sábado, abril 11, 2009

Futebol

Sumiço de Adriano teve cerveja, traficantes e baile funk, diz revista

Do UOL Esporte
Os três dias de sumiço do atacante Adriano, da Inter de Milão, que culminaram no anúncio de uma pausa na carreira de jogador, seguem repercutindo. A edição desta semana da revista Isto É, que chegou às bancas neste sábado, contém uma pequena reconstrução do passos do Imperador no período.


Segundo a publicação, Adriano passou de quinta-feira da semana passada, após o jogo da seleção brasileira em Porto Alegre, até a madrugada de domingo na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, favela onde foi criado. Ele ficou hospedado na casa dos tios, na rua A, mas pouco dormiu.

Em seu primeiro dia na favela, quinta, foi visto de bermudas e chinelo e bebendo muita cerveja, sempre acompanhado de uma morena misteriosa e de um grupo de amigos. Na sexta e no sábado, ele foi visto com jovens que fazem parte da quadrilha de traficantes do local.
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Nota do Editor - Adriano não é um mortal comum, veio ao mundo ungido pelos deuses. Adriano tem um dom. Na Grécia antiga quem nascia com habilidades era instado a não desapontar o Olimpo. Adriano tem um dom, o preço que lhe cabe pagar é pequeno, mas é uma fatura que deve ser resgatada, sob pena de perda do privilégio. Ou ele volta a encantar as massas com seus gols, ou terá de trabalhar para pagar as contas no fim do mês. Nesse caso os torcedores dirão: houve um dia um certo Adriano que tinha um dom. (Sidney Borges)

Política

Tudo pelo socialismo

Sidney Borges
Evo Morales está em greve de fome. Vai ficar magrinho. Como na vida sempre há o lado B, poderá se apresentar futuramente como faquir, está aprendendo a passar o tempo sem comer. Já não há glória na profissão, ninguém liga, mas houve tempo em que se formavam filas na Praça do Patriarca, em São Paulo, para visitar Silk deitado sobre pregos em companhia de jiboias. O Brasil é campeão mundial da fome, anunciava a Última Hora.
Visitei o faquir duas vezes e em ambas saí faminto, indo diretamente para a Praça da Sé comer churrasco grego.

Bonde



Casa Verde

Sidney Borges
Tive o privilégio de andar nos veículos acima e também no trem da Cantareira. O que me fez publicar a foto foi o destino dos coletivos, o bairro paulistano denominado Casa Verde.
Fiquei feliz naquela manhã em que saímos no carro de meu pai, eu, meu avô e o irmão dele, meu tio avô, com meu pai ao volante. Fomos visitar um parente distante na Casa Verde. Desde a noite anterior eu não via a hora de conhecer a Casa Verde.
Confesso que fiquei desapontado, a casa era branca. Para ter certeza do que os meus jovens olhos viram, na volta perguntei:

- A casa é branca?
- É, disse o meu avô. Branquinha completou meu tio avô. Acabaram de caiar arrematou meu pai.
Depois de pensar um pouco tornei a perguntar:
- A gente não foi na Casa Verde?
- Estamos voltando de lá, disse meu avô.
- A casa verde então é branca?
- Não, Casa Verde é o nome do lugar que tem uma casa branca onde mora o concunhado do tio Leonildo. Quer biju?
Aceitei, paramos ao lado do vendedor e eu ganhei um biju extra na roleta do tubo que o vendedor levava às costas. Depois compramos quebra-queixo e machadinha, gosto das cores da machadinha, rosa e branco.
Demorei anos até entender que há casas brancas na Casa Verde, embora a Casa Branca de verdade esteja muito longe, lá na capital da gringolândia.

Eleições 2010

PSB quer lançar Ciro porque teme que Serra derrote Dilma no 1º turno

Julia Duailibi e Christiane Samarco, no Estadão
Com a tese de que é necessário lançar dois candidatos governistas para forçar um segundo turno na eleição presidencial de 2010, o PSB começou a executar um giro nacional para colocar em evidência o presidenciável do partido, Ciro Gomes.

A articulação já ganhou até um nome, a chamada "Operação Pernambuco". Trata-se de uma referência às eleições de 2006 naquele Estado, quando a oposição lançou dois candidatos, Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT), contra o candidato do governo, Mendonça Filho (DEM), então favorito e apoiado pelo ex-governador do Estado, Jarbas Vasconcellos (PMDB). A oposição conseguiu forçar o segundo turno e Campos acabou vencendo.

"O governo não pode ficar só com a Dilma, é muito arriscado", advertiu o senador Renato Casagrande (ES) na reunião da executiva do PSB, na semana passada, em referência à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Uma economia em queda expõe as mazelas do governo", emendou o senador.

O temor da cúpula socialista é de que as dificuldades econômicas arrastem a candidatura da petista Dilma, abrindo espaço para a vitória em primeiro turno do candidato da oposição. O PSB aposta todas as suas fichas na candidatura do governador paulista José Serra (PSDB), e também não tem dúvidas de que grande parte do debate de campanha se dará em torno da gestão pública, área em que o tucano tem mais experiência.

Para Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, lançar duas candidaturas é "uma forma de garantir a defesa do governo e de assegurar um segundo turno". "Há espaço para mais de um candidato da base. Temos dois exemplos, um bem-sucedido, que foi Pernambuco, e um malsucedido, que foi São Paulo. É o mesmo raciocínio para 2010", disse o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O parlamentar se refere à eleição de 2008, quando o PT, de Marta Suplicy, foi vencido por Gilberto Kassab (DEM). À época, aliados dos petistas insistiam em ter mais uma candidatura de oposição, mas o PT preferiu se aliar ao PC do B, de Aldo Rebelo, já no primeiro turno. Alguns pessebistas também desconfiam do fôlego de Dilma para vencer Serra, o que dá mais combustível ao lançamento de outra candidatura da base.
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Opinião

As mudanças no vestibular

Editorial do Estadão
Com um olho no calendário escolar e outro no calendário eleitoral, uma vez que é um dos nomes cogitados pelo Partido dos Trabalhadores para disputar um cargo majoritário nas eleições de 2010, o ministro Fernando Haddad está tentando implantar, a toque de caixa, o projeto de unificação dos vestibulares das universidades federais, anunciado há duas semanas, quando nem mesmo as suas diretrizes gerais estavam definidas. Alguns reitores afirmam que, por seu caráter inovador, o projeto tem de ser implementado com cuidado, no prazo mínimo de dois a três anos, para evitar problemas legais e administrativos.

Atualmente, cada universidade prepara seu próprio exame e as provas são realizadas em datas diferentes. A proposta do ministro, cujos detalhes só agora estão sendo divulgados, é reformular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e fazer uma prova única, com validade nacional. A ideia inicial era que os alunos aprovados tivessem liberdade de escolher o curso e a universidade, conforme a pontuação obtida. Mas, para reduzir a resistência dos reitores, pois o nível médio de exigências varia de universidade para universidade, o MEC está propondo que os estudantes só possam utilizar os resultados da prova em cinco diferentes cursos e em cinco instituições federais de ensino superior.

Além disso, para evitar frustrações entre os vestibulandos das regiões menos desenvolvidas que almejam estudar nas universidades federais das regiões mais desenvolvidas, o MEC quer que os estudantes só se inscrevam para o vestibular com o resultado do Enem nas mãos. "Com isso, o estudante pode ter uma ideia melhor de suas possibilidades de aprovação", diz o ministro. Segundo ele, a inscrição será feita pela internet e o sistema ficará aberto por algum tempo, permitindo aos candidatos reavaliar suas reais condições para disputar o curso escolhido e mudar suas opções, caso concluam que não terão oportunidade de ser aprovados.

Como o vestibular unificado das universidades federais permitirá que os estudantes cursem a graduação fora de seus Estados de origem, o MEC se compromete a ampliar os recursos para assistência estudantil, que serão distribuídos por meio de bolsas de estudos, e para a construção de restaurantes universitários e alojamentos. Neste ano, o órgão deve repassar R$ 200 milhões às universidades federais para assistência estudantil. O ministro prometeu dobrar esse valor em 2010.

O objetivo dessa medida é evitar a evasão escolar e o trancamento de matrícula, assegurando aos estudantes de baixa renda condições de se manterem durante o curso. Alguns dirigentes universitários, contudo, criticam a ênfase dada por Haddad à possibilidade de estudantes das regiões menos desenvolvidas fazerem a graduação nas regiões mais desenvolvidas. "A mobilidade pretendida pelo MEC vai ocorrer na mão inversa. Não vai ser o estudante do Norte e Nordeste que se mudará para o Sul e Sudeste. As classes mais abastadas têm maior rendimento no Enem e vão roubar as vagas nos outros Estados. Em vez de democratizar o acesso, vai elitizá-lo", diz o coordenador do vestibular da Universidade Federal Fluminense, Nelliton Ventura.

Especialistas também receiam que, como as notas médias do Enem são baixas, a proposta do MEC leve ao rebaixamento dos níveis de exigência do vestibular. "Não é impossível que boas universidades federais sejam afetadas negativamente pela nivelação por baixo que o Enem representa. Mesmo que se fale em ampliação do elenco de disciplinas e questões, há sempre o risco de que uma avaliação genérica não cubra as demandas de conteúdo das universidades mais exigentes. Algumas se defenderão criando mecanismos internos de peneiramento, o que na prática reinstaura o vestibular e proclama sua necessidade", afirmou o professor da USP José de Souza Martins, em artigo publicado no Estado. Ele também teme o surgimento de uma nova "indústria" - a de cursinhos supletivos criados para "turbinar" os alunos da escola média para os exames do Enem.
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Manchetes do dia

Sábado, 11 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Terceirizadas dão calote e deixam conta para governo"

Controladoria cria grupo para investigar licitações e empresas

O governo federal é réu em cerca de 10 mil ações de cobrança de dívidas trabalhistas de empresas terceirizadas que depois quebraram ou desapareceram, deixando a dívida para a União, informa Alan Gripp. Ou seja, o governo paga a conta duas vezes: depois de arcar com parte dos contratos, tem que assumir salários atrasados e outros encargos. Apenas com os contratos, foram pagos R$ 2,1 bilhões em 2008. O problema é tão grave que obrigou a Controladoria Geral da União a criar um grupo só para seguir os passos dessas empresas, fornecedoras de faxineiros, garçons, ascensoristas, motoristas ou jornalistas. O grupo já tem indícios de licitações de cartas marcadas, empresas em nome de laranjas e outros crimes com o objetivo de simular concorrência que não existe e dificultar a localização dos responsáveis.

O Globo
"Brasil não controla 54% das suas instalações radioativas"

Auditoria do TCU diz que falta renovação de fiscais nas usinas de Angra

Relatório sobre a segurança do programa nuclear brasileiro feito por técnicos do Tribunal de Contas da União informa que 54% das instalações que contêm equipamentos radioativos, como hospitais e fábricas, funcionam de forma irregular, sem autorização para operar. Dos equipamentos usados em radioterapia de pacientes com câncer, 14% estão sem licença. E 45% das unidades não são fiscalizadas. O TCU também alerta para a falta de renovação no quadro de fiscais responsáveis pelos reatores das usinas de Angra e a desinformação sobre a população das áreas sujeitas a risco de contaminação. A Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que comanda o programa nuclear, rebate as críticas e diz que o TCU usa “números artificiais” no relatório.

O Estado de São Paulo
"Governo pressiona e estatais gastam mais"

Para evitar queda acentuada no PIB, empresas gastaram 49% a mais em janeiro e fevereiro; investimentos podem chegar a R$ 79 bilhões no ano

As estatais federais investiram R$ 8,8 bilhões nos primeiros dois meses do ano, 49% a mais do que os R$ 5,9 bilhões gastos em igual período de 2008. Esses números, divulgados pelo Ministério do Planejamento, refletem o empenho do governo federal para que as estatais acelerem gastos com o objetivo de evitar que 2009 termine com taxa negativa de variação do Produto Interno Bruto (PIB). No total, as 68 estatais federais podem investir este ano R$ 79,3 bilhões.

Jornal do Brasil
"Rombo na economia é recorde"
Os Estados Unidos apresentaram déficit orçamentário recorde de US$ 956,8 bilhões entre outubro de 2008 e março de 2009 - a primeira metde do ano fiscal. Isso é mais que o triplo do exibido um ano atrás. O governo espera que o déficit do ano fique na casa de US$ 1,75 trilhão. Caso esse valor seja atingido, será quase quatro vezes superior ao recorde do último ano, que foi de R$ 454 bilhões. O resultado foi impulsionado pela necessidade de gastar quase US$ 300 bilhões para ajudar os bancos envolvidos na crise.

sexta-feira, abril 10, 2009

Speedy tartaruga

Telefônica diz que não sofre "ações externas" desde quarta-feira; problema no Speedy persiste

da Folha Online

A Telefônica informou, em nota enviada à imprensa nesta sexta-feira, que desde as 21h30 da última quarta-feira (8) sua rede não é vítima das supostas ações externas que teriam prejudicado milhares de assinantes do Speedy. Apesar do término de tais invasões, ainda há usuários reclamando de dificuldades no acesso ao serviço nesta sexta-feira (10), segundo a Central de Atendimento do UOL.

Após cinco dias seguidos de pane no serviço de banda larga, a companhia espanhola afirmou ontem que "nos últimos dias, parte da sua infraestrutura que dá suporte ao acesso à internet tem sido alvo de ações deliberadas e de origem externa". Até então, a empresa havia negado haver quaisquer problemas no Speedy.
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Nota do Editor - A Telefônica está mostrando falta de competência para consertar o Speedy e para se relacionar com os clientes. Com os avanços tecnológicos que há, inexoráveis, a dependência dessa empresa tende a acabar. Felizmente. (Sidney Borges)

Direto pro Céu!!!

Alice Bastos era garota-propaganda da Farmácia Vital Brazil (Foto: Divulgação/ Instituto Vital Brazil)

Morre brasileira com mais tempo de trabalho numa única empresa

Alice Bastos trabalhou 73 anos sem faltar no Instituto Vital Brazil. Mesmo depois de aposentada, ela ia ao local todos os dias.

Alba Valéria Mendonça, do G1, no Rio
Morreu, na madrugada desta quinta-feira (9), Alice Bastos, de 92 anos, a brasileira com mais tempo de trabalho numa única empresa. Funcionária estadual, ela trabalhou por 73 anos, sem nunca ter faltado, no Instituto Vital Brazil, da Secretaria estadual de Saúde, em Niterói, na Região Metropolitana. Mesmo depois de aposentada, ela fazia questão de ir ao instituto todos os dias.


As informações são do próprio Instituto. O corpo de Dona Alice – como era carinhosamente chamada pelos colegas – vai ser velado no Vital Brazil, como era seu desejo. O enterro está marcado para as 17h no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, em Niterói. Ela estava internada desde segunda-feira (6) com pneumonia e anemia.

Um raro exemplo de dedicação ao trabalho, Dona Alice foi homenageada diversas vezes. Em 1988, ganhou o título de “Funcionária Padrão do Governo do Estado do Rio de Janeiro”. Em 2003 passou a ser a garota-propaganda do programa Farmácia Vital Brazil. No ano passado, ela teve sua história contada no livro “Mulheres em Niterói”, da pesquisadora Graça Porto.
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Nota do Editor - Merece virar nome de rua e ganhar condecoração post-mortem. (Sidney Borges)


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Negócios

Caro Amigo:

Estou Joyce Lagos, com um diretor do Departamento de Assuntos Minerais e Energia S. Atualmente, estou a precisar de um parceiro estrangeiro silenciosa cuja identidade que podemos usar para transferir a quantia de £ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil Libras Esterlinas).

Esse dinheiro é, actualmente, um domiciliar em conta e é a partir de um (OVER facturado) de Multi milhões de dólares Contrato adjudicado a empresas estrangeiras aqui no Reino Unido.

Principalmente Mineiros agrícolas Empresas e setores privados. Se interessado, envie-me um e-mail para que eu possa dar-lhe todos os pormenores e eu tenho a factura para o montante de crédito e o documento do meu possession.

Please só contactar-me se estiver intrested.

Joyce Lagos


Cara Joyce Lagos:

Não se envolva com gente da minha laia. Sou tão mau que ao me ver refletido no espelho tenho ganas de empunhar a garrucha e matar o filho-da-puta que contemplo.

No entanto, para isso teria de atirar no espelho, o que além de dispendioso dá azar, então não faço.

A insistência de sua parte lhe fará nascer uma verruga na ponta do nariz, ornada com um pêlo solitário, longo e negro. Fincado com a solidez da espada Excalibur na pedra.

De qualquer forma grato pela lembrança, se um dia a senhora vier ao Brasil passe em casa e mando assar um franguinho de leite para acompanhar as batatas. Capicce?

Atenciosamente,

El Cid

A conferir...

O policial e a doméstica

Carta Capital (original aqui)
A Corregedoria-Geral da PF, órgão responsável por investigar os crimes cometidos por policiais federais, arquivou, sem publicidade nem vazamentos, em 29 de janeiro, um processo de tortura supostamente praticada por ninguém menos que o delegado Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da instituição.

Corrêa foi acusado de deter ilegalmente e torturar, à base de chutes, pauladas, socos e eletrochoques, a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 21 de março de 2001, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ivone, então com 39 anos, trabalhava na casa de uma mulher identificada apenas como Ocacilda, também conhecida pelo apelido de “Vó Chininha”, avó da mulher do delegado, Rejane Bergonsi.

Presente durante um assalto à casa da patroa, Ivone acabou apontada como suspeita de cumplicidade com os criminosos, embora nenhuma prova ou evidência tenha sido levantada contra ela até hoje. Corrêa era, então, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF em terras gaúchas. Embora o combate ao tipo de crime cometido na casa de Vó Chininha, então com 90 anos, seja de competência exclusiva das polícias estaduais, Corrêa achou por bem tomar as dores da família, logo depois de avisado do assalto pela mulher, por telefone, na manhã do dia 20 de março de 2001.

Sem autorização ou mandado judicial, o delegado atropelou a autoridade da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e colocou uma equipe da DRE no encalço de Ivone da Cruz, na manhã do dia seguinte. A empregada foi encontrada em casa, um barraco no fundo da residência de uma amiga, num bairro de Alvorada, município pobre e violento da Grande Porto Alegre. Estava em companhia dos quatro filhos, todos menores de idade. Os dois policiais, lembra Ivone, chegaram em uma caminhonete de luxo branca, a qual ela iria reconhecer, depois, como uma Blazer.

Ambos se identificaram como policiais civis, mas não apresentaram carteiras nem distintivos. Para Ivone, afirmaram estar ali para levá-la à 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, onde, na madrugada do dia 20 de março, ela tinha comparecido para falar, como testemunha, do assalto à casa de Vó Chininha. Naquela oportunidade, ela contou ao delegado civil Fernando Rosa Pontes que dormia no chão de uma sala, ao lado do quarto da idosa, quando foi acordada por dois homens armados. Eles roubaram dinheiro e objetos da casa. Depois, foram à cozinha comer e beber, antes de fugirem.
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Mãe Dinah

Critérios estranhos

Sidney Borges
Paraty está na relação das cidades que recebem royalties da Petrobras. São Sebastião também. Ubatuba, no meio das duas e em frente a um dos maiores campos petrolíferos do Brasil não faz parte das contempladas. Que tal uma visitinha à empresa de Victor Martins, o homem da caneta de ouro? É ele que decide quem recebe e quem não recebe. Buscar o quinhão de Coaquira é tarefa para alguém de grande capacidade de articulação, alguém que conceitue o tempo todo, que raciocine em bloco. É tarefa para um homem que vive em Ubatuba e que mesmo sem ter cursado o Instituto Rio Branco exibe status de diplomata. É tarefa para o Maurinho, futuro ministro da Casa Civil quando Eduardo Cesar ocupar a presidência. Quem viver verá.

Coluna da Sexta-feira

Ainda que tardia

Celso de Almeida Jr.
Nós, povo de Ubatuba, estamos presos pelas circunstâncias ou pelo não desenvolvimento de nossas potencialidades?

Esclareço ao leitor desavisado que estou me referindo àqueles com poucas saídas, desprovidos dos mais elementares recursos financeiros ou intelectuais.

Enquadro, aí, todos os que vivem equilibrados na corda bamba da falta de dinheiro, da falta de saúde, das crises familiares que fogem ao controle, do desemprego, entre outras tragédias.

Como esperar que muitos cidadãos assim mantenham pensamentos retos, condutas exemplares?

Certamente por isso a enorme procura as igrejas e a outros caminhos que garantam um mínimo de paz, palavras de conforto, apoio recíproco, faíscas de esperança.

Mas, convenhamos, paciente leitor. Não bastam lenitivos para os nossos dramas. Simplesmente suportar as limitações e os percalços da vida não é suficiente.

É possível conduzir um povo apenas alimentando-o com fé, pregando o conceito de que devemos acreditar em dias melhores de um futuro distante? Já vimos que sim. Também já assistimos que agregar a essa prática um mínimo de suporte financeiro garante canina fidelidade a qualquer liderança.

Estou delirando? Exagerando?

Faça - inteligente leitor - uma análise da política local e nacional, contestando-me, por favor.

O que realmente me incomoda não é a generosidade de quem estende a mão. É o conceito velado de que ao salvar o necessitado, confortando-o espiritualmente e financeiramente, adquire-se a posse de seu pensamento. Ao saciá-lo com o pão, estende-se, simultaneamente, a pesada corrente do controle ideológico.

É preciso libertar essa gente sofrida.

O caminho? Todos já sabem: educação.

A tarefa libertadora compete aos mais esclarecidos: associações; ongs; governos sérios; empresas e toda gente bem intencionada desse imenso país.

Cada funcionário, cada família, cada jovem, cada criança precisa das mãos generosas de quem realmente está comprometido em despertar o enorme potencial que todo ser humano carrega. Homens e mulheres que amem a liberdade e ajudem a libertar. Sem segundas intenções.

Opinião

Esse insano mundo do nosso transporte

Washington Novaes
Cada vez que se conhece um novo estudo sobre o transporte na Região Metropolitana de São Paulo cresce a perplexidade. E não foi diferente com o caderno especial Origem/Destino, publicado por este jornal em 3 de abril, abrangendo 59 municípios numa pesquisa que consultou 90 mil pessoas. Vê-se ali que o tempo consumido pelos deslocamentos cresce a cada investigação (está, na média, em 70 minutos por pessoa, 10 minutos mais que uma década antes). O deslocamento mais frequente é a pé (12,6 milhões de viagens/dia), mais do que em ônibus (9 milhões de viagens/dia) e trens (10,4 milhões). O número de motos cresceu 388% em uma década (145.651 para 710.638). Trabalho (44,5% das viagens) e educação (34%) são as maiores causas de deslocamentos.


A perplexidade cresce diante dos custos crescentes e da ausência de alternativas nas políticas públicas. No caderno, estudo de Marcos Fernandes, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que, com o número de horas consumido nos deslocamentos, em 30 anos uma pessoa com salário de R$ 5,7 mil por mês terá desperdiçado R$ 3,5 milhões; outra, com salário de R$ 760, perderá o equivalente a R$ 1,5 milhão. E cada vez mais pessoas deslocam-se em automóveis - em 1997 eram principalmente as que ganhavam mais de R$ 3.040 e, 10 anos depois, passaram a abranger as que ganham a partir de R$ 1.520 - mas com um tempo de percurso cada vez maior, porque nesse período a frota de carros particulares passou de 3,09 milhões para 3,60 milhões, mais 509 mil veículos, ou 50,9 mil por ano, ou cerca de 200 carros novos licenciados a cada dia. Nesse espaço de tempo, a população da área aumentou de 16,79 milhões para 19,53 milhões. Os veículos coletivos respondem por 55% do transporte e os automóveis por 30%.

Mais de uma vez já se citou neste espaço o estudo do especialista Nelson Choueri, que há alguns anos calculou que, com o tempo consumido nos deslocamentos em São Paulo, perdem-se 165 vidas úteis por dia (em horas de trabalho) ou cerca de 50 mil por ano, que valem (pelo salário médio) R$ 14,4 bilhões anuais. Se esse valor pudesse ser convertido em investimentos, eles seriam suficientes para em duas décadas implantar o metrô em toda a cidade.

Outro especialista, Adriano Murgel Branco, ex-secretário de Transportes do Estado, ao receber em 2008 o título de "engenheiro eminente", do Instituto de Engenharia, afirmou que na região metropolitana os "prejuízos socioambientais" no trânsito e no transporte em geral vão de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões por ano ("um orçamento municipal a cada ano"). E em 50 anos o total chegaria a US$ 1 trilhão, uns 75% do PIB brasileiro. Cáspite!

E não é só. As pessoas consomem 20% de seu tempo "útil" no transporte. O rendimento energético de um veículo individual não passa de 30% - o restante perde-se como calor. O deslocamento de uma pessoa por automóvel consome 26 vezes mais energia que o mesmo percurso em metrô. Mas deste só se construíram, em média, 1,5 quilômetro por ano em quatro décadas. E esse não é o único desperdício: 93% das cargas no Estado de São Paulo são transportadas por caminhões - quando o transporte ferroviário, cada vez mais sucateado, é algumas vezes mais barato -, que em média têm 20 anos de uso, sem inspeção veicular, e são conduzidos por motoristas que trabalham de 20 a 30 horas seguidas. Por essas e outras, a Associação Nacional de Transportes Públicos tem clamado que na cidade de São Paulo o transporte já ocupa mais de 50% do espaço total, somando ruas, avenidas, praças, garagens e estacionamentos. O que deveria ser meio passa a ser fim em si mesmo.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 10 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Planalto já estuda elevar gasto no ano das eleições"

Lula quer reduzir meta do superávit para ter mais recursos disponíveis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reduzir, na prática, a meta de superávit primário para 2010, informa Kennedy Alencar. Se adotada, a medida abrirá caminho para o aumento de despesas, especialmente investimentos em infraestrutura, num ano eleitoral.

Lula debate com ministros a mudança da metodologia do superávit (parcela da arrecadação tributária destinada ao abatimento da dívida pública), excluindo desse cálculo a Petrobras.

O Globo
"Mudança de presidente faz BB perder R$ 5 bi em 2 dias"

Na contramão da alta da Bolsa, ações do banco caem 10,75%

A mudança do presidente do Banco do Brasil levou a instituição a perder R$ 5,2 bilhões, em valor de mercado, em apenas dois dias. Na contramão da alta da Bolsa de Valores de São Paulo, as ações do BB caíram 2,82% ontem, acumulando perda de 10,75% em apenas dois dias. Para analistas, a tentativa do Planalto de usar o banco para forçar a queda de juros vai prejudicar os resultados do BB. Além disso, especialistas dizem que a simples troca no comando do banco, que será presidido por Aldemir Bendine, ligado ao PT, não levará à queda do spread bancário (diferença entre o custo de captação de dinheiro e a taxa dos empréstimos), como quer Lula. O primeiro ato do BB para reduzir o spread será nos empréstimos a microempresas, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador.


O Estado de São Paulo
"Pacto entre Poderes impõe limite à polícia"

Abuso na escuta telefônica e na exposição pública de suspeitos será considerado crime

Os presidentes dos três Poderes da República firmarão segunda-feira o Pacto Republicano de Estado que traz um conjunto de medidas para coibir, principalmente, o que foi denominado nos últimos meses de "estado policialesco e república da grampolândia". As autoridades querem acabar com os abusos revelados em atuações da Polícia Federal envolvendo grampos telefônicos e ações espetaculares de prisão de suspeitos. O pacote de medidas tornará crime o uso exagerado de algemas, a exposição indevida de presos, além de proibir que policiais envolvidos nessas ações se mantenham no anonimato. Atingirá, também, a atuação de parlamentares nas comissões de inquérito, as milícias e os grupos de extermínio.

Correio Braziliense
"Mudanças no vestibular começam em outubro"
O Ministério da Educação marcou para os dias 3 e 4 as provas do novo Enem, que será unificado. No momento da inscrição, os candidatos terão de optar por cinco cursos e poderão estudar em qualquer universidade federal que aderir ao chamado sistema de seleção unificada. Instituições estão autorizadas a manter critérios próprios de admissão, como o do PAS ou as cotas para negros.

quinta-feira, abril 09, 2009

Invasão alienígena



Taturanas infestam casas e assustam moradores em Joinville

Segundo a vizinhança, lagartas apareceram em casa abandonada. Moradores contrataram dedetizadores para aplicar veneno na região.

Do G1, em São Paulo, com informações do ClicRBS*
Moradores de Joinville (SC) estão assustados com a infestação de milhares de taturanas, que apareceram nas residências do bairro Saguaçu, desde terça-feira (7). As lagartas teriam aparecido em uma casa abandonada na região e se espalharam pelas ruas e demais residências.

Na manhã desta quinta-feira (9), uma equipe de dedetização, contratada pelos próprios moradores do bairro, foi até o local aplicar veneno contra as taturanas.
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Nota do Editor - Não são meras taturanas como podem pensar os incautos terráqueos. São perigosos marcianos disfarçados. O fim se aproxima irmãos. (Sidney Borges)

Socorro!


Apagaram a luz...

Brasil

O BBB do PT

Guilherme Fiuza (original aqui)
Lula não é Chávez, mas parece estar cada vez menos conformado com isso. Não deve ser fácil mesmo abrir mão das delícias do populismo autoritário.

Aos poucos isso vai sendo corrigido. A intervenção no Banco do Brasil é o mais novo capítulo da tomada do poder pela companheirada. Eles não agüentam mais ganhar eleições e ser governados por Pedro Malan.

Foi o que declarou a ministra Dilma Rousseff. Ela não agüenta mais falar com presidente de banco público que pensa que é presidente de banco privado. Vamos traduzir: é um saco mandar em gente que não tem carteirinha do partido.

Quando assumiu a presidência, Lula deu a senha, ao esculachar as agências reguladoras: não admitia saber pelo jornal que “algum filho da mãe” aumentou um preço público.

Assim foi feito, por exemplo, no setor elétrico. Ali nenhum filho da mãe ousa mexer nas tarifas populistas, que comprimem o preço da energia – para depois o contribuinte pagar o rombo, como se sabe. Obra de Dilma, a mãe do filho.

Assim será com os juros do Banco do Brasil, essa entidade que compra ingressos para show do PT. O novo presidente do banco é afilhado do partido. Enquanto Delúbio, Valério e Valdomiro, os principais clientes, não voltam à ativa, fica combinado que quem assina os cheques é Dona Dilma. Sem intermediários.

Eis a doutrina: Lula oferece dinheiro barato ao povo, Dilma decide o preço camarada e manda entregar.

É claro que o banco, sangrado de todos os lados pela companheirada, ficará com o bumbum no sereno. Aí o governo popular vai lá e cobre com o seu dinheiro. E você, distraído, nem nota.

Já era mesmo tempo de livrar o BB daquelas triangulações intrincadas da época do valerioduto. Muito mais simples instituir esse Banco do Brasil Beneficente, anexo ao PT.

Chega desse mundo privado e neoliberal que não vai aos aniversários de José Dirceu.

Procon? Pra que serve?

Desespero

Sidney Borges
O "Speed" é caro e ineficiente. Como agravante a empresa que explora o serviço trata os usuários como bobinhos. A Internet não funciona direito há alguns dias, certos sítios entram e outros ficam de fora, ninguém sabe o porquê. Os que baixam o fazem a passos de tartaruga, "turtle speed", uma boa denominação para o pisca-pisca da Telefônica. Navego no ritmo de ora acende, ora apaga, ora acende, ora apaga e quando acende o faz à meia-bomba. Alguém tem Viagra para Speed? Vou reclamar ao Bispo, ao Procon não adianta.

Direitos e deveres

Dever de Vigilância

Revista Consultor Jurídico - O Estado de S. Paulo
Quem paga Zona Azul tem direito à segurança do carro 'Optando o Poder Público pela cobrança de remuneração de estacionamentos em vias públicas de uso comum do povo, tem o dever de vigiá-los, com responsabilidade pelos danos ali ocorridos'.

Assim, a empresa que administra a Zona Azul de São Carlos, foi condenada a pagar indenização no valor de R$ 18,5 mil ao motorista Irineu Camargo de Souza de Itirapina/SP, que teve o carro furtado quando ocupava uma das vagas do sistema de Zona Azul da cidade de São Carlos, serviço explorado pela empresa.

A decisão é da 1ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmando sentença da comarca de Itirapina. Agora já existe jurisprudência firmada!

Para se exercer a plena cidadania, é imprescindível a informação.

Fique ciente!

Luta-livre

A day in the life

Sidney Borges
Morreu Fantomas. Naqueles ensolarados dias da infância e também nos dias cinzentos e chuvosos eu ia caminhando para a escola. Caminhando e fumando um Macedônia, cujo maço eu carregava na mala junto com uma cebola para não ficar cheiro.

Caminhando, fumando e pensando na identidade secreta do Fantomas. E vendo os Cap-4 do Aeroclube de São Paulo fazer a perna do vento. Com eles e seu amarelo Caterpillar começou a nascer a compulsão de voar.

Quem seria Fantomas? Eu tinha pistas que aos poucos foram eliminadas.

Fantomas não poderia ser Pirota e ao mesmo tempo lutar contra Pirota. Ou será que no dia dessa luta alguém se disfarçou de Fantomas? Assunto quente para a hora do recreio, quando eu fazia pose de intelectual para a nova vizinha.

Também não poderia ser o índio paraguaio Russiti, sujeito mau de verdade que chegava ao extremo de levar limão para esfregar nos olhos dos adversários. Sempre fui contra isso.

Entre o Macedônia da ida e o da volta, sem tragar, apenas enchendo a boca de fumaça e soltando no ar como Humphrey Boggart, eu me imaginava adulto, pegando o ônibus Estações em movimento para ver luta-livre.

Nas noites de sextas-feiras, no Ibirapuera, lutava o grego Kostólias, campeão mundial. Tenho essa falha no currículo, quando chegar a hora da verdade serei obrigado a admitir que nunca vi Kostólias lutar.

Ele não participava das noitadas da TV Record aos sábados. Meu pai dizia que era porque estava cansado da luta de sexta-feira. Fazia sentido, a explicação tinha lógica.

Naquela época eu já estava começando a entender as coisas pelo prisma da visão científica.

Mesmo assim voltei a fumar na adolescência e só parei quando percebi que não valia a pena. Pra quê?

Moda


Grife Daspu lança "putique" na internet

REBECA DE MORAES -
Folha Online (original aqui)
Abrem-se as cortinas, começa uma batida de funk. Numa imagem que remete a um cabaré há um palco e, nele, revezam-se imagens de um desfile com roupas que fogem à convencional alta costura, com peças justas, curtas e sensuais. As modelos também não lembram em nada as magérrimas de costume: são encorpadas, fazem poses sensuais.
Essa é a abertura do site da Daspu, a grife da ONG carioca Davida, que luta pelos direitos das prostitutas. Desde o início da semana passada, ao clicar nas fotos dos desfiles, o internauta é direcionado à recém-inaugurada Putique Daspu, a loja virtual da grife que cria roupas inspiradas no universo da prostituição.
Engana-se quem pensa que o objetivo do site é vender para as prostitutas que navegam pela internet.
"É um público que nos interessa, sim. Mas hoje em dia vestir Daspu virou 'cult', vendemos para mulheres de classe média, profissionais liberais, que têm entre 26 e 45 anos", explica Flávio Lenz, diretor de marketing da Daspu.

Fantomas (1933-2009)


Por trás da máscara de Fantomas

ESTÊVÃO BERTONI (Original aqui, só para assinante)
Não era nada mole liquidar Fantomas, um homem de pedra nos ringues, já alertava o locutor. Herói do telecatch -espetáculo de luta livre popularizado pela TV entre os anos 60 e 80 no país-, o mascarado justiceiro escondia sob a fantasia preta com detalhes brancos a identidade de Guerino Cicon, um marceneiro de Piracicaba (SP) de quase dois metros e mais de 100 kg.

E não adiantava recorrer a táticas torpes, como “chutar violentamente a região baixa” de Fantomas. Moicano e Cantinflas já tentaram isso numa luta e nada conseguiram.

De uma família de italianos, mudou-se para SP nos anos 60. Praticava natação e halterofilia, o que o ajudou a entrar no mundo das lutas, área em que foi muito feliz, diz a filha Idely, com a voz embargada.

Ela lembra que os shows costumavam fechar o Pacaembu, de tão cheio. Seu pai conheceu o país em turnês.

Nos combates, Guerino fingia ter uma das pernas endurecidas. Era uma tática. E ele já se machucou de verdade? A princípio, a filha diz que não. Depois lembra que o pai já quebrou o dente, a clavícula, um dedo, entre outros.

Depois que as lutas acabaram, trabalhou como segurança, até se aposentar. Há cerca de um ano, vivendo na Cohab, passou a sofrer com problemas circulatórios e de diabetes. Estava internado há cinco meses e teve um dedo, e depois a perna, amputados.

“Quero colocar uma faixa em frente ao hospital Tatuapé para agradecer ao tratamento que tivemos”, diz a filha.

Guerino morreu sábado, 28, aos 75 anos. Deixa duas filhas, quatro netos e três bisnetos. A missa de sétimo dia foi ontem, (07/04) em São Paulo.

- Fantomas contra Moicano e Cantinflas, memorável.

Petrobras e o cheiro do ralo

PF confrontará relatório e inquérito

Documento não incluído na apuração oficial indica que diretor da ANP teria se beneficiado de operações

Marcelo Auler, RIO (original aqui)
Mesmo admitindo desconhecer a origem de um suposto relatório do setor de inteligência da Polícia Federal, o superintendente da instituição no Rio, delegado Ângelo Fernandes Gioia, garantiu ontem que as informações ali contidas serão confrontadas com as do Inquérito 2415/2007. Esse inquérito foi aberto para investigar possível favorecimento nos aumentos dos repasses de royalties de petróleo para algumas prefeituras.


Segundo o documento, Victor Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e irmão do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, teria se beneficiado com o aumento do repasse de royalties do petróleo para prefeituras que haviam contratado a assessoria da Análise Consultoria e Desenvolvimento, empresa de sua propriedade e de sua mulher, Josenia Bourguignon Seabra.

Produzido em PowerPoint (um programa de computador), o documento tem, segundo Gioia, todas as características de ter sido produzido pelo setor de inteligência da Polícia Federal. Ele afirma, contudo, não ter como garantir sua autenticidade - e por isso determinou a abertura de inquérito para investigar sua autoria e o vazamento para jornalistas. A cópia que está em seu computador foi conseguida, segundo ele, por meio da assessoria de imprensa da PF em Brasília, que a teria recebido de jornalistas.

O documento, de acordo com Gioia, possui 15 slides - nos quais, além de Victor e Josenia, são citadas outras pessoas, entre elas o superintendente de Fiscalização de Abastecimento da ANP, Jefferson Paranhos Santos. Algumas telas apresentam a chamada qualificação dos citados (nome, filiação, data de nascimento e número dos documentos) assim como suas fotos, tal e qual os documentos de inteligência policial.

O superintendente da PF no Rio também não soube responder por que o documento, se realmente é do setor de inteligência, não foi anexado ao Inquérito 2415, aberto em novembro de 2007 para investigar o aumento indevido dos repasses de royalties para algumas prefeituras. Nesse inquérito, como o Estado informou ontem, há apenas dados fornecidos pela gerência de segurança empresarial da Petrobrás dando conta de como eram calculados os repasses dos royalties.

APURAÇÃO PARALELA

A ausência do relatório no inquérito já fez com que o procurador da República Marcelo Freire, responsável pelo caso, determinasse a abertura de procedimento de investigação. Ele quer saber por que o relatório que chegou às mãos dos jornalistas não foi levado ao inquérito. Para Freire, isso pode significar que houve uma investigação paralela.

Ontem, o delegado Lorenzo Pompilio, um dos que assinaram a portaria instaurando o Inquérito 2415, garantiu que na época não existia nenhum documento de inteligência, apenas notícias colhidas em jornais. Outro delegado que pode esclarecer o caso é Oswaldo Scalezio Júnior, o primeiro a presidir a investigação, que atualmente está em São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da PF paulista, contudo, ele não falará com a imprensa sobre o caso.

Após constatar que nada existe contra Victor Martins no inquérito oficial, o advogado Tiago Martins Lins e Silva disse que solicitou na segunda-feira informações à PF sobre outra eventual investigação envolvendo seu cliente. Até ontem, não teria recebido resposta. Na véspera, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, classificara a investigação da PF sobre o caso como "tempestade em copo d'água", baseada em dados "desconexos". O Estado tentou ouvir Jefferson Paranhos Santos, mas ele não foi localizado pela reportagem.

Nota do Editor - Victor Martins é um cidadão acima de qualquer suspeita, é irmão de um homem de esquerda, da verdadeira esquerda, da esquerda pura, constituída por heróis da raça que arriscaram a vida para nos salvar da ditadura de direita e colocar no lugar a ditadura do proletariado. Essa gente não mente e não mexe em dinheiro público. No entanto, há fortes suspeitas contra ele, as investigações avançarão e ao fim teremos três possibilidades. Na primeira ficará provado que ele é inocente.
Na segunda, sempre lembrando ao leitor que isto é um exercício mental, que ele é culpado.
Na terceira a investigação não acontecerá por que perderam os papéis no dia da limpeza.
Aconteça o que acontecer a gasolina continuará cara. Cada vez que abasteço o carro fico pensando se há vantagem em ser dono da Petrobras, pois a empresa é do povo brasileiro e eu sou brasileiro e homem do povo. Estou pensando seriamente em vender a parte que me cabe nesse latifúndio. Haverá interessados?
Waldomiro Diniz, alguém se lembra? Foi filmado praticando um crime e o filme foi exibido em rede nacional. Sumiu. Por onde andará? Em qual estatal se esconde de nós? Este foi mais um programa da série Os Intocáveis, sob o patrocínio da Petrobras. (Sidney Borges)

Opinião

Por uma ética planetária

Raul Marino Jr.
Os fatos e os acontecimentos que se têm desencadeado nos últimos anos dentro de nossas fronteiras têm nos levado a estudar melhor as hoje pouco lembradas ciências da Ética, da moral e da Bioética.


Muitos falam delas em palanques e na mídia visual e escrita, mas poucos nos explicam seu significado, sobretudo se empregadas na melhoria e orientação de nossa convivência coletiva, no comportamento dos governos, de nossos políticos e de nosso povo em relação ao restante do universo neste terceiro milênio.

Pode-se definir Ética como um conjunto de normas que regulamentam o comportamento de um grupo particular de pessoas, como, por exemplo, médicos, advogados, psicólogos, odontólogos, etc., e até políticos...

É normal que esses grupos tenham o seu próprio código de ética - que normatiza suas ações específicas -, e seu princípio fundamental é o respeito à dignidade e à sacralidade do ser humano como sujeito atuante e autônomo, e que nos permite entender e analisar a vida moral. Essas normas mantêm a sociedade aglutinada e, quando são afrouxadas, a comunidade e a Nação começam a se desintegrar, necessitando de reforço das leis. Ela é, portanto, um sistema de valores morais, direitos e deveres que nos levam a ter caráter, mas um caráter humano ideal em nossas ações e fins.

A Antropologia demonstra que o homem é o único animal moral e que ele ou é ético ou não é homem. A Sociologia, por sua vez, demonstra que nenhum homem pode ser ético ou moral sozinho - ele precisa viver entre seus semelhantes para sê-lo. Sozinho, o homem pode não saber quem ele é nem para onde vai, nem ser responsável por seus atos.

A moral, às vezes considerada como ciência, é também uma arte: a arte de viver e como viver como um ser humano, dentro dos bons costumes e usando bem sua liberdade. Mas, o que é mais importante, ela tem suas leis: as leis para a felicidade humana, promulgadas no Decálogo em apenas 10 linhas e nas 8 linhas das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. Projeto que Hans Küng, um dos maiores teólogos da atualidade, denominou de "Ética Mundial" ou Planetária, que tanto se faz necessária no caos moral em que vivemos!

Nenhum tratado filosófico conseguiu superá-la, consagrando a moral como a estética e a ciência do espírito, que nos ensina o que fazer com a nossa vida, colocada em nós como um dom pelo criador, e que nos ensina a considerar o amor desinteressado ou ágape como fundamento de toda ética e do conhecimento da verdade como manifestação de uma lei natural e eterna.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 09 / 04 / 2009

Folha de São Paulo
"Novo presidente do BB terá meta de redução de juros"

Governo não revela detalhes; ações do banco na Bovespa recuam 8%

O governo deu posse ao novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e determinou que ele reduza os juros cobrados pela instituição e aumente o crédito. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, essas metas serão estabelecidas no que ele classificou como "contrato de gestão".

Será a primeira vez que o presidente de um banco público terá de cumprir metas de diminuição dos juros e do "spread" (diferença entre a taxa que o banco paga para obter dinheiro e a que cobra dos clientes). O governo, porém, não deu detalhes sobre elas nem disse o que ocorrerá se não forem cumpridas.

O Globo
"Novo presidente do BB terá de baixar juros por contrato"

Mercado vê intervenção política do Planalto e ações do banco despencam

Ao confirmar a demissão de Antonio Lima Neto da presidência do Banco do Brasil, antecipada por Ancelmo Gois em sua coluna no Globo, o governo anunciou ontem uma nova e agressiva fase para tentar derrubar os juros e os spreads bancários (diferença entre o custo de captação de dinheiro e a taxa dos empréstimos). O objetivo é provocar uma "guerra de preços" no mercado.

Para isso, explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, serão impostas ao novo comandante do BB, Aldemir Bendine, metas de desempenho, uma espécie de contrato de gestão. Entre elas, acelerar as concessões de crédito e reduzir os custos de financimento. A intenção é fazer o BB influenciar os bancos privados.

Para Lula, a redução do spread bancário virou "uma obsessão”. A reação do mercado foi negativa: as ações do BB despencaram 8,15% na Bovespa, a maior queda do pregão. Segundo analistas, a troca mostra ingerência política do Planalto no banco.

O Estado de São Paulo
"Governo troca presidente do BB para baixar juro e ação cai"

Para Lula, banco deve liderar queda de spread, mas mercado vê ingerência política

O presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, pediu demissão do cargo, após longo período de desgaste no governo. A mudança gerou no mercado financeiro o temor de que o banco sirva a interesses políticos, e as ações do BB caíram 8,15%. Segundo integrantes do governo, Lima Neto caiu por sua relutância em liderar o movimento de redução do custo do crédito no País. Há ainda suspeitas de irregularidades em sua gestão, segundo a oposição. Ao comentar a demissão, o presidente Lula disse que já avisou aos subordinados que o spread bancário (diferença entre o juro que o banco paga ao captar recursos e o que cobra ao emprestar) deve cair. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que os bancos públicos federais não podem “se comportar como banco privado", buscando só lucro.

Valor Econômico
"Sob nova direção, BB passa ao controle de Mantega e PT
A troca de comando no Banco do Brasil foi uma vitória do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do PT, partido que desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentava assumir o comando do maior banco público do continente. A possível ingerência política na instituição foi rapidamente percebida pelo mercado: a cotação das ações do BB caíram 8,1% na Bovespa ontem.


Na origem da substituição de Antônio Francisco Lima Neto por Aldemir Bendine, até então vice-presidente de Novos Negócios do BB, esteve a resistência do ex-presidente em reduzir os juros nos empréstimos do banco para não comprometer os resultados da instituição.

quarta-feira, abril 08, 2009

Ubatuba em foco

Logística

Governo define 19 áreas para novos portos

Humberto Medina (Original aqui)
No litoral de São Paulo, estudo conclui que há viabilidade em três pontos da costa: dois em Ubatuba e um em Peruíbe. No Rio, há dois trechos em Rio das Ostras; projeção é que até 2023 a demanda de carga nos portos chegue a 1,2 bilhão de toneladas.

O governo concluiu estudo sobre a localização de portos ou terminais que deverão ser construídos para comportar o aumento na movimentação de carga prevista até 2023.

Foram definidas 19 áreas, subdivididas em 45. No litoral de São Paulo, há três pontos considerados viáveis para a instalação de terminais de exportação de produtos agrícolas (principalmente soja) e de carga geral (contêineres): dois em Ubatuba e um em Peruíbe.

Nessa área de influência do porto de Santos, a previsão é que em 2023 possam transitar 47 milhões de toneladas de soja, volume bem superior aos 10,1 milhões de toneladas de 2008. Em relação ao movimento de contêineres, espera-se que passe de 2,7 milhões de unidades para 8,8 milhões.

O estudo, de responsabilidade da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), será entregue à Secretaria Especial de Portos.

Apesar da redução de 7,8% na movimentação entre 2007 e 2008, o governo espera que, até 2023, a demanda de carga nos portos chegue a 1,2 bilhão de toneladas -representando crescimento de 84,9% em relação aos 649 milhões de toneladas do ano passado.

No início deste ano, no entanto, a redução continua forte: queda de 36% na movimentação em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2008.

Em Peruíbe, a região onde um porto ou um terminal poderá vir a ser instalado é um trecho de 5 km, próximo ao local denominado Ruínas do Abarebebê, antigo aldeamento jesuítico de São João Batista de Peruíbe. Há também, nas proximidades, terras sob avaliação da Funai, que podem ser declaradas indígenas (Piaçaguera). Nesse trecho, a análise aponta a possibilidade de movimentação de soja, farelo e açúcar.

No litoral de Ubatuba, há dois trechos, cada um com um quilômetro, onde poderiam ser instalados terminais para movimentar o mesmo tipo de carga previsto para Peruíbe. Mas o estudo ressalta a proximidade da área tombada de Paranapiacaba e da Serra do Mar.

No litoral do Rio, há dois trechos no município de Rio das Ostras, um de 1 km e outro de 4 km. Essas áreas estão na região de influência do porto do Rio, onde o governo espera que, em 2023, a demanda chegue a 127,8 milhões de toneladas de minério de ferro e a 1,58 milhão de contêineres.

Para a região de Rio das Ostras, a principal carga esperada é minério de ferro.
Fonte: Folha de São Paulo (8/4/2009)

Nota do Editor - Estou publicando esta matéria a pedido do leitor-colaborador Carlos Lunetta que me perguntou se eu tinha mais informações. Eu li na Folha e não vejo possibilidades reais de que tenhamos um porto por aqui em curto prazo. A viabilidade de um porto em Ubatuba é inegável, o que não falta na região é litoral. Mas antes do porto é preciso criar condições para que as mercadorias transitem. Exportar soja por aqui hoje seria pouco prático e muito caro. Antes do porto o governo precisa construir ferrovias. Por outro lado, Ubatuba não está perto de Paranapiacaba como cita a matéria, pelo contrário, está bem longe. (Sidney Borges)

China em pauta

Saudades da crise

Guilherme Fiuza (original aqui)
Falando baixo para não chatear Paul Krugman e outros luminares que compararam a crise atual com a Grande Depressão dos anos 30… E a China, hein?

Enquanto o sistema financeiro ocidental é tratado como a besta do apocalipse, a Coréia do Norte põe no mercado ações da sua hecatombe nuclear. E a China, darling dos moderninhos ocidentais, desponta como principal acionista do delírio atômico norte-coreano.

Os bin ladens de olhos puxados estão testando seu brinquedo capaz de explodir o Alasca. E o que faz a ONU? Para variar, nada.

A ONU não fazer nada é normal, mas nesse caso o mundo não vai punir os malucos coreanos porque a China não quer. No tal conselho de segurança (sic) que o Brasil implora para entrar, os chineses avisaram que a ditadura vizinha pode continuar com sua chantagem atômica.

Eis a escolha brasileira: implicar com os brancos de olhos azuis e puxar o saco dos amarelos de olhos puxados – esses que brincam de explodir o mundo.

Recentemente, a tara brasileira do bloco terceiromundista com as ditaduras orientais propôs o abandono do dólar nas trocas comerciais. Abaixo o colonialismo yankee! Que tal adotar o plutônio como a nova moeda?

Enquanto os paleontólogos da crise de 29 disputam quem faz o poema mais sujo sobre Alan Greenspan, os comunistas de mercado preparam em paz sua guerra.
Eles ainda vão deixar o mundo com saudades da crise de 2009.

Deu na Folha

PF tem dossiê sobre diretor da ANP

Do Globo Online:
Após passar um ano e quatro meses praticamente parado, o inquérito aberto em dezembro de 2007 pela Polícia Federal para investigar supostas fraudes na distribuição dos royalties do petróleo aos municípios fluminenses terá andament e vai incorporar um relatório de inteligência da PF. O dossiê levanta suspeitas sobre o envolvimento de dirigentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP), incluindo o diretor Victor Martins, em um esquema criado para incluir ou aumentar a participação de determinadas cidades na divisão das fatias dos royalties.

De acordo com o relatório, Victor Martins seria suspeito de participar de um esquema de desvio de royalties e favorecimento de prefeituras por meio de sua empresa Análise Consultoria. Anteontem, Martins divulgou uma carta afirmando que, apesar de sócio da Análise Consultoria, está afastado de sua gestão desde que assumiu o cargo na ANP, em 2005. E que, desde então, não assinou qualquer contrato com prefeitura ou empresa. Procurado pelo jornal O Globo, Martins não quis se pronunciar sobre o assunto.


De Márcio Aith, na Folha:

O documento, a que a Folha teve acesso, foi apresentado pelo setor de inteligência da PF ao diretor da instituição, Luiz Fernando Corrêa, em março de 2008.

Na época, a PF já havia concluído a Operação Águas Profundas, uma investigação que identificou fraudes em cinco licitações, quatro delas para reparos em plataformas de exploração. Durante escutas telefônicas feitas na Operação Águas Profundas foram constatadas as irregularidades na distribuição de royalties, conforme a PF.

Um inquérito foi aberto em meados de 2008 para investigar o assunto. Mas Victor Martins, o principal suspeito, segundo a PF, não foi indiciado nem acusado formalmente. Seu nome sequer foi incluído no inquérito, que se resume a cópias de recortes de jornal.

Um delegado da cúpula da PF alegou à Folha que o nome do diretor da ANP foi excluído das investigações para preservar o sigilo do trabalho da PF. Segundo ele, se o documento que menciona Victor tivesse sido incluído no inquérito, ele e os demais investigados teriam acesso às informações, prejudicando o trabalho da PF.

Pareceres

Desde que assumiu uma diretoria na ANP em maio de 2005, Victor Martins recomendou, como relator, mudanças em critérios de pagamento de royalties a cinco cidades e obteve a aprovação da diretoria da agência. Os municípios são: Duque de Caxias (RJ), Paraty (RJ), Linhares (ES), Cubatão (SP) e Estância (SE), segundo atas de reuniões da ANP.

Juntos, receberam R$ 176,4 milhões em royalties de petróleo em 2008 e viram sua arrecadação com essa fonte de recursos crescer de 112% (no caso de Duque de Caxias) até 409% (Estância) -numa proporção bem maior do que a expansão média dos pagamentos a todos os municípios (46%).

A Folha contatou as prefeituras de Paraty e Duque de Caxias, mas não obteve resposta sobre eventuais contratos com a Análise Consultoria. A reportagem não conseguiu contato com as demais prefeituras.
Leia mais (Só para assinantes)


Mulher não é parente

Victor Martins, a exemplo de outros investigados, não é culpado de nada nessa fase da apuração. E não será aqui que se vai dizer o contrário, é evidente. Mas uma coisa, creio, merece questionamento desde já.


No ritmo em que vamos no país, ainda chegará o dia em que alguém vai lançar a campanha “Mulher não é parente”. Victor Martins é sócio de sua mulher, Josênia Bourguignon, na empresa Análise — aquela que, segundo a PF, teria recebido a comissão. Pois bem. Apostemos no melhor e mais inocente cenário para ambos: tudo não passa de um erro da PF, e nada aconteceu. Será que as coisas ficam, então, no seu devido lugar?

Eu realmente acho estranho que o dono de uma empresa especializada em prestar consultoria na área de petróleo seja diretor da... Agência Nacional de Petróleo. A lei exige que ele se afaste da direção, e ele se afasta. Mas a mulher continua lá.

A condição de ambos deve gerar situações engraçadas. Fico imaginando Victor tomando um cuidado danado para que Josênia nada saiba sobre o seu trabalho. Petróleo, em casa, deve ser assunto proibido. Se ela flagra o marido a tratar ao telefone de algum assunto de interesse de sua empresa, terá algum dilema ético? “E agora? O que faço?” O próprio Victor deve se esforçar para manter permanentemente a sua vocação de servidor da causa pública, embora sócio de uma empresa privada ligada à área em que atua. (Reinaldo Azevedo)

Frases

“O Festival de Observação de Aves de Ubatuba chega à quarta edição em outubro, juntando-se às festividades de aniversário da cidade. Neste ano o evento contará com a presença de especialistas brasileiros e estrangeiros.”

Carlos Rizzo

Coluna da Terça-feira

ACIU e Merenda Escolar (Verdurama)

Maurício Moromizato
Inicio a coluna de hoje tocando no principal assunto da semana que passou: a eleição da Associação Comercial de Ubatuba (ACIU). Como já havia comentado na coluna anterior, mostrou-se muito saudável para a entidade ter havido disputa. A democracia deve ser exercida em todas as instâncias da vida de uma sociedade. Parabéns à atual diretoria, comandada pelo Kibe, que conduziu o processo eleitoral de maneira correta.

Congratulações à chapa 2, ao Ricardo e todos seus companheiros, pela coragem de enfrentar a eleição, pela disposição e organização demonstrada e pelas propostas apresentadas na campanha.
Parabéns à chapa 1, vencedora inconteste e composta por pessoas de bem. Parabéns aos conselheiros eleitos, que tem missão tão grande quanto a da diretoria.


Apesar de a ACIU ter como associados menos da metade dos empresários do município e de terem comparecido para votar aproximadamente metade dos associados, apenas, os mais de 60% dos votos conferem a Alfredinho uma grande oportunidade para mostrar a que veio. E uma enorme responsabilidade perante toda a comunidade, pela importância que a ACIU tem na economia da cidade. Li o comunicado que Alfredinho soltou à imprensa mostrando seu entusiasmo com a vitória e chamando a responsabilidade para a ACIU, sinalizando que a entidade será efetivamente “player” na vida do município, durante sua gestão. É o que todos desejamos e como associado espero que aconteça. Parabéns Alfredinho, você mereceu a vitória obtida. Defenda a entidade, a economia do município e os empresários da cidade.

Quero passar agora para outro assunto, que voltou à boca das pessoas na semana que passou: o rompimento do contrato para a terceirização da merenda entre a Prefeitura e a empresa Verdurama. Foi a crônica de uma morte anunciada, tanto pela insatisfação que estava no ar por parte dos funcionários da empresa, como pelas notícias, já veiculadas inclusive nesse blog, sobre problemas da empresa com ilicitudes em outros municípios do Brasil. Infelizmente, o fim do contrato se dá da mesma maneira nebulosa como começou o assunto. Aos que não se lembram, a terceirização da merenda foi matéria de intensa polêmica no início da gestão passada, um dos principais motivos para o rompimento da aliança política entre o PT e Eduardo César e lá atrás, como agora, tudo vem cercado de mistérios e de justificativas efetuadas depois que “Inês é morta”.

Alguns questionamentos ao Senhor Secretário de Educação e à Administração Municipal a respeito do assunto: por que romper o contrato no início do ano letivo? Os problemas só começaram agora? Com quem foi discutida a questão do rompimento, levando informações sobre os problemas que supostamente estavam acontecendo? Qual a vantagem econômica e social que o município está levando com o rompimento? Nesse momento de crise mundial, o rompimento do contrato visou proteger a economia do município? Haverá preferência por empresas municipais no novo edital? Haverá finalmente estímulo e incentivo financeiro para que a produção de alimentos no município seja adequada à merenda e seja adquirida dos produtores, fortalecendo os agricultores, pescadores e produtores locais? Tendo sido unilateral, foi aceito sem contestação pela Verdurama? A Secretaria de Educação e a Prefeitura tem obrigação de soltar nota oficial informando todos os detalhes dessa operação, que é economicamente significativa para o município, socialmente importantíssima e moralmente exemplar por se tratar de medida ligada diretamente à Educação Municipal. Com a palavra o Senhor Secretário de Educação e o Senhor Prefeito Municipal.

Vejo no rompimento uma excelente oportunidade para fortalecer a economia local e os cidadãos de Ubatuba. Seja pela efetiva volta da merenda sendo diretamente feita por funcionários concursados e preparados para tal tarefa, com compras feitas pela própria secretaria de educação e no comércio local, seja pela manutenção da terceirização (que parece já ter sido a decisão tomada), com novo edital favorecendo empresários locais e produtores de Ubatuba. Tenho convicção que com bom assessoramento jurídico, bom entendimento com o ministério público e discussão séria com os empresários locais se pode achar uma maneira para que os vultosos recursos da merenda escolar permaneçam em sua maior parte na economia do município.

E finalizo unindo os dois assuntos tratados aqui: ACIU e Merenda Escolar. Quando da terceirização, a ACIU foi omissa e ficou em cima do muro num assunto que envolve milhões de Reais do orçamento municipal. As compras e contratações de funcionários, com dinheiro de todos nós cidadãos e contribuintes dizem respeito à ACIU também. Ao atual e futuro presidentes da ACIU, qual a posição a respeito dessa terceirização, nessa época de crise mundial? O bom trânsito e o apoio explícito do prefeito deve agora ser usado em favor da economia municipal. Arregacem as mangas e botem pressão para a Prefeitura favorecer o empresariado local. Em minha opinião temos condições de termos empresas locais tocando esse negócio. E na opinião da ACIU?

Nota do Editor - Ao ler o título o leitor poderá pensar que houve engano. O que aconteceu ontem com a internet ninguém saberá jamais. Por razões que só a Telefônica poderia esclarecer, mas não vai, ficamos privados do "Speed" por quase todo o dia. Sugiro mudar de nome do serviço, ficaria melhor "Slowly". Every other day slowly. (Sidney Borges)

Opinião

Hora de apertar cintos

Editorial do Estadão
Depois de comparar a situação das finanças públicas à da mãe que "colocou o feijão no fogo para cinco pessoas e, de repente, chegam dez" - uma metáfora pouco apropriada, pois o que afeta as finanças é a redução do feijão e não o aumento do número de comensais -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a governadores e prefeitos reunidos em Montes Claros (MG) que é hora de "apertar os cintos". A recomendação vem a propósito da redução da arrecadação tributária, que prejudica todos os níveis de governo.

Por exemplo, embora não coincidam com os da Confederação Nacional de Municípios (CNM), os dados apresentados ontem no Senado pela secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, confirmam que a maioria das prefeituras enfrentará sérias dificuldades em 2009. A CNM previu que, neste ano, os repasses da União para as prefeituras por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) serão R$ 8,2 bilhões menores do que no ano passado; a Receita admite a redução de R$ 5,2 bilhões. Também serão menores os recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Há várias propostas para compensar a redução dos repasses dos fundos constitucionais. Algumas o governo federal deveria examinar com atenção - como a de substituição do indexador da dívida dos Estados renegociada com a União -, mas outras devem ser liminarmente afastadas, por estimular os gastos ou por representar ameaça à responsabilidade fiscal.

A adoção do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas como indexador dos contratos de refinanciamento das dívidas estaduais assinados a partir de 1997 era, à época, conveniente para as partes, mas, com a evolução da economia, acabou determinando um oneroso crescimento do saldo devedor. Como lembrou ao Estado o secretário da Fazenda de Mato Grosso, Eder Moraes, com a soma do IGP-DI mais juros de 6,05%, a dívida tem correção anual de 17%, bem acima da taxa básica de juros.

Vários especialistas em finanças públicas, entre os quais José Roberto Afonso, julgam a mudança do indexador justificável, pois as condições macroeconômicas mudaram muito e a troca não fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Isso pode ser negociado entre União e Estados. O que não pode é o respeito estrito à LRF.

No caso dos municípios, porém, é pequena a margem para negociações. A queda da arrecadação afeta todos os níveis de governo. Cai a receita do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Renda (IR) e, por isso, caem também os repasses da União por meio do FPM, formado por parte da arrecadação desses tributos. Não há o que fazer nesse caso.

Boa parte dos municípios brasileiros não consegue arrecadar o suficiente para sustentar sua burocracia. Só sobrevive porque recebe recursos que a União e os Estados lhe transferem, compulsória ou voluntariamente.
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