sábado, junho 13, 2009


Pensata

Sábado, dia de praia e pizza

Sidney Borges
Meu esforço foi recompensado. Depois de exaustiva concentração mudei o tempo contrariando a Rede Globo que anunciou chuva e frio no fim de semana. Não contavam com a minha astúcia! Hoje o sol banha de luz dourada as praias da terra de Coaquira, para gáudio dos turistas que assim poderão adquirir o tão desejado bronze.

Fazer mágica dá fome, para recuperar as energias terei de recorrer às pizzas.

Enquanto isso fico observando na mídia a polêmica em torno do blog da Petrobras. Segundo a empresa há jornalistas que perguntam uma coisa e editam a resposta distorcendo o que foi dito. O blog serviria para denunciar a prática. Com perguntas e respostas postadas na íntegra não existe possibilidade de edição. O que fugiu da lógica foi a decisão de publicar no blog antes da publicação no veículo que fez a pergunta. Digo isto por que certas pautas envelhecem rápido e acabam na "cesta seção", vão para o lixo por falta de interesse. Não faz sentido que apareçam "solteiras" no blog, dá a impressão de conversa de botequim. A Petrobras, que não dorme de touca, já cuidou de colocar os bois antes do carro. Primeiro isso e depois aquilo.

Em tempo, o blog é bem-vindo, todos os blogs são. Viva a blogosfera.

Por falar em coisas fora de esquadro, na Câmara Municipal de Ubatuba volta e meia um vereador fala sobre o perigo representado pelas torres de celulares, que, segundo ele, fazem mal à saúde.

A fala não é baseada em fatos concretos, nada há de conclusivo sobre malefícios resultantes da ação de ondas de rádio de baixa freqüência no organismo humano.

Pela quantidade de celulares que há e pelo tempo que estão em uso é mais sensato esquecer o alarmismo. Há vinte anos ouço essa conversa apocalíptica e, caso viva mais cinqüenta, provavelmente continuarei ouvindo. Pelo menos na Câmara Municipal de Ubatuba.

Opinião

A pane telefônica

Editorial do Estadão
Pela terceira vez em apenas dois meses - e pela quinta vez em menos de um ano - tivemos uma paralisação dos serviços de telefonia fixa e internet em São Paulo, na área coberta pela Telefônica. A interrupção desses serviços essenciais causou grandes prejuízos aos usuários. Não se justificam, assim, nem as explicações ligeiras da companhia nem a reação moderada da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), à qual incumbe fiscalizar a telefonia.

Na terça-feira, a partir das 9 horas, deixaram de funcionar os telefones numa grande área da capital e do interior, isolando também a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Eletropaulo e a Comgás e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Casos de pessoas que procuraram os serviços de emergência, sem sucesso, foram relatados pelo repórter Vitor Hugo Brandalise, na edição de quarta-feira do Estado. A Secretaria Municipal da Saúde constatou que deixaram de ser atendidas 30 ocorrências.

Não foi uma pane qualquer, pois os serviços de telefonia fixa ficaram interrompidos, parcial ou totalmente, durante quase todo o dia - inclusive à noite, no caso de clientes corporativos. O problema que afetou a rede de sinalização interrompeu serviços de chamadas locais, de longa distância nacional e internacional, serviços 0800 e de call centers e chamadas para celulares, nos seis pontos de transferência de sinalização da Telefônica, três dos quais na capital, nos bairros de Perdizes, Liberdade e Ibirapuera, e três no interior, em Americana, Campinas e Araraquara.

Várias notas de esclarecimento foram divulgadas pela Telefônica, na última das quais a empresa admitia que os problemas perduraram por mais de 14 horas consecutivas.

A concessionária prometeu "ressarcimento aos usuários em decorrência dos problemas registrados". Mas como ressarcir a falta de pronto atendimento de acidentes ou ocorrências policiais, que puseram em risco a vida de pessoas?

A operadora admitiu ter identificado "uma falha humana cometida pela equipe de um fornecedor que presta serviços na rede da empresa". Mas os problemas semelhantes registrados no passado, várias vezes, deixaram evidente a ausência de equipamentos redundantes, que entrassem em funcionamento automático em emergências.

Segundo o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, "é realmente muito estranho que esses problemas afetem apenas a Telefônica".

A Telefônica é uma empresa multinacional, de capital espanhol, que controla a Telesp, companhia aberta com ativos de mais de R$ 19 bilhões, patrimônio líquido de R$ 10 bilhões e lucro líquido, no primeiro trimestre, de R$ 482 milhões. Tem cerca de 12 milhões de assinantes em São Paulo, aos quais deve prestar um bom atendimento - em vez do tratamento que provoca milhares de reclamações nos serviços de proteção ao consumidor. Pesquisa da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado de São Paulo (Procon SP) indica a Telefônica na liderança das reclamações.
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Manchetes do dia

Sábado, 13 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Presidente do Irã vence reformista e se reelege"

Ahmadinejad ficará mais quatro anos no poder; rival aponta fraude

O presidente do Irã, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, 52, foi reeleito em primeiro turno e ficará mais quatro anos no cargo, segundo dados oficiais. Com quase 80% das urnas apuradas, ele tinha cerca de 65% dos votos e não poderia mais ser alcançado pelo maior rival, o reformista Mir Hossein Mousavi, com 32%. A apuração deveria terminar hoje pela manhã em Teerã. Após a campanha mais acirrada da história do país, Ahmadinejad e Mousavi haviam declarado vitória. Assessores do segundo chegaram a falar em fraude. A votação reflete a popularidade do presidente depois de manter programas assistenciais, aumentar salários do funcionalismo e provocar os EUA e Israel com seu programa nuclear.

O Globo
"Senadores sabiam de atos secretos, afirma ex-diretor"

Agaciel: ‘Decisões foram referendadas por um colegiado; e eu sou responsável?’

“Ninguém pode alegar que não sabia”, afirmou ontem o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, sobre os cerca de 500 atos secretos usados para nomear apaniguados, pagar horas extras e aumentar salários. Dizendo que tentam transformá-lo em bode expiatório, Agaciel lembrou que foram os próprios senadores que preencheram os postos criados sem registro oficial durante dez anos. Ele ocupou a direção geral por 14 anos, desde a primeira gestão de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa. “O fato é que as decisões foram referendadas por um colegiado; não fui eu quem assinou nenhuma delas; não fui eu quem publicou, e eu sou responsável? Não vou aceitar. “Senadores já estudam a viabilidade de representar contra Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL), que também presidiu o Senado no período.

O Estado de São Paulo
"Ahmadinejad e opositor se declaram vitoriosos no Irã"

Atual presidente liderava a contagem, mas Mousavi não admitia derrota

A agência oficial do Irã anunciou que Mahmoud Ahmadinejad reelegeu-se presidente, mas seu principal opositor, o moderado Mir Hossein Mousavi, denunciou irregularidades e declarou-se vencedor da disputa, que teve alto comparecimento de eleitores. Segundo boletins oficiais até o fechamento desta edição, apurados 61% dos votos válidos, Ahmadinejad estava com 66,18%, contra 31,06% de Mousavi. As autoridades, no entanto, não informaram de onde vinham esses votos, se do interior, reduto de Ahmadinejad, ou se das grandes cidades, onde Mousavi supostamente tinha sua base. Caso ninguém obtenha mais de 50% dos votos, haverá segundo turno.

Jornal do Brasil
"No ritmo do chefe"
Melhor ser credor – O governador de Sergipe, Marcelo Deda, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram da cerimônia de entrega de prédios reformados. Lula exaltou o fato de o Brasil ter emprestado dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

sexta-feira, junho 12, 2009

Chávez, Il Buffone

Venezuela proíbe e recolhe a Coca Zero

Deu na Folha (fonte)
O "socialismo do século 21" na Venezuela proibiu a produção e a distribuição da mais nova versão da bebida do imperialismo, a Coca-Cola Zero.

A decisão, disse o governo de Hugo Chávez, deve-se ao fato de o refrigerante ter em sua fórmula um componente prejudicial à saúde dos venezuelanos.

Sem identificar exatamente o tal ingrediente, o ministro da Saúde anunciou um procedimento de inspeção que inclui o recolhimento dos refrigerantes desse tipo.

A empresa Coca-Cola Femsa, engarrafadora dos refrigerantes no país, anunciou que acatará a decisão do governo, embora tenha negado a presença de qualquer ingrediente insalubre em seu produto.


Nota do Editor - Ainda bem que não vivo na Venezuela pois Coca Zero é um dos meus vícios, ao lado de passoquinha e uva passa. Chávez gosta de um holofote, não perde a chance de aparecer. Não faz sentido proibir o povo venezuelano de apreciar as delícias de l'acqua nera del'imperialismo na versão senza zucchero. Sou contra isso. (Sidney Borges)

Coluna da Sexta-feira

Único

Celso de Almeida Jr.
Vamos imaginar que um funcionário da prefeitura de Ubatuba seja corrupto.


Apenas um e ninguém mais.

Não importa que seja servidor concursado ou comissionado.

Isso é uma hipótese e, antes que queiram arrancar o meu couro, qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência.

Seria fácil constatar o enriquecimento ilícito do gatuno?

Eu acredito que sim.

Ou estou enganado?

Afinal, para isso também serve a declaração do imposto de renda.

Alguns, mais safos, não deixarão de observar que existe a possibilidade de colocar tudo em nome de outra pessoa, de um "laranja", dificultando o pente fino na vida do suspeito.

Mas, convenhamos, não é preciso ser do FBI para descobrir gente que enriquece rápido demais, sem uma justificativa razoável.

Vamos lá...

É certo que esse sujeito imaginário se beneficie de tramóias com recursos públicos para garantir o seu pé de meia?

É aceitável, que malandragens de toda ordem esfolem o erário, garantindo o sorriso maroto de um picareta dissimulado?

Há estômago que resista a quem se faz de bom moço mas que não deixa de acenar para o anjo caído?

Ora, ora, ora...

Historinha fantasiosa essa minha, não é?

Eu não aprendo.

Envelheço e continuo no mundo da lua.

Onde já se viu.

Imaginar um, assim.

Opinião

Onde se conseguirão recursos para pobres?

Washington Novaes
Em meio às notícias sobre índices inquietantes de recessão econômica em praticamente todo o mundo - menos 4% no primeiro trimestre no Japão, menos 3,8% na Alemanha, menos 5,7% nos EUA, só para citar alguns casos -, chega a notícia de que, numa reunião preliminar à Convenção do Clima, em Bonn, o Fórum de Investimentos Inovadores para o Desenvolvimento propôs taxar em 0,005% (meio por cento) as operações monetárias internacionais. Com o resultado da taxação pretende criar um fundo que disponha de entre US$ 30 bilhões e US$ 60 bilhões anuais para combater a fome no mundo (mais de 1 bilhão de pessoas, segundo a ONU). Parece uma ressurreição da Taxa Tobin, com a qual o economista James Tobin pretendeu, na década de 1990, chegar ao mesmo fim, criando um tributo sobre as operações financeiras, que naquela época, dizia ele, já chegavam a US$ 1,5 trilhão por dia. Não teve êxito.


Também agora a caminhada parece difícil. A Grã-Bretanha já se opôs e está sendo acompanhada por outros países - mesmo sabendo que o número de pessoas que passam fome no mundo continua crescendo. Só este ano são mais 40 milhões; desde 2007, mais 150 milhões, diz a ONU. Da mesma forma a linha da pobreza (renda de menos de US$ 1,25 por dia por pessoa) continua a incluir mais gente e chega a 41,7% da população global (mais de 2,7 bilhões de pessoas), quando os Objetivos do Milênio previam baixar essa porcentagem para 20,9% (1,4 bilhão).

Nesse quadro, a concentração da renda no mundo continua a crescer (Estado, 25/3), com 1% da população detendo 40% da riqueza total. Entre os privilegiados, perto de 65% concentram-se nos EUA e no Japão, 0,6% no Brasil. Não altera muito o quadro com que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) escandalizou o mundo, na década de 90, ao afirmar que as três pessoas mais ricas do planeta, juntas, tinham ativos superiores ao produto bruto dos 48 países mais pobres, onde viviam 600 milhões de pessoas. E pouco mais de 250 pessoas, cada uma delas com ativos maiores que US$ 1 bilhão, juntas, detinham mais que os 40% da humanidade já naquele tempo abaixo da linha da pobreza, perto de 2,5 bilhões. Nos países industrializados, com menos de 20% da população global, concentravam-se quase 80% da renda universal (e do consumo). Mas nem com a renda se concentrando aumenta a ajuda dos países mais ricos. Ao contrário. Em 2007-2008 ela chegou a apenas US$ 29 bilhões, que valeria a pena comparar com os mais de US$ 3 trilhões aplicados pelos governos dos países industrializados para socorrer bancos e empresas. Cem vezes menos.

Também inquietante é a progressiva urbanização no mundo. Hoje já temos 49% da população total - quase 3,3 bilhões de pessoas - vivendo em cidades, onde as condições costumam ser piores para os mais pobres. No Brasil, o quadro sobre a porcentagem de pobres nas grandes cidades não é menos inquietante (mais de 40% no Recife e em Fortaleza, mais de 30% em Belém e Salvador, mais de 20% em Belo Horizonte, mais de 15% em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, mais de 10% em Curitiba). Na média das metrópoles, 21,01%, ou 4,9% mais que em 2000.

As preocupações com a pobreza e a miséria agravaram-se há poucas semanas, com a publicação de novo estudo da Organização para a Alimentação e a Agricultura, da ONU (FAO), mostrando que, embora a produção de alimentos em 2009 possa garantir o abastecimento no mundo (2,2 bilhões de toneladas), a queda dos preços no mercado internacional gera uma contradição: o custo pode subir para as pessoas mais pobres, mas também pode cair a produção (como caiu, por desincentivo aos produtores). A esses fatores a FAO acrescenta a preocupação com a crescente compra de terras nos países mais pobres, por estrangeiros e nacionais, que já está dificultando o acesso das pessoas pobres a esse recursos e também à água.

Na reunião em Bonn, cresceram as pressões dos países mais pobres por um acordo na área do clima que possa reduzir suas preocupações. Esses países já são os mais atingidos pelos "eventos extremos", que atingiram mais de 300 milhões de pessoas em 2008 e deixaram prejuízos de mais de US$ 200 bilhões. Como se vai transferir tecnologia que habilite essas nações a conceber e pôr em prática planos de adaptação às mudanças em curso? Se não houver ajuda, o prejuízo poderá estender-se ao mundo todo, já que as emissões por mudanças no uso do solo nos países mais pobres cresceram mais de 30%, enquanto as resultantes de desmatamentos e queimadas subiram 17%.

E no Brasil, o que acontecerá nesse quadro que engloba recessão internacional e interna, pobreza e clima? Mesmo sem entrar no terreno do confronto entre ruralistas e ambientalistas, já há indicadores preocupantes com a redução da atividade econômica em dois trimestres - caracterizando tecnicamente uma recessão - e com a queda do Índice de Qualidade do Desenvolvimento, anunciada pelo Ipea. Vários indicadores que compõem esse índice - taxa de pobreza, mobilidade social, desigualdade de renda, desemprego, ocupação formal - acusaram piora. A folha de salários baixou 12,4% entre fevereiro e março. O desemprego subiu de 8,5% para 9%. O desemprego industrial teve seu pior mês em oito anos.

Nem com isso tudo, entretanto, as posições do Brasil no cenário internacional evoluíram. Continua silente em matéria de assumir compromissos de redução de emissões. E quanto à criação de taxa sobre transações monetárias internacionais, nosso representante nas discussões, o ministro Patrus Ananias, declarou-se favorável "como cidadão"; como membro do governo, "a tese precisa ser discutida".
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 12 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Gripe suína já é pandemia, diz OMS"

Doença atingiu quase 30 mil pessoas em 74 países; para entidade, porém, o mundo está preparado para enfrentá-la

A Organização Mundial da Saúde elevou ao máximo seu nível de alerta para o vírus A (H1N1), causador da gripe suína, e decretou a primeira pandemia do século.
A decisão foi motivada pelo crescente número de casos no mundo (perto de 30 mil em 74 países) e pela conclusão da OMS de que o avanço do vírus já é um fenômeno global - uma pandemia é declarada quando há transmissão ampla e intercomunitária em mais de uma região. Até ontem, o Brasil confirmara 52 casos.
Ao elevar o alerta, Margaret Chan, diretora da OMS, afirmou que na maioria dos casos o vírus teve efeito moderado, equivalente ao da gripe comum, e que o mundo está preparado para enfrentar a pandemia. Até agora, houve 144 mortos, total considerado “baixo” por ela.
O Ministério da Saúde brasileiro disse que não há necessidade de mudar as medidas já adotadas.

O Globo
"Gripe suína chega a 74 países e vira pandemia"

OMS pede reforço na prevenção; Ministério tranquiliza brasileiros

Pela primeira vez desde 1968, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou alerta de pandemia para uma doença, a gripe suína, que já chegou a 74 países com quase 29 mil casos e pelo menos 144 mortes registradas. Numa reunião de emergência, a OMS pediu a governos do mundo todo que se preparem para uma longa batalha e reforcem suas defesas contra o vírus H1N1. No entanto, a organização deixou claro que o vírus continua moderado e ressaltou que o alerta de pandemia decorre da expansão geográfica da gripe suína, e não do aumento da letalidade do H1Nl. Em Brasília, o Ministério da Saúde assegurou que a declaração de pandemia pela OMS não muda a situação da doença no país, pois o governo já teria adotado as medidas para evitar sua propagação.

O Estado de São Paulo
"OMS faz acordo e anuncia pandemia moderada de gripe"

Entidade eleva grau de alerta; para ministério, no Brasil, ‘controle é absoluto’

A Organização Mundial da Saúde declarou que o mundo vive uma pandemia moderada de gripe suína, a primeira em 41 anos, informa o correspondente Jamil Chade. Isso quer dizer que a doença está em pelo menos duas regiões do mundo - na verdade, já são 27 mil casos em 74 países. O alerta não significa que a gripe tenha ficado mais severa, mas sim que se tornou global. Houve acordo político para que a pandemia fosse anunciada - países europeus, que temiam danos à economia por conta de queda no turismo, resistiam. O acerto inclui a omissão do nome dos países afetados fora da América do Norte. A OMS diz que a proliferação pode ocorrer por mais dois anos, e a preocupação é o impacto nos países pobres. A entidade admite não haver nada novo que os governos possam fazer para lidar com a pandemia. A ordem é para que se mantenha a vigilância. O Brasil registra 52 casos. A ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, disse que a gripe “está absolutamente sob controle” e que a transmissão é limitada.

Jornal do Brasil
"Gripe suína é primeira pandemia do milênio"

No século passado houve apenas três epidemias mundiais. Ministério diz que Brasil está preparado

A Organização Mundial de Saúde declarou a gripe suína uma pandemia - a primeira em 41 anos. A decisão ocorre devido à intensidade de difusão do vírus A (H1N1), e não a um aumento da letalidade da doença. Segundo a entidade, há o temor de que novas infecções possam lotar os hospitais. O Ministério da Saúde informou que, na prática, não deve haver alterações nos procedimentos adotados no Brasil. “A situação está completamente sob controle”, garantiu a ministra interina, Márcia Bassit. No século 20, ocorreram três pandemias. A primeira, a gripe espanhola, matou entre 20 milhões e 100 milhões de pessoas.

quinta-feira, junho 11, 2009

Charge - Amarildo


Do Blog do Noblat

Estava na hora!

Italiana que perdeu voo 447 morre em acidente de carro na Áustria

da Folha Online (original aqui)
A italiana Johanna Ganthaler, que "sobreviveu" ao acidente com o
Airbus da Air France por ter perdido o voo 447, morreu em um acidente de carro na Áustria. Segundo a agência Ansa, o marido dela, Kurt Ganthaler, que também viajaria do Rio a Paris na aeronave, ficou seriamente ferido.

O Airbus caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas, de 32 nacionalidades. Entre elas, 72 franceses, 59 brasileiros e 26 alemães. Desde o último sábado (6), autoridades brasileiras e francesas resgataram 41 corpos.

Leia a cobertura completa sobre o voo AF 447
Veja nomes de ocupantes do voo 447
Veja onde conseguir informações sobre o voo

Johanna, uma aposentada da Província de Bolzano-Bozen, na Itália, passou férias no Brasil com o marido e pretendia voltar para casa no dia 31 de maio, quando aconteceu o acidente. Após perder o avião da Air France, eles foram à Europa em outro voo.

O acidente envolvendo o carro onde estava o casal ocorreu em uma estrada de Kufstein, na Áustria. O veículo tombou ao tentar desviar de um caminhão.

Festa do Divino

D'além tejo

Preciosidades da verdadeira língua portuguêsa, ou o êxtase em ênclise

Patricia Campos Mello (original aqui)
Aqui em Washington, tenho o privilégio de conviver com vários portugueses, ou tugas, como eles dizem. E o enriquecimento lexical é notável – os portugueses têm expressões excelentes para vários aspectos da vida. Entre parênteses, aspecto não é aspecto – é aspeto, sem pronunciar o cê (e agora, com a reforma, sem escrever o cê). Já facto não perdeu o cê com a reforma, porque fato é terno. Hã?

Os lusofalantes originais, aliás, estão furibundos com a tal reforma. Despediram-se a duras penas do pê em excepção e em adopção.

Os portugueses não morrem de fome – eles, paradoxalmente, ficam “cheios de fome”. Para aqueles que vêm de Lisboa, é linguagem corrente não concordar o advérbio com o adjetivo – “isto aqui é muita caro”, por exemplo.

Há grandes expressões, ou "bestiais", melhor dizendo. Outro dia, comentei com um amigo que achava a Katie Holmes muito bonita.

- “Ela é banal de autocarro”, ele disparou. Ou, para leigos, “mulher bem comum, daquelas que a gente encontra no ônibus”. De borla é de graça, boleia é carona.
Além das piadas prontas, claro.

Dia desses, espiei uma colega portuguesa escrevendo um post sobre a dificuldade dos humoristas para fazer piadas com Obama. “Ninguém goza com Obama”.

E entrando nesse assunto mais, digamos, gráfico, descobri que os portugueses devem ser um dos poucos povos no mundo que têm orgasmo em ênclise – “estou-me a vir” é a frase por eles usada,contou-me a minha colega.

Petrobras na berlinda

Fontes murmurantes

“Há uma quebra de contrato ao divulgar as informações de que os jornalistas dispõem, não raramente peças de quebra-cabeça ainda em formação”. Igor Gielow (Folha de S. Paulo, 9/6/2009)


Marcelo Mirisola*
Basicamente essa é a queixa mais light do pessoal que – antes da internet – mandava, desmandava, tripudiava, destruía, massacrava, corrompia, isolava... censurava e editava as informações conforme suas conveniências. Só sei de uma coisa. O blogue da Petrobras (http://petrobrasfatosedados.wordpress.com) inaugurou uma nova era na informação (ou desinformação, a conferir). A partir de agora, a Fonte não se obriga ao sigilo. Ou seja, a Fonte vai murmurar: o blogue publicará as perguntas e as respostas relativas à empresa na íntegra.

Uma coisa vos digo, caros leitores: independentemente dos interesses disfarçados e de eventuais CPIs pairando no ar pesado de Brasília, temos que comemorar. Não sei como ninguém pensou nisso antes. A iniciativa devia ser estendida. Eu mesmo dei um monte de entrevistas que foram “editadas” por canalhas que se diziam jornalistas. Mudaram completamente o sentido do que eu disse, usaram e abusaram da minha confiança. Voltando.

A guerra entre a Petrobras e a chamada Imprensa Livre e Democrática, está apenas no começo. E eu não estou me aguentando de tanto rir, é muito divertido. É engraçado acompanhar os chiliques do povinho que sempre mandou e desmandou, tripudiou, destruiu, massacrou, corrompeu, isolou, censurou e “editou”... pimenta no rabo dos outros não ardia, até agora. A coisa está mudando de figura. Eita! Como é bom ver essa gente ilustrada acima do bem e do mal, esperneando; é muito engraçado acompanhá-los nos estertores, em vias de extinção, a gritar por transparência, ética e sei lá mais o quê.

Que contratos foram quebrados, caras pálidas? Os contratos leoninos que os senhores estabeleceram em seus manuais de redação? Desde quando a FONTE tem que ser Fiel ao jornalista? Que eu saiba, a regrinha – que vocês mesmo estabeleceram, repito – diz o contrário. A FONTE não é empregadinha de vocês, a FONTE não tem os mesmos interesses de vocês, a FONTE – agora – não será intimidada: a partir de agora, vai ser mais difícil manipular, tripudiar, destruir, isolar, massacrar, corromper, editar etc etc. O joguinho está começando a inverter, e ninguém mais terá a primazia da verdade em primeira mão, ou melhor, a verdade e a mentira nunca foram tão parecidas e tão escrotas como agora. Porque antes elas eram escrotas mais tinham dono, agora não.

No meio desse pega-pra-capar, desse rebuliço – isso tudo é muito divertido – o jornal O Globo (10/6) – vai atrás da chancela acadêmica, aquela que sempre deu um verniz para a suposta seriedade da auto-proclamada Imprensa Livre e Democrática, e pergunta ( evidentemente já incluindo a resposta na indagação) ao Professor de Ética da Unicamp: “O que se pode fazer para garantir o direito autoral da reportagem?”

Roberto Romano, professor de ética. Vejam só a resposta do Professor de Ética da Unicamp: “O jornal deve publicar a matéria e deixar que eles façam o serviço deles sem dar ampliação ao blog deles. É uma questão muito simples de preservação do autorrespeito profissional de vocês. Vocês devem procurar ouvi-los, colocar na reportagem aquilo que a consciência de vocês recomenda. E eles que se virem com a campanha suja que estão fazendo. Se os jornalistas entram nessa linha da polêmica, legitimam o lado deles. Não existe paridade entre jornalistas, que têm responsabilidade pública, e uma propaganda intimidatória”.

Vou comentar (confesso que quase caí da cadeira de tanto rir). Imagino que Berlusconi também deva ter um professor de Ética que o aconselhe em momentos de crise. O Picachu da Coréia do Norte também deve ter um desses por perto. Começa pelo tom do “professor de ética”, já entregando o lado a que pertence: “eles” de um lado e nós do outro. É bom fazer essa diferença para estabelecer uma confiança, afinal “ética” deve servir – também – para isso, para separar as coisas. Quem me paga e quem me serve, por exemplo. O professor Romano, além de professor de ética, deve ser um estrategista, notem como ele valoriza “o serviço deles” e imediatamente aconselha o jornal a não dar “ampliação” à versão do concorrente, ou seja, “o blog deles”. Em seguida, fala em preservação, quer dizer que algo precisa ser cuidado ou já está em vias de desmoronamento: no caso o autorrespeito profissional dos jornais que foi posto em xeque pelo blog da Petrobrás. Aí vem a pérola: “Vocês devem procurar ouvi-los, colocar na reportagem aquilo que a consciência de vocês recomenda”. Humm. Vocês devem procurar ouvi-los? Isso faz supor que “ouvir” necessariamente não é prática corrente, porque quem deve – em tese – não tem obrigação de. Apenas “deve”.

Não acredito! Vou ao jornal conferir novamente. Foi isso mesmo. Tenho que repetir! Eis o brilhante raciocínio ético do professor da Unicamp, oráculo do jornal O Globo. Vejam só o que ele disse: “colocar na reportagem aquilo que a consciência de vocês recomenda”. E eu fico aqui a imaginar as recomendações da consciência de um Mengele no campo de extermínio de Bikernau, porque afinal de contas, todos nós, até os professores de éticas da Unicamp, temos “consciência”. E no caso dessa entrevista brilhante, fica fácil deduzir o que recomenda a consciência dos jornalistas em desespero, imagino que provavelmente os mesmos procedimentos do professor de ética da Unicamp: “eles que se virem com a campanha suja que estão fazendo”.... E? O que se presume? Nós que continuemos a fazer a nossa campanha sujo do lado de cá. Ou será que eu estou “editando” o pensamento brilhante do professor Romano?

No final, porque não sou jornalista e nem trabalho para a Petrobras, tenho que concordar em parte com o Professor de Ética da Unicamp. Não existe paridade: só existe mesmo intimidação. A diferença é que a intimidação, agora, existe de ambos os lados. Viva a internet!

*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

Opinião

Barack contra a jihad

Demétrio Magnoli
Há 45 anos, no Cairo, veio à luz o manifesto da jihad contemporânea. Escrito no cárcere, por Sayyd Qutb, líder da Irmandade Muçulmana, Milestones profetizava: "A liderança do homem ocidental no mundo humano está em declínio, não porque a civilização ocidental esteja em bancarrota material ou tenha perdido sua força econômica ou militar, mas porque a ordem ocidental já cumpriu sua parte, e não mais possui aquele acervo de valores que lhe deu sua predominância. Chegou a vez do Islã." Há uma semana, no mesmo Cairo, Barack Obama contestou Qutb. Não por meio de uma contraposição entre o Ocidente e o Islã, mas pela evocação de valores universais, que são patrimônios humanos. O discurso presidencial enfureceu tanto os arautos jihadistas do terror global quanto os intelectuais neoconservadores que moldaram a política mundial de George W. Bush.


Qutb morreu na forca em 1966, condenado injustamente pelo regime nacionalista de Gamal Abdel Nasser, mas seu irmão Muhammad exilou-se na Arábia Saudita e, com outros líderes egípcios foragidos, difundiu a bandeira do jihadismo entre a elite saudita. Em 1979, 1.500 militantes jihadistas tomaram a Mesquita de Meca, deflagrando a guerra civil que prossegue até hoje no mundo do Islã. Obama falou para os muçulmanos, concitando-os a voltar as costas para os fanáticos e resgatar o Islã das mãos dos apóstatas. A sua "guerra ao terror" é travada com palavras, mais que com mísseis.

"Enquanto a nossa relação for definida por nossas diferenças, entregaremos o poder àqueles que semeiam o ódio ao invés da paz e promovem o conflito no lugar da cooperação (...). Esse ciclo de suspeita e discórdia precisa terminar." A Al-Qaeda emanou da dissidência jihadista do Islã, que assumiu os contornos de um exército de fiéis nos campos de batalha do Afeganistão durante a guerra contra a ocupação soviética. Os herdeiros de Qutb, reunidos na rede de Osama bin Laden, almejam a restauração do califado islâmico e a imposição da Lei do Livro sobre todos os muçulmanos. Obama está dizendo que essa invocação do Islã literal não é apenas uma negação da modernidade, mas uma negação do próprio Islã.

O presidente americano falou na Universidade do Cairo, fundada pelo califado fatimíada no século 10, associada à Mesquita Al-Azhar e consagrada à propagação da cultura islâmica. Obama exaltou a civilização islâmica, "que carregou a tocha do conhecimento, pavimentando o caminho para a Renascença europeia e as Luzes", pela sua capacidade de inovação nos campos da álgebra, dos instrumentos de navegação, da tipografia, da medicina, da arquitetura. Ele reconheceu os "conflitos e guerras religiosas" entre o Ocidente e o Islã, mas rejeitou a imagem de dois monólitos contraditórios, acocorados nos casulos de dogmas inconciliáveis. O Islã está no Ocidente e o Ocidente está no Islã - eis a mensagem do discurso programático que explode como uma bomba nas fortalezas ideológicas encravadas nos dois lados de uma fronteira ilusória.

"EUA e Islã não são exclusivos e não precisam ser rivais. Em vez disso, eles se intersectam e partilham princípios comuns - princípios de justiça e progresso, tolerância e dignidade de todos seres humanos." Obama falou para os muçulmanos, mas também para os ocidentais, mirando especialmente os orientalistas que formularam a doutrina da guerra de civilizações. Bernard Lewis, o príncipe dos orientalistas, definiu cedo um ponto de vista inegociável: investigando os arquivos otomanos, convenceu-se de que a cultura muçulmana contém um pecado original, expresso como resistência irremovível à mudança. Depois, fiel à chave interpretativa, cunhou a expressão "choque de civilizações" e sustentou que Islã e Ocidente colidem desde o século 7º, quando se ergueu o primeiro califado. Na sua perspectiva, Islã e Ocidente definem-se por culturas inapelavelmente separadas - e a salvação do primeiro depende da eventual negação de sua "essência", pela adoção dos valores do segundo. Recusando as categorias fixas de Lewis, Obama liberta os EUA da armadilha cruzadista que desnorteou sua política mundial depois do 11 de setembro de 2001.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 11 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Juro cai para menor taxa em 13 anos"

BC surpreende e reduz Selic de 10,25% para 9,25% ao ano; valor real, porém, ainda está entre os maiores do mundo

Em uma decisão surpreendente, o Banco Central reduziu os juros básicos em um ponto percentual: a taxa Selic passou de 10,25% para 9,25% ao ano. A maioria dos analistas do mercado financeiro apostava em um corte de 0,75 ponto. Os juros reais (descontada a inflação) no país, porém, ainda estão entre os maiores do mundo.
É a primeira vez desde a criação do Comitê de Política Monetária, em 1996, que a taxa fica abaixo de 10%.
O BC, porém, indicou que o corte pode ter sido o último do processo iniciado em janeiro dizendo, em nota, que "qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa".
A redução, aprovada por 6 votos a 2, foi motivada pela expectativa de que a inflação fique abaixo do centro da meta em 2009 e 2010. O corte de 4,5 pontos feito na Selic neste ano deve levar alguns meses para fazer efeito.
A taxa serve só como referência para o mercado. Na prática, os juros da economia são bem maiores.

O Globo
"BC surpreende e reduz os juros para 9,25% ao ano"

Pela primeira vez, país tem taxa de um, dígito. Decisão rachou diretoria

Um dia depois do anúncio de que o país entrara oficialmente em recessão, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central surpreendeu e reduziu os juros básicos (Taxa Selic) em um ponto percentual, para 9,25% ao ano. É o menor patamar histórico do país, com apenas um dígito - ou seja, abaixo de 10%. A decisão do BC, no entanto, não foi unânime: dois dos oito diretores queriam baixar apenas 0,75 ponto. Os analistas de mercado acreditavam que; como o PIB recuou menos que o esperado - queda de 0,8% no primeiro trimestre -, o Banco Central poderia ser mais conservador e cortar menos os juros. Com a Selic a 9,25%, a caderneta de poupança - que não paga impostos nem tem taxa de administração - ganha, em rentabilidade, de grande parte dos fundos de renda fixa. Mesmo com a queda da Selic, o Brasil continua tendo a terceira maior taxa de juros real (descontada a inflação} do mundo. Nos minutos seguintes à decisão do Copom, vários bancos anunciaram redução de suas taxas para empréstimos e cheque especial.

O Estado de São Paulo
"BC põe juro abaixo de 10% pela primeira vez"

Corte de 1 ponto surpreende, mas comunicado indica cautela

O Banco Central cortou os juros básicos da economia em 1 ponto porcentual, para 9,25% ao ano. Foi a quarta diminuição seguida, e o Brasil passou a ter taxa de um dígito pela primeira vez desde que a Selic foi criada, em 1986. O corte surpreendeu o mercado - a maioria das previsões apontava para redução de 0,75 ponto. O BC afirmou que a decisão de ontem foi tomada "tendo em vista as perspectivas para a inflação", mas deixou claro que as próximas serão mais comedidas. Agora, o juro real (descontada a inflação) é o menor da história: a taxa para os próximos 12 meses caiu de 5,8% para 4,9% ao ano. Apesar disso, o Brasil está em terceiro no ranking dos maiores pagadores de juros do mundo, atrás de China (6,9%) e Hungria (5,9%). Como a queda da Selic tornará a poupança atraente, os bancos estão cortando o valor mínimo de aplicação em fundos de investimento para torná-los mais competitivos.

Jornal do Brasil
"Menor juro da história"

BC deixa taxa Selic pela primeira vez em um dígito

Com o corte de 1 ponto percentual promovido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, a taxa básica de juros (Selic) atingiu o seu mais baixo patamar desde que foi criada, em 1999: 9,25% ao ano. Pela primeira vez na história, o Brasil exibe juros de um dígito. A decisão foi elogiada. A expectativa da maioria dos economistas do mercado financeiro era que o BC seria menos agressivo na redução da Selic - sobretudo após a divulgação do PIB do primeiro trimestre deste ano, que não foi tão negativo quanto se esperava. Especialistas advertem que, apesar da alta do consumo e do crédito, a retomada do crescimento ainda enfrenta obstáculos, como o cenário internacional incerto e o baixo nível de investimentos da indústria.

quarta-feira, junho 10, 2009

BMW Isetta

Tempo

Mago despontando

Sidney Borges
O tempo está mudando diz a previsão. Teremos frio e chuva no final de semana. Vou contrariar a vontade dos meteorologistas, pelo menos em pensamento, quero dias azuis como a manhã de ontem, com céu limpo e sem a presença de nuvens, apenas a esteira de condensação dos aviões. Usarei meus poderes.

Pensamento positivo é da maior importância. Lembro-me de Lulu Bolota, colega de classe do meu primo. Pesava mais de cem quilos distribuídos equatorialmente em um metro e sessenta e cinco.

A vontade de emagrecer era imensa, Lulu tentou todas as possibilidades com fé e esperança, fez dietas mil, comeu apenas abacaxis e alface, passou semanas a clara de ovo. Nada dava certo, ela perdia cinco ou seis quilos com sacrifício e ninguém notava, uma coxinha ou um pedaço mínimo de torta de limão e lá estavam os pneus a estofar a "cinturinha".

Mas não pensem vocês que Lulu desistiu. Certo dia deu a mão à leitura a uma cigana. Foi a salvação da lavoura.

Daquele momento em diante o café da manhã de Lulu Bolota incluiu um cálice de água benta com três gotas de vinagre e um cravo da índia, que ela mastigava e cuspia em um formigueiro.

Em seguida rezava nove vezes o mantra: Santa Helena tenha pena, me faça ficar pequena, Santa Helena seja bendita, me faça ficar bonita. O arremate era feito com três ave marias e um padre nosso.

Funcionou, Lulu Bolota hoje exibe corpinho de sílfide, de longe até parece a Gisele Bündchen.

Assim como a cigana, também tenho poderes mágicos. Hoje fiz a chuva parar usando a força do pensamento. Agora vou tomar um banho quente, preciso melhorar a velocidade dos "milagres". A chuva demorou para entender e molhou-me até os ossos. Talvez seja o caso de criar chuva seca.

Pensata

Momentos

Sidney Borges
Acabei de ler na Folha que bilíngües costumam esquecer palavras e, em certos casos, confundí-las.

Deve ser por isso que olho o monitor onde está escrito twitter e me vem à cabeça Chubby Chequer.

Sinto vontade de dançar ao som da voz estridente de Dee Dee Sharp: Do you love me? Do you love me baby? Em tempo, falo português e a língua do "p".

Frases

“Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência”.

Arthur Schopenhauer

Portugal em pauta

Problema da aviação

Moacir Japiassu no Comunique-se (original aqui)
No breve, mas ativo governo Jânio Quadros, em 1961, a política externa brasileira foi dinamizada e reorientada para prestigiar o Terceiro Mundo. Um dia, nosso chanceler, Afonso Arinos, foi enviado em missão diplomática a Lisboa. Como ele tinha muito medo de viagens aéreas, chegou à capital lusitana com péssima aparência. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal do governo Salazar, Dr. Paulo Cunha, ao lhe dar as boas-vindas no aeroporto de Portela de Sacavém, indagou:

− V. Excia. está a passar mal? Houve alguma tempestade sobre o Atlântico durante o voo?

− Não. A viagem foi tranquila. Eu é que tenho medo de viagens de avião e fico assim depois de voos muito longos, respondeu nosso ministro de Relações Exteriores.


− Pois V. Excia. tem toda a razão. O grande problema da aviação é que o avião dá defeito lá em cima e as oficinas estão cá em terra − retrucou o seu homólogo, com todo o raciocínio lógico cartesiano próprio dos portugueses.

Que país é este?

CNJ aprova medida que afasta os titulares de 5000 cartórios

Flávio Ferreira e Ana Flor na Folha (original aqui)
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou ontem por unanimidade uma resolução que determina a remoção dos titulares de cartórios civis do país que não passaram por concursos públicos para o preenchimento dos cargos.

A estimativa do CNJ é que mais de 5.000 tabeliães e oficiais registradores -cerca de um quarto do total do país- percam os postos com a medida, que vale para os que assumiram sem concurso após a promulgação da Carta de 1988.

A resolução também prevê a realização de seleções públicas para os cargos a partir de 90 dias. A expectativa do CNJ é a de que todos os novos concursos sejam concluídos até o final deste ano.

A decisão, entretanto, poderá perder efeito caso a Câmara aprove a PEC (proposta de emenda à Constituição) 471, que efetiva titulares de cartórios não concursados que já estejam há mais de cinco anos no cargo. A PEC está pronta para ser votada no plenário da Casa.

A atividade dos cartórios tem natureza privada e é realizada por meio de delegação do poder público. Os cartórios têm faturamentos que vão de R$ 500 a R$ 2,2 milhões por mês.

A medida aprovada ontem tem caráter obrigatório porque o CNJ é a instituição responsável pelo controle administrativo e disciplinar do Judiciário.

Opinião

Petrobrás tenta intimidar

Editorial do Estadão
Em razão do imbróglio em que se meteram os dois principais partidos da base governista - PT e PMDB -, disputando entre si os dois cargos de comando (presidência e relatoria) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, prestes a ser instalada, e com certeza duvidando da fidelidade de uns e outros, o presidente Lula acionou seu rolo compressor para forçar obediência às diretrizes "defensivas" do Planalto. Nisso praticou algo inédito nos regimes democráticos, pelo menos nos que seguem o princípio da independência e harmonia entre os Poderes de Estado, apregoado por Montesquieu: "convocou" o presidente do Congresso e os líderes dos partidos no Senado e passou a coordenar diretamente a montagem da CPI. Mas até isso foi pouco, se comparado ao desrespeito à opinião pública, cometido pela própria estatal, por meio de ameaça à liberdade de imprensa.

Em razão do noticiário sobre ingerências políticas, suspeitas em contratos e mecanismos de licitação, superfaturamento em contratações, favorecimento de ONGs ligadas a dirigentes e outros tipos de denúncias de irregularidades que levaram à criação da CPI no Senado para investigá-la, a Petrobrás criou o blog Fatos e Dados, no qual tem publicado listas de perguntas encaminhadas por jornais como o Estado, a Folha de S. Paulo e O Globo.

Assim, a estratégia montada pela Petrobrás, que tem a seu serviço um batalhão de 1.150 profissionais de comunicação - e ainda contrata empresas terceirizadas, sobre cujos contratos não presta informação alguma -, passa a ser a divulgação online das perguntas feitas por jornalistas - com as respectivas "respostas" da empresa -, antecipando, dessa forma, as informações que eram objeto de reportagens ainda em fase de elaboração. Com isso a direção da estatal encontrou um meio de tolher no nascedouro, de forma antiética, desleal, aleivosa, o bom jornalismo investigativo, que coleta informações das fontes e as checa, antes da devida publicação no órgão de imprensa. Com isso, a Petrobrás viola a tradicional relação entre fontes e jornalistas, de respeito pelas primeiras da pauta apresentada pelos profissionais de imprensa. O objetivo da Petrobrás é, claramente, "matar" as reportagens e banalizar o trabalho investigativo dos jornalistas.

A par dessa quebra desleal da relação da fonte com o jornalista e o veículo de comunicação social - que visando aos três maiores jornais atingiu a imprensa brasileira, como um todo -, o blog da Petrobrás também passou a tentar intimidar os veículos, ameaçando processá-los se não reproduzissem suas "respostas" da forma que a estatal considera correta. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), por seu vice-presidente responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, Júlio César Mesquita, em boa hora repudiou, com veemência, a "atitude antiética e esquiva" manifestada pelo blog da estatal, que revela uma "canhestra tentativa de intimidar".

Atribuir esse procedimento - que tenta ceifar o jornalismo investigativo - à introdução de "transparência" na comunicação pública, como fez a direção da Petrobrás, não passa de deslavado cinismo. E sobre o "tratamento adequado" que a direção da empresa pretende que as notícias que saiam sobre ela obedeçam, coube à nota da ANJ a adequada resposta: "Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos."
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 10 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Brasil está em recessão"

Economia recua pelo 2° trimestre seguido; para Lula, queda de 0,8% foi maior que a esperada

O Produto Interno Bruto do país recuou 0,8% na comparação com o último trimestre do ano passado, que já havia contabilizado uma perda de 3,6%, segundo o IBGE. Pela regra mais universalmente adotada, dois trimestres consecutivos de queda do PIB (soma dos bens e riquezas produzidos por um país) significam que o Brasil entrou em recessão.
A análise dos números do IBGE mostra que a produção de bens de capital, as obras de infraestrutura, as exportações e as importações registraram quedas dignas de depressão econômica. No entanto, mesmo sem o ímpeto de meses atrás, os salários, as compras do dia a dia e serviços básicos como saúde e educação retomaram o crescimento.
A equipe econômica festejou a queda do PIB menor que a prevista pelo mercado. O presidente Lula, porém, considerou o resultado pior do que imaginava; ele esperava retração de até 0,5%. O governo já estuda medidas para estimular setores específicos da economia, como a produção de máquinas e equipamentos e de software e a indústria naval.

O Globo
"Recessão agora é oficial, mas PIB cai menos que esperado"

Queda da indústria anula ganhos da economia; consumo se salvou no trimestre

De janeiro a março deste ano, oficialmente, o Brasil entrou em recessão, puxado pela indústria e pela queda drástica do investimento. De acordo com o IBGE, o PIB encolheu neste período 0,8% em relação ao fim do ano passado. Foi o segundo trimestre consecutivo de queda. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o recuo foi de 1,8%, o maior desde 1998. Mas os números surpreenderam: na véspera, o governo chegara a apostar em baixa de 2,4%. O consumo das famílias e os gastos de governo foram responsáveis pelo desempenho acima do esperado. Mesmo assim, não há motivo para comemorar. Se a recessão não ficou tão feia quanto parecia, ela mostra que a produção voltou aos patamares do segundo trimestre de 2007, anulando praticamente os ganhos da economia no segundo mandato do presidente Lula. No mercado, cresceram as apostas de que o Banco Central será mais conservador e cortará hoje apenas 0,75 ponto nos juros básicos, caindo para seu menor nível histórico.


O Estado de São Paulo
"Investimento desaba e consumo segura PIB"

Queda de 0,8% no trimestre indica recessão, mas já há sinais de leve reação

O PIB do primeiro trimestre de 2009 caiu 0,8% na comparação com o último trimestre de 2008 e 1,8% ante o mesmo período do ano passado. O resultado configura "recessão técnica", mas é melhor do que projetava o mercado. O crescimento dos serviços contrabalançou a forte queda na indústria. No setor de transformação, a contração foi de 12,6% sobre o primeiro trimestre de 2008. A expansão do consumo das famílias e dos gastos do governo neutralizou parcialmente o intenso recuo dos investimentos, que chegou a 12,6% em relação ao último trimestre de 2008 - o maior desde 1996. O presidente Luiz Inácio da Silva se disse “triste" com o resultado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu juros mais baixos e novos estímulos setoriais.

Jornal do Brasil
"Em recessão, mas não muito"

PIB confirma retração, mas queda foi menor do que se esperava
Com o resultado, Banco Central deve reduzir corte da taxa de juros
Consumo das famílias volta a crescer, e indústria freia investimentos

O Brasil entrou em recessão - dois trimestres consecutivos de crescimento negativo. Dados do IBGE mostram que a economia encolheu 0,8% nos primeiros três meses do ano se comparados com o fim de 2008. A queda, porém, fOi mais branda do que o governo e analistas esperavam. O consumo das famílias surpreendeu e voltou a crescer, freando o ritmo da retração. Diante da boa notícia, economistas projetam uma redução menos acentuada da taxa Selic na reunião de hoje do Copom, e avaliam: está perto o fim do ciclo de queda dos juros.

terça-feira, junho 09, 2009

Por falar em preservação...

Bofe não entra...

SP inaugura 1º ambulatório para travestis do Brasil

BOL Notícias
São Paulo - O governo do Estado de São Paulo inaugurou hoje na capital o primeiro ambulatório para travestis e transexuais do País. A unidade vai oferecer atendimento médico em dez especialidades, como urologia, proctologia e endocrinologia, para terapia hormonal.

Os médicos farão avaliação e encaminhamento de pacientes para cirurgias de mudança de sexo e de implante de próteses de silicone. Com capacidade para 300 atendimentos por mês, o ambulatório deve servir também de espaço para o treinamento de profissionais de saúde.

A placa inaugural do ambulatório foi descerrada pelo governador José Serra (PSDB) e por Alessandra Saraiva, representante do Movimento de Travestis e Transexuais do Estado de São Paulo. "Fica muito engraçado o travesti na piada, mas a vida real é muito dura", disse Alessandra. "A palavra de ordem nessa iniciativa é acolhimento."
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Brasil

Deu a louca na Petrobras?

Kennedy Alencar (original aqui)
A Petrobras não chegou por acaso ao posto de maior empresa da América Latina. Sem competência não teria se estabelecido. Foi fundamental a modernização da gestão de uma empresa de capital misto. Hoje, cerca de 60% de seu capital total está nas mãos da iniciativa privada. A empresa tem ações nas principais Bolsas do planeta. E a União mantém o controle da companhia, mantendo sob propriedade pública a maior parte das ações com direito a voto.

Apesar de ser usada politicamente pelos governos de plantão, a Petrobras é um caso de sucesso empresarial.

Por isso mesmo, é incompreensível a decisão da empresa de criar um blog para jogar na rede mundial de computadores questionamentos e observações de jornalistas antes que as reportagens sejam publicadas. Numa empresa privada, o gênio responsável seria demitido.

A decisão da Petrobras é antiética e burra. Simples assim.

Quando um jornalista procura a empresa antes de publicar a reportagem, dá a ela a chance de corrigir erros, precisar informações e até de matar uma pauta que não para em pé.

Esse procedimento não está na letra da lei. É resultado do processo da modernização da imprensa, de seu amadurecimento como instituição que, nas democracias, deve fazer da forma mais responsável possível a busca da verdade.

A imprensa erra? Erra. A imprensa está cheio de estúpidos? Está. Há parcialidade em alguns veículos? Inegável.

No entanto, a imprensa brasileira vem melhorando o padrão de seus procedimentos. A decisão da Petrobras quebra uma relação de confiança, digamos assim, necessária à liberdade de imprensa e ao direito de a empresa expor o contraditório.

Jornalistas serão desestimulados a procurar a Petrobras e a abrir o sigilo de suas informações. Mais: algumas informações não precisariam, necessariamente, ser checadas com a empresa. Se o jornalista tem segurança de sua informação, pode e deve publicá-la. Se errar, arcará com o ônus. Mas a boa prática jornalista recomenda ouvir o outro lado. Em casos de suspeita de corrupção, é obrigatório oferecer o direito de defesa. Mas essa oferta poderá ser feita de forma limitada a fim de a preservar informações do jornalista.

A imprensa e a empresa perdem, mas quem perde mais? Sem dúvida, o público.

O argumento de que a imprensa dá o erro na manchete e se desculpa no pé de página é um bom argumento. Mas há jornalistas e há jornalistas. Há veículos e há veículos. O blog poderia registrar um ranking de quem, do seu ponto de vista, errou. E existe uma Justiça no Brasil que tem sido cada vez mais rápida e dura com a imprensa na concessão de direitos de resposta e reparações materiais.

É pura cascata falar em transparência. Transparência haveria se a Petrobras esperasse a publicação das reportagens. Se a empresa se sentisse injustiçada, poderia expor os bastidores da troca de informações com a imprensa.

Por último, há controvérsia sobre a ilegalidade da decisão da Petrobras. As opiniões de especialistas, até o momento, tendem majoritariamente a dizer que é absolutamente legal. Pode ser, mas é absolutamente antiética e burra. Demonstra intolerância a críticas e incompetência empresarial.

Na democracia liberal, as empresas buscam melhorar suas relações com a imprensa. Como os políticos entenderam que precisam dialogar com a imprensa para exercer o poder, as empresas necessitam fazer o mesmo para lucrar.

Difícil compreender como uma empresa que precisa enfrentar uma CPI no Senado, investir na exploração do pré-sal e continuar com sua trajetória de sucesso possa ter uma gestão capaz de dar um tremendo tiro no pé. Decisões desse tipo só reforçam a imagem de uma empresa que ainda precisa realmente avançar muito na transparência. Transparência dos seus próprios atos.

*
Sítio

Quem quiser conhecer a genial estratégia de comunicação da Petrobras, acesse o link.

Paulinho da Viola canta "Nervos de aço"

Linda Batista Especial

Mistério desvendado. Será?



Boeing da Varig foi abatido por caças russos

Cláudio Humberto (original aqui)
O cargueiro 707-323 da Varig, que desapareceu em 30 de janeiro de 1979, quando sobrevoava o Pacífico entre Tóquio e Los Angeles, foi abatido por caças soviéticos. A revelação foi feita a esta coluna por um ex-agente de inteligência brasileiro que ouviu o relato de um ex-agente da KGB que participou da operação. Domingo, o “Fantástico”, da Globo, mostrou que familiares dos 6 tripulantes há 30 anos aguardam respostas.

Carga secreta

Os russos atacaram porque o cargueiro da Varig estaria transportando aos EUA, em segredo, partes de um caça soviético Mig 25 levado a Tóquio por um piloto desertor, Viktor Ivanovich Balenko.

Língua nos dentes

Cooptado pelo serviço secreto inglês, o ex-agente da KGB soviético veio ao Brasil em 1982 e contou tudo a agentes que fizeram sua segurança.


Ultra-secreto

O governo brasileiro jamais revelou às famílias dos tripulantes a decisão de colaborar com a CIA, levando pela Varig partes do Mig 25 aos EUA.


Outras vítimas

O Brasil perdeu também 153 telas do artista Manabu Mabe, que eram trazidas de volta no cargueiro da Varig após uma exposição em Tóquio.

Imprensa

Todo mundo já sabia

Leitores manifestam frustração com a decisão de tornar o jornal caudatário das informações já divulgadas na TV e na internet

Carlos Eduardo Lins da Silva* (original aqui)
"A manchete seria boa em 1921 [ano de fundação da Folha] quando não havia TV e internet. Hoje, parece mais um jornal de ontem. Todo mundo já sabia." Foi o que o leitor José Antonio Pessoa de Mello Oliveira escreveu ao ombudsman na terça sobre a capa do dia, quase toda dedicada ao acidente com o Airbus da Air France.

Mello Oliveira concluiu: "O autor da manchete precisa ter em mente que não é possível recriar o impacto de uma notícia já divulgada. A manchete deve explorar um desdobramento da informação inicial. É um ônus que o jornal de papel tem que aceitar".

No mesmo dia, a leitora Patrícia Sperandio perguntava "como é possível um jornal amanhecer nas bancas com uma manchete tão envelhecida?" e especulava: "A manchete principal da Folha de hoje explica por que o jornal impresso está, cada vez mais, perdendo espaço para outras mídias".

Diogo Ruic aconselhou: "Sugiro que manchetes, principalmente da capa, tragam algo novo para quem busca informação. O jornal não precisa tratar tudo como velho, mas há de se ponderar o que realmente é novidade. Ou alguém duvida que 99% dos assinantes do jornal já sabiam da queda do avião?"

Vários outros leitores manifestaram frustração com a decisão editorial de tornar o jornal caudatário das informações divulgadas pela TV, pelo rádio e pela internet no dia anterior, na terça e na quarta-feira. Estou com eles.

O que deveria ter sido feito? Admito que é difícil. Mas é preciso ter a coragem de errar para mudar e para dar a entender ao público que se está disposto a mudar. Qualquer coisa que sinalizasse ao leitor que este jornal respeita sua inteligência e não vai repetir o que ele já sabe seria melhor.

Outro aspecto da cobertura da tragédia que mobilizou leitores foi o noticiário em torno das vítimas, especialmente a utilização de fotos de algumas delas que foram retiradas de suas páginas em redes de relacionamento da internet.

Pessoalmente, sempre me incomodou muito o assédio de jornalistas a parentes de vítimas de acidentes. Mas é inegável ser dever do jornalismo registrar a história de vítimas de acidentes que se tornam públicos e que se isso for feito de maneira respeitosa pode servir de homenagem a elas e de preservação de sua memória. E quando alguém coloca suas fotografias no Orkut e em similares, sabe que elas estão ao acesso de qualquer pessoa.

*Carlos Eduardo Lins da Silva é ombudsman do jornal Folha de S. Paulo.

Petrobras na berlinda

Ataque à imprensa

Editorial de O Globo do dia 09 de junho
No centro do noticiário de desvios de recursos em contratos superfaturados, de irrigação generosa de ONGs companheiras, e motivo de instalação de uma CPI no Senado, a Petrobras decidiu, de maneira agressiva, antiética e ilegal, tentar acuar O GLOBO, a "Folha de S. Paulo" e "O Estado de S. Paulo", jornais que, por dever de ofício, acompanham com a atenção devida as evidências de desmandos na administração da companhia.


O caminho encontrado pela estatal foi publicar em um blog da empresa as perguntas encaminhadas por repórteres dos jornais e respectivas respostas. Com o detalhe, também grave, de que a empresa divulgou na sexta informações que prestara para uma reportagem que seria publicada no GLOBO de domingo, numa as-sombrosa quebra do sigilo que precisa existir no relacionamento entre imprensa e fonte prestadora de informações. Agira da mesma forma com os outros jornais.

Mesmo as perguntas, encaminhadas por escrito, são de propriedade do jornalista e do veículo a que ele representa. O indisfarçável objetivo intimidativo da empresa, como bem interpretou nota da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), desrespeito profissionais e atenta contra a liberdade de imprensa, ao violar o direito da sociedade de ser informada, sem limitações.

A Petrobras fere a Constituição. Corporação poderosa, com tendência histórica de se descolar de controles públicos, a Petrobras, com a política de aparelhamento do Estado posta em prática por Lula, se tornou, em parte, um bunker nas mãos de correntes de sindicalistas, do PT e sob o jugo dos anseios fisio-lógicos do PMDB.

A estatal alega praticar a "transparência" ao cometer o erro de divulgar material de propriedade de profissionais e veículos de imprensa. Ser cada vez mais transparente é um objetivo correto para a estatal -, caso ela não o use como justificativa para agir deslealmente com os meios de comunicação. A Petrobras errou, e espera-se que volte atrás nos procedimentos nada éticos que adotou no atendimen- to à imprensa.

Pelo seu porte, obrigada a prestar informações a milhares de acionistas e a órgãos reguladores dentro e fora do país, a estatal não pode ser instrumento de grupos políticos, não importa de qual figurino ideológico.

A empresa, sem dúvida uma conquista da sociedade brasileira, já atingiu um porte diante do qual governos devem tratá-la com respeito, mas sem permitir que paire sobre o país, imune a qualquer regulação, que se feche diante do legítimo interesse do contribuinte em saber como são feitos os negócios públicos.

O Tribunal de Contas da União (TCU), ligado ao Legislativo, tem acesso a contratos firmados pela administração direta pelos quais o contribuinte financia ONGs e organizações sociais. A estatal faz o mesmo, mas impede auditores do tribunal de examinarem os acordos, escudada na interpretação de uma lei da era FH. Sem qualquer preocupação com os interesses dos acionistas privados, no Brasil e no exterior, a estatal montou uma desproporcional equipe de mais de 1.150 profissionais de comunicação, uma redação que supera em três ou quatro vezes cada uma daquelas dos maiores jornais do país. Vê-se agora que um dos objetivos é usar esta redação - ociosa, por falta do que fazer no trabalho normal de comunicação corporativa - na luta política e na ameaça à imprensa.

Outro sinal da transformação da Petrobras em uma espécie de caixa dois de operações políticas está exposto na reportagem do GLOBO, no domingo - cujo sigilo foi quebrado pela estatal -, sobre o apoio continuado ao projeto sem destino do uso da mamona como biocombustível. A própria Agência Nacional de Petróleo (ANP) já atestou a inviabilidade do programa. Mas,como assentamentos do MST, da Contag e outras organizações ditas sociais são beneficiários do projeto, milhões de reais continuam a ser repassados, enquanto a mamona apodrece em armazéns no sertão nordestino. Não por acaso, no lado da estatal, quem gerencia esta área é Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário no primeiro governo Lula, quando patrocinou o aparelhamento do Incra pelo MST e satélites. Hoje, transfere dinheiro da Petrobras para os antigos aliados -, com a vantagem de não precisar prestar contas ao TCU.

O ataque da Petrobras à imprensa, nova especialidade de uma empresa que deveria estar concentrada na exploração do petróleo e gás, não deve ser, portanto, um simples desvio organizacional. Longe disso. Tudo parece coerente com um estilo de administração e diversificação de objetivos adotados nos últimos tempos. (Do Blog do Noblat)

Air France: Vôo 447

Só pra' quem tem saco!

Texto retirado de um grupo de debates de pilotos denominado [afa_internacional], seção [webboteco]: acidente com o avião da Air France

Minha modesta opinião é, no mínimo, pragmática. Aproveitando o "gancho" de opiniões abalizadas de colegas da aviação, temos que encarar, e assumir, que há uma linha de aeronaves ditas de "última geração" que deverá passar por sérias e urgentes reformulações no projeto, a exemplo do que ocorreu com o Comet (que explodia no ar devido ao perfil angular das janelas); Electra (explodia em vôo devido à rebitagem que não resistia à vibração das hélices); Trident e Boeing 727 que tinham deep stall, o "Zarapa" que teve que implantar a quilha porque não saia do parafuso, o Bandeirante que teve que de reestruturar por completo o sistema de compensador do profundor porque a cauda saia em vôo etc.

A linha recente da Airbus, em várias condições de vôo, sobrepuja, e por vezes chega até a anular qualquer ação de comando proveniente da cabine, o que não deixa de ser um absurdo.

Cito um exemplo: uma manobra evasiva anti-colisão será limitada pela não-aceitação de comando brusco. Pelo mesmo viés, o fato dos comandos de vôo serem fly-by-wire totalmente potenciados elétricamente, sem qualquer back-up que não seja o elétrico, simboliza necessarimente que a perda total de energia elétrica redunda inexoravelmente na perda total de atuação nos comandos de vôo!

Um exemplo recente ocorreu com o Swissair FLT 111 em 1998, que se estatelou sobre o mar sem qualquer tipo de orientação e comando (maiores detalhes:site www.jetsite.com.br/acidentes/blackbox).

Até hoje não há uma conclusão definitiva sobre a ocorrência da superposição do comando proveniente do computador de bordo x comando de cabine no acidente com o avião da TAM em Congonhas. Mesmo que se dê razão ao ilustre investigador que afirmou que o recuo das manetes tem que ser total, ao ponto de uma folga de 2 mm simbolizar que o piloto quer arremeter é de um absurdo paralisante, característica de quem não sabe pra' que serve um "curso de manete". Mas esse acidente foi o 5 ° em circunstâncias idênticas. Várias operadoras, após esse acidente, passaram a incluir no treinamento de simulador o corte do motor quando tal fenômeno vier a ocorrer, ou seja,há um reconhecimento tácito de que o projeto é falho e temerário.

Mas, voltando à nova geração dos Airbus, é bom lembrar que durante o vôo de demonstração inaugural em Fairbourough, a aeronave entrou voando sobre as árvores porque os computadores de bordo não aceitaram o comando dos pilotos.

Mais cinco acidentes idênticos ocorreram após esse. Dois incidentes de brusca variação de atitude sem comando da cabine ocorreram no ano passado com Airbus A-330 na Austrália e mais um na Nova Zelândia.

Hoje, 04/06/09, já estamos vendo as primeiras manifestações "plantadas" pelo interesse do fabricante no sentido de sutilmente colocar na opinião pública a idéia de que os pilotos incorreram em erro ao adentrar em turbulência com velocidade inadequada.

Nada mais patético!

Qualquer piloto sabe qual a velocidade de penetração em turbulência,quanto mais os colegas de vôo internacional de uma empresa como a Air France! Mesmo que você seja pego de surpresa o ajuste é rápido: motor no "esbarro" pra' pouca velocidade; speed-brake e power off pra velocidade alta. Em segundos você se acerta, não é mesmo?

A propósito, quando saímos para um vôo levamos conosco o folder contendo todas as informações necessárias, incluindo a surface prog e wind aloft prog, ou seja, ninguém vai voar sem saber o que tem pela frente. Seguramente não pode ter sido diferente com os colegas franceses, portanto a pífia imputação de desconhecimento das condições meteorológicas da rota também não pode prosperar.

O AF 447 emitiu 4 wakes antes da queda, com coincidentes 4 minutos de intervalo: o 1° reportando falha elétrica no sistema principal; o 2° reportando a atuação do sistema stand-by operando com restrição nos comandos de vôo (spoilers,yaw damper etc); o 3°informando a perda do sistema de navegação lateral e vertical e, finalmente, o 4°:o mergulho na vertical com despressurização (o que é previsível, pois não há sistema que agüente descida no cone "sustentação zero").

Diante disso conclui-se que em tudo se assemelha ao acidente ocorrido com o Swissair em que a aerovane ficou totalmente desgovernada, sem qualquer tipo de orientação E SEM QUALQUER TIPO DE COMANDO NA CABINE, INCLUINDO POTÊNCIA. Estamos diante, MAIS UMA VEZ, de um avião projetado por engenheiros que se dizem perfeitos, que acham que pilotos só servem para atrapalhar.

Estou de pleno acordo... desde que eles mesmos voem essa máquina,l evando a bordo outros tantos!

A pergunta que fica: até quando vamos aceitar com passividade voar aviões como esses? Associações e sindicatos não devem temer o poder econômico, principalmente quando há vidas humanas envolvidas.
 
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