sábado, maio 30, 2009

Capas de discos


Cheiroso

Anãozinho morto na botina

Casa do KCT (original aqui)
Um estudante de filosofia com mau cheiro nos pés ganhou o direito de assistir as aulas em uma universidade holandesa após 10 anos de batalha jurídica.

Teunis Tenbrook foi expulso da Universidade Erasmus de Roterdam após queixas de professores e alunos de que seria impossível estudar com o cheiro de seus pés.

Mas agora, após uma longa batalha jurídica, o tribunal decidiu que ter chulé não é desculpa para proibir um estudante de freqüentar uma universidade.

O juiz disse: "Nossa opinião é de que tanto professores como alunos terão de pressionar seus narizes e suportar."

Tenbrook disse ao tribunal: "Embora já não pudesse assistir palestras Tentei continuar a estudar na biblioteca, mas depois fui banido da biblioteca, também."

A universidade também levou uma vantagem a partir da decisão - dezenas de livros que o estudante estava impedido de devolver por causa da proibição podem agora ser devolvidos.

Mas agora, a universidade anunciou que em vez de proibir os alunos com chulé de assistir as aulas planejam emitir multas para resolver tais problemas.

Nota do Editor - A matéria remete à história do casal de noivos que tinha um terrível segredo mútuo. Ele era campeão mundial de chulé e ela de mau hálito. Durante o namoro disfarçaram, ele sempre com três pares de meia e botas até o joelho, ela mascando toneladas de chicletes e jamais falando diretamente.
Na viagem de lua de mel ela pensava: preciso contar, um dia ele vai descobrir. Preciso contar. E assim criou coragem e em dado momento pediu que ele estacionasse. Quando o carro parou ela o olhou nos olhos e disse com ar grave:
- Preciso te contar um segredo.
Ele respondeu prontamente:
- Não diga nada, eu sei. Você comeu a minha meia. (Sidney Borges)

Sábado



Invenções e prêmios

Sidney Borges
O clima está propício para uma boa pizza. Quem teria sido o inventor da redonda, o iluminado que pela primeira vez esticou a massa, colocou mussarela e manjericão regados a azeite em cima e levou ao forno. Não pensem que me esqueci de mencionar o tomate, é que ele só foi "incorporado" depois da descoberta da América e mesmo assim demorou, no início era apenas um fruto ornamental. Eu daria o "Prêmio Nobel" ao pizzaiolo inicial. Estão dizendo por aí que a láurea será concedida ao Lula. Prêmio merecido, ele não inventou a pizza, mas faz com que tudo termine nela, e isso demanda talento. Ao Lula as batatas, digo as pizzas!

Mundo

Um problemão na Holanda

Marcos Guterman (original aqui)
O governo da Holanda anunciou que vai fechar oito prisões. Motivo: os índices de criminalidade não param de cair, e os juízes têm trocado as penas de privação de liberdade pelas de serviços comunitários.

Em compensação, a Holanda vai aceitar milhares de presos da Bélgica, que vai pagar 30 milhões de euros pela gentileza.

Entrevista



A cultura brasileira no paredão

O pau come pra todos os lados neste desabrido diálogo de Aldir Blanc e Marcelo Mirisola sobre as “ostras” da cena cultural do país. Discorde, concorde, conteste, comente, mas não deixe de ler

Marcelo Mirisola
Faz um tempão que não vejo o Canal Brasil. Uma das poucas coisas que sinto falta na televisão, confesso. Anteontem, fiquei sabendo que
Aldir Blanc tem presença garantida lá no 66. Foi um amigo meu, o Nilo, quem me alertou: “O Aldir Blanc soltou os cachorros numa editora. Tava lendo os trechos que os caras censuraram. Cambada de bundões!”

A partir daí, pensei comigo mesmo: quero saber do que se trata. Vou tentar entrevistar o Aldir Blanc. Essa censura disfarçada de “edição” já encheu meu saco. Comigo aconteceu algo parecido. Em Paraty, quando cobria aquela palhaçada para o jornal Zero Hora, também me censuraram. De lá pra cá foi só chega pra lá, isolamento e essa babaquice generalizada que se instalou na mente das pessoas. E virou uma obsessão pra mim. Daí que tenho a obrigação de fazer um alerta ao leitor do Congresso em Foco. Por causa dessa minha obsessão, mania persecutória ou inhaca adquirida, e diante da minha incapacidade de respirar no meio desse lixo todo, algumas perguntas que faço ao Aldir Blanc são praticamente iguais às que fiz ao Nilsão Primitivo. Se as faço é porque me infernizam, e porque urgem.

Perguntas e respostas foram enviadas por e-mail.

Que editora é essa que o censurou? Por que a babaquice generalizou-se na terra, no mar e no ar?

Aldir Blanc – Para colocar a coisa em termos precisos, o departamento jurídico da Desiderata “sugeriu” a retirada de alguns aforismos, que prefiro chamar de esculhambações, do livro Guimbas. Acho que a causa de todas as babaquices é que imitamos os americanos em tudo e criou-se uma indústria de indenizações por qualquer merda.

Os departamentos de marketing e jurídico são o novo DIP, a nova KGB? Não pega bem ter talento hoje em dia?

Marketing, como escrevi no próprio Guimbas, é uma profissão que ricocheteia. Não acho que talento entre nisso. É só um jogo de oportunismos.

Entendi. No lugar do talento, a vigarice, o oportunismo. Só não entendo por que continuar chamado os “produtos” dessa esterilidade de “arte”. Que se reconheça a canga e a filhadaputagem, e estamos conversados. E o Guimbas? Você vai procurar outra editora?

Quanto ao Guimbas, há uma certa confusão. Nem a editora (nem eu) soube dos cortes e ainda estou esperando ver o que vai acontecer com o livro sobre o Vasco, que também teria sido podado pelo mesmo departamento jurídico, atuando de beque-da-roça na Agir. O pretenso motivo é duro de engolir: eu teria batido muito pesado em Eurico Miranda. Pomba, eu entreguei o livro pronto no ano passado, em plena gestão do Eurico. Que graça teria um livro sobre o Vasco sem bater no Eurico? Esse ainda não foi lançado. Talvez vá pra escanteio, não sei de nada certo ainda.

Um livro sobre o Vasco sem bater no Euricão não teria a mínima graça, esse pessoal do departamento jurídico realmente não tem um pingo de humor. Penso em Nelson Rodrigues, Joel Silveira, esses gigantes (e apaixonados) que eram escritores e ganhavam a vida no jornalismo. Queria saber: Por que tanto bunda mole se dando bem? Por que os jornais, e os meios de comunicação em geral, trocaram os escritores pelos técnicos? Quando leio uma crônica (?) do Drauzio Varella sobre placentas, dá vontade de pedir o chapéu, entende?

Bom, aconteceram duas histórias ridículas comigo no JB. A primeira, quando dividia uma coluna com o Lan, e fui mandado embora por “denegrir” a imagem da cidade. Segundo os sábios, o Rio não era tão violento... Outra, na demissão mais recente. Queriam tornar o Caderno B mais “palatável”, mais “feminino” e meu texto era muito agressivo. Acho que isso diz bem o clima que rola. Aproveito para contar a demissão mais sórdida, de O Dia, ninguém teve coragem de falar comigo, um funcionário fichinha, revoltado com a situação, é que me avisou. Depois, soube que Bum-Bum Garoto e Rosinha Gigoga, que lideravam a quadrilha do estado do Rio na época, pediram minha cabeça. Veja o caso da Folha de S. Paulo, que também não leio. Um palhaço banca o vanguardista e trucida nossa música popular enquanto leva jabá pra promover roquinhos. Aí o jornal descobre e manda o lalau embora sem nada da tal transparência que preconiza. O cara vai pra outro jornal e também é demitido por tráfico com passagens aéreas, um precursor. Hoje, é "respeitável" resenhista literato de revista de elite, onde, do trono cagado de sua sabiduria, ataca Philip Roth e outros.

De antemão dá pra dizer que um cara que sacaneia Philip Roth é um canalha. Mas, curioso, quando você falava nessas perseguições, fui jogado nos anos 50. Se me permite, vou abrir um parêntese. Associei sua resposta a um tempo em que pessoas tinham “imagem” e “reputação” e elas eram – pasme! – denegridas. Aí, de repente, volto ao Rio de Janeiro de hoje. Pra banca de jornal da esquina. E abro os cadernos “B”. E me vem uma certeza: a Zona Sul e os cadernos “B” dos jornais locais são um presépio. A mesma coisa vale para as novelas engajadíssimas do Manoel Carlos. Tudo muito ridículo. Quanto a Rosinha e o jeito dela de dona de casa zelosa, bem, tenho que ser sincero, isso sempre me deu um tesão danado. E essa coisa de “pedir a cabeça”, além de típica é previsível, é matéria-prima para mim e está incluída no pacote dos meus interesses... ou perversões, tanto faz. Acho até que a Rosinha deve ser prima da Fátima Bernardes. Elas não são parecidas, tipo mãezonas? Fecho o parêntese. E quero dizer que, se você ainda não havia se manifestado publicamente sobre as sacanagens do casal Bum-Bum, considere o seu desabafo registrado. Minha vontade era perguntar o nome desse canalha que – entre tantas – andou zoando o Philip Roth. Mas, como diz minha amiga Márcia Denser, isso é dar cartaz pra trouxa. Vamos em frente. Eu preferia – de longe – suas crônicas no Estadão, mas afinal, o que você acha do Milton Hatoum como cronista? Não sente falta da inconsequência febril e bêbada de um Carlinhos Oliveira? Não sente falta dos arroubos de um Tarso de Castro? Ou das resenhas de um Otto Maria Carpeaux (que não tinha nem o primário)? A propósito e voltando à pergunta anterior: eu não consigo ler as resenhas desse povo da USP, tanto eles como os departamentos jurídicos em questão e os Drauzio Varellas da vida, não tem o mínimo senso de humor. Você consegue ler o que esses sabichões escrevem?

Não posso falar sobre o que não li. Quando o Estadão me demitiu e passou a dizer aos leitores que eu é que havia pedido pra sair por motivos particulares, nunca mais li o jornal.

Engraçado: tem gente lá no Estadão que se acha “liberal”. Na hora de sacanear e assassinar pelas costas, são todos iguais. Será que você também estava “denegrindo” a imagem do Estadão? Bem, eu falava dos doutores da USP, e não podia deixar de lembrar dos acadêmicos da Hebraica: Wisnik, Nestrovski e o que vem no cambulhão: Marisa Monte, Arnaldo Antunes e assemelhados. Se me permite, vou reproduzir o trecho de uma crônica que escrevi na ocasião da estreia do filme Mistérios do samba, dirigido pela própria Marisa Monte, Lula Buarque e por Carolina, filha do Jabor. Aqui vai: “Na minha cachola não consigo vislumbrar Marisa Monte cantando descalça, não feito uma Clara Nunes, por exemplo. Não é que falte leveza nela, eu é que não fico muito à vontade com a situação. Os calcanhares sujos da Marisa Monte não me convencem. Nem o eventual sovaco mal depilado. Diferentemente de um Vinicius de Moraes, que antes de ser negão foi galinha verde, Marisa Monte – a meu ver – apenas aderiu a uma lenda alheia. Adquiriu um bronzeado artificial numa praia onde o citado Vinicius teve de se arrebentar inteiro para passar uma tarde fugidia ao sol que ardia em Itapoã. Se Carolina Jabor e Lula Buarque tivessem feito um filme sobre a criadagem de suas belas casas arborizadas em Santa Teresa, o resultado não teria sido menos comovente. (...) Marisa Monte carrega uma mistura de gentileza real com gratidão superior, fruto de muita pesquisa e disciplina. O resultado é que oferece esmolas bacanas. Aliás, as mesmas esmolas oferecidas por José Miguel Wisnik, Nestrovski e cia. ltda: eles são os Acadêmicos da Estação Primeira da Hebraica. É como se esses bambas não quisessem ser “limpinhos”. Todavia, a Casa do Saber e o doutorado em Antropologia (ou Letras) que fizeram na USP os denunciam com veemência: corpo docente, branquelos! (...) Eu penso que os acadêmicos da Hebraica deviam fazer sambinhas pra Jontex. Marisa Monte tem algo de jaqueira catalogada, de pé sujo ressuscitado... algo blasé frango com quiabo. Enfim, esse descolamento de Iemanjá chique que transforma até o mais insuspeito carioca em paulistano deslumbrado, é o que me incomoda. E muito.” E a você, Aldir Blanc, incomoda?

O que me incomoda é o seguinte: tanto faz se algumas das pessoas citadas fizerem um bom trabalho ou não, a crítica será sempre elogiosa. Isso aconteceu várias vezes, inclusive num plágio descarado. Alberto Moravia dizia que alguns, provavelmente se referindo a Ítalo Calvino, são protegidos por um escudo de amianto, enquanto outros não podem cometer o menor deslize. É verdade. Sobre o tal escudo, lembrei da forma como a bebida é tratada. O Tom, o Nelson Cavaquinho e outros podiam encher a cara. Se o João Antônio virasse um conhaque, o clima era de "tsk, coitado, é alcoólatra". João Ubaldo sobreviveu a uma espécie de Auschwitz midiático. Gabeira queima um fuminho e é um libertador. Se eu acender um pavio, vão dizer: "além de bêbado, é maconheiro". Um ventilador do Bar Lagoa pegou fogo e apaguei a bolsadas. No dia seguinte, a coluna da madame Fulana registrou que Aldir Blanc, num porre lamentável, quebrou um ventilador. Se determinada artista, por ingenuidade, autoilusão, oportunismo, delírio de grandeza, ou mistura de tudo isso, quer bancar a “falsa baiana” ou parecer uma caricatura de Miss Mulata (alusão a um samba de quadra do Salgueiro quando foi eleita a primeira miss negra em concurso de beleza), certamente faz um papel triste. Agora, mais triste ainda é a escrotidão dos que a aplaudem pela frente e debocham pelas costas. No Brasil rolam coisas bem escrotinhas: o poeta que se acha símbolo do “Make it new” (por sinal, palavra de ordem de raiz fascista) sobe em seu palanquinho para exibir versos medíocres. O tropicalismo também queria não deixar pedra sobre pedra, era “proibido proibir” (desde que se rezasse pela cartilha deles) e, na hora de fazer política para valer, nos deu o pior ministro da Cultura de nossa história, uma administração catastrófica com miragens futuristas (os futurismos também costumam ter iconoclastas fascistas como líderes). É mole ver um futuro róseo pela janela quando se assina um excelente contrato com as mesmas merdas, youtubes e similares que quebraram o direito autoral e deixaram os que vivem sem o recurso do palco na maior lona. Quero encerrar esta resposta dando um chega-pra-lá nuns tipos que proliferam mais que larva migrans: severos críticos estruturalóides pós-mUUUdernos que são também compositores. Ninguém cantarola uma só música dessas peças afogadas em seus próprios egozinhos. Um deles atacou "O bêbado e a equilibrista" porque não entendia o primeiro verso. Meses depois, a tarde não caiu feito um viaduto, mas tragou vidas, ônibus, carros, caminhões e guindastes em São Paulo, numa obra do metrô. Meu avô Alfredo passou um minuto antes de desabar embaixo do viaduto "incompreensível". Adoro encher o saco desses falsos brilhantes. Todo sujeito que se preocupa muito com o significante não passa de um insignificante.Vão roçar o cu de suas trepidantes genialidades nas ostras!

(Gargalhadas)

Tem muita gente que adoraria roçar a genialidade nas ostras (mais gargalhadas). Eu acho, inclusive, que a entrevista podia terminar aqui, mas vamos em frente. Uma vez o Gil, quando era ministro da Cultura, andou falando em limites da autoria, autoria coletiva ou qualquer merda do gênero. De lá pra cá, a Preta Gil virou a gostosa do pedaço, e, além disso, intelectual da Globo, solicitada para levantar sobrancelhas nas novelas da Glória Perez. Precisa falar mais alguma coisa? Puta desânimo. Eu desisti de acompanhar o “processo cultural” no Brasil. Voltando. Queria dizer que gostei dessa reflexão do Moravia. Concordo, tem neguinho que é protegido, blindado mesmo. Nem sei o que você pensa sobre o Mano Brown. Mas é um exemplo típico de intocável. Quando ele foi ao programa Roda Viva, tentei participar como entrevistador e não consegui de jeito nenhum. Então mandei uma pergunta via e-mail, e o Paulo Markun suavizou a coisa pro lado do mano, distorceu completamente meu raciocínio. Mas você disse que houve um plágio descarado? Tenho minhas desconfianças, mas nem vou perguntar quem o plagiou. Acho que é legal deixar essa pulga atrás da orelha do leitor... (mais gargalhadas) Muito boa essa recomendação das ostras, hein? Mudando de assunto para falar da mesma coisa. Viu Diários de Motocicleta, de Walter Salles? Caso tenha visto: não acha que o diretor adocicou o jovem Che? Caso não tenha visto, pergunto mesmo assim: não é estranho justamente o herdeiro do Unibanco contar a história de Guevara? Será que Walter Salles acreditou nas “verdades” do livro? Por que ele teria omitido o olhar de sangue do futuro assassino Che? Teria sido por consciência social? Ou por afinidade? Talvez a mesma afinidade que o irmão dele,o também lírico, e também cineasta, Joãozinho Salles, teve com o mordomo? Enfim: você acompanha a carreira dos irmãos banqueiros líricos e cineastas? Já leu a revista Piauí?

Não estou tirando o meu da reta, mas acontece que não tenho cultura cinematográfica. Se entro num videoclube, acabo levando a nova versão de Godzzilla, ao invés de um filme aclamado pela crítica. Acho que os irmãos Salles são cineastas e não banqueiros. Quanto à revista Piauí, só li os números em que Ivan Lessa apareceu. Não gostei do filme Diários de motocicleta. Achei meio açucarado, mas isso é mero palpite. Acho que o melhor trabalho, não sei se dos irmãos Salles ou de só um deles, é o documentário sobre a China. Para você ver como sou apenas palpiteiro em matéria de cinema, gostei de Água Negra. Parece que só eu gostei. Se fosse cineasta, eu penhoraria as calças para dirigir aquela atriz deslumbrante, a Jennifer Connelly.

Eles fizeram um documentário sobre a China? Nem sabia. E também não vi Água Negra. Pelo jeito, somos dois analfabetos de escolas cinematográficas diferentes. Eu penhoraria as calças para dirigir a Scarlett Johansson. Mas, peraí, Aldir. Eles podem ser cineastas, mas jamais vão deixar de ser herdeiros do Unibanco, e isso fica claro na obra deles. Para o bem ou para o mal. Eu acredito que é quase impossível dissociar o banqueiro do cineasta, no caso dos irmãos Salles, não consigo. Faço isso por birra mesmo. Mas essa birra não é gratuita, confesso. Lembro que Joãozinho Salles deu uma entrevista na ocasião em que filmava a vida de um traficante, acho que era Marcinho VP. Se não me engano, o nome do filme era Notícias de uma guerra particular. Pois bem, em dado momento, Salles solta algo mais ou menos assim: “Marcinho tem uma centelha de humanidade, por isso estou dando uma bolsa pra ele escrever um livro”. Bolsa? Naquela época eu estava numa merda federal (aliás, continuo) e escrevia meu Azul do filho morto. E o banqueiro sustentava um traficante foragido da Justiça. Marcinho VP vivia na Argentina sustentado pelo lirismo de Salles. Cadê o livro do traficante? Pra isso – insisto – que o Unibanco-Itaú cobra os juros que cobra? Mas vamos falar em milionários, gente de pedigree. Visconti, por exemplo. Que eu saiba, Visconti nunca renegou sua condição de príncipe, porém soube subvertê-la. Ao contrário desses caras. Vejo esses caras – a imagem é precária, desculpe – como aqueles ricaços que usam calça rasgada para dar pinta de maloqueiro. Tem mais do que o escudo de amianto de Moravia nessa história, tem um cinismo e um deboche bem intencionados, algo intoleravelmente Piauí para o meu gosto, entende? Sobretudo por conta das boas intenções. Um lirismo, em última análise, feito sob medida para o consumo de uma classe média tacanha metida a besta. Gente que vai fazer “programa cultural” em Paraty e paga R$ 120 numa havaiana. Se eu fosse dono do Unibanco e tivesse a intenção de enfiar a cultura brasileira num curral, ia – ao menos – ter a coerência de chamar esse curral de Paris Review. Piauí é muito deboche. Vão se foder!

No caso específico do Marcinho VP, sou radicalmente contra glamourizar bandido. Explico a razão: nasci no Estácio, fui para Vila Isabel com três anos e pouco e voltei pro Estácio com 11 anos. Era porrada e ignorância o tempo todo. No meu caso, atiravam os trabalhos do garoto que estudava em colégio marista na água da sarjeta, quebravam raquetes de pingue-pongue, furavam bolas de futebol e vôlei, baixavam o cacete. Uma vez meu avô paterno e eu ficamos deitados no chão, atrás de um muro de uma padaria, bala comendo, um sujeito que não tinha nada com o peixe caído no chão, ensanguentado, pertinho de nós. Na rua em que eu morava, a Maia de Lacerda, coração do Estácio, desaguavam os morros do São Carlos, São Roberto e Querosene. Pelo beco onde ficava a entrada do meu cafofo você chegava a esses morros, pela Travessa do Carneiro. Alguns dos piores elementos da área já dando a pala do que viria, eram soldados da PM. Não conheci nenhum Robin Hood. Aos 17 anos e meio fugi de lá para o Largo da Segunda-Feira. Estava enlouquecendo ou tentado a virar assassino para ir à forra. Quem conhece esse mundo por dentro, quem passa anos na lei do cão, não vê “arte” em bandido.

Pois é, e é aí é que mora o perigo. O olhar desse maurício-lírico pode ser até talentoso, mas, a meu ver, leva a equívocos. Quem vê centelha de humanidade num bandido como Marcinho VP acaba convencendo todo mundo que o banco dele não cobra os juros que cobra. Só na base do lirismo. Insisto, e já incluo a (minha) resposta na pergunta: é exagero meu, ou os irmãos Salles grilaram mesmo a cultura brasileira? Foi um negócio de porteira fechada que incluiu escritores, jornalistas, músicos (a MPB hereditária*, filhos da Elis etc.) e todo mundo? Sabia que o Itaú-Unibanco, além de ter consciência social e de trabalhar para a salvação do planeta, também é o grande patrocinador da festa de Paraty? O que você acha do fato de os escritores brasileiros irem pra Paraty às custas de vale-refeição e vale-hospedagem? Não recebem nenhum centavo. Será que os estrangeiros também participam de graça?

Sou um sujeito da Zona Norte do Rio. Não tenho a menor idéia do que acontece nessa festa. Se os escritores nacionais se desvalorizam para participar, problema deles.

Pode ter certeza: se desvalorizam, e abrem as pernas. E é impossível que não haja um reflexo na “obra” dessa gente. Por exemplo, Ignácio de Loyola Brandão (que eu encontrei lá no arraial da Cia. das Letras-Unibanco-Itaú em 2006) assinou recentemente a biografia de Olavo Setúbal. Pra isso, às custas das pregas dos artistas brasileiros, que o Unibanco-Itaú cobra os juros que cobra? Se nem parece banco, parece o quê? Cinema? Jornalismo? E a imprensa que nem de longe toca no assunto, parece o quê?

Não quero bancar o Arnaldo César Coelho, mas “a regra é clara”: imprensa e banco estão mais ligados que siameses no canal Discovery.

Sou obrigado a concordar, e não vou resistir a fazer um “ trocadalho”: desse mato não sai Arnaldo nem sai Coelho, nem fodendo, nem no Discovery. Você viu o que o “cineasta” Pedro Bial fez com Guimarães Rosa? Eu defendo a pena de morte nesse caso, e você? O que acha desse número: mais de 30 milhões de pessoas votando (e pagando) para eliminar fulaninho do Big Brother da Rede Globo... Dava para reeleger o Lula?

Não sei o que o Bial fez com o Rosa. O BBB é uma merda. Quanto ao Lula, temos um dilema: qual é a opção? Vamos escolher tucanos e ignorar o monumental escândalo das teles ou a dinherama garfada nos esquemas da entourage Crusius no Rio Grande do Sul? Optar pelo extremo reacionarismo dos DEMoníacos? O satirista Karl Kraus escreveu: “Se tiver que escolher o menor entre dois males, não fico com nenhum deles”. Mas isso é só um aforismo elegante. Na vida real, sem alusão ao Serra, o buraco é mais embaixo. Parafraseando a famosa frase de Graham Greene sobre a corrupção inglesa, “se é pra isso, que venham logo os russos”. Pra babar de tanta sordidez e corrupção, gaguejaremos: “Que venham logo Mamaluf e Pittanic”? Falando neles dois, minha política básica é a seguinte: não acredito em Brasil porra nenhuma enquanto esses dois estiverem soltos!

Minha política básica é ir para o Canal Brasil, e anular o voto. Aquele meu amigo, o Nilo, que deu start nessa entrevista, também queria fazer algumas perguntas. Ele quer saber se o maior legado do cinema novo não são os filmes do diretor americano John Stagliano (Buttman). Ninguém, segundo o Nilo, levou tão longe aquela idéia da câmera na mão e só UMA idéia na cabeça. O Stagliano inclusive, ele esclarece, aperfeiçoou o conceito, achando várias coisas legais pra fazer com a outra mão enquanto filma.

O Buttman fez com o brasileiro aquele troço de mineiro comprando o bonde. Nós somos metidos a malandros e a ter as mais belas bundas do mundo. O cara veio aqui e faturou vendendo bunda brasileira pros otários e ainda faturou com elas no mundo todo. Não tenho nada contra pornografia, desde que não haja violência (os tais smuffs, é isso?), pedofilia e outras práticas conhecidas pelo Papa Bento Calibre XVI.

O que você acha das letras do Chico Bosco, filho de João Bosco?

Acho que o Chico paga um preço alto por ser filho do João. Mas quem quiser dizer que estou sendo parcial, azar. Sou padrinho do Chico, conheço bem seu trabalho, ele é um letrista excelente.

Oquei, você deixa o Chico Bosco fora disso. Mas o que acha da MPB hereditária? Nem vou falar de Simoninha, Max de Castro, o filho do Ivan Lins, Pedro Camargo Mariano, são tantos e – para mim – todos uns chatos. Quero falar da Maria Rita. Eu acho que essa garota tem muito talento. Mas eu vejo uma certa tristeza nela. Como se ela cantasse e pensasse assim: “Mas que merda, por que eu não sou a Preta Gil? Até para imitar minha mãe as coisas seriam mais fáceis, porra!” Tanta coisa pra fazer na vida, tantas profissões... O Lenine, por exemplo, podia trabalhar em histórias em quadrinhos: ele se sairia muito bem como o Chatotorix que aparece só no final, e mudo de preferência. Acho que ninguém, enfim, merece ter um genro como o Carlinhos Brown. Estou sendo maldoso, ou esse povo todo é iluminado mesmo?

Acho que os filhos do Simonal mereceram um destaque excessivo, talvez por uma espécie de culpa pelo patrulhamento ao pai, mas nesses lances de amiguinhos da repressão, penso como o Henfil: tem mais é que patrulhar mesmo. Maria Rita é um talento puríssimo, tão grande que tenho até medo de falar nela. Cláudio Lins canta muito bem e está amadurecendo como ator. Sobre o Carlinhos Brown, tenho uma história ótima que me foi contada pelo Guinga. Eles se conheceram mostrando músicas pro Sérgio Mendes, e o Guinga falou que as letras dele eram feitas por mim, que letrava minuciosamente nota por nota, procurando adivinhar o que o músico gostaria de dizer. Resposta do Carlinhos: "Já eu abro o dicionário ao acaso e vou enfiando as palavras que cismo".

Sem comentários. Acho que já está de bom tamanho. Muito obrigado pela entrevista, Aldir, e quem não gostou que “vá às ostras...”.


* MPB hereditária é coisa que ouvi da Cacá Lopes.

Tragédia

Avião bateu em árvore antes da queda

Piloto do King Air optou por fazer quase todo o trajeto de forma visual e não há indícios de problemas mecânicos

Bruno Tavares e Vitor Hugo Brandalise no Estadão
Após uma semana de investigação, a Aeronáutica já conseguiu traçar a provável dinâmica do acidente com o King Air B-350, que caiu no dia 22 em Trancoso, no sul da Bahia, matando as 14 pessoas a bordo. A degravação da caixa-preta, concluída na terça-feira, indica que aproximadamente um quilômetro antes do aeroporto privado Terravista, o avião que transportava o empresário Roger Ian Wright e sua família se chocou com uma árvore, conforme adiantou ontem a coluna Direto da Fonte, de Sônia Racy. O bimotor ainda voou desgovernado por cerca de 800 metros, até cair a 197 metros da cabeceira da pista.


Pelo áudio do gravador de voz da cabine, não há indícios de que o avião tenha apresentado problemas mecânicos antes do choque. Inicialmente, os peritos suspeitavam que um dos motores teria falhado, uma vez que as hélices encontradas em meio aos destroços apresentavam diferentes deformidades - enquanto uma parecia estar funcionando no momento em que o King Air bateu no solo, a outra aparentava já não ter rotação. Os dois motores continuam sendo inspecionados no Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, e não há prazo para a apresentação de um parecer final.


O motivo do choque com a árvore não está completamente esclarecido. Mas tudo indica que o acidente se enquadre numa ocorrência denominada CFIT (sigla em inglês para Colisão com o Solo em Voo Controlado), a segunda mais frequente na aviação geral (táxi aéreo e jatos executivos). Entre 1999 e 2008, segundo dados do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os choques com obstáculos em voo responderam por 24,4% dos acidentes com aviões de pequeno porte no País, só atrás de falha de motor em voo (28,9%).

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Opinião

O que o ministro tem a fazer

Editorial do Estadão
À saída de uma conversa de 45 minutos com o presidente Lula, na quinta-feira, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, negou que tivesse condicionado a sua permanência no governo a alguma iniciativa do chefe contra os colegas que, segundo ele, combinavam uma coisa no Planalto e depois iam ao Congresso, "cada um com a sua machadinha, patrocinar emendas que esquartejavam e desfiguravam a legislação ambiental" - a razão do seu pedido de audiência a Lula. Conforme seu relato, Minc lhe teria dito que vem sendo "traído diariamente" por políticos governistas e autoridades do Executivo. Fazendo jogo de palavras, contou ter alertado o presidente para a "perda de sustentabilidade ambiental e política" de sua Pasta. Ele teria respondido que "não vai permitir que a área seja enfraquecida".

Minc está no governo há pouco mais de um ano. Tempo de sobra para se certificar por experiência própria de uma realidade à vista de todos: o que Lula não permite, nem vai permitir, é que as considerações ambientais interfiram com o crescimento da economia, a modernização da infraestrutura e os interesses organizados que integram o esquema que assegura a "sustentabilidade política" do lulismo. Com os seus aliados ou companheiros de viagem em postos-chave na máquina federal, o presidente forma o que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso costumava chamar "anéis burocráticos" - estruturas de poder que se articulam em torno de alvos comuns. Esses são fatos objetivos, quaisquer que sejam os juízos que se façam a seu respeito.

O ministro do Meio Ambiente é espalhafatoso, boquirroto e pretensioso - mas não é obtuso. Por isso, era de esperar que soubesse, em primeiro lugar, que se queixar ao presidente de outros ministros e queixar-se ao bispo é a mesma coisa. Lula simplesmente não tem apetite para arbitrar desavenças entre membros de seu Gabinete. Por exemplo, deixou o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, criticar publicamente - e tentar sabotar - o seu colega da Fazenda, Antonio Palocci, embora apoiasse a sua atuação e as diretrizes da sua política macroeconômica. No caso de Minc, já não bastasse a aversão de Lula por bolas divididas, ele ainda se alinha com o outro lado, representado pelos ministros da Agricultura, Minas e Energia e Transportes - para não falar da sua candidata à sucessão que chefia a Casa Civil.

Quando assumiu, Minc teria motivos para imaginar que o que afinal derrubou a antecessora Marina Silva, depois de cinco anos de batalhas inglórias, foi o seu ambientalismo puro e duro, combinado com um temperamento que a levava a equiparar negociação a capitulação. Já ele, Minc - apesar das bravatas, da verborragia e dos lances de picadeiro -, acreditava que venceria pelo entendimento os confrontos que a intransigência de Marina a fez perder. O ministro subestimou, no entanto, o dado principal - o fator Lula. Por mais que lhe convenha fazer praça da defesa do ambiente em um mundo onde isso adquiriu nos últimos anos uma urgência e uma importância sem paralelo, no íntimo ele nunca hesitou entre economia e ecologia.

Desenvolvimentista à moda antiga, Lula tem escassa paciência com a fronda do verde. Acredita genuinamente que o problema da mudança climática deve ser resolvido pelos que a fabricaram - as grandes potências - sem inibir o crescimento dos países periféricos. Acredita também que a Amazônia deve ser protegida antes de mais nada da cobiça estrangeira e que a melhor forma de fazê-lo é expandir ali as forças produtivas, com o benefício (que para ele conta acima de qualquer outro) de dar emprego aos seus 25 milhões de habitantes. Podendo-se alcançar essa meta de forma sustentável, decerto raciocina, tanto melhor. Do contrário, siga-se adiante. Por pensar assim, respalda a coalizão de interesses que, no governo e no Congresso, combate as exigências ambientais para a atividade econômica, a abertura de estradas e a construção de hidrelétricas.
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Manchetes do dia

Sábado, 30 / 05 / 2009

Folha de São Paulo
"Após 8 meses, dólar fica abaixo de R$ 2"

Capital externo, atraído por juro alto, derruba cotação para R$ 1,97; empresas reduzem dívida em R$ 33 bi

A entrada de recursos externos fez o dólar comercial ficar abaixo de R$ 2 pela primeira vez em oito meses. A moeda dos EUA caiu 1,94% e fechou a R$ 1,97. Desde o início de 2009, a cotação já recuou 15,6%. A Bolsa foi a melhor aplicação do mês. Para especialistas, um dos fatores que atraem estrangeiros é o juro básico de 10,25% ao ano, entre os maiores do mundo. Isso estimula a chamada arbitragem: pegar dinheiro onde a taxa é pequena, aplicar no Brasil e ganhar a diferença. Outras razões apontadas para a valorização do real são a alta no preço das commodities agrícolas e metálicas, principais produtos de exportação do país, e o fato de a economia não ter se desacelerado tanto quanto outras atingidas pela crise. Estudo mostra que a queda do dólar para R$ 1,97 permitirá a 133 empresas abater R$ 33 bilhões de sua dívida em moeda estrangeira. Em alguns casos, a variação cambial pode acarretar ganho superior à própria atividade operacional.

O Globo
"Milícia era chefiada de dentro de prisão da PM"

Ex-policial Mirra usava pistola e dizia pagar propina ao comandante

A maior e mais violenta milícia do Rio, que teve 15 integrantes presos anteontem, era comandada de dentro do Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar pelo ex-PM Fabrício Mirra. Apesar de preso por homicídio e de controlar 23 favelas, o miliciano usava uma pistola cromada e tinha a proteção de seguranças feita por outros policiais detidos. Num processo na Justiça Militar. Mirra é acusado de agredir outros presos com a arma e de afirmar que pagava R$ 5 mil mensais ao comandante da unidade prisional. Ele promovia churrascos na prisão para receber aliados da milícia e só foi transferido após a descoberta de um plano de fuga.

O Estado de São Paulo
"Dólar cai abaixo de R$ 2 e perda no ano já supera 15%"

Queda no mês é a maior em 6 anos; IOF sobre ingresso de capital é descartado

O dólar caiu 1,94% e afinal rompeu a barreira dos R$ 2, fechando a R$ 1,97 – a menor cotação desde 1º de outubro. No ano, a moeda já perdeu 15,6%, desempenho que preocupa exportadores e o governo. A equipe econômica descarta taxar com IOF o ingresso de capital, sobretudo em títulos públicos. “Existe a entrada de capital, mas essa entrada é vista como fato positivo”, disse o ministro Guido Mantega (Fazenda). Essa disposição, no entanto, pode mudar se houver uma enxurrada de dólares, em movimento especulativo. A Fazenda acredita que o melhor seria cortar mais os juros e, tal como defende o Banco Central, avançar na compra de dólares para as reservas. O dólar foi o destaque negativo dos investimentos em maio: recuou 9,96%, a maior perda mensal desde abril de 2003.

Jornal do Brasil
"Rio tem o 5º caso de gripe suína confirmado"

No Brasil, só RJ e SP têm episódios de transmissão local da doença

O quinto caso identificado por exames de laboratório é autóctone, ou seja, o vírus foi contraído na cidade. O Brasil tem um total de 16 episódios confirmados e 18 sob suspeita. São 16.670 no mundo, com 113 mortes. O Ministério da Saúde não divulgou maiores detalhes do paciente, mas revelou que ele é próximo de uma pessoa que pegou a doença nos EUA. É o terceiro caso de transmissão local. Os dois outros pegaram a gripe de um rapaz infectado durante viagem ao México. Só o Rio e São Paulo têm casos autóctones, mas o Ministério da Saúde considera que ainda não há “sustentabilidade da transmissão de pessoa a pessoa”. O contágio é classificado como “limitado”, pois atingiu pessoas próximas a infectados no exterior.

sexta-feira, maio 29, 2009

Mortes no trânsito

Deputado envolvido em acidente com 2 mortes no Paraná renuncia ao mandato

da Folha Online
O deputado Fernando Carli Filho (PSB), que no início deste mês se envolveu em um
acidente de trânsito que resultou em duas mortes no Paraná, renunciou ao mandato nesta sexta-feira. A Assembleia Legislativa do Estado informou que o pedido oficial de renúncia foi entregue pelo seu advogado, Roberto Brzezinski.

Carli Filho permanece internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O acidente ocorreu no último dia 7, quando o carro guiado pelo deputado, um Volkswagen Passat, colidiu com um Honda Fit ocupado pelos jovens no bairro Mossunguê, em Curitiba. Gilmar Rafael Souza Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20, morreram na hora.

O deputado estava com a carteira de habilitação suspensa porque excedia o total de pontos permitidos --totalizava 130 pontos, enquanto o máximo permitido é de 20. De acordo com informações do Detran, o deputado possuía 30 multas, desde 2003. Destas, 23 eram por exceder limites de velocidade. Carli Filho recorreu de 12 das 30 multas.
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Planeta em questão

Quando se discutirá o clima por aqui?

Washington Novaes
Quem houver passado os olhos pelo noticiário dos últimos dias terá lido sobre a série de reuniões internacionais em que se discutem, com números dramáticos e declarações candentes, as mudanças climáticas no mundo. Certamente também terá lido e visto o que está acontecendo de "eventos extremos" no Brasil, do Norte e Nordeste ao Sul do País. E provavelmente terá concluído que, se o panorama é esse, o Brasil está devendo muito em matéria de uma política adequada para essa grande questão - ainda que esta ou aquela personalidade diga que o governo brasileiro já aceita (mas não há declaração oficial e categórica) discutir compromissos obrigatórios de redução de emissões, pois estamos entre os maiores emissores do planeta.

Pode-se considerar a atenuante lembrada pelo diplomata Luiz Alberto Figueiredo - que tem sido negociador brasileiro na Convenção do Clima - de que "nem todas as cartas estão na mesa" e só o estarão em dezembro, na reunião de Copenhague (Agência Brasil, 20/5), última esperança de um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que chega ao seu término. Mas nos próximos dias começa em Bonn, na Alemanha, a penúltima reunião preparatória da negociação final. E ainda continuamos perdidos em discussões sobre nossa matriz energética, planejando 68 usinas termoelétricas movidas a combustíveis fósseis (inclusive carvão mineral), altamente poluidoras, deslembrando nosso extraordinário potencial em energias "limpas" e renováveis. Também não nos lembramos do que foi dito há poucos dias ao jornalista Cláudio Ângelo pelo respeitado economista indiano Vinod Thomas: o Brasil pode "dar um salto" no desenvolvimento se aproveitar gastos públicos para investir em alguns setores, entre eles "preservação ambiental"; nossa situação em matéria de recursos naturais (terra, recursos hídricos, recursos florestais) é absolutamente privilegiada no mundo, disse ele. Mas seguimos fazendo de conta que não é importante.

Enquanto isso, sucedem-se as discussões no mais alto nível mundial. O primeiro "rascunho" da ONU para Copenhague chega a cogitar da eliminação das emissões pelos EUA e pelo Japão até 2050 (Bloomberg, 21/5), enquanto propõe reduções de 25% para China, Brasil e Índia (é um dos textos segundo o qual o Brasil "aceita negociar"; a China, não). Mas o documento trata de muitas outras questões: créditos florestais, comércio de emissões, tecnologia de captura e armazenamento de carbono, recuperação de áreas úmidas, manejo do solo na agricultura, setores com "emissões móveis" (aviões e navios), energia nuclear. Os países industrializados, nesse documento, deveriam contemplar a hipótese de baixar suas emissões em 45% (sobre os níveis de 1990) até 2022. Um dos maiores obstáculos está na China, que garante chegar a uma redução só com programas de eficiência energética, que reduziriam em 4% a cada ano seu consumo por unidade do PIB, embora 80% de sua energia provenha de usinas a carvão (que dobraram em uma década).

"Estamos num momento dramático da história humana", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Nosso planeta está se aquecendo a níveis perigosos." E "só temos 200 dias até Copenhague para resolver". Talvez premido pela circunstância, o Comitê de Comércio e Energia do Congresso norte-americano decidiu apoiar as propostas do presidente Barack Obama para o setor: corte de 17% nas emissões (sobre o nível de 2005) até 2020 e de 83% até 2050, além da elevação das energias renováveis (eólica e solar) para 15% do total. Mas a votação no plenário só ocorrerá em agosto e os republicanos mantêm forte oposição, com apoio de vários setores econômicos. Obama também anunciou metas para redução de 30% no uso de combustíveis, que aumentarão a eficiência dos veículos em 40% até 2016. Segundo o presidente, isso equivalerá a retirar 177 milhões de carros das ruas e estradas em seis anos e meio.
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Do jornal "A Semana"

Da série: "O mundo gira e a Luzitana roda"
Câmara anula pedido de possível cassação do prefeito

Ubatuba 20 de Julho de 2002 Edição Nº 193 Ano III
Nesta quarta-feira, dia 17 de julho de 2002, em sessão extraordinária, a Câmara Municipal anulou a criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI), que investigava possíveis irregularidades na compra do Passat alemão feita pelo prefeito Paulo Ramos.

Uma denúncia apresentada por Maria Aparecida Cunha na Câmara e no Ministério Público questiona a compra do carro feita pelo prefeito. A denúncia foi colocada em votação e acabou sendo acatada pelos vereadores por 7 a 5. Foi criada a CEI, cujos trabalhos se iniciaram no dia seguinte. Composta pelos vereadores Rogério Frediani, Eduardo Cesar e João Mazieiro, a comissão intimou o prefeito para que apresentasse sua defesa, o que foi feito por escrito.

Os trabalhos da comissão continuaram e estava previsto o depoimento pessoal do prefeito para quinta-feira, 18, mas ele não tinha sido encontrado para receber a intimação.

Uma defesa apresentada ao presidente da Câmara Municipal pelo advogado do prefeito, Dr Walter Thaumaturgo Jr., acabou gerando a convocação de uma sessão extraordinária, onde foi proposto pelo presidente da Mesa o fim do processo, visto que, segundo o advogado, a comissão só poderia ter sido constituída por maioria absoluta, ou seja, 9 votos, o que não aconteceu, em uma sessão estranha onde nenhum vereador pôde abrir a boca, não existindo o direito de discutir o assunto. Pode-se até dizer que foi a sessão menos democrática que vimos até hoje na Casa de Leis. O presidente trouxe para si toda a responsabilidade do processo e colocou em votação sem que nenhum dos vereadores pudesse falar. E desta forma, por 4 votos a 8, foi extinta a comissão e todos os atos por ela cometidos.

O que parecia terminado nem começou. Na Câmara, mesmo com certas dúvidas a princípio, está tudo parado. Mas, no Ministério Público, outra denúncia de Maria Aparecida Cunha questiona até como foi realizada a sessão extraordinária, que levou a anulação do processo. Vários são os questiona-mentos apresentados por seu advogado.

A seguir, a opinião dos vereadores Eduardo Cesar e Domingos dos Santos. Infelizmente, por falha em nosso gravador, não conseguimos salvar a entrevista feita com o vereador Rogério Frediani.

Eduardo Cesar: Na realidade, nós entendemos que houve um ato falho, um ato nulo. Primeiro, porque uma comissão que está constituída e tem vida própria jurídica não pode ser esmagada por um ato político. O prefeito não pode simplesmente pegar os homens dele na Câmara, na véspera de ser ouvido, e usá-los para cancelar um ato jurídico válido, que era a formação da comissão. Segundo, a comissão foi constituída em uma sessão ordinária e está sendo destituída de forma ilegal em uma sessão extraordinária. Terceiro, sequer o vereador teve direito de se manifestar. Todos estes pontos serão levantados e eu, com certeza, estarei conversando com algumas pessoas do jurídico e estaremos tentando fazer justiça na Justiça. Foi um ato político que salvou a pele do prefeito deste absurdo que é a compra deste carro de luxo, sem licitação, o que que revolta a comunidade. Mais uma vez, vale lembrar que o Conselho Tutelar e a Saúde Mental não têm carro, que a fiscalização carece de um, por isso, o município está sendo ocupado de forma desordenada.

E o prefeito compra pra ele um veículo de R$ 126 mil. E a Câmara cheia de funcionários comissionados da Prefeitura. Quer dizer, todos estavam aqui coagidos tendo que bater palmas a mando do prefeito e a bancada do prefeito votando favorável, empurrando a sujeira para debaixo do tapete. Enquanto estiver em meu mandato de vereador, se não me cassarem, se não tirarem minha vida, enquanto eu tiver forças vou lutar contra este tipo de bandalheira. Isto é uma vergonha! Nestes mais de dez anos que ocupo uma cadeira no legislativo, é um dos atos que causam mais vergonha que vi acontecer na Câmara Municipal de Ubatuba.

Domingos dos Santos: No meu entender, uma sessão extraordinária não pode anular o que foi decidido em uma sessão ordinária. Foi criada uma comissão processante, então já tinha existência jurídica. Deveria, sim, em vez do prefeito interpelar o presidente da Câmara, ter interpelado o presidente da CEI, que submeteria aos integrantes da comissão para considerar esta defesa. Quanto aos argumentos do prefeito, se o advogado dele entende desta forma, tem outros que entendem de forma contrária, pois a Lei 201/87 estipula que para criar a comissão basta maioria simples. Só que pra cassação é que precisa da maioria absoluta. Eu entendo que a formação da comissão está correta. Além disso, tem o fato moral também. E como é que ficam as irregularidades que o prefeito vem cometendo na cidade: o caso da licitação dirigida do molho do frango, o contrato do lixo, a licitação da empresa de ônibus. Então, inclusive, vamos consultar o jurídico pra ver se não é passível de anulação a sessão de hoje (quarta-feira).

Rico? Eu?

Saudação, amigo de internet!

No Todoprosa de Sérgio Rodrigues (original aqui)
Eu é Sr. Kumbundu Wahaha, um filho de extinto ilustre escritor Sr. Dr. Kuagananga Wahaha, maior de Nigéria. Meu pai tem sido assassinado em Dezembro passado ano, 2008, por fanáticos suportadores de ex-amigo então inimigo de letras, Sr. Tutu T. Pendengas, ilustre não este, bem bastardo como uma questão de fato.

A razão que eu escreve, amigo de internet, meu extinto querido pai tem deixado soma de US$ 2.993.345.558,20 (dois bilhão, novecentos noventa três milhão, trezentos quarenta cinco mil, quinhentos cinquenta oito dólares norte-americanos, mais vinte centavos) em conta de ele, fortuna de direitos de cópia de melhor-vendido de ele, “Marfins sangrentos”, de Kuagananga Wahaha. Dinheiro que tem tido bancário bloqueio devido explosiva política situação em Nigéria. Ajuda nós!

Caso recebemos número de conta de você em banco, senha, nome completo, eu faz hoje transferência bancária de US$ 2.993.345.558,20, via Switzerland, para amigo de internet! Depois Sr. devolve fortuna e conserva para próprio uso 20% do total valor, isto é, US$ 598.669.111,64 (quinhentos noventa oito milhão, seiscentos sessenta nove mil, cento onze dólares norte-americanos, mais sessenta quatro centavos) por modos de compensando incômodo. Eu, Sr. Kumbundu Wahaha, conta com amizade de Sr. amigo e completa discrição. Boa tarde!


Seu sinceramente,

Kumbundu Wahaha

Queremismo em recesso

Emenda do terceiro mandato naufraga

Do Blog de Reinaldo Azevedo (original aqui)
A Proposta de Emenda Constitucional do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), que estabelecia a possibilidade de haver duas reeleições — ou seja: a chance de Lula tentar um terceiro mandato — nem vai começar a tramitar. Morreu antes de nascer. No fim da noite, oito deputados do DEM retiraram suas assinaturas. Também caíram fora os deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), Ciro Nogueira (PP-PI), Geraldo Pudim (PMDB-RJ) e Fabio Faria (PMN-RN). Os tucanos já haviam retirado outras cinco assinaturas. Das 194 apresentadas por Jackson, só 183 haviam sido reconhecidas pela Mesa. Com os 17 deputados que retiraram o apoio, a proposta ficou com 166 nomes. Para começar a tramitar, uma PEC tem de ter o apoio de pelo menos 170 deputados. O prazo terminava à meia-noite. A emenda de Jackson naufragou.

Nada muda na terra de Coaquira

Arpoando

Jija
E o vereador Rogério Frediani solicitou à prefeitura cópia da nota fiscal de compra do Passat do prefeito. Se a prefeitura atender a solicitação, ou melhor, ela é obrigada a atender, vamos acabar com o mistério e saber quanto o prefeito gastou no carro oficial para suas viagens...
Jornal A Semana
Edição de 8 de junho de 2002

Economia

O cassino do BC

Luis Nassif (original aqui)
Do final do século 19 a 1930 a economia brasileira patinou, porque foi colocada a reboque dos fluxos de capitais especulativos. Não havia controle sobre o câmbio. Períodos de câmbio favorável, por exemplo, permitiam a proliferação de pequenas indústrias substituindo os importados. No momento seguinte, a moeda brasileira se apreciava, provocando quebradeira geral.

O que levava o país a seguir uma lógica que estagnava a economia? Primeiro, o fantasma da inflação do “encilhamento” - que havia sido culpa dos capitais voláteis. Segundo, e principalmente, os lucros extraordinários proporcionados por operações de arbitragem desses capitais - que tomavam crédito em uma moeda para aplicar no país e depois saíam correndo ao menor sinal de perigo.***

Não mudou nada nos últimos 15 anos. Essa política antinacional foi praticada no governo Fernando Henrique Cardoso e prosseguiu no governo Lula.
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Coluna da Sexta-feira

Foco

Celso de Almeida Jr.
A presença de Nelson de Abreu Pinto, Presidente da Confederação Nacional do Turismo (CNTUR), em Ubatuba, no final da semana passada, é fato que merece muita repercussão.


Nelson é um dos mais importantes defensores do fortalecimento do turismo nacional.

Seu prestígio aumentou ainda mais, já que nesse ano a CNTUR conquistou independência, não mais ficando vinculada a Confederação Nacional do Comércio.

Muito dessa conquista se deve a perseverança e a competência de Nelson de Abreu.

Isso significa que, sob a administração da CNTUR, uma poderosa fatia de recursos terá destinação garantida para o turismo.

Nelson é aliado de Ubatuba.

Seu vínculo com Claudino Veloso, Luis Bischof e outros guerreiros do turismo local, vem de longa data.

Nelson acaba de inaugurar um escritório da CNTUR aqui e já declarou que irá contribuir para transformar Ubatuba num centro de referência, auxiliando nas atividades do Centro de Convenções e na implantação de um Hotel Escola.

Estes fatos confirmam que vivemos um momento importante quanto à preparação de um futuro próximo promissor.

Em sua visita, Nelson de Abreu prestigiou a posse de Alfredo Correa Filho na Presidência da Associação Comercial.

Alfredo, o querido Alfredinho, tem todas as condições de aglutinar forças políticas e empresariais para acelerar a construção do sonhado Centro de Convenções.

E, simultaneamente ao esforço para construí-lo, deve focar muita energia para que todos os eventos que a cidade já promova envolvam estas forças representativas de nossa sociedade.

Servirá como um ensaio importante para o gerenciamento dos grandes eventos na área de turismo de negócios, que certamente virão.

Opinião

Brincadeira de mau gosto

Editorial do Estadão
Segundo os jornais de Buenos Aires, a presidente argentina, Cristina Kirchner, ficou "furiosa" com a promessa do venezuelano Hugo Chávez ao seu colega Luiz Inácio Lula da Silva de não nacionalizar empresas brasileiras em operação no seu país, embora as estatizações devam prosseguir. Dias antes, ele havia encampado três siderúrgicas argentinas, por sinal do mesmo Grupo Techint que já sofrera na Venezuela uma intervenção do gênero em 2008. A promessa a Lula, feita numa conversa a portas fechadas no encontro em Salvador, na terça-feira, foi captada por microfones inadvertidamente ligados e divulgada pela imprensa. Interpelado em seguida, por telefone, pela presidente Cristina, que exigiu que desmentisse publicamente a sua declaração, Chávez mandou a chancelaria venezuelana divulgar uma nota segundo a qual a frase tinha sido dita "em tom de brincadeira". Broma, em espanhol. Embromação, em português.

A presidente fez saber que estava "satisfeita". Claro que não está, nem poderia. Às voltas com uma difícil eleição parlamentar, em 28 de junho, tida como uma prévia do pleito nacional do próximo ano, que poderá apear os Kirchners da Casa Rosada, Cristina considerara as estatizações da semana passada "um ato soberano" do governo de Caracas. Mas essa resignação contrastou com os protestos das maiores entidades empresariais do país e da própria CGT, a poderosa central sindical argentina, que agora exigem que a Casa Rosada se oponha ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Decerto, para se mostrar desta vez mais valente na defesa dos interesses nacionais, antes de inquirir o interlocutor sobre as garantias dadas a Lula, ela atacou: "Essa afirmação, se existiu, implica um grau de discriminação que ultrapassa a soberania de cada Estado." A investida não tem pé nem cabeça: quem pode o mais (estatizar) pode o menos (estatizar seletivamente).

A fúria de Cristina com quem a dinastia Kirchner sempre se mostrou submissa não significa que ela tenha se cansado dos bolivarianismos do muy amigo. É como se tivesse estrilado: encampe as nossas empresas, se quiser, mas onde já se viu poupar as do Brasil? Ou seja, ela se voltou contra o país que é o polo passivo da pendenga - o que não é propriamente engraçado. O Planalto nunca reclamou de Chávez ter aplicado 9,2 bilhões dos petrodólares venezuelanos em títulos encalhados da dívida pública portenha. E, se as firmas brasileiras de fato estiverem a salvo do cutelo chavista, não será apenas, ou principalmente, porque o coronel tema se indispor com o presidente Lula. Quando, há poucos anos, ele deu de mudar as regras da exploração do petróleo na Bacia do Orenoco, a Petrobrás perdeu sua concessão - e ficou por isso mesmo.

A verdade é que, hoje em dia, como observa o ex-secretário de Comércio da Argentina Raúl Ochoa, as empresas brasileiras estão começando a fazer grandes investimentos na Venezuela - devem ser as únicas das quais se possa dizer isso -, ao passo que as portenhas já o fizeram tempos atrás, tendo perdido, portanto, a principal serventia. De qualquer modo, a alegação de Chávez de que estava brincando com Lula o equipara ao brasileiro quando, na mesma reunião, este lhe disse, desprevenidamente - a propósito do acordo que não sai entre a Petrobrás e a venezuelana PDVSA para a construção de uma refinaria em Pernambuco -, que se conseguir eleger, como sua sucessora, a ministra Dilma Rousseff, "vou ser presidente da Petrobrás". E arrematou, dirigindo-se ao titular da estatal, Sérgio Gabrielli: "Você vai ser meu assessor e o acordo vai sair."

Pelo visto, fazendo reviver antigos juízos sobre a pouca propensão para a seriedade dos dirigentes desta parte do mundo, Lula e Chávez parecem ter se comportado em Salvador como se estivessem disputando um concurso humorístico. Enquanto permanecerem no terreno da galhofa, menos mal. Mas a realidade é que, pelo menos na Venezuela, as coisas não são de fazer rir. O caudilho histriônico que pretende ocupar até o fim de seus dias o Palácio Miraflores não brinca em serviço quando trata de garrotear a liberdade de seus desafortunados concidadãos. Na quarta-feira, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de passagem por Caracas, foi advertido no aeroporto, onde o retiveram durante hora e meia, que estrangeiros não têm o direito de falar de política na Venezuela. Se depender de Chávez, nem os nacionais - a não ser para louvar a sua ditadura em acelerado processo de "aperfeiçoamento".
Original aqui

Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"Barragem se rompe no PI; 4 morrem e 11 desaparecem"
Uma inundação causada por rompimento na barragem Algodões 1, no Piauí, deixou pelo menos quatro mortos e 11 desaparecidos em Cocal, cidade de 26,2 mil habitantes a 282 Km de Teresina. O vazamento deixou 80 feridos e mais de 2.900 desabrigados e desalojados.
Há três semanas, cerca de 2.500 famílias haviam sido retiradas da área em razão do risco de rompimento, e um dique fora construído a pedido do engenheiro Luiz Hernani, projetista da obra, erguida em 2001. As pessoas começaram a voltar após parecer do projetista, na quinta da semana passada, que dizia não haver mais risco.
Depois de um pedaço de concreto se romper, a saída de 10 milhões de metros cúbicos de água represada do rio Pirangi criou uma onda de dez metros. Para a estatal responsável, nenhuma obra suportaria a intensidade das chuvas na região. O projetista não quis falar.

O Globo
"Polícia prende 15 da maior e mais violenta milícia do Rio"

Quadrilha, chefiada por ex-PM, controlava 23 favelas e conjuntos habitacionais

Uma operação da Polícia Civil desarticulou ontem a maior e mais violenta quadrilha de milicianos do Estado do Rio, chefiada pelo ex-PM e ex-fuzileiro naval Fabrício Mirra, preso desde agosto do ano passado numa penitenciária de Bangu, acusado de homicídio. Na operação de ontem, batizada de Leviatã 2, outros 15 integrantes do bando foram presos. O grupo, que pode ter 200 pessoas, dominava 23 favelas e conjuntos habitacionais nas zonas Norte e Oeste, a maioria tomada do controle do tráfico de drogas, à custa de multas mortes. Para incrementar seus negócios, a milícia invadiu um conjunto habitacional em construção pela Caixa Econômica Federal em Anchieta e vendeu os 368 apartamentos por valores entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, além de cobrar R$ 100 por mês de cada família. Numa casa ao lado, foi encontrado um paiol com 12 armas, granada e munição, além de fardas de camuflagem.

O Estado de S. Paulo
"Campanha de 2010 pode ter R$1 bi de verba oficial"

Deputados propõem criar fundo que receberia R$ 7 por eleitor

Os parlamentares estão dispostos a aprovar às pressas nova regra de doações e financiamento eleitoral com dinheiro público, relata a repórter Denise Madueño. A ideia surgiu ao detectarem queda na disposição das empresas em bancar campanhas eleitorais em razão de escândalos de caixa 2, além da fiscalização da Receita e da crise econômica. No projeto, a ser apresentado por Flávio Dino (PCdoB-MA), os deputados propõem reforçar o atual fundo partidário, ou criar outro, com repasse de dinheiro oficial. Dino antecipou que o fundo de campanha deverá obter um valor de, no máximo, R$ 7 reais por eleitor e, em caso de segundo turno, mais R$ 2. Isso significa que o total do fundo pode chegar a R$ 1 bilhão em 2010. Em contrapartida, empresas privadas e públicas ficariam proibidas de fazer doações. Mas seriam permitidas contribuições de pessoas físicas até mesmo pela internet, por sistema semelhante ao usado nos EUA.

Jornal do Brasil
"Dólar reduz em R$ 22 bi a dívida de 71 empresas"

Estudo mostra que até exportadoras terão benefícios em seus balanços

O real valorizado tornou-se o terror dos exportadores. Mas os economistas, apesar de assustados, admitem que a desvalorização do dólar também tem feito muita gente sorrir nos últimos dias. Afora os consumidores, satisfeitos por comprarem eletroeletrônicos mais baratos ou por refazerem planos de viagem ao exterior, uma boa parte da indústria - mesmo a exportadora - tem se beneficiado com a atual cotação da moeda americana. Estudo da consultoria Economática, por exemplo, constatou que o recuo do dólar deverá reduzir em R$ 22 bilhões, até o fim deste primeiro semestre, o endividamento de 71 companhias brasileiras de capital aberto. E mais: deverá resultar na melhoria, ao longo do segundo semestre, dos balanços financeiros fortemente afetados pela crise desde o fim do ano passado.

quinta-feira, maio 28, 2009

FALÊNCIAS E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

B12 ECONOMIA QUINTA-FEIRA, 28 DE MAIO DE 2009
O ESTADO DE S.PAULO

São Paulo
Pedidos ajuizados ontem no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Falências
Presco Fomento Comercial Ltda. contra Modamilano Ind. e Com. de Confecções Ltda. R. Caio Gracco, 105 – 2ª V. Falências.


Novalata Beneficiamento e Comércio de Embalagens Ltda. contra Novacril Indústria e Comércio
de Tintas Ltda. R. Olivia Guedes Penteado, 920 – 1ª V. Falências.


Grano Belo Alimentos Ltda. contra Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. Av. Mofarrej, 761 2ª V. Falências

Andrade Queiroz Construções Ltda. -ME contra Ecolife Independência Empreendimentos Imobiliários S.A. Av. Brigadeiro Luís Antônio, 580, 7º Andar – 1ª V. Falências.

Recuperação judicial
J. C. R. Confecções Ltda. R. Cantodo Mangue, 105 – 2ª V. Falências.

Frases

"Quem semeia ventos colhe tempestades"

Dito popular

Comunidade

Empresas apoiam plano de "Mobilização pela Educação"

Rui Grilo
Dia 02/06 às 19 horas no prédio da antiga Associação Comercial será apresentado o Plano de Mobilização das Igrejas Cristãs pela Educação, fruto de uma parceria do MEC – Ministério de Educação e Cultura e as maiores representações religiosas do Brasil: a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; CLAI – Conselho Latino Americano de Igrejas e CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil. Também é apoiado pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e pela ong Todos Pela Educação.

Para esse evento foram convidados o Exmo. Sr. Promotor Público da Infância e Juventude, Dr. Percy José Cleve Küster, o Sr. Secretário Municipal de Educação Arnaldo da Silva Alves, o Diretor Regional da APEOESP, Professor Marcio de Oliveira. Ainda não confirmou a participação a Sra. Diretora Regional de Educação.

Embora o foco do plano seja a articulação das forças sociais do município para melhorar o índice de desenvolvimento da educação básica – IDEB – foi criado o Blog da Mobilização - www.famíliaeducadora.blogspot.com - para divulgar as ações desenvolvidas e favorecer a troca de experiências entre os municípios.

No dia 20 de maio, o Plano recebeu um apoio de peso: o Instituto Votorantim, Considerado o projeto carro-chefe da Rota da Educação, em 2009, a Parceria Votorantim pela Educação pretende desenvolver ações em 88 municípios, em 18 estados brasileiros. O projeto visa construir uma agenda positiva para debater e qualificar a educação pública disseminando apoio às ferramentas e metas de Educação definidas tanto pelo Ministério da Educação (MEC), quanto pela sociedade civil, tais como: o PAR (Plano de Ações Articuladas), previsto no PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), e as metas do Movimento Todos pela Educação. O projeto, desenvolvido em parceria com representantes de diversos setores da sociedade, prevê oficinas de capacitação para mobilizadores locais, reuniões com agentes locais, encontros com o poder público e campanhas de comunicação, de acordo com as características e demanda de cada município. Por meio do estímulo a ações de controle social, a iniciativa busca qualificar a demanda por educação e fortalecer iniciativas em prol da qualidade do ensino público.

De acordo com Fernando Rossetti, secretário geral do GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, “Há clareza para todos de que não há um setor que, isoladamente, dê conta dos desafios que a sociedade tem pela frente”. (Folha, 27/05/09, B8)

Cresce a consciência de que, o investimento em ilhas de excelência ou projetos isolados não dá conta, ou não consegue alavancar um desenvolvimento sustentável. Para que haja mudança positiva locais, regionais e mundiais, é necessário que se pense a educação como investimento social. E nenhum dos atores, isoladamente consegue atingir parcelas significativas da população Então, é necessário a parceria e o investimento nas estruturas já existentes; em vez de partir do zero e criar um projeto próprio, melhor é investir em metodologias já testadas e aprovadas, ou contribuir para o seu aperfeiçoamento.

Aqui, em Ubatuba, já procuramos a Associação Comercial, que se comprometeu a apoiar as equipes de voluntários que vão coordenar o processo de mobilização.

O nosso desejo é que esse Plano consiga o apoio de todas as forças sociais do município.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Lixo

Ubatuba pode ter restrição a transporte de lixo através de Caraguatatuba

Vereador caraguatatubense aponta que circulação de carreta no Centro incomoda moradores

Mara Cirino no Imprensa Livre (original aqui)
O vereador Wilson Gobetti (PDT) conseguiu aprovar requerimento durante a sessão ordinária realizada na última terça-feira, solicitando mais informações sobre a fiscalização da Vigilância Sanitária Municipal estabelecendo horário e dia para o transporte de lixo de outras cidades. O maior problema é apontado com as carretas que saem de Ubatuba e são obrigadas a passar pelo Centro de Caraguatatuba.

É preciso ter um horário definido porque as carretas são grandes, atrapalham o trânsito local, fora o inconveniente provocado pelo mau cheiro”, explica Gobetti. Segundo ele, outro dia um veículo grande quebrou em frente à Casa de Saúde Stella Maris, na entrada da cidade e por lá permaneceu por cerca de três horas. “O que recebi de reclamações com relação ao mau cheiro, sem contar que estava na porta de um hospital”, acrescenta.

Para o parlamentar, é preciso buscar uma solução para a questão porque os caraguatatubenses que sofrem com consequências dos transbordos de lixo. Com relação aos resíduos que saem de São Sebastião e Ilhabela, Gobetti justifica que não é grave porque os veículos seguem pelas rodovias Rio-Santos (SP-55) e Tamoios (SP-99), sem entrar nos bairros.

Logística

Ontem, o secretário de Obras de Ubatuba, João Paulo Rolim, explicou que a logística para o transporte do lixo produzido e coletado no município é complicada em função da restrição para a trafegar pela rodovia dos Tamoios e horário de entrega no Aterro Sanitário localizado na cidade de Tremembé, no Vale do Paraíba. “Se não pudermos passar por Caraguá em um determinado horário, corremos o risco de não conseguir deixar o lixo no aterro”, explica. Segundo ele, Ubatuba não tem uma área de transbordo e sim um local para a transferência do lixo. “Se uma carreta fica presa no vale, não temos como liberar o caminhão que faz a coleta na cidade, atrapalhando toda a logística desenvolvida”, exemplifica.

Conforme Rolim, já foi encaminhado ao governo do Estado ofício solicitando estudo para que o transporte do lixo seja feito pela rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), mas até o momento não houve nenhuma manifestação. Ele acredita que só após as obras será possível discutir o assunto, mas com o uso de veículos de menor tração. “Enquanto isso, alguém tem de ceder, porque Ubatuba tem de ‘exportar’ o seu lixo por algum lugar”.

O município transporta uma média 25 a 30 toneladas por dia de lixo utilizando duas carretas. Na temporada, o número de veículos pode subir para seis. O custo da operação é de R$ 174,67 por tonelada ou cerca de R$ 10,5 mil/dia na baixa temporada.

Que horror!

Noivo morre após beber muito em festa de casamento

Homem de 35 anos perdeu a consciência em sua casa. Ele chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu ao tratamento.

Do G1, em São Paulo (original aqui)
Um noivo taiwanês morreu no dia de seu casamento após ter bebido muito vinho e cerveja, noticiou a agência de notícias Reuters, citando fontes policiais e a mídia local. O homem de 35 anos era um corretor de seguros e perdeu a consciência em sua casa após ter bebido muito no sábado, em um restaurante de Taipei, entre mais de 100 convidados.

Segundo a Reuters, não se sabe se ele tinha problemas de saúde. "Todos estavam se divertindo", disse a organizadora da festa Linda Chien à agência. "Não sabemos o que aconteceu depois disso."


O homem, de sobrenome Wu, chegou a ser hospitalizado, mas um porta-voz do hospital afirmou que ele morreu mesmo após ter recebido tratamento.

Nota do Editor - A ex-noiva, atual viúva, está desconsolada. (Sidney Borges)

Economia

Brasil volta a ser o paraíso dos investimentos estrangeiros, diz 'El País'

Uol Economia (original aqui)
O Brasil voltou a ser "o paraíso dos investidores estrangeiros", segundo afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário espanhol "El País" em sua versão online."Apesar da crise financeira mundial, os investimentos que chegaram de fora do país duplicaram em abril. Os analistas econômicos opinam que, depois de um primeiro trimestre incerto, os investidores estrangeiros estão devolvendo a confiança ao Brasil", diz o jornal.


Segundo a reportagem, o fato tem duas explicações. A primeira, que a crise mundial afetou apenas "ligeiramente" o Brasil, e o país poderá crescer em 2010 de 4% a 5%, segundo o ministro (da Fazenda) Guido Mantega".

Em segundo lugar, os juros, que já baixaram a 10,25% e podem chegar a 9% até o final do ano, continuam entre os maiores do mundo e "seguem sendo apetitosos para os investidores".

O jornal observa que a não ser que haja uma forte retirada de recursos nos últimos dias do mês, o resultado dos investimentos estrangeiros em maio deverá ser o melhor desde abril do ano passado.

Apesar dos números positivos em relação aos investimentos, a reportagem comenta que eles trazem ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a preocupação com a valorização do real por conta da forte entrada de recursos no país.

Nota do Editor - O texto tem relação com pronunciamento recente do presidente Barack Obama, cujo tema foram os juros. Como é sabido a prosperidade americana é, em grande parte, financiada pelo resto do mundo. Os Estados Unidos garantem seus "Títulos do Tesouro" e isso basta. Ainda que os juros sejam minguados, vale a palavra de Tio Sam. Obama deixou claro que se a tendência (forte) de usar os Estados Unidos como caixa forte mudar os juros terão de ser aumentados, a perda de confiança terá seu preço na forma de inflação e desemprego. O Brasil está atraindo dinheiro especulativo que não se traduzirá em desenvolvimento e não contribuirá para a diminuição da desigualdade. No entanto, a vinda desse capital volátil acontece pelo fato da economia estar arrumada, o Brasil é um porto seguro. Sorte dos capitalistas que ganham fortunas sem trabalhar. Os juros altos também inspiram capitalistas nacionais a emprestar ao Brasil. É melhor do que entrar nas incertezas do ciclo produtivo e correr risco de falência. A longo prazo a corrente da felicidade poderá trazer dissabores. (Sidney Borges)

Crônica

A coruja de Hegel

Luis Fernando Veríssimo (original aqui)
Já me recomendaram que começar um texto citando Hegel (Georg Wilhelm Friedrich, século dezenove, alemão, muito alemão) serve dois propósitos:
criar no leitor uma expectativa de profundidade ou espantá-lo logo nas primeiras linhas, pois quem tem tempo para o Hegel hoje em dia? A você que continua a ler devo avisar que a tal profundidade não virá. Recorro a Hegel, ou à coruja do Hegel, para fins estritamente superficiais.

Hegel certa vez comparou a filosofia com a coruja da deusa Minerva, que carrega toda a sabedoria do mundo mas só voa ao anoitecer, quando não há mais luz para aproveitá-la. O que Hegel quis dizer (eu acho) é que qualquer período histórico só pode ser compreendido quando está no fim, e que a filosofia sempre chega tarde para explicá-lo. No fundo estava denegrindo o seu ofício. Ninguém tratou de interpretar a História com mais densidade do que Hegel mas no fim todas as suas teses e todo o seu palavrório não passavam do vôo tardio de uma coruja inútil, no seu próprio conceito.

Quando aquele outro alemão denso, o Marx, escreveu que os filósofos não podiam mais se contentar em interpretar o mundo e deveriam tentar mudá-lo, estava, sem citá-la, reivindicando um vôo mais conseqüente da coruja e um aproveitamento mais prático da sua sabedoria. O que Marx propunha era que a coruja, voando mais cedo, vencesse o vasto abismo que separava a filosofia da política. Um abismo que não começara com Hegel mas existia desde que Platão, desgostoso com a execução de Sócrates, renunciara à atividade política. Marx recrutava a coruja para a sua revolução. Se todo o marxismo pode ser visto, algo simplistamente, como uma crítica de Marx a Hegel, o que mais diferenciava os dois era sua opinião sobre os usos da filosofia, ou sobre a relevância da coruja e suas explicações.

No fim o que Hegel diz com sua metáfora é o óbvio, que a gente vive para frente mas compreende para trás, e que nenhuma filosofia ajuda a percorrer o caminho já percorrido. Na sua crítica Marx sustenta que o caminho percorrido nos mostra para onde ir e que a filosofia é que diz isso para a História. Por mais atrasada que chegue a coruja.

Opinião

Uma Petrobrás para Lula

Editorial do Estadão
Chávez manda na PDVSA mais do que Lula manda na Petrobrás. Talvez o presidente brasileiro inveje o colega venezuelano e as palavras ditas em Salvador, no encontro de terça-feira, fossem mais sérias do que pareceram naquele momento: "Se eu conseguir eleger a Dilma, vou ser presidente da Petrobrás", disse Lula. E completou: "Você, Gabrielli, vai ser meu assessor e o acordo vai sair." O tom foi de brincadeira, mas convém desconfiar da aparência. O acordo entre as duas empresas para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, está emperrado. O principal obstáculo não é a disposição de Lula, mas a insistência de Sérgio Gabrielli, o chefe da estatal brasileira, em respeitar, em primeiro lugar, os interesses financeiros e econômicos da empresa e de seus acionistas. O presidente brasileiro, ao contrário, tem-se mostrado quase sempre inclinado a usar as companhias controladas pelo Tesouro para os objetivos de sua diplomacia. Nem as empresas privadas têm ficado imunes a essa perigosa mistura de política e negócios. Ameaçadas por barreiras comerciais impostas por vizinhos, não recebem apoio do governo, mas conselhos para se acomodar, negociar e não criar conflitos.

Lula nem chegou perto dos extremos a que chegou Hugo Chávez, mas nunca renunciou a politizar a gestão das estatais. Desde o começo de seu mandato, pressionou a Petrobrás para fazer encomendas a estaleiros nacionais, como se a empresa, além de trabalhar pela segurança energética do País, ainda tivesse de funcionar como instrumento de uma extemporânea política de substituição de importações. As tentativas de ingerência aumentaram com a descoberta do pré-sal, quando o presidente chegou a tratar a Petrobrás como se a sua gestão fosse incompatível com a defesa dos interesses nacionais.

Em seu esforço para politizar a gestão econômica, o presidente Lula chegou a se intrometer na administração de grandes empresas privatizadas, pressionando seus diretores para mudar decisões empresariais. O último episódio desse tipo foi a crítica ao anunciado corte de investimentos da Vale, como se o assunto fosse da alçada do chefe do governo.

Se o intervencionismo de Lula não se equiparou, até agora, ao do companheiro Hugo Chávez, não foi por falta de tentativas nem de apoio dos grupos mais fisiológicos e mais primitivos da chamada esquerda brasileira, abrigada em boa parte sob a bandeira do PT.

Em vez de continuar tentando comandar a Petrobrás e outras empresas, controladas ou não pelo Tesouro Nacional, o presidente Lula deveria prestar mais atenção às consequências do uso político da PDVSA.

A produção diária de petróleo na Venezuela caiu de 3,4 milhões de barris em 1999 para pouco mais de 2 milhões atualmente. Nesse intervalo, o país foi prejudicado tanto pelo afastamento de empresas estrangeiras quanto pela redução dos investimentos da estatal venezuelana. Abandonou-se a gestão baseada em padrões empresariais e subordinou-se a companhia aos objetivos políticos do caudilho venezuelano.

O aumento dos preços do petróleo permitiu a Chávez, durante anos, financiar sua ação populista, abrir caminho para prolongar sua permanência no poder e ainda sustentar a difusão do bolivarianismo nas áreas politicamente menos desenvolvidas da América Latina. Durante longos anos, o investimento produtivo foi esquecido na Venezuela - e não só no setor petrolífero. Quando os preços do petróleo caíram e o endividamento da PDVSA se tornou assustador, a solução encontrada por Chávez foi estatizar as companhias credoras, começando pelas fornecedoras de serviços na área do Lago Maracaibo.
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