sábado, outubro 03, 2009

Questão boa para o Enem


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Energia

Eletronuclear assina acordo para Angra 3

Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente: “Após negociação longa envolvendo o TCU e chegou-se a um ponto de equilíbrio”

Francisco Góes e Heloisa Magalhães, Do Rio
A Eletronuclear e a Andrade Gutierrez assinam hoje, no Rio, a primeira ordem de execução de serviços do contrato de construção civil da usina nuclear de Angra 3. O valor total do contrato de construção civil da usina firmado entre a estatal, uma subsidiária da Eletrobrás, e a empreiteira é de R$ 1,248 bilhão. O montante representa uma redução de cerca de 20% em relação à primeira proposta apresentada em 2008 pela Andrade Gutierrez, de R$ 1,578 bilhão, disse o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva.

A retomada das obras civis de Angra 3 envolveu uma longa negociação com o Tribunal de Contas da União (TCU). Em julho, o TCU liberou a continuidade das obras para conclusão de Angra 3, mas uma auditoria do tribunal detectou “sobrepreço” nos valores acertados entre a Eletronuclear e a Andrade Gutierrez. Na ocasião, decisão do tribunal determinou que o contrato fosse reduzido em cerca de R$ 120 milhões.

Silva negou que tenha havido “sobrepreço”. Segundo ele, houve diferenças entre as estimativas feitas pela Eletronuclear e os preços ofertados pela construtora. “Houve uma negociação longa envolvendo o TCU e chegou-se a um ponto de equilíbrio”, afirmou Silva. No processo, a proposta original da Andrade Gutierrez sofreu ajustes que levaram ao valor final do contrato já assinado e submetido ao TCU. Trata-se, na verdade, de um aditivo ao contrato original acertado pela estatal com a construtora há mais de 20 anos.

Antes de determinar a redução de preço, o TCU já havia decidido sobre a possibilidade jurídica de manutenção do contrato da Andrade Gutierrez para conclusão das obras. Silva disse que a ordem de serviços a ser assinada hoje inclui a concretagem e a preparação das instalações físicas da usina até a primeira lage, a qual deve ficar pronta em dezembro. A partir daí, a previsão é de que a usina, com 1.405 megawatts de capacidade de geração de energia elétrica, torne-se operacional em cinco anos.

A meta é ter a usina em funcionamento em maio de 2015. As negociações com o TCU foram realizadas de forma simultânea a outros processos necessários para a retomada do projeto, incluindo a licença ambiental pelo Ibama e a licença de construção dada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A prefeitura de Angra dos Reis também deu sinal verde para o projeto.

O presidente da Eletronuclear afirmou que o valor corrigido necessário para concluir Angra 3 é de R$ 8,1 bilhões, dos quais quase R$ 6 bilhões correspondem à parte nacional, financiada pelo BNDES e pela Eletrobrás. A parcela importada, de cerca de € 1 bilhão, terá financiamento internacional, incluindo bancos dos países fornecedores dos equipamentos. “Essa parte está em negociação”, disse Silva.

Segundo ele, ainda este mês ou em novembro deve ser lançada licitação internacional para a adequação de Angra 3, que vai incluir o detalhamento das mudanças exigidas no projeto. Nessa licitação poderão participar empresas estrangeiras associadas a companhias nacionais. Logo depois, em cerca de dois meses, serão lançados os editais para a montagem eletromecânica da usina. Essa etapa será dividida em dois: uma licitação para a montagem primária, incluindo a parte nuclear da usina propriamente, e outra para a montagem secundária, que considera equipamentos como turbinas e geradores.

A francesa Areva, fornecedora dos equipamentos da usina, participará prestando serviços de engenharia. A Areva é a sucessora da KVU, subsidiária da Siemens, e responsável pelo projeto de Angra 2. Os equipamentos de Angra 3 estão guardados na Nuclep, em Itaguaí (RJ), e em Angra dos Reis. A Areva também vai fornecer a parte de instrumentação e controle da usina, equipamentos que ainda não foram comprados. São bens semelhantes aos que serão usados em uma usina em construção na França e que deve ficar pronta no prazo de dois anos, disse Silva. (Do Jornal Valor)

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Rio 2016

Serra comemora escolha do Rio com correligionários

Da Agência Estado:
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) comemorou na tarde desta sexta-feira, entre correligionários e políticos da Região Metropolitana de Campinas, a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, durante visita a Sumaré para inauguração de um trecho do corredor rodoviário que ligará o município a Campinas.


"Eu fiquei muito feliz. Vai ser muito importante para o Brasil, como nação; vai ser muito importante para o Brasil como prática esportiva, porque a Olimpíada vai tender a difundir muito mais as diferentes modalidades de esporte; e vai ser muito importante para o Estado do Rio de Janeiro, que é a verdadeira vitrine do Brasil. No exterior quando se fala em Brasil, o pessoal logo vem com a imagem do Rio de Janeiro", comentou Serra.

"Com o desenvolvimento do Rio, desenvolve-se também o País", continuou o governador e pré-candidato do PSDB à Presidência em 2010.

Serra destacou três frentes em que o Brasil leva vantagem por ter sido escolhido para sediar os jogos: "A dimensão da honra que é, e da projeção que é para o Brasil no campo internacional; do estímulo à diversificação e intensificação das práticas esportivas; e do desenvolvimento maior que trará ao Rio de Janeiro, que merece muito que isso aconteça". (Do Blog do Noblat)

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Opinião

Grande vitória, maior desafio

Editorial do Estadão
Sem dúvida foi uma grande vitória do Rio, do Brasil e da América do Sul. Mas é maior ainda o desafio de transformar a cidade do Rio de Janeiro, em apenas sete anos, naquilo que ela há muito deveria ser - e está tão longe de ser - em termos de infraestrutura urbana, de transportes, de habitação e, sobretudo, de segurança pública, para sediar os Jogos Olímpicos. Será difícil que a cidade consiga, mesmo com o formidável orçamento inicialmente previsto de R$ 28 bilhões, chegar a 2016 com a qualidade correspondente ao qualificativo de "maravilhosa", decorrente de sua imbatível beleza natural. O desperdício e o desastre orçamentário que foram os Jogos Pan-Americanos não justificariam esperanças nessa mudança. Mesmo assim, é de esperar que o compromisso mundial de sediar uma Olimpíada opere transformações profundas - inclusive no campo da ética pública.

Seria insensibilidade achar que a população de um país que sediará os Jogos Olímpicos não tenha motivo de justo orgulho pela projeção de sua imagem no mundo - especialmente nestes tempos de comunicação instantânea -, afora as oportunidades abertas nos campos do turismo, do esporte e da cultura. Neste último aspecto, aliás, os grandes espetáculos apresentados na abertura e no encerramento de determinadas Olimpíadas - como as de Moscou e a mais recente, de Pequim - têm se constituído em marco de exaltação das respectivas culturas nacionais.

As Olimpíadas modernas são a representação simbólica da busca de aperfeiçoamento da espécie humana, no que o desenvolvimento das habilidades no esporte se junta ao congraçamento entre os povos, por meio da competição elevada e pacífica. Assim é que se justificou o esforço dos governos dos países onde se situam as quatro cidades que se candidataram a sediar os Jogos Olímpicos de 2016 - Rio de Janeiro, Madri, Tóquio e Chicago - para convencer a maioria dos 106 delegados do Comitê Olímpico Internacional (COI) das razões e vantagens de cada uma delas.

É verdade que essa competição, travada em Copenhague pelos governantes dos "países candidatos" - presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, rei Juan Carlos e primeiro-ministro Yukio Hatoyama -, nem sempre se mostrou muito olímpica. As articulações e conchavos com delegados - em que não faltaram críticas ácidas às cidades concorrentes -, assim como a defesa final que cada uma delas fez perante o COI, tiveram seu peso. Mas esse processo de seleção já se iniciara em março de 2007 e a reunião de ontem foi apenas o seu desfecho.
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Manchetes do dia

Sábado, 03 / 10 / 2009

Folha de São Paulo
"Olimpíada de 2016 será no Rio"

Cidade vence Madrid em votação final do Comitê Olímpico e será a 1ª da América do Sul a sediar Jogos. Lula chora e diz ter vivido um de seus dias mais emocionantes; evento vai custar R$ 28 bi ao país

O Rio de Janeiro foi escolhido como sede da Olimpíada de 2016, após bater Madrid por larga vantagem (66 a 32) no último turno da votação do Comitê Olímpico Internacional, em Copenhague (Dinamarca). Antes, o Rio já havia superado Chicago, eliminada no primeiro turno, e Tóquio, no segundo. É a primeira vez que uma cidade da América do Sul receberá uma Olimpíada – marcada para depois da segunda Copa no Brasil, em 2014. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chorou com a escolha e disse ter vivido “talvez” o dia mais emocionante de sua vida. “Sempre achei que tinha alguma coisa que faltava ao Brasil. Por sermos um país colonizado, a gente tem mania de pensar pequeno”, disse o presidente, que assistiu à votação ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral, e do prefeito Eduardo Paes (ambos do PMDB). Os Jogos devem custar R$ 28 bilhões ao país. A escolha do Rio refletiu a divisão do COI entre o grupo de seu atual presidente, Jacques Rogge, que apoiou veladamente o Brasil, e o ex-presidente Juan Antonio Samaranch, cujo filho chefiava a campanha por Madrid. A viagem de Barack Obama à Dinamarca não evitou a eliminação de Chicago, base do presidente dos EUA. Num dia fraco nos mercados mundiais, a escolha do Rio fez a Bovespa fechar com alta de 1,18%.

O Estado de São Paulo
"Olimpíada de 2016 é do Rio"

Após duas tentativas, cidade derrota Chicago, Tóquio e Madrid. Escolha histórica coloca os Jogos pela primeira vez na América do Sul. Desafio é maior porque o Brasil fará também a Copa de 2014

O Rio de Janeiro foi escolhido ontem como sede da Olimpíada de 2016. A decisão histórica acaba com 120 anos de assimetria política e desportiva, ao colocar os Jogos Olímpicos na América do Sul pela primeira vez. O projeto brasileiro, iniciado há 10 anos e derrotado anteriormente duas vezes, desta vez superou três concorrentes fortes: Chicago, Tóquio e, por fim Madrid. O placar da última votação no Comitê Olímpico Internacional (COI) foi implacável: 66 votos para o Rio, 32 para Madrid. Embora o projeto carioca fosse considerado perfeito do ponto de vista técnico, o que pesou a favor da decisão do COI foi a possibilidade de universalizar os Jogos. Além dos simbolismos, a escolha acrescenta desafio ao futuro próximo do Brasil, que será sede da Copa do Mundo de 2014. “Temos consciência do que é preciso fazer”, disse o presidente Lula.

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sexta-feira, outubro 02, 2009

O preço da vitória

Olimpíada no Rio exigirá investimento de ao menos US$ 14,4 bi

Veja as principais obras que deverão ser feitas na cidade para abrigar os Jogos de 2016

Por Giseli Cabrini
No discurso em que defendeu a candidatura do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil era a única das dez maiores economias do mundo que nunca havia organizado os Jogos, que os países emergentes se fortaleceram na crise e que já era a hora de a América do Sul ter a chance de promover o maior evento esportivo mundial. O discurso convenceu a maioria dos países, mas a oportunidade que foi dada ao Rio traz consigo enormes desafios.

As cifras de uma Olimpíada são bilionárias tanto do ponto de vista dos investimentos quanto do retorno financeiro. Os recursos necessários para o planejamento e construção de instalações esportivas e obras gerais de infraestrutura são estimados em 14,4 bilhões de dólares. O montante é bem próximo ao que será gasto por Londres nas próximas Olimpíadas (15,8 bilhões de dólares), mas muito inferior ao Orçamento de Pequim 2008 (US$ 40 bilhões). O problema é que, a julgar pelos sucessivos estouros de orçamento do Pan 2007, não é possível saber qual é o verdadeiro tamanho da conta.
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Rio 2016



Deu Rio na cabeça

Sidney Borges
Valeu a torcida. O Rio de janeiro foi escolhido pelo Comitê Olímpico para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Agora é arregaçar as mangas e trabalhar. Vamos mostrar ao mundo que o "yes we can", que o presidente Lula traduziu em seu discurso, é pra valer. Sim, nós podemos. A primeira providência será corrigir o logotipo. O Rio não é mais cidade aspirante. É a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Viva!!!!

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Rio 2016

Olimpíada tropical

Sidney Borges
Está quase na hora da decisão da cidade que vai sediar as Olimpíadas de 2016. Torço pelo Rio de Janeiro. Organizar uma Olimpíada é caro, mas os benefícios são reais. Na área de informática o governo vai ter de disponibilizar internet grátis com velocidade alta. Uma vez instalada a infraestrutura outras regiões do Brasil também vão reivindicar. O governo certamente atenderá. Há outros ítens urbanos que serão reformulados, transporte e segurança entre os prioritários. Segurança talvez seja o maior adversário da Cidade Maravilhosa. Com a Olimpíada ganha o Rio, ganha o Brasil. Alguns velhos esquerdistas falam, com ressentimentos, que seria melhor investir na preparação de atletas. Não concordo, uma coisa puxa a outra, a Olimpíada vai entrar nos corações e nas mentes dos jovens e incentivar a prática esportiva. Foi assim na minha adolescência quando São Paulo sediou os Jogos Panamericanos de 1963. Será assim se o Rio de Janeiro for a cidade escolhida. Viva o Rio de Janeiro.

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Enem

Professores recomendam estudar; tire suas dúvidas sobre Enem

Estadão.Edu
SÃO PAULO - Apesar do atraso da prova do Enem, devido à divulgação da prova na quarta-feira, 30, as universidades tentarão aproveitar a nota do exame em seus vestibulares, e o contepudo cobrado na prova é o mesmo dos exames de seleção das grandes universidade. Portanto, a recomendação de professores de cursinho é que o aluno continue estudando.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, aconselhou "usar o tempo para continuar se preparando para os vestibulares, para o próprio Enem, da mesma forma que fariam em qualquer outra circunstância. Vamos ter mais umas seis semanas pela frente. É frequentar aula, atualizar-se nos jornais, continuar aplicado na leitura, manter o ritmo de trabalho e esperar a remarcação das provas".

Abaixo, veja as principais respostas, até agora, sobre a crise criada pelo vazamento do Enem:

Quando será realizada a prova do Enem?
O Ministério da Educação não fixou uma data oficial, que deve sair nos próximos dias, mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, mencionou um possível intervalo de 45 dias.


Quando devem sair as notas?
Em razão do adiamento, o resultado final das provas, inicialmente previsto para o dia 8 de janeiro, deve atrasar em cerca de um mês, diz o governo. Universidades que usam a nota do Enem para contar pontos em seus vestibulares podem ter acesso antecipado a alguns resultados, no entanto.

Por que o Enem ganhou tanta importância este ano?
Neste ano a prova passou por uma reformulação, mudou de formato - passando de 63 questões para 180, realizadas em dois dias - e será adotado como parte do vestibular para 42 das 55 universidades federais de todo o País.

O que fazer agora que a prova foi adiada? Estudar ou aproveitar para descansar?
Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora dos Cursos Objetivo, conta que o melhor agora é esquecer o problema da prova e continuar a estudar com dedicação total. " Não dá pra relaxar. Como a programação do Enem bate com os grandes vestibulares, basta continuar dentro do programa de estudo para provas como Fuvest e Unicamp", diz.

O que estudar agora nesse tempo extra?
Luis Ricardo Arruda, coordenador da Unidade Tamandaré do Anglo, dá a dica: "O mais importante de cada tema, pois esse é o foco da prova do Enem. Não prestar muita atenção nas notas de rodapé." O coordenador lembra ainda que o aluno que não souber o que estudar deve procurar o professor de cada área e pedir orientação de estudo.
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Coluna do Celsinho

Trinca

Celso de Almeida Jr.
Eu poderia nesta coluna criticar o Mauro Gilberto de Freitas e o Silvio Bonfiglioli Neto.
Homens públicos que são, sujeitam-se a isso, fato normal numa democracia.
Mas, nesse instante, navego por outros caminhos.
Silvio é administrador.
Eduardo César não é.
Mauro é tocador de obras.
Eduardo não é.
Silvio e Mauro não têm votos.
Eduardo tem.
Arrisco dizer que foi a soma destas três inteligências que mobilizou o enorme exército responsável por guindar Eduardo César, por duas vezes, à chefia da prefeitura.
Não é o caso, agora, de analisar o desempenho, as qualidades e limitações destes políticos.
Constato, apenas, que a união destas três forças irradiou a energia necessária para a conquista do poder.
Mauro ficou com a árdua tarefa de poupar o prefeito. Fez o jogo duro. Conduziu as duas campanhas com mão de ferro.
Silvio, hábil articulador, fez no bastidor o que poucos sabem fazer.
Pois bem.
É voz corrente na prefeitura que não é mais a mesma a sintonia entre os três.
É claro que o governo desgasta os seus atores, exigindo novas estratégias, sempre.
Mas, o que percebo, é um grande descuido do prefeito quanto ao zelo com muitos políticos que garantiram a sua sustentação até aqui; Mauro e Silvio em especial.
Uma mesa redonda, num domingo, poderia resgatar a força original?
Talvez.
Caso contrário, as próximas eleições poderão surpreender a base aliada do prefeito.

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Ubatuba

Problemas do Sindtapu

Corsino Aliste Mezquita

Em “Formalização da renúncia” comunicamos, a todos os filiados, a renúncia de oito membros da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública de Ubatuba e, a decisão, da Assembléia Geral Ordinária, de extinguir toda a Diretoria. Sendo Assembléia Geral Ordinária podia apreciar outros assuntos não constantes da pauta, de acordo com o Parágrafo 2°, do Artigo 16, do Estatuto do Sindicato.

Comunicadas as decisões soberanas da Assembléia convidamos todos a aceita-las e a projetar dias melhores para o Sindicato.

Os renunciantes as aceitaram prazerosamente, sentiram-se aliviados e se colocaram a disposição das três filiadas, nomeadas pela Assembléia, para operar a transição, promover a paz, a harmonia, o bom senso e convocar novas eleições, no prazo de trinta dias.

Já os destituídos não aceitaram as decisões impostas pela Assembléia, encastelaram-se na Sede do Sindicato, semeiam mentiras e discórdia nas repartições da Prefeitura, convocam reuniões extraordinárias em série, incluindo os renunciantes e, num ato de dilapidação dos escassos recursos do Sindicato o fazem em cartas urgentes, certificadas e com AR. A que recebi, às 12:00 H, do dia 01-10-09, custou R$ 6,20 (seis reais e vinte centavos) e me convoca, nada mais nada menos, que para reuniões, nos dias: o2, o5, o6, de outubro de 2009. Imaginei a estratégia aloprada de sua signatária e a sustei de imediato em ofício contendo alguns silogismos em bárbara.

Esses procedimentos precipitados, nada éticos e desrespeitosos já se iniciaram na própria Assembléia com o desaparecimento das listas de presença. Alguém acostumado a assembléias com vinte participantes não aceitou a lotação do plenário da EM Presidente Tancredo de Almeida Neves.

Os comportamentos dos depostos que motivaram a renúncia de mais de um terço da Diretoria e os vividos nos últimos dias denotam, o quanto seus autores antepõem, seus interesses individuais, aos interesses do funcionalismo e ao futuro do próprio Sindicato.

Seus procedimentos, entre outras coisas, justificam e provam as causas das demissões dos oito renunciantes, avaliam o relatório apresentado à Assembléia e, devem ser alerta, para todos os filiados que queiram um sindicato forte e voltado para os interesses do funcionalismo. O Sindicato não prosperará se não desterrada, da Diretoria, a estupidez, o desrespeito, a falta de educação e as agressões verbais.

Cabe aos filiados resolver os problemas para que o SINDTAPU não morra. Nessa luta não podemos esquecer a frase de Friedrich von Schiller: “Contra a estupidez até os deuses lutam em vão”.
VIVA UBATUBA!


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Opinião

Diagnósticos graves na rota de Copenhague

Washington Novaes
Há umas duas semanas, um vendaval arrastou ou fez ruir dez casas na aldeia waurá, no Alto Xingu. Muitas pessoas ficaram feridas, duas mulheres gravemente. Embora surpresos com o ineditismo de um vendaval naquela área, os waurás iniciaram imediatamente a reconstrução das casas, agora preocupados em torná-las mais resistentes. O vendaval é consequência do desmatamento em todo o entorno do Parque do Xingu, pelo plantio da soja e implantação de pastos: o vento forte não encontra mais resistência, atrito, e chega a áreas aonde nunca chegara.


Estranho que pareça, os índios do Xingu mostram-se à frente de quase toda a sociedade brasileira, promovendo o que os cientistas do clima chamam de "adaptação" ao novo quadro climático naquilo que ele tem de irreversível e exige transformações muito rápidas. Construções mais resistentes são um desses caminhos, como tantos eventos no Sudeste no Nordeste do País têm mostrado ser necessário. E quem ler alguns relatórios e estudos recentes com certeza vai se alarmar e concluir que nosso atraso é muito preocupante.

Na semana passada, enquanto o G-20 não conseguia passar do terreno das intenções nessa matéria do clima, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicava um relatório (Climate Change Science Compendium) no qual afirma que as mudanças climáticas, no ritmo e na escala de hoje, "podem estar ultrapassando as previsões mais pessimistas feitas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas em 2006". E eventos previstos para o longo prazo podem estar muito mais próximos.

Na Europa, por exemplo, o relatório menciona o derretimento dos gelos nos Alpes e nos Pireneus; a seca extrema em áreas do Mediterrâneo; acidificação dos oceanos, com maior absorção de carbono. Também menciona a forte perda de gelos na Groenlândia e em outras áreas (60% mais que a perda recorde de 1998), que pode levar a uma elevação do nível dos oceanos de até dois metros no fim do século (ou dez vezes mais nos próximos séculos).

Amazônia, Norte da África e Índia podem ser atingidos por eventos muito fortes antes do que se previa. A perda de gelos nas montanhas pode afetar até 25% da população com falta de água para consumo, irrigação e produção de energia. Podem desaparecer alguns climas típicos de certas regiões. O Semiárido nordestino pode perder 10% de seus já escassos recursos.

Tudo isso leva o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a fazer um apelo no relatório (que sintetiza 400 estudos científicos recentes) em favor de ações imediatas. "O tempo para hesitações acabou", diz ele. E como não concordar, se a possibilidade é de aumento de 3 a 4 graus na temperatura da Amazônia em 50 anos? Se já há mudanças "irreversíveis" em toda a América do Sul, até na Patagônia, com a "redução drástica" dos gelos? Se se amiúdam eventos - que o relatório menciona - como os do Sul e do Nordeste brasileiros em 2008-2009? Se Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile enfrentaram a pior seca em 50 anos?
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 02 / 10 / 2009

Folha de São Paulo
"Prova do Enem é adiada; PF investiga vazamento"

Segundo ministro, exame será realizado 'provavelmente' em novembro

A Polícia Federal investiga a quebra do sigilo do Exame Nacional do Ensino Médio, que provocou o adiamento das provas marcadas para este fim de semana. O vazamento foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", procurado por pessoas dispostas a vender o exame. Alertado, o governo confirmou a fraude. Segundo o ministro Fernando Haddad (Educação), a nova prova será "provavelmente" em novembro. Usado na seleção de instituições públicas e privadas, o Enem substituirá neste ano o vestibular em 24 universidades federais.

O Estado de São Paulo
"Enem fica para novembro e PF investiga vazamento"

MEC altera data do exame após ser alertado pelo 'Estado' sobre quebra de sigilo

A prova do Enem foi remarcada para a primeira quinzena de novembro, mas ainda sem dia definido. O exame, que estava agendado para este fim de semana, foi cancelado na madrugada de ontem após o Estado ter avisado o MEC que a prova tinha vazado. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que mandou dar "prioridade máxima" à preparação da nova prova. O objetivo, segundo um assessor do ministro, é tentar realizá-la nos dias 7 e 8 de novembro, logo depois do feriado de Finados. O MEC tenta garantir que haja tempo para a utilização do Enem como exame seletivo para ingresso nas universidades. Os estudantes paulistanos se dividiram sobre o cancelamento. Para alguns, como Guilherme Alvarez, "foi um baque", porque ele "já estava preparado psicologicamente para a prova". Para outros, como Ana Clara Coelho, “um pouco mais de tempo para estudar nunca faz mal".

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quinta-feira, outubro 01, 2009


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Brasil

Enem vem que não tem

Sidney Borges
Se alguém me dissesse eu não acreditaria. No entanto é a realidade, o Enem foi cancelado por ter havido vazamento da prova. Milhares de alunos frustrados. Tenho muita curiosidade sobre o propósito do Enem e de seus resultados. Para mim é uma forma de avaliação dentre tantas que há, algumas difíceis, outras criativas, a maioria burocrática. Não posso falar sobre todas as disciplinas, tenho vivência com Física. O programa exigido é semelhante ao da Fuvest. Os alunos bem preparados saem-se bem em qualquer forma de avaliação. Ouço falar que o Enem vai evitar decoreba, os alunos serão instados a usar raciocínio e não recorrer a conceitos memorizados apenas para as provas. Há uma grande distância entre desejo e prática. Na última prova a primeira questão de Física era pura decoreba. Sem o conhecimento de uma fórmula que o aluno nunca mais vai usar na vida não haveria saída. Exemplo de falta de compromisso com as palavras, dizem uma coisa, fazem outra. A convite de uma editora tenho escrito questões com enunciados longos, gráficos e infográficos. Supondo que serão parecidas com as do Enem. Imagino que prenderão a atenção dos alunos. Claro, daqueles que sabem ler e conseguem interpretar um texto. Na rede pública são cada dia mais raros. Antes de avaliar seria mais lógico ensinar. Educação é política de estado, medidas adotadas hoje demorarão a surtir efeito. Políticos querem resultados rápidos então traçam políticas de governo, tomam medidas de impacto que podem render votos. O resultado é que o Brasil está mal na área educacional. E não há sinais de que isso vá mudar.

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Educação

Prova do Enem vaza e ministério anuncia cancelamento do exame

Homem tentou vender cópia para a reportagem do 'Estado' em SP; MEC confirmou que questões eram originais

Renata Cafardo e Sergio Pompeu
O vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) levou o Ministério da Educação a cancelar na madrugada de hoje a prova, que seria aplicada no fim de semana para 4,1 milhões de candidatos em 1,8 mil cidades do País. A decisão foi tomada pelo ministro Fernando Haddad após ter sido alertado pela reportagem do Estado sobre a quebra do sigilo do exame. "Há fortes indícios de que houve vazamento, 99% de chance", afirmou o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, por volta da 1h, por telefone.


Ontem à tarde, o jornal foi procurado por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado e no domingo. Propôs entregá-las à reportagem em troca de R$ 500 mil. "Isto aqui é muito sério, derruba o ministério", afirmou o homem.

O Estado consultou rapidamente o material, para checar sua veracidade, sem se comprometer com a compra. Haddad, que diz nunca ter tido acesso ao conteúdo da prova, confirmou o vazamento ao consultar técnicos do Inep, órgão do ministério responsável pelo Enem. A comprovação da fraude se baseou em elementos repassados ao ministro pela reportagem, via telefone e e-mail. As questões originais estavam guardadas em um cofre, que foi aberto ontem à noite para confirmar a informação.

No exame que o Estado teve acesso, a prova de linguagens e códigos, que seria aplicada no domingo, tinha na questão número 1 uma tira da personagem de história em quadrinhos Mafalda. Na folha seguinte, o exame reproduzia uma bandeira do Brasil com a área verde parcialmente suprimida, simbolizando o desmatamento. A imagem lembra uma campanha publicitária famosa da organização não governamental SOS Mata Atlântica. Embaixo dela, a prova tinha a seguinte frase: "Estão tirando o verde de nossa terra." Em outro trecho do exame, também no alto, à esquerda, os examinadores usaram no enunciado o poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, aquele que começa com os versos "Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá". As questões da bandeira e do poema foram confirmadas pelo MEC como originais.
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Opinião

O veto aos fichas-sujas

Editorial do Estadão
Mais de 1,3 milhão de brasileiros assinaram o projeto de iniciativa popular, entregue terça-feira ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, que torna inelegíveis os candidatos que tiverem sido denunciados em primeira instância ou com denúncia acolhida em um tribunal por uma série de delitos - racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas -, bem como os já condenados por corrupção eleitoral. Os signatários expressam o repúdio da sociedade à anomalia que permite a delinquentes de todo tipo colecionar mandatos eletivos em busca da impunidade, quando não da reincidência no crime. Os chamados fichas-sujas, dos quais se pode dizer que não têm biografia, mas folha corrida, infestam as instituições representativas em todos os níveis, acobertados pela complacência de sucessivas levas de congressistas que, ao longo dos anos e decerto não por acaso, deixaram de vedar a brecha legal que entrelaça a bandidagem com a política.

A brecha está na Lei de Inelegibilidades aprovada em 1990 para cumprir a determinação constitucional de serem estabelecidos os casos em que os tribunais eleitorais podem barrar candidaturas, "a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato". Foi exatamente o que os legisladores desconsideraram, limitando-se a ecoar o artigo da Carta segundo o qual "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória". O princípio é inquestionável. Mas se problemas na "vida pregressa" podem inabilitar interessados em participar de concursos para admissão no serviço público, mesmo que não tenham sido condenados em última instância, por que a restrição não se aplicaria a futuros parlamentares ou governantes? A proposta de iniciativa popular levada ao Congresso, complementando a legislação capenga de 19 anos atrás, responde adequadamente à indagação.

Ela talvez poderia ter sido desnecessária se o devido processo legal no Brasil não se prestasse a inumeráveis espertezas judiciais que remetem para o Dia de São Nunca a decisão final em processos cujos réus são capazes de pagar advogados especializados em protelações que, a rigor, escarnecem do princípio da inocência salvo prova definitiva em contrário. O veto aos fichas-sujas, nos termos propostos pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, representa um contraponto a essa realidade que revolta o cidadão comum. Não procede o argumento de que alguém responder a um processo é pouco para deixá-lo inelegível ou que "a decisão solitária de um juiz", como alegam os políticos, tampouco basta para barrar uma candidatura. "A condenação em primeira instância é suficiente", explica o deputado Flávio Dino (PC do B-MA), "porque antes disso já ocorreram dois fatos: o Ministério Público ofereceu denúncia e esta foi aceita."
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 01 / 10 / 2009

Folha de São Paulo
"Concentração de terra cresce no país"

Tendência é mais forte nas médias propriedades; IBGE aponta aumento da produtividade em dez anos

Em dez anos, a concentração da terra aumentou no país, segundo o Censo Agropecuário divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados, de 2006, mostraram que o índice de concentração de terra - que relaciona a área total destinada à agropecuária com o número de proprietários - subiu 1,9% na média nacional ante 1995/1996, período do levantamento anterior.

O Estado de São Paulo
"Indústria precisará de US$ 400 bi para pré-sal"

Oposição teme desequilíbrio na economia; Petrobrás vê vantagem para o País

Debate Estadão
O desenvolvimento da indústria nacional para atender à demanda do pré-sal vai necessitar de investimentos de pelo menos US$ 400 bilhões. A conta foi feita pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, após o Debate Estadão "O Futuro do Pré-Sal", realizado ontem pelo Grupo Estado. Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que participou do evento, tamanha necessidade de financiamento pode paralisar outros setores da indústria nacional. Jereissati também criticou a transferência de recursos da União à Petrobrás por meio da operação de capitalização - que, segundo o tucano, pode atingir US$ 130 bilhões, dinheiro que o senador classificou de “doação”, cuja destinação deveria ser educação e saúde. Já o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) disse que o Brasil precisa avançar na legislação ambiental para evitar que a exploração do pré-sal cause alterações no clima.

Frase
"A questão do pré-sal foi colocada pelo governo de forma muito emotiva, como disputa entre nacionalistas e entreguistas" Tasso Jereissati Senador (PSDS-CE)

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quarta-feira, setembro 30, 2009

Austrália

Casal é condenado por homicídio por tratar bebê com homeopatia

Pais se recusaram a buscar ajuda de medicina tradicional durante 4 meses de doença de bebê.

Da BBC
O casal Thomas e Manju Sam foi preso em Sydney, na Austrália, por ter deixado sua filha Gloria, de 9 meses e meio, morrer de septicemia e desnutrição, consequências de um severo caso de eczema.


O casal foi condenado por homicídio culposo. A pena combinada dos dois chega a um mínimo de 10 anos de prisão, sendo que o pai deve cumprir pelo menos seis anos e a mãe deve cumprir pelo menos quatro.

Thomas Sam, de 42 anos, e Manju Sam, de 37, se recusaram a buscar ajuda médica durante os quatro meses e meio em que a criança esteve doente, preferindo tratá-la com homeopatia.

Sam é médico homeopata e tratou a filha sozinho, até que ela desenvolveu uma úlcera no olho esquerdo e foi levada a um hospital, dois dias antes de morrer.

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Deu em O Globo

O Brasil de Lula é inimigo do golpismo

De Elio Gaspari:
Lula disse bem: "O Brasil não acata ultimato de governo golpista. E nem o reconheço como um governo interino (...) O Brasil não tem o que conversar com esses senhores que usurparam o poder".


Os golpistas hondurenhos depuseram um presidente remetendo-o, de pijama, para outro país, preservam-se à custa de choques de toque de recolher e invadiram emissoras. Eles encarnam praga golpista que infelicitou a América Latina por quase um século.

Foram mais de 300 as quarteladas, uma dúzia das quais no Brasil, que resultaram em 29 anos de ditaduras. Na essência, destinaram-se a colocar no poder interesses políticos e econômicos que não tinham votos nem disposição para respeitar o jogo democrático.

Decide-se em Honduras se a praga ressurge ou se foi para o lixo da história. Nesse sentido, o governo de Nosso Guia tem sido um fator de estabilidade para governos eleitos democraticamente.

Se o Brasil deixasse, os secessionistas de Santa Cruz de La Sierra já teriam defenestrado Evo Morales. Lula inibiu a ação do lobby golpista venezuelano em Washington. Se o Planalto soprasse ventos de contrariedade, o mandato do presidente paraguaio Fernando Lugo estaria a perigo.

Para quem acredita que a intervenção diplomática é uma heresia, no Paraguai persiste a gratidão a Fernando Henrique Cardoso por ter conjurado um golpe contra Juan Carlos Wasmosy em 1996. Em todos os casos, a ação do Brasil buscou a preservação de governos eleitos pela vontade popular.

No século do golpismo dava-se o contrário. Em 1964, o governo brasileiro impediu o retorno de Juan Perón a Buenos Aires obrigando-o a voltar para a Europa quando seu avião pousou para uma escala no Galeão.

A ditadura militar ajudou generais uruguaios, bolivianos e chilenos a sufocar as liberdades públicas em seus países. (Fazendo-se justiça, em 1982 o general João Figueiredo meteu-se nos assuntos do Suriname, evitando uma invasão americana. Ele convenceu o presidente Ronald Reagan a botar o revólver no coldre. Nas suas memórias, Reagan registrou a sabedoria da diplomacia brasileira.)

O "abrigo" dado ao presidente Manuel Zelaya pelo governo brasileiro ofende as normas do direito de asilo. Pior: a transformação da Embaixada do Brasil em palanque é um ato de desrespeito explícito. Já o cerco militar de uma representação diplomática é um ato de hostilidade.

Fechar a fronteira para impedir a entrada no país de uma delegação da OEA é coisa de aloprados. A essência do problema continua a mesma: o presidente de Honduras, deportado no meio da noite, deve retornar ao cargo, como pedem a ONU e a OEA.

Lula não deve ter azia com os ataques que sofre por conta de sua ação.

Juscelino Kubitschek comeu o pão que Asmodeu amassou porque deu asilo ao general português Humberto Delgado. Amaciou sua relação com a ditadura salazarista e, com isso, o Brasil tornou-se um baluarte do fascismo português.

Ernesto Geisel foi acusado de ter um viés socialista porque restabeleceu as relações do Brasil com a China e reconheceu o governo do MPLA em Angola.

As cartas que estão na mesa são duas: o Brasil pode ser um elemento ativo para a dissuasão de golpismo, ou não. Nosso Guia escolheu a carta certa. (Do Blog do Noblat)

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Eleições 2010

A ossatura de uma campanha para presidente no Brasil!

Do Ex-Blog do Cesar Maia
1. O quadro eleitoral de 2010 vai sendo desenhado com 4 candidaturas: Serra, Dilma, Ciro e Marina. Potencialmente todas as quatro são competitivas. Ou seja, se tiverem instrumentos análogos para desenvolver suas campanhas, todos os 4 podem vencer, e isso dependerá da performance em campanha.

2. Uma campanha presidencial no Brasil tem 4 componentes: visibilidade básica indicada pelas pesquisas de opinião pré-eleitorais; condições de captação de recursos; tempo de TV; e capilaridade dada pela estrutura política de apoio nos estados, incluindo os candidatos a governador que o apoiam de fato.

3. a) As pesquisa de opinião mostram que o nome que vem no final, Marina, parte de quase 10% e, portanto é competitiva numa campanha de dois turnos. Os demais, por maior razão.
b) Todos os candidatos têm condições de captação de recursos, mesmo que diferenciadas, mas suficientes para TV, Rádio, papelaria, mobilidade, hospedagem, equipe, etc. Como se sabe, na parte final da campanha a captação de recursos será proporcional à probabilidade de eleição dada pelas pesquisas.

4. c) Tempo de TV é o primeiro elemento diferenciador. Serra conta com o tempo expressivo do PSDB e DEM. Dilma ainda mais, com pelo menos o do PMDB e PT. Ciro com um tempo insuficiente, se apenas tiver o tempo do PSB terá que buscar alianças que dobrem seu tempo. De qualquer forma, numa campanha de dois turnos o tempo que tem, articulado a uma boa performance de campanha pode levá-lo para a faixa dos 20% e torná-lo competitivo para o segundo turno.

5. Pior o caso de Marina com o reduzido tempo do PV. Nesse caso, ou conquista aliados que recoloquem seu tempo de TV a pelo menos o nível de Ciro, ou enfrentará uma campanha com esse obstáculo difícil de ser ultrapassado.
d) O último elemento, outra vez diferencia a favor de Serra e Dilma. Ciro tem alguma capilaridade, via PSB. Mas terá que ter candidatos a governador articulados com sua candidatura, em pelo menos 15 estados, sendo que entre estes os 10 com maior peso eleitoral. Se sua candidatura em abril de 2010 sinalizar clara possibilidade de estar à frente de Dilma, será menos problemático conseguir desenhar acordos que o aproximem de 15 candidatos a governador.

6. Já Marina enfrenta aqui um obstáculo quase intransponível, a menos que surpreendesse em pesquisas no entorno de abril, ultrapassando Ciro e Dilma ou colando neles quando poderia fechar alianças que lhe dessem a capilaridade necessária.

7. A exposição até junho de 2010 pode iludir Ciro e Marina, pois as condições até lá estarão igualadas a Serra e Dilma na pré-campanha. Mas se acreditarem que são suficientes e não levarem em conta que o tempo de TV e a capilaridade desmancharão o que conquistaram antes, a campanha pode os surpreender: negativamente.

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Brasil

O quinto dos infernos

Um pouco de história brasileira
(Difundido na web em vários blogs, mas já retocado por autores não identificados)

Durante o século 18, o Brasil pagava um alto tributo ao seu colonizador, Portugal. Ele correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção que resultava principalmente da mineração de ouro.

Esse "Quinto" logo foi apelidado de "Quinto dos Infernos". A taxação altíssima e absurda era odiada, pois representava exploração, miséria e pobreza.

A situação agravou-se quando a Coroa portuguesa, em um episódio conhecido como "Derrama", exigiu os "quintos atrasados" de uma só vez. O fato revoltou a população, dando ensejo à conspiração depois chamada pelos historiadores de "Inconfidência Mineira" por efeito de uma traição. A trama teve triste final com a prisão, o julgamento e a expatriação dos réus. O seu líder, Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi condenado à morte.

Nos dias de hoje, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar a 38%, quase 2/5 (dois quintos) da produção nacional, praticamente o dobro daquela exigida pelas Cortes à época da Derrama. Isso significa que paga-se "dois quintos dos infernos" de impostos...

Para que? Em grande parte, para sustentar corrupção, subornos, roubos, fraudes, bacanais, tráfico de influência, turismo privado, comissões e jetons. Tudo isso generosamente pago com dinheiro do povo. Condutas indevidas em todos os níveis e esferas do Poder Público. Tem sido a gigantesca farra sempre praticada durante toda a história brasileira, os escândalos tendo atingido o auge recentemente, durante os governos do Presidente Lula, exemplares quanto a esses hábitos indignos, mas correntes entre os políticos profissionais. (Diante disso, o antes célebre PC Farias, falecido assessor e capacho do mui justamente demitido Ex-Presidente Collor, perdeu a fama e o seu alto posto de bandido mais eminente da República! Nota-se também que nem mais se fala dos famosos Sete Anões do Orçamento! Do jeito que as coisas andam, haverá esquecimento bastante para todos!).

Conclui-se que as crescentes parcelas do dinheiro confiscado do povo servem para alimentar uma corja poderosa e depravada, cada vez mais voraz e cara, que atualmente custa o dobro do que custava a anterior, da época colonial. (Já calculadas as atualizações monetárias etc.).

Em 1789, Tiradentes liderou um movimento contra as Cortes de Lisboa. Lutou para extinguir o tal “Quinto dos Infernos” e transformar o Brasil numa república independente. Contudo, ele e seus companheiros não obtiveram êxito.

Ele foi condenado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que são pagos hoje! Em 21 de abril de 1792, foi enforcado em praça pública. O seu corpo foi esquartejado e espetado em postes distribuídos na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Como era de lei, a sua casa deve ter sido queimada, a sua terra salgada e os seus bens confiscados.

Hoje, há quem se console apenas com o feriado nacional anual, dedicado a esse herói entusiasta dos ideais da Revolução Francesa! (Enviado por Renato Nunes)

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Opinião

A única saída para o Brasil

Editorial do Estadão
Desde que o presidente deposto Manuel Zelaya entrou no recinto ocupado pela embaixada brasileira durante seu governo, como hóspede e não como asilado político, ninguém consegue impedir que ele faça das antigas instalações diplomáticas uma "plataforma política da insurreição". Ao receber Zelaya, naquelas condições, o governo brasileiro, que não mantém relações com o atual governo, já cometeu um grave erro diplomático, pois não se tratava de um político proscrito que buscava refúgio para escapar da perseguição de seus adversários, mas de um presidente deposto e expatriado que voltava a seu país clandestinamente. Só com isso, passou a militar ativamente a favor de uma das duas facções em que se divide Honduras - aquela protegida pelas imunidades mantidas pelo atual governo à embaixada que deixara de ter esse status desde que o embaixador brasileiro dali se retirou. Esse erro foi agravado desde o momento em que ficou comprovado que o controle interno do antigo recinto da embaixada havia escapado dos funcionários brasileiros encarregados de zelar pela antiga sede da missão diplomática e era exercido plenamente por Zelaya e seus seguidores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Celso Amorim, mais de uma vez, pediram a Zelaya que se abstivesse de fazer a propaganda da insurreição enquanto estivesse no recinto da antiga embaixada. Não foram atendidos. No sábado, obedecendo a instruções estritas, o diplomata Lineu Pupo de Paula voltou a transmitir a Zelaya o pedido do governo brasileiro para não fazer da antiga embaixada uma central de agitação política. Mais uma vez não houve resposta.

Manuel Zelaya é o hóspede inconveniente que se comporta como dono da casa. Ali ele dispõe de tamanha liberdade de ação que lhe permite fomentar uma insurreição política de dentro dela, já que o governo que o depôs ainda respeita o recinto como sede de uma missão diplomática.

Mas é cada vez maior o risco de esse respeito ser substituído por ações violentas, uma vez que o governo de facto de Honduras, obviamente, não assiste a tudo isso de braços cruzados. No domingo, decretou estado de sítio por 45 dias, estabelecendo restrições, principalmente, aos direitos de ir e vir e de livre manifestação. E ordenou às forças de segurança que reprimam com energia qualquer manifestação popular não autorizada.

"Nenhum país pode tolerar que uma embaixada estrangeira seja utilizada como base de comando para gerar violência e romper a tranquilidade, como o senhor Zelaya está fazendo desde sua chegada ao território nacional", afirmou nota oficial do governo de facto. Em vista disso, foi dado ao governo brasileiro um ultimato para que defina dentro de dez dias o status do presidente deposto. Se de asilado, receberá salvo-conduto para ser transportado para o Brasil. Se de abrigado, o governo de facto retirará os privilégios diplomáticos da embaixada brasileira, que passará a ser considerada um simples escritório privado.

O presidente Lula, que estava na Venezuela, repeliu o ultimato. Apresentando-se como o paladino de um país da América Central que nunca fez parte das prioridades da política externa brasileira, o presidente fez exatamente aquilo que o ex-chanceler do México Jorge Castañeda recomendava em entrevista no Estado de domingo que o governo brasileiro não fizesse: um país que tem aspirações a ser um líder mundial "não pode aparentar cumplicidade com radicais". O conselho chegou tarde. O presidente Lula não apenas caiu na armadilha armada por Hugo Chávez em Honduras, como foi procurar apoio para sua luta pela democracia na América Central, numa reunião de cúpula de países sul-americanos e africanos realizada na Venezuela na qual pontificavam lutadores da democracia do estofo de Robert Mugabe, presidente há 30 anos do Zimbábue, e de Muamar Kadafi, ditador há 40 anos da Líbia. Obteve-o por unanimidade.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Brasil recusou avião para Zelaya voltar, diz Amorim"

Em Honduras, chefe das Forças Armadas prevê 'solução' da crise em breve

Em audiência no Senado, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou que Manuel Zelaya, o presidente deposto de Honduras, pediu a ele há cerca de três meses o empréstimo de um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para levá-lo de volta à Tegucigalpa. Amorim disse ter recusado o pedido: “A FAB não foi nem consultada". O chanceler negou, mais uma vez, que o governo tenha recebido alguma indicação do retorno de Zelaya a Honduras na semana passada, quando o presidente deposto se abrigou na embaixada brasileira.

O Estado de São Paulo
"TCU manda parar 41 obras federais e irrita Planalto"

Além de indícios de irregularidades, tribunal aponta problemas ambientais

O Tribunal de Contas da União recomendou a paralisação de 41 obras federais, em atitude que causou irritação no Planalto. A recomendação atinge 13 obras do Programa de Aceleração do Crescimento - pilar da campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência. Embora representem só 0,5% do PAC, essas obras envolvem recursos de R$ 7,38 bilhões. O TCU indicou superfaturamento e pagamento por serviços não prestados. Além disso, o tribunal decidiu fiscalizar aspectos ambientais e constatou precariedade do acompanhamento do Ibama no processo de licenciamento. O relatório aponta outros 22 empreendimentos com indícios de irregularidades graves, com a sugestão de retenção parcial de valores, mas sem recomendar suspensão. Nesse caso, aparecem 16 projetos do PAC.

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terça-feira, setembro 29, 2009

Honduras

Zelaya, um fazendeiro que se virou para a esquerda

O Globo
Polêmicas marcam vida e carreira de presidente deposto, como a prisão do pai por massacre de agricultores

Antes do golpe que o derrubou do poder, Manuel Zelaya tentava levar adiante uma consulta popular que abrisse caminho para reformar a Constituição.

Seus críticos dizem que ele buscava, nessa consulta, uma tentativa de aprovar a reeleição presidencial e, assim, candidatar-se a um novo mandato em 29 de novembro.

Mesmo com o Congresso, a Suprema Corte e as Forças Armadas sendo contrários à consulta por declará-la inconstitucional, Zelaya levou-a adiante, num desafio aos demais poderes.

Mas o golpe de 28 de junho impediu que ela fosse realizada e expulsou Zelaya do país, ainda de pijama. O golpe fez com que praticamente todo o continente se unisse em declarações de apoio ao presidente deposto e contra uma prática que se considerava ultrapassada na América Latina.
Uma polêmica pôs fim ao seu governo, mas outras tantas marcaram seu mandato. O chapéu de vaqueiro e o vasto bigode se tornaram a marca registrada desse fazendeiro, vindo de uma família de latifundiários, e que foi eleito pelo Partido Liberal em 2005.


Apesar de vir da direita, Zelaya virou-se para a esquerda logo após a eleição, aproximou-se da Venezuela, entrou para a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e afastou Honduras de seu antigo aliado, os EUA, despertando inquietação entre antigos correligionários.

Deputado por três vezes de 1985 a 1998, Zelaya foi ainda ministro de Investimento Social antes de se candidatar à Presidência. Como presidente, promoveu políticas assistencialistas, mas não conseguiu conter a alta dos preços ou o tráfico de drogas como prometera.

Algumas decisões, como a ordem para rádios e TVs transmitirem duas horas de propaganda do governo diárias, eram vistas com desconfiança por empresários.

Persistente, Zelaya levou à frente a decisão de realizar a consulta popular, apesar das oposições. Mas o golpe, ao amanhecer do dia em que a consulta seria realizada, abreviou o seu mandato e atraiu as atenções para Honduras.

Entre as polêmicas e os rumores despertados no seu governo, há quem o acuse de ter feito vista grossa — ou mesmo de estar ligado — aos pequenos aviões que pousam no país como escala na rota do tráfico internacional.

Segundo fontes, de janeiro a junho caíram ou foram interceptados 26 aviões com drogas no país. Desde 28 de junho, só um. As insinuações não param aí. Segundo a imprensa, Héctor (um dos quatro filhos que teve com Xiomara) foi passageiro no avião de um traficante que pousou no aeroporto de Tegucigalpa.

Na cidade de Catacamas, onde o presidente deposto iniciou sua vida política, a poderosa família Zelaya não é muito querida. Seu pai, José Manuel Zelaya, foi condenado pelo massacre de 14 pessoas. Elas iam participar da Marcha pela Fome, em 1975, pedindo terras.

Os corpos dos agricultores foram jogados num poço, fechado com explosões de dinamite. Sentenciado a 20 anos de prisão, o pai cumpriu apenas um ano e foi anistiado. O presidente deposto tinha 23 anos na época e há rumores de que teria ajudado a esconder os corpos. (Do Blog do Noblat)

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Opinião

O poder corruptor do jogo

Editorial do Estadão
Dois fatos recentes dão a medida do equívoco que a Câmara poderá cometer se aprovar o substitutivo do deputado Régis de Oliveira (PSC-SP) que, sob a justificativa de "regularizar" o funcionamento das casas de bingo e das máquinas caça-níqueis, abre a brecha para a legalização de todos os jogos de azar no País. Quando o substitutivo foi aprovado há uma semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, os poucos parlamentares que resistiram ao poderoso lobby dos "empresários" da jogatina advertiram que a liberação dos bingos levará à proliferação do crime organizado e ao embate entre quadrilhas que disputam o controle de determinadas áreas.

Os dois fatos acima referidos dizem respeito, justamente, a esse problema. O primeiro deles foi o acolhimento, pela 1ª Vara Criminal de São Paulo, da denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra 12 pessoas presas pela Operação Têmis, da Polícia Federal. Realizada há dois anos no Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, a operação desbaratou uma quadrilha que, entre outros crimes, negociava decisões da primeira e da segunda instâncias da própria Justiça Federal para favorecer proprietários de casas de bingo e de máquinas caça-níqueis.

Depois de cumprir mais de 80 mandados de busca e apreensão, a PF descobriu que o esquema, apesar de ter sido montado no âmbito do Judiciário, também tinha ramificações em importantes órgãos do Executivo. Além de envolver um juiz e três desembargadores, a quadrilha contava com a participação de quatro advogados, de um membro da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e de uma servidora da Receita Federal. Ao denunciar o esquema por corrupção ativa e por crime de formação de quadrilha, o Ministério Público Federal alertou para o poder corruptor dos "empresários" da jogatina.

O segundo fato ocorrido recentemente foi o desmonte, por meio da Operação Novelo, realizada por 750 agentes da Polícia Civil de São Paulo, de uma organização criminosa que explorava jogos de azar pela internet. Ao todo, foram vasculhadas 358 lan houses de fachada, apreendidos 3 mil computadores e cumpridos 25 dos 39 mandados de prisão expedidos pela 1ª Vara Criminal da capital. Também foram bloqueados imóveis, carros de luxo, barcos e contas bancárias da quadrilha, que agia em 12 Estados, movimentava cerca de R$ 60 milhões por ano e era liderada por donos de casas de bingo e máquinas caça-níqueis. O esquema era tão organizado que chegava ao requinte de "franquear" lojas nas quais os apostadores só entravam se tivessem uma senha ou se fossem conhecidos pelos "franqueados". As apostas eram feitas em dinheiro e, para participar desse cassino virtual, os apostadores escolhiam os valores a serem creditados, imprimiam um boleto e faziam o depósito.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 29 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Golpista fecha rádio e TV em Honduras"

Emissoras transmitiam fala de Zelaya da embaixada brasileira; para EUA, presidente deposto foi 'irresponsável'

O governo golpista de Honduras tirou do ar por "ataques à paz" uma TV e uma rádio que apoiam o presidente deposto, Manuel Zelaya, horas após publicar decreto que permitia suspender vários direitos civis. Mais tarde, porém, a Presidência anunciou que retiraria o decreto "nos próximos dias", depois de ter perdido a maioria no Congresso -fato inédito desde o início do golpe, no final de junho. A rádio Globo e o canal 36 eram as únicas emissoras a transmitir constantemente declarações de Zelaya na embaixada brasileira, onde ele se refugiou há oito dias. Em reunião da Organização dos Estados Americanos, o representante dos EUA, W. Lewis Amselem, condenou os golpistas por expulsar diplomatas e chamou o retorno de Zelaya de "irresponsável e tolo".

O Estado de São Paulo
"EUA condenam Zelaya e criticam 'os que o ajudaram'"

Na OEA, presidente deposto, apoiado pelo Brasil, é chamado de irresponsável

O retorno de Manuel Zelaya a Honduras foi uma titude "irresponsável" e "idiota", segundo disse o representante dos EUA em reunião na Organização dos Estado Americanos, Lewis Anselem. "Ele deve parar de agir como se estivesse estrelando um filme antigo", acrescentou o diplomata, que também criticou "os que facilitaram sua volta" - a Venezuela ajudou Zelaya e o Brasil o abrigou em sua embaixada em Tegucigalpa. Para Washington, Zelaya só poderia ter voltado se houvesse acordo com o governo de facto, para evitar violência. Ontem, forças hondurenhas, baseadas no estado de sítio, invadiram e depredaram uma emissora de rádio e uma de TV pró-Zelaya, informa a enviada especial Denise Chrispim Marin.

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segunda-feira, setembro 28, 2009

Ubatuba em foco

Mudando de casa

Sidney Borges
O ex-vereador Charles Medeiros mudou de partido. Saiu do PSDB e filiou-se ao PDT. Charles faz parte da reestruturação da sigla do "caudilho" Brizola que pretende alargar horizontes no Vale do Paraíba e no litoral norte. Com a mudança podemos antever a possibilidade de mais uma candidatura ao paço municipal. Como presidente do partido Charles terá legenda e, caso queira, poderá ser candidato a prefeito. Ou talvez a deputado, já em 2010.

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Coluna do Mirisola

Bienal do Rio

Ou: Guimarães Rosa fazia bico no Itamaraty

Marcelo Mirisola*
Wilson Bueno foi o primeiro a concordar comigo. Aconteceu em Paraty, 2006. Passaram-se três anos e, de lá pra cá, a coisa somente fez piorar. Eu estava na Flip de “jornalista”. Confesso que nunca me imaginei nesse ramo de atividade, logo eu que já vendi antenas parabólicas, títulos de clube de campo, cosméticos. Sou escritor. Mas, antes de ter me metido nessa roubada, também percorri garimpos como capangueiro, trabalhei numa banca de secos e molhados no mercadão, quase me torno agrônomo e cheguei até o final da faculdade de direito por puro fetiche – essa descoberta é recente.

Impressionante, aliás, o fato de ter aguentado cinco anos numa faculdade de Direito. Só agora é que entendi que era atraído não pelo Código Civil, mas pelo salto alto e o tailleur da mulherada, o ar sério e compenetrado, aquela roupinha discreta e as cruzadas de pernas; minha libido se bacharelou em cinta-liga e somente agora – depois de quase 20 anos - é que descobri que fiz mestrado em corte chanel e doutorado em smoking fetish. Ah, coisa mais tesuda quando as doutoras tentam mas não se esforçam muito para disfarçar a lubricidade enquanto o fogo delas arde debaixo da jurisprudência estabelecida. Não existem ambientes mais sacanas que as arcadas, fóruns e tribunais. Nem na zona do meretrício a concupiscência é tão urgente. As doutoras são especialistas nesse jogo; elas carregam uma compostura cínica cuja devassidão está sempre à espreita por trás dos óculos de leitura: prontas para dar o bote, engolir o pau , digo,o réu – tanto faz se for culpado ou inocente. Bacharel em Direito, especialista em fetiche.

Eu passaria mais 50 anos na faculdade de Direito. Ao lado das filhas, netas e bisnetas das gostosonas que estudaram comigo e que, hoje, devem ser juízas, procuradoras, promotoras e advogadas de ilibada reputação e notório saber jurídico. Tesão!

São as melhores boqueteiras as advogadas.

Eu nunca fui jornalista. E, antes de comerciar embutidos no mercadão, antes de vender cosméticos e antenas parabólicas, antes de qualquer coisa – desde criancinha – não fiz nada diferente de escrever.

Isso que eu falava pro Wilson Bueno, e ele, que é outro escritor de verdade, concordava comigo: o escritor, antes de ser qualquer coisa, antes mesmo de ser uma mentira, é um escritor que mente. Rimbaud traficava armas e negros, eu trafiquei animais silvestres. Minha especialidade eram os tucanos e as araras azuis. Isso foi antes, durante e depois de ter me matriculado na faculdade de Direito, final dos 80, meados dos 90. Fui olheiro de time de segunda divisão, empresário de futebol no Vale do Itajaí, fiz campanha pra político corrupto na Praia Grande, e o Carlinhos era meu melhor amigo.

Nem sei por que nunca falei do Carlinhos. Meu compadre, professor de vagabundagem. Até quando ele cismou que eu queria comer a mulher dele. Pô, malandro! Não procede, meu tesão é por manicures e não por cabeleireiras: eu tava mesmo a fim da Deusinha, a paraíba que fazia pés e mãos no salão Art & Estilo e que caiu na vida graças ao meu encaminhamento. Não dei sorte no ramo do turismo náutico, admito. Mas tenho lá meus méritos como proxeneta. Deusinha nasceu para ser puta. As pessoas têm vocação.

No caso do escritor, isso – a vocação - é algo mais visível e inalienável. Ou, como minhas colegas doutoras diziam, “condição sine qua”. Um ajuste, se me permitem: as melhoras boqueteiras são as advogadas, sim. Todavia na magistratura e no Ministério Público - talvez pela liturgia do cargo, sabe-se lá... -, as doutoras gostam mesmo é de um sexo anal bem safado. Do que falávamos? Ah, lembrei. Se não for escritor antes de ser qualquer outra coisa – repito –, o sujeito vai ser qualquer coisa, e pode se dar muito bem na vida, aliás. É o que eu sempre digo, o Sesc e o Senac têm um monte de cursos profissionalizantes. Vai ser garçom, rapaz! Pra que dificultar as coisas? Quanto picareta dando expediente de escritor por aí, eu comentava com meu amigo Wilson Bueno. São dublês, falsificações.

Pois bem, lembrei do meu encontro com Bueno, porque, semana passada, fui convidado para ir à Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

O mediador – vejam só – queria saber de que forma eu gostaria de ser apresentado. Se fosse num congresso de arquitetura, eu lhe disse, gostaria que me chamassem de Le Corbusier. Mas como se tratava de uma Bienal do Livro, me daria por satisfeito se fosse apresentado como Marcelo Mirisola, escritor. Marcelo Moutinho, o mediador, ficou espantado. Como assim? Eu não tinha mestrado nem doutorado? Só em fetiches, eu disse. Mas não servia. Não era tradutor, não tinha feito nenhuma pesquisa séria? Não era professor da USP? Não me dependurava em ganchos?Não havia escrito a biografia de um gênio da bossa nova? Não era colunista de um grande jornal? Meu pai não era pipoqueiro? Eu não morava na periferia?

Escritor? Como é que pode? Só faltou ele querer saber com qual roupa eu pretendia ir ao encontro. Bonito? Também não. Preto? De esquerda? De direita?

Nada disso. Também nunca li nenhum autor afegão. E penso que somente o milionário Paulo Coelho pode se dar ao luxo e à demagogia de compartilhar direitos autorais com internautas pentelhos e folgados. Cioran é minha seicho-no-iê. Não acredito em horóscopo, e – aqui entre nós - a MTV deu uma boa melhorada depois que a Dani Calabresa entrou naquele bixiga, hein? Só está faltando eles mandarem a Penélope Nova para fazer uma expedição de uns 15 anos lá no Simba Safári. As emas, aquelas criaturas sensuais, inteligentes e descoladas, iriam adorar.

Tentei o ramo de auto-peças e me dei mal. Enfim, sou escritor porque não sei fazer mais nada. Se pudesse escolher, seria autista e todos os meus leitores estão cansados de saber que defendo a pena de morte no caso de pizza de mussarela com borda recheada de catupiry. Falei essas e outras para o mediador Marcelo Moutinho – evidentemente de uma maneira mais sutil, educada e sucinta: “Escritor, não basta?”.

Ele ainda vacilava. Então, eu devia fazer o quê? Roteiros para cinema? Também não. Não entendo bulhufas de cinema: para mim, depois de Anticristo, Zé do Caixão e Lars Von Trier são a mesma pessoa. Também sou um analfabeto musical e desde os meus nove anos de idade que perdi o interesse por gibis e pelo Caetano. Como é que ele iria me apresentar?

Escritor-escritor. Como assim? Se eu não passo minhas noites enchendo a cara e me drogando? Que diabos! Como eu que eu posso ser um escritor desse jeito? Ué?

Ué! Eu lhe disse que tinha dez livros publicados, um melhor que o outro, será que não bastava?

Medalhas? Prêmios? Também não. O máximo que consegui foi ter um livro censurado na biblioteca do presídio de Presidente Bernardes. Não sabia mais como dizer ao mediador que eu era um escritor. Chegou uma hora em que fiquei constrangido por mim e por ele. Na falta de atrativos, prometi que compraria uma camisa havaiana para ir ao debate (que foi broxante, diga-se de passagem). E, antes que me acusem de ter me transformado num arroz de festa, eu digo que fui porque o Ítalo Moriconi me convidou, e porque o Reinaldo Pornopopéia Moraes e o Marcelo Rubens Paiva também iriam. Diante do talento e da simpatia desse trio, quem não iria?

Ah, Reinaldo, a propósito: quer fazer a orelha do meu próximo livro?

Sem falar que Lady Hiroshima saiu diretamente dos livros do Tanizaki, ou melhor, veio especialmente de Foz do Iguaçu para o nosso ménage. E depois – esse era o plano... – seguiríamos para a festa argentina da Priscila Miranda, debaixo do sovaco iluminado do Redentor. Por que não?

A festa foi ótima, mas a bienal foi uma bosta. Aquela legião de criancinhas desesperadas correndo e gritando feito loucas. Um porre. Penso que somente as crianças que são excluídas pelas outras crianças, geralmente as mal ajambradas e esquisitas e aquelas que não têm coordenação motora, é que gostam de livros; criança normal gosta mesmo é de zoar – e bem longe do Riocentro. O convívio com bons livros, a meu ver, não é saudável antes dos 30 anos de idade. Eu penso, por exemplo, que é um desperdício ler Borges e não ter os instrumentos intelectuais para compreendê-lo. Questão de discernimento. O sucesso da Xuxa na Bienal chancela essa regrinha de três diabólica. E – infelizmente – não me tira a razão. Enquanto isso, picaretas de auto-ajuda fechavam negócios, galãs e galinhas globais brilhavam, jornalistas caipiras se deslumbravam com uns gringos meia-boca, o Ziraldo tirava suas casquinhas, e os xaropes de sempre faturavam em cima. Apesar disso – e apesar de o Riocentro ficar na casa do chapéu –, eu fui. Aquela Meg Cabot é uma retardada.

Eu fui, sim. Sem álibis, só eu e meus livros. Nunca precisei tomar Rivotril para escrever. Nunca fui preso. Também nunca fui internado num manicômio. Durmo cedo e acordo mais cedo ainda. Meus livros, graças a Deus e ao Cioran, não rendem imagens cinematográficas e – lamento decepcionar o leitor novamente: – nunca tive tesão na minha mãe.

E lá, no meio do debate, no maior couro de piça, a coisa não decolava. Reinaldão falava de suas broxadas, estávamos sem assunto e com o mediador mais perdido que cego em tiroteio, o som do microfone abafado e as ideias idem... crianças se esgoelavam para ver algum Bozo pedófilo do lado de fora.

Sei lá por que e meio que sem jeito, começo a falar que os picaretas e os dublês de escritores, uma horda de psicanalistas, antropólogos, professores da USP metidos a sambistas, putas, apresentadores de televisão, socialites & rappers e o escambau, tomaram os livros de assalto... nesse instante, quando ia coroar meu brilhante raciocínio citando o dr. Vampirinho Varella ... bem, na hora que eu ia decolar, o Marcelo Paiva concordou comigo, e eu achei que ele havia comprado minha versão, e calei.

Mas, de repente, o autor de As fêmeas mudou o discurso... pensou bem, e supostamente deve ter chegado à conclusão de que Carlos Drummond de Andrade era apenas um pacato funcionário público, que Pedro Nava era uma bicha enrustida e médico, que Euclides da Cunha era engenheiro e corno, que Guimarães Rosa era diplomata. Que, em suma, eu estava exagerando, e assunto encerrado. Aí eu travei. E o debate empastelou de vez, patinamos até um final triste e melancólico.

E somente hoje – depois de 48 horas – é que me dei conta de um dado simples que liquida a questão. Ouve isso, Paivinha: João Guimarães Rosa era um escritor que fazia bico de diplomata. Bingo, né?

O Itamaraty era apenas um bocal espanado. Um bico, um extra. Ou alguém lembra de algum despacho de Guimarães Rosa no Itamaraty mais relevante que Grande Sertão: Veredas? A mesma coisa vale para João Cabral de Melo Neto. Antes de qualquer carimbo de passaporte, ele é o autor de A educação pela pedra; e vale, sobretudo, para Vinicius de Moraes, outro que pintava paredes, instalava chuveiros elétricos e fazia bicos no Itamaraty porque... ora, porque era escritor antes de ser qualquer outra coisa! Antes, durante e depois de encher a cara também! Simples assim, e eu deixei passar...

No final do debate, recebi um bilhete com letrinhas redondas e apaixonadas, que dizia o seguinte: “Mirisola, você é um bobo”. Além de bobo, lerdo.

O "Monólogo da Velha Apresentadora" está acabando. No mês de outubro ficaremos em cena apenas aos domingos, 18h30. E terminaremos a temporada no último dia das Satyrianas, às 18h. Será segunda-feira, dia 2 de novembro. Finados.

Convido a todos a beber a Velha comigo no Dia dos Mortos. No teatro dos Satyros 1. Pça Roosevelt, 214, São Paulo, SP

Com Alberto Guzik, Chico Ribas
Direção: Josemir Kowalic
O texto é meu, né?

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