sábado, março 14, 2009

Imortal



Fênix

Reinaldo José Lopes
...Se as observações feitas em laboratório estiverem corretas, a T. nutricula é o único animal do nosso planeta a alcançar a imortalidade biológica. Tal como a ave da mitologia, ela alcance o auge do seu ciclo de vida e se reproduz para, num passe de mágica celular, retornar à configuração que tinha no início. Compreender direito esse bicho maluco pode ser a chave para determinar de uma vez por todas se o envelhecimento e a morte são inseparáveis da nossa condição de seres vivos complexos ou se eles são o subproduto de processos que podem ser retardados ou evitados por completo.
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Perguntas indiscretas

Quem, quando, onde, como?

Sidney Borges
A Corregedoria do Ministério Público andou pela cidade fazendo perguntas. Perguntei a um dos perguntados o que eles perguntaram. Não obtive resposta. O que será que eles querem saber? Em breve saberei, isto é, nós saberemos. Por enquanto é segredo.

Alfabeto dos peixes. (H) Horadandia

Brasil

Procura-se o culpado

Sidney Borges
Um rapaz perturbado mentalmente adentrou o Aeroclube de Brasília, na cidade histórica de Luziânia. Nada havia que sugerisse o descompasso, dirigia um carro em bom estado, estava bem vestido e levava uma criança com ele. Pediu educadamente para fazer um vôo panorâmico.

Na cabeceira da pista sacou uma arma e expulsou o piloto, decolando em seguida para bater e morrer, juntamente com a criança, no estacionamento de um shopping center em Goiânia.

Leio que querem apurar a responsabilidade do Aeroclube. Sempre tem de haver um culpado. Há situações que são imprevisíveis, por mais segurança que haja, sempre haverá uma forma de burlar.

Em 1982 eu trabalhava na Editoria de Arte da Central Globo de Jornalismo. Estávamos envolvidos com a cobertura das Eleições-82, feita a partir de São Paulo por razões que me pareciam fora de propósito. As instalações da Praça Marechal Deodoro eram acanhadas, os recursos técnicos parcos, enfim quase não havia lugar para tanta gente.

A entrada na emissora obedecia a um formalismo irritante, o crachá de cada funcionário era examinado cuidadosamente pelos "Rangers", polícia interna criada por Walter Clark.

Pois não é que um dia escutei uma gritaria digna de filme de terror e ao sair da sala vi uma multidão descendo as escadas da área técnica em grande alvoroço. Havia medo no ar.

Ninguém sabe por onde entrou ou como entrou, mas um indivíduo, ou elemento, como gostam os repórteres de polícia, passou pela triagem da portaria com um embrulho enorme nas mãos e foi para a área técnica. No centro nevrálgico da emissora desembrulhou um machado e começou a destruir a mesa Grass Valley por onde eram cortados os programas jornalísticos da casa.
Depois de a polícia dominar o furioso elemento ficamos sabendo que se tratava de um morador das proximidades. Com sérios transtornos mentais.

Essas coisas acontecem, há mais malucos na iminência de fazer maluquices do que podemos imaginar. O aeroclube não teve culpa, seres humanos nascem assim. Com defeito.

Seção dos leitores

Curiosidade ou Crítica

Joana D'Arc
Para que servem os itens a seguir: Carta do Leitor, Fale conosco, Envie sua Carta, Opinião, Foto do Dia, Tribuna Livre, Post seu Comentário ou crítica, etc...

Até agora só conseguiver publicados meus comentários, críticas e elogios em dois jornais virtuais, nos impressos, nenhum.

Onde está a "liberdade de expressão"???

E por que nos oferecem esse espaço? Agradeço aos dois meios de comunicação que me abriram espaços...

Não é preciso citar nomes. Espero que esta crítica seja publicada, e não é ofensa, é simples curiosidade.

Nota do Editor - Fique tranquila Joana D'arc, no Ubatuba Víbora você pode criticar à vontade. A única exigência é que a crítica seja feita com educação, é possível dizer qualquer coisa da mãe de qualquer sujeito sem ofender. Quando as pessoas perdem a compostura, como acontece com alguns notáveis quando vão ao rádio, criam-se inimizades eternas, o que é ruim em cidades pequenas onde damos de cara com todo mundo o tempo todo. (Sidney Borges)

F-Indy

Caso Hélio: tese da defesa de Castroneves começa a desmoronar

Téo José em Amigos da Velocidade (Clique aqui e leia o original)
O julgamento de Hélio Castroneves (Penske), em Miami, está prestes a completar duas semanas. A audiência pública começou no último dia 2 de março nos EUA. Hélio, sua irmã Katiucia e seu advogado Alan Miller são acusados de evasão de divisas e fraude fiscal.

Um dos principais pontos da tese da defesa de Castroneves está ligado a empresa panamenha que seria o vértice do suposto esquema fraudulento. A defesa insiste em que a Seven Promotions pertence ao pai do piloto, Hélio Sr., e por isso não deveria impostos nos EUA.


Só que nessa semana uma testemunha pode ter começado a derrubar essa tese. Peter Yanowitch, advogado que trabalhou com Helinho e a antiga equipe Hogan, em 1999, afirmou que o piloto sempre negociou com ele na condição de proprietário da Seven Promotions.

Os promotores do caso garantem que a empresa foi criada, pelo piloto, com o único objetivo de burlar as leis norte-americanas. Não há previsão para o fim do julgamento. Especula-se na imprensa local que possa durar mais duas semanas.

Se Hélio Castroneves for condenado, pode pegar 35 anos de pena numa prisão.

Nota do Editor - Os americanos continuam com a prática abominável de prender cidadãos respeitáveis deste Brasil varonil. Prenderam o Bispo e a Bispa e teriam prendido os bispinhos se juntos estivessem, até Kaká teria ido para o xilindró. Agora estão querendo prender o piloto Hélio Castroneves, glória do automobilismo nacional. E de quebra levar junto sua irmã Katiucia. Acho que é por causa dos foguetes russos. É isso que dá ir morar em terras de bárbaros, no Brasil Hélinho estaria tranquilo. O processo passaria pela primeira instância (alguns anos), subiria para a segunda (mais alguns anos anos), subiria um pouco mais (menos de 5 anos), entraria o primeiro recurso (Entre 5 e 7 anos) e por último o "juris esperneandi" (Por volta de 8 anos). Com quase 70 anos de idade Hélinho seria finalmente absolvido. Por isso vivemos felizes nesta terra abençoada por Deus e bonita por natureza. Brasil, jamais verás país como este. (Sidney Borges)

A ponderar...

A parcialidade da imprensa

Rui Grilo
No texto “ Novas lideranças” ao mesmo tempo em que elogia a eficiência da atual diretoria da ACIU, Celso de Almeida Jr. dá um puxão de orelhas quando diz:

“A capacidade administrativa que revelaram na condução da ACIU credencia a equipe para ter uma presença mais assertiva em relação às ações governamentais.”

Não sou sócio da Associação Comercial mas também sinto essa falta de uma tomada de posição clara com respeito à questões cruciais relacionadas ao cotidiano da cidade, como o caso do transbordo.

Ao mesmo tempo reconhece a ausência de uma imprensa escrita e falada independente quando elogia a qualidade dos textos que circulam pelos boletins eletrônicos locais e que, mesmo assim, lutam com dificuldades para cobrir as despesas por falta de anúncios. É uma atitude meio velada mas perceptível, de receio de sofrer retaliações por apoiar veículos de comunicação que se posicionam mais criticamente em relação a fatos locais.

Luis Nassif, ao comentar o caso Madoff e o caso Dantas é mais crítico ainda, não só em relação à imprensa mas aos três poderes quando diz:

“No fundo, esse é o grande desafio para o Brasil aspirar a ser uma nação grande e justa: romper com esse pacto de banditismo que parece ter se consolidado nos quatro poderes do país.”

Dom Xavier Gilles de Mapeou d’Ableiges, da Comissão Pastoral da Terra, e o jornalista Leonardo Sakamoto, jornalista premiado em suas denúncias dos abusos aos direitos humanos, fazem questionamentos muito parecidos sobre o tom das críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ao MST. Como se sabe, apesar de milhares de assassinatos de camponeses e defensores dos direitos humanos, a impunidade dos assassinos é a regra. Enquanto lá Madoff foi algemado ao tribunal, aqui o uso das algemas em Daniel Dantas causou protestos na imprensa e nas mais altas cortes da justiça.

Diz a Constituição que todos são iguais perante a lei, mas aqueles que tem curso superior e, pela lógica, teriam mais condições de refletir sobre suas ações, têm direito à prisão especial. Enquanto isso, aqueles que não podem pagar um bom advogado, às vezes, mesmo depois de cumprir a pena permanecem trancafiados, como tem sido denunciado em jornais e por grupos ligados à defesa dos direitos humanos.

Está programada para este ano a conferência nacional pela democratização das comunicações, a qual deve ser precedida por conferências locais e regionais. Está na hora de organizarmos a nossa conferência local.

Está aí um grande desafio para todos aqueles que acreditam que o acesso de todos à informação é o que garante o aperfeiçoamento da democracia e a redução da corrupção.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Crise

Culpe os economistas, não a economia

Dani Rodrik (Clique aqui e leia na fonte)
À medida que o mundo ruma atabalhoadamente para a beira de um precipício, críticos do ofício da economia vêm levantando questionamentos sobre a sua cumplicidade na crise atual. E com razão: os economistas têm muito pelo que responder.


Foram os economistas os que legitimaram e popularizaram a ideia de que um setor financeiro sem amarras representava um benefício para a sociedade. Eles falavam quase de maneira unânime quando se tratava dos “perigos da regulamentação excessiva do governo”. Seu conhecimento técnico - ou o que se assemelhava a isso à época - lhes conferiu uma posição privilegiada de formadores de opinião, bem como acesso aos corredores do poder.

Muito poucos dentre eles (exceções notáveis, como Nouriel Roubini e Robert Shiller) soaram os sinos de alarme sobre a crise que se anunciava. Pior ainda, talvez, a profissão fracassou em oferecer orientação proveitosa para desviar o mundo da sua rota de desordem atual. A respeito do estímulo fiscal keynesiano, as opiniões dos economistas variaram de “absolutamente essencial” a “ineficaz e prejudicial”.

A respeito da re-regulamentação das finanças, há um grande número de boas ideias, mas pouca convergência. Do quase consenso em torno das virtudes do modelo centrado em finanças do mundo, o ofício da economia passou para uma quase total ausência de consenso sobre o que deve ser feito.

Assim sendo, será que a economia está precisando de uma grande sacudida? Devemos deitar fogo nas nossas cartilhas atuais e reescrevê-las do zero?

Na verdade, não. Sem recorrer à caixa de ferramentas do economista, sequer poderemos começar a entender a crise atual.


Por que, por exemplo, a decisão da China, de acumular divisas estrangeiras, levou uma instituição de crédito imobiliário em Ohio a assumir riscos excessivos? Se a sua resposta não usar elementos de economia comportamental, teoria da agência, economia da informação e economia internacional, entre outros, provavelmente continuará seriamente incompleta.

A falta não reside no campo da economia, mas no campo dos economistas. O problema é que os economistas (e os que lhes dão ouvidos) ficaram excessivamente confiantes nos seus modelos preferidos do momento: os mercados são eficientes, a inovação financeira transfere risco aos melhor capacitados para arcá-lo, a auto-regulamentação funciona melhor e a intervenção do governo é ineficaz e prejudicial.

Eles esqueceram que havia muitos outros modelos que levavam a direções radicalmente diferentes. O orgulho arrogante gera pontos cegos. Se algo necessita de reparo, é a sociologia da profissão. As cartilhas - pelo menos as usadas nos cursos avançados - são ótimas.

Não-economistas tendem a enxergar a economia como uma disciplina que venera mercados e um conceito estreito de eficiência (de alocação). Se o único curso de economia que você frequenta é o típico giro introdutório, ou se você for um jornalista pedindo que um jornalista dê uma rápida opinião sobre um tema de política pública, é o que realmente vai encontrar. Mas pegue mais alguns cursos de economia, ou consuma mais tempo em salas de seminários avançados, e receberá um quadro diferente.

Economistas do trabalho se concentram não só na forma como sindicatos podem distorcer mercados, mas também, na forma como, sob certas condições, eles podem melhorar a produtividade. Economistas do comércio estudam as implicações da globalização sobre a desigualdade dentro de e através de países. Os teóricos das finanças escreveram abundantemente sobre as consequências do fracasso da hipótese de “mercados eficientes”. Macroeconomistas da economia aberta examinam as instabilidades das finanças internacionais.

O treinamento avançado em economia requer aprendizagem detalhada das falhas de mercado, e sobre o sem-número de formas nas quais os governos podem ajudar os mercados a funcionarem melhor.

A macroeconomia pode ser o único campo aplicado na disciplina de economia no qual mais treinamento aumenta a distância entre o especialista e o mundo real, devido à sua dependência de modelos altamente irreais, que sacrificam a relevância em favor do rigor técnico.

Lamentavelmente, em vista das necessidades atuais, os macroeconomistas fizeram pouco progresso em planos de ação desde que John Maynard Keynes explicou como as economias podem ficar atoladas no desemprego devido à demanda agregada insuficiente. Alguns, como Brad DeLong e Paul Krugman, dirão que o campo já regrediu.

A ciência econômica é na verdade um conjunto de ferramentas com múltiplos modelos - cada qual uma apresentação diferente e estilizada de algum aspecto da realidade. A habilidade de um economista depende da sua capacidade de escolher cuidadosamente o modelo apropriado para a situação.

A fertilidade dos economistas não se refletiu no debate público porque os economistas tomaram demasiada liberdade. Em vez de apresentar menus de opções e relacionar as vantagens e desvantagens relevantes - a razão de ser da Economia - muitas vezes os economistas preferiram transmitir suas próprias preferências políticas e sociais. Em vez de serem analistas, eles têm sido ideólogos, preferindo um conjunto de ordenamentos sociais em detrimento de outros.

Além disso, os economistas têm hesitado em compartilhar as suas dúvidas com o público, temendo “fortalecer os bárbaros”. Nenhum economista pode estar completamente seguro de que seu modelo predileto esteja correto. Mas quando ele e outros o defendem a ponto de excluir as alternativas, acabam transmitindo um grau exagerado de confiança sobre o tipo de rota de ação exigido.

Paradoxalmente, portanto, a desordem reinante na profissão representa, talvez, um reflexo melhor do verdadeiro valor agregado da profissão face ao seu enganoso consenso anterior. A economia pode, na melhor das hipóteses, tornar claras as opções para os formuladores de políticas; ela não pode fazer essas escolhas para eles.

Quando os economistas discordam, o mundo fica exposto a legítimas diferenças de opinião sobre como a economia funciona. É no momento em que eles concordam tanto que o público deve tomar cuidado.
Dani Rodrik é professor de economia política na Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade Harvard e foi o primeiro a receber o Prêmio Albert O. Hirschman do Conselho de Pesquisa de Ciências Sociais © Project Syndicate/Europe´s World, 2009. www.project-syndicate.org

Opinião

O falso moralismo do PT

Editorial do Estadão
Não poderia ser mais elucidativa a sentença que o juiz titular da 17ª Vara Federal de Brasília, Moacir Ramos, acaba de dar a uma das mais rumorosas denúncias de corrupção feita no final do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Além de absolver os acusados, ele fez duras críticas aos denunciantes, que acusa de terem feito a denúncia apenas para obter dividendos políticos, sem oferecer provas e ajudar nas investigações.

O caso começou em julho de 1998, quando alguns parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT), como Aloizio Mercadante, Ricardo Berzoini e Vicente Paulo da Silva, e um líder sindical filiado ao partido, João Vaccari Neto, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, acusaram o Ministério das Comunicações, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de manipularem o leilão de privatização da Telebrás, para favorecer um grupo financeiro interessado em comprá-la.

A denúncia foi feita com base em interceptações telefônicas ilegais, que era uma das práticas a que o PT, na oposição, mais recorria para criar fatos políticos. As gravações reproduziam as conversas travadas pelo então ministro Luís Carlos Mendonça de Barros com André Lara Rezende, presidente do BNDES, José Pio Borges, diretor do órgão para a área de desestatização, e Renato Guerreiro, presidente da Anatel, com o objetivo de tentar aumentar o valor do ágio no leilão da Telebrás. Como temiam que só aparecesse um ou dois candidatos, o que levaria a uma venda pelo valor mínimo, eles se mobilizaram para estimular fundos de pensão, como a Previ e a Funcef, e seguradoras ligadas ao Banco do Brasil a formarem um consórcio para participar do leilão, com apoio do BNDES.

Embora o material divulgado contivesse apenas trechos descontextualizados das conversas, o PT acusou o governo de "grossa corrupção" e, contando com procuradores da República simpatizantes, fez do caso uma "bandeira ética" contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, que na época acabara de lançar sua candidatura à reeleição. Apesar de defender a inocência dos seus ministros, Mendonça de Barros e Lara Rezende, FHC não teve outra saída a não ser demiti-los, o que o obrigou a iniciar a campanha eleitoral na defensiva. Terminada a eleição, o PT se desinteressou do caso e nem depois da ascensão de Lula ao Palácio do Planalto, em 2003, decidiu reabri-lo.

Mesmo assim, o processo, ajuizado na Justiça Federal, seguiu sua tramitação normal. Mas as investigações mostraram que Mendonça de Barros e Lara Rezende eram inocentes, tendo agido dentro do limite da discricionariedade de seus cargos. E, acionado por procuradores da República simpatizantes do PT, o Tribunal de Contas da União apresentou relatório deixando claro que os acusados não causaram qualquer prejuízo ao erário, não feriram o princípio da moralidade administrativa e asseguraram a lisura e o caráter competitivo do leilão.

Em outras palavras, a denúncia de corrupção feita pelo PT em 1998 era infundada. Quase 11 anos depois, e esgotadas todas as etapas processuais, o titular da 17ª Vara Federal de Brasília absolveu os réus. E, além de reconhecer que eles agiram em defesa do interesse público, procurando aumentar o ágio do leilão da Telebrás, o magistrado não só condenou o PT por agir por puro oportunismo político, recorrendo a escutas telefônicas ilegais, como ainda fez questão de censurar o comportamento do atual presidente do partido, Ricardo Berzoini, do atual senador Aloizio Mercadante, do deputado Vicente Paulo da Silva e do sindicalista João Vaccari Neto. "Se havia a preocupação com a apuração dos fatos, por que esses nobres políticos não interferiram junto ao governo atual para que fosse feita a investigação das sérias denúncias que apontaram na representação que fizeram ao Ministério Público?", disse o juiz Moacir Ramos.
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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Protecionismo não é saída, afirma Lula antes de ver Obama"

Presidente pretende dizer ao colega que países ricos ‘precisam aprender a tomar conta dos seus bancos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende atacar o protecionismo dos países ricos no encontro que terá hoje em Washington com o colega Barack Obama. Antes de embarcar para os EUA, Lula afirmou em entrevista no Planalto que o protecionismo é “um desastre para a economia mundial” no médio prazo. “Não é possível que o mundo rico, que passou meio século dizendo que era preciso comércio livre, criou a globalização, derrubou o muro de Berlim, agora,no primeiro calo que começa a doer, ache que tem que voltar o protecionismo.”

Lula defenderá uma ordem mundial de mais equilíbrio entre ricos e emergentes. Ele pretende dizer que sua maior preocupação é a retomada do crédito internacional e que os ricos “precisam aprender a tomar conta de seus bancos”. Em Londres Guido Mantega (Fazenda) defendeu a nacionalização bancária como a resposta “mais concreta e mais rápida” para salvar o setor, relata Clóvis Rossi.

O Globo
"Contenção de gastos vai afetar concursos públicos"

Governo suspenderá testes de seleção para mais de 4 mil vagas na União

Além de cancelar ou adiar reajustes prometidos a servidores para este ano, o governo suspenderá concursos públicos para conter os gastos diante da queda na arrecadação provocada pela crise global. Antes de protelar os reajustes, o governo faz estudos jurídicos para assegurar que não terá problemas na Justiça, apesar de um dispositivo legal permitir a suspensão dos aumentos em caso de queda na arrecadação. Sobre os concursos, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que serão mantidos apenas os considerados prioritários, como os da Educação. O governo já havia feito autorizações para 4.227 vagas.

O Estado de São Paulo
"Lula critica protecionismo nos EUA"

Na véspera de encontro com Obama, ele cobra decisões políticas, e não técnicas, contra a crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir hoje com o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington. No centro do encontro estará a crise internacional, e um dos temas deverá ser o protecionismo. "Não é possível que agora, no primeiro calo que começa a doer, eles achem que têm de voltar ao protecionismo", disse Lula, antes de embarcar. Ele cobrou decisões políticas: "Não é hora de tagarelar, é hora de agir". Segundo o Departamento de Estado, a reunião com Obama vai tratar do papel do Brasil na ação internacional coordenada contra a crise, "O relacionamento (entre Brasil e EUA) tem um forte componente de parceria global, é um reconhecimento da ascendência do Brasil no mundo", disse o secretário-assistente de Estado, Thomas Shannon. O chanceler Celso Amorim, por sua vez, disse que Cuba estará "inevitavelmente" na conversa entre Obama e Lula.

Frase
Presidente Lula
"Não é possível que, no primeiro calo que começa a doer, eles achem que tem que voltar o protecionismo”.

Jornal do Brasil
"Lula, Obama e o menino Sean"

Disputa judicial e crise estão na pauta do primeiro encontro dos dois presidentes

Centro de disputa judicial entre o americano David Goldman e a família da brasileira Bruna Bianchi, o menino Sean será um dos principais assuntos do encontro dos presidentes Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, na Casa Branca.

O caso adquiriu contornos diplomáticos, por pressão do Departamento de Estado dos EUA. Na conversa com Obama, Lula promete criticar o protecionismo americano e discutir a necessidade de retomada do crédito internacional para empresas, como forma de combate à crise econômica global.

Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o encontro pode abrir espaço para mais exportações do Brasil para os EUA, atualmente o principal destino dos produtos nacionais.

sexta-feira, março 13, 2009

Dia da mulher

Clodovil

TSE libera Clodovil de acusação de infidelidade partidária

Do Blog do Noblat (Clique aqui e leia o original)
Por unanimidade, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram que o deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) não pode ser considerado infiel por trocar de partido. O deputado deixou o PTC para se filiar ao PR em 22 de agosto de 2007, depois de o TSE decidir que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar.

Os ministros entenderam que Clodovil sofreu grave discriminação pessoal e que houve justa-causa para ele mudar de partido. O deputado continua no cargo pelo qual foi eleito em 2006, com 493.951 votos.

- A permanência [de Clodovil no PTC] se tornou impraticável, e a convivência com o partido, insuportável -, votou Arnaldo Versiani, ministro relator.

Para mudar de partido, Clodovil alegou ter sido perseguido, ter sofrido “total abandono” e por perceber conduta anti-ética por parte do PTC. Ele cita o episódio de quando esteve no hospital, após sofrer um AVC. Ele reclama de não ter recebido visita de nenhum integrante do partido.

O PTC desmentiu as acusações e entrou com o processo contra Clodovil no TSE em 20 de novembro de 2007. Para o partido, Clodovil não justificou a desfiliação em nenhuma das hipóteses de justa-causa previstas no artigo 1º da resolução do TSE.

- Este caso é peculiar. [Clodovil] Foi uma locomotiva puxadora de votos. O que teria de esperar do partido, que somente obteve representação congressual graças a este excepcional candidato?

Todo apoio jurídico, administrativo, físico, para que o partido revelasse até gratidão pelo candidato que teve uma performance eleitoral brilhantíssima -, finalizou Carlos Ayres Britto, presidente do TSE.

- Fiz a minha campanha com o coração. Mas antes disso, trabalhei 40 anos -, disse Clodovil, ao fim da sessão, com os olhos marejados.

Elle voltou com a corda toda

Collor mostra serviço

Cristiana Lôbo (Clique aqui e leia o original)
Na primeira reunião da Comissão de Infraestrutura do Senado, para a qual foi eleito na semana passada, o senador Fernando Collor deu demonstração de que veio para surpreender. Em primeiro lugar, apresentou um cronograma de trabalho para que a Comissão se reúna às terças, quartas e quintas-feiras, às oito e meia da manhã. Em seguida, apresentou uma proposta com critérios mais rigorosos para a aprovação dos indicados para as Agências Reguladoras - esta, a principal tarefa da Comissão de Infraestrutura.

Pela proposta, já aprovada como ato número 1 da Comissão, os indicados para a direção das agências reguladoras deverão apresentar argumentação por escrito “de forma sucinta, em que o indicado demonstre ter experiência profissional, formação técnica adequada e afinidade intelectual e moral para o exercício da atividade”. E, ainda, declaração de regularização fiscal no âmbito federal, estadual e municipal e de ações judiciais, seja como autor ou réu, com indicação atualizada da tramitação processual. A Comissão analisará os documentos enviados pelo indicado e, numa segunda etapa, fará a sabatina.

A proposta de Collor é no sentido defendido pela oposição, mas que nunca foi levada adiante.
As sugestões foram acolhidas e receberam elogios - mas, estes, dos aliados que o levaram para o comando da Comissão.


Nota do Editor - Aqui é o Brasil, onde tudo parece mas não é, portanto, não sei se a iniciativa do "ex-Caçador de Marajás" será levada adiante. Provavelmente não, com a exigência de competência específica não vai sobrar espaço para fiéis correligionários. Como nomear companheiros do sindicato dos estivadores para cuidar do cerimonial do Itamarati? Dificil. São capazes de chamar o Príncipe Charles de Príncipe Chávez. He, he, he... (Sidney Borges)

Coluna Econômica

O caso Madoff e o caso Dantas

Luis Nassif Online (Clique aqui e leia o original)
Bernard Maddof deu um golpe de US$ 65 bilhões no mundo. Menos de um ano depois de descoberto está preso. Ontem houve uma audiência e ele saiu de lá algemado até uma cela pequena. O juiz distrital Denny Chin Madoff considerou que Madoff poderia fugir, já que é prevista uma pena de 150 anos para ele.

Madoff foi ao Tribunal com um colete à prova de bala, tal a fúria do público que cercou o local - parte deles, vítima de seus golpes.

Apesar de declaração de arrependimento, não divulgou o nome de familiares que participaram do golpe, nem de investidores que tinham recursos de origem duvidosa aplicados com ele.

Maddof estava livre após pagar fiança de US$ 10 milhões. O juiz revogou a fiança.

***
É longa a relação de crimes admitidos por Maddof: fraudes com títulos, lavagem de dinheiro, falso testemunho, traição a quase 5 mil clientes, perdas de US$ 65 bilhões.


O esquema começou a ser praticado na década de 80. Consistia em pagar dividendos aos clientes mais antigos com os recursos depositados pelos novos clientes - o chamado “esquema Ponzi”, a popular corrente da felicidade que quebra quando o fundo deixa de crescer.

Para manter a bicicleta rodando, Madoff fez de tudo, fraudou contas, extratos, rodada o dinheiro entre bancos de Nova York e Londres, para passar a impressão de prosperidade.

Para girar uma roda de US$ 65 bilhões em depósitos, Maddof possuía apenas US $ 1 bilhão em ativos.

***
Enquanto tais fatos ocorriam nos Estados Unidos, no Brasil, um banqueiro preso depois de um flagrante de tentativa de suborno, foi libertado duas vezes pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O uso de algemas na sua prisão indignou Gilmar Mendes; a gravação do suborno, não.


Ao mesmo tempo, políticos, grandes jornais, redes de televisão entraram em uma corrente de criminalização dos funcionários da lei que desvendaram a trama do banco Opportunity. E pouco falam dos crimes de Daniel Dantas.

***
No fundo esta é a grande diferença entre os Estados Unidos e o Brasil. Economistas liberais, jornalistas conservadores, cansaram os ouvidos da população com as reclamações contra a falta de segurança jurídica no país. Que o capital, para entrar e ajudar o país a se desenvolver, deveria ter regras rígidas nas quais confiar.


Uma dessas regras fundamentais - em qualquer economia capitalista moderna - é a capacidade das autoridades de levantar crimes e prender criminosos.

Quando se chega nesse universo dos colarinhos-brancos, cessa o discurso neoliberal. O exemplo que vem do norte não mais é invocado. Prisão de banqueiros desonestos, levantamento de esquemas de lavagem de dinheiro, condenação rápida dos infratores e esse conjunto de medidas rápidas, permite o renascimento permanente da economia norte-americana, após cada grande crise.

***
Enquanto isto, o Brasil patina na impunidade, na complacência, nas armações - como a que junta a revista Veja com a CPI dos Grampos.


No fundo, esse é o grande desafio para o Brasil aspirar a ser uma nação grande e justa: romper com esse pacto de banditismo que parece ter se consolidado nos quatro poderes do país.

Coluna da Sexta-feira

Novas lideranças

Celso de Almeida Jr.
A Associação Comercial de Ubatuba promoverá eleição da Diretoria Executiva, dia 30 de março. Tudo indica que a equipe que atualmente comanda a ACIU permanecerá na liderança, com o Alfredo Luiz Filho substituindo o Ahmad Khalil Barakat na presidência. Este, agora, seguirá como vice.


Creio que a manutenção deste time fará bem para a ACIU. O empenho destes jovens empresários permitiu um dinamismo maior para a entidade, além das diversas conquistas materiais, como a sede própria e o clube.

Outros pontos admiráveis são o entusiasmo e o bom trânsito mantido com diversos setores da comunidade ubatubense. É, sem dúvida, um grupo que contribui e contribuirá muito para o desenvolvimento de Ubatuba.

Merecem, portanto, todo o nosso apoio e incentivo.

São jovens lideranças, novas lideranças, talhadas para a construção de nosso futuro.

Quero, publicamente, sugerir a estes empreendedores queridos que atentem a um fato importante.

A capacidade administrativa que revelaram na condução da ACIU credencia a equipe para ter uma presença mais assertiva em relação às ações governamentais. Isso já é notado. Estamos lidando com empresários independentes, jovens, conscientes de suas responsabilidades com o desenvolvimento de Ubatuba, sem paixões partidárias.

Creio, por isso, que devem refletir sobre a importância de patrocinarem os veículos de comunicação independentes, que atuam na cidade.

Vejo muita qualidade nos textos que encontro nas mídias eletrônicas e em outros veículos. Vozes corajosas, muitas vezes, têm apenas estes instrumentos para divulgarem seus pensamentos.

Os mantenedores desta imprensa precisam de sustentação.

São eles que garantem força ao mais importante pilar que sustenta o regime democrático: a liberdade de expressão.

A ACIU e seus diretores precisam incentivar de forma aberta ações dessa natureza.

Principalmente hoje, onde temos jovens que não temem represálias políticas, que são corretos no cumprimento das leis, que investem no município, que geram empregos e comandam com dinamismo e correção a mais importante instituição representativa do empresariado local.

Apoiar financeiramente veículos de comunicação que estimulam o debate é contribuir para o fortalecimento da democracia.

É mostrar desprendimento, coragem e compromisso com o diálogo franco, qualidades que estes jovens empreendedores já revelaram ter de sobra.

Opinião

O boi e a ovelha, ora, quem diria...

Washington Novaes
Há alguns dias a internet se abarrotou de comentários, a maioria jocosos ou debochativos, a respeito de uma sugestão da Agência de Proteção Ambiental dos EUA de que se passe a taxar criações de animais que em seu processo de ruminação de alimentos produzam arrotos e flatulência (digamos assim), como bois e ovelhas principalmente, numa tentativa de reduzir as emissões de metano, gás cerca de 23 vezes mais danoso que o dióxido de carbono para o efeito estufa e as mudanças de clima.


Um dos países onde a taxação parece perto de ocorrer é a Nova Zelândia, que tem quase 35 milhões de ovelhas e quase 10 milhões de bois, num território pouco maior que o do Estado de São Paulo. Mas esses animais emitem quase metade de todo o metano e o óxido nitroso produzido no país e a previsão é de que produzam o dobro até meados do século (New Scientist, 20/12/2008). Além de estar testando vários caminhos para reduzir as emissões na ruminação do gado (com vacinas, aditivos químicos ou óleo de girassol, trevo e alho na ração), não falta também quem proponha baixar o consumo de carne e leite, campanhas em favor do vegetarianismo ou até mesmo a substituição das ovelhas por cangurus, que não geram metano por aqueles caminhos.

Deveríamos, apesar dos ângulos chistosos da questão, levá-la mais a sério por aqui, porque não faltarão, em breve, pressões também sobre o Brasil no que toca à emissão de metano pelo gado bovino, principalmente. Como já se mencionou neste espaço, o País tem hoje um rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, que cresce principalmente em áreas desmatadas da Amazônia. Nos estudos feitos na Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna (SP) mediram 58 quilos anuais de metano, em média, emitidos por um boi adulto.

O inventário brasileiro de emissões apresentado à Convenção do Clima, e que se refere a 1994, registra que o Brasil emitia naquele ano 13,17 milhões de toneladas de metano, das quais 10,16 milhões na agropecuária (inclui também arroz cultivado com inundação de áreas) e 1,8 milhão de toneladas por "mudança no uso de terra e florestas", além de 803 mil toneladas no "tratamento de resíduos". Como essas 13,17 milhões de toneladas podem ser multiplicadas por mais de 20 para encontrar o equivalente ao carbono, conclui-se que as emissões por gado e desmatamento contribuem mais para as emissões totais do País do que toda a matriz energética (transporte, indústria, etc.), que respondia no inventário por 236,5 milhões de toneladas anuais. Sem falar que, de 1994 para cá, as emissões brasileiras cresceram muito. O novo inventário, prometido para o ano passado, foi adiado. Mas tanto o Banco Mundial como o ex-economista chefe dessa instituição, Sir Nicholas Stern, dizem que o aumento foi significativo (Stern chegou a mencionar o dobro).

A bióloga e cientista ambiental holandesa Elke Stehfest, em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos, enumera, entre os caminhos para baixar as emissões no mundo, a redução no consumo de carne a 400 gramas por pessoa por semana - tese polêmica, ainda mais num momento de crise econômica e com as exportações brasileiras de carnes em queda acentuada. De qualquer forma, ela acha indispensável que cesse a multiplicação de rebanhos em áreas desmatadas, como na Amazônia. Outro cientista, em tom de deboche, propôs que os 40% da população norte-americana que já sofrem com a obesidade (motivada em parte por gorduras nas carnes) se submetam a lipoaspirações e que a gordura retirada seja utilizada como biocombustível e gere energia.

Brincadeiras à parte, o tema se coloca a cada dia com mais gravidade, principalmente com o temor de que a imensa quantidade de metano estocada sob os gelos polares e o permafrost da Sibéria seja liberada com o derretimento desses gelos, de que são cada vez mais frequentes as notícias. Só debaixo dos gelos do Ártico calculam os cientistas que haja mais metano que todo o carbono contido nas reservas mundiais de carvão (Steve Connor, Eco 21, novembro 2008). Hoje é raro o dia em que não apareça na comunicação alguma notícia sobre o derretimento de gelos nos pólos, na Groenlândia, nos Andes sul-americanos. A calota polar do Ártico perdeu em 2008 cerca de 4,13 milhões de km², diz o WWF. Com o derretimento, a elevação no nível dos oceanos ao longo deste século poderá ser até três vezes maior do que se calculava, afirma estudo do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), e chegar a 1 metro. Outras instituições avançam para 1,80 metro. A Associação Americana para o Avanço da Ciência avalia que o Ártico poderá deixar de existir em duas décadas, com a progressão do derretimento. E a concentração de poluentes na atmosfera chegou a 384,9 partes por milhão, 2,2 mais que em 2007 - apesar da redução de atividades econômicas com a crise. O balanço dos "desastres climáticos" chegou a US$ 200 bilhões no ano. Texas e Califórnia enfrentam as maiores secas de sua história, assim como a Austrália e o norte da China. Países-ilha como Maldivas e Kiribati tentam comprar territórios em outras partes para evacuar sua população, hoje sem saída com a elevação das águas do Pacífico.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Industrias de SP fecham 237 mil vagas em 5 meses"

Demissões fazem emprego no setor voltar ao nível de fevereiro de 2007

Desde outubro, quando os efeitos da crise financeira internacional começaram a ser mais sentidos no Brasil, a industria paulista fechou 236,5 mil vagas –cerca de 10% do total do setor. Com isso, o emprego na industria voltou ao patamar de fevereiro de 2007. De outubro a fevereiro, normalmente há queda no saldo de criação de vagas no Estado devido ao fim da safra de cana-de-açúcar, mas a retração foi muito superior á de anos anteriores. Em 2007 e 2008, houve perda de 35,5 mil e de 38 mil postos, respectivamente, no período. Fevereiro foi o terceiro mês seguido de recorde negativo para o setor. Só no mês passado, a industria paulista cortou 43 mil vagas. Paulo Francini, diretor da Fiesp, prevê que a partir de março o saldo de criação de empregos possa chegar, pelo menos, à estabilidade.

O Globo
"Governo estuda suspender aumento dos servidores"

Planalto e área econômica divergem mais uma vez sobre condução da crise

Com o recrudescimento da crise e a queda do PIB, o governo federal analisa suspender por tempo indeterminado os aumentos concedidos a um milhão de servidores no ano passado. Os reajustes têm impacto de R$ 29 bilhões no Orçamento de 2009. A área econômica estuda formas de acionar salvaguardas que condicionam os reajustes à disponibilidade orçamentária. Mas o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT para 2010, ainda resistem, temendo o custo político da medida. Os servidores já ameaçam fazer greve. Não é a primeira vez que a equipe econômica diverge do presidente Lula e da ministra Dilma. Isso ocorre também nas discussões sobre o pacote habitacional, no qual Dilma quer incluir casa "de graça" para a população.

O Estado de São Paulo
"Crise fecha 236 mil vagas na indústria paulista"

Após 5 meses de retração, Fiesp diz que onda de demissões está no fim

A Fiesp informou que as indústrias de São Paulo fecharam 43 mil postos de trabalho no mês passado, uma queda de 2,09% no nível de emprego em relação a janeiro. Foi o pior resultado para um mês de fevereiro desde 1994. Desde outubro, quando a crise financeira mundial se agravou, as empresas paulistas fecharam 235,5 mil postos, um corte de 8,5% em relação ao total de vagas existentes até setembro. Segundo o IBGE, a ocupação no setor industrial brasileiro em janeiro caiu 2,5% sobre o mesmo mês de 2008, o pior resultado desde 2001. Consulta da Confederação Nacional da Indústria mostra que"um terço das 431 empresas pesquisadas fará novas demissões. Para 54% dos empresários, as medidas contra a escassez de crédito têm tido efeito apenas moderado.

Correio Braziliense
"Após espancar a mulher, pai morre com a filha ao jogar avião em shopping"
Kléber Barbosa chegou em casa ao meio-dia em Aparecida de Goiânia (GO) e deu início à tragédia. Bateu na mulher, Érika, e na filha de cinco anos, Penélope. Arrastou-as para o carro e seguiu para Brasília. Perto de Anápolis, espancou novamente a mulher e a jogou na rodovia. Kléber então partiu para o ato final. Roubou um avião e voou rumo a Goiânia com Penélope. Pai e filha morreram após o monomotor cair no estacionamento do Shopping Flamboyant.

quinta-feira, março 12, 2009

Elixir



Príncipe Chávez

Sidney Borges
O príncipe Charles é dado a natureba e está tendo problemas por conta do xarope natural que fabrica e vende. Alardeado como elixir milagroso, bom para pedras nos rins, varizes e caspa, parece que é feito com algo parecido com pó de bico de anú, segundo Thomaz Magalhães no Trem Azul. Charles teria sucesso se fabricasse um tônico capaz de embelezar casos perdidos. Bonitol, esse seria o nome adequado. Ele teria um excelente piloto de provas nas proximidades. Charles disse que o tônico não é remédio, apenas faz bem às tripas e ao coração.

Receita da longevidade


Aos 105 anos, a secretária aposentada Clara Meadmore se orgulha de ainda ter cabelo e de não precisar de dentadura.

Aos 105 anos, virgem mais velha do mundo diz que sexo envelhece

Secretária aposentada diz que nunca teve 'tempo' de pensar em sexo. Além de virgem, ela diz nunca ter tido um aparelho de televisão

Do G1, em São Paulo (Original aqui)
Nascida em Glasgow, na Escócia, no início do século XX, ela acredita que o segredo da vida longa é nunca ter feito sexo. "Sexo envelhece", acredita.

"Tive várias amizades platônicas, mas nunca senti a vontade de ir mais longe, ou mesmo de casar", afirma Clara, que já viveu no Canadá e na Nova Zelândia, e há 40 anos mora na Cornualha, região sudoeste da Inglaterra. Para ela, o sexo sempre foi algo "complicado", que atrapalharia sua vida. "Eu sempre estava ocupada fazendo outras coisas, e nunca tive tempo de pensar em sexo", explica.

"Quando eu era criança, só era possível fazer sexo com seu marido. E eu nunca me casei. Cresci em uma era na qual as crianças - principalmente do sexo feminino - não eram vistas e nem ouvidas pela sociedade, por isso tive que aprender por mim mesma a me defender e me sustentar", diz a ex-secretária, em entrevista ao diário britânico 'Telegraph'. Além de nunca ter tido relações sexuais, Clara conta que nunca teve uma televisão, mas sempre foi "apaixonada" por ouvir rádio.

Cana



Madoff e o sol quadrado...

Sidney Borges com informações do Blog do Noblat
Bernard Madoff desviou 50 bilhões de dólares de pessoas que confiaram em suas aplicações. É possivel escrever isso sem que constitua injúria ou difamação, ao admitir a culpa ele deixa de ser suspeito e passa a criminoso aguardando sentença. A culpa assumida abrange 11 acusações - entre elas, fraude com ações, fraude postal e declarações falsas de perjúrio, de ter prestado informações falsas à Comissão de Mercado e Valores e de haver roubado fundos de investimentos de trabalhadores. E de quebra de lavar um dinheirinho para manter a forma.

- Não posso expressar convenientemente até que ponto estou arrependido. Estou aqui agora para aceitar as responsabilidades pelos meus crimes - disse Madoff que saiu do tribunal direto para a prisão.

Se eu estivesse lá diria: - Conheceu, papudo?

O juiz Denny Chen o sentenciará no dia 16 de junho. O Grande erro de Madoff foi não ter nascido ao sul do Equador. Nesta região do globo, habitada por lindas mulheres calipígias, maganos do seu calibre não costumam ir para a cadeia.

Quando vão, casos raros, é por pouco tempo.

O mesmo de sempre...

Ruína intelectual e moral

Antonio Carlos Pannunzio (Clique aqui e leia o original)
O ex-deputado José Dirceu continua a dar demonstrações de que nada assimilou dos acontecimentos que levaram à sua saída desonrosa do governo Lula e à perda do seu mandato parlamentar por falta de decoro. Não consegue livrar-se dos velhos vícios, e parece que faz questão de exibi-los todas as vezes em que emerge do mundo de sombras a que foi confinado. É o caso do uso sistemático da manipulação de fatos como arma da luta política.


A diatribe que o réu pronunciado do “mensalão” assinou neste Blog contra o governador José Serra (“São Paulo, Serra e o governo Lula”, 27/02/09) é, além de uma certidão negativa de caráter, um atestado de inépcia inclusive no manejo dessa arma inqualificável. A eficácia da impostura supõe, se não arte, pelo menos uma certa coerência. Dirceu finge ignorar essa regra elementar. Lança números sobre a capacidade de investimento do estado de São Paulo na tentativa grosseira de provar que resultam ao mesmo tempo da generosidade do governo federal e da incompetência e/ou perversidade do governo estadual.

Erra na soma, além de tudo. Não são R$ 19 bilhões, como ele diz, mas R $ 20,6 bilhões que o governo do estado tem garantidos para levar adiante o mais importante plano de investimentos que São Paulo já viu. Sim, essa soma inclui, além de recursos próprios do tesouro estadual, empréstimos do BNDES e de agências internacionais com autorização do governo federal. Essa autorização é exigência legal. Não é favor. Só o petismo procura enganar a opinião pública com isso. Seria o mesmo que dizer que as casas Bahia fidoam as geladeiras que financiam aos seus fregueses. Ora, como o consumidor que compra nela, o contribuinte paulista pagará e os empréstimos que governo do estado contrai refletem sua capacidade de endividamento, graças à austeridade rigorosa de sucessivas administrações do PSDB, culminando com o governo Serra.

A austeridade continua. Por isso, como uma medida de cautela diante da crise econômica e suas inevitáveis repercussões sobre a receita estadual, o governador contingenciou R$ 1,5 bilhão do orçamento de 2009, sem afetar nem um centavo das áreas de saúde, educação e segurança, ao contrário do que Dirceu afirma, e nem um centavo dos investimentos. O governo federal, este sim, contingenciou investimentos. Diferentemente do PAC, que é um plano de aceleração da propaganda oficial sobre uma lista aleatória de obras, o programa estadual é um conjunto criteriosamente articulado de investimentos que vai ao encontro das principais necessidades de São Paulo, principalmente em infra-estrutura.

Além disso, as medidas anunciadas pelo governador Serra incluem estímulos diretos aos setores privados geradores de emprego. Há um aumento importante da oferta de crédito para microempresários. As compras de bens duráveis (veículos, computadores, móveis) previstas para 2009 estão sendo antecipadas para o primeiro quadrimestre, assim como o programa de reforma de escolas, delegacias de polícia e outros prédios públicos. Tampouco os recursos para a Agência de Fomento estadual estão contingenciados – outra afirmação falsa do ex-deputado.

“Não há medidas novas”, ele reclama. Mais impostura. O governador anunciou dezessete novas medidas, muitas delas com eficácia imediata e outras com cronograma definido. De forma transparente, e para explicar a totalidade da ação do estado no combate à crise, foram mencionadas, de forma muito clara, outras medidas já anunciadas.

A lista é longa e a contestação item por item seria tediosa. Mas não posso deixar de citar uma falsidade que tendo a debitar mais à fragilidade intelectual do ex-deputado - atual "consultor de empresas" (sic) - do que à vontade deliberada de distorcer. O governador do estado falha, ele diz, quando a crise “atingiu principalmente São Paulo, com a desaceleração da economia e a concentração no Estado de 44% do desemprego total registrado no país”. Fato gravíssimo: então a crise fez com que 44% dos desempregados do Brasil se concentrassem em São Paulo?

O “consultor de empresas” apenas “esqueceu” de mencionar que São Paulo há anos concentra 43% da população economicamente ativa das áreas metropolitanas cobertas pela pesquisa de emprego e desemprego do IBGE. Ou seja, a mesma proporção de pessoas empregadas ou procurando emprego. Da mesma forma ele poderia ter dito que São Paulo “concentra” a maior parte dos óbitos e dos nascimentos, pela simples razão de que é o estado mais populoso.

Por último, mais uma vez de forma enganosa, o ex-deputado finge desconhecer a forma desastrada com que o presidente Lula enfrentou a crise, desde os primeiros sinais, no início de 2008, e depois de deflagrada no mês de setembro. Primeiro, a bazófia (“Bush, meu filho, resolve tua crise”, afirmou em março de 2008); em seguida o deboche (“Essa crise não é minha, é do Bush”, em novembro do mesmo ano). No entanto, como se sabe, já eram visíveis os impactos da crise, a começar pela vertiginosa saída de capitais externos, mas o presidente Lula persistia em não enxergar a realidade. No sentido oposto de uma postura responsável, convocou os brasileiros ao consumo em vez de alertá-los para eventuais dificuldades, manteve sua política de aumento dos gastos públicos correntes e, até o momento, não apresentou um plano anticrise capaz de amenizar os efeitos dessa crise sobre a economia do País.

Além do desemprego crescente, os resultados dessa visão caolha do presidente Lula e de seus ministros estão expressos nos dados recentes que o IBGE divulgou. O IBGE, fique claro, e não a “imprensa golpista”, como de hábito alega o PT quando se depara com notícias dessa natureza.
Antonio Carlos Pannunzio é deputado federal pelo PSDB-SP, membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Eleitor


Veja aqui o original

Utilidade pública

Lixo

Confira abaixo o roteiro da coleta seletiva em Ubatuba, que acontece sempre a partir das 7h:

Segundas, quartas e sextas-feiras:
Centro, Sumaré, Silop, Praia Grande, Tenório, Praia Vermelha do centro e Estrada do Cais

Segundas e sextas-feiras:
Lázaro, Saco da Ribeira, Rio Escuro, Monte Valério, Sertão das Cotias e Sununga

Terças e quintas-feiras:
Perequê-Açu, Praia do Matarazzo, Estufa I, Estufa II, Sesmaria, Vila Sumaré, Jardim Carolina, Jardim Samambaia, Bela Vista, Marafunda, Perequê-Mirim, Enseada, Toninhas e Santa Rita.

Terças, quintas e sábados:
Itaguá, Parque Vivamar e Barra da Lagoa Quartas-feiras: Taquaral, Sumidouro, Usina Velha, Pedreira, Ressaca, Mato Dentro, Emaus, Parque dos Ministérios, Vale do Sol, Iporanguinha, Morro das Moças, Cachoeira dos Macacos, Pé da Serra, Horto Figueira, Fortaleza, Vermelha do Sul, Corcovado, Folha Seca, Praia Dura, Lagoinha, Sapé, Maranduba, Beira Rio, Sertão da Quina, Araribá, Sertão do Ingá, Praia Caçandoca, Praia do Pulso, Tabatinga, Rio da Prata, Jardim Marissol, Recanto da Lagoinha, Vila Mariana Teixeira, Promove, Salga e Jardim Imobiliária.

Quintas-feiras:
Barra Seca, Vermelha do Norte, Casanga, Ranário, Morro do Tiagão, Itamambuca, Félix, Promirim, Puruba, Ubatumirim (praia e sertão), Estaleiro, Cambucá, Fazenda da Caixa, Vila Rolim, Vila Índia, Transbordo, Praia do Camburi, Almada e Picinguaba.

Brasil

Santos Dumont

Sidney Borges
De vez em quando algum luminar da imprensa resolve atrair holofotes. Uma forma que sempre dá certo é bater em nosso talentoso compatriota inventor. Santos Dumont merece respeito e admiração, dizer que os irmãos Wright voaram antes, ou que Otto Lilienthal fez centenas de vôos planados no século XIX, não desmerece o brasileiro. Sempre é bom lembrar que Dumont criou o primeiro ultraleve da história, a sensacional Libelle.

A invenção do avião não foi obra de um homem só, pode-se dizer que o conhecimento pairava no ar, coube aos pioneiros dar forma. Em tempos remotos tive uma altercação com um jornalista da Folha que ao fazer uma resenha sobre o "Pai da aviação" insinuou a questão da homossexualidade.

Eu contestei, a matéria era sobre aviação, não havia espaço para fofocas. Há quem insista no tema, geralmente homossexuais problemáticos, eu não sei de nada, não tenho documentos ou provas. E caso tivesse não daria relevância pois é irrelevante.

A obra de Santos Dumont que interessa à humanidade foi construída em recintos abertos. O que ele fez ou não fez em seus aposentos reservados não me interessa. E não interessa a ninguém, cada um com a sua vida. O Brasil precisa cultivar seus heróis. Santos Dumont é um dos meus ídolos. Diogo Mainardi pisou na bola. Pisou feio.

Besteirol

Bilionários perdem US$ 2 tri em um ano

Folha
Se 1 bilhão a mais ou a menos faz diferença na vida de uma pessoa, talvez esse seja o momento ideal para fazer essa pergunta. Os homens mais ricos do mundo perderam 45% da sua fortuna em um ano, ou US$ 2 trilhões (o equivalente ao PIB italiano, a sétima maior economia global), segundo o ranking da revista "Forbes".

A crise atual, que derrubou Bolsas pelo mundo, levou grandes economias para a recessão e derrubou milhões de pessoas para abaixo da linha de pobreza, também varreu a fortuna dos bilionários. No ano passado, eram 1.125 pessoas com uma fortuna de ao menos US$ 1 bilhão, que juntos tinham US$ 4,4 trilhões (o PIB japonês). Agora são 793 bilionários, com patrimônio total de US$ 2,4 trilhões. Na média, cada um tem US$ 3 bilhões -US$ 900 milhões menos que em 2008.

O impacto já pode ser medido no topo do ranking, que voltou a ter a liderança de Bill Gates, mesmo tendo perdido US$ 18 bilhões. A fortuna atual de Gates, US$ 40 bilhões, o colocaria no sétimo lugar em 2008. O líder do ano passado, Warren Buffett, perdeu ainda mais, US$ 25 bilhões, e agora é o segundo. Já o mexicano Carlos Slim, terceiro colocado, teve a mesmo prejuízo de Buffett e conta com US$ 35 bilhões.

Nota do Editor - A Imprensa adora bisbilhotar a vida dos poderosos. A Imprensa está perdendo leitores, os jornais estão ficando chatos e repetitivos. Neste momento de crise o que se vê é um jogo de adivinhações que segue um ritual previsível.
Algum fato, ou boato, muda o humor dos jogadores e as bolsas oscilam. Se os índices são positivos, vem um gênio da economia dizer que o pior já passou. Ganha páginas e páginas, reproduzidas no mundo inteiro. Caso contrário, ou seja, se os índices caem, o mesmo luminar diz que a situação é pior do que em 1929. E a boiada passa sem entender. Falta objetividade, repetir economistas equivale a publicar horóscopos. Eles não sabem nada, não foram capazes de ver o desastre iminente, não sabem como mudar o que vai por aí. Um famoso, cheio de prêmios, disse em agosto de 2008 que tudo ia bem, às mil maravilhas. Em setembro começou a queda no abismo. Hoje ele é entrevistado e levado a sério, ocupa páginas inteiras de jornais. Prefiro a Mãe Dinah. Quem quer saber dos ricos e famosos lê Caras, revista honesta que sabe o que o público quer e dá. A coluna social da Folha imita, mas é linholene. O povo quer linho. (Sidney Borges)

Opinião

Manhas e campanhas

Eugênio Bucci
É pela imprensa que o debate em torno da disputa eleitoral de 2010 vai ganhando cores, temperatura e consistência. Nada mais natural - e positivo. A instituição da imprensa é maior que o simples somatório dos órgãos noticiosos. Ela se compõe dos meios impressos, como jornais e revistas, dos eletrônicos (a televisão e o rádio), e também da miríade de possibilidades informativas da era digital (os sites, os blogs e os incontáveis debates online nas redes interconectadas), e, como instituição que é, tem a sua liberdade e o seu vigor assegurados pelas leis democráticas e, acima disso, pela prática social da argumentação aberta sobre os temas de interesse público. É nesse sentido que ela se mostra capaz de forçar a transparência dos governos - que se veem instados a prestar contas à sociedade - e de vigiar o poder. Se o País se pergunta sobre o que acontecerá na sucessão de 2010, nada mais lógico que a imprensa reflita e impulsione a discussão.


Agora, a pauta do dia são as campanhas antecipadas, por meio das quais os governantes procuram transformar atos de governo em palanques para promover seus candidatos - não raro, eles próprios. A distorção deve ser apurada e noticiada para que os cidadãos a conheçam e reajam a ela. Quanto a isso, eu mesmo, neste espaço, em artigo publicado no dia 12 de fevereiro de 2009, critiquei a reação agressiva do presidente da República contra os jornais que deram destaque ao caráter eleitoral de alguns momentos do encontro de prefeitos realizado em Brasília naquele mês. Argumentei, então, que é papel dos jornalistas questionar o poder e que não cabe ao poder questionar os jornalistas que apenas cumprem sua função precípua.

Na semana passada o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também criticou o encontro dos prefeitos, conforme este diário noticiou na primeira página de sua edição de sábado. FHC cobrou que o Tribunal Superior Eleitoral puna, antes de 2010, o que considera um desvio: a campanha em prol de Dilma Rousseff durante o evento. "Tem de coibir durante o processo, como agora, em que já há reclamações de eleições que vão ser daqui a um ano e meio, de que estão usando o poder público", disse ele. "Acho que tem de coibir os abusos em marcha já para evitar que haja anulação de votação.

"Por certo, é direito do ex-presidente, como líder partidário, levantar-se contra o que julga favorecer os seus adversários. Pelo menos dois pontos, porém, devem ser esclarecidos - e, infelizmente, eles não vêm sendo debatidos com a mesma ênfase.

O primeiro ponto é que, durante o governo FHC, verificou-se um enorme empenho, bem-sucedido, por parte do poder, para mudar a Constituição e aprovar a emenda que permitiu a reeleição, beneficiando diretamente ninguém menos que aquele que já estava na Presidência da República. A regra do jogo foi alterada durante a partida. Se hoje estamos às voltas com a polêmica - necessária e saudável - em torno do uso da máquina governamental para projetar candidaturas, o desvio atual não se compara, em dimensões e em gravidade, ao que se deu no Congresso Nacional entre 1994 e 1998, sob o patrocínio, às vezes velado, às vezes, não, do primeiro governo PSDB-PFL.

Aquele governo não fez apenas campanha: ele primeiro mudou as regras do jogo em benefício próprio e depois fez campanha abertamente.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Crise faz BC acelerar corte nos juros"

Taxa básica é reduzida em 1,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano, diante dos sinais de retração econômica

Antes os sinais cada vez mais claros de retração econômica, o Comitê de Política Monetária do Banco Central acelerou o ritmo da queda dos juros e cortou a taxa básica em 1,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Com a decisão, unânime, a Selic volta ao nível de abril do ano passado. È também o patamar mais baixo desde a criação da taxa, em 1986. Na reunião anterior do Copom, em janeiro, a queda havia sido de um ponto percentual. Agora, com a divulgação de que o PIB encolheu 3,6% no quarto trimestre de 2008, o BC acelerou o corte. Analistas defendiam redução de até dois pontos percentuais. Para representantes da industria, do varejo e dos trabalhadores, o corte de 1,5 ponto e insuficiente. À queda da Selic pode estimular a recuperação do crédito, um dos setores mais atingidos pela crise. A taxa, porem serve só de referência para o mercado. Na prática, os juros da economia são bem maiores.

O Globo
"Depois do tombo do PIB... Juros têm queda recorde"

Copom faz maior redução em 5 anos, mas corte pode ter chegado tarde

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, dentro das estimativas mais conservadoras. A taxa passou para 11,25% ao ano, o menor nível histórico, como em 2007. Apesar de ter sido o maior corte em mais de cinco anos, economistas, empresários e líderes sindicais temem que tenha chegado tarde demais. Segundo fontes próximas ao Planalto, o presidente Lula também teria considerado que os juros demoraram para cair.
Reunidos em evento no ABC paulista, os dois virtuais candidatos à Presidência José Serra e Dilma Rousseff trocaram farpas. Para Dilma, é a primeira vez que um governo é parte da solução e não mais um problema. Serra rebateu: as dificuldades de hoje seriam devidas ao fato de o governo não ter baixado os juros antes. Nouriel Roubini, da Universidade de NY, disse que "a recuperação não dependerá só do que o Brasil fizer, mas da economia global".


O Estado de São Paulo
"Tombo da economia faz BC reduzir juro em 1,5 ponto"

Corte é o maior desde 2003, mas empresários e sindicalistas querem mais

O Comitê de Política Monetária (Copom) em decisão unânime, reduziu ontem a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Foi o maior corte desde 2003, influenciado pelo forte recuou do PIB no final de 2008, que aponta possibilidade de recessão. Apesar do corte expressivo, a taxa real (descontada a inflação), de 6,5%, ainda é a maior do mundo. A reação dos empresários, sindicalistas e economistas foi a mesma: a redução está correta, mas poderia ter sido maior. Especialistas acreditam que a taxa deverá estar em um dígito até o final do semestre, porque a inflação não parece ser ameaça. O IPCA, referência para as metas de inflação do governo, subiu 0,55% em fevereiro, ante 0,48% em janeiro, mas a alta já era esperada e não muda a perspectiva de taxa de 4,5% para 2009.

Jornal do Brasil
"Uma reação tímida"

Banco Central derruba a taxa básica de juros, que fica em 11,25%, mas entidades querem mais


O corte de 1,5 ponto percentual na Selic, promovido pelo Banco Central um dia depois do anúncio de retração da economia no último trimestre de 2008, devolveu os juros básicos ao patamar de setembro de 2007 e abril do ano passado - o menor nível da história. Foi também a maior redução desde novembro de 2003. Essas credenciais não livraram o BC das críticas de empresários e trabalhadores ao que consideram tímida a redução. A exceção coube à Fiesp, que elogiou a decisão. O mercado financeiro já considerava um corte de 1,5 ponto como projeção conservadora.

quarta-feira, março 11, 2009

Política

Planalto erra nome do príncipe Charles em agenda de Lula

Agenda oficial dizia que o nome era 'Charles Philip Arthur Chaves'. Nome correto é Charles Philip Arthur George Mountbatten-Windsor

Jeferson Ribeiro Do G1, em Brasília (Clique aqui e leia o original)
A agenda oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desta quarta-feira (11) trouxe o nome errado do príncipe de Gales, Charles Philip Arthur George Mountbatten-Windsor. Ele se encontra com Lula nesta quarta-feira e na agenda presidencial era chamado de “Charles Philip Arthur Chaves”. O Planalto reconheceu o erro e emitiu uma correção da agenda ainda na manhã da quarta-feira. Porém, a assessoria não deu explicações sobre o que levou ao erro. O herdeiro da Casa de Windsor inicia visita ao Brasil nesta quarta-feira acompanhado da sua esposa, a duquesa da Cornoália, Camilla Parker-Bowles. Em Brasília, o príncipe se reúne com Lula, visita o Congresso Nacional e participa de jantar oficial no Palácio do Itamaraty. Na quinta-feira (12), o príncipe de Gales e sua esposa vão ao Rio de Janeiro. Na sexta-feira (13), eles vão a Manaus e terminam sua visita ao Brasil em Santarém, no Pará.


Nota do Editor - É um prazer recebê-lo no Brasil príncipe Chaves. I beg your pardon my dear president. Who is Chaves? Desculpe, não é Chaves. É Chávez. Mas o senhor parece mais o seu Madruga! (Sidney Borges)

Natureza

Vespa que transforma barata em zumbi faz 'planejamento familiar', diz estudo

Inseto escolhe presas maiores para botar dois ovos em vez de um. Pesquisadores brasileiros estudaram 'vida doméstica' do parasitóide

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo
Esqueça os manjados Pinky e Cérebro: se tiver de escolher um animal de laboratório capaz de dominar o mundo, prefira a vespa Ampulex compressa. A sorte da humanidade é que o bicho, por enquanto, só “aprendeu” a transformar baratas em zumbis. Pesquisadores brasileiros acabam de descobrir que o bicho é ainda mais maquiavélico do que os cientistas imaginavam. Além de manipular as pobres baratas para que elas sejam devoradas vivas, a vespa também faz planejamento familiar: quando a presa é grande, ela coloca dois ovos (que vão dar origem a machos) nela, em vez de um só, como de costume.

“Ou ela sabe, de alguma forma, quais tipos de ovos vão ser botados, ou ela é capaz de controlar o acesso à bolsa de esperma que carrega”, conta o biólogo Eduardo Gonçalves Paterson Fox, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Rio Claro. Fox e seus colegas conseguiram montar uma colônia do inseto fabricante de zumbis por pura sorte – um exemplar da espécie invadiu o laboratório deles e foi capturado. Como se tratava de uma fêmea, o único indivíduo logo gerou muitos, porque os ovos não-fecundados da vespa dão origem a machos.
Nota do Editor - Se existe crueldade na natureza eis um exemplo, talvez o maior. As vespas hospedeiras não só subjugam baratas, tenho estudado o seu comportamento há anos. Aranhas e algumas lagartas também fazem parte do cardápio macabro. Depois de paralizadas são encerradas em um casulo de barro. A vespa deposita os ovos sobre as vítimas e fecha a câmara. Em meio à aterrorizante escuridão sem esperança nascem as larvas. Elas comem os corpos vivos, deixando os órgãos vitais para o final. Comida fresca. A questão é saber se o veneno deixa a consciência ativa. De qualquer forma o processo é lento e doloroso, produzindo aparente sofrimento. Como crítico do processo criativo acho que o Universo errou. Podia ser diferente. Eu faria diferente. (Sidney Borges)

Golpe

Madoff deve se declarar culpado e pode pegar 150 anos

Folha
O norte-americano Bernard Madoff, 70, suspeito de montar um esquema fraudulento que gerou perdas de dezenas de bilhões de dólares a investidores em vários países, deve se declarar culpado de 11 acusações, como lavagem de dinheiro, perjúrio e fraude, e pode ser condenado a até 150 anos de prisão.

Segundo Ira Sorkin, advogado de Madoff, o ex-presidente da Bolsa Nasdaq deve dizer amanhã no tribunal de Nova York que comandou um enorme esquema de pirâmide (em que oferecia retornos altos aos seus investidores usando dinheiro pago com a entrada de novos clientes) e provocou prejuízos a milhares de investidores, como o Prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel. Sorkin afirmou ainda que Madoff vai se declarar culpado mesmo sem ter chegado a um acordo com os promotores norte-americanos, o que poderia reduzir a sua pena em troca de colaboração.

"O governo não entrou em nenhum acordo com o sr. Madoff sobre a sua declaração de defesa ou a sentença", afirmou o procurador-geral em exercício dos Estados Unidos, Lev Dassin. "A admissão das acusações não encerra o assunto. A nossa investigação continua."

Mesmo que Madoff se declare culpado amanhã, o juiz do caso, Denny Chin, afirmou que deve demorar vários meses para declarar a sentença.

Nota do Editor - Culpado o magano vai puxar 150 anos. Quando sair, aos 220, estará velho. Com essa gente todo cuidado é pouco, ele vai tentar novamente. Vou esperar a edição de Caras de 2159 para saber como será a festa da libertação. Meu dinheiro ele jamais verá, não tenho, e ainda que tivesse só colocaria na poupança. O Lula garante. Eu confio no Lula. Lula lá... (Sidney Borges)

Quem te viu; quem te vê...


Sharon Stone, 51

Colunas do Ubatuba Víbora

Qual é sua sede? Qual é sua fome?

Maurício Moromizato
Bebida é água!

Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

Inicio a coluna de hoje com o trecho inicial da música “comida”, dos Titãs em sua fase áurea. Recentemente, Marcelo Mirisola, colunista aqui do “Víbora”, escreveu uma coluna comentando um filme de Branco Mello, que retrata a história dos Titãs. Coluna bastante crítica, que me deixou um tanto quanto desconfortável visto que minha adolescência teve os Titãs como ícone e voz, ao lado dos Paralamas do Sucesso, da Legião Urbana, do Barão Vermelho, entre outros do rock nacional. Além é claro, da MPB de Chico Buarque, Milton Nascimento e todos os mineiros do Clube da Esquina, etc. Para quem já passou dos quarenta e vira e mexe se questiona sobre a vida, ler uma crítica a um de seus antigos ídolos e perceber que fazem sentido é deveras provocante...

Mas a relação dos Titãs com a coluna de hoje veio justamente após ler a crítica e no mesmo dia comparecer à ACIU para reunião com o Secretário de Turismo. Lá, o que se ouviram foi muitas reclamações dos empresários de Ubatuba, a respeito do trânsito, da segurança (falta de), fiscalização, saneamento (falta de), atuação da Sabesp, e outras. Já escrevi sobre isso aqui nesse espaço. Ali se evidenciaram a “fome e a sede” dos empresários de Ubatuba, principalmente os do setor turístico. O secretário prometeu empenho, o que é insuficiente para saciar a “fome e a sede” que lhe foram apresentadas.

E aí, me veio à cabeça: quais outras formas de fome e sede têm aqui em Ubatuba?

Certamente os jovens têm uma fome imensa por oportunidades de trabalho, uma sede inesgotável e justa por atividades esportivas, por lazer, cultura e educação;

Os Pais anseiam por melhores dias para o trabalho, por oferta de educação de qualidade para seus filhos, temendo a fome do desemprego e a sede de recursos para as famílias;

Os cidadãos da melhor idade saciam a sede de atividades com ginástica, caminhadas, atividades específicas para sua faixa etária, mas alguns têm fome por uma saúde pública de melhor qualidade, por uma aposentadoria que lhes garanta o merecido descanso, por mais segurança nessa fase da vida que deve ser insegura por si só;

Os trabalhadores têm sede de atividades turísticas por todo o ano, fome pela reativação da construção civil, estímulo a atividades industriais específicas para nossa realidade;

Nos bairros da cidade, muitos deles (bairros), literalmente passam sede de água tratada e de esgotamento sanitário; outros têm fome de infra-estrutura como calçamento de ruas, postos de saúde, lazer e cultura;

Sem contar a fome pela PAZ e a sede de JUSTIÇA, componentes de uma luta universal, mas com sua repercussão local, frutos de uma sociedade em guerra consigo mesma e de uma justiça que ainda proporciona privilégios inaceitáveis. Não sem propriedade, a campanha da fraternidade de 2009, da igreja católica, convida a refletir e agir sobre o tema “A paz é fruto da justiça”.

O fato é que qualquer que seja a “fome e a sede” de cada um de nós, individual ou coletivamente, a solução está inserida no contexto da sociedade em que vivemos. No nosso caso, Ubatuba. Isso significa que não existem soluções isoladas e individuais para os problemas apresentados, inclusive de alguns que nos atingem de maneira pessoal.

Por isso temos que participar. Da escola, da igreja, de clubes, de comunidades, de associações de bairro, associações de classe, da política e dos partidos políticos. Está tudo envolvido e estamos todos no mesmo barco. Local e universalmente falando. Só dá para obter ajuda nos nossos problemas se ao mesmo tempo estivermos ajudando outros a resolverem os seus. Contribuir, conquistar, compartilhar, conviver, tolerar, celebrar...

Como você leitor vem agindo coletivamente? Como vem participando da vida da cidade? Como está ajudando a terminar com a “fome e a sede” de Ubatuba?

E qual a sua sede? Qual a sua fome? Você tem procurado ajuda?

A crise mundial e a crise local estão interligadas, são na verdade uma crise da humanidade, muito mais que uma crise financeira e está mudando a ordem até aqui vigente.

Os sinais vêm sendo emitidos há tempos. Acabei de ler uma trilogia de Leonardo Boff denominada “Virtudes para um outro mundo possível”, em que é colocado magistralmente que hoje somos uma única família (a dos humanos), vivendo na mesma casa (a terra) e que com a globalização temos a oportunidade de estabelecer uma nova ordem, baseada na “hospitalidade”, na “convivência, respeito e tolerância” e na “comensalidade”, com todas as nuances que tais títulos propiciam desenvolver.


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

QUAL A SUA SEDE?
QUAL A SUA FOME?
Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontadeNecessidade, desejo
Necessidade, vontade
Necessidade...

Aos leitores, uma última referência, relacionada ao tema, mostrando a necessidade da participação de cada um, expondo idéias, tecendo críticas e fazendo sugestões: “quem não chora, não mama”.
 
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