sábado, agosto 22, 2009

Brasil

Humor gaúcho

Sidney Borges
É de conhecimento universal que o craque Ronaldo Fenômeno esteve envolvido com travestis. História pra lá de mal explicada.

O tempo passou, ninguém mais tocava no assunto até que um dos travestis, o mais notório, morreu. No dia seguinte o Corinthians jogou contra o Internacional em Porto Alegre.

Jogo difícil, nervoso, sempre que Ronaldo pegava na bola o Beira Rio vaiava e depois sussurava em uníssono: vi-ú-vo. vi-ú-vo, vi-ú-vo...

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Ubatuba em foco

Boa notícia

Anderson Rodrigues (Tato)
Acabei de receber um telefonema e a seguinte noticia: “o dinheiro para construção do Centro de Convivência no Conjunto Habitacional do bairro do Taquaral vai ser liberado dentro de alguns dias”.

O Deputado Campos Machado, líder absoluto do PTB, acatou o pedido que fizemos e brigou pela recuperação do dinheiro e, como sempre, conseguiu recuperar na sua totalidade.

A divulgação desta informação se faz necessário, pois, os moradores deste conjunto estavam inconformados com a falta de habilidade da Administração Municipal que na ocasião perdeu essa verba por não entregar os documentos dentro dos prazos legais.

Parabéns ao senhor Sr. Wilson do Taquaral, presidente do bairro, que não mediu esforços, nunca desistiu e lutou incansavelmente, pois, sabe da importância deste benefício a todos moradores; que essa atitude desse grande homem sirva de exemplo a todos os presidentes de bairro desta nossa cidade.

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Charge - Amarildo


Original aqui

Deu na Veja

"Lula não fará seu sucessor"

Oscar Cabral Carlos Augusto Montenegro é um dos mais experientes analistas do cenário político nacional. Presidente do Ibope, empresa que virou sinônimo de pesquisa de opinião pública no Brasil, ele acompanhou com lupa todas as eleições realizadas no país desde a volta à democracia, em 1985. Agora, faltando pouco mais de um ano para a sucessão presidencial, Montenegro faz uma análise que o consagrará se acertar. Se errar? Bem, dará às pessoas o direito de igualarem seu ofício às brumas da especulação. Em entrevista ao editor Alexandre Oltramari, Montenegro aposta que o governo, apesar da imensa popularidade do presidente Lula, não conseguirá fazer o sucessor – no caso, a ministra Dilma Rousseff. Também afirma que o PT está em processo de decomposição.

O que os acontecimentos da semana passada revelaram sobre o PT?
Que o partido deu um passo a mais na direção de seu fim. O PT passou vinte anos dizendo que era sério, que era ético, que trabalhava pelo Brasil de uma maneira diferente dos outros partidos. O mensalão minou todo o apelo que o PT havia acumulado em sua história. Ali acabou o diferencial. Ali acabou o charme. Todas as suas lideranças foram destruídas. Estrelas como José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci se apagaram. Eu não diria que o partido está extinto, mas está caminhando para isso.

Mas por trás do apoio ao PMDB e ao senador Sarney não está exatamente um projeto de poder do PT?
É um projeto de poder do presidente Lula. O desempenho eleitoral do PT depois do mensalão foi um vexame. Em 2006, com exceção da Bahia, o partido só venceu em estados inexpressivos. Nas eleições municipais de 2008, entre as 100 maiores cidades, perdeu em quase todas. Lula sempre foi contra a reeleição e só resolveu disputá-la para tentar salvar o PT. Sua reeleição foi um plebiscito para decidir se deveria continuar governando mais quatro anos ou não. Mas tudo indica que agora ele não fará o sucessor justamente por causa da mesmice na qual o PT mergulhou.

Ao contrário do que muita gente acredita, o senhor aposta que Lula, mesmo com toda a popularidade, não conseguirá eleger o sucessor.
Uma coisa é ele participar diretamente de uma eleição. Outra, bem diferente, é tentar transferir popularidade a alguém. Sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. "Mãe do PAC", convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de "filha do Lula".

Porém já existem pesquisas que colocam Dilma Rousseff na casa dos 20% das intenções de voto.
A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. Foi-se o tempo em que um líder muito popular elegia um poste. Isso acontecia quando não havia reeleição. Os eleitores achavam que quatro anos era pouco e queriam mais. Aí votavam em quem o governante bem avaliado indicava, esperando mais quatro anos de sucesso.

Diante do quadro político que se desenha, quais são então as possibilidades dos candidatos anunciados até o momento?
Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006. Isso, claro, não é uma regra, mas certamente uma tendência. Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também.

A entrada em cena de Marina Silva, que deixou o PT para disputar a eleição presidencial pelo PV, altera o quadro sucessório?

A Marina é a pessoa cuja história pessoal mais se assemelha à do Lula. É humilde, foi agricultora, trabalhou como empregada doméstica, tem carisma, história política e já enfrentou as urnas. Além disso, já estava preocupada com o meio ambiente muito antes de o tema entrar na agenda política. Ela dificilmente ganha a eleição, mas tem força para mudar o cenário político. Ser mulher, carismática e petista histórica é sem dúvida mais um golpe na candidatura de Dilma.

Na hora de votar, o eleitor leva em consideração o perfil ético do candidato?

Uma pesquisa do Ibope constatou que 70% dos entrevistados admitem já ter cometido algum tipo de prática antiética e 75 % deles afirmaram que cometeriam algum tipo de corrupção política caso tivessem oportunidade. Isso, obviamente, acaba criando um certo grau de tolerância com o que se faz de errado. Talvez esteja aí uma explicação para o fato de alguns políticos do PT e outros personagens muito conhecidos ainda não terem sido definitivamente sepultados.

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Lou Bega

D'après Duchamp


Dudasarney (coitadinha)


Zoom na Duda


Deu na Folha

Mundo sem droga é tão difícil quanto sem sexo, diz FHC

Em fórum no Rio, ex-presidente voltou a defender a descriminação do uso da maconha. Tucano participou de reunião que criou Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, inspirada em entidade latino-americana presidida por ele

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 78, afirmou ontem que existir um "mundo sem drogas" é tão difícil quanto um "mundo sem sexo". Presente à reunião de criação da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, no Rio, ele voltou a defender a descriminação do uso da maconha, a adoção de política de redução de danos e o atendimento a usuário de drogas na rede pública de saúde.

"Imaginar um mundo sem drogas é um objetivo difícil de alcançar. A humanidade sempre usou algum tipo de droga. Então, é como imaginar um mundo sem sexo. Nem o [ex-presidente norte-americano George W.] Bush."

FHC defendeu campanhas para desestimular o uso de drogas e sugeriu como modelo o bem avaliado programa de combate à Aids do Brasil.

"Nossa luta foi, em vez de sem sexo, com sexo seguro. Mudou o paradigma. Foi-se para a TV ensinar como se usava camisinha em um país católico. [...] Na época, nos EUA a ideia era não sexo. Aqui era sexo seguro", disse, lembrando que o programa também adotou a distribuição de seringas como forma de redução de risco para usuários de drogas.

O grupo criado ontem tem como inspiração a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, presidida por FHC e outros dois ex-presidentes: César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México).

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Opinião

Indicativos econômicos e conjuntura

Editorial do Estadão
A demanda doméstica depende de vários fatores, e da perspectiva do seu aumento depende a produção industrial. É normal, então, dar atenção especial ao nível do emprego e à evolução da massa salarial real, sem deixar de acompanhar as receitas e despesas do governo federal. Vários dados divulgados ontem permitem dizer que a economia está entrando numa fase de recuperação.

Enquanto a ligeira retomada da economia norte-americana é acompanhada por aumento do desemprego, no Brasil o quadro é diferente. Os dados de julho, nas seis principais regiões do País, mostram redução do desemprego de 8,1% para 8%, resultado de um aumento de 0,9% dos ocupados, que significa geração de 185 mil postos de trabalho, enquanto o número de desocupados (pessoas sem trabalho ou procurando emprego) caiu 0,7%, para 1,9 milhão.

Essa taxa de desemprego, em julho, é a menor da série desde 2002. Melhora que não parece refletir desalento na procura de emprego, já que houve importante oferta de postos de trabalho.

Paralelamente, houve melhora na qualidade do emprego, e 142 mil postos foram criados com carteira de trabalho assinada, o maior número no comércio.

Não foi, entretanto, apenas um aumento do emprego, mas também uma alta de 1% da renda real (a primeira depois de cinco quedas consecutivas) que, nessas regiões, é de R$ 28,4 bilhões. A renda real média ficou em R$ 1.333,92, superior em 3,4% à de julho de 2008.

Esses dados, calculados em razão da população ativa, incluem também os funcionários públicos das seis regiões metropolitanas, que certamente contribuem muito no crescimento registrado do emprego, mas que não podem ser esquecidos como consumidores...

Seria certamente importante conhecer a participação dessa categoria no crescimento da população ativa. Mas temos um outro indicador por meio dos dados da arrecadação das receitas federais, que, no caso das receitas administradas, apresentou crescimento real (usando como deflator o IPCA) de 5,17% em relação ao mês anterior, em que as isenções fiscais eram as mesmas.
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Manchetes do dia

Sábado, 22 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"Mercadante atende a Lula e desiste de saída ‘irrevogável’"

Um dia após prometer renunciar, líder do PT no Senado decide ficar no cargo depois de reunião com o presidente

Um dia depois de afirmar que sua saída da liderança do PT era “irrevogável”, o senador Aloizio Mercadante (SP) anunciou da tribuna da Casa que mudara de ideia para atender a pedido irrecusável do presidente Lula. Em reunião de cinco horas no Alvorada, Mercadante combinou que Lula pediria em carta sua permanência.
A ameaça de saída ocorreu após o arquivamento de todos os processos contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), medida da qual Mercadante afirmava discordar. Lula pressionou pelo arquivamento.
A manutenção do senador no cargo dá alívio ao governo, evitando o desgaste da escolha de um sucessor.
Na avaliação de integrantes da bancada, o senador petista sai do episódio desgastado e sem autoridade.
Num discurso de 23 minutos lido para cinco colegas, só um petista, Mercadante reconheceu seu isolamento e disse ter “perdido as condições de interlocução política” no Senado, sobretudo com Sarney.

O Globo
"Mercadante não consegue dizer ‘não’ para Lula e fica"

Constrangido, senador pede desculpas após recuar da ‘renúncia irrevogável’

Depois de anunciar na véspera que renunciaria “em caráter irrevogável” à liderança do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP) voltou atrás ontem e ficou no cargo, mesmo depois de ter sido desautorizado na votação sobre o presidente do Senado, José Sarney. Com ar abatido e envergonhado, ele subiu à tribuna e leu a carta que convenceu o presidente Lula a lhe enviar, afirmando que o considera “imprescindível” na liderança. “Mais uma vez, na minha vida, o presidente Lula me deixa numa situação em que não tenho como dizer não”, disse Mercadante a um plenário quase vazio. Imediatamente, o senador petista virou alvo de chacota no Twitter, ferramenta da internet que tinha usado para anunciar sua “renúncia irrevogável”. Colegas do senador puseram em dúvida suas condições de continuar liderando a bancada do PT.

O Estado de São Paulo
"Mercadante atende a Lula e desiste de saída ‘irrevogável’"

Um dia após prometer renunciar, líder do PT no Senado decide ficar no cargo depois de reunião com o presidente

Um dia depois de afirmar que sua saída da liderança do PT era “irrevogável”, o senador Aloizio Mercadante (SP) anunciou da tribuna da Casa que mudara de ideia para atender a pedido irrecusável do presidente Lula. Em reunião de cinco horas no Alvorada, Mercadante combinou que Lula pediria em carta sua permanência.
A ameaça de saída ocorreu após o arquivamento de todos os processos contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), medida da qual Mercadante afirmava discordar. Lula pressionou pelo arquivamento.
A manutenção do senador no cargo dá alívio ao governo, evitando o desgaste da escolha de um sucessor.
Na avaliação de integrantes da bancada, o senador petista sai do episódio desgastado e sem autoridade.
Num discurso de 23 minutos lido para cinco colegas, só um petista, Mercadante reconheceu seu isolamento e disse ter “perdido as condições de interlocução política” no Senado, sobretudo com Sarney.

Jornal do Brasil
"Desmatamento usa o trabalho escravo"
Estudo da Organização Mundial do Trabalho (OIT) mostra que, apesar dos avanços feitos pelo governo brasileiro nos últimos anos, a mão de obra escrava continua sendo usada no Brasil para desmatar a Amazônia, preparar a terra para criação de gado e em atividades ligadas à agricultura. O trabalho escravo se encontra, principalmente, em zonas de desmatamento da Amazônia e áreas rurais com índices altos de violência e conflitos lidados à terra. A análise da OIT faz parte de um livro que apresenta uma série de estudos de caso sobre formas de escravidão modernas na América Latina, Ásia, África e Europa. O caso mais grave apontado pela organização está no Pará, onde se registrou metade das operações do governo. Mas os problemas se estendem na faixa que vai de Rondônia ao Maranhão. O estudo confirma alerta de organizações não governamentais.

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sexta-feira, agosto 21, 2009

Perguntas

Onde está a oposição?

Engº Guaracy Fontes Monteiro Filho
Vejo com forte tristeza a nossa querida Ubatuba, envolvida em um íncrivel embrólio político , alertado por poucos, mais sem ganhar a devida atenção que tais fatos merecem. Candidatos que só aparecem na hora do voto e que hoje se acovardam diante do poder. Talvez temam a famigerada página dois, alimentada por subjetivos ataques, que insiste em alimentar-se de observações sobre derrotas, esquecendo a grande lição deixada por Abrahan Lincoln em suas seguidas falências e derrotas e, mesmo assim, tornando-se um dos maiores presidentes que a América viu.

Talvez temam o desgaste, ou simplesmente são meros oportunistas de plantão, prontos para o ataque no momento que os convêm, porém, isso não é política, política séria é acompanhar todos os momentos da cidade, fiscalizar, ajudar trazer recursos e criticar construtivamente ações que visam interesses próprios.

Agora pergunto? Cadê a oposição de Ubatuba? Por que se cala? A cidade está andando para trás, enquanto grande parte dos municípios do nosso Estado já conta com 100% de água tratada e 100% de esgoto em domicílios, Ubatuba, uma estância turistica de primeira grandeza, amarga vergonhoso índice de saneamento básico, sem falar no lixo e na poluição dos nossos rios.

Andar pela periferia de nossa cidade é algo pavoroso, ruas esburacadas há anos, praças abandonadas, lama, sustentabilidade zero e um alarmante quadro na educação, com as piores notas da região.

Sinto que a população parece conformada ou não conhece o progresso que o Estado de São Paulo ganhou nos últimos anos. Faço outra pergunta, cadê os deputados que tomaram votos em Ubatuba? O que beneficiaram nossa Cidade? Esconderam-se até agora, mas por certo estarão de volta no próximo ano, pedindo votos e prometendo sonhos. Quanto à Sáude, deixo a resposta aos nossos vereadores.

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Deu na Folha

Redoma para Dilma

Da coluna Painel:
Embora Dilma Rousseff tenha se envolvido por inteiro na operação salva Sarney, até o ponto de participar da derradeira reunião em que os senadores do PT foram enquadrados para votar a favor do presidente do Senado no Conselho de Ética, a ordem agora é retirar a ministra da linha de tiro, tanto neste caso quanto no embate com a ex-secretária da Receita Lina Vieira.
Além da preocupação com a pecha de "mentirosa" que a oposição procura carimbar na candidata de Lula, voltou a ganhar corpo no governo o argumento de que é muita coisa acumular gestão, tratamento de saúde e embate eleitoral. Será criado um grupo, com a participação do ex-ministro José Dirceu, para tomar a frente nas respostas aos ataques a Dilma.


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Sexta-feira

Panorama visto da ponte

Sidney Borges
Dos fatos podemos tirar conclusões, mas é arriscado fazer previsões. Eu não ouso. Quem poderia imaginar um dia o eixo Lula, Sarney, Collor? Nem o mais criativo dos ficcionistas pensou nessa possibilidade.

Desde o início do segundo mandato tenho batido na mesma tecla, o partido de Lula é o PMDB. O PT foi útil até a chegada ao poder, depois surgiu o inevitável confronto entre o possível e a utopia.

O PT sempre esteve à sombra de Lula, não formou e não tem quadros populares, gente boa de voto. Os escândalos da lavra José Dirceu minaram a credibilidade do partido. Antes o PT era visto como campeão da ética, hoje é apenas mais um, com toda a carga negativa embutida na constatação. Lula, o símbolo máximo do PT, foi preservado, passou ao largo da turbulência. Sem saber de nada ficou como o virtuoso traído.

Imaginemos "Nosso Guia" mudando de sigla. O que resta? Dirceu? Está morto politicamente. Genoino? Mercadante? Berzoini? Tarso Genro? Nunca passarão de deputados, a militância continua com poder de voto, mas não o suficiente para cargos executivos.

A sucessão se aproxima, Lula tem imensa popularidade e certamente vai transferir parte dela para o projeto de continuidade, digo Dilma Roussef.

A militância lulista quer que a eleição se transforme em plebiscito. Lula contra o PSDB. A entrada de Marina no páreo coloca um pouco de areia na engrenagem.

A preservação de Sarney a qualquer custo com a finalidade de garantir apoio do PMDB terá um preço. Mais areia na engrenagem.

A aproximação com Collor também.

Resta saber se na caixa de popularidade há titularidade para cobrir o investimento.

O termo "titularidade" é uma homenagem à ex-ministra Zélia Cardoso de Mello e ao brilhante ex-presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, homem de "critérias".

Nos tempos difíceis dessa dupla dinâmica, gente de confiança de Collor, Lula era uma fera. Sempre bravo com os picaretas.

Hoje os fatos são incontestáveis. Lula não precisa mais do PT. O PT não existe sem Lula.

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Coluna do Celsinho

Panorâmica

Celso de Almeida Jr.
Lá do alto, Deus deve se divertir bastante.
São muitas as trapalhadas de seus filhos queridos.
Como Pai extremado, talvez se espante com a criatividade da prole.
Certamente, se quisesse, mandaria os seus anjos puxarem as nossas orelhas.
Mas creio que não lance mão deste expediente.
É muito mais interessante para os querubins gastarem o tempo invadindo a troposfera, brincando nas nuvens, flechando corações.
E que vista maravilhosa...
Imagine - de cima - olhar para Ubatuba, Parati, Angra...
O Corcovado, o Cuscuzeiro, o Frade...O mar...
Não sei se mira no rodapé.
Talvez veja-nos como vemos as formiguinhas.
Sem maior envolvimento.
A não ser que seja um Mario Autuori.
Apaixonado pela rotina do formigueiro.
Será?
Sei não...
Atrevo-me a apostar que Ele é fã do Erasmo e do Roberto.
Os dois desejaram publicamente que uma mulher amorosa os aquecesse no inverno...E que tudo o mais...vá pro inferno!
Creio num Deus bem humorado.
Que dê gargalhadas com a nossa prepotência.
Com o nosso egoísmo.
Com a nossa mania de colecionar figurinhas, roupinhas, moedinhas.
Não sei se um dia irei encontrá-lo.
Não me sinto merecedor de sua atenção.
Também não almejo o extremo oposto.
Deve ser muito quente.
O meio do caminho deve ser o ideal.
Sem muita proximidade com quem manda.
Sem chamar a atenção.
Repousar sereno, por séculos e séculos.
Amém.

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Opinião

O quadro social na crise global

Washington Novaes
Em artigos anteriores, comentou-se neste espaço a gravidade do quadro no País em várias áreas - institucional, urbana, fiscal, do clima (e da energia), ambiental, entre várias outras. É preciso acrescentar a área da renda, do trabalho (ou da falta dele) e das desigualdades sociais - apesar de alguns progressos -, assim como a da violência, que tem ligações estreitas com aquela.


Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a desigualdade social no País diminuiu 4,1% (índice Gini) no primeiro semestre deste ano (5/8). E 316 mil pessoas saíram da "condição de pobreza" entre agosto do ano passado e março deste ano nas seis maiores regiões metropolitanas. Ao que parece, entretanto, a redução de empregos e de rendimentos nos níveis mais altos teve forte influência nesse resultado (a taxa de desemprego aumentou 18,5% nas faixas de menor rendimento e 24,8% nas de maior poder aquisitivo), assim como a ampliação do Bolsa-Família. Além disso, o rendimento médio dos trabalhadores caiu cerca de 3% no primeiro semestre de 2009 (Ipea, 12/8), principalmente entre pessoas com ensino médio completo (57% da população ocupada).

De qualquer forma, a participação dos salários no total da renda nacional (menos de 40%) continua muito longe dos patamares da década de 60 (cerca de 60%) ou 80 (50%). Também é preciso considerar que, segundo aquele órgão, a taxa de pobreza continua a incluir 31,1% da população (14,5 milhões de pessoas só naquelas seis regiões), ainda que tenha baixado 6,1% em dois anos. É escandaloso, ainda mais porque o Brasil tem uma das maiores taxas de concentração da renda no mundo, segundo estudos da ONU.

Se se traduzir essa taxa da pobreza para o País todo, vai-se chegar a mais de 60 milhões de pessoas, embora seja certo que parte delas esteja no âmbito do Bolsa-Família, que já tem 53 milhões de beneficiários. Afirma o presidente do Ipea (Estado, 20/6) que hoje 35% da população está protegida por "garantias de renda que não dependem mais do mercado de trabalho", e sim da Previdência Social e do Bolsa-Família. São pessoas que se beneficiam até de aumentos de renda superiores ao do salário mínimo.

Como a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas continua pouco abaixo de 9% (entre as pessoas que procuram trabalho), trabalhadores com mais de 55 anos de idade continuam a ser os mais atingidos pelo desemprego. Mas a eliminação de postos de trabalho assalariado, formais e informais, é mais intensa na faixa até 39 anos de idade. E a situação é gravíssima para jovens de 18 a 24 anos, dos quais 18,9% não encontram trabalho (a média entre homens de todas as idades é de 7,3% e entre mulheres, de 10,7%). Isso certamente tem reflexos muito fortes na área da violência, como mostrou recentemente o Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Estado, 22/7): até 2012 nada menos que 33,4 mil jovens entre 17 e 19 anos serão assassinados nas 267 cidades com mais de 100 mil habitantes. Serão 13 por dia. E quase metade das mortes de jovens no País é por homicídios.

Também por outros ângulos a situação não é rósea: 9,1 milhões de mulheres trabalham como empregadas domésticas e seus salários são os mais baixos entre todas as categorias; no Nordeste, diz a Fundação Getúlio Vargas (Estado, 20/7) o aumento da renda não se tem traduzido em melhoria da qualidade de vida, mal basta para sobreviver; mesmo a progressão do salário mínimo (aumento de 52,3% em seis anos) ainda está longe do dobro que se anunciou como meta; e em apenas um ano tivemos 653 mil acidentes no trabalho (27,5% mais que no ano anterior), dos quais resultaram 2.708 mortes e 8.504 casos de invalidez permanente.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 21 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"Insatisfeitos podem deixar PT, diz Lula"

Presidente nega a existência de crise e afirma que o partido "continua forte, com muitas possibilidades"

O presidente Lula disse, em visita ao Vale do Açu(RN), que não vê crise no PT nem problema na saída dos senadores Marina Silva (AC) e Flávio Arns (PR). "Se a pessoa quer sair do partido, não está confortável, é direito da pessoa. Quem entra sai", declarou Lula, para quem "o PT continua forte, com muitas possibilidades".
Irritado com a decisão de Aloizio Mercadante (SP) de renunciar ao cargo de líder do PT no Senado, Lula chamou o senador para conversar- segundo um assessor, não vai "suplicar" pela permanência dele. Mercadante adiou o anúncio para hoje.
Em discurso, o presidente não comentou a crise no Senado, mas disse que denúncias fazem "muita fumaça e pouco fogo". Ele criticou a eternização de clãs nordestinos no poder, mas não citou o Maranhão, reduto político da família Sarney.

O Globo
"Marina diz que governo Lula é insensível a causas sociais"

Presidente desdenha a crise no partido e afirma que PT está forte

Um dia após deixar o PT, a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva elevou o tom das críticas ao governo Lula. "Este é um governo insensível a causas sociais", afirmou. Segundo ela, não havia mais sentido em ficar no PT para convencer o partido da importância da causa ambiental. O presidente Lula minimizou a crise e a saída de dois senadores além de Marina, o paranaense Flávio Arns deixou o partido. "O PT continua forte", disse Lula, que elogiou Marina, mas disse que Arns é "muito encrencado com o PT”. Durante Inauguração de escola, no Rio Grande do Norte, criticou a oposição: "Uma oposição que não tem argumentos é pior que doença que não tem cura”.

O Estado de São Paulo
"Sarney valida mais 45 atos e garante vaga para sobrinha"

Decisão publicada no dia em que o senador se livrou de processos também beneficia parentes de aliados

A diretoria-geral do Senado convalidou 45 atos secretos na quarta-feira, mesmo dia em que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), se livrou no Conselho de Ética de processos de cassação por quebra de decoro. Os boletins secretos asseguram os empregos de Maria do Carmo de Castro Macieira, sobrinha do senador, Nathalie Rondeau, filha do ex-ministro Silas Rondeau (afilhado político de Sarney), e Alba Leite Nunes Lima (mulher de Chiquinho Escórcio, aliado do presidente do Senado). A diretoria-geral alega que, apesar da nomeação secreta, essas pessoas têm exercido suas funções devidamente. Além desses 45, outros 34 servidores se encontram na mesma situação e aguardam decisão. Na semana passada, Sarney tinha validado 80 atos usados para conceder gratificações aos funcionários.

Jornal do Brasil
"Cerco aos fumantes se espalha pelo país"

Lei antifumo emplaca nos estados. Rio e São Paulo trocam experiências

A lei que proíbe o fumo em locais de uso coletivo, públicos e privados, sancionada pelo governador Sérgio Cabral, na última terça-feira, entra em vigor no Rio daqui a 86 dias. Mas o cerco aos fumantes já toma boa parte dos estados do país. Em São Paulo, a ideia emplacou definitivamente. Na quarta-feira, os deputados do Paraná aprovaram legislação parecida e, no mesmo dia, o prefeito da capital, Beto Richa, sancionou lei específica para a cidade. A Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou esta semana sua proposta. Em Goiânia, a restrição entra em vigor em setembro. A Assembleia Legislativa do Pará deverá votar seu projeto nos próximos dias. Já o governo do Maranhão sancionou semelhante ao do Piauí, que abre exceção para fumódromos.

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quinta-feira, agosto 20, 2009

Bananas

Democracia em concordata

Sidney Borges
A Colômbia está a um passo da ditadura, vai aprovar uma lei que permitirá ao presidente a segunda reeleição. Uribe está perto do terceiro mandato. Depois virá o quarto, na seqüência o quinto. Mais uma ditadura bananeira estará configurada no continente banananeiro. Mandatos consecutivos sem limite não combinam com democracias. Não me venham com a conversa mole da legitimidade das consultas populares. Os regimes do Leste Europeu, de antes da queda do muro, se diziam democráticos. Eram ditaduras, apesar dos arremedos de eleições que sempre aconteciam. Uribe é diferente de Chávez, aceita o capitalismo patrimonialista como legítimo. Chávez se diz socialista bolivariano e quer mudar o modo de produção da economia venezuelana. É uma empreitada e tanto. Vai consumir muito dinheiro. Oxalá não descambe em violência, regimes experimentais dificilmente escapam de tormentas. Uribe e Chávez são farinha do mesmo saco em extremos opostos. Vejo muitos defeitos no modo de produção capitalista, mas não escolheria um país socialista para viver. No entanto, se estivesse num bar tomando cerveja convidaria Chávez para sentar-se ao meu lado. Uribe não, me dá medo. Chávez é um bufão. Rir é melhor do que sentir medo...

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Vida urbana

Fui assaltado

Julio Daio Borges (original aqui)
* Foi numa terça-feira à noite. Saí do escritório antes das 20 horas e lembro de ter visto uns vídeos no YouTube. Coloquei, no carro, a mesma música cuja performance vira no escritório e segui, como fazia há quase três anos, pela avenida Giovanni Gronchi. Mais ou menos na altura da favela Paraisópolis, estava parado na pista da direita, perto da calçada, quando ouço alguém batendo freneticamente na janela do passageiro. Desliguei o som e abri o vidro – porque, pelo barulho, imaginei que fosse alguém, realmente, precisando de ajuda. Não era; era um assaltante. Lembro que ele estava com um blusão vermelho, do tipo com gorro e bolsos na frente. Entendi tudo quando me apontou um revólver. Mesmo sem conseguir ver inteiro (estava escuro), tinha certeza de que era um cano preto, com um orifício na ponta, e que mirava na minha direção...


* Minha primeira reação foi a clássica “mãos ao alto”. Minha primeira reação, portanto, foi imediatamente me render e sinalizar que não estava disposto a “reagir”. Numa fração de segundo, lembrei de todos os filmes, e seriados, que havia assistido, onde um movimento brusco pode indicar – no ponto de vista do agressor – a tentativa de alcançar uma arma. O problema é que o assaltante tinha pressa e começou a gritar que eu deveria “passar tudo”, “passar logo”. Falou como se eu tivesse alguma “prática” em assaltos (como ele, provavelmente, tinha em assaltar). Pelas suas contas, estava “demorando demais”... Nessa hora, já havia outro assaltante, agora do meu lado, mas não tive tempo de olhar na sua cara, nem sequer de abrir o vidro – estava absolutamente concentrado no revólver, que continuava apontado para mim, do lado do passageiro...

*Minha próxima reação foi perguntar o que eles queriam, mas o sujeito à minha direita estava tão sôfrego – possivelmente sob o efeito de narcóticos – que só conseguia berrar que, se eu não passasse logo, iria me dar “um tiro na cara”. Eu só quis perguntar se eles queriam o meu carro, porque, se quisessem, eu sairia na hora e entregaria tudo – a fim de que desaparecessem; e eu nunca mais tivesse de voltar lá... Permaneci calmo, no entanto, e entreguei o que estava mais à mão: minha carteira. “O que mais?”, ainda tive tempo de perguntar. “O celular!”, uivaram. Alcancei o aparelho e enfiei, igualmente, pela fresta do vidro da janela do passageiro. Nesse momento, possivelmente o farol da avenida abriu, os carros começaram a andar, e eles saíram correndo pela noite adentro.

* Tinha durado quanto? Um minuto? Eu tentei acelerar porque não queria que voltassem. Aí, sim, poderiam querer o carro ou, pior, poderiam querer me levar... Tive vontade de decolar num foguete, mas um Audi, à minha frente, atravancava o trânsito, enquanto outro carro, encostado ao lado, sinalizava para o motorista do Audi, que parecia momentaneamente incapacitado para guiar... Buzinei, como nunca buzino, e então liberaram a minha passagem. Era como se dissesse: “Vamos embora, porque esta avenida está cheia de assaltantes” – “e eles podem querer nos pegar...!”. Só depois me ocorreu que o motorista do Audi podia ter sido assaltado também, afinal estava na mesma pista que eu. O que explicaria, inclusive, o meu assalto, já que o meu carro é considerado low-profile (nunca passaria por “visado”)... Uma tentativa de reconstituição: os assaltantes partiram em direção ao Audi, mas não devem ter se contentado, e continuaram assaltando, na sequência, até me encontrar...

* Eu nunca tinha sido assaltado antes. Eu era daqueles que se gabava por nunca ter sido assaltado em São Paulo. Como se fosse uma questão de escolha... Eu tinha uma relação de intimidade com a cidade e, olhando agora em retrospecto, percebo que me aventurei desde os primeiros shows, na adolescência, no extinto Projeto SP (Barra Funda), até os últimos concertos, no ano passado, na Sala São Paulo (Estação Júlio Prestes – cujo estacionamento, por um desses contrastes do Brasil, desemboca na “cracolândia”). Fora isso, estudei na USP, morei perto do Jockey Club e trabalhei na avenida Paulista. Pego, às vezes, a marginal Pinheiros e pegava, sempre, a Giovanni Gronchi. Que eu tenha passado mais de 30 anos nesta cidade, sem ser assaltado, é que é o milagre...

* Não tive medo de morrer como não tenho medo de morrer agora. Tenho a sorte de fazer o que gosto e de poder me dedicar às pessoas que amo. Tenho, portanto, a consciência tranquila, no sentido de estar fazendo o que sempre almejei. Se a minha vida estiver ameaçada – ou mesmo se passar por uma situação de risco, como essa do assalto –, não sentirei o arrependimento de quem passou pela existência vivendo uma vida que não era a sua... Essa serenidade me ajudou na hora do assalto. Reagi calmamente, embora saiba que – do mesmo jeito que não escolheram meu carro, mas me assaltaram – eu poderia, sim, levar “um tiro na cara”, se o assaltante não estivesse “num dia bom”... Ou seja, depois do assalto, não tive aquele surto filosófico de pensar sobre “a vida e a morte”, o significado das coisas etc. – mas me incomodou a aleatoriedade do fato, a fragilidade da situação e, a partir de agora, a insegurança da nossa sociedade...

* Eu era daqueles que considerava o debate sobre “violência” um exagero (típico da classe média). Uma discussão beirando a histeria, alimentada por capas sequênciais de Veja e manchetes sensacionalistas de jornais flertando com as classes C e D. Hoje, acho que a violência é, sim, uma questão relevante; não como a Veja acha, nem como os jornalecos de banca – na realidade, como um princípio irredutível: desde as lutas de gladiadores romanos até os genocídios do último século, passando pelos tiroteios do velho oeste (talvez a “pulsão de morte” que queria Freud)... Não sou ingênuo a ponto de pensar que vamos parar de brigar pelo que acreditamos – até porque a vida adulta é uma luta (como na frase de Disraeli). Agora: uma coisa é jogar o jogo (do capitalismo, digamos); outra, bem diferente, é retroceder a um estado de barbárie, ameaçando, pela violência, séculos de civilização. Os sujeitos que me assaltaram não eram de nenhuma raça específica – não sou racista, nem preconceituoso –, mas não consigo acreditar que eles concebam a vida humana como eu a concebo.

* Não sei qual é a solução; e esse é o grande dilema. No Morumbi – tomo como exemplo o bairro onde, praticamente, trabalho e resido –, estamos cercados de favelas. Obviamente não acho que todos os favelados são criminosos – até porque convivo com alguns deles –, mas o fato é que as grandes cidades brasileiras estão se convertendo em potenciais zonas de conflito. Comentei com a Carol, sem nenhum desdém (até com resignação): “Estamos no território deles”. A avenida Giovanni Gronchi, aquela em que fui assaltado, divide geograficamente duas grandes favelas. O farol, onde fui abordado, é exatamente onde essa “divisão” fica mais patente. Conclusão: asfaltamos uma avenida, que, hoje, passa no meio do território deles... – então por que nos surpreendemos se, de repente, eles decidem nos “pedagiar”?

* Eu deveria ter concluído que aquele cruzamento era perigoso. Quantas vezes não passei por ali, mesmo durante o dia, e avistei carros de polícia, estacionados de um dos dois lados da avenida? Quando fui assaltado, me lembro bem, não havia polícia. Os policiais, evidentemente, sabem que assaltos ocorrem naquela altura da Giovanni Gronchi. E, possivelmente, tentam estar presentes (vamos lhes dar um voto de confiança), para inibir a ação dos assaltantes. Mas o que podem meia dúzia de policiais, ainda que armados, contra um morro inteiro – dois morros inteiros, um de cada lado – se os bárbaros resolverem, um dia, partir para o confronto?

* Muita gente vai dizer que estou sendo injusto, e que afirmar tudo isso é um exagero de minha parte (ainda mais estando sob o efeito do trauma etc.). Mas vale dizer que não fui assaltado ontem, nem na semana passada, nem, muito menos, há duas semanas... Resolvi esperar; e escrevo, agora, com serenidade. Não estou conclamando ninguém a tomar nenhuma atitude específica (muito menos pegar em armas). Nem estou me candidatando a nenhum cargo público. (Apesar de me sentir tentado a sugerir mais controle de natalidade e de deixar claro que não acredito na eficácia da pena de morte – como instrumento de dissuasão...) Enfim, já fico feliz se você pensar a respeito do assunto (assalto, violência, sociedade). Porque, se foi assaltado, vai entender perfeitamente o que estou falando; e, se não foi, espero que não tenha de passar pela mesma experiência para concordar... Tento, a todo custo, fugir dos clichês, mas um deles me parece inescapável: temos de encarar alguns problemas, sérios, que temos hoje; porque, se não nos ocuparmos em tentar resolvê-los, vamos arriscar, diariamente, tudo o que construímos, para morrer inutilmente...
Julio Daio Borges

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Grandes questões da criação...


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Crise

Mercadante deixou petistas desamparados, diz delcídio

Do Estadão Online
O senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou que o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), deixou a bancada “desamparada” no Conselho de Ética ao contrariar a orientação do presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), para que os petistas votassem pelo arquivamento das ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


“Um exército forte é feito de um líder forte. Nós nos sentimos desamparados hoje”, disse Delcídio. Na avaliação de Mercadante, que não é integrante do conselho, arquivar as denúncias e representações contra o presidente do Senado não seria a melhor maneira de tentar solucionar a crise política no Senado.

Delcídio contou que foi combinado, em reunião do PT, que a nota de Ricardo Berzoini seria lida por Mercadante, para anunciar ao Conselho de Ética “uma posição da bancada” em relação às ações envolvendo o presidente do Senado. Em cima da hora, porém, Mercadante desistiu de ler a orientação do diretório nacional e pediu que o senador João Pedro (PT-AM) anunciasse a nota em seu lugar.

“Fiquei constrangido em votar pelo arquivamento das ações”, confessou o senador, “mas sou um homem de partido. Ser governo não é só ficar no bem-bom, tem que mastigar o osso”, afirmou Delcídio. Foram arquivadas hoje 11 ações movidas pela oposição contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e uma representação do PMDB contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

Nota do Editor - A opinião pública tolera desaforos calada. Mas há limites, quem está no alto não tem como subir, deve ter cuidado com a queda. Lula, que está no auge da popularidade, tem um projeto em mente: eleger Dilma e voltar em 2014. No entanto há o fator Sarney. Fico me perguntando se os votos que Lula pode transferir não serão absorvidos pela rejeição ao donatário do Maranhão. Não foi só o senador Delcídio que ficou constrangido com Mercadante. Mercadante também ficou. (Sidney Borges)

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Contando Patos

Foto: Reuters

Lá e cá. Vida de pato

Sidney Borges
Fazendeiro conta seus patos em Thach Bich, perto de Hanói, no Vietnã, nesta quinta-feira. A Notícia saiu na Veja (aqui). Depois do vexame de ontem podemos fazer uma analogia com o Brasil. O Contador de PaTos ri da cara dos brasileiros enquanto impõe a sua vontade. Somos todos patos, ou há marrecos infiltrados?

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Direto do Planalto Central


Charge: Angeli, publicada na Folha de S. Paulo

Dia histórico: Lula NÃO abriu o blog

Do Blog do Tas (original aqui)
Ontem foi um dia histórico: o PT abraçou, definitivamente, Sarney- simbolo máximo do coronelismo e atraso político brasileiros; Marina Silva, 30 anos de PT, deixou o partido e, last but not least, o tão anunciado blog de Lula não estreeou. Este último fato parece pequeno diante dos outros? Não é.

Abrir um blog, pensar que o eleitor é idiota são faces da mesma moeda. Os políticos (permitam-me generalizar para não ficar só batendo nos petistas, antigos guardiões da ética, pobres diabos...) pensam mesmo que a gente é besta.

Imagine o que vai acontecer após o primeiro post de Lula, o presidente que, diante da imprensa, se calou como nunca na história dessa país? Imagino que ele não imagine a quantidade de coisas que os internautas querem falar para ele. Abre o blog, "cumpanhero", queremos te falar umas coisinhas.


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Opinião

O grito não mudou a verdade

Editorial do Estadão
O governo se agarrou a um fio de palha para tentar encobrir a mentira da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao negar que tivesse chamado a seu gabinete a então secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, para determinar que agilizasse a devassa na contabilidade de Fernando Sarney, o filho mais velho do presidente do Senado que toca os negócios do clã. O fio de palha foi a passagem do depoimento de Lina Maria no Senado, em que ela disse não ter se sentido pressionada pela ministra. "Se não houve pressão", alardeou o líder do governo na Casa, Romero Jucá, "não havia problema." Foi secundado pelo líder peemedebista Renan Calheiros: "Se houve ou não o encontro, não tem mais importância central." O presidente Lula, enfim, comentou que a ex-secretária "recuou". Quiseram jogar areia nos olhos do público - e erraram o alvo.

Afinal, o que se averigua desde o início desse episódio não é o que aconteceu no encontro anunciado por Lina, mas apenas se o encontro aconteceu. Em outras palavras: quem mentiu. O que ameaça a candidatura de Dilma é a pecha de mentirosa e não o que possa ter feito para ajudar Sarney.

A rigor, desde que a funcionária confirmou à Folha de S.Paulo ter tido um encontro reservado com Dilma, o lulismo ficou refém da atitude da ministra de desmentir taxativamente o episódio. "A reunião privada, a que ela se refere, eu não tive", assegurou. É possível que Dilma tenha se sentido encorajada pelo fato de Lina Maria não apresentar provas objetivas do que afirmava. Ela tampouco soube precisar quando ocorreu a reunião - falou em "final de 2008". Além disso, Lina Maria alegou estar sem a agenda em que a sua ida ao Planalto poderia ter sido anotada.

A tal ponto o governo se empenhou em bancar a desqualificação da funcionária da Receita que o próprio Lula não resistiu a dar uma temerária contribuição. "Qual a razão que essa secretária tinha para dizer que conversou com a Dilma e não mostrar a agenda?", perguntou numa entrevista. "Só tem um jeito: abrir a mala em que ela levou a agenda e mostrar a agenda para todo mundo." Até amigos do presidente notaram que ele se expôs desnecessariamente. Ao mesmo tempo, alegando razões de segurança, o Planalto se recusou a liberar as fitas que registram as visitas ao palácio e que poderiam corroborar ou calar a versão de Lina Vieira. Por último, não tendo conseguido impedir que a oposição a convidasse a depor, os lulistas recorreram à costumeira truculência para intimidá-la, insinuando que teria cometido crime de prevaricação (por não ter denunciado, como servidora pública, o ato da ministra).

Foi nesse clima que ela admitiu ter feito uma "interpretação errada" da demanda de Dilma - não seria necessariamente para "encerrar" a investigação, mas para lhe dar "celeridade". Mas - e é isso que o governo tentou toscamente abafar - a ex-secretária descreveu com profusão de detalhes a sua ida ao Planalto, identificando o motorista que a transportou e reconstituindo o diálogo com a ministra - "ela foi cirúrgica", avaliou. De volta à Receita, tendo sido informada de que "tudo estava em ordem" com a devassa, deixou o assunto de lado. Mostrou-se segura de si ao assinalar que "não mudo a verdade no grito" e, numa resposta ao presidente, que "não preciso de agenda para dizer a verdade". Principalmente, acusou Dilma de ter-lhe feito um pedido "incabível". Foi "uma ingerência desnecessária e descabida", repetiu. Só mesmo o desdém de Lula pelos fatos que o incomodam para considerar isso um recuo.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 20 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"PT obedece a Lula e salva Sarney"

Petistas votam para arquivar todos os processos contra o presidente do Senado no Conselho de Ética

Após determinação direta do presidente Lula, senadores petistas deram os votos necessários para que fossem arquivados no Conselho de Ética todos os processos contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
Com apoio dos três petistas - Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS) e João Pedro (AM)-, as 11 ações movidas contra Sarney foram enterradas pelo placar de 9 a 6 em duas votações. Visivelmente constrangidos, muitos senadores optaram por votar fora do microfone.
Em seguida, foi arquivado o processo contra o líder do PSDB, Arthur Virgilio (AM).
A votação petista expôs um racha da legenda no Senado. O senador Flávio Arns (PR) afirmou que a sigla "jogou a ética no lixo". "Tenho vergonha de estar no PT."
Em nota, Ricardo Berzoini, presidente do partido, disse que o Conselho de Ética não era isento para julgar Sarney e Virgílio e que as ações pretendiam minar a base governista.

O Globo
"Absolvição de Sarney e saída de Marina estremecem o PT"

Por ordem do Planalto, petistas ajudam a arquivar investigações no Senado

No mesmo dia em que ajudou a enterrar as investigações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o PT sofreu uma baixa importante para 2010: a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, deixou o partido. Marina alegou insatisfação com a política ambiental do PT e do governo e estuda disputar a Presidência da República pelo PV. No Conselho de Ética do Senado, por ordem do Planalto, os petistas Ideli Salvatti, Delcídio Amaral e João Pedro declararam, em voz quase inaudível, o "não" que ajudou a salvar o aliado Sarney. A votação terminou 9 a 6 e desautorizou o líder petista, Aloizio Mercadante, que se recusou a ler a carta do presidente do PT, Ricardo Berzoini, orientando o voto pró-Sarney. Em protesto, o senador Flávio Arns (PR) anunciou que deixará o partido: "O PT jogou a ética no lixo, eu me envergonho de estar hoje no PT." As saídas de Marina, evangélica, e de Arns, ligado à Igreja Católica, representam também um baque no eleitorado petista religioso.

O Estado de São Paulo
"PT ajuda a engavetar caso Sarney e entra em crise"

Senado arquiva denúncias, e petista diz que partido 'jogou a ética no lixo'

Com os votos dos três integrantes petistas, o Conselho de Ética arquivou ontem as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o tucano Arthur Virgílio (AM). A decisão, que integrou o “acordão" selado entre líderes governistas e a oposição, abriu uma crise sem precedentes na bancada petista. Flávio Arns (SC) anunciou que vai deixar o partido, horas depois da saída de Marina Silva (AC), que deve ir para o PV disputar a Presidência. "O PT jogou a ética no lixo e vai ter de achar outra bandeira", discursou Arns. A posição do PT, submissa à orientação do Planalto, que mandou votar a favor de Sarney para preservar a aliança com o PMDB para 2010, foi o destaque da sessão do conselho. O líder petista, Aloizio Mercadante (SP), queria reabrir pelo menos uma denúncia, mas não teve sucesso - Renan Calheiros (PMDB-AL) havia dito ao presidente Lula que não aceitaria “jogo para a plateia" e queria todos os votos do PT. Ontem, Renan defendeu a "parceria" em nome da “defesa da governabilidade".

Jornal do Brasil
"Economia global já está de volta à estabilização"

Instituições identificam recuperação internacional

Depois da turbulência, a calmaria. É o que informam dados, pesquisas e projeções sobre a recuperação da crise financeira global. Para o Fundo Monetário Internacional, a recuperação já começou. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a economia dos países que a integram se estabilizou no segundo trimestre. E a fundação Getúlio Vargas e o instituto Ifo registram que a América Latina tem posição de destaque na retomada - na região, o Brasil só perde em desempenho para o Peru.

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quarta-feira, agosto 19, 2009


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Humanos

Dinheiro fácil

Sidney Borges
Ninguém sabe de onde vieram. Elegantes, bem falantes e ricos. O anúncio de página inteira nos principais jornais convidava para uma palestra no elegante Clube Pinheiros, em São Paulo. Tema: ganhe dinheiro sem sair de casa. Compareceram mais de 4000 pessoas.

A fórmula da riqueza era simples, os palestrantes vendiam insumos para a indústria francesa de cosméticos. Produto de alto valor agregado. Quem estivesse interessado teria de comprar um kit e, seguindo as instruções com rigor, produzir a matéria prima que teria recompra garantida.

Para dirimir dúvidas e convencer desconfiados, os palestrantes disseram que os lucros nesse tipo de negócio eram compensadores. A empresa ao terceirizar o trabalho manual não tinha problemas com mão de obra e instalações, podendo remunerar os "sócios" de forma generosa.

Cada kit custava 100 reais. O processamento era simples, bastava adicionar água e transformar um farináceo amarelado em bolinhas. Depois de 12 horas de cura as bolinhas ficavam rígidas e eram recompradas por 120 reais. Negócio da China. Vinte por cento em 12 horas.

Um inconveniente, as bolinhas tinham cheiro de queijo. Muito forte, de longe lembravam meus tênis depois das caminhadas.

Dos mais de 4000 que participaram da primeira reunião apenas uma centena comprou o kit. No outro dia verificaram que a proposta era séria. Compraram por 100, gastaram alguns minutos e venderam por 120. Waal! Ganhar 20% livres de impostos é o desejo secreto de qualquer negociante.

Quem comprou o primeiro kit gostou da bincadeira. Levou 2 na segunda visita, quatro na terceira e 100 na quarta. A fortuna finalmente batera à porta. Urrah!

O acordo foi rigidamente cumprido durante meses. Dentro do maior sigilo para não atrair a atenção do Imposto de Renda. Algumas pessoas venderam casas para aplicar na indústria milagrosa, outros alugaram galpões e contrataram trabalhadores para fazer bolinhas. A produção crescia. O dinheiro jorrava, a imaginação viajava.

Que venham os carrões, as louras, as roupas da Daslu, o Romanée-Conti dos petistas de sucesso...

Quando os valores se tornaram altos, digo muito altos, ou melhor, altíssimos, o que não foi percebido pelos "novos ricos", os compradores sumiram.

Houve quem ficasse com milhões de reais aplicados em bolinhas malcheirosas.

Se amanhã os golpistas voltarem terão sucesso. Dizem por aí que o infinito não existe. Quem afirma isso certamente não levou em conta a estupidez humana.

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O MDA informa:

Merenda escolar e agricultura familiar

Amigos: recebi essa mensagem da assessoria do deputado Carlinhos de Almeida. Reparem no anexo, que pela nova legislação, a administração municipal pode comprar, do total repassado pela União para a merenda, até 30% diretamente de agricultores familiares. Pelo limite de 9.000/ano por cada agricultor familiar, abre-se a possibilidade de termos 33 agricultores familiares produzindo especificamente para a merenda escolar de Ubatuba. Alimentos que podem ser orgânicos, peixes, etc... Agora, precisamos de vontade política da administração municipal e de pressão dos setores envolvidos para que se possa atingir essa meta. E ainda pode-se acrescentar até 30% do valor gasto também pelo município e pelo estado. Ou seja, 33 agricultores familiares produzindo para a merenda é o mínimo que podemos ter.

Forte abraço,

Maurício Moromizato


Página eletrônica facilita a compra de produtos da agricultura familiar

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) criou uma página na internet que auxilia agricultores, gestores públicos e nutricionistas na compra da merenda escolar. O ministério é parceiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) na implementação da regra que determina a compra de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar. A página eletrônica tem informações sobre a nova lei, dados da agricultura familiar e da alimentação escolar em todo o país, como se faz para adquirir os produtos familiares sem necessidade de licitação, entre outros dados.

O gestor público encontra no sítio todos os procedimentos para fazer a compra. Informações sobre a publicação de chamada pública com a demanda dos alimentos necessários à merenda escolar local, a definição de preços de referência, o que precisa constar no contrato de aquisição e a forma correta de receber os alimentos.

Para os agricultores, a página traz informações importantes, como a documentação necessária para se habilitar ao processo de aquisição e um modelo do projeto de venda para a merenda escolar.

A página também informa ao nutricionista sobre os produtos da agricultura familiar disponíveis em cada localidade, como adequar os cardápios a esses alimentos e fornecer a demanda necessária de cada produto ao gestor responsável pela aquisição. Cabe a eles a coordenação técnica do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) em cada município.

Inovação – Promulgada em junho deste ano, a Lei n٥ 11.947/2009 determina as novas regras da merenda escolar. Entre as novidades, está a compra da agricultura familiar. A norma dita que 30% dos recursos repassados pelo governo federal para o programa devem ser usados na aquisição desses produtos. Com isso, R$ 600 milhões por ano devem reforçar a renda desses trabalhadores. Segundo cálculos do FNDE, a iniciativa deve beneficiar, inicialmente, cerca de 70 mil pequenos agricultores. A página do MDA na internet está disponível para consultas.

Assessoria de Comunicação Social do FNDE

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E agora?

Original aqui

Frases

“Eu não mudo a verdade no grito, nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte da minha biografia”.

Lina Vieira
Ex-secretária da Receita

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Política

Serra rebate Mercadante e diz que currículo é legítimo

Da Agência Estado (original aqui)
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reagiu à acusação feita pelo senador Aloizio Mercadante (PT) de que o currículo do governador traria informações falsas. O tucano chamou o petista de mitômano, ou seja, de viciado em mentir, e disse que tem tantos títulos acadêmicos que poderia emprestá-los a Mercadante. Alvo preferido dos petistas desde que teve seu nome posto como o principal candidato tucano à Presidência em 2010, Serra evitou falar sobre as possíveis motivações do senador para atacá-lo. "Não vou fazer psicologia ou sociologia do conhecimento, porque um mitômano é um mitômano. A gente tem de pedir para analistas fazerem isso", disse após evento no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. "Eu acho que é um caso de psicanálise, não de política."


Mercadante afirmou hoje no Senado, durante audiência com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que, à exemplo da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), Serra também cometera erros em seu currículo. De acordo com Mercadante, o governador se diz formado em Engenharia e Economia sem ser graduado na área ou ter concluído um mestrado.

Serra confirmou não ter diploma de engenheiro, mas reafirmou ser doutor na área de Economia. Segundo o governador, "é um fato mais do que conhecido" ele não ter terminado a faculdade de Engenharia. "Já disse em discursos da minha frustração em não ter podido me formar engenheiro por conta do golpe (militar, em 1964)", disse o governador, que foi exilado no Chile.

"Obtive um mestrado no Chile, outro nos Estados Unidos e um doutorado nos Estados Unidos. Quem teve carreira acadêmica de verdade sabe que ninguém brinca com currículo."

Ainda nas críticas, o governador disse que Mercadante mentiu ao divulgar seu currículo na campanha eleitoral para o governo paulista em 2006. Mercadante foi derrotado por Serra no pleito. "Ele afirmou que era doutor pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e não era. Foi meu aluno na Unicamp", disse Serra. "Ele, de alguma maneira, é um precursor nessa matéria de mexer em currículos."

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Opinião

Lina e Marina, duas rimas de Catilina

José Nêumanne
Os 82% de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva são um feito notável. E inusitado. Mas não inédito. Com o mesmo olhar fixo e esgazeado com que partiu para cima do colega Pedro Simon, reagindo à simples menção de seu nome, Fernando Collor, saído de um inexpressivo governo em Alagoas, teve apoio popular para derrotar na disputa pela Presidência nomes de tradição na política nacional, como Ulysses Guimarães, comandante da resistência civil à ditadura, e Leonel Brizola, símbolo do Brasil expulso do Brasil pelos militares. E Lula, o metalúrgico, padrão do operário emergente nos poderes aquisitivo e político. Seu antecessor, José Sarney, havia fruído glória similar até afundar no opróbrio causado por uma inflação absurda. A diferença entre Lula e eles, Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, dom Pedro II e outros governantes amados, é que o atual está em pleno segundo mandato e nada há no horizonte que ameace sua lua de mel com o povo.


Será? É o que veremos. Esse apoio popular todo não garante maioria parlamentar para governar e, por isso, Lula é obrigado a beijar mãos que antes mordia, como as dos citados Sarney e Collor. E também não lhe garante imunidade ao erro. Como qualquer mortal, popular ou impopular, ele erra. Um católico, embora não muito devoto, deveria saber que só o papa é tido em sua igreja como infalível - ninguém mais. E não é só uma questão de errar. Por mais sorte que alguém desfrute - e só um insensato negaria que a fortuna o beneficia -, sempre haverá um momento em que o acaso poderá desfavorecê-lo. Quando nomeou Lina Vieira para a Secretaria da Receita Federal, ele não poderia calcular que 11 meses depois teria de demiti-la e, pior, que, demitida, aquela burocrata saída praticamente do nada poderia causar-lhe um transtorno inimaginável na tarefa que se impôs de eleger uma candidata que nunca antes disputou um mandato pelo voto e está longe de ter a capacidade de seduzir amigos e influenciar eleitores que ele próprio tem. De idêntica forma, não poderia esperar o mesmo da doce Marina Silva.

Pode ser que Lina tenha mentido ao confirmar à Folha de S.Paulo a reunião na qual a chefe da Casa Civil exigiu a "agilização" das investigações do Fisco sobre as empresas da família Sarney. Como obtemperou o ex-metalúrgico, cada vez mais fascinado pelo Direito Romano mesmo sem ter a menor noção de latim, o ônus da prova é do acusador. Mas Lina não acusou ninguém: só respondeu a uma pergunta de um repórter bem informado. Ainda assim, terá de provar à Justiça que Dilma lhe deu ordem para favorecer um acusado de práticas contábeis ilícitas (agilizar significa abandonar investigações que normalmente demandam tempo e paciência dos fiscais para as levarem a cabo). Como a ex-secretária da Receita argumentou, não se trata mesmo da palavra dela contra a da candidata ungida para suceder ao presidente bem amado. Há imagens gravadas (não há?) e testemunhos a serem colhidos em inquérito policial de rotina. O engano do presidente é de outra natureza. Hábil no trato com o eleitorado, ele de repente teve um lapso mental que o impediu de enxergar o óbvio: ou Dilma prova que não houve o encontro (complicação em que ela mesma se enrascou, pois poderia ter negado apenas a ordem) ou vai ter sérios problemas para convencer o eleitor de que dispõe das qualidades exigidas para presidir a República.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 19 / 08 / 2009

Folha de São Paulo
"Lina vê 'ingerência descabida' de Dilma e reafirma encontro"

Ex-secretária da Receita Federal detalha reunião com ministra no Planalto, mas não apresenta provas

Em depoimento de cinco horas no Senado marcado por bate-bocas entre governistas e oposição, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira reafirmou que foi chamada para um encontro reservado com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff - que nega a reunião e não comentou o depoimento.
Lina classificou como "ingerência desnecessária e descabida" o pedido que diz ter recebido de Dilma para agilizar investigação do fisco sobre a família de José Sarney. A ex-secretária não levou provas nem forneceu a data exata da audiência.
"Não mudo a verdade no grito. Nem preciso de agenda para dizer a verdade", afirmou. Lina citou duas novas testemunhas, acrescentou detalhes à descrição do encontro no Planalto e aceitou uma acareação com Dilma, sugerida pela oposição.
O Planalto não forneceu dados sobre visitas, alegando questão de segurança.
Os senadores governistas tentaram intimidar a ex-secretária, acusando-a de prevaricação, mas festejaram ao ouvir que ela não se sentiu pressionada por Dilma.

O Globo
"Ex-secretária confirma reunião e aceita acareação com Dilma"

Ministra evita solenidades públicas e não comenta depoimento de Lina

A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira reafirmou, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ter recebido da ministra Dilma Rousseff pedido para agilizar a investigação do Fisco sobre empresas de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Entendi como ingerência desnecessária e descabida", disse Lina. A ex-secretária repetiu a versão de que o pedido teria sido feito por Dilma num encontro no fim de 2008 - a oposicionistas, teria dito que foi em 19 de dezembro. A oposição quer uma acareação entre Lina e Dilma, e a ex-secretária disse que aceita. Lina não apresentou provas de que o encontro teria ocorrido e alfinetou o presidente Lula: "Não preciso de agenda para dizer a verdade." A ministra, que nega o pedido e o encontro, evitou aparições públicas - embora o Ministério das Cidades tenha informado que ela inaugurara obras do PAC com Lula no Rio. Na CPI da Petrobras, os governistas rejeitaram 68 requerimentos para convocar autoridades - inclusive Lina Vieira.

O Estado de São Paulo
"Pedido de Dilma foi 'incabível', diz Lina"
A ex -secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira reafirmou ontem, em audiência em comissão no Senado, que no final de 2008 a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) lhe pediu que “agilizasse" a fiscalização sobre Fernando Sarney, principal administrador das empresas da família Sarney. Lina disse que, embora não tenha se sentido "pressionada", considerou “incabível" o pedido. Ela não mostrou provas de que a reunião ocorreu, mas deu detalhes como o nome do motorista que a levou e o do assessor que a ajudou na pesquisa que fez sobre Fernando após o encontro. Lina se dispôs a fazer uma acareação com Dilma - a ministra nega enfaticamente a reunião e a interferência na fiscalização da Receita. Em clima de confronto, governistas acusaram a ex-secretária de prevaricação, por ter deixado de relatar a seu superior o suposto pedido de Dilma. O Planalto comemorou o depoimento. Para o presidente Lula, segundo relato de auxiliares, Lina “amarelou" ao não conseguir provar suas afirmações.

Jornal do Brasil
"Sexo em risco"

Dez milhões de brasileiros tiveram sintoma de doenças sexualmente transmissíveis

Estudo do Ministério da Saúde mostra que mais de 10 milhões de brasileiros já apresentaram algum sintoma de doenças sexualmente transmissíveis, conhecidas como DSTs. Enquanto 99% das mulheres procuraram tratamento com um médico, um em cada quatro homens recorreu a farmácias para automedieação. Segundo a pesquisa, os homens têm 31,2% mais risco de ter DSTs do que as mulheres.

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terça-feira, agosto 18, 2009

Brasil

Lula abusa de seu anjo da guarda e da popularidade?

Do blog Balaio do Kotscho:
Vamos aos fatos do dia. Ao ler esta manhã o noticiário em destaque nos jornais e na internet sobre o depoimento de Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal na CCJ do Senado, voltei a me fazer a pergunta que está no título deste post.


Na véspera, durante solenidade ao lado do presidente mexicano Felipe Calderón, no Itamaraty, ao ser interpelado por jornalistas sobre a questão Dilma-Lina, o presidente Lula não se fez de rogado e lançou um desafio à ex-funcionária:

“Qual a razão que essa secretária tinha para dizer que conversou com a Dilma e não mostrar a agenda? Só tem um jeito: abrir a mala em que ela levou a agenda e mostrar a agenda para todo mundo”.

É mais um caso de bola dividida em que Lula entrou sem precisar, dando de bandeja munição aos adversários, como já havia acontecido ao longo da novela Sarney, quando exagerou na defesa do aliado e depois teve que recuar.

Não faz sentido o presidente da República bater boca com uma funcionária de segundo escalão, ainda mais num episódio tão nebuloso, que vem sendo alimentado pela mídia com a ajuda do próprio governo dia após dia.

Bastaria responder que não iria tratar de questões de política interna ao lado de um visitante estrangeiro, como já fez em tantas outras ocasiões aqui dentro e no exterior.

Fica difícil imaginar, convenhamos, que toda esta história tenha sido simplesmente inventada por Lina Vieira em entrevista à Folha, ela que até outro dia ocupava um cargo de confiança no governo, responsável pela arrecadação dos impostos federais.

A nova crise política em que o governo se desgasta nem teria começado, se a ministra Dilma Roussef simplesmente houvesse desmentido o teor da conversa que teria mantido com Lina Vieira sobre a investigação feita pela Receita nos negócios da família Sarney.

Ficaria uma versão contra a outra numa conversa de que apenas duas pessoas teriam participado.

A própria Lina afirmou agora há pouco no começo do seu depoimento na CCJ: “Não me senti pressionada. Interpretei como um pedido para resolver o caso”.

Ora, qual o problema? Interpretar por interpretar, cada um pode interpretar o que quiser do que o outro falou numa conversa reservada. Ao negar o encontro, a ministra Dilma corre agora o risco de que mais dia, menos dia apareça alguma prova e a desminta, colocando em xeque a palavra do presidente.

“Não preciso de agenda para falar a verdade”, respondeu Lina ao desafio do presidente. Lula poderia ter passado sem essa.
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