sábado, fevereiro 14, 2009

Ponto de vista petista

Debate Aberto

O verdadeiro palanque de Dilma Rousseff

Maurício Moromizato
Quando dirigentes do PSDB e do DEM anunciam que entrarão com consulta no TSE pedindo que sejam estabelecidos limites para a participação do presidente Lula em atos junto com a ministra Dilma Rousseff, o motivo não é, como alegam, indignação com campanha antecipada.


Gilson Caroni Filho

Se na vida pessoal é importante parar para refletir como estamos nos relacionando com nossas ambições e quais são as reais motivações que nos movem, na vida política é preciso atentar para os torneios lingüísticos cheios de subentendidos da oposição brasileira. Nos dois casos, os jogos de aparência não costumam resistir por muito tempo.


Buscar conhecer bem os percalços, intimidades e armadilhas de discursos que, de tão repetidos, se incorporaram à rotina da pequena política, nos leva a enxergar melhor como a sabotagem institucional é, desde sempre, imperativo de sobrevivência da direita brasileira.

Quando dirigentes do PSDB e do DEM anunciam que entrarão com consulta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que sejam estabelecidos limites para a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em atos políticos junto com a ministra Dilma Rousseff, o motivo não é, como alegam, indignação com campanha antecipada ou uso de máquina pública em favor de uma provável candidatura governista. A questão é mais prosaica e revela apenas o pânico que vai na alma das elites oligárquicas.

Os verdadeiros "palanques" da ministra não são montados em encontros com prefeitos ou em inaugurações de obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Com tábuas e ferragens de boa qualidade, suas estruturas não comportam madeiras apodrecidas que podem ameaçar a estrutura. É um serviço de palco com indubitável qualidade de material como demonstra o estudo do professor Marcelo Cortes Neri, intitulado “ Crônica de uma crise anunciada – choques externos e a nova classe média ”.

Impressiona saber como na mais grave crise do capitalismo internacional, a economia brasileira mantém dinamismo, assegurando, através do Bolsa Família e outros programas sociais, renda aos mais pobres e um invejável quadro de mobilidade social.

Sobre o PAC, Neri é categórico: é um plano que talvez não fizesse muito sentido quando ele foi lançado como um plano de aceleração do crescimento, porque a economia estava muito aquecida, e hoje em dia é visto quase como um New Deal americano numa época em que comparações com a grande depressão americana começam a se tornar mais comuns. Então, é meio como se o Brasil criasse um New Deal antes que a depressão fosse anunciada. Aqueles que acham que o Brasil estava com sorte, alguns anos atrás, que sorte temos agora, porque é como se tivéssemos um bilhete de loteria, um seguro que não sabíamos que tínhamos (...).

Quadro muito distinto do que vimos nos oito anos do consórcio PSDB/PFL. A política econômica produzia desemprego e subemprego em massa. Salários irrisórios não permitiam que as famílias pudessem ter uma vida decente. Ajoelhado diante dos interesses predominantes do capitalismo central, o bloco de poder aceitava de bom grado um ajustamento passivo às exigências do credo neoliberal. Via com bons olhos a liquidação de boa parte da indústria nacional e incentivava um processo de desnacionalização crescente. Esse era o palanque de Serra, em 2002.


A partir da eleição de Lula, a estratégia de desenvolvimento econômico e social teve outro norte: reorientação dos recursos produtivos para satisfazer as necessidades de um amplo exército de excluídos; uma política de redistribuição de rendas e da riqueza, baseada na elevação do patamar de salários e em projetos nas áreas de educação, saúde, habitação, transporte e meio ambiente que, simultaneamente, melhoraram as condições de vida, proporcionando emprego à população.

Acrescentem-se, ainda, políticas industriais e tecnológicas voltadas para a reestruturação do parque produtivo brasileiro, respondendo aos desafios impostos pela conjuntura internacional e às exigências de um sólido mercado doméstico. Apesar de concessões ao agronegócio, não se descuidou de uma política agrícola voltada para o mercado interno.

Dialogando com movimentos sociais, foi rompida a tradição brasileira de definição e encaminhamento das questões políticas de forma elitista, autoritária e paternalista. Os partidos políticos de cunho progressista puderam, como instâncias de mediação de interesses conflitantes, apresentar projetos globais de desenvolvimento social.

Seria interessante perguntar a alguns ministros do STF em que governo o Poder Judiciário gozou de tanta autonomia como neste? Quando, na nossa rala história republicana, o Executivo foi tão pouco prepotente face ao Judiciário e ao Legislativo?

O verdadeiro "palanque" de Dilma Rousseff tem, portando, dimensão e legitimidade para abrigar muita gente. Pode ser vistoriado por todos os ângulos. No campo dos direitos eleitorais expressa a supressão de todos os obstáculos ao pleno exercício da cidadania. Não cabem recursos de afogadilho. Muito menos petições de uma ética de algibeira.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa. Fonte: [2]www.cartamaior.com.br

Oriente Médio

Preconceito

Diogo Mainardi (Clique aqui e leia na fonte)
Avigdor Lieberman. É o cogumelo venenoso da semana. O cogumelo venenoso é o tema de um conto infantil publicado na Alemanha nazista.

A mulher pergunta:

– Quem é o cogumelo venenoso da humanidade?

O jovem Franz responde:

– Os judeus.

A mulher completa:

– Sim, meu filho. Assim como um único cogumelo venenoso pode matar uma família inteira, um judeu sozinho pode destruir uma aldeia inteira, ou uma cidade inteira, ou um povo inteiro.

Avigdor Lieberman foi um dos maiores vencedores da disputa eleitoral em Israel. Ele comanda o partido ultranacionalista Yisrael Beiteinu. De um dia para o outro, a imprensa o identificou como o cogumelo venenoso do Oriente Médio, ainda mais daninho do que o cogumelo nuclear iraniano. Aparentemente, ele, sozinho, conseguiu destruir qualquer possibilidade de paz com os palestinos. O jovem Franz sabe perfeitamente: se alguém destruiu qualquer possibilidade de paz com os palestinos, só pode ter sido um judeu.

Um dos planos de Avigdor Lieberman é cassar a cidadania dos árabes israelenses que se recusarem a jurar lealdade ao estado. O sucesso de seu partido foi amplamente interpretado como um sinal de apoio do eleitorado às ideias mais medonhas. Isso é um erro. Um erro que só tem o efeito de criminalizar o eleitorado de Israel. O eleitorado judeu. Primeiro: o crescimento do Yisrael Beiteinu, o partido de Avigdor Lieberman, tem de ser corretamente dimensionado. Em 2006, ele recebeu 9% dos votos. Agora recebeu 11,6%. Cresceu? Cresceu. Mas o resultado é praticamente igual ao de outros partidos ultranacionalistas da Europa, como o de Jean-Marie Le Pen. Mais um dado: em 2006, o Yisrael Beiteinu ganhou onze cadeiras no Parlamento israelense. Na semana passada, ganhou quinze. Nesse mesmo período, os principais partidos religiosos de Israel, compostos por fundamentalistas que prometem governar com a Torá, perderam quatro cadeiras. No fim das contas, um radicalismo acabou canibalizando o outro: quatro cadeiras para cá, quatro cadeiras para lá. Saldo: zero.

A paz no Oriente Médio, na realidade, está mais perto do que antes. Apesar de Avigdor Lieberman. Apesar do jovem Franz. A paz no Oriente Médio está mais perto do que antes porque Israel bombardeou Gaza e desbaratou o Hamas. Poderia ter sido melhor? Sim. Poderia ter sido melhor. Bem melhor. O comandante da artilharia israelense declarou que Israel perdeu a oportunidade histórica de esmagar o poder militar do Hamas, retirando suas tropas precipitadamente, quando os terroristas pareciam à beira do colapso. Mesmo assim, o Hamas está desmoralizado. O Hamas e suas fantasias genocidas. A paz no Oriente Médio depende, antes de tudo, do reconhecimento de Israel. Os palestinos precisam rejeitar a ideia mais monstruosa de todos os tempos: a de que um judeu é um cogumelo venenoso. Um cogumelo venenoso que tem de ser erradicado.

Pássaros

Andorinha leva 13 dias para ir do Brasil aos EUA e surpreende cientistas

Cientistas colocaram 'mochila' para rastrear andorinhas


BBC (Clique aqui e leia o original)
Uma andorinha-azul fez o trajeto entre a Amazônia e o Estado americano da Pensilvânia em apenas 13 dias, surpreendendo cientistas do Canadá, que pela primeira vez conseguiram rastrear toda a rota migratória dessas aves individualmente.


A mesma andorinha-azul tinha levado 43 dias na sua "viagem" de ida - uma distância de cerca de 15 mil km -, quando migra para o sul para evitar o inverno no Hemisfério Norte.

Ao retornar na primavera seguinte, a ave atingiu uma velocidade média de 577 km por dia.

Em um estudo publicado na revista científica Science nesta sexta-feira, os pesquisadores afirmam ter descoberto que essa velocidade chega a ficar entre o dobro e o triplo do que se acreditava até agora.


'Mochila'

A pesquisa só foi possível graças a um minúsculo dispositivo de rastreamento colocados nas costas dessas pequenas aves, que têm peso médio entre 40 g e 50 g.

A "mochila eletrônica" pesa cerca de 1,5 g, e é normalmente colocada nas patas de pássaros maiores, como os albatrozes.


Até agora, os cientistas estudavam as andorinhas-azuis rastreando o voo de um bando inteiro com radares em distâncias curtas, e analisando seu comportamento nas suas paradas.

Para a atual pesquisa, os biólogos da Universidade de York em Toronto, no Canadá, colocaram os dispositivos de rastreamento em 14 tordos-do-bosque e 20 andorinhas-azuis, em agosto de 2007. Quando recuperaram cinco dos tordos e duas andorinhas em abril de 2008, ficaram surpresos com a velocidade de voo registrada.


Segundo os cientistas, as aves voaram de duas a seis vezes mais rápido na "viagem" de volta do que na ida, o que lhes dá uma vantagem sobre outras espécies na busca por um território propício para se reproduzirem.

Nota do Editor - Andorinhas migratórias costumam nidificar em Ubatuba. Desde 2002 fazem ninhos em minha lareira e não é raro um bebê andorinha aparecer na sala. Brasil, que como todos sabem é o meu cachorro, está treinado para me avisar quando acontece. Abro portas e janelas e o jovem pássaro ganha os céus em seu primeiro vôo, que segundo o ornitólogo Carlos Rizzo, dura 24 horas. Ainda restam alguns filhotes barulhentos, logo terão partido em direção ao Norte. No ano que vem tem mais. (Sidney Borges)

Política

O PMDB é corrupto

Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso

Do Blog do Noblat (Clique aqui e leia o original)
A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação.
Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem.


Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".

O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?

É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.


Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.

Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.


Como o senhor avalia sua atuação no Senado?

Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.

O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...

Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.


O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?

Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.


Para que o PMDB quer cargos?

Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.


Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?

De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.


Por que o senhor continua no PMDB?
Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.


Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?

Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.


O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?

Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.


A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.

O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.


Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.

O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.


O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?

Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.


A oposição está acuada pela popularidade de Lula?

Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.


Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?

Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.


Por que há essa banalização dos escândalos?

O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.


É possível mudar essa situação?

É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?

A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

O senhor parece estar completamente desiludido com a política.

Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.

Transcrito da VEJA de 18/2/2009 - edição 2100

Opinião

O pacote paulista

Editorial do Estadão
O pacote anticrise apresentado pelo governo de São Paulo tem dois aspectos especialmente promissores: um importante alívio fiscal, para dar às empresas mais fôlego financeiro num ano de muita dificuldade, e o compromisso de antecipação de despesas, para aumentar o impacto das medidas. O maior risco em tempo de recessão, como observou o governador José Serra, é a formação de uma espiral destrutiva. Se a economia entrar na espiral, as compras diminuirão, a produção também, o desemprego encolherá, o consumo novamente será reduzido e assim por diante. Se essa tendência tomar conta do Brasil, "não vai haver discurso capaz de freá-la", advertiu o governador.

Não se enfrenta uma crise apenas apresentando uma lista de intenções e reafirmando os compromissos de ação em discursos vigorosos a cada dois dias. A rapidez na execução dos programas é pelo menos tão importante quanto os valores envolvidos - investimentos, incentivos fiscais e facilidades financeiras. O governo federal tem falhado seguidamente nesse quesito: desde o agravamento da crise, tem apresentado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como um remédio contra o ciclo adverso, mas não consegue desemperrar os projetos previstos no orçamento.

A garantia de investimentos no valor de R$ 20,6 bilhões em 2009 foi apresentada, nesse pacote paulista, não como simples provisão orçamentária, mas como compromisso de ação dentro de um prazo, em áreas como transporte, saneamento, habitação, educação e segurança. O programa inclui a antecipação de compras de bens duráveis, como veículos, computadores e móveis, para o primeiro quadrimestre do ano.

A ideia é realizar essas compras, no valor estimado de R$ 711 milhões, no momento de maior dificuldade para as empresas, e com a vantagem de economia para o Estado. Também se prometeu antecipar a execução do programa de reforma de escolas, delegacias de polícia e outros edifícios públicos, com aplicação de R$ 876 milhões. São trabalhos menos complexos que a instalação de novos canteiros de grandes obras e sua aceleração poderá contribuir para sustentar a atividade e o emprego nos meses mais próximos. Isso dependerá, naturalmente, da competência gerencial de quem tiver de cuidar desses programas. A mera percepção da importância da rapidez, no entanto, já é um sinal muito animador.

Para reduzir os entraves burocráticos ao início de projetos, o governo inverterá as fases das licitações, começando pela seleção das melhores propostas e deixando para o fim, portanto, o complicado exame da documentação completa.

Nessa ordem, já se reduz o número dos concorrentes obrigados a apresentar a papelada e elimina-se o risco de enorme número de recursos administrativos. A prática já é conhecida no Estado e inspirou mudança semelhante no governo federal, mas o projeto da União está emperrado no Congresso.

O pacote contém três novas medidas tributárias de incentivo ao setor privado. Empresas de setores com alta geração de empregos poderão diferir o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente na compra de bens de capital. Valeria a pena generalizar o benefício. Muitas indústrias podem ocupar pouca mão-de-obra e ao mesmo tempo criar condições para muitos empregos indiretos.

A segunda medida será a suspensão do ICMS na compra de insumos para a produção de bens fabricados para a exportação - benefício destinado, igualmente, a "setores estratégicos para o emprego". Vale a mesma observação quanto à conveniência de generalizar o benefício. A terceira será a prorrogação, até 31 de dezembro, da redução de 18% para 12% do imposto sobre couros, vinhos, perfumes, produtos de higiene pessoal, instrumentos musicais, brinquedos e alimentos. Já tinha havido prorrogação até 30 de junho.
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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Recessão se aprofunda na Europa"

Economia do continente tem queda acentuada no último trimestre de 2008; nos EUA, Câmara aprova pacote

O agravamento da crise global ampliou a recessão na Europa. A União Européia (com 27 países) entrou oficialmente em recessão, após uma queda de 1,5% no produto Interno Bruto no último trimestre do ano passado. Foi o segundo trimestre consecutivo de queda. Considerando apenas a zona do euro, que abrange 16 dos 27 países, a economia também encolheu 1,5% no quarto trimestre de 2008 ante o terceiro. Este bloco já acumulava dois trimestres seguidos de recuo. O resultado foi pior que o dos EUA, que teve queda de 1%. Na Europa, a Alemanha teve a maior retração desde 1990, e o PIB francês sofreu o pior recuo em 34 anos. Holanda, Portugal, Reino Unido, Itália e Espanha também tiveram queda, aumentando a pressão para que o Banco Central Europeu corte mais os juros. No ano passado, o bloco foi o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas dos vizinhos da América Latina. Nos EUA, a Câmara dos Representantes (Deputados) aprovou a versão final do pacote econômico de US$ 787 bilhões.

O Globo
"Bancos dão trégua a Obama e suspendem despejos nos EUA"

Só em janeiro, foram 274 mil hipotecas executadas por atraso no país

No mesmo dia em que a Câmara aprovou, por 246 votos a 183, o pacote de estímulo à economia dos EUA, os grandes bancos resolveram atender a um apelo do Congresso e suspenderam as execuções de hipotecas de mutuários com dívidas em atraso até que o plano do governo de Barack Obama para solucionar a questão das hipotecas fique pronto.

Só em janeiro, 274 mil donos de imóveis receberam ordem de despejo nos EUA por não pagamento. Há um total de 2,3 milhões de americanos sem casa hoje. A impossibilidade de atrair votos dos republicanos para aprovar os pacotes está deixando cada vez mais longe o sonho de Obama de fazer um governo suprapartidário.


O Estado de São Paulo
"Para Lula, empresas demitem em excesso"

Setor privado lucrou muito em 2008 e tem dinheiro em caixa, diz presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os empresários que promoveram corte de pessoal e pediu "parceria" para enfrentar os efeitos da crise financeira. "Exageraram nas demissões e eu disse isso para a indústria automobilística", afirmou Lula no Recife, durante visita a um projeto de criação de peixes. "Todos ganharam muito dinheiro em 2008, então não era possível que, no primeiro mês depois da quebra dos bancos americanos, mandassem trabalhadores embora." Ele contou ter conversado com o presidente da Vale, Roger Agnelli, e condenado as demissões na empresa. Empresários rebateram as críticas do presidente. "Não é com discurso que podemos garantir o emprego de ninguém", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Armando Monteiro Neto.


Jornal do Brasil
"Olimpíada trará ao Rio mais R$ 12,8 bi"
Se o Rio for escolhido como sede da Olimpíada 2016, no dia 2 de outubro, a cidade ganhará mais R$ 12,8 bilhões em investimentos e custeio dos Jogos. O projeto completo do Comitê Olímpico Brasileiro, apresentado ontem, é de R$ 28,8 bilhões - desses, R$ 16 bilhões serão para um choque de modernização da cidade, e virão mesmo que o Rio não seja a sede.
Entre os possíveis legados dos Jogos estão previstos a despoluição da Baía de Guanabara, das lagoas da Barra, da Lagoa Rodrigo de Freitas, e o plantio de 24 milhões de árvores. Além disso, será reformado o Aeroporto Tom Jobim, renovado o sistema de trens, ampliado o metrô e criados três sistemas de ônibus rápidos. A segurança da cidade será feita por 60 mil homens.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Culinária

Ancestral do homem comia nozes com casca e tudo, sugere análise

Equipe de pesquisadores estudou crânio do Australopithecus africanus. Biomecânica e marcas nos dentes indicam consumo de frutos muito duros.

Reinaldo José Lopes do G1 (Clique aqui e leia o original)
Utensílios para quebrar nozes provavelmente seriam supérfluos para o Australopithecus africanus, ancestral da humanidade que viveu há mais de 2 milhões de anos na África do Sul. Um estudo coordenado por David Strait, da Universidade de Albany (Costa Leste dos EUA) usou simulações biomecânicas do crânio da criatura, bem como análises do desgaste de seus dentes, para mostrar que o A. africanus era capaz de quebrar nozes, castanhas e outros frutos duros com os próprios dentes. A capacidade pode ter dado a ele um recurso alimentar importante em tempos difíceis. A pesquisa está na edição desta semana da revista científica americana "PNAS".

Nota do Editor - Alguns cientistas desconhecem os segredos da gastronomia paleolítica. Nada a ver com utensílios supérfluos, as nozes são mais saborosas com casca. Como também as ostras e os cocos. (Sidney Borges)

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Importações

Entre a defesa comercial e o protecionismo

Antonio Carlos de Mendes Thame*
Diante do déficit nas contas externas, verificado em 2008, o governo decidiu restringir as importações, por meio da exigência de licença prévia para produtos comprados no exterior. Três dias depois, forçado pelas fortes reações negativas provocadas pela medida, o bloqueio foi revogado.

Nesse curto tempo, no entanto, a decisão causou a paralisação de diversos setores da economia, que precisam da importação de insumos para poder produzir. Além disso, o país correu o risco de ser contestado na OMC, organismo do qual é signatário, sob a acusação de protecionismo.

Sabe-se agora que o governo adotou a medida para proteger a indústria brasileira principalmente contra importações predatórias, mas a dose foi exagerada e acabou atingindo parte da própria produção nacional.

É evidente, no entanto, que o Brasil deve combater a concorrência desleal de certos exportadores, mas com competência. Nessa linha, a Câmara aprovou, no final de 2008, o Projeto de Lei 717/03, de nossa autoria, que obriga os produtos importados a seguirem os mesmos padrões de segurança que a legislação exige da indústria brasileira.

O objetivo do projeto, que ainda precisa ser aprovado no Senado, é o de evitar a invasão de mercadorias estrangeiras sem os padrões técnicos minimamente aceitáveis, além de impedir uma concorrência predatória e selvagem com a indústria brasileira.

Enfim, entendemos que neste momento, mais do que nunca, é preciso adotar medidas de defesa comercial, mas que ao mesmo tempo não comprometam a indústria nacional e não arrastem o país para um conflito comercial com outras nações.

* Antonio Carlos de Mendes Thame, deputado federal pelo PSDB/SP, é engenheiro-agrônomo, professor de Economia da ESALQ/USP (licenciado) e advogado (PUC – Campinas).

O PL 717/03, aprovado pela Câmara dos Deputados, encontra-se agora no Senado Federal, na Comissão de Assuntos Econômicos, com o número PLC 176/2008.
Para contribuir para acelerar sua tramitação, envie um e-mail ao presidente da Comissão, senador Aloizio Mercadante (mercadante@senador.gov.br) , solicitando brevidade na designação de relator para o projeto.

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Solução para a crise



Barco movido a energia humana

Da revista Época (Clique aqui e leia o original)
Uma alternativa aos navios abastecidos com combustíveis fósseis, causadores do aquecimento global, é usar uma espécie de barco em formato de concha que deslizaria sobre as águas do rio movido com a energia do exercício humano.

Dentro do "ecobarco" haveria uma academia de ginástica e a energia das pessoas nas esteiras e bicicletas seria usada para impulsionar o meio de transporte. Mas será que essas academias flutuantes seriam uma solução para o trânsito das grandes cidades?

A praticidade da ideia é discutível. Será que as pessoas iriam mesmo suar no caminho de encontros e entrevistas de emprego? Os recursos usados para construir a academia valeriam a economia de energia depois? Talvez seja mais fácil ir de bicicleta ou a pé mesmo.

Nota do Editor - Eis uma solução de dois gumes, como a faca que matou Calim, primo de Abrahão e amante de Geisa Natasha. Imagine, considerado leitor, uma frota de barcos-academia singrando os mares de Ubatuba. No porão madames e plebeus pedalando, uns para ganhar o que comer, outros para queimar o excesso de comida. Mais democrático é impossível. No convés turistas maravilhados com as belezas desta terra pródiga em paisagens deslumbrantes. Uma linha que certamente faria sucesso: praia do Cruzeiro, Ilha Anchieta. Os barcos a pedal poderiam também ser uma forma de abrigar políticos sem mandato. Teriam cargo vitalício de comissário de convés, título de almirante e salário de vereador. Com direito a dois assessores, digo grumetes. He, he, he... (Sidney Borges)

História mal contada

Cadê as provas da tortura contra Paula Oliveira?

por Paulo Moreira Leite (Clique aqui e leia o original)
Para ser sincero, não estou impressionado com a reação da polícia suiça diante da denúncia de Paula Oliveira, advogada torturada por três neo-nazistas na última segunda-feira. Os policiais do mundo inteiro são parecidos: não querem problemas nem dificuldades. Se provarem que nada aconteceu, será uma dor de cabeça a menos. Se conseguirem argumentos para dizer que a história de Paula Oliveira não se sustenta, ganharão uma medalha.


É um comportamento inaceitável mas é assim mesmo, como ensina o caso de Jean Charles, executado pela polícia inglesa num metrô de Londres.

Os atentados racistas cresceram 30% entre 2006 e 2007 na Suiça. Isso não aconteceria se essa questão fosse uma prioridade para as autoridades, certo?

O que eu estranho é a demora na produção de provas que irão garantir os direitos de Paula Oliveira. Isso só ajuda a esvaziar o caso. Acho que seus familiares e mesmo o Itamaraty estão lentos demais. Cadê os laudos médicos sobre as agressões, os cortes com estilete? Onde estão os exames sobre o aborto de dois gêmeos ocorrido logo depois da violência? Aonde foi parar aquela testemunha que avisou a polícia? O que diz a mãe com quem Paula conversava no Brasil: ouviu gritos, ameças?

Me parece muito provável que Paula Oliveira será obrigada a encontrar provas para contar sua história. A impressão é que a polícia suiça não tem o menor interesse em fazer isso. Neste caso, seria bom andar rápido.

Brasil

Serviço caro e ineficiente

Sidney Borges
Num certo dia do ano passado um amigo telefonou:
- Você usa provedor?
Respondi que sim. Não há como ter Speedy sem provedor, continuei. Uso o Terra.
- Não precisa mais. Saiu uma liminar obrigando a Telefônica a conectar direto. Eu já cancelei o meu.

Parei para pensar. Num confronto entre interesses do povo e da Telefônica é quase certo que devem prevalecer os da Telefônica.

Acertei na mosca. Semanas depois, como sói acontecer em situações similares, a Telefônica derrubou a liminar. Eu nem me dei ao trabalho de cancelar o provedor, continuo com o Terra, que por acaso é da Telefônica.

Mas pois é, sempre há um mas, a partir do momento em que a "simpática" empresa recuperou seus interesses novos problemas começaram. Ao fazer a conexão aparece um aviso lembrando da obrigatoriedade do provedor e patati, patatá, etc. Ok, eu já sei! Embaixo um retângulo avisa: clique aqui e continue navegando na internet.

Sentiram o drama? Se o aviso não carregar você não navega. É um filtro. Como eu sempre tive provedor não é justo que continue recebendo a advertência-porteira que, dia sim, dia não, trava o computador. O problema é da conexão filtrada, o Messenger e o Skype funcionam, apenas o Explorer fica travado. Nem adianta tentar o Firefox.

Um programinha simples me (nos) livraria do transtorno. Como eu disse no início, os interesses que prevalecem são sempre os dos mais fortes.

A internet é cara e pouco eficiente.

Com o mesmo valor que eu pago um amigo que vive em Hong-Kong baixa um DVD completo em minutos. Aqui demora uma noite.

Por que o governo não cobra eficiência dos concessionários de serviços públicos?

Coluna da Sexta-feira

Estudando

Celso de Almeida Jr.
Tenho grande interesse por administração de empresas.


Por muitos anos, tenho vivido uma experiência bastante rica nesse sentido, no segmento educacional.

Além disso, o contato com uma das mais antigas consultorias brasileiras para gestão, transformação e crescimento de indústrias estimulou a minha vocação para o assunto.

Fica muito evidente que os diversos estudos nessa área trazem enormes contribuições para o empreendedor, seja qual for o porte do negócio.

Daí a necessidade permanente da capacitação dos que optam pelo gerenciamento e controle de empresas.

Não vale apenas a intuição.

O mercado está altamente competitivo e não é possível manter um negócio sem forte planejamento e alta velocidade nas ações.

Nesse sentido, o setor privado tem mais agilidade que o setor público, em função de uma legislação menos complexa, apesar de ainda muito retrógrada no caso brasileiro.

Por essas e outras, tenho recomendado aos empreendedores que convivo que busquem o estudo continuado, participando de cursos, palestras, devorando revistas especializadas, ampliando parcerias, dedicando atenção especial para a tecnologia da informação, ferramenta indispensável nos tempos modernos.

Sabemos que muitas pequenas empresas sobreviverão valendo-se do feijão com arroz. Tudo bem. Tenho muito respeito pelos conservadores. É sabido que muitas inovações, que mais parecem aventuras, fizeram estragos irreversíveis em diversos negócios. Ninguém aprova procedimentos assim.

O que defendo é o uso de instrumentos e ferramentas atuais para a tomada de decisão.

É preciso saber usar estes recursos além de conhecer o histórico de diversas empresas de seu segmento específico.

Há milhares de documentos que registram as histórias de sucessos e de tropeços no mercado global.

Conhece-los é atitude responsável, representando um caminho seguro para corrigir rumos, garantindo a perpetuidade da empresa, a manutenção de empregos e o exercício da responsabilidade social.

Opinião

Barack Obama diante do retrato da África

Washington Novaes
Barack Obama desperta milhares de indagações no mundo todo - sobre o que fará na crise financeira com o desemprego, o protecionismo, com as guerras no Oriente Médio, com as relações com a China e a Rússia, com a América Latina e assim por diante. Uma das menos frequentes - estranho que pareça - é sobre a África: qual será sua postura diante do continente do qual descende (o pai é queniano e um de seus meios-irmãos foi detido lá há poucos dias por porte de maconha) e que é o mais pobre de todos, permanentemente convulsionado por guerras, massacres, pragas e outros dramas?

Não há resposta ainda. Nem poderia haver, tantas são as interrogações nessa área do mundo onde os interesses dos países colonizadores retalharam, separaram, dividiram e puseram em confronto milhares de etnias, como demonstrou magistralmente o jornalista polonês Ryszard Kapuscinski em seus livros Ébano - minha vida na África e A guerra do futebol (ambos editados pela Companhia das Letras, o último no final de 2008). Kapuscinski, que desde a década de 60 relatava acontecimentos na África, dizia que não se interessava em descrever a política dos dominadores e dos que os seguiam. Correndo risco de morrer a toda hora, embrenhava-se pelo meio das populações mais pobres, metia-se nas situações mais indescritíveis e produzia relatos maravilhosos, como os desse último livro, em que se destaca também a pouco conhecida "guerra do futebol" entre Honduras e El Salvador.

Pena que Kapuscinski não esteja mais aqui (morreu em 2007) para mostrar a Obama o que de fato ocorre na África, a começar pelo conflito em Darfur, no Sudão, uma guerra étnica de extermínio em que quase metade dos habitantes da região de Darfur vive em "campos de deslocados", enquanto outros 2 milhões estão à beira da morte por causa da destruição de suas lavouras e 300 mil já morreram.

Em muitos dos conflitos, uma das razões mais fortes é a disputa por recursos naturais, de que grandes contingentes foram afastados (e tentam recuperar) em benefício de outras etnias mais favoráveis aos colonizadores. É o caso, por exemplo, dos intermináveis conflitos entre Ruanda, Uganda, Burundi e República Democrática do Congo, em que já morreram mais de 4 milhões de pessoas (que nem notícia merecem nos jornais). Ainda no final de dezembro, um exército ruandês matou 189 pessoas no Congo, "em represália" à ação conjunta de outros países em suas terras. Só em 1994, 1 milhão de pessoas da etnia tutsi (em guerra com os hutus) morreram em Ruanda. Também em dezembro um Tribunal Criminal Internacional da ONU condenou à prisão perpétua um coronel ruandês que instigou o Exército e as milícias hutus a matarem 800 mil tutsis em 100 dias.

É uma região em que países europeus têm altos interesses, principalmente na mineração. Na Guiné, também no último mês do ano, o Exército depôs o primeiro-ministro em meio a conflitos que envolvem a produção de bauxita (o país é o maior produtor no mundo). Ao mesmo tempo, renunciava o presidente da Somália, onde há 1 milhão de refugiados fora de suas aldeias. Na Nigéria, semanas antes, uma rebelião popular deixara 300 mortos numa disputa entre várias etnias por áreas férteis. Desde 1999 já são mais de 10 mil mortes nesses conflitos.

Mais ao Sul, no Zimbábue (antiga Rodésia) os dramas são neste momento de outra natureza. Seja pela retomada do território, seja por outros conflitos internos, o país vive mergulhado em situações extremas. Agora mesmo acaba de cortar 13 zeros em sua moeda (1 trilhão de dólares zimbabuenses valia 1 dólar norte-americano), na tentativa de ajudar a conter uma inflação de 231.000.000%. O dinheiro local vale tão pouco que as pessoas, no dia de receber o salário, têm de levar bolsas enormes para carregar as cédulas. E isso num país que está enfrentando uma epidemia de cólera que já matou 3 mil pessoas e infectou 55 mil.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Banco público se previne contra aumento do calote"

Temor de inadimplência eleva reserva da Caixa e do BB em R$ 2,335 bi

O medo do crescimento do calote em 2009 com a retração econômica fez ao dois principais bancos públicos, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, elevarem em R$ 2,335 bilhões, no final do ano passado, a reserva para cobrir eventuais perda com inadimplência. Esse montante equivale a todo o gasto do governo com compra de merenda escolar e livros didáticos em 2008. A decisão, que reduz o lucro dos bancos, tem sido tendência no sistema financeiro desde o último trimestre de 2008, período de agravamento da crise. No caso dos bancos públicos, a reserva extra é feita num momento em que eles são usados pelo governo para tentar minimizar a crise de crédito. Desde o final de setembro, Caixa e BB têm comprado carteira de bancos em dificuldades e elevado a concessão de crédito. Segundo o Banco Central, as instituições privadas também aumentaram provisões, mas reduziram crédito – ao contrário das públicas. Ganhos proporcionados pelas operações da Caixa caíram 93% no quarto trimestre de 2008 em relação ao terceiro trimestre.

O Globo
"STF agora solta réus de casos de estupro, roubo e estelionato"
O Supremo Tribunal Federal mandou soltar cinco presos que, mesmo condenados por crimes graves, vão recorrer da sentença. De uma só vez, foram beneficiados um condenado por tentativa de estupro, um estelionatário, um ladrão e dois acusados por apropriação de bens e rendas públicas. É o desdobramento de decisão do STF da semana passada, segundo a qual têm direito à liberdade presos cuja condenação não transitou em julgado, ou seja, admite recurso. Como na primeira votação; o resultado foi 8 a 2. De novo, só os ministros Ellen Gracie e Joaquim Barbosa votaram contra, por entender que, em alguns crimes graves, o réu não merece recorrer em liberdade. Dos cinco beneficiados, quatro estavam soltos por liminar.
Julgamentos se arrastam no STF devido ao abuso de um recurso legal: o pedido de vista. Alguns ministros pedem vista e demoram até dois anos com um processo.


O Estado de São Paulo
"STF pressiona Congresso para garantir aumento de 13%"

Gilmar Mendes pede a Michel Temer que reajuste seja levado a votação

O Supremo Tribunal Federal (STF) está pressionando o Congresso para garantir a aprovação de reajuste salarial de 13,1%. Considerado teto da remuneração no funcionalismo brasileiro, o salário dos ministros do STF subiria de R$ 24.500 para R$ 27.716. Isso provocaria a correção dos vencimentos de toda a magistratura federal. O efeito cascata ampliaria os gastos anuais do Judiciário federal em R$ 347 milhões e os do Ministério Público da União em R$ 129 milhões - num aumento global de despesas de R$ 476 milhões. A verba extra já foi incluída no Orçamento-Geral da União, mas o reajuste dos salários do Judiciário ainda precisa ser autorizado por votação no plenário do Congresso. Deputados c senadores vêm adiando há três anos a aprovação do aumento e o presidente do STF, Gilmar Mendes, já pediu ao novo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que o tema seja desengavetado. Líderes partidários, porém, resistem em aprovar o reajuste em plena crise econômica, com expectativa de novas demissões no setor privado e de queda na arrecadação federal.

Jornal do Brasil
"Serra segue Lula e faz o PAC paulista"

De olho em 2010, governador anuncia pacote de R$ 20 bilhões

Pré-candidato do PSDB à sucessão do presidente Lula, o governador de São Paulo, José Serra, anunciou a versão paulista do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal: um pacote de medidas para combater os efeitos da crise internacional. Entre as ações, investimentos de R$ 20 bilhões este ano, destinados a garantir 850 mil empregos. O plano prevê dinheiro para obras públicas, desoneração de impostos para empresas e incentivo a programas de qualificação de trabalhadores. Serra negou intenção política, cobrou juros mais baixos e criticou o Bolsa Família.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Por trás da crise

Jogo de cartas marcadas

Sidney Borges
Bernard Madoff é o nome do vigarista que conseguiu a façanha de fazer sumir 15 bilhões de dólares. Diz a lenda que usando 5 mil dólares ganhos trabalhando duro nas férias como salva-vidas e regador de jardins, Madoff criou uma empresa com o seu nome. Aí começou a carreira que agora está prestes a terminar em cadeia.


Nos Estados Unidos ricos vão presos. E ficam presos.

Hoje Madoff está em bundas, como diriam meus amigos de aeroclube. Depois de manipular mais de 50 bilhões de dólares de “clientes” ele se diz sem nada e ao que tudo indica é verdade. Nem o mais talentoso dos mágicos consegue fazer coisa parecida. Não foi truque, o dinheiro bateu asas e voou, sumiu, evaporou.

Como pode? Essa é a pergunta de quem rala pra ganhar a vida. Como pode? Simples, você já ouviu falar em corrente? Teoricamente funciona, a base é a confiança. Se ninguém falhar muitos acabam ganhando. Como toda moleza tem um preço, as correntes acabam complicando. Quem é pego na fase final perde.

O inventor da tramóia foi um italiano chamado Ponzi. Nos anos 20 ele percebeu que um selo postal comprado na Europa e transportado aos Estados Unidos multiplicava de valor. Ponzi começou a comprar e vender selos. Negócio honesto.

O dinheiro entrava fácil, os amigos perceberam a prosperidade e aos poucos a coisa ganhou vulto. Ele pegava dinheiro de terceiros, aplicava e pagava uma alta porcentagem dos lucros. A fama se espalhou e em pouco tempo os selos já não tinham importância. Com o dinheiro que não parava de entrar os clientes antigos eram remunerados e todos viviam felizes. E ricos.

A fraude foi descoberta, havia mais dinheiro circulando do que o montante correspondente em selos. Sem explicar a mágica o italiano foi preso e cumpriu pena. Libertado anos depois mudou-se para o Rio de Janeiro onde morreu pobre. Não é de hoje que criminosos italianos têm apreço por nossa terra.

Há um velho ditado que diz: “laranja madura na beira da estrada está bichada ou tem marimbondo no pé”. Quem perdeu dinheiro por ter acreditado na corrente Madoff mereceu perder. A ganância tem um enorme fator de risco embutido.

Os ganhos financeiros não podem substituir o trabalho. Ainda que especular dê trabalho, não é trabalho produtivo, apenas movimenta o que há na banca.

Eis o ponto de entrada do estado regulador. Liberdade onde há irresponsabilidade acaba em tragédia. Madoff é irresponsável e deveria receber um castigo exemplar. Guilhotina. Allez!

Aos incautos, um aviso. Mercado é jogo. Em qualquer jogo sempre há um vencedor – a banca - e um perdedor – o viciado. O resto é pura balela.

Na esteira de Madoff vai pro beleléu um banco que tem sede no Brasil e opera em todo o mundo. É esperar e conferir. Dizem que por trás da fachada de banco eficiente existe uma das maiores empresas de lavagem de dinheiro do mundo. Eu não assino embaixo, não tenho provas, mas que há indícios de que o boato é verdadeiro ninguém pode negar.

Darwin

Coluna da Quinta-feira

Licitações e cia.

Marcelo Pimentel
O Ministério Público de São Paulo encontrou fortes indícios de formação de cartel nas licitações para contratação de empresas fornecedoras de merenda escolar.


Tem muito prefeito com as barbas de molho, esperando o seu município ser investigado. Começou na Capital, já chegou a Taubaté e avança celeremente por vários municípios.

A lei 8.666, a famosa Lei das Licitações, procura dar moralidade às compras públicas. Trata-se de um instrumento importante para o gestor público, mas esse dispositivo também conseguiu ser lesado a partir de vários mecanismos de burla criados pelos usurpadores do dinheiro público.

Em todas as modalidades de compra, previstas em lei, é possível se dar um jeitinho. Normalmente, o melhor chefe da seção de compras de uma prefeitura é aquele que já conhece as manhas para acertar uma determinada compra.

É fato também, que a lei engessa a atuação dos governos, que muitas vezes ficam impedidos de comprar algo importante por várias interposições de recursos. E isso cria a cultura do “acerto a priori” para evitar transtornos futuros.

Enfim, não é fácil administrar esse setor da administração pública.

Mas o que salta aos olhos são as licitações de grandes números que são “cartelizadas”. Isso ocorre na merenda escolar há muito tempo. Há municípios que resistiram bravamente à terceirização da merenda. E olha que a merenda oferecida (que não é a escolar) sempre foi um atrativo à parte para sensibilizar o prefeito.

Fica claro que os desmandos vão continuar. Que a sensação de impunidade continuará alta. Mas também é certo que as instituições começam a dar passos significativos na direção contrária. E isso é muito bom.

Audrey


Audrey Hepburn é eleita atriz mais bonita da história do cinema

Protagonista de 'Bonequinha de Luxo' supera beldades como Grace Kelly, Marilyn Monroe e Sophia Loren

Efe
Audrey Hepburn em 'Bonequinha de Luxo'LONDRES - Audrey Hepburn foi escolhida a atriz mais bonita da história do cinema de Hollywood, à frente de Angelina Jolie e de estrelas como Grace Kelly, Sophia Loren, Julia Roberts e Cameron Díaz, segundo uma pesquisa publicada no Reino Unido. A atriz, que protagonizou clássicos como Sabrina (1954) e Bonequinha de Luxo (1961), venceu na votação estrelas atuais tão populares quanto Jolie, por exemplo, que ficou em segundo lugar.

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Nota do Editor - Eleições que envolvem beleza são carregadas de subjetividade. Já dizia Galileu na Galiléia: "quem ama o feio bonito lhe parece". Vamos ao cinema em busca de distração, embora o pessoal do Cinema Novo achasse que a sétima arte poderia mudar o mundo. Perderam a batalha, o povo quer mesmo é se divertir. Por essa razão os produtores colocam mulheres bonitas na tela. Feias são as crises que assolam sistematicamente o capitalismo e enterraram o comunismo. Audrey Hepburn. Eis uma mulher bonita. (Sidney Borges)

Em foco

Quando um não quer dois não brigam

Rui Grilo
Quando fui eleito para representar a Pedreira na Agenda 21 e, depois, para representar a sociedade civil na Agenda 21 do Litoral Norte, o atual presidente da Pedreira me disse que iria me interpelar sobre todos os acontecimentos da Agenda 21. Ainda não há uma posição formada dos integrantes da Agenda 21 sobre o Lixo Zero, porque é uma proposta inovadora mas acredito que nenhum ambientalista defenderia o transbordo se houvesse uma solução diferente. E há: o PROJETO LIXO ZERO. E temos documentos assinados pelo prefeito e outros secretários que comprovam que ele já tinha essa informação e mesmo assim optou pelo transbordo.

Uma das orientações de um bom planejamento de reuniões é que ele não pode ser rígido e deve contemplar demandas que sejam relevantes. Como o objetivo da reunião havia sido frustrado pois aquele que viria trazer informações, confirmou que não as possuía, fiz um relatório do acontecido na Câmara porque sou morador do bairro e sei o dano que o transbordo causa à cidade. Com o que se gasta com o transbordo, não só o término da quadra mas muitos outros serviços públicos poderiam ser realizados e melhorados. A questão do transbordo é muito mais importante do que o término de uma quadra de esportes porque abrange todo o município. E uma oposição responsável tem que tomar posição, ainda mais numa hora em que se cortam gastos alegando a crise. Além disso, o Projeto Lixo Zero amplia a oferta de empregos e de serviços à população, barateando materiais necessários à construção civil.

No entanto, não é fácil para um cidadão colocar um ponto importante numa reunião quando se está só perante aqueles que representam o poder numa cidade e que não se dispõem a dialogar de forma civilizada. A prefeitura não discutiu com a sociedade a questão do transbordo e a todo momento seus representantes queriam colocar a questão de lado como se não fosse importante para o bairro também. No entanto, somos todos nós que pagamos, não só o transbordo mas o salário dos funcionários da Prefeitura e eles devem nos tratar com respeito.

Não falo apenas em meu nome, mas em nome de um grupo que se preocupa com os destinos da cidade e que tem um conjunto de princípios e propostas gerais a partir das discussões com diferentes grupos do município e de contato com diferentes experiências de outros municípios. Esta proposta geral está detalhada em planos específicos de cada área. Sua divulgação ficou prejudicada com a proibição dos dois debates que seriam realizados na cidade durante a campanha eleitoral.

É por essa falta de respeito com toda a comunidade, que solicitamos ao Promotor Público que atue como mediador para que se chegue a uma solução. Não se pode tolerar que em resposta à propostas se parta para a desqualificação das pessoas.

De acordo com o Sidney Borges, “Em Ubatuba há apenas uma ideologia. A tomada do poder. Tanto faz este ou aquele, a prática é sempre a mesma. Os adoradores do rei também são sempre os mesmos. Aqueles que ontem defendiam com unhas e dentes a administração de Paulo Ramos hoje defendem com o mesmo ardor Eduardo Cesar. Em quatro anos estarão ao lado do novo chefe, seja ele quem for.”

Ele também diz que “Para existir oposição é preciso que o vivente se oponha. Que seja do contra, que manifeste antagonismo, que exiba contraste. Para haver oposição é fundamental a existência de um projeto político...”

O PT tem uma projeto político e tem uma posição clara: queremos transparência e queremos discutir não só o transbordo, o saneamento básico, mas todos os problemas que dizem respeito à cidade e à humanidade.

Ficam duas questões ainda não respondidas pelo Sr. Marcos Guerra:

1) o senhor é a favor ou contra o transbordo?

2) Se o senhor sabia que o aumento da taxa de lixo era abusiva na passagem de 2007 para 2008, quais medidas concretas o senhor tomou?
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Opinião

Professores reprovados

Editorial do Estadão
Os interesses corporativos voltaram a tumultuar o funcionamento da rede escolar pública de São Paulo, levando o início das aulas a ter de ser adiado para 16 de fevereiro e prejudicando, com isso, 5 milhões de alunos do ensino básico. O problema, desta vez, foi a prova de seleção dos professores temporários.

No total, a rede pública necessita de 230 mil docentes e, como só há 130 mil concursados, são contratados 100 mil professores temporários. Este ano, para preencher as 100 mil vagas, a Secretaria Estadual da Educação realizou um teste em dezembro, para o qual se inscreveram 214 mil candidatos - entre eles a quase totalidade dos antigos professores temporários.

No entanto, em razão de divergências com relação ao conteúdo da prova e da resistência do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), que se opõe a esse critério de seleção, alegando que os docentes temporários que já trabalham na rede escolar há muitos anos não poderiam ser "descartados" com base numa "provinha", o caso foi parar na Justiça. Para a entidade, a seleção deveria valorizar, basicamente, a titulação e o tempo de serviço dos atuais professores temporários.

A juíza Maria Gabriella Pavlopoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública, concedeu a liminar pedida pela Apeoesp e suspendeu o resultado do exame. Com isso, cerca de 1,5 mil candidatos que receberam nota zero, por não terem acertado uma única questão do teste, mas que já estavam lecionando na rede pública estadual em 2008, foram autorizados a continuar dando aula em 2009. Segundo a secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, se os resultados do teste não tivessem sido suspensos por determinação judicial, cerca de 50 mil dos atuais docentes temporários teriam sido substituídos por docentes fora da rede, que tiveram nota mais alta.

Ao justificar sua decisão, a juíza da 13ª Vara da Fazenda Pública alegou que o impasse entre a Apeoesp e a Secretaria da Educação poderia adiar indefinidamente o início do ano letivo e os alunos seriam duplamente prejudicados: ficariam sem aula e sem receber merenda escolar. Por mais relevante que seja essa justificativa, é preocupante o fato de professores reprovados com nota zero continuarem ensinando.

As autoridades educacionais suspeitam que muitos desses docentes teriam boicotado a prova, por acreditar que a liminar pedida pela Apeoesp seria concedida pela Justiça. Se essa suspeita for confirmada, estará comprovada a irresponsabilidade desse grupo de pessoas que se julgam aptas a formar a juventude.

Ao defender essa posição, a direção da Apeoesp tentou desqualificar o teste, alegando que algumas questões seriam redundantes, outras conteriam erros de concordância e algumas provas chegaram às salas em envelopes sem lacre. A entidade também criticou o fato de os aplicadores da prova serem professores da rede escolar estadual, o que comprometeria a segurança e a lisura do processo seletivo. "Onde já se viu colega fiscalizar colega? Por que as provas não foram elaboradas, aplicadas e corrigidas por alguma entidade especializada nesse tipo de concurso público, que envolve milhares de candidatos?", indaga Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Demissão cresce; governo amplia seguro-desemprego"
O mercado de trabalho no Brasil deverá enfrentar o pior janeiro desde pelo menos, 1999 – ano da desvalorização do real. Com base em dados preliminares, o ministro, Carlos Lupi (Trabalho) disse que o saldo de vagas no mês foi negativo. A ultima vez que isso ocorreu foi há dez anos, quando o mercado perdeu 41.211 vagas. O ministro, que chegara a prever geração de empregos no mês, estima que o corte atinja “menos que a metade do que ocorreu em dezembro” (655 mil postos). O Codefat (Conselho deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) aprovou as regras para atender em duas parcelas o seguro-desemprego para setores da economia e Estados em que haja desemprego em massa. Hoje, são até cinco parcelas. Segundo Lupi, se a crise se agravar, sua pasta poderá recomendar ao Planalto que amplie o seguro-desemprego para até dez parcelas. Ele confirmou que o governo estuda permitir saque de parte do FGTS para complementar a renda perdida.


O Globo
"Jovens da Zona Sul faziam tráfico de drogas e armas"

PF prende, 51, a maioria de classe média; processo corre em segredo de Justiça

A Polícia Federal prendeu ontem 51 pessoas, a maioria jovens de classe média alta, ligadas a duas quadrilhas que, além de traficar drogas sintéticas para abastecer frequentadores de festas e boates, vendiam armas a traficantes. Preso numa cobertura na Lagoa, Henrique Dorneles Forni, de 25 anos, é acusado de trazer fuzis do Paraguai para o Morro do Turano, no Rio Comprido. Cerca de 300 policiais participaram das operações no Rio, em Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná e Pernambuco. As quadrilhas agiam há pelo menos seis anos, contratando "mulas" para levar cocaína para a Europa e trazer de lá ecstasy e LSD. Cada viagem dava aos traficantes um lucro de R$ 230 mil. Os processos correm em segredo de Justiça.

O Estado de São Paulo
"Demitidos na crise terão mais tempo de seguro-desemprego"

Desempregados de setores mais atingidos vão receber benefício por até sete meses

Os trabalhadores dos setores mais atingidos pela crise e que foram demitidos a partir dezembro de 2008 terão direito ao seguro-desemprego por um período de cinco a sete meses, segundo aprovou ontem o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). Antes, o prazo era de três a cinco meses. O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse que, se a turbulência se agravar, o número de parcelas do seguro-desemprego pode subir para dez meses, o que teria de ser feito por medida provisória. O Codefat decidiu também liberar linha de crédito de R$ 200 milhões, com recursos do FAT, para capital de giro de lojas de veículos usados. Lupi disse que esse segmento foi um dos mais afetados pela crise.

Jornal do Brasil
"Pacote dos desempregados"

Ministério do Trabalho anuncia medidas, como adicional de dois meses no seguro-desemprego

Três medidas foram anunciadas pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, para evitar demissões e socorrer desempregados: extensão do pagamento do seguro-desemprego por cinco a sete meses, regulamentação da bolsa de qualificação profissional para trabalhadores com contrato de trabalho suspenso e linha de crédito de capital de giro no valor de R$ 200 milhões para revendedoras de carros usados.

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quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Combustível

Petróleo cai por alta de estoques e previsão de demanda menor

Em Nova York, contrato para março fechou cotado a US$ 35,94. Redução do consumo de petróleo deve ser o maior desde 1982.

Do Valor OnLine
Os preços do petróleo voltaram a cair no mercado internacional nesta quarta-feira (10), sob efeito de um novo aumento dos estoques americanos de petróleo, fato ocorrido pela 18ª semana consecutiva.

Em Nova York, o valor do barril recuou para o menor valor em cerca de um mês. O vencimento do contrato de petróleo na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (Nymex) caiu US$ 1,61, para US$ 35,94. Em Londres, o barril para março cedeu US$ 0,33, para US$ 44,28.

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Nota do Editor - O preço da gasolina é o mesmo, mas o preço do petróleo, matéria prima da gasolina, caiu de 140 para 36 dólares o barril. Esquisito né? Ah! Eu quase ia me esquecendo que a Petrobras é nossa. Minha alma se enche de orgulho quando penso nisso, só fico um pouco chateado quando encho o tanque do carro. (Sidney Borges)

Horror

Mundo civilizado. Onde?

Sidney Borges
A notícia é triste e causa repulsa. Esta postada no Blog do Noblat e pode ser lida na íntegra clicando-se aqui.

A advogada Paula Oliveira, 26 anos de idade, funcionária em Zurique, na Suiça, do maior conglomerado econômico da Dinamarca, A P Moeller/Maersk, líder mundial em transporte marítimo de contêineres, foi atacada na noite do último domingo por três skinhead neonazistas.
Um deles exibia uma
suástica tatuada atrás da cabeça.
Dois dos agressores a imobilizaram depois de espancá-la e deixá-la seminua. O terceiro sacou de um estilete e passou a retalhar várias partes do seu corpo - braços, pernas, barriga e costas.
O ato final da sessão de tortura foi entalhar nas duas coxas de Paula a sigla SVP - Scheiz Volks Partei. Em português, Partido Popular da Suíça ou Partido do Povo Suíço.
Paula estava grávida de gêmeos há três meses. Eram duas meninas. A agressão a fez abortar.


Desta vez eu gostaria de debater com os que creditam os males do mundo à pobreza e à desigualdade. A Suiça é um paraíso do ponto de vista social. Ensino público de primeiríssima qualidade, assistência médica grátis, pleno emprego, salários altos e população estável. Teoricamente não haveria lugar para ódio racial, mesmo porque pessoas educadas não perdem tempo odiando, tratam de construir algo de bom ao redor.

O problema da humanidade são os homens, que cada dia me convenço mais serem animais defeituosos. No entanto, acredito na evolução. Tenho comigo que um dia seremos menos egoistas, mais solidários e a vida se tornará melhor para todos.

Esses imbecis que atacaram a brasileira são egressos da parte podre da humanidade, equívoco biológico. A eles o meu desprezo.

Futebol

Elevador

Sidney Borges
Guardadas as devidas distâncias salariais a vida dos técnicos de futebol e dos ascensoristas se parece.


É um eterno sobe e desce, embora a freqüência seja mais intensa no trabalho dos comandantes de elevadores.

Não faz muito tempo, ao ouvir o nome do técnico da seleção a crônica esportiva entoava o mantra: mata, esfola, arranca o fígado. Falo do Dunga, bom moço, esforçado, lutador.

Hoje ele é endeusado, considerado superior ao Felipão, que está em baixa. O valente Gaúcho (Me refiro ao Felipão, Dunga também é Gaúcho) foi demitido de um clube inglês. O time não ia bem, Felipão dançou.

Na velha Albion se pratica um futebol pra lá de esquisito. A coisa parece uma imensa lavanderia de dinheiro russo. Não estou dizendo que é, apenas que parece.

Futebol sem derrotas é impossível. Futebol sem cartolas de vida misteriosa e enriquecimento igualmente obscuro também não existe. Os técnicos surfam na onda das vitórias e fogem do tubarão quando a maré vira.

O que dá para saber é que, por mais que tentem, os europeus sempre serão fregueses. Com um time de última hora enfiamos duas azeitonas goela abaixo dos italianos. O Brasil é a terra do futebol.

Não derramo uma lágrima pelo Felipão, está rico e vive em Londres. Temo pelo emprego dos ascensoristas que serão vitimados pela crise. São pobres e vivem nas periferias das cidades do Brasil. Pelas estatísticas tão violentas quanto o Iraque em guerra.
 
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