sábado, setembro 19, 2009

Fotografia


Ed Viggiani/Divulgação

Olho esquerdo de Ed Viggiani registra fragmentos do Brasil

MAYRA MALDJIAN colaboração para a Folha Online (original aqui)
Ed Viggiani usa o olho esquerdo para fotografar. Mas não é este o motivo que levou o fotógrafo a nomear sua nova exposição de "Meu Olho Esquerdo". A mostra, que entra em cartaz na Caixa Cultural da Sé neste sábado (19), representa o lado "B" de seu trabalho.


Veja galeria da exposição

A mostra apresenta 40 cenas cotidianas brasileiras, captadas entre 1988 e 2008. As fotografias registram de momentos banais a históricos, congelados pela câmera de Ed em uma peregrinação por terras tupiniquins.

Todas as imagens são em preto e branco. "Me sinto melhor fotografando em 'pb'.Tiramos informações desnecessárias e a relação fica restrita com a forma, a luz e o tempo." As quatro dezenas de fotos também foram registradas em câmera analógica e reveladas manualmente por Ed. "Aprecio o cuidado que temos que ter antes de apertar o botão quando usamos uma câmera de filme. Com a digital esse trabalho documental, do instante, se perde um pouco", explica.

O critério de seleção foi totalmente sentimental. "Mas tenho um carinho especial pela foto que colocamos no convite da exposição", conta Ed. "Eu gosto daquela composição, das pessoas que aparecem nela. Eu estava em Monsanto, na Bahia, durante uma procissão à noite. Essa região tem a ver com a Guerra de Canudos, por isso fui até lá fazer uma série, por conta própria".

Os dois olhos de Ed Viggiani

Ed começou no fotojornalismo, em 1978. Passou pelo Jornal O Povo, de Fortaleza (CE), pela revista "Istoé" pelos paulistas Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil --todos de São Paulo (SP). Nesse meio tempo, esticava sua visão esquerda à movimentação social no país e no mundo. E foi desse olhar diferenciado que surgiu sua primeira exposição individual: "Matando o Tempo a Golpe de Luz" (1991, Galeria Fotoptica) recebeu o prêmio de melhor do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

No mesmo ano, ganhou o "The Mother Jones International Fund for Documentary Photography", em San Francisco (EUA) pelo ensaio fotográfico "Irmãos de Fé", que retratava a religiosidade popular no Brasil.

Desde então, não parou. Foi para o Masp (Museu de Artes de São Paulo) em 1993 com a mostra "Paris em Preto e Branco" no Museu de Artes de São Paulo (MASP). Foi idealizador e coordenador editorial do livro "Brasil Bom de Bola". Em 1999, recebeu o prêmio J.P. Morgan de Fotografia com as obras de "O Retrato da TV", que hoje pertencem ao acervo do MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo).

O futebol também é temática de seu trabalho. Idealizou o livro "Brasil Bom de Bola" em 1988, que foi lançado nas principais capitais do Brasil e no Museu do Louvre, na França, durante a Copa do Mundo. Ed também é autor do livro de fotografia "Brasileiros Futebol Clube", de 2006, com apresentação de Luis Fernando Veríssimo.

Nota do Editor - Ed Viggiani é irmão do arquiteto Ricardo "Abelha" Viggiani, morador de Ubatuba. (Sidney Borges)

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Da Coluna Radar

Imprensa

Quem quer vender? O grupo Oi procura um jornal para comprar. Já fez uma tentativa em Brasília. Não vingou. Mas continuará a busca.

Nota do Editor - Vou dar a dica pro meu amigo Góis, publisher do consagrado "A Cidade". (Sidney Borges)

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Crack

O que é?

Ciência Viva (original aqui)
O crack é uma mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amónia e água destilada, que resulta em pequeninos grãos, fumados em cachimbos (improvisados ou não).


É mais barato que a cocaína mas, como seu efeito dura muito pouco, acaba sendo usado em maiores quantidades, o que torna o vício muito caro, pois seu consumo passa a ser maior.

Estimulante seis vezes mais potente que a cocaína, o crack provoca dependência física e leva à morte por sua acção fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

Quais são as reações do crack? O que ele provoca no organismo?

O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem-estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença à dor e ao cansaço. Mas, se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram a chegar. Em 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário chegarão inevitavelmente o desgaste físico, a prostração e a depressão profunda.

Estudiosos como o farmacologista Dr. F. Varella de Carvalho asseguram que "todo usuário de crack é um candidato à morte", porque ele pode provocar lesões cerebrais irreversíveis por causa de sua concentração no sistema nervoso central.

O crack é uma droga mais forte que as outras?

Sim, as pessoas que o experimentam sentem uma compulsão (desejo incontrolável) de usá-lo de novo, estabelecendo rapidamente uma dependência física, pois querem manter o organismo em ritmo acelerado. As estatísticas do Denarc ( Departamento Estadual de Investigação sobre Narcóticos) indicam que, em Janeiro de 1992, dos 41 usuários que procuraram ajuda no Denarc, 10% usavam crack e, em Fevereiro desse mesmo ano, dos 147 usuários, já eram 20%. Esses usuários, em sua maioria, têm entre 15 e 25 anos de idade e vêm tanto de bairros pobres da periferia como de ricas mansões de bairros nobres.

Como o crack é uma das drogas de mais altos poderes viciantes, a pessoa, só de experimentar, pode tornar-se um viciado. Ele não é, porém, das primeiras drogas que alguém experimenta. De um modo geral, o seu usuário já usa outras, principalmente cocaína, e passa a utilizar o crack por curiosidade, para sentir efeitos mais fortes, ou ainda por falta de dinheiro, já que ele é bem mais barato por grama do que a cocaína. Todavia, como o efeito do crack passa muito depressa, e o sofrimento por sua ausência no corpo vem em 15 minutos, o usuário usa-o em maior quantidade, fazendo gastos ainda maiores do que já vinha fazendo. Para conseguir, então, sustentar esse vício, as pessoas começam a usar qualquer método para comprá-lo. Submetidas às pressões do traficante e do próprio vício, já não dispõem de tempo para ganhar dinheiro honestamente; partem, portanto, para a ilegalidade: tráfico de drogas, aliciamento de novas pessoas para a droga, roubos, assaltos, prostituição, etc.

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Brasil

Pré-sal: inútil e deficitário

Diogo Mainardi
A nova fronteira do petróleo. Onde? Serra Leoa. Até a semana passada, a nova fronteira do petróleo era formada pela Bacia de Santos e pela Bacia de Campos, com suas reservas na camada do pré-sal. Agora isso mudou. A nova fronteira do petróleo, segundo as manchetes do Wall Street Journal e do Financial Times, está localizada na África Ocidental, numa área de 1 100 quilômetros que se estende do litoral de Gana, onde há o campo de Jubilee, até o litoral de Serra Leoa, onde acaba de ser descoberto o campo de Venus B-1, a uma profundidade de 5 640 metros, como os jornais anunciaram, batendo o bumbo, na última quarta-feira. A Anadarko, a companhia americana que fez a descoberta em Serra Leoa, já está mandando seu navio-sonda, Belford Dolphin, para a Costa do Marfim. Depois ele seguirá para o outro lado da África. Dependendo do que encontrar por lá, a área certamente será chamada pelo Wall Street Journal e pelo Financial Times – parem as máquinas! – de nova fronteira do petróleo.

O Brasil tinha um modelo seguro. Igual ao de Serra Leoa. Igual ao dos Estados Unidos. Para terem o direito de perfurar o solo, as companhias de petróleo eram obrigadas a pagar antecipadamente, arrendando lotes. O risco era só delas. E o poder público sempre saía ganhando. Lula decidiu desmontar o modelo. No pré-sal, quem paga antecipadamente é o contribuinte, por meio de empréstimos públicos, e a Petrobras promete rendimentos para daqui a dez ou quinze anos, se seus planos derem certo. Nos últimos tempos, o barril de petróleo chegou a 150 dólares e, em seguida, caiu para 30 dólares. O que Lula está fazendo, enrolado na bandeira nacional junto com Dilma Rousseff e Luis Fernando Verissimo, é apostar metade do PIB brasileiro nesse negócio, como um especulador no mercado futuro de petróleo.

O pré-sal tem tudo para repetir o ciclo da borracha. Do apogeu à queda. A belle époque amazonense recorda a belle époque lulista. De um lado, os magnatas da floresta; do outro, os magnatas do sindicato. A borracha amazonense desvalorizou-se quando os ingleses plantaram seringais na Malásia. É o que pode ocorrer com a descoberta de novas fronteiras do petróleo, mais competitivas e mais baratas: em Serra Leoa, no Ártico, nos Estados Unidos. Por fim, a indústria desenvolveu a borracha sintética, da mesma maneira que vai desenvolver novas fontes de energia, para substituir o petróleo. Rodrigues Alves tomou posse do Acre, para garantir o monopólio da borracha. Lula está tomando posse do pré-sal, para garantir o monopólio do petróleo. Sim, o pré-sal tem tudo para repetir o ciclo da borracha. Nesse caso, o lulismo é uma espécie de Madeira-Mamoré do pensamento: inútil e deficitário. (Do Trem Azul)

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Opinião

O racismo contra Obama

Editorial do Estadão
O presidente Barack Obama recusou-se na quarta-feira a responder à pergunta de um repórter sobre o que pensava da afirmação do ex-presidente Jimmy Carter de que "grande parte da animosidade em relação ao presidente Obama se deve ao fato de ele ser negro". Carter, que nasceu no Estado sulista da Geórgia e ocupou a Casa Branca de 1977 a 1981, falava da onda de furiosos ataques de que Obama tem sido alvo, na mídia conservadora radical, em assembleias comunitárias e numa passeata que reuniu sábado último perto de 80 mil pessoas em Washington.

A razão, ou o pretexto, é o seu principal projeto de governo, a reforma do sistema americano de saúde. O ódio chegou a tal ponto que, ao defender a sua proposta no Congresso, na semana passada - em um discurso desde logo considerado por observadores independentes como "um dos momentos definidores de sua presidência" -, Obama teve de fingir que não ouviu o grito do deputado republicano Joe Wilson, da Carolina do Sul: "Você mente!" O deputado se desculpou em seguida, a grosseria foi repudiada em plenário pelo voto da ampla maioria democrata na Câmara dos Representantes, mas o incêndio se alastrou.

De um lado - e sintomaticamente -, Wilson se tornou da noite para o dia o mais novo herói da direita americana. De outro, o inédito episódio levou o ex-presidente Carter a dizer que "o racismo voltou a emergir porque muitos brancos acham que um afro-americano não está qualificado para liderar a nação". Antes dele, a ferina colunista Maureen Dowd, do New York Times, escreveu, em artigo publicado no Estado de quinta-feira, que Wilson quis dizer "você mente, rapaz". Rapaz, no caso, era como os racistas brancos se dirigiam, entre o desprezo e a condescendência, aos negros de qualquer idade.

O silêncio de Obama é compreensível. Primeiro, é coerente com a posição que adotou desde o início da campanha de se considerar um candidato "pós-racial" - de fato, nem antes nem depois de enveredar pela política ele se vinculou ao movimento negro, muito menos fez da cor um passaporte. Decerto por uma mistura de cálculo eleitoral e convicção íntima, procurou ser visto como um presidente que por acaso é negro em vez de eventual primeiro presidente negro de seu país. Em segundo lugar, tudo o que ele não precisa, a esta altura, é contaminar o seu combalido plano de reforma da saúde, que sofre uma barragem de críticas, com um debate sobre o fator racial. Isso seria no mínimo contraproducente para a superação das resistências à proposta no próprio Partido Democrata. Objetivamente, além disso, tem parcela de razão o ex-secretário de Estado Colin Powell, também negro, quando diz que a hostilidade a Obama se deve muito à beligerante cultura política americana, amplificada pelas vozes extremistas na internet, TV a cabo e talk-shows no rádio.
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Manchetes do dia

Sábado, 19 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"País melhora, mas não vence o analfabetismo"
O Brasil teve vigoroso crescimento nos 12 meses anteriores à crise econômica mundial, mas não conseguiu reduzir o analfabetismo. O resultado está na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. Por ter setembro como referência, a pesquisa não captou os efeitos do estouro da crise global. A taxa de analfabetismo recuou só 0,1 ponto percentual entre 2007 e 2008.

O Estado de São Paulo
"Indicado de Lula ao STF tem condenação em 1ª instância"

Escritório de Toffoli é acusado de obter contrato ilegal com governo do Amapá

Indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), instância mais alta na estrutura do Judiciário, José Antonio Dias Toffoli carrega há dez dias no currículo uma condenação na Justiça. O atual advogado-geral da União e seus sócios no escritório de advocacia Firma Toffoli & Telesca Advogados Associados SC foram condenados, no dia 8, pela 2ª Vara Cível do Amapá a devolver R$ 420 mil aos cofres públicos do Estado.

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sexta-feira, setembro 18, 2009

Acontece em Ubatuba

Grito do Ipiranguinha - Programação da Festa

Inês de Sá
A comunidade do Ipiranguinha se reuniu para discutir, deliberar e decidir sobre os problemas do bairro na busca de soluções práticas.


Aí, surgiu a idéia de elaboração de um manifesto, chamado “Grito do Ipiranguinha”, que também resultou na realização de uma Festa para reunir as comunidades. O propósito é elevar o grau de consciência dos moradores, defender a proposta do desenvolvimento local com empoderamento e voz para as comunidades, tendo como objetivo o empenho em melhorar a educação, devido ao péssimo desempenho nas avaliações do governo.

O movimento pretende ainda atentar a população do ponto de vista socioeconômico, ambiental e financeiro e criar mecanismos de participação para ampliação de novas lideranças nas comunidades.

O lançamento do evento acontece nos dias 19 e 20 de setembro, no final da Rua da Cascata, no Ipiranguinha, Ubatuba, com início às 16h00 de sábado.

A programação está repleta de atrações com apresentações musicais, dançantes e esportivas, palestras, comidas típicas e muito mais.

Venha participar e verificar a riqueza que esta comunidade tem para mostrar!!!

Contato: gersonflorindo@gmail.com, (12) 8133-9222 ou 9762-0052.

Programação

Sábado, dia 19

16h00 Psicólogos, Advogados e Professores de plantão
19h00 Apresentação de Hip Hop da Fundação Alavanca
20h00 Solenidade de Abertura
22h00 Gilson Bahia
23h00 Som mecânico
00h00 Funk som mecânico
01h00 Encerramento

Domingo, dia 20

12h00 Som mecânico MPB
Almoço
15h00 Apresentação Ambiental – Patrícia Agenda 21
16h00 Grupo de Hip Hop ‘Insanos Crew’
17h00 Apresentação CONAMA – Beto Francine
18h00 Apresentação do Coral ‘O Gaiato’
18h30 Apresentação esportiva: capoeira, judô, kung Fu
20h00 Som mecânico / apresentação DVD
21h00 Street Dance – Grupo Trilessa
22h00 Hip Hop da Paz Bob23h00 Som mecânico (Funk e Forró)
Inês de Sá

inessa190@hotmail.com

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Geologia

De baixo para cima

Luiz Fernando Veríssimo no Blog do Noblat
Especulei aqui se o certo não seria chamar de pós-sal, em vez de pré-sal, o lugar de onde sairá o bendito óleo, já que as brocas virão de cima para baixo, e recebi correções de todos os lados.

Quem adivinharia que entre dezessete leitores houvesse tantos entendidos em geologia, em contraste com a minha completa ignorância?

A explicação mais autorizada e simpática veio de um geólogo profissional, Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petróleo Brasileiro S.A.

Segundo ele, os geólogos têm uma lógica peculiar. Estudam a história do planeta de baixo para cima, pela sedimentação das suas rochas empilhadas ininterruptamente através do que chamam de tempo geológico.

As brocas retrocedem no tempo geológico. O que está por baixo é mais velho do que o que está por cima, por isso é pré. Pós-sal é tudo que está acima da camada de sal, inclusive você, eu e os peixinhos. Entendi.

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Nota do Editor - Assim como Veríssimo, também fiz confusão quanto ao sentido das camadas geológicas. Felizmente houve quem corrigisse o colega famoso e assim, pegando carona, me redimi. Nada do pós-sal, é pré-sal mesmo. Fica então registrado que os caças do Lula vão proteger o óleo da camada pré-sal da sanha imperialista. Caças franceses, suecos ou americanos. Acho que serão franceses. "Lula ha sempre ragioni". (Sidney Borges)

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Briatore


O polêmico Flavio Briatore passeia com a esposa, a modelo Elisabetta Gregoraci. Demitido da Renault e praticamente banido da Fórmula 1 a ele restarão as mansões, os jatinhos, o iate famoso por ser quase um navio, os helicópteros e a esposa. E que esposa! Briatore não agiu com ética, jogou sujo e perdeu, mas jamais poderão questionar seu bom gosto. Bom gosto e muita grana, uma gata dessas jamais caminharia ao lado de um "old man" não fosse ele rico, digo muito rico. (Sidney Borges)

Coluna do Celsinho

Pirlimpimpim

Celso de Almeida Jr.
Comentarei dois pontos positivos da atual administração.
Acho bom fazer isso.
Não quero o rótulo de chato.
Além do mais, elogio é bom.
Para quem faz e para quem recebe.
Começo pelos navios.
Sempre devemos saudar o Luiz Felipe pela persistência e dedicação.
Seus esforços deram frutos e Ubatuba entrou definitivamente na rota dos cruzeiros marítimos.
O ganho que a cidade terá com esta conquista será gigantesco.
Assistiremos a um fluxo cada vez maior de navios, revelando - aos turistas mais exigentes - a beleza de nosso litoral.
Mais visitantes, mais investimentos, mais empregos.
Outro que merece aplausos é o René Nakaya.
Seu trabalho na assessoria de Planejamento e Desenvolvimento, com ênfase no desenvolvimento sustentável, já sinaliza que poderemos projetar nosso município de forma muito positiva, também nesse aspecto.
Creio que brevemente Ubatuba poderá se destacar pelo trabalho integrado de seus secretários municipais, focados neste tema tão importante.
Com a unidade do comando, ficará muito mais fácil sensibilizar a população para adotar essa idéia.
É isso.
Por hoje é só.
Não quero o rótulo de áulico.
Além do mais, desconfie de quem elogia demais.
Podem existir segundas intenções.
No meu caso, quis apenas usar o pozinho da Emília e da Sininho.
Viajar para um mundo alegrinho...


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Ubatuba em foco

Desânimo

Corsino Aliste Mezquita

As coisas em Ubatuba não fluem, não andam. Quando andam seguem caminhos tortos. Em todos os caminhos aparece um demônio equipado com tridente que para tudo e faz deitar as coisas como o anjo parou e fez deitar a jumenta de Balaão. (Números 22 – 27) Associei a imagem ao ver a “VACA DEITADA” de Julinho Mendes.

A paralisação, os descaminhos, a desordem, as perseguições, a falta de planejamento, a ausência de fiscalização e o cumprimento do dever dos eleitos e nomeados para fazer respeitar a lei e cobrar ética, transparência e eficiência dos administradores dos bens e do patrimônio público, causa um imenso desânimo.

Dias passados informaram-me que a Merenda Escolar estava capenga. Publiquei artigo sob o título “TRISTEZA”. Nada tenho com isso. Apenas entristece-me o sofrimento de desamparados.

Poucos dias depois alguém desabafa comigo que as obras da Prefeitura estavam paradas, não eram fiscalizadas e as particulares irregulares ninguém as incomodava. É triste.

Histórias tristes e lamentáveis são contadas todos os dias do abandono em que se encontra a cidade e de fatos ocorridos na Santa Casa e nas Secretarias de Educação e Saúde. Não são tomadas providências.

Ontem uma pessoa séria, honesta, caridosa, doadora de parte de seus serviços profissionais em benefício das pessoas pobres e à qual deve muito o Lar do Menor me telefonou chorosa e angustiada informando que, a Prefeitura-FUNDAC, pretendiam vender o prédio do LAR DO MENOR, da Cap. Felipe e fazer dele um ágape..., um banquete.... Citou nomes dos envolvidos, ações que estariam acontecendo, carências sofridas pelas crianças e pediu para fazer alguma coisa.

Nada posso fazer. Nada afirmar ou negar. Não sei se a fumaça esconde um fogo devorador dessa parte do patrimônio de Ubatuba e das crianças desamparadas. Na impotência de cidadão solicito, dos Senhores Vereadores, se informem, visitem as crianças lá abrigadas, verifiquem a veracidade dos fatos e... pensem... reflitam... cumpram com o seu dever de fiscais. Aquela área, aquele prédio, aqueles móveis foram doados para as crianças desamparadas. Perdendo essa finalidade deveriam retornar a seus doadores. Não é moral alguém preparar ágapes e se banquetear com as migalhas das crianças desamparadas.

Essas coisas, sejam verdade ou boato para ver se aceito pela sociedade, causam angústia, desânimo e imensa tristeza.


VIVA UBATUBA!. Por favor, respeitem o patrimônio das crianças desamparadas.

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Opinião

Emissões por veículos seguem na contramão

Washington Novaes no Estadão
Editorial deste jornal (8/9, A3) apontou para a chaga exposta: é "tolerância com o envenenamento" a resolução aprovada no início do mês pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente que determinou uma redução de 33% na emissão de poluentes por veículos movidos a diesel, a partir de 2013, e a partir de 2014 para os movidos a gasolina e álcool. Tolerância porque uma resolução do mesmo conselho já fixara 2009 como o ano para a entrada em vigor dessas reduções. E quando ela entrar, daqui a três e quatro anos, ainda aceitará níveis de emissões mais altos que os máximos permitidos hoje na Europa. Com toda essa tolerância, o nível de emissões no setor de transportes cresceu 56% em 13 anos. "Demos dez passos para trás e um para a frente", sentenciou o professor Paulo Saldiva, do Laboratório de Controle da Poluição da USP, porque os efeitos serão muito graves na área da saúde humana.


Mas há ainda outros ângulos relevantes a observar nessa questão: 1) Estão sendo ignoradas as fortes pressões para que o Brasil reduza suas emissões de poluentes, já que é um dos cinco maiores emissores do mundo; 2) está sendo deixada de lado a situação insustentável das maiores cidades brasileiras nessa questão e na geração de custos de saúde; 3) despreza-se a possibilidade de políticas públicas estimularem a redução de emissões: ao contrário, elas as estimulam, com isenções de impostos e não-exigência de controle para veículos mais antigos; 4) deixa-se também inteiramente de lado uma indagação: que se pretende fazer com as maiores cidades brasileiras, absolutamente carentes de macropolíticas, como tantas vezes já se comentou neste espaço?

Na área do clima, basta relembrar a mais recente advertência do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Temos poucos anos para evitar uma catástrofe global", disse ele, após testemunhar no local o rapidíssimo derretimento do gelo no Ártico e ante a notícia de que a Patagônia também está perdendo o seu.

A incongruência fica muito patente quando se observa a inação na área das emissões, quando a frota brasileira de veículos desde 1990 cresceu 38% e chegou a 27,8 milhões, enquanto a população no mesmo período aumentou 12,7% (Estado, 19/8). Hoje, 26% da frota tem até três anos (e já poderia estar adaptada às reduções, assim como 11% que têm de quatro a cinco anos). E os veículos mais poluentes e sem controle, com mais de dez anos, são 35%. Ainda mais preocupante: a frota de motocicletas cresceu 243% entre 2000 e 2008 e chegou a 8,55 milhões - também sem controle.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Após escândalo, Senado valida atos secretamente"
Em ata não publicada, o Senado validou 36 atos secretos da Mesa Diretora para criar cargos e diretorias e reajustar a verba indenizatória, relata Adriano Ceolin. O assunto foi discutido há um mês, mas a decisão não chegou a ser divulgada. Em junho, uma comissão de sindicância identificou 663 atos administrativos que não foram publicados.

O Estado de São Paulo
"Após 31 anos, matéria-prima volta a liderar exportações"

Crise global afeta mercado de manufaturados e muda pauta brasileira de vendas

A crise global provocou uma mudança significativa na pauta de exportação do Brasil. Pela primeira vez desde 1978, as vendas externas de commodities superaram as de manufaturados. De janeiro a agosto, os produtos básicos responderam por 42,8% das exportações, acima dos 42,5% dos manufaturados, conforme a Secretaria de Comércio Exterior. O assunto está preocupando o governo.

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quinta-feira, setembro 17, 2009

Ubatuba em foco

Violência urbana na Mata Atlântica

Sidney Borges
Como acontece todos os dias saí para caminhar cedo. Ao passar pela Avenida Mero, na Ressaca, bairro onde moro, vi uma galinha d'angola morta. Atropelada. A tal via pública é larga e não é pavimentada, além disso está em más condições em função das chuvas. Por lá passa um carro a cada duas horas. Alguém conseguiu atropelar e matar a simpática ave. Hoje foi uma galinha, amanhã poderá ser uma criança. Viver em sociedade implica em educação e civilidade.

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Eleições

Saiba o que muda com a reforma eleitoral

Projeto aprovado no Congresso segue agora para sanção de Lula.Para vigorar em 2010, tem de ser publicado até o dia 3 de outubro.

Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (16), no final da noite, o projeto de reforma eleitoral que deve valer para as eleições de 2010. Pelo texto aprovado, a internet fica liberada para a campanha eleitoral, mas com restrição à realização de debates - que passam a seguir as mesmas regras aprovadas para rádio e TV.

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Opinião

Uso eleitoral da mineração

Editorial do Estadão
O que sobra de oportunismo político é igual ao que falta de realismo econômico na ideia do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de aproveitar a revisão do Código de Mineração, em preparação pelo governo, para aumentar os royalties pagos pelas empresas mineradoras e transferir parte da receita adicional para o Fundo Social a ser formado com os recursos da União com a exploração do petróleo do pré-sal.

Infelizmente para o País, o debate sobre a necessária reforma do Código de Mineração coincide com o período em que o Congresso deve discutir os quatro projetos de lei com que o governo Lula tenta viabilizar seu mirabolante programa do pré-sal. Um dos projetos cria o Fundo Social, que tem grande apelo social e, por isso, poderá tornar-se um grande instrumento da campanha da candidata governista em 2010. As mais de 80 emendas apresentadas pelos deputados para dar novas destinações a esse dinheiro que nem existe ainda são uma prova do imenso potencial eleitoral do Fundo. O ministro Edison Lobão não quis perder a oportunidade de também associar uma iniciativa sua a esse Fundo. "No novo Código de Mineração, nós já imaginamos a possibilidade de reservar recursos dos royalties para alimentar o Fundo Social do pré-sal", anunciou, em depoimento no Senado.

Atualizado pela última vez em 1967, o Código de Mineração precisa de mudanças que o tornem mais adequado às novas condições da economia. A maneira como o governo vem tratando sua reforma, porém, assusta as empresas mineradoras de diferentes portes, cujos investimentos, em geral vultosos, têm prazo muito longo de maturação.

Há pontos positivos nas mudanças em discussão. Um deles é o estabelecimento de prazo de até cinco anos para o início da produção pela empresa autorizada a explorar uma mina. Hoje, o detentor de um alvará de exploração pode reter a autorização pelo tempo que quiser, esperando a valorização para poder vendê-la. Enquanto isso, nada se produz.

A criação de uma agência reguladora, à qual incumbiria determinar prazos e condições da exploração, também é positiva, se ela funcionar sem interferência do governo.

Mas há um grande risco na mudança. Desde que a discussão começou, o ministro vem dizendo que é necessário elevar os royalties pagos pelas empresas. Voltou a repetir a tese no depoimento no Senado. Ele se considera insatisfeito com os 2% pagos pelas mineradoras, quando as empresas petrolíferas pagam 10%. Sua ideia é tornar os dois iguais.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"País recupera vagas perdidas na crise"

O Estado de São Paulo
"Criação de emprego formal é a maior desde o início da crise"

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quarta-feira, setembro 16, 2009

Frases

“Agora temos a maior riqueza depois do povo brasileiro a 7 mil metros de profundidade e a 300 quilômetros da costa do Brasil, que nós precisamos cuidar com muito carinho. Porque senão começa a desaparecer o nosso petróleo e a gente não sabe quem está levando embora. Depois temos a Amazônia que está ganhando cada vez mais importância no mundo”.

Lula

Nota do Editor - Faz tempo que venho alertando sobre a possibilidade de roubo de nosso precioso petróleo da camada pré-sal. Senão vejamos, o raio da Terra é de 6400 km, portanto, do Japão até o petróleo verde e amarelo são apenas 12 793 km. Fica no ar a dúvida de quem é o pré-sal? Nosso ou deles? Na verdade pré-sal significa antes do sal e o petróleo está antes do sal em relação ao Japão e depois do sal em relação à superfície das águas brasileiras, portanto o nome da camada petrolífera deveria ser pós-sal. Lula que tudo vê e tudo sabe, menos coisas que ele nunca soube, tipo mensalão, vai comprar caças para proteger o pré-sal. Lula tem sempre razão, quem mais diria que a Amazônia está ganhando cada vez mais importância no mundo? No entanto, temo pelo pré-sal. Neste exato momento a CIA e a zelite nipônica estão enfiando um canudo comprido para roubar o precioso líquido das entranhas da mãe pátria. Não passarão. Nada há a temer brasileiros, brasileiras e fiscais do Sarney. Os caças franceses logo estarão aí para proteger nossas riquezas. Duela a quien duela, como diria o amigo-irmão e neocompanheiro, Fernando Collor de Mello, aquele da "Casa da Dinda" das cascatas e jacarés. (Sidney Borges)

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Vida silvestre





Pombas legítimas
Sidney Borges
Era uma vez duas pombas legítimas. Uma do sexo feminino e a outra do masculino. Quando duas pombas legítimas de sexos diferentes se encontram é provável que decidam perpetuar a espécie e então procuram o BNH das pombas com a finalidade de adquirir um ninho financiado.
As pombas legítimas da fotografia estavam estudando a melhor opção, que coubesse no orçamento e ainda sobrasse um dinheirinho para viajar e comprar guloseimas. Pombas legítimas adoram guloseimas.
A seqüência deve ser vista a partir da foto que está embaixo. As pombas legítimas permaneceram horas quietinhas, pensando pensamentos de pombas e, como continuassem assim, aéreas, aproximei a câmera, aproximei mais a câmera e então passou o quero-quero aflito que me acorda todos os dias.
As pombas legítimas olharam para ver quem era e continuaram pensando na vida. Depois foram embora viver vida de pomba. De pomba legítima.

Fórmula 1

Briatore sai da Renault

Sidney Borges
Flavio Briatore e Pat Symonds pediram demissão da Renault hoje. As denúncias de Nelsinho Piquet foram a causa da saída. No próximo dia 21 eles seriam confrontados com provas da patranha, Pat Symonds já tinha gaguejado nas primeiras declarações. Briatore abriu a metralhadora de iniqüidades e fugiu do fulcro da questão. Acusou Nelsinho de ser gay. Não convenceu ninguém e ganhou a antipatia do mundo. A Fórmula 1 perderá credibilidade se a coisa morrer com a fuga de Dick Vigarista. A Renault tem culpa e Alonso também. Como disse Piquet pai, ninguém larga em último com o tanque quase vazio num circuito de rua. A Fórmula 1 está cheia de gente esperta querendo ganhar a qualquer custo. A Renault merece ser banida do esporte, assim como a McLaren mereceu quando espionou a Ferrari. Aliás, Formula 1 é esporte?

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Opinião

A reação da China

Editorial do Estadão
Ao reagir com rapidez sem precedentes à decisão do presidente americano Barack Obama de impor sobretaxa aos pneus chineses que entram nos Estados Unidos, a China deu um sinal claro de que agora está disposta a utilizar todos os instrumentos de defesa comercial a que pode recorrer e empregará seu peso no comércio mundial para defender seus interesses, quaisquer que sejam seus adversários. São dois contendores de grande peso, pois a China deve tornar-se, neste ano, o maior exportador do mundo, superando a Alemanha, e os Estados Unidos continuam sendo o maior importador do mundo.

A sobretaxa de 35% sobre os pneus chineses, já taxados com 4% quando entram nos EUA, foi anunciada na sexta-feira passada por Obama, atendendo às pressões de sindicatos americanos de trabalhadores da indústria de pneus que o apoiaram na campanha eleitoral. Na primeira oportunidade que teve, na segunda-feira, o governo de Pequim apresentou queixa contra a medida na OMC e anunciou o início de investigações sobre as exportações americanas de carne de frango e autopeças por suspeita de dumping, isto é, a venda no exterior a preço inferior ao praticado no mercado interno ou ao custo de produção. Assim, estende para outras áreas a disputa com seu principal parceiro comercial.

O governo chinês acusa o americano de não ter respeitado os compromissos assumidos na reunião do G-20 (o grupo dos países mais ricos e dos principais emergentes), de evitar a adoção de medidas protecionistas para enfrentar a crise e de abusar de medidas comerciais que podem enfraquecer as relações entre os dois países. O presidente Barack Obama afirmou que seu governo "está comprometido a expandir o comércio e a ter novos acordos comerciais", mas ressalvou que tão importante quanto abrir mercados é manter as regras locais.

Do ponto de vista de valores, o caso dos pneus parece irrelevante. A sobretaxa imposta por Washington afeta importações que, no ano passado, somaram US$ 1,8 bilhão, valor ínfimo se comparado ao volume do comércio bilateral. Só no primeiro semestre deste ano, o déficit comercial americano com a China alcançou US$ 103 bilhões, e continua a crescer. Mas o caso pode ter outras implicações.

Ele mostra como Obama retribui o apoio que recebeu para vencer a eleição presidencial. Os sindicatos alegaram que a entrada de pneus chineses no mercado americano levou à destruição de 7 mil empregos nos EUA - e, na campanha eleitoral, Obama garantira que não trocaria a defesa dos trabalhadores americanos por um bom acordo com a China.

A China, porém, respondeu pronta e pesadamente à sobretaxa aos pneus - parte dos quais fabricados pela empresa americana Goodyear -, ameaçando com retaliação os exportadores americanos de carne de frango e de autopeças, dois setores politicamente importantes para Obama.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Governo quer taxação maior da poupança"
O governo propõe tributar em 22,5% o rendimento das cadernetas de poupança com saldo acima de R$ 50 mil. Se a proposra for aprovada atté o fim do ano pelo Congresso, passará a valer a partir de 1º de janeiro. A cobrança ocorrerá na fonte, mensalmente.

O Estado de São Paulo
"Poupança acima de R$ 50 mil deve ter taxa"

Pela nova proposta do governo, valor que exceder esse limite pagará Imposto de Renda de 22,5%

O governo mudou a proposta de tributação da caderneta de poupança a partir de 2010, tornando-a mais simples, mas também mais cara, para os grandes aplicadores. O modelo, que deve ser proposto esta semana ao Congresso Nacional, mantém a isenção de Imposto de Renda (IR) para investimentos até R$ 50 mil, mas institui uma taxação de 22,5%, cobrada na fonte sobre o rendimento relativo à parcela que exceder este valor. "Em uma caderneta de poupança no valor de R$ 52 mil, o rendimento dos R$ 2 mil (valor que excede os R$ 50 mil) é que será taxado em 22,5%", explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Antes, a ideia do governo era taxar as aplicações com base em uma fórmula que definia a tributação conforme o nível de taxa de juros. Para analistas, a proposta era "ininteligível" (ver mais abaixo). Em compensação, implicava custo menor para os poupadores.

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terça-feira, setembro 15, 2009

Brasil

A amazônia é nossa. Os laranjas também...

Sidney Borges
Noticias da Amazônia. O governo limitou a compra de terras a estrangeiros. Pelo projeto, não brasileiros só poderão ter até 10% das terras das cidades da região. Gostei da atitude, a lei é correta. O poder econômico avassalador das nações imperialistas poderia se traduzir na compra legal do país.

Compra daqui, compra dalí e quando nos déssemos conta a fatura estaria na mesa. É nosso diriam os gringos. É deles diriam os entreguistas. Tá cheio de entreguistas no país, ainda bem que temos o presidente Lula para nos proteger. Lula e Dirceu, que está em Cuba estudando socialismo.

Lula gritaria aos quatro ventos contra a maracutaia: "menas", "menas", "menas", gritos que se perderiam na imensidão verde da floresta amazônica de tanta fauna e jequitibás. Consultados os tribunais internacionais diriam que a compra tinha sido legal e que o que é comprado não é roubado. E assim os gringos começariam a tirar petróleo, ouro, pedras preciosas, ervas medicinais, borboletas e onças de nosso solo sagrado, bonito por natureza, abençoado por Deus, pela Virgem Maria e pelo Bispo do Kaká.

Gringo não pode e ponto final. Fico me perguntando o que aconteceria se um gringo tivesse um sócio brasileiro. O gringo com 99,99% e o brasileiro com 0,01%. E os dois resolvessem comprar terras em Roraima, ou talvez em Rondônia. A ministra Dilma confundiu e tomou uma vaia. Hi, hi, hi... Aí o gringo seria dono também, embora as terras estivessem em nome do sócio brasileiro, conhecido como Laranjus Cítricus.

Testas de ferro, não confundir com cabeças duras, são comuns em todas as cidades do país. Políticos fazem negociatas e esquentam a grana através de amigos que se dispõem a ser donos sem ter a posse. O governo não acaba com isso porque não quer.

A Receita Federal poderia muito bem perguntar ao boiadeiro que ganha seis mil por ano de onde ele tirou seis milhões para comprar uma fazenda. Poderia, mas não tem feito, não com a velocidade que a sociedade espera.

A remessa ao exterior de dinheiro surrupiado de cofres públicos poderia contribuir e muito para aplacar os males da desigualdade. Lula seria o presidente mais festejado da história se estancasse a hemorragia que se dá nos municípios. Basta prender os laranjas e jogar a chave fora. Os novos laranjas ficariam com medo. E as maracutaias diminuiriam.

Sobraria dinheiro para escolas, hospitais, saneamento. Segundo sites especializados, a sangria chega a 30% dos orçamentos. Isso precisa acabar. Isso tem que mudar. Tenho dito.

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Deu na Folha

Dilma chama Roraima de Rondônia

Do Blog do Noblat
"Esse país está mudando, e Rondônia mudando mais rápido que nosso país", discursou Dilma Rousseff ontem para cerca de 15 mil pessoas em Boa Vista, capital de Roraima. Ao perceber um silêncio seguido de vaias, a ministra se deu conta da gafe e se desculpou. Dilma retomou ontem as viagens pelo país com o presidente Lula. Original aqui: http://bit.ly/co2zd

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Frases

Hoje parece que o Brasil depende de um homem só. Não dá, tem que ser uma coisa mais democrática.”

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

Nota do Editor - Pois é nobre sociólogo, o senhor está coberto de razão. O fenômeno do "tudo eu" é conhecido como culto da personalidade. Na Itália o povo dizia: Mussolini ha sempre ragione. Foi um grande erro acreditar na máxima, a Itália acabou destruída por uma guerra estúpida. Mas sempre há uma compensação, o cinema italiano produziu obras fantásticas na fase da pobreza. Recomendo "Ladrões de Bicicleta", clássico neorealista. (Sidney Borges)

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Drogas

Holanda restringe acesso à maconha! E cria cartão pessoal!

(AFP, 12/09)
1. A Holanda deixou de criminalizar o consumo e posse de menos de cinco gramas de maconha em 1976, apesar de o seu cultivo continuar a ser ilegal. Existem no país cerca de 700 “coffee shops” legalizados, que não podem armazenar mais de 500 gramas de maconha a cada momento. O Executivo holandês indicou ainda que deverá apresentar projetos-piloto que comecem a impor limitações ao consumo. Um desses projetos prevê o limite diário máximo de três gramas de maconha vendido a cada consumidor, em vez das atuais cinco gramas. O governo holandês propôs ontem que os “coffee shops” nacionais, os cafés onde é legal comprar e consumir maconha, se transformem em clubes privados para cidadãos nacionais, com o intuito de dificultar a venda desta substância aos turistas.

2. Numa declaração conjunta, o Executivo indicou estar de acordo com uma proposta apresentada por quatro ministérios holandeses, que transformaria os “coffee shops” em clubes privados sujeitos à apresentação de um cartão de sócio à entrada. “As vendas nos ‘coffee shops’ deverão ser feitas a uma escala menor e destinadas apenas a consumo local”, indica o relatório. Esta medida teve como ponto de partida um relatório levado a cabo por uma comissão especial que teve como missão reavaliar a política holandesa de grande tolerância para com as drogas leves. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

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Ubatuba em foco

Brinde sindical

Corsino Aliste Mezquita
Na condição de Vice-Presidente do “Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública de Ubatuba” – SINDTAPU – tenho detectado heranças da “ADMINISTRAÇÃO ANTERIOR” que já prejudicaram e continuam prejudicando as finanças, o andamento das atividades, a educação cívica e o respeito às pessoas e à ética administrativa.


Provados alguns erros graves e os prejuízos causados ao erário do Sindicato, solicitamos providências, da DIRETORIA, e aplicação dos artigos 77 e 69, do Estatuto do Sindicato, que determinam o afastamento, da Diretoria, dos responsáveis pelos erros. Outros sindicalizados também tiveram idêntica atitude.

Grupo de Diretores, do Sindicato, comandados pelos implicados nas irregularidades, adotaram processo de ocultação no qual não faltaram grosserias, agressões verbais, interferências indevidas nas atividades dos profissionais que assessoram tecnicamente o Sindicato e falta ao respeito a Sra. Presidente e a todos que solicitamos providências éticas e racionais.

A Sra. Presidente não suporta mais esses comportamentos. Outros acompanhamos seu desespero e já solicitamos providências.

Em documento protocolado, aos 13-08-09, assim pressionam, à Sra. Presidente, os sete supostos causídicos da legislação sindical.

“Aproveitamos o momento para solicitar que a Sra. Presidente tome as devidas providências em relação a pessoa do Vice-Presidente deste Sindicato que vem ofendendo esta Diretoria através de documentos protocolados neste Sindicato, e-mails enviados a jornais virtuais causando a dilapidação da credibilidade da Entidade. A continuidade de tal comportamento é de única responsabilidade da Presidente conforme Regimento Interno” (sic).

Como o leitor pode observar não são citados os artigos que teriam sido transgredidos pelo Vice-Presidente e, nem aqueles que dariam amparo à Sra. Presidente para justificar punições. É atitude própria de quem desconhece a legislação que cita e que, supostamente, não entendeu o alcance dos documentos protocolados.

De minha parte os desafio a encontrar uma única “ofensa à Diretoria do Sindicato”, nos documentos protocolados no próprio Sindicato ou nas publicações na imprensa virtual.

Não podem confundir “OFENSAS À DIRETORIA” com o apontamento de erros graves de alguns de seus membros ou com as faltas de respeito e educação por outros praticados.

Documentos protocolados, no Sindicato, foram elaborados para atender “direito concedido pelo artigo 4º, letra d), e dever imposto pelo artigo 5°, letra d)”. Ambos do Estatuto do Sindicato. Já sobre as publicações, na imprensa virtual, espero não ofender ninguém lembrando:

“É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato” (CF 5° IV)

A manifestação de pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”.

§ 1° “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social observando o disposto no art 5°, IV, V, X, XIII e XIV”. (CF art. 220).

A situação da Diretoria do Sindicato, neste momento, é grave e extrema. Filiados salvemos o Sindicato. Fiquem atentos e compareçam às convocações que deverão acontecer.

No mundo sindical, quem se dispõe a implantar a ética recebe esse tipo de brinde.

VIVA UBATUBA!

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Rumo à centralização

Editorial do Estadão
Ineficiente, inchado e incapaz de cuidar dos próprios investimentos, o governo chefiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva intervém onde não deve e tenta comandar não só a Petrobrás, mas também algumas das maiores companhias privadas do País, como a Vale do Rio Doce e a Embraer. É cada vez mais ostensivo o esforço do presidente para controlar setores estratégicos da economia e para subordinar decisões de negócios, algumas de grande complexidade, à sua vontade e aos seus objetivos políticos. Os defensores da reestatização da economia brasileira podem aplaudir as iniciativas de Lula. Mas ele não está empenhado em fazer do Estado um motor do desenvolvimento. Se as suas manobras derem certo, a economia brasileira, uma das dez maiores do mundo, ficará sob as ordens de um comitê central instalado em Brasília. É esta a ameaça mais importante.

Na semana passada, o presidente Lula voltou a cobrar da Companhia Vale do Rio Doce a realização de investimentos em siderúrgicas no Espírito Santo, no Ceará e no Pará. "Eu disse ao Roger (Agnelli, presidente da empresa) que é preciso a gente começar a construir essas siderúrgicas porque era para a gente ter começado a construir no auge da crise", disse Lula. O uso da expressão "a gente" é altamente informativo.

Também na semana passada o presidente da República censurou a administração da Vale por encomendar navios de 400 mil toneladas a um estaleiro chinês. "É impossível a Vale continuar comprando navio na China quando a gente está montando a indústria naval aqui."

Lula já havia implicado com a mineradora e também com a Embraer por haverem demitido funcionários quando a crise financeira se agravou. Seus companheiros aproveitaram a oportunidade para defender a interferência do governo em qualquer empresa tomadora de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os mais entusiasmados defenderam a reestatização das grandes companhias privatizadas nos anos 90. Lula não empunhou ostensivamente essa bandeira, mas o governo ensaiou manobras de outro tipo para tomar o controle acionário da Vale e substituir seu presidente, indicado pela Bradespar.

Mas o esforço de centralização do poder econômico vai muito mais longe. O governo já desenvolve planos para reativar a Telebrás, hoje uma empresa desimportante e praticamente sem função, para operar no sistema de transmissão de dados por banda larga. Não há nenhuma razão econômica para isso, mas não é difícil imaginar motivações políticas. Também é plano do governo mobilizar a Eletrobrás e suas controladas para maior participação nos leilões de concessão para geração e transmissão de eletricidade.

A anunciada intenção de cobrar das mineradoras maior volume de royalties vai na mesma direção. O governo federal não precisa dessa receita adicional e na verdade nem se mostra capaz de aplicar produtivamente a arrecadação já disponível. Mas o objetivo declarado é destinar o dinheiro a um "fundo social" - expressão mágica, destinada a legitimar perante a opinião pública menos informada qualquer nova exorbitância fiscal. Os planos para o setor da mineração incluem a criação de uma agência fiscalizadora. Não se tratará, com certeza, de uma agência concebida como órgão de Estado, estabelecida para regular um campo de atividade e para operar com autonomia. Muito mais provavelmente, será mais um instrumento de interferência governamental.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Projeto de lei limita venda de terra para estrangeiros"
A soma de terras nas mãos de estrangeiros não poderá ultrapassar 10% das superfícies dos municípios da Amazônia Legal, segundo projeto de lei finalizado pelo governo, informa Eduardo Scolese. Hoje, o limite é de 25% em todo o país. O novo limite valeria para a compra, por estrangeiros, de áreas rurais nos Estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão.

O Estado de São Paulo
"Obama adverte bancos que 'era de excessos' não voltará"

Após um ano de crise, presidente dos EUA diz que 'alguns não aprenderam a lição'

No dia em que a quebra do Lehman Brothers completou um ano, o presidente Barack Obama fez uma séria advertência a Wall Street: "alguns no setor financeiro estão ignorando as lições do Lehman Brothers" e voltando aos maus hábitos do passado. "Nós não vamos voltar à era de comportamento irresponsável e excessos que originaram essa crise", disse Obama em discurso em Nova York, exortando os bancos a se unirem à Casa Branca e ao Congresso nos esforços de aprovar uma reforma regulatória até o fim do ano. "Wall Street não pode voltar a assumir riscos sem se importar com as consequências e esperar que o contribuinte americano resgate os bancos de novo."

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segunda-feira, setembro 14, 2009

Deu na Folha

França não transferirá 100% da tecnologia, diz especialista

Alguns sistemas "mais sensíveis" jamais serão exportados, afirma Renaud Bellais. Para economista, contrato com o Brasil é fundamental para que a Dassault, que produz o avião, mantenha a fabricação dos caças Rafale

De Ana Carolina Dina (original aqui)
A proposta francesa de transferência total de tecnologia ao Brasil nas negociações para a compra de 36 caças Rafale deve ser vista com cautela, na opinião do economista Renaud Bellais, da Comissão de Defesa da Fundação Concorde e especialista em indústria de defesa.


Segundo ele, é provável que o governo francês e a Dassault, empresa que fabrica os caças, concordem em transferir 100% do conhecimento necessário para a linha de produção dos aviões, como processos de certificação, homologação e validação de etapas da produção- mas dificilmente vão revelar as "tecnologias mais sensíveis ".

"Um avião tem diferentes tecnologias, como aerodinâmica, estrutura, sistemas embarcados etc. O importante é saber a que tipo de tecnologia o governo francês se refere. Por exemplo, existem tecnologias de radar que nunca serão exportadas ", argumenta.

Para o especialista, a regra seguida pelo Ministério da Defesa é que seus aviões estejam sempre equipados com sistemas mais avançados que os que integram as unidades exportadas. "O objetivo é que os sistemas utilizados nos aviões do Exército francês sejam mais eficazes do que aqueles integrados nos aviões exportados para não nos encontrarmos na mesma situação vivida no Iraque, em que o Exército se deparou com equipamentos franceses."

Segundo Bellais, a tecnologia mais sensível são os sistemas embarcados, tais como navegação, comunicação, dados de voo e sistemas de controle, ou ainda os sistemas de armas. No caso dos Rafales, parte desses sistemas são fabricados pela francesa Thales, em que a Dassault tem participação.

Embora os detalhes ainda não tenham sido definidos, a França se diz disposta a transferir ao Brasil 100% da tecnologia para a fabricação dos caças.

Paris garante que o objetivo é que, no final do processo, não somente o Brasil seja capaz de construir um avião equivalente ao Rafale, mas que os dois países construam juntos a próxima geração de caças franceses.

Como parte do acordo, a França também pretende comprar entre 10 e 15 unidades do futuro avião de transporte militar KC-390 da Embraer. Em entrevista a uma rádio francesa, o ministro da Defesa, Hervé Morin, chamou o avião brasileiro de "carrinho de mão" e disse que eles não têm o mesmo nível do A400M, avião europeu que está sendo desenvolvido com participação francesa. Assinante do jornal leia mais em: França não transferirá 100% da tecnologia, diz especialista

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Panorama

Como estão as núvens?

Sidney Borges
Notícia fresca na Folha de hoje, digo não tão fresca, notícia de jornal é sempre velha, mas essa é interessante e dá um panorama da sucessão estadual.

Serra fechou questão em torno de Geraldo Alckmin. É ele e ponto final. Kassab deve ter feito beicinho, Aluízio Nunes Ferreira não é de fazer beicinho mas imagino que não gostou. Alckmin não terá a companhia de seu secretário preferido, o vereador Gabriel Chalita, de malas prontas para o PSB. Vai concorrer ao Senado.

O PSDB está bem na fita, tem em Aluízio Nunes Ferreira um grande nome. É o candidato de minha preferência. Por outro lado, Geraldo Alckmin é experiente e deixou o governo bem avaliado, além de estar liderando as pesquisas.

A compra dos caças para a FAB me faz lembrar que a França vendeu mísseis Exocet para a Argentina. Na guerra das Malvinas/Falklands não houve suporte técnico por parte dos franceses, aliados da Inglaterra. Pelo menos um míssil atingiu o alvo e não explodiu.

Mais do que aviões, precisamos de mísseis e equipamentos eletrônicos feitos no Brasil, à prova de interferência de países "amigos".

A FAB tem capacidade de defender o pré-sal. Desde que seus aviões estejam convenientemente armados.

Transferência de tecnologia é um bom argumento na hora da venda, mas pode dar chabu em caso de conflito de interesses. Acho que seria uma boa idéia desmontar um F-5 e copiar, melhorando o que pode ser melhorado e criando um caça brasileiro. Pequeno, eficiente e barato.

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Coluna do Mirisola

Pega! Pega o escritor!

Marcelo Mirisola*

Participei, junto com o Lourenço Mutarelli, de uma Tarrafa Literária. Lá em Santos. Foi o Zé Luis Tahan quem me tarrafeou, ou melhor, me convidou para o encontro. Agora, não sei se começo esta crônica falando da época em que conheci o Zé, quando ele trabalhava na extinta livraria Iporanga e me apresentou a Elias Canetti, ou se falo do debate mesmo e de quanto o Mutarelli me surpreendeu. Para ser sincero, acho que não tenho distanciamento suficiente – agora, não – para falar de uma coisa nem da outra. Quando se trata de memória, 20 anos podem ser tão longe quanto a imagem distorcida que tínhamos de alguém que há muito podia estar bem mais próximo da gente – coisa simples e complicada ao mesmo tempo.

Trata-se de uma peça ou de uma regrinha de três que, às vezes, a vida nos prega como se viver e lembrar fossem coisas paralelas, às vezes sobrepostas e na maior parte do tempo afins, como se uma coisa fosse consequência da outra, e todos sabemos que – apesar daquilo que vivemos e das lembranças que salpicam em nossa memória – não é bem assim que o bagulho funciona: atravessar ruas e amarrar sapatos podem ser atividades muito mais comprometedoras do que aquilo que imaginamos. Bukowski tem um belo poema sobre o assunto. Vejam só, além de viver e lembrar, ainda temos a capacidade de conjeturar, distorcer, viajar na maionese e nos iludir achando que pagamos meia entrada quando, na verdade, pagamos 12 por cento ao mês nos cinemas dos irmãos mauricinhos líricos. Quantas opções, né?

Sobretudo se você entornou uns gorós nos dias anteriores e não faz muita questão de se desapegar dos seus preciosos preconceitos, bem como não está nem aí para a “ciência” do tiozinho de Viena e sabe que não é exatamente a falta de tesão que você devia sentir por sua mãe que vai explicar a insensatez que é sobreviver a tudo isso e, como se não bastasse, você ainda diz bom dia ao porteiro do seu prédio e – se tiver uma mulher – vai ser obrigado a agüentá-la acusando-o de ser um filho da puta, egoísta, cachaceiro, promíscuo, irresponsável, etc etc. Melhor, portanto, deixar pra lá, e mandar um abraço pro Zé Luis e outro pro Mutarelli.

O engraçado é que minha memória está tinindo. E, depois de tantas idas e vindas, o Zé, no meio do debate, assim de supetão, acabou por me lembrar de uma confusão cujos desdobramentos hoje se misturam naquilo que eu vagamente chamo de lembranças, folha corrida, ressaca, tempos idos. Caramba! Como é que o Zé foi desencavar essa história...

Não foi no tempo do Rei. Mas foi no século passado, quando eu morava em Florianópolis. A TV local me convidou para uma entrevista. Quem conhece a repetidora da Globo naquela cidade, sabe onde é o Morro da Cruz. Um lugar alto, muito alto. E longe. O assunto era “O Herói Devolvido”, meu segundo livro de contos.

O cara que ia me entrevistar não havia lido nem um conto sequer. Não leu nem a orelha. Cheguei ao estúdio e ele, malandramente, me disse que tinha “jogo de cintura” para fazer a entrevista. Estava tudo sob controle. Pediu para eu ficar “calmo”.

Se fosse dois anos depois, eu diria a ele que remoí e ruminei O Azul do Filho Morto, meu primeiro romance, ao longo de três décadas. Que meus livros, em média, demoram 60 meses para serem escritos, essas coisas. Mas eu havia entrado numa espécie de estado de pré-catalepsia. Não consegui reagir. E o sujeito insistia: que era pre’u relaxar. Me garantiu que ele e seu “jogo de cintura” encerrariam a questão em “dez minutinhos”. Então tá.

Fiz uns cálculos. Uma orelha demora dois minutos para ser lida. O fdp não havia lido nada, nem se deu o trabalho de ler a orelha!, e o pior, não tinha nem um Herói Devolvido para remédio no estúdio.

Do estado de choque, passei ao estado de guerra. Me recusei a dar a entrevista. Sem o livro, não.

Todavia, como sou um cara gentil, e como ainda restavam uns 30 minutos antes de a entrevista começar, me ofereci a descer o morro e comprar o livro no centro da cidade. Exigi a grana para o táxi e para comprar um exemplar do Herói. O malandro ofereceu cem reais do próprio bolso, e eu não aceitei. Não podíamos arriscar: o fiz entender que o livro e o táxi ida e volta, e mais o horário do estúdio previamente agendado, pediam ao menos 200 reais. Melhor sobrar do que faltar. Daí que ele, cheio de jogo de cintura, foi obrigado a fazer uma vaquinha com o produtor e os técnicos da emissora, e teve que aceitar meus termos. Ou era duzentão ou não teria entrevista.

O motorista do táxi nem precisou descer o morro. Demos umas voltinhas pelos arredores, papeamos um pouco sobre o Guga, que, se não me falha a memória, havia ganhado Roland Garros pela primeira vez, e, quando o taxímetro marcou dez reais, eu já estava de volta ao estúdio. Não entrei.

Se eu fumasse, teria acendido três cigarros e teria dado tempo de apreciar a bela vista lá do alto do Morro da Cruz. Depois de uns 20 minutos, finalmente dei as caras no estúdio com o livro que havia trazido de casa, devida e antecipadamente atucanado no bolso do meu casaco de general.

E lá do outro lado, o entrevistador: com a revista que iria usar para fazer a cola das perguntas.

Isso mesmo. As mesmas perguntas que eu havia respondido na Playboy. Vou repetir: o cara colou as perguntas do Ciro Pessoa (uma das melhores entrevistas que dei na vida). Abração, Ciro.

A trambicagem, portanto, estava armada.

Como eu disse há pouco, além de ser um cara muito gentil, também sou generoso. Ofereci duas opções ao entrevistador. Isso no ar. A primeira opção consistia em lhe responder a mesma coisa que respondi ao Ciro “nessa revista aí que está debaixo da sua mesa”. A outra opção era ele me perguntar algo sobre o livro que não havia lido.

Então, cheio de “jogo de cintura”, começou a falar que o “bitinique John Fante inspirou as maluquices dos hippies...”.

A coisa não ia nada bem. Quando ele disse que eu também era “um maldito”... dei a entrevista por encerrada. Me levantei, e fui embora – deixei o cara suspenso, literalmente no ar.

Até aquele momento, o babaca ainda não havia se dado conta de que os duzentos reais e mais “troco” estavam no bolso do meu casaco de general – aliás, esse casaco é (até hoje) uma singela homenagem ao "Vapor Barato" do Macalé e do Wally Salomão, sou o maior fã dessa música interpretada pela Gal Costa. Somente pela Gal. O Rappa estragou a música. É o caso, creio, de se pensar em isolamento perpétuo ou pena de morte quando uns manés cometem atrocidades desse naipe. Cadê os legisladores?

Já no portão de saída, ouvi uns gritinhos hediondos vindos de dentro do estúdio: “Pega! Pega o escritor!”

Desci o morro da Cruz num pinote que deixaria Usain Bolt pálido de timidez. Se John Fante não tinha nada a ver com os hippies, eu também nada devia aos malditos, nem ao entrevistador. Muito pelo contrário. Aqueles cento e noventa reais foram uma mixaria de “cachê”. O mais ridículo de toda minha carreira de “escritor maldito”. Foi um puta sufoco, mas eu me diverti um bocado, eram outros tempos.

Curioso, essa história me lembrou de outra, também muito canalha. Trata-se de uma proposta indecente que me fizeram para cobrir uma “corrida de aventuras”. Fica para a próxima semana. Axé para todos.

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


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