sábado, junho 06, 2009

Festança



Hoje tem pipoca e quentão

Sidney Borges
Se você quiser comer bolo de fubá recheado com goiabada e queijo, feito na casa do editor deste blog, vá ao Arraial da Ressaca. Mas vá cedo pois o bolo é tão bom que não vai durar muito, haverá filas de entusiasmados festeiros querendo mais, exclamando bolo, bolo, bolo... Igualzinho ao filme dos mortos vivos, que pediam brain, brain, brain... He, he, he...

Lockheed Constellation

Voando a bordo do Lockheed Constellation na década de 40, quando ainda não existiam aviões a jato para vôos comerciais.
GPS era coisa de outro planeta e os auxílios para rádio-navegação eram restritos, mas funcionavam perfeitamente.
Note que quem pilotava era o piloto e não um computador. Esses aviões cruzaram o Atlântico milhares de vezes, com ou sem turbulência. Bons tempos.

Opinião

A dúvida depois do discurso

Editorial do Estadão
A duas semanas de completar apenas cinco meses na Casa Branca e a braços com a maior crise econômica experimentada por seu país em 60 anos, o presidente Barack Obama terminou na quarta-feira de cobrir as bases, como se diz em beisebol, de toda a agenda política americana no mundo. Ele já disse a que veio em relação a todos os temas e a todas as regiões de interesse dos Estados Unidos - da proliferação nuclear ao diálogo com Cuba. Mas nunca antes desse dia ele havia recorrido tão intensamente à sua superlativa eloquência para fazer o que tem sido a sua evidente prioridade na cena internacional: deitar as fundações de um novo arcabouço para o relacionamento de seu país com aliados e inimigos, a partir de uma percepção também nova da presença americana no globo.

Numa atitude à altura da importância da esfera árabe-muçulmana de 56 países e 1,4 bilhão de habitantes para o desenrolar dos maiores problemas de Washington no exterior - as guerras no Iraque e no Afeganistão e o programa nuclear iraniano -, Obama escolheu a milenar Universidade do Cairo para proferir o até agora mais longo (55 minutos), mais abrangente (7 temas) e mais audacioso discurso de sua presidência. Ora parecendo um sermão (ao pregar a tolerância religiosa), ora uma conferência (ao discorrer sobre a contribuição islâmica para a civilização americana), ora uma contrição (ao admitir a participação dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 1953 no Irã), ora, enfim, uma exortação política (para a paz no Oriente Médio), a sua alocução foi um estupendo ato de fé no poder da palavra.

Obama não lançou nenhuma cartada nova para o fim do conflito israelense-palestino - o nervo exposto da ira árabe contra a América e pedra de toque do "novo começo" que propôs ao islã. Aludiu de passagem aos compromissos assumidos pelas partes no chamado Mapa do Caminho, de 2002, apenas para dizer que são claros, e à Iniciativa de Paz Árabe, do mesmo ano, apenas para dizer que foi um começo importante. No mais, porém, equilibrando-se entre a franqueza, a contundência e a equidade, disse o que árabes e judeus jamais tinham ouvido de um presidente americano. Reafirmou de saída os "laços inquebrantáveis" entre os Estados Unidos e Israel, evocou o antissemitismo e o Holocausto, cuja negação considerou odiosa. Mas, de um mesmo fôlego, estabeleceu uma equivalência moral - anátema para muitos israelenses - entre os seus padecimentos e os de seus vizinhos.

Obama cruzou uma fronteira ao consignar que os palestinos não apenas enfrentam "as humilhações diárias - grandes e pequenas - que vêm com a ocupação", mas "há mais de 60 anos têm suportado a dor do deslocamento", uma situação "intolerável". Cruzou outra quando, ao condenar a futilidade da violência palestina, lembrou que só pela via pacífica os negros americanos conseguiram plenos direitos - mais uma analogia amarga para Israel. Cruzou uma terceira ao reconhecer que o Hamas tem apoio entre os palestinos e ao se dirigir aos seus líderes, deles cobrando responsabilidade. Por fim, depois de ressaltar que "os Estados Unidos não aceitam a legitimidade da continuidade dos assentamentos israelenses" na Cisjordânia e de reiterar que a fórmula dos dois Estados é a única que poderá satisfazer a duas aspirações igualmente fundadas, cruzou a última fronteira ao falar duas vezes em "Palestina", como uma realidade presente. Incidentalmente, em momento algum ele pronunciou a palavra terrorismo.
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Manchetes do dia

Sábado, 06 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Mensagem indica que leme do Airbus quebrou"

Problema pode ter desencadeado o acidente que matou 228 pessoas

Uma mensagem automática enviada pelo Airbus A.330 da Air France que caiu no mar no domingo mostra que o leme do avião, peça essencial para o voo, quebrou. A mensagem foi emitida no primeiro dos quatro minutos finais do AF-447, em que 24 alertas foram disparados. Ela indica que um problema estrutural pode ter desencadeado o acidente que matou 228 pessoas, sem afastar a hipótese de que o computador tenha falhado. Para pilotos de Airbus, um evento como a quebra do leme – que pode ter sido provocada por fortíssima rajada de vento – tem o potencial de causar um desastre. O Biró de Investigação e Análise, agência francesa que apura acidentes aéreos, dará entrevista hoje sobre o caso. A Air France informou a seus pilotos que irá trocar os sensores externos de sua frota de Airbus, um dia após o biró ter apontado “incoerências” entre as velocidades medidas pelos instrumentos do avião.

O Globo
"Após tragédia, Air France troca o sensor de aviões"

Substituição já havia sido recomendada pelo fabricante desde setembro de 2007

Cinco dias após a tragédia com o Airbus A-330 que desapareceu no Oceano Atlântico, a Air France comunicou a seus comandantes que está trocando os sensores que ajudam a medir a velocidade de seus jatos, para “reduzir os ricos de perda de informação”. A providência tinha sido pedida pela Airbus em setembro de 2007. A decisão da Air France reforça a hipótese de que o avião estaria em velocidade errada e que os sensores tenham congelado. A Airbus já recomendara a quem pilota suas aeronaves seguir procedimento padrão em caso de falha desses equipamentos. Um deles é não confiar exclusivamente no computador de bordo. A Promotoria Pública de Paris abriu uma investigação por “homicídio involuntário” – o equivalente no Brasil a homicídio culposo.

O Estado de São Paulo
"Brasil taxa aço importado para conter invasão chinesa"

Produtos que entravam com alíquota zero passarão a ter imposto de até 14%

A Câmara de Comércio Exterior elevou ontem o imposto de importação para sete tipos de aço, com o objetivo de proteger a indústria nacional, sobretudo de produtos siderúrgicos chineses. O aço, que desde 2005 entrava no País com alíquota zero, passará a ser taxado em 12%, no caso de seis tipos de chapas e bobinas a quente e a frio e chapas grossas de aço-carbono. As barras de aço ligado terão alíquotas de 14%. A medida atende ao apelo das siderúrgicas, que estão perdendo mercado brasileiro para as importações, ao mesmo tempo que houve uma retração da demanda interna e externa. Segundo informação do Ministério do Desenvolvimentos, Indústria e Comércio Exterior, que ainda não tem os dados por país até maio, as importações brasileiras de ferro e aço da China somaram US$ 175,9 milhões de janeiro a abril de 2009, contra US$ 114,4 milhões no mesmo período de 2008.

Jornal do Brasil
"Air France sabia de problema no sensor"
Comunicado obtido pela agência Bloomberg, em Paris, informa que há um ano o fabricante do sensor de velocidade do Airbus sugeriu às companhias aéreas uma troca de modelo: o aparelho podia falhar nas alturas, a baixas temperaturas. A Air France, porém, preferiu manter o sistema. Pode ter custado a vida dos 228 pessoas a bordo do A. 330 que desapareceu domingo enquanto ia do Rio para Paris. Uma das hipóteses para o acidente é a de que o avião rachou devido a mudanças bruscas de velocidade. O sensor poderia ter falhado durante o voo 447, quando o jato passou pela tormenta na Zona de Convergência Intertropical. Ontem a Air France informou aos pilotos que estava, enfim, determinando a substituição do equipamento. Um grupo de parentes foi ao Recife ouvir explicações sobre as buscas aos destroços do Airbus. Voltaram desanimados.

sexta-feira, junho 05, 2009

Tragédia nos céus

Pane de Airbus na Austrália foi parecida

Comparação mostra que mensagens do A330 que caiu no mar são muito semelhantes à de uma queda brusca em outro A330, em 2008, na Austrália

José Antonio Lima na revista Época (original aqui)
A rigidez da legislação francesa sobre acidentes aéreos tem impedido a divulgação de dados sobre o que ocorreu com o
voo 447 da Air France, que desapareceu no Atlântico quando voava do Rio de Janeiro a Paris na segunda-feira (1º). No entanto, informações da Air France e do BEA, o órgão francês responsável pela investigação, dão alguns indícios do que pode ter acontecido com a aeronave, e alguns detalhes são muito semelhantes aos de dois incidentes ocorridos em 2008 com voos da Qantas, uma companhia aérea da Austrália.

No incidente de 7 de outubro, o avião, um Airbus 330 – semelhante ao da Air France – voava de Cingapura para Perth, na Austrália. Quando estava no meio do caminho, a aeronave sofreu, à revelia do piloto, duas quedas bruscas – pequenas, mas violentas o suficiente para ferir 103 das 303 pessoas que estavam no voo, 12 delas gravemente. O piloto, que voava de dia e com tempo bom, conseguiu, nas duas oportunidades, reverter as quedas, e acabou pousando na base aérea de Learmonth por temer novos problemas.

Por enquanto, poucos dados sobre a sequência de fatos que ocorreu com o avião da Air France foram divulgados. Ainda assim, quando essas informações são comparadas com o histórico do voo da Qantas, as semelhanças chamam a atenção.

Nos dois voos, os problemas começam com o desligamento do piloto automático, que no caso da Qantas ocorreu comprovadamente de forma involuntária. Na quarta-feira (3), em reportagem publicada por ÉPOCA online, o diretor-técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins, afirmou que o desligamento pode ser “feito pelo comandante; por algum problema no sistema, ou por uma falha no sistema elétrico”.

O que se seguiu ao desligamento do piloto automático no caso do avião da Air France foram dois minutos (entre 2h11 e 2h13 pelo horário de Greenwich) de falhas e mensagens de erro contínuas provenientes das ADIRUs, as centrais inerciais que reúnem uma série de informações coletadas pelos sensores do avião, como pressão, velocidade e temperatura. De acordo com o relatório preliminar do Australian Transport Safety Bureau (ATSB), o órgão de investigação de acidentes aéreos da Austrália, a mesma coisa ocorreu com o Airbus da Qantas. Apenas dois minutos depois da primeira mensagem de falha, o avião registrou uma série de avisos de erros, o desligamento do segundo piloto automático (que havia sido ligado pelo piloto), e a primeira das quedas. Nesse meio tempo, houve inclusive uma mensagem de “overspeed”, que significa que a aeronave estava acima da velocidade adequada. Nesta quinta-feira (4), o jornal francês Le Monde publicou uma informação passada por uma fonte do Bureau Enquêtes-Accidents (BEA), o órgão francês que investiga o acidente, de que o Airbus da Air France voava em uma velocidade errada. Não se sabe, no entanto, se a velocidade estava acima ou abaixo da recomendada.
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Nota do Editor - O Ubatuba Víbora antecipou-se à revista "Época". Os dois quase acidentes envolvendo aviões Airbus A330 (Quantas e TAM) são fortes indicadores da existência de falhas no sistema que gerencia os vôos. Há muitos interesses envolvendo a empresa Airbus e as operadoras de seus aviões, por isso devemos ficar atentos às notícias. No acidente com o A320 da TAM, em Congonhas, logo culparam a pista, sem considerar que centenas de vôos aconteceram naquele dia, nas mesmas condições, sem incidentes. Nas mesmas circunstãncias em que o A320 da TAM varou a pista, há pelo menos 4 acidentes em que o sistema do A320 teria falhado. (Sidney Borges)

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Falastrices

Franceses criticam declaração de Jobim

Ministro da Defesa descartou explosão ou incêndio, mas investigadores e especialistas são mais prudentes

De Andrei Netto no Estadão
As declarações do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, anteontem, descartando as hipóteses de uma explosão e de um incêndio no Airbus A330-200 foram vistas com ceticismo e críticas, ontem, na França, antes mesmo de a Marinha confirmar que os destroços recolhidos não eram do avião da Air France. Enquanto as autoridades dizem que nenhuma hipótese pode ser descartada, especialistas reiteraram que, mesmo em caso de explosão, o combustível transportado pela aeronave poderia não se pulverizar no oceano.


Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira no Rio de Janeiro, Jobim afirmou que a concentração de óleo em uma mancha no Oceano Atlântico - que depois foi descartada como sendo do avião - indicaria que o Airbus teria colidido contra a água e não se partido em pleno voo.

"A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir uma explosão", avaliou Jobim.

Em Paris, a declaração repercutiu na imprensa porque, pela primeira vez, uma autoridade de um dos dois países envolvidos no caso descartou hipóteses relacionadas às causas do acidente com o voo AF 447. Procurada pelo Estado, a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA) se recusou a comentar a posição de Jobim. O órgão é o responsável pela investigação, já que o desastre aconteceu em águas internacionais e com avião matriculado na França.
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Energia

Angra 1 volta ao Sistema

Eletronuclear
A Usina Nuclear Angra 1 foi conectada ao Sistema Elétrico Nacional, ontem, dia 4 de junho de 2009, às 22h10. A unidade estava desligada desde o dia 24 de janeiro para troca dos geradores de vapor (GVs) e manutenções diversas. Às 7h00 de hoje, a Usina estava operando com 30% de sua capacidade. A Usina já funciona normalmente e está em processo de elevação de potência. A previsão para a Usina atingir 100% de sua capacidade de forma estável é no dia 21 de junho.
Gloria Alvarez
Coordenadora de Imprensa da Eletronuclear
Contatos.: 21 2588.7606 / Cel. 9642.9910
E-mail: galvarez@eletronuclear.gov.br
Juliana Rezende
Assessoria de Imprensa
Contatos: 21 2588-7665
E-mail: jreze@eletronuclear.gov.br

Merenda

MP investiga merenda no Interior

Grupos especiais da Promotoria e Secretaria Estadual da Fazenda apuram se há cartel, sonegação e superfaturamento

Nélson Gonçalves (original aqui)
Uma atuação conjunta da Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo, do Grupo de Atuação Especial de Combate à Formação de Cartéis e Lavagem de Dinheiro (Gedec) e Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, órgãos do Ministério Público de São Paulo (MPE), iniciou anteontem o levantamento de documentos e arquivos para identificar se há ocorrência de crimes de sonegação fiscal e fraudes em licitações em 30 prefeituras paulistas, sendo 11 do Interior.


A assessoria de imprensa do MP informa que, por enquanto, os promotores não podem divulgar os nomes das empresas investigadas no Interior e dos municípios onde a operação, batizada de “Pratos Limpos”, está sendo desencadeada. A operação conjunta estava sendo preparada há quatro meses. Na última terça-feira, uma ação sincronizada foi realizada na Capital e mais 11 regiões do Estado, envolvendo 90 agentes fiscais da Secretaria da Fazenda.

Foram apreendidos livros contábeis, documentos, arquivos físicos e eletrônicos e outros materiais que serão analisados junto a outros elementos de provas indicativos de possíveis fraudes contra o fisco na venda de merenda às escolas. Segundo dados oficiais da assessoria de imprensa do MPE, foram alvos de ação fiscal 37 estabelecimentos que pertencem a 13 fornecedores. Desses estabelecimentos, 17 estão sediados na Capital, nove na Grande São Paulo e 11 no Interior. As cidades onde ficam os galpões e escritórios não foram divulgadas. De acordo com os promotores que participaram da operação, a investigação revelou outras duas empresas suspeitas de participação no setor.Os nomes das empresas com atuação na Capital já foram disponibilizados: Comvida, Serraleste, Nutriplus, SP Alimentos, Sistal e Geraldo J. Coan. As empresas Goumaitre, Verdurama, SHA, Ceazza e Terrazul também são investigadas por atuarem em conjunto. Juntas, essas empresas recebem por ano por fornecimento para a merenda escolar cerca de R$ 200 milhões, conforme a Promotoria. De acordo com o promotor do Gedec, Arthur Pinto de Lemos Junior, as empresas investigadas pagavam aos agentes e funcionários públicos propina (vantagem indevida) correspondente a 10% dos contratos firmados com o Poder Público. A Secretaria da Fazenda investiga as empresas desde fevereiro. No Gedec e na Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, as apurações tiveram início em 2008. O grupo apura suspeitas de improbidade administrativa, crimes de formação de cartel, direcionamento de processos licitatórios nas redes públicas municipais e fornecimento de alimentos em quantidades inferiores às contratadas, além de eventual lavagem de dinheiro.

Com o material que for apreendido, a Secretaria da Fazenda fará auditorias fiscais e contábeis nos registros desde 2006 para confirmar a existência de delitos. A estimativa é de que os levantamentos levem pelo menos seis meses para serem concluídos.

Coluna da Sexta-feira

Vida breve

Celso de Almeida Jr.
Olá, leitor!


Como vai a vida?

Tem vivido bastante?

Perguntinha esquisita, né?

Eu gosto de matemática.

Às vezes, vejo-me fazendo continhas...

Nestes anos meus, dormi um terço, as clássicas 8 horas diárias.
Veja só...

Brevemente completarei quinze anos dormidos, roncados...

Do que sobrar, quanto realmente terei vivido?

Não creio que o tempo gasto com as correrias bancárias tenha sido viver...

Briguinhas familiares, também, não quero incluir na conta vivida.

Discussões tolas com amigos, muito menos.

Irritação com a política local, nacional, mundial...

Leitor prezado, leitora querida...

Confesso que vivi experiências maravilhosas, mas, francamente, se eu tivesse prestado maior atenção, muito tempo seria aproveitado de forma bem diferente.

A vida, afinal, não é tão curta assim.

Mas, sem perceber, é possível desperdiçá-la no calor do ego; nas aflições.

É isso que hoje invade o meu pensamento, leitor paciente...

Aproveitar cada dia com entusiasmo, revendo conceitos, estudando, recomeçando, sempre.

Valer-se da ternura, da pureza e da generosidade como ferramentas poderosas para a paz.

Opinião

Energia esquenta o meio ambiente

Washington Novaes
Vai-se de espanto em espanto. Não há descrição mais apropriada para a sensação de quem observe hoje a evolução do panorama energético brasileiro, principalmente com a retomada das obras da usina nuclear Angra 3.

Pode-se começar com o noticiário da semana passada, quando o ministro do Meio Ambiente, ao descrever para os jornalistas suas queixas ao presidente da República - por causa das brigas com outros ministros -, disse: "Licenciei Angra 3 sem concordar" (Estado, 31/5). A afirmação autorizaria o leitor a perguntar a ele, que durante toda a carreira política se bateu contra a usina: e por que aceitou, abandonando a coerência, se não concordava com o licenciamento? Em troca do cargo?

E mais difícil de explicar ainda ficou, porque dois dias antes dessa declaração se anunciara um vazamento radiativo em Angra 2, atribuído a "um funcionário da limpeza de equipamentos na sala de descontaminação", que "esqueceu a porta aberta e houve circulação de material radiativo", com a contaminação de quatro pessoas. É esse o nível de segurança numa usina nuclear, que depende de "um funcionário da limpeza de equipamentos" não esquecer aberta uma porta? E por que a Defesa Civil só foi avisada três dias depois - omitindo a contaminação de quatro pessoas (queixa do prefeito de Angra dos Reis) - e a imprensa, 11 dias após?

Nada disso está impedindo que se vá em frente com o projeto de implantar no País de seis a oito usinas nucleares até 2030, embora continuem irrefutados os argumentos de que a energia nuclear é mais insegura do que qualquer outro formato de geração, mais cara e sem destinação para o lixo altamente radiativo que gera e que assim permanece durante séculos.

Começando pelo fim, o Ibama, ao conceder a licença para Angra 3, estabeleceu 44 exigências, entre elas a de uma "solução definitiva" para o depósito de lixo, na expressão do ministro. Mas essa exigência foi sendo abrandada e agora já se fala em colocar o lixo em ampolas de aço inoxidável, num "pombal de concreto", isolado do solo. Segundo o presidente do Ibama, o que se pede agora é uma solução "de longo prazo" e só em cinco anos se saberá exatamente como ficará (Agência Estado, 4/3). Não surpreende, já que até hoje nenhum país conseguiu ter uma "solução definitiva" para o lixo radiativo. Como já foi mencionado aqui, a maior esperança - o projeto do depósito norte-americano, 300 metros abaixo do nível do solo, sob a Serra Nevada - já custou US$ 92 bilhões (o custo inicial previsto era de US$ 58 bilhões) e continua às voltas com questionamentos de hidrólogos, geólogos, sismólogos e da Justiça dos EUA. Sem falar numa interrogação igualmente sem resposta: como se fará para transportar com segurança para um único local os resíduos acumulados durante décadas em mais de cem usinas espalhadas pelo país?

Na questão da segurança, vale a pena citar o cientista Peter Bradford, ex-membro da Comissão Regulatória Nuclear dos EUA, hoje diretor da Union of Concerned Scientists: "Entre as lições de Three Mile Island (usina onde houve grave vazamento de radiação) está a de que a energia nuclear é a menos segura quando há complacência e quando as pressões para o licenciamento são fortes" (New Scientist, 4/4). Também pode ser mencionado o relatório do nosso Tribunal de Contas da União (O Globo, 11/4), segundo o qual 54% das instalações radiativas em hospitais e fábricas no Brasil não são controladas, funcionam de forma irregular, sem autorização para operar e com a população desinformada.

Quanto ao custo de geração na energia nuclear, é preciso lembrar estudo publicado pelos professores Joaquim Francisco de Carvalho e Ildo Sauer, da USP, que o situam em US$ 113,66 por megawatt/hora, pouco inferior ao do carvão mineral (US$ 134), porém muito acima do custo de geração numa hidrelétrica como a do Rio Madeira (US$ 46), ou do etanol do bagaço de cana (US$ 46), ou do gás natural (US$ 79). E isso leva a estranhar também a opção pelas termoelétricas a carvão ou a gás, que tem sido feita nos últimos leilões de energia nova.

Provavelmente os defensores da energia nuclear argumentem que já há 459 usinas em operação no mundo, que a Itália e a França (esta já depende em 75% desse formato) vão seguir nesse caminho, assim como a Índia. Que os EUA têm 104 usinas (20% da energia total), que há 45 novas geradoras em construção no mundo e que mesmo a Suécia parece propensa a deixar de lado o banimento das nucleares (Alemanha e Dinamarca vão mantê-lo). Mas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lembra que tudo isso não cumprirá o papel que se imagina para as nucleares, já que seriam necessárias pelo menos 12 por ano até 2030 e 54 por ano nas duas décadas seguintes. Ainda mais que o custo das usinas está aumentando muito, assim como os custos de manutenção e de matéria-prima, além do custo da desativação (que pode chegar a US$ 1,8 bilhão). Mesmo nos EUA, por várias razões, o presidente Barack Obama tem optado pelo estímulo a outros formatos de geração. E a Finlândia, que implanta o mais poderoso reator, está enfrentando dificuldades crescentes para manter o projeto.
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Opinião

Sexta-feira, 05 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Obama quer nova relação com mundo muçulmano"

No Egito, presidente americano propõe fim da 'desconfiança mútua'

Em discurso no Cairo, o presidente dos EUA, Barack Obama, propôs um "recomeço" na relação dos americanos com o mundo muçulmano e defendeu pôr fim à "desconfiança mútua" para pacificar o Oriente Médio.
Citando o Alcorão, Obama defendeu a existência da ''Palestina'', criticou o expansionismo de Israel e reconheceu que todo país,"incluindo o Irã", tem direito a um programa nuclear civil.
O presidente também destacou pela primeira vez seu sobrenome Hussein (o bom, em árabe) e detalhou os laços de sua família com o islã.
Obama ainda atacou extremistas, sem usar o termo "terrorismo", e cobrou dos palestinos que renunciem definitivamente à violência.
As reações à fala de Obama evidenciaram as divisões no Oriente Médio. Israel a chamou de "importante", mas não comentou o pedido de congelamento dos assentamentos na Cisjordânia.
A Autoridade Nacional Palestina disse tratar-se de "importante passo". Para o Irã, a mensagem é insuficiente e tem de se traduzir em ações. Grupos como o Hizbollah afirmaram não ver "mudança real".

O Globo
"Cresce mistério sobre tragédia: destroços não são do avião"

Após 5 dias, há mais dúvidas que explicações sobre desaparecimento de Airbus

A Aeronáutica afirmou ontem à tarde que os destroços recolhidos no Oceano Atlântico não são do Airbus 330, voo 447, da Air France, apesar de ter dito o contrário durante todo o dia. A peça mais importante enviada para análise, um pallet, espécie de engradado para transporte de carga, é de madeira, material não usado pelo avião. A Rádio Europe 1, em seu site, afirmou que os primeiros destroços localizados pela FAB, na terça-feira, também não foram identificados por especialistas franceses como partes do Airbus. Foi o ministro da Defesa, Nelson Jobim, quem anunciou naquele dia que o material, não fotografado e nem recolhido, seria do avião. No Rio, oceanográficos dizem que é comum encontrar lixo na área vasculha pelas equipes. O mistério do sumiço da aeronave cresceu. Um piloto espanhol que voava no mesmo horário e em rota próxima disse ter visto um clarão, em trajetória descendente, onde o avião teria sumido.
Um culto ecumênico na Igreja da Candelária em homenagem às vítimas reuniu mais de 500 pessoas, entre parentes e amigos dos passageiros. Estiveram presentes o chanceler Celso Amorim, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. De Paris, veio o ministro Bernard Kouchner, das Relações Exteriores. O presidente Lula cancelou sua participação em nova missa, hoje, no Rio.

O Estado de São Paulo
"Obama propõe aliança com mundo islâmico"

Presidente dos EUA defende parceria contra o extremismo

O presidente dos EUA, Barack Obama, em visita ao Egito, propôs ontem uma aliança com os muçulmanos para trabalharem juntos contra o extremismo radical e pela paz no Oriente Médio e na Ásia Central. Defendeu um diálogo "baseado no interesse e no respeito mútuos”. Em discurso na Universidade do Cairo, Obama não poupou temas polêmicos, como os assentamentos israelenses, com humilhações impostas aos palestinos. Mas lembrou que ações extremistas do Hamas, com “disparos de foguetes contra crianças dormindo", não produzem resultados. Em referência direta ao Irã, disse que é do interesse da comunidade internacional impedir "uma corrida nuclear no Oriente Médio" e, em crítica a ações da Al-Qaeda, ressaltou que “aquele que mata um inocente é como se tivesse matado toda a humanidade". Ao longo do discurso, entremeado de aplausos, Obama citou vários trechos do Alcorão, sagrado para os muçulmanos.

Jornal do Brasil
"A máquina contra o homem"

Especialistas questionam sistema de controle do Airbus

A queda do avião da Air France fez subir o tom do debate sobre a confiabilidade da tecnologia. Para especialistas, uma pane no sistema de controle computadorizado, projetado para substituir o piloto, passou a neutralizar a capacidade do ser humano de sair de situações de alto risco. As críticas ao modo como a Air France tem conduzido o repasse das informações obrigaram o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, a defender a companhia aérea em sua visita ao Rio: "Não estamos escondendo nada". O governo do Brasil informou que tentará negociar as indenizações para as famílias dos 53 brasileiros que estavam a bordo.

quinta-feira, junho 04, 2009

Ele quer ser governador!

Suplicy oferece seu nome ao PT para disputar o governo de São Paulo em 2010

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse hoje que se colocou à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo de São Paulo nas eleições de 2010. Em conversa com o presidente e ministros petistas, nesta semana, o senador deixou clara a sua intenção de concorrer ao governo --embora reconheça que a decisão final será do partido.


De acordo com o "Painel" da Folha, Suplicy fez chegar ao presidente, durante viagem, um bilhete manuscrito em um guardanapo com a informação de que está à disposição do partido para concorrer ao governo do Estado. "Eu escrevi em um guardanapo que, se o PT quiser considerar uma pessoa que nas eleições de 2006 teve 8,6 milhões de votos, o que dá um em cada dois votos no Estado, eu estava à disposição", disse.
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Nota do Editor - Suplicy governador? Waal! Governador cantor. Embora o atento e desperto senador cante sempre a mesma canção, não deixa de ser cantor. Como o filho, o grande tenor Supla, que atrai multidões aos shows. Sou favorável à candidatura, na verdade caso Suplicy seja candidato nem é necessário o governo perder tempo e dinheiro com eleições. Já está eleito. Acho que o Lula não vai querer, não gosta de sombra. Ele sabe que Suplicy almeja a presidência, embora eu o ache mais vocacionado para papa. (Sidney Borges)

Tragédia nos céus

Voo da Lufthansa que passou na mesma rota de Airbus da Air France foi normal

da France Presse, em Frankfurt
Os pilotos de um voo da Lufthansa realizado na mesma noite e em uma zona próxima à do acidente com o avião da
Air France entre o Rio de Janeiro e Paris não notaram "nada de anormal" no trajeto, indicou nesta quinta-feira à France Presse um porta-voz da companhia aérea alemã.

Um porta-voz da Lufthansa afirmou que três pilotos do voo LA507 consultados pela companhia declararam que não haviam notado nada de anormal, inclusive sobre as condições meteorológicas durante o trajeto.

O avião da Lufthansa, um Boeing 747-400 com cerca de 300 passageiros a bordo, decolou no domingo (31) às 18h36 de São Paulo e aterrissou às 5h57 (horário de Brasília) da segunda-feira (1) em Frankfurt.

Dois aviões da Lufthansa passaram nas imediações da zona do voo Rio-Paris meia hora antes do desaparecimento do Airbus da Air France desaparecer dos monitores dos radares, segundo o site da BBC, que cita a agência meteorológica das Nações Unidas.
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Nota do Editor - Sempre que acontecem tragédias como foi o sumiço do Airbus a mídia faz o que no jargão jornalístico é chamado de cobertura continuada. Aí mora o perigo. A necessidade de notícias é grande e quando não há mais o que escrever surgem teorias absurdas. O fato é que todos os dias passam dezenas de aviões na rota onde caiu o avião da Air France e isso se repeta há mais de 50 anos. Não há registro de acidentes. Bastou acontecer o primeiro e as condições climáticas passaram a ser consideradas terríveis, dignas de filmes de terror do gênero "disaster movie". Balela pura. No dia da tragédia muitos vôos aconteceram na mesma rota, indo e vindo, e nada de anormal foi registrado. E, depois disso, aviões continuam indo e vindo sem que turbulências diabólicas afetem os vôos. Ninguém sabe o que aconteceu, pode ser que um dia surja a resposta, pelas circunstâncias é mais provável estarmos diante de um mistério insolúvel. Na história da aviação há muitos. Ainda não falaram em OVNIS. (Sidney Borges)

Frases

“Um país que pode achar petróleo a 6 mil metros de profundidade, pode achar um avião a 2 mil metros”.

Lula

Terror nos céus

Um é pouco, dois é bom, três é demais...

Sidney Borges
A resposta à enigmática pergunta; por que o avião da Air France caiu, pode estar bem à mão. Basta examinar os eventos estranhos ocorridos com os aviões da Quantas e da TAM. Ambos voavam em cruzeiro, com tudo funcionando a contento, até o computador enlouquecer e fazer com que os aviões mergulhassem, arremessando passageiros e tripulantes ao teto, causando pânico e quebrando ossos.

Nos dois casos a tripulação conseguiu recuperar a atitude de vôo. Depoimentos de pilotos e gravações das caixas-pretas poderão ser de grande valia na solução do mistério, principalmente quando as investigações sugerem que os eventos que levaram à catástrofe tiveram início antes do avião entrar em zona de turbulência.

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Que me perdoe o fantasma do comandante Rolim, um bravo, mas para cruzar o Atlântico vou preferir os velhos e confiáveis jumbos da Boeing. O computador é bamba, eu até diria do arco-da-velha, mas dá do bicho surtar no dia do meu vôo. Waal!

Sobrariam poucos...

CCJ aprova projeto contra fichas-sujas

Proposta de Simon exige idoneidade moral e reputação ilibada de candidatos

De Demétrio Weber:
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem um projeto que, em tese, pode proibir o registro eleitoral de candidatos que respondem a processos na Justiça, mesmo que nunca tenham sido condenados em qualquer instância. De autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), a proposta exige a comprovação de "idoneidade e reputação ilibada" dos candidatos em todo o país.


A decisão da CCJ foi terminativa, ou seja, o projeto seguirá para a Câmara, caso nenhum senador peça votação em plenário. O texto foi aprovado por unanimidade, simbolicamente.

Presidente da CCJ e relator da proposta, Demóstenes Torres (DEM-GO) defendeu o texto. Segundo ele, há "clamor popular" pela medida. Ele admite, porém, surpresa com o resultado:

- Acho que os senadores não se aperceberam. Queira Deus que esse espírito público continue - disse Demóstenes. (Leia mais em O Globo)

Opinião

Um estorvo para o meio ambiente

Editorial do Estadão
A defesa da causa ambiental no governo Lula, já não bastasse ser uma empreitada complicada em razão da identificação do presidente com o desenvolvimentismo a qualquer custo que prevalecia à época em que ele descobriu o mundo, dificilmente poderia estar em mãos menos adequadas. Ao degradar em espalhafato a já reprovável extravagância com que se notabilizou desde os primeiros rumores de sua nomeação para o Ministério do Meio Ambiente, no lugar da demissionária Marina Silva, em maio do ano passado, o ministro Carlos Minc se transformou, para todos os efeitos práticos, em um estorvo para a proteção do patrimônio natural do País contra as pressões dos interesses que formam a chamada coalizão da motosserra.

O trato de questões que se entrelaçam numa das mais decisivas agendas nacionais - como a regularização fundiária na Amazônia, a repressão ao desmate, o zoneamento da cana-de-açúcar, o licenciamento para a modernização da malha rodoviária e a reforma do Código Florestal Brasileiro - está sendo desvirtuado pelo comportamento de um ministro egocêntrico e desprovido de senso de medida. Aparentemente determinado a chutar, como se diz, o pau da barraca - por não suportar as servidões do seu cargo e preparando a sua volta para a Assembleia Legislativa fluminense com a auréola de vítima -, Minc se revela uma dádiva para todos quantos queiram desmoralizar, pelo ridículo, as preocupações dos ecologistas.

A carnavalização dos problemas, que ele já deixou claro não ter aptidão para enfrentar, é tanto mais deplorável por se fazer acompanhar de uma carga de agressividade verbal que inevitavelmente provoca do lado dos agredidos a clássica reação igual em sentido inverso. O ponto mais baixo a que o ministro desceu - até agora - foi a sua diatribe, na semana passada, contra o agronegócio. Encarapitado em um carro de som, numa passeata da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura em Brasília, ele acusou os grandes produtores rurais, em tom apoplético, de serem "vigaristas". O troco veio do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), estridente porta-voz da bancada ruralista, que o chamou de "desqualificado moral".

Na terça-feira, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), dirigente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), denunciou Minc ao Ministério Público Federal por crime de responsabilidade e à Comissão de Ética Pública do governo por quebra de decoro. Pediu ainda a demissão de Minc, a quem se referiu como "alienado, incompetente e ecoxiita". Também anteontem, na Guatemala, onde se encontrava, o presidente o convocou para uma reunião, hoje. Menos pelo bate-boca com os ruralistas do que por outras caneladas do ministro, dessa vez contra os titulares dos Transportes, Alfredo Nascimento, e de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, criticados publicamente por ele no final da semana. A lista dos colegas que o enfurecem inclui ainda os ministros da Agricultura, de Minas e Energia e a chefe da Casa Civil.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 04 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Após 47 anos, OEA revoga veto a Cuba"

Medida não implica retorno automático dos cubanos à entidade; segundo resolução, volta dependerá de diálogo

A Organização dos Estados Americanos anulou ato que, em 1962, suspendeu o governo socialista de Cuba.
A decisão, aprovada por consenso, foi chamada de histórica por representantes de todos os 34 países da OEA. Ela não implica, porém, o retorno automático.
Segundo a resolução, a volta dependerá de um diálogo de acordo com os "princípios" da OEA. "O importante era tirar um pedaço de sucata", disse o secretário-geral José Miguel Insulza.
O texto procura conciliar o reconhecimento do anacronismo da decisão de 1962 e a reafirmação da Carta Democrática da OEA, aprovada oito anos atrás. Cuba é uma ditadura de partido único.
Duas partes cederam em suas posições: os EUA, que não admitiam publicamente a anulação do ato, e os países liderados pela Venezuela, que defendiam um pedido de desculpas a Cuba.

O Globo
"Agência tinha alertado para riscos com avião da tragédia"

Destroços reforçam hipótese de pane antes de turbulência, diz Inpe

A Agência Europeia de Segurança da Aviação (Easa) emitiu um alerta em janeiro para os pilotos dos aviões Airbus A330 e A340 sobre ocorrências mum equipamento da aeronave que levariam a um "comportamento anormal" capaz de provocar até repentinos mergulhos em pleno voo. A advertência foi feita três meses depois de um incidente envolvendo um Airbus da Qantas, que deixou dezenas de pessoas feridas. Ontem, o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe), com base na análise de imagens de satélite e o mapa da localização dos destroços, disse que o Airbus da Air France pode ter sofrido uma pane antes mesmo de ter atravessado uma grande turbulência. Em Paris, na Catedral de Notre Dame, cerca de duas mil pessoas participaram da missa pelas vítimas, com a presença do presidente Nicolas Sarkozy. Na Costa Rica, o presidente Lula disse que virá ao Brasil para participar de missa pelas vítimas e fez um minuto de silêncio.

O Estado de São Paulo
"Aposta na produção faz entrada de dólar dobrar"

Investimento produtivo atingiu US$ 2,75 bilhões em maio

O fluxo de dólares para o Brasil mais do que dobrou em maio, saltando 119% na comparação com abril. Dados do Banco Central mostram que US$ 3,13 bilhões ingressaram no País no mês passado, o melhor resultado desde abril de 2008, antes do agravamento da crise, em setembro. A recuperação foi puxada pela entrada de US$ 2,75 bilhões em investimentos diretos na produção. Aplicações em Bolsa representaram outros US$ 2,5 bilhões.
Os investimentos mantiveram tendência de recuperação já delineada em abril, quando o volume de entrada havia somado US$ 3,4 bilhões, contra média mensal de US$ 1,7 bilhão registrada no primeiro trimestre. Esse ingresso de recursos externos permitiu também que a chamada conta financeira - que inclui aplicações no mercado financeiro e em títulos públicos - tivesse entrada líquida de US$ 1,54 bilhão em maio.

Jornal do Brasil
"Armadilhas na rota da Europa"

Empresas pressionam por economia em trajetos conhecido pelos seus riscos
Não há esperança de encontrar passageiros vivos, admite a Air France a parentes
Localizados novos destroços e mancha de óleo de 20 km na área do desastre
A travessia aérea sobre o Oceano Atlântico rumo à Europa tornou-se uma rota de grandes riscos impostos a passageiros e tripulações. Além de tempestades súbitas e de rara magnitude - comuns no caminho do Airbus da Air France que desapareceu enquanto ia do Rio para Paris - há uma pressão implícita das companhias aéreas para evitar a alteração de rotas, informa o Sindicato Nacional dos Aeronautas. Ontem lei um dia de luto: a direção da Air France descartou a possibilidade de achar sobreviventes entre os passageiros do voo 447. Os aviões de busca encontraram destroços maiores da aeronave e identificaram um rastro de 20 km de óleo na região da queda. Em Paris, as vítimas foram lembradas em missa na Catedral Notre Dame. No Rio, está programado para hoje um culto ecumênico na Igreja da Candelária, com a presença do chanceler da França, Bernard Kouchner.

quarta-feira, junho 03, 2009

Caro e de pouca serventia



O carro de uma era que terminou

por Paulo Moreira Leite (original aqui)
Sou fã de Impalas, a obra-prima que a Chevrolet criou nos anos 50. Também adoro Cadillacs, carros que são símbolo de luxo e perfeição sobre quatro rodas. São carros que vão sobreviver à concordata da estatal GM. Quem quiser estudar nossa civilização, não poderá ignorá-los.

Já o Hummer, que é este carro que você pode examinar aí acima, era fabricado pela GM e a marca acaba de ser colocado à venda em sua nova gestão. Dizem que um grupo chinês está interessado. Espero que sim, já que 3 000 empregos podem ser salvos. O problema do Hummer não é a realidade. É o que representa.

Nenhum outro veículo tornou-se um retrato tão perfeito do mundo que desmoronou em outubro de 2008.

A colunista Maureen Dowd, do New York Times, disse que o Hummer é o tipo de carro para quem tem tanto dinheiro no bolso que já não sabe o que fazer com ele. O ponto é este: a partir de determinado momento, aquela que foi uma das maiores empresas do mundo passou a ocupar-se do tédio dos milionários, a tentar animar sua falta de interesse e sua necessidade de demarcar diferenças sociais.

Maureen observou que nenhum proprietário de Hummer faria dele seu primeiro carro nem o segundo, nem o terceiro, pois se trata de um veículo para se usar de vez em quando, para causar impressão em determinadas horas, como um parque de diversões para aqueles adultos que tem mais poder de consumo do que a industria consegue atender com produtos padronizados.

Em resumo, é um veículo para ser o quinto carro. Dá para viver num mundo desses?

Versão civil de um veículo que fez muito sucesso na guerra do Iraque, o Hummer pode chegar a R$ 450 000. Embora existam vários automóveis mais caros do que ele — uma Ferrari pode custar mais do que o dobro — o Hummer tem a característica de ser um símbolo sem serventia.

Anda a 134 km/h, o que é um desempenho pífio no quesito velocidade. Atravessa atoleiros com água a 70cm de altura e, com 3,1 toneladas de peso, tem um tanque com capacidade de 159 litros — de óleo diesel. Bom para a guerra, inútil para a paz, um desastre para a economia.

Só podia dar errado, concorda?

Aventuras juvenis


Notem o bonde fora dos trilhos, pancada forte. O "camarão" bateu no ônibus, ou melhor, nocauteou o coletivo para tristeza de cobrador e motorista. Ninguém se feriu seriamente, apenas uma senhora já adiantada nos anos queixou-se de certa dor do lado, mesmo assim sem precisar se o incômodo tivera origem na trombada ou no abuso de couves. Deu o maior trabalho colocar o bichão nos trilhos e desimpedir o trânsito. Eu gostava de andar de bonde, preferencialmente de cara-dura a reboque dos bondes abertos. Fiz grandes passeios contemplando a cidade. Sempre de sete-vidas para não levar choque em dia de chuva. (Sidney Borges)

Aviões e computadores

O computador errou. Será?

Sidney Borges
Tenho amigos pilotos, muitos. Hoje conversei pelo Skype com um que trabalha na China desde que a Varig faliu. Entre pilotos há uma dicotomia estilo "Marlene-Emilinha" envolvendo aviões Airbus e Boeing. Pilotos de Boeing 737 dizem que voar Airbus é parecido com brincar de "Flight Simulator". Dizem mais, que o piloto apenas sugere, mas é o computador que decide. Palavras de um experimentado comandante com mais de 15 mil horas de vôo. Segundo ele há acidentes estranhos envolvendo os aviões europeus. Cita dois especialmente. O da TAM em Congonhas e aquele dos Estados Unidos em que o piloto pousou no rio. Nos dois casos o computador tomou decisões que contribuiram para o desfecho, os acidentes não aconteceriam se as manetes de potência fossem operadas pelos comandantes. Apesar desse julgamento severo, acidentes são estatísticamente desprezíveis em relação ao número de vôos que há. O xis da questão é você estar viajando em um avião que vai virar estatística, seja ela desprezível ou não. Eu particularmente prefiro aviões pilotados por seres humanos, que por serem humanos têm medo. Por mais eficientes que sejam, os computadores nada temem e caso tomem uma decisão errada manterão a posição até o crash fatal. Aos computadores falta aquele orifício que os humanos têm e que por tê-lo temem, pois é sabido que quem o tem, tem medo.

Quarta-fria

O frio, quem ligou o frio?

Sidney Borges
Céu azul, dia luminoso e sensação térmica estranha aos padrões ubatubanos, está fazendo frio. Para mim é uma espécie de recordação, estou acostumado, São Paulo, onde passei a maior parte da vida é uma cidade fria. Já foi mais, lembro-me da década de 1960. Certo dia fui com um amigo buscar o irmão na Estação Roosevelt, no Largo da Concórdia. Era junho, o incauto viajante saiu do Rio de Janeiro desprevenido, sem agasalho à mão. Desembarcou em uma manhã especialmente gélida, segundo os jornais a mais fria do ano. Lembro-me de olhos arregalados de susto. O cara quis voltar imediatamente enquanto tremia e gritava aos quatro ventos que não era pinguim. Foi engraçado, as pessoas em volta interpretaram como performance e aplaudiram. Hoje nem sei se ainda é possível ir ao Rio de Janeiro de trem. Viagem romântica, vagões Pullman de filme antigo, corredor enfumaçado, Humphrey Bogart passando furtivamente de jaquetão e cigarro no canto da boca. Artistas e políticos eram encontradiços no bar do expresso noturno onde bebericavam e conversavam até o sono bater. Tenho lido sobre a licitação do trem-bala que circulará no futuro entre as duas metrópoles. Vai demorar, se eu escapar do enfarte, do câncer, do diabetes, das balas perdidas e das bicicletas na contra-mão certamente farei a viagem. Fico torcendo para que seja construído um ramal passando por Ubatuba, se bem que daqui a dez anos nem sei onde estarei. Desde que deixei a casa paterna meus ciclos são de onze anos. Mantida a praxe, faltam três para a partida. Navegar é preciso...

Coluna da Quarta-feira

Semana do Meio-Ambiente: Prefeitura de Ubatuba perde investimentos para coleta seletiva de lixo

Mauricio Moromizato
Semana do Meio-ambiente. Comemorações e programações extensas por toda parte. A conscientização cresce, sem sombra de dúvidas, mas os resultados não aparecem. Na verdade os indicadores pioram. A olhos vistos.


Bandeira vermelha em Itamambuca; saneamento básico insuficiente e sem aumento do tratamento, com a população crescendo; milhares de Ubatubanos sem água tratada; coleta de lixo ineficaz em vários bairros (quem duvidar pergunte aos moradores da região sul e de bairros distantes), entre outros problemas.

Ontem estive presente na abertura do “IV Seminário de Políticas Publicas” que ocorrerá até dia 3 de junho na UNITAU – Campus Ubatuba. Bom evento, bem organizado. Público pequeno. Boa oportunidade para conversar com as pessoas e trocar informações.

Durante a mesa redonda que aconteceu após as explanações, algumas “pérolas” vieram á tona:

- falta vontade política para execução de ações efetivas na área ambiental, principalmente no tocante a saneamento básico:

- a SABESP continua não cumprindo suas obrigações com a cidade, atrasando (novidade) as já insuficientes obras de saneamento básico e tratamento de água;

- o Plano Municipal de Saneamento Básico encontra-se em estágio muito inicial, sem divulgação e sem participação da comunidade.

Mas, além disso, veio de maneira oficial, de um dos representantes da CETESB, a informação de que há verba estadual disponível para investimento em coleta seletiva de lixo, a fundo perdido, para aquisição de 500 lixeiras, dois caminhões, esteira de separação e outros equipamentos. A prefeitura de Ubatuba não fez o pedido dessa verba!

E para completar as “boas informações ambientais”, também confirmada oficialmente, a prefeitura de Ubatuba perdeu R$ 320.000,00 (trezentos e vinte mil Reais) de verba do FEHIDRO, para investimento em coleta seletiva, por problemas com o projeto apresentado. Sequer mandou representante na reunião em que os projetos foram discutidos, aprovados ou rejeitados.

Quem é responsável por essa perda? O Prefeito, os secretários? Vai ficar impune?
De que adianta ter alto índice de preservação da Mata Atlântica, se isso significa apenas aparência? Como falar em “Ubatuba sustentável”? E não vou entrar no mérito das questões sociais e econômicas...

Perda de investimentos para coleta seletiva de lixo, omissão e submissão à SABESP e falta de discussão e de transparência sobre a coleta e transbordo do lixo. Essa é a marca ambiental que Ubatuba carrega atualmente.

Sempre vejo e escuto que a questão ambiental precisa ser baseada nos famosos 5R’s (Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reaproveitar, Reciclar).

Convido você leitora, você leitor a usar apenas um dos R’s: Repensar. Para responder aos filhos, aos jovens, ao futuro da cidade: “Dá para comemorar?”

Tragédia

4 minutos da 1ª pane até a queda

Daniel Gonzales, JORNAL DA TARDE; Bruno Tavares
As mensagens automáticas recebidas pela sede da Air France, em Paris, indicam que a tragédia do voo 447 se desenhou em apenas 4 minutos. O primeiro sinal de um possível problema a bordo chegou às 23h10 (hora de Brasília) do domingo, dando conta de que o piloto automático do Airbus A330-200 havia se desconectado. As mensagens seguintes apontam para uma sucessão de graves panes em alguns dos principais computadores do jato. O último alerta foi emitido às 23h14: "cabin vertical speed" (cabine em velocidade vertical, na tradução do inglês).


A informação final, dizem investigadores militares, pode ter duas leituras: queda livre ou uma brusca variação de pressão dentro da cabine, ocasionada por uma descida mais rápida do que o comum. Como a tripulação do A330 não fez nenhuma tentativa de comunicação por rádio e nem a companhia aérea recebeu outros alertas, é possível que esse seja um "indício técnico" de que o avião caiu no Oceano Atlântico.
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Opinião

Balança comercial e taxa cambial

Editorial do Estadão
Em que medida a valorização do real ante o dólar contribuiu para afetar negativamente a balança comercial no mês de maio? A resposta não é simples, mesmo quando se verifica que, na média por dia útil, o saldo da balança comercial registrou, em maio, queda de 28,6% em relação ao mês anterior.

O resultado de maio (sempre na média por dia útil) ficou acima da média dos três primeiros meses do ano, perdendo apenas para o de abril. No entanto houve queda de 2,7% das exportações, relativamente a abril, e crescimento de 8,4% das importações, o que aparentemente explicaria a valorização do real. Porém será preciso examinar melhor as causas dessa evolução, reconhecendo que o efeito da valorização só poderá ser confirmado daqui a dois meses.

A queda das exportações de produtos básicos foi responsável por 66,5% da redução das exportações de maio, em relação às do mês anterior, e a forte redução das exportações de minérios de ferro, em volume e em preços, foi a grande responsável pela quebra de receitas vinculadas a produtos básicos. Sem esses produtos, as exportações (valor global) acusariam queda de 1,7% apenas, resultado ainda melhor do que nos produtos manufaturados, com redução de 1,5%. Talvez o ponto mais positivo para as exportações foi o crescimento para a União Europeia, de 6,8% em maio, em relação a abril; de 7,2% para a América Latina; e de 9,9% para o Oriente Médio.

Sabe-se que geralmente as importações respondem mais rapidamente à mudança da taxa cambial. De fato, em valor total, aumentaram 8,4% em maio, enquanto desde fevereiro cresciam menos do que as exportações. Parece difícil que tivessem reagido tão depressa à valorização do real, o que apenas seria possível para matérias-primas e alguns bens de consumo duráveis, dos quais existem estoques nos países industrializados.

O que se verifica é um crescimento elevado de 44% das importações de petróleo, reflexo da elevação do preço do produto, que foi em parte compensada por exportações do nosso próprio petróleo bruto, que aumentaram 30,5%.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 03 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"FAB localiza destroços do Airbus"

Material foi encontrado no mar a 740 km de Fernando de Noronha, diz ministro da Defesa

Busca não localiza sobreviventes; causas do acidente com o avião ainda são desconhecidas
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que um avião da Força Aérea Brasileira localizou os primeiros destroços do Airbus A330-200 da Air France que desapareceu no oceano Atlântico na noite de domingo; quando seguia do Rio para Paris.
Segundo Jobim, os destroços, entre os quais uma poltrona, estavam a cerca de 740 km do arquipélago de Fernando de Noronha e a 1.200 km de Recife. O ministro disse existir a certeza de que o material é do avião. Nenhum corpo foi achado.

O Globo
"Brasil acha destroços de avião e França investigará tragédia"

Mistério no Atlântico
Poltrona e pedaços de fuselagem estavam espalhados numa faixa de cinco quilômetros de mar

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ontem que os destroços do Airbus A330 da Air France, que desapareceu na noite de domingo, foram localizados num rastro de cinco quilômetros. Poltronas, fiações, metais e outros objetos da aeronave foram encontrados a cerca de 1.200 quilômetros de Recife, ainda em mar territorial brasileiro, próximo ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Apesar disso, o governo francês será responsável pela investigação do acidente, porque, segundo Jobim, a aeronave é registrada na França. As buscas vão continuar sob responsabilidade do governo brasileiro. A causa da queda do avião ainda é um mistério, mas algumas questões podem ter influenciado no desastre: problemas com motor ou falha de interpretação de problemas da aeronave, pelos computadores do Airbus, ou ainda uma intensa chuva de granizo.

O Estado de São Paulo
"FAB localiza destroços do Airbus"

Restos do avião deixam rastro de 5 quilômetros no mar; França lidera as investigações

Destroços do Airbus A330-200 da Air France que desapareceu na rota Rio-Paris, com 228 pessoas a bordo, foram identificados no mar a 1.200 km do Recife pela FAB. A confirmação foi do ministro Nelson Jobim (Defesa), que se reuniu com familiares de passageiros no Rio. Segundo ele, não houve visualização de corpos ou de sobreviventes. Foi detectado um rastro de 5 km de materiais do avião. As buscas vão continuar, numa área de 9.785 quilômetros quadrados, e o trabalho de perícia será realizado pela Polícia Federal junto com o IML do Recife. Três navios da Marinha serão enviados ao local, com apoio de embarcações civis. A probabilidade de encontrar a caixa-preta é baixa, disse Jobim, já que a região do Atlântico onde o avião caiu tem profundidade de até 3 km. A investigação sobre a causa do acidente será conduzida pela França.

Jornal do Brasil
"Destroços sugerem que Airbus se desintegrou"
Os alarmes automáticos emitidos do Airbus da Air France reforçam a possibilidade de um mergulho catastrófico no Atlântico. Segundo o presidente da empresa, Pierre-Henri Gourgeon, várias mensagens falavam em partes em pane ou quebradas. "A sucessão de alertas sinalizava algo nunca visto", disse. A informação dá contornos ainda mais dramáticos à tragédia da aeronave que desapareceu no trajeto entre o Rio e Paris. A investigação ficará agora sob responsabilidade da França. Especialistas veem dificuldades de achar destroços maiores do que os encontrados pela FAB a 700 km de Fernando de Noronha - poltronas, boias, fios e restos metálicos dispersos por 5 km e suficientes para desmontar as esperança dos parentes das 228 pessoas desaparecidas. Outros 200 passageiros embarcaram no voo 447 de ontem. Aliviados, alguns embarcariam no domingo.

terça-feira, junho 02, 2009

Em Pauta

Jornais em crise? Ande de avião, Fernando Canzian

Fernando Canzian (*) (Fonte:Folha OnLine) (Comunique-se)
Na semana passada, o Comitê Nacional de Transportes dos EUA realizou audiência sobre a queda de um avião em 12 de fevereiro passado em Buffalo (NY). A tragédia matou 49 pessoas a bordo e mais uma em terra.


Em questão de horas, dois dos melhores jornais norte-americanos, o "The New York Times" e o "The Wall Street Journal", trouxeram à tona histórias sinistras sobre como as empresas aéreas no país deceparam custos. A ponto de comprometer a segurança dos que voam muito em um país continental como os EUA.

A copiloto do avião que se espatifou em Buffalo havia passado a noite inteira viajando em uma poltrona comum da Costa Oeste dos EUA para Newark, ao lado de Nova York (sua base). Ao chegar, assumiu pela manhã a segunda posição de comando no voo.

Já o piloto, investigou o "WSJ", havia omitido duas vezes de sua ficha de contratação o fato de ter falhado em voos simulados em casos de emergência. Detalhe: as falhas ocorreram em situação idêntica à que provocou a queda do avião.

Um dia depois, o "NYT" trouxe outros casos. Outro piloto regional comprou um carro velho, que quase não anda, para deixar estacionado na garagem de sua "base" de voos, a centenas de quilômetros de sua cama e família, do outro lado do país.

Ele usa o carro para tirar cochilos. Assim como vários outros que dividem quartos de US$ 200/mês de famílias próximas a aeroportos para ter um "crash pad" (um lugar macio para cair), onde podem descansar por algumas horas.

Uma tabelinha simples e didática na capa do "NYT" mostrou que um capitão com mais de 40 anos de idade e com dez anos ou mais de experiência tem salário médio de US$ 5,8 mil/mês sem qualquer benefício. Seu copiloto, US$ 2,7 mil. Nos EUA, são remunerações chocantes para o tipo de função.

Muitos desses pilotos, ficamos sabendo pelos jornais, têm em média só 8h30min por dia para chegar a um hotel, trocar de roupa, dormir, levantar e estar prontos para um novo voo.

Nos EUA, há uma discussão enorme sobre a chamada "crise dos jornais", traduzida em queda de circulação, receita e dívidas. Há um mês, o "NYT", por exemplo, entrou em acordo com seus jornalistas e cortou salários em 5% neste ano para evitar demissões. Ameaçou ainda fechar o "Boston Globe", do qual é dono, se um acordo parecido não fosse aceito.

Além de muitos problemas exclusivos de má gestão nos jornais americanos, fala-se também em necessidade de "reinvenção". Isso seria necessário por causa da massificação da internet, com seus milhões de blogs e opiniões para todos os gostos.

Opinião, todo mundo tem. Mas é preciso 1.300 jornalistas para se fazer um produto com a qualidade do "NYT" e levantar histórias como as acima enquanto se acompanha também ao vivo guerras no Iraque e no Afeganistão, o fim da guerra civil no Sri Lanka e as enchentes no Maranhão.

Devido à importância que se dá para o setor nos EUA, o Congresso norte-americano começa a se debruçar mais uma vez sobre o tema, a exemplo do que ocorreu em uma crise de menores proporções na década de 1970.

A partir dali, o chamado Newspaper Preservation Act permite que dois ou mais jornais competindo numa mesma região formem uma espécie de cartel, com preços de assinaturas e anúncios idênticos --desde que suas redações continuem independentes. A ideia é evitar o canibalismo entre as duas empresas já em crise.

Enquanto os parlamentares discutem outras medidas para preservar o setor, os próprios jornais vão repensando ações passadas. O "NYT", por exemplo, já considera voltar a cobrar pelo seu conteúdo disponível na internet (a exemplo do que faz o "WSJ", com quase 1 milhão de pagantes).

Alguns jornais também se reuniram para criar equipamentos portáteis que permitem a leitura online de seus conteúdos em uma tela maior do que a de um computador, o que facilitaria também a venda de anúncios para esse tipo de mídia.

Mas, embora o mercado de jornais impressos nos EUA venha encolhendo, ele é ainda gigantesco. Apenas os três maiores, "USA Today", "NYT" e "WSJ", têm circulação conjunta de mais de 5 milhões de exemplares. Além disso, a procura por seu conteúdo na internet aumenta rapidamente.

No Brasil, se somarmos todos os grandes jornais nacionais e regionais não chegaremos à metade da circulação dos três maiores norte-americanos. Além disso, ao contrário dos países avançados, a circulação dos jornais brasileiros cresceu nos últimos anos.

E tem ainda uma larga avenida pela frente à medida em que aumentar a renda da população.
(*) Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.

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Frases

"Eu não brinco com a democracia. Foi muito difícil a gente conquistá-la, e o que vale pra mim, vale para os outros. Alguém que quer o terceiro mandato, pode querer o quarto, pode querer o quinto, o sexto", afirmou. Segundo o presidente, a "alternância de poder é fundamental para a democracia".

Lula

Futebol

Kaká acerta transferência para o Real Madrid por 65 milhões de euros

MADRI (AFP) (original aqui)

O Milan acertou a transferência de seu meio-campista Kaká para o Real Madrid por 65 milhões de euros, anunciou nesta terça-feira a emissora privada de rádio Cadena Ser, da Espanha.

O Real Madrid terá o astro brasileiro por cinco temporadas, cujo salário líquido por temporada será de "nove milhões de euros", segundo a rádio espanhola.

O acordo foi fechado nesta tareça-feira em Madri entre o novo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, e o pai de Kaká, Bosco Leite, informou a emissora.

Kaká é a primeira contratação de Pérez, que assumiu a presidência do Real Madrid nesta segunda-feira pela segunda vez, após ter dirigido o clube entre 2000 e 2006.

Kaká, de 27 anos, está atualmente em Teresópolis com a seleção brasileira, que se prepara para enfrentar no sábado o Uruguai pelas eliminatórias sul-americanas em Montevidéu.

Procurando as causas da tragédia

Achar caixa-preta do avião da Air France será tarefa épica

Por Tim Hepher e Jason Neely (original aqui)
PARIS/LONDRES (Reuters) - Os primeiros relatos de observação dos possíveis destroços de um avião da Air France desaparecido sinalizam o início do que deverá ser uma das operações mais desafiadoras já organizadas para recuperar uma "caixa-preta".


A caixa, que na verdade se constitui em dois aparelhos diferentes contendo gravações das vozes da cabine do piloto e dados de instrumentos, representa a melhor oportunidade de descobrir por que o Airbus sumiu numa tempestade sobre o Atlântico na rota Rio de Janeiro-Paris com 228 pessoas a bordo.

Os equipamentos são programados para enviar sinais de orientação ao atingir a água, mas apenas localizá-los apresenta-se como uma das tarefas de resgate mais árduas desde a exploração do Titanic e, com sorte, poderá levar meses, dizem especialistas.

Se estiverem em águas tão profundas como temem algumas pessoas, 4 mil metros ou mais, submarinos-robô chegarão a seus limites. No entanto, outros desastres do passado levaram a progressos na tecnologia, trazendo esperança para se descobrir o que aconteceu.

"Há uma boa chance de o gravador ter sido preservado, mas o problema principal seria encontrá-lo", disse Derek Clarke, diretor administrativo adjunto da Divex, com sede em Aberdeen, que projeta e constrói equipamentos de mergulho militar e comercial.

"Se você pensar no tempo que se levou para encontrar o Titanic e que os destroços devem ser menores, o que se procura é uma agulha num palheiro. Há uma extensa área para pesquisar e é possível gastar meses usando sonares a uma grande profundidade."

As caixas-pretas têm um sinalizador para debaixo d'água chamado "pinger" que é acionado quando o gravador está imerso em água. O sinalizador é capaz de transmitir a partir de profundidades de até 4.300 metros, de acordo com o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos.

RECORDE DE PROFUNDIDADE

Clarke passa o tempo preparando-se para o impensável como parte de uma rede industrial que permanece de sobreaviso para ajudar em resgates submarinos.

Mas a profundidade nessa faixa do oceano excede o máximo de 600 metros ao qual qualquer Marinha poderia tentar um resgate submarino bem-sucedido, disse um experiente especialista em mergulho da Marinha Real Britânica.

O Brasil informou na terça-feira que aviões militares localizaram destroços a cerca de 650 quilômetros de Fernando de Noronha (PE).

Com base nas notícias da provável localização do avião, Neil Wells, professor de oceanografia e meteorologia do Centro Nacional de Oceanografia da Grã-Bretanha, disse que a caixa-preta poderia estar a mais de 4 mil metros abaixo da superfície.

"Não há dúvida sobre isso; os limites da tecnologia serão pressionados. Não é uma operação fácil."

A indústria do petróleo tem capacidade significativa de operar equipamentos em grandes profundidades, mas o faz apenas até os 3 mil metros, disse Clarke.

Profundidades como essas estão bem abaixo do alcance de embarcações com tripulação.

Uma série de "prowlers" para águas profundas, como o Alvin da Marinha dos EUA, que vasculhou os destroços do Titanic a 4 mil metros de profundidade no Atlântico em 1986, pode ser equipado para essas profundezas.

Um relatório da Marinha norte-americana baseado em desastres similares, divulgado sob a Lei de Liberdade de Informação no ano passado, considerou possível resgatar destroços de aeronaves, incluindo caixas-pretas, em profundidades de até 6 mil metros.

O documento citou avanços na tecnologia desde a década de 1980, como sonares para vasculhar o fundo dos oceanos, novos softwares e sinalizadores acústicos ou "pingers" que indicam a localização debaixo da água.

As duas caixas-pretas do acidente com o vôo 182 da Air India foram recuperadas. A aeronave explodiu perto da costa irlandesa em 1985.

Elas foram encontradas a cerca de 2 mil metros de profundidade, numa operação que durou mais de duas semanas.

Dois anos depois, o avião do vôo 295 da South African Airways caiu no Oceano Índico perto de Maurício, deflagrando a busca de uma aeronave em águas mais profundas já realizada. Os investigadores encontraram o gravador de voz do cockpit após três meses de busca a mais de 4.200 metros de profundidade, o recorde até agora.

Sejam quais forem os desafios, os especialistas afirmam que os interesses são muito grandes para desistir de uma busca. "Não saber seria totalmente inaceitável para a Airbus e para a aviação em geral", disse David Learmount, editor de segurança e operações da revista britânica Flight International.

Polêmica eleitoreira

Os livros da Secretaria de Educação

De Maringoni, no Blog do Nassif
Caros e caras:
Houve uma razoável repercussão na imprensa, há duas semanas, sobre uma suposta cartilha com palavrões e conteúdo pornográfico que a Secretaria de Educação dos Estado de S. Paulo teria distribuido a alunos de 3a. série do ensino público. A situação mereceu uma campanha moralista por parte de certos órgãos de imprensa, a Globo em primeiro lugar.


Devo dizer que o caso é um tanto diverso do apregoado. A “cartilha” é na verdade um livro de quadrinhos, editada pelo Orlando Pedroso, ilustrador da Folha, e dela fazem parte 11 cartunistas, entre eles Spacca, Lelis, Fabio Moon, Gabriel Bá, Osvaldo Pavanelli, Caco Galhardo e este locutor que vos fala. Trata-se de um álbum, dirigido ao público adulto, lançado por ocasião da Copa de 2002.

A escolha e a compra pela Secretaria se deu totalmente à nossa revelia. Houve um claro equívoco da parte do governo estadual. O moralismo indignado da mídia é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais.

Envio a vocês, anexo, a cópia de minha história lá publicada.

Veja aqui
 
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