sábado, maio 23, 2009

Carinhoso (Pixinguinha/Braguinha)

Gigante



"O maior do mundo"

Sidney Borges
No final dos anos 20 o regime soviético fazia muita propaganda. A idéia era convencer o mundo da eficiência da economia planejada. Com pouco mais de 10 anos no poder os comunistas ainda não tinham muito a exibir. Melhor do que falar é fazer. O avião Kalinin K7 foi um dos projetos de caráter mercadológico destinado a provar a tese da superioridade do regime baseado nas idéias de Marx. Apenas um foi construído, não convenceu ninguém a adotar o socialismo, mas que era grande é um fato. Seria o avião ideal para servir ao comissário Dirceu, que também não convenceu ninguém.

Eleições 2010

Dilma?

Sidney Borges
Com a saúde debilitada pelo tratamento do câncer a ministra Dilma tornou-se um sério problema para o PT. Há alguém para o lugar dela? Haverá tempo e clima para a emenda do "terceiro mandato"? Perguntas difíceis que não admitem mais do que especulações. No caso do impedimento de Dilma um bom nome seria o do ex-ministro Palocci. Mas fica no ar a dúvida que deve assolar a cabeça de Lula. Serra ganhando fica oito anos. Palocci ganhando fica oito anos. Só Dilma, ao que tudo indica, abriria caminho para a volta triunfal do chefe. Talvez por isso o povo a conheça como Vilma do Chefe.

Opinião

O IBGE constata a piora do emprego

Editorial do Estadão
Embora a taxa de desocupação tenha caído ligeiramente entre março e abril, de 9% para 8,9%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, o que se constata é uma nova deterioração do mercado de trabalho. Esta se explica pela queda da renda média real, por um ligeiro acréscimo do número de pessoas que deixaram de procurar vagas e pela confirmação dos dados negativos do emprego industrial.

A pesquisa abrange as seis principais regiões metropolitanas e, destas, três mostraram ligeira queda da desocupação (São Paulo, Rio e Porto Alegre) e as outras, aumento do desemprego (Salvador, Belo Horizonte e Recife). Os dados agregados indicam que, entre março e abril, nos sete grupos analisados, houve estabilidade no emprego, o que é um sinal ruim. "A crise estabilizou o mercado de trabalho, que dá conta de se manter semelhante a 2008, mas não se desenvolve", notou o gerente da PME, Cimar Azeredo, do IBGE.

É insuficiente, em resumo, a oferta de vagas - e o resultado será o aumento da taxa de desocupação nos próximos meses. "O mercado de trabalho piorou", sintetiza o economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio.

A redução da procura de empregados favoreceu uma queda da renda real de 0,7%, entre março e abril, de R$ 1.328,03 para R$ 1.318,40. Parece pequena a diminuição de R$ 9,63, mas esse é o valor de 30 pães de 50 g ou 2 latas de leite em pó. A piora só não é tão grave porque, na comparação com abril de 2008, a renda ainda cresceu 3,2% (+R$ 50,35), em termos reais.

Entre abril de 2008 e abril de 2009, aumentou 0,2% o número de ocupados, o que é menos do que o crescimento da população. O porcentual foi negativo em 0,2%, comparado a março de 2009. Cerca de 40 mil pessoas deixaram de procurar vaga, um mau sinal.
Leia mais

Manchetes do dia

Sábado, 23 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"43% não concluem curso supletivo"

Feito pela 1ª vez, levantamento do IBGE mostra que 28% dos alunos abandonaram as aulas para trabalhar

Pesquisa divulgada pelo IBGE mostra que, dos 8 milhões de brasileiros que já freqüentaram cursos de educação de jovens e adultos – os antigos supletivos -, 43% não os concluíram. Os motivos mais citados para o abandono foram a falta de horários compatíveis com o trabalho (28%) ou com as tarefas domésticas (14%). Foi a primeira vez que o IBGE investigou especificamente esse segmento. O levantamento também revela que a frequência a cursos de alfabetização de adultos em setembro de 2007 era de apenas 547 mil pessoas – menos de 4% dos 14 milhões de analfabetos do país. O secretário de Educação Continuada do Ministério da Educação, André Lázaro, diz ser natural a evasão maior nos supletivos, mas admite que é necessário melhorar sua qualidade. Sobre a alfabetização de adultos, Lázaro afirma que, por serem cursos de curta duração, o levantamento do IBGE não capta o total de matriculados num ano.

O Globo
"Bônus em 2010 para o PAC é ‘propina oficial’, diz oposição"

Dilma defende o extra e diz que não dá ‘para fiscalizar sem engenheiro’

O bônus de até R$ 48,9 mil a ser pago a servidores do Dnit para que acelerem as obras do PAC até 2010, ano eleitoral, foi chamado pela oposição de “propina oficial”. As reações foram fortes no Congresso, para onde o governo mandou o projeto com pedido de urgência. “O governo está premiando a má gestão, e isso é inacreditável”, disse o tucano José Aníbal. “É premiar a máquina que vai garantir a permanência do PT no poder”, protestou o presidente do DEM, Rodrigo Maia. A ministra Dilma Rousseff, chamada pelo presidente Lula de mãe do PAC e sua candidata à Presidência, defendeu o bônus: “Você não pode achar que vai fiscalizar uma obra de envergadura sem engenheiro. Agora também não pode supor que um engenheiro. Agora também não pode supor que um engenheiro vai trabalhar por valores muito baixos”.

O Estado de S. Paulo
"Dilma rejeita pressão por cargos na Petrobras"

Ministra blinda estatal, alvo de tentativa de barganha do PMDB

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou ao trabalho, após três dias de tratamento de saúde, com a missão de tentar barrar a pressão do PMDB por cargos na Petrobras, revelada pelo Estado. O partido quer diretorias em troca de apoio ao governo na CPI sobre a estatal. Dilma negou mudanças. “Isso não está em cogitação. Não há isso, até agora, por parte do governo. Nem sinal de alguém pedir isso a nós”, disse a ministra. Dilma ainda manifestou apoio “irrestrito” a Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petrobras, cargo que é alvo dos peemedebistas.

Jornal do Brasil
"Dívidas no cartão começam a cair"

Brasileiro está 13,5% menos endividado com cartões e financeiras que em 2008

Pesquisa feita pelo Serasa aponta queda no endividamento do brasileiro com o cartão de crédito. Nos quatro primeiros meses deste ano, a dívida média com cartões e financeiras ficou em R$ 370, ou seja, 13,5% menor que em 2008. A oferta de dinheiro teve leve recuperação, após o período de instabilidade que começou antes mesmo da crise financeira mundial. A qualidade do crédito no país melhorou no primeiro trimestre do ano e já alcançou o patamar pré-crise.

sexta-feira, maio 22, 2009

Muito boa!

A cantada do ano

Mais ou menos 29 anos, executivo, bem apessoado, senta-se na poltrona do avião com destino a New York e... Maravilha, depara-se com uma morena escultural sentada na poltrona junto à janela.

Pernas cruzadas, perfeitas, saia curta deixando entrever um belíssimo par de coxas, seios no tamanho exato, empinados, lábios carnudos, mas sem volume demasiado, enfim, uma DEUSA...

Decola a aeronave, céu de brigadeiro, uma vontade enorme de puxar conversa, mas a morena, impassível, lê um grosso volume com muita atenção.

Após 15 minutos de vôo e o cavalheiro não se contém:

- É a primeira vez que vai a New York?

Ela, gentil, com uma voz muito sensual, mas de certa forma reservada:

- Não, é uma viagem habitual...

Ele, agora animado:

- Trabalha com moda, por acaso....?

- Não, viajo em função de minhas pesquisas... .

- Desculpe-me a curiosidade, é escritora... ?

- Não, sou sexóloga.

- Muito interessante e raro. Suas pesquisas dedicam-se, na sexologia, a quê, especificamente?

Ela, tranqüila e sempre com a mesma voz de veludo:

- No momento, dedico-me a pesquisar as características do membro masculino, o que julgo ser um trabalho de fôlego e muito difícil.

- Nas suas pesquisas, a que conclusão já chegou?

- Bom, de todos os pesquisados, já concluí que os índios, sem dúvida, são os portadores de membros com as dimensões mais avantajadas e, em contrapartida, os árabes são os que permanecem mais tempo no coito, antes de entrarem em gozo. Logo, são os que proporcionam mais prazer às suas parceiras. Além disso...

Oh! Desculpe-me senhor, eu estou aqui falando sem parar e nem sei o seu nome...

- Mohammed Pataxó!!!!! (Enviado por Flávio Médici)

Cuide do seu amigo

Envenenamento criminoso de animais

PMU
O centro de Controle de Zoonoses de Ubatuba tem recebido diversas denúncias de envenenamento de animais, em diferentes bairros do município. Os bairros mais atingidos são: Centro, Perequê-Açu, Estufa I e II e Itaguá. Em virtude disso, o órgão vem informar à população que esta atitude é crime, sujeito a detenção de três meses a um ano e multa, segundo o artigo 33 da lei federal 9605/98.

Segundo a fiscal de Saúde Pública, Mônica Domaradski, para que os proprietários de animais de estimação evitem este tipo de transtorno, é preciso tomar alguns cuidados. “Solicitamos aos proprietários que não deixem seus animais soltos nas ruas. Esta atitude simples pode evitar tanto o envenenamento, quanto acidentes de trânsito e crias indesejadas. A posse responsável garante a saúde e a qualidade de vida do animal.”

Medicina nuclear

Ipen sediará eventos sobre tomografia PET

Exame é considerado um dos mais eficientespara diagnóstico de câncer e outras doenças

Fonte Nuclear

Entre os dias 25 e 29 de maio, especialistas e médicos nacionais e estrangeiros estarão reunidos no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, para a Conferência Integrada sobre Tecnologia PET/CT e os Encontros sobre PET. Os eventos buscam discutir a tomografia por emissão de pósitrons (PET), um dos exames de diagnóstico mais modernos da atualidade, e o FDG (fluordesoxiglicose), radiofármaco usado no exame.

Os eventos abordarão diversas áreas relativas a radioisótopos e tomografia PET, como operação de cíclotron, produção, marcação das moléculas, controle de qualidade dos equipamentos e aplicação clínica. “Esta tecnologia está em fase de desenvolvimento no Brasil. Eventos como esse são importantes porque permitem uma rápida transferência de conhecimento, o que é fundamental para que o país queime etapas na difusão deste exame”, afirma um dos coordenadores dos eventos e diretor de Radiofarmácia do Ipen, Jair Mengatti.

A tomografia PET tem alta precisão no diagnóstico de câncer e outras doenças. Na oncologia, a grande vantagem em relação a outros exames é que ela permite um diagnóstico bem mais precoce e preciso, o que aumenta as chances de êxito do tratamento e diminui os custos. A maior precisão no diagnóstico decorre do fato de ela não mostrar apenas a forma do órgão, mas de proporcionar informações sobre seu metabolismo. Isso acontece porque o exame mapeia a distribuição e a concentração de glicose no organismo.


Em casos de câncer, como os tumores malignos consomem grandes quantidades de glicose, a identificação de uma concentração elevada da molécula significa a presença de um tumor. O FDG se desloca para regiões onde há maior atividade metabólica e, portanto, existe uma avidez muito grande por glicose. A tomografia PET também diferencia com mais clareza tumores malignos de benignos e de outras lesões. Sua utilização pode evitar que sejam feitos exames invasivos, como a biopsia, que apresentam maior risco para o paciente, e a realização de cirurgias desnecessárias.


Em cardiologia, o exame é usado para diagnosticar o grau de comprometimento do coração. Em neurologia, no diagnóstico de doenças como Parkinson e Alzheimer e no estudo de distúrbios psiquiátricos, dos efeitos danosos do uso de drogas e das funções cognitivas do cérebro. Mengatti afirma que, hoje, a importância da PET para o diagnóstico médico é inquestionável. “Cerca de 30% dos tratamentos são alterados com o diagnóstico da PET. Este exame também permite ver muito mais precisamente a evolução do tratamento”, explica.


Ele ressalta que este é um momento de difusão da tecnologia PET no país. Novos cíclotrons serão instalados em São Paulo, Porto Alegre e Recife. Brasília teve um cíclotron instalado recentemente. “Há um potencial muito grande de crescimento do uso da tomografia PET no Brasil. Aqui são realizados cerca de 10 mil procedimentos por ano, enquanto nos EUA são feitos 1,8 milhão de procedimentos anuais. Isso mostra como esta tecnologia ainda é muito insipiente em nosso país”, comenta o cientista do Ipen.


Entretanto, a logística para a produção e a distribuição do FDG não é simples, pois é um radiofármaco de meia-vida curta, de cerca de 110 minutos. Isso significa que sua produção precisa ser feita perto do local de consumo, pois, a cada período de aproximadamente duas horas, ele perde metade da radioatividade e, consequentemente, uma quantidade maior tem que ser utilizada para obter o mesmo resultado. Por isso, quanto mais longe for o local de produção do centro médico onde será usado, maior é a quantidade do radiofármaco que precisará ser produzida, os custos e as dificuldades logísticas envolvidas em sua distribuição.


Mengatti afirma que disseminação de novos centros de produção de FDG é fundamental para democratizar o acesso ao exame. “Veja o caso de Recife, por exemplo. Hoje, a capital pernambucana recebe FDG produzido no Ipen, em São Paulo. Nós precisamos enviar cinco a seis vezes a quantidade de FDG que será consumida, devido à curta meia-vida do radiofármaco. A produção do cíclotron que está sendo instalado no Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE), localizado no município, permitirá o aumento da oferta da tomografia PET e a redução dos custos”, frisa. Ele acrescenta que, como este é um exame muito caro, a cobertura por parte do Sistema Único de Saúde (SUS) é outra medida essencial para democratizar o acesso à tomografia PET.


Para o pesquisador, com o crescimento do uso da tecnologia PET, será preciso formar recursos humanos. “A demanda pela tomografia PET está crescendo numa velocidade maior do que a formação de profissionais qualificados. Um novo mercado está se abrindo para farmacêuticos, físicos, químicos, engenheiros e outros profissionais para trabalhar em desenvolvimento tecnológico, pesquisa e produção”, avisa.

Cooperação técnica

Os eventos realizados no Ipen fazem parte do projeto de cooperação técnica “Capacitação na Produção de Radiofármacos com Cíclotron para Aplicações Clínicas”, fomentado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), braço das Nações Unidas para o setor nuclear. O projeto conta com a participação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e de três institutos a ela vinculados – o Ipen, o CRCN-NE e o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), de Belo Horizonte –, além dos institutos de Física e de Radiologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).


O público-alvo do evento é composto por médicos nucleares, oncologistas, físicos médicos, químicos, biomédicos, tecnólogos e profissionais da área de radiofarmácia envolvidos na produção de radiofármacos com cíclotron e estudos utilizando PET e PET/CT (tomografia computadorizada). A Conferência Integrada Sobre Tecnologia PET/CT tratará desde a produção dos radiofármacos até suas aplicações clínicas, passando pelos aspectos físicos e instrumentais. Os Encontros sobre PET estão divididos em três módulos específicos nas áreas de clínica, física e radiofarmácia, com o objetivo de capacitar os profissionais envolvidos. Mais informações podem ser obtidas no site do Ipen (
www.ipen.br).
ABEN - Associação Brasileira de Energia Nuclear
Mais informações: Fábio Aranha (jornalista responsável) - (21) 3797-1751 / (21) 3797-1869 –
aben@aben.com.br - Internet:
http://www.aben.com.br – Projeto Gráfico: D.Uhr Design

Ubatuba

Salas de aulas

Sidney Borges
Educação é fundamental para o Brasil resolver o problema da desigualdade. Sempre é bom lembrar que o capital humano é a maior das riquezas das nações.

Mas do jeito que a coisa vai ainda vamos ter de caminhar muito antes que surja luz no fim do túnel, se é que surgirá.

Dois episódios recentes em uma tradicional escola de Ubatuba me deixam em dúvida quanto ao futuro.

Chamada à atenção por estar se comportando de forma inconveniente, uma aluna do colegial mandou que a professora enfiasse o giz no cu. Isso mesmo. O diretor da escola, responsável pela disciplina, de forma oblíqua culpou a professora.

Na mesma escola, dias depois, outra aluna atendeu o celular em plena aula e começou a falar alto e dar risadas, constrangendo colegas e professora.

Chamada à atenção armou o que se chama de "barraco".

Ficou por isso mesmo. A garota permaneceu um dia em casa (prêmio para quem vai à escola perturbar o ambiente) e vai continuar assistindo às aulas com o aparelho ligado.

Às professoras resta aumentar a carga de antiácidos e esperar pela aposentadoria.

Ao Brasil resta chorar.

Os ricos e as cadeias

Justiça do DF manda prender fundador da Gol

LUCAS FERRAZ LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília
A Justiça do Distrito Federal ordenou ontem a prisão do fundador da Gol, Nenê Constantino, 78. Ele havia sido indiciado, no fim de 2008, sob a acusação de ser o mandante do assassinato de um líder comunitário em 2001. O pedido de prisão partiu do Ministério Público.


Até a manhã desta sexta-feira não havia confirmação sobre a prisão. A Folha apurou que a polícia estava à procura do empresário na noite de ontem --uma equipe do Distrito Federal foi deslocada para São Paulo.

Ontem, outros três mandados contra acusados de envolvimento no caso já teriam sido cumpridos. Victor Foresti, genro e sócio de Nenê no grupo Planeta, foi um dos detidos.

Nota do Editor - Façam seu jogo senhores, estão abertas as apostas. Quantas horas Nenê Constantino, homem rico, digo riquíssimo, ficará preso? (Sidney Borges)

Lulices

Vendedor é chamado de 'turco' no Brasil, diz Lula

Da Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou empresários surpresos ontem ao dizer que, no Brasil, todo vendedor de roupa ou de qualquer outro produto que passe de casa em casa é conhecido como “turco”. “No Brasil, tem uma coisa interessante”, disse Lula em um seminário em Istambul. “Apareceu alguém vendendo algo na porta de um brasileiro, ele diz que é um turco.”


Lula prosseguiu: “Não sei se é o turco nascido em Istambul ou no tempo do Império Otomano, nascido na Arábia Saudita ou no Líbano”, disse. A plateia não reagiu. Turcos não são árabes nem falam a mesma língua. A presença de turcos no Brasil é quase insignificante e as pessoas vindas do Líbano e Síria ganharam esse nome porque usaram passaportes do Império Otomano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Nota do Editor - Lula é insuperável, quando improvisa, arrasa. Sendo dono da caneta pode continuar destilando falas pitorescas pelo mundo. Um dia ele vai sair do poder e então saberá que os risinhos de aprovação eram falsos. Ninguém consegue suportar quando o "Chefe" conceitua. Nem o mais renitente dos puxa-sacos. (Sidney Borges)

Contos ubatubenses

À espera

Lourdes Moreira

Acordou cedo. Pensou se devia ou não se levantar àquela hora. Espreguiçou-se languidamente como o fisioterapeuta havia recomendado. Ouviu leves ruídos de seus ossos que estalaram gostosamente. Abriu a janela e olhou a mata tão próxima de seu quarto. Ouviu os cantos matinais dos pássaros que tanto já a havia feito feliz. Desceu as escadas com passos lentos e pensou que teria que colocar apoio na mesma pois temia ter vertigem e desabar escada abaixo. Seriam cordas que colocaria ou madeira para combinar com a sacada frente à sua casa? Ficou em dúvida... ora... pensaria nisso noutro momento...

Desceu; colocou água para o seu trivial café da manhã sempre tão solitário. Procurou na memória de imagens difusas momentos em que não estivera só à mesa em suas manhãs. Colocou o coador no velho apoio, colocou-o na já envelhecida garrafa térmica e, para não ficar à toa enquanto a água fervesse, foi lá fora olhar a mata. Um pássaro diferente murmurava ao mundo seu bom-dia.

Era de um verde entremeado de preto. Este não havia ainda visto ou, então, não o notara em suas manhãs?

Correu para o fogão. A água já espumava na caneca. Coou seu café, adoçou-o com sacarina. Sentou-se à mesa. Pensou em ler algo enquanto sorvia lentamente seu café. Preferiu que sua mente divagasse... Já havia lido o suficiente.

Levantou-se procurando o que fazer. Foi à casa de uma amiga adoentada. Tentou fazê-la sorrir pensando que nem ela mesma já o conseguia. Foi a uma floricultura e comprou uma begônia toda florida. Colocou-a num canto da sala. Num lugar que a pudesse admirar. Foi novamente à cozinha pois já sentia fome. Seu corpo necessitava de alimento. Faria um filé de peixe ou de frango? Na dúvida tirou os dois do congelador. Pacotes leves que seu açougueiro e peixeiro haviam pesado.

Talvez com pesar por tão pouco peso?

A manhã já estava quase se esvaindo. Foi à geladeira e pegou os potes com temperos que os deixava preparados para quando deles necessitasse. Olhou para a cebola... para o alho... para a cebolinha e a salsinha: seus temperos preferidos. Achou-os murchos mas não estava com vontade de picar outros. Usou os assim mesmo, pois se decidira pelo peixe. Além dos temperos já preparados, só precisava de um pouco de limão. Pegou um que estava quase amarelecido, mas era seu preferido: limão cravo. Cortou-o ao meio. Temperou o peixe. Queria comê-lo bem fritinho e passado em bastante fubá como o fazia na infância, mas já não o podia: seus triglicérides estavam em alta; tinha que se cuidar.

Guarneceu seu peixe com batatas, cenouras e muito...muito cheiro verde que adorava. Lembrou as instruções da nutricionista: três cores à mesa são sinônimas de saúde. Levou-o ao forno nos 180 graus. Lavou uma xícara de arroz que nem era a medida certa para seu apetite. Sobraria mas, menos que isso, sua panela não suportaria o calor e o queimaria. Preparou uma salada de alface, chicória e tomate: poucas folhas e apenas um tomate.

Colocou uma toalha já manchada cobrindo a mesa. Sentou-se em sua cadeira predileta.

Divagou sobre o passado e relembrou os domingos em que sua casa exalava a cheiro de frango assado, pernil, lombo e maionese e, depois do almoço, belos pudins e bolos regados a muita calda de chocolate. Já não podia se dar ao luxo e comê-los. Hoje só uma sobremesa dietética. Sentiu no ar que seu peixe já chegara ao ponto. Levantou-se, desligou o forno e, lentamente, retirou-o. Pôs a mesa. Apenas um prato, um garfo e uma faca. Pensou em colocar mais um talher.Talvez viessem visitá-la sem avisar. Desistiu. Há anos seus parentes próximos já não se aproximavam. Tentou desculpá-los imaginando que o sol dos últimos dias os havia levado a alguma praia. No fundo sabia que já não se preocupavam com ela em vida mas sim apenas quando aqui já não estivesse.

Ficariam com a velha casa afinal, o único filho que tivera já não representava perigo a seus parentes pois partira prematuramente. Lágrimas vieram-lhe aos olhos mas...logo silenciaram.

Caminhou novamente até a cadeira. Serviu-se de cada alimento que preparara. Pareciam insossos. Os sabores haviam se dissipado ao longo dos anos. Procurou na memória o sabor que mais gostara: pimenta curtida em muito azeite, vinagre e alecrim. Era assim que sua mãe as preparava.


Almoçou mastigando cada alimento com tempo de folga. O que faria depois? Tiraria uma sesta e esperaria o anoitecer. Assim o fez.


Após a sesta, assistiu aos programas dominicais. Todos obsoletos e repetitivos. Neles via graça sem graça. Não conseguia achar aparato para seu desagrado. Mexeu em suas violetas que descansavam do sol ao anoitecer por sobre o parapeito da janela da sala. Retirou cada folha já envelhecida. As regou cuidadosamente preocupada para que a água não tocasse em suas folhas.

A noite chegou. Preparou uma sopa rápida, dessas de envelope onde as instruções, frente aos seus olhos já cansados pela idade, lhe pareciam difusas. Após pronta, pareceu-lhe sem sabor. Talvez tivesse errado na mistura do pó com a água fervida. Isso não importava tanto quanto sua necessidade de armazenar energia. Encheu uma terrina e, pensando nas canjas e brodos que em tempos idos sorvia, sorveu o caldo desprazeirosamente.


Já era hora de recolher-se. Desligou o televisor que havia deixado ligado para ter companhia. Subiu as escadas novamente pensando que nela teria que colocar apoio. Seria de madeira para combinar com a sacada? Tinha tempo. Pensaria nisso outro dia.
Lourdes Moreira
Profª da Rede Municipal e Estadual de Ubatuba

Coluna da Sexta-feira

Feijão com arroz

Celso de Almeida Jr.
Há muitas maneiras de ocupar o tempo da garotada.


Esportes; computadores; dança; música; teatro...

Só estes cinco itens já garantem uma agenda cheia.

Claro que a prioridade número 1 deve ser o estudo formal.

Na escola e em casa, claro.

Horários organizados, pais observando, enfim, uma rotina saudável e construtiva.


A fórmula é tão fácil, não é?

Claro que é!!

O que precisamos é criar as condições para que isso funcione em grande escala.

Lembrar que boa parte da população tem poucas condições de dar a devida atenção aos seus filhos.

Por isso, a necessidade de planos governamentais abrangentes para ocupar o tempo dessa turma.

Tudo muito bem planejado.

Numa empreitada dessas, cada estudante precisa ser acompanhado, orientado, assistido, conquistando os requisitos elementares para ter uma infância saudável e um futuro profissional promissor.

Além disso, uma forte e dirigida campanha de conscientização dos pais e responsáveis é fundamental.

Eis a escola da família.

Isso é claro para todos, certo, amigo leitor?

Falta fazer, não é mesmo?

Deixo para reflexão:

Falta dinheiro?

Falta vontade política?

Falta capacidade de planejamento e organização?

Faltam recursos humanos?

Ou somos uma população acomodada, conformada com o mínimo, para nós e nossos filhos?

Opinião

Um confronto com tiros no pé

Washington Novaes
Há poucos dias o presidente da República, em tom quase de deboche, disse que, se houvesse exigência de licenciamento ambiental à época da construção de Brasília, Juscelino Kubitschek não teria conseguido nem abrir a pista de pouso para seu "aviãozinho". É possível. Graças, entretanto, à visão genial de Lúcio Costa, Brasília tem algumas vantagens que nem um EIA-Rima de hoje lhe dariam - a ocupação territorial planejada, espaços verdes mantidos, a descentralização de tudo. Mas talvez - o que o presidente de hoje não disse - tivesse de repensar sua própria localização, num dos pontos mais altos do Planalto Central do País, lugar bastante escasso em recursos hídricos - o que obriga a capital a importar de outros Estados (e pagar por isso, exportando renda) quase toda a energia que consome e parte da água. Além de enfrentar problemas difíceis em sua expansão urbana.


Mas a frase do chefe do governo estava inserida em outro contexto, esse perigoso confronto de "ruralistas" e "desenvolvimentistas" com "ambientalistas" em torno da legislação, com os primeiros em plena ofensiva para reformar o Código Florestal (e abrandar ou eliminar suas exigências), descentralizar o licenciamento ambiental (repassando-o a Estados onde as exigências seriam menores ou nulas), dispensar de licenciamento ambiental a duplicação e/ou pavimentação de rodovias (principalmente na Amazônia - onde esse é o maior fator de desmatamento - e incluindo o trecho Porto Velho-Manaus), aprovar (como foi aprovada) a regularização de 400 mil posses de até 1.500 hectares na Amazônia (sem obrigação formal de recompor reservas), barrar legislação que permitiria cobrar pelo uso de água na irrigação (o setor que mais a utiliza e desperdiça). Está em tramitação no Congresso até proposta de emenda constitucional que retira os temas "ambientais" (assim como os da educação e da saúde) do texto da Constituição.

Por trás de tudo, uma interpretação muito questionável de que faltariam terras para a agropecuária no País. Quando, num debate no Senado (Estado, 30/4), foi demonstrado que "não é preciso derrubar um só metro quadrado de floresta amazônica", existem 350 mil quilômetros quadrados disponíveis, "capazes até de triplicar a produção agropecuária" - repetindo tese que vem sendo formulada há mais de 20 anos pela Embrapa. O problema, como observa o agrônomo Ciro F. Siqueira, está em que aproveitar para a agropecuária um hectare invadido ou grilado custa entre R$ 200 e R$ 300, mas utilizar um hectare comprado e pagando todos os impostos e custos sociais fica em R$ 700. E só 4% das terras amazônicas são cadastradas.

Nesse imbróglio também vai ficando esquecida a tese para a Amazônia que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) apresentou em Manaus, há alguns anos: desmatamento zero, forte investimento em formação de cientistas na região e em projetos de estudo e aproveitamento da biodiversidade amazônica (lembrando que só o comércio mundial de medicamentos derivados de plantas está acima de US$ 200 bilhões anuais). Mas os gastos federais na Amazônia não passam de 4,05% do total, quando a população no bioma é de 12,32% da nacional. O Programa de Ciência e Tecnologia para toda a área em 2008 foi previsto em apenas R$ 20,1 milhões e nem isso foi executado, assim como o programa para biotecnologias, de R$ 36,8 bilhões. Compare-se isso com as centenas de milhões de reais em subsídios concedidos a cada ano ao consumo de energia pelos setores que dali exportam os chamados eletrointensivos (alumínio, ferro-gusa, etc.) e que são os maiores beneficiários dos bilionários projetos de novas hidrelétricas na área. Ou com a fartura de incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus. Pelo ângulo contrário, pode-se observar a escassez de recursos para o Ministério do Meio Ambiente, que tem pouco mais de 0,5% do Orçamento federal e não conseguiu há pouco sequer emplacar os 3 mil novos fiscais que desejava, teve de contentar-se com mil, dos quais apenas 500 para a Amazônia.
Leia mais


Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"Vale reduz investimento em mais de 1/3 neste ano"

Crise derruba demanda por minério de ferro, principal produto da empresa

Afetada pela crise, a Vale reduziu seus planos de investimento para 2009 e revisou seu orçamento dos US$ 14,235 bilhões anunciados em outubro de 2008 para US$ 9,035 bilhões. O corte representa 37% do total.
Segundo a Vale, o real valorizado reduz custos e permite que ela gaste menos. A mineradora, segunda maior empresa do Brasil (atrás da Petrobras), alega ainda que o atraso de licenças ambientais reteve investimentos.
Além disso, a retração global travou a produção siderúrgica e a demanda por minério de ferro, mercadoria principal da Vale. A empresa produziu 25,9% menos no primeiro trimestre deste ano ante o último de 2008.
Desde o inicio da crise, a companhia colocou mais de 700 funcionários em licença. A Vale lucrou R$ 3,151 bilhões nos três primeiros meses de 2009, bem abaixo do recorde do trimestre anterior, R$ 10,4 bilhões.

O Globo
"Lula dará bônus para acelerar obras do PAC"

Gratificação para servidores do Dnit será paga em junho de 2010

Para acelerar as obras do PAC no ano eleitoral, o governo federal enviou à Câmara, em regime de urgência, projeto de lei que cria um bônus anual e especial para servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Para merecer o bônus, o funcionário terá de cumprir metas fixadas pelo órgão, inclusive as relacionadas ao andamento de obras do PAC. O prêmio vai de R$ 6,4 mil a R$ 48,9 mil, e o pagamento está previsto para junho de 2010. A medida significará gasto extra de R$ 55,9 milhões no Orçamento de 2010 e beneficiará 2.947 servidores. O Ministério do Planejamento estuda criar bônus para todo o funcionalismo.

O Estado de S. Paulo
"Vale refaz plano e corta investimento em US$ 5,2 bi"

Orçamento da mineradora projetado para este ano será de US$ 9 bilhões

A Vale reduziu em 86,5% sua projeção de investimentos para este ano, conforme comunicado de fato relevante feito ontem pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários. O corte representa US$ 5,2 bilhões a menos nos investimentos da empresa que em 16 de outubro do ano passado havia projetado aplicar US$ 14,235 bilhões, montante agora reduzido para US$ 9,035 bilhões. Roger Agnelli, presidente da mineradora, tinha dito no início da semana que a revisão seria anunciada em junho, e o novo montante poderia ficar entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões. O item "projetos" é o mais penalizado no novo orçamento, com redução de 41,7%, cai para US$ 5,930 bilhões. Em seguida, vem "pesquisa e desenvolvimento", cujo orçamento caiu 30%, de US$1,478 bilhão para US$ 1,031 bilhão. Segundo a empresa, o ajuste servirá, basicamente, para equalizar os preços de moedas que balizam dispêndios da Vale, além da revisão de custos de equipamentos neste ano.


Jornal do Brasil
"'Cuidado com a euforia'"

Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles teme especulações com a queda do dólar

A dívida pública federal caiu 1,02% em abril por conta da valorização do real. Deve cair mais ainda, já que o dólar acumula baixa de 6,6% em maio. Ontem, a moeda americana só fechou em alta, a R$ 2,035, graças à intervenção do Banco Central. Henrique Meirelles disse que o mercado precisa ter cuidado. Exportadores temem a perda de competitividade que o câmbio provoca sobre nossos produtos no exterior, enquanto a indústria reclama da concorrência dos itens estrangeiros, mais baratos.

quinta-feira, maio 21, 2009

Filosofando

Revolução em questão...

Sidney Borges
Há os que colocam a contradição central de qualquer sociedade entre ‘opressores’ e ‘oprimidos’, e acreditam que a revolução deve resolver esse conflito. Segundo Paulo Freire, que construiu sua obra com base nessa premissa, os ‘oprimidos’ são destinados a desenvolver uma ‘pedagogia’ que os leve à própria libertação.”

Aí surge a grande dúvida, sem opressores e oprimidos existe sociedade? Será que a questão não se situa no âmbito da ética? Em todas as sociedades revolucionárias uma casta de burocratas privilegiados substituiu as oligarquias, inclusive apoderando-se dos hábitos de consumo que antes da revolução eram motivo de crítica.

Espaço do leitor



Praia Dura em perigo!

Ola Sidney:
Estou escrevendo para divulgar que o abaixo assinado pedindo providências em relação à devastacao da Praia Dura - feita com dinheiro público em condições misteriosas - já está no ar:


http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4319

A situação está aqui: http://morropraiadura.blogspot.com/

Grato,

Carlos Lunetta

Crônica

Quantos anjos

Luis Fernando Veríssimo no Blog do Noblat
A Igreja medieval tinha muitas razões para condenar o juro. Ele era produto de uma coisa infecunda, o dinheiro, e portanto contra a Natureza. Era um preço dado ao tempo, que é de Deus, e portanto uma apropriação indébita, além de herética. Era fruto de trabalho improdutivo e ímpio, já que dinheiro gerava dinheiro o tempo todo, sem respeitar os dias santos, e era portanto um péssimo exemplo para os fiéis. Mas desconfia-se que a Igreja combatia o juro, acima de tudo, para proteger sua metafísica da metafísica emergente do mercado.

A Igreja acabou cedendo e hoje não excomunga mais ninguém por usura. Com algumas adaptações - como a invenção do Purgatório, uma alternativa suportável ao Inferno para banqueiros e agiotas - aceitou o juro para não ficar de fora do melhor negócio do mundo, que é o do dinheiro produzido por dinheiro. Mas a grande vitória não foi da realidade do dinheiro, foi da sua irrealidade. A metafísica sem Deus do mercado foi mais forte do que a metafísica da fé, o valor arbitrário dado a abstrações financeiras foi muito mais potente do que qualquer abstração religiosa.

O bom da metafísica é que, como é feita no ar, só tem os limites que ela mesma se dá. Aqueles concílios da Igreja em que discutiam coisas como quantos anjos poderiam dançar na ponta de um alfinete são os antecedentes diretos dos conluios do capital financeiro que geraram as pirâmides de papel desligadas de qualquer lastro real, para o dinheiro produzir cada vez mais dinheiro, cada vez mais abstrato. Na questão dos anjos a discussão era entre os que diziam que o número de anjos que cabiam na ponta de um alfinete era limitado e os que diziam que era infinito. As mesmas especulações etéreas devem ter sido feitas sobre até onde iria a farra do capital especulativo. O número de anjos, descobriu-se com a chegada da Crise, era finito.
Leia mais

Opinião

Por uma nova Lei de Imprensa

Editorial do Estadão
Com a revogação da Lei de Imprensa, determinada há três semanas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por 7 votos contra 4, sob a justificativa de que ela foi editada pela ditadura militar e era incompatível com o regime democrático e o Estado de Direito, aconteceu o que muitos advogados, promotores e magistrados mais temiam. Como não está claro como os processos devem ser conduzidos a partir de agora, o vácuo jurídico está disseminando insegurança entre os órgãos de comunicação e no próprio Judiciário, onde tramitam milhares de ações contra jornais e jornalistas.

Segundo os especialistas, as lacunas mais importantes dizem respeito a direito de resposta, pedido de explicações, retratação, retificação espontânea, sigilo de fonte, exceção da verdade, cálculo da indenização por danos morais, garantias dos jornalistas e competência da ação. Diante das especificidades técnicas no campo do jornalismo, o "apagão jurídico" provocado pela revogação da Lei de Imprensa deixou jornais, revistas, rádios e televisões, além de promotores e juízes, sem regras claras que balizem principalmente as situações de conflito entre os direitos da informação e os da proteção à honra e à imagem.

Sob a justificativa de que não há mais na ordem jurídica brasileira qualquer legislação sobre crimes de imprensa, alguns juristas e magistrados estão propondo a extinção e o arquivamento de todos esses processos, enquanto outros defendem a aplicação de dispositivos correlatos existentes no Código Civil, no Código Penal e no Código de Processo Penal. O problema é que estes dois últimos textos legais se destacam por seu anacronismo, pois foram editados entre 1940 e 1941 pela ditadura varguista do Estado Novo.

"A simples recapitulação da lei com base em outras leis gerais é ruim. A Lei de Imprensa tinha regulamentações e prazos muito específicos. Em razão de o Supremo não ter modulado os efeitos de sua decisão, não há alternativas e os processos devem ser extintos", diz Marcelo Nobre, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Hoje ninguém sabe como os processos serão julgados, se com base em um paralelismo com leis existentes ou arquivados. A tendência é de os juízes agirem com bastante cautela, suspendendo o julgamento de uma ação sem extinguí-la de pronto, até uma definição mais clara da lei ou do STF", afirma o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira. "O direito de resposta, que era muito utilizado (com base na Lei de Imprensa), não existe na legislação comum. Não há mais regulamentação específica que fale sobre o cabimento ou como ele deve ser aplicado", explica Lourival J. Santos, diretor-jurídico da Associação Nacional dos Editores de Revistas.

"Jornalistas perdem. Jornais também perdem. Perdemos todos nós, cidadãos. Os jornais relutarão em dar notícias com receio de processos judiciais em casos de oposição entre direito à informação e direito à privacidade - quando, segundo as leis de imprensa dos países culturalmente maduros, esses conflitos se resolvem em favor do interesse coletivo da informação", conclui o advogado e ex-secretário executivo do Ministério da Justiça José Paulo Cavalcanti Filho.

Para esses especialistas, outro grave problema causado pela revogação da Lei de Imprensa é a falta de limites para o chamado "arbitramento monetário" nos processos de indenização por danos morais. Eles receiam que oportunistas, alegando terem sido difamados e injuriados, exijam indenizações absurdas e os juízes, por falta de critérios objetivos, acabem acolhendo esses pedidos. Os especialistas também temem a prática, em larga escala, das intimidações com base na chicana jurídica de advogados, a exemplo do que aconteceu há alguns anos, quando uma determinada igreja passou a processar os jornais O Globo e Folha de S.Paulo em centenas de comarcas do interior espalhadas em todo o País.
Leia mais

Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"Fluxo de dólares para o país cresce e derruba cotação"

Nos primeiros 10 dias úteis de maio, entrada de divisas já anula saldo negativo acumulado neste ano até abril

Mesmo considerando só os primeiros dez dias úteis, maio já tem o maior saldo de entrada de dólares no Brasil desde setembro de 2008, quando a crise se agravou.
Segundo o Banco Central, o fluxo de capital externo no mês está em US$ 2,059 bilhões, suficientes para reverter o saldo negativo de US$ 1,544 bilhão acumulado no ano até abril. Se a tendência se confirmar, será o segundo mês seguido de fluxo positivo de dólares para o país, o que não ocorre desde agosto/setembro de 2008.
Para analistas, o ingresso de dólares reflete o maior otimismo que se observa no mercado externo e os juros reais ainda elevados, raros entre países emergentes.
Esse movimento também é uma das razões para a desvalorização da moeda americana, que caiu mais 0,39% e fechou a R$ 2,027, apesar de intervenção do BC.

O Globo
"BC gasta US$ 1 bi mas dólar não para de cair"

Sem intervenção, moeda poderia ter recuado para menos de R$ 2

A entrada maciça de investidores estrangeiros em busca de rendimentos mais altos em juros e ações derrubou a cotação do dólar ao nível mais baixo desde outubro de 2008. O BC comprou US$ 1,185 bilhão para tentar segurar a moeda, que, no entanto, fechou a R$ 2,027, em queda de 0,39%. No dia, chegou a R$ 2,014. Segundo analistas, sem o BC, o dólar teria caído abaixo de R$ 2. O dólar desvalorizado prejudica as exportações do país. O governo baixou para 1% a projeção do PIB de 2009.

O Estado de S. Paulo
"Para controlar CPI, PMDB vai pedir diretoria do pré-sal"

Renan Calheiros comanda ofensiva para tirar do PT cargo-chave na Petrobrás

O PMDB vai esperar a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em viagem no exterior, para indicar os nomes dos senadores que vão integrar a CPI da Petrobrás, que investigará supostas irregularidades na estatal. O partido quer indicar um nome para a diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, conhecida como "diretoria de pré-sal", ocupada pelo petista Guilherme Estrella. "Quem tem prazo não tem pressa. Tenho uma bancada de 20 senadores e todos querem participar da CPI", disse o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Além da exigência de cargos na Petrobrás, o PMDB decidiu atrasar a indicação dos integrantes da CPI porque não consegue se entender com o PT. Os peemedebistas acusam Aloizio Mercadante (SP) de falar mais com a oposição do que com partidos do governo. A cúpula do PMDB afirma que o interlocutor do partido sempre foi Lula.

Jornal do Brasil
"Graças à Lei Seca, acidentes caem 24%"

Medo do bafômetro também diminuiu alcoolismo em casos de atropelamento

A Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil divulgou ontem - véspera do Dia Nacional da Cachaça - a diminuição de 23,6% nos acidentes de trânsito, provocada, principalmente, pela chamada Operação Lei Seca, que deparou os motoristas cariocas com fiscalizações equipadas de bafômetros. De 1º a 30 de abril ocorreram 1.423 acidentes, contra 1.862 no mesmo período do ano passado. Também sofreu redução a presença do chamado hálito etílico entre motoristas: de 14% nas colisões e quedas de motos, e de 10% nos atropelamentos.

Clique sobre a imagem e saiba mais

quarta-feira, maio 20, 2009

Ubatuba

Cadê o Ministério Público?

“Hoje quem deve morrer? A samambaia, ou a velhinha de Ubatuba?”

Saulo Gil
Atualmente, o poder de conformismo do ser humano se tornou realmente a principal defesa para a sonhada realização pessoal. No entanto, a falta de compaixão e sensibilidade com a vida humana, principalmente, dos mais necessitados, não pode mais estar presente em autoridades que são pagas pelo povo e representam vontades de uma sociedade democrática, que quer evoluir. O Governo Federal traça uma linha certa, quando trata o combate à miséria e à exclusão social, como base para um País que deseja ser desenvolvido (pena que para esta base estar completa ainda falta bastante coisa, principalmente, combate à burocracia e à corrupção). No entanto, no Litoral Norte, o tom de conformismo das autoridades com o crescimento da miséria e da pobreza deve bater recorde.

Em Ubatuba, a cena foi nítida: Dezenas de pessoas simples, uns descalços de tão acostumados com o mato, brigando para ter direito à eletricidade e, consequentemente, geladeira, televisão, música, enfim... Luz. Entre os condenados à escuridão, estavam ditos remanescentes quilombolas, mas que, certamente, continuam escravos deste sistema. Onde estamos? No Zimbábue? Ou, no século 21, no Estado mais rico do Brasil, a 300 quilômetros da quarta maior capital do mundo? E a pergunta mais pertinente. Cadê o Ministério Público, que deveria zelar pelos direitos constitucionais de cada cidadão deste País? Esta falta de norte das diversas esferas do poder público brasileiro permite abusos por parte de setores e autoridades. Mas, pior, quando tais abusos vêm acompanhados do já criticado conformismo dos seres humanos. Nesta reunião em busca da luz em Ubatuba, a Diretora do Núcleo Picinguaba, Eliane Simões, deu declarações que deixam clara a necessidade de evolução humana, principalmente nos gestores públicos.

Precisamos de fibra na política, fibra na administração pública, principalmente nos municípios, em erradicar o submundo e fazer-se respeitar a Constituição Federal, que garante o direito de uma vida digna a cada cidadão brasileiro. A posição do Estado, em tratar burocraticamente a necessidade de energia elétrica de um ser humano, alguns até doentes, é, no mínimo, desumana.

Enquanto se avalia um Termo de Compromisso Ambiental, não pode-se evoluir na possibilidade de trazer luz aos necessitados, decretando ao bel prazer de políticos bem remunerados, a escuridão alheia. O poder público parece não temer tamanha violação aos direitos humanos previstos em Lei, quando não permite a concessão de eletricidade. As perguntas continuam. Será que é bom estudar a luz de vela? A qual bem cultural a comunidade tem acesso sem luz? E os remédios que devem ser guardados na geladeira, aonde os miseráveis devem enfiar? E a pergunta mais pertinente, novamente. Cadê o Ministério Público? O caso da senhora doente que precisa de geladeira pra armazenar os remédios está sendo analisado. Então, os técnicos entram em um laboratório e devem se perguntar: Hoje quem deve morrer? A samambaia, ou a velhinha de Ubatuba? É a única linha de analise possível neste caso.

Mais inconcebível ainda, é o anunciado apoio do Ministério Público a estes posicionamentos fascistas. Ou seja, em Ubatuba, os que deveriam zelar pela Constituição, rasgam a Legislação Brasileira, e ignoram a regra mãe da democracia, que prevê a igualdade de direitos aos cidadãos deste País. E qual direito pode ser preservado, quando aqueles que deveriam lutar pela preservação dos direitos, ajudam a decretar a escuridão ao nosso povo, os tratando como bichos. Boa idéia povo miserável! Virem bichos, selvagens! Talvez assim, o ambientalismo radical, inserido nos poderes públicos, resolva olhar para vocês com a compaixão devida.
Editoral do Imprensa Livre de 20/05/2009

Mirisola em férias e bravo...

Caros amigos e amigas.
Hoje, quarta-feira, e amanhã, quinta, o Monólogo da Velha Apresentadora. No Satyros 1. Com Alberto Guzik e Chico Ribas

Encerramento de Temporada. Não deixem de conferir.

Marcelo Mirisola
Queria, também, deixar registrado meu pasmo diante da omissão dos críticos teatrais com relação ao Monólogo da Velha Apresentadora. Depois de três meses em cartaz no teatro dos Satyros, na Pça Roosevelt, a peça encerra temporada - insisto - nesse 28 de maio. Até agora nenhuma crítica. Apenas vagas menções, a grosseria da senhora Mônica Bergamo que omitiu meu nome – e não corrigiu o erro - na matéria que fez por ocasião da estréia, e pequenas chamadas em guias de variedades. Só. A conclusão a que chego é constrangedora. Ou seja. O modo de fazer jornalismo no Brasil não difere muito das práticas adotadas e cinicamente condenadas (talvez por eufemismo) nas altas esferas do poder. A imprensa brasileira não fica devendo nada aos nossos políticos, o que se vê, tanto na esfera privada como na pública, é o jogo de interesses escancarado e o ostensivo desdém com relação aos que não pertencem aos respectivos círculos de compadrio. E´ bom frisar que tem muita "gente bacana", e acima de qualquer suspeita, que também está “pouco se lixando”. Eles tem nome e sobrenomes reluzentes, geralmente patrocínio de alguma estatal ou banco privado (o que dá na mesma), e é fácil achá-los na coluna da Mônica Bérgamo, a troglodita social do jornal Folha de São Paulo. O resultado disso tudo só podia ser uma generalizada falta de credibilidade. O Brasil perde, o público perde. Merecíamos mais.

Não deixem de ver a Velha!

Grande Abraço,

MM

Aviação

Um mudkó caiu do céu!

A história do maior acidente aéreo do Brasil contada por quem a viu mais de perto: os índios

Daniel Nunes Gonçalves
Foi um estrondo seco. Ecoou por alguns instantes no entardecer daquela sexta-feira, 29 de setembro de 2006, quebrando a rotina das 3 aldeias de índios caiapós da reserva Capoto-Jarina, no norte do Mato Grosso, na margem oeste do rio Xingu. Na vila Capoto, os homens interromperam a caça e a pesca para olhar para o céu, onde as araras voavam assustadas. Na Metyktire (lê-se metutire), o líder Betâ Txucarramãe, o Wai-Wai, sentiu a terra tremer às 5 da tarde. “Deve ser uma dessas bombas que os militares costumam explodir na serra do Cachimbo”, pensou.


Em Piaraçu, a matriarca Warê Juruna tomou um susto quando plantava mandioca na roça. “O som podia ser de um porco bravo, ou de um trovão, mas não havia sinal de chuva”, conta. Com medo, convocou as outras mulheres e correu para casa. À noite, só se falava no tal som misterioso entre os 1 000 habitantes do subgrupo caiapó chamado metyktire, que habita essa reserva de 635 hectares espalhada ao longo de 3 cidades mato-grossenses. Especialmente durante a reunião diária na roda dos homens, uma espécie de balanço das atividades do dia.

A explicação viria no dia seguinte. Misto de cacique informal e pajé de Piaraçu, Bedjai Txucarramãe acordou dando uma resposta à sua esposa Warê Juruna: “Sabe o trovão que você ouviu ontem à tarde? Meu tio, que mora na aldeia dos espíritos, me visitou num sonho. Disse que um mudkó caiu na nossa terra”, relatou – mudkó (na língua caiapó, escreve-se màdkà), ou “casca de arara”, é como eles chamam avião.

Aos 62 anos, Bedjai, maior autoridade entre os 150 moradores de Piaraçu, recebeu a confirmação às 6 horas do sábado, dia 30. A ligação chegou pelo telefone público do local: alguém vira na TV que um avião tinha caído na terra de seu povo.
Leia mais

O cara

'Não tem terceiro mandato', diz Lula

Notícias UOL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a descartar nesta quarta-feira em Pequim a hipótese de se candidatar a um terceiro mandato presidencial caso sua candidata, a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, não tenha condições de disputar as eleições.

"Eu não discuto essa hipótese. Primeiro porque não tem terceiro mandato. Segundo, porque a Dilma está bem", afirmou Lula após uma visita à agência espacial chinesa.

Na segunda-feira, Dilma foi transferida de Brasília a São Paulo, onde foi hospitalizada para a realização de exames após ter sentido dores em consequência da reação ao tratamento de quimioterapia ao qual está se submetendo para o tratamento de um linfoma (câncer do sistema linfático).

Leia mais

Nota do Editor - O redator não prestou atenção às palavras de Lula. Perguntado sobre a a hipótese de se candidatar a um terceiro mandato "Nosso guia" respondeu:
- "Eu não discuto essa hipótese. Primeiro porque não tem terceiro mandato. Segundo, porque a Dilma está bem".
Não sei onde o brilhante jornalista enxergou Lula descartando a candidatura. Não discutir a hipótese está longe de ser um não. A segunda parte é puro jogo de cena. Lula não discute porque não tem terceiro mandato. Mas não faz nada para impedir que a emenda que vai propor o terceiro mandato seja levada ao Congresso. Com a emenda aprovada será que ele discutiria? Lula nunca se opôs ao terceiro mandato, seus assessores constroem frases de efeito e ele as repete com a competência que lhe é característica. Parece que não dá importância, mas quem o conhece sabe que ele só quer uma coisa na vida. Continuar presidente. Se possível para sempre. Em tempo: Dilma não está bem, quimioterapia traz conseqüências. (Sidney Borges)

Ilhabela

Cidade já tem confirmação de 103 paradas de transatlânticos para temporada 2009/2010

Do Imprensa Livre
A Secretaria de Turismo de Ilhabela já confirmou a parada de pelo menos 103 navios transatlânticos, na temporada 2009/2010. Com isso, a cidade deverá receber pelo menos 200 mil turistas entre brasileiros e estrangeiros, que acabam consumindo no comércio local, bem como utilizando os receptivos, como por exemplo, passeios em trilhas.

O primeiro navio a atracar na temporada deste ano, conforme a primeira listagem da Secretaria de Turismo e Fomento de Ilhabela, será o MSC Ópera, previsto para o dia 15 de novembro, proveniente da cidade do Rio de Janeiro.

Em algumas ocasiões a cidade receberá a parada simultânea de três navios, como por exemplo, no dia 25 de dezembro. A última parada da temporada 2009/2010 está prevista para o dia 29 de janeiro, quando o navio Concórdia atraca em Ilhabela, proveniente da cidade de Ilhéus, na Bahia.

De acordo com a secretária de Turismo e Fomento de Ilhabela, Maria Inez Ferreira, independentemente dessa primeira listagem, existe negociação com operadoras para novas paradas, principalmente de navios internacionais. Na semana passada, a secretária Maria Inez Ferreira, acompanhada do prefeito Toninho Colucci (PPS), se reuniu com representantes da Royal Caribbean.

Brasil

A jornada dos tolos da midia

Paulo Moreira Leite (original aqui)
Aos poucos, firma-se a convicção de que a midia brasileira estimulou, apoiou e celebrou um dos maiores golpes contra sua própria liberdade.


Estou falando daquela decisão recente do Supremo Tribunal Federal que aboliu a Lei de Imprensa e deixou um vazio legal e jurídico que em breve será transformado em campo aberto para ataques aos jornais, jornalistas e seus sucedâneos.

Sem a lei de imprensa, e sem regras claras para as vítimas se defenderem com o direito de resposta, tudo irá funcionar ao sabor das convicções de cada juiz e cada tribunal encarregado de examinar cada caso em particular, numa situação de incertezas e insegurança que as empresas de comunicação raras vezes conheceram em sua história recente — e que nunca fez bem ao trabalho de informar e analisar a vida social com independência.

É verdade que, mesmo com a legislação em vigor, ocorriam abusos de toda ordem — a começar por indenizações milionárias capazes de ameaçar a saude financeira das empresas e arruinar o patrimonio de profissionais levados a responder individualmente por suas reportagens. Imagine-se agora.

A constação do erro no STF já foi apontada por grandes mentes jurídicas do país. Mas o professor Manoel Alceu Affonso Ferreira, um dos maiores especialistas em Lei de Imprensa do país, publica um artigo hoje, no Estadão, onde passa a discussão a limpo.

Ele recorda que, embora tenha uma data de nascimento ruim — 1967, em pleno regime militar — a Lei de Imprensa que estava em vigor reconhecia determinados direitos próprios da liberdade de expressão. Noto que essa observação é menos absurda do que parece. Vivia-se, naquele ano, o final da fase conhecida como ditadura envergonhada, anterior ao AI-5.

Manoel Alceu lembra, inclusive, que a legislação anterior protegia o direito do repórter manter a fonte de seus relatos em segredo, sem sofrer “qualquer sanção, direta ou indireta, nem qualquer espécie de penalidade.”

Tudo isso foi abolido, lembra o professor. Manoel Alceu diz que a mudança não será benéfica “nem para os veículos, nem para a massa dos leitores, ouvintes e espectadores.”

Com todo respeito, a situação lembra a célebre “Jornada de Tolos”, episódio ocorrido na corte absolutista de Luís XIII, em 1630. Iludidos pelos primeiros lances de uma guerra palaciana, um grupo de nobres chegou a festejar a queda do Cardeal Richilieu por algumas horas — até que descobriu que ele continuava forte como nunca, amigo e protegido do Rei, enquanto seus aliados é que seriam mandados para a prisão e o infortúnio.

Opinião

E a qualidade do conteúdo?

A. P. Quartim de Moraes
Não faltam boas notícias sobre iniciativas, oficiais e particulares, destinadas a estimular o hábito da leitura e a produção de livros no Brasil. Uma das últimas a chamar a atenção foi o lançamento de um ambicioso projeto - "Rio, uma cidade de leitores" - idealizado por Claudia Costin, secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, que já exercera com proficiência o cargo de secretária de Cultura no governo do Estado de São Paulo, onde criou projeto similar, "São Paulo, um Estado de leitores". A ideia desenvolve-se focada em três eixos principais: ampliação do número de bibliotecas públicas e enriquecimento de seu acervo, formação de mediadores de leitura e, finalmente, ações culturais e educacionais de incentivo à leitura. Tudo muito bom, tudo muito louvável. É exatamente disso, entre muitas outras coisas, que se necessita para que este país se transforme em "Brasil, um país de leitores".


De fato, a quantidade de iniciativas similares a essa da municipalidade carioca, tanto no âmbito público quanto no privado, pode ser considerada, se não suficiente, pelo menos alentadora, quando se tem em mente a necessidade de atender a um requisito básico para o desenvolvimento de qualquer país: a formação cultural de sua gente. É claro que essa é uma questão de fundo que envolve amplas políticas públicas que um dia terão de ser implementadas como nunca antes neste país. Uma questão que reclama, na mesma medida, o comprometimento da sociedade, especialmente de seus estratos superiores, com a elevação do conhecimento, em seu sentido mais amplo, à condição de valor imprescindível à promoção humana e social. Porque a lamentável realidade é que aquilo que de mais importante os bons livros podem oferecer, o conhecimento, não é um valor levado a sério por aqui, a não ser talvez na sua forma estritamente pragmática de ferramenta para alavancar bons negócios, empregos e salários. Por aí não vamos longe.

Assim, por mais que se multipliquem bem-intencionadas iniciativas destinadas a estimular a leitura e a produção de livros no Brasil, serão sempre insuficientes se a elas não se somarem outras que tratem de resolver o problema talvez mais grave de que padece hoje o mercado editorial brasileiro: a crescente mediocridade dos conteúdos.

Muita "autoajuda" de utilidade duvidosa, best-sellers estrangeiros e obviedades e platitudes de celebridades de todas as extrações. É isso o que predomina hoje, de modo geral, nas estantes de novidades e lançamentos das livrarias. É o sintoma mais perverso da "modernização" de nosso mercado editorial, quase que totalmente submisso (o "quase" vai por conta da existência de umas poucas editoras, a maior parte pequenas e médias, que ainda resistem bravamente) ao fundamentalismo da "razão de mercado", que se consubstancia no anátema implacável: livro bom é livro que vende bem.

Discordar quem há de?

Até 20 ou 30 anos atrás a produção de livros no Brasil era comandada por um punhado de brilhantes, apaixonados, românticos e totalmente voluntaristas editores da estirpe de Monteiro Lobato, o precursor, para quem "um país se faz com homens e livros". Caio Prado, Enio Silveira, Jorge Zahar, José Olympio, Valdir Martins Fontes, Fernando Gasparian e tantos outros publicaram, no século passado, praticamente tudo o que de mais importante e significativo existe no acervo bibliográfico nacional.

O mundo mudou. Evoluiu muito tecnologicamente. Veio a globalização. E com ela a, digamos, modernização da indústria editorial brasileira. Administradores eficientes, financistas talentosos, marqueteiros criativos foram recrutados, no grande varejo ou no mundo das finanças, para trazer sua imprescindível colaboração ao aprimoramento do negócio dos livros. Mas com eles veio também - no rastro, é bem verdade, de uma tendência global - a prevalência do potencial comercial sobre a qualidade do conteúdo, nas decisões sobre o que deve ou não ser publicado. Diante da proposta de edição de uma nova obra, não se pergunta mais, em primeiro lugar: "Esse livro é bom?" O que importa saber, antes de mais nada, é outra coisa: "Esse livro vende bem?" As consequências estão expostas nas vitrines das livrarias.

Ninguém pode objetar, é óbvio, à permanente evolução do setor livreiro, assim compreendida como o aprimoramento da gestão do negócio de acordo com as melhores técnicas disponíveis - e a administração de empresas, a gestão financeira, o marketing são exatamente isso, um conjunto de preceitos técnicos a serviço do bom negócio; um meio, e não um fim em si mesmos.
Leia mais


Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"Megafusão deve contar com capital do BNDES"

Banco público pode ajudar empresa resultante da união Sadia-Perdigão

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou que o banco estatal deve comprar ações da recém-criada Brasil Foods na oferta que a companhia pretende realizar para captar R$ 4 bilhões no mercado.
É a primeira vez que o banco admite a possibilidade de entrar no capital da empresa, resultante da fusão entre Perdigão e Sadia.
Desde a eclosão da crise, é o terceiro caso em que o BNDES ajuda empresas que tiveram pesadas perdas: em janeiro, emprestou R$ 600 milhões para a fusão entre Votorantim Celulose e Aracruz, que, como a Sadia, perderam mais de R$ 2 bilhões com derivativos cambiais.
No anúncio da criação da Brasil Foods, seus copresidentes disseram que esperavam não precisar da ajuda do banco oficial.

O Globo
"Mantega defende juro alto do BB e culpa BC"
Um almoço com o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, foi suficiente para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aceitasse às explicações para a alta de juros do BB após a troca de seu comando, em abril, por ordem do presidente Lula. Mantega disse que o novo comando do BB "não merece puxão de orelhas" e, pelo contrário, vem fazendo um bom trabalho. E justificou-se: os dados do Banco Central, que apontam a subida das taxas, são truncados.
O Senado americano aprovou, por larga maioria, lei que impede administradoras de cartões de crédito de subir os juros de forma abusiva.

O Estado de S. Paulo
"Fundos de pensão e BNDES querem 44% da Brasil Foods"

Participação de fundos pode subir de 26% para 35% e a do banco deve ir a 9%

Os fundos de pensão que controlam a Perdigão planejam, com participação do BNDES, comprar boa parte das ações a serem emitidas pela Brasil Foods, a companhia formada por Perdigão e Sadia. O negócio, cujo anúncio oficial foi feito ontem, criará a maior empresa de alimentos industrializados do País. O grupo terá oferta de ações até o final de julho, no valor de R$ 4 bilhões. A estratégia dos fundos de pensão depende do que vai acontecer com os acionistas da Sadia, mas, como proponentes da oferta, os sócios da Perdigão têm prioridade na subscrição dos papéis enquanto a criação da companhia não for formalizada. Pertencentes a estatais, esses fundos têm hoje 26% da Brasil Foods. Querem atingir 35% e esperam que o BNDES, com aporte de até R$ 1,5 bilhão, obtenha outros 9%, garantindo poder de mando na empresa.

Jornal do Brasil
"Apesar da crise, pobreza diminui"

Estudo revela que investimentos públicos evitaram aumento da miséria

A crise financeira internacional não impediu que 316 mil brasileiros saíssem da linha de pobreza entre outubro de 2008 e março deste ano nas seis maiores regiões metropolitanas do país - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador - segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Esta é a primeira vez, desde o colapso econômico do início dos anos 80, quando o Ipea iniciou a pesquisa, que o instituto registra queda do número de pobres no país em períodos de turbulência financeira. O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, afirma que a ampliação do Bolsa Família; o reajuste do salário mínimo em fevereiro deste ano, que passou de R$ 415 para R$ 465; a redução da taxa básica de juros em 3,5 pontos percentuais desde janeiro; e o aumento dos gastos do governo, com o objetivo de manter a economia aquecida, foram fundamentais para o resultado.

terça-feira, maio 19, 2009

Eleições 2010

Existe o Plano B

Lucia Hippolito
O PT e alguns partidos da base aliada não querem sequer conversar sobre alternativas à candidatura da ministra Dilma Rousseff.

Como não há candidato natural no PT, tanto que o nome de Dilma foi imposto pelo presidente Lula ao partido, petistas não aceitam conversar por temor de que outros sócios da aliança governista se sintam tentados a apresentar outros nomes.

Mas existe, sim, um Plano B: a proposta de um terceiro mandato para Lula está pronta para começar a tramitar na Câmara.
Leia mais

Baterias


Lightning GT, o aguardado elétrico de luxo: novas "baterias de ar" desenvolvidas na Escócia podem tornar carros ecologicamente corretos mais baratos

Lítio é para os fracos

Guilherme Pavarin (original aqui)
Não leve o título pelo pior lado, o fisiológico. Falamos aqui sobre carros, deste modo, pouco importa a propriedade antidepressiva do lítio. O que é valido, neste espaço, são as baterias de lítio tradicionais, que, se depender dos engenheiros da Universidade Saint Andrews, na Escócia, estão com os dias contados. Fique de bom humor, pelo nosso ambiente.
Uma nova tecnologia vai utilizar o ar que respiramos para substituir um dos componentes químicos utilizados nas baterias de lítios atuais – o óxido de lítio-cobalto. A estrutura de carbono poroso que toma seu lugar é capaz de elevar em até dez vezes a capacidade de armazenamento de energia. E deverá ser mais barata que as atuais, dizem os criadores.
O oxigênio, até segunda ordem, se mantém gratuito. Uma superfície exposta da bateria capta sem impostos o ar atmosférico, que reage no interior dos poros do eletrodo de carbono com os famigerados íons de lítio e, voila, a energia é liberada.
Eis STAIR, a abreviação de Saint Andrews Air. Guarde este nome para procurar daqui dois anos, para quando está prevista a chegada da “bateria a ar” ao comércio.


Esqueleto da bateria STAIR: dez vezes mais armazenamento e muito menos espaço ocupado

O projeto é resultado de quatro anos de pesquisa e um investimento de 1,57 milhões de libras esterlinas, com a pretensão de gerar uma nova geração de carros elétricos e amigáveis à natureza.
As futuras baterias serão mais leves e tomarão dimensões menores nos veículos, simplificando o processo de montagem de peças automotivas elétricas. Que bons ares.

Cabe como uma luva

Com o motor desligado

Verissimo (original aqui)
Ajuda bastante a vida dos poderosos que existam sinais altamente visíveis de sua condição privilegiada. Não foi por acaso que foram inventados coroa e cetro. Esses adereços não servem apenas para lembrar aos poderosos que não fazem parte da legião das pessoas comuns, se é que isso algum dia em algum lugar foi necessário. Eles servem essencialmente, quase sempre, para não permitir que o pessoal do andar de baixo tome liberdades e intimidades indevidas.


De certa maneira, farda, batina e toga também servem para isso.

Nos tempos modernos, um dos sinais mais visíveis e cobiçados da situação excelsa é o carro oficial. Em tese, deveria servir apenas para permitir aos portadores da excelsitude rápido acesso ao lugar de trabalho. Para que, descansados e tranquilos, pudessem trabalhar mais e melhor.

Na prática, em todos os ramos dos três poderes, o carro pago pelo Estado é instrumento de conforto, para o servidor público e quem mais ele desejar, inclusive fora dos horários e dias de trabalho.

Quem se irrita com isso deve bater palmas para decisão recente do Conselho Nacional de Justiça: todos os juízes do país só podem usar seus carros oficiais em dias de trabalho. Fora das horas de expediente e nos fins de semana não poderão sair das garagens.

A exigência de austeridade é absoluta. Todos os tribunais deverão manter sob controle o tempo de uso e o itinerário de cada carro. Fora das horas de expediente, garagem com eles. Levar as crianças ao colégio e madame às compras, nem pensar. E também é proibido comprar modelos de luxo.

A corregedoria do CNJ está encarregada de zelar pela aplicação das normas, que foram aplaudidas pela Associação Nacional dos Magistrados, que já entrou em ação denunciando ao conselho um desembargador pernambucano, acusado de usar o carro oficial para ir à praia.

E já se esboça uma campanha contra a moralização, com o peculiar argumento de que ela afetaria a autonomia dos tribunais. No Rio, o Tribunal de Justiça aprovou um regulamento próprio, muito menos severo, e tenta transformá-lo em lei estadual.

Portanto, vem muita briga pela frente. É claro que a iniciativa moralizadora do CNJ ganharia muita força se fosse imitada pela União, os governos estaduais e o Legislativo em todos os seus níveis.

Mas quem pensa nisso pode esperar sentado em seu carrinho. Com o motor desligado, naturalmente.
Texto publicado no Globo de hoje.
 
Free counter and web stats