.

No boxe não adianta eficiência no ataque sem defesa correspondente. Pacquiao é rápido, tem boa esquiva, mas também tem queixo duro.

Contra Juan Manuel "Dinamita" Márquez ficou evidente que os nocautes do começo da carreira foram acidentes de percurso. O mexicano tem oxigênio de sobra, parece ter quatro pulmões. Incansável recebe e devolve prontamente os golpes. Todos. Nada é de graça. A primeira luta aconteceu em 2004 e terminou empatada. A segunda valeu título e foi vencida por Pacquiao, em 2007, decisão dividida e contestada no México.

De 2007 para cá a escalada de Pacquiao foi determinante para que hoje ele seja considerado o melhor lutador do mundo. E o seu adversário?

Miguel Cotto é grande, forte e vencedor. Seu boxe é simples, avançar sempre, bater com força e variar bem os golpes. E mostrar muita resistência. Cotto lutou 35 vezes. Perdeu apenas uma para Antonio Margarito, em julho de 2008. Perdeu de forma clara, por nocaute, mas a luta deixou dúvidas no ar. Depois de demolir Cotto, Margarito foi flagrado usando bandagens com gesso antes de enfrentar Shane Mosley. O mundo do boxe questiona o resultado com base nos ferimentos terríveis no rosto de Cotto. Não teriam sido produzidos pelo expediente nada esportivo do mexicano?

Cotto só conheceu o infortúnio depois de nocautear 26 adversários. Derrotas abalam. Sua última luta foi contra Joshua Clottey e teve decisão dividida e contestada. Eu teria dado empate. Nesse combate Cotto foi cauteloso, evitou trocar golpes como fazia antes. Os punhos, ou talvez o gesso dos punhos de Margarito deixaram marcas.

Boxe não é caixinha de surpresas como futebol. Um golpe fortuito pode mudar o panorama de uma luta, já vimos acontecer em mais de uma ocasião, mas geralmente o mais preparado e motivado vence. Se me perguntarem quem vai ter o braço levantado na noite de sábado, respondo: não sei. Sei apenas que se estivesse nas cadeiras de ringue apostaria 100 dólares em Pacquiao. Gosto de apostar apenas no calor das lutas, de longe não tem graça.

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Cachorro de bandido



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Jamais verás...

The Economist: Brasil decolando. Na capa!

Em editorial a tradicional e respeitada revista abre espaço para o Brasil dando um tapinha com luva de seda no comportamento ufanista de nosso presidente. Húrbis? O que seria? Sem familiaridade com o termo consultei o Google e achei uma definição na Wikipédia. Interessante, muito interessante. Até os gringos notaram que o grande feito de Lula foi manter o rumo, isto é, não mexer no que foi construído por FHC. (Sidney Borges)

A húbris ou hybris (emgrego ὕϐρις, "hýbris") é um conceito grego que pode ser traduzido como "tudo que passa da medida; descomedimento" e que atualmente alude a umaconfiança excessiva, um orgulho exagerado, presunção, arrogância ou insolência (originalmente contra os deuses), que com frequência termina sendo punida. Na Antiga Grécia, aludia a um desprezo temerário pelo espaço pessoal alheio, unido à falta de controle sobre os próprios impulsos, sendo um sentimento violento inspirado pelas paixões exageradas, consideradas doenças pelo seu caráter irracional e desequilibrado, e concretamente por Até (a fúria ou o orgulho). Opõe-se à sofrósina, a virtude da prudência, do bom senso e do comedimento.

“E, talvez, este seja o maior perigo que o Brasil enfrenta: a hubris. Lula está certo ao dizer que seu país merece respeito, como ele merece muito da adulação que tanto o agrada. Mas ele é também um presidente de sorte, colhendo o resultado do boom das commodities e governando numa plataforma de crescimento construída por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Manter essa boa perfomance num mundo que enfrenta tempos difíceis significa que o sucessor de Lula terá de tentar resolver alguns problemas que ele fez questão de ignorar. O resultado da eleição pode determinar a velocidade com que o Brasil avança na era pós-Lula. O caminho do Brasil, no entanto, parece definido. Seu salto é ainda mais admirável porque foi dado por meio da reforma e da construção de um consenso democrático. Quem dera a China pudesse dizer o mesmo”. (Do Trem Azul, original aqui)

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Coluna do Celsinho

Intervalo

Celso de Almeida Jr.
Meus amigos...


Imaginem como será o verão.

Esse calor seria indicado para os malvados, àqueles que já têm vaga garantida no subsolo.

Mas para nós, tementes ao Todo Poderoso, francamente, está demais.

Mesmo assim, somos privilegiados, né?

Praias, ilhas, cachoeiras, esse marzão infinito...

Que lugar encantador esse nosso.

Tudo bem...

Eu sei das mazelas, da incompetência, da malandragem, mas, só agora - enquanto durar esse despretensioso artigo - que tal deixar tudo prá lá?

Essa vida curta ocupa muito de nosso tempo com as constatações de nossos pontos fracos.
Isso é certo, afinal, temos direito ao esperneio.


Um futuro promissor depende das correções de rumo que realizarmos hoje.

Entretanto, leitor questionador, dê um tempinho de vez em quando.

Compreenda que toda essa complexa história da humanidade representa um minúsculo momento do universo.

Somos infinitamente pequenos.

Orgulhosos.

Vaidosos.

Verdadeiros chatos.

Vamos lá...

Pés na areia, água de coco, camarão, pois ninguém é de ferro.

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Holocausto

Alfred Hitchcock: Sobre campos de concentração nazistas!

Do Ex-Blog do Cesar Maia
(tecobel) 1. Londres e Washington perceberam que teriam um problema perante a história: alguém, no futuro, tentaria negar que aquilo acontecera. A extensão da crueldade era tamanha - no número de vítimas e no ponto ao qual os nazistas levaram os sobreviventes - que nada parecia, de fato, muito crível. Decidiram produzir um filme. Em Londres, coletaram as cenas filmadas pelas tropas ocidentais nos campos e as puseram nas mãos de Sidney Bernstein, diretor do departamento de propaganda do exército britânico.

2. Quando Bernstein começou a produzir o filme, em maio de 1945, os Aliados ainda não tinham total noção do plano de Solução Final para o problema judaico de Adolf Hitler. Conheciam a crueldade, sabiam do genocídio, mas não tinham ainda levantado todos os documentos que provavam a intenção de eliminar uma etnia. Revisando as imagens que chegavam do continente, o cineasta da propaganda britânica percebeu que o trabalho talvez exigisse mãos mais hábeis que as suas.

3. Lembrou de um amigo dali mesmo de Londres, que durante a Guerra achou por bem se radicar nos EUA. Alfred Hitchcock. Os dois jamais terminaram o filme, batizado "Memória dos Campos", também lembrado como o 'documentário de Hitchcock sobre o Holocausto'. Hitchcock serviu como consultor no processo e orientou a edição. Se preocupou em inserir a maior quantidade possível de planos gerais. Temia que, só mostrando as pessoas de perto, alguém achasse que havia sido montagem.

4. Os planos gerais davam mostras das inacreditáveis montanhas de corpos esqueléticos, nus. Pois é que não há nudez escondida neste filme - nudez de gente viva e de gente morta, seios, sexos à mostra, em corpos cujos rostos por vezes lembram caveiras cobertas por um fino tecido. É um documentário cru, violento, muitas vezes difícil de ver. Os EUA logo abandonaram aquela que deveria ser uma co-produção entre eles e Inglaterra.

5. Alguém, ao ver as primeiras imagens montadas por Hitchcock e Bernstein também decidiu arquivar o projeto. Era duro demais. O mundo não estava preparado para ser exposto a estas imagens de terror. O 'documentário de Hitchcock sobre o Holocausto' terminou esquecido. Em 1985, a rede pública de tevê norte-americana PBS comprou do governo britânico a única cópia conhecida dos originais. As imagens, já editadas, não tinham som. Mas havia um roteiro que a equipe de Bernstein escrevera e texto para narração que acompanhava as imagens. Convidaram o ator Trevor Howard para colocar voz no filme. E o exibiram. Agora está na Internet. Veja em:
http://video.google.com/videoplay?docid=-6076323184217355958&hl=en

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Opinião

Menos pessoas ou mais comida?

Washington Novaes
Qual é hoje a questão central, mais grave, no mundo? A população de 6,8 bilhões, que pode chegar a 9 bilhões em 2050 (ou a 12 bilhões, segundo demógrafos mais pessimistas)? O consumo de recursos e serviços naturais, já quase 30% além da capacidade de reposição do planeta (e que tende a crescer mais)? A fome (mais de 1 bilhão de pessoas) e a pobreza (cerca de 40% da humanidade)?


Há poucos dias, 300 especialistas reunidos em Roma pela Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da ONU, discutiram esta questão central: como produzir o suficiente para alimentar toda a atual população global e mais 35% (pelo menos) que a ela se acrescerão nas próximas décadas. Eles entendem que terras suficientes há, desde que se consiga aumentar muito a produtividade por hectare e se invistam US$ 83 bilhões por ano nos países mais pobres, mais de metade dos quais em mecanização e irrigação; hoje, o nível de investimentos nesses lugares está em US$ 23 bilhões por ano. Isso permitiria aumentar a produção no mundo em 70%. Mas também será necessário mudar a legislação sobre propriedade intelectual de sementes de alimentos, que, segundo eles, "ameaça a pesquisa e a biodiversidade", além de favorecer a manutenção de um mercado oligopolizado de alimentos (três empresas dominam 47% do mercado de sementes comerciais no mundo).

Um exemplo dramático pode ser o da África Subsaariana, hoje com cerca de 800 milhões de pessoas, que serão pelo menos 1,5 bilhão em meados do século. Mais de 200 milhões já passam fome. A produtividade agrícola ali, de 1,2 tonelada por hectare, é menos de metade da média nos demais países pobres, de 3 toneladas por hectare. E só 3% das terras são irrigadas; 80% das propriedades rurais têm menos de 2 hectares. Mas a moeda tem outra face: os pobres africanos (como os asiáticos) emitem 0,1 tonelada de dióxido de carbono por ano, enquanto o norte-americano médio emite cerca de 20 toneladas. Sir Nicholas Stern, consultor do governo britânico, diz que no Brasil a emissão média per capita está entre 11 e 12 toneladas anuais. Aqui, diz a Pnad (Boletim do Ipea, 25/9) que uma pessoas que faça parte do segmento mais rico (1% da população) gasta em três dias o que uma pessoa pobre gasta em um ano; e que no ritmo atual serão necessários mais 20 anos "para chegar a um patamar que possa ser considerado justo".

Vale a pena tomar conhecimento de uma discussão sobre esses temas dos limites globais promovida pela revista New Scientist (26/9) com alguns pensadores respeitados. Fred Pearce, da própria revista, acha que o problema não é população, é consumo excessivo. O biólogo Paul Ehrlich, da Universidade da Califórnia, autor de The Population Bomb, pensa que os 2,3 bilhões de pessoas que nascerão até 2050 afetarão o planeta mais que os últimos 2,3 bilhões, já que a maior parte nascerá nos países mais pobres e terá muito mais necessidades a suprir (Uganda, por exemplo, triplicará sua população de 33 milhões). Para enfrentar a questão será preciso reduzir o consumo das pessoas mais ricas e melhorar muito o sistema educacional e de saúde, dar mais oportunidade de trabalho às mulheres.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Para Dilma, apagão é caso encerrado"

Ministra diz que sistema de energia foi 'inteiramente recuperado', mas afirma que país não está livre de blecautes

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) avaliou que o sistema de energia elétrica foi "inteiramente recuperado" e considerou "encerrado" o assunto apagão, menos de 48 horas após o episódio que atingiu 18 Estados por cerca de três horas. Mais cedo, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) usou o mesmo termo: "Sobre o blecaute, está encerrado". A pré-candidata à Presidência, que anteontem não comentara o caso, disse, no entanto, que o Brasil "não está livre de blecaute." Segundo Dilma, isso só aconteceria com um nível "elevadíssimo" de investimentos no setor elétrico. Para especialistas, a rede de proteção do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) demorou mais que o previsto para agir. Segundo eles, o impacto do apagão foi quatro vezes maior do que poderia ter sido. O ONS contestou a avaliação. O organismo afirmou que o sistema de proteção funcionou corretamente e impediu propagação ainda maior do blecaute.

O Estado de São Paulo
"Dilma admite que Brasil não está livre de novos apagões"

Ministra afasta, porém, risco de racionamento, como ocorreu no governo FHC

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) reapareceu ontem, 40 horas depois do apagão, para comentar o problema. E a presidenciável petista admitiu que o País pode voltar a sofrer cortes de energia: “Nós não estamos livres de blecautes". Ela negou que o governo tenha prometido que não haveria mais apagões, embora, no dia 29 de outubro, Dilma tenha dito que o Brasil estava livre do problema. "O que nós prometemos é que não terá neste País mais racionamento. Racionamento é barbeiragem", atacou a ministra, em referência ao governo FHC e às críticas da oposição. A ministra "lamentou" os transtornos causados pelo apagão, reconhecendo que o episódio foi "muito desagradável". Mas afirmou que não se pode "tentar apresentar ao País uma fragilidade que não existe".

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Acontece em Ubatuba

PARTIDO DOS TRABALHADORES
UBATUBA
SEMINÁRIO

"Água e Esgoto é Saúde. A importância do Plano Municipal de Saneamento"
Data: 13 de novembro de 2009 - Sexta-feira
Horário: 19h
Local: Câmara Municipal de Ubatuba
Rua Hans Staden, n° 467, Centro

Palestrante:
Wilson Santos Rocha – Eng. Civil e consultor do projeto de modernização do setor de Saneamento do Ministério das Cidades e do Banco Mundial.

Debatedores convidados:
Deputados Estaduais Carlinhos de Almeida (PT) e Ana do Carmo (PT).
Denise Maria Elisabeth Formaggia – Engenheira Câmara Técnica de Saneamento (CT-SAN) do CBH-LN
Ministério Público, Prefeitura de Ubatuba, Câmara dos Vereadores, Entidades Civis e Ambientais

Participe, exija seus direitos e ajude a construir um futuro melhor e verdadeiramente "SUSTENTÁVEL" para Ubatuba.

Informações
fone:(12) 9170-7908
mailto:e-mail%3Apt.ubatuba@terra.com.br

quinta-feira, novembro 12, 2009

Charge - Amarildo


Original aqui

Deu em O Estado de S. Paulo

Os outros apagões

De Celso Ming: (original aqui)
Todo apagão cria insegurança. O romano Catulo, no século 1º antes de Cristo, transmitiu assim esse sentimento: "Uma vez apagada a luz, some a confiança (sublata lucerna nulla est fides)."

O problema é que o apagão elétrico, que tanto exacerba o imaginário nacional, não é o maior que vive a sociedade brasileira. O Brasil é hoje um repositório de apagões que, no entanto, não mobilizam a energia nacional como mobiliza o elétrico. E isso é ruim porque mostra a inconsciência com que se lidam os problemas nacionais.

A questão educacional é um apagão à parte. O jovem não obtém preparo no sistema de educação e ensino nem para a vida profissional nem para o exercício de cidadania para o qual é chamado. E isso sobrecarrega as empresas brasileiras com programas de treinamento.

O sistema judiciário é outro problema. Uma simples solução de conflito demora anos e anos, exige depósitos judiciais e cria ainda mais insegurança sobre as regras de jogo na economia.

Quando lembra que "no Brasil até o passado é incerto", o ex-ministro Pedro Malan se refere não só à demora no cumprimento das decisões judiciais e aos esqueletos que se acumulam insepultos, mas também aos critérios ambíguos pelos quais se guiam os magistrados. E há os apagões do sistema meia-boca de saúde e dos dramas diários da nossa segurança pública.

Na área política, eles são incomensuráveis. Há anos se fala em reforma política, em voto distrital, em regras de fidelidade partidária e em financiamento racional de campanha eleitoral.

São projetos que não são votados nunca. E, omissão após omissão, o patrimônio do Estado vai sendo apropriado por interesses privados. Mas, nesse âmbito, o apagão maior é o apagão da oposição, que não tem discurso, não tem projeto, não tem opinião formada sobre nenhum assunto relevante.

O setor de infraestrutura é, por si só, um concentrador de apagões. Os portos brasileiros, por exemplo, estão emperrados pelo atraso, pela burocracia e pela irracionalidade. Os quilômetros de filas de caminhões na rodovia que liga a cidade de Curitiba ao Porto de Paranaguá, a BR-277, são suficientes para dar uma ideia do que é isso.

Há alguns meses, o País ficou à mercê dos controladores de voo, sem que, de lá para cá, nenhuma solução definitiva tenha sido implantada nos nossos aeroportos, há muito ultrapassados. A qualidade das estradas brasileiras é o que é. O sistema de telefonia não faz os investimentos necessários para dotar o Brasil de um serviço moderno de comunicações.

Qualquer um sabe o que são os juros na ponta do crédito. O que é difícil aí é distinguir o que é apagão financeiro e o que não passa de prática de agiotagem pura e simples. Afinal, juros a 240% ao ano, como são impostos pelas empresas administradoras de cartões de crédito, ou os 160% ao ano cobrados no cheque especial, o que são?

E não é preciso dizer o que é a carga tributária no País, o que é a irracionalidade do sistema previdenciário, que hipoteca o futuro do trabalhador e do servidor público, o que são as regras do sistema sindical e trabalhista. Um verso de William Shakespeare diz muita coisa sobre o que aconteceu aqui na noite de terça-feira: "Não há escuridão; há ignorância." Diante de tantos apagões que prevalecem no Brasil, talvez o maior deles seja o apagão da inconsciência.

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Presos animais assassinos de cães


Cão achado durante ação da polícia
Do Portal Terra (original aqui)
Dois donos de restaurantes foram presos, na tarde desta quinta-feira, acusados de vender carne de cachorro para seus clientes no bairro do Bom Retiro, região central de São Paulo.
Os policiais chegaram aos estabelecimentos depois de fecharem um abatedouro que ficava no fundo de uma casa em Suzano, na grande São Paulo. Na ação, que aconteceu na manhã desta quinta-feira, um casal foi preso.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a carne era vendida para uma comunidade oriental e, por animal, eram cobrados de R$ 180 a R$ 220. Os cães seriam recolhidos da rua, mantidos presos para engorda e depois mortos.
A secretaria afirma que a investigação que chegou ao abatedouro começou há cerca de um mês, mas o local já funcionava havia pelo menos três anos. Foram encontrados no prédio um cachorro que seria abatido, duas mesas para abate, um freezer com carnes, ganchos e os corpos de cinco cachorros e dois gatos congelados.
Segundo a SSP, os donos do abatedouro incineravam o que não era aproveitado. A secretaria não soube informar em quais crimes Roberto Moraes, 46 anos, e Roseli Nascimento, 39 anos, e os donos dos restaurantes devem ser acusados.
Nota do Editor - Os autores da barbárie precisam ser punidos para que o exemplo iniba ações do gênero. Orientais que apreciam carne de cachorro devem permanecer no Oriente. Aqui é o Brasil. Fora, chô, área... (Sidney Borges)

Coluna do Mirisola

Jesus Cristo mal acompanhado

"Nehuma calamidade poderia ser comparada à lavagem cerebral hoje praticaa nas assembleias e templos"

Marcelo Mirisola*

Semana retrasada, fiz eu mesmo o itinerário da bala perdida. Fui a própria. Viver no Rio de Janeiro – do ponto de vista do ziguezague - pode ser algo bem divertido.

E já que isso aqui não é um blogue com fundo de oncinha, e eu mesmo não dou muita bola praquilo que as revistas de fofoca chamam de “vida pessoal”, resolvi que não vou falar sobre o lugar onde fui detonado. Nem onde moro ou deixo de morar. Tampouco cobrarei amizade e solidariedade de ninguém (essas coisas não são moeda de troca) e, por fim, desconsiderarei os diagnósticos mais apocalípticos dos médicos e da mulher amada. A conclusão é a seguinte. Se a curva do rio sujo não me diz respeito, não diz respeito a mais ninguém. Vamos aos fatos, portanto.

Faz mais de um mês que quero falar sobre o assunto. A oportunidade sempre me escapava. Uma hora a peça do Marcelo R. Paiva, outra o bangue-bangue no Morro dos Macacos, outra hora o linfoma e mais um pé na bunda. Até que o Apóstolo Estevam e a Bispa Sônia Hernandez reuniram mais de um milhão de otários no Campo de Marte, numa picaretagem chamada “Marcha para Jesus”.
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*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


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Opinião

Leviatã

Demétrio Magnoli (original aqui)
Jornalismo se faz no calor da hora; História, só depois que os eventos adormeceram no leito do passado. No ano louco de 1989, Timothy G. Ash conseguiu a façanha de juntar os dois, no livro Nós, o Povo (Companhia das Letras, 1990). Escrevendo pouco antes da queda do Muro de Berlim, ele traduziu o sentido mais amplo das revoluções que destruíram o "socialismo real".


"Karl Marx jogou com a ambiguidade da expressão alemã burgeliche Gesellschaft, que tanto podia ser traduzida como sociedade civil quanto como sociedade burguesa. Marx (...) nivelou deliberadamente as duas "cidades" da modernidade, os frutos da Revolução Industrial e Francesa, o burguês e o cidadão. (...) O que a maior parte dos movimentos de oposição por toda a Europa central e grande parte do povo que os apoia está realmente dizendo é: Sim, Marx tem razão, as duas coisas estão intimamente ligadas - e nós queremos as duas! Direitos civis e direitos de propriedade, liberdade econômica e liberdade política, independência financeira e independência intelectual, cada um desses termos apoia o outro. De maneira que, sim, queremos ser cidadãos, mas também queremos ser de classe média, no mesmo sentido que a maioria dos cidadãos da metade mais afortunada da Europa é de classe média."

A vaga de triunfalismo que se seguiu à queda do Muro se exprimiu no discurso da "Nova Ordem Mundial", de George H. Bush, e no quase simultâneo, logo célebre, artigo de Francis Fukuyama. A tese do "fim da História" anunciava o "ponto final da evolução ideológica da humanidade" e a "universalização da democracia liberal ocidental". Fukuyama cometia um erro de diagnóstico. Hoje sabemos que também cometeu um erro de prognóstico.

O primeiro erro: o triunfo não foi do "capitalismo liberal", mas de um sistema mais complexo, que denominarei "capitalismo de mercado". No modelo liberal clássico, o Estado cumpre apenas as funções de sentinela da soberania externa, da ordem interna e da santidade da moeda. O capitalismo de mercado é algo bem diverso, que se desenvolveu sob os signos da democracia de massas e do Welfare State. Nos anos 1920, os gastos públicos sociais nos EUA não atingiam 5% do PIB. Hoje tais gastos superam a marca de 20% do PIB - e isso no país que é o ícone do "liberalismo". Como colar o rótulo do liberalismo sobre um sistema no qual os liberais não se reconhecem?

A modernidade é o fruto combinado dos princípios complementares, mas contraditórios, da liberdade e da igualdade. O capitalismo de mercado foi gestado pela concorrência entre o "partido dos liberais" e o "partido dos social-democratas", que se alternam no poder nas democracias de massas. Sob o impacto do movimento operário, os direitos políticos universalizaram-se e inventaram-se os direitos sociais. Tudo isso aconteceu do lado de cá da Cortina de Ferro, pois do outro lado da fronteira geopolítica o sistema soviético proibiu os partidos políticos e estatizou as organizações sindicais.

A fusão do modelo liberal com o programa social-democrata produziu um sistema original, expresso diferenciadamente nos países da Europa Ocidental e da América do Norte. No Manifesto Comunista, Karl Marx concitou à revolução os trabalhadores, que "nada têm a perder, exceto os seus grilhões". O capitalismo de mercado outorgou cidadania política e econômica aos trabalhadores, frustrando a conclamação revolucionária. Ele triunfou em 1989 porque não mais era "liberal" - e os trabalhadores tinham um mundo a perder.

O segundo erro: a História não terminou, pois o espectro do Leviatã se ergue mais uma vez, sob a forma do capitalismo de Estado, e desafia a hegemonia do capitalismo de mercado. A China do poder burocrático de partido único é a expressão mais insinuante do capitalismo de Estado, mas o modelo aparece nas distintas roupagens da Rússia autoritária pós-comunista, da autocracia teocrática do Irã e do regime caudilhista da Venezuela de Hugo Chávez. Em torno desse projeto regressivo se rearticula uma esquerda nostálgica do "socialismo real", mas despojada da bandeira da revolução.

No capitalismo de mercado, uma nítida linha divisória separa as esferas da economia e da política. O capitalismo de Estado reúne as duas esferas, subordinando a elite econômica à elite política e fazendo uma classe privilegiada de grandes empresários orbitar em torno de um Estado que tudo pode. Nada há de verdadeiramente novo nisso: o Japão Meiji, a Itália fascista, a Alemanha nazista e a África do Sul do apartheid estão entre os precursores dos sistemas atuais de capitalismo estatal.

Nacionalismo e autoritarismo são feições inerentes ao capitalismo de Estado. A elite política extrai sua legitimidade de um pacto imaginário com o destino grandioso da nação. A promessa de potência serve-lhe de ferramenta para calar ou eliminar a oposição, que é figurada como representação do interesse estrangeiro. A vida política impregna-se de um ácido corrosivo, que consiste na identificação da voz dissonante com a quinta-coluna. Como a liberdade não pode ser fracionada, o capitalismo de Estado opera pela restrição tanto dos direitos econômicos quanto dos direitos políticos.

Há pouco, nesta página, Fernando Henrique Cardoso ofereceu um esboço do bloco de poder organizado em torno do lulismo. No seu desenho, destaca-se o tripé constituído por um Estado esvaziado de sentido público, empresas estatais capturadas por uma máquina partidária e empresas semiprivadas geridas por alianças entre grandes empresários e fundos de pensão sob controle de sindicalistas. Eis aí o estágio embrionário de um capitalismo de Estado brasileiro.

Nas eleições de 2006 Geraldo Alckmin foi desafiado a defender o capitalismo de mercado. Ele se fez de desentendido e, no lugar do confronto de ideias, ofereceu uma rendição sem combate ao discurso do capitalismo de Estado. Lula e sua candidata reeditarão o desafio em 2010.

Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.
demetrio.magnoli@terra.com.br

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Temporal causou apagão, diz governo"

Ministro culpa 'descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes'; especialistas contestam. Falta de energia afetou 18 Estados, não nove Estados e o DF, como informava a 1ª versão oficial

O governo atribuiu a um temporal a responsabilidade pelo apagão mais abrangente do país, que deixou sem energia elétrica moradores de 18 Estados e do Distrito Federal entre a noite de terça e a madrugada de ontem. As primeiras informações oficiais falavam em nove Estados afetados. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, "descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes" causaram um curto-circuito que desativou três linhas de transmissão de Itaipu. A usina foi totalmente desligada pela primeira vez. O governo afirmou que o apagão, em termos de perda de energia (46% da geração), foi menor que o de março de 1999, na gestão Fernando Henrique Cardoso, que atingiu dez Estados e o Distrito Federal (perda de 70%). O presidente Lula tratou o episódio como um "incidente". O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ligado ao governo, diz ser baixa a possibilidade de descarga elétrica ou chuvas fortes terem provocado o blecaute e aponta possível falha no sistema. Especialistas contestam a explicação oficial e vêem má gestão.

O Estado de São Paulo
"Governo atribui apagão a raios; para especialistas, rede é frágil"

Blecaute que afetou 18 Estados, o maior em 10 anos, mostra sistema vulnerável a 'efeito dominó'

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse ontem que raios, ventos e chuvas fortes em Itaberá (SP), onde fica uma subestação de Furnas, são a provável causa do maior apagão no País em dez anos. O blecaute atingiu 18 Estados por até quatro horas na noite de terça. Lobão negou falta de investimento, afirmando que o sistema é “de muito boa qualidade" - e o PT acusou a oposição de tentar criar “factoide” com o caso. O apagão afetou mais pessoas do que o último grande incidente do setor, em 1999, durante o governo FHC. Para especialistas, essa extensão expôs a fragilidade de um sistema quase totalmente dependente de geração hidrelétrica e vulnerável ao "efeito dominó". Mas eles destacaram que a rede mostrou, agora, maior agilidade para o restabelecimento da energia.

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quarta-feira, novembro 11, 2009

E-mails à redação

Faz me rir

Eng. Guaracy Fontes Monteiro Filho.
Hoje um passarinho me contou, que um grupo de sonhadores, ligados a Associação Comercial de Ubatuba, estariam se articulando, para "PEGAR" o diretório do meu amigo TATO. Esses bobões , não conhecem a palavra LEALDADE , desconhecem que o PTB de São Paulo, foi forjado com o timbre do Deputado Campos Machado, homem probo, integro e justo. Me permitam contar um historinha. Um pouco antes das eleições de 2008, o Deputado Gil Arantes, pediu um encontro com o Deputado Campos Machado; levou para essa reunião a tiracolo, o Prefeito Eduardo Cezar. Começou o encontro, tecendo rasgados elogios a um tal de "Julião"; o Julião e´isso, o Julião e´aquilo, acabou pedindo o diretório do PTB de Ubatuba, para esse tal de Julião, e para combinar com o som, levou um sonoro NÃO. Alias, vou contar um segredinho, que não iria revelar agora, mas diante dos fatos, vou contar. Recebí na ultima sexta feira, por volta das 19 horas, um telefonema do Deputado Campos Machado, convidan do o TATO, para ser o CORDENADOR REGIONAL DO PTB DO LITORAL NORTE, transformando o diretório de Ubatuba, em escritório regional do partido, e mais, convidando o TATO, a ser candidato a deputado em 2010, inclusive podendo contar com seu apoio politico e material. Assim, recomendo a esses sonhadores, que sentem na muretinha da praia do cruzeiro, e fiquem la´, contando os cachoros sarnentos que habitam o local. Este tipo de situação, so´aumenta a nossa garra, no sentido de denunciar as mazelas desta triste gestão, que assola Ubatuba.

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Quem diria?

Há duas semanas, Dilma garantiu o fim dos apagões elétricos

''Nós também temos uma outra certeza, é que nós hoje voltamos a fazer planejamento", afirmou a ministra

Do estadao.com.br (original aqui)
SÃO PAULO - Há duas semanas, durante o programa de rádio 'Bom Dia, Ministro', a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou que a construção de novas usinas hidrelétricas garantiria o fim dos apagões no País: "Nós também temos uma outra certeza, que não vai ter apagão, é que nós hoje voltamos a fazer planejamento".

Desde 2001, o Brasil construiu sete novas hidrelétricas e tem outras sete em construção. "A gente não pode parar de construir usinas hidrelétricas, usinas térmicas, usinas eólicas, enfim, todas as fontes de preferência renováveis, para garantir que o Brasil não tenha apagão", disse a ministra.

O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), ironizou nesta quarta-feira a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por comentários que ela teria feito sobre o sistema elétrico brasileiro. Segundo Aníbal, "há dias atrás", Dilma teria dito: "apagão no País? nem morta".

O tucano criticou as justificativas apresentadas até o momento pelo governo para explicar o blecaute ocorrido na noite de ontem, que atingiu 12 Estados e boa parte do Paraguai. "Não foram questões climáticas não, tem alguma coisa a mais", afirmou o parlamentar.


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Energia

Blecaute tira Angra 1 e Angra 2 do Sistema Interligado Nacional

Eletronuclear
O blecaute ocorrido às 22h13min do dia 10/11/2009 provocou o desligamento do sistema de energia que abastece as usinas nucleares de Angra dos Reis. Como é previsto nas medidas de segurança da Central Nuclear, os reatores de Angra 1 e Angra 2 foram desligados automaticamente e as usinas desconectadas do Sistema Interligado Nacional - SIN.

A interligação da Central Nuclear ao sistema elétrico é feita por linhas de transmissão em 500kV para as subestações de Tijuco Preto (SP) , São José (RJ) e Adrianópolis (RJ). Uma outra interligação em 138 kV existe para alimentar os sistemas das usinas, sendo vital para o seu funcionamento.

Com a falta de energia elétrica externa, os geradores diesel de emergência das usinas foram acionados para operar automaticamente atendendo os sistemas de segurança das Unidades. As bombas que refrigeram o reator nuclear (sistema primário) foram desligadas e a refrigeração passou a ser feita através da circulação natural, condição incomum de operação. Por esse motivo, foi decretado, às 22h15min, o estado de Evento Não Usual (ENU) nas duas unidades. Às 23h15, a falta de previsão de retorno do abastecimento externo de energia levou a Eletronuclear, por precaução, a evoluir a classificação da situação para o estado de Alerta.

Com o restabelecimento da linha de 138 kV, a classificação da situação regrediu para Evento Não Usual às 00h36min em Angra 1 e às 00h55min em Angra 2. Esta condição perdurou até o retorno do abastecimento pela linha de 500 kV, o que permitiu o religamento das bombas de refrigeração dos reatores. O ENU foi encerrado às 02h05min em Angra 1 e às 04h10min em Angra 2.

O retorno das duas usinas ao Sistema Interligado Nacional está previsto para ocorrer ainda hoje, após a execução de todos os testes determinados pelos procedimentos de segurança em casos de desligamento não programado.

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Apagão

Alô, Samek, o que aconteceu? Porque ficamos no escuro

Ricardo Kotscho no Balaio do Kotscho (original aqui)
A exemplo do que deve ter acontecido em milhões de casas de brasileiros de 12 Estados e do Distrito Federal, quando tudo apagou e o mundo escureceu, às 22:15 desta terça-feira, começamos a ligar para os parentes mais próximos querendo saber onde cada um estava, com a inevitável pergunta: o que será que aconteceu?

Eu também queria saber. Nestas horas, todo mundo corre para a internet, mas demorou para que aparecessem as primeiras informações, ainda truncadas.

Choveram palpites de todo lado. Lembrei-me então de um velho amigo, o Jorge Samek, que poderia ter a resposta mais correta.

Tenho seu celular, mas achei que seria impossível falar com ele nesta hora.

Tentei a primeira vez, não consegui. Na segunda tentativa, pouco antes das 11 da noite, o próprio atendeu. “Alô, Samek, o que aconteceu?”, fui logo perguntando, sem mesmo dar-lhe boa noite. Solícito como sempre, ele me deu as informações mais importantes que eu precisava, que imeditamente repassei à redação do iG.

Jorge Samek, como agora todos sabem, vem a ser o presidente da Itaipu Binacional, cargo que ocupa desde o início do governo Lula. No olho do furacão, à frente da maior empresa de geração de energia do continente, o amigo parecia mais tranquilo do que eu poderia imaginar.

Em resumo, ele me contou que as cinco linhas de transmissão de Furnas foram saindo do ar num efeito dominó, o que desligou automaticamente as 20 turbinas de Itaipu, que geram 14 mil megawatts. Sem ter a quem entregar a energia gerada, as turbinas simplesmente pararam de produzir.

Já naquele momento, ele me disse que ventos ou raios devem ter provocado danos em alguma linha de transmissão e, como o sistema é interligado, uma após outra elas deixaram de levar a energia de Itaipu para boa parte do país. Mais não lhe perguntei para não atrapalhar seu trabalho.

Enquanto eu falava com ele, minha mulher foi repassando as informações para as filhas. Em seguida, liguei para a chefia da redação. Como a bateria do celular já estava acabando, nada mais me restava fazer a não ser ir dormir com a boa sensação do dever cumprido, sabendo o que aconteceu. Foi mais um dia ganho honestamente, como costumo dizer à minha mulher ao final de cada jornada.

De manhã, ao acordar, a luz já tinha voltado, tudo funcionava normalmente aqui em casa e, penso, no resto do país. O susto foi grande, mas as soluções seriam logo encontradas, antes que a urubuzada saísse da toca para festejar mais uma crise do fim do mundo.

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Apagão

Ninguém assume culpa pelo blecaute

Bruno Villas Bôas (original aqui)
O ministro Edison Lobão culpou o mau tempo pelo blecaute, mas meteorologistas descartam essa hipótese. A Aneel culpou o desligamento de Itaipu, mas a usina disse que o problema foi na transmissão de Furnas ou pane no sistema interligado nacional. Furnas disse que não existe qualquer dano na linha de transmissão. Resta saber o que o Operador Nacional do Sistema (ONS) vai dizer. O ONS divulga nota em breve.

Nota do Editor - Logo a verdade virá à tona. O governo trabalha com duas possibilidades. A primeira, ainda sem confirmação, gira em torno de extraterrestres. Discos voadores. Houve aumento de avistamentos no Planalto Central. O ex-ministro Luiz Gushiken e o ex-assessor do ex-ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, conhecidos internacionalmente como autoridades em objetos voadores não identificados, não descartam a possibilidade. A outra causa parece óbvia. Coisa de FHC e dos tucanos. A oposição está sem rumo. A desenvoltura e o carisma da candidata de Lula, Dilma Rousseff, é de tirar o fôlego. Madonna que cuide bem de Jesus... (Sidney Borges)

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15 minutos

"Playboy" quer Geisy Arruda e Alinne Moraes

Da Folha Online (original aqui)

Se depender de Edson Aran, diretor de redação da "Playboy", Geisy Arruda e Alinne Moraes estarão na capa da revista de nudez. "Para sair na 'Playboy' a mulher precisa ser gostosa e ter notoriedade", disse ele. Geisy, que causou polêmica ao usar um microvestido na faculdade, também está nos planos da "Sexy". Já Alinne é sonho antigo da "Playboy". "Paqueramos ela faz tempo."

Nota do Editor - Só não uso a expessão matar a cobra e mostrar o pau porque soaria estranho em um blog que leva víbora no título. Desde o momento em que vi a "princesa" desfilando com seu vestido diáfano, esvoaçante e vermelho, pensei: vai aparecer na Playboy. Imagino não ter sido o único, é provável ter tido a companhia da torcida do Corinthians. A diferença e que a Fiel não escreve. Rssss. (Sidney Borges)

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Opinião

Hitler, o Pateta e a eleição federal

José Nêumanne
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pertence a uma geração acostumada a lidar com duas mães de desafetos - a santa, veneranda dona de casa a cuidar do lar, e a suja, palavrão disparado no meio de uma ofensa para responder a outra. Em Garanhuns, Santos e São Bernardo do Campo, na escola da vida, entregando roupas numa tinturaria, praticando no torno e, sobretudo, nas lides sindicais e políticas, ele aprendeu a distinguir o ícone da Madona, em que se emolduram as mães, do insulto infame reservado ao oponente numa discussão de botequim. Seu antecessor, que um dia apoiou para o Senado na luta comum contra a ditadura, Fernando Henrique Cardoso, figura de ponta do partido que se opõe ao ex-dirigente sindical, deve levar em conta essa distinção e não interpretar como uma ofensa imperdoável Sua Insolência ter comparado seus correligionários tucanos com a mais abjeta figura da cena política internacional no século 20: o cabo austríaco do Exército alemão derrotado na Grande Guerra Mundial, Adolf Hitler. Assim como as mães, os vultos históricos têm duas abordagens: a histórica e a retórica. E é o caso do mais xingado de todos eles.


Quando Lula comparou, num de seus intermináveis palpites mais infelizes que o do samba de Noel Rosa, os cabos eleitorais tucanos com os esbirros nazistas, só quis provocar os adversários do PSDB. E não pisar mais uma vez no calo histórico das vítimas do holocausto judeu. Hitler matou 6 milhões de judeus em campos de concentração e não há um só súdito da República lulo-petista ameaçado por algum oposicionista genocida no Nordeste ou em qualquer outra parte do universo. Os governistas nordestinos, paulistas, capixabas ou os demais brasileiros podem ser surpreendidos por assaltantes sem bandeira partidária, mas jamais por investidas de uma polícia política brutal e sanguinária farejando em porões e outros lugares onde se escondiam os inimigos do 3º Reich. O único problema com a parábola presidencial é que ela, mesmo sem querer - e no caso não se pode apelar para a presunção da inocência, pois Sua Insolência é reincidente -, mexeu com os brios de uma raça perseguida com esse seu leviano hábito de recorrer a ênfases sem nexo. Ao comparar uma rotina de campanha política com um massacre desumano, Lula ofendeu menos os cabos eleitorais inimigos que os judeus perseguidos. Assim como o fizera antes ao demonstrar um súbito afeto exagerado pelo persa (e não árabe) Ahmadinejad, que nega a ocorrência do holocausto, confundiu uma tragédia universal com um incômodo político corriqueiro apenas para levar uma absurda, desnecessária e duvidosa vantagem retórica.

Jesus Cristo, o profeta galileu recentemente vitimado por uma dessas tentativas de misturar ignorância com insolência, em vez de fazer um pacto pela governabilidade com Judas Iscariotes, o delator, como Lula sugeriu, aconselharia às vítimas da nova patacoada presidencial algo semelhante ao que pediu ao Pai, na cruz: "Perdoai-o, ele não sabe o que diz." O Hitler da invectiva lulista não é o assassino serial por excelência forjado na miséria, na raiva e na frustração alemãs pela derrota na guerra, mas uma espécie de Judas a malhar não apenas no Sábado de Aleluia, mas ao longo de toda uma campanha eleitoral.

Com sua bondade infinita, o judeu assassinado pelos romanos a pedido da cúpula do clero de seu povo certamente aproveitaria a ocasião para tentar corrigir o erro capital dos antagonistas de Lula, aproveitando-se de um diagnóstico certeiro produzido pela candidata oficial, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na mesma ocasião em que o presidente confundiu Jesus com Genésio, como se diz no Nordeste. Sem o jogo de cintura, a manha, o talento nem o prestígio popular do chefe e padrinho, ao qual se agarra como qualquer náufrago em potencial tentando não afundar, ela acusou seus adversários corretamente de "excesso de vaidade e de completa falta de rumo". Em outras palavras, "eles não sabem o que fazer".
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Apagão atinge 9 Estados e DF"

Blecaute leva caos ao trânsito e afeta hospitais e transportes. Pane na transmissão parou usina de Itaipu, afirma governo

Um blecaute iniciado às 22h13 de ontem deixou pelo menos nove Estados (São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Pernambuco) e o Distrito Federal sem luz, total ou parcialmente, durante mais de duas horas. O apagão levou caos ao trânsito e afetou hospitais, transportes públicos e serviços telefônicos. O problema, não solucionado até a 1h15 de hoje, teria sido originado por uma falha no sistema de transmissão de Furnas, que parou a usina de Itaipu e fez com que faltasse luz até no Paraguai. "Houve um desligamento completo de Itaipu", disse o ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Até o fechamento desta edição, o governo federal não conseguira determinar as causas do blecaute. Para Jorge Samek, diretor-geral de Itaipu, um tufão pode ter derrubado torres de transmissão de Furnas e prejudicado a distribuição de energia da usina. Em 11 de março de 1999, problemas nas linhas que levam eletricidade de Itaipu para o Sul e o Sudeste provocaram um apagão que atingiu pelo menos 76 milhões de pessoas no país.

O Estado de São Paulo
"Senado paga bônus a servidor via ato secreto"

Manobra que faz funcionário subir de patamar e ganhar gratificação já custou R$ 20 milhões

O Senado ainda não publicou um ato secreto que criou gratificação para funcionários. Pelo menos R$ 20 milhões foram gastos, nos últimos seis anos, com o bônus autorizado pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDBAP), e a Mesa Diretora. Identificada pelo Tribunal de Contas da União, a manobra permite que, ao ser indicado a um cargo de chefia, um servidor de nível médio (técnico legislativo) receba, além da função comissionada de R$ 2 mil referente ao cargo, o salário de final de carreira de nível superior, o analista legislativo. Ou seja, ele pula de patamar de uma hora para outra. Pelo menos 61 chefes de gabinete e 54 diretores de secretarias e subsecretarias são beneficiados pela medida, com vencimentos que superam 20 mil, mais do que os R$ 16,5 mil pagos aos senadores. A existência dos atos secretos foi revelada pelo Estado em 10 de junho.

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terça-feira, novembro 10, 2009


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Frases

"Talvez o Brasil seja um dos poucos países onde estudar seja considerado defeito".

Carlos Brickmann

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Homenzinhos verdes?

Vaticano questiona possível existência de vida extraterrestre

Do Portal Terra (original aqui)
O Vaticano levantou a questão da possibilidade de existência de uma forma de vida extraterrestre, durante seminário sobre astrobiologia de quatro dias, encerrado neste 10 novembro, durante o qual um dos participantes expressou a convicção de que uma tal descoberta estava relativamente próxima.

"Mesmo se não encontrarmos vida, as pesquisas nos ensinam coisas importantes e úteis sobre nosso mundo" com "implicações filosóficas e teológicas", explicou à imprensa o diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, José Gabriel Funes, nesta terça-feira, ao final do seminário.

O debate, organizado por ocasião do Ano Internacional da Astronomia, reuniu a convite da Academia pontifical de Ciências, 30 cientistas, astrólogos, biólogos, físicos, geólogos e químicos.
Os convidados eram "especialistas em seu campo" e "não lhes pedimos certidão de batismo", disse o padre Funes, preocupado em mostrar a abertura de espírito da Igreja a respeito.


O Padre Chris Impey, astrônomo da Universidade do Arizona, se disse certo de que "em alguns anos - 5, 10, ou muito mais - serão encontradas formas de vida no universo, seja no sistema solar ou fora dele".

Para apoiar suas ideias, ele destacou que o universo é feito "de carbono, água e energia" e que "o cosmos" está cheio dessas substâncias. Também destacou que "progressos incríveis foram feitos na pesquisa sobre os planetas": foi apenas "em 1995, que encontramos o primeiro planeta fora do sistema solar" e, agora, "conhecemos mais de 400".

O padre Funes, jesuíta argentino, se disse "um pouco mais cético" sobre a possibilidade de se descobrir rapidamente outras formas de vida. Em maio de 2008, havia sido menos reservado: acreditar em Deus é compatível com a crença nos extraterrestres, havia dito, então, considerando mesmo a existência de um planeta habitado por seres que não teriam cometido o pecado original.

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Medo

As dez fobias mais esquisitas do planeta

por Paula Carvalho (original aqui)
Gente com medo de chulé, de legumes, de umbigo, de beijo ou - acredite! - com pavor até de mulher bonita! Está na hora de conhecer as paúras mais estranhas que existem. E aí, vai ler ou tá com medo?

10. Bromidrofobia
Medo de quê - Odores do corpo
Ok, ninguém em sã consciência gosta de ter cecê ou chulé, cuidando da higiene pessoal para não exalar esses odores pelo corpo. Só que é quase impossível não rolar um bodunzinho ou outro de vez em quando, né? Pois é esse o pavor de quem sofre de bromidrofobia. Os "zé-limpinhos" tomam vários banhos por dia e, de tanta esfregação, chegam a ficar com a pele machucada. O medo de cheirar mal pode ser tão grande que muitos evitam qualquer atividade que gere transpiração.

9. Caetofobia
Medo de quê - Pelos e cabelos
O ator Tony Ramos e o guitarrista Slash são o maior pesadelo de quem tem caetofobia. É que eles morrem de medo de pessoas muito peludas ou com uma baita cabeleira. Em geral, os "caetofóbicos" cortam o cabelo bem curtinho ou até raspam a cabeça. Alguns chegam a contratar alguém só para lavar seu cabelo e não ter que tocar na "coisa peluda"! No outro extremo, estão as vítimas de falacrofobia, o temor de ficar careca - aliás, o que seria o paraíso para os "caetofóbicos"...

8. Deipnofobia
Medo de quê - Jantar em família ou com amigos
Para as pessoas com deipnofobia, basta sentar à mesa para uma singela refeição e está pronto o cenário do terror: elas aprontam o maior suador, sentem falta de ar e são tomadas por uma sensação de impotência. É que elas enxergam um jantarzinho como uma terrível ameaça, que trará à tona conflitos emocionais não resolvidos. A britânica Karen Tate, por exemplo, sempre tem um ataque de pânico quando vai a um restaurante com amigos, e não vê a hora de sair do lugar. Poderia aproveitar para não pagar a conta!

7. Eisoptrofobia
Medo de quê - Espelhos e de se olhar no espelho
Em geral, a eisoptrofobia, ou medo de espelhos, está ligada ao temor diante do sobrenatural. As pessoas temem ver no reflexo do espelho fantasmas e outros seres. Superstições ligadas a esse objeto (como a crença de que quebrar um espelho dá sete anos de azar) também ajudam a aumentar a paranoia. Até mesmo a própria imagem da pessoa pode causar terror por se tratar de algo "não humano". A atriz Pamela Anderson é uma das pessoas que preferem sacrificar a vaidade a encarar um "espelho, espelho mau".

6. Hipopotomonstrosesquipedaliofobia
Medo de quê - Palavras grandes
O próprio nome desta fobia - o palavrão gigante acima - já obriga quem sofre do distúrbio a confrontar seu medo: um temor irracional de palavras longas ou de uso pouco comum, como termos técnicos e médicos (por exemplo, linfangioleiomiomatose). Elas também evitam mencionar palavras estranhas ao vocabulário coloquial. Segundo os especialistas, essapaúra surge do medo de pronunciar a palavra de forma incorreta e, por isso, cair no ridículo.

5. Onfalofobia
Medo de quê - Umbigos
Nunca encoste no umbigo de quem sofre de onfalofobia, pois o cara pode ter o maior ataque nervoso. Na verdade, essas pessoas também ficam nervosas só de ver um umbigo. Quando a coisa rola com mulheres grávidas, é ainda pior. É que elas têm o maior pavor de que seu umbigo cresça demais ou fique com o formato conhecido como couve-flor. Algumas mães chegam a tapar o umbigo dos bebês com curativos para não ver a "criatura".

4. Lachanofobia
Medo de quê - Vegetais
Cenouras, amoras, abobrinhas. Vegetais "assassinos" como esses são os algozes de quem tem lachanofobia. A forma incomoda, a cor não agrada, a textura causa aversão e o cheiro, náuseas. Em geral, a pessoa tem medo de algum vegetal em particular. Um jovem americano, por exemplo, tinha pavor de pêssegos. Certo dia, ao entrar no chuveiro da casa da namorada e ver a imagem da fruta no rótulo de um xampu, deu o maior chilique e saiu correndo da casa...

3. Automatonofobia
Medo de quê - Autômatos e bonecos de cera
Autômatos, como bonecos de ventríloquo, são artefatos que simulam ações humanas. Mas não para pessoas que têm automatonofobia. Para elas, inocentes bonequinhos de parque de diversões são verdadeiros monstros. A visão de algo que imita seres humanos causa tremedeiras, choro e paralisia. O "machão" Hugh Jackman, o Wolverine de X-Men, já admitiu morrer de medo do Chuckie, o brinquedo "assassino". Só não contem isso para o Prof. Xavier!

2. Filemafobia
Medo de quê - Beijar
Não há Cupido que ajude. Para quem tem filemafobia, um simples beijo é sinônimo de pesadelo. A pessoa sente enjoos e fica com a boca seca e as mãos trêmulas. Em casos mais graves, chega a ter um ataque de pânico. Não rola nem beijo na bochecha a amigos e familiares. Para os estudiosos, esse transtorno está ligado a outro, a filofobia, o medo de se apaixonar. Ele também é fruto do temor de possíveis ações subsequentes ao beijo, como fazer sexo.

1. Caligenefobia
Medo de quê - Mulheres bonitas
Também conhecido por venustrafobia, esse é o pavor sentido por alguns homens quando têm que interagir com - ui, que meda! - uma mulher bonita! Os caras sentem falta de ar, arritmia e muitos até vomitam. O bizarro terror de beldades é tamanho que alguns sujeitos até abandonam o emprego se tiver alguma gata no trabalho. Como forma de tratamento, o "coitado" é exposto a fotos e vídeos de mulheres bonitas, como Gisele Bündchen. Depois, ainda precisa encarar umas gatas em carne e osso. Ô problemão...

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Brasil

Patrulharam Caetano, de novo

Sérgio Malbergier (original aqui)
20 anos depois da queda do Muro de Berlim, a esquerda volta a patrulhar Caetano Veloso.
Se na ditadura lhe cobravam posição, agora o atacam por tê-la.


Caetano revelou-se dos poucos machos políticos dessa era Super Lula. Na semana passada, corajoso, chamou Lula de "analfabeto" e "grosseiro" após ser questionado sobre as eleições presidenciais de 2010:

"Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela [Marina Silva]. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro."

No, digamos, subperonismo que nos encontramos, são raros os políticos que questionam Lula e seus 70%. Os artistas, então, viciados em Petrobras, Eletrobrás, isenções fiscais e vales culturais, ou se calam ou bajulam. Só sobrou a imprensa independente, que por isso é acusada de partidária, e Caetano Veloso.

Mas Lula não aceita (mais) desaforo. Do pedestal que a história lhe ergueu, acima de tudo e todos, parte sempre para o ataque.

Falando em festa do PC do B em São Paulo, no mesmo discurso em que comparou táticas do PSDB às de Hitler, Lula, o aliado de Ahmadinejad, disparou contra Caetano:

"Tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de escolaridade que você teve. Não tem nada mais burro que isso. A universidade te dá conhecimento. Inteligência é outra coisa", disse o petista, acrescentando, com o seu tom cada vez mais vingador do futuro:

"Quem diz o que quer ouve o que não quer".

Mas Caetano, que não disse o que Lula disse que ele disse, não se intimidou. Respondeu ao presidente, com elegância, um dia depois, em show em São Paulo.

Disse à plateia que a semana havia sido marcada pela morte de duas grandes personalidades, Neguinho do Samba, fundador do Olodum, e o antropólogo judeu-francês Claude Lévi-Strauss.

Disse que, apesar de todos os títulos e cadeiras acadêmicas de Lévi-Strauss, Neguinho do Samba, sem quase estudo, foi mais importante para ele e tanta gente brasileira por ter inventado a seminal batida do Olodum, depois espalhada por Paul Simon e Michael Jackson.

(Aproveitou ainda para reclamar, com razão, que ninguém da imprensa o ligou para falar de Neguinho do Samba, enquanto foi muito procurado para comentar sobre o antropólogo. Pelo menos a crítica à imprensa o une a Lula.)

A música é a grande arte do Brasil, e a mais popular, tanto na fonte criadora como no consumo.

Caetano é o mais inventivo de nossos músicos vivos, o mais inquieto, inteligente, corajoso.

Devemos ouvi-lo, agora roqueiro, com um power trio de sonoridade máxima.

Seu show está muito bem calibrado, com revisitas marcantes a clássicos como "Irene", "Não Identificado", "Maria Bethânia". Que me fizeram lembrar que Caetano poderia ter talvez reivindicado, como muitos dos patrulheiros petistas, uma Bolsa Ditadura por ter se exilado em Londres na ditadura militar, em pleno sucesso.

Mas o genial Caetano quer cantar, quer opinar. E seu espírito inquieto bate de frente com esse quase autoritarismo popular.

O rolo compressor lulista está pronto para esmagar toda voz dissonante que questione o governo, seus feitos, seus planos e sua retórica. Os políticos estão com medo, calados, o povo, extasiado com os carros e lavadoras no crediário.

Mas Caetano falou. E foi aplaudido de pé em Moema.


Por isso ele canta, não pode parar.


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