sábado, março 07, 2009

Brasil medieval

Usos e costumes

Sidney Borges
Leio nos jornais que uma menina de 9 anos engravidou após sofrer abuso. O padrasto foi preso. Um arcebispo de plantão excomungou a mãe da menina e os médicos que fizeram o aborto.

Tomei conhecimento do termo excomunhão na infância. Uma família de portugueses foi morar na casa vizinha. Pai, mãe e dois irmãos, um da minha idade, outro um pouco mais velho. Como usassem roupas estranhas, o maior já com quinze anos andava de calças curtas, tornaram-se motivo de gozação dos nativos, eu entre eles.

De gozação a coisa acabou em sopapos, "Portuga" (apelido do gajo maior) era bom de briga e bateu num cara que o atazanava. Depois da turma do deixa disso esfriar a contenda, sapecou:

- Na próxima vez que cruzares meu caminho te mato. E arrematou solene:

- Excomungado!

Ofensa ou elogio? Excomungado? Logo percebemos que a palavra era forte, pelo menos os portugueses a viam assim. Os pais do boquirroto sairam aos gritos de casa, a mãe se benzendo. Portuga levou uma sova pública, coça para ninguém botar defeito.

No outro dia dona Fernanda foi pedir desculpas à família do ofendido. Levou um prato de "bolotas de Moscou" para adoçar a conversa. No Brasil chamamos tais doces de sonhos. As desculpas foram aceitas, mas devem ter imaginado Portugal como terra de loucos, o que não deixa de ter fundamento. As bolotas tinham sido fritas em azeite. Na Santa Terrinha, dominada pela Igreja, excomunhão era coisa séria. Talvez ainda seja. No Brasil ninguém liga, na verdade pouquissimos sabem o que significa.

Eu próprio devo ter sido excomungado. Coisa automática. Era a pena por ler livros proibidos. Os títulos do demônio constavam no Index Librorum Proibitorum. Obras de Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Nicolau Maquiavel, Erasmo de Roterdã, René Descartes, Rosseau, Kant.

Sinceramente, prefiro a companhia desses senhores a padres pedófilos que molestam crianças e são acobertados.

A mãe da menina e os médicos não precisam temer, a Inquisição não tortura mais, apenas lança maldições. Quem acredita nisso? Além do mais há caminhos que levam à casa de Deus sem a intermediação de igrejas e seus impostos e taxas.

Opinião

Um pacote com o foco errado

Editorial do Estadão
Um bom plano habitacional para criar empregos e movimentar a economia poderá render, no próximo ano, dividendos eleitorais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repassar a seu candidato - ou sua candidata - à Presidência da República. Mas um pacote voltado principalmente para fins eleitorais poderá não dar certo como ação anticrise, porque será mais difícil iniciar sua execução, seus custos serão muito altos e seu resultado econômico, a curto prazo, poderá ser decepcionante.

O plano de subsídio à moradia popular anunciado nos últimos dias vem marcado por um erro de enfoque. Para evitar o agravamento da crise, o governo deveria adotar ações eficientes e prontas para aumentar a atividade no maior número possível de setores e estimular a criação de empregos. O primeiro efeito econômico seria também o efeito social mais importante neste momento: mais pessoas poderiam receber salários, ir às compras e criar condições para a criação de mais empregos. Se o objetivo social for o enfoque principal da ação do governo, o resultado econômico poderá não ocorrer, ou ocorrer em escala insuficiente - e todo o resto estará comprometido.

O governo lançou inicialmente, há alguns meses, a ideia de um pacote financeiro destinado a estimular a construção habitacional. A ideia poderia ser boa, se houvesse a expectativa de uma forte procura de novas casas e apartamentos. Essa expectativa era duvidosa e assim continua, por causa do desemprego e da insegurança econômica. Com o País próximo da recessão, é difícil assumir uma dívida de longo prazo. Mas pelo menos o ponto de partida era razoável: a construção civil tem um grande potencial de geração de empregos e gera demanda para indústrias fornecedoras de uma porção de insumos - produtos de aço, plásticos, borracha, alumínio, vidro, cerâmica e madeira, entre outros. Mas o governo conseguiu complicar o plano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu adicionar um componente "social" ao pacote, com a construção de cerca de 200 mil casas para famílias com renda mensal de até três salários mínimos. Os mutuários, nesse caso, pagariam prestações na faixa de R$ 15 a R$ 20 por mês. Outras 600 mil habitações seriam destinadas a famílias com renda de três a cinco salários mínimos, também com prestações subsidiadas. Na faixa seguinte haveria outras 200 mil unidades para famílias com ganho de 10 mínimos. Todos os grupos teriam subvenções, inversamente proporcionais à escala do rendimento familiar.

Há um evidente problema fiscal. O governo já perde arrecadação e estima um investimento global, nesse programa, de R$ 70 bilhões, sendo cerca de R$ 40 bilhões destinados a subsídios. Embora as prestações possam estender-se por 20 anos ou mais, será preciso realizar boa parte do desembolso num prazo muito menor para a construção dos imóveis. Fornecedores de insumos e trabalhadores não vão esperar 20 anos para receber o pagamento.
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Manchetes do dia

Sábado, 07 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Industria tem maior queda em 19 anos"

Produção recuou 17,2% em janeiro, pior taxa desde o plano Collor; analistas projetam baixa de 1,5 pontos nos juros

A produção industrial brasileira despencou em janeiro 17,2% em relação a igual mês do ano passado. É o pior resultado desde 1990, quando o pais vivia os efeitos recessivos do Plano Collor. No trimestre de novembro a janeiro o desempenho médio da industria mostrou queda de 6,2%, pior patamar dos últimos quatro anos. Em relação a dezembro, o setor cresceu 2,3%, após três meses de queda. A alta foi puxado pelo setor automotivo, graças á redução do IPI. O fraco resultado de janeiro surpreendeu muitos analistas, Eles acreditavam que o ajuste mais forte da produção já tivesse ocorrido no ano passado. Diante dos números divulgados pelo IBGE, o mercado agora aposta em corte de até 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros do Banco Central na próxima quarta-feira. Hoje a taxa é de 12,75% ao ano. As consultas ao BNDS sobre novos empréstimos, que indicam a disposição do empresariado para investir , caíram 42% em janeiro em relação a 2008.

O Globo
"Aborto faz Igreja excomungar médicos mas não estuprador"

Para Arcebispo, estupro é menos grave; Lula apoia equipe médica

Após anunciar a excomunhão de toda a equipe médica que fez o aborto legal da menina de 9 anos estuprada pelo padastro e que engravidou da gêmeos, o arcebispo de Olina e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, disse ontem que o crime de estupro é "menos grave" que o de aborto. A mãe da menina que autorizou o procedimento, também foi excomungada, mas o padrasto, que cometeu o crime, não teve punição da Igreja. Para o presidente Lula, os médicos foram mais corretos do que a Igreja.

O Estado de São Paulo
"Lula pressiona PT para lançar Palocci ao governo paulista"

Em conversa com Mercadante, presidente diz que ex-ministro é o melhor nome

O presidente Lula pressiona o PT a lançar o deputado Antonio Palocci candidato ao governo de São Paulo em 2010. A bordo do Aerolula - em voo entre Brasília e Campinas, diante de ministros e assessores palacianos -, ele disse ao senador Aloizio Mercadante, outro potencial candidato, que o ex-ministro da Fazenda é o nome mais indicado para disputar a sucessão de José Serra. Mercadante ponderou que os processos enfrentados por Palocci poderiam dificultar sua campanha, informa a repórter Tânia Monteiro. Lula, porém, está certo de que o STF não vai responsabilizar o ex-ministro pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. E afirmou que Palocci não deve se intimidar com os processos abertos sobre sua passagem na prefeitura de Ribeirão Preto. "Fosse assim, durante as denúncias do mensalão, eu teria ficado trancado no Palácio da Alvorada”, disse Lula. ObamaA reunião entre Lula e o presidente dos EUA, Barack Obama, foi antecipada para o dia 14. Cuba e Venezuela deverão estar na pauta.

Jornal do Brasil
"Calor de arrasar"

Massa de ar quente leva cariocas a sofrerem com temperatura alta

Atraso na chegada do verão e uma massa de ar quente estacionada na região central do Brasil, que barra as frentes frias, são as causas do calor fenomenal que fez o carioca penar – assim como boa parte dos brasileiros – no dia mais quente do ano. Para piorar, a expectativa é que o calor aumente a poluição nas praias. Na Barra da Tijuca, ontem, o mau cheiro da água já impedia o banho de mar.

sexta-feira, março 06, 2009

Cuidado com o click


Foto comprometedora
Sidney Borges
Ninguém sabe quem tirou a foto. A cena é chocante, mostra o sargento australiano Leonard George Siffleet prestes a ser decapitado pelo oficial naval Chikao Yasuno.
O infeliz Sifflet, operador de rádio, foi capturado pelos japoneses após ser traído por nativos da Nova Guiné. Ele e dois companheiros foram executados em 24 de outubro de 1943. A cena exibe soldados e oficiais japoneses sorrindo ao fundo. Dá para imaginar o efeito na moral de americanos e australianos.
O custo da indiscrição acabou sendo alto. Em 1944 o filme com a imagem foi encontrado ao lado de um soldado japonês morto. Ouro em pó para os serviços de propaganda americanos. A imagem, reproduzida aos milhares, foi distribuida aos soldados com um texto incitando a vingança.
"Eles não sabem o que é misericórdia, não merecem perdão."
Um murmúrio de indignação varreu o Pacífico. O que se viu depois foi um massacre sem precedentes. Em Okinawa, soldados japoneses foram queimados vivos com lança-chamas. Desarmados, depois de terem se rendido. A ordem era não fazer prisioneiros, eles não mereciam misericórdia.
A foto foi um dos grandes erros cometidos pelos japoneses na guerra. Ninguém sabe se foi proposital ou obra de algum fotógrafo-soldado amador.
O carrasco Chikao Usuno teve sorte, sobreviveu ao conflito. Inicialmente condenado à forca, teve a pena transformada em dez anos de prisão.

Política

Opção sim; Oposição não

Posso com essa matéria, agradar poucos e com certeza quem agrada poucos, desagrada a muitos, mais vou arriscar, pois essa matéria retrata exatamente como eu penso e como faço a frente no comando do "PTB", e é claro com o aval de todo o diretório. Ai vai!!!

Quando fui convidado pelo deputado Campos Machado a assumir a presidência do PTB, recebi junto uma tarefa, a de fazer política limpa sem pensar em tirar proveito próprio. Desde então venho trabalhando para que as pessoas filiadas ao nosso partido ou as que estão se filiando, que entendam que o nosso objetivo enquanto partido é apresentar a sociedade e aos eleitores da nossa Cidade, uma "opção", ou seja, uma maneira nova de ver as coisas e conseqüentemente uma maneira nova de administrar.

Por esse motivo é que nós, do PTB, não estamos fazendo oposição e não vamos fazer, nem ao atual e nem a nenhum outro prefeito; mas isso não significa que não estamos trabalhando, pelo contrario, estamos trabalhando e muito, fazemos com os nossos ex-candidatos a vereança e que tem pretensões futuros de representar o povo, reuniões semanais, reuniões essas com um único objetivo, o de conscientização e de valorização do voto.

Umas das frases que eu sempre digo e que eu acho que mexe um pouco com o eleitor, é que: "um favor se paga com outro favor, nunca com o voto, que os nossos pais, mesmo sem perceberem, venderam o que hoje é nosso presente, e que nós hoje temos a opção de não errar e de não vender o futuro dos nossos filhos, digo também que temos que mudar a maneira de pensar, chega de se falar em política só nas vésperas das eleições, tento mostrar às mães, pais e mesmo aos jovens, que de cara se dizem contra política e contra os políticos, que a cada quatro anos independente da vontade deles, a cidade elegerá, um prefeito, um vice e dez vereadores, e que se eles, que se consideram honestos e estão enojados com a política e com os políticos, não participarem, as coisas ficarão mais fáceis para os políticos desonestos.

Eles concorrerão só entre eles, e o resultado final é o que temos visto aos longos dos anos uma cidade cada vez mais pobre e os políticos e os seus puxa-sacos cada vez mais ricos.

TATO
Presidente do PTB de Ubatuba

Da Folha

Petista chama rainha Elizabeth de “Margareth”

DA ENVIADA A CABO FRIO
Em discurso improvisado e bem-humorado ontem, em uma inauguração de uma escola técnica em Cabo Frio (RJ), o presidente Lula errou o nome da rainha da Inglaterra, disse que trocou o “menas laranja” por “en passant” e provocou o atacante corintiano Ronaldo, dizendo que ele teria de jogar por mais três horas para marcar um gol na sua estreia.


Do Blog Emails que Vêm e que Vão
“Diferentemente do que foi publicado na seção de necrologia, caderno São Paulo, nos dias 24/6 (pág. 3-6) e 25/6 (pág. 3-8), não houve missa de Ricardo Bacanhim Pereira. Ele está vivo.” (27.jun.97)

“O quadro da edição de 9/1 de ‘Ciência’, referente à reportagem ‘Viagra para mulher’, à pág. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto.” (14.mar.00)

“Diferentemente do que foi publicado no texto ‘Artistas periféricos passam despercebidos’, à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase ‘No princípio era o Verbo’ está no Novo, não no Velho Testamento.” (7.dez.94)

“O nome do maestro Eleazar de Carvalho saiu grafado errado na edição de ontem à pág. 1-9 do caderno Brasil.” (5.jul.94) (Saiu sem o v)

“Na nota ‘Balão’, da coluna Joyce Pascowitch, publicada à pág. 5-2 (Ilustrada) de 18/12, onde se lê ‘bando Opportunity’, leia-se ‘banco Opportunity’;” (21.dez.95)

“A peste pneumônica é transmitida por gotículas de saliva, diferentemente do que informou o texto publicado na pág. 2-10, no dia 24/09.” (28.set.94) O texto afirmava que a doença era transmitida por filhotes de perdiz. Quem editou o texto procurou um sinônimo para perdigoto, que pode significar tanto salpico de saliva como filhote de perdiz.

“Texto de capa do caderno Ilustrada da edição de anteontem grafou incorretamente no primeiro parágrafo a palavra ortografia (saiu hortografia).” (25.fev.95)

“Saiu grafado incorretamente na edição de ontem o plural de fuzil-metralhadora. O certo é fuzis-metralhadoras, e não fuzíveis-metralhadoras, como foi publicado na pág. 1-14 de Brasil.” (13.set.91)

“Por erro de digitação, foi grafado poço cartesiano, em vez de artesiano, na página 3-1 de sábado último.” (16.fev.94)

“O músico Carlos Santana é guatemalteco, e não mexicano, como informou reportagem à pág. 4-3 (Ilustrada) de ontem.” (12.mar.96)… “Diferentemente do que informou ontem esta seção, o músico Carlos Santana é mesmo mexicano e não guatemalteco.” (13.mar.96)

“Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição e 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990.” (27.set.95) (Do Blog do Nassif)

Coluna da Sexta-feira

Bons ventos

Celso de Almeida Jr.
A vinda do navio MSC Opera, dia 3 de março, tem um significado muito especial.
Lembro-me da grande resistência que o Luis Bischof enfrentou, na época em que comandou a Comtur, ao defender a idéia extraordinária de incluir Ubatuba na rota dos cruzeiros marítimos.


Depois, a grande energia dedicada pelo Luiz Felipe, à frente da Secretaria de Turismo, para conquistar a credibilidade das companhias do setor e minimizar as críticas locais à proposta.

Hoje, o empenho do Bittencourt Jr para sensibilizar nosso empresariado sobre a importância de capacitar a equipe e bem atender esse público diferenciado.
Merece destaque especial o empenho do comodoro do Iate Clube Tamoios, José de Magalhães, por dar todo o suporte técnico e incentivo para viabilizar o projeto.
Realmente, foi uma grande conquista para a Ubatuba do presente e do futuro.
Tem sido gratificante acompanhar a boa impressão que nosso receptivo tem causado aos visitantes, até o momento.

No caso do MSC Opera, que vem com um público mais exigente, o saldo foi muito positivo.

Não restam dúvidas: as perspectivas de crescimento são muito boas. Basta ver o sucesso da vizinha Ilhabela nessa área, lembrando que temos enorme potencial para assumir, num prazo não muito longo, uma posição de destaque nesse importante segmento turístico.

Tudo indica que bons ventos sopram do mar.

Agora, é buscar a máxima capacitação para bem receber e atrair um número maior de navios.

Todos aqueles que lutaram por transformar o sonho em realidade merecem o nosso profundo respeito e os mais efusivos parabéns!

Opinião

Expansão da energia trafega na contramão

Washington Novaes
Parece inacreditável, mas não é. Como noticiou este jornal (27/2), embora seja um dos países com maior possibilidade de ter uma matriz energética relativamente limpa e renovável, o Brasil "recorre à energia suja" em seu Plano Decenal de Expansão de Energia. Dos 55 mil MW de nova potência previstos nesse documento, nada menos que 20,8 mil MW (quase 40%) virá de fontes térmicas, aí incluídas as usinas a gás, carvão, diesel, óleo combustível ou biomassa, além das nucleares; até 2017 serão 68 novas unidades movidas a combustíveis fósseis, com 15,44 mil MW; e as emissões na área passarão de 14,43 milhões de toneladas anuais para 39,3 milhões de toneladas - na hora em que o mundo, assustado com as mudanças climáticas, esperneia em toda parte para reduzir as emissões. Não por acaso, o plano de expansão fez pipocarem críticas de toda parte, que exigem mais prazo de discussão e mudança de critérios - das organizações não-governamentais; do coordenador do Fórum Brasileiro do Clima, professor Pinguelli Rosa ("estamos na contramão da História"); da ex-ministra Marina Silva; do especialista em energia professor Célio Berman, da USP; da secretária do Clima no Ministério do Meio Ambiente; e de várias outras personalidades.


Mesmo com a implantação das usinas do Rio Madeira, já em curso, e de Belo Monte (Rio Xingu), a participação das hidrelétricas na matriz energética cairá de 85,9% para 75,9% com a expansão da potência instalada, dos atuais cerca de 100 mil MW para 154,7 mil MW (mais 28,9 mil MW em 71 usinas hidrelétricas), e com investimentos de R$ 181 bilhões no setor elétrico em dez anos. E tudo isso no momento em que especialistas e o Tribunal de Contas da União dizem que o Brasil perde pelo menos 17% da energia que gera, principalmente nas linhas de transmissão e distribuição.

É inevitável que diante desse quadro e desses números a memória dê um salto de quase 20 anos para trás, quando foi contratado pela Eletrobrás - para analisar o plano decenal de expansão, que previa mais do que dobrar a potência instalada, chegar a mais de 100 mil MW - um consultor do Banco Mundial, Howard Geller. Este opinou que o plano não fazia sentido: a demanda não cresceria tanto (em dezembro de 2008 o consumo efetivo não precisou nem de 50 mil MW médios) e para atender ao eventual aumento do consumo seria muito mais barato investir em redução/eliminação das perdas do que na construção de novas usinas (como seria ainda hoje). Claro que seu parecer foi jogado no fundo de uma gaveta.

Agora, de certa forma, repete-se o quadro. Argumenta o Ministério de Minas e Energia que o consumo per capita no País aumentará 45% até 2017. E pretende atendê-lo em boa parte com "energia suja", como mostraram vários depoimentos na recente audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal para debate do Plano Decenal, segundo o relato das organizações não-governamentais (www.fboms.org.br). A procuradora Sandra Cureau, por exemplo, mostrou a interferência de 15 das novas unidades hidrelétricas em unidades de conservação e terras indígenas, o número de pessoas afetadas pelos 71 projetos nessa área (cerca de 90 mil), o aumento das emissões de gases nessas usinas (178%) e o quadro preocupante: enquanto as usinas eólicas passarão de 0,3 para 0,9% da potência instalada e as biomassas passarão a responder por 2,7% (hoje, 1%), as usinas térmicas aumentarão sua participação de 0,95 para 5,7% (mais de 500%) - quando mostrou este jornal (1º/1) que os ventos poderiam atender a pelo menos 60% de todo o consumo nacional de energia, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já que em mais de 71 mil km2 do território nacional a velocidade dos ventos é adequada. Não por acaso, Europa, Ásia e Estados Unidos estão investindo pesadamente nessa área (42% da nova geração nos EUA) e na energia solar.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 06 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Empresas ampliam pedidos de renegociações de dívidas"

Instrumento que substituiu a concordata tem demanda quadruplicada

Pedidos de recuperação judicial, instrumento pelo qual as empresas ganham tempo para retomar seus pagamentos aos credores, tiveram aumento de 300% no início deste ano em relação ao começo de 2008. Os dados são de levantamento feito pela Serasa Experian. Em janeiro e fevereiro houve 135 pedidos de recuperação judicial – no mesmo período do ano passado, foram 34. Para o Serasa, o aumento se deve ao perto do crédito, com menos recursos e taxas maiores,e à piora da situação econômica enfrentada pelas empresas.

O instrumento substituiu a antiga concordata a partir da Lei da Falências de 204 e envolve um caminho burocrático e árduo de negociação entre os envolvidos, acompanhado pela Justiça. A primeira empresa a entrar em recuperação judicial foi a Varig em julho de 2005. Como no início da vigência da nova lei a economia brasileira acabava de entrar em um ciclo de crescimento, poucas empresas – e seus credores – tiveram interesse no mecanismo. Segundo a Serasa, o número de pedidos de falência ficou estável em relação a 2008.

O Globo

"Dilma, Fazenda e governadores não se entendem sobre pacote"

Desoneração de impostos e subsídios emperram o plano de Lula

O pacote de habitação do governo Lula, negociado há mais de três meses, tem sérias dificuldades para sair do papel. Num momento em que a arrecadação está em queda, os técnicos da área econômica tentam encontrar uma fórmula para levantar R$ 10 bilhões. Inicialmente, o programa tinha o objetivo de estimular a construção civil e, consequentemente, a economia. Mas, depois, a decisão do presidente Lula foi costurar medidas de cunho mais social, com subsídios.
Pediu ajuda dos governadores para reduzir impostos sobre materiais de construção, mas a reunião da última terça-feira com os governadores não foi bem-sucedida. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não soube dizer quanto tempo o plano vai durar nem quanto o governo federal poderia injetar. Na Fazenda, há discordâncias sobre o Fundo Garantidor, que honrará prestações se o mutuário perder o emprego.


O Estado de São Paulo
"Lula descarta corte de gastos para evitar crise"

Para o presidente, 'agora é a hora' de fazer investimentos públicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo não pretende fazer economia para enfrentar a crise. Em discurso a uma plateia de empresários, ele afirmou que não será possível vencer a turbulência se "os ministros resolverem fazer contingenciamento cada vez maior, cada vez gastar menos, cortar salários". Pura Lula, a solução para "poder fazer este País crescer" é realizar "investimentos, com ousadia, disponibilizando crédito". Sobre se deveria haver algum arrocho, ele disse três vezes “não me peçam". Para Lula, “é a hora de a gente aproveitar essa crise para fazer o que nós não tivemos coragem de fazer nos últimos 20 anos", sugerindo mais investimentos públicos. O presidente defendeu que os países ricos tenham "coragem" de estatizar os bancos, para "recuperá-los e depois, se quiserem, entregar os bancos a quem eles entenderem que devem entregar".

Obama
A reunião entre Lula e o presidente dos EUA, Barack Obama, foi antecipada para o dia 14. Cuba e Venezuela deverão estar na pauta.

Jornal do Brasil
"Alto risco no forno da CSN"

Para o Instituto de Resseguros do Brasil, equipamentos da siderúrgica opera sem cobertura

A Companhia Siderúrgica Nacional tem espalhado medo entre os moradores de Volta Redonda e, sobretudo, quem trabalha na empresa. Há mais de um ano, seus três alto-fornos estão operando sem cobertura do seguro. O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense pediu fiscalização ao Ministério Público e à Delegacia Regional do Trabalho. Os trabalhadores temem acidentes devido a falhas de manutenção. Segundo o Instituto de Resseguros do Brasil, o mercado não estaria disposto a assumir riscos de companhias de práticas irregulares de segurança. Com nove liminares obtidas na Justiça para obtenção de resseguro, a CSN nega os problemas.

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quinta-feira, março 05, 2009

Pesquisa

Cientistas descobrem causa de cabelos grisalhos

JC OnLine (Clique aqui e leia na fonte)
Os pesquisadores da Universidade de Bradford, na Grã-Bretanha, trabalharam em conjunto com especialistas das Universidades de Mainz e de Luebeck, na Alemanha.

Eles descobriram que os cabelos grisalhos são causados pelo grande acúmulo de peróxido de hidrogênio devido ao desgaste do folículo, o que bloqueia a pigmentação natural do cabelo.

A perda da cor nos cabelos é aceita como parte do processo de envelhecimento, mas especialistas afirmam que a compreensão de como o cabelo fica grisalho pode ajudar na descoberta de uma forma de prevenção.

A pesquisa foi publicada na revista científica Faseb, da Federação das Sociedades Americanas para Biologia Experimental. Segundo o líder do estudo, Karin Schallreuter, os especialistas examinaram culturas de células de folículos capilares humanos.

Nota do Editor - Apesar do embranquecimento dos cabelos afetar a maioria dos seres humanos, há exceções. Em Ubatuba um caso desafia a ciência. Trata-se da cabeleira de um conhecido "tycoon" da imprensa, homem de rádio e jornal. A cor dos fartos cabelos lembra a asa da graúna e não há sinais de que vá mudar ao longo do tempo. Certamente uma equipe de cientistas virá em busca da resposta do enigma. A cidade será então notícia no mundo. (Sidney Borges)

Energia

Ibama concede Licença de Instalação para Angra 3

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) emitiu ontem (04/03/09) a Licença de Instalação nº 591/2009 que autoriza o início das obras da Usina Termonuclear (UTN) Angra 3. A licença é válida por um período de seis anos, observadas as 6 condições gerais e as 44 especificas discriminadas no documento.

A empresa agora prepara-se para retomar as obras de Angra 3, interrompidas desde 1986. No que se refere aos aspectos ambientais, a Usina já obteve todas as autorizações necessárias. No entanto, para a efetiva retomada do empreendimento, ainda é necessária a emissão da Licença de Construção pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A Prefeitura de Angra dos Reis deverá ainda conceder a licença para o uso do solo, solicitada em agosto de 2008 pela Eletronuclear. A expectativa é que essas licenças saiam ainda neste mês de março.

Simultaneamente, a empresa aguarda a análise, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), da minuta de termo aditivo ao contrato de obras civis que foi encaminhado ao órgão esta semana. O prazo que o TCU estabeleceu para a análise do documento é de até 60 dias.

A Eletronuclear mantém a expectativa de que as obras de Angra 3 comecem ainda no primeiro semestre de 2009, para que a Usina entre em operação comercial em novembro de 2014.

Gloria Alvarez

Coordenadora da Assessoria de Imprensa
Contatos: 21 2588.7606 / Cel. 9642.9910
E-mail: galvarez@eletronuclear.gov.br

Juliana Rezende
Jornalista
Assessoria de Imprensa
Contatos: 21 2588-7665 / Cel: 8870-4294
E-mail: jreze@eletronuclear.gov.br

Crime fiscal?

Julgado nos EUA, Castro Neves é investigado por crime também no Brasil

da Folha Online
O Ministério Público Federal brasileiro anunciou nesta quinta-feira que está acompanhando o julgamento de Hélio Castro Neves em Miami, nos Estados Unidos, e confirmou que já existe investigação sobre o piloto de F-Indy por crime de evasão de divisas no Brasil.


Segundo a Procuradoria, Castro Neves é suspeito de colaborar com a empresa brasileira Coimex, de importação e exportação, para mandar dinheiro ilegalmente ao exterior.

Entre 1999 e 2001, a Coimex tinha um contrato de patrocínio assinado com o piloto no valor de US$ 2 milhões anuais, que era depositado na conta da offshore panamenha Seven Promotions --que estava no nome do piloto, de seu pai, Hélio Phydias de Castro Neves, e de sua irmã, Katiucia, também acusada no processo nos Estados Unidos.


De acordo com a denúncia divulgada na Flórida, Castro Neves, no entanto, ficou com US$ 200 mil e só declarou U$ 50 mil ao governo americano, devolvendo US$ 1,8 milhão para contas da Coimex nos Estados Unidos, por meio da Seven Promotions e de uma outra offshore, o que caracterizaria o crime de evasão de divisas.

Seu pai também está sendo investigado no processo comandado pela procuradora da República Anamara Osório Silva, que está nos Estados Unidos acompanhando o julgamento do piloto.

"Agora começa a cooperação entre a Justiça americana e o Ministério Público Federal. O julgamento é público e estou acompanhando as sessões e tomando notas, que poderão auxiliar na investigação no Brasil", explicou a procuradora.

O Ministério Público Federal também informou que colaborou com a investigação americana ao colher depoimentos de testemunhas no Brasil.

Entenda o caso

Nos EUA, Castro Neves e Katiucia podem pegar até 35 anos de prisão, caso sejam condenados em todas as acusações --cinco pela tentativa de fraudar o governo e cinco para cada um dos anos de evasão de divisas. Os réus também podem aceitar eventual acordo oferecido pela Promotoria.
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Deu na Folha

As faces da degradação

De Janio de Freitas: (Clique aqui e leia na fonte)
A ELEIÇÃO DE Fernando Collor para presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado e o artifício de Renan Calheiros que fez esta vitória formam um fato muito positivo, em duas direções. Para a maioria que precisa de grandes aberrações para dar-se conta da realidade -arrastões em praia, invasões urbanas do PCC e outros, para admitir o nível de criminalidade-, a vitória de Collor/Renan vem demonstrar que a degradação de Senado e Câmara não é exagero dos críticos: nela germina uma ameaça nebulosa de acontecimentos, não necessariamente de origem militar, impróprios para o regime democrático. Seja como for, que a crescente degradação não levará a bom resultado, não levará mesmo.


De outra parte, a vitória de Collor, no voto, contra a petista Ideli Salvatti, comprova e castiga o fisiologismo barato a que o PT se entregou, no servilismo sem limite ao governo e à "base governista". Quando se iniciaram as revelações sobre alguns métodos de Renan Calheiros, como o pagamento da pensão de sua filha pelo lobista de uma empreiteira, o PT alinhou-se logo ao PMDB na defesa do então presidente do Senado e em acusações ao trabalho jornalístico. À frente dessa infantaria petista, a senadora Ideli Salvatti, autora, já no início da Comissão de Ética, da exaltada proposta de sustar ali mesmo qualquer propósito investigatório.

Renan Calheiros retribuiu a solidariedade de Ideli Salvatti, e do PT, a seus feitos, articulando agora as espertezas que a derrotaram. Ideli Salvatti, o PT e Renan Calheiros continuam aliados.

Sapiens?

Hipocrisia generalizada

Sidney Borges
O mundo em que vivemos parece um gigantesco hospício. Os detentores do poder pregam moralidade, frugalidade, temperança e fazem tudo ao contrário.

Senão como admitir a existência de paraísos fiscais? Para que servem? Se não houvesse conivência geral a Suíça não teria parte dos depósitos que abarrotam sua rede bancária.

Enquanto é mostrada ao mundo como modelo de virtude a terra dos queijos e relógios recebe, na calada da noite, dinheiro de tráfico, jogo, corrupção e o que mais de podre houver.

Dinheiro honesto dispensa contas numeradas.

No Brasil o senador Jarbas Vasconcelos disse o que todos sabem e fingem não saber. Existe corrupção e os políticos só pensam em vantagens. O povo? O povo que se exploda!

O espanto tomou conta da nação.

A imprensa repercutiu as palavras do velho político como se a roda tivesse sido inventada. Aliás, a imprensa se resume a fazer fofocas de poderosos.

Páginas de política são travestis das páginas de Caras, esta mais honesta, mata a cobra e mostra o pau. No bom sentido.

Proponho um joguinho simples, vamos comparar os rendimentos dos políticos com o patrimônio que ostentam.

Não vai sobrar um que não tenha as mãos sujas. É humano, a espécie parece não ter jeito.

Dou como caso perdido.

Olhar 38

Homens públicos 2

Com quem será, com quem será...

Sidney Borges
Ontem propus a escolha de um candidato para ocupar o trono de Coaquira. O eleitor tinha à disposição um sucinto currículo dos postulantes Você fez a sua escolha? Satisfeito?

O primeiro
É chegado ao álcool. Bebe o dia inteiro e fuma sem parar. Também é volúvel, mantém duas amantes e vive um casamento de fachada com uma esposa lésbica.
Franklin Delano Roosevelt

O segundo
É arrogante, não admite contestação e não pára em empregos. Dorme até o meio dia. Fumante inveterado como o adversário anteriormente descrito, é sabidamente ateu, embora publicamente fale em nome de Deus. Costuma tomar um copo de conhaque no café da manhã.
Winston Churchill

O terceiro
É um grande apreciador de arte. Protege os animais com convicção, é vegetariano. Tem uma única mulher a quem dedica afeto. Não bebe e rege a vida com base em crenças de cunho religioso.
Adolph Hitler

Opinião

O quadro ''aterrador'' da corrupção

Editorial do Estadão
A escandalosa tentativa do PMDB, na semana passada, de assumir o controle da Fundação Real Grandeza, responsável pelo fundo de pensão dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear, o sexto maior do gênero, foi, sem tirar nem pôr, o que dela viria a dizer o senador peemedebista Jarbas Vasconcelos: uma prova "clara e inequívoca" da procedência de suas denúncias sobre o que move o grosso do seu partido quando trata de ocupar espaços estratégicos na área federal. "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção", acusou o representante pernambucano em recente entrevista à Veja. Apesar da operação-abafa da cúpula partidária, as suas declarações configuraram um fato político destinado a permanecer em cena por mais tempo do que desejariam os denunciados - e o governo que lhes entrega sossegadamente as chaves da casa.

Na terça-feira, Vasconcelos voltou à carga da tribuna do Senado, cobrando "ações corretivas" contra "a degradação pública do sistema político brasileiro", a começar da armação conduzida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, outro peemedebista, para derrubar os administradores do fundo de pensão Real Grandeza. Ele os acusou de fazerem "uma bandidagem completa" e "grande safadeza". O ministro levou um contravapor do presidente Lula, mas fingiu que não era com ele. "As pessoas", comentou em termos gerais um desacorçoado Vasconcelos, "se agarram aos cargos como um marisco no casco de um navio - não caem nem nas maiores tempestades." A craca prolifera no ambiente de impunidade. E esta, apontou o senador, "se estabelece em bases sólidas num terreno cada vez mais fértil".

Eis por que ele tem razão ao exigir que o episódio do Real Grandeza não fique por isso mesmo. Talvez a "auditoria independente" que propôs não seja a melhor alternativa para deixar o caso em pratos limpos. Mas o que não se pode, mais uma vez, é "deixar a poeira baixar, esperando que a história seja esquecida, abafada por um novo escândalo". O universo dos fundos de pensão das estatais, por sinal, é uma das arenas mais ensanguentadas onde se entredevoram as principais legendas da opulenta base governista. "A população", observou Vasconcelos, "não compreende o porquê da disputa ferrenha entre grupos partidários, sempre envolvendo empresas de orçamentos bilionários." Os dez maiores fundos administram carteiras de investimentos que somam mais de R$ 226 bilhões. Não é difícil imaginar a cadeia de apetites ao redor dessa bolada.

Isso não faz necessariamente dessas instituições antros de corrupção. Mas é fato que os recursos do Real Grandeza, por exemplo, abasteceram o valerioduto, conforme apurou a CPI do Mensalão. Seis daqueles dez fundos são controlados pelo PT, vale dizer, pelo apparat sindical ligado ao partido - em especial, ainda hoje, por apadrinhados dos companheiros ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. O PMDB, entre outros, não se conforma com isso. O resultado é uma briga suja de máfias partidárias. Do ângulo do interesse público, o problema é que, "nessa mistura de partido, governo e sindicatos, ninguém sabe onde está o Estado, que acaba se dissolvendo em interesses múltiplos", como diz o presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, em um raciocínio que se encaixaria à perfeição no discurso de Vasconcelos. "Foi isso que gerou o mensalão."
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 05 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Poluição acelera morte de 20 pessoas por dia em SP"

Emissões tóxicas de veículos quadruplicam risco de morte, diz estudo

A poluição gerada pelos veículos agrava doenças que matam 20 pessoas por dia na Grande São Paulo, informa Ricardo Sangiovanni. Os números são de estudo da Faculdade de Medicina da USP. Há cinco anos, a média era de 12 mortes. Segundo o trabalho, baseado em parâmetros da Organização Mundial da Saúde, a chance de morte por doença cardiorrespiratória nos 39 municípios da região metropolitana é hoje de 10,9%. Sem as emissões veiculares, seria de 2,4%.
A piora ocorre sobreturdo em casos de infarto, pneumonia, asma, acidente vascular cerebral e câncer de pulmão. Além das mortes, o estudo estima que a poluição gere um gasto anual de R$ 334 milhões com internações – 25% saem do Sistema Único de Saúde. O ar da Grande São Paulo, que tem 19,6 milhões de habitantes, é quase três vezes mais tóxico que o limite estabelecido pela OMS. A região tem 9 milhões de veículos, um terço a mais que a cinco anos.


O Globo
"Juíza investigada pela PF por corrupção é promovida"

Decisão do TRF em Brasília foi aprovada por unanimidade: 19 votos a zero

Com indiciamento pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por corrupção e formação de quadrilha, a juíza Ângela Catão, da 11ª Vara Federal em Belo Horizonte, foi promovida ontem por unanimidade, a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ela é investigada na Operação Pasárgada, realizada peja Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal para apurar desvios de recursos por prefeitos de Minas Gerais e do Estado do Rio, mas ganhou a promoção por 19 votos a zero. O corregedor do TRF, Olindo Menezes, encaminhou a votação a favor de Ângela Catão. Segundo ele, apesar da recomendação de indiciamento e da investigação no STJ, não há nada que desabone ou impeça a promoção funcional da Juíza.

O Estado de São Paulo
"Imóvel para baixa renda terá prestações de R$15 a R$20"

Espécie de 'Bolsa-Habitação', programa dará subsídio para mutuários pobres

O governo vai subsidiar quase integralmente a compra da casa própria para os mutuários mais pobres. Com perfil de "Bolsa-Habitação", o programa imobiliário que será lançado neste mês pelo presidente Lula prevê financiamentos com prestações entre R$ 16 e R$ 20 para famílias com renda mensal de até três salários mínimos (R$ 1.395). Esses mutuários não terão de pagar nada de entrada. Além disso, para evitar o acúmulo do aluguel com as parcelas do crédito imobiliário, só começarão a quitar as prestações quando estiverem morando no imóvel. O esforço do Planalto, agora, é para convencer governadores e prefeitos a assinarem termos de adesão ao programa, abrindo mão de receitas do ICMS. Governadores que estiveram com a ministra Dilma Rousseff avaliam que os subsídios para o pacote habitacional serão tão volumosos quanto os recursos aplicados pelo governo no PAC.

Jornal do Brasil
"A esperança é chinesa"

Mercados se animam com expectativa de novo pacote econômico do governo da China

Os ânimos no mercado financeiro foram reaquecidos com a expectativa de uma reunião de governo agendada para hoje na China. Do encontro sairá um novo plano de estímulo econômico para conter os efeitos da crise internacional. No ano passado, os chineses lançaram um pacote de quase US$ 590 bilhões. O otimismo fez as principais bolsas subirem, puxando a alta na Bovespa de 5,3%. Outra fonte de esperança, a indústria chinesa mostrou sinais de recuperação, segundo indicadores divulgados ontem.

quarta-feira, março 04, 2009

Esse é o Brasil...

Custo Brasil

Banda larga é caríssima no Brasil, diz ONU

Felipe Zmoginski, de INFO Online (Clique aqui e leia o original)
SÃO PAULO - Um estudo das Nações Unidas feito em 154 países classificou o Brasil entre as nações com o serviço de banda larga mais caro do mundo. A análise também rebaixou o Brasil num ranking geral que leva em conta o custo da telefonia fixa e móvel.

Promovido pela União Internacional para as Telecomunicações (UIT), um órgão da ONU, o estudo avaliou a qualidade da infraestrutura telecom em 154 nações, o grau de inclusão digital em cada país e o custo que estas tecnologias têm para o usuário final.

Para calcular o custo em cada país, a UIT desenvolveu um índice que relaciona o custo de um serviço telecom à renda per capta em cada nação. Nos Estados Unidos, por exemplo, para ter um serviço de banda larga eficaz o usuário compromete 0,4% da renda média daquele país. Já no Brasil, é preciso comprometer 9,6% da renda por habitante.

O custo da banda larga coloca o Brasil na 77ª posição num ranking de acesso a serviços de internet. Com o índice 9,6, o Brasil fica atrás de outros países emergentes, como Argentina (7,6), México (5,3) e Rússia (2,2). Até na China (9,6) a situação é melhor que no Brasil. O país asiático é muito prejudicado no ranking, pois o custo da banda larga precisa ser comparado com a renda per capta daquele país, que é baixa, afinal a China tem mais de 1,2 bilhão de habitantes.

Os países do mundo onde a banda larga é mais barata são Estados Unidos, Canadá, Suíça, Dinamarca, Luxemburgo e Taiwan. Nestas localidades, o índice é igual ou menor que 0,7. A pior situação é a de Burkina Fasso. Lá, uma pessoa precisa gastar 5193 vezes a renda média de um cidadão para contratar um link de internet.

Telefonia móvel e fixa

Quando o critério é apenas o custo de telefonia móvel, então o Brasil piora. Numa lista de 154 nações, o Brasil aparece em 114º lugar, atrás de outras nações emergentes como a vizinha Argentina ou os membros do “BRIC, Rússia, Índia e China. Em telefonia fixa, a situação do Brasil é apenas uma posição melhor, com a classificação de 113º. A Argentina, por exemplo, aparece em 30º lugar.

Num ranking geral que leva em conta telefonia fixa, móvel e banda larga o Brasil aparece na 60ª posição, seis classificações abaixo da obtida há um ano, no estudo da UIT divulgado em 2008. Isto ocorre porque outras nações melhoraram o acesso à web de forma mais rápida que o Brasil no ultimo ano.

A favor do Brasil, o estudo registra um esforço de inclusão digital. Desde 2002, o país melhora o índice de penetração da internet nos lares seguidamente. Há seis anos, a web estava presente nos lares de 14,2% dos brasileiros. Atualmente este índice subiu para 20,8%.

A penetração da internet no Brasil é superior a de nações membros do BRIC, mas ainda muito distante do número registrado em países ricos, como Estados Unidos, Japão, Reino Unido ou Alemanha. Nestes locais, a web está em mais de 70% dos lares, afirma a UIT.

Alfabeto dos peixes. (E) Enchova

Expurgo.

Fidel acusa ex-aliados de ''ambição'' e justifica mudanças no governo

Líder cubano diz ter sido consultado sobre reforma e nega que objetivo seja trocar seus aliados por "gente de Raúl"

Ruth Costas
O líder cubano, Fidel Castro, apoiou ontem publicamente a ampla reforma de gabinete feita por seu irmão, o presidente Raúl Castro, e justificou a destituição de alguns ministros dizendo que eles eram ambiciosos. "O mel do poder despertou (em alguns ministros) ambições que os conduziram a um papel indigno", escreveu Fidel, num artigo no site Cubadebate. "O inimigo externo encheu-se de esperanças com eles."


Fidel não citou nomes, mas ao referir-se a "dois ministros mencionados pelas agências de notícias como os mais afetados pela reforma" não deixou muitas dúvidas sobre os alvos dos ataques: o reformista Carlos Lage, de 57 anos, que perdeu o posto de secretário executivo do Conselho de Ministros (uma espécie de "premiê"), e Felipe Pérez Roque, de 43 anos, o agora ex-ministro das Relações Exteriores. Ambos estavam nas listas dos líderes que poderiam substituir Fidel na presidência quando ele renunciou, há pouco mais de um ano, e - ironicamente - eram tidos como dois de seus mais leais seguidores.

O líder cubano também disse que foi consultado sobre a reforma e negou que o objetivo das mudanças fosse trocar seus aliados por gente de confiança de Raúl. "A maioria dos substituídos não foi indicada por mim", escreveu.
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Nota do Editor - O capitalismo vive tendo crises enquanto o comunismo vive promovendo expurgos. Isto é, o que resta do moribundo comunismo. Nos tempos de Stálin ser expurgado era morte certa, agora não há tanto rigor, os pugilistas daquela história que não fecha que o digam.
A imprensa dá muito espaço à Cuba, deve ser por conta do pensamento de desejo dos colegas comunistas. Roberto Marinho pediu a opinião de Chateaubriand:
- Como fazer um jornal sem comunistas?
A resposta foi curta e grossa:
- Impossível, jornal sem comunistas é como balé sem veados. Não existe. (Sidney Borges)

Homens públicos

Para prefeito

Sidney Borges
Como é sabido o atual prefeito não poderá concorrer pela terceira vez. Teremos, portanto, dentro de quatro anos, um novo ocupante no Paço Municipal. Tudo bem, não estou colocando o carro na frente dos bois, trata-se de um jogo de hipóteses. Proponho aos eleitores três perfis de homens públicos. Em qual deles você votaria?

O primeiro
É chegado ao álcool. Bebe o dia inteiro e fuma sem parar. Também é volúvel, mantém duas amantes e vive um casamento de fachada com uma esposa lésbica.

O segundo
É arrogante, não admite contestação e não pára em empregos. Dorme até o meio dia. Fumante inveterado como o adversário anteriormente descrito, é sabidamente ateu, embora publicamente fale em nome de Deus. Costuma tomar um copo de conhaque no café da manhã.

O terceiro
É um grande apreciador de arte. Protege os animais com convicção, é vegetariano. Tem uma única mulher a quem dedica afeto. Não bebe e rege a vida com base em crenças de cunho religioso.

Aí estão as opções, vote.

Gente fina. Lá e cá...

Agaciel Maia não declarou à Receita Federal uma casa de luxo em Brasília - Diretor geral do Senado pede demissão do cargo

Qualquer semelhança com os acontecimentos da Terra de Coaquira são mera coincidência. He, he, he...
http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1025718-16022,00-DIRETOR+GERAL+DO+SENADO+PEDE+DEMISSAO+DO+CARGO.html

Minutos antes do comunicado oficial, Agaciel Maia apareceu no Senado, já disposto a entregar o cargo.

“Se estão pedindo um afastamento temporário eu quero ir além, pra que não deixe dúvida, porque eu já estou condenado. Mostrei documento, já mostrei tudo. E aí?”, diz Agaciel Maia, ex-diretor geral do Senado.

Há 15 anos como diretor-geral da Casa, Agaciel Maia era responsável por gerenciar um orçamento anual de R$ 2,7 milhões e já esteve envolvido em outras denúncias.

A evolução patrimonial dele gerou suspeitas. Uma mansão luxuosa avaliada entre três e cinco milhões de reais foi comprada por Agaciel, mas estava no nome do irmão, o deputado federal Joao Maia, que não declarou o bem à Justiça Eleitoral, como manda a lei.

Líderes de partidos governistas e da oposição iriam pedir agora a tarde o afastamento do diretor geral do Senado até que Tribunal de Contas da União concluísse a investigação sobre o patrimônio de Agaciel Maia. Ele sentiu a pressão e pediu demissão.

A saída foi negociada com o presidente do Senado, José Sarney. “Achamos que um afastamento transitório, realmente manteria o problema latente. De maneira que esta é uma decisão definitiva”, declara o senador José Sarney, presidente do Senado. (Enviado por Cesar Prates)

Clique aqui e saiba mais

Deu em "O GLOBO"

Aberta a guerra nos céus do Rio

Do Blog do Noblat (Clique aqui e leia o original)
Contrariando pressões políticas do governo do estado e da Prefeitura do Rio, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou ontem a retomada dos voos regionais no Aeroporto Santos Dumont, cujas operações estão limitadas ao eixo Rio-São Paulo desde março de 2005. Em reunião de quatro horas no escritório da agência, no Rio, diretores da Anac decidiram revogar a portaria 187 do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC), que limitava as operações. Estima-se que em 50 dias voos devem ser iniciados do aeroporto para Campinas, Belo Horizonte, Vitória, Salvador e Brasília.


Segundo a Infraero, o aeroporto opera 120 voos por dia, em média, e pode receber mais 80 por dia. Com a publicação da decisão no Diário Oficial nesta sexta-feira, a agência vai marcar reunião com as companhias para discutir a distribuição dos slots (autorizações de pouso e decolagem). Os maiores interessados são empresas menores, como Azul, Webjet e OceanAir, que apoiaram a abertura.

Mas a decisão contrariou interesses dos governos estadual e municipal, que temem o esvaziamento do Aeroporto Tom Jobim (Galeão), em concessão com vistas à Copa do Mundo de 2014 e à candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, ameaçou recorrer à Justiça ainda esta semana para barrar a reabertura. Declarou guerra à Anac, que acusou de ceder à pressão da Azul. Prometeu retaliar com alta de impostos e suspensão das licenças ambientais do terminal. Mostrando irritação, classificou a decisão de "covardia, deboche e absurdo". Acusou a Anac de afrontar sua autoridade e chamou o dono da Azul, David Neeleman, de "gringo e lobista".

Opinião

Um prodígio do ''padim'' Cícero do Juazeiro

José Nêumanne
"Até outro dia quem entrava no governo olhava o que foi feito no outro: nada", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao passar por Florianópolis, em mais uma viagem pelo País para patrocinar a campanha presidencial daquela que ele diz ser sua candidata à sucessão, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ainda segundo Lula, quem vier depois dele dirá: "Eu vou ter que trabalhar porque o paradigma é outro." Modéstia inclusa!


Essas duas frases reúnem características da índole do chefe do governo federal: a competência de comunicador, a pouca familiaridade com o verdadeiro significado das palavras (apesar de haver decretado uma reforma ortográfica), a autocomplacência e a verve. A megalomania e a graça de ambas não são defeitos do presidente, mas fazem parte da receita milagrosa de sua permanência no topo do poder e no alto do pódio do prestígio popular - algo raro nas democracias contemporâneas, em que os meios de comunicação social de massa criaram uma sociedade que aplaude e dilapida, parodiando o verso do poeta Augusto dos Anjos: "A mão que afaga é a mesma que apedreja." No meio do segundo mandato, período no qual normalmente os reeleitos são submetidos à execração popular, Lula é amado pelo povo, et pour cause, bajulado pela elite política de antanho, de sempre e, ao que tudo indica, do futuro próximo e longínquo.

Seu governo poderia estar sendo um paradigma - como propugna - se não tivesse, como tantos outros o fizeram antes dele, cedido às tentações do mandonismo desabrido, da fortuna fácil e da glória sedutora. E extirpasse, em vez de manter (até radicalizar), práticas daninhas ao bem-estar comum e à boa governança pública. Se o "mudar tudo o que está aí" houvesse promovido a demolição do sistema de corrupção que controla e domina o Estado brasileiro desde Tomé de Souza, com raras exceções históricas, aí, sim, seu governo seria um paradigma.

Mas o que se viu foi o contrário. Após trocar o terrorismo suicida da implosão do capitalismo selvagem pela acomodação das velhas práticas ao discurso neopopulista para ganhar a eleição presidencial de 2002, Lula percebeu que na gestão pública essa política de conciliação entre opostos para manter o centro intacto seria o rumo mais fácil a seguir. Assim, não sofreria as atribulações da má fortuna de que foram acometidos idealistas que sacrificaram poder e vida para não abandonar seus ideais.

Diante das evidências tornadas públicas da adesão de seus companheiros de partido a práticas do tempo do onça da malversação do erário com a competente, mas amoral, compra de apoio da base política no Congresso, o presidente preferiu adotar o "não ouvi, não vi, portanto, não sei e não preciso pensar", num ganancioso e pernicioso cartesianismo às avessas. Aliás, essa reação ao óbvio ululante do "mensalão" já resultava de uma postura anterior: a troca da governança pela governabilidade. Ao manter o loteamento feudal da máquina pública federal entre os "novelhos" sócios no poder, o chefe do governo adotou a inércia comodista como rotina e substituiu a ideologia do porvir pelo pragmatismo do passado: cimentou sua base de apoio com a argamassa usada para erigir o Estado brasileiro desde o reinado dos coronéis da Guarda Nacional até a ditadura dos generais fardados.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 04 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Governo vai prorrogar redução de IPI"

Com término marcado para o próximo dia 31, incentivo para venda de veículos deverá valer até o fim de junho

O governo decidiu prorrogar por mais três meses a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) na venda de veículos. Adotado em dezembro, o incentivo, que por enquanto vale até o próximo dia 31, deve permanecer até o final de junho. O presidente Lula está convencido de que a medida ajudou a combater os efeitos negativos da crise.

A redução implica uma renúncia fiscal estimada em R$ 1,35 bilhão em quatro meses. Para a cúpula do governo, é um efeito pequeno sobre a arrecadação se comparado à possibilidade de demissões no setor. O Planalto deve esperar até o final de março para anunciar a prorrogação. A redução do IPI ajudou na recuperação da venda de veículos, que subiu 0,15% em fevereiro em relação ao mesmo período de 2008. Pesa ainda a favor da decisão de prorrogação do IPI a pressão das centrais sindicais, com forte presença na indústria automobilística. Não está definido se haverá uma eventual contrapartida das empresas.

O Globo

"Manobra pró-Collor e queda de diretor agitam o Senado"

Renan age para dar comissão a ex-presidente e afasta Jarbas da CCJ

Sem votar projetos desde que voltou ao trabalho, há um mês, o Senado teve um dia agitado. O novo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que há um ano renunciava à presidência da Casa para escapar da cassação, escalou uma tropa de choque para levar hoje ao comando da Comissão de Infraestrutura um velho aliado: o ex-presidente da República Fernando Collor, afastado por impeachment em 1992. A candidata do PT é Ideli Salvatti (SC). A manobra do líder incluiu o afastamento da CCJ do senador Jarbas Vasconcelos, que vem acusando o PMDB de corrupção. No plenário, Jarbas disse que é aterrador o cenário da corrupção, mas não citou o partido. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, entregou o cargo depois da revelação de que possui uma mansão de R$ 5 milhões em nome do irmão. Pressionado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), aceitou sua demissão.

O Estado de São Paulo
"Venda de carros nos EUA cai pela metade"

Queda atinge 53% na GM, e já se fala em 'depressão automotiva'

A venda de automóveis das montadoras americanas em fevereiro caiu mais de 40% na comparação com igual período do ano passado, mesmo com a oferta agressiva de descontos que em alguns casos chegam a US$ 5 mil. A queda foi de 52,9% na GM, 48% na Ford e 44% na Chrysler. No Japão, a Toyota registrou recuo de 37,3%, e a alemã BMW vendeu 34,7% a menos. A GM européia pode ficar sem caixa até maio. Para economista da Ford, o "fundo do poço" ainda não chegou. Especialistas já falam em "depressão automotiva".

Jornal do Brasil
"Voos longos liberados no Santos Dumont"

Azul ganha liminar para usar aeroporto, contra a vontade de Sérgio Cabral

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) liberou o uso do Aeroporto Santos Dumont para aviões maiores e voos mais longos. O espaço era restrito a aeronaves de até 50 assentos e para a ponte aérea. A decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União até sexta-feira, quando começa a valer. Ontem, a Justiça concedeu liminar para a Azul operar no aeroporto, em oposição ao governador Sérgio Cabral, que defende a restrição a outras companhias aéreas para evitar ociosidade no Galeão. Em Brasília, o governador anunciou a intenção de aumentar o ICMS cobrado no aeroporto para inibir seu uso.

terça-feira, março 03, 2009

Mulheres ao volante

Calor

Temperatura bate recorde e calor aumenta ocorrências na Santa Casa

Do jornal Imprensa Livre (Clique aqui e leia o original)
Nos últimos dias a Defesa Civil de Ubatuba registrou os maiores índices de temperatura do ano. A forte massa de ar seco que está sobre o Sudeste dos País fez com que os termômetros da cidade marcassem 34º C neste domingo. O tempo abafado permaneceu nesta segunda-feira e a temperatura continuou elevada, ultrapassando a casa dos 32º C. Em todo Litoral Norte, na região do Vale do Paraíba e mesmo na capital paulista a situação não foi diferente. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a temperatura máxima registrada na capital, no domingo, foi a mais alta no mês de março desde 1943.

Além da sensação de desconforto e de moleza, o forte calor aumentou o numero de pacientes atendidos na Santa Casa da cidade. Segundo dados de uma enfermeira, foram dezenas de casos de pressão baixa em crianças e idosos e alguns outros de desidratação. “Só nesses últimos dois dias eu atendi mais de dez casos relacionados ao forte calor”, relata.

Apesar do aumento no número de atendimentos na Santa Casa, nenhum com gravidade, o calor acabou proporcionando ótimas condições para os turistas que permaneceram na cidade após o Carnaval. A previsão do tempo indica que nos próximos dias a temperatura vai continuar elevada, com poucas nuvens e sem vento. Para quem quer aproveitar o calor ou precisa trabalhar sob ele sem ter problemas, existem algumas recomendações a serem seguidas: alimentação rica em frutas frescas, protetor solar, evitar a exposição ao sol entre as 10 e às 16h e o mais importante, beber muito líquido (água e suco de frutas).

Nota do Editor - A temperatura beira o insuportável. Ontem, em função da canícula, não resisti. Chamei três empresas para fazer orçamento. Vou instalar ar condicionado em casa. Inclusive nos banheiros. Está na moda. (Sidney Borges)

Educação

Refletindo

Corsino Aliste Mezquita

Criticar a educação está na ordem do dia. As maiores críticas são para os professores e os demais trabalhadores da educação. Recebem todo tipo de epítetos negativos e são sempre responsabilizados pelo fracasso dos alunos. O segundo responsabilizado, este, pelo seu próprio fracasso, é o coitado do aluno. Participantes maiores do processo educacional ambos (professores e alunos) acabam tendo algum tipo de responsabilidade, direta ou indireta, ao tempo que são as maiores vítimas das estruturas falidas. Aos professores cabem as responsabilidades de não se posicionarem corretamente frente ao descalabro e com o exemplo profissional, união, assiduidade, disciplina e elegância ganharem o apoio dos pais e da sociedade. Já aos alunos, sem o envolvimento dos pais e da sociedade, só resta o sofrimento, o abandono e as carências.

Militando, no campo da educação, durante mais de cinqüenta anos, fui observando o avanço da indisciplina no âmbito da escola e a perda do respeito à hierarquia. Essa perda de hierarquia motivada pela interinidade das diretorias das escolas e pela introdução de funcionários de empresas terceirizadas, professores temporários, eventuais, sem vínculo permanente e sem envolvimento efetivo com os interesses e finalidades da escola. Diretores de escola acabam sendo dependentes de chefinhos das empresas terceirizadas. Vivem acuados por estes e pelos padrinhos políticos que os contratam e protegem. Nesses ambientes desaparece a paz, a harmonia, o equilíbrio e o controle das ações administrativas e pedagógicas. A escola se torna improdutiva.

A responsabilidade pelo quadro desenhado acima cabe às autoridades (estaduais e municipais) que não respeitam a Constituição e, contrariando suas determinações, não nomeiam professores, diretores, secretários, inspetores de alunos, funcionários da limpeza e da manutenção em caráter efetivo e em número suficiente de acordo com o tamanho da escola. Nos últimos anos tem deixado as escolas em total estado de carência de recursos humanos adequados e de conseqüente abandono e insegurança. É axioma: “Nenhuma repartição que atenda seres humanos (principalmente na educação e na saúde) funcionará a contento se não tiver o número de funcionários necessários a seus serviços e estes estiverem adequadamente formados para suas profissões”. As escolas não possuem metade dos funcionários que seriam necessários. Em alguns casos tem número e não possuem formação, empenho e disposição para trabalhar. Para que trabalhar? O político amigo garante.

As políticas atualmente seguidas misturando, na escola, funcionários efetivos, eventuais, terceirizados, comissionados, etc, sem processos seletivos apurados e sem uma avaliação rigorosas dos contratados, trilham o caminho do caos e da irresponsabilidade. É um processo também perigoso no ambiente social que, infelizmente, vivemos. Problemas sérios podem ser introduzidos na escola. Cabe aos pais prestarem atenção. Seus filhos serão prejudicados. No presente e para o futuro.

VIVA UBATUBA! Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

Problema de identificação

Ilan Goldfajn
O leitor já reparou que as placas dos banheiros dos restaurantes estão cada vez mais confusas? Aquele desenho sofisticado ou aquela foto artística designa o banheiro masculino ou o feminino? Ou será laissez-faire? É bom chegar com espaço na bexiga para acomodar as dúvidas que inevitavelmente surgem.


Mas nem sempre há esse espaço. Nos mercados internacionais, o mesmo problema - excesso de sofisticação e falta de transparência (no caso, dos complexos instrumentos financeiros) - levou à crise. Ninguém até hoje (quase dois anos depois) consegue saber precisamente quanto valem esses instrumentos.

Agora já estamos na fase de identificar a situação não só de ativos financeiros, mas de economias inteiras. Por exemplo, há salvação para as economias altamente endividadas do Leste Europeu (Hungria, Ucrânia, Letônia)? E a economia russa sobrevive com esse preço menor do petróleo (sem falar na Venezuela)? E o México consegue compensar a queda das significativas remessas dos mexicanos que vivem nos EUA? Mais ainda, a crise já põe em xeque o futuro de países centrais na Europa, como Portugal, Itália, Grécia e Espanha, ironicamente denominados PIGS, acrônimo de suas iniciais em inglês.

O Leste Europeu parece ser o elo mais fraco da corrente. O período recente de boom caracterizou-se por empréstimos em moeda forte para financiar os consumidores e os mutuários em vários desses países. Os bancos da Europa Ocidental foram os maiores financiadores dessa farra. Agora estão todos em apuros. Estima-se que a queda do produto interno bruto (PIB) na Hungria, Ucrânia e Letônia seja de 6%, 12% e 15%, respectivamente. A dívida externa da Hungria é de 100% do PIB e este ano são necessários quase 30% do PIB para financiar suas contas externas. Os outros países do Leste Europeu - Polônia, República Checa, Romênia, etc. -, apesar de um pouco melhor, também estão em apuros. Não há dinheiro próprio nesses países para saírem da crise.

A dúvida atual é se a União Europeia vai pagar essa conta salgada ou permitir a quebra de alguma economia ("à la Argentina", fala-se por lá). O problema é que a situação não se restringe aos países do Leste Europeu. Duvida-se da capacidade de os PIGS navegarem com segurança nesta crise. E, juntando os PIGS, os problemas atingem uma parcela significativa do PIB europeu e dos recursos financeiros.

Uma quebra econômica dentro da Europa poria em risco o projeto político da União Europeia, mas uma ajuda financeira dessa magnitude poderia arrastar o resto das economias, no típico "abraço dos afogados". A pergunta que não quer calar é: há dinheiro suficiente para pagar toda essa conta da crise?

Crescentemente, a sensação é que não. A necessidade de utilização de recursos fiscais, seja dos próprios contribuintes ou dos países ricos, tem gerado stress considerável e elevado o risco de calote em várias economias. Com o nível de atividade caindo, como recuperar a capacidade de fazer frente a esses custos da crise que se acumulam? Uma alternativa clássica é o uso da política monetária para sustentar a economia e evitar uma queda mais drástica da arrecadação.

Mas em muitos países falta espaço para quedas adicionais de juros, seja porque estes já se encontram em patamares próximos de zero ou porque há outros limites à queda, como a depreciação contínua de suas moedas (juros mais altos seriam necessários para interromper essa depreciação, que encarece em demasia as dívidas em moeda forte, ou controlar o repasse cambial aos preços domésticos, em alguns casos).

Alguns já estão usando toda a artilharia para cuidar dos problemas domésticos. O orçamento do novo presidente Barack Obama nos EUA, por exemplo, implica um déficit de 12,5% do PIB, este ano, para pagar a conta da crise no sistema financeiro e estimular a economia, uma vez que os juros já se encontram no seu limite inferior.

No Brasil, a nossa tendência histórica de adotar uma política macroeconômica assimétrica - política fiscal expansionista e política monetária compensatória (ou seja, os gastos públicos crescem sem respiro e os juros são mantidos altos para controlar a inflação) - pode ser, ironicamente, o nosso diferencial. Basta reverter a tendência: ter uma política monetária mais expansionista e uma política fiscal mais responsável.

O espaço para a reação correta agora existe. A queda de juros será proporcional ao espaço outorgado pela política fiscal. O desafio existe. A queda de arrecadação já se mostrou significativa neste começo de ano, devida à desaceleração da economia e às isenções dadas pelo governo. E tudo indica que a queda da arrecadação vai continuar ao longo do ano. Uma atitude passiva é a mais cômoda: deixar o superávit primário cair, para acomodar a queda de arrecadação, e não mexer nos gastos programados anteriormente. Mas, desta forma, mantemos o padrão dos últimos anos e não maximizamos a queda dos juros e o benefício coletivo (ao invés de setores específicos beneficiados pelo governo).
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