sábado, setembro 05, 2009

Charge - Amarildo


Original aqui

Poder

A ponta do macarrão

“Quarenta anos depois, Franklin Martins ainda luta pelo poder. Considerando o que aconteceu com Ana Maria Machado, é bom a ministra da Casa Civil esconder as chaves do carro”


Diogo Mainardi
Ana Maria Machado é Ho Chi Minh. Por mais que eu a bombardeie – e eu a bombardeio continuamente –, um dia ela acabará derrubando, com sua literatura infantil, minha Saigon doméstica.


A própria Ana Maria Machado inspirou o paralelo histórico com Ho Chi Minh. Algum tempo atrás, indagada sobre a luta armada no Brasil, no período da ditadura militar, ela respondeu da seguinte maneira: “O vietnamita teve coragem de ir à luta, o brasileiro não teve”.

Ana Maria Machado, a vietnamita, foi à luta. Como ela já declarou, envolveu-se “até as orelhas na resistência à ditadura”, escondendo “gente e dinheiro de roubo a banco”. Mas o episódio pelo qual ela é lembrada tem outro protagonista: Franklin Martins. Em 1969, ele planejou o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Para realizá-lo, usou o Fusca de uma de suas irmãs. Qual delas? Sim: Ana Maria Machado. Os agentes da ditadura identificaram seu Fusca e ela foi presa.

Quarenta anos depois, Franklin Martins ainda luta pelo poder. Seu plano mais recente é eleger Dilma Rousseff em 2010. Considerando o que aconteceu com Ana Maria Machado, é bom a ministra da Casa Civil esconder imediatamente as chaves do carro. Para Franklin Martins, a candidatura presidencial é uma espécie de Fusca recauchutado. Dilma Rousseff é um New Beetle.

Ana Maria Machado, como Franklin Martins, também continuou sua guerrilha ideológica. Só que ela passou a utilizar outro instrumento: o Mico Maneco. Ho Chi Minh ensinou que, para recrutar o campesinato analfabeto, era preciso “contar histórias curtas, simples e divertidas, mas sem revelar os segredos militares”. Agora Ana Maria Machado tenta fazer o mesmo com a meninada analfabeta. O melhor exemplo disso é A Jararaca, a Perereca e a Tiririca. A obra, segundo ela, “fala da luta armada”. A jararaca representa o martírio de um terrorista, porque “dá o bote e é morta”. A perereca, por sua vez, simboliza o exilado, que “sai pulando e nadando até encontrar uma pororoca”. E a tiririca é como o povo, que permanece inerte, passivo, “calado”.

De acordo com Ana Maria Machado, o papel do escritor “é explicar às pessoas como tudo é complicado”. O Brasil – diz ela – “é uma grande macarronada: você puxa uma ponta e acaba saindo uma outra coisa do outro lado do prato”. O que eu ensino aos meus filhos é exatamente o contrário: quando se puxa uma ponta do macarrão, o que acaba saindo é apenas a outra ponta do macarrão. E, quando se puxa Franklin Martins, o que acaba saindo é ainda mais Franklin Martins. Alguém aí viu as chaves do New Beetle?

Twitter

Vende-se



Preço de ocasião

Sidney Borges
Vendo (do verbo vender) a ave da foto no estado em que se encontra. Trata-se de um "Quero-quero", que segundo apurei na internet pode ser comparado em tamanho a uma perdiz. Nunca vi uma perdiz viva. Imaginava que fossem aves grandes. Aviso aos interessados, não sei se comem quero-queros, perdizes são consideradas iguaria fina. Talvez na China comam, chineses comem tudo o que se mexe, de gafanhotos a cachorros. Não tenho apreço por gente assim. Comer cachorro jamais. Além do mais, mp-3 chineses abrem o bico sem avisar. Por outro lado gosto de picanha e isso me torna repugnante aos indianos que adoram vacas. Não para tirar leite ou comer a carne, na Índia as vacas são deuses. Brindo a isso.

O nascimento é aleatório, mas pode significar vida tranqüila e farta ou morte prematura. Nascer cachorro na China ou na Coréia deve ser estressante, vaca no Brasil então, nem é bom falar. Já que o tema morte foi abordado, o vice-presidente José Alencar luta tenazmente contra ela. Tem a minha simpatia, sei o que ele está passando, meu pai sofreu do mesmo mal e também se empenhou em ficar. Perdeu a batalha, ninguém vence a morte, única certeza da vida além dos impostos.

Voltando aos negócios, o pássaro em liquidação é cinza-claro e tem ornatos pretos na cabeça, peito e cauda. A barriga é branca e a asa possui penas verde-metálicas. Apresenta um elegante penacho na região posterior da cabeça. O bico e as pernas são avermelhadas. Cuidado com o par de esporões no encontro das asas.

Não sendo ave de consumo, pode ser usada como despertador, na verdade estou vendendo exatamente por isso. Tenho despertador programado para sete e trinta. O quero-quero toca às cinco e vinte. Depois de acordado acabo me envolvendo com a faina diária e perco preciosas horas de sono, bem na hora dos melhores sonhos. Acontecem quase todas as noites, costumo me lembrar deles pela manhã, depois se esvanescem no desenrolar dos acontecimentos.

Gosto de sonhar que estou voando, acontecimento raro. A sensação é forte, real, mesmo durante o sonho eu sei que é sonho, embora em certos momentos não pareça. Quando acontece tento sonhar novamente e não consigo. Nem sempre conseguimos o que queremos. Dizem os budistas que o segredo da vida é querer pouco. A afirmativa parece correta, mas se examinada à luz da relatividade torna-se mero jogo de palavras.

O que é pouco? Depende de quem somos, de onde nascemos, da cultura que adquirimos. Ditados populares parecem conter toda a sabedoria do mundo. Na maioria dos casos servem apenas para Paulo Coelho enriquecer.

Hoje tem futebol. Uêba. Vou dar um palpite. A Argentina vai ganhar. Não que eu deseje, muito pelo contrário, mas o Brasil está invicto há muito tempo. Tenho pressentimento que vai perder hoje, mas não estou certo, o jogo poderá terminar empatado. Há ainda a possibilidade do Brasil vencer com dois gols de Adriano.

Nome esquisito para jogador de futebol. Nossos campos estão abarrotados de Maycons, Richarlysons, Diegos e até um original Odivan, cujo nome foi uma homenagem dos pais a um divã. Provavelmente onde ele foi concebido. Deve ter sido um bom momento. A farra do divã. Bingo. Brindo aos pais de Odivan, a vida é feita dos momentos que ficam gravados para sempre. O que não é lembrado não foi importante.

Aos interessados em adquirir o pássaro solicito enviar proposta por escrito ao editor do blog. A oferta mínima é de 16 reais. Na próxima quinta-feira, 10 de setembro, os lances serão examinados. A retirada do pássaro será por conta do vencedor.

Por serem os quero-queros ariscos, recomendo o uso de um saleiro, pois é de conhecimento geral que sal depositado em caudas de pássaros os impede de voar. Tenho dito.

Twitter

Opinião

Dilatando a censura

Editorial do Estadão
Já passado mais de um mês da censura judicial imposta a este jornal e sem previsão de quando poderá ser efetivamente revogada, acumulam-se as manifestações de protesto e indignação contra esse atentado à liberdade de expressão, em pleno Estado Democrático de Direito. Essas manifestações, que ocorrem desde o início do cerceamento, agora vêm acrescidas de uma profunda estranheza sobre o tempo excessivo que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal está levando para decidir sobre questão tão grave e urgente, consubstanciada em mandado de segurança impetrado há muitos dias.

"Não me parece normal esse atraso", avalia Carlos Velloso, ex-ministro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). "Essa morosidade excessiva é incomum para medidas desse tipo. O mandado de segurança deve obedecer a uma tramitação rápida porque é preferencial", observou. Recorde-se que contra a sentença judicial que o proíbe de divulgar reportagens sobre o processo em que está envolvido Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o Estado ingressou com duas exceções de suspeição do desembargador Dácio Vieira - pelas estreitas relações de amizade que o magistrado tem mantido com a família Sarney - e um mandado de segurança, todos apresentadas na primeira semana de agosto. Mas até agora o Tribunal de Justiça do Distrito Federal não decidiu sobre os pedidos.

Daí o experiente ex-presidente do Supremo afirmar: "Sem conhecer os autos, estou achando que essa lentidão está, realmente, excessiva. Isso não costuma ser comum." E o ex-ministro do Supremo alerta para o fato de que "o mandado é um remédio constitucional, assim como o habeas corpus, porque trata de garantias previstas na Carta. Deve receber tramitação mais rápida, preferencial a outros processos. Mandados entram em pauta em primeiro lugar. Os regimentos dos tribunais e os códigos consagram a preferência para o julgamento dessas ações constitucionais".

Se usado para reverter lesão a uma garantia individual o mandado de segurança "tem sempre preferência", como diz o ex-presidente do Supremo, é claro que tal preferência se torna mais patente em se tratando de profunda lesão a um direito coletivo, como é o de a sociedade ser informada quanto a tudo o que diga respeito, direta ou indiretamente, ao interesse público. E este, certamente, é o caso, pois a censura prévia se refere a fatos ligados a investigações da Polícia Federal, a indícios de nepotismo, de tráfico de influência e de uso indevido de recursos públicos, a atos do poder público eivados de flagrante inconstitucionalidade (os "atos secretos") - tudo embasado em escutas telefônicas altamente comprometedoras, devidamente autorizadas pela Justiça.

A demora no julgamento levou o advogado criminalista Mario de Oliveira Filho a observar: "Não estamos cuidando aqui da liberdade individual de alguém, de uma única pessoa, estamos tratando da liberdade de todo o povo brasileiro que a liberdade de imprensa alcança." E complementa: "O Estadão não está buscando algo em benefício próprio, não pede concessão de privilégio. Procura, simplesmente, resguardar o interesse público da população, que tem pleno direito de saber aquilo que acontece de bom e de podre no País."
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Sábado, 05 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Crise ainda não terminou, dizem EUA e emergentes"
Ao participar de reunião dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, concordou com as avaliações do grupo sobre a necessidade de ainda não desmontar os pacotes de estímulo e sobre a relevância dos mercados emergentes para a absorção do impacto da crise econômica.

O Estado de São Paulo
"G-20 já discute pós-crise e fim dos pacotes de estímulo"

Manutenção da ajuda domina reunião em Londres

Os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias emergentes e desenvolvidas, já começam a discutir as estratégias para retirar os estímulos econômicos e preparar a saída da crise.

Twitter

Clique sobre a imagem e saiba mais

sexta-feira, setembro 04, 2009

E-mails à redação

A Mônica Bergamo está errada

Eng. Guaracy Fontes Monteiro Filho
Caro Sidney, ao ler a matéria da Monica Bergamo em seu blog, sobre a candidatura de Kassab ao Governo de São Paulo, não resisti e resolvi escrever algo sobre o assunto. Quero afirmar para você que a candidatura do Dr Aloysio Nunes ao Governo é prá valer. Conheço o meu amigo Dr. Aloysio há muitos anos, colaborando e ajudando coordenar diversas de suas campanhas e sei que o homem não brinca em serviço. Ninguem chega a ser deputado estadual, deputado federal, vice governador do Estado, ministro da Justiça, ministro chefe da Casa Civil, secretário de governo da prefeitura de São Paulo, secretário chefe da Casa Civil do Estado, "ufa", de graça. Dr Aloysio é um dos mais inteligentes e articulados colaboradores do nosso futuro presidente, José Serra, e nunca, nunca se deixaria ser usado como massa de manobra em qualquer tipo de articulação deste porte. Dr. Aloysio é sim candidato ao governo de São Paulo, tenho participado de algumas reuniões internas e sei que tem o apoio sincero do DEM, do PMDB de Orestes Quercia, do PTB de Campos Machado, do PPS e de vários outros partidos nanicos. Irá sim, para a convenção e pelo que eu o conheço, irá dar muito, mas muito trabalho a um eventual adversário. Creio que só tem uma chance deste fato não ser concretizado; o pedido do próprio Serra para que o Dr. Aloysio não concorra e isso, neste momento, eu sinceramente não acredito que possa ocorrer.

Twitter

Petróleo

O pré-sal e a fraude da história

Do Blog do Paulo Renato (original aqui)
O presidente Lula decidiu fraudar a história, durante o palanque eleitoral em que se transformou a solenidade de anúncio do marco regulatório da exploração do pré-sal. Já foi um descompromisso com a verdade o seu exagero de dizer que, com as novas regras, seu governo está patrocinando o segundo Grito do Ipiranga, como se ele fosse a reencarnação de D. Pedro I. Mas a grande fraude foi sua tentativa de carimbar como “entreguista” e “privatista” a gestão de seu antecessor, com o nítido propósito de fornecer uma bandeira “nacionalista” à campanha presidencial de sua candidata. A mentira não se sustenta em pé. Jamais Fernando Henrique quis privatizar a Petrobras e foi seu governo que criou as condições para o salto de qualidade do setor do petróleo, sem o qual a autossuficiência estaria distante e não teriam sido descobertas as novas reservas submarinas.

Lula e a ministra Dilma alardearam, em seus discursos, que em 1997 houve a redução do papel do Estado, quando o governo FHC definiu, através da Lei 9.478, o novo marco regulatório do setor. Para eles, o “desmonte” do Estado se deu com a adoção do modelo de concessões. É uma crítica “ideológica” sem respaldo nos fatos. A União não deixou de ser proprietária das reservas petrolíferas e a concorrência estabelecida beneficiou a própria Petrobras, que se capacitou financeira e tecnologicamente. Em consequência da nova Lei do Petróleo, o peso do setor no PIB brasileiro saltou de 2% para 10%, nos últimos doze anos, enquanto a participação da União na renda gerada pelo setor multiplicou-se por oito. Ao mesmo tempo, os investimentos privados na área de petróleo aumentaram significativamente e a Petrobras se afirmou como uma das maiores empresas de petróleo do mundo.

Qualquer analista minimamente isento sabe que a descoberta das reservas do pré-sal é produto de anos e anos de pesquisas, que não se iniciaram no governo Lula. Só a partidarização com fins mesquinhos pode levar o presidente Lula a se erigir como o inventor da roda e ignorar as contribuições dos governos passados. Para que não pairem dúvidas, vale a pena reproduzir um trecho do artigo do jornalista João Bosco Rabelo, intitulado “A Segunda independência e o dividendo eleitoral”, publicado no jornal O Estado de São Paulo: “O pré-sal não foi descoberto agora, o Brasil continua importando petróleo, a solidez da Petrobras não foi desenvolvida no governo Lula.”

Em vez de partir deste patamar já conquistado, Lula quer enquadrar a exploração do pré-sal em um modelo contaminado pela ideologia estatista, com o objetivo de restabelecer o monopólio estatal na exploração do petróleo. No escopo que desenhou, a Petrobras será a única operadora das novas reservas submarinas, terá 30% de participação nos consórcios, poderá explorar, sem licitação, os blocos mais promissores do pré-sal e receberá ainda um aporte da União da ordem de R$ 100 bilhões. É um privilégio que a Petrobras usufruirá de forma cartorial, sem estar submetida à saudável concorrência com as empresas privadas. O retorno à estatização se daria com a adoção do modelo de partilha, através do qual o governo ficaria com o bônus – uma parte significativa do produto extraído – sem assumir qualquer risco. Para completar a obra, Lula quer criar mais uma empresa estatal, a Petro-sal, que pode ser alvo de negociatas ou da cobiça da “base aliada”.

É evidente que uma mudança de tal ordem requer um amplo debate nacional para que o país não mergulhe em uma aventura. Mas Lula não acha isto importante e quer que o Congresso Nacional tenha apenas 90 dias para debater e aprovar o marco regulatório das novas reservas petrolíferas. Isto é uma violência absurda contra um Parlamento já duramente aviltado pelo Poder Executivo, ao longo do governo Lula.

O açodamento do Presidente é desnecessário, até porque a exploração comercial do pré-sal só acontecerá ao final da próxima década. Mas, sua pressa tem duas explicações lógicas: De um lado, ele quer que a candidata Dilma se aproprie do sentimento de patriotismo dos brasileiros para se beneficiar eleitoralmente do pré-sal, e, de outro, o presidente sabe que quanto mais tempo houver para que o Congresso Nacional discuta suas propostas, maior será o risco de cair por terra o seu plano de reestabelecer o monopólio estatal do petróleo.

O Brasil não pode ser prisioneiro de uma lógica tão mesquinha. O pré-sal é um patrimônio da nação que não pode estar subordinado aos interesses eleitorais desta ou daquela candidatura. A história saberá julgar os que querem transformar esta riqueza nacional em trampolim para os seus projetos político-partidários.

Twitter

Eleições 2010

Mônica Bergamo: Candidatura de Kassab ao governo cresce no PSDB

da Folha Online
A certeza de que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) será candidato ao governo paulista cresceu no PSDB ligado ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) após a saída do tucano Andrea Matarazzo da prefeitura, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta quinta-feira pela
Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo a coluna, Kassab contaria com a aliança do PMDB ligado ao ex-governador Orestes Quércia. Atualmente, o partido integra o governo com a vice-prefeita Alda Marco Antonio (PMDB).

A coluna informa ainda que Kassab e Quércia só apoiam a pré-candidatura do secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, para prejudicar uma possível candidatura de Alckmin.
Leia mais

Nota do Editor - Em sendo candidato Kassab vai tirar votos de Alckmin ou de Aluísio. Do mesmo espectro ideológico. A candidatura de Palocci, petista light, começará a fazer sentido. O quadro guarda semelhança com a disputa pela prefeitura em 1985. Suplicy e FHC não conjugaram o mesmo verbo. Jânio Quadros atropelou. A esquerda unida jamais seria vencida, mas como conseguir a união? (Sidney Borges)

Twitter

Coluna do Celsinho

Reféns

Celso de Almeida Jr.
Vá ao Google.


Digite lá: Disparada.

Pronto.

O youtube transportará você para o II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966.

Encante-se com a voz de Jair Rodrigues para esta pérola de Geraldo Vandré e Théo de Barros.

Devore, também, os textos.

Recentemente, assisti uma entrevista do Jair, onde afirmava ser esta a música que consolidou a sua carreira.

Vinha de interpretações de grandes nomes, nas noites da vida.

Estava pronto para uma música especial e ela surgiu em seu caminho.

A oportunidade, o lugar certo, o momento certo, aconteceu.

O detalhe que fez a diferença: estar preparado para o desafio.

Recomendou a necessidade do estudo, do treino, do ensaio, do exercício constante, para qualquer vocação.

Que lição, né?

Essa chama misteriosa que nos empurra, que nos dá brilho, que permite transformar nossos sonhos em realidade precisa ser alimentada, continuamente, com dedicação, com entusiasmo.

E o entusiasmo, essa grande energia que nos projeta, é sócio inseparável da liberdade.

A liberdade que Disparada reclama, mostrando que lidar com gado e lidar com gente é prática que se iguala, dependendo de quem manda.

Pois é, leitora querida, leitor amigo.

O povo, essa massa que espanta pelo silêncio conformado, externará, um dia, a sua humanidade?

Espero que sim.

Precisará, porém, mergulhar no conhecimento para romper com quem sufoca o seu brilho.

E, com altivez, nocautear o algoz que garante o leite de seu filho em troca de sua consciência.

É nesse pensamento que ancoro a minha credibilidade no futuro.

Uma reflexão inevitável, na proximidade do 7 de setembro.


Twitter

Opinião

Censura para alguns, vale-tudo para outros

Washington Novaes
Quando faltavam três dias para completar um mês desde que um juiz de Brasília impôs a inacreditável censura prévia a este jornal - impedindo-o de cumprir sua missão de levar informações que deveriam ser públicas à sociedade (que tem o direito de acesso a elas) -, o Judiciário envolveu-se em mais um desses episódios que o tornam parte decisiva da atual crise institucional do País. E o fez com uma sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) - por maioria escassa - que retira mais um direito dos cidadãos, o do sigilo em suas contas bancárias, e na prática dá a autoridades livre acesso a elas, que lhes deveria ser vedado. E ainda com a diferença de entender que o único culpado é o dirigente da instituição bancária que violou o sigilo; um ministro (na época do incidente) e seu assessor de Comunicação, a quem as informações sigilosas foram levadas, de nada têm culpa. Com isso o ex-ministro não precisa ser processado e pode candidatar-se a altos cargos públicos, embora ainda responda a uma dezena de processos por improbidade administrativa.


Não é o primeiro imbróglio que leva o Judiciário à frente do palco onde já se encontram o Legislativo e o Executivo. O primeiro, com escândalo atrás de escândalo, tem 30 dos 81 senadores respondendo a processos por crimes de natureza pública, ao lado de 165 deputados federais processados pelas mesmas razões. O segundo, no jogo da manutenção do poder, alia-se a inimigos que denunciava ontem, fecha os olhos ao que for preciso. Mas tudo configura um quadro que leva a temer rupturas indesejáveis, dado o horror que vai tomando conta de boa parte da sociedade.

Censura à comunicação nos termos em que foi decretada por um juiz leva a memória de volta aos tempos mais duros do regime militar, em que até porteiros de Ministérios se davam ao desplante de, por telefone, ordenar a órgãos de comunicação que não divulgassem este ou aquele fato. Sem apelação. Ainda com muitos textos em seus arquivos, todos simplesmente vedados por inteiro com um enorme X atravessando as páginas, o autor destas linhas se lembra de um episódio muito demonstrativo da prepotência, na época em que dirigia a redação do Globo Repórter (da Rede Globo), na década de 70. Ali, os roteiros finais e os programas gravados tinham de ser vistos e aprovados por censores da Polícia Federal, que impunham cortes parciais ou totais, sem nem sequer justificar a decisão. Foi assim com programas sobre as invasões no Pontal do Paranapanema, sobre o desaparecimento de Sete Quedas, sobre riscos da energia nuclear, sobre poluição em Salvador e em rios que deságuam em sua baía, sobre a vida de um delinquente juvenil - Wilsinho Galiléia - morto aos 17 anos pela polícia (programa dirigido por João Batista Andrade).

Talvez o caso mais aberrante tenha sido o de um documentário adaptado da TV inglesa e ali já exibido, sobre pigmeus africanos. A censora que assistia à versão final determinou a este escriba que cortasse toda a sequência mais bonita e emocionante, que documentava com muita delicadeza o nascimento de um pigmeu, sua saída do ventre da mãe. E ante a pergunta sobre as razões desse corte, limitou-se a censora a responder: "Porque uma criança não pode ver isso, uma mulher nua dando à luz." Ante o argumento de que as crianças do Rio de Janeiro (onde estávamos) e de outros lugares viam todos os dias mulheres de biquíni e "fio dental" nas praias, praticamente nuas, insistiu: "Mas é imoral." Um terceiro argumento - "é inacreditável que a senhora, mulher, considere imoral o momento mais bonito da vida das mulheres" - de nada adiantou, a censora foi categórica: "Corta!" E cortada foi toda a sequência.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Folha de São Paulo
"União quer maioria das ações da Petrobras"

De olho nos dividendos econômicos e políticos, o governo quer a maioria das ações da Petrobras

Hoje a União controla a empresa, mas tem só 32% dos papéis. Segundo o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), o aumento de participação é "um desejo e uma meta" do governo. A expectativa é que os minoritários não aportem recursos capazes de manter sua fatia com a capitalização da estatal.

O Estado de São Paulo
"Um em cada 4 professores se forma em faculdades ruins"

MEC aponta má qualidade nos cursos de Pedagogia

Um em cada quatro futuros professores do País se forma em cursos de má qualidade. São 71 mil alunos em 292 cursos de Pedagogia que receberam os mais baixos conceitos em avaliações do Ministério da Educação. Só 9 dos 763 avaliados tiveram nota máxima. A má formação de professores é apontada por
especialistas como uma das causas da baixa qualidade do ensino - principalmente público - no País. Recentemente, governos federal e do Estado de São Paulo lançaram programas para formar mais docentes em universidades de excelência e capacitar os que estão trabalhando.


Twitter

quinta-feira, setembro 03, 2009

Frases

"A crença forte só prova a sua força, não a verdade daquilo em que se crê"

Nietzsche

Twitter

Em trânsito

Incidente na Tamoios

Sidney Borges
Ontem embarquei no ônibus das 18h30, em São Paulo, com destino a Ubatuba. Estava quase vazio, na poltrona atrás da minha um rapaz bem vestido espalhava a bagagem ocupando o lugar que correspondia a mim. Gentilmente ele perguntou se estava incomodando. Respondi que não, coloquei a mochila no banco ao lado e partimos.

Noite bonita, pela janela panorâmica dava para ver a Lua. A viagem foi agradável até chegarmos a um posto policial na Rodovia dos Tamoios, antes de Paraibuna, onde o ônibus foi parado. Dois policiciais entraram e fizeram uma verificação que parecia de rotina, mas não era.

O passageiro da poltrona atrás da minha foi interpelado e pelas respostas que deu, usando jargão típico de presidiários, percebi que tinha boi na linha. Na bagagem de mão ele transportava alguma coisa fora da lei, imagino que fosse crack, mas também podia ser cocaína ou maconha. Vários pacotes suspeitos, daqueles da TV e dos jornais.

Enquanto ele dizia aos guardas não saber a origem da muamba, foi algemado e levado para fora do ônibus. Em seguida os policiais voltaram e levaram outra mala, aquela que ele colocou no meu bagageiro. Por fim, ficamos parados por mais de uma hora esperando Godot.

O ônibus foi apreendido. Outro ônibus nos transportou até Caraguatatuba e outro ainda até Ubatuba. Foi um incidente desagradável, lembrei-me da ex-ministra Marta Suplicy, ou melhor, segui o conselho dela. "Relax and enjoy".

O suposto traficante era jovem, tinha boa aparência. Fiquei triste por ele, poderia estar envolvido em alguma atividade que não redundasse em malefícios para a sociedade.

O consumo de crack está crescendo em Ubatuba. Das drogas, a mais assustadora.

Viciados fazem qualquer coisa por uma pedra, roubam, matam, garotas se prostituem, até casos de mães que venderam filhas a pedófilos foram relatados.

Nas proximidaes da Praça Bip, na noite de terça-feira um grupo de consumidores de crack atacou um carro a pedradas.

Por acaso, o meu carro.

A sociedade pede providências, o lugar de sociopatas é longe do convívio.

Cabe à polícia desatar o nó.

Twitter

Brasil

Xuxa, Sasha e Sena. Em cena

Sidney Borges
Sasha escreveu sena em lugar de cena. Sasha tem apenas onze anos. Há poucos dias um jornalista experiente trocou mal por mau no Twitter. Sasha é filha da Xuxa, moça talentosa e insegura. Deveria ter dado risadas do incidente. Preferiu ameaçar com tribunais. Quem se expressa em língua portuguesa corre sempre o risco de errar. Errando aprendemos. Isto é, teoricamente. Eleitores nunca aprendem. Votam mal e repetem o erro, depois reclamam de maus governos. Por falar nisso, vão calar os blogs nas eleições. Ditadura. O que é ditadura?

Twitter

Em foco

Tristeza

Corsino Aliste Mezquita
Amorfia domina meus pensamentos sobre Ubatuba. Não consigo entender o que observo. Os profetas do dinamismo, de ontem, estão, hoje, prostrados na inanição e no descontrole. Nossos políticos e administradores sinalizam descaso, desinteresse, desilusão e absentismo.

Celso de Almeida Jr. definiu com seu estilo leve, claro e educado o fenômeno. No artigo “Confidencial” (Ubatuba Víbora, 28-08-09) pergunta: “O que acontece com nosso Prefeito?. Não responde. Não critica. Só pergunta. A seguir afirma: “Por aqui nem tudo vai bem”.

A assertiva foi um convite para dar umas voltas pela cidade. Não vou relacionar buracos, lixos, reclamações, abandonos etc..... São tantos e tão variados que a Cidade de Ubatuba parece moribunda.

Em um desses passeios (31-08-09) alguém me disse, na rua: “Amanhã não terá merenda nas escolas. Não sei o que aconteceu com a empresa GENTE que não pode continuar”.

Hoje (01-09-09) perguntei a várias pessoas ligadas às escolas sobre a “MERENDA”. Resposta: “Não teve merenda. Não sabemos o que aconteceu. Os diretores se viraram para servir um leite com bolachas”.

Também não sei o que aconteceu. Fiquei triste. Só tristeza. São as vantagens da terceirização?. Da Verdurama?. Da Gente? Só o Sr. Olavo Egídio Ozzetti para explicar tanta vantagem!.


Twitter

Opinião

Tática inescrupulosa

Editorial do Estadão
Os ataques à oposição que deram um tom eleitoreiro ao anúncio das propostas do governo para o pré-sal devem tornar-se tema permanente das manifestações do presidente Lula. Apenas um dia depois do evento, ele deixou claro que pretende, além disso, martelar a versão de que os críticos da nova política de petróleo são inimigos do progresso nacional - agem contra "o povo brasileiro". O golpe é típico dos autoritários de todos os matizes e representa a forma mais vil de desqualificação do dissenso em relação às decisões dos detentores do poder. É uma incitação ao linchamento político dos que destoam da linha oficial. Destina-se, no caso, a impedir qualquer debate substantivo sobre as regras para o pré-sal e a semear no eleitorado uma atitude de hostilidade, quando não de repulsa, aos adversários do esquema de perpetuação do lulismo no Planalto.


Com essa tática inescrupulosa, o presidente quer fazer das eleições de 2010 uma disputa não entre concepções distintas do que seja o interesse público e as alternativas para atendê-lo, mas entre patriotas e antipatriotas - ou, como se dizia em outros tempos, nacionalistas e entreguistas. "Lula inventa espantalhos e os espanca", diz o senador Sérgio Guerra, do PSDB. O primeiro pretexto para isso é a recusa oposicionista de aceitar mansamente o verdadeiro rito sumário com que Lula quer ver aprovados os quatro projetos do marco regulatório do pré-sal. A tramitação da matéria no chamado regime de urgência constitucional deixa ao Congresso não mais de 90 dias (45 em cada uma de suas Casas) para votar o pacote, sob pena de bloqueio das respectivas pautas de deliberações. O procedimento também estreita a margem para apresentação de emendas às propostas.

A conduta do presidente a respeito é simplesmente cínica. Na véspera da divulgação dos projetos, pareceu aceder ao pedido do governador paulista José Serra para que desistisse da urgência. O argumento incontestável é que o governo teve o tempo que quis - a rigor, quase dois anos, a contar da descoberta das jazidas - para tomar as suas decisões, em debates a portas fechadas, e um assunto dessa envergadura não pode ser liquidado, em seguida, a toque de caixa. No dia seguinte, Lula manteve a urgência, mas fez de conta que a responsabilidade não era dele: atribuiu a insistência aos líderes dos partidos da base governista e ministros que integram o seu conselho político. Depois, a uma pergunta sobre o assunto, reincidiu no cinismo, beirando o escárnio, ao indagar, retoricamente: "Quem sou eu, um humilde presidente, para ter qualquer interferência (na tramitação das proposições)?"

A farsa durou um átimo. O mesmo humilde presidente que disse que "agora a bola é do Congresso, a vez é deles", logo aproveitou para jogar a sociedade contra a oposição. Com a esperta ressalva de que ele próprio tinha sido oposicionista por muito tempo - portanto, falava com conhecimento de causa -, teorizou: "Quem é oposição está sempre achando que as coisas não devem dar certo, que as coisas devem demorar, porque acham que, se não acontecer, quem perde é o governo." E deu a canelada: "Eu acho que, se não acontecer, quem perde é o povo brasileiro." Na realidade, o conteúdo dos projetos - que representam uma guinada radical rumo ao estatismo e conferem superpoderes à Petrobrás -, a pressa de tê-los aprovados e o calendário eleitoral são indissociáveis. O "bilhete premiado" do pré-sal não começará a ser resgatado antes de meados da próxima década, mas a sucessão de que Lula se ocupa obsessivamente é no ano que vem.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Quinta-feira, 03 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Carros terão que poluir menos a partir de 2014"
Carros movidos a gasolina e álcool terão de sair das fábricas emitindo 33% em média menos poluentes a partir de janeiro de 2014, segundo o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Para veículos a diesel, o prazo é janeiro de 2013. Os padrões de emissão de poluentes que o país terá em pouco mais de três ou quatro anos ainda ficarão abaixo dos que vigoram atualmente na Europa e nos EUA.

O Globo
"Lula veta compra de ações da petrobras com o FGTS"

O Estado de São Paulo
"Governo criará fundo para ampliar controle do pré-sal"

Bancos e investidores privados serão impedidos de participar do empreendimento

O governo pretende criar um novo fundo financeiro que investirá na exploração dos campos do pré-sal. Ele terá tratamento privilegiado, pois será o único sócio não petroleiro admitido pela União naqueles empreendimentos. Com o fundo, o Estado pode aumentar ainda mais sua presença na exploração das jazidas.


Jornal do Brasil
"Máfias tomam o Pão de Açúcar"
O turista que visita o Pão de Açúcar, um dos cartões postais mais famosos do mundo, sai de lá conhecendo o Rio de Janeiro em todos os sentidos. Do alto do morro, vê a bela paisagem de praias que recortam montanhas. Lá embaixo, porém, ao chegar e ao sair da estação do teleférico, tem uma mostra da desordem urbana carioca. Atordoada, a prefeitura parece estar enxugando gelo com suas operações.


Twitter

terça-feira, setembro 01, 2009

Lembrete oportuno



Twitter

Artigo

Uma historinha de samba

Por Ateneia Feijó no Blog do Noblat (original aqui)
Até que tentei. Mas não resisti à mulher de verdade. Explico-me. Domingo, lia a coluna do Ancelmo Góis quando deparei com a nota sobre a musa inspiradora do samba "Ai, que saudades da Amélia", de Mário Lago e Ataulfo Alves. A nota dizia que a Amélia existiu mesmo. E que morreu com mais de 90 anos, em Realengo, Zona Oeste do Rio. Gente, eu a conheci!

As novas gerações talvez nunca tenham escutado este velho samba que gerou polêmica e ganhou fama. Quem sabe soando ainda impertinente em ouvidos feministas ou machistas, que como nos antigos tempos levam seus versos ao pé da letra; inflamando paixões e discussões de julgamento da pobre Amélia...

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia
Aquilo, sim, é que era mulher!

Às vezes, passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"

Amélia não tinha a menor vaidade!
Amélia é que era mulher de verdade!

Em 1976, eu e o fotógrafo Carlos Humberto TDC localizamos Amélia no subúrbio carioca do Encantado. Aos 65 anos, viúva do tipógrafo Pedro Prisco Ferreira, mãe de 13 filhos (seis ainda eram vivos), ela morava com o caçula, a nora e duas netas. E não se fez de rogada.

Com 38 quilos, pequenina e grisalha, Amélia Ferreira se deixou fotografar na janela de um casarão cor-de-rosa desbotado sem luxo e sem riqueza. Com o retrato do seu amado e abraçada às netas. Posou também com Mário Lago e Araci de Almeida. Tudo para sair na Manchete.
Narrou ter se casado aos 14 anos. O marido era "tão amoroso e bom de conversa" que ela nunca se arrependera do matrimônio precoce. Confidenciou ter sido getulista e que as mulheres daquele tempo reclamavam melhor as coisas. "Agora estão mais letradas, agitam, mas o mundo vai cada vez pior", ressaltara.


Relatou que ia ao cinema, se divertia e o marido achava ótimo. No carnaval ela dançava no rancho Oposição, sambava no baile do River e no bloco "Não posso me amofinar". Em resumo. Vivera 45 anos com o tipógrafo Pedro e não tinha dúvidas: ele é que era homem! Passar fome ao seu lado? Como assim? O quintal estava cheio de patos, galinhas, porcos, cabritos.
Por que se transformara na Amélia do samba?


Para ajudar no orçamento familiar, a Amélia Ferreira fazia faxina e lavava a roupa da casa de dona Eugênia, mãe da cantora Araci de Almeida. Então, Altamir, irmão de Araci, bom de samba e pandeiro, impressionava-se com a coragem e a alegria daquela mulher miudinha cheia de filhos, que trabalhava sem perder a esportiva. Um dia, pegou o pandeiro e começou a cantarolar: "Amélia não tem a menor vaidade / Amélia é que é mulher de verdade / Pega a roupa e lava à vontade."

Ela riu da brincadeira. Tempos depois, escutou no rádio o "Ai, que saudades da Amélia", o samba já de autoria de Mário Lago e Ataulfo Alves. A Araci levara a idéia para Mário, que a desenvolvera. O Ataulfo fizera a música. "Quem me contou isso foi a própria Araci", garantira-me a mulher de verdade.

Ateneia Feijó é jornalista


Twitter

Clique sobre a imagem e saiba mais

Ouro negro, a bola da vez...

Uma história – humana – de petróleo

Cansou da aridez do pré-sal? Então mude de ares, mas nem tanto, como verá, com a reportagem sobre “o iraquiano que salvou a Noruega do petróleo”, de Martin Sandbu, publicada na revista do último fim de semana do Financial Times de Londres. Texto longo (abreviado aqui e ali) – e de primeira.

Do Observatório da Imprensa, tradução de Luiz Weiss
“Quando embarcou no voo de Londres para Oslo, Farouk al-Kasim, um jovem geólogo iraquiano, sabia que a sua vida não seria mais a mesma. A Noruega era um país tão diferente quanto fosse capaz de imaginar da cidade portuária onde nasceu, Basra. Ele não tinha trabalho em Oslo e não sabia como se manteria lá no norte. Era maio de 1968 e Al-Kasim tinha acabado de se demitir do seu emprego na Iraq Petroleum Company. Para tanto, ele tivera que vir primeiro para a Grã-Bretanha, onde tinha sede o consórcio de companhias ocidentais que ainda controlava a maior parte da produção de óleo em seu país.


Apesar de todas as suas incertezas, a viagem de Al-Kasim à Noruega tinha um claro propósito: ele e a sua mulher norueguesa, Slofrid, haviam decidido que o seu filho mais jovem, portador de paralisia cerebral, só ali poderia receber os cuidados de que necessitava. Mas isso significava para o casal dar as costas a um mundo de confortos. A bem-sucedida carreira de Al-Kasim lhe proporcionou o próspero estilo de vida da alta classe média de Basra. Agora eles teriam de viver com a família de Solfrid até ele arranjar trabalho, embora ele tivesse pouca esperança de encontrar um emprego tão recompensador como que o que deixara para trás. Ele não sabia que a Noruega começara a explorar petróleo na sua plataforma continental. E ainda que soubesse, não teria por que ficar otimista: depois de cinco anos de pesquisas, não tinham ainda encontrado nada.

Mas o problema mais imediato de Al-Kasim ao chegar a Oslo naquela manhã era como encher o dia. O seu trem para a cidade de Solfrid não sairia antes das 6h30 da tarde. “Eu pensei no que poderia fazer”, diz. “Então decidi ir ao Ministério da Indústria perguntar se sabiam de alguma companhia de petróleo a se instalar na Noruega.”

Ele depositou a sua bagagem e andou até o Ministério, onde foi recebido por um surpresao funcionário que lhe disse para voltar depois do almoço. Quando voltou, esperando apenas uma lista de endereços, várias pessoas o aguardavam. “Eles estavam interessados em saber o que eu andava fazendo, qual era a minha formação e para quem eu trabalhava. Será que eu era um engenheiro petrolífero? Um geólogo?” O seu pedido por uma relação de possíveis empregadores se transformou numa improvisada entrevista de candidato a emprego. “Eles deviam estar desesperados por pessoas experientes”, diz Al-Kasim. Estavam mesmo. Naquela época, a administração norueguesa de petróleo tinha apenas três funcionários, todos nos seus 30 anos e todos aprendendo no trabalho as coisas essenciais de sua atividade. Enquanto isso, os resultados da exploração no Mar do Norte estavam chegando aos montes, requerendo análise cuidadosa. Al-Kasim devia parecer um enviado dos céus: uma pessoa com amplo preparo acadêmico e experiência prática na indústria de petróleo – e ainda por cima atrás de emprego.

Em 1952, a Iraq Petroleum Company tinha relutantemente concordado em treinar jovens iraquianos para trabalhar ao lado dos seus patrões que estavam ali desde os tempos coloniais. A empresa patrocinaria viagens de estudo ao exterior de alunos iraquianos com a promessa de um emprego mais adiante. Com apenas 16 anos, o precoce Al-Kasim foi selecionado para o primeiro grupo e mandado estudar geologia de petróleo no Imperial College de Londres. Ele voltou ao Iraque em 1957 – já então casado com Solfrid, que trabalhava em Londres como babá.

De volta, Al-Kasim começou a trabalhar na companhia. Meio século depois, os olhos brilhando de alegria, ele lembra da primeira vez em que entrou no clube dos executivos do setor em Basra. “Atravessei a sala, direto para o bar, sentei e pedid um drinque. Aí olhei em volta e vi os gerentes britânicos com as suas mulheres me encarando em silêncio. Era a primeira vez que viam um iraquiano, que não fosse um empregado, entrar no clube.”

Mas a companhia podia se tranquilizar: ele não era nenhum radical antiimperialista. Quando a deixou, aos 31 anos, ele era o quinto na hierarquia da firma e o seu mais graduado funcionário iraquiano.

Não fosse o problema clínico de seu filho, Al-Kasim e a sua família não teriam deixado o Iraque, mas, mesmo assim, a mudança era politicamente delicada. No passado, ele teria sido barrado na fronteira por ordem da polícia secreta, que o consideraria uma figura-chave em em futuro esquema de nacionalização da indústria petrolífera. Agora levou meses até ser autorizado a levar o filho para o que eles tinham de fingir que seria um tratamento rápido no exterior. “Era uma operação de contrabando. Nós tentávamos apenas salvar a vida do nosso filho mais moço. Mas, no Iraque, essas coisas não interessam.

Nem foi simples se demitir. Quando Al-Kasim deu a notícia ao seu chefe em Londres “ele reagiu: ‘Nós contávamos com você, Farouk. Agora nos deixa na mão’.” O diretor-chefe o pressionou para que ficasse, mas Al-Kasim explicou que só a Noruega oferecia o tratamento que o filho precisava. No fim, os superiores se resignaram. Disseram que não o impediriam de arrumar trabalho.

E assim ninguém interferiu quando o Ministério da Indústria da Noruega o contratou como consultor. O seu trabalho seria analisar os resultados das prospecções no Mar do Norte – com um salário ligeiramente maior do que o do primeiro-ministro.

Países pobres sonham em achar petróleo como pessoas pobres fantasiam ganhar na loteria. Mas o sonho frequentemente se transforma em pesadelo quaando os novos exportadores de óleo descobrem que o seu tesouro dá mais problemas do que ganhos. Juan Pablo Péres Alfonso, que tinha sido ministro na Venezuela, dizia que petróleo era “o excremento do diabo”. O xeque Ahmed Yamani, seu colega saudita, teria dito: “Queria que tivessemos encontrado água.”

Isso reflete a amarga experiência do modo como depender de recursos naturais pode envenenar o sistema econômico e político de um país. Entradas de divisas fortes puxam os preços para cima, estrangulando a competitividade das empresas não-petrolíferas e deixando-as à míngua de capital. Em consequência, a produção encolhe (um fenômeno conhecido como “doença holandesa”, por causa dos efeitos negativos da produção de gás do Mar do Norte sobre o país).

Enquanto isso, as instituições responsáveis pelo petróleo se corrompem e fogem ao controle democrático. E países ricos em petróleo quase sempre desperdiçam a renda auferida, muitos deles ficando mais endividados do que antes.

Hoje isso é mais bem compreendido do que há 40 anos. Quando Al-Kasim chegou a Oslo, ninguém se preocupava em saber como o petróleo poderia mudar a Noruega – em parte porque não se achava que o país o teria. O levantamento geológico oficial da Noruega tinha descartado a possibilidade apenas dez anos antes.

Os políticos e principais burocratas não tinham contraído a febre de petróleo. “Isso salvou a Noruega da maldição do óleo”, lembra Al-Kasim. “Eles eram muito céticos. Não queriam fazer nada antes de ficar absolutamente provado que era o tempo certo de agir.

Ele era uma voz solitária em sentido contrário. Depois de examinar os resultados das prospecções, escreveu um relatório advertindo que a Noruega estava dormindo no ponto e que, embora não tivesse encontrado petróleo ainda, era só uma questão de tempo. E o tempo era escasso: os líderes nacionais precisavam preparar a Noruega para se tornar uma nação petrolífera, mas não faziam nada. “Eu era um lembrete constante de que estavam fazendo tudo errado”, diz Al-Kasim. Só os seus colegas mais próximos o ouviam.

Quarenta anos atrás no próximo dezembro, a Philips Petroleum, a primeira companhia a explorar a plataforma continental norueguesa e que estava para jogar a toalha, declarou que o campo de Ekofisk era uma das maiores bacias mundiais de petróleo offshore.

Da noite para o dia, a Noruega se transformou numa superpotência de hidrocarbonetos. Hoje é a sexta maior exportadora líquida de petróleo e a segunda maior de gás. Desde a descoberta de Ekofisk, o país exportou o equivalente a 30 bilhões de barris de óleo cru – e a plataforma continental ainda contém, segundo estimativas oficiais, quase o dobro disso. Ainda assim, o país escapou dos problemas que assolam a maioria dos outros exportadores de petróleo. Em vez de sufocar a produtividade, o setor desenvolveu tecnologia de exploração, construção e serviços petrolíferos de primeira classe. A estatal norueguesa de petróleo, StatoilHydro, é reconhecida internacionalmente com um competitivo parceiro comerciao e um dos mais conscientes das questões ambientais e sociais. Desde 1996, cada krone que o governo ganhou do petróleo foi para um fundo de poupança, que agora totaliza cerca de R$ 750 bilhões – mais do que o PIB de um ano e o equivalente a R$ 156 mil para cada um dos 4,8 milhões de cidadãos noruegueses.

A grande realização, em outras palavras, não foi achar petróleo, mas lidar com a descoberta. A Noruega enfrentava o mesmo dilema de qualquer outro produtor de petróleo sem experiência no setor: se você depende demais de companhias privadas estrangeiras, uma parcela diminuta da riqueza do petróleo beneficia o país soba forma de rendimentos ou desenvolvimento econômico; se você vai longe demais na outra direção, arrisca-se a ter um setor petrolífero inchado e politizado, que não presta contas ao povo e evade as pressões competitivas que o tornariam eficiente.

Um equilíbrio tinha de ser encontrado. Al-Kasim lembra que uma coisa estava clara no começo dos anos 1970: a Noruega aderiria à tendência internacional rumo a uma significativa participação estatal no setor petróleo. Al-Kasim concordava com a ideia de que o Estado tinha de estar no banco do motorista e assim ficou com a tarefa de desenhar a planta de como o país organizaria a sua indústria petrolífera.

O escritório não era o lugar para essa incumbência, Al-Kasim e um colega decidiram. De modo que num dia do verão de 1971 eles trocaram Oslo por uma cabana do colega na floresta, onde passaram o que Al-Kassim recorda como a mais excitante semana de trabalho de sua vida. Eles trabalhavam no projeto até altas horas, com intervalos para pescaria “entre as batalhas”.

Quando voltaram para casa, tinham o esboço de uma proposta mais tarde apresentada ao Parlamento e transformada em lei por unanimidade. Assim surgiu a Diretoria de Petróleo da Noruega, o órgão regulador da indústria, e a Statoil, a empresa nacional do setor, hoje chamada StatoilHydro.

O pulo do gato do modelo norueguês consiste em preservar o impulso competitivo e a experiência do setor privado – de que a Noruega precisava desesperadamente – ao garantir que o órgão regulador fosse independente o bastante para domar a estatal do petróleo assim como os seus parceiros do setor privado. Isso exigiu uma luta. A Statoil, afinal, iria gerar uma pilha de dinheiro – como fez em muito pouco tempo. O órgão regulador tinha de conquistar respeito e para isso dependia de entusiastas como suficiente competência para não ser desconsiderados. Essa se tornou a missão de Al-Kasim – e o seu trabalho pelas duas décadas seguintes – como diretor de administração dos recursos do órgão regulador.

“Farouk é talvez o maior criador de valor que a Noruega tem”, diz Willy Olsen, um antigo gerente de fala rápida da Satoil. E com boas razões. A maior parte do óleo encontrado no mundo não é recuperada nunca: o índice mundial de extração é da ordem de 25%. Na Noruega, é de 45% - e, por isso, Olsen dá a Al-Kasim muito do crédito: ele pressionou o governo para aumentar o índice de extração; insistiu para que as empresas testassem novas tecnologias, como a injeção de água nos reservatórios ou a perfuração horizontal – e ameaçou retirar as licenças de operação das companhias que resistissem.

O empenho de Al-Kasim estimulou os rendimentos de óleo e gás – e assim, indiretamente, o tamanho do fundo de poupança. Além disso, promoveu a capacidade de desenvolvimento tecnológico que permitiu às empresas norueguesas competir com as melhores do mundo. Isso, pois, é um caso notável de forte regulação estatal beneficiando em última análise o setor privado. “Quando você assume 50% do risco e as outras companhias talvez 15% no máximo, fica difícil elas dizerem que você está maluco, não é”, observa Al-Kasim.

Hoje, ele é muito conhecido e estimado na geração mais velha da comunidade petrolífera norueguesa (para quem a sua inesperada visita ao Ministério em maio de 1968 já virou folclore). Mas além desse círculo restrito, é praticamente desconhecido. Os grandes jornais não o perfilaram; uma pesquisa na internet revela pouco. Eu fiquei sabendo de sua história por acaso, quando um funcionário norueguês o mencionou de passagem, dizendo que “sem ele teríamos deixado as petroleiras americanas decidir como fazer as coisas”. Que bela matéria, pensei, quase boa demais para ser verdadeira. Mas, se é verdadeira, como é que tão poucos noruegueses a conhecem?

Quando visitei Al-Kasim em Stavanger duas vezes no último inverno para ouvir o seu relato em primeira mão, ele pareceu contente de que ter entrado em contato, mas também surpreso e um tanto constrangido – como alguém com uma história para contar que de há muito tinha desistido de esperar que alguém a ouviria.

Em dado momento, suspirou que os jovens de hoje sabem pouco do que a Noruega fez para dar certo. Isso parece uma queixa típica de um homem de 73 anos, mas, no seu caso, a sua decepção se justifica. Noruegueses da minha geração, nascidos quando o petróleo começava a fluir, em ampla medida davam de barato o sucesso do país. Assim como fazer muitos observadores do exterior, que tendem a atribuí-lo a algum traço excepcional das instituições norueguesas do caráter nacional. Essa versão dos acontecimentos deixa pouco espaço para o fator sorte, ou para estrangeiros. É difícil descartar a ideia de qu o papel crucial de Al-Kasim não se encaixa na auto-imagem pública do seu país de adoção – há 40 anos ou hoje.

Não surpreende, portanto, que os primeiros anos de Al-Kasim na Noruega tenha tido a sua cota de frustrações. As relações com o governo eram delicadas. “Eles obviamente precisavam de mim, mas sabiam que nnao podiam me pôr num gabinete dentro do Ministério. Seria uma provocação para a qual o sistema político não estava preparado. Então o plano foi me introduzir gradualmente…”

Apesar da importância de seu trabalho, Al-Kasim foi instalado inicialmente na divisão hidrológica do Departamento de Geologia do país. Durante anos, ele nunca se avistou com as pessoas que tomavam as decisões estratégicas e políticaas – os seus colegas da área de petróleo funcionavam como intermediários, trazendo-lhe as perguntas dos seus superiroes e levando as suas respostas.

Na minha última visita a Stavanger, o maior criador de valor da Noruega e sua mulher me levaram para jantar fora. Diante de um prato de frutos do mar, no porto da cidade, eles refletiam sobre quão imprevisível foi a sua vida. Al-Kasim voltou ao Iraque uma única vez, como parte de uma delegação oficial norueguesa no final dos anos 1970. O regime de Saddam Hussein tentou seduzí-lo – Mas “eu nunca confiei nesse cara”.


Os Al-Kasims haviam saído do Iraque apenas meses antes que o partido Ba’ath tomasse o poderl “Você não pode falar numa benção disfarçada, mas…” Solfrid disse suavemente. “Se eu tivesse escolha, eu não teria querido que meu filho tivesse um problema de nascença, mas hoje talvez eu não tivesse filho nenhum, pois eles teriam sido mandados para a guerra.” (Com efeito, todos os três filho vivem em Stavanger, o mais moço “completamente transformado” pelo tratamento recebido na Noruega.)

O seu marido concorda. “Nem tudo na vida tem sido bom – mas, na maioria, as coisas foram afortunadas. Não tem nada a ver com talento, foi apenas sorte. Como a ideia de dar uma passada no Departamento de Indústria… Foi porque eu sou o tipo de pessoa que destesta esperar.”

Perguntei quando ele começou a se sentir norueguês. Depois de uma pausa, respondeu: “Acho que foi quando comecei a trabalhar na Diretoria de Petróleo (o órgão controlador do setor), porque então toda uma instituição dependia de mim. De certo modo, era a minha instituição, pelo menos eu a sentia assim. Isso foi o meu experimento. Meu chamado na vida.”

Twitter

Rest in peace



Cão mais velho do mundo segundo o Guinness morre aos 21 anos nos EUA

Dachshund Chanel morreu de causas naturais na sexta-feira. Ela tinha o equivalente a 147 anos de um ser humano

Da AP
O cão mais velho do mundo segundo o livro Guinness dos Recordes, Chanel, morreu aos 21 anos na última sexta-feira. A idade equivale a 147 anos humanos.


A dachshund Chanel morreu de causas naturais, na casa de seus donos, no subúrbio de Port Jefferson Station, na cidade norte americana de Long Island.
Leia mais

Twitter

Brasil

Um salto para o futuro ou um salto no escuro?

Instituto Teotônio Vilela
...Não se trata de enquadrar o debate do pré-sal num Fla-Flu que opõe "nacionalistas" e "entreguistas", como quer fazer o governo petista. O que está em jogo é discutir algo que é fundamental para as pretensões de crescimento do país nas próximas décadas. Mas, até agora, Lula, Dilma Rousseff e o PT alijaram a sociedade brasileira da possibilidade de discutir seu destino. Preferiram ter nas mãos o poder nada democrático e transparente de decidir isso de forma discricionária, a portas fechadas, em gabinetes palacianos. Este jogo vai mudar a partir de agora, sob os holofotes do Congresso Nacional.
Leia na íntegra

Nota do Editor - Onde estão os entreguistas? Há entreguistas? A conversa é tão fora de moda como falar em campos de concentração. É para lá que devem ir os entreguistas. Será que o governo está "fabricando" entreguistas para perseguir entreguistas? Depois do "eixo" Lula-Sarney-Collor, tudo é possível. (Sidney Borges)

Twitter

Opinião

O fórum da segurança pública

Editorial do Estadão
Há menos de um ano e meio do final do mandato do atual governo, o Ministério da Justiça reuniu em Brasília 3 mil pessoas que discutiram durante quatro dias, distribuídas em cerca de 40 grupos de trabalho, num centro de convenções, o futuro da segurança pública. E o próprio presidente Lula, que já está no poder há seis anos e oito meses, aproveitou a solenidade de abertura do evento para fazer um discurso como se estivesse inaugurando seu primeiro mandato e tivesse uma proposta concreta para essa que é uma das mais problemáticas áreas da máquina estatal.

"É preciso acabar com o jogo de empurra na busca dos culpados pela violência, como se a segurança pública fosse um cachorro que morre de fome porque todo mundo pensa que o outro deu comida e ele não recebe comida de ninguém", disse o presidente, depois de anunciar que a segurança é "de responsabilidade de todos, coletivamente", e que ela "não mais será tratada como coisa de segunda categoria, com a aplicação de resto de dinheiro".

Isso é tudo o que a sociedade brasileira, assustada e revoltada com a nova escalada da criminalidade, queria ouvir. Mas não de um governante que caminha para o final de sua gestão e que, no tempo em que passou no poder, produziu mais discurso e fogo fátuo do que ações concretas. Em matéria de segurança pública, qual é o legado de dois mandatos de Lula, além de retórica?

Anunciada como uma verdadeira redenção do setor, a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) é uma prova disso. Dos 3 mil participantes, 2.097 tiveram direito a voto - e, pelas contas do Ministério da Justiça, 30% eram vinculados ao governo federal, 30% representavam Estados e municípios e 40% fazem parte da chamada "sociedade civil", tendo sido indicados após a realização de 1.140 "conferências livres" em 514 cidades, 26 conferências municipais e 27 conferências estaduais, além de conferências pela internet, envolvendo a participação de meio milhão de pessoas.

Ao todo, essas conferências resultaram em 26 "princípios" e 364 "diretrizes" que foram discutidos e votados durante a 1ª Conseg. O encontro começou na última quinta-feira com a arenga presidencial e, organizado nos moldes do Fórum Social Mundial, terminou no domingo, com a aprovação de 10 "princípios" e 40 "diretrizes". A coordenadora do evento, Regina Miki, chegou a afirmar que ele foi um "marco histórico" destinado a "transformar as propostas de toda a sociedade numa política de Estado, e não mais de governo".

Pelo que foi discutido e aprovado, contudo, o resultado final é um conjunto de platitudes, palavras de ordem e reivindicações corporativas. A "diretriz" mais votada dá a dimensão do que foi a 1ª Conseg. Ela pede à Câmara dos Deputados e ao Senado que aprovem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 308, que transforma os agentes penitenciários em agentes policiais. Como se vê, é uma mudança de status funcional - e certamente de remuneração - que está longe de pôr fim à crise da segurança pública. Entre as demais "diretrizes", também se destacam pelo tom corporativo as que defendem a autonomia dos Corpos de Bombeiros e "um sistema remuneratório unificado, com paridade entre ativos e inativos e aposentadoria especial com proventos integrais para os profissionais da segurança pública".
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 01 / 09 / 2009

Folha de São Paulo
"Governo lança pré-sal e anuncia megacapitalização da Petrobras"
Em tom nacionalista e estatizante, o presidente Lula anunciou as propostas do marco regulatório para a exploração do pré-sal. Confirmou ainda a capitalização da Petrobras em operação estimada em R$ 100 bilhões. Deve ser a maior injeção de recursos já feita no país. Foi oficializada ainda a proposta de criar a Petro-Sal, que administrará a riqueza.

O Globo
"Regras estatizantes para pré-sal assustam mercados"

O Estado de São Paulo
"Regras do pré-sal ampliam poder do Estado na exploração do petróleo"

Lula transforma lançamento do marco regulatório em ato de campanha para Dilma

O pré-sal é nosso. Sessenta e três anos depois, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revisitou ontem a campanha que embalou o movimento "o petróleo é nosso", que levou à criação da Petrobrás (1953). O lançamento do marco regulatório para explorar as reservas do pré-sal teve ontem, em Brasília, o mesmo tom nacionalista dos anos 40 e 50 do século passado e mostrou que, na prática, o governo abandonou a Lei do Petróleo (9.478/97), do governo Fernando Henrique.

Jornal do Brasil
"Regras do pré-sal favorecem Petrobras"

Twitter

segunda-feira, agosto 31, 2009

História

Trivial da culinária revolucionária

Sidney Borges
Engana-se quem pensa que era fácil a vida dos nobres de antes da Revolução Francesa. Não era, dava imenso trabalho não morrer de tédio. Passar o tempo entre caçadas, folguedos de salão, minuetos, viagens, banquetes, amantes, não é vida para qualquer um, somente escolhidos pela divina providência tiveram classe para resistir. Burgueses e servos padeciam de falta de fibra, só pensavam em trabalhar, coisa de classes inferiores.

Cansado da rotina estafante o nobilíssimo conde D'Alembrat mudou-se para Portugal, fixando residência em Figueira da Foz. Durante trezentos anos a família buscou a perfeição em matéria de culinária.

O supremo empadão.

Finas farinhas do melhor trigo da Europa, ovos de galinhas tratadas a pão de ló e champanhe, manteiga de leite de vacas sagradas. Os D'Alembrat não pouparam dinheiro, queriam ingredientes perfeitos.

Depois de milhares de tentativas a massa tomou forma. O nome encontrado foi prosáico, "massa podre". De podre não tinha nada, mas a consistência era tal que desmanchava na boca.

Pedaços cortados com o garfo mantinham a integridade formal no trajeto prato-boca e ao entrar em contato com as papilas gustativas liberavam aromas inebriantes, capazes de converter ao cristianismo o mais empedernido dos ateus. Empadão dos deuses.

A fórmula foi mantida no mais rigoroso segredo, os serviçais jamais souberam a seqüência, o toque final, a mistura mágica, sempre ficou por conta dos membros da família.

A nobreza européia curvou-se ante a iguaria, caravanas estavam sempre em movimento a fim de experimentar o fabuloso empadão D'Alembrat, os que íam notavam a felicidade dos que voltavam.

Até Robespierre, em pleno período do terror, mandava buscar empadões em Figueira da Foz e depois condenava os emissários à guilhotina. Nas estradas esburacadas da França dos luíses não havia empadão que ficasse inteiro. Robespierre se enfurecia, embora poucos saibam que foi por conta de um empadão esfarelado que nasceu outra iguaria. A farofa. O cozinheiro desapontado com o desmantelo guarneceu o faisão com os restos, que chamou de faroff, mais tarde farofa.

Foi outro grande sucesso do período revolucionário, jacobinos, girondinos e sans-colottes aprovaram, o clero abençoou.

No entanto, sempre há um no entanto, o empadão D'Alembrat era grande e desajeitado e precisava ser servido à mesa. O visconde de Danêga, Aspásio D'Alembrat, teve uma idéia, a única da vida. Pediu ao cozinheiro que fizesse empadões pequenos, que chamou de empadinhas.

Aspásio era pouco inteligente mas enxergava o óbvio. E era bom com as palavras: empadão, empadinha, não deixa de haver um toque de gênio. Algumas centenas de anos depois, no Brasil, um presidente iria tecer comentários à altura.

Munido de uma carga de empadinhas recheadas de faisão e ovos de esturjão, Danêga foi à França puxar o saco de Robespierre a quem entregou pessoalmente a oferenda.

O líder revolucionário parou o trabalho, olhou as empadinhas e ficou radiante. Empadões D'Alembrat em formato pequeno, sensacional, disse. E acrescentou: nada mais revolucionário.

Danton, venha comer uma empadinha, convidou Robespierre.

Vai aqui um momento de reflexão. Os D'Alembrat eram um pouco ignorantes, falo baixo por não gostar de fofocas, mas não tinham a mínima idéia do que fosse resistência dos materiais e nem desconfiavam das armadilhas das escalas.

Um empadão é um empadão, comporta-se como tal, mas uma empadinha, embora seja feita do mesmo material e tenha o mesmo sabor, é menor, e, portanto, diferente.

Danton pegou a primeira empadinha e ao colocá-la na boca sentiu o gosto característico do vento do Sena. E observou a formação de um montinho de pó no chão. Digo, de farelo. Pegou outra e outra e outra e a cena repetiu-se, a pressão dos dedos era demasiadamente forte para a resistência à compressão da estrutura cilíndrica.

Ao mudar a escala D'Alembrat deveria ter mudado a consistência da massa. Dizem que atentou para o detalhe enquanto subia ao cadafalso para ser guilhotinado. A história omite, mas eu conto, foi no episódio das empadinhas que Danton e Robespierre romperam de vez.

Os valentes D'Alembrat fizeram muita gente perder a cabeça, eles próprios acabaram guilhotinados e levaram para o túmulo a receita das empadinhas. As melhores do mundo. Pena que incomíveis...

Twitter

Coluna do Mirisola

Moeda de troca

Marcelo Mirisola*
No começo dos 00 devia existir internet, mas eu não me lembro. Engraçado, né? O que me recordo é que fiz amizade com o carteiro, que era meu leitor.

Não havia Casa do Saber. As madames desocupadas passavam suas tardes nos shoppings e consumiam bolsas e sapatos em vez de Nietsche e Schopenhauer. Também não existia uma periferia amalgamada aos complexozinhos de uma classe média bundona e acuada dentro de sua culpa entediante e/ou conscienciazinha de merda: as ex-alunas do Sacré-Coeur de Marie ainda não haviam sido enquadradas pelos filhos de suas empregadas domésticas. As culpinhas – vejam só - eram resolvidas no psicanalista, no salão de cabeleireiro ou na butique. E o Chico era mais discreto na hora de sodomizar seus fãs, digo Balbinos (leiam “Leite derramado”), além do que, há dez anos, eu acreditava no amor da Marisete.

Outros tempos. Levava-se em consideração a obra – ou fingia-se – que era “a” prioridade, e ninguém ligava pro CEP do fulano. Tanto faz se ele fosse vizinho do Clube Pinheiros ou morasse num barraco no Jardim Casqueiro. Tanto faz se ele fosse bicha ou negro, amarelo ou azul. E nem faz tanto tempo assim, faz uns dez anos.

Era uma época de frivolidade e falta de profissionalismo, como hoje, mas os jornalistas – por mais filhos da puta e sacanas ... - jamais deixariam de relacionar o nome e a obra com a pessoa. Se uma Mônica Bérgamo da vida cobrisse a estréia de uma peça de teatro e não citasse o nome do autor, seria demitida sumariamente. No Brasil de hoje, entretanto, quem tem nome é pagodeiro, ex-BBB, jogador de futebol e puta. Autor? O que é isso?

Eu não vou ser ingênuo, aqui, e afirmar que as notícias não se misturavam com os interesses, mas ambos os lados – como é que eu posso dizer?... – mantinham uma certa distância. Pelo menos em público não se imiscuíam. De um lado, os canalhas. Do outro, os outros canalhas. Lula não era Collor que não era Sarney. Eles enganavam a gente, poxa!

O jogo sujo imperava, mas não era necessariamente moeda de troca. Eis a questão.

A moeda de troca.

Quero dizer que o deputado que, hoje, bate no peito orgulhoso e diz “lixem-se” não é muito diferente do repentista que fatura em cima de madames histéricas dando “aulas de criatividade”, nem muito diferente do Pedro Bial e dos clones do Bial; todos eles são iguaizinhos, têm o mesmo bafio podre e a mesma cara de pau do pastor que explora pobres coitados nessas Igrejas do capeta.

A cada minuto nasce um trouxa, isso é mais do que sabido. A diferença é que, hoje, os trouxas festejam a própria condição. Criou-se uma espécie de cretinismo de resultados. Não existe mais a vergonha de ser enganado. Aboliu-se a relação de forças, o antagonismo. Ninguém mais atua e nem tampouco tem necessidade de representar. Facilitaram a vida do sádico, que trocou o chicote e os instrumentos de tortura por dois beijinhos, um café e um pão de queijo. Como se os neo-masoquistas dissessem: pagamos o dízimo e o mico que nos pedirem, queremos nos foder, mas também queremos ter a nossa carteirinha de trouxa, nosso ingresso celeste, nosso diploma de criatividade, nossa cédula eleitoral, nosso lugar ao sol. Me chamem de otário, mas me mostrem qual é a prateleira, me incluam. “Me add!!!”

E ainda tem gente que se escandaliza quando um deputado diz “lixem-se”. O distinto parlamentar apenas atendeu a pedidos. Uma rima e um trocadilho, uma dezena de preces e tatuagens, bolsas para todas as famílias (incentivos fiscais, prêmios etc etc) e 120 milhões de bundas nas janelas virtuais pra todo mundo passar as mãos nelas. Só está faltando um banqueiro cineasta para fazer o documentário. Uma dose de lirismo aqui, 12 por cento ao mês, e uma ideologiazinha vencida acolá, e pronto! Eis uma panorâmica broxante dos anos 00.

E olha que esse começo de década prometia fortes emoções. Eu me iludi achando que o Bin Laden anunciava a tão esperada Era de Aquário.

Nada disso. Aqui, no final da década, Marques de Sade perdeu o fio da meada, Nelson Rodrigues teve o seu prazo de validade expirado, e Foucault errou feio: quando o filósofo estudou os panópticos de Jeremy Benthan, jamais iria imaginar que “a coerção punitiva do invisível” seria revertida em esculhambação e merchandising a serviço do Boninho, o crupiê do final da picada. O que era ameaça e coerção aos olhos de Foucault virou prêmio, alminha arregaçada, exibicionismo e objeto de entretenimento. George Orwell, Aldous Huxley e todos aqueles que apostaram no humano também quebraram a cara. Os picaretas, e não os absolutamente medíocres, assumiram o poder: eles escarnecem dos trouxas nas vias públicas, e esses pedem bis e querem mais, ambos se orgulham do escaninho que lhes cabe.

Os canalhas saíram da penumbra, e ostentam o mau-caráter como troféu. E as “vítimas” se locupletam. Vamos ver o que acontece nos próximos dez anos. Tenham todos uma boa semana.

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


Twitter
 
Free counter and web stats