sábado, agosto 29, 2009

Seu Jorge - Tive Razao

Plus fort que nous (Francis Lai)

A Tribute to Audrey Hepburn

Tony Bennett

A Lenda de Bob Nelson - Erasmo Carlos

Oh Suzana - Bob Nelson

Meu cowboy preferido, Bob Nelson, morreu aos 91 anos.

Livros

Dicionário Lula
Ali Kamel / Editora Nova Fronteira

Diogo Mainardi (tirado daqui)
Ali Kamel é o Flaubert do lulismo. Flaubert? Gustave Flaubert? Ele mesmo. No Dicionário das Ideias Feitas, publicado postumamente como um adendo ao seu último romance, Bouvard e Pécuchet, Flaubert reuniu, em ordem alfabética, os lugares-comuns mais idiotas difundidos na Terceira República francesa. Ali Kamel, no Dicionário Lula, cumpriu uma tarefa semelhante. Com o rigor e com a imparcialidade de um dicionarista, ele sistematizou o pensamento de Lula, destrinchando os lugares-comuns por meio dos quais ele se comunica.

O bronco retratado e ridicularizado por Flaubert no Dicionário das Ideias Feitas orgulha-se de papagaiar platitudes sobre praticamente todos os assuntos, da pobreza à dor de dente, da imprensa à gramática. Lula é igual. Sobre a pobreza: "Somente quem passou fome sabe o que é a fome". Sobre a dor de dente: "Somente quem já teve dor de dente sabe o que é uma dor de dente". Sobre a imprensa: "Só tem notícia negativa". Sobre a gramática: "Daqui a pouco vou falar en passant. Para quem tomou posse falando ‘menas laranja’, está chique demais".

Na última semana, fazendo propaganda do ProUni, Lula repetiu a blague sobre o fato de falar "menas laranja". A blague sobre o fato de falar en passant também já foi repetida outras vezes nestes sete anos. Quantas vezes? Uma? Duas? Nada disso. De acordo com Ali Kamel, em seu prefácio, foram catorze vezes no período pesquisado para compor o Dicionário Lula. O repertório presidencial é minguado. E Lula repisa enfadonhamente os mesmos episódios, os mesmos comentários, as mesmas tiradas, conferindo um gosto azedo a esse fim de mandato – o gosto azedo de um governo que já caducou.

Há um aspecto desolador na obra de Ali Kamel: em 669 páginas de discursos e pronunciamentos, Lula mostra-se incapaz de articular uma única ideia minimamente elaborada sobre o Brasil e os brasileiros. Ao analisar o país, ele sempre recorre às imagens mais ordinárias com as quais somos caracterizados. "Deus fez duas coisas com o Brasil: deu uma natureza de beleza incomparável e um povo maravilhoso, ordeiro e generoso." Ou: "A beleza do Brasil está na nossa mistura, que produziu este povo de múltipla cor, alegre". As banalidades proferidas por Lula refletem os métodos primários e grosseiros empregados por ele para conduzir o governo. Pior ainda: elas refletem a mesquinhez de seu projeto político.

A asnice representada pelas ideias feitas é a "verdadeira imoralidade", disse Flaubert. E acrescentou: "O diabo é só isso". Se Flaubert está certo – e ele está –, o Brasil é o inferno. O verdadeiro inferno.

Twitter

"Entre aspas"

"Todas as crianças precisam ter a mesma chance. Elas não podem ser discriminadas só porque nasceram em uma cidade muito pequena ou porque os pais são pobres e vivem em uma área de periferia. Elas devem ter a chance de estudar em escolas que são iguais às melhores escolas do país. Todas as escolas devem ter o mesmo padrão. Todos os professores e professoras devem ser formados(as) em universidades e cursos com a mesma qualidade. Isso é possível. Se você vai em uma agência do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, em qualquer cidade do Brasil, o padrão de atendimento e de serviço é o mesmo; são instituições que mostram que o Estado brasileiro tem capacidade de gerar organizações que funcionam. Assim deveria ser também com as escolas. Professores e professoras bem remunerados(as), com meios de trabalho e ambiente adequados. Livros, currículo, computadores, tudo para ajudar a ter o mesmo padrão e a formar as crianças oferecendo-lhes a mesma chance. Os(as) professores(as) devem ter seus salários pagos pelo governo federal, seguindo um plano nacional de educação de qualidade e a escola gerenciada pela prefeitura e pela comunidade, aberta à participação dos pais, das mães e de toda a comunidade."

Cristovam Buarque, em debate no plenário do Senado Federal, 10/8/2007

Opinião

Vitória que não reabilita

Editorial do Estadão
Tão precipitadas como se revelaram as previsões de que o Supremo Tribunal Federal (STF) livraria por esmagadora maioria de votos o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci da acusação de ter ordenado a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, parecem ser as avaliações de que agora ele tem tudo para reconstituir a sua imagem pública e retomar, nas urnas de 2010, uma carreira política para a qual o céu seria o limite. Palocci terá de se haver - e não apenas pelo tempo de uma campanha - com um tribunal mais cético sobre sua inocência do que a Corte que acabou de poupá-lo, por um único voto de diferença, da 21ª denúncia criminal de que foi alvo. As outras 20 se referem a uma variedade de alegados delitos que remontam à sua gestão como prefeito de Ribeirão Preto. Ele ainda responde a uma dezena de ações civis por improbidade administrativa em instâncias judiciais inferiores.

Não há o menor motivo para supor que a apertada decisão do STF induzirá o chamado tribunal da opinião pública a ver Palocci com os mesmos olhos de antes do fatídico 14 de março de 2006, quando, em entrevista a este jornal, Francenildo contou o que testemunhara das visitas do então ministro à trepidante sede da "República de Ribeirão", a casa do Lago Sul, em Brasília, onde rolavam alegres noitadas e onde dinheiro manchado passava de mão em mão. O relato do rapaz, autenticado por sua figura humilde e desprevenida, apresentou ao País um Palocci que estaria como o Mr. Hyde para o Dr. Jekyll do romance de Robert Louis Stevenson sobre o médico que à noite se transforma em monstro. O político que idealizou a tranquilizadora Carta ao Povo Brasileiro do candidato Lula da Silva, em junho de 2002, conduziu a transição de alto nível do governo que saía para o que entrava, levou a porto seguro a economia nacional e se tornou o mais respeitado interlocutor do Brasil com o exterior tinha, em suma, dupla personalidade.

O Palocci da treva, na percepção do público, não só confraternizava com a corrupção. Passados dois dias da entrevista do caseiro, o ministro recebeu das mãos do então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, um extrato da conta de Francenildo, emitido com a torpe intenção de provar que ele havia sido pago para falar o que falou - e em seguida o impresso foi vazado para a revista Época. Como agiram nesses dois dias os três acusados pelo novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi minuciosamente descrito na sua denúncia ao plenário do STF em detalhes que tiveram o sabor de um escandaloso flagrante, que foi a base da argumentação dos quatro ministros que votaram pela aceitação da denúncia de Palocci. Todos os lances dessa trama foram publicados na mídia na ocasião. Foi por isso que, uma semana depois, Palocci deixou o governo. Para os 5 ministros do STF que votaram pelo arquivamento da ação, no entanto, entre eles o relator Gilmar Mendes, não ficou provado que o ministro participara da quebra do sigilo. Mas, para o homem da rua, há de ter ficado robustecida a impressão de que existem no País duas Justiças - uma para o povo, outra para os poderosos. A imagem transmitida pela TV de um Francenildo aplastado pelo veredicto simbolizaria, mais do que qualquer outra coisa, a realidade desse sistema de dois pesos e duas medidas.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Sábado, 29 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"Orçamento social registra primeiro deficit na década"
O orçamento social do governo ficou deficitário pela primeira vez desde a década de 90. De janeiro a julho, os gastos superaram em R$ 19 bilhões as receitas das contribuições que os financiam.O deficit relativo a Previdência, saúde, assistência e seguro-desemprego equivale a um ano e meio de programa Bolsa Família. Definido pela Constituição de 1988, o orçamento social reúne políticas públicas mais ligadas à subsistência das famílias.Também inclui tributos cuja arrecadação não poderia ser dirigida a outras áreas, como a contribuição sobre a folha de salários.A seguridade mantinha saldo positivo até o ano passado, mesmo com a inclusão das aposentadorias do funcionalismo público federal.Os dados apontam que o fim da cobrança da CPMF contribuiu para a reversão. Em 2008, primeiro ano sem o tributo, o superávit foi preservado graças aos outros impostos. Neste ano, porém, não só a crise derrubou as receitas como as despesas sociais cresceram.

O Globo
"Cabral: governo faz ‘bravata nacionalista’ com o pré-sal"

Minc defende Rio e diz que tratamento não pode ser igual para todos

O governador do Rio, Sérgio Cabral, qualificou de “bravata nacionalista” a proposta do presidente Lula de dividir os recursos da exploração do pré-sal com todos os estados. Segundo Cabral, será uma injustiça se a nova distribuição for feita no que chamou de linha “Robin Hood”, para todos os estados. O Rio é o principal produtor de petróleo do país. Diante da polêmica, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, defendeu o Rio. Em solenidade com Cabral, declarou: “A exploração de petróleo tem riscos: derramamento, vazamentos. Este é um ressarcimento para os locais em que há exploração, Por isso não se pode tratar igualmente os estados”. No jantar em que receberá os governadores de Rio, Espírito Santo e São Paulo, no domingo, Lula terá em mãos um rascunho sobre a divisão de recursos com os valores em branco, abrindo espaço para uma negociação.

O Estado de São Paulo
"Impasse na cúpula da Unasul ajuda Uribe"

Resultado vago fortalece colombiano e seu acordo com EUA

A reunião da União de Nações Sul-americanas (Unasul) realizada ontem na Argentina acentuou a divisão do continente em torno do acordo militar EUA-Colômbia. Após sete horas de discussões e troca de acusações, os presidentes do grupo produziram um documento vago a respeito de estabilidade regional. A declaração diz que “forças estrangeiras” que atuem em um determinado país não podem “ameaçar a soberania e a integridade” dos demais países da região. Por outro lado, diz também que é preciso “fortalecer a luta e a cooperação contra o terrorismo e a delinqüência transnacional organizada”, numa referência implícita às Farc. Assim, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que era alvo primário da cúpula, conseguiu esquivar-se e saiu fortalecido.

Jornal do Brasil
"Enfim, um trote com sabedoria na UFF"

Após violência com calouras, alunos dão comida a índios em Camboinhas

Os calouros do curso de produção cultura da Universidade Federal Fluminense (UFF) levaram ontem cestas de alimentos para os índios da tribo tupy, em Camboinhas, região oceânica de Niterói. A iniciativa é do Projeto Trote Cultural, coordenado pela Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos, numa tentativa de mudar a desgastada imagem dessa tradição universitária em campanhas socio-culturais. E ocorre uma semana depois da violência que oito veteranos do curso de direito teriam cometido com calouras, pressionando-as para que os beijassem na boca e fizessem sexo oral numa sala fechada. O caso dessa suposta e chocante ação teve grande repercussão entre os alunos, fazendo com que a faculdade abrisse sindicância para apurar o ocorrido. Mas, até o momento não foram identificados.

Twitter

sexta-feira, agosto 28, 2009

Ubatuba

Sexta-feira ensolarada

Sidney Borges
Cacildis, cupins comeram as capas dos meus discos. Sobraram os bolachões, alguns aproveitáveis, vão virar cds. Cupins são vorazes. Uma vez fui ao IPT comprar compensado aeronáutico para consertar o Neivão de Tatuí. Para quem não sabe, Neivão é o apelido do planador Neiva B - Monitor, usado em instrução primária.

Na seção de ensaios de madeira tinha um bloco de alumínio sendo devorado por um cupim que come metais e concreto. O bloco, de forma cúbica, com trinta centímetros de aresta, parecia um queijo suíço.

Pensei em mandar alguns exemplares pra Brasília, depois desisti. Acabariam comendo o Senado, dando despesa extra ao país que teria de fazer outro. E depressa, Niemeyer não tem tempo.

Será que no IPT não existe cupim que come senador? É desse que precisamos. Pra que Senado?

Certos estão Chávez e Uribe, um de esquerda, o outro de direita, ambos espertíssimos, vão continuar no poder enquanto viverem. A direita desce o cacete em Chávez e aplaude Uribe, a esquerda cala sobre o companheiro Chávez e torce o nariz para Uribe.

E os americanos fazem acordo para combater drogas na Colômbia.

Deveriam preocupar-se com as drogas na casa deles. Gastam fortunas, prendem milhares de pessoas e a oferta de "substâncias ilícitas" aumenta enquanto o preço cai. Tem alguma coisa errada.

A corrida pelo trono de Lula está esquentando, tiraram Palocci da geladeira, agora será preciso usá-lo, senão estraga.

Lula quer ver o PT governando São Paulo, ameaçou lançar Ciro, agora faz joguinho de cena com Palocci. Não sei não, mas vai ser difícil emplacar qualquer um dos dois.

O PSDB tem um time afiado na área, pode lançar Alckmin, ou se o ex-governador preferir o senado, Aluízio Nunes Ferreira, ou se a conveniência política for favorável, o prefeito Kassab.

Serra vai ser o candidato do partido à presidência da República.

Prever o futuro não é a minha especialidade, se a eleição fosse hoje Serra levaria no primeiro turno. Se não acontecer nada extraordinário essa tendência deve prevalecer.

Não acredito na candidatura Dilma. Ela não é do ramo.

Twitter

Agora vai...

Comissão da Câmara aprova lei que cria mais 8 mil vereadores

Projeto foi aprovado de madrugada e agora será votado pelos deputados em dois turnos

estadao.com.br
SÃO PAULO - O projeto da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 336/09 que sugere o aumento do números de vereadores no Brasil foi aprovada na madrugada desta quarta, 26, para sexta-feira, 27, por uma comissão especial da Câmara dos Deputados. Agora, o projeto irá para votação em dois turnos no plenário.

Caso o projeto seja aprovado na votação da Câmara, o número de vereadores no Brasil passará de 51.748 para 59.791. Cerca de 8 mil suplentes assumirão como vereadores assim que a PEC for promulgada.

Além do aumento de vereadores, os deputados aprovaram, também durante a madrugada, a PEC 379/09, que determina a diminuição das verbas para as câmaras de vereadores dos municípios. Se aprovada, o máximo da receita tributária e das transferências municipais que poderá ser repassado para as câmaras de vereadores das cidades com mais de 500 mil habitantes diminuirá de 5% para 4,5%.

Ao contrário da primeira lei, a que criará mais 8 mil vereadores, que entrará em vigor assim que promulgada, a diminuição das verbas para as Câmaras municipais só entrará em vigor no ano seguinte à aprovação do projeto no Congresso.

Ambos os textos foram aprovados pelo relator da comissão, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), sem que nenhuma alteração fosse feita. O petebista justificou essa medida alegando que, caso fosse feita alguma mudança no projeto, este teria que ser mandado de volta ao Senado. A votação da comissão especial foi realizada após o término da sessão regular da Casa e cerca de 20 deputados participaram da atividade feita na madrugada.

Leia mais

Twitter

Sumiço

Belchior abandonou tudo

Cruzeiro On Line
Carteira de identidade, passaporte do Mercosul, título de eleitor, talões de cheque, sete suspensórios, cartão das Casas Bahia. Estes são só alguns dos itens deixados para trás em um flat na zona oeste de São Paulo pelo cantor e compositor desaparecido Antonio Carlos Belchior, 62 anos. A reportagem teve acesso exclusivo ao Auto de Constatação, Remoção, Depósito e Reintegração de Posse, no qual as anotações do oficial de justiça apontam para uma saída às pressas: "(...) No imóvel havia odor de mofo, havia também uma pilha de correspondência e no frigobar havia uma bandeja com alimento não identificado devido ao grau de putrefação do mesmo, com larvas e pequenos insetos no interior do frigobar".


Acompanhado de Edna Assunção de Araújo, Belchior deu entrada no flat em julho de 2007 e morou lá por um ano. Em agosto do ano passado, Belchior sumiu. À época, a gerência do hotel notificou o cantor, mas não teve resposta. Os telefones de Belchior e de Edna que constavam no cadastro do quarto 132 estão desativados. "Ele simplesmente sumiu. O hotel aguardou alguns meses e só então entramos com uma ação de reintegração de posse e cobrança dos meses que ficaram sem pagamento", explica o advogado do flat, Marcelo Alexandre.

A dívida de Belchior e Edna no flat, uma vez que fizeram juntos o contrato de locação, é de R$20 mil. Belchior deve R$18 mil ao estacionamento em que está seu carro abandonado. E sua ex-mulher, Ângela Belchior, cobra dele na Justiça R$ 99.600 de pensões atrasadas. Na presença de um oficial, o quarto foi aberto em janeiro deste ano pela gerente do flat. Todos os pertences do casal estão em um depósito designado pela Justiça.

A ação, registrada na 38ª Vara Civil, ainda está em andamento, mas o não pagamento da dívida pode levar à penhora dos bens deixados pelo cantor. "É claro que para isso acontecer ainda levaria algum tempo, e não resolveria a questão, já que os aparelhos têm valor irrisório comparado à quantia devida", explica o advogado do L’Ermitage. "Este é um caso muito estranho", diz o advogado. "O que levaria alguém a largar tudo, inclusive documentos, como o RG, por tanto tempo e não dar notícia?", questiona Marcelo Alexandre Durante quase um ano em que lida com o caso, ninguém o procurou para saber da dívida ou dos bens.

"São artigos de pintura, computadores, televisor e coisas pessoais, como roupas e celular", fala o advogado, que engrossa a lista de pessoas que aguardam notícias do paradeiro de Belchior. (AE)

Twitter

Clique sobre a imagem e saiba mais

Eleições 2010

Já há gripe DILM-A? Haverá plano B?

Do ex-Blog do Cesar Maia
1. Um levantamento feito esta semana por um deputado do PT, junto a deputados federais e senadores, todos do PT, mostrou um flagrante pessimismo com a candidatura de Dilma Rousseff. Um dos consultados disse que o episódio Dilma x Lina é de um primarismo atroz, que só reafirma a inexperiência política parlamentar de Dilma. Um político não atira para baixo, disse. Um ataque de um vereador a um deputado é respondido por um vereador, nunca pelo deputado. Uma insinuação da ex-secretária da receita à uma candidata a presidente deveria ser absorvida por Dilma com poucas palavras: - É provável o encontro, mas o sentido foi outro. E chega. E em seguida um deputado federal entraria batendo. E nunca mais trataria do tema.

2. Outro consultado afirmou: - Se essa inexperiência como ministra poderosa e candidata de Lula dá nisso, imagine como presidente as trapalhadas que viriam. O levantamento indica que esse pessimismo já entra nas reuniões formais do PT em nível regional, nas rodinhas, nas conversas e nos almoços e jantares. E concluiu: Ou se tem um antivírus político rápido, ou seremos todos contaminados pela Gripe Dilm-A. Dilma se encontra isolada e acuada em seu gabinete, com medo do contato com a imprensa e do contato direto com o eleitor. Vamos ter que montar comícios com nós mesmos.

Twitter

Chico Xavier


Vilanova Artigas

Raul Seixas

Belchior

Duda

Edu Lobo e Duda Cavalcante

Eduardo e Marta

Eleições 2010

Agora, Palocci trabalha para ser candidato do PT em São Paulo

Com prestígio abalado pelo episódio do caseiro, deputado terá de reconstruir imagem de gerente da economia

Vera Rosa, BRASÍLIA
A absolvição do deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) pelo Supremo Tribunal Federal altera o jogo político em São Paulo. Com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comemorou ontem a decisão do STF, Palocci trabalha para ser candidato à sucessão do governador José Serra (PSDB), em 2010. Lula avalia que a alternativa resolve, de uma só tacada, o problema do PT e do governo. Motivo: o partido não tem nome de expressão para lançar no maior colégio eleitoral e o Planalto se preocupa com a montagem de um palanque forte para a campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Apesar do otimismo de Lula, pesquisas qualitativas em poder do PT paulista revelam que a situação de Palocci não é tão simples assim. A lembrança do poderoso ministro que quebrou o sigilo bancário de um caseiro grudou no petista e seu índice de rejeição aumentou.


Levantamentos sob encomenda do PSDB também vão nessa direção.Nos bastidores do PT e do governo, até os amigos de Palocci dizem que, se ele for mesmo concorrer ao governo de São Paulo, terá de reconstruir sua imagem de gerente da economia, na tentativa de remover as cicatrizes deixadas pelo escândalo que o derrubou da Fazenda, em março de 2006.
Leia mais

Twitter

Coluna do Celsinho

Confidencial

Celso de Almeida Jr.
Peço um favor.


Não conte para ninguém.

Alguns assuntos não devem sair do bastidor.

Poucos compreenderiam.

Além do mais, há o risco de nos acusarem de muitas coisas.

Sabe como é...

Personalidades feridas podem revelar os instintos mais selvagens.

Escaldado, sei que a fúria política é avassaladora.

Não poupa currículos, famílias, negócios.

Tudo indica não ser o caso, mas, na dúvida, conto com a sua discrição.

Vamos lá...

Uma grande incógnita paira sobre a minha cabeça.

O que acontece com o nosso prefeito?

Eu, às vezes, assisto a participação dele nas reuniões do Codivap.

Comporta-se bem, tem postura e destaca-se de seus colegas positivamente.

Isso é bom para a nossa cidade. Contribui para a imagem de Ubatuba.

Mas, por aqui, nem tudo vai bem.

O prefeito Eduardo tem perdido muitas chances para se firmar como uma liderança que impulsione com maior rapidez o nosso desenvolvimento.

Desperdiça oportunidades extraordinárias de dialogar com professores, funcionários, associações, lideranças, imprensa, transferindo essa responsabilidade para terceiros.

E, quando assume o comando, tende a praticar uma ação de varejo, nos moldes da velha política.

Não consegue fazer valer o seu discurso de campanha.

Parece-me que sabe o que está errado, mas falta-lhe a força para agir.

O que impede ao nosso prefeito romper com estas amarras?

Insisto que está blindado.

Não sei quem o está blindando.

E pior do que isso.

Não creio que a leitura política de seus colaboradores mais íntimos o esteja fortalecendo.

Sem questionar competências, o que não compreendo é como um jovem prefeito, com idéias interessantes e bons relacionamentos, não consegue virar a mesa, rompendo definitivamente com práticas que tiram o brilho de seu currículo.

Eduardo deve capitanear o nosso desenvolvimento apostando todas as fichas na profissionalização do serviço público.

Ouvir outras vozes também é boa opção.

Com desprendimento; sem desconfianças; sem barreiras; aplicando a máxima conhecida:

“Os espíritos são como paraquedas. Só funcionam quando abertos.”

Pensando bem, anônimo leitor, devemos soprar esse sentimento nos ouvidos dele.

Afinal, assim como o super-homem, cidadão de verdade não pode ter medo.


Twitter

Opinião

Energia - esperança vem até de dejetos

Washington Novaes
Em que se traduzirá, na prática, a decisão do governo brasileiro, anunciada no início da semana, de assumir na reunião da Convenção do Clima, em dezembro, "metas" de redução das emissões nacionais de gases que contribuem para o efeito estufa - metas essas traduzidas em "números", como disse o ministro do Meio Ambiente, mas cobrando "recursos, parcerias tecnológicas" (Estadão, 25/8)? Até aqui, o Brasil tem-se recusado a assumir compromissos de redução. Esses "números" concretizarão uma mudança real? Seria esse o significado das "ações quantificadas" que o Itamaraty menciona (Folha de S.Paulo, 12/8)? Improvável. E que estará dizendo o novo inventário brasileiro de emissões, também anunciado para estes dias? Há quem afirme, como o consultor do governo britânico sir Nicholas Stern, que elas dobraram em relação a 1994, quanto atingiram mais de 1 bilhão de toneladas de carbono/ano e mais de 10 milhões de toneladas de metano.


Talvez se desfaça o mistério numa reunião preliminar que a ONU promoverá no próximo dia 22, em Nova York. O próprio secretário-geral da convenção, Yvo de Boer, já disse que considera escasso o tempo para que se chegue a um acordo global - incluído o das duas últimas reuniões preparatórias específicas, em Bangcoc e Barcelona, que antecederão a cúpula de Copenhague, em dezembro. Na verdade, serão apenas 15 dias de negociações para tentar reduzir a umas 30 páginas o documento até agora negociado, que está com cerca de 200 páginas - o que significa que as posições divergentes de cada país ou bloco continuam entre colchetes, como é a praxe nesse tipo de discussão internacional.

Apesar do ceticismo rondante, várias instituições continuam a afirmar que há soluções possíveis, mas dependerão fundamentalmente de pôr em prática tecnologias capazes de reduzir as emissões. E isso pode custar até US$ 400 bilhões por ano - cálculo do World Wide Fund (WWF) -, além de depender de transferência de tecnologias para os países mais pobres. Mas os Estados Unidos e outros países industrializados até aqui deixaram claro nas negociações que não aceitam mudanças no regime de propriedade dessas tecnologias - o que exige pagamento de royalties e outros direitos.

Enquanto isso, sucedem-se as notícias preocupantes. Julho de 2009 foi o mês mais quente no mundo em 130 anos, 0,6 grau acima da média de século 20. No Ártico a temperatura ficou 5,5 graus acima da média. Estudo publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (Estado, 18/8) mostra que as chuvas podem ser 6% mais fortes a cada grau mais elevado de temperatura.

Também há notícias positivas. O próprio secretário-geral da ONU informou que a China acrescentou 4,5 mil MW de energia eólica à sua matriz energética, no primeiro semestre deste ano. Ainda assim, um estudo de assessores científicos do governo chinês afirma que o país precisa de "metas rígidas" (que até aqui a China não aceita) para que o consumo total de energia possa cair - a partir de 2030. Esse país já é o maior emissor no mundo, com 1,8 bilhão de toneladas anuais de carbono, e até 2020 triplicará para 150 milhões o número de veículos em circulação no seu território. Mas também é o maior produtor de painéis fotovoltaicos.

No ritmo atual, diz a Agência Internacional de Energia, o consumo desta aumentará 70% até 2030 e o petróleo só baixará de 38% para 33% na matriz energética, enquanto o carvão cairá de 24% para 22%. Seus especialistas afirmam que será preciso investir US$ 45 trilhões até 2030 para compatibilizar a matriz com a questão do clima. Será possível? A Rede de Políticas de Energia Renovável mostra que esta cresceu 16% em 2008 e chegou a 280 mil MW no mundo, com aumentos de 70% na energia de fotovoltaicos conectados a redes, 29% na energia eólica e 34% nos bicombustíveis. Já o Instituto Pike assegura que os biocombustíveis crescerão 15% ao ano e em 2020 chegarão a US$ 1 trilhão/ano. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente prevê a criação de 20 milhões de empregos na área das energias renováveis em dez anos...
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 28 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"Palocci vence caseiro no Supremo"

Por 5 votos a 4, STF rejeita abertura de processo criminal por quebra de sigilo bancário de Francenildo Costa

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho (PT-SP) não será julgado no caso da quebra ilegal de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. O episódio resultou em sua saída do primeiro escalão do governo, em março de 2006.
Por 5 a 4, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitaram pedido do Ministério Público Federal de abertura de processo criminal contra Palocci, hoje deputado federal. A maioria considerou que não havia provas suficientes de que o ex-ministro tenha agido de forma irregular quando da divulgação da movimentação bancária do caseiro.

O Globo
"STF livra Palocci e processa apenas ex-presidente da CEF"

Decisão (por 5 a 4) cria condições para ex-ministro disputar eleições em 2010

Com placar apertado (5 votos a 4), o Supremo Tribunal Federal rejeitou a denúncia contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci no caso da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Os ministros entenderam não haver indícios suficientes para processar Palocci pela quebra do sigilo e pelo vazamento dos dados. Também arquivaram a denúncia contra Marcelo Netto, ex-assessor de Palocci, e só vão abrir processo contra o ex-presidente da Caixa Econômica Jorge Mattoso - que pediu a subalternos o extrato da conta de Francenildo e entregou-o ao então ministro. O PT e o Planalto comemoraram o resultado. Com a decisão do STF, Palocci fica livre para disputar as eleições de 2010, seja ao governo de São Paulo, seja como eventual alternativa a Dilma Rousseff.

O Estado de São Paulo
"Livre no STF, Palocci tem apoio de Lula para eleição"
O Supremo Tribunal Federal rejeitou ontem pedido para que fosse aberto processo criminal contra o deputado Antonio Palocci (PT -SP), acusado de participar da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Em 2006, Costa disse que Palocci, então ministro da Fazenda, frequentava reuniões com lobistas numa casa em Brasília. A maioria dos ministros julgou não haver provas contra o parlamentar. O resultado deve alterar o jogo político em São Paulo. Com o apoio do presidente Lula, Palocci trabalha para ser candidato à sucessão do governador José Serra (PSDB). Ainda há dez processos na área civil contra ele.

Jornal do Brasil
"Mais R$ 100 milhões para segurança no Rio"

Plano pretende aproximar polícia da comunidade e reduzir confrontos

Até o dia 17 de setembro, o Ministério da Justiça destinará mais R$ 100 milhões do Programa Nacional de Segurança Pública (Pronasci) para o Rio de Janeiro, classificado como laboratório para o novo padrão de polícia que o governo federal quer estimular. É o resultado da lª Conferência Nacional de Segurança Pública, aberta ontem em Brasília pelo presidente Lula. Com parceria entre União, governo estadual e prefeitura, pacote inclui integração das polícias, incentivo à capacitação e à ampliação das guardas municipais, orçamentos vinculados e programas preventivos que aproximem o aparato de segurança pública do respeito aos direitos humanos.

Twitter

quinta-feira, agosto 27, 2009

Brasília, 1989

A perigosa aventura de dois destemidos senadores tucanos

Sidney Borges
Em 1989 a televisão era analógica, computador fazia parte do sonho de um porvir glorioso e estava ao alcance de poucos. Na Globo, onde trabalhei nos anos da década de 1980, só Hans Donner tinha acesso à tecnologia digital. Mesmo assim, para fazer suas elegantes vinhetas, ele precisava ir a Los Angeles. Por aqui só tinha o Kromenko, computador gráfico que gerava fundos. Com ele e o gerador de efeitos ADO, muita paciência e trabalho, era mantido o padrão Globo de qualidade no jornalismo. Hoje qualquer computador médio tem mais recursos.

Em São Paulo nem Kromenko nem ADO, apenas uma mesa Grass Valley antiga e muita fé e esperança. Cortávamos cartões, puxávamos linguetas, fazíamos o impossível para manter a peteca no ar. Durante anos a coisa funcionou. Um dia mudei de vida, passei a trabalhar como freelancer. No meio do ano de 1989 fui convidado pelo ex-global, Woile Guimarães, para ser Diretor de Arte da campanha televisiva de Mário Covas à presidência.

Arte exige trabalho de preparação. É preciso fazer e executar o projeto, bolar vinhetas, cenários, escolher figurinos, fazer testes, enfim criar condições para tornar viável um programa. Para quem tinha sido responsável pela arte de todos os jornais da Globo produzidos em São Paulo, dar forma a um programa político de poucos minutos foi como comer mamão com açucar.

Quando a horário político começou a ser exibido eu caminhava todos os dias por uma hora e meia pelo Lago Sul, em Brasília, onde ficava a produtora. Lugar bonito, trabalhávamos em um centro comercial, um oásis em meio às casas de alto padrão que caracterizam o bairro.

Eu morava no Hotel Bristol, mas levava tênis e bermuda para a produtora. Os repórteres chegavam no final da tarde, havia tempo e todos os dias por volta das quatro horas eu andava pelas ruas quase desertas respirando ar seco e contemplando cúmulus altíssimos desmanchando-se no céu.

Caminhadas memoráveis. Comecei a caminhar quando parei de fumar em 1988, inicialmente como forma de evitar sobrepeso, depois pela caminhada em sí. Só quem tem o hábito sabe da sensação agradável que uma boa caminhada produz.

O jornalista Mylton Severiano, conhecido na imprensa como Myltainho, tornou-se meu parceiro nas andanças. Myltainho é um papo agradabilíssimo, culto, inteligente, bem-humorado. Durante semanas a fio exploramos o Lago Sul, até que um dia descobrimos um centrinho comercial onde uma padaria artesanal fazia pães de queijo. Deliciosos.

Myltaynho teve a idéia de comprar alguns para o chefe. Woile Guimarães andava nervoso, suponho que em função de cobranças. Naquele dia aconteceu uma reunião com a nata do PSDB presente, FHC, Artur Virgílio, Mário Covas, Artur da Távola, José Richa, publicitários, estrategistas, bicões, tinha gente a dar com pau. Os pães de queijo fizeram o maior sucesso.

No dia seguinte nos preparávamos para mais uma jornada quando Woile e dois senadores, Artur da Távola e José Richa, entraram na sala da arte e perguntaram onde havíamos comprado aquele manjar celestial, ou seja, os tais pães de queijo. Myltainho deu as coordenadas. Eles se propuseram a ir conosco, ninguém atinou para a distância. Seguramente mais de quatro quilômetros nos separavam da padaria. Para quem caminha todos os dias essa distância é café pequeno, mas para senhores de quase 60 anos, sedentários e acima do peso, é quase uma Belém-Brasília. Um agravante, o Sol inclemente e o ar seco.

Confesso que só notei que a idéia tinha sido uma furada quando percebi a velocidade do cortejo, uma tartaruga iria mais rápido. Os senadores vestiam gravata e paletó, acho que senadores usam paletó até na praia. Artur da Távola foi o primeiro a afrouxar o colarinho e colocar o paletó nas costas. A camisa estava ensopada. E nós não havíamos caminhado nem um terço do percurso de ida. Comecei a ficar apreensivo.

Em certo momento o senador José Richa disse que desistia, sentou-se no meio fio e demonstrou dificuldade para respirar. Estávamos no meio do nada, não passava um carro, continuar seria loucura, voltar impossivel. Para complicar tinha a fumaça que saía da cabeça do chefe, pelo olhar eu e Myltainho seríamos lançados aos leões. Felizmente um táxi salvador apareceu depois de mais de meia hora de agonia e sede. Woyle e os senadores retornaram à produtora, eu e Myltainho continuamos nossa caminhada.

No dia seguinte estavam todos de bom humor. Ao contrário do que imaginamos os senadores gostaram da quebra de monotonia. À noite fomos comer pizza.

Em Brasília tudo termina em pizza, mesmo quando dois bravos senadores quase são tragados pelas escaldantes e traiçoeiras ruas do Lago Sul, em eletrizante aventura.

Twitter

Frases

“Não está havendo confusão nenhuma na Receita Federal”.

Guido Mantega
Depois de levar um pito do chefe Lula por causa da confusão na Receita Federal.

Twitter

Bolsa Família

Coisa de Bárbaros

Aprendendo Alemão

A língua alemã é relativamente fácil. Todos aqueles que conhecem as línguas derivadas do latim e estão habituados a conjugar alguns verbos podem aprendê-la rapidamente. Isso é o que dizem os professores de alemão logo na primeira lição.

Para ilustrar como é simples, vamos estudar um exemplo:

Primeiro, pegamos um livro em alemão, neste caso, um magnífico volume, com capa dura, publicado em Dortmund, e que trata dos usos e costumes dos índios australianos Hotentotes (em alemão, Hottentotten).

Conta o livro que os cangurus (Beutelratten) (se lê boitenrraten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas com uma tela (Lattengitter) para protegê-los das intempéries.

Estas jaulas, em alemão, chamam-se jaulas cobertas com tela (Lattengitterkotter) e, quando abrigam um canguru, chamamos ao conjunto de "jaula coberta de tela com canguru" (Lattengitterkotterbeutelratten).

Um dia, os Hotentotes prendem um assassino (Attentäter) (se lê atentéter) , acusado de haver matado uma mãe (Mutter) hotentote (Hottentottenmutter), mãe de um garoto surdo e mudo (Stottertrottel).

Esta mulher, em alemão, chama-se Hottentottenstottertrottelmutter e a seu assassino chamamos, facilmente, de: Hottentottenstottertrottelmutterattentäter.

No livro, os índios o capturam e, sem ter onde colocá-lo, põem-no numa jaula de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter).

Mas o preso escapa.

Após iniciarem uma busca, chega um guerreiro hotentote gritando:

- Capturamos o assassino (Attentäter)!

- Qual Attentäter? - pergunta o chefe indígena.

- O Lattengitterkotterbeutelrattenattentäter, comenta o guerreiro, a duras penas

- Como ? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tela ? - pergunta o chefe.

- Sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentäter (assassino da mãe do garoto surdo-mudo da tribo)

- Ah, diz o chefe, você poderia ter dito desde o início que havia capturado o Hottentottenstottertrottelmutterlattengitterkotterbeutelrattenattentäter. (Nota do Editor: Foi preciso reduzir o tipo, esta singela palavrinha não cabe em uma linha e este escriba não sabe dividí-la em sílabas) (Sidney Borges)

Assim, através deste singelo exemplo, podemos ver que o alemão é extremamente simples.

Basta um pouco de interesse!

Twitter

Vizinhos


Passeata: Não a Chávez

Sidney Borges
Chávez não está bem na fita dos colombianos. Digo da direita colombiana. Os guerrilheiros das Farc devem pensar diferente. Dia 4 de setembro vai ter passeata. Contra Chávez. Na Colômbia. Não vai ter a mínima graça. Passeata para ter adrenalina precisa de polícia. Contra, obviamente. Nessa a polícia vai estar a favor. Imagine que coisa absurda, você gritando a plenos pulmões: "o povo, unido, jamais será vencido", ao seu lado um gambé sorrindo. Waal! O mundo está de pernas para o ar. Passeatas já não empolgam. Nem mesmo quando o tema é o divórcio gay. Passeata digna na Colômbia de hoje seria contra o terceiro mandato para Uribe. Nessa eu até iria. Pra ver o pau comendo.

Twitter

Opinião

O amor e a dor do senador

Eugênio Bucci (original aqui)
Dia desses, quando lhe perguntaram por que não deixava o Partido dos Trabalhadores logo de uma vez, seguindo o exemplo de Marina Silva, o senador Eduardo Suplicy (SP) saiu-se com uma tirada pouco ortodoxa, bem ao seu estilo. "Se você está em uma família e uma pessoa da sua família cometeu algum procedimento inadequado, você sai da família?", ele indagou, para responder em seguida: "Normalmente, não saio da minha família. Batalho para corrigir o que aconteceu."


A analogia é imprópria, em todos os sentidos. Partidos políticos se estruturam em torno de programas que sintetizam ideias, projetos e metas comuns. Quando descumprem ou traem seus propósitos declarados, um filiado tem, sim, razões objetivas para romper. Partidos são associações racionais entre indivíduos livres e seus vínculos internos são de natureza política, não familiar. Seus militantes, quando dignos, são leais a ideias, não a pessoas.

Já as famílias se definem por laços de sangue, remontam a gerações passadas e se estenderão aos que ainda não nasceram. Queiram ou não, seus membros pertencem às teias de parentesco que os precedem, não importa o que possa acontecer. Assim, a instituição familiar costuma suscitar no seu seio o sentimento de lealdade pessoal. Os vínculos de lealdade podem-se estender para além dos laços sanguíneos, em aglutinações expandidas. Esse tipo de lealdade pode degenerar em formações perversas, é claro. Basta ver, por exemplo, o caso da Máfia, que se designa, não por acaso, como famiglia: lealdade até a morte. Mas a Máfia aparece aqui apenas como uma deformidade excepcional que confirma a regra: no mais das vezes, as famílias se tecem por elos de proteção recíproca, de amparo e de amor.

Feita a devida separação sistemática entre o que é família e o que é partido, admitamos: o senador expressou uma verdade, a sua verdade interior; o que ele declarou é que a ligação que mantém com o PT é, mais que política, amorosa. A partir daí, a sensação que fica é a de que, quando os postulados políticos se esboroam, quando deles nada mais resta que explique a identificação partidária, sobra, enfim, o amor, como aquele que pulsa nas famílias, mesmo quando a razão enlouquece. O senador Eduardo Suplicy parece hoje um mártir do amor que o prende ao PT.

Na terça-feira, quando subiu à tribuna do Senado para pedir, ainda uma vez, a renúncia do presidente da Casa, José Sarney, foi isso, de novo, que transpareceu. "Para voltarmos à normalidade do funcionamento desta Casa, o melhor caminho é que o sr. Sarney renuncie à presidência do Senado", proclamou. Com outra de suas tiradas heterodoxas, brandiu para o plenário uma versão agigantada de cartão vermelho, desses que nos jogos de futebol são empregados pelo árbitro para expulsar um jogador de campo.

O gesto desportivo-teatral foi deveras apelativo e, como de hábito, os críticos dirão que o senador petista só faz "jogar para a torcida". Uns farão piada, outros alegarão que essa fatura, a do afastamento de Sarney, já tinha sido liquidada quando o Conselho de Ética decidiu arquivar as denúncias contra ele e que Suplicy discursou com o único objetivo de preservar a própria imagem. Foi, aliás, nessa linha que Heráclito Fortes (DEM-PI) o aparteou com solene ironia. Sustentando que o presidente Lula invadiu o campo do Senado para articular a defesa de Sarney, Fortes perguntou ao orador se ele seria capaz de mostrar o mesmo cartão vermelho para o chefe de Estado. De quebra, disse que faltava sinceridade ao petista.

Ao ver questionada a sua boa-fé, Eduardo Suplicy não soube esconder a perturbação. Alterou-se. Retrucou e foi retrucado. Estapeou a tribuna em que repousavam as folhas de seu discurso. A voz apertou-lhe na garganta. Seus lábios se retorceram. Ele inspirava insistentemente pelo nariz, como que para aplacar um soluço que não veio. Em sua fisionomia se estampou a mais perfeita expressão de dor. Ele admitiu que mostraria seu hipertrofiado cartão vermelho a quem quer fosse, mas a dor continuou ali.

Continuou ali, mas talvez não tenha sido entendida. Os que acreditam que tudo na política se resolve na interlocução decorativa, na base do "Vossa Excelência" pra lá, "Vossa Excelência" pra cá, que aprenderam a conviver olimpicamente com os arroubos de ódio dos insultos que de vez em quando desferem uns contra os outros, entendem muito bem a raiva, entendem a vingança, o ressentimento, o ciúme e a vaidade ferida, mas jamais entenderão aquela dor. Ela não brota das trincas de uma coerência perdida, ela não se constrói na oratória, mas nasce do coração - esse termo tão desgastado pela demagogia e que, no entanto, dá nome a uma região da gente que existe de verdade. Para senti-la são necessárias décadas de sonhos sonhados de corpo inteiro, que de repente se despedaçam nas garras dos semelhantes. Para conhecê-la é preciso um pouco de fragilidade, mesmo que escondida por trás da imponência artificial do homem público. Para compreendê-la há que saber o que é a vergonha.

Não, não faltou sinceridade às palavras de Eduardo Suplicy, por mais que o cálculo performático faça parte - embora paradoxal - de suas manifestações de ritmos verbais alongados, pesados. Mais do que muitos de seus pares, ele tem o senso da oportunidade, dialoga bem com a linguagem das manchetes e sabe atrair os holofotes com mais eficiência que campanhas publicitárias industrializadas - mas não mentiu. Que nada mais houvesse de sincero em sua fala, a sua dor é sincera. Ela é a luz apagada de um amor desencantado, desmembrado... partido.

Com sua dor sincera, o senador Suplicy ofereceu, aos que viram a TV Senado, o vislumbre de uma face humana, enfim humana, em meio a um teatro desfigurado de máscaras desumanas.

Eugênio Bucci, jornalista, é professor da ECA-USP

Twitter


Manchetes do dia

Quinta-feira, 27 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"Para Mantega, acusação contra Receita é 'balela'"

Ministro minimiza crise e afirma que fisco funciona normalmente

O ministro Guido Mantega (Fazenda) declarou que é uma "balela" dizer que o governo recuou na fiscalização dos grandes contribuintes.
Essa foi uma das justificativas para a rebelião na Receita Federal. Integrantes da cúpula também falaram em interferência política.
A mudança no foco dos auditores era também uma das bandeiras da ex-secretária da Receita Lina Vieira.
Mantega minimizou a crise ao dizer que o fisco funciona normalmente mesmo com o pedido de demissão de cerca de 60 servidores e que trocas são normais.
"Está se criando a ideia falsa de que há confusão", disse ele, que acrescentou que nada mudou nas prioridades de fiscalização.
Apesar do discurso, Mantega foi repreendido pelo presidente Lula, que o responsabilizou diretamente pela rebelião no órgão.
Para Lula, Mantega errou ao demitir Lina sem ter um substituto imediato. O vácuo de poder teria permitido a contestação ao governo.
O presidente determinou que o ministro retome o controle do fisco rapidamente e evite "bate-boca" com a ex-secretária.

O Globo
"Onda de demissões expõe guerra de grupos na Receita"

Saída de 60 dirigentes, 24 só em SP, começa a paralisar o Fisco

A demissão coletiva na Receita Federal acentuou a guerra interna entre os aliados da ex-secretária Lina Vieira, o grupo dos ex-secretários Everardo Maciel e Jorge Rachid, e os antigos aliados do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado. Com isso, já chega a quase 60 o número de chefes de divisão, delegados e inspetores demissionários no órgão - 24 deles em São Paulo, onde a crise é mais grave. As exonerações, que podem aumentar nos próximos dias, já comprometem o trabalho do Fisco. "As demissões provocaram uma paralisação. Todos estão parados olhando, como se fossem jacarés, o que vai acontecer", disse um ex-integrante da cúpula da Receita. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou de balela a alegação dos demissionários de que os grandes contribuintes deixarão de ser fiscalizados. Segundo o ministro, é "desculpa para encobrir ineficiências".

O Estado de São Paulo
"Pressão do PMDB faz Lula ceder a Estados no pré-sal"

Planalto recua e aceita discutir rateio de royalties, como queriam governadores

Por pressão dos governadores dos Estados produtores de petróleo e das lideranças do PMDB, o governo sinalizou ontem que a regulamentação do pré-sal, a ser enviada na próxima segunda ao Congresso, vai propor uma regra para rateio dos royalties. Os governadores Sérgio Cabral (RJ) e Paulo Hartung (ES), ambos do PMDB, exigiram que os Estados produtores fiquem com 40% do dinheiro arrecadado, e o restante seria distribuído aos demais Estados. No ano passado, os Estados e municípios produtores receberam R$ 12,8 bilhões em royalties. O presidente Lula queria adiar a discussão sobre essa participação, por ser politicamente explosiva, mas a possibilidade de desagradar ao PMDB, partido que o Planalto corteja como aliado para a eleição de 2010, o fez recuar.

Jornal do Brasil
"Pressão do PMDB faz Lula ceder a Estados no pré-sal"

Planalto recua e aceita discutir rateio de royalties, como queriam governadores

Por pressão dos governadores dos Estados produtores de petróleo e das lideranças do PMDB, o governo sinalizou ontem que a regulamentação do pré-sal, a ser enviada na próxima segunda ao Congresso, vai propor uma regra para rateio dos royalties. Os governadores Sérgio Cabral (RJ) e Paulo Hartung (ES), ambos do PMDB, exigiram que os Estados produtores fiquem com 40% do dinheiro arrecadado, e o restante seria distribuído aos demais Estados. No ano passado, os Estados e municípios produtores receberam R$ 12,8 bilhões em royalties. O presidente Lula queria adiar a discussão sobre essa participação, por ser politicamente explosiva, mas a possibilidade de desagradar ao PMDB, partido que o Planalto corteja como aliado para a eleição de 2010, o fez recuar.

Twitter

quarta-feira, agosto 26, 2009

Charge - Renato Machado


Original aqui

Política

Trinta anos de história do PT contra cinco minutos na TV

Do blog Balaio do Kotscho:
Quem vai ficar com o apoio do PMDB, quer dizer, seus cinco minutos na televisão e seus palanques na campanha de 2010? A resposta a esta questão está na raiz de toda a crise política que se arrasta desde o início do ano e culminou na semana passada com a salvação de José Sarney pelo PT. Vai valer a pena?


No mesmo dia, dois senadores, Marina Silva e Flávio Arns - por razões bem diferentes, diga-se - anunciaram que deixariam o partido. No dia seguinte, Aloizio Mercadante foi convencido por Lula a revogar sua renúncia irrevogável à liderança no Senado para não aumentar ainda mais a crise nas relações entre o partido e o governo.

Diante de mais uma guerra interna desencadeada a partir deste episódio, os analistas de sempre repetiram a previsão feita outras vezes ao longo das últimas três décadas: é o fim do PT.
Tantas vezes anunciada nestas últimas três décadas, a morte do PT é desmentida eleição após eleição e nas pesquisas, inclusive as mais recentes, que colocam o partido em primeiro lugar na preferência dos eleitores brasileiros.


É como diz o leitor Simei de Almeida, em comentário enviado na tarde de segunda-feira: “Antes não prestava pelo que era, agora não presta pelo que não é mais”.

Às vésperas de comemorar 30 anos, no começo do ano eleitoral de 2010, parlamentares, dirigentes e militantes petistas vivem o eterno dilema de ser ou não ser governo quando chegam ao poder, do pequeno munícipio à Presidência da República.

Tem sido assim desde que o primeiro petista foi eleito. Muitos foram ficando pelo caminho, abrindo dissidências e até novos partidos, que nunca emplacaram.

No centro das discussões, desde o primeiro Encontro Nacional do PT, está sempre a política de alianças, depois que o partido descobriu que ninguém consegue se eleger nem governar sozinho.

Qual o preço e os limites destas alianças? Foi mais uma vez em torno desta questão que a jornalista Marilda Varejão, minha velha amiga e petista histórica, desencadeou um grande debate entre militantes, a partir do momento em que comunicou a mais de cem pessoas das suas relações que estava deixando o partido.


“Com imensa dor, mas com igual convicção, anexo a carta que estou levando hoje ao PT local. Sem mais, abraços, Marilda Varejão”, escreveu ela, e anexou a carta que reproduzo abaixo.

“Petrópolis, 23 de setembro de 2009

Ao Partido dos Trabalhadores

Há muito – mais precisamente desde quando, no “mensalão”, vi rolarem por terra ídolos como José Dirceu e Genoíno – venho pensando em fazer o que agora faço.

Entretanto, movida pelo desejo de separar o joio do trigo e, de alguma forma, ajudar a reconstruir o PT local, mantive-me fiel ao partido, tendo exultado quando a cidade elegeu Paulo Mustrangi como prefeito.

Entretanto, apesar de Lula declarar que petista é como flamenguista, que permanece fiel ao time independentemente das derrotas, creio que para tudo nesse mundo há um limite.

E não suporto mais ver esse homem – que acompanhei com ardor e paixão desde a greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, SP, em maio de 1978 –, em nome da “governabilidade”, jogar por terra a própria biografia e os ideais de tantos quantos depositaram nele a responsabilidade de construir um Brasil mais justo e mais digno.

O mais lamentável em tudo isso é que, apesar da decepção, não nego sua capacidade e louvo seus feitos: é mérito seu mais de 35 milhões de brasileiros terem saído da linha de pobreza e nosso país hoje ser conhecido e respeitado em todo o mundo.

Mas nem por isso Lula pode ser maior que o próprio PT nem fazer com que petistas históricos, como o senador Aloizio Mercadante se tornem alvo do achincalhe nacional.

Por tudo isso, em caráter irrevogável (irrevogável mesmo!), venho solicitar minha desfiliação partidária. Solitária em minha dor, saberei sempre a hora de estar ao lado das pessoas de bem que insistem na luta, como por exemplo o ministro Patrus Ananias. Mas me resguardo e estou a salvo dessa indigesta pizza que tentam jogar goela abaixo dos menos incautos".

Os amigos da Marilda se dividiram ao meio, apoiando ou discordando da sua decisão, e o debate continua nesta terça-feira pela internet.

Zélio Alves Pinto, o grande cartunista e artista plástico, escreveu: “Tá certo, Marilinha: concordo, mas discordo, porque contra fogo só fogaréo, senão acabam queimando a gente e, cansado de ser gato escaldado, eu fico. Não tenho carteirinha, apenas fé. E é nessa que eu vou. Apoio Marilda, você, e digo-lhe mais, até a Marina, mas não dá pra votar nela (vão fazer picadinho da santa), mas fico. Me desculpa, viu? Todo carinho, Zélio”.

No final da noite de ontem, ao ler a mensagem de Zélio, resolvi participar também do debate em que escrevi para os amigos o que penso a respeito deste assunto:

“Pessoal,

Não queria entrar nesta conversa, mas faço minhas as palavras do mestre Zélio, sem tirar nem por. É por isso que gosto sempre de ouvir os mais velhos…

Estou que nem ele: nunca entrei em partido nenhum, mas não perco a fé. Se não entrei, não tenho nem como sair… Como dizia outro velho amigo, o Carlito Maia: não sou do PT, mas o PT é meu partido. É e será. O resto é muito pior.

Qual PV vocês preferem: o PV do DEM e do Sirkys, no Rio, ou o PV do PSDB e do Penna em São Paulo? Coitada da minha amiga Marina…

Entre o Gabeira e o Roberto Freire, linhas auxiliares dos demo-tucanos, gente sem projeto e sem compromisso com o país, fico com o Lula, o melhor presidente (para a maioria da população) que este país já teve, desde Getúlio Vargas.

Daqui a 100 anos, quando falarem do Brasil, só vão lembrar destes dois."

Twitter

Paulicéia de outrora



Instantâneos

Sidney Borges
A foto é dos anos 40. Foi postada por Marcos Siqueira no site: http://docepari.ning.com . Mostra um momento da Praça Padre Bento, no Pari.

Imagino que a elegante menina que aparece em segundo plano tenha pegado carona, viu a câmera e fez pose. Instinto feminino, ela sabia de seu potencial fotogênico, mulheres nascem sabendo. Tenho certeza que não imaginou que setenta anos depois estaria sendo vista e comentada por um escritor de província.

Quem seria? Como transcorreu sua vida? Casou-se? Teve filhos? Netos? Bisnetos? Fugiu com o trapezista? Montou restaurante na Romênia? Ou entrou em um convento de carmelitas?

Pelo movimento, escasso, imagino uma manhã de domingo. As sombras indicam a presença do Sol. São elegantes as casas do plano de fundo, embora a chaminé que aparece à esquerda da garota indique que o Pari é um bairro de trabalhadores. E de poesia.

Twitter

Lula


Saúde

Dieta e Aterosclerose

Quem faz dieta de pouco carboidrato e muita proteína emagrece bem, mas cria problemas vasculares graves. O alerta vem de um estudo que será publicado ainda nesta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Também destaca que indicadores costumeiros de risco cardiovascular, entre os quais o colesterol, não se alteraram nos animais submetidos à dieta, apesar da clara evidência de aumento de problemas vasculares, como a aterosclerose.

A pesquisa apontou que camundongos submetidos a dieta de pouco carboidrado e bastante proteína apresentaram, após 12 semanas, um elevado aumento da aterosclerose, processo inflamatório caracterizado pela formação de placas de gordura na parede das artérias, uma das principais causas de infarto e de derrames.

Identificou também que a dieta levou a uma redução na capacidade de formar novos vasos sanguíneos em tecidos com fluxo sanguíneo prejudicado, como costuma ocorrer durante um infarto.

Os autores do estudo verificaram que um aumento na formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos e o prejuízo na capacidade de formar novos vasos estavam associados com uma redução na quantidade de células que dão origem aos vasos. Essas células, sugerem, podem ter um papel de proteção na saúde vascular.

A dieta submetida aos camundongos foi constituída por 12% de carboidratos, quase 43% de gordura, 45% de proteína e 0,15% de colesterol. Um segundo grupo de camundongos passou por uma dieta típica do animal e um terceiro por uma dieta ocidental comum. Observou-se que os camundongos do primeiro grupo perderam em 12 semanas 28% mais do peso do que os alimentados com o equivalente a uma dieta ocidental comum, desempenho compatível com valores geralmente verificados em humanos. Entretanto, os vasos sanguíneos dos animais do grupo da dieta de alta proteína e baixo carboidrato apresentaram um grau de aterosclerose significativamente mais elevado. O acúmulo de placas de gordura foi de 15,3%, contra 8,8% da dieta ocidental regular. O grupo da dieta de camundongos apresentou evidência mínima de aterosclerose.

O artigo Vascular effects of a low-carbohydrate high-protein diet, de Anthony Rosenzweig e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org. (Fapesp)

Twitter

Editorial

Rachadura na blindagem

Sidney Borges
O governo acabou com o Telecurso. Espero que tenha sido para substituí-lo por outro Telecurso. Atualizado. Em Ubatuba o sistema apoiado na televisão é eficiente, os alunos comparecem, gostam, recuperam o tempo perdido e avançam na vida.

Estou falando com conhecimento de causa, fiz uma palestra sobre energia nuclear para alunos do ensino médio. Deveria ter durado 40 minutos, durou mais de duas horas. Ninguém arredou pé, a construção de Angra 3 estava na mídia, havia interesse.

Os alunos que procuram o Telecurso são maduros, na maioria profissionais em busca do tempo perdido. Há marinheiros, pedreiros, eletricistas, cozinheiros, músicos. Inicialmente querem apenas o diploma, aos poucos ficam maravilhados com o conhecimento. São politizados. Gostam do presidente Lula.

Ubatuba é quase um laboratório. Fornece com pouca margem de erro uma amostragem do Brasil. A cidade vive em função do poder público, com bolsões de iniciativa privada na área do turismo. A população sofre de carências básicas embora a arrecadação da cidade seja alta. Teatro ideal para encenar a peça "Domínio dos Coronéis".

Lula tem apoio popular graças ao Bolsa Família. Entre os alunos do Telecurso o presidente sempre pairou acima de qualquer suspeita. Ontem conversei com alguns, procurei saber o que vai pelas cabeças do povo. Da conversa tirei conclusões. O tempo se encarregará de mostrar se têm fundamento.

Há notórios sinais de rachaduras na blindagem de Lula. A aliança com Sarney fez estragos. Ouvi o seguinte comentário de um experiente marinheiro, líder entre seus pares:
- Se Lula livrou a cara do outro é porque também deve. Lula acabou para mim.
Os colegas, calados, concordaram com movimentos de cabeça.

Um ano atrás a mesma turma seria capaz de ir aos extremos na defesa do presidente.

Lula imaginou que sua popularidade resistiria a tudo. Não pensou no poder devastador do fator Sarney.

Vamos esperar que a inércia ceda às forças dissipativas. O povo vai tomar posição. Decisões tomadas em agosto são perigosas. Podem levar forças políticas relevantes para o universo da história.

Twitter

Opinião

Rebelião na Receita

Editorial do Estadão
A interferência sistemática do governo na Receita Federal, a começar do afastamento, em julho do ano passado, do então secretário Jorge Rachid, tido como "independente demais", acaba de produzir uma crise também sem precedentes nesse órgão de Estado cujas eficiência e integridade dependem decisivamente da autonomia que lhe for concedida para o exercício de suas funções eminentemente técnicas. Em protesto contra a desabusada ingerência política do Planalto, 12 membros da cúpula do Fisco - o subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas, 6 superintendentes regionais e 5 coordenadores-gerais - pediram exoneração dos seus cargos de confiança, enquanto se informava que seriam seguidos por delegados, inspetores, chefes de departamento e superintendentes adjuntos. Alguns já estavam na lista negra do novo secretário Octacílio Cartaxo, que substituiu a titular Lina Maria Vieira, demitida - por motivos políticos - antes de completar um ano na função.

A carta que encaminharam a Cartaxo denuncia a política de mão pesada que se abateu sobre a instituição, conduzida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, por determinação vinda "de cima", como ele disse a Lina Vieira para tentar justificar a sua remoção. A "forma como ocorreu a exoneração" é o primeiro alvo do documento. Mantega nunca deu uma explicação pública para o ato. Mas não é segredo para ninguém que a secretária foi abatida por haver desagradado duplamente ao governo. Em primeiro lugar porque a Receita não contribuía para o que se pode chamar o "esforço de guerra" do presidente Lula pela eleição da ministra Dilma Rousseff como sua sucessora.

É disso que rigorosamente se trata quando Lula se põe a culpar o Fisco pela queda da arrecadação federal. No ano passado, a receita do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) caiu quase à metade. As receitas administradas, provenientes das tarifas que incidem sobre serviços públicos, sofreram em julho a nona queda consecutiva em relação ao mesmo mês do exercício anterior. Isso significa uma restrição objetiva aos planos de Lula de fazer gastos à tripa forra no ano eleitoral de 2010. Exasperado, ele ignorou a causa óbvia do problema - a forte desaceleração da economia nacional nos dois trimestres precedentes -, preferindo atribuí-lo à justificada prioridade da Receita à fiscalização dos grandes contribuintes, em vez de ir atrás, como Lina Vieira ironizou, "dos velhinhos e aposentados". Vale lembrar, a propósito, que grandes contribuintes o são em outro sentido ainda: como doadores de campanhas.

O segundo aborrecimento do Planalto com a secretária foi a nota da Receita considerando ilegal a manobra contábil que permitiu à Petrobrás adiar o recolhimento de R$ 1,2 bilhão em tributos. A nota foi uma das razões da criação da CPI da estatal. Depondo na comissão, Cartaxo, o novo secretário, acalmou o governo ao sustentar que a empresa pode não ter feito nada de errado - ao que os signatários do pedido de exoneração aludiram na sua carta. "Essas medidas", acusaram, referindo-se ao conjunto da obra de intromissão do governo, "revelam uma clara ruptura com a orientação e as diretrizes da gestão anterior (?), tanto no estilo de administrar quanto no projeto de atuação do órgão." Com igual clareza - e contundência - cobraram a continuidade da política de fiscalização com foco nos grandes contribuintes, "a autonomia técnica (da Receita) na solução de consultas e de divergências de interpretação" e a rejeição de qualquer tipo de ingerência política no órgão.

Para os auditores fiscais, o que acima de tudo simbolizou a ruptura foi o anúncio, feito na semana passada, de que o subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas, seria afastado. "Ele havia encontrado meios, com pouca gente, de fiscalizar a indústria, o comércio, o setor de informática", disse ao Estado o superintendente adjunto da 4ª Região Fiscal, Luiz Carlos Queiróz. O expurgo alcançou ainda os dois colegas que acompanharam Lina Maria ao Senado, onde ela reiterou que a ministra Dilma lhe pediu para "agilizar" a fiscalização sobre Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Também foi exonerada a chefe de gabinete da ex-secretária, Iraneth Maria Weiller, que confirmou que a sub da ministra estivera na Receita para agendar a reunião entre elas.
Leia mais

Twitter
 
Free counter and web stats