sábado, novembro 07, 2009

Fábulas tupiniquins

Caetano, Lula, banqueiros e o escambáu...

Sidney Borges
Sai de casa para a tradicional caminhada matinal. Encontrei minha ex-faxineira. Mudou de profissão. É cabeleireira. Comprou uma moto com a ajuda do governo, abriu um salão de beleza e melhorou de vida. Fiquei feliz por ela, é empreendedora e tem sorte de ter nascido no Brasil, país capitalista que permite mobilidade social. Espero que enriqueça e convide o ex-patrão para festas regadas a champanhe de primeira. É bom ter amigos ricos. E generosos.

Continuei caminhado. Encontrei outro amigo, viver em cidade pequena é assim, tropeçamos em amigos. Fui convidado a visitar o Saco da Ribeira. Enquanto o amigo tratava de negócios fiquei perambulando pelo pier. Um iate dominava a visão, branco, enorme, majestoso. Ao me ver em contemplação extasiada um marinheiro, amigo de longa data, disse que o dono é banqueiro. Com jeitão de quem não quer nada cheguei perto. No deck duas louras com biquinis de onça passavam bronzeador nas costas do ricaço. Do salão emanava o som de Caetano Veloso: "mi cocodrilo verde".

Sol forte, uma sombra, por favor, uma sombra. E se possível água fresca. Nem falo de rede e da morena pro cafuné. Entrei em um bar, pedi cocazero, um de meus três vícios. Os outros são paçoquinha e uva passa. Sentei-me e fiquei matutando sobre a vida. Parece que vivemos no paraíso. Estão todos satisfeitos no Brasil varonil. Pobres melhoram de vida e deixam de ser pobres. De acordo com as estatísticas são classe média. Ricos continuam enriquecendo como nunca d'antes nestes quartéis que não são de Abrantes. Caetano Veloso canta cada dia melhor e é chamado a opinar sobre tudo, de antropologia a entomologia, passando por economia.

O progresso que assola esta nação abençoada por Deus e bonita por natureza é tamanho que chegou aos assaltantes. Ontem um "comando de desapropriação" atacou carros fortes em plena rodovia Anhangüera, parando o trânsito e levando 5 milhões. Usaram armas moderníssimas. Canhões com mira laser e acesso à internet no celular acoplado. Morreu um cidadão que teve o azar de estar em lugar errado em hora errada. O relato dos jornais parece filme de Hollywood. O mundo se curva à genialidade.

Espero sinceramente que a bonança perdure. Atingir o desenvolvimento foi mais fácil do que eu pensava. Americanos, ingleses, franceses, alemães e japoneses enfrentaram guerras, trabalharam duro, investiram milhões em educação, criaram tecnologias e não chegaram lá. Estão em crise enquanto nós tivemos apenas uma marolinha. Definitivamente Deus é brasileiro. Dizem que barbudo.

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Brasil

Críticas de Caetano a Lula dividem artistas

Para alguns ele foi grosseiro e incoerente, mas há quem seja solidário às declarações e diga que o cantor conhece o 'peso das palavras' como poucos

Do Estadão (original aqui)
Atacado por líderes do PT por ter qualificado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "analfabeto", o cantor Caetano Veloso recebeu, na classe artística, manifestações de solidariedade e de crítica."Por que nada de Lula pode ser criticado?", questionou Nelson Motta, produtor musical, escritor e colunista do Estado. "Achei realmente deselegante, para dizer o mínimo, o fato de o cantor ter chamado o presidente Lula de analfabeto, coisa que ele não é", afirmou o escritor Ricardo Lísias. "O leão está banguela, rugindo lugares comuns", opinou o ator Pascoal da Conceição.

Tente adivinhar os outros alvos do cantor no quiz "Na Mira do Caetano"

Para a documentarista e ensaísta Miriam Chnaiderman, não se deve interpretar as declarações como uma "análise política" sobre o Brasil. "Caetano, como sempre, não está minimamente preocupado em ser coerente. E é essa sua riqueza como criador maravilhoso que é."

Já o maestro Jamil Maluf não vê incoerência na manifestação. "Caetano conhece o peso das palavras como poucos. Se disse o que disse é por que realmente pensa o que pensa."

OPÇÃO

Caetano se referiu a Lula como "analfabeto" em entrevista à jornalista Sonia Racy, do Estado. Ele também anunciou sua opção pela candidatura de Marina Silva à Presidência, em 2010. "Não posso deixar de votar nela", disse o cantor. "Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro."

"É no mínimo estranho alguém que diz isso depois dizer que Lula é grosseiro. Ele (Caetano) é que foi grosseiro", disse Ricardo Lísias.

"Não vejo motivo para tanto estupor por dizer que Lula, apesar de fazer ótima administração, principalmente econômica, muitas vezes é grosseiro, arrogante, bravateiro e mal-educado em seus discursos. Não tira nenhum de seus méritos políticos e administrativas. É algo que o próprio Lula não deve ignorar nem negar. Não é crime nem pecado mortal, é só uma questão de estilo, afirmou Nelson Motta.

MARINA

Sobre a entrada de Marina Silva na corrida presidencial, Motta negou que pretenda votar nela, apesar de ter simpatia pela senadora acreana. "Concordo com Caetano quanto à educação, serenidade e elegância da Marina, mas ser Lula mais Obama... É uma certa empolgação do Caetano."

"A defesa que Caetano faz da candidatura de Marina Silva reflete um desejo messiânico", disse Ivam Cabral, ator e diretor teatral. "O Brasil não precisa de outros profetas. Caetano ignora aspectos importantes da personalidade dela. Sua religiosidade fervorosa e radical pode trazer atrasos significativos em relação a temas como engenharia genética, pesquisa de embriões, direitos de homossexuais, etc."

Além de sair em defesa de Lula, Ricardo Lísias criticou seu antecessor na Presidência, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Não concordo que ter FHC e depois Lula é algo bom. Eu acho FHC uma figura ornamental, um sujeito que se orgulha de falar inglês e francês, de ter doutorado, de ser professor da USP e que simplesmente fez um governo que só favoreceu a classe economicamente dominante. Tenho extrema antipatia por essa oligarquia de doutorado, que acha que sabe falar, o pessoal fino de Higienópolis.

"Marina Silva não quis se manifestar sobre as declarações do cantor a respeito do presidente.

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Eleições 2010

Pesquisa Vox Populi dá Serra disparado na frente

De Lauro Jardim (original aqui)
Uma pesquisa nacional do Vox Populi concluída na segunda-feira passada confirmou a folgada liderança de José Serra na corrida presidencial. Ele tem 40% das intenções de voto. É mais do que o dobro dos 15% obtidos por Dilma Rousseff e mais do que o triplo dos 12% registrados por Ciro Gomes. Marina Silva ficou com 5%. Nesse quadro, Serra levaria no primeiro turno.


Quando Aécio Neves é apresentado como candidato tucano no lugar de Serra, constatou-se uma surpresa: Aécio superou Dilma Rousseff pela primeira vez numa pesquisa do Vox Populi. Ainda que seja por 1 ponto porcentual e, portanto, dentro da margem de erro.


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Ubatuba Víbora de luto

Diretor e ator Anselmo Duarte morre aos 89 anos em SP, diz assessoria do HC

Do G1, em São Paulo (original aqui)
Morreu na madrugada deste sábado (7) o ator e diretor de cinema Anselmo Duarte, de 89 anos, informa a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas em São Paulo. Duarte estava internado no hospital após ter tido um acidente vascular. A assessoria informou que iria apurar o caso para dar mais detalhes sobre a morte do ator e diretor.


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Opinião

Sem a dependência de Evo

Editorial do Estadão
Com a entrada em operação, no próximo ano, do Gasduc III - o gigantesco gasoduto da Petrobrás que ligará a Bacia de Santos aos principais centros consumidores, o País estará livre da incômoda dependência do gás boliviano. Recorde-se que em 2006, quando o governo Evo Morales nacionalizou o setor de petróleo e gás, o fornecimento às indústrias brasileiras foi ameaçado.

Com capacidade de transportar 40 milhões de m³/dia, o Gasduc III, construído ao custo de R$ 2 bilhões, ligará a Estação de Cabiúnas, em Macaé, a Duque de Caxias. Sua capacidade é maior que a do Gasoduto Bolívia-Brasil, que transporta até 30 milhões de m³/dia e não opera a plena carga.

A exploração do gás da plataforma continental altera a relação de forças com o governo boliviano. O embaixador em La Paz, Frederico Cezar de Araujo, por exemplo, precisou tranquilizar as autoridades bolivianas, declarando que as compras de gás não sofrerão corte depois do vencimento do contrato assinado entre os dois países em 1999, com prazo de 20 anos, para assegurar a oferta mínima de 24 milhões de m³/dia e máxima de 30 milhões de m³/dia. "Os volumes de exportação de gás da Bolívia para o Brasil não diminuirão", disse ele. Só que, agora, comprar ou não será uma decisão exclusiva do Brasil.

Mas o mercado de gás natural está superofertado - e esta situação tende a se agravar. A produção brasileira é de 57 milhões de m³/dia de gás natural, dos quais 12 milhões de m³ são reinjetados nos poços; 10 milhões de m³, queimados ou perdidos; e a Petrobrás consome ou absorve 14 milhões de m³, restando 21 milhões de m³ para oferecer ao mercado. Acrescentando os 23 milhões de m³/dia importados da Bolívia - bem abaixo dos quase 31 milhões de m³/dia adquiridos no ano passado -, o consumo local total é da ordem de 44 milhões de m³/dia, contra os quase 59 milhões de m³/dia consumidos em 2008.

Com os investimentos previstos de US$ 39,9 bilhões, no período 2009/2013, os polos de Mexilhão, Uruguá, Merluza e Sul deverão assegurar o aumento da oferta de gás extraído da Bacia de Santos de 600 mil m³/dia, hoje, para 22,2 milhões de m³/dia. Estão em fase avançada de construção 170 km de dutos submarinos que vão ligar Uruguá à plataforma MXL-1, e, desta, mais 145 km até Caraguatatuba, de onde serão distribuídos para o Sudeste, o Sul e o Nordeste - por intermédio do gasoduto Gasene. Outros 216 km de dutos vão unir a MXL-1 à área de Tupi. Já estão prontos 212 km do gasoduto marítimo de Merluza, entre a plataforma MLZ-1 e a unidade de tratamento RPBC, que receberá o gás dos Campos de Merluza e de Lagosta, também no litoral paulista.

Os investimentos em gás natural foram acelerados com o Plano de Antecipação da Produção de Gás, anunciado em 2007. Além de levar o Brasil à autossuficiência, a execução do plano resultará num excesso de oferta de gás da ordem de 20 milhões de m³/dia - ou mais. "Há uma conjugação de fatores contribuindo para a baixa da demanda", afirmou o diretor da consultoria Gas Energy, Marco Tavares. Além dos preços elevados do gás, que levam as indústrias a dar preferência ao óleo combustível, as usinas termoelétricas deixaram de ser acionadas, porque sobra energia hidráulica.
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Manchetes do dia

Sábado, 07 / 11 / 2009

Folha de S. Paulo
"Cesta básica pesa menos no orçamento dos pobres"

Gasto de trabalhador que ganha salário mínimo é menor hoje que em 1995

A parcela do salário mínimo consumida pela cesta básica é uma das menores em mais de uma década. Segundo dados do Dieese, a compra desses itens consome atualmente 45% da renda líquida do trabalhador que recebe salário mínimo. No ano passado, eram necessários 50,25% da renda para realizar a mesma compra. Em 1995, os produtos básicos comprometiam quase 89% do salário mínimo. O aumento do poder de compra do mínimo é consequência dos reajustes acima da inflação concedidos ao salário nos últimos sete anos e de quedas nos preços dos alimentos – após dois anos de altas significativas. Com o peso menor da cesta básica, as famílias de renda mais baixa puderam ampliar o consumo e gastar em vestuário ou materiais de construção para reformas, segundo analistas.

O Estado de S. Paulo
"Militares aceitam poder de polícia, mas PF ataca projeto"

Negociação inclui submissão a civis; para Polícia Federal, ideia é ‘temerária’

O governo não deverá enfrentar problemas nos quartéis durante a tramitação da proposta que dá às Forças Armadas poder de polícia, revelada ontem pelo Estado. A negociação foi comandada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa). O diálogo tratou da submissão completa dos militares ao poder civil – sujeitando ao ministro da Defesa até mesmo nomes de indicados a promoções militares – e envolveu a promessa de mais verbas para as Forças Armadas. Para Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado, as mudanças, que dão aos militares proteção legal em ações de manutenção da lei e da ordem, são “evolução natural”. Mas a ideia foi criticada pelo diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Para ele, é “temerário” conferir poder policial aos militares. Além disso, Corrêa disse que a Constituição define que a responsável pela segurança é a polícia.

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sexta-feira, novembro 06, 2009

Coluna do Celsinho

Viagem

Celso de Almeida Jr.
Eu gosto de conversar com o Celso Teixeira Leite.

Não há, no diálogo, apenas o respeito pelo o ex-prefeito.

Nem, somente, aquela consideração especial pelo sobrenome desta família que tanto admiro.


Com ele, transporto-me no tempo.

Minha infância e juventude em Ubatuba proporcionaram-me, no ambiente escolar, mestres que davam grande valor a história da cidade.

Orientado por bons professores, conheci, entrevistei, visitei Washington de Oliveira, Madre Glória, Virgínia Lefèvre entre tantos outros símbolos de nossa cultura, de nossa gente.

Os papos com o Celso Teixeira Leite, dado o seu conhecimento profundo de nossa terra, de nossos ícones, despertam em mim essas lembranças.

Toda vez que nos despedimos, após o café, vem o sentimento de que precisamos levar a nossa história para todas as escolas da cidade.

Só por ser turística, Ubatuba já mereceria isso.

Mas a questão não é só essa.

Estamos vivendo uma total descaracterização de nossa cultura.

Há um desrespeito evidente com as tradições caiçaras.

Nossos personagens principais caminham para o esquecimento.

É preciso criar nas crianças esse vínculo com a terra, já que, infelizmente, a maioria de seus pais tem apenas o vínculo com a sobrevivência.

Essa característica forasteira da maioria da população, que não dá liga, que tira referências, precisa ser estancada.

Creio que ao incutir nas novas gerações a beleza de nossa história, de nossas origens, estaremos contribuindo para um futuro melhor.

Quem sabe, num distante amanhã, surja até uma nova classe política, com reais ligações com a cidade, pronta para contribuir com o nosso desenvolvimento, sem gula, sem ganância, sem segundas intenções.


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Artigo

O Fim da História

Murillo de Aragão (original aqui)
As eleições de 2014 devem apresentar um quadro de absoluta ausência de debate ideológico.

A razão é simples: não existe diferença significativa na forma dos candidatos olharem o mundo.

Dilma, Serra, Marina e Ciro são políticos de esquerda que apreciam o poder de intervenção na economia e defendem um estado forte e regulador, além de terem ambições protagonistas no âmbito da economia.

O que isso significa? A resposta é simples: a inexistência de um debate ideológico sobre o que queremos para o Brasil.

Todos, sem exceção, defendem uma coleção de posturas bem intencionadas, escondem qualquer vestígio de atitudes eventualmente liberais e acreditam que o estado é o grande propulsor da economia.

Ledo engano. Não é o estado que deve ser o propulsor da economia e sim o bom governo.

Uma prova da ausência de debate pode ser constatada na tramitação dos projetos do pré-sal no Congresso.


Governo e oposição não discutem o modelo. Debatem a destinação das verbas que resultarão da exploração do petróleo.

Apenas os Democratas, que são uma espécie de “social-democratas” de centro-direita, ensaiaram um questionamento sobre a participação do investimento privado no projeto. Não irão longe. Até mesmo por falta de jeito.

A crise de 2008 apenas reforçou a crença de que nosso modelo é o “ideal”. Até mesmo pelo simples fato de que economias neoliberais, como a dos Estados Unidos, adotaram receituário intervencionista para tirar o país da crise.

Assim, o Brasil estaria antecipadamente certo em manter-se intervencionista quando ficou evidenciado que o receituário neoliberal teria fracassado. Não é bem assim. Mas muitos acreditam.

Outra prova de que o receituário caminha para a mesmice está na questão das privatizações. O apreço pelas privatizações foi um surto passageiro.

Já no segundo governo de FHC, o ímpeto diminuiu e, como se sabe, setores do PSDB e dos Democratas trabalharam para impedir a privatização de Furnas.

A privatização da Cemig, que tinha sido feita de forma disfarçada e juridicamente questionável, morreu.

Tudo voltou a ser como antes. Em condições de sucesso econômico, jamais uma empresa como a Vale teria sido privatizada, nem qualquer das empresas de telecomunicações.

Outra prova do receituário comum está na Rede de Proteção Social do governo FHC, ampliada no governo Lula.

Lula começou mal com o Fome Zero e está terminando espetacularmente bem com o Bolsa Família. A mesma política.

Hoje em dia, muitos atores políticos reconhecem que o boom econômico que vivemos é fruto de políticas públicas de gasto elevado e dos programas assistencialistas.

Não são muitos os que reconhecem que o grande salto nas políticas sociais foi dado a partir da estabilidade econômica e do controle da inflação. Mais do que os programas sociais, o que assegurou a reeleição de Lula e o seu espetacular sucesso no segundo mandato, foi a gestão econômica.

Para o Brasil, a ausência de um debate de ideias e de modelos é ruim, já que cria a sensação de que a historia chegou ao seu fim e que temos apenas que aplicar nosso modelo de forma mais eficiente.

Não deveria ser assim. E, no futuro, não será. Não me perguntem quando, pois acho que nem Deus sabe ao certo.

O Brasil vai bem e deverá crescer nos próximos anos inaugurando uma nova etapa do “milagre brasileiro”.

Seremos um país melhor, mas não seremos tão bons quanto podemos pela ausência de debate qualificado, pelo bom mo cismo de sempre e pelo caráter pedestre das reflexões sobre a conjuntura observadas no dia-a-dia.

Murillo de Aragão é cientista político


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Frases

"Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro."

Caetano Veloso

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Mudança de rumo


Original aqui

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Opinião

Que pensam da sucessão seus protagonistas?

Washington Novaes
São cada vez mais recorrentes as discussões sobre motivos que expliquem os altos índices de aprovação do presidente da República e, em contrapartida, a incapacidade de as oposições a seu governo formularem propostas para a sucessão capazes de contrapor-se a ele. Mas não parece tão difícil assim explicar nem os índices, nem as dificuldades oposicionistas. Em síntese, parecem ser três os fatores em que se apoia a aprovação: a quase ausência de inflação, programas de renda e decisões que permitiram o aumento de consumo dos setores de menores rendimentos.


Começando pela inflação: durante décadas os segmentos de menor renda e renda média conviveram com o fantasma inflacionário, que lhes corroía todo o poder de compra em poucos dias após o recebimento dos salários - enquanto os de maior renda, com a possibilidade de correção monetária e juros em aplicações financeiras, até aumentavam seus rendimentos reais e sua participação na renda total. Não foi outro o motivo central que levou à eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, que passou de intenções de votos bem reduzidas ao ser lançada a sua candidatura - quando os índices mensais de inflação chegavam à casa dos 80% - à vitória no primeiro turno, com a vigência plena do Plano Real. E o segredo, no caso, foi o prazo dado aos setores empresariais para que se adaptassem ao novo modelo, com a vigência da URV, que lhes permitiu acumular "gorduras" e não aumentar preços. A estabilidade monetária trouxe de volta valores (não apenas financeiros) esquecidos. E, mantida, explica boa parte do êxito do atual presidente (vale a pena, a propósito, relembrar que os índices de aprovação do presidente José Sarney, nos primeiros tempos do Plano Cruzado, também chegaram ao céu).

A segunda razão está na permanência e ampliação de programas de complementação de renda, que vinham de antes - englobando o Vale-Transporte e o Vale-Alimentação, merenda escolar e farmácia básica, do governo Sarney; e Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, seguro-desemprego e aposentadoria rural do governo FHC. Muitos deles são agora parte do Bolsa-Família, que hoje tem cerca de 12 milhões de beneficiários e, com seus dependentes, soma mais de 40 milhões de pessoas - uma base eleitoral importante, também ampliada com o crédito consignado, que expandiu o poder de consumo dos setores de menor renda (as classes C e D responderam pela metade do crescimento das vendas de alimentos e artigos de higiene e limpeza no primeiro semestre deste ano - Agência Estado, 1º/11).

Em meio a essas discussões, vale a pena rever, no livro O Melhor do Roda Viva, organizado por Paulo Markun, o que disseram no programa de entrevistas da TV Cultura de São Paulo alguns dos personagens centrais dessas discussões de hoje, mas no momento em que se encontravam em situações diferentes das atuais - FHC ainda como presidente, Lula como líder oposicionista derrotado em eleições presidenciais e Sarney já fora da Presidência, mas ainda longe da via-crúcis de hoje.

Sarney, por exemplo, diz (em 2005) que Lula é o "resultado da transformação da sociedade durante aquele tempo" (seu governo e seus programas sociais), que o Plano Real não teria existido sem o Plano Cruzado, mas que ainda é preciso fazer "um pacto social".

Já FHC, em entrevista no final de 2002, afirma que no Brasil "a diferença entre pobres e ricos é muito grande" e que um dos caminhos para enfrentar o problema seria aumentar (o que não ocorreu em seu governo) o Imposto de Renda das pessoas físicas, hoje no limite de 27,5%, enquanto "na Europa vai a 30 e 40%". Mas acha que Lula acabou vencendo a eleição presidencial de 2002 com o "Paz e Amor": "Se você não tiver uma pitada de candomblé, algo de emoção, algo até de irracional, de explosivo em certas circunstâncias, você não se comunica." E, para ele, "na sociedade contemporânea, por causa da capacidade que você hoje tem de falar para milhões de pessoas, você sendo um bom ator", pode até "tentar se sobrepor às instituições". E Lula "é um bom ator", maior que o partido: "O PT não gorou (...), ficou um partido de massa (...), ainda é corporativista" e, no fundo, "defende interesses estabelecidos", quando o problema maior seria exatamente defender "esse tipo de gente que não tem representação". Por essa razão, "o perigo de um partido como o PT é ser defensor dos interesses estabelecidos". E "isso é complicado para a democracia". Esquematicamente, portanto, o que explicaria a aprovação do presidente seria essa defesa de interesses estabelecidos, seja em segmentos de menor renda, seja nos mais altos.

E que pensa disso tudo o atual presidente ? Sua entrevista é de novembro de 1995, um ano após a derrota para FHC. Ele começa criticando a taxa de desemprego na Grande São Paulo, de 13,4% (hoje está em 14,1%), a ausência de projetos para reforma agrária, critica o programa de socorro aos bancos, a dívida pública vigente, defende a reeleição (mas não para ocupantes de mandatos no momento da reforma), pensa que o mérito da estabilização econômica foi de Itamar Franco, não de FHC. E pede do governo FHC exatamente o que seus críticos lhe pedem hoje: ajuste fiscal, um "modelo de desenvolvimento" e uma reforma tributária que inclua alíquotas de Imposto de Renda de 5% a 50%, além de maior taxação sobre o lucro bruto das empresas. Porque, a seu ver, "não é distribuindo cesta básica que resolve o problema", já que o número de pobres continua a crescer. Sua conclusão: "No Brasil, as pessoas são eleitas para presidente e depois pensam que são rei. A pessoa pensa que o povo deu um cheque em branco."
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 06 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"ONU cobra do Brasil meta de emissão de gás-estufa"

Organização pede número antes da conferência sobre clima, em dezembro

A ONU cobrou do Brasil uma meta clara de corte das emissões dos gases causadores do efeito-estufa, informa Roberto Dias, de Barcelona. Também pediu que o número seja apresentado antes da conferência sobre o clima, marcada para dezembro, em Copenhague. O holandês Yvo de Boer, principal diplomata da ONU para questões climáticas, disse que o esforço de redução dos gases tem que "ser quantificado" e que há "uma estratégia nacional de mudança climática em andamento, e grande parte já pode ser quantificada".

O Estado de São Paulo
"Governo quer dar poder de polícia às Forças Armadas"

Projeto prevê que militares possam revistar pessoas e fazer prisões

Exército, Marinha e Aeronáutica poderão revistar pessoas, veículos e instalações, além de fazer prisões em flagrante, conforme novo texto da Lei Complementar 97, a que o Estado teve acesso. Em resumo, as Forças Armadas vão ganhar mais poder de polícia e proteção legal para realizar operações como policiamento de favelas ou retenção de aviões de traficantes. A lei, que respalda a Estratégia Nacional de Defesa, deve ser enviada ao Congresso neste mês e dará força ao ministro da Defesa, que perde o atual perfil decorativo. As três Armas receberão reforços de pessoal e equipamentos. A Marinha terá mais três batalhões de fuzileiros navais; o Exército ganhará oito brigadas e 21 pelotões de fronteira. A Aeronáutica terá mais três bases na Amazônia.

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quinta-feira, novembro 05, 2009

Mickeymau

O lado negro do Mickey

Por Cristiane Correa (No Portal Exame)
É possível que nenhum personagem de desenho seja tão conhecido no mundo quanto Mickey Mouse. Criado por Walt Disney várias décadas atrás, ele rende à empresa nada menos que 5 bilhões de dólares por ano. É muito? O pessoal da Disney acha que não -- e se prepara para fazer um "extreme makeover" no ratinho. Ok. Talvez não seja tão "extreme" assim, mas o jeito bonzinho e inocente do Mickey deve desaparecer em breve. A notícia está no The New York Times de hoje.

O primeiro passo dessa mudança poderá ser visto no jogo Epic Mickey, que será lançado ano que vem. Ali, o personagem vai mostrar seu lado "negro". Calma, ele não vai sair matando ninguém. Mas terá momentos de mau-humor e outros em que banca o espertalhão -- uma imagem muito diferente daquela que as crianças se acostumaram a ver desde que ele foi criado.
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Eternamente Brasil...

História conhecida

Editorial de O Globo
Faz 24 anos da redemocratização e 21 da promulgação da Carta que restabeleceu o estado de direito democrático, e mesmo assim percebe-se que as instituições republicanas, base da democracia representativa, ainda padecem de investidas do autoritarismo e dão sinais de ainda não estar consolidadas.

Se assim não fosse, não estaria agora o Senado, em aberto desafio ao Supremo Tribunal Federal, recusando-se a executar uma decisão final sobre o mandato do senador tucano Expedito Júnior (RO), numa afronta capaz de nivelar o Brasil a uma dessas “repúblicas bananeiras” bolivarianas.

Com isso, parlamentares que já acusaram a Corte de “judicializar” a política — quando ela apenas cumpre a função legal de mediar, decidir conflitos com base na Constituição — agora pretendem, ao arrepio da sensatez e do estado de direito, “politizar” a Justiça, ao transformar o Senado numa instância de recurso ao STF, uma inversão aberrante de papéis.

Não fosse suficiente esta afronta engendrada no Legislativo, inspirada no compadrio e corporativismo, do Executivo partem ações contra o equilíbrio entre os poderes inspiradas num indisfarçável modelo de Estado hipertrofiado, controlador do Parlamento pelas rédeas da fisiologia, amestrador de organizações da sociedade civil pelo uso farto de dinheiro público com fins clientelistas, tudo assentado numa estrutura de poder alimentada pelo aparelhamento da máquina pública conduzido, entre outros agentes, por corporações sindicais de forte presença nas altas finanças.

A interpretação de que sindicalistas ligados ao PT, convertidos em homens de empresa, à frente de bilionários fundos de pensão de empresas estatais, haviam se descolado das origens e instituído nova classe social não partiu de algum “golpista neoliberal”, mas de um dos fundadores do partido, o sociólogo Chico de Oliveira.

Criador do Cebrap, importante bunker de resistência à ditadura, junto com o próprio Chico de Oliveira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por sua vez, em artigo no GLOBO, tirou detalhada radiografia do atual estágio do governo Lula e detectou traços de um “subperonismo”.

Nele, a popularidade do presidente se junta ao tal aparelhamento do Estado, à subjugação do Parlamento, e produz uma argamassa de “autoritarismo popular” capaz de fazer sorrir um Hugo Chávez.

Não sem motivo, o ex-presidente do BC Armínio Fraga pediu, em entrevista ao jornal “Valor”, a reestatização do Estado.

Seria trágico se o mais longo período de liberdade na história da República terminasse imolado no altar da tradição autoritária brasileira, que se deseja debelada para sempre.

Não importa se as liberdades são tolhidas por generais ou comissários de partido, se o agente da supressão da democracia aparece de verde-oliva ou com vestes nacionalistas e coreografias do populismo.

O arbítrio será o mesmo. (Do Blog do Noblat)

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Ubatuba

Hip Hop da paz abre o "Mês da Consciência Negra"

Rui Grilo
A partir de hoje, dia 05 até o dia 08, a partir das 13h30, na Praça de Skate estarão acontecendo várias atividades que fazem parte do IV HIP HOP DA PAZ, com a participação de artistas e grupos locais e de outras cidades, destacando-se a participação do DJ Marcello Gugu.

Hoje, às 19 horas, na Câmara Municipal, também haverá um debate sobre os rumos dessas manifestações culturais.

5ª Festa do Azul Marinho

De 13 a 15 de novembro de 2009, no quilombo da Fazenda, próximo a Praia da Fazenda, costa norte de Ubatuba.

Realização da Associação Comunitária dos Remanescentes do Quilombo Fazenda Picinguaba. Além do azul marinho e do tradicional bolinho de mandioca, aproveite para saborear o suco da jussara, semelhante ao açaí. Produção local que vem sendo desenvolvida pelo IPEMA – Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Opinião

A produção industrial no fim do ano

Editorial do Estadão
A produção industrial apresentou um crescimento de 0,8% no mês de setembro. É o nono resultado mensal positivo consecutivo. Não se trata, porém, de um sinal de boa marcha, pois é 7,8% menor do que em setembro do ano passado e o acumulado dos nove primeiros meses do ano ficou 11,6% abaixo do que em igual período de 2008.

Calcula-se que 2009 apresentará produção industrial com queda entre 6% e 7%, como resultado da crise internacional sobre a atividade econômica. No entanto, quando se compara a evolução da produção física industrial com a do consumo interno, pode-se estranhar o rumo invertido de ambas. Uma parte dessa evolução paradoxal pode ser explicada pela queda das exportações de produtos manufaturados numa economia mundial em crise, enquanto a apreciação do real ante o dólar tornava os produtos brasileiros menos competitivos e o câmbio desvalorizado da China permitia a esse país substituir alguns itens brasileiros.

O impacto das importações seguramente atingiu ainda mais a indústria nacional. O fato de que as exportações, para os dez primeiros meses, acusaram retração menor de que as importações (20,3% ante 22,2%) deve ser interpretado com cuidado, pois o Brasil aproveita a sua posição de grande exportador de commodities, cujo preço não sofreu queda tão forte quanto a dos bens manufaturados , enquanto a indústria caminha para uma situação de montadora importando componentes.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 05 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Novas medidas tentarão reduzir entrada de dólar"

Para conter queda da moeda, governo estuda dar mais opções a investidor

Depois de taxar o ingresso de dólares, o governo Lula estuda medidas que façam com que investidores externos não precisem trocar dólares por reais para aplicações no país, informam Leandra Peres e Valdo Cruz. O objetivo é conter a queda da moeda americana. Entre as medidas que devem ser adotadas pela equipe econômica estão a retomada, pelo Tesouro Nacional, das emissões no exterior de títulos da dívida pública em reais e a autorização para que investidores na Bolsa possam depositar suas garantias fora do país.

O Estado de São Paulo
"Entrada de dólares cai 75% com novo imposto"

Apesar disso, fluxo é forte e mercado indica já ter absorvido IOF

A entrada de investimentos externos para aplicações no Brasil caiu 75% desde 20 de outubro, quando entrou em vigor o IOF sobre as aplicações de estrangeiros em ações e títulos de renda fixa. Nos últimos dez dias de outubro, a média de transferências para o Brasil ficou em US$ 231 milhões, praticamente um quarto da verificada nos 19 primeiros dias do mês, quando a cifra era de US$ 919 milhões. Apesar disso, a entrada líquida de dólares em outubro, que totalizou US$ 14,59 bilhões, representou 64% de tudo o que ingressou no País nos dez primeiros meses e foi 5,9% maior que o observado em setembro. E o fluxo de dólares continuou positivo. Para analistas, o mercado já absorveu o imposto sobre as aplicações.

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quarta-feira, novembro 04, 2009

Acontece em Ubatuba

Andréia Dias no palco da Sala ArtAud Nas Nuvens, em Ubatuba / SP, no próximo dia 07 de novembro, as 21hs.

A cantora, compositora e intérprete Andréia Dias se apresentará no palco da Sala ArtAud Nas Nuvens, em Ubatuba/SP, no próximo dia 07 de novembro. Vinda da periferia do Grajaú, em SP, Andréia, que já morou em Ubatuba no início da década de 1990, iniciou-se em canto popular na Universidade Livre de Música Tom Jobim em 1994. Após algumas tentativas não valorizadas de ingressar na cena musical do Rio de Janeiro ao lado do grupo Farofa Carioca, a ex-garçonete hoje mostra sua competência à frente das bandas DonaZica e Glória, e desenvolve seu trabalho solo com muita personalidade, estilo e sem rótulos, que ela própria defini como“música popular contemporânea latino americana”.

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Comédias Ubatubenses

Clube de Comédia, ou melhor, C.U.

Vai acontecer toda quinta-feira, a partir das 21h, na Taberna do Pirata (antigo Coyote Bar). O couvert artístico é de R$ 5,00 mas a gargalhada é gratuita.

No palco Fernando Moreno, comanda a parte da comédia em pé (stand-up comedy) e Heyttor Barsalini segue fazendo graça com seus personagens. Nesse espaço será aberta oportunidade para que outros comediantes da cidade ou de fora expressem a sua arte.

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Eleições 2010

Comentário
Serra pode ceder a vez a Aécio

Ricardo Noblat (original aqui)
Se Aécio Neves não topar em ser vice de José Serra ou se Serra se convencer de que Aécio não suará a camisa para elegê-lo presidente da República no próximo ano, o candidato do PSDB à vaga de Lula será Aécio.

Não haverá razão para Serra disputar uma eleição difícil sem contar com o apoio decisivo do segundo maior nome do seu partido. Nesse caso, ele será candidato à reeleição para o governo de São Paulo.

De uma certa forma, é nisso que aposta Aécio quando insiste em manter sua candidatura mesmo estando a dezenas de distância de pontos de Serra nas pesquisas de intenção de voto. Ou quando fala em sair candidato ao Senado.

Serra pode até perder a eleição para Dilma. Só não pode disputá-la sabendo de antemão que tem tudo para perder.

Aécio, não. Pode disputar para perder. Tem idade para ser candidato outra vez - Serra não tem. Mesmo perdendo, vira um nome nacional. Serra virou quando perdeu para Lula em 2002.

São Paulo e Minas Gerais são os dois maiores colégios eleitorais do país. O candidato que abrir ali uma larga vantagem dificilmente será derrotado.

O PT joga para separar Aécio de Serra. No primeiro momento, separá-los significa evitar que Aécio aceite ser vice de Serra. No segundo momento, que Aécio de fato se empenhe para eleger Serra.

O primeiro objetivo do PT está próximo de ser alcançado.

Aécio repete quase que diariamente que não será vice.

Se Serra abdicar de ser candidato é porque o segundo objetivo do PT também foi alcançado.

Nota do Editor - O experiente jornalista Ricardo Noblat sabe muito bem que Magalhães Pinto estava coberto de razão quando comparou política com núvens. "Em um determinado momento tudo parece de um jeito, num pestanejar tudo está de outro jeito".
Muito se escreve sobre política com olhos no instante. O que vai de fato acontecer é questão do trabalho dos ventos. Vamos analisar a reeleição de Lula. Culpam Gonzales, marqueteiro de Alckmin, pela derrota. Também culpam o próprio candidato que dizem não ter sido firme quando precisava e de ter e passado dos limites quando não precisava.
Está errado, Lula ganhou de Alckmin e teria ganhado de qualquer outro. Era a vez dele, a economia ia bem, os donos do capital estavam satisfeitos e deram sinal verde para mais um mandato de ganhos extraordinários. Nenhum marqueteiro teria conseguido reverter a tendência pró Lula. ainda mais no caso do ex-governador, político de província, de pouco carisma. Não nos esqueçamos que os ex-governadores de São Paulo saem do cargo com a popularidade em alta. Governar o Estado mais rico do país não parece tão complicado quanto ser prefeito da maior cidade do país, tarefa que exige engenho e arte.
No entanto, cabe lembrar que Lula perdeu em São Paulo. Tudo indica que vai perder novamente, o PT não se dá bem na terra dos bandeirantes. Quanto a Minas, bem Minas está onde sempre esteve e não vai mudar. De qualquer forma, mesmo com a economia bombando e a banca embriagada de Champanhe Cristal, Lula continua sendo Lula. Dilma não é Lula. Arriscado fazer previsões. Acredito que desta vez Serra não cederá a vez. Vai jogar todas as fichas na mesa. Última tentativa. Com ou sem Aécio. Certamente com Gonzales. (Sidney Borges)

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Opinião

O ''autoritarismo popular'' de Lula

Editorial do Estadão
O venezuelano Hugo Chávez é um tipo rudimentar. O brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não é. Chávez, que impôs ao seu país a reeleição ilimitada, diz não entender por que um presidente "que governa bem e tem 80% de aprovação" não pode disputar um terceiro mandato consecutivo, como se as regras da ordem democrática devessem variar conforme o desempenho dos governantes e os seus índices de popularidade. Lula, que, em parte por convicção, em parte por um cálculo do custo-benefício da aventura reeleitoral, recusou a possibilidade, acredita que pode chegar aonde quer por outros meios, mais sofisticados do que é capaz de conceber a mentalidade tosca do coronel de Caracas. Trata-se da criação de um novo e presumivelmente duradouro bloco de controle da máquina estatal, da manipulação desabrida de um sistema político desvitalizado e da exploração incessante do culto à personalidade do líder, para que a adulação da massa legitime os seus desmandos e intimide a oposição.

É a construção do que o ex-presidente Fernando Henrique denomina "autoritarismo popular" - um acúmulo de transgressões e desvios que "vai minando o espírito da democracia constitucional", como adverte no artigo Para onde vamos?, publicado domingo neste jornal. Esse processo de erosão das instituições e procedimentos é tão mais temível quanto menos ostensivo e menos expresso em atos de violência política crassa, à maneira do que Chávez faz na Venezuela para quebrar a espinha da democracia no seu país. A lógica dos objetivos não difere - "a do poder sem limites", aponta Fernando Henrique -, mas o método, no Brasil do lulismo, é insidioso. Por isso mesmo, "pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos".

No interior do governo, Lula aninha uma burocracia sindical que se apropria sistematicamente do mando dos gigantescos fundos de pensão das estatais, os quais, por sua vez, têm assento nos conselhos das mais poderosas empresas brasileiras. Forma-se assim uma intrincada trama de interesses que se respaldam reciprocamente, não raro em parceria com empresários que conhecem o caminho das pedras - "nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas", diz Fernando Henrique -, fundindo-se "nos altos-fornos do Tesouro". Isso dá ao presidente um poder formidável sobre o Estado nacional que extrapola de longe as suas atribuições constitucionais. É uma espécie de volta, em trajes civis, ao regime dos generais. No trato com o Congresso, Lula faz os pactos que lhe convierem com tantos Judas quantos estiverem dispostos a servi-lo para se servirem dos despojos da administração federal, enquanto a oposição balbucia objeções que dão a medida de sua irrelevância.

"Parece mais confortável", acusa o ex-presidente, "fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes." Mais confortável porque mais seguro. São raros os políticos oposicionistas que não se deixam acoelhar pelas pesquisas de opinião que mantêm Lula nas nuvens e que o aparato de comunicação do Planalto, sob a sua batuta, não cessa de exacerbar - daí a pertinência do termo "culto à personalidade". Desde a derrota de 2006, o PSDB de Fernando Henrique praticamente desistiu de expor as responsabilidades pessoais do adversário vitorioso pela autocracia em marcha no País. Os pré-candidatos tucanos José Serra e Aécio Neves, por exemplo, medem as palavras quando falam de Lula, decerto receando que ele possa fazê-las se voltarem contra eles mesmos junto ao eleitorado que o venera. Mesmo na condenação à campanha antecipada da ministra Dilma Rousseff, a oposição parece comportar-se como se estivesse "cumprindo tabela".
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 04 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Expansão e dólar barato estimulam importação"

Compra externa supera US$ 12 bi em outubro; saldo é o menor em 9 meses

Com o dólar barato, as importações brasileiras bateram recorde mensal em outubro e somaram US$ 12,754 bilhões. Esse desempenho contribuiu para que o saldo comercial registrasse, no mês passado, o seu menor resultado mensal desde janeiro, US$ 1,328 bilhão. O aumento da compra de produtos estrangeiros, que reduziu o impacto da alta nas exportações, também pode ser explicado pela recuperação da economia. Com ela, a indústria passou a comprar mais no exterior para atender à demanda. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, as importações vêm crescendo desde agosto, devido à formação de estoques para o fim do ano e à alta na produção industrial. Metade das compras externas do pais é formada por matérias-primas e bens intermediários, como produtos químicos. O governo diz esperar que a queda na importação de bens de consumo prevista para o final deste ano reequilibre a balança.

O Estado de São Paulo
"Brasil deve ir a reunião de clima sem meta definida"

Falta de consenso impede governo de fixar objetivos precisos contra aquecimento

Em vez de metas de redução de gases de efeito estufa, o Brasil deve levar à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em dezembro, uma carta de intenções que mostraria o “esforço voluntário" para combater o aquecimento global - como a redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020 e ações nos setores industriais e da agroindústria. Ontem, após reunião ministerial, ficou claro que o País caminha para levar a Copenhague uma proposta sem definição de metas de redução de emissão de gases. Só houve consenso quanto à redução da derrubada da Floresta Amazônica. Os ministros pediram ao presidente Lula mais tempo e um novo encontro foi marcado para o dia 14.

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terça-feira, novembro 03, 2009

Tempo quente

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada...

Cabelo com orgulho é crina, cilindros de espessura fina, cabelo quer ficar pra cima, laquê, fixador, gomalina... (Arnaldo Antunes)

Sidney Borges
O calor chegou. Com ele os mosquitos. Com os mosquitos os repelentes. Hoje eu me encontrava ocupado passando um creme branco na pele quando me ocorreu que o cheiro e a consistência lembravam Brilcrem. Tenho forte lembrança desse fixador. Foi lançado na época em que eu não sabia o que fazer com os cabelos. Até um ou dois anos antes minha mãe combinava com o barbeiro:

- Americano curto.

Ele respondia eco - era italiano, no Brás todo mundo era italiano - e raspava tudo. Ou melhor, quase tudo. Deixava uma pastinha sobre a testa. Depois bezuntava com brilhantina e penteava em movimento circular. Nascia o topete. Eu não dava a mínima, saia do salão com cheiro enjoativo e ia jogar bola ou empinar papagaio. Logo o cheiro passava.

Não sei bem precisar o momento da virada em que descobri os cabelos. Certamente coincidiu com a chegada do Brilcrem. Lembro-me bem da músiquinha: Brilcrem, apenas um pouquinho. Brilcrem, você irá brilhar. Brilcrem, é o melhor caminhuuuuuu. Para mil pequenas conquistar.

Pessoas mudam, entrei na fase da aparência. Acho que foram os hormônios. Acreditei na musiquinha e comprei um tubo grande de Brilcrem.

Foi frustrante. Funcionava na televisão, mas comigo não. Meus cabelos finos e revoltos tinha opinião firme, não gostavam de ordem. Ora eu os penteava com risca e topete. Em outras ocasiões para trás.

Qualquer que fosse a opção logo voltavam ao natural, cada um para o seu lado, a maioria para a frente.

Antes do momento Brilcrem brilhantina Glostora foi razoavelmente eficaz. O penteado ficava firme e a cabeça igual a uma mesa envernizada. Se a minha mãe não me obrigasse a tomar banho tenho certeza que o penteado duraria semanas.

Também havia o tradicionalíssimo Gumex, que era vendido em pó com instruções para o preparo. Era mais radical, eu passava Gumex e penteava para trás. Ficava parecendo o Gino, centroavante do São Paulo. Na verdade eu queria ficar parecido com o Mandrake que tinha penteado dos mais elegantes e namorava a princesa Narda. Mas parecer com o Gino não era de todo mau, ele que tinha feito um gol de bicicleta em Portugal e deixado o narrador sem fala.

Mas voltando ao Brilcrem, acho que além de engordurar os cabelos, também espantava mosquitos. Medo de grudar. Em busca da aparência elegante aprendi muito, inclusive que ao serem fixados com Gumex os cabelos ficavam duros como vidro. O mosquito que se atrevesse seria esmagado pelo impacto. Gosto de Gumex, acho que vou usar novemente. Dura lex, sed lex, nos cabelos só Gumex.

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Poder

Clinton diz que só sairia da Casa Branca de caixão se pudesse

Da Reuters, em Istambul (original aqui)
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton (1993-2001) disse na segunda-feira que teria deixado a Casa Branca em um caixão se não houvesse limite de mandato, pois gostava muito do cargo. "É bom termos um limite [de mandato]. Ou eu teria ficado até sair em um caixão. Ou derrotado em uma eleição", disse Clinton em uma conferência em Istambul, na Turquia. "Eu adorava o trabalho".


Clinton ficou na Presidência dos EUA por dois mandatos, o máximo possível sob Constituição. Sua mulher, Hillary, é atualmente secretária de Estado no governo de Barack Obama, depois de perder para ele as primárias democratas, em 2008.

Clinton disse que gostava de sua atual posição como presidente da Clinton Global Initiative, que levanta fundos para questões que vão do sistema de saúde e da pobreza às mudanças climáticas.

Mas a visita surpresa do ex-presidente à Coreia do Norte em agosto, para garantir a libertação de duas jornalistas americanas, mostrou que ele ainda mantém uma considerável força diplomática --chegando mesmo a roubar a atenção de Hillary.

"Eu adorava ser presidente, mas também gosto da minha vida atual... vou deixar a política para minha esposa e para o presidente Obama".

Nota do Editor - Clinton gosta do poder. Nenhuma novidade, nunca houve quem não gostasse, embora muitos falem que servem ao povo como missão e que exercer o poder é um sacrifício. Mentira. Quando algum político disser isso não vote nele. Não é confiável. Clinton deve ter passado noites imaginando o terceiro mandato, depois o quarto, o quinto... Na América Latina é simples, basta convocar um plebiscito e alterar a Constituição. Como na Venezuela e na Colômbia. Em Honduras deu zebra, não é sempre que funciona. Felizmente o Brasil não entrou nessa. Ponto para Lula, que deve ter ficado louco de vontade de chutar o pau da barraca. Afinal de contas, ficar sem o aerolula não deve ser fácil. (Sidney Borges)

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Circo da Notícia

Justiça em versos

Por Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa (original aqui)
Lázaro Piunti, uma figura interessantíssima da política paulista, com base eleitoral em Itu, onde foi várias vezes prefeito, teve apontado pelo Tribunal Regional Eleitoral um erro de R$ 86,00 – sim, oitenta e seis reais – na prestação de contas de sua última campanha para deputado federal. Certamente foi erro, jamais desonestidade: Piunti mantém-se ideologicamente no passado, adorando cubanos e norte-coreanos, mas é um homem honrado, correto, respeitável, cuja longa carreira política não se traduziu em enriquecimento.


Como advogado, apresentou sua própria defesa. Escolheu fazê-la em versos (e, apesar do pitoresco do caso, apesar do papel já desempenhado por Piunti na política paulista, os meios de comunicação não deram a menor importância à notícia). Segue a defesa de Lázaro Piunti:

Eminentes julgadores do egrégio tribunal:

Lázaro José Piunti, neste recurso informal

Enfermo, sem emprego, sem amparo social

Vem expor e requerer a compreensão final.

Candidatou-se em 2006 a deputado federal

Desprovido de recursos, nutrido só do ideal

A votação irrelevante - 11.647 votos no total

O custo unitário do voto? Inferior a um real.


Foi mesmo campanha pobre na disputa desigual.

Nove mil quinhentos e trinta - despesa angelical

O requerente protesta contra o rigorismo formal

Confiante no bom senso desse conspícuo tribunal.


Na preliminar e no mérito deste clamor original

Pleiteia ser desonerado doutra exigência arbitral

Devolver oitenta e seis reais parece quantia banal

Mas ao sexagenário se traduz em prejuízo colossal.


Por derradeiro o requerente, em defesa pessoal,

Apela, se necessário, ao direito explícito e legal

De formular no plenário em manifestação oral

A defesa de sua tese perante o honrado tribunal.


Nestes termos, pedindo deferimento

– vem sugerir em última instância –

Conceda-se ao "affaire" acolhimento.

Base: Princípio da Insignificância!

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Recordando Madoff

Boi Gordo. O pior investimento da história do futebol brasileiro...

Do Blog de Cosme Rímoli (original aqui)
Boi Gordo.

Esse nome provoca arrepios em muita gente importante do futebol brasileiro.

“Foi o pior investimento que apareceu nos últimos 50 anos.

Essa praga começou no Palmeiras e logo se espalhou pelos clubes.

Como perdemos dinheiro”, relembra Vampeta.

Jogador e treinador de futebol são alvos fáceis de aproveitadores.

Nas concentrações de hotéis há de tudo.

Vendedores de ouro, de carros importados, corretores de imóveis, políticos caçando canditaturas.

Apesar da pose, dos assessores de imprensa, dos contadores, muitos atletas são enganados.

Em São Paulo já houve atletas que compraram terrenos no litoral que ficavam em pleno alto mar.

Entraram de sócios em escolinhas de futebol que não existiam.

Treinadores importantes de futebol perderam fortunas na Bolsa de Valores.

Vários jogadores já caíram no conto do ouro e dos relógios falsificados.

Fora os que investiram em flats que não saíram da maquete.

Tudo isso ainda continua acontecendo.

“Mas eu vou te contar, Cosme, o trauma maior foi o Boi Gordo. Fomos acreditar no Antônio Fagundes, né?”, ironiza Vampeta.

Antônio Fagundes fazia um personagem famoso na novela O Rei do Gado, o inesquecível Bruno Mezenga. E em horário nobre, com todo o seu talento, ele recomendava o investimento.

Para entender: o grupo Fazenda Reunidas Boi Gordo prometia as empresas de parceria. O investimento era feito em bois, frangos e porcos de empresas parceiras da Boi Gordo.

No final do contrato, o investidor receberia o lucro da venda do animal engordado.

A promessa era de lucro de 42%, pelo menos, depois de 18 meses.

Mais tarde se descobriu que o esquema não passava de uma pirâmide. Quando os saques superaram os investimentos, tudo veio abaixo em 2004.

Ninguém foi punido.

Ninguém.

Entre as pessoas que perderam dinheiro estavam Luiz Felipe Scolari, César Sampaio, Evair, Vampeta e Edílson.

“Esses nomes vazaram na imprensa, mas teve muito mais gente no futebol, mas as pessoas não querem assumir. Todos achando que iriam ficar milionários. Era uma empolgação absurda, sem noção. Todos acreditando no Fagundes… Eu falei para o Edílson que era uma furada, só que ele ficou me atormentando. Então, eu coloquei R$ 115 mil para parar de me encher. Eu quebrei a cara. Só ele foi muito, mas muito pior”, ri Vampeta.

Edílson investiu cerca de R$ 2 milhões.

No total foram mais de 30 mil pessoas que perderam cerca de R$ 2,5 bilhões.
Foi até criada uma associação para os ‘lesados’ pelo Boi Gordo.

A associação tenta na justiça o ressarcimento.

“Agora já foi, meu velho. Mas eu cobro o Edílson todos os dias. Doeu, mas eu aprendi. Do pior jeito possível, mas aprendi”, lamenta Vampeta.

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Vem chegando o verão

Fechar pacote antecipado no litoral pode trazer desconto e conforto na alta temporada

Aproximadamente 40% dos leitos já estão reservados para o verão

Do VNews
O feriado acabou e é hora de voltar ao trabalho, mas quem já pensa em passar o fim de ano na praia precisa se antecipar. Em Ubatuba, são muitas opções de preços e lugares pra ficar e quem fechar o negócio antes, pode ganhar um desconto.

O sol e o calor dos últimos dias deixaram as praias lotadas. Movimento que não intimidou o casal César e Daniela Bettin, de Taubaté. O feriado de finados, em Ubatuba, foi programado com antecedência. "A gente não fica sem quarto e compensa mais, porque fica mais barato também e ainda tem a garantia de uma melhor comodidade", conta Daniela.

Eles fizeram parte dos 150 mil turistas que escolheram a cidade como destino e ocuparam 70% dos 15 mil leitos da cidade.

E quem pretende passar as festas de fim de ano nas praias do litoral norte deve se apressar. Além do risco de não encontrar vagas em hotéis e pousadas, o preço da diária deve aumentar.
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Os 7 pecados capitais


Do arquivo de René Maltête (original aqui)

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Eleições 2010

O detalhe que falta conhecer

O Palácio do Planalto torce para que Serra e Aécio não se entendam, e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições, o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?

Por Alon Feuerwerker (original aqui)
O otimismo exultante de Luiz Inácio Lula da Silva quanto a 2010 tem uma base real e um elemento de cálculo. O prestígio do presidente e a força política do governo são a base real. O elemento de cálculo é a necessidade de manter o pique e o clima até começar a “novela”, a programação eleitoral no rádio e na tevê.


A euforia em torno da candidatura de Dilma Rousseff é essencial para a travessia do deserto, para manter soldada a megacoalizão governista e assim evitar que pedaços venham a reforçar o outro lado. Se tudo correr bem para Lula, a oposição vai comer poeira no horário “gratuito”, numa proporção de 1 para 2. Terá metade do tempo dado ao governismo. Uma desvantagem e tanto.

Daí que nas últimas semanas Dilma tenha feito uma blitz. Aparições, reuniões, declarações. O script completo do candidato. Entre os comandantes da campanha, a esperança é subir uns pontinhos, de preferência abrindo vantagem confortável sobre Ciro Gomes. Uma folga suficiente para enterrar de vez os sonhos da candidatura no PSB.

Já a oposição vive a contagem regressiva para a escolha do nome, assunto que deve mesmo estar resolvido daqui até o fim do ano. O PSDB quer entrar janeiro com os exércitos em posição para a batalha. A oposição tem bons nomes e realizações a apresentar. Falta por enquanto o discurso. E falta a fórmula definitiva para enfrentar um desafio descrito originalmente nesta coluna em 3 de junho (“Barbas de molho”): como juntar o capital político que detém em São Paulo e Minas Gerais?

Porque, na essência, a aritmética continua a mesma desde então. Se o PSDB abrir uma vantagem de 2 para 1 em SP e MG, e se ganhar no Sul, cenários possíveis, o PT precisará tirar toda a diferença no Norte e Nordeste, considerando que o Centro-Oeste deve registrar equilíbrio. Um cenário de risco para a candidatura Dilma. Inclusive porque as áreas potencialmente mais inclinadas à oposição votam mais, registram menor absenteísmo.

Claro que os números podem flutuar. O PT pode ir melhor em SP e MG do que as previsões. E o PSDB não necessariamente vai ser massacrado no Nordeste. Em eleições, é prudente fazer uma separação clara entre análise e torcida. É preciso saber então se o PSDB terá tal capacidade de aglutinação interna, essencial também para a arregimentação externa.

No cenário ideal para José Serra, Aécio Neves aceitaria ser o vice. No mundo dos sonhos de Aécio, um Serra candidato à reeleição garantiria os votos paulistas para somar ao caminhão de apoio que espera receber em Minas.

O Palácio do Planalto torce, naturalmente, para que ambos não se entendam e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições, o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?

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Frases

"O Estado tem que ser competente. Não se pode trazer de volta a ideia de transformar empresas em repartições públicas. A governança tem que ser empresarial. Caso contrário, vira divisão entre partidos políticos."

Fernando Henrique Cardoso

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Sol e chuva...

Previsão é de sol e calor nesta terça-feira no Estado de SP

Temperatura na capital pode chegar a 33º C.Chuva deve ocorrer a partir de quarta (4).

Do G1, com informações do Bom Dia São Paulo
A previsão do tempo para o Estado de São Paulo é de sol e calor nesta terça-feira (3). Chuva deve ocorrer a partir de quarta (4). A temperatura na capital paulista pode alcançar os 33º C -quase dois a mais que o registrado na segunda (2). A previsão é de 34º C no Guarujá e 35º C em Presidente Prudente.

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Nota do Editor - Tive uma idéia sobre a incerteza da meteorologia e os feriados. Explico melhor. O feriado de ontem, por exemplo. Dependendo da previsão ficaria em suspensão. Que graça tem ir à praia com chuva? Quando fizesse tempo bom, ainda que demorasse meses, o feriado seria promulgado.
- Oi Zé, vai vijar nos finados?
- Não sei, abril está complicado, muito trabalho. Talvez eu viaje em agosto, no carnaval. O Natal em março atrapalhou minha programação. (Sidney Borges)

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Opinião

Reestatizar o Estado

Editorial do Estadão
É preciso reestatizar o Estado brasileiro, hoje submetido a interesses partidários, sindicais e privados, disse o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, hoje presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de São Paulo. Não se trata de jogo de palavras nem de frase de efeito. Numa entrevista ao jornal Valor de quinta-feira, Fraga expôs com clareza o perigo do uso da máquina estatal pelo grupo no poder e seus associados para nele permanecerem. De modo simples e direto, ele desmontou uma das grandes mistificações dos últimos tempos: a crise mostrou a importância da boa regulação e da supervisão eficiente, mas não de um setor público mais inchado e mais gastador. Não há nisso nenhuma novidade, observou sensatamente o entrevistado. Mas isso não é tudo. No caso do Brasil, a crise confirmou o acerto das políticas do governo anterior mantidas pelo atual. Ele não detalhou a resposta, mas o sentido é evidente: as políticas de metas de inflação, de câmbio flutuante e de superávit fiscal primário deram ao País condições para atravessar a crise internacional com prejuízos mínimos.

A mistificação distorce amplamente as condições do debate público. Na pregação do intervencionismo crescente, o presidente Lula e seus companheiros atacam os defensores do Estado mínimo. Mas quem são esses defensores? "Não sei", respondeu Armínio Fraga. "Nem o Roberto Campos, no auge do seu liberalismo, defendia isso. Aliás, ele próprio foi o pai do BNDES (...) Essa é uma tentativa de delimitar o debate a partir de uma premissa falsa." A mesma falsidade é evidente na tentativa de reduzir a polêmica em torno da intervenção a um embate entre nacionalistas e entreguistas, patriotas e inimigos da Pátria.

Com a mesma simplicidade, Fraga apontou a politização das decisões e da ação do governo federal no domínio econômico. Os fatos mais notórios têm sido amplamente discutidos: o modelo de exploração do pré-sal, com a presença dominante da Petrobrás, a "postura mais agressiva no mercado de crédito", as tentativas de comandar a política de investimentos da Vale e até de perseguir diretores da empresa. Os bancos públicos estaduais e federais, lembrou o economista, sempre acabaram com problemas gravíssimos quando foram manipulados por interesses políticos.

Mas os sinais preocupantes, observou Fraga, não são recentes. Existiram desde o início do governo Lula. Dois exemplos importantes e frequentemente esquecidos foram apontados na entrevista: "as tentativas de controlar a imprensa (com a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo) e os meios eletrônicos (tentativa de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual)." Em nenhum momento Armínio Fraga usou a palavra autoritarismo, mas o sentido de sua análise é inequívoco. O problema discutido na entrevista não se reduz à tradicional oposição mais Estado/mais mercado. Os aspectos mais importantes da questão são políticos e imensamente relevantes para o futuro da democracia brasileira.

Fraga tocou no assunto mais abertamente ao mencionar um artigo de um professor de Chicago, Luigi Zingales, a respeito do debate recente sobre a ampliação do papel do Estado. No fundo, disse o entrevistado, a mensagem do artigo é a seguinte: "Existe uma defesa do Estado porque, tipicamente, os interessados conseguem identificar onde vai estar a sua boquinha." A maior parte da população sente aos poucos o custo da mudança, mas não consegue mobilizar-se para reagir. "Essa é a marca de um Estado que a literatura chamava de corporativo, patrimonialista, populista e que, infelizmente, acaba desembocando num Estado hiperdimensionado, pouco eficiente, injusto e corrupto."
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Manchetes do dia

Terça-feira, 03 / 11 / 2009

Folha de São Paulo
"Após queda, passagem de avião vai aumentar"

Recuperação do mercado provoca reajuste nas tarifas domésticas

O preço das passagens aéreas no mercado doméstico vai subir. Segundo levantamento da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as tarifas atingiram em setembro o menor nível do ano. A competição entre TAM e Gol, e entre as duas líderes e as pequenas Azul, Oceanair e Webjet, foi a maior responsável pela guerra tarifária, segundo analistas. A crise econômica também contribuiu para a queda. Mas, com a recuperação da demanda nos últimos três meses, as empresas começaram a fazer reajustes.

O Estado de São Paulo
"Após mais de uma década, BC tem saída para bancos falidos"

Proposta para Bamerindus abre caminho para solucionar outros cinco casos

O Banco Central (BC) está perto de se livrar da massa falida de seis bancos liquidados extrajudicialmente há mais de uma década. São falências históricas, ocorridas nos anos 90, que resultaram em quase R$ 60 bilhões de dívidas só com o BC. A saída está em um projeto-piloto apresentado ao BC para solucionar o caso Bamerindus. Pela proposta, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), principal credor do Bamerindus, aceitou receber por último sua dívida, que chega a R$ 4,6 bilhões. O FGC é formado com recursos das instituições financeiras, para garantir a correntistas e investidores a recuperação de seu dinheiro, em caso de quebra. O acordo abre caminho para que o BC, os acionistas minoritários e os ex-empregados recebam o que o Bamerindus lhes deve. Na fila estão também Nacional, Econômico, Banorte, Mercantil de Pernambuco e BMD.

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