sábado, abril 25, 2009

Progresso

Metrô em Ubatuba. Por que não?

Sidney Borges
Ubatuba está começando a apresentar congestionamentos. As artérias da cidade não estão conseguindo dar vazão à quantidade de carros que por elas trafegam, principalmente nos feriados.

Outro dia mesmo fiquei de tomar café com um vereador e não aconteceu o encontro. O trânsito impediu. É por isso que eu gostaria de ver na cidade uma linha de metrô. Um trecho pode ser de superfície para que todos vejam e se lembrem da pujança do administrador que o construiu.

Ubatuba já tem navios e centro de convenções, precisa de mais símbolos de modernidade.

A primeira linha poderia ligar o Itaguá ao Saco da Ribeira. Um bom lugar para construir a estação central seria nas imediações do Café Atmosfera e do Shopping Center. A estação final certamente será no pier, que é do Estado mas já estão cuidando da privatização.

Eia, hurra! Ninguém segura Coaquira, cidade cheia de carros novos. Digo, carrões novos...

Presidente Lugo


Vinde a mim as criancinhas!

Paraguai de mi corazon

O pai do ano

Por Campa no Blog do Nassif (Original aqui)
Notícias recém chegadas do Paraguai informam:


1) Foi alterado o serviço de atendimento telefônico do palácio presidencial. A mensagem agora diz:
- “Obrigado por ligar para o gabinete da Presidência.
Para falar com a recepção, tecle 1; para solicitar reconhecimento de paternidade, tecle 2 (…), para falar com a assessoria jurídica, o telefone não funciona”.

2) O grupo Ab Ovo, de Assunción, informa que estreará em 1º de maio no Teatro Nacional o musical: “Os niños cantores de Lugo”. A peça conta com um grupo de 6 cantores mas espera até o final da temporada contar com um coral completo.

3) Mulher do milagre de Villarica diz que não engravidou com uma Ave Maria.
- Foi com um Padre Nosso - disse ela

4) Porta voz do governo informa que a partir de hoje os pronunciamentos presidenciais à nação começarão com a frase: “Meus filhos e minhas filhas…”

5) Atualizadas as regras do xadrez no Paraguai: agora o bispo pode comer todas.

6) Lugo diz que se for o escolhido pelo próximo Concilio adotará o nome de “Papa Tudo”.

7) Deputado propõe mudança do nome do país para: “República do Pairaguai”

Vilma do Chefe

Dilma passa por tratamento de saúde no Sírio-Libanês

Na Folha:
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, 61, passa por um tratamento prolongado de saúde. Há um mês ela vem fazendo exames no hospital Sírio-Libanês (São Paulo), sob coordenação do cardiologista Roberto Kalil.

A ministra colocou um "porth cath" -cateter de longa permanência que facilita o tratamento quimioterápico ou com antibióticos. O procedimento seria preventivo. Procurada, a ministra Dilma não comentou. (Do blog de Reinaldo Azevedo)

Opinião

Bem-vindos à intolerância

Mauro Chaves
Não são o preconceito, o ódio à diversidade, a não aceitação da diferença ou a intolerância as desgraças maiores que têm assolado o Brasil, tal como ocorre em tantos outros países e regiões do mundo. Nossas chagas são de outra ordem: a leniência, a frouxidão das leis, a complacência da Justiça, o excesso de tolerância e a síntese trágica de tudo isso, que é a impunidade. Os ilustres historiadores, sociólogos, juristas, filósofos, educadores - franceses, italianos, portugueses, congoleses, sul-africanos, cubanos, argentinos - que, neste preciso momento, estão participando do "Colóquio Internacional Tolerância e Direitos Humanos: Diversidade e Paz" (no Teatro Paulo Autran, do Sesc Pinheiros) bem que poderiam contribuir para que a sociedade brasileira saia da profunda frustração, da descrença em suas próprias instituições, do sentimento de indignada intolerância, de que se acha imbuída, em razão do crônico desrespeito ao direito à vida dos cidadão comuns, coisa jamais tratada com o mesmo carinho cívico-ideológico com que se tratam os direitos humanos dos bandidos.


Para sentir de perto esse "fenômeno" que atinge a sociedade brasileira bastaria aos participantes do simpósio se inteirarem do ocorrido apenas quatro dias antes da abertura do "Colóquio": as buscas ao paradeiro do garoto de 10 anos Kaito Guilherme Nascimento Pinto, em Cuiabá (MT), chegaram ao fim, porque o menino foi encontrado morto e violentado num terreno a apenas 500 metros do Fórum da capital do Estado de Mato Grosso. O estuprador, pedófilo e assassino Edson Alves Delfino (de 29 anos), que levou a polícia ao local do matagal em que deixara o corpo, já cumpria pena em regime semiaberto pelo mesmo tipo de crime - estuprara e matara a pauladas um menino de 8 anos. Condenado a 46 anos, cumprira nove e já fora beneficiado com a chamada "progressão da pena", passando para o regime de albergado, em que o preso só dorme na cadeia (quer dizer, faz o que quiser em liberdade, o dia inteiro, mas à noite sua dormida e a alimentação são custeadas pelo contribuinte). O assassino enganou Kaito - para cujo pai já trabalhara - oferecendo-lhe uma carona de moto, quando o menino esperava o ônibus para ir à escola. No caminho inventou que precisava pegar outro capacete, que escondera no matagal.

Os ilustres defensores da tolerância, nesse "Colóquio", poderiam também inteirar-se da quantidade enorme de indultados, em nosso País - em períodos natalinos e outros -, que aproveitam a liberdade provisória para empreender fugas definitivas, na maior parte das vezes reincidindo na brutalidade criminosa pela qual já haviam sido condenados; deveriam inteirar-se, ainda, de que no Brasil basta os criminosos cumprirem um sexto de suas penas (não se entendendo por que não um sétimo ou um nono) para conseguirem, por "bom comportamento" na prisão, a famigerada "progressão" (que só faz progredir o talento criminoso dos facínoras); deveriam atualizar-se com outro pormenor (ou pro-menor) do nosso ordenamento jurídico, que nos equipara, no mundo, a somente três outros países - Venezuela, Colômbia e República da Guiné - quanto à maioridade penal aos 18 anos.
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Manchetes do dia

Sábado, 25 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Desemprego é maior entre jovens e mais escolarizados"

Número de desocupados aumenta pelo 3º mês seguido, segundo o IBGE

O desemprego aumentou nas seis principais regiões metropolitanas do país pelo terceiro mês seguido e chegou a 9% em março, segundo o IBGE. Os maiores prejudicados foram os jovens e os mais escolarizados. Em Porto Alegre, São Paulo, Rio, BH, Salvador e Recife, o número de desempregados superou os 2 milhões pela primeira vez desde setembro de 2007. O IBGE atribui o aumento à falta de abertura de novas vagas. Para analistas, a alta contaria a tendência dos últimos cinco anos, de estabilidade ou queda no mês. Com o mercado desaquecido, os jovens ficaram em desvantagem por falta de qualificação e experiência. Já os trabalhadores com mais escolaridades podem ter sido prejudicados por terem salários mais elevados, de acordo com especialistas. O rendimento médio real, de R$ 1.321,40, cresceu 5% ante março de 2008.

O Globo
"Gasto com passagens nos três poderes sobe até 56%"

No primeiro trimestre deste ano, despesas com viagem atingem R$ 79 milhões

Em plena crise, os gastos com passagens aéreas e despesas de viagem dispararam nos três poderes no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2008. Segundo levantamento feito com dados oficiais, o maior aumento aconteceu no Legislativo (56%), seguido de Executivo (42%) e Judiciário (37%). No total, foram gastos R$ 79,6 milhões. Os três ministérios com menores verbas orçamentárias – Meio Ambiente, Esporte e Cultura – foram os que mais aumentaram as despesas com viagens.

O Estado de São Paulo
"Senadores e familiares têm seguro-saúde vitalício"

Basta ocupar cadeira por seis meses para parlamentar obter privilégio

Os 310 ex-senadores e seus familiares e pensionistas custam ao menos R$ 9 milhões por ano aos cofres públicos, cerca de R$ 32 mil por parlamentar aposentado. Para ter o direito, vitalício, basta que o senador tenha ocupado o cargo por apenas seis meses, até 1995, era somente um dia. No total, os 81 senadores da ativa e os 310 ex-senadores usufruem de um sistema de saúde que consome cerca de R$ 17 milhões por ano. Os parlamentares da ativa e seus familiares não têm limite de gastos com saúde – em 2008, suas despesas médias somaram R$ 80 mil por senador, sem desconto em folha de pagamento. Para este ano, a previsão feita no Orçamento estabeleceu R$ 61 milhões para a saúde dos funcionários do Senado. Como haverá corte de R$ 25 milhões, e as despesas dos senadores continuarão ilimitadas, a área técnica da Casa acredita que quem pagará a conta serão os demais servidores.

Jornal do Brasil
"Desemprego atinge salários mais altos"

Taxa avança para 9%, o maior índice desde setembro de 2007

O desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil, calculado pelo IBGE, subiu para 9% em março. Os mais afetados foram os trabalhadores com maior renda e escolaridade. Eles foram prejudicados pelo mau desempenho do mercado de trabalho e, em particular, da indústria. Essa é a terceira alta consecutiva do número de desempregados no país: 2,1 milhões de pessoas desocupadas nas regiões pesquisadas. Em Washington, o FMI divulgou previsão segundo a qual a América Latina está perto da recuperação econômica.

Olhe bem!


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sexta-feira, abril 24, 2009

Livre pensar é só pensar...

Fawcett, Newton e os gregos

Sidney Borges
Antes de Isaac Newton se manifestar muita gente deve ter notado que maçãs caem, pois certamente caem. É quase certo que os gregos se perguntavam o porquê da queda das azeitonas, nunca houve povo tão cheio de perguntas, enquanto na América do Sul os Guaranis tinham especial atenção ao despencar das jacas. Foram eles que desenvolveram a frase “wexlm unyhret”, que quer dizer: sai de baixo que lá vem fruta!

Mas voltando às maçãs newtonianas, por que caem? É fácil notar que o fenômeno ocorre quando alguém as colhe e abandona a certa altura ou quando amadurecem. Para esta contingência existe o dito popular que aborda o cair de maduro.

A diferença entre o olhar comum e a visão do Mestre foi a conexão entre maçã e Lua, que têm tamanhos e cores diferentes e sabores que também podemos supor diferentes.

Quando estão no ar, isto é, quando a maçã está no ar, pois a Lua esta sempre no ar, ambas se encontram sob a ação da Terra, que tem por hábito querer tudo para si.

Há, no entanto, um lado democrático na ação do planeta, os corpos são atraídos e ao cair o fazem com a mesma aceleração, isto é, a velocidade da queda aumenta igualmente para todos, grandes ou pequenos. Socialismo cósmico.

Claro que isso vale apenas para corpos no vácuo, pois o ar atmosférico exerce influência na velocidade de queda.

Pois foi pensando em quedas e não quedas que o coronel Fawcett desapareceu enquanto procurava uma civilização perdida na Serra do Roncador.

Um dos últimos documentos deixados por ele foi uma carta que descreve o encontro com uma tribo de macacos amistosos e inteligentes e que compreendiam a linguagem dos humanos, não importando o idioma.

Fawcett relata que uma característica peculiar dos símios era entender tudo ao pé da letra.

Segundo a lenda que corre na selva, certo dia apareceu sobre a tribo um objeto voador desconhecido. A coisa estranha ficou pairando estática, sem subir ou descer. Nem tampouco emitir qualquer ruído.

Os macacos assustados reuniram-se em volta do explorador, em quem confiavam. O Coronel era um homem cético, acreditava na ciência. Depois de muito pensar e sem encontrar uma explicação plausível, Fawcett coçou o cavanhaque, pigarreou limpando a garganta e proferiu aquelas que seriam suas últimas palavras:


- Macacos me mordam...

Turismo

Prefeitura do Guarujá vai aplicar multa em ônibus que levam turistas de um dia

Veículos que levam quem tem hospedagem reservada não pagam taxa. Medida quer regularizar e organizar o turismo na cidade.

Do G1, com informações do Bom Dia São Paulo
A prefeitura do Guarujá, a 86 km de São Paulo, quer intensificar a fiscalização de ônibus e vans de turismo que vão passar apenas um dia na cidade. Um decreto assinado em abril determina o pagamento de taxa para os veículos que levam turistas que não têm reservas em hotéis do município.

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Nota do Editor - Sou contra, também fui turista de um dia. Era uma festa, íamos na Kombi do primo Tóni, era assim que se pronunciava. As mulheres passavam o sábado fazendo tortas, bolos e sanduíches. Frango, farofa e maionese não faziam parte do cardápio, meu avô tinha medo de congestão, que segundo ele ou matava ou deixava a boca torta. No domingo cedinho a família se aboletava na perua, naquele tempo perua era veículo que levava muita gente, nada a ver com o sentido de hoje, mulher enfeitada. Também ia o cachorro Rex. Ele gostava da bóia, uma câmara de pneu de caminhão que suportava seis adultos, três crianças e o Rex. No outro dia os amigos da escola diziam que eu parecia um camarão. Bons tempos. (Sidney Borges)

Coluna da Sexta-feira

Ações coordenadas

Celso de Almeida Jr.
Conversei com o Mauro Odaguiri, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Caçapava.


A entidade está promovendo um seminário voltado para o desenvolvimento empresarial de lá, ficando nas mãos dele a responsabilidade da organização do evento.
Em Caçapava busca-se definir a vocação do território, dando-se muita ênfase para a importância do estatuto das cidades.

Neste seminário, programado para a próxima segunda-feira, consultores, empresários, prefeito, secretários, vereadores, lideranças regionais, estarão mergulhados em temas que estimulem o desenvolvimento, nestes tempos turbulentos.

Caçapava tem uma posição estratégica privilegiada, situada entre Taubaté e São José dos Campos, e caminha para se transformar num importante polo logístico.

As perspectivas são excelentes e nota-se muita abertura no relacionamento com as grandes empresas instaladas no município.

Vale destacar, também, o grande incentivo que a prefeitura deu ao Senai, apresentando um projeto bastante detalhado sobre as necessidades das empresas quanto à mão de obra a qualificar.

A parceria Caçapava-Senai é referência regional e merece ser estudada.

Ações como esta, mostram a sintonia entre associações, prefeitura, empresários, educadores, além de competente capacidade de coordenação.

Temos muitos modelos como referência. As cidades estão se mexendo.

O que percebo, em Ubatuba, é que precisamos melhorar a nossa capacidade de aglutinar forças.
Para tanto, o diálogo franco continua sendo a melhor ferramenta.


Temos a necessidade de construir uma agenda que valorize o planejamento estratégico e, nesse sentido, todo o início de governo municipal contribui para tal iniciativa.

É o que estamos vendo nas cidades da região.

Opinião

Qual é a lógica dos impostos?

Washington Novaes
A crise econômico-financeira continua a suscitar muitas discussões interessantes, como a de suas relações com os padrões globais de produção e consumo, além da capacidade de reposição de recursos naturais pelo planeta. Ou com os modelos de produção de energia, que contribuem poderosamente com suas emissões de poluentes para mudanças climáticas. Ou com a concentração da renda mundial nos países industrializados (perto de 80% do total, segundo a ONU) e, em cada país, em estratos muito minoritários da população - e a contribuição dessa má distribuição para que haja 1 bilhão de pessoas que passam fome e uns 40% da humanidade vivam abaixo da linha da pobreza. É importante que todas essas discussões se aprofundem.


Mas, no caso brasileiro, toma vulto o debate sobre a queda de atividades econômicas e sua influência no valor dos repasses, pela União, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é proporcional ao número de habitantes em cada município e tem por base o IPI e o Imposto de Renda (IR). Desde janeiro vem caindo o repasse e já se prevê (Estado, 20/3) que este ano a arrecadação federal daqueles impostos se reduzirá em R$ 48,3 bilhões (de R$ 805,2 bilhões para R$ 756,9 bilhões), assim como diminuirá em R$ 5 bilhões o repasse de royalties a municípios pela extração de petróleo. A previsão era de que a União transferisse pelo FPM R$ 143,2 bilhões este ano, mas agora se preveem R$ 127,3 milhões. Como entre 70% a 80% dos municípios brasileiros não dispõem de fontes próprias de arrecadação - não cobram nenhum imposto e mesmo os que cobram são afetados -, a crise está instalada, com reflexos nas campanhas eleitorais que se aproximam.

Além disso, são muitas as discussões sobre a conveniência e a adequação, para estimular a economia, de reduções de impostos que têm beneficiado veículos e outros itens, e que já somam R$ 8,9 bilhões (Estado, 2/4). Há quem pergunte por que foram escolhidos esses setores e não outros. Por que não se exigiram contrapartidas, como a obrigatoriedade de reduzir as emissões de poluentes. Por que não se reduzem também impostos pagos pelos estratos mais pobres da população - nos produtos alimentícios e outros itens essenciais. Por que se continua a privilegiar setores que exportam (veículos, produtos do agronegócio, eletrointensivos, entre outros), quando, nestes, grande parte dos benefícios da redução são transferidos para os importadores/comerciantes/consumidores no exterior. Só no ano passado, as "desonerações tributárias" para alguns desses setores somaram R$ 18 bilhões, segundo a Receita Federal (Folha de S.Paulo, 26/3). Mais recentemente, foram perdoados débitos de R$ 3 bilhões para 1,15 milhão de contribuintes (800 mil empresas, 356 mil pessoas físicas) já inscritos na dívida ativa (que é, no total de R$ 654 bilhões, perto de 25% do PIB). Neste mês de abril permitiu-se a 40,2 mil produtores rurais reduzir em até 70% débitos que totalizam R$ 7,2 bilhões.

Nem se pode dizer que é uma prática nova, inventada pelo atual governo. Em 1997 e 1998 instituiu-se um processo de renegociação de dívidas de Estados e municípios, com subsídios na taxa de juros, que em dez anos, segundo o Ipea, significou R$ 106 bilhões (Estado, 17/3). E já há quem fale em novo reparcelamento dessa dívida. Na mesma hora, relembra o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário que a sonegação de impostos (principalmente contribuições para a Previdência, ICMS e IR) por empresas em 2008 chegou a R$ 200,29 bilhões (que equivalem a cerca de 32% do Orçamento da União), para um faturamento empresarial de R$ 800 bilhões.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Gabinetes negociam passagens aéreas"

Agência vende bilhetes da cota de deputados; Temer recua e manda para o plenário decisão sobre viagens

Um esquema de venda de passagens bancadas com verba pública opera paralelamente à distribuição de bilhetes pelos congressistas.

Os gabinetes de ao menos três deputados, Aníbal Gomes (PMDB-CE), Dilceu Sperafico (PP-PR) e Vadão Gomes (PP-SP), emitiram passagens em nome de pessoas que dizem ter comprado os bilhetes numa agência

Ana Pérsia, funcionária de Aníbal Gomes, passa à Casa os nomes dos passageiros. A lista é indicada pela agência Infinite, de um irmão dela.

Pérsia diz ter incluído os nomes na cota de Gomes, que ganha "créditos" da Infinite.
Aníbal Gomes e Vadão Gomes não atenderam à Folha. Sperafico diz que o assessor que cuidava, de bilhetes não está mais com ele.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), resolveu passar ao plenário a decisão de limitar ou não o uso das passagens.

O Globo
"Câmara recua e farra aérea agora vai a voto no plenário"

Pressão do baixo clero deve garantir passagens para aparentes de deputados

Sob forte pressão dos deputados, a Mesa da Câmara ontem recuou e decidiu levar a votação em plenário, na semana que vem, a proposta de restringir o uso de passagens aéreas a parlamentares e assessores, entre outras medidas contra a farra aérea. Pelo menos um ponto deve ser derrubado: o que proibiria o uso das passagens por parentes de deputados. Silvio Costa (PMN-PE) apelou: "A questão é que a família já faz parte do meu mandato”. Da tribuna, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) protestou: "Daqui a pouco vão querer que eu ande de 'jegue", more em palafita e mande mensagem por pombo-correio”. Em Vitória, Marcos Vinícius Andrade, funcionário por 19 anos do senador Gerson Camata (PMDB-ES), depôs no Ministério Público e reafirmou as denúncias que fizera ao GLOBO de uso de notas frias e propinas de empreiteiras. O caso vai para Brasília porque o senador, que nega tudo, tem foro privilegiado.

O Estado de São Paulo
"Ministros tentam conter crise no STF"

Após conflito entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, juízes estabelecem trégua

Os ministros do Supremo Tribunal Federal passaram o dia de ontem envolvidos numa operação para conter os efeitos do bate-boca entre o ministro Joaquim Barbosa e o presidente da Casa, Gilmar Mendes. Os "bombeiros" foram Carlos Ayres Britto e Ricardo Lewandowski. No pacto, Mendes e Barbosa foram criticados - o primeiro por não ter evitado o confronto, e o segundo por ter tido reações “inadmissíveis” ao acusar Mendes de "destruir a credibilidade do Judiciário" e de ter "capangas". Ontem, Mendes disse que "a imagem do Judiciário é a melhor possível" e negou que haja crise. Já Barbosa não se pronunciou. Nos bastidores, Barbosa está isolado no STF por adotar linha favorável à ideia de que a Polícia Federal pode investigar à vontade, em nome de uma fiação justiceira". O bate-boca explicitou a posição de Barbosa, disposto exercer o ofício com base no "clamor popular". Já Gilmar Mendes é visto no tribunal como "estrela" que age como presidencialista numa Casa que é parlamentarista. Nessa postura, avaliam alguns ministros, ele abriu várias frentes de confronto e deixou o STF suscetível a críticas de todos os lados.

Jornal do Brasil
"Crédito bancário volta a aumentar

Com taxas de juros menores e queda na inadimplência, oferta retoma crescimento

Depois de pelo menos três meses sucessivos de freio no crédito bancário, aumentou a disposição dos bancos para emprestar. Em março, pela primeira vez no ano, o país registrou expansão de novas concessões, segundo informou ontem o Banco Central. Com juros de volta ao patamar anterior á crise econômica internacional, a oferta cresceu 26%. A inadimplência de pessoa física também caiu - é a primeira redução em sete meses. Para O BC há uma recuperação em curso, mas ainda não é possível falar em volta aos níveis pré-crise, uma vez que os bancos públicos concentram as concessões. De acordo com especialistas, porém, os novos dados reforçam a tese de que o ponto crítico, pelo menos para o Brasil, já ficou para trás.

quinta-feira, abril 23, 2009

Serafim e seus filhos - Ruy Maurity

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo cometeu sacrilégio imperdoável, um de seus 6 (?) filhos certamente vai se transformar em lobisomem. E deixou seis mulheres com pesada cruz a carregar, por onde passarem serão apontadas: Lá vai a mulher do padre...

Quinta de sol e chuva

Coadjuvantes

Sidney Borges
Se você não tem um besouro, dispense, não faz falta. Eu acabei por ter um sem que o quisesse, apareceu aqui e pronto. É preto, grande, forte, pesado e lento, mas muito simpático, embora desajeitado. Está morando em casa há três dias e já perdi a conta das vezes em que o desvirei.

Com as patas tocando o chão ele sai a caminhar em linha reta e ao encontrar uma parede não se dá por vencido, tenta escalar e, péssimo alpinista que é, acaba emborcado, com as patas agitando-se no ar, suplicando por um ponto de apoio.

Por isso batizei-o de Arquimedes, que também queria um ponto de apoio.

Melhor do que o besouro é a rã que mora no vaso do escritório. Contam histórias de gatos e cães perdidos que atravessam estados na volta para casa.

Duda, a rã, atravessa gramados e sempre volta ao lar, digo, ao vaso.

Eu a desalojei pelo menos cinco vezes, ela retornou, acabou vencedora. A Duda as batatas, ou melhor, os mosquitos. Depois dizem que batráquios não têm sentimentos, não são inteligentes.

O povo diz tantas coisas e acredita em tantas outras, como por exemplo, em políticos honestos, que sou obrigado a pensar que o povo é bobo, pois perde muito tempo na Rede Globo.

Já o cachorro é indispensável, como pode o homem viver sem cachorro?

Empalhado também serve, inclusive com certas vantagens, não tem pulgas, não faz xixi na roda do carro e não late de madrugada.

Usando criatividade e rodinhas dá até para levar para passear.

Felizmente este ano a Silvia não apareceu, para quem não sabe, Sílvia é a caninana que vive nas cercanias.

Caninanas e rãs são como matéria e antimatéria, quando se encontram aniquilam-se, viram energia, isto é, no caso das caninanas e das rãs não é bem assim, a caninana se enche de energia e a rã vira fantasma, que em português antigo diziam abantesma.

Viver na mata tem suas peculiaridades.

Opinião

Mensagem de ódio

Editorial do Estadão
O flagelo do preconceito racial provavelmente jamais será extinto, por ser parte da condição humana e ter raízes profundas na história da espécie. Mas pode ser reprimido por todos os meios compatíveis com os valores e o sistema jurídico das sociedades abertas. É uma empreitada permanente que, pela própria disseminação da hediondez a ser combatida, transcende as fronteiras dos países. Requer robustos acordos supranacionais que incentivem em toda parte a educação baseada na tolerância e no respeito às diferenças, a partir da premissa de que todos os seres humanos são essencialmente iguais. A cooperação multilateral é indispensável também para a denúncia das políticas de cunho racista, bem como para a aprovação de leis compartilhadas que tipifiquem e punam com severidade qualquer forma de discriminação entre as pessoas, onde quer que ocorra.

Eis por que merece absoluto repúdio a tentativa do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de transformar a Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, iniciada segunda-feira em Genebra, em um foro de ataques virulentos a um Estado-membro da organização, Israel, e de divulgação de seu extremado antissemitismo. Na sua mensagem de ódio, Ahmadinejad não só tornou a ofender a consciência universal ao negar o maior, mais hediondo e mais documentado dos crimes cometidos contra um grupo humano no século 20 - o Holocausto de 6 milhões de pessoas perpetrado pela Alemanha de Hitler. Sob a palavra de ordem da "erradicação" do racismo que seria inerente ao "regime sionista", ele pregou novamente a destruição de Israel. Na sua versão doentia, o Holocausto foi uma invenção do Ocidente para justificar a implantação de "um governo totalmente racista na Palestina ocupada".

A Ahmadinejad pouco importam a luta contra o racismo e os direitos do povo palestino. Menos ainda ele gostaria de ver resolvido o conflito na região com a criação de uma Palestina viável e soberana e a normalização das relações entre Israel e os seus vizinhos, nos termos, por exemplo, do plano saudita aprovado pela Liga Árabe em 2002 e que tem a simpatia do governo Obama. A obsessão do líder civil da teocracia iraniana não leva em conta nem sequer o efeito adverso de suas tiradas hidrófobas para a reaproximação - que interessa ao Irã - com os Estados Unidos. Sem falar que ele serve à teoria da direita israelense de que toda crítica a Israel é uma forma de antissemitismo. Na realidade, os verdadeiros amigos do país estão entre os primeiros a condenar o seu militarismo e a deplorar a ascensão política de figuras como o novo chanceler Avigdor Lieberman com as suas ideias de supremacismo étnico.

A apropriação do tema do racismo para estigmatizar Israel cria um dilema para os governos empenhados em unir o mundo no combate a essa chaga. Pois uma coisa são os seus representantes se retirarem do recinto em repúdio às torpezas de Ahmadinejad - infelizmente o delegado brasileiro, o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, achou que dava no mesmo ficar, mas não aplaudir o orador -, outra coisa é boicotar o evento. Se o protesto é procedente, a recusa à participação tem prós e contras. O boicote adotado pelos Estados Unidos, Israel e outros sete países se justificaria porque a conferência reafirmou, de partida, a declaração final do evento anterior, em Durban, África do Sul, em 2001, que foi pouco mais do que um jamboree anti-israelense. Mas as ausências dificultam a conquista do objetivo maior de promover ações globais contra o racismo. "É mais fácil criticar de longe, mas isso não adianta", lamentou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Ministro acusa presidente do STF de "destruir Justiça""

Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes discutem em sessão do Supremo

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, foi acusado de "destruir a credibilidade do Judiciário" por seu colega Joaquim Barbosa, em uma das mais duras discussões em plenário entre dois ministros durante um julgamento na história da corte.

A discussão, de cerca de dez minutos, ocorreu enquanto o STF debatia recursos referentes a ações diretas de inconstitucionalidade. Tudo começou quando o presidente do Supremo acusou o ministro de fazer julgamentos diferentes conforme a classe dos envolvidos.

Após ouvir de Mendes que não podia "dar lição de moral", Barbosa disse que o colega estava "na mídia" prejudicando a Justiça e que deveria saber que não falava com "capangas". Ao fim da sessão, ministros tentaram convencê-lo a se retratar publicamente, sem sucesso.

Depois de três horas e meia reunidos, oito membros do STF divulgaram nota reafirmando o "respeito" a Mendes e "lamentando" a discussão com Barbosa, sem citar o segundo. Parte dos integrantes do tribunal, porém, sugeriu censura pública ao ministro.

O Globo
"Baixo clero da Câmara reage e tenta impedir moralização"

Congresso propõe limitar passagens a parlamentares e assessores

Diante do escândalo provocado pela descoberta de que deputados e senadores usam sua cota de passagens para dar viagens ao exterior a parentes e amigos, às custas de dinheiro público, a Mesa da Câmara tentou limitar ontem os bilhetes ao uso por parlamentares e assessores, mas a reação interna foi grande. Deputados de diferentes partidos reagiram, levando o presidente da Câmara, Michel Temer, a admitir submeter as medidas moralizadoras ao plenário. O Senado aprovou projeto com novas regras para passagens aéreas, mas também sob protesto de alguns senadores. O deputado Silvio Costa (PMN-PE) subiu à tribuna para protestar: "É preciso acabar com o teatro da hipocrisia. Não é justo que a mulher e os filhos dos deputados casados não possam vir a Brasília. Eu sou casado, vocês querem me separar?", disse, sendo aplaudido pelos colegas. Pelo menos 261 deputados - mais da metade da Câmara - viajaram com a cota da Câmara para o exterior, segundo lista que relaciona apenas voos da TAM e da Gol/Varig.

O Estado de São Paulo
"Após escândalos, Congresso restringe uso de passagens"

Outras medidas moralizadoras, como o fim da verba indenizatória, são adiadas

Os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), criaram limites ao uso de passagens pelos parlamentares. A medida foi tomada em meio ao escândalo do uso dos bilhetes por parentes e amigos dos políticos. Agora, as passagens serão de uso exclusivo dos parlamentares, e viagens ao exterior só poderão ser feitas com autorização. Além disso, uma das principais fontes para a farra das passagens, a possibilidade de acumular créditos para usar em viagens particulares, foi extinta. Vários deputados criticaram as novas regras. "Quer dizer que agora eu venho para Brasília e minha mulher fica lá? Não é correto. Foi uma decisão acuada da Mesa", disse Silvio Costa (PMN-PE), sob aplausos de colegas. Após anunciar a decisão, Temer disse que haverá “anistia" para abusos cometidos até ontem. Outras medidas, como coibir o uso irregular de verbas indenizatórias, serão discutidas semana que vem. Não se descarta a inclusão da verba no salário dos congressistas.

Jornal do Brasil
"Lei Seca suspende 703 habilitações em um mês"
O balanço do primeiro mês da operação estadual da Lei Seca, iniciada em 19 de março, mostra a irresponsabilidade do motorista fluminense: segundo dados do Detran do Rio, foram aplicadas 1.014 multas e suspensas 703 carteiras de habilitação. Em São Paulo, nos sete primeiros meses de vigência da lei, foram suspensas apenas 60 carteiras. Os responsáveis pela fiscalização consideraram baixo o índice de recusa ao exame do etilômetro: dos 5 mil veículos abordados, 4.451 motorista, aceitaram ser submetidos ao teste do bafômetro.

quarta-feira, abril 22, 2009

Crise

GM fechará maioria das fábricas nos EUA por até 9 semanas--AP

(Reuters) - A General Motors fechará a maior parte de suas fábricas nos Estados Unidos por até nove semanas neste verão (no hemisfério Norte), informou a agência de notícias Associated Press, citando duas pessoas que teriam recebido informações sobre o plano.

O fechamento das fábricas é resultado da queda nas vendas e do aumento dos estoques de veículos não comercializados. O fechamento das fábricas deve incluir as duas semanas normais de paralisação em julho para mudar o modelo dos veículos de um ano para o outro. (Original aqui)

Quarta-feira com cara de segunda-feira

Chuva de aço. Ácida

Sidney Borges
Como caiu água! Parecia o dilúvio e eu que não sou nenhum Noé cheguei a temer pelo pior. Dizem que até o fim do século Ubatuba estará debaixo d'água. Não acredito. De qualquer forma eu não ficarei embaixo d'água, no fim do século estarei embaixo da terra. Vendo a grama crescer pela raiz.

Previsões catastróficas são como conversas de corintianos. Depois do estágio na segundona, por sinal brilhante, o Timão está na final do Paulistão. Os fiéis da Fiel falam como campeões do mundo. Devagar com o andor que o santo é de barro.

Por falar em futebol ontem tentei assistir ao jogo do Palmeiras. Não foi possivel, o timinho é muito ruim pra não dizer coisa pior. Deu sono.

Mas voltando à chuva, dizem que até canivetes cairam dos céus. Dizem também que na Prefeitura e na Fundart caíram abertos. Quando acontece isso o jeito é usar capacete de aço para não perder a cabeça.

Falam por aí que a chuva de canivetes está sendo alimentada por um moinho de despachos da "Turma dos Sete". Contra o poder avassalador de tal exército, só há uma solução.

Mala preta recheada na encruzilhada. Santo remédio, acalma, tira a agressividade e torna dóceis até os mais recalcitrantes indóceis. Mas é preciso que seja uma mala preta bem recheada, estufada, quase arrebentando as costuras de tanto recheio. Senão não tem negócio.

E la nave va...

Opinião

Mais energia suja

Editorial do Estadão
Quarenta projetos de construção de usinas termoelétricas "sujas" - movidas a carvão ou a óleo combustível - deverão entrar em funcionamento, na Região Nordeste, entre 2010 e 2013. É o resultado de políticas de atração de investimentos a qualquer custo por parte de Estados e municípios. Mas, a partir de agora, como noticiou o Estado (14/4), o Ibama criará dificuldades para a instalação de novas termoelétricas movidas a diesel e a carvão, dando preferência ao licenciamento de usinas hidrelétricas e às que geram energia solar ou eólica.

As usinas termoelétricas projetadas para a Região Nordeste têm capacidade de geração de 7,9 mil MW, equivalente a cerca de 8% da capacidade de geração atual do País e superior à potência das duas hidrelétricas projetadas no Rio Madeira. Em alguns casos, são projetos termoelétricos que foram lançados para se beneficiar da proximidade de polos industriais, como os da região de Camaçari, na Bahia, onde se localizam a Refinaria Landulfo Alves, da Petrobrás, e o complexo petroquímico da Braskem, do Grupo Odebrecht. Outras grandes usinas térmicas serão construídas no Ceará, caso de um projeto de 700 MW da MPX, do empresário Eike Batista, e de Macaíba, no Rio Grande do Norte, com 400 MW de potência.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, critica a construção das térmicas. "É estranho que, depois de assinalarmos o quanto vai causar em termos de aumento de emissão de gás carbônico, os ambientalistas fiquem surpresos e indignados", disse. "Indignado fico eu de ver esse absurdo, de não dar licença para as hídricas e dar para as térmicas."

O presidente da EPE está correto, mas critica o fato consumado. Teria prestado melhor serviço ao País se tivesse se oposto, desde o início, à política de licenciamento ambiental do governo Lula. Recorde-se que enquanto a senadora Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente, o Ibama impôs obstáculos absurdos ao licenciamento de novos projetos. Isso atrasou em quatro anos a tramitação de licenciamentos hídricos.

Diante dessa situação, os empresários desenvolveram projetos térmicos para aproveitar a oportunidade de mercado, pois estes projetos têm menor tempo de maturação. Esses projetos foram disputados pelos governadores de regiões pobres, dispostos a oferecer incentivos fiscais para atrair investidores.

Além disso, é mais rápido licenciar uma térmica movida a combustíveis no Nordeste do que no Sul ou no Sudeste. "O licenciamento de térmicas é estadual e, por isso, mais fácil de ser obtido naquela região", explicou o professor Nivalde de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Do ponto de vista ambiental, os efeitos nocivos das novas usinas são bem conhecidos, tanto que já se estuda, antes mesmo da implantação dos projetos, como reduzir seu impacto ambiental, por exemplo, instalando filtros especiais nas usinas.

Mas há outros motivos para evitar a construção de térmicas. Estas usinas produzem a chamada energia de reserva, que só é despachada quando é insuficiente a oferta de energia hidráulica, cujo custo de produção é menor. Mas os consumidores pagam uma taxa para financiar as usinas térmicas que não geram energia. Outro problema é a ausência de infraestrutura, pois as usinas movidas a óleo combustível são abastecidas por caminhões-tanque, em centenas de viagens. Além do mais, para que a energia possa ser distribuída são necessários investimentos pesados em linhas de transmissão - que só serão utilizadas se faltarem outras formas mais baratas e mais limpas de energia.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Governo quer usar gasolina para aumentar arrecadação"

Proposta aproveita queda do petróleo para elevar taxa sobre combustível

A equipe econômica quer aproveitar a queda do petróleo no mercado internacional para aumentar a arrecadação, relata Leandra Peres. O barril, que se aproximou dos US$ 150 em 2008, está em torno de US$ 50.

A proposta a ser encaminhada ao presidente Lula diminui o valor cobrado pela Petrobras na refinaria e eleva a Cide, contribuição sobre a venda de combustíveis. No ano passado, o governo reduzira a Cide para impedir alta nas bombas.

A medida descartaria alteração do preço da gasolina ao consumidor. Já o diesel pode ficar mais barato.

O governo quer recuperar cerca de R$ 2,5 bilhões que perdeu após reduzir a contribuição e também elevar transferências aos Estados.

Há, porém, dúvidas sobre a alta oscilação nas projeções de preço do petróleo e resistência da Petrobras a abrir mão de receitas. Para defensores da proposta, a empresa tem espaço para a redução, já que teve R$ 15 bilhões liberados do ajuste fiscal da União.

O Globo
"Obama abre espaço para punir tortura na era Bush"

Presidente propõe que comissão independente investigue ação antiterrorista

O presidente dos EUA, Barack Obama, abriu ontem caminho para que sejam julgados os funcionários do governo Bush que legalizaram a prática de tortura contra suspeitos de terrorismo. Pressionado por grupos de defesa dos direitos humanos e pelo próprio Partido Democrata, Obama sugeriu a criação de uma comissão independente para investigar a ação dos formuladores das decisões legais que Justificaram "métodos cruéis de Interrogatório". Foi o caso, por exemplo, dos advogados que trabalhavam sob o comando do então procurador-geral de Justiça Alberto Gonzales. O presidente disse que os memorandos do Escritório de Aconselhamento Legal mostram que os EUA estavam perdendo seu "senso de orientação moral".

O Estado de São Paulo
"Câmara tenta limitar gastos, mas quer aumentar salários"

Em meio a série de escândalos, deputados preparam 'pacote moralizador'

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, reunirá amanhã o colégio de líderes e a mesa diretora da Casa para compor um "pacote moralizador" na tentativa de conter escândalos decorrentes das reiteradas denúncias de mau uso de verbas públicas com passagens aéreas, verbas indenizatórias e horas extras. O ponto central do novo pacote se baseia na transparência de gastos, como a publicação na internet de cada passagem usada por parlamentar. Envolve, ainda, a criação de uma conta de serviços, com várias rubricas para acompanhamento de gastos como postagens, impressos, telefones e combustíveis. A redução de verbas dos parlamentares poderá, porém, ser compensada com a equiparação de seus salários aos de ministros do Supremo Tribunal Federal, passando de R$ 16,5mil para R$ 24 mil.

Jornal do Brasil
"Creche contra o crack"

Prefeitura vai construir escola onde funcionava a cracolândia

Sai um marco da degradação social, palco de prostituição infantil e consumo de crack no Jacarezinho (Zona Norte do Rio), e entra urna creche com capacidade para 120 crianças. A obra, que começará em maio, foi anunciada ontem pelo prefeito Eduardo Paes, que visitou o local onde funcionava a cracolândia até duas semanas atrás, quando uma operação da Secretaria Especial de Ordem Pública apreendeu 47 menores e demoliu 40 construções irregulares. O prefeito confirmou a reunião, na sexta-feira, de um conselho gestor voltado para a solução do problema do crack no Rio.

terça-feira, abril 21, 2009

Brasil

Cultura cartorial

Sidney Borges
A internet está manca mais uma vez. Recebo serviço de terceiro mundo e pago preço de primeiro mundo. Como não há a quem reclamar, não reclamarei, mas tenho o direito de ficar indignado. O Brasil será eternamente o país do futuro. Quando o futuro chegar estaremos mortos e ainda assim nada funcionará direito. Merda!

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A calhar

Samba italiano

Adoniran Barbosa

Falado:
"gioconda, pitina mia,
Vai brincar alí no mareí no fundo,
Mas atencione co os tubarone, ouvisto
Capito meu san benedito".

Piove, piove,
Fa tempo que piove qua, gigi,
E io, sempre io,
Sotto la tua finestra
E vuoi senza me sentire
Ridere, ridere, ridere
Di questo infelice qui

Ti ricordi, gioconda,
Di quella sera in guarujá
Quando il mare ti portava via
E me chiamaste
Aiuto, marcello!
La tua gioconda a paura di quest'onda

Opinião

Pressões sobre os salários

Editorial do Estadão
Depois de negociações bem mais difíceis e demoradas do que nos anos anteriores, nos primeiros três meses deste ano algumas categorias profissionais conseguiram fechar acordos com os empregadores que preveem aumento real de salários. Mas acordos com reajuste maior do que a inflação são cada vez mais raros num cenário marcado por queda da produção e das vendas e, sobretudo, por forte pressão sobre o nível de emprego. Em algumas empresas, em troca da estabilidade temporária, os trabalhadores aceitaram até mesmo a redução do salário. Por isso, nos próximos meses, acordos com aumento real de salários poderão ser ainda mais raros.

É um quadro muito diferente do observado nos últimos anos, quando os acordos entre empregados e empregadores previram aumentos reais para a grande maioria das categorias profissionais. Desde o início do primeiro governo Lula, o pior ano foi 2003, quando apenas 19% das categorias obtiveram aumento real de salário. Em 2007, o melhor ano do período para os trabalhadores, 88% dos acordos previram reajustes superiores à inflação. No ano passado, já como reflexo da crise que se instalou a partir de setembro, o índice caiu para 78%.

Em 2009, o resultado não deve ser pior do que o de 2003, previu o coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, em declarações para o jornal Valor. Mas esse resultado só será alcançado se, nos próximos meses, aumentar de maneira substancial o número de acordos com aumentos reais, o que ainda parece incerto apesar dos últimos sinais de recuperação.

Entre as categorias que conseguiram aumento real estão os vigilantes do Rio de Janeiro (3% mais do que a inflação), os empregados do setor de alimentação de São Paulo (aumento real de 1,18%), os calçadistas do município gaúcho de Sapiranga (0,98%) e os moveleiros de Bento Gonçalves, também no Rio Grande do Sul (0,82%). Em todos os casos, as negociações foram mais complicadas do que em 2008. No caso dos vigilantes do Rio de Janeiro, por exemplo, os trabalhadores ameaçaram fazer greve durante o carnaval, o que ameaçava a segurança no Sambódromo durante a realização de um dos eventos que mais atraem turistas para a cidade.

Outras categorias com data-base nos quatro primeiros meses do ano apresentaram aos empregadores reivindicação de aumentos reais altos, mas, no decorrer das conversações, tiveram de reduzir seus pedidos e, em alguns casos, de aceitar a simples reposição da inflação. Os trabalhadores na indústria de couro de Franca, o principal polo calçadista de São Paulo, por exemplo, queriam 10% de aumento real, mas, depois de 20 reuniões com os empregadores, aceitaram os 6,5% da inflação passada. Entenderam que, na crise que afeta toda a indústria, não perder nada pode ser vantajoso.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 21 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Escândalo das passagens envolve Temer e Gabeira"

Deputados bancaram viagens de parentes com cota oficial de bilhetes

Em meio a revelações sobre descontrole no uso de passagens aéreas por congressistas, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) admitiram ter utilizado parte de sua cota oficial para bancar viagens de parentes.

Temer disse que cedeu sua cota a familiares porque "havia o entendimento de que era um crédito do parlamentar". Ele foi à França com a mulher e à Bahia com o irmão e mais três parentes.

"No meu caso, há um ou dois bilhetes para familiares", afirmou Gabeira, que pretende reconhecer o erro em discurso amanhã.

Câmara e Senado divulgaram na semana passada cortes na cota de passagens, mas legalizaram sua doação a parentes e assessores.

Presidente do PMDB, Temer disse que discutirá com os lideres partidários a exposição na internet de todos os gastos dos congressistas.

Mesmo com casa própria em Brasília, o senador Gerson Camata e a mulher, deputada Rita Camata, ambos do PMDB-ES, recebem auxílio-moradia, no total de R$ 6.800 por mês. Quem não mora em apartamento funcional ganha o benefício, mas as regras são omissas em relação aos que possuem casa na cidade.

O Globo
"Presidente da Câmara também deu passagens para parentes"

Michel Temer (PMDB), responsável por investigação, gastou verba pública com família

Até o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), usou a cota de passagens da Casa para levar sua mulher e três parentes de férias para Porto Seguro, na Bahia. Para o Ministério Público, os bilhetes só poderiam ser usados para viagens do parlamentar ao seu estado, mas Temer reagiu dizendo que não há regras claras. Agora ele pretende apresentar emenda para incorporar parte da verba indenizatória de R$ 15 mil aos subsídios de R$ 16 mil dos deputados, equiparando seus vencimentos aos dos ministros do STF, de cerca de R$ 24 mil, informa ILIMAR FRANCO. Identificado com a bandeira da ética na política, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) também usou sua cota para dar viagens ao exterior para parentes. Ontem, admitiu o erro, disse que fará um movimento contra isso e até ameaçou abandonar a política.

O Estado de São Paulo
"BNDES terá R$ 4bi para ajudar Estados"

Crédito com juros menores que os de mercado usará recursos do FAT

Depois da ajuda de R$ 1 bilhão aos municípios, o governo autorizou o BNDES a emprestar R$ 4 bilhões aos Estados, para compensar a queda das transferências do Fundo de Participação dos Estados. O governador que contratar o empréstimo pagará 9,25% de juros ao ano, contra cerca de 12% cobrados pelo mercado. Serão usados recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, já aplicado para ampliar o seguro-desemprego e financiar empresas afetadas pela retração nas exportações. Os Estados que contraírem o empréstimo só poderão usar o dinheiro em despesas de investimento, mas poderão também aumentar os gastos correntes. Os Estados governados pelo PT estão entre os mais favorecidos. Segundo o Tesouro, a linha de crédito terá "efeito sinérgico positivo". Alguns governadores criticaram a medida, por representar mais endividamento, ameaçando o equilíbrio fiscal. Outros a consideram positiva.

Jornal do Brasil
"Estados ganham socorro de R$ 4 bi"

Linha de crédito usará dinheiro de fundo do trabalhador

Os estados e o Distrito Federal terão acesso a uma linha de crédito do governo federal no valor de R$ 4 bilhões. Bahia, Ceará e Maranhão receberão, sozinhos, R$ 958 milhões. O Rio de Janeiro terá acesso a R$ 61 milhões. A repartição do empréstimo obedece às mesmas proporções de repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) estabelecidas pelo Tribunal de Contas da União. O financiamento com juros subsidiados do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), ajudará os governos a compensarem as perdas de arrecadação decorrentes da crise e manterem os programas de investimentos.

segunda-feira, abril 20, 2009

Detalhe

O vigário é espada!

Só pensa naquilo

Sidney Borges
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo foi bispo um dia. Teve uma crise existencial, duvidou da fé, caiu em tentação e se deixou vitimar pelas artimanhas do Canhoto. Conheceu as delícias da carne. Entre uma Ave Maria e um Padre Nosso, vinde a mim as criancinhas. Para trás, Satanaz, vade retro. Não funcionou, a garota engravidou e como não dá pra contestar DNA, Lugo reconheceu a paternidade. Filho número um.

Hoje Benigna Lequizamón, de 27 anos, afirma que o presidente é o pai do segundo de seus quatros filhos, L.F.L, nascido em 9 de setembro de 2002 em um distrito do departamento de San Pedro (centro), onde, naquela época, Lugo era bispo emérito (aposentado). Filho número dois.

Mamma mia, além de fazer filhos o que será que ele fazia? Polia crucifixos, engarrafava água benta ou vendia indulgências plenárias?

Filho de padre corre risco de virar lobisomem, o que será que acontece com filho de bispo? Boa coisa não é, como boa coisa não é quem se esconde atrás da palavra divina para fazer peraltices. Quero distância...

Pensata

Cheiros do futuro

João Pereira Coutinho (original aqui)
Notícias da Europa: uma empresa suíça resolveu dar o último passo para ajudar os internautas a escolher o par ideal. Segundo a Basisnote, as pessoas frequentam cada vez mais sites de encontro. Trocam memórias, experiências, gostos comuns. Mas falta o cheiro. O cheiro é fundamental para avaliar a compatibilidade entre os potenciais amantes.

Falta, não. Faltava. Agora, os suíços desenvolveram um mecanismo que permitirá a qualquer internauta digitalizar o seu próprio odor e enviá-lo ao objeto do seu afeto, como quem envia uma foto ou um e-mail. Os suíços, apoiados pelos mais recentes estudos científicos, concluíram que as mulheres preferem homens com um sistema imunológico diferente do seu. A ideia dos suíços é permitir que o macho tente a sua sorte pela net; e que a fêmea, ao receber o cheiro, encoste o nariz a uma espécie de ventilador informático e se encante com o odor do príncipe.

A história não tem nada de excepcional. Eu próprio, em conversas com criaturas várias, vou aprendendo as novas virtudes da tecnologia, que me reduzem imediatamente a uma condição jurássica. Amigos e familiares, sem falar de alunos, confessam sem pudor que têm dezenas de conhecidos virtuais, com quem desenvolvem cumplicidades impensáveis na vida banal. Um deles tem três relações amorosas, com três mulheres de três continentes distintos. Nunca se viram, nunca se tocaram, nunca se beijaram. Mas isso não impediu que uma delas (a australiana) tenha entrado em depressão por alegadas "infidelidades".

Eu escuto tudo com o pasmo típico dos terráqueos. E sempre vou perguntando se não seria preferível aos novos amantes do século 21 descerem da nave espacial para caminharem pelo planeta Terra. As vantagens do turismo são óbvias: poupa-se em eletricidade, exercita-se o físico e sempre é possível olhar, conversar e até cheirar um outro membro da espécie humana sem nenhum tipo de mediação eletrônica.

Eles olham-me com um certo horror de superioridade e eu percebo que o meu reino já não é deste mundo. Um mundo de relações virtuais, com amores e traições virtuais, onde tudo feito e desfeito na mais perfeita solidão real.

E isso é apenas o começo. No futuro, não será apenas possível cheirar o "amante" sem nunca o conhecer, mas eventualmente fazer amor com ele, conceber um "filho" e quem sabe educá-lo como quem concebe e educa uma espécie de vírus que só existe no computador.

Só espero que, quando esse dia chegar, os suíços sejam capazes de inventar novos cheiros para ajudar os novos "pais". Mudar as fraldas da "criança", por exemplo, vai precisar de um cheirinho especial.

Opinião

Afastamento do delegado

Editorial do Estadão
O mínimo que a Polícia Federal (PF) poderia ter feito, diante da enxurrada de indícios de comprometimento em irregularidades do delegado Protógenes Queiroz, foi o que efetivamente fez: afastá-lo da corporação por tempo indeterminado, enquanto ele se submete a um processo administrativo e a um outro criminal. Protógenes já havia sido indiciado por quebra de sigilo funcional e violação da Lei de Interceptações Telefônicas - crimes que teria cometido no curso da Operação Satiagraha, ao recrutar 84 arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para a investigação que, em julho do ano passado, levou o banqueiro Daniel Dantas à prisão. Agora, o delegado foi enquadrado em processo disciplinar, "em virtude de participação em atividade político-partidária".

A medida administrativa tem base no art. 43, inciso 12, da Lei 4.878/65 - sobre o regime jurídico da PF -, pelo qual "valer-se do cargo com fim, ostensivo ou velado, de obter proveito de natureza político-partidária" acarreta ao servidor sérias sanções, que podem culminar com a demissão do serviço público. E Protógenes participou ostensivamente de um comício político ocorrido no ano passado em Poços de Caldas (MG), quando teria discursado "em nome da Polícia Federal", sem contar as vezes que participou de atividades na companhia de políticos do PSOL, embora não seja filiado ao partido.

Os procedimentos adotados contra o delegado Protógenes - que se defende com contradições e omissões evidentes em seus depoimentos, inclusive o prestado à CPI dos Grampos - estão longe de expor inteiramente o "sistema" que se vem desvelando à opinião pública desde que o delegado responsável pela Satiagraha acusou a cúpula da Polícia Federal de boicotar a operação. Ainda não foi explicado, por exemplo, como Protógenes, durante tantos anos, teve à sua disposição tantos recursos; como conseguiu agir tão livremente ao arrepio da hierarquia da corporação; como conseguiu a participação (ilegal), nas investigações, de quase uma centena de arapongas da Abin, instituição que não pode exercer funções policiais; como pôde arquivar em sua própria casa material recolhido em escutas, inclusive de pessoas que nada tinham que ver com o objeto da investigação da PF; com que autoridade distribuiu senhas de acesso a informações e equipamentos de uso restrito - como, enfim, teve a ampla liberdade de movimento que lhe permitiu cometer tantas irregularidades.

Até o depoimento que prestou à CPI, o delegado Protógenes tergiversou como bem entendeu, sem confirmar nem desmentir depoimentos anteriores e sem dizer algo que o pudesse incriminar - o que é compreensível. Depois, entretanto, revelou em entrevista ao Jornal do Brasil que atuou em "missão presidencial", sob a coordenação direta do então diretor-geral da Polícia Federal (depois chefe da Abin e atual adido policial em Lisboa) Paulo Lacerda. E, a certa altura da entrevista, o delegado indaga: "Por que me dariam essa estrutura se não houvesse interesse do governo?" E desabafa: "O que não consigo entender é por que as coisas mudaram de uma vez para outra. As investigações voltaram-se contra o investigador.

"Não há como ignorar a pertinência das indagações do delegado. Há que se buscar explicação para o fato de as coisas "terem mudado". Para a colunista Dora Kramer (15/4), isso ocorreu "porque ele cometeu ilegalidades e quem deixou que fossem cometidas não queria se associar ao executor das ações subterrâneas na hora da adversidade". Isso explicaria por que o condutor da Operação Satiagraha foi "abandonado na pista". Mas falta dar o nome a quem tinha tanto interesse político nas investigações em torno do banqueiro Daniel Dantas - e poder para permitir que essas investigações não encontrassem limites na legalidade.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 20 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Lula gasta com pessoal o que poupa com juros"

A economia de R$ 40 bi feita desde 2006 equivale ao aumento da folha

O governo utilizou quase toda a economia feita com a queda dos juros desde 2006 para contratar pessoal e elevar o salário do funcionalismo, revela estudo do economista Alexandre Marinis, da consultoria Mosaico.

De abril de 2006 a fevereiro de 2009, os gastos anuais com juros caíram R$ 40 bilhões, mesmo valor que foi acrescido ao dispêndio com pessoal. Os gastos de custeio subiram R$ 26,7 bilhões.
Já os investimentos aumentaram R$14,7 bilhões.


Desde seu início, em 2003, a gestão Lula quase dobrou a folha salarial - de R$ 70 bilhões para R$ 137 bilhões. A diferença, de R$ 67 bilhões, equivale a mais de seis vezes o custo do Bolsa Família.


O governo diz que o custo é compatível com o aumento da arrecadação. Segundo Marinis, o problema é que as receitas tributárias não são permanentes.

O Globo
"Presidente do BC critica ‘otimismo exagerado’"

Meirelles afirma que crise global não foi resolvida e pode levar a novas decepções

Ao fim de uma semana na qual o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, adotaram um tom otimista para a crise financeira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que não se deve ceder ao que chamou de “otimismo exagerado”, diante dos sinais de recuperação de alguns setores da economia. Para o presidente do BC, não se pode confundir sinais de melhora com a superação do problema. Ao participar de um fórum que reuniu na Bahia empresários, governadores e parlamentares, Meirelles chegou a alertar: "Vamos devagar. Otimismo exagerado pode levar a novas decepções”. Um sinal de cautela é a queda da arrecadação de tributos federais, na qual o Rio teve um dos piores resultados no primeiro trimestre.

O Estado de São Paulo
"América Latina recebe bem "Doutrina Obama""

Mas senador dos EUA critica presidente por aproximação com venezuelano

O presidente americano, Barack Obama, deixou ontem a Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, elogiado por todos os líderes da esquerda, e a estreia da "Doutrina Obama" na América Latina foi festejada como “uma nova era" no relacionamento entre os Estados Unidos e o restante do hemisfério. O próprio líder americano comemorou o resultado de sua estratégia de se aproximar de países adversários. "Nos últimos dias, vimos sinais positivos na natureza das relações entre os EUA, Cuba e Venezuela", disse. Segundo ele, a neutralização das tensões na região fortalece os EUA. A 5ª Cúpula das Américas terminou ontem de forma inusitada: o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, recebeu a atribuição de assinar a declaração final de compromissos em nome dos chefes de Estado.

Jornal do Brasil
"Sangria nos cofres públicos do MT"

Deputado é acusado de desviar até R$ 120 milhões da Assembleia

Corre em segredo no Superior Tribunal de Justiça um dos mais rumorosos casos de corrupção envolvendo autoridades estaduais em processos de desvio de dinheiro público. O presidente da Assembléia Legislativa do Mato Grosso, José Geraldo Riva, e o conselheiro do Tribunal de Contas Humberto Melo Bosaipo são acusados de se aproveitarem de funções que permitem o controle total do orçamento para roubarem R$ 120 milhões. Eles respondem a 119 processos, mas se declaram inocentes.

Olhe bem!


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domingo, abril 19, 2009

Brasil

Vida besta

Sidney Borges
Acabo de ler que uma enfermeira grávida de sete meses foi morta em uma tentativa de assalto no Rio de Janeiro. Uma barbárie dessas passa batido, ninguém se preocupa, ninguém liga, ou todos fingem que não ligam e tremem de medo de que chegue a vez.

Em outra manchete ao lado, Luciana Genro diz que Protógenes usou passagens do PSOL.

Quanto tédio invade minh'alma.

Um dia melhora... Pena que demora...

Coisas da Ressaca



Angra 3

Greenpeace protesta contra construção de usina nuclear em Angra

da Efe, no Rio de Janeiro
Ativistas do Greenpeace fizeram uma manifestação hoje em Angra dos Reis para protestar contra a construção de uma terceira usina nuclear na cidade localizada no litoral do estado do Rio de Janeiro.

Os membros da organização ambientalista ancoraram uma balsa em frente às duas usinas do local. A embarcação tinha quatro turbinas eólicas de 3m de altura cada. Além disso, três militantes exibiam um cartaz defendendo a adoção de energias renováveis e rejeitando o uso da nuclear.

"Foi uma forma de mostrar o contraste entre dois tipos de energia: a nuclear, com sua complexidade e periculosidade, e a renovável, que é simples e respeita o meio ambiente", disse à Agência Efe a coordenadora da campanha de energia do Greenpeace no Brasil, Rebeca Lerer.


Apesar de se tratar de uma área bastante vigiada, os ativistas mantiveram a embarcação atrás de uma linha de boias, respeitando os limites.


"A empresa mandou dois botes com membros de suas equipes de segurança e a Polícia mandou outro barco. No entanto, como não estávamos violando nenhuma norma, eles se limitaram a nos observar", disse Lerer.


Para o Greenpeace, a terceira usina em Angra seria um "investimento muito alto em uma fonte energética que já se mostrou cara, insegura e pouco eficaz".

"Um parque de geração eólica com o dobro da capacidade de Angra 3 (1.350 megawatts) pode ser construído em apenas dois anos, e com o mesmo valor que será investido na usina nuclear", disse a entidade.

Segundo a coordenadora, o investimento em fontes renováveis ajudaria a combater o aquecimento global e geraria empregos em meio à atual crise financeira global.

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Energia

Governo retoma obra em Angra

Por Marcio Aith, na Folha
Recomeça nos próximos dias, depois de 23 anos parada, a construção de Angra 3, a terceira usina do conturbado programa nuclear brasileiro. Situada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, no Rio, a usina teve sua obra interrompida em 1986 por falta de recursos públicos, custo alto e dúvidas quanto à conveniência e riscos da matriz energética nuclear.

"Na próxima semana, serão feitas a escavação e a preparação de edificações de apoio à obra", disse à Folha Othon Luiz Pinheiro da Silva, diretor-presidente da Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas termonucleares no país.

A polêmica da vez não é ambiental. Também não há crise nas contas públicas. Está na forma de escolha das empresas que vão fazer as obras civis e fornecer os equipamentos de instrumentação e controle -dois dos itens mais caros na construção de uma usina nuclear. O governo optou por não fazer licitações, mas revalidar, por decisão própria, a concorrência ganha pela construtora Andrade Gutierrez em 1983, no governo de João Baptista Figueiredo (1979-1985).

Essa licitação havia "adormecido", e a construtora recebeu durante décadas um pagamento mensal para preservar o canteiro de obras. Mesmo parada, Angra 3 custava cerca de US$ 20 milhões/ano ao país.

No último ano, construtoras concorrentes, especialmente a Camargo Corrêa, agiram nos bastidores, em vão, para convencer o governo a rever sua decisão. Diretores da empresa disseram a pelo menos dois ministros que, desde a escolha da Andrade Gutierrez, em 1983, houve uma revolução tecnológica capaz de reduzir em até 40% o custo das obras civis nas usinas nucleares. Procurada pela Folha, a Camargo Corrêa não quis se manifestar.

A Andrade Gutierrez disse em nota que "o contrato é legal e que, ao longo desse período, manteve suas instalações em funcionamento e atualizadas".

O contrato das obras civis não foi o único a ser tirado do congelador pelo governo. Para fornecer equipamentos de instrumentação e controle, foi definida a fabricante Areva, empresa resultante da fusão entre a alemã Siemens KWU e a francesa Framatome. A rigor, a Areva nem assinou o contrato. Ela foi escolhida porque herdou da KWU o acordo original.

Embora não tenha feito novas licitações, a Eletronuclear negociou atualizações de valores com todos os fornecedores e prestadores de serviços. À primeira vista, a obra e seus equipamentos ficaram bem mais caros. Em dólares, seu valor pulou de US$ 1,8 bilhão para cerca de US$ 3,3 bilhões, aproximadamente -o cálculo parte de uma estimativa sobre os custos de retomar Angra 3, de autoria da Fusp (Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo).
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