sábado, fevereiro 28, 2009

Ex-quase...

Justiça manda penhorar casa de José Dirceu para pagar dívida

RICARDO FELTRIN

Secretário de Redação da Folha Online
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a penhora de imóvel do ex-deputado e ex-ministro
José Dirceu por causa de uma dívida judicial. Dirceu foi condenado, em segunda instância, a pagar custas processuais de ação popular que moveu -e perdeu- contra o governo Quércia (1987-1990).

Outro lado: "Não permitirei a penhora", diz advogado de Dirceu

Com o fim da ação, o ex-ministro da Casa Civil foi condenado a arcar com os honorários de um perito contratado no caso. Em valores atualizados, Dirceu deve cerca de R$ 120 mil ao perito. O advogado do ex-ministro rejeita esse valor.
O perito em questão foi um dos elementos usados pela Justiça para apurar a denúncia de Dirceu, então deputado estadual. Ele questionava judicialmente uma compra de caminhões pelo governo do Estado.

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Nota do Editor - Dirceu é um bravo, enfrentou ondas gigantescas e acabou afogado na parte rasa da praia. Dirceu acabou, mas antes de assimilar o fato continua a agitar a água. E a produzir marolinhas. No entanto, conseguiu ficar rico. É melhor criticar o capitalismo com o bolso cheio. Esperto esse Dirceu. É o meu ídolo. (Sidney Borges)

Opinião

Pó pará, governador?

Mauro Chaves
Em conversa com o presidente Lula no dia 6 de fevereiro, uma sexta-feira, o governador Aécio Neves expôs-lhe a estratégia que iria adotar com o PSDB, com vista a obter a indicação de sua candidatura a presidente da República. Essa estratégia consistia num ultimato para que a cúpula tucana definisse a realização de prévias eleitorais presidenciais impreterivelmente até o dia 30 de março - "nem um dia a mais". Era muito estranho, primeiro, que um candidato a candidato comunicasse sua estratégia eleitoral ao adversário político antes de fazê-lo a seus correligionários. Mais estranho ainda era o fato de uma proposta de procedimento jamais adotada por um partido desde sua fundação, há 20 anos - o que exigiria, no mínimo, uma ampla discussão partidária interna -, fosse introduzida por meio de um ultimato, uma "exigência" a ser cumprida em um mês e meio, sob pena de... De quê, mesmo?


O que Aécio fará se o PSDB não adotar as prévias presidenciais até 30 de março? Não foi dito pelo governador mineiro (certamente para não assinar oficialmente um termo de chantagem política), mas foi barulhentamente insinuado: em caso da não-aprovação das prévias, Aécio voaria para ser presidenciável do PMDB. É claro que para o presidente Lula e sua ungida presidenciável, a neomeiga mãe do PAC, não haveria melhor oportunidade de cindir as forças oposicionistas, deixando cada uma em um dos dois maiores colégios eleitorais do País. E é claro que para o PMDB, com tantos milhões de votos no País, mas sem ter quem os receba, como candidato a presidente da República, a adoção de Aécio como correligionário/candidato poderia significar um upgrade fisiológico capaz de lhe propiciar um não programado salto na conquista do poder maior - já que os menores acabou de conquistar.

Pela pesquisa nacional do Instituto Datafolha, os presidenciáveis tucanos têm os seguintes índices: José Serra, 41% (disparado na frente), e Aécio Neves, 17% (atrás de Ciro Gomes, com 25%, e de Heloisa Helena, com 19%). Por que, então, o governador de Minas se julga capaz de reverter espetacularmente esses índices, fazendo sua candidatura presidencial subir feito um foguete e a de seu colega e correligionário paulista despencar feito um viaduto? Que informações essenciais haveria, para se transmitirem aos cerca de 1 milhão e pouco de militantes tucanos - supondo-se que estes fossem os eleitores das "exigidas" prévias, que ninguém tem ideia de como devam ser -, para que pudesse ocorrer uma formidável inversão de avaliação eleitoral, que desse vitória a Aécio sobre Serra (supondo que o governador mineiro pretenda, de fato, vencê-las)?

Vejamos o modus faciendi de preparação das prévias, sugerido (ou "exigido"?) pelo governador mineiro: ele e Serra sairiam pelo Brasil afora apresentando suas "propostas" de governo, suas soluções para a crise econômica, as críticas cabíveis ao governo federal e coisas do tipo. Seriam diferentes ou semelhantes tais propostas, soluções e críticas? Se semelhantes, apresentadas em conjunto nos mesmos palanques "prévios", para obter o voto do eleitor "prévio" cada um dos concorrentes tucanos teria de tentar mostrar alguma vantagem diferencial. Talvez Aécio apostasse em sua condição de mais moço, com bastante cabelo e imagem de "boa pinta", só restando a Serra falar de sua maior experiência política, administrativa e seu preparo geral, em termos de conhecimento, cultura e traquejo internacional. Mas se falassem a mesma coisa, harmonizados e só com vozes diferentes, os dois correriam o risco de em algum lugar ermo do interior ser confundidos com dupla sertaneja - quem sabe Zé Serra e Ah é, sô.
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Manchetes do dia

Sábado, 28 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"EUA aumentam controle do Citigroup"

Governo eleva participação no banco de 8% para 36% e muda diretoria; PIB do país tem maior queda desde 1982

O governo dos EUA anunciou que vai promover uma estatização parcial do Citigroup ao elevar sua participação acionária no banco de 8% para 36% e exigir a substituição de vários diretores. È a primeira vez na história recente que os EUA tomam as medidas dessa dimensão com um grande banco. O Citigroup está entre os três maiores bancos americanos. No ano passado, teve prejuízo de US$ 27,7 bilhões. O Tesouro dos EUA elevou sua participação convertendo para ações ordinárias US$ 25 bilhões em ações preferenciais que detinha.
Essas ações garantiram rendimento fixo e pago antes do que a qualquer outro acionista, mas não davam direito a voto. Os diretores do Citi serão trocados por membros “independentes”. O Citigroup já recebeu US$ 45 bilhões em ajuda estatal. Suas ações caíram 39% ontem em Nova York. Em 12 meses, a queda é de 90%. A economia norte-americana encolheu 6,2% no último trimestre de 2008, muito além dos 3,8% projetados pelo Departamento do Comércio. Foi a maior queda do PIB desde 1982.


O Globo
"Economia encolhe 6,2% em três meses nos EUA"

Resultado é o pior desde 1982, após os dois choques do petróleo

A economia americana apresentou retração de 6,2% no último trimestre do ano. A queda ficou muito acima da estimativa oficial, em janeiro, de 3,8%. Foi o pior resultado desde a recessão de 1982, após os dois choques do petróleo. No terceiro trimestre de 2008, o PIB já havia recuado 0,5%. Motor da economia americana, o consumo caiu 4,3%.

As exportações, uma das alternativas à queda no consumo doméstico, despencaram 23,6%. Para analistas, o Orçamento anunciado anteontem pelo presidente Obama significa ruptura com a herança da era Reagan e tenta reduzir a desigualdade.


O Estado de São Paulo
"Obama anuncia retirada do Iraque e 'nova era' na região"

Tropas de combate vão sair até agosto de 2010; presidente acena a Irã e Síria

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou a data em que todas as tropas de combate do país terão se retirado do Iraque. "Deixe-me ser o mais claro possível: em 31 de agosto de 2010 nossa missão de combate no Iraque estará encerrada", disse Obama, a um mês do sexto aniversário da invasão americana. Segundo ele, a medida é possível porque a situação no Iraque melhorou, embora ainda seja difícil. Dos atuais 142 mil soldados, entre 35 mil e 50 mil permanecerão no Iraque até 31 de dezembro de 2011, período em que serão responsáveis pelo treinamento de forças locais. O presidente afirmou também que a retirada se dará no contexto de uma “nova era" diplomática do país no Oriente Médio, que prevê aproximação com nações hostis ao americanos. "Os EUA vão promover o engajamento de todas os países da região no processo, e isso inclui o Irã e a Síria", disse Obama.

Jornal do Brasil
"Justiça suspende demissões"

Liminar força direção da Embraer a negociar com sindicatos os cortes de empregados

O TRT de Campinas suspendeu as demissões de 4 mil funcionários da Embraer até 5 de março, quando ocorrerá reunião entre a empresa e sindicatos para tentar um acordo sobre os cortes. O tribunal argumentou que as demissões foram feitas sem negociação com os trabalhadores. Novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Milton de Moura defende a conciliação prévia e a negociação coletiva.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Tá feia a coisa


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Lustres Bobadilha

Franchising

Sidney Borges
Não foram poucas as vezes que ouvi dizer que nas crises há oportunidades. Passei a tarde pensando nisso e acredito ter descoberto uma mina de ouro.

Vou convencer os cubanos a abrir uma filial da Copélia em Sampa. Depois outra no Rio e na seqüência em Belo Horizonte e Brasília. Descontando os relatos de entusiastas de Fidel, que costumam dourar a pílula, parece que o sorvete é de primeira, com a vantagem de ser ideologicamente puro.

Imagino o sucesso das delícias da casa. Picolé de coco Lenin. Taça Plekhanov com cobertura menchevique. Creme Stalin. A coqueluche das multidões será o dupla face Che/Fidel. Frutas vermelhas e limão.

Vai ter desconto para a CUT, o MST e também para os professores da rede pública.

É por aí companheiros, se os americanos podem abrir McDonald's em todo o mundo, nós temos o direito de encher os Estados Unidos de sorvete cubano.

Quem sabe Chávez goste da idéia e financie o projeto. Vou mandar um e-mail pra ele.

O capitalismo deve ser combatido em grande estilo. Ganhando grana. He, he, he...

Grana limpa, sem superfaturamento...

Sinecuras

PMDB perde batalha por poder em fundo de Furnas

AE - Agencia Estado
BRASÍLIA - Os trabalhadores e pensionistas das estatais Furnas e Eletronuclear venceram mais uma queda-de-braço contra a tentativa de ingerência do PMDB na Fundação Real Grandeza, fundo de pensão que administra R$ 6,3 bilhões em recursos previdenciários das duas empresas. A proposta de substituição do comando da entidade por um indicado do partido, que seria votada ontem no Rio em reunião extraordinária do conselho deliberativo, foi retirada da pauta na última hora, após manifestações de protesto e paralisações na empresa.A retirada frustrou uma articulação comandada pelo ministro de Minas e Energia, o peemedebista Edison Lobão.


Na semana passada, o presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, comunicou em carta aos funcionários da empresa que a exoneração do presidente da fundação, Sérgio Wilson Fontes, bem como de seu diretor financeiro, Ricardo Gurgel, seguia uma "orientação" de Lobão. No Rio, o conselho deliberativo do fundo de pensão derrubou a tentativa de troca no comando da instituição com base em uma questão técnica. Mas as pretensões de Lobão e do PMDB também receberam um veto político, em Brasília.
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Nota do Editor - Eis um exemplo de notícia que não vale mais do que uma linha. Os poderosos de plantão brigam pelo controle do dinheiro dos trabalhadores. Note que os poderosos de plantão falam gatos e sapatos das elites, mas se esquecem que são eles próprios as elites. (Sidney Borges)

Coluna da Sexta-feira

Essência

Celso de Almeida Jr.
Na ocasião do ataque as torres gêmeas, assisti Gilberto Dupas ser entrevistado por Boris Casoy.

Num comentário, Dupas sinalizou não acreditar que mergulharíamos numa onda de ataques suicidas em escala mundial, com o terror e o pânico dominando a maioria das pessoas. Para ele, isso contrariava o nosso instinto de sobrevivência e a concepção, já arraigada, de que temos a necessidade de viver em sociedade.

Refletindo sobre o tema eu considerei, ainda, que além da necessidade da preservação de nossa espécie, não nos aniquilaríamos porque a essência humana era boa.

Alguns amigos de cafezinho satirizaram-me.

Disseram-me que, com este pensamento romântico, eu não iria muito longe.

Insisti. Aleguei que a humanidade tem buscado reverenciar aqueles que pautaram a sua vida pela difusão de pensamentos bons: Jesus Cristo, Buda, Maomé, Gandhi, Luther King, entre tantos. Trata-se de um sintoma forte de nossa bondade intrínseca.

Os bons modelos, alicerçados na ética, são duradouros.

Daí a minha crença de que muitos dos males comportamentais que assolam a humanidade serão superados, cedo ou tarde.

O problema é que esse despertar é lento. Nem sempre nossa paciência, nossa perseverança e nossa própria vida resistem a tantos indicadores negativos.

Mas, se a essência for boa e os investimentos maciços em educação ocorrerem, conceitos como corrupção e violência têm prazo de validade. Nestes tempos, seremos mais humanos.

Não externei essa opinião a Gilberto Dupas. Tive a oportunidade de conhecê-lo. Um amigo permitiu que – na sua casa em Ubatuba - eu me encontrasse com este grande intelectual brasileiro, que presidiu o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais e coordenava o Grupo de Conjuntura Internacional da USP.

A lembrança desse episódio voltou forte, quando soube de seu recente falecimento, aos 66 anos.

O Brasil perde um pensador comprometido com o debate público de alto nível. Em sua homenagem, reproduzo uma fração de seu pensamento:

"Há fortes evidências de que a civilização está em xeque. Urge aos governos e às instituições internacionais tomarem medidas preventivas drásticas imediatas em nome dos óbvios interesses dos nossos descendentes..., mas, como fazê-lo, se o modelo de acumulação que rege o capitalismo global exige contínuo aumento de consumo e sucateamento de produtos, acelerando brutalmente o uso de recursos naturais escassos?...

O dilema é ao mesmo tempo simples e brutal: ou domamos o modelo ou envenenamos o planeta, sacrificando de vez a vida humana saudável sobre a terra".

Opinião

No meio dos lixões, importando lixo

Washington Novaes
É um assombro ler no jornal (Estado, 13/2) que há uma crise na coleta seletiva de lixo em São Paulo e que a maioria das cem cooperativas de catadores reduziu em dois terços suas atividades, por causa da queda brutal nos preços dos produtos que vende. Nem é preciso ser muito informado para deduzir que se agravará o problema da coleta geral do lixo na cidade, que produz mais de 12 mil toneladas diárias de resíduos domiciliares e comerciais e está com seus aterros esgotados. E o próprio coordenador da coleta seletiva admite que pelo menos 20% do que já vai para aterros seria reaproveitável. Desperdício que vai aumentar, já que os catadores, no País, respondem pelo encaminhamento às empresas recicladoras de cerca de um terço do papel e papelão, uns 20% do plástico e do vidro, mais de 90% das latas de cervejas e refrigerantes.


Tudo fica ainda mais difícil de assimilar quando se raciocina que, com uma crise de recursos como a que engolfa o planeta, materiais mais baratos (como os reaproveitáveis e recicláveis) deveriam, em princípio, ser valorizados. Da mesma forma, quando se lembra que em grande parte do mundo aterros nem podem mais existir, pela legislação - enquanto nós continuamos a depositar em lixões a céu aberto mais de metade das 230 mil toneladas recolhidas a cada dia (IBGE); e pouco mais de 10% chega a aterros adequados. E ainda não é tudo. Este jornal informou também (2/2) que a construção civil gera na cidade 17 mil toneladas de resíduos por dia e que parte deles vai para 1,4 mil pontos irregulares, fora dos "ecopontos". Só 1% dos resíduos é reaproveitado (90% na Holanda). E provavelmente nada se resolverá tão cedo, já que a licitação para quatro aterros de entulhos (124 mil toneladas/mês) está embargada pelo Tribunal de Contas do Município, uma vez que o preço ali previsto está 34% acima do que é pago hoje.

Não é só São Paulo que sofre. Praticamente todas as grandes capitais brasileiras estão com seus aterros esgotados. Coleta seletiva é exceção rara. E, no entanto, como já se comentou aqui, a maior parte do que vai para aterros poderia ter uma destinação mais adequada. Um estudo universitário mostrou que 91% do lixo aterrado em Indaiatuba (SP) poderia ser reciclado ou reaproveitado. E é assim em toda parte.

Mesmo em áreas em que poderíamos estar tranquilos vivemos às voltas com situações dramáticas. Agora, por exemplo, o Brasil pode sofrer retaliações da União Europeia (Estado, 26/12/2008) por não cumprir o prazo concedido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) para unificar a legislação que proíbe a importação de pneus usados. O prazo terminou em novembro, mas o governo brasileiro não conseguiu derrubar na Justiça liminares das recicladoras que lhes permitem a importação de milhões de pneus a cada ano - com o argumento de que o País permite a entrada de pneus do Uruguai e Paraguai, porque um Tribunal Arbitral do Mercosul assim o exige (embora a Argentina não cumpra a "exigência"), segundo o Itamaraty. A Europa tem altos interesses em jogo na questão, porque a cada ano são descartadas ali dezenas de milhões de pneus usados, para os quais não há destinação. O curioso é que temos legislação a respeito: o Conselho Nacional do Meio Ambiente não só não permite a importação como obriga os fabricantes locais de pneus a receber de volta um número maior do que o fabricado. E o Ministério Público Federal é pela proibição de importar.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 27 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Obama amplia déficit e prioriza social"

Projeto que irá ao Congresso prevê taxar mais ricos e gastar menos em conflitos; rombo é o maior desde a 2º Guerra

O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou sua proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2010, pela qual os mais ricos pagarão mais impostos para ajudar a criar um fundo de saúde pública, a despesa com diplomacia crescerá e o gasto com defesa desacelerará. Para o ano fiscal de 2009, que acaba em setembro, Obama pediu autorização para déficit público de US$ 1,75 trilhão (12,3 do PIB do país). É o maior desde o fim da Segunda Guerra em 1945, e pouco superior a todos os bens e riquezas que o Brasil produz em um ano.
Pela proposta, cerca de 2,6 milhões dos americanos mais ricos e empresas que tiveram incentivos na gestão Bush pagarão US$ 2 trilhões a mais de imposto em dez anos, dos quais 60% irão para a reforma da saúde. A verba do Departamento de estado, chefiado por Hillary Clinton, subirá 41% e o gasto com as guerras no Afeganistão e no Iraque cairá pela primeira vez em sete anos. O projeto, porém, deve enfrentar meses de discussão e forte oposição no Congresso. Para líder republicano, Obama “brinca com dinheiro imaginário”.


O Globo
"Obama leva déficit a US$ 1,7 tri e pede mais verba para guerras"
O primeiro Orçamento enviado ao Congresso pelo presidente dos EUA, Barack Obama, prevê aumento do déficit público para enfrentar a crise. O rombo projetado de US$ 1,3 trilhão subirá para US$ 1,7 trilhão em 2009, equivalente a 12,3 Produto Interno Bruto e o maior desde da Segunda Guerra Mundial. O Orçamento muda radicalmente a orientação do governo George W. Bush. Obama cortou as isenções de impostos a famílias com renda acima de US$ 250 mil e reduziu subsídios a agricultores. Serão reservados mais de US$ 250 bilhões para possíveis compras de participações em bancos e foi pedida verba extra de US$ 75,5 bilhões para as guerras do Afeganistão e do Iraque este ano.


O Estado de São Paulo
"EUA projetam déficit de US$1,75 tri"

Valor previsto no orçamento representa 12,3% do PIB, a mais alta proporção desde a 2ª Guerra

O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou proposta de orçamento que prevê déficit de US$ 1,75 trilhão em 2009, ou 12,3% do PIB. É a proporção mais alta desde o final da Segunda Guerra. No total, o orçamento para este ano é de US$ 3,94 trilhões. Em 2010 serão US$ 3,55 trilhões, com déficit projetado de US$1,17 trilhão. Obama disse que serão necessárias "escolhas difíceis" para atingir sua promessa de reduzir essa diferença pela metade até o final do primeiro mandato. Segundo ele, o governo já identificou US$ 2 trilhões em gastos que deverão ser cortados. Três quartos dessa redução viriam da diminuição de despesas nas guerras no Afeganistão e no Iraque, de aumento de impostos para famílias que ganham mais de US$ 250 mil anuais e da receita de um programa de créditos de carbono. Além disso, prevê a eliminação gradual de US$ 9,8 bilhões em subsídios a agricultores com renda anual superior a US$ 500 mil. O governo diz que US$ 1,2 trilhão do déficit foi herdado do governo Bush, e o resto é relativo aos planos de ajuda ao sistema financeiro. O orçamento usa como base uma queda de 1,2% do PIB neste ano e um crescimento de 3,1% em 2010, número considerado otimista por analistas.


Jornal do Brasil
"Cortes nos EUA beneficiam Brasil"


Obama propõe redução nos subsídios aos agricultores americanos

O presidente Barack Obama apresentou a proposta orçamentária para este ano, com previsão de gastos de US$ 3,6 trilhões e déficit de US$ 1,75 trilhão. Com uma boa novidade para o Brasil: o documento inclui cortes nos até então intocáveis subsídios agrícolas. A previsão é uma redução gradual nos pagamentos a agricultores americanos que faturam mais de US$ 500 mil anuais e a eliminação de subsídios para armazenamento de algodão. Exportadores brasileiros receberam a notícia com entusiasmo moderado - a proposta precisa passar pelo Congresso, onde há resistência a cortes - mas ressaltaram que a iniciativa é benéfica para as exportações do Brasil.

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quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Brasil

Economia

Sidney Borges
Leio na internet que o crescimento do Brasil está ameaçado pela crise. Um ex-presidente do Banco Central, considerado gênio pela mãe e pela mídia opinou:
- A meta de 4% dificilmente será atingida. Pode ser que nem chegue a 3%, mas pode ser que ultrapasse.
Pensei comigo: faz sentido. O cara é mesmo um gênio.

Jornais

Imprensa em questão

Sidney Borges
Comecei a ler jornal pra valer quando surgiu o Jornal da Tarde, na segunda metade da década de 1960. Era bonito, diferente e cobria bem futebol e variedades. Eu gostava do esporte bretão e de cinema, mas também gostava das histórias em quadrinhos, das palavras cruzadas e do horóscopo.

A gente muda com o tempo, continuo gostando de histórias em quadrinhos e palavras cruzadas, mas detesto horóscopos.

Com o passar dos anos e o endurecimento da ditadura os editoriais do meu amigo Lenildo Tabosa Pessoa deixaram de interessar. Abandonei o JT e passei a ler a Folha. Tinha lá uma espécie de releitura da irreverência e das entrevistas do Pasquim. O Folhetim de Tarso de Castro foi o mote da mudança. Por conta dos "cuecões" da direção eu teria continuado com os Mesquita.

Até hoje leio a Folha, estou na iminência de desistir. Também gosto do Estadão, na minha opinião o melhor jornal do país.

Estou escrevendo sobre jornais por saber que a crise do setor é quase irreversível. Na tentativa de evitar o abismo a Folha vai ser reformulada.

Nos anos 80 algum iluminado da Barão de Limeira elegeu o americano "USA Today" como a meta a ser atingida. Foi um fiasco. Continuei prestigiando o jornal por conta de Clovis Rossi, Jânio de Freitas, Paulo Francis e quase desisti quando surgiu um editor de origem oriental que escrevia sobre Caetano Veloso.

Sobre a reforma, saiu uma matéria no Comunique-se. Pelo que entendi a roda será reinventada.

Vou esperar para ver, mas se me fosse dado apostar não colocaria um níquel no sucesso da empreitada. Os jornais são lentos, quando abro o meu pela manhã não faço mais do que reler a internet do dia anterior.

Como mudar isso?

Tenho algumas idéias, mas não conto, só se pagarem bem.

Crise & Passaralho

Lula recebe dirigentes da Embraer e não pede a revisão das demissões

Segundo o ministro Miguel Jorge, presidente continua "inconformado", mas entendeu as alegações da empresa

Renata Veríssimo e Leonencio Nossa
Depois de se dizer indignado com as 4,2 mil demissões anunciadas pela Embraer na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se limitou ontem a ouvir as explicações dos dirigentes da empresa. Após mais de duas horas de reunião, no Palácio do Planalto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, informou que Lula continua inconformado, mas "não pediu que (a empresa) recontratasse os funcionários porque entendeu que era uma questão de demanda pela produção de aviões da Embraer".


Miguel Jorge confirmou que o governo soube por meio da imprensa, em dezembro, que a empresa poderia fazer um corte de até 20% no total da mão de obra empregada. Ele contou que telefonou, na época, para dirigentes da Embraer, que negaram a informação. O ministro relatou ainda que Lula recebeu a notícia da decisão final da Embraer na quinta-feira, pela manhã. À tarde, após o anúncio da empresa, assessores do presidente informaram que Lula estava surpreso com a decisão.

Ontem, o presidente da Embraer, Frederico Curado, disse que não houve negociação prévia com o governo, que teria sido avisado nas vésperas das demissões. "Não é problema do governo, ou com o Brasil. O problema é do mercado internacional." Ele afirmou que a Embraer só voltará a contratar quando houver aumento das encomendas por aeronaves.

"O restabelecimento das contratações ocorrerá quando o mercado internacional melhorar. Não temos uma visão clara de quando isso vai acontecer." Para ele, a recuperação do nível de produção e das encomendas deve demorar dois a três anos.

Segundo Curado, Lula pediu que a Embraer dê um apoio adicional dos demitidos. A empresa já garantiu a manutenção do plano de saúde dos funcionários e seus familiares por um ano. "Ele (Lula) pediu que a empresa verifique o que é possível fazer para atenuar o problema das pessoas dispensadas", relatou Miguel Jorge.

De acordo com outro participante do encontro, Lula, ao ouvir dos dirigentes da Embraer que a empresa depende de uma melhora nas condições do mercado para fazer novas contratações, disse: "Vamos torcer para o mercado melhorar". Na quinta-feira da semana passada, Lula estava indignado com as demissões, segundo relato do presidente da CUT, Artur Henrique, após encontro com o presidente. O sindicalista contou que Lula afirmara ser inadmissível uma empresa beneficiada com recursos públicos demitir ao primeiro sinal de problemas. O relato de Artur Henrique não foi desmentido pelo Palácio do Planalto.
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Opinião

Um prudente otimismo

Editorial do Estadão
A recessão poderá terminar neste ano ainda, se for restaurada alguma estabilidade no sistema financeiro. Nesse caso, 2010 será um ano de recuperação. A previsão, a mais otimista desde o início do ano, foi apresentada no Senado pelo presidente do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve, Fed), o economista Ben Bernanke. Quando a maior parte dos analistas se mostra insegura quanto à duração da crise, a indicação de um prazo relativamente curto para o início da retomada é animadora. Mas o otimismo é sujeito a uma condição importante e nada fácil de se cumprir. A economia só voltará a funcionar razoavelmente quando a arrumação do sistema financeiro der algum resultado. Isso dependerá não só de uma regulamentação mais severa do mercado, mas também, e preliminarmente, da recapitalização dos grandes bancos.

Ainda se discute se o governo deverá estatizar algumas instituições temporariamente - ideia rejeitada por Bernanke, que admite, apenas, a participação minoritária do governo no capital dos bancos - e o trabalho de reabilitação está apenas no começo.

A restrição apontada por Bernanke - a recuperação econômica não virá antes da normalização dos bancos - não é uma novidade. Foi apontada por vários economistas e governantes, incluído o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, empenhado em justificar a ajuda aos bancos em seu país. Mas é uma lembrança oportuna, quando o governo americano se dispõe a pôr em prática o pacote de estímulo fiscal de US$ 787 bilhões aprovado neste mês pelo Congresso. Depois de haver trabalhado muito pela aprovação dessa proposta, o presidente Barack Obama ainda tem de se esforçar para transmitir algum entusiasmo aos políticos, empresários e consumidores.

Foi esse, aparentemente, o objetivo central do presidente em seu primeiro discurso ao Congresso a respeito do Estado da União, na terça-feira à noite. Ele voltou a descrever os problemas da economia americana, mas apontou também as possibilidades de reativação e as inovações políticas contidas no pacote. No mesmo dia, um instituto de pesquisas mostrava a confiança do consumidor no nível mais baixo desde 1967.

Mas o presidente Obama não se limitou a comentar a crise econômica e a tentar transmitir algum ânimo ao público. Olhando para mais longe, ele defendeu a adoção, desde já, de uma política de ajuste do orçamento, como forma de garantir uma recuperação segura da produção e do emprego. O atual governo herdou um déficit fiscal de aproximadamente US$ 1 trilhão. Esse déficit deve crescer com os novos gastos programados para estimular a economia e com a ampliação dos benefícios fiscais aos contribuintes. Essas medidas podem favorecer a recuperação da atividade, num prazo não muito longo, mas deixarão também uma consequência indesejável - um enorme rombo nas contas públicas. Quanto maior esse buraco, maior a dificuldade de financiá-lo e, portanto, maior o risco de ser necessário recorrer a taxas de juros elevadas e prejudiciais a uma reativação econômica mais firme e mais duradoura.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 26 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Faculdade privada perde aluno e quer auxílio do BNDES"

Para instituições, crise e desemprego são responsáveis pela queda; especialistas veem problemas estruturais

Levantamento feito pelo Semesp (sindicato das escolas particulares) indica que 41,5% das universidades privadas de São Paulo terão neste ano um número menor de novos alunos em relação a 2008. Para o setor, a queda é reflexo da crise e do aumento do desemprego. “Nosso alunado é formado em sua maioria por alunos-trabalhadores. Quando há desemprego, tendem a desistir”, diz Hermes Figueiredo, presidente do Semesp.

Especialistas apontam outros problemas: má qualidade de cursos e oferta de vagas superior à demanda. Para atenuar os efeitos da crise, as instituições vão pedir ao BNDES linha de crédito especial, com recursos públicos e juros inferiores aos cobrados pelo mercado. O MEC irá recomendar que empréstimos só sejam dados a escolas com boas notas nas avaliações.


O Globo
"Ministro fala em bandidagem no fundo de pensão de Furnas"

Sem clima para reunião, Lula adia mudança no Real Grandeza

O presidente Lula mandou adiar a mudança na direção da Fundação Real Grandeza, o fundo de pensão de Furnas que administra um patrimônio de R$6,3 bilhões. A reunião para destituir o atual presidente estava marcada para hoje. Horas antes de ouvir a ordem de Lula, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), defendera a mudança e atacara duramente a atual diretoria. "Eles alteraram o estatuto para ampliar o mandato por um ano. E poderiam ser reeleitos, mas os próximos não poderiam? Isso é uma bandidagem completa! Esse pessoal está revoltado porque não quer perder a boca. O que eles querem é fazer uma grande safadeza", dissera Lobão ao GLOBO. O PMDB pressionava pela mudança, o que o ministro nega.

O Estado de São Paulo
"Bancos reservam R$ 7 bi para se proteger de calotes"

Cinco maiores instituições do País elevam provisão contra créditos duvidosos

Os cinco maiores bancos brasileiros aumentaram em quase R$ 7 bilhões, no último trimestre de 2008, as provisões adicionais para se proteger contra eventuais calotes. Esse dinheiro é classificado como adicional porque supera o montante que as instituições financeiras, por determinação do Banco Central, devem separar para cobrir créditos considerados de retorno duvidoso. O banco que fez a maior provisão adicional foi o Itaú-Unibanco, que reservou R$ 3,02 bilhões. "Achamos que era prudente reforçar o balanço, especialmente por causa do cenário incerto”, disse o presidente-executivo do grupo, Roberto Setubal. "O ajuste da economia mundial levará algum tempo e reduzirá o crescimento, aumentará o desemprego e a inadimplência." Os bancos públicos já tinham feito esse movimento preventivo. O Banco do Brasil reservou R$1,7 bilhão e a Caixa Econômica Federal, R$ 1,3 bilhão. Outros bancos privados fizeram provisões menores. O Bradesco separou R$ 697 milhões e o Santander Real, R$ 166 milhões.

Jornal do Brasil
"Salgueiro derruba Beija-Flor"
Depois de 16 anos de jejum, o Salgueiro consagrou-se campeão do Carnaval carioca e trouxe a festa da vitória de volta à Zona Norte. Pondo fim à possibilidade de a Beija-Flor tornar-se tricampeã, a escola tijucana recebeu nada menos que 32 notas 10 e fechou a contagem com 1 ponto à frente da rival. Nas ruas, o dia ainda foi de limpeza pesada. Mas o trabalho não termina: ontem, Quarta-Feira de Cinzas, mais blocos voltaram a sair, para alegria dos foliões resistentes, que enfrentaram calor forte para celebrar um pouco mais o reinado de Momo.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Vamo que vamo...

Feliz ano novo

Sidney Borges
Pois é minha gente, o ano demorou para começar. O inevitável, mais dia, menos dia, acontece. Em incerto porvir a magra empunhando a foice vai bater à sua porta. Até lá, divirta-se. Voltando ao calendário, uma simples translação de datas nos coloca frente ao primeiro dia do ano de verdade. Ou, se levarmos em conta a crise, do ano da verdade. Acabou-se nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções... Sobre o tríduo momesco nada posso dizer, vi de relance mulheres bonitas. Marta Rocha? Rose di Primo? Outras? Para mim venceu o bloco "Unidas da Tigelinha" que desfilou na mesa da cozinha de casa. Modestamente fui o homenageado. O tema "um cara legal" me emocionou. No final aplaudi bastante. Prometi deixar migalhas e ficar conversando antes do inevitável pano com detergente. Minhas formigas me adoram.

Crônica

Rourke Sangue de Cristo

Marcelo Mirisola*
Um lutador decadente que inspira cuidados de uma mulher apaixonada e linda, tipo dona-de-casa fiel e resoluta – não importa se o lar dessa mulher é um puteiro ou uma loja de ração que vende lindos periquitinhos e filhotes de labrador. Randy vive de bicos, e ocasionalmente é lotado na seção de frios e laticínios de um supermercado. Seu chefe é um inseto que o humilha implacavelmente. Isso não o impede de rir de si mesmo e fazer piadas tristes sobre sua condição de “looser’. Taí um cara legal. Os amigos e “adversários” dele também são simpáticos e gente boa – éticos e leais, gigantes de coração e de bícepes. A falsidade da luta livre é tanto sinônimo de lealdade como de sobrevivência. Isso quer dizer que – perdoem-me o trocadilho – é somente dando muita porrada que se recebe uns trocos para levar mais porradas, fora e dentro do ringue. Algumas cenas de luta são memoráveis. Poderia apostar que a luta da tachinha foi inspirada na “Paixão de Cristo” de Mel Gibson. Aliás, tem muito sangue de Cristo derramado nesse filme. E esse tipo de sangue – todos nós sabemos – jamais seria derramado em vão. Eu estaria cometendo um pleonasmo se dissesse que o personagem de Rourke atende pela alcunha de “Randy, O Carneiro”. Marisa Tomei (ou seria Maria Madalena?) linda, tesuda aos 44 anos, explicita isso literalmente no filme. Penso, inclusive, que o roteirista não precisava ser tão honesto para dar esse recado. Mas tudo bem. O lutador é amigo das crianças do bairro, meio desengonçado evidentemente porque o corpo musculoso não combina com sua alma de passarinho. O que mais? Bem, ele mora num trailer ( poderia morar nos fundos da loja de ração) e têm várias contas a acertar com seu passado distante e glorioso, mas antes – é claro – tem de acertar o aluguel do trailer. O preço a pagar é muito alto, pode lhe custar a própria vida. Mas isso não importa. No final ele alcançará a redenção e a platéia sairá satisfeita do cinema.


Acho que já vi esse filme. Terá sido “Rock, o lutador 6”? Ou “Rock” 7? Tanto faz. Eu assistiria até o Rock 125 se fosse o caso, porque gosto da fórmula. Darren Aronofsky, diretor de “O Lutador”, sabe disso ( não fui o único cristão a sair do cinema purificado e cheio de humanidade ). A diferença é que Aronofsky foi um pouco além: chamou Mickey Rourke para fazer “o cara”. Eis a questão.

Ao longo dos anos, Mickey Rourke transformou-se numa figura de massinha. “Nojento, asqueroso” – segundo comentários que ouvi na fila da pipoca. Concordo. Mas pensei comigo mesmo: por que Stallone não provoca essa repulsa?

Talvez porque tenhamos nos acostumado com sua cara amassada e – apesar das plásticas – Stallone sempre será Rock Balboa, independentemente de ser Rambo, Cobra ou escalar a Juliana Paes para seu próximo filme, Stallone ainda é e sempre será Balboa: um pintassilgo desfigurado pela própria natureza anabolizada e sentimental - eu desconfio até que admiramos Stallone e relevamos sua canastrice porque ele nunca vai deixar de ser criança, nossa criança. Com Mickey Rourke é diferente. Ele não quer, e nem precisa do nosso colo. Nunca fez o tipo grandalhão com alma de passarinho. Acrescente-se que o cirurgião plástico dele atende em Patópolis. E ao longo do tempo – sem desconfiar - executou uma obra de arte no focinho de Rourke. Parece que o esculpiu para ser “O lutador”.

Randy- Carneiro é ofegante, manca. A cabeleira oxigenada amarrada em coque dá o tom do desamparo e descalibre. Acompanhamos – o tempo todo - o personagem pelas costas, como se fungássemos no cangote dele, como se ele fosse nossa caça. O carneiro está na iminência de ser abatido-enrabado, não só pelo gerentinho do supermercado ou pela filha lésbica, mas pelo público do cinema, que bem ou mal acaba se identificando com a “pureza” dele (porque o encara a partir do ponto de abate, a nuca). Talvez esse curto-circuíto seja o grande mérito do filme. Tem uma cena inverossímil em que “Randy, o Carneiro” pega uma fã por trás.

Na minha opinião, o máximo que Randy poderia fazer nesse caso era dar uma broxada. Diria até que se trata de um erro técnico: problema de continuidade. Mas isso é um detalhe.

Vale que Mickey Rourke arrasta uma carcaça no lugar de um corpo. E junto a essa carcaça também arrasta (ele mesmo, nada a ver com o personagem) uma alma baleada e trôpega, cansada de guerra. O ator foi muito surrado pela crítica e pelos fãs, fez muito filme ruim e mereceu as porradas que levou – diga-se de passagem.

Talvez fosse exagero da minha parte dizer que “O lutador” é o filme da vida de Mickey Rourke. Mas não é exagero dizer que somente ele, e nenhum outro ator, poderia ter alcançado um resultado tão eloqüente: “Randy,o Carneiro” é sacrificado para a pequena salvação dos seus fãs ao som de Guns'N'Roses. Filmaço.

*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Opinião

Precarização no governo do PT

Editorial do Estadão
A política de pessoal do governo Lula é a perfeita negação do discurso do PT em favor de um serviço público estável. Correta na essência, pois representa um estímulo ao servidor e uma garantia de prestação de contínuos e bons serviços para a comunidade, a estabilidade do serviço público defendida no discurso petista tem rendido ao partido e a seus candidatos apoio e votos no funcionalismo. Mas, como mostrou reportagem de Sérgio Gobetti publicada há dias pelo Estado, esse discurso não passa de propaganda eleitoral. Na prática, o governo Lula vem fazendo o contrário do que propõe o PT.


Em 2008, por exemplo, o governo bateu o recorde na contratação de temporários, de acordo com o Ministério do Planejamento. Até 31 de outubro, conforme o relatório mais recente da Secretaria de Recursos Humanos do governo federal, 17.530 profissionais tinham sido contratados por tempo determinado, um número maior do que o total de servidores efetivos admitidos no período.

Destaque-se que, ao contrário do governo Fernando Henrique Cardoso, que procurou conter o crescimento da máquina administrativa, o do PT inflou o quadro de servidores efetivos. Projetos de lei de iniciativa do governo, já aprovados ou em exame pelo Congresso, acelerarão esse processo nos próximos anos, pelo menos até 2011, já na gestão do sucessor de Lula. Mesmo assim, a contratação de temporários supera a de funcionários concursados. Desde o início do governo Lula, foram contratados 82 mil temporários.

A contratação de serviços de trabalhadores não concursados pode ser feita diretamente com pessoa física - é o caso tratado pela reportagem do Estado -, pelo prazo máximo de dois anos. A terceirização, outra forma de contratação de serviços fora do quadro dos servidores regulares, geralmente se faz por meio de contratos com empresas, por tempo indeterminado e para a execução de tarefas - como limpeza, telefonia e segurança - que não exigem qualificação específica para o serviço público. Mas já há contratos de terceirização para tarefas típicas do serviço público, e por isso consideradas mais nobres, como as funções de gerência e assessoria técnica nos Ministérios. Existe ainda a possibilidade de contratação de estagiários pelo governo federal.

O uso repetido desse expediente - quando vence o contrato de um temporário, contrata-se outro - mostra que esta não é uma situação de emergência. É apenas um jeito que a administração federal encontrou para, sem deixar buracos no calendário letivo por falta de docentes, gastar menos enquanto não resolve um problema sério - a qualidade da gestão das universidades federais, que não contratam professores efetivos no número necessário.
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Os gastos do governo com esses tipos de contratação aumentaram, em valores corrigidos pela inflação, de R$ 2,66 bilhões em 2003, primeiro ano do governo Lula, para R$ 4,22 bilhões. Ou seja, o custo desses contratos aumentou 58% em termos reais nos seis primeiros anos do governo do PT.

É a escolha da precarização do trabalho - e não da prometida estabilidade - no serviço público federal.

Não há um motivo único para tantas contratações. A alegação genérica do governo é a necessidade de contratação de profissionais para cobrir a falta de servidores efetivos para atender a situações emergenciais. Na prática, as razões são outras. Em alguns casos, o governo contrata temporários com o claro objetivo de reduzir custos com pessoal. Esse é o motivo para a contratação de professores universitários por tempo determinado, os profissionais temporários mais numerosos na área federal. Os temporários, substitutos dos professores efetivos, em geral recebem cerca de um décimo do vencimento dos concursados.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 25 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Inadimplência sobe e bancos retomam 100 mil veículos"

Recuperação de carros cresceu 30% no começo deste ano; estoque pode causar queda maior no preço de usados

Os bancos brasileiros têm pelo menos 100 mil veículos recuperados de clientes inadimplentes, volume que equivale á metade das vendas mensais de carros novos no pais. Esse estoque pressiona o mercado de usados, que vive queda nos preços sem precedentes e cuja falta de liquidez trava a retomada na venda de automóveis. Segundo o Banco Central, o financiamentos de veículos registrava inadimplência média de 4,3% em dezembro do ano passado, o maior nível desde 2002. O volume de recuperação cresceu entre 20% e 30% no inicio do ano -em relação aos índices registrados em setembro-, relatam os principais bancos a atuar nesse mercado. Já leiloeiros dizem que houve aumento de até 50%, provocando superlotação nos pátio paulistanos. Apesar de alta, a Fenabrave (associação das concessionárias) diz que a recuperação está em um patamar “absorvível” pelo mercado pois representa pouco mais de 1% dos 9 milhões de veículos financiados.

O Globo
"Estandarte é do Salgueiro"

Escola disputa título de campeã com Beija-Flor e Vila; resultado oficial sai hoje

Com um desfile que empolgou a Sapucaí por sua criatividade, um samba de primeira e uma bateria nota dez, o Salgueiro conquistou o Estandarte de Ouro de melhor escola e o de melhor enredo (a história do tambor) do Grupo Especial em 2009. Para o júri da 37ª edição do prêmio, concedido pelo GLOBO, a vermelho-e-branco foi a grande campeã do carnaval. Duas escolas conquistaram três Estandartes cada – a Vila Isabel (comissão de frente, mestre-sala e personalidade); e o Império Serrano (bateria, revelação e baianas). Além do Salgueiro, Beija-Flor e Vila Isabel estão na disputa do título de campeã. As notas dos jurados do Grupo Especial serão conhecidas hoje à tarde, no Sambódromo. Em São Paulo, a Mocidade Alegre venceu o desfile por meio ponto.

O Estado de São Paulo
"‘Vamos nos reconstruir’, diz Obama ao Congresso"

Presidente tenta passar otimismo em seu Discurso sobre o Estado da União

O presidente dos EUA, Barack Obama, procurou usar um tom otimista em seu primeiro Discurso sobre o Estado da União. “Nossa economia está debilitada, e nossa confiança, abalada. Vivemos tempos difíceis e inseguros, mas, nesta noite, quero que todos os americanos saibam o seguinte: vamos nos reconstruir, vamos nos restabelecer. Os EUA sairão mais fortalecidos”, diria Obama no discurso que faria ontem à noite ao Congresso, cujos trechos foram antecipados pela Casa Branca. Antes do pronunciamento, o presidente do Fed (banco central dos EUA), Ben Bernanke, disse que o país só começará a se recuperar quando o setor bancário deixar de ser um problema. Segundo ele, se as medidas tomadas pelo governo para sanear o sistema financeiro e estimular a economia resultarem em “alguma forma de estabilidade financeira”, a recuperação poderá começar em 2010. Ao descartar a estatização de bancos, Bernanke ajudou a Bolsa de Nova York a se recuperar, após ter caído ao nível de 1997.

Frase: Ben Bernanke (Presidente do Fed)

“Não precisamos ter propriedade sobre os bancos para trabalhar com eles.”

Jornal do Brasil
"Dia de festejar a vitória"


Rio espera alegria e muita festa ao final da apuração

Ainda tem mais até domingo - são mais de 100 blocos nas ruas – mas, para as escolas de samba, hoje é o dia de g1ória. Às 15h45, no Sambódromo, começa a apuração do resultado dos desfiles. A alegria, que era de todos, passa a ser apenas de uma escola (se não der empate). A Beija-Flor, com cinco títulos, pode se tornar a grande vitoriosa da Era Sambódromo, na qual está empatada com a Imperatriz Leopoldinense. O Salgueiro, vice em 2008, não quer repetir a colocação. Todas as escolas se julgam vitoriosas até que acabe o “10, nota 10” do apresentador Jorge Perlingeiro. A Mocidade Alegre venceu em São Paulo.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Coluna da Terça-feira

Ao Celsinho, ao Rui Grilo, ao Julinho Mendes, ao Corsino e ao Eduardo Cesar

Mauricio Moromizato
Quero iniciar a coluna de hoje agradecendo ao elogio a mim dedicado por Celso de Almeida Jr., na coluna de sexta-feira passada.


Diz Celsinho, a meu respeito: “Em Maurício Moromizato não vejo economia de palavras. Noto aquele encantador entusiasmo de militante político, do tipo que eu tanto gostaria de encontrar em nossa juventude. Maurício está aí, guerreiro. Dá o seu recado com aquela disposição que precisaríamos ver em nossos políticos, defendendo o ponto chave a fomentar: o verdadeiro governo participativo.”

Faz também, de maneira muito apropriada, uma avaliação justa e verdadeira sobre os professores Rui Grillo, Julinho Mendes e Corsino Aliste Mesquita e usa com maestria a coluna para cobrar uma postura de paz do prefeito Eduardo César. Finaliza a coluna afirmando: “Paz e democracia formam uma dupla imbatível para a construção de nosso futuro. Praticá-las exige que, em muitas situações, utilize-se um remédio eficiente: um sincero pedido de desculpas a quem merece todo o respeito.”

Obrigado mais uma vez, Celsinho, pelas palavras elogiosas a meu respeito, pela coragem em assumir uma postura correta para a situação que vivemos hoje e particularmente, por me incluir na companhia de três verdadeiros “professores”, tão diferentes entre si enquanto pessoas e tão semelhantes na luta por seus ideais, nas posturas cidadãs e na participação na vida comunitária.

Conheço bem o professor Rui Grillo. Somos companheiros em muitas lutas, e ele está há muito por merecer uma homenagem pelas suas posturas corretas e cidadãs, por sua coragem e por seu exemplo. Querido Rui: Ubatuba tem muito que ti agradecer e todos temos muito a aprender contigo. Esse seu aspecto frágil na aparência (e às vezes na saúde) escondem sua verdadeira fortaleza de “grilo falante, pensante e executante”, que toca as consciências e estimula o pensamento e o debate.

O professor Julinho Mendes tem que ser reverenciado por todos pela sua luta em favor da preservação das tradições e da cultura caiçara, pela independência política e pela contribuição que dá e pode vir a dar mais ainda, em prol do desenvolvimento de Ubatuba, via cultura, via turismo, via valorização social e muito mais. Prezado Julinho: o futuro vai reverenciar todas suas lutas do presente. Tenha fé e convicção para continuar. Eu, pessoalmente, admiro demais o foco que você tem na questão da cultura popular e caiçara, aprendo sempre que converso contigo e lhe convido para colocar essa sua conduta na participação e discussão de todos os aspectos que a vida pública municipal exige tais como transbordo do lixo, saneamento básico, saúde, educação, e tantos outros.

E o professor Corsino tem que ser homenageado pela sua história nos lados de cá do Atlântico, por seu conhecimento das leis e da necessidade do cidadão cobrar o cumprimento das mesmas, por sua contribuição de tantos anos para a vida municipal e pela certeza de que estará externando suas opiniões enquanto estiver sobre a Terra.
Caro professor Corsino: ouço por toda a Ubatuba opiniões a seu respeito. Diversas, positivas e negativas, revelando uma só verdade: sua formação pessoal, sua vida de professor, secretário, “colunista” e cidadão tem valido a pena e sua obra pessoal está permanentemente sendo sentida e fazendo sentido na vida das pessoas. Desde que nos conhecemos, tenho profundo respeito por sua pessoa e preciso testemunhar que sempre recebi de sua parte um tratamento digno e respeitoso, apesar de diferenças ideológicas, partidárias e pessoais.

Quando ao Prefeito Eduardo César (“os desabafos de Eduardo, na rádio, atacando de forma agressiva muitas vozes oposicionistas, precisam cessar”), vou parafrasear Nélson Rodrigues e aconselhar que Eduardo César precisa se conscientizar que “toda unanimidade é burra”.
Precisamos de um Prefeito que dê respostas com atos e resultados à população e não à oposição. A oposição deve existir, é saudável e tem que cumprir o papel fiscalizador dos atos públicos e de cumprimento de compromissos de campanha, além de apresentar propostas para o desenvolvimento municipal. É da essência da democracia.
Coloco aqui, como sugestão e como cobrança, alguns pontos para que Eduardo César inicie um diálogo franco e aberto com toda a população:
- A conferência municipal de saúde, ora em andamento, está sendo feito de acordo com os requisitos legais?

- Quanto está custando o transbordo do lixo? Qual empresa está fazendo? Que atitude a prefeitura está tomando para interromper o transbordo definitivamente e proteger a economia do município?


Aqui mesmo no Ubatuba Víbora, em entrevista, Edgard Camargo Rodrigues, novo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) afirma que os maus administradores sempre acham um jeito de burlar a lei, e perguntado sobre Onde há mais desmandos? Respondeu: “Licitação de lixo cheira mal. Algumas prefeituras, quando obrigadas a abrir nova concorrência, agem ardilosamente para garantir a mesma empresa contratada há anos. Lançam edital deliberadamente com erros, imperfeições. Aí um laranja impugna o edital. Sai novo edital e novos erros. O laranja impugna outra vez. A empresa vai ficando, escorada no regime de emergência. Teve caso de edital refeito cinco vezes. A fraude estava na cara, mandamos para o Ministério Público. Toda hora a gente pega. Os desvios são uma aberração. Bons administradores terão sempre a colaboração do tribunal. Para os maus, o recado está aí: nós estamos atentos.”

- E o saneamento básico, qual posição da prefeitura? Quando se iniciarão as discussões sobre a questão? Onde está o contrato com a SABESP?

- Qual o balanço do carnaval em Ubatuba? Qual foi o impacto na cidade? E a comparação com o ano passado e com as cidades vizinhas?

- Diante de uma crise mundial que só cresce, qual medidas a prefeitura está tomando para proteger a economia municipal? Há previsão de converter a cesta básica dos funcionários públicos (comprada fora de Ubatuba) em vale alimentação para que esses recursos sejam gastos na economia local? Quando a merenda iniciará a compra de alimentos produzidos localmente, face à nova medida provisória do governo federal que permite a compra de até 30% dos recursos federais da merenda de produtores locais?

- Há previsão de melhorar o site da prefeitura incluindo mais informações que permitam o controle dos atos e dos recursos públicos?

- Que tal criar um “diário oficial eletrônico”, reduzindo os gastos públicos com publicações na imprensa escrita?

Finalizo externando que, com relação à sugestão de pedido de desculpas, como Cristão e Católico tenho o perdão como dogma e Eduardo Cesar, portanto, está perdoado pelo que me fez ou pelo que tenha dito a meu respeito.


Nossas divergências, porém, continuam enormes. Publicamente faço a sugestão de que Eduardo, além das desculpas públicas a Rui Grilo, Julinho Mendes e Corsino, adote também a paz e a tolerância como comportamento pessoal, ciente de que seu papel de homem público deve ter constante questionamento, para o bem da cidade de Ubatuba.

Bom final de carnaval a todos.

Dinheiro tinto de sangue...

A morte do segredo bancário suíço

Gilles Lapouge* (Clique aqui e leia na fonte)
A Suíça tremula. Zurique se alarma. Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes. Poderia se dizer que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.


O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira. A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça - viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para fraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada, tranquilamente.

Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais. O banco protestou. A Suíça está temerosa. O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que “o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal”.

Mas como resistir? A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios.

Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente. Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que “neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas”.

Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe econômica. Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 bilhões de francos suíços ou 201 milhões.

E não se trata apenas do UBS. Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira. O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, “fazem frutificar três trilhões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os ativos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários”.

Ziegler acrescenta ainda que “se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros ?offshore? do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente”. Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos.

“O manejo do dinheiro na Suíça”, diz Ziegler, “se reveste de um caráter sacramental. Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos atos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e se realizam em silêncio e recolhimento”.

Mas agora surge um outro perigo, depois desse duro golpe dos americanos. Na minicúpula europeia que se realizou em Berlim, em preparação ao encontro do G-20 em Londres, França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais. “Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional”, vociferou a chanceler Angela Merkel.

No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico, Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias. Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adotadas contra os paraísos fiscais.

Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em razão da prosperidade econômica mundial, todas as tentativas eram abortadas. Hoje, estamos em crise. “Viva a crise!”

Barack Obama, quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses “remansos de paz para o dinheiro corrompido”. Hoje ele é presidente. É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país. Nos anos 30, os americanos conseguiram laçar Al Capone. Sob que pretexto? Fraude fiscal.


* Correspondente em Paris

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090224/not_imp328991,0.php

Embuste

As profecias de Marx

“Se desconfiarmos que alguém mente, finjamos crença: ele há de tornar-se ousado, mentirá com mais vigor, sendo desmascarado.” (Schopenhauer)

Rodrigo Constantino
Está circulando na internet um suposto trecho de O Capital, escrito em 1867 por Karl Marx, onde ele teria feito uma previsão bastante precisa sobre a crise atual. O trecho chegou ao blog de Ricardo Noblat, e em inúmeros outros, assim como várias pessoas têm enviado por e-mail a mensagem. Eis o suposto trecho de Marx:

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Seria, de fato, impressionante a visão do autor dessa frase, se ela fosse verdadeira. Não é. Os marxistas sempre foram mestres na propaganda enganosa (vide União Soviética). Uma mentira repetida mil vezes acaba se tornando verdade. Nessa crença, entre tantas outras coisas, marxistas e nazistas se parecem muito. Goebbels poderia tranquilamente se passar por marxista nesse caso. E de fato, Hitler reconheceu que aprendeu muito com os métodos marxistas.
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Mídia

Roubini e o fracasso do jornalismo econômico

Luiz Carlos Azenha (Clique aqui e leia o original)
Nos próximos dias vamos testemunhar todo tipo de contorcionismo verbal e intelectual para tentar negar um fato, especialmente no Brasil, onde nossa mídia só vai reconhecer que o consenso de Washington acabou em alguns anos: Barack Obama vai nacionalizar os bancos americanos.


Não se trata de uma opção ideológica. É o reconhecimento puro e simples da falência do sistema financeiro. Ou isso ou, dentro de alguns meses, o óbvio assaltaria o governo Obama com um estilete, de madrugada, e ele seria obrigado a declarar toque de recolher para evitar quebra-quebra diante das instituições financeiras, feito aconteceu na Argentina.

A nacionalização, pois, é o mal menor. Nouriel Roubini, que era tratado feito maluco pela mídia dos Estados Unidos há alguns meses (quando, aliás, é preciso registrar, já era ouvido pela Carta Capital) chegou às páginas do Wall Street Journal. Quando o Murdoch vai ouvir o Roubini isso significa que, definitivamente, as coisas não andam bem nos Estados Unidos.

Alguns trechos da entrevista de Roubini ao Journal:

"Daqui a seis meses mesmo firmas que hoje parecem solventes se tornarão insolventes. A maioria dos grandes bancos -- quase todos eles -- parecerão insolventes. Nesse caso, se você assumir o controle deles de uma vez, causa menos danos do que se fizesse isso com apenas alguns, agora, criando muito mais confusão e pânico e nervosismo".

"Entre garantias, apoio de liquidez e capitalização o governo já deu de 7 a 9 trilhões de dólares para ajudar o sistema financeiro. De fato, o governo já controla um bom pedaço do sistema bancário. A questão é se você quer ou não tornar isso oficial".

"Começamos com bancos que já eram muito grandes para falir mas o que aconteceu, no processo, é que esses bancos se tornaram ainda maiores-para-falir. O JP Morgan assumiu a Bear Stearns e o Washington Mutual. O Bank of America assumiu o Countrywide e a Merrill. O Wells Fargo ficou com o Wachovia. Não funciona! Você não pode pegar dois bancos-zumbis, juntá-los e fazer um banco forte. É o mesmo que colocar dois bêbados um ajudando o outro a ficar em pé".

"Eu acredito na economia de mercado. Para parafrasear o Churchill -- que disse isso sobre a democracia e regimes políticos -- a economia de mercado pode ser o pior regime econômico existente, com exceção de todos os outros".

"As duas coisas em que o (Alan) Greenspan errou completamente são em suas crenças: um, de que o mercado se auto-regula; dois, de que o mercado nunca erra".

"Nos mercados financeiros, sem as devidas regras institucionais, é a lei da selva -- já que existe a cobiça. Não há nada de errado com a cobiça em si, e as pessoas não cobiçam mais hoje do que há 20 anos. Mas a cobiça precisa ser temperada, primeiro, pelo medo das perdas. Se você resgatar as pessoas, haverá menos medo. E segundo, a regulamentação prudente e a supervisão evitam certos excessos".

"Nos anos de bolha todos se tornam cheerleader, inclusive a mídia. É a hora em que os jornalistas deveriam fazer as perguntas duras, e acho que houve um fracasso aqui. Os Masters do Universo estavam sempre na capa, na primeira página -- os caras dos hedge-funds, os executivos imperiais. Eu gostaria que tivesse havido mais jornalistas de finanças e de negócios, nos anos bons, que perguntassem: "Peraí, esse cara, essa empresa, tem um lucro de 100% por ano, como fazem isso? Será que eles são mais inteligentes que os outros, ou estão assumindo tantos riscos que vão falir em dois anos?".

"Um bom jornalista tem que ser o cara que, nos tempos bons, desafia o pensamento convencional. Se você não fizer isso, está fracassando em suas obrigações".

Fuga do paraíso!

Atleta cubano que desertou no Pan do Rio vai para Miami

da Efe, em Miami (Clique aqui e leia o original)
O boxeador cubano Guillermo Rigondeaux, 27, bicampão olímpico e mundial, conseguiu fugir para Miami (Estados Unidos). Ele já havia desertado durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e acabou deportado pelo governo brasileiro.


Em 2007, Rigondeaux e o lutador Erislandy Lara abandonaram a delegação do país durante a disputa do Pan. Eles foram presos cerca de um mês depois em Cabo Frio, na Região dos Lagos do estado do Rio, e foram enviados de volta a Cuba menos de 48 horas depois de serem encontrados.

Lara já mora em Miami, junto dos atletas Yuriorkis Gamboa e Odlanier Solís, segundo o jornal "El Nuevo Herald".

Rigondeaux retomará sua carreira após cumprir todos os requisitos obrigatórios, segundo um porta-voz da empresa alemã Arena Box Promotion, que representa Gamboa, Lara e Solís.

"Queremos que Rigondeaux faça parte da Arena Box e vamos dar todo o apoio para que cumpra seu sonho de ser campeão mundial profissional", disse.

Outro caso envolvendo deserções de atletas cubanos foi em março de 2008, quando cinco jogadores da seleção de futebol masculina que disputavam o Pré-Olímpico da Concacaf ficaram nos EUA.

A situação foi humilhante para a equipe, que entrou em campo com dez jogadores e sem reservas na última partida, uma derrota de 2 a 0 para Honduras.

Nota do Editor - Rigondeaux mudou de idéia. Explico. No confuso episódio em que a direita fala em expulsão, o pugilista sentiu saudades do canário belga. Gentilmente pediu para voltar ao paraíso. Tarso Genro gentilmente atendeu. Chávez colaborou emprestando o avião. Com gente gentil tudo é mais fácil. Devido ao implacável bloqueio americano o canário morreu por falta de alpiste. Sem laços que o prendessem ao reinado do comandante Fidel, Rigondeaux resolveu tentar a vida na decadente Miami. Esses são os fatos, as interpretações ficam por conta dos leitores. (Sidney Borges)

Opinião

Tribunais de contas injustiçados

Editorial do Estadão
Tanto causa repulsa a crônica impunidade reinante no País que às vezes se cometem injustas generalizações ou se culpam instituições pelos atos de outras. É o caso dos Tribunais de Contas. De há muito se fala da inutilidade desses órgãos de assessoramento técnico dos Legislativos, de seus pareceres resultarem em nada, de sua subordinação política ou do cabide de emprego, frequentemente nepotista, que infla seus quadros. Não que deixe de ter havido, ou de ainda haver, muitas dessas distorções. Mas no geral os Tribunais de Contas são providos de alta capacidade técnica e dispõem de quadros de fato dedicados ao exame e controle das contas públicas. O problema é que seus pareceres e decisões são sistematicamente desrespeitados pelos Legislativos dos municípios cujas contas do Executivo têm sob seu exame.

Matéria de nossa edição do dia 16 mostrou como a grande maioria das decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo é ignorada pelas Câmaras de Vereadores dos municípios a que se referem. Das 644 contas analisadas em 2006 pelo TCE, 243 foram consideradas irregulares - o que representa nada menos que 37% dos municípios. Foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais. Foram, assim, apresentados pelo TCE motivos que justificariam a reprovação dos gastos de prefeitos pelas Câmaras de Vereadores, o que os tornaria inelegíveis.

Mas, como a Constituição concede aos vereadores o poder de derrubar os pareceres do TCE, desde que com maioria qualificada de dois terços dos votos, na prática isso se tornou uma garantia de impunidade. Veja-se agora o jeito como se "enxuga" esse processo de fiscalização das contas públicas: das 243 prestações de contas julgadas irregulares pelo TCE, apenas 31 foram colocadas em votação pelos Legislativos até a primeira semana de fevereiro. Certamente há uma demora decorrente dos prazos legais - que abrangem a auditoria do TCE, a defesa dos prefeitos e o envio das decisões do tribunal para as Câmaras. Mas, desses 31 pareceres sobre contas irregulares, 22 (isto é, 71%) acabaram derrubados nesses Legislativos - o que significa dizer que as contas dos respectivos prefeitos foram aprovadas.

Não se pretende negar que os Tribunais de Contas possam sofrer ingerências políticas em seus pareceres, antes que estes cheguem aos Legislativos. Na matéria está o depoimento do ex-secretário de Finanças de São Paulo Amir Khair que diz: "É comum ver um parecer técnico apontando problemas e o relator vai contra aqueles apontamentos. Ou mesmo casos em que o próprio parecer aponta uma série de problemas, mas considera as contas regulares." Também diz o ex-secretário que "os Tribunais de Contas não têm isenção política, pois há uma falha na origem, que é a própria nomeação dos conselheiros" - já que são indicados pelo governador ou pelas assembleias legislativas. Aí, porém, há que se relativizar o problema, pois se isso significasse, necessariamente, falta de isenção, como confiar, por exemplo, em que os ministros do Supremo Tribunal Federal tivessem alguma isenção em relação à Presidência da República?
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Manchetes do dia

Terça-feira, 24 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"EUA querem mais controle sobre bancos"
Em nota, Tesouro e Fed (banco central americano) anunciaram que o governo estuda exigir ações ordinárias, com direito a voto, de bancos em crise. Com isso, poderá se tornar o principal acionista das instituições, o que aponta para estatização. Segundo o comunicado, o governo fará isso se a avaliação dos bancos “indicar que injeção adicional de verba é necessária”. No Citigroup, a parte controlada pelo estado poderá passar de 7,8% a até 40%. O banco já recebeu do Tesouro US$ 45 bilhões. Amanhã, o governo deve iniciar “testes de estresse”, simulação de computador para vê se os bancos suportariam um piora drástica da economia. Os que fracassarem poderão buscar capital privado; se não conseguirem, será feita venda forçada de ações ao governo. Fed e Tesouro, porém, dizem que qualquer controle acionário. Será temporário e que as instituições devem continuar sendo privadas. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 3,41% e fechou no menor patamar em quase 12 anos.


O Globo
"A aventura da criação"

Porto da Pedra abre segunda noite exaltando a imaginação; Beija-Flor e Vila se destacam no domingo

Com um elogio à criatividade e à inventividade, a Porto da Pedra abriu ontem a segunda noite de desfiles da Sapucaí. Apesar da força do enredo de Max Lopes, a escola enfrentou problemas com o abre-alas, que teve dois carros desacoplados e, com isso, ultrapassou o número permitido pelo regulamento.

Com 106 centímetros de quadril, a madrinha da bateria da escola, Valeska, destacou-se entre as popozudas que disputaram a atenção com a beleza das mulheres maduras, como Luma e Luíza Brunet. Na primeira noite de desfiles, Beija-Flor e Vila Isabel se destacaram.

O Estado de São Paulo
"Governo dos EUA garante bancos, mas bolsa despenca"

Dow Jones cai ao nível de 1997, mesmo com anúncio do plano de resgate

O governo dos EUA tentou tranquilizar o mercado ontem ao garantir que não deixará quebrar os grandes bancos. Não funcionou, informa a correspondente Patrícia Campos Mello. A Bolsa de Nova York caiu 3,4% e fechou no nível mais baixo desde 1997, mesmo com 3 valorização das ações do Citigroup e do Bank of America, as instituições em situação mais crítica.

O Tesouro e o Fed (banco central dos EUA) anunciaram que os “testes de estresse” para determinar a saúde financeira dos 20 principais bancos começam amanhã. Se algum deles precisar de mais capital, e se esse capital for público, o dinheiro injetado terá de ser convertido em ações com direito a voto - ou seja, mesmo afirmando que “os bancos devem permanecer na iniciativa privada”, o governo admite que pode elevar significativamente a sua participação acionária no sistema financeiro.


Jornal do Brasil
"Anjo brilha na avenida"
Dois dias após desmaiar na concentração da Acadêmicos da Rocinha, a rainha das rainhas, Luiza Brunet, vestiu-se de anjo e empolgou a Sapucaí à frente da bateria da Imperatriz Leopoldinense. A escola comemorou 50 anos e contou suas origens, numa noite em que o Salgueiro, a segunda a atravessar a avenida, tocou os tambores para agitar o desfile e entrar na briga com a Beija-Flor.
 
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