sábado, setembro 26, 2009

Coluna do Celsinho

Clube dos Teimosos

Celso de Almeida Jr.
Um café com o Flávio Médici relembrou-me das reuniões do saudoso Ubatuba Viva.
Somos entusiastas do debate político.
Acreditamos que é possível melhorar o desempenho da gestão pública.
O drama é chover no molhado.
Pregar no deserto.
Não encontrar eco.
Mesmo assim, a discussão é salutar.
No caso de Ubatuba, ainda é preciso quebrar aquela aversão que muitos políticos têm ao questionamento.
Soberbos, preocupam-se com o simples fato de existir oposição.
Sem falar nas seguidas tentativas de dominar a imprensa, postura típica das regiões mais atrasadas do país.
Realmente, uma pena, pois, com essa prática, perpetua-se um jeito rasteiro de se fazer política.
Precisamos elevar o nível do debate.
Dar bons exemplos para as novas gerações.
Talvez, o Clube dos Teimosos possa contribuir para isso.
Como os movimentos surgem somente no período eleitoral, caso do Ubatuba Sim e do Ubatuba Viva, acredito que um fórum permanente de debates daria maior credibilidade aos questionadores.
De certa forma, a internet vem promovendo isso, permitindo que muitos pensamentos sejam divulgados sem censura.
Mas ainda é pouco.
Nosso povo, desamparado e despreparado, embarca fácil em qualquer promessa.
Conscientizá-lo é tarefa para gerações, indicando que a chama do pensamento reto precisa ser alimentada continuamente.
Portanto, muita saúde para os teimosos!
Água mole em pedra dura...

Twitter

Opinião

O Brasil busca uma saída

Editorial do Estadão
Boquirroto, como sempre, o caudilho Hugo Chávez já contou como aconselhou e auxiliou o presidente deposto Manuel Zelaya a voltar a Honduras e a buscar abrigo na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Forneceu os meios para a viagem e participou pessoalmente de uma operação de despistamento, para levar o governo de facto de Honduras a crer que o presidente deposto estava indo para Nova York, quando seu destino era seu próprio país. O que ainda não está claro é se Hugo Chávez deu conhecimento de seu plano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Itamaraty ou se decidiu colocar o Brasil numa situação delicada - numa verdadeira armadilha - sem avisar ninguém, dando por bem que pode manobrar à vontade o seu aliado brasileiro. Nenhuma dessas hipóteses é lisonjeira para o governo petista.

O fato é que o governo brasileiro se tornou prisioneiro de suas próprias posições. Ao liderar o movimento pela volta de Manuel Zelaya ao governo - do qual foi deposto em processo conduzido pela Suprema Corte e pelo Congresso e concluído desastradamente pelas Forças Armadas, para evitar que o presidente desse o primeiro passo para a reeleição, expressamente proibida pela Constituição do país -, em nome da defesa da democracia na America Latina, o presidente Lula da Silva caiu na armadilha armada pelo maior inimigo da democracia como ele, Lula, a entende. Agora, surge perante o mundo, que aprendeu a respeitá-lo e admirá-lo exatamente pelo que o distingue do inventor do "socialismo do século 21", como seu aliado e até instrumento, na desastrada aventura "zelayana".

O Plano Arias poderia atender às exigências da comunidade internacional e, ao mesmo tempo, manter intacto o princípio constitucional, cuja violação motivou a destituição de Zelaya. Mas, para isso, as duas partes teriam de ser pressionadas pelos países interessados na manutenção da estabilidade política regional. Ora, esses países assumiram atitudes radicais, retirando embaixadores e não reconhecendo o governo de facto - razão pela qual perderam a condição de exercer qualquer mediação útil.

O governo brasileiro foi mais longe. Deu abrigo a Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, configurando-se uma situação sui generis. Pela primeira vez na história da diplomacia latino-americana, um político perseguido por governo atrabiliário pede abrigo em embaixada, não para sair do seu país, mas para a ele voltar. E o Itamaraty não pôde conceder a Zelaya o clássico asilo político, uma vez que não poderia submeter às condições desse status - entre elas a de se abster de quaisquer manifestações políticas - um presidente que considera estar no exercício de seu cargo.

O Itamaraty, tendo cometido a imprudência de conceder o abrigo, nada mais pôde fazer além de pedir a Zelaya que não fizesse declarações capazes de desencadear reações, tanto de seus partidários como do governo de facto, que resultassem em atos de violência. Não é, obviamente, o que o presidente deposto tem feito. Desde que se instalou, em precaríssimas condições, na embaixada brasileira, Zelaya e seus mais de 60 acompanhantes não têm feito outra coisa senão dar entrevistas e manter contatos, sempre por telefone celular, com os seus militantes. Os distúrbios verificados nos últimos dias em Tegucigalpa são o resultado desse ativismo.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 26 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Embaixada do Brasil é atingida por gás"

Incidente provocou correria na casa, que abriga o presidente de Honduras; Micheletti nega ataque

A Embaixada do Brasil em Honduras, que abriga desde segunda-feira o presidente deposto do país, Manuel Zelaya, foi atingida por um tipo de gás não identificado, segundo constatou a reportagem da Folha, que teve acesso ao prédio da representação isolada há quatro dias por forças militares, fiéis ao governo golpista.O incidente provocou correria. Em entrevista, Zelaya, usando máscara cirúrgica, queixou-se de mal-estar e irritação nos olhos; a grande maioria das 63 pessoas que continuam na embaixada, porém, disse não se sentir afetada. O líder golpista Roberto Micheletti negou ter havido ataque de gás e afirmou que seu governo procura proteger as pessoas que estão na casa. O Conselho de Segurança da ONU condenou as ações de intimidação contra a embaixada brasileira.

O Estado de São Paulo
"Irã admite nova usina nuclear e Obama reage"

Descoberta de instalação secreta leva EUA a admitir uso da força

Os EUA, a França e o Reino Unido revelaram ontem que o Irã está construindo secretamente uma nova usina de enriquecimento de urânio, violando as regras de não-proliferação – um dia depois que o Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução contra armas nucleares.O presidente americano, Barack Obama, disse que prefere a via diplomática para obrigar o Irã a abandonar seu projeto, mas não descartou ação militar. “O Irã está quebrando as regras que todos os países precisam seguir e ameaçando a estabilidade da região e do mundo, disse Obama. Segundo ele, o tamanho da usina descoberta não é compatível com um programa nuclear pacífico. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou que a usina é “totalmente legal” e que informou sobre sua existência à ONU.

Twitter

Clique sobre a imagem e saiba mais

quinta-feira, setembro 24, 2009

Nordeste

Sol de quase outubro

Sidney Borges
Bom dia caríssimos. O Ubatuba Víbora está lento em função de afazeres do editor. Ontem Fortaleza, hoje Recife e logo mais à noite, Salvador. Trabalhar é preciso, amanhã estarei em Ubatuba para contar das viagens. Da minha falando de Educação e do Enem e da "bad trip" do Zelaya invadindo a embaixada brasileira. Sol escaldante aqui no Nordeste, o motorista do táxi me disse que não chove desde agosto. Sol, brisa do mar, comida excelente e bons preços. Chovem gringos. Americanos, alemães, ingleses, onde quer que se vá há cardumes deles, gastando dólares e euros em profusão.

Twitter

segunda-feira, setembro 21, 2009

Mídia

Crônica esportiva

Sidney Borges
Nunca me esquecerei do jogo em que a Argentina nos despachou da Copa de 1990. Maradona já confirmou em entrevista, dando risadas, o que eu constatei na tela da falecida Phillips de 21 polegadas.

O Brasil jogou 85 minutos martelando o gol argentino, uma escapada do Pibe, a amabilidade de Alemão, que preferiu não fazer falta e Cannighia ficou na cara do gol. E fez o gol. Nesse dia fatídico muitos brasileiros ficaram na cara do gol e não marcaram.

No dia seguinte uma avalanche de impropérios contra Lazaroni e Dunga apareceu em todos os jornais brasileiros, até na Folha Espírira que não costuma se imiscuir em coisas deste plano. Quanto papel foi gasto na análise do que tinha acontecido.

Não faz muito tempo eu zapeava em busca de algum programa inteligente e me deparei com uma luta de UFC, esporte que lembra as arenas de Roma onde gladiadores estripavam-se enquanto o público ia ao delírio.

Lutavam dois americanos, de um deles até guardei o nome, tamanha a empolgação do narrador. Randy Couture. Ele estava lutando apenas por questão de tabela, pois a sua superioridade era tanta que o adversário só podia esperar o momento em que seria nocauteado. Enquanto o narrador-torcedor tecia loas ao estilo Couture de lutar, guarda baixa, sempre avançando e cercando o adversário, disparando golpes precisos, aconteceu um direto demolidor. Do aversário de Couture. Contagolpe certeiro que colocou o imbatível Randy Couture na lona, dormindo profundamente. O narrador não perdeu a calma, passou a falar de falta de cuidado com a defesa, o maior problema do antes imbatível campeão. A coisa ficou tão sem sentido que esse narrador nunca mais foi convidado, acho que hoje é locutor das Casas Bahia de onde apregoa produtos a preço de ocasião.

Ontem o Corínthians tomou um chocolate do Goiás e Ronaldo Fenômeno não marcou. Hoje li que ele está gordo e acabado. Na próxima rodada, ainda gordo, ele é capaz de fazer um ou dois gols. Pelo retrospecto da carreira é o que se pode esperar, Ronaldo sabe fazer gols. Ele então passará a ser considerado como opção para a seleção que vai à Africa do Sul.

Notícias de esporte. Melhor não ler. Tire você mesmo suas conclusões. E assista aos jogos na TV sem som. É mais divertido e não aborrece, pois quando o narrador é teimoso, as coisas que acontecem não importam, ele narra o que imagina ou o que gostaria que estivesse acontecendo. Não vou citar nomes, mas os leitores sabem a quem me refiro.

Twitter

Coluna do Mirisola

Corrida de aventuras

Conforme prometi na crônica da semana passada, contarei a história da tal Corrida de Aventuras. E – como dizem por aí – vou tentar contextualizar a bagaça.

Marcelo Mirisola
Quem me convidou para “cobrir o evento” foi um sujeito chamado RB. Claro que não vou dar a colher de chá e dizer o nome e o sobrenome dele aqui, no meu quintal. Basta dizer que ele é sintoma e encarnação de uma época deslumbrada e equivocada da minha vida. Ainda bem que passou.

Eu lembro. Num mesmo bar – dividindo o mesmo metro quadrado – conviviam alegremente novos Machados, novos Gracilianos, Rosas e Clarices, gente ungida. Para essa gente pouco importava o fato de que em cem anos o Brasil produziu apenas um Dom Casmurro. Que se danasse a contabilidade do tempo. Nem a lei da gravidade valia grande coisa, dane-se o arroz com feijão: se tínhamos uisquinho, sexo, cocaína e a celebração do fato consumado, para que juntar uma idéia com a outra e chegar a algum lugar?

Um lugar que foi conquistado porque efetivamente não existia. Ou estava vazio. A década de oitenta havia sido um deserto de esoterismos e vitórias do Ayrton Senna, as pessoas começavam a consumir e acreditar nas picaretagens do Paulo Coelho; e poetinhas meia-bomba pagavam pau para uma MPB que os incorporava e desprezava. Arnaldo Antunes era um gênio, coisas assim.

Creio que os anos noventa refletiram essa ressaca criativa agravada pela broxada pós-collor e pelos livros do dr. Lair Ribeiro; ou seja, ninguém pensava nem reagia, de modo que bastaria ocupar um deserto com qualquer outro deserto, e foi isso o que aconteceu: irrompeu a geração 90, e ocupamos – entrei de mané, admito – esse limbo.

No começo dos 00, a praia de RB não era, digamos, a “realidade da periferia” – que três anos depois, aliás, daria seus primeiros gritos furiosos em direção... ao colinho das madames da Flip e à redação de revistas modernas e revolucionárias do naipe da Trip e Rolling Stone.

Um minuto, estou tendo uma crise de risos.

Prosseguindo. RB, ou Ronaldo Belzebu, optou pela esquisitice e pelas penumbras, de onde vem o apelido evidente. Ele e uma legião de feios, sujos e malvados.

Hoje, depois de dez anos, todos estão muito bem colocados: RB é editor de uma das revistas supracitadas que, entre outras “revoluções”, costuma censurar o texto dos colaboradores sem avisá-los. Aconteceu comigo no Festival de Gramado. Os outros retirantes, sujos e malvados também arrumaram seus lugarzinhos. Uns dão aulas e cursos de “redação criativa” para madames desocupadas, outros vivem de traduzir gibis e de assessorias de imprensa; a picaretagem campeia e a literatura virou sinopse, agoniza em travellings, fade in, fade out. Se um livro não for a promessa de um filme (isto é: se não se reduzir a ação e diálogos), simplesmente não existe.

Uma fatura que aponta para a limitação. Triste isso. Triste essa gente que não pulsa, mas despacha: uma mistura de mafiosos mirins com burocratas descolados. Aqueles que não arrumam uma sinopse, quebram o galho com editais, fomentos, bolsas, Lei Rouanet e pequenezas ilustradas, enfim, todos eles ganham suas minúsculas vidinhas às custas de pequenos golpes, afagos e “expedientes culturais”; viajam ao redor do mundo e desfilam seus premiados umbiguinhos diante de uma platéia cada vez mais burra e complacente.

Quero dizer que todos esses “transgressores”, digo, despachantes, hoje, estão devidamente instalados e a “arte” deles alcançou o objetivo proposto: virou holerite. Alguns diriam: esse Mirisola é ressentido. Eu responderia a essa bobagem com uma pergunta: e os desdobramentos de tudo isso? Se estou exagerando, mostrem-me os livros geniais que prometeram há dez anos. Cadê?


Eu escrevi os meus.

Muita gente embarcou nessa canoa furada. Digamos que a “literatura” de Ronaldo Belzebu (o mesmo raciocínio serve para os outros) se resumia a despejar um monte de esquisitices & bizarrias de forma desordenada em objetos de formato não necessariamente retangulares que – eventualmente - poderíamos chamar de “livros”: o fdp era notadamente ilegível e recorria a gramatiquices para achar pelos em meus ovos ( nem é preciso dizer que eu era a bola da vez...); não bastasse, quando o conheci, RB era dono de um Alfa-Romeo Ti4 ano 82 e usava boinas à Guevara.

O cardápio das arapucas para me ferrar era variado. Desde macumbas toscas na Mercearia São Pedro (chegou a furar meus olhos numa foto de jornal) até arrumar viagens mirabolantes a fim de planejar meu extermínio, como essa “Corrida de Aventuras”.


*********


Não é difícil para mim lembrar daquele nematóide encostado nos balcões da Vila Madalena. Sua tática consistia em se infiltrar entre meus amigos, com sua famigerada cultura pop, para me elogiar, angariar simpatias e vender seu peixe podre. Lembro da nossa primeira conversa. Ano 2000.

Lançamento do Herói devolvido. Tava cheio de “RBs” por lá. Nenhum mais filho da puta que ele. O canalha me abordou, e falou isso:

– Você é o cara.

Poxa, eu era “o cara”. Nunca nenhum puxa-saco em momentos de febre alta havia me dito nada parecido. Acreditei no canalha (mesmo porque era verdade...).

Em princípio, Ronaldo Belzebu não se identificou como “escritor”. Apresentou-se como jornalista, e adiantou que queria fazer uma matéria comigo. Foi a primeira caveirada que armou.

Paguei um mico do qual até hoje não me recuperei. Ele me convenceu a posar para uma foto de smoking na praia ladeado de belas garotas. O desgraçado convence. E aí intitulou a matéria de “A vingança do nerd”. Canalhice pura.

Quando eu escrevia crônicas na AOL, Ronaldo Belzebu vivia me mandando emails inteligentes e bem-humorados a fim de corrigir minúsculos erros gramaticais.

Os pigmeus, aliás, adoram trocar emails inteligentes e achar incorreções no texto dos outros; é um procedimento “típico”: deviam reservar um outubro do ano para celebrar a Oktoberfest gramatical. O tesão sintático no cu desses vermes (leia-se imparcialidade pra boi dormir) chega a ser redundante. Da minha parte – diferentemente deles, porque sou escritor – não tenho problema algum em eleger inimigos por ignorância declarada.

Por dois motivos relativamente simples: em primeiro lugar, já passei da fase de disputar um lugar ao sol e, depois, não pretendo reafirmar o óbvio: isto é, não preciso, e nem jamais precisei, me esconder da minha ficção. Tenho bala na agulha, porra.

Mas eu falava das sutilezas de RB. O sacana, além de jogar sinuca com meus amigos, garante que gosta dos meus livros. Eu não consigo acreditar. Maledicente, destrutivo e moderninho, certa vez cismou com a roupa que eu usava. O tipo de preocupação que só poderia vir de alguém que, por eliminação, uma vez que não tem talento para escrever, ocupa-se de eventos, boinas, cachecóis e penduricalhos para desfilar de escritor por aí.

*********

O pior de tudo foi quando Ronaldo Belzebu tramou minha ida para Santarém. Dessa vez, porém, eu sabia qual era a dele. O nome da caveirada era “Corrida de Aventuras”.

Consistia nuns retardados descendo corredeiras, se dependurando em cordas, arriscando o pescoço e, em suma, uns comendo a bunda dos outros e todos consumindo muita granola e açaí. No meio da selva amazônica. Eu ia cobrir “o evento” para a revista descolada da qual RB é editor. Aliás, essa revista, a Trip – repito – tem mania de tesourar o texto dos colaboradores sem consultá-los. Não me conformo. Mas foi uma única e última vez.

Vamos em frente.

Uma semana. Mil reais num hotel cinco estrelas em Santarém, e negócio fechado. Do meu quarto mesmo, com o ar-condicionado ligado no máximo, em uma tarde e com algumas informações do local e dados complementares dos concorrentes, latitude, longitude, bom uísque e algumas fotos para ilustrar a babaquice,e pronto. Estaria tudo resolvido.

Aí me liga o sujeito da organização.

– Uhhuuuu!! Saudações. Você é o jornalista?
– Escritor.
– Já providenciou a vacina e os equipamentos?
– Com quem o senhor quer falar?
– Mosquiteiro, o speling, os protetores de pele, repelente...
– Quem te deu meu telefone?
– Roupa especial, ressuscitador, ganchos... o RB da Trip, tá ligado?
– Vou falar com ele. Tchau.

Aquela história de “ressuscitador” havia me intrigado. Ronaldo Belzebu me garantiu que eu só precisaria me deslocar do hotel para “a selva” uma única vez... “pra conhecer o campo de provas”. Uma passadinha lá, e tudo bem.

Eu disse que nem fodendo. Ele insistiu e disse que não ia me custar nada,e blábláblá e blábláblá... e o filho da puta do RB acabou me convencendo. Uma passadinha no local também não ia me arrancar nenhum pedaço. Ainda assim, resolvi ligar para o débil mental da organização.– Alô,é o débil mental da organização?

– Uhuuuu!! Saudações. Tem uma semana para tomar a vacina.
– Que cazzo de vacina?
– Uhuuu!!! O acampamento...

Descobri que eu ia acampar na selva. O hotel era apenas o ponto de partida. Do hotel, “a galera” (eu incluído) desceria o Solimões, e a partir daí era cada um por si. A maior parte do tempo debaixo d’água. Malária, índios canibais, sucuris gigantescas, jacarés e o cardápio para acabar comigo era extenso e variado.

Se eu não tivesse insistido com o retardado da organização, uhuuhuu!!!! provavelmente Ronaldo Belzebu teria conseguido me eliminar.

Eu sei que ele não vai desistir. E quero dizer que tenho tudo inventariado, e a cada baixa que eu sofrer aqui desse lado da trincheira, pretendo contra-atacar com intensidade proporcional, ou melhor, desproporcional, me aguardem.


Twitter

Coluna da Segunda-feira

Na fila

Rui Grilo
Depois de algum tempo, consegui chegar até a funcionária que olhava as receitas e distribuía as senhas.


- É preciso duas cópias da receita.

- E o médico não sabe disso ?

- Não sei. Mas preciso de duas vias. Sem isso, neca. Não posso atender.

Voltei ao guichê do ambulatório e relatei ao atendente do guichê. O médico não estava mais.

- O que eu faço ? O remédio acabou e não moro aqui. Moro em Ubatuba.

- O jeito é ir na Cardiologia, no outro prédio.

Desci até o térreo e atravessei o extenso corredor que une o ambulatório ao Hospital do Servidor Público. Procurei o chefe da cardiologia e expliquei o meu caso. Pedi a ele que dobrasse a receita mas ele negou. Uso 20 mg mas quase nunca tem e a farmácia não dá o de 10 mg. Então, nem sempre a gente consegue esse remédio que é o mais caro. Sempre tem os mais baratos. Mas dei graças a Deus por ele me dar outra receita.

Voltei à fila e peguei as senhas. Uma é para os remédios de uso contínuo mais baratos. A outra é para os remédios mais caros, cuja receita é acompanhada de uma guia para retirá-los durante três meses. Mas dificilmente conseguimos porque só pode pegar a quota de cada mês e às vezes não têm e as passagens para São Paulo ficam quase no valor dos remédios.

Sentei e aguardava a minha vez. Havia mais de cem na minha frente. Ouvi uma voz masculina que perguntava:

- O que é isso?

Alguém explicou:

- É a fila para pegar a senha.

- Nossa! Nada mudou. É a mesma cara feia de sempre. Olha lá a cara daquela no guichê. Para tá com aquela cara só pode ser mal amada.


Meus olhos se encheram de lágrimas de tanto rir. Serviu também para diminuir a tensão de ficar esperando. No entanto, logo depois ouviu-se os gritos de uma discussão e uma mulher passou em frente do guichês xingando.


Comecei a conversar com uma mulher que estava do meu lado. Ela era da Mooca mas ia pegar o remédio para o marido porque nunca havia no posto de saúde. Ela me contou que ele tinha distúrbio bipolar e quando ficava sem remédio tinha que ser internado. Parava de comer e ia emagrecendo. Chegou a pesar menos de 40 quilos.

- Como é que eu vou fazer? O remédio custa mais de mil reais e com o salário de aposentado não dá. Se aqui não tiver, ele fica sem.

Logo depois chegou a vez dela e vi os dois saindo com o remédio nas mãos.

Quando chegou a minha vez, entreguei as duas vias da receita. A moça me disse que bastava apenas uma via. Apenas a guia de controle tinha que ser em duas vias. Então, contei a ela tudo que havia acontecido e pedi para ela dar essa informação à funcionária que distribuía as senhas.

Fiquei pensando no quanto o mundo mudou. Lembro que minha mãe contava o quanto ela sofria quando não tinha dinheiro para pagar a consulta ou comprar os remédios. Uma vez foi chorando à farmácia pedir para o dono vender fiado para salvar o meu irmão que estava com pneumonia.

Não adiantava nada ir ao médico se não tinha dinheiro para comprar. Muitas vezes, só se conseguia dinheiro para consulta e para os remédios recorrendo-se ao auxílio dos vizinhos, passando o pires de casa em casa. A garantia do fornecimento dos remédios é uma das ações que influenciaram no aumento da longevidade e na queda da mortalidade infantil.

Também me lembro do curto espaço de tempo entre o resultado do meu cateterismo e a operação de ponte de safena. Fiz o exame na sexta e na terça seguinte fui operado. Sem gastar nenhum tostão extra e assistido por uma equipe de ponta do Beneficência Portuguesa.

Apesar das filas e da dificuldade de atender a todos adequadamente, da necessidade de aperfeiçoamento e de combate aos desvios de verbas e de remédios, não há como não reconhecer a importância da implantação do SUS – Sistema Único de Saúde. A partir disso, o tratamento de saúde é visto como um direito e não uma benemerência, um favor.

Dizer que nada mudou é uma atitude que pode matar a tomada de atitude e a luta por direitos. A gente que participou durante muito tempo no Movimento de Saúde sabe o quanto foi duro para conquistar esse atendimento e a obrigatoriedade da constituição dos Conselhos de Saúde. Por outro lado, há uma visível tentativa de aparelhamento dentro dos conselhos de maneira a impedir que seus membros exerçam o seu papel de elaboração e de fiscalização das políticas públicas.
Rui Grilo

ragrilo@terra.com.br

Twitter

Opinião

Pré-sal e desenvolvimento sustentável

José Goldemberg
Há 35 anos os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) cortaram radicalmente a sua produção e lançaram o mundo ocidental - inclusive o Brasil - na pior crise de energia do século 20. Não havia, na época, uma compreensão clara das consequências ambientais do aumento do consumo de combustíveis fósseis e das emissões resultantes, que são responsáveis pelo aquecimento da atmosfera. Consumir mais era um sinônimo de progresso econômico e riqueza.


O Brasil, na ocasião, importava quase todo o petróleo que consumia e gastava, antes da crise, cerca de US$ 500 milhões por ano. Após a crise, a "conta petróleo" subiu para mais de US$ 4 bilhões, cerca da metade de todas as exportações do País. Demorou mais de 20 anos e um trabalho intenso da Petrobrás para descobrir e explorar petróleo na plataforma continental e nos levar à autossuficiência. Ainda assim, as reservas avaliadas até agora não devem durar mais de 15 anos.

Com a redução da produção dos países da Opep, os países industrializados fizeram grandes esforços para reduzir o consumo e desenvolver fontes adicionais de petróleo e energia. A produção de petróleo a partir do xisto betuminoso no Canadá é um exemplo desses esforços, apesar de este ser um processo caro e complicado. A produção de etanol de cana-de-açúcar no Brasil é outro exemplo.

Se o pré-sal tivesse sido descoberto em 1975, com suas enormes reservas estimadas, a história da energia no mundo talvez tivesse sido diferente. O País seria visto como uma salvação do mundo ocidental, que viria todo investir aqui e nos ajudaria a colocar petróleo do pré-sal nas refinarias.

Quando a crise criada pela Opep passou e o petróleo passou de novo a ser abundante e relativamente barato, a febre do consumismo voltou com força total, os projetos de xisto no Canadá e muitos outros foram abandonados. Talvez a única exceção tenha sido o apoio constante que o governo brasileiro continuou a dar à produção de álcool da cana-de-açúcar, o que é, de fato, extraordinário e louvável.

Hoje a situação é diferente, por duas razões:

Em primeiro lugar, porque sabemos muito bem que é preciso reduzir as emissões de gases que resultam da queima do petróleo. Estão em curso negociações internacionais - que vão culminar com a conferência internacional em Copenhague, em dezembro - que poderão estabelecer limites severos ao uso de combustíveis fósseis. Eles foram os responsáveis pelo progresso da humanidade no passado, mas o futuro hoje não é visto como mais petróleo, mais gás e mais carvão, e sim energias renováveis.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Segunda-feira, 21 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Brasil descongela investimentos suspensos na crise"

Retomada é puxada pelos setores de infraestrutura, energia e petroquímica; extração mineral ainda patina

Estudo do BNDES revela que o país já retomou quase metade dos R$ 100 bilhões em projetos de investimentos congelados desde o início da crise, há um ano. O levantamento se baseou em planos anunciados, retomados ou cancelados pelos setores público e privado para o período de 2009 a 2012. O estudo registra o ânimo de investimentos antes da crise global, em agosto de 2008; no auge dela, em dezembro; e no mês passado.

O Estado de São Paulo
"Economia terá injeção de R$ 140 bilhões até o Natal"

Combinação do 13º e do crédito ao consumidor é 20% superior à de 2008

Passada a crise, o comércio se prepara para um Natal gordo. O otimismo dos lojistas se ampara na previsão de que pelo menos R$ 140 bilhões sejam injetados na economia até dezembro, 20% a mais que em 2008, por conta do pagamento do 13º salário e da recuperação do crédito. Os compradores também estão otimistas. O Índice de Confiança do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas chegou a 111 pontos em agosto, nível semelhante ao pré-crise. "O Natal vai coroar a recuperação da indústria", diz o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. As lojas ampliaram em até 20% encomendas de eletrodomésticos, eletrônicos e itens de informática. As estrelas do Natal devem ser computadores portáteis e televisões de LCD - no caso das TVs, já há dificuldade na entrega dos modelos mais vendidos, de 32 e 37 polegadas.

Twitter

domingo, setembro 20, 2009

Deu na Folha

A lenda continua viva

Do colunista Clóvis Rossi:
O IBGE insiste em escamotear a realidade com os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio). Pior: a mídia compra acriticamente a lenda da queda da desigualdade, o que é uma versão incompleta da realidade.


O tal índice de Gini, o que reflete a desigualdade, "mede a diferença entre as rendas que remuneram o trabalho, portanto, não leva em conta as rendas do capital: juros e lucro", escreveu João Sicsú, que vem a ser o principal economista do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, instituição do governo).

Passemos agora a palavra ao chefe de Sicsú, Marcio Pochmann, presidente do Ipea: "A parte da renda do conjunto dos verdadeiramente ricos afasta-se cada vez mais da condição do trabalho, para aliar-se a outras modalidades de renda, como aquelas provenientes da posse da propriedade (terra, ações, títulos financeiros, entre outras)".

Então fica combinado que caiu apenas a desigualdade entre os assalariados, que, como explica Pochmann, nem é a mais importante, já que os ricos veem sua renda "afastar-se cada vez mais da condição do trabalho".

Desconheço números recentes para medir a desigualdade não apenas entre salários mas no conjunto das rendas. De todo modo, o já citado Pochmann escreve que "em 2005, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional foi de 39,1%, enquanto em 1980 era de 50%. Noutras palavras, a renda dos proprietários (juros, lucros, aluguéis de imóveis) cresceu mais rapidamente que a variação da renda nacional e, por consequência, do próprio rendimento do trabalho".

Note, leitor, que o crescimento da desigualdade de renda se deu pelo menos até 2005, o que cobre sete dos dez anos em que o IBGE diz que diminuiu a desigualdade. Não mente, mas omite o relevante, o desnível capital/trabalho. (Do Blog do Noblat)

Twitter

Crime sem Castigo


VIDA DE INOCENTE
Nove anos depois de ter disparado um tiro nas costas e outro na cabeça de Sandra Gomide (à dir.), Pimenta Neves vive na mesma casa, toma chope com amigos e recebe convidados para o almoço

Quase uma década de impunidade

Assassino da ex-namorada, o jornalista Pimenta Neves, réu confesso, julgado e condenado em primeira e segunda instâncias, continua livre. Como isso é possível?

Laura Diniz (Fotos Robson Fernandjes/AE e arquivo pessoal)
O jornalista Antonio Pimenta Neves tem sorte de ser brasileiro. Se fosse cidadão dos Estados Unidos, da Itália, da França, da Espanha, de Portugal, da Argentina, da Colômbia ou da Costa Rica, e tivesse cometido em um desses países o crime que cometeu aqui, a probabilidade de estar fora da cadeia seria praticamente nula. Em agosto de 2000, o jornalista, então diretor do jornal O Estado de S. Paulo, matou a tiros a ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide, de 32 anos. O crime completou nove anos no mês passado e Pimenta Neves - réu confesso, julgado e condenado em primeira e segunda instâncias - continua livre como um pássaro. Pior que isso: as chances de que ele nunca vá para a cadeia - ou de que, ao final de tudo, venha a passar não mais do que um ano e onze meses lá - são escandalosamente reais.

Aos 72 anos, o assassino de Sandra Gomide leva uma vida mansa e discreta. Sem responsabilidades nem obrigações (graças a duas aposentadorias, ele tem renda suficiente para não trabalhar e não trabalha), passa os dias lendo e navegando na internet. Fala pelo computador com amigos e as filhas gêmeas, que moram nos Estados Unidos, e só costuma ver TV quando há jogo do seu time, o São Paulo. Uma cadela dachs-hund, que ele batizou de Channel, lhe faz companhia na casa de 930 metros quadrados na Chácara Santo Antônio, bairro nobre de São Paulo. É a mesma em que ele morava antes do crime. Nas poucas ocasiões em que sai de lá, usa um de seus dois carros: um Clio 1998 e um Peugeot 1995. Às vezes arrisca um passeio para tomar café na padaria ou beber chope com amigos (no fim do ano passado, foi visto com um grupo deles aproveitando um fim de tarde de primavera em um restaurante do bairro). Outras vezes, recebe convidados em casa para o almoço - como no dia 11 de junho, no feriado de Corpus Christi (ocasião para a qual se preparou indo na véspera ao supermercado escolher duas garrafas de vinho). O jornalista goza de boa saúde: dispensou os antidepressivos que passou a usar pouco antes de matar a ex-namorada e toma apenas remédios para controlar a pressão. No ano passado, como tem diploma de advogado, tentou registrar-se na Ordem dos Advogados do Brasil. Foi barrado por “falta de idoneidade moral”. Afora esse contratempo, atravessa seus dias com a serenidade de um inocente - mesmo sendo um assassino.

Em julho de 2000, depois de Sandra ter posto fim ao namoro dos dois, Pimenta Neves demitiu-a do jornal que dirigia alegando razões profissionais. A amigos, dizia que ela o havia traído, inclusive profissionalmente. No dia 20 de agosto, colocou um revólver 38 no bolso e dirigiu-se ao Haras Setti, em Ibiúna, interior de São Paulo, onde sabia que encontraria Sandra - como ele, apaixonada por cavalos. Depois de discutirem, Pimenta sacou o revólver e atirou na jovem pelas costas. Quando ela tombou no chão, ele se aproximou e disparou um segundo tiro, desta vez, na cabeça da ex-namorada.

Em 2006, foi condenado pelo crime em júri popular. No mesmo ano, teve a sentença confirmada pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo e, dois anos mais tarde, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Como explicar o fato de que continua livre? Assinante de Veja, leia mais Aqui

Twitter

Opinião

O fim de uma provocação

Editorial do Estadão
A três dias de completar oito meses na Casa Branca, o presidente Barack Obama apresentou na quinta-feira a sua primeira iniciativa concreta de repercussão global no âmbito das relações exteriores dos Estados Unidos. Com um movimento efetivo no tabuleiro da grande política internacional, ele finalmente foi além da sua notória perícia no manejo das palavras - como ao estender a mão ao Irã, já no discurso de posse, e ao defender uma nova atitude política e cultural americana diante do mundo islâmico, na memorável alocução de 4 de junho na Universidade do Cairo. Desta vez, os fatos falaram, inaugurando um novo padrão de relacionamento dos Estados Unidos com a Rússia e o Leste Europeu. Obama removeu um dos mais tóxicos detritos da falida estratégia do governo Bush para aquela parte do mundo: o plano de instalar na Polônia e na República Checa um escudo antimísseis de longo alcance, que poderiam vir a ser lançados do Irã ou da Coreia do Norte contra os EUA e seus aliados europeus.

Desde a primeira hora, Moscou reagiu ao projeto, anunciado em janeiro de 2007, como uma ameaça e uma provocação. Do ponto de vista militar, o esquema puramente defensivo, constituído por uma base de radar em território polonês e uma bateria de 10 foguetes interceptadores em solo checo, não representaria uma ameaça à segurança russa. Já a provocação era gritante: a pretexto de se precaver contra um risco que a Rússia considerava imaginário - e que agora Washington remete para o futuro -, a decisão americana embutia a pretensão da política externa neoconservadora dos anos Bush de fincar uma presença armada, humilhante para os russos, em dois países que lhe são refratários (um, invadido pela União Soviética em setembro de 1939; outro, em agosto de 1968), ambos na "esfera de influência" de Moscou. E este é historicamente o conceito central da sua doutrina militar e o princípio estratégico de suas relações com os vizinhos na imensa área entre o Rio Vístula, na Polônia, e o Mar Negro, no Cáucaso.

Bush deixou para Obama a herança da crispação - em níveis próximos aos da guerra fria - do diálogo russo-americano. Diante de um líder autocrático, exacerbadamente nacionalista e decidido a restaurar a grandeza russa, como o então presidente e atual primeiro-ministro Vladimir Putin (e para irritação dos governos da França e Alemanha), Bush defendeu o ingresso da Geórgia e da Ucrânia na OTAN, a Aliança Atlântica de que, por sinal, Polônia e República Checa já são membros. No verão europeu do ano passado, a Rússia invadiu a Geórgia depois que, desavisada por Washington, tentara anexar as províncias separatistas pró-russas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Com a troca de ocupantes da Casa Branca, a nova secretária de Estado, Hillary Clinton, foi orientada a oferecer ao colega russo Serguei Lavrov que apertassem a tecla restart para recompor as relações bilaterais.

A iniciativa prosperou com a alegada descoberta da espionagem americana de que o programa iraniano de produção de mísseis intercontinentais estava menos adiantado do que o dos projéteis para curtas e médias distâncias, capazes de atingir, por exemplo, Israel. Já não faria sentido, portanto, insistir no escudo abominado pelos russos, a ser substituído por um sistema de prevenção mais eficaz, flexível e avançado. Numa primeira etapa, essa nova "arquitetura de defesa" se baseará na instalação de sensores e mísseis menores de interceptação, a bordo de navios fundeados no Mediterrâneo. Mais adiante, entre 2011 e 2015, o sistema terá uma base em terra, talvez na Turquia. A partir de então, contará com interceptadores efetivos contra mísseis de longo alcance. O caráter defensivo do sistema permanecerá intacto. Obama espera dos russos a contrapartida do apoio na ONU à aprovação de sanções adicionais ao Irã.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Domingo, 20 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Dilma Roussef afirma que idéia do Estado mínimo é "falida""
Para Dilma, quem defende que o mercado resolve tudo "está contra a corrente" e "contra a realidade". A ministra nega, porém, que o governo tenha agido de modo intervencionista ao longo do segundo mandato. "Os empresários podem falar o que quiserem, que é democrático. O presidente da República não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista", disse a titular da Casa Civil, que rebateu acusações de ação eleitoreira.

O Estado de São Paulo
"Diante do pré-sal, produtores de etanol cobram proteção"

Usineiros querem que governo privilegie o álcool em detrimento do petróleo

O etanol teme ser atropelado pelo pré-sal. Os usineiros querem que o governo defina claramente qual é a política pública no País para o setor de combustíveis para evitar experiências como a do Programa Brasileiro do Álcool (Proálcool), que nasceu, cresceu e foi morto ao sabor das cotações internacionais de petróleo. Eles temem que as atenções voltadas ao petróleo acabem levando o etanol a perder espaço no mercado local e visibilidade internacional, num momento em que lutam para transformá-lo num produto de exportação. Até a descoberta do petróleo da camada pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha projetando no exterior a imagem do Brasil como o País que iria fornecer energia renovável para o mundo.


Twitter
 
Free counter and web stats