sábado, julho 04, 2009

Herman's Hermits - No milk today

Deu na Veja

O dedo do Zé na crise

De Lauro Jardim (original aqui)
No momento mais crítico da crise pela qual passou José Sarney na semana passada, José Dirceu desembarcou em Brasília e operou nas sombras 24 horas por dia. Montou um quartel-general pró-Sarney, depois de um encontro com o senador, e ligou para Deus e o mundo, incluindo senadores, governadores, Dilma Rousseff e Gilberto Carvalho. Dirceu é grato a Sarney pelo apoio incondicional que recebeu do presidente do Senado no auge do escândalo do mensalão.


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Charge - Amarildo


Original aqui

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Demência senil

Chefe da F-1 elogia Adolf Hitler e regimes totalitários

da Folha Online da Efe, em Londres
O chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, 78, elogiou o ditador Adolf Hitler e revelou sua preferência pelos regimes totalitários em relação às democracias, em entrevista ao jornal britânico "The Times". Para ele, os políticos de hoje são fracos para conseguir comandar e as democracias "não fazem muitas coisas boas para muitos países".

O multimilionário britânico, que detém os direitos comerciais da F-1, elogiou as virtudes das lideranças consideradas "mais fortes". "Apesar de parecer terrível dizer isto, com exceção do fato de Hitler ter se deixado levar em um determinado momento e de fazer coisas que não sei se realmente queria fazer ou não, o certo é que ele estava em uma posição de mandar em muitos e conseguir com que fizessem as coisas", afirmou.

"No final ele acabou se perdendo, e portanto não foi um bom ditador, porque ou sabia o que estava acontecendo [sobre o Holocausto] e insistiu nisso ou simplesmente foi condescendente", disse o britânico. "De qualquer maneira, não agiu como um ditador."


Para ele, as democracias são um problema porque "os políticos estão preocupados demais com as eleições". Segundo Ecclestone, "há gente morrendo de fome na África e ninguém faz nada, mas, no entanto, se metem em coisas com as quais não deveriam se envolver [como a Guerra do Iraque]".

"Eliminar [o ditador] Saddam Hussein foi uma má ideia", defendeu. "Era o único que podia controlar aquele país. O mesmo acontece com os talebans. Nós invadimos países sem ter qualquer ideia de qual é sua cultura. Os americanos talvez acreditassem que a Bósnia era uma Miami."

As palavras de Ecclestone geraram protestos das organizações judaicas e de alguns políticos do Reino Unido.
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Nota do Editor - Bernie Ecclestone é rico, poderoso e vaidoso. E também é dado a filosofar sobre o que ignora. Pelas declarações sobre totalitarismo e pelos elogios a Hitler é possivel concluir que Bernie Ecclestone é um idiota. Um velho e encarquilhado idiota. Recomendo a leitura de "Hitler", de Joachim Fest. (Sidney Borges)

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The Talented Mr. Ripley - Tu Vuo' Fa l'Americano

Blogosfera

O Cordeiro do presidente

O blogueiro de Lula considera que a ‘grande mídia’ – da qual ele e Franklin Martins foram demitidos – ‘é apenas uma ferramenta para perpetuar o status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo’

Diogo Mainardi (original aqui)
Jorge Cordeiro? Isso mesmo: Jorge Cordeiro. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe o que ele faz. Mas Franklin Martins acabou de contratá-lo para comandar o blog do Lula. O blog do Planalto.


Lula declarou recentemente que, com a internet, a imprensa perdeu "o poder que tinha alguns anos atrás". E, de acordo com ele, quanto menos poder a imprensa tiver, melhor. Porque isso impede que os jornais tentem "dar um golpe de estado", manipulando os fatos. Lula, a Arianna Huffington de Caetés, acredita que só agora, com o Blogger, o Facebook e o Twitter, "este país está tendo o gosto da liberdade de informação". Segundo ele, "estamos vivendo um momento revolucionário da humanidade".

Jorge Cordeiro, o blogueiro de Lula, tem o perfil do revolucionário da internet. Depois de trabalhar por seis anos como assessor de imprensa da Odebrecht, no período em que a empreiteira se enroscou com Fernando Collor de Mello, ele se distinguiu por sua passagem em jornais como O Fluminense. Quando Marta Suplicy foi eleita, ele ganhou um cargo na área de internet da prefeitura paulistana. Em 2005, arrumou um emprego no Globo Online, sendo demitido menos de um ano depois. Ultimamente, até ser contratado por Franklin Martins, ele mantinha um blog que era lido e comentado sobretudo por ele mesmo. A internet tem esse aspecto revolucionário: o autor de um blog pode ser também o seu único leitor.

Assim como Lula, Jorge Cordeiro dispara contra a imprensa. Seu blog solitário é sua Sierra Maestra. Ele considera que a "grande mídia" – da qual ele e Franklin Martins foram demitidos – "é apenas uma ferramenta para perpetuar o status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo". VEJA, Folha, Estado, Globo: o blogueiro de Lula condena todo o "(tu)baronato" da imprensa, acusando-o de irresponsabilidade, de tendenciosidade, de forjar a roubalheira dos mensaleiros e de montar uma farsa golpista no episódio dos aloprados, a fim de evitar o triunfo histórico de "Lulaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!".

O blogueiro de Lula, como o próprio Lula, argumenta que há mais liberdade e mais pluralidade nos blogs do que na imprensa. Os elogios aos blogs cessam no momento em que eles abusam dessa liberdade e dessa pluralidade para – epa! – falar mal de Lula. Ricardo Noblat se torna automaticamente "dissimulado, prepotente, mentiroso". E Reinaldo Azevedo é ironizado por seus tumores, que o blogueiro de Lula apelida de "bolotinhas".

Eu? Eu sou um "dândi". Tenho de levar "uma bela cusparada" e, como Paulo Francis, "sucumbir a inúmeros processos". Na semana passada, renunciei espontaneamente ao meu trabalho na internet. O blogueiro de Lula comemorou minha despedida com o seguinte comentário: "U-huuuuu!!". Agora que Lula tem um blog, e que pretende trocar a imprensa por spams, sou eu que comemoro minha saída da internet: "U-huuuuu!!".

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Gino Paoli

Festival Gastronômico

Vila Gastronômica em Ubatuba será de frente para praia

Divulgação

Anunciada como a grande novidade do 5º Festival Gastronômico de Ubatuba, a Vila Gastronômica será montada na Praia Grande, uma das praias mais movimentadas da cidade.

Numa área aproximada de 1.000 m2, o espaço será estruturado de frente para a orla marinha, no canto esquerdo da praia. Durante o festival abrigará stands de parceiros, exposições, palestras sobre gastronomia, saraus gastronômicos, cozinha show e um espaço de negócios.


A estimativa de público para o “Espaço de Negócios” é de 4 mil pessoas. O local que já é preparado para eventos sociais conta com uma “Sala de Negócios” com capacidade para 100 pessoas. A organização do festival espera a participação de 600 empresas. Serão convidados estabelecimentos de Ubatuba, Ilhabela, São Sebastião, Paraty e Caraguatuba.

A programação cultural ficará por conta dos “Saraus Gastronômicos” que apresentarão oficinas e apresentações de música, folclore, teatro e educação ambiental. Durante o evento estão previstas exibições de vídeos sobre sustentabilidade na gastronomia e a cultura local, como a apresentação do documentário “Canoas Caiçaras” do Instituto Costa Brasilis.

Também serão realizadas aulas-show sobre culinária para crianças, alimentação saudável, preparação de molhos, sobremesas e decoração de pratos. Estas atividades serão apresentadas na “Cozinha Show”, uma cozinha profissional adaptada para palestras e workshops com chefs profissionais.

A Vila funcionará de 14 a 16 de agosto (sexta, sábado e domingo) na Avenida Armando Barros Pereira,361 – Praia Grande. Mais informações pelo site www.gastronomiaubatuba.com.br ou pelo telefone 12 3833 87 69 (Samantha ou Fernanda).

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Opinião

O conto da governabilidade

Editorial do Estadão
O presidente do Senado, José Sarney, acabamos de saber, tem mais uma inconveniência em comum com o ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia, a quem nomeou em 1995, na primeira das suas três passagens pelo posto, e a quem pediu que se demitisse em março último. Agaciel teve de sair do cargo em que se comportou como um czar da burocracia do Senado depois que o jornal Folha de S.Paulo revelou que ele tinha ocultado do Fisco a propriedade de uma mansão em Brasília, avaliada em R$ 5 milhões. Pois ontem o Estado revelou que Sarney deixou de incluir nas suas declarações de bens enviadas à Justiça Eleitoral em 1998 e 2006, como candidato a senador pelo Amapá, a casa de 700 metros quadrados em que reside na Península dos Ministros, no Lago Sul da capital. O imóvel, comprado em 1997 do banqueiro Joseph Safra, é avaliado em R$ 4 milhões. Sarney mandou dizer que a omissão foi "um erro do técnico" que providenciou a documentação e que a propriedade consta da sua declaração de renda, cópia da qual está no Tribunal de Contas da União (TCU). À parte a reincidência no "erro", apenas o patrimônio informado ao tribunal eleitoral é de conhecimento público - para isso, aliás, que é exigido.

Na véspera da divulgação da notícia, depois que o presidente Lula aplastou a bancada petista por ter aderido à iniciativa do DEM, PSDB e PDT de pedir a Sarney que se licenciasse da presidência até o fim das investigações dos escândalos da Casa, só se ouvia em Brasília que Sarney havia superado o pior momento de suas atribulações, recompusera o pacto de poder no Senado entre o PMDB e o PT e podia arquivar a conversa da renúncia de que se valera para assegurar o arrimo de Lula - a menos que uma nova denúncia o atingisse. (A mais recente foi a de que um neto seu intermediava empréstimos bancários a servidores da Casa.) A situação de Sarney, portanto, voltou a ficar incerta, e o presidente que o protege terá de insistir no mesmo comportamento escabroso de impor ao PT a primeira lei da máfia - Il capo ha sempre ragione - e, mais grave ainda do ponto de vista institucional, interferir descaradamente nos rumos de outro dos Poderes da República. Antes mesmo de vir à tona o caso do imóvel que Sarney omitira das declarações de bens, Lula embarcara no mais puro terrorismo político para manter o partido dobrado às suas ordens.

Segundo relatos do jantar para o qual convocou os 12 senadores petistas, no Palácio da Alvorada, e que terminou no começo da madrugada de ontem, Lula teria dito que a eventual renúncia de Sarney desencadearia uma crise cujo desfecho seria imprevisível. "Tudo pode acontecer", alarmou, em tom apocalíptico. Não para o País, decerto, mas para a blindagem que a permanência do senador proporciona ao seu governo e o decantado apoio do PMDB à candidatura Dilma Rousseff em 2010. É o conto da governabilidade. Lula não se dá por achado pelo fato de ser mais do que óbvia a patranha que passou a impingir a torto e a direito e que os seus submissos companheiros se apressaram a papaguear depois de chamados à ordem pelo chefe. (Registre-se, a propósito, a sabuja proclamação do líder petista Aloizio Mercadante: "Minha combatividade está a serviço do presidente Lula.") Por menos que se devam subestimar as proporções do embrulho no Senado, ele não paralisará a capacidade do Executivo de governar. Nem isso tira o sono de Lula. O que ele teme é que, sem Sarney e com o PMDB desarvorado, finalmente saia do ponto morto a CPI da Petrobrás, seguida de outra, sobre os nebulosos negócios no setor de Transportes. E que a sigla se divida na sucessão presidencial.
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Manchetes do dia

Sábado, 04 / 07 / 2009

Folha de São Paulo
"Sindicância vê crime em ato secreto e culpa só diretores"

Comissão conclui que houve improbidade e prevaricação em ações no Senado

A comissão de sindicância do Senado que investigou a produção de atos secretos na Casa concluiu que o ex-diretor-geral Agaciel Maia e o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi cometeram crimes de improbidade e prevaricação, informam Andreza Matais e Adriano Ceolin.
Os senadores não foram alvo de investigação. Segundo o relatório da sindicância, houve determinação expressa para que os atos não fossem publicados.
Na semana que vem, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidirá se abre processo administrativo contra os dois, o que poderá levá-los a demissão com perda de aposentadoria. Agaciel e Zoghbi negam as acusações.
O governo voltou a se manifestar a favor de Sarney. O presidente Lula recebeu o senador e prometeu fazer o PT apoiá-lo, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticou o que considera sua “demonização”.

O Globo
"Servidor terá reajuste 2,5 vezes maior que todo o Bolsa Família"

Mesmo com queda de arrecadação, governo confirma aumentos de até 137%

Embora o governo tenha arrecadado, de janeiro a junho, R$ 63 bilhões a menos do que previa, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou que todos os reajustes salariais de servidores públicos prometidos para 2009 serão mantidos. Os aumentos custarão R$ 29 bilhões só este ano, 2,5 vezes mais do que o orçamento anual do programa Bolsa Família – que paga benefícios a 11,1 milhões de famílias e custa R$ 11,4 bilhões por ano. Segundo Paulo Bernardo, embora a lei permita o adiamento do reajuste quando há queda de arrecadação, a área econômica avaliou que não seria necessário. A oposição denunciou que os reajustes – que custarão R$ 40,1 bilhões em 2010 e R$ 47,3 bilhões em 2011 – têm caráter eleitoreiro. Mas Paulo Bernardo e a ministra Dilma Rousseff negaram.

O Estado de São Paulo
"Sarney diz a Lula que fica e tem apoio de Dilma"

Ministra afirma que não se deve ‘demonizar’ senador

O presidente do Senado, José Sarney, disse ontem pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não pedirá licença nem renunciará ao cargo. Acusado de beneficiar parentes e aliados por meio de atos secretos, Sarney prometeu liderar o saneamento administrativo do Senado. Na noite anterior, Lula tivera uma reunião de quatro horas com os 12 senadores do PT, que resistiam em garantir apoio a Sarney. A bancada vai tomar uma decisão formal na terça-feira, mas agora não há dúvida de que o partido garantirá a sustentação do presidente do Senado. A ministra Dilma Rousseff, pré-candidata ao Planalto em 2010, defendeu Sarney: “Não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda a crise.” O líder do PSDB, Arthur Virgílio, avaliou que Sarney se tornou “um pato manco, que não manda mais no Senado”.

Jornal do Brasil
"Recursos da dívida pública vão para obras do PAC"

Governo anuncia também reajuste dos servidores públicos

O governo decidiu incluir as obras do Programa de Aceleração do Crescimento no chamado Projeto Piloto de Investimento (PPI), que permite ao Executivo abater os investimentos em infraestrutura e saneamento considerados prioritários do cálculo do superávit primário. Esse superávit – a diferença entre todas as receitas e despesas da União – é aplicado no pagamento dos juros da dívida pública. Segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com isso, os cerca de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões de recursos do PAC que forem gastos em 2010 poderão ser abatidos da meta de superávit primário, hoje projetada em 3,8% do Produto Interno Bruto. A mudança, na prática, reduz a meta para 3,15%. O governo anunciou também que servidores públicos federais terão reajuste.

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sexta-feira, julho 03, 2009

Charge - Nani


Original aqui

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Frases

"Depois da criação da empresa Lula & Sarney SA o governo pensa em uma nova pasta. Ministério da Dialética."

Sidney Borges

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Copy / Paste. Sem link é plágio

Jornal de São Paulo comete plágio em editorial

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro no Comunique-se (original aqui)
No dia 27/06, o jornal Imprensa Livre, que circula em cidades do litoral norte de São Paulo, publicou o editorial “Caixa de Pandora do Senado”. O problema é que o texto, que normalmente reflete a opinião do veículo, é um plágio. Escrito originalmente por Claudio Schamis, o artigo foi publicado anteriormente em alguns sites, como o Paraná Online.

Do artigo original, quase tudo foi publicado. Apenas o “pé” foi cortado, talvez por falta de espaço. Avisada pelo autor, a redação do Imprensa Livre publicou, no dia 01/07, uma pequena nota de retratação, na qual afirma que por “um erro no fechamento da edição, deixou de fora o nome do autor”.

“Por se tratar de um texto ótimo, bem escrito e que se assemelha a opinião editorialista do jornal, ele foi publicado em nosso diário”, diz a nota.

Autor deve acionar jornal judicialmente

Não satisfeito com o pedido de desculpas, Schamis pretende entrar com uma ação contra o veículo: “Se gostaram do texto, que paguem por ele”.

“Se me pedissem para publicar, eu ficaria extremamente feliz. Mas sem o meu consentimento, no surrupio, não. Se tivessem ao menos posto o meu nome, o problema era menor. O editorial saiu sem assinatura. Como um editorial sai sem assinatura?”, questiona Schamis.

"Não é só pedir desculpa", explica diretor da Apijor

O diretor da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor) Frederico Ghedini afirma que o jornalista que se sentir lesado deve procurar a Justiça. Explica ainda que uma retratação pode até servir de atenuante, mas não desqualifica o delito.

“Eles cometem um delito e pedem desculpa, mas o problema é que o delito já foi cometido. Se essa obra tem um valor, eles têm que pagar. Não é só pedir desculpa”, diz Ghedini.

O editor responsável pelo Imprensa Livre está de férias e o seu substituto não quis dar declarações ao Comunique-se sobre o caso.
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Região

Ministério Público Federal pede afastamento de prefeito de Taubaté

da Folha Online
O Ministério Público Federal ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Taubaté, Roberto Pereira Peixoto (PMDB) por mau uso do dinheiro público na educação. A ação também atinge o diretor do Departamento de Educação da cidade, José Benedito Prado.


Na ação, a Procuradoria pede que os dois percam seus cargos pela suposta compra superfaturada de apostilas.

De acordo com a denúncia, Peixoto e Prado usaram R$ 33,4 milhões na compra superfaturada de apostilas entre 2006 e 2008. A Procuradoria afirma que não é necessário comprar novas apostilas, pois o governo fornece material didático gratuito para os alunos da rede pública.

O procurador da República em Taubaté João Gilberto Gonçalves Filho diz que o dinheiro deveria ter sido usado na instalação de mais creches na cidade.
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UNE

Velhos tempos

Sidney Borges
Eu me lembro de uma tarde de sexta-feira de 1968. Passei no Edifício Copan em São Paulo, fui ao apartamento 1218 do Bloco B. Mahália Jackson cantava enquanto o meu amigo Antonio Benetazzo fazia a mala. Ele ia de carona comigo, seu pai tinha uma loja de souvenirs para turistas em São Sebastião. Benê era estudante da FAU e da Filosofia. Em 1969 viajou a Cuba e fez treinamento de guerrilha ao lado de Dirceu. Ambos faziam parte do Molipo. Benê voltou ao Brasil, foi preso e morreu sendo torturado. Seu corpo foi desovado no Brás, ao lado do colégio Sarmiento. A pantomima repressiva o colocou sob um caminhão, como se tivesse sido atropelado. Do grupo de Cuba sobreviveram poucos. Mal pisavam no Brasil eram presos. Parece que algum agente da repressão infiltrou-se. Digo parece por não ter provas, pode ter sido coincidência. Mais de trinta coincidências que viraram cadáveres. Dirceu Sobreviveu. Coincidência. Naquela tarde Benê me disse que o Congresso da UNE em Ibiúna seria uma roubada. Foi mesmo. Dirceu que o diga...

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Turismo em questão

Falta Querer

Fernando Pedreira
Este é o principal item e que faltou na relação feita do artigo "Distante Amanhã?" do Sr. Celso de Almeida Jr.

Francamente acho que não querem, não pode ser incompetência, estamos falando de pessoas muito inteligentes.

O chefe do executivo esteve com o Ministro do Turismo, lá ouviu: "Não basta apenas ter belezas naturais exuberantes, é preciso muito mais".

Sabemos do que o Ministro fala, temos inclusive projetos que podem ajudar, o Circuito Litoral Norte está aí, mas é preciso em primeiro lugar QUERER.

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Elicarlos é alvo de ofensas racistas de torcedores do Grêmio

Alguns torcedores imitaram macacos quando o zagueiro ia entrar em campo, na semifinal da Libertadores

Edison Vara/Reuters
PORTO ALEGRE - A acusação do zagueiro Elicarlos, do Cruzeiro, de ofensa racista pelo atacante Maxi López, do Grêmio, na semana passada, rendeu mais problemas no jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores (2 a 2). Torcedores no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, foram vistos imitando macacos na arquibancada quando o defensor ia entrar em campo, junto com gritos.

Nota do Editor - Pela foto dá para ver que Elicarlos tem a pele da cor da asa da graúna. É preto. Em pleno século XXI usar do expediente de alguns gaúchos idiotas em conluio com um argentino pra lá de idiota e chamar de macaco um cidadão de origem africana é uma lástima. Lamento por eles, imbecilidade é mal da alma, não tem cura. Quanto a Elicarlos, jogou um bolão e o Cruzeiro levou a melhor. Black is beautiful. (Sidney Borges)

Lula & Sarney

Não adianta explicar, ninguém entende mesmo...

Sidney Borges
Deu na Folha: Sarney esconde da Justiça Eleitoral casa avaliada em R$ 4 milhões. E daí? Sarney pode, dele depende a governabilidade.

Sexta-feira

Speedy com tosse

Sidney Borges
Estava demorando, o Speedy funcionou sem problemas por duas semanas, mas desde anteontem começaram a acontecer coisas inexplicáveis. Aparentemente tudo vai bem, a conexão se dá com a velocidade correta, mas os sites não baixam, não acontece a navegação. Ontem à tarde só o site do Estadão entrava normalmente. Experimentei mudar o navegador, usei o Firefox e o Ópera, além do Explorer que uso habitualmente. O problema não estava nos navegadores.
Vamos ter de conviver com esse serviço de terceiro mundo a preços exorbitantes por muito tempo, o governo não tem plano B, se o Speedy parar a economia do Estado de São Paulo será afetada. Já tivemos amostras. Pelo que leio nos jornais a ministra Dilma costuma chamar os auxiliares de imbecís na frente de todo mundo. Coisa feia. Eu já não ia votar nela, agora então não voto nem que a vaca tussa. E o PT? Trocou Che por Sarney? O socialismo tem razões que a própria razão desconhece.

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Pesquisas

Ibope: Serra aprovado por 62% dos entrevistados

Por Daniel Bramatti, no Estadão
A administração do governador José Serra (PSDB) foi considerada ótima ou boa por 47% dos entrevistados pelo Ibope. Outros 13% avaliaram o governo como ruim ou péssimo, e 36% como regular. Questionados especificamente sobre a forma como Serra governa, 62% manifestaram aprovação, e 30% o desaprovaram.

A gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também foi avaliada. Como o levantamento foi feito em todo o Estado, os resultados levam em conta não apenas a percepção direta da forma como a cidade é administrada.

Instados a classificar a gestão do prefeito pelo que conhecem ou ouviram falar, 46% dos entrevistados responderam que ela é ótima ou boa, e 14%, ruim ou péssima. Entre os moradores da capital, a aprovação chega a 54%, mas a margem de erro aí é maior, já que o universo de entrevistados não chega a 300 pessoas.

A pesquisa foi feita entre 20 e 24 de junho. Foram ouvidos 1.008 eleitores em todo o Estado. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

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Brasil

Sarney oculta da Justiça Eleitoral casa de R$ 4 milhões

Em nenhuma das 2 eleições disputadas por ele depois da compra o imóvel foi incluído nas declarações de bens

Rodrigo Rangel, Leandro Colon e Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ocultou da Justiça Eleitoral a propriedade da casa avaliada em R$ 4 milhões onde mora, na Península dos Ministros, área mais nobre do Lago Sul de Brasília. De acordo com documentos de cartório, o parlamentar comprou a casa do banqueiro Joseph Safra em 1997 por meio de um contrato de gaveta. Em nenhuma das duas eleições disputadas por ele depois da compra - 1998 e 2006 - o imóvel foi incluído nas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral.

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Entenda os atos secretos e confira as análises
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Confira a lista dos 663 atos secretos do Senado
Leia a íntegra da defesa do presidente do Senado
O ESTADO DE S. PAULO: Senado acumula mais de 300 atos secretos
O ESTADO DE S. PAULO: Neto de Sarney agencia crédito no Senado

Sobre a ausência da casa nas declarações registradas na Justiça Eleitoral, a assessoria de Sarney informou ao Estado, por escrito, que ocorreu um "erro do técnico que providencia a documentação do presidente Sarney junto aos órgãos competentes". Afirmou ainda que o imóvel consta das "declarações anuais de Imposto de Renda do presidente, entregues também ao TCU com frequência anual".

Dois documentos do próprio senador, arquivados no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), deixam dúvidas sobre a declaração da casa à Receita Federal. Num dos documentos, apresentado na campanha de 2006, Sarney listou seus bens, mas sem nenhuma referência à casa de R$ 4 milhões em Brasília. Ao final, ele escreveu de próprio punho que aquela lista de bens declarados à Justiça Eleitoral é a reprodução fiel de sua declaração à Receita. "De acordo com minha declaração de bens à Receita Federal em 2006", registrou o presidente do Senado no rodapé, que leva sua assinatura.

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Coluna do Celsinho

Distante amanhã?

Celso de Almeida Jr.
Na saída da Festa de São Pedro, encontrei o xará do padroeiro.

Questionador, Pedro Tuzino queria a minha opinião sobre o evento.

Olhei pro povão...não precisei responder.

Mostrei apenas o pedaço de bambu que eu segurava.

Nele, um canudinho me ligava à aguardente com mel, que comprei na barraca da Aduba.

Pedro me contou de sua última viagem ao sul do Brasil, com direito a visitar outros pontos turísticos nos paises vizinhos.

Percebi a sua angústia.

Ele sabe do nosso potencial.

Sabe onde poderíamos estar, onde dá pra chegar.

Despedimo-nos.

Pensei no amanhã.

Os anos passam e ainda não despertamos para o nosso potencial.

Vejo Parati, numa tenda de 3000 m² , com sua Flip, projetar-se internacionalmente.

E nós aqui, voltados para o nosso umbigo, não aproveitando nem a onda da cidade vizinha, o que permitiria atrair turistas para as nossas belezas.

Não se trata de diminuir a importância de nossos eventos.

Nada disso.

Trata-se de produzi-los com tais características que evidenciem a nossa cultura.
Está faltando arrojo.

Está faltando confiança.

Está faltando investimento.

Está faltando parceria.

Não falta capacidade.

Não falta talento.

Não falta criatividade.

Falta acreditar.


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Opinião

Controlar trilhões resolverá tudo?

Washington Novaes
Um leitor habitual dos textos aqui produzidos pelo autor destas linhas considera-os "elucidativos", embora às vezes "amargos" - o que julga compreensível, pela gravidade das questões expostas. É possível que seja assim - ainda que não se tenha a intenção -, diante do quadro inquietante das mudanças climáticas e do consumo de recursos naturais além da capacidade de reposição da nossa biosfera. Uma dessas questões ainda há poucos dias (AFP, 24/6) levou o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan a reiterar no Fórum Humanitário Global que os políticos das nações ricas "enfrentarão a indignação e a ira da opinião pública se falharem no enfrentamento do desafio do clima". O atual secretário-geral, Ban Ki-moon, na mesma semana, advertiu que o número de "refugiados ambientais" poderá chegar a 200 milhões em 2050. Eles já são 24 milhões. E uma das causas é a progressiva desertificação de terras (consumo excessivo de recursos naturais é um dos caminhos). Em 40 anos, um terço das terras de cultivo será abandonado. Mesmo no Brasil já há 180 mil km2 em processo de desertificação, principalmente no semiárido nordestino, onde vivem 18 milhões de pessoas. No mundo, são 250 milhões de pessoas afetadas pela desertificação, diz a respectiva convenção mundial (Rádio ONU, 22/6).


Segundo a FAO, a Organização para a Alimentação e a Agricultura, da ONU, "com 1% dos recursos dados aos bancos na atual crise (mais de US$ 4 trilhões) se resolveria o problema da fome no planeta" (Agência Estado, 20/6), que agora já atinge mais de 1 bilhão de pessoas, embora haja alimentos suficientes no mundo. Mas não é disso que tratam as atuais tentativas de encaminhar soluções para a crise financeira.

Há exceções, claro, como a da comissão nomeada pelo presidente Sarkozy, da França, e liderada pelos Prêmios Nobel Amartya Sen e Joseph Stiglitz, que já produziu um relatório preliminar em que tenta definir novos caminhos, superando a insuficiência dos atuais critérios econômico-financeiros para avaliar e referendar soluções. Nestes, de modo geral, as discussões centram-se quase exclusivamente no ângulo financeiro, ainda mais lembrando que o mercado de "derivativos" no mundo movimenta US$ 592 trilhões (Estado, 23/6) - ou seja, mais de 40 vezes o produto bruto anual dos EUA, ou quase 400 vezes o PIB brasileiro. Só em bancos suíços estão depositados cerca de US$ 7 trilhões.

Um dos exemplos mais recentes das limitações (Estado, 23/6) é a exposição feita no Senado norte-americano pelo presidente da Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities, argumentando com a necessidade de que esse mercado de "derivativos" seja mais regulamentado, que suas transações passem por câmaras de compensação, que haja lei federal tornando obrigatório o registro das negociações. Porque desde 2000 esse mercado - que inclui, entre muitos outros itens, as negociações com contratos futuros de produtos como grãos e carnes - está desregulamentado. Isso permite, junto com outros caminhos, que se negociem dezenas de vezes no mesmo ano - multiplicando artificialmente seu valor - as safras de determinados produtos. Ou seja, um mercado desligado da realidade concreta gera ganhos e lucros que estimulam um consumo geral além da possibilidade real de reposição dos recursos naturais - e essa é uma das crises que "ameaçam a sobrevivência da espécie humana", segundo Kofi Annan.

O plano anunciado pelo presidente Obama prevê muitas coisas, como a possibilidade de intervenção governamental no mercado financeiro, inclusive para assumir o controle e impedir a quebra de grandes companhias; a exigência de mais capital para empresas; a criação de uma agência financeira para proteger o consumidor - entre outros pontos. Mas parece continuar distante da questão central: o "descolamento" do mercado financeiro em relação à realidade concreta e suas possibilidades. A preocupação financeira reforça-se com os últimos números do PIB - queda de 4,5% na zona do euro, 3% nos EUA, 6,8% no Japão, 2,2% na América Latina e Caribe. No mundo, queda de 2,9% prevista para este ano; no Brasil, 1,1% segundo o Banco Mundial. E para socorrer os dramas aí embutidos, a Europa já destinou 21% do seu PIB para o setor financeiro; a Grã-Bretanha, 69%; a Irlanda, 200%; a Suécia, 50%; os EUA, 18% (Estado, 16/6). No Brasil não há muitos números, a não ser a liberação pelo Banco Central de R$ 100 bilhões dos depósitos compulsórios dos bancos (que, segundo as empresas, não aumentaram o crédito disponível - foram em sua quase totalidade para aplicações em títulos governamentais). Artigo do economista Amir Khair, da FGV, publicado por este jornal (22/6), também levanta questões na mesma direção, ao lembrar que o spread cobrado pelos bancos no Brasil "é o maior do mundo", 11 vezes maior que a média nos países "desenvolvidos".

Tudo isso, mais uma vez, remete à questão de o Brasil não conceber e defender nos fóruns mundiais uma estratégia fundamentada na posição privilegiada que desfruta em termos de recursos e serviços naturais - que são, concretamente (e não os recursos financeiros), o fator escasso no mundo. E que é preciso sempre repetir: temos território continental, quase 13% do fluxo hídrico planetário, entre 15% e 20% da biodiversidade do mundo, possibilidade de matriz energética "limpa" e renovável (decisiva para o clima), com hidreletricidade, energia eólica e solar, das marés, das biomassas. E nosso mercado interno, principalmente o de baixa e média renda, provou na recente crise que é capaz de assegurar também uma posição mais equilibrada que a dos países industrializados.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 03 / 07 / 2009

Folha de São Paulo
"Desemprego nos EUA e na Europa volta a piorar"

Americanos perdem 467 mil vagas, mais de 140 mil acima do previsto

A economia dos EUA perdeu mais 467 mil empregos em junho, o que elevou para 14,7 milhões o total de desempregados. A expectativa era que o corte ficasse no patamar de maio (322 mil). O número, porém, superou as previsões mais pessimistas e frustrou expectativas de saída mais rápida da recessão.
A taxa de desemprego nos EUA, a maior desde agosto de 1983, atingiu agora 9,5%. O resultado influenciou a queda das Bolsas no mundo: a de Nova York recuou quase 3%, e a Bovespa, 1,0l %.
Na zona do euro, formada pelos 16 países que têm a moeda em comum, o desemprego em maio ficou no maior nível em dez anos: a taxa foi a 9,5%, 0,2 ponto percentual maior que em abril, o que se traduziu na perda de 273 mil postos.
Desde maio de 2008, 3,4 milhões de pessoas perderam seus empregos na zona do euro. A Espanha continua a liderar o desemprego na região, com 18,7%.


O Globo
"PMDB ameaça deixar o governo e enquadra PT"

Lula reúne bancada petista para reforçar apelo por apoio a Sarney

Sem alternativa para a sucessão no Senado, o PMDB ameaçou deixar o governo Lula e a candidatura de Dilma Rousseff em 2010, enquadrou o PT e garantiu uma sobrevida para José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa. Sarney ficou mais forte desde que, na véspera, ameaçara renunciar, assustando as cúpulas do governo e do PT. A aliança com o PMDB é considerada essencial pelo Planalto para assegurar a candidatura presidencial de Dilma e o controle da CPI da Petrobras. Cinco senadores petistas ainda querem o afastamento de Sarney. Mas, em discurso no Senado, o líder do PT, Aloizio Mercadante, embora reconhecendo as divergências da bancada, voltou a defender Sarney e reafirmou o apelo. "Não há governabilidade sem aliança com o PMDB." O presidente Lula convocou a dividida bancada petista para pedir, durante um jantar, apoio ainda mais explícito a Sarney.

O Estado de São Paulo
"Com apoio do PT, Sarney se segura no cargo"

Partido acata ordem de Lula para ajudar o presidente do Senado e preservar a aliança com o PMDB para 2010

A cúpula do PMDB comemorava ontem a vitória na queda de braço com o PT e dava como certa a permanência de José Sarney na presidência do Senado. Por determinação do Planalto, coube ao líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), anunciar que o partido tinha desistido de exigir que Sarney se licenciasse do cargo. Da tribuna, o petista defendeu que o mais importante era garantir a governabilidade e o projeto político para 2010, quando o PMDB deverá ser parceiro na campanha da ministra Dilma Rousseff. Sarney - acusado de usar atos secretos para favorecer parentes e aliados políticos - se mostrava mais tranquilo. Falta ainda uma conversa do peemedebista com o presidente Lula, prevista para hoje, mas o grupo pró-Sarney já contabiliza o apoio de pelo menos 7 petistas, 5 parlamentares do DEM e mais 4 do PSDB que, somados aos aliados de sempre, totalizam 53 dos 81 senadores. Na avaliação geral, a menos que surja mais uma denúncia comprometedora contra o presidente do Senado, ele não deixará o cargo.

Jornal do Brasil
"Mulher perde mais empregos na crise"
A desigualdade entre os sexos no mercado de trabalho voltou a aparecer com a crise econômica. Estudo divulgado ontem pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do governo federal, mostra que de outubro de 2008 a abril deste ano a queda na ocupação de postos foi de 3,1% para as mulheres e de 1,6% para os homens. A maior redução no grupo feminino se deu entre as empregadas sem carteira assinada no setor privado - 13,53%, contra 10,1% no masculino na mesma situação. Entre os trabalhadores com carteira assinada, o preenchimento de vagas caiu 0,6% para elas e cresceu 0,82% para eles.


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quinta-feira, julho 02, 2009

Brasil

O PT na vanguarda. Do atraso

Clovis Rossi na Folha de São Paulo (original aqui)
Indecente. Pusilânime. Vergonhoso. Que mais se pode acrescentar a respeito do comportamento do PT no episódio José Sarney? Xingar a mãe, não posso. É proibido pela etiqueta desta página.

Mas seria o correto.

Não vou nem lembrar o passado combativo do partido e de seu líder, Aloizio Mercadante, em episódios anteriores à chegada ao governo federal. Esse passado já foi sepultado faz tempo.

Ajuda-memória: pelo episódio do mensalão, o procurador-geral da República, nomeado pelo presidente de honra do PT, um certo Luiz Inácio Lula da Silva, acusou a cúpula petista de formar uma "quadrilha". O Supremo Tribunal Federal, com o voto de ministros também indicados por Lula, decidiu haver indícios suficientes para aceitar a acusação e proceder ao julgamento, aliás em curso.

Fica claro que o passado de supostos campeões da moralidade pública está morto e bem enterrado. Mas o presente podia ao menos guardar um mínimo de coragem, de vergonha na cara.

Podia, por exemplo, defender Sarney pura e simplesmente, fosse qual fosse o argumento ou pretexto a utilizar: necessidade de não tumultuar o cenário político, falta de elementos concretos para afastar o presidente do Senado -enfim, qualquer dessas desculpas que os políticos se habituaram a usar para serem coniventes com trambiques.

O que não cabia é deixar de apoiar Sarney mas apenas por 30 dias, que foi o prazo dado pelo partido para o afastamento do presidente do Senado. Tampouco cabia sugerir uma comissão para uma reforma administrativa da Casa, sem menção a punições pelas irregularidades já descobertas e já confessadas. Se algumas são legais, nem por isso deixam de ser todas vergonhosas, muito vergonhosas.

O PT fechou enfim um círculo: passa de suposta vanguarda das massas à cúmplice do atraso. (Do Blog do Noblat)

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Justiça

Promotor é condenado por engavetar inquérito

Por Fernando Porfírio no Consultor Jurídico (original aqui)

O promotor de Justiça Percy José Cleve Kuster foi condenado a pena de dois anos de reclusão e multa. O castigo imposto pela Justiça paulista foi transformado em pena pecuniária. O crime é o de supressão de documento público, previsto no artigo 305 do Código Penal. O caso aconteceu quando Percy era promotor na cidade de Indaiatuba, na região de Campinas, interior de São Paulo. Hoje, o promotor atua na vara da infância e juventude de Ubatuba.

Ele responde a Ação Penal Pública por ocultar na gaveta de seu gabinete o Inquérito Policial nº 478/99 por quase cinco anos. De acordo com a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral de Justiça, o verdadeiro motivo do engavetamento seria o de beneficiar o empresário do ramo imobiliário Gilberto Narezzi, amigo do promotor. Narezzi era investigado por crime ambiental.

A decisão unânime foi tomada, na quarta-feira (1º/7), pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça. O colegiado entendeu que o réu alcançou seu objetivo que seria o de retardar a apuração da infração imputada ao seu amigo empresário. A iniciativa do fiscal da lei teve como resultado a prescrição da pretensão do Estado de punir o infrator. O crime prescreveu em agosto de 2003.

O artigo 305 do Código Penal diz que é crime “destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor”. A pena prevista é de reclusão de dois a seis anos.

Os detalhes

A denúncia descreve que, em 27 de julho de 1999, policiais militares foram notificados da ocorrência de corte sem autorização de seis hectares de vegetação natural em uma gleba, na margem da rodovia Engenheiro Paulo de Tarso Martins. O desmatamento teria sido autorizado pelos donos da empresa Asseplan Narezzi Empreendimentos de Participações Sociedade Civil Ltda. O objetivo da empresa era o de implantar um loteamento no local.

O auto de infração foi lavrado e assinado por Gilberto Narezzi, um dos sócios da empresa. O empresário buscou a ajuda do amigo promotor de Justiça. Este imediatamente procurou o delegado de Polícia e requisitou os autos do inquérito. O documento foi guardado na gaveta da mesa do promotor. E permaneceu ali, por quase cinco anos, até 31 de agosto de 2004, quando foi descoberto casualmente por uma correição do Ministério Público.

Em sua defesa, Percy José Cleve sustentou a tese da ausência de culpa. Sustentou a atipicidade da conduta, com o argumento de que havia cópias do inquérito policial que, por conta desse fato, poderia ser recomposto.

O promotor manteve a versão de que não ocultou o documento. Disse que esqueceu o inquérito na gaveta de sua mesa de trabalho, provavelmente pelo pequeno número de folhas dos autos. De acordo com a defesa, pela falha, seu cliente já teria sido responsabilizado na esfera disciplinar. Ainda sustentou que o esquecimento do inquérito em uma gaveta da Promotoria não teria causado prejuízos maiores à Justiça.

O Órgão Especial entendeu que a prova era segura para condenar o promotor. O relator, Debatin Cardoso, informou que o promotor de Justiça pediu informalmente ao delegado Carlos Donizeti Faria Souza para dar uma olhada no inquérito. Em vez de devolver o documento público à Polícia, Percy José Cleve decidiu ocultá-lo.

A Procuradoria-Geral alega também que o promotor comprou um imóvel no mesmo lote onde houve acusação de crime ambiental. Em junho de 2000, afirma a Procuradoria, ele comprou uma moto na loja de seu amigo Gilberto Narezzi, que também é dono de uma concessionária Honda em Indaiatuba. Segundo a Procuradoria, Narezzi doou R$ 5 mil a uma entidade de defesa na qual Percy Kuster é presidente.

Ação Penal Pública nº 122.242-0/4

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As voltas que o tempo dá...


Original aqui

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Pensata

O espectro de Lula

Hélio Schwartsman (original aqui)

Já acreditei que o presidente Lula e o PT trariam mudanças positivas para o Brasil; depois, no auge do "mensalão" tive raiva; hoje sinto pena de nosso solerte líder. É patético vê-lo advogar por figuras do quilate de José Sarney e Mahmoud Ahmadinejad, para ficar em dois casos recentes de defesa do indefensável.

Olhando apenas para os resultados, a gestão de Lula pode ser considerada bastante boa. Enquanto o mundo amarga uma recessão sem precedentes, a crise por estas bandas veio suave. As projeções sugerem uma ligeira retração este ano seguida de recuperação já em 2010. Mais importante, foi sob Lula que o Brasil experimentou um surto de crescimento como não víamos desde os anos 70. E não foi um crescimento qualquer, mas acompanhado de significativa distribuição de renda. Ao final de 2007, o presidente comemorava o fato de mais de 14 milhões de brasileiros terem saltado das classes D e E para a C (renda mensal familiar entre R$ 1.115 e R$ 4.807). Tais mudanças não passaram despercebidas aos brasileiros, que dão a Lula índices generosos de aprovação popular (69% segundo o último Datafolha).

É claro que as políticas do governo petista têm algo a ver com esses êxitos, mas não são as únicas responsáveis. O aumento da classe média, por exemplo, não é um fato isolado do Brasil, mas faz parte de um movimento mais geral também observado na China e na Índia e que pode ser explicado pelo forte crescimento da demanda global (em especial pelas commodities) até o ano passado.

Outro fator frequentemente esquecido é o chamado bônus demográfico. A redução das taxas de natalidade e de mortalidade combinada com a forte entrada das mulheres no mercado de trabalho tende a concentrar o número de pessoas economicamente ativas nas famílias. O resultado é mais renda que precisa ser distribuída por menos pessoas --nos últimos 40 anos, a fecundidade caiu de seis filhos por mulher para menos de dois. Fica o lembrete de que, dentro de mais algumas décadas, os efeitos positivos da mudança no perfil populacional se atenuarão e enfrentaremos o problema do excesso de aposentados para uma PEA (população economicamente ativa) declinante.

Longe de mim, entretanto, roubar os méritos da administração. Além de programas como o bolsa família e o forte aumento do salário mínimo (que, desde 2003, foi reajustado em 46% acima da inflação), o governo teve a sabedoria de não pôr tudo a perder. Sei que não é o tipo de elogio com o qual os petistas se regozijam, mas isso não o torna menos real ou importante. É só ver o que acontece na vizinha Argentina, onde o desenfreado populismo econômico do casal Kirchner está levando o país, senão à ruína, pelo menos a uma série de dificuldades que teriam sido desnecessárias com uma administração mais sóbria.
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Festa Literária de Paraty


Gay Talese e sua mulher, a editora Nan Talese

O casal Talese na Flip - 2009

Miguel Conde e Melina Dalboni, de Paraty (original aqui)
Assim que chegou a Paraty, na terça-feira à tarde, o escritor Gay Talese, acompanhado da mulher, a editora americana Nan Talese, mudou de pousada. Filho de um alfaiate, o autor mais elegante da 7 edição da Festa Literária de Paraty (Flip), que começou ontem, precisava de um armário maior para acomodar os seis ternos que trouxe para a temporada no Brasil. Ontem, o autor providenciou a compra de mais 25 cabides. Talese, considerado um dos primeiros e mais brilhantes praticantes do “new journalism”, é uma das estrelas da festa (ele fala ao público na Tenda dos Autores, às 17h de sábado, com mediação do brasileiro Mario Sergio Conti). No domingo, os dois seguem para São Paulo, e, na segunda-feira, chegam ao Rio de Janeiro para aproveitar cinco dias de férias. O casal ficará hospedado no Copacabana Palace, onde Talese certamente terá um bom guarda-roupa para organizar seus ternos, camisas, sapatos e chapéus panamá. No dia 10 do mês passado, Nan (75 anos) e Talese (77) completaram 50 anos de um casamento que resistiu até à alentada pesquisa de campo realizada pelo autor para escrever seu livro “A mulher do próximo” (1980), sobre liberdade sexual, orgias e swingers nos EUA dos anos 1970. A longa união é o tema do próximo livro do escritor, no qual ele pretende passar a limpo todos estes anos ao lado da mulher, uma das editoras mais reconhecidas dos Estados Unidos. — A coisa mais importante do casamento não é o sexo, mas o café da manhã — confidencia ele, com ar de quem sabe do que está falando. Ela no quarto, onde mostrou o extenso guarda-roupa do marido, e ele na sala da pousada onde afinal se instalaram, os dois falaram ao GLOBO sobre literatura, vida em comum, sexo, predileções literárias e musicais. Talese, por exemplo, é fã de Simone. (Foto de André Coelho)
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Honduras

Será que Zelaya volta? Será que fica por lá?

A volta de Manuel Zelaya a Honduras só será viável após um acordo político com a oposição, disse à "Folha" Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica e especialista em América Central do Instituto Brookings.

FOLHA - Diante do apoio internacional, Zelaya tem condições de voltar a Honduras?

KEVIN CASAS-ZAMORA - Todo mundo concorda que ele deve voltar ao poder, mas o problema é que o retorno de Zelaya não resolve nada. A menos que haja algum tipo de diálogo político entre ele e seus oponentes, nada mudará. Estamos falando de um cidadão com antagonistas em todas as instituições e setores políticos do país. Sem um acordo, ele não terá como governar. A questão final é como fazer de Honduras um país governável.

FOLHA - O que deve ocorrer agora?

CASAS-ZAMORA - Em algum momento, as autoridades hondurenhas vão desistir. Temos ouvido rumores de pessoas no Congresso de Honduras de que eles estão considerando a hipótese de negociar um acordo político com Zelaya. Ele poderia voltar ao poder, terminar seu mandato e abrir mão de qualquer projeto de reeleição, o que já deixou claro nas declarações feitas na ONU. Honduras é um país muito pequeno, muito pobre e muito vulnerável para enfrentar a pressão internacional.

FOLHA - O que explica essa unanimidade dos países contra o golpe?

CASAS-ZAMORA - Não tivemos golpes por um bom tempo na América Latina, e ninguém quer abrir um precedente. A América Latina se posicionou de maneira muito forte, em seguida vieram os EUA, a União Europeia e a ONU. Houve um efeito bola de neve, o que é surpreendente para um país tão pequeno.

FOLHA - Como avalia o fato de EUA e Venezuela estarem agora do mesmo lado?

CASAS-ZAMORA - É uma situação peculiar, mas representa uma oportunidade muito boa para a imagem dos EUA na região. Eles têm a chance de mostrar que apoiam inequivocamente a democracia, mesmo que não gostem do presidente deposto. Com isso, eles tiram a arma de Chávez, a retórica. Parte da atitude americana é uma forma de prevenção contra o possível êxito político que Chávez poderia tirar da situação. Zelaya voltará ao poder agora ou mais tarde, mas não será uma vitória de Chávez ou dos EUA. (Reinaldo Azevedo)

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Política

"O vício da esquerda é a melancolia. O vício da direita é o cinismo"!

Trechos do artigo de Daniel Innerarity (professor de filosofia na U. Zaragoza), Ideias para a Esquerda. (El País, 28/06)

1. O vício da esquerda é a melancolia e o da direita é o cinismo. Em geral, a esquerda espera muito da política, mais que a direita. Exige à política resultados, não só liberdade, mas igualdade. A direita se contenta com a política manter as regras do jogo. É mais procedimental, e se dá por satisfeita que a política garanta marcos e possibilidades, pois o resultado concreto não é o mais importante. Claro que ambas aspiram defender a liberdade e a igualdade. Ninguém tem o monopólio dos valores, mas a ênfase de cada uma explica suas distintas culturas políticas.

2. A diferença radicaria em que a esquerda, na medida em que espera muito da política, também tem um maior potencial de decepção. Por isso, o vício da esquerda é a decepção e o da direita é o cinismo. A esquerda aprende em ciclos longos, e só consegue se recuperar através de certa revisão doutrinária. A direita tem mais incorporada a flexibilidade, e é menos doutrinária, mais eclética, incorporando com maior agilidade elementos de outras tradições políticas.

3. Por isso, a esquerda só pode ganhar se há um clima no qual as ideias joguem um papel importante e há um alto nível de exigências que se dirijam à política. Quando isso falta, quando não há ideias em geral e as aspirações da cidadania em relação à política são planas, a direita é a preferida dos eleitores. A esquerda deveria politizar, frente a uma direita, que isso não interessa.

4. A direita vitoriosa na Europa é uma direita que promove direta ou indiretamente a despolitização e se move melhor com outros valores (eficácia, ordem, flexibilidade, saber técnico...). O que a esquerda deveria fazer é lutar em todos os níveis para recuperar a centralidade política. Hoje, o verdadeiro combate se dá em um campo de jogo que está dividido: os que desejam que o mundo tenha um formato político e outros que não lhes importaria que a política resultasse insignificante.

5. Por isso, a defesa da política é a tarefa fundamental da esquerda. A direita está comodamente instalada na política reduzida a sua mínima expressão. Para a esquerda, que o espaço público tenha qualidade democrática, é um assunto crucial, onde joga sua própria sobrevivência. A atual socialdemocracia europeia não tem nem ideias nem projetos, ou os tem em medida claramente insuficiente. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

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Sarney no telhado

Única saída

Editorial de "O Globo" (original aqui)
Há momentos em que instituições e biografias entram em rota de colisão. Como no caso do Senado e de seu presidente José Sarney. E as instituições não podem ser atropeladas por conveniências pessoais, mesmo compreensíveis e defensáveis. Não se trata de prejulgar, trata-se de romper o impasse e abrir espaço para que se faça o necessário: um amplo levantamento de fatos conhecidos a partir de denúncias consistentes de que funcionou, ou funciona, no quadro de funcionários da Casa, um ou vários esquemas delinquentes de desvio de dinheiro do contribuinte para bolsos privados, entre outros crimes. Se houve ou não conivência de parlamentares, veremos nas investigações. Confirmada a cumplicidade, missão para o conselho de ética avaliar e enviar o(s) processo(s) ao Supremo Tribunal. Simples assim.

Está evidente que a permanência do senador José Sarney à frente da Mesa impede que investigações sejam feitas. Manter-se prejudica o próprio senador, sem se defender por causa das limitações do cargo.

Sarney nomeou Agaciel Maia diretor-geral da Casa no primeiro mandato como presidente, em 1995. No posto, Maia, funcionário do Senado desde 1985 graças a um desses trens da alegria que costumam transitar pela Praça dos Três Poderes - viagem em que, por coincidência, teve a companhia de Roseana Sarney -, se investiu de poderes imperiais.

Com eles, entre outros delitos, inchou de maneira inaceitável a máquina burocrática do Senado - hoje com 10 mil funcionários para atender 81 parlamentares. Ao lado de João Carlos Zohbi, diretor de pessoal do Senado, exercitou, também como cúmplice de parlamentares, o nepotismo e o clientelismo, práticas nefastas entranhadas na vida política do país. Fez de tudo, até empréstimos por baixo do pano a senadores, como ao tucano Artur Virgílio, a fim, é certo, de mantê-los sob controle. Editou mais de 600 atos secretos - se respaldado pela Mesa, veremos -, deixando, enfim, com a ajuda dos "agaciboys", nomeados por ele para postos-chave, um rastro de destruição de princípios morais.

Ter nomeado Agaciel não pode justificar que se coloque o senador José Sarney como corresponsável pelas malfeitorias. Mas a presença de Sarney no comando da Casa serve de natural freio ao andamento das investigações, e ajuda a degradar ainda mais a imagem dele e do Senado. Por isso, o senador deve se afastar. Não é prejulgamento, é precaução ditada pela emergência de um quadro que não deve perdurar.

O Senado não pode naufragar na inércia do impasse criado pela sucessão de denúncias porque o Palácio não quer se arriscar a perder o frágil controle que mantém sobre a Casa. Não é hora - aliás, nunca deveria ser - do varejo político. A própria sustentação de Sarney se esfarela. Na terça-feira, o DEM, uma das bases históricas do senador, recuou. Pediu-lhe que se licenciasse, assim como fizeram o PSDB e o PDT. Na tarde de ontem, senadores do próprio PT apelaram a Sarney que se afastasse por 30 dias, mesmo que isso significasse entregar o comando provisório do Senado ao tucano Marconi Perillo. Depois, voltaram atrás. Sarney esperaria uma conversa com Lula, de volta da Líbia, com chegada prevista para ontem, antes de anunciar alguma decisão. O encontro poderia ocorrer ainda à noite.

As circunstâncias conduziram Sarney ao mesmo beco de única saída em que se meteram Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, guardadas as diferenças entre cada um: para eles e o Senado a única alternativa foi afastamento do cargo. Inerte, a massa orgânica dessas crises tende a se deteriorar e apodrecer.

É inútil atacar a imprensa profissional, tentando-se enxergar nas reportagens sobre o Senado conspirações subterrâneas. Aliás, como também é interpretada a série de notícias desabonadoras sobre a Petrobras.Fatos têm sido publicados e precisam ser investigados. Apenas isso. No que se refere à estatal, por uma CPI já criada. Em vez de atacar a mídia, governistas deveriam se explicar perante a opinião pública.

Não importa se é por causa da luta pelo poder no Senado entre PT e PMDB que escabrosas histórias de desmandos administrativos passaram a ser relatadas a repórteres por grupos de funcionários da Casa, e com provas. Importa é esclarecer se os casos são verídicos, apurar responsabilidades e executar punições.

José Sarney foi um dos que, ao decodificar com sensibilidade política os horizontes pouco visíveis na primeira metade da década de 80, deram cabal contribuição ao projeto político de transição do regime militar para a democracia, sem rupturas violentas. Apoiou aquele regime, mas soube ajudar a construir a ponte sobre o vazio, e o destino colocou-lhe em mãos o comando do país na volta à liberdade. Trajeto sinuoso, percorrido com êxito.

Da mesma capacidade de interpretar os ventos da política ele precisou lançar mão nos últimos dias. Espera-se que tenha se convencido a afastar-se da presidência da Casa - em nome não apenas de uma biografia, mas também para proteger o Senado. Questões mais amplas se colocaram à frente do experiente político, como há quase 30 anos.

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Opinião

O ultimato a Honduras

Editorial do Estadão
Nunca se viu nada parecido na vergonhosa história, que se imaginava encerrada, dos golpes de Estado na América Latina. Primeiro, no mesmo domingo em que forças militares invadiram o palácio do governo de Honduras, prenderam o presidente José Manuel Zelaya e o puseram, ainda de pijama, num avião para Costa Rica - cumprindo uma ordem da Suprema Corte, respaldada pelo Congresso -, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu por unanimidade que nenhum dos seus 34 países-membros reconhecerá qualquer governo resultante da "ruptura inconstitucional". Em seguida, na terça-feira, depois de levar à tribuna o presidente destituído para um fanfarrônico discurso de uma hora, aplaudido de pé, uma sessão extraordinária da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, também por unanimidade, uma resolução exigindo o "imediato e incondicional" restabelecimento do seu mandato. A resolução também exortou os 192 Estados-membros da ONU a não reconhecer outro governo hondurenho.

Ontem cedo, enfim, depois de condenar mais uma vez "a detenção arbitrária e a expulsão de Zelaya", a OEA deu a Honduras três dias para devolver-lhe a presidência, do contrário o país será suspenso do organismo. O "ultimato", como fez questão de dizer o seu secretário-geral, José Miguel Insulza, se baseia na Carta Democrática Interamericana adotada pela OEA em 2001 exatamente para prevenir recaídas golpistas no Continente. "Era necessário demonstrar claramente que golpes militares já não serão aceitos no Hemisfério", explicou Insulza. Mas a iniciativa foi também um arranjo para impedir que Zelaya pudesse cumprir a fanfarronada de voltar hoje ao seu país, segundo ele, acompanhado dos líderes da Argentina e do Equador, do próprio Insulza e do presidente da Assembleia-Geral da ONU, o nicaraguense Miguel d?Escoto Brockmann. O substituto de Zelaya designado pelo Congresso, Roberto Micheletti, havia dito que ele poderia ser preso ao desembarcar. Depois do ultimato, Zelaya anunciou o adiamento da viagem para o fim da semana.

É uma situação insustentável para os novos dirigentes desse país de menos de 8 milhões de habitantes, que vive da exportação de café, banana e frutos do mar e depende visceralmente da ajuda dos Estados Unidos. Washington, por sinal, mantém ali uma base militar com 500 soldados. Durante décadas treinou as Forças Armadas e os serviços de segurança locais, a ponto de Honduras ter sido apelidada de "porta-aviões americano" no Caribe. O golpe contra Zelaya foi a mais tosca das respostas concebíveis à sua decisão chavista de convocar por decreto uma consulta popular para a eventual realização de um plebiscito, juntamente com as eleições gerais de novembro, sobre a convocação de uma Constituinte - o que a Carta hondurenha proíbe de forma explícita. A grotesca reação do Judiciário e do Legislativo à tentativa de golpe chavista de Zelaya só poderia ter sido recebida como o foi pela Casa Branca. O presidente Barack Obama, além de condená-la, a considerou "um terrível precedente" para a América Latina.

Não está claro se o Departamento de Estado fez tudo o que podia para evitar o pronunciamento em Tegucigalpa. Mas, cometido o desatino, Obama, quanto mais não fosse, não poderia deixar que Hugo Chávez aproveitasse o momento para posar de campeão da democracia no Continente. A crise, decerto, não é insolúvel, embora os seus principais protagonistas tenham sido, todos, desastrados. A deixa para a solução foi dada pelo próprio Zelaya ao negar peremptoriamente, em várias ocasiões, que tivesse a pretensão de se reeleger, embora a jogada bolivariana da Constituinte só se explicasse por isso, e garantir que, ao término do seu mandato, em 27 de janeiro do próximo ano, voltaria à vida civil e "nunca mais" se candidataria. (Escaldada por uma eternidade de regimes autoritários, no início dos anos 1980 Honduras proibiu, ao se democratizar, a reeleição de seus governantes a qualquer tempo.)
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 02 / 07 / 2009

Folha de São Paulo
"Sarney ameaça governo com renúncia"

Presidente do Senado diz que não ficaria no cargo sem o PT e sinaliza que PMDB poderia se afastar da base aliada

Após ter seu afastamento por 30 dias defendido pelo PT, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ameaçou renunciar ao cargo e fez o partido recuar da decisão de exigir a sua saída.
Pela manhã, em conversa com os senadores Ideli Salvatti (PT-SC) e Aloizio Mercadante (PT-SP), o senador disse que, sem o apoio do DEM e do PT, não teria condições "aritméticas" de ficar no cargo. À noite, depois de reunião com Sarney, a bancada petista mudou o tom e se mostrou inclinada a defender a sua permanência.
Sarney sinalizou aos petistas que sua saída poderia causar prejuízos ao governo, com perda do apoio de parte do PMDB no Senado e na eleição de 2010. A sigla poderia trocar a ministra Dilma Rousseff pelo governador José Serra (PSDB-SP).
Dilma transmitiu recado de Lula a Sarney - o presidente pediu que, antes de decidir, o senador aguardasse sua volta de viagem à África, o que ocorreria ontem à noite. Na Líbia, Lula disse que o PSDB quer "ganhar o Senado no tapetão".

O Globo
"Sarney já admite sair e Lula acusa oposição de golpismo"

PT tira apoio, mas recua; se houver renúncia, Senado terá de fazer nova eleição

Perdendo apoio político a cada dia, o presidente do Senado, José 5amey, admitiu ontem renunciar ao comando da Casa, mas o presidente Lula mobilizou ministros e pressionou fortemente os senadores do PT para garantir a permanência do aliado. Da Líbia, Lula acusou a oposição de querer ganhar a direção do Senado "no tapetão": "Assim não é possível, isso não faz parte do jogo democrático." A bancada do PT chegou a pedir o afastamento por 30 dias, mas não oficializou a proposta, e, à noite, depois de telefonemas de Lula, já recuava. Hoje, o presidente se reúne com o PT e com Samey, separadamente. Se houver renúncia, nova eleição terá de ser feita em cinco dias.

O Estado de São Paulo
"Sarney espera Lula para definir renúncia"
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), avisou ontem que só decidirá sobre sua permanência ou não no comando da Casa depois de uma conversa reservada com o presidente Lula. Esse encontro deverá ocorrer hoje. Ontem, na Líbia, o presidente Lula disse que DEM e PSDB querem a saída de Sarney para ganharem "no tapetão" a presidência do Senado. Mas, ontem mesmo, o PT propôs a Sarney deixar o cargo por 30 dias, reduzindo, assim, a sustentação política do parlamentar. A cúpula do PMDB no Senado insiste em manter Sarney na cadeira, mas sua situação parece cada vez mais insustentável. Nos bastidores, os partidos já discutem a sucessão e aparecem como prováveis ocupantes da presidência do Senado os nomes de Garibaldi A1ves (PMDB-RN) e Marco Maciel (DEM-PE).


Jornal do Brasil
"Classe média para de crescer"

A classe média brasileira ficou praticamente estável no ano passado, segundo pesquisa

Cetelem/Instituto Ipsos. Dados mostram que, após crescer de 36% para 46% entre 2006 e 2007, a chamada classe C caiu para 45% em 2008. As classes A e B se mantiveram estáveis, enquanto D e E, que desde 2006 vinham migrando para a C, tiveram uma leve alta. A pesquisa informou, porém, que houve crescimento da renda em todas as classes sociais. Em números absolutos, a classe C perdeu quase 2 milhões de pessoas na passagem de 2007 para o ano passado. O vice-presidente do Cetelem, Marcos Etchegoyen, explica que o freio no crescimento não pode ser creditado diretamente à crise financeira internacional. "A palavra-chave é consolidação", afirma.

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