sábado, fevereiro 07, 2009

Chagall

Ciência

Formigas 'conversam' no formigueiro, diz estudo

Pesquisa afirma que larvas conseguem bom tratamento ao imitar som de rainha.

Da BBC
Uma pesquisa das universidades de Oxford (Grã-Bretanha) e de Turim (Itália) mostrou que formigas costumam conversar entre elas, em seus formigueiros.
Segundo os pesquisadores, as rainhas emitem sons característicos dentro do formigueiro que produzem reações das operárias, o que reforça o status social da rainha, de acordo com o artigo publicado na revista "Science".
De acordo com um dos pesquisadores, Jeremy Thomas, da Universidade de Oxford, o progresso da tecnologia permitiu a gravação dos sons das formigas nos formigueiros e a execução destas gravações sem que as formigas ficassem assustadas.
Ao colocar miniaturas de alto-falantes no formigueiro, especialmente fabricados para a pesquisa, e reproduzir os sons feitos por uma rainha, os pesquisadores conseguiram fazer com que as formigas ficassem em estado de atenção.
"Quando tocamos os sons da rainha elas apresentaram o comportamento 'em guarda'. Elas ficavam imóveis com suas antenas estendidas e suas mandíbulas separadas por horas - se alguma coisa se aproximasse elas atacariam", disse.
Apesar de ter uma sociedade muito bem defendida pelas operárias, as formigas também podem sofrer com infiltrados, segundo a pesquisa conduzida pelas universidades de Turim, Oxford e pelo Centro de Ecologia e Hidrologia de Oxfordshire.

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Nota do Editor - Eu sabia disso muito antes do estudo. Meu espírito científico se manifestou na primeira infância. Eu tinha três ou quatro anos. A empregada passava o pano úmido na mesa de fórmica e esmagava centenas de formiguinhas brancas. As simpáticas criaturinhas morriam enquanto tomavam o café da manhã. Morriam saboreando sobras de pão do meu café da manhã. Eu protestava e a empregada ria. Minha mãe ria. Meu pai ria. Ninguém liga para formigas. Tenho certeza que elas amam, sofrem, almejam a felicidade e procuram o bem de todos e a felicidade geral da nação, digo do formigueiro.
Passei a alertá-las:
- Queridinhas, fujam, carreguem o farelo que puderem. Corram, xispem. A Adalgisa é cruel. Usa detergente.
Elas saiam em fila indiana. Eu olhava para a empregada e ria. Olhava para a minha mãe e ria. Olhava para o meu pai e ria. Debaixo da mesa as formiguinhas gargalhavam e só eu escutava. Ciência é isso. Observação, experimentação, conclusão e ação. Formigas falam, são inteligentes e gostam de canções de Cole Porter. When they begin the beguine, It brings back the sound of music so tender, It brings back the night of tropical splendor, It brings back a memory evergreen! (Sidney Borges)

Doce poder

No se va!

Diogo Mainardi (Clique aqui e leia na fonte)
Hugo Chávez, na última segunda-feira, comemorou dez anos no poder. Eu, no mesmo dia, comemorei dez anos de coluna em VEJA. Botei minha camisa vermelha, abotoada nos punhos, e entoei a rumba adesista do Grupo Madera, dedicada ao caudilho venezuelano.

No original:
¡Uuu, aaa, Chávez no se va!

Adaptei-a:
¡Uuu, aaa, Diego no se va!

E emendei, inserindo "editorialista" no lugar de "presidente":

Es un editorialista bueno
por eso se quedará
El pueblo está contentol
leno de felicidad.

A rumba bolivariana defende animadamente que Hugo Chávez possa se eternizar no poder. A matéria será votada no referendo do próximo dia 15. Eu toco minha conga para me eternizar num canto de página de VEJA. E para que ninguém, em momento algum, possa me arrancar daqui.

Para celebrar seus dez anos no poder, Hugo Chávez decidiu decretar um feriado nacional. Os comerciantes foram coagidos a fechar suas lojas. É o que acontece nos morros cariocas, quando morre um narcotraficante: a homenagem é imposta pelas armas. Hugo Chávez é o Comando Vermelho do Caribe. Para celebrar meus dez anos de colunismo, tentei coagir o gerente da Drogasmil a fechar suas portas. Nada feito. Ele se recusou. Onde está a Guarda Nacional?

A TV estatal venezuelana comemorou a data histórica transmitindo, ao vivo, o jogo de softball entre o time Sí Va – formado por membros do bando chavista – e a seleção olímpica feminina, vitaminada por ele próprio, Hugo Chávez, na primeira base. A seleção olímpica feminina venceu pelo placar de 4 a 1, e Hugo Chávez ergueu o troféu. Eu? Eu disputei uma partida de taco com Tito, meu maiorzinho, e Nico, meu menorzinho. Isso mesmo: Tito e Nico, uma dupla de rumbeiros. O resultado: venci por 12 a 0.

À tarde, depois de dedicar uma respeitosa soneca a Simon Bolívar, "El Libertador", escancarei as janelas de meu apartamento, no 3º andar, e pronunciei um discurso sobre esses dez anos de colunismo, parafraseando Hugo Chávez:

– Hoje começa o terceiro ciclo de meu trabalho e me atrevo a prognosticar quanto ele vai durar: de 2 de fevereiro de 2009 a 2 de fevereiro de 2019. A coluna chegou para estabelecer-se, para crescer, para ficar para sempre, para ser vitoriosa sempre. Há dez anos, a América Latina e o Caribe estavam praticamente ajoelhados aos mandos do império norte-americano. Prometo não descansar nem um segundo até que isso ocorra novamente. Viva meu canto de página.

O vendedor de cuscuz, que ia passando na rua, parou para me aplaudir. Fui até ele, cumprimentei-o e pedi-lhe duas fatias de doce, com abundante coco ralado e só um pinguinho de leite condensado.

Ele cantou comigo:
¡Uuu, aaa, Diego no se va! ()

Deu na Folha

Estrangeiro passa 9 meses como "mineiro" em prisão

Do Blog do Noblat (Clique aqui e leia o original)
A Polícia Civil de São Paulo prendeu um criminoso em maio de 2008 e apenas nove meses depois descobriu que ele é, na realidade, um megatraficante internacional foragido da Justiça da Espanha -acusado de comercializar mais de seis toneladas de cocaína e suspeito de envolvimento com o cartel colombiano de Cali.

Carlos Ruiz Santamaría, 41, -conhecido como "El Negro"- foi preso por policiais do Denarc (Departamento de Narcóticos) no ano passado. Ele se apresentava como um comerciante mineiro chamado Manoel Oliveira Ortiz e usava um documento de identidade brasileiro, como sendo natural da cidade de Borda da Mata.

"Não sabemos como ele se passou por mineiro falando apenas castelhano", disse o delegado Adalberto Barbosa, do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), que descobriu a fraude. Na época, Santamaría foi preso com 60 comprimidos de ecstasy e foi mandado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) 2 de Pinheiros (zona oeste de São Paulo).
De acordo com a embaixada espanhola no Brasil, Santamaría foi investigado na Espanha por envolvimento na comercialização de pelo menos seis toneladas de cocaína e é considerado foragido desde 2001.


Nota do Editor - A profissão mais difícil do Brasil é a de humorista. É quase impossível concorrer com a realidade. Concordo que Minas é inexplicável, tem de tudo. Na terra que um dia foi de Magalhães Pinto o ET de Varginha caminha incógnito pelas ruas. Quase me esqueço dos castelos medievais com fosso e jacaré. Mas há limites para o surrealismo. Um mineiro que só habla castelhano é preso e os policiais acham o "sotaque" normal. Dá para entender o porquê da Globo ter tirado Chico Anísio do ar. (Sidney Borges)

Opinião

O novo nacionalismo econômico

Editorial do Estadão
Nenhum país sairá vitorioso de uma guerra global de comércio, mas o nacionalismo econômico avança dia a dia, alimentado pela crise nos principais mercados, pela ameaça do desemprego e pela truculência política. Nos anos 30, o protecionismo e as práticas desleais de comércio ajudaram a transformar uma recessão em depressão. Essa experiência tem sido evocada por vozes sensatas e respeitáveis, e o ressurgimento desse nacionalismo, como um espectro assustador, é o tema principal da revista britânica The Economist nesta semana. Mais uma vez, segundo a revista, os Estados Unidos podem contribuir para evitar o desastre, mas isso dependerá da visão política e da capacidade de ação do presidente Barack Obama.

A ameaça protecionista mais visível, neste momento, é a cláusula buy american acrescentada ao pacote de estímulo fiscal enviado pelo Executivo ao Congresso dos Estados Unidos. Segundo a primeira versão dessa cláusula, uma empresa envolvida em obras de infraestrutura ficaria sem acesso aos benefícios tributários se usasse ferro e aço importados. Houve protestos no exterior. No Senado, a cláusula foi amaciada: a condição só será aplicada quando não afetar países signatários do Acordo de Compras Governamentais. Essa ressalva não protege Brasil, China e Índia e outros países não signatários. Em princípio, preserva os interesses da União Europeia, mas empresários e políticos europeus, desconfiados, continuam protestando. O Senado deveria ter eliminado aquele dispositivo, disse o diretor-geral do Eurofer, o principal lobby siderúrgico europeu, Gordon Moffat. Se o Congresso aprovar o texto nessas condições, a tarefa de eliminar o item protecionista ficará para o presidente Obama.

Mas, enquanto outros governantes denunciavam o projeto americano, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciava o plano de um novo pacote fiscal, com benefícios para o setor automobilístico. O plano foi apresentado como estímulo às indústrias para se manter no país. Mas pode ser algo mais que isso. Pelas primeiras informações, o governo espera, em troca, que as empresas não desloquem empregos e produção para o exterior. Isso pode incluir, segundo fontes do governo, o compromisso formal de só comprar componentes no mercado interno.

Se essas condições forem confirmadas, o pacote francês imporá restrições ao comércio e à saída de investimentos. Esta é outra face do novo nacionalismo econômico: tende a afetar a circulação não só de bens e serviços, mas também de capital.

Na Espanha, o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Miguel Sebastián, recomendou a compra de mais produtos nacionais. Isso ainda não é um ato protecionista formal, mas o protecionismo, têm advertido especialistas, crescerá impulsionado também por gestos ainda compatíveis com as normas internacionais. Essas ações formalmente legais incluem também, por exemplo, recomendações aos bancos para darem prioridade aos clientes nacionais e as manifestações contra trabalhadores imigrantes. No Reino Unido, por exemplo, está nas ruas uma campanha contra o emprego de trabalhadores estrangeiros nas indústrias locais.

Há uma semana, ministros encarregados de comércio, reunidos em Davos, na Suíça, alertaram o mundo para o perigo do protecionismo crescente. Na última quinta-feira, nova advertência partiu dos chefes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, da Organização Mundial do Comércio, da Organização Internacional do Trabalho, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. "Todos os países têm o dever de resistir a tendências protecionistas", está escrito no manifesto, firmado também pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, anfitriã do encontro.
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Manchetes do dia

Sábado, 07 / 02 / 2009

Folha de São Paulo
"Desemprego nos EUA cresce e bate recorde de 34 anos"

País registrou 598 mil demissões no mês passado; Congresso pode votar pacote neste fim de semana

A economia norte-americana perdeu mais 598 mil empregos em janeiro, elevando a taxa de desemprego para 7,6%, a maior em 16 anos. Em número absolutos, o total de desempregados no mês foi o pior desde dezembro de 1074 (603 mil. Com o aumento verificado no mês passado, os EUA passaram a ter 11,6 milhões de pessoas em trabalho. Uma revisão nos números de 2008, feita pelo Departamento do Comércio, também adicionou 400 mil demissões ás contas iniciais. Com isso, o ano passado terminou com o pior da história para o mercado de trabalho no país, com 2,97 milhões de pessoas demitidas. Segundo estudos, cerca de 80% dos demitidos mais recentemente são homens. O presidente Barack Obama elevou o tom contra os congressistas. “È indesculpável e irresponsável ficarmos presos a distrações e atrasos enquanto milhões estão sendo demitidos”. Depois disso, democratas e republicanos fizeram “acordo provisório” e podem votar neste fim de semana o pacote de Obama, que deve ficar em 780 bilhões.

O Globo
"Desemprego nos EUA sobe mais e é o pior em 34 anos"

Obama critica senadores, mas votação de pacote é adiada de novo

Depois da onda de demissões no fim do ano, mais 598 mil americanos perderam seus empregos em janeiro. Foi o pior resultado mensal em 34 anos. O fechamento de postos, que superou a previsão do mercado, elevou a taxa de desemprego para 7,6%. Desde dezembro de 2007, quando os EUA entraram oficialmente em recessão, 3,6 milhões de empregos sumiram do mapa. No total, há 11,6 milhões de desempregados no país. Diante dos números, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a notícia é "devastadora" e que a demora em aprovar o pacote de estímulo à economia é "imperdoável e irresponsável". Apesar da pressão do governo, no fim da noite de ontem, o Senado americano voltou a adiar a votação do plano, que pode acontecer até amanhã.


O Estado de São Paulo
"EUA têm maior corte de vagas em 34 anos"

Janeiro teve 598 mil demissões; para Obama, é 'devastador'

Os EUA registraram em janeiro 598 mil demissões, no maior corte de vagas desde dezembro de 1974. Com os cortes de janeiro, a taxa de desemprego subiu para 7,6%, o mais alto índice desde 1992. O total de demitidos desde fevereiro de 2008 atingiu 3,5 milhões. O presidente Barack Obama classificou o resultado de "devastador" e reforçou a pressão para que o Senado americano aprove logo o pacote que prevê investimentos de US$ 900 bilhões, numa tentativa de tirar o país da recessão. "É indesculpável e irresponsável ficar atolado em distrações e perder tempo, enquanto milhões de americanos estão sendo postos para fora de seus empregos", disse Obama. "É tempo de o Congresso agir."

Jornal do Brasil
"Brasil vai à OMC contra o protecionismo de Obama"
O governo entrará com recurso na Organização Mundial do Comércio contra os EUA, caso Barack Obama insista em manter no plano Buy American uma cláusula protecionista segundo a qual as empresas que recebem ajuda governamental só podem recorrer a fornecedores cujos produtos gerem empregos nos EUA. A informação é do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. No Brasil, a Transpetro anunciou que não cederá às pressões da Usiminas para que a estatal só use aço nacional nos seus navios, em vez de importar da China.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Ziquizira

Sexta-feira 6

Sidney Borges
Primeiro foi o telefone. Emudeceu. Pedi socorro à Telefônica. Estou esperando providências, pela presteza com que responderam ao apelo devem ter enviado a diligência de três parelhas. Qualquer dia chega.
Depois foi o computador número 1. Maquinão. Parou de funcionar. Felizmente sou precavido, tenho o número 2. Também parou de funcionar.
Sexta-feira 6, imagino o que me aguarda. Na semana que vem será sexta-feira 13. O que mais vai parar de funcionar? Tremo de medo só de pensar.
Nem preciso mencionar que o atraso de hoje deveu-se aos percalços do imprevisivel. Estou postando em um computador de aluguel. O que é essa fumacinha...????

Coluna da Sexta-feira

Pedaços

Celso de Almeida Jr.
Um ficou no Sesi nº 15, no cruzamento da Conceição com a Rio Grande do Sul.
Um, na Escola Estadual Capitão Deolindo.
Outros, no Discoton, no Café Concerto, na avenida Iperoig, no Bettys.
Na praia Grande também tem um, bem onde funciona o Oásis.
Lá estava a barraquinha onde, com o Pixoxó e o Alfredo, alimentava a expectativa de enriquecer...
Tem também no obelisco da praça. Nele, tocavam os dedos de criança, com a imagem do seu Filhinho ao fundo, na varanda.
E, claro, no cine Iperoig, na calçada oposta.
No jornal A Cidade deixei muitos. No Ubatuba Víbora vou deixando as sextas feiras.
Na internet? Milhares!
Nas pessoas?
Muitos...
Família, amigos, professores, alunos, funcionários, políticos, clientes, desafetos. Em todos há um pedaço.
Curiosa essa vida, né?
Vamos envelhecendo, espalhando nossos pedaços pelo caminho.
E, recolhendo pedaços também.
No final, derivados em pó na terra, microscópicos pedaços reiniciam a caminhada, por outras vertentes da vida.
É curta a jornada, querido leitor.
Vale aproveitá-la distribuindo pedacinhos de solidariedade, esperança e entusiasmo.
O que colheremos?
Não importa.
Tudo se dissipará no tempo.
Seremos apenas lembrança.
Pedaços de nossas ações.
De nossos sonhos.

Opinião

Muitos avisos, muita imprudência

Washington Novaes
Apesar da crise financeira - que também pode ser um motivo a mais -, o Brasil precisa mudar com urgência sua postura em relação às questões do clima. Embora o Fórum Econômico de Davos não tenha avançado (a Europa até recuou em sua proposta de auxílio econômico aos "subdesenvolvidos" nessa área), quase todos os participantes puseram em evidência a dramaticidade da situação. E as últimas notícias são, de fato, alarmantes.


1) A OTAN alerta que o fim do degelo no Ártico até 2013 poderá gerar graves conflitos entre EUA, Canadá, Rússia, China e outros países, em busca de domínio sobre rotas de navegação e áreas para exploração de petróleo.

2) Um painel da ONU informa que a acidificação dos oceanos (pela absorção de mais carbono) ameaça extinguir corais, moluscos e outros elos das cadeias da biodiversidade marinha.

3) Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, já estão ameaçados 35% das espécies de pássaros, 52% dos anfíbios e 71% dos corais.

4) O balanço dos desastres climáticos em 2008 é terrível: 211 milhões de vítimas de "desastres naturais", entre elas 235 mil mortos; prejuízos financeiros de US$ 181 bilhões (US$ 835 bilhões em dez anos).

No Brasil o panorama não é menos inquietante: mais de 1,5 milhão de pessoas atingidas, centenas de milhares de desalojadas, dezenas de milhares de desabrigadas, dezenas de mortes em vários Estados. Em Pelotas (RS), depois de cinco meses de seca que levou à perda de lavouras, em poucas horas caiu mais chuva que toda a prevista para um mês. Debarati Guha-Sapir, diretora do Centro de Pesquisa sobre a Epidemiologia dos Desastres (que fornece à ONU as informações sobre os desastres no mundo), afirma que "não há vontade política no Brasil para lidar com desastres naturais" (Estado, 25/1). E tem toda a razão.

Levamos 12 anos, após a aprovação da Convenção do Clima, em 1992, no Rio de Janeiro, para apresentar em 2004 nosso primeiro inventário (referente a 1994) de emissões (total de 1,03 bilhão de toneladas anuais de poluentes, 75% dos quais por causa de desmatamentos e queimadas); levamos 14 anos para criar uma Secretaria de Mudanças Climáticas no Ministério do Meio Ambiente; mais dois anos para ter uma Política Nacional de Mudanças Climáticas, severamente criticada por instituições científicas e organizações sociais da área do meio ambiente. Tudo seguindo um pensamento de que o tema não era prioritário nem tinha pressa: em 2001, quando o autor destas linhas enfatizava na Comissão da Agenda 21 que era preciso dar força a essa questão na área de ciência e tecnologia da agenda em construção, o representante do Itamaraty na comissão disse que esta não deveria entrar no assunto, que era "privativo" daquele Ministério e da área de segurança nacional; em 2003, já como representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência na comissão, de novo este escriba propôs que se criasse na agenda um capítulo específico sobre o clima - a proposta foi aprovada, mas nada de concreto aconteceu.

Se não avançar rumo à criação de um Ministério específico para o clima, que fará o governo para coordenar necessidades tão diversificadas e espalhadas por várias áreas, sem que uma possa dizer à outra o que fazer - e numa hora em que, segundo disse a este jornal o ex-secretário-geral do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o governo federal não tem uma visão ambiental que seja "transversal" nos Ministérios? Como cuidará da "mitigação" dos desastres e adaptação às mudanças, como vêm recomendando há décadas os cientistas?
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 06 / 02 / 2009

Folha de S. Paulo
"Receita deve tirar 100 mil declarações da malha fina"

Intenção é concentrar fiscalização em grandes contribuintes, diz o governo

A Receita Federal em São Paulo deve liberar restituições de Imposto de Renda de pessoas físicas retidas nos últimos cinco anos (presas na chamada malha fina) para tentar minimizar os efeitos da crise financeira. Estimas-se que cerca de 100 mil declarações, com saldo a restituir e a pagar, sejam liberadas nos próximos meses – no ano passado, foram 376 mil as retidas na malha fina. Os créditos totais de IR a serem liberados não estão definidos. Segundo o superintendente da Receita no Estado, Luiz Sérgio Soares, as restituições poderão ser de até R$ 3.000. A medida visa ainda contornar a escassez de pessoal na Receita, diz Soares: “Decidimos redirecionar a força de trabalho para contribuintes de maior relevância econômica”. A idéia, afirma ele, é concentrar a atenção em quem tem restituições acima de 50 mil.

O Globo
"Governo permite aumento da agricultura na Amazônia"

Medida muda regra sobre reflorestamento e autoriza ampliação de área plantada

O governo aprovou uma medida que aumenta as áreas de agricultura e pecuária na Amazônia. Uma comissão com representantes de 13 ministérios mudou a regra sobre reflorestamento obrigatório no entorno da BR163, que liga Santarém a Cuiabá, e de rodovias próximas, reduzindo a área de reserva legal. Quem desmatar terras no entorno das rodoviaS não será mais obrigado a reflorestar 80% daquela área, como determina hoje a legislação ambiental, mas 50%, Cerca de 700 mil hectares deixarão de ser replantados com árvores nativas e poderão ser usados para a agricultura. A decisão foi aprovada por unanimidade. Para o Ministério do Meio Ambiente favorável à mudança, a nova regra permite combater melhor o desmatamento. O Greenpeace criticou a medida, que será submetida ao Conselho Nacional de Meio Ambiente.

O Estado de S. Paulo
"BC vai emprestar até US$ 36 bilhões para empresas"

Recursos sairão das reservas brasileiras para ajudar as companhias que tenham dívidas no exterior

O Banco Central está disposto a emprestar até US$ 36 bilhões das reservas internacionais às empresas brasileiras com dívidas no exterior. Hoje, as reservas somam US$ 200 bilhões. "Esse será um passo importante para regularizar o mercado de crédito", disse o presidente do BC, Henrique Meirelles. Com a crise, os bancos reduziram os empréstimos em dólar, o que obrigou empresas a tomar financiamento em reais ou comprar dólares no Brasil para quitar dívidas. O valor dos empréstimos previstos pelo BC equivale ao total das dívidas de companhias brasileiras no exterior com vencimento entre outubro de 2008 e dezembro de 2009. Meirelles avaliou que, nas atuais condições, o Brasil consegue oferecer crédito sem recursos extras, como fez o Fed (banco central dos EUA). Ele rebateu críticas sobre o uso das reservas para ajudar empresas. "Esse é o uso perfeito das reservas", disse Meirelles, ao lembrar que os europeus adotaram a mesma estratégia.

Jornal do Brasil
"Juro do cheque bate 10% ao mês"

No crédito pessoal, as taxas cobradas já chegam a 25%

O ranking de juros bancários, divulgado ontem pelo Banco Central, mostra que o cheque especial usado pelos correntistas brasileiros pode custar até 10% ao mês. Há instituições, porém, que cobram menos de 2%. No caso do crédito pessoal, a variação é ainda maior: pode custar ao tomador de empréstimo entre 1% e 25% ao mês, dependendo da instituição. A divulgação da tabela com os índices tenta tornar mais fácil a vida do consumidor na hora de comparar os juros - além do crédito pessoal e do cheque especial, mostra ainda taxas de financiamento para aquisição de veículos e bens. O BC estuda divulgar o spread de cada instituição (a diferença entre o custo de captação do banco e a taxa cobrada ao consumidor).

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Telefone

Tambor usado

Sidney Borges
No final da primeira década do século XXI eu me sinto um século atrasado. Culpa da Telefônica. Vou explicar para que ninguém imgine que eu esteja exagerando.

Amanhã será o terceiro dia sem telefone na redação do Ubatuba Víbora. Está mudo, quieto como a oposição de Ubatuba. Oposição, o que é oposição? O que pretende a oposição? São perguntas meramente ilustrativas, nesta terra ubatubense plena de democracia o mal não existe. Todos vivem contentes e sorridentes unidos pelo ideal do bem comum. Eita nóis, diria uma ex-funcionária de casa.

Pois é, enquanto eu estava em Sâo Paulo vieram funcionários não sei de onde e podaram as árvores da rua. Pode ter sido gente da prefeitura, da companhia de energia ou da Telefônica. Podaram árvores e um cabo telefônico. O meu. Não confundir com a interjeição de espanto ôrra meu! Podaram o cabo mas o "speed" continuou funcionando.

Meno male, diria Juca de Oliveira com seu tradicional sotaque do Brás, igualzinho ao meu. Depois de tri-reclamar apareceu um técnico hoje à tarde. O gentil-homem verificou tudo, descobriu o defeito e disse que era problema para outro departamento resolver.

A solução ficou prometida para amanhã. Fica a impressão que a Telefônica acha que viver sem telefone é normal. Vou enviar a conta do celular para eles. Duvido que paguem.

Alguém tem um tambor usado para me emprestar? Vou experimentar, se não der certo usarei sinais de fumaça. Quando a modernidade finalmente se instalar em Ubatuba comprarei um telégrafo.

Dos comentários

Corrigindo... Sempre é tempo!

Cinthia Sampaio Cristo

Olá a todos...não se trata de coluna...e sim de uma correção. O texto postado ontem não é de autoria do Mário Quintana (recebi por email, salvei e usei...), me desculpem o engano e obrigada ao “quintanista” comentarista. O texto é de uma outra gaúcha (registro aqui que as informações abaixo foram garimpadas no google e não posso atestar a veracidade delas!!):

Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tem trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal para o sítio Almas Gêmeas e colabora com a revista Época. Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo, foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas.


PEDAÇOS DE MIM (Martha Medeiros)

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Clique sobre a imagem e saiba mais

Rádio

O destempero verbal do Prefeito

Rui Grilo
Meu rádio não pega a Costa Azul; então tomei contato com o destempero do prefeito através de várias pessoas que ouviram e comentaram. Quando atendi o telefone uma amiga pediu para ligar na Costa Azul que o prefeito estava “descendo o sarrafo”.

É fácil ter essa atitude quando o espaço não está aberto para o outro se defender. Por que não compareceu ao debate na Câmara Municipal? Hoje, um dos grandes problemas que enfrentamos na escola é a falta de respeito e a desqualificação do professor. Como os adolescentes podem ter respeito se a classe do magistério, além dos baixos salários é desqualificada pelos próprios governantes?

O prefeito se referiu a mim como professor “aloprado” e a outro professor, ex-secretário de educação, como professor “Acerola”.

Esse tipo de comportamento é próprio de quem não tem propostas porque o que nós temos questionado é a forma de governar. E em nenhum lugar está escrito que quem perde uma eleição não pode falar mais nada, não pode apresentar propostas para a cidade em que vive.

É isso que o prefeito e seus auxiliares vivem a repetir como um disco riscado.

Na Pedreira, a população foi convocada para receber informações sobre o congelamento através do vereador Americano. No final da reunião eles disseram que não tinham nada de novo. Isso é um desrespeito ao povo.

Quando protestei contra essa atitude, o Secretário de Assuntos Comunitários disse que as eleições acabaram e que eu estava a fim de tumultuar.

O Prefeito pode alegar que não se referia a mim, se não tiver coragem para enfrentar os fatos, mas é fácil identificar qual professor ele recomenda que a família encaminhe para tratamento psiquiátrico porque quem passou pelo calçadão ou na Câmara Municipal no dia 27/01 viu qual professor estava coordenando as atividades.

Aliás, todos os meus questionamentos escritos tem sido assinados ou assumidos de viva voz como fiz na Assembléia da Pedreira e no lançamento do Projeto “LIXO NA REDE’.

Todos sabem que o prefeito era professor e esse é o respeito com que ele se refere a sua própria classe. Aliás, classificar quem pensa diferente de desequilibrado é próprio dos regimes fascistas, daqueles que se acham superiores ao povo que os sustentam nos cargos.

E ainda dizem que a sociedade civil precisa somar e não criticar, precisa ser proativa. É fácil implantar projetos, ainda que estes penalizem os cidadãos, para quem é pago pelo povo e tem todos os recursos humanos e materiais. O difícil é exercer a cidadania, como faz a sociedade civil, sem ganhar nada, sacrificando seu tempo e trabalho para dialogar com aqueles que não querem e que usam todos os recursos para destruir as vozes discordantes.

Como diz o Chico:

“Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você
onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?”

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Crise

Mario Quintana revisitado

Sidney Borges
Estive meditando sobre problemas decorrentes da quebra do mercado. Os donos do poder continuam donos e de um jeito ou de outro manterão o hábito do champagne. Quem vai pagar a fatura? Quem? Você tem dúvida? Acompanhe a poesia de Mário Quintana:

Poeminha do contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Nestes tempos de crise perde quem vende a força de trabalho, mercadoria de pouco valor para os donos dos meios de produção. Depois do sociologês, resta rever a obra do mestre:

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passaralho!

A ponderar...

Educação

Por Dan Millan (”O Manual do Guerreiro Pacífico”)
Uma mãe levou o filho ao Mahatma Gandhi e implorou:

- Por favor, Mahatma, peça ao meu filho para não comer açúcar.

Gandhi, depois de uma pausa:

- Traga o seu filho daqui a duas semanas.

Duas semanas depois, ela voltou com o filho. Gandhi olhou bem fundo nos olhos do garoto e disse:

- Não coma açúcar.

Agradecida - mas perplexa - a mulher perguntou:


- Por que me pediu duas semanas? Podia ter dito a mesma coisa antes!

E Gandhi respondeu:


- Há duas semanas eu estava comendo açúcar”. (Do Blog do Paulo Coelho)

Vida inteligente

Marketing direto

Sidney Borges
Toca o celular. Atendo. Perguntam se eu sou eu mesmo. Uma moça pergunta. Digo que sim, embora em certas situações isso me cause dúvidas.

A MOÇA
Tenho uma proposta.

EU
Que não seja indecorosa.

A MOÇA
Não é nada de decoração. Vamos estar fazendo uma promoção e o senhor foi incluído.

EU
Ainda bem.

A MOÇA
É sobre o BBB. O senhor não quer assinar? Tem um baita desconto.

EU
Não, na verdade nem sei o que é BBB. É um programa de televisão, não é mesmo?

A MOÇA (Voz de horror)
O senhor nunca assistiu o BBB?

EU
Não, nunca. E desconfio que não esteja me fazendo falta.

A MOÇA
Então tá, tem gente como o senhor que só atrapalha o nosso trabalho. Imagine só, nunca assistiu o BBB.

EU
Muito bem senhorita, fui convencido, em sua homenagem vou estar assistindo.

A MOÇA
É por isso que o Brasil não vai pra frente. Falta cultura.

EU
É. Falta cultura. (Som de telefone sendo desligado)

Televisão

CSI

Sidney Borges
Na segunda-feira passada começou a nova série do CSI, seriado que assisto há pelo menos 6 anos. Muita coisa mudou, já no primeiro episódio morreu Warrick, o perito negro, segundo em carisma, perdendo apenas para o chefe Grisson.

A estrutura das séries, nas quais incluo House, é parecida, uma espécie de quebra-cabeças. A linguagem científica nos dá a sensação de que tudo é posssível, não há crime que não seja punido nem doença que resista ao temperamento esquisito do competente House, médico politicamente incorreto, vingador daqueles que dizem sim pela manhã e sim senhor à tarde. Viver é complicado antes de ser perigoso.

As mudanças no CSI devem ter passado pelos roteiristas, tendo os novatos pisado na bola na estréia. Quebras-cabeças, pedem dificuldade. Você mata a charada, descobre o criminoso e vai dormir satisfeito. Sou um gênio, ajudei a prender a quadrilha, mamãe nunca se enganou.

No primeiro capítulo da nova fase não houve trama a ser desvendada. Até meu cachorro Brasil sacou de cara o assassino. Cada vez que ele aparecia na tela Brasil latia. Tivemos uma conversa séria de homem pra cachorro e ele passou a apenas rosnar.

No final o perverso malfeitor foi preso. Um policial corrupto. Que horror! Mais uma vez a Justiça triunfou, digo a polícia científica, a Justiça é uma caixa-preta que ninguém entende.

Pimenta Neves matou. Preso em flagrante abriu o jogo. Matei, ela não me quis. Isso é imperdoável. Ou eu, ou ninguém. Dei três tiros, o primeiro para derrubar, depois completei a tarefa. Sou assim, não tenho dó nem piedade.

Condenado, Pimenta Neves está solto. E assim vai continuar até receber o chamado de Belzebu para ocupar o lugar que lhe é de direito no inferno.

Desculpem leitores, eu deveria continuar crítico de televisão e escorreguei pela rampa lisa da política.

No cinema a vida tem lógica, os honestos triunfam, a mentira é descoberta e todos seguem felizes. Quando as séries televisivas cansam é só mudar de canal.

Meu refúgio são os documentários de besouros. Adoro besouros.

Ubatuba em foco

Profecias

Corsino Aliste Mezquita
Publicada a Lei Municipal, n° 2.995, de 15 de outubro de 2007, ESTATUTO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS MUNICIPAIS DE UBATUBA, como funcionário aposentado e atingido por alguns de seus dispositivos (felizmente poucos), tive a curiosidade de analisá-la. Após essa análise publiquei, na imprensa virtual, artigo sob o título: “DESCASO”, em 14-12-07. Fizemos observações sobre seu conteúdo e os trâmites de aprovação. Já, na esfera da conversa com funcionários e colegas, fiz algumas profecias:
Uma geral: “O próximo prefeito, caso seja pessoa compromissada com o funcionalismo e preocupada com o futuro do município, terá que fazer uma reforma profunda dessa lei”.
Outra individualizada: “Sendo o mesmo revogará, os artigos da LICENÇA PRÊMIO, logo após a reeleição”. Não deu outra! A sinistra profecia precipitou-se sobra a Câmara, já em 2008, com o Projeto de Lei, n° 113/08. A legislatura anterior, com vereadores já cansados de assumir encrencas, adiou o projeto e negou-se a presentear os funcionários estatutários com esse presente de NATAL e fim de mandato.
Já, os novos vereadores, sem estudo do projeto, sem conhecimento de como e porque foi colocada aquela vantagem no Estatuto, sem discussão, sem ouvir os apelos da Sra. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública de Ubatuba que, em nome de todos os funcionários, usou a TRIBUNA LIVRE DA CÂMARA para solicitar a retirada ou o adiamento por quatro sessões, aprovaram a revogação, da “LICENÇA PRÊMIO”, sem pestanejar.
Registramos os votos contrários à revogação dos Srs. Vereadores: Rogério Frediani e Silvio Brandão. Este, como funcionário estatutário, não podia iniciar seu mandato colocando colírio de pimenta nos próprios olhos. Fez o mínimo.
Certamente todos os funcionários estatutários da ativa e os futuramente nomeados ficarão eternamente agradecidos ao Sr. Prefeito, ao Dr. Presidente da Câmara e aos generosos seis vereadores que tungaram uma dos poucas vantagens existentes no ESTATUTO, logo após ter sido amplamente explorada, para conseguir votos, na eleição de 2008. Imagino-os todos felizes com o pierrô de otários que lhes foi colocado, logo na primeira sessão de Câmara.
Senhores funcionários: observem, analisem, lutem por seus direitos, apóiem-se em quem está disposto a ajuda-los, fujam dos pelegos e enganadores. É necessário dar atenção aos pequenos começos para evitar catástrofes maiores.
VIVA UBATUBA! Sem dengue e sem enganadores.

Pensata

Arquitetura e a cidade

Sidney Borges
Bom dia caros leitores. A coisa aqui está pegando. Depois de dois dias em Sampa é possível medir o tamanho da distância que nos separa do mundo real. Começarei pela Telefônica. Quando a tentaculosa multinacional assumiu a lucrativa empresa tupiniquim ficou determinado que haveria investimentos em infraestrutura. Devem ter acontecido.

Na rede de Ubatuba, infelizmente, não aconteceu. A conexão banda larga que chega ao meu bairro é "movida à lenha", em certos momentos nem isso. Mas não é só a Telefônica que está em falta, a energia elétrica funciona como pisca-pisca de carro de português. Funciona, não funciona, funciona, não funciona. Todos os meses acontecem explosões que deixam meu cão Brasil alerta, ele tem medo de uma invasão argentina. Não são los hermanos, mas transformadores que explodem e a energia vai pro brejo. Depois de um tempo volta oscilando e queimando lâmpadas, transformadores, computadores e o que mais estiver ligado.

A conexão com a Internet tem mais um problema além da velocidade tartarugosa. A Telefônica está advertindo os usuários sobre a necessidade de provedor. O aviso trava a rede, se você não estiver atento e concordar logo a navegação vai pro buraco. Para voltar aos conformes é preciso ficar no liga e desliga até pegar o bicho cansado e clicar concordo. Reclamar com quem? Estou estudando propostas da Embratel e outras congêneres, quem sabe sairei dos tentáculos dessa empresa cara e antipática.

Em São Paulo passei na Galeria do Sérgio Caribé para um café. Ele não estava, deixei recado e aproveitei para dar uma olhada nas obras de arte. Um espetáculo, Caribé tem um acervo de artistas contemporâneos da melhor qualidade, pinturas, esculturas, instalações. Daria para abrir um museu.

Por falar em obras de arte, quando a presidência da Câmara estava em mãos do então petista Jairo dos Santos eu o procurei para falar da construção da nova Câmara.

Conversamos sobre obras públicas em geral, falei da necessidade do bom desenho e de como esse detalhe é importante.

Uma obra de qualidade é um cartão de visitas, uma referência. Para uma cidade carente como Ubatuba, feia, pródiga em estrovengas, seria bom ter pelo menos um atrativo arquitetônico. Por aqui parece haver competição entre o homem e a pena sutil da natureza. Uma forma de contrabalançar as estonteantes belezas da terra. Para paisagens maravilhosas, obras horrorosas. Rimou, antes não fosse assim.

Bem, voltando à conversa com o então presidente e então petista, Jairo, propus que o novo prédio fosse projetado por um arquiteto escolhido através de concurso. Como se faz no mundo.

Acho que fui longe, não em todo o mundo, na maior parte da África e em certas cidades brasileiras não é assim que funciona.

Expliquei que Ubatuba poderia organizar um concurso internacional. Imagino a volúpia com que se lançariam à prancheta jovens da Escandinávia, do Japão, dos Estados Unidos, do Brasil, do Uruguai, da Argentina. Desenhar um prédio público em meio às paisagens de Ubatuba é um sonho. Quem sabe teríamos a consagração de um talento local.

Com imensa tristeza leio que o projeto está pronto. Em breve teremos um novo prédio. Quem projetou? Qual foi o critério da escolha?

O prefeito Eduardo Cesar viajou recentemente e deve ter sentido o impacto do bom planejamento urbano. Eduardo é inteligente, sabe que Juscelino ganhou fama e deitou na cama tendo investido em obras marcantes.

"Pé-de-valsa", como Juscelino era conhecido, ganhou os corações e as mentes dos brasileiros e se tornou "o prefeito" entre os milhares que havia. O conceito nasceu com a obra da Pampulha. Juscelino acabou presidente da República.

Eduardo Cesar pretende alçar vôos altos, o próximo passo é ser deputado. Um bom começo para fixar seu nome como homem moderno, atualizado, seria criar um órgão regulamentador da arquitetura local. Um órgão que levasse em conta a beleza.

Como dizia Vinícius, beleza é fundamental.

Teria meu apoio. E também da população local e da região. E da torcida do Corinthians.

Ubatuba precisa de carinho.

Opinião

Ilusionismo com o PAC

Editorial do Estadão
O governo federal anunciou mais R$ 142,1 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para aplicação até 2010, como se os investimentos em infraestrutura e energia fossem um sucesso e consumissem dinheiro sem parar. Pura propaganda. Sem a Petrobrás, o PAC seria um fracasso ainda mais evidente, mas a Petrobrás, sem o PAC, continuaria sendo uma empresa gigante, com uma enorme agenda de investimentos. No entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, refere-se a esse programa como "a mola mestra" da economia brasileira. Mais uma vez ele está errado. O País avançou nos últimos anos graças ao desempenho de quem menos dependia do governo como planejador e executor de uma agenda de crescimento - e isto inclui a Petrobrás e o setor privado.

Segundo relatório divulgado ontem pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, 270 ações do PAC foram concluídas em 2007 e 2008, com aplicação de R$ 48,3 bilhões. Desse total, R$ 38,8 bilhões, 80,3% do total, foram aplicados no setor energético. No setor de petróleo e gás foram investidos R$ 31,4 bilhões, 65% dos R$ 48,3 bilhões. O relatório não discrimina as ações concluídas sob responsabilidade direta do governo federal.

Mas os dados financeiros do chamado PAC orçamentário, isto é, dependente de forma direta do Tesouro Nacional e do trabalho do Executivo, são conhecidos e comprovam um desempenho muito pobre. Em dois anos, a dotação autorizada no Orçamento-Geral da União totalizou R$ 35,6 bilhões. Foram empenhados R$ 33,1 bilhões, mas só foram pagos R$ 18,7 bilhões, 52,6% das verbas orçadas. Como estão previstos R$ 67,8 bilhões para o período 2007-2010, falta liquidar 72,8% do total fixado para o PAC orçamentário em quatro anos. Detalhe: dos R$ 11,4 bilhões desembolsados em 2008, R$ 10,4 bilhões corresponderam a restos a pagar do exercício anterior. Isso dá uma ideia mais clara de como se arrasta a execução dos projetos sob responsabilidade direta do Executivo federal.

Quando o PAC foi lançado, no começo do segundo mandato do presidente Lula, ficou bem clara uma de suas principais características. Tratava-se, embora a ministra Dilma Rousseff insista em negá-lo, de um grande pacote formado por alguns projetos novos, muitos antigos e vários em andamento. A incorporação da pauta de investimentos da Petrobrás, formada de projetos de longo prazo e revista periodicamente, deixou evidente a manobra ilusionista.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 05 / 02 / 2009

Folha de S. Paulo
"Crise trava ganho real em negociações trabalhistas"

Sindicatos passam a receber propostas de reajuste inferiores á inflação

Projeções de especialistas mostram que a crise deve encerrar o ciclo de ganhos reais (superiores á inflação) crescentes obtidos desde 2004 pelos trabalhadores, informa Verena Fornetti. Em 2007, houve ganho real em quase 90% dos acordos. Sindicatos que negociaram reajustes após novembro, quando os efeitos da crise começaram a ser sentidos mais fortemente no Brasil, receberam propostas de aumento de 1% muito inferior á inflação pelo INPC, de 6,48% em 2008. O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) também prevê para este ano recuo no total de negociações que obtêm ganhos acima da inflação e aumento nas que resultam em reajustes igual ou menor. Clemente Lúcio, diretor do Dieese, afirma que a pauta dos sindicatos deve migrar da defesa de reajustes maiores para a manutenção do emprego. Os empresários argumentam que a crise reduziu seus ganhos e gera incertezas.

O Globo
"Governo maquia PAC com inclusão de obras antigas"


Metrôs de Rio e Sp já em andamento, estão entre as 'novidades'

O governo federal turbinou o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) e anunciou que ele ganhará mais R$ 142,1 bilhões nos investimentos previstos até 2010. Com isso, o valor total passou de R$ 503,9 bilhões para R$ 646 bilhões. Mas algumas "obras novas" na realidade são projetos já em andamento. É o caso da expansão dos metrôs de São Paulo e Rio. Os números foram apresentados pela ministra Dilma Rousseff, que negou se tratar de uma peça de marketing. "O PAC hoje é um dos principais instrumentos anticrise de que o governo dispõe. Mesmo que haja desaceleração da economia, ele pode sustentar os investimentos", disse.


O Estado de S. Paulo
"SP concentra 44% dos demitidos pela crise"


Indústria responde pela maior parte dos cortes no Estado em dezembro

O mês de dezembro de 2008 registrou a eliminação de 285.532 empregos formais no Estado de São Paulo, o que representa 44% das 654.946 vagas perdidas em todo o País no período. Só a região metropolitana de São Paulo perdeu 62.934 empregos, contra 10.535 em dezembro de 2007. A indústria foi responsável por 44,4% das demissões paulistas. Nos últimos três meses do ano, a desaceleração do emprego na indústria foi três vezes maior ante igual período de 2007. Os dados indicam que a perda de empregos foi “muito além do padrão", disse Hélio Zylberstajn, coordenador do Observatório do Emprego, sistema ligado ao governo do Estado e responsável pelos números. Segundo ele, as informações são ainda mais significativas porque a economia paulista responde por 40% dos empregos do País.


Jornal do Brasil
"PAC passa de R$ 1 trilhão"
Para reagir à crise, o governo planeja investir o equivalente a uma Argentina. A ministra Dilma Rousseff anunciou acréscimo de R$ 142 bilhões no Orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento, superando a marca de R$ 1 trilhão até 2012 - 60% nos próximos dois anos. Analistas, porém, alertam para a dificuldade de execução das obras. Enquanto em Manguinhos trabalhadores cruzaram os braços em protesto por salários, em Brasília, o ministro Guido Mantega (Fazenda) rebateu empresários e assegurou: o país não entrará em recessão.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Coluna da Quarta-feira

Felicidade realista (Mário Quintana)

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro,
feliz com uns romances ocasionais,
feliz com um parceiro,
feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça,
como um pouco de humor,
um pouco de fé
e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz,
mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples,
você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.



Olá a todos... Algumas pessoas entraram em contato comigo após lerem a coluna da semana passada onde contei que estava voltando para Ubatuba....Fiquei feliz demais e por vários motivos, o primeiro é por perceber que sou lida (rsrsrs), o segundo é por perceber a abrangência deste veículo de informação e a qualidade dos leitores (parabéns Sidney!) e o terceiro (e muito legal) é que todos os contatos foram positivos.
Agradeço muito o carinho de antigos pacientes, mas esclareço que não voltarei a clinicar (pelo menos não agora), estou voltando para terminar meu mestrado em saúde pública e assim que terminá-lo pretendo voltar a atuar nesta área.
Esclareço também que não estou voltando para “fazer política” (entre aspas para caracterizar o sentido que foi dado quando me perguntaram), mas pretendo sim, exercer minha cidadania...participando (e eu terei tempo...rsrsrs), criticando, elogiando, enfim, contribuindo com o que puder. Neste sentido, farei política e espero que muitos mais queiram fazer!
O texto do Mário Quintana descreve bem este momento de vida...


Até!

Cinthia Sampaio Cristo


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Mino joga a toalha

A despedida

Mino Carta (Clique aqui e leia o original)
Quando escolhi o Brasil como lugar definitivo da minha vida, optei também pelo jornalismo. Existe uma indissolúvel conexão entre as duas atitudes. E explico. Até o golpe de 1964, fui jornalista com séria dedicação profissional. De alguma forma mercenário, no entanto.
Diga-se que, depois da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, quando a pressão militar só permitiu a posse de João Goulart, sucessor constitucional, ao forçar a adoção do parlamentarismo, eu ficara de sobreaviso. Mas o golpe se deu também sobre a minha alma e motivou minhas escolhas definitivas.
Entendi que fosse meu dever praticar o jornalismo em um país submetido à ditadura imposta pela classe dominante com a inestimável ajuda dos seus gendarmes, e que se uma única, escassa linha da minha escrita sobrasse para o futuro, teria conseguido conferir um mínimo de importância à minha profissão. Faço questão de sublinhar que não agia desta maneira pelo Brasil, e sim por mim mesmo.
Quarenta e cinco anos depois, vivo uma quadra de extremo desalento, em contraposição às grandes esperanças alimentadas durante a ditadura. Logo frustradas pela rejeição da emenda das eleições diretas após uma campanha a favor que honra o povo brasileiro. Fez-se, pelo contrário, a conciliação das elites, nos exatos moldes previamente desenhados pelo general Golbery do Couto e Silva. A aposta do Merlin do Planalto estava certa e vale até hoje.
Fez-se a conciliação para eleger Fernando Collor e para derrubá-lo. E novamente para eleger Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. A Carta aos Brasileiros assinada por Lula foi uma tentativa de aparar arestas antes do pleito de 2002, aparentemente mal-sucedida, por ter convencido um número bastante diminuto de privilegiados. A conciliação veio depois da posse, a despeito do ódio de classe que até o momento cega a mídia.
A mim, que estou de olhos escancarados, a Carta convenceu por considerá-la sincera. Naquela época, não cansei de definir Lula como um conciliador desde os tempos da liderança sindical. No governo, contudo, ele foi muito além das minhas expectativas. Ou, por outra: deu para me decepcionar progressivamente.
O balanço de seis anos de Lula no poder não é animador, no meu entendimento. A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há quem diga: já é alguma coisa. Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa de um banquete farto além da conta. O desequilíbrio é monstruoso. Na política ambiental abriu a porta aos transgênicos, cuidou mal da Amazônia, dispensou Marina Silva, admirável figura, para entregar o posto a um senhorzinho tão esvoaçante quanto seus coletes.
A política social pela enésima vez sequer esboçou um plano de reforma agrária e enfraqueceu os sindicatos. E quanto ao poder político? O Congresso acaba de eleger para a presidência do Senado José Sarney, senhor feudal do estado mais atrasado da Federação, estrategista da derrubada da emenda das diretas-já e mesmo assim, graças ao humor negro dos fados, presidente da República por cinco anos.
Outro que foi para o trono, no caso da Câmara, é Michel Temer, um ex-progressista capaz de optar vigorosamente pelo fisiologismo. Reconstitui-se o “centrão” velho de guerra, uma das obras-primas da conciliação tradicional. Enquanto isso, o Brasil ainda divide com Serra Leoa e Nigéria a primazia mundial da má distribuição de renda, exporta commodities, 55 mil brasileiros morrem assassinados todo ano, 5% ganham de 800 reais pra cima. E 2009 promete ser bem pior que pretendiam os economistas do governo.
Houve, e há, justificadíssima grita quanto às privatizações processadas no governo FHC. E que dizer do BNDES que empresta aos bilionários para armar a BrOi, a qual (é uma modesta previsão) acabará nas mãos de ouro de Carlos Slim? E que dizer da compra pelo governo de 49% das ações do Banco Votorantim à beira da falência?
Em um ponto houve melhoras sensíveis, na política exterior. E aí vem o caso Battisti. Até este serve ao propósito da conciliação, a despeito das críticas bem fundamentadas da mídia.
O ministro Tarso Genro disse em Belém que a favor da extradição de Battisti se alinham os defensores da anistia aos torturadores da ditadura, “com exceção de Mino Carta”. Agradeço a referência, observo, porém, que o ministro cai em clamorosa contradição. Não foi ele quem, em rompante que beira a sátira volteriana, sugeriu à Itália baixar uma lei da anistia igual àquela assinada no Brasil pelo ditador de plantão?
Talvez o ministro não saiba que enquanto no Brasil vigorou o Terror de Estado, na Itália houve uma gravíssima e fracassada tentativa terrorista de desestabilizar um Estado democrático de Direito estabelecido desde o fim do fascismo.
Se eu digo que o Festival de Besteira assola o País desde a época de Stanislaw Ponte Preta, e que se o ministro merece o Oscar do Febeapá, ao menos o professor Dalmo Dallari faz jus a uma citação, recebo as mensagens ferozes e as agressivas admoestações de centenas de patriotas. Pois não é bobagem (sou condescendente) dizer que na Itália dos anos 70 estava no poder um governo de extrema-direita, ou que se Battisti for extraditado, de volta ao seu país corre até risco de vida? Ou afirmar que Mestre e Milão, norte da península, são muito distantes, quando entre as duas cidades há menos de 200 quilômetros? Sem contar que, como me levam a observar vários frequentadores do meu blog, Battisti foi o autor do homicídio de Mestre e apenas o idealizador daquele de Milão.
Está claro que o ministro Tarso não erra ao dizer que a mídia nativa está sempre a agredir o governo de Lula, e contra esta forma desvairada de preconceito CartaCapital tem se manifestado com frequência. Ocorre que, ao referir-se à extradição negada a mídia está certa, antes de mais nada em função dos motivos alegados, a exibir ao mundo ignorância, falta de sensibilidade diplomática e irresponsabilidade política, ao afrontar um estado democrático amigo.
De todo modo, Battisti transcende sua personalidade de “assassino em estado puro”, segundo um grande magistrado como o italiano Armando Spataro, para se prestar a uma operação que visa compactar o PT e empolgar um certo gênero de patriotas canarinhos.
Isto tudo me leva a uma conclusão desoladora, embora saiba de muitíssimos leitores generosos e fiéis: minha crença no jornalismo faliu. Em matéria de furo n’água, produzi a Fossa de Mindanao, iludi-me demais, mea culpa. Donde tomo as seguintes decisões: despeço-me deste blog e, por ora, calo-me em CartaCapital.
Creio que a revista ainda precise de minha longa experiência profissional, completa 60 anos no fim de 2009. Eu confiei muito em Lula, por quem alimento amizade e afeto. Entendo que o Brasil perde com ele uma oportunidade única e insisto em um ponto já levantado neste espaço: o próximo presidente da República não será um ex-metalúrgico com quem o povo identifica-se automaticamente. Conforme demonstra aliás o índice de aprovação do presidente, cada vez mais dilatado.
Vai sobrar-me tempo para escrever um livro sobre o Brasil. Talvez não ache editor, pouco importa, vou escrevê-lo de qualquer forma, quem sabe venha a ser premiado pela publicação póstuma.

Foice versus Martelo, ou: O sangue é vermelho...

José Dirceu mente

Do Blog do Noblat (Clique aqui e leia o original)
Recebi do Deputado Raul Jungmann (PE) a nota que segue em nome da Direção Nacional do PPS:
"José Dirceu mente quando diz que Roberto Freire mora em Recife. Ele reside em Brasília;


José Dirceu mente quando diz que Roberto Freire foi exilado político;

José Dirceu mente ou desconhece o fato de que Roberto Freire é conselheiro das empresas SPTurismo e Emurb e tem, nas reuniões desses colegiados, 100%,de frequência. Nunca faltou. Tem atuação exemplar, digna, voltada para a eficiência na prestação de serviço e combate à corrupção, desvio de dinheiro público e formação de quadrilhas dentro do serviço público.

Ter Roberto Freire em qualquer conselho de empresas estatais mistas ou privadas é uma referência ética impecável na República, hoje, como ontem, conforme atesta sua ilibada reputação, motivo de orgulho para todos os que fazem o PPS, o Congresso Nacional e a política brasileira.

Portanto, em termos morais e éticos, Freire é o antípoda, o avesso do senhor José Dirceu, que traiu os valores éticos e republicanos que sempre nortearam a esquerda. Quando falo de esquerda, refiro-me ao passado e não ao hoje consultor de negócios obscuros e até inconfessáveis do agora capitalista José Dirceu.

Exatamente pelas afirmações mentirosas que fez, José Dirceu responderá a mais um processo; por injúria, calúnia e difamação."
Leia mais em
Roberto Freire recebe jetons da prefeitura de SP

Crônica

Qual é a música?

Marcelo Mirisola*
Continuo – depois de quase um quarto de século – achando o Silvio Santos melhor que os Titãs. Muito melhor. Toda a contestação, todas as privadas vomitadas e a “violência” primordial do grupo não resistiram a um “Qual é a Música?” Tá tudo documentado no filme do Branco Mello, "Titãs – a vida até parece uma festa".


O filme é muito bom. Tem um roteiro inteligente e direto, sem enrolação. Até as imagens precárias e mal iluminadas dos bastidores e porões reforçam a narrativa-colagem, Branco Mello acertou em cheio. Porém, acertou no alvo errado. O problema é que eu era um adolescente nos oitenta, e aquilo foi uma merda para mim.

Explico. Digamos que as imagens captadas por Branco Mello não se prestaram apenas para reforçar meus preconceitos com relação àquela época, mas sobretudo foram úteis para reafirmar minha convicção de que a adolescência é o período mais patético da nossa existência, e de que o Silvio Santos realmente é um gênio. Ta lá no filme. O Homem do Baú encaçapou os garotos e seria capaz de, sei lá, encaçapar um Andy Warhol em quatro tacadas se quisesse. Nem os Titãs, nem os culturetes daquela época – e nem as bichinhas culturais ilustradas de agora – jamais aceitariam e/ou compreenderiam um negócio desses. É muita areia pro caminhãozinho tropicalista deles. Embora alguns tenham se esforçado. Há pouco tempo, a consciência ilustrada começou a pesar terrivelmente e, num esforço sobre-humano, os vagalumes e pirilampos dos segundos cadernos resolveram reciclar Odair José e outros lixos transformando-os em ídolos “cults”. Mas esse é outro assunto. Não quero me perder em digressões.

Voltando ao filme. Os garotos do Titãs pagaram pau pro Silvio Santos, e o constrangimento deles era visível. Sabem por quê? Porque quem tripudiava do cabaço e subvertia a “subversão” deles era o dono da festa. O Homem do Baú foi quem, ainda nos cueiros, civilizou os “bichos escrotos”. Viraram franguinhos de granja eletrônica.

Os olhares “subversivos” que Nando Reis e Paulo Miklos trocam no programa “Qual é a música?” resumem não apenas o espírito rendido do rock and roll brasuca, mas a perda de tempo que foi a década de oitenta aqui em nossas plagas. Pensando bem – com exceção do Cazuza – a Aids matou pouco e foi a trilha sonora merecida desses mauricinhos que sempre usaram Jontex para fazer rock and roll, digo, para se proteger e garantir o churrasquinho no condomínio fechado, enfim, para zelar pelo conforto de suas proles caretas e respectivas carreiras bem-sucedidas. Qual é a música?

A propósito: é engraçado como o filme tenta mas não consegue esconder as imagens familiares, o aconchego dos lares, os cachecóis e fondues de uma Campos do Jordão inconfessada e latente.

Seguinte. Em 1983, eu tinha 17 anos e me recusava a participar da minha própria adolescência. Não tava nem aí pros meus hormônios, e acabava – confesso que com uma certa displicência – resolvendo tudo no banheiro, sozinho. Era um moleque comum, revoltado e safo, sobretudo me recusava a pagar mais micos além daqueles que era obrigado a pagar pela própria natureza.

Estudava no Colégio Objetivo. E, ao contrário dos Titãs, mauricinhos do Colégio Equipe, nunca tive problemas em querer disfarçar minha riqueza material.

Vou contar uma historinha. Aconteceu um ano antes,1982, depois das férias de julho: “lembro como se fosse hoje” – primeiro dia de aula. Uma cambada de inúteis e punheteiros (eu incluído) reuniam-se no pátio à espera de mais um semestre a ser jogado na lata do lixo. Enfado, tédio, frio. Sete horas da manhã. De repente, como se fosse um íncubo surgido na bruma paulistana daquele frio do capeta, aparece um punk, com todas as tachinhas, arreios e badulaques a que tinha direito.

Cabelo verde espetado, corte moicano. Vejam bem. Em 1984, o Fiat 147 era um carro moderno, e os garotos – ainda – eram “iniciados” na Tia Olga. Havia pouco mais de dez anos que Roberto Carlos descia a Rua Augusta a 120km por hora. A Rita Lee era gostosa, e o Caetano... um gênio. Como é que eu poderia chamar esse fiasco? Bem, como sou filhote do mesmo, vou chamar de “tempos idos”.

O garoto punk em questão era o Eduardinho Suplicy, filho da Marta. A sexóloga que escandalizava a classe média bundona falando putaria na TV Mulher.

Senhoras e Senhores! Respeitável Público! Eu acompanhei o nascimento e a estreia daquilo que, hoje, as revistas de fofoca chamam de “Supla”. Ele era meu colega de classe que voltava das férias completamente pateta e ridículo. O engraçado é que ninguém reagiu. E essa falta de reação – bom dizer – não tinha nada a ver com tolerar ou deixar de tolerar diferenças, mas com apatia, imobilidade. Sinal dos tempos. Ninguém apontou, nem ensaiou um linchamento. Ao contrário, Supla passou a ser respeitado e cantou de galo até o final daquele ano modorrento. E sem perceber, é claro, anunciava que o atrito acabara e que o politicamente correto, a liquidação das paixões e das ideologias, as calças & alminhas arriadas e a babaquice generalizada viriam imperar no quarto de século seguinte.

Se Supla fosse filho da Margaret Thatcher não faria a menor diferença.

Para comprovar o que digo, basta ir hoje à Rua Augusta. Aquilo lá virou um zoológico de íncubos. São os filhos do Supla. Um lugar, a ex-rua Augusta, onde as almas penadas têm comprimento, peso e piercing na língua, a morte em vida, depois da meia-noite as alminhas sucumbem no frescor da carne mesmo, skatistas passam por cima de emos que se refestelam no rés-do-chão junto ao vômito de cobras albinas, todos eles (digo, “eles”, porque não há gênero sexual) se espremem e copulam a partir das axilas, a atmosfera é de claustrofobia e obsessão, e é aí que entram os carecas nazistas e uma infinidade de mutantes tatuados e esfoliados desde o couro cabeludo até o esfíncter. Nem o Zé do Caixão conceberia um final-de-picada assim. O problema é que não há mais bacias para tanta alma em liquidação. Os filhos do Supla ocuparam os espaços românticos de antanho. Qual é a música?

As putas sumiram, foram expurgadas. Dá uma tristeza danada subir e descer a Rua Augusta e constatar que a festa das primas acabou.

Nelson Rodrigues quebraria a cara com o Supla. Uma vez, instado a dar um conselho aos jovens, o dramaturgo disse: “Envelheçam”. Supla, o filhote da Marta Suplicy envelheceu, e continua com os mesmos 16 anos e com o mesmo penteado ridículo daquele agosto de 1984. E eu fui cometer a besteira de acreditar em Nelson Rodrigues. Também acreditei em George Orwell, e li tanto, e acreditei em tantos outros, pra quê?

Nem aprender a namorar, eu aprendi. E quando eu digo que o Arnaldo Antunes sempre foi um picareta, eu continuo – reconheço – o mesmo chato de vinte e tantos anos atrás: ele nunca me enganou. Por Deus! Posso até ser um xarope, mas não posso estar completamente errado! Se fosse o caso, eu deveria estar arrependido de não participar dos meus 15, 16, 17 anos. Não me arrependo, não. Nem fudendo. Ora, eu continuo achando o Silvio Santos um cara bem mais punk que o Eduardinho Suplicy, o João Gordo (esse virou papai Gelol, vendedor de picolé) e os Titãs juntos.

E mais. Depois de assistir “Titãs – a vida até parece uma festa”, cheguei a uma conclusão: os anos oitenta não existiram, e eu realmente fiz muito bem em jogar minha adolescência na lata do lixo. Sinceramente, ainda hoje, não consigo ver coisa melhor para um garoto fazer nessa fase da vida. O ideal seria o congelamento até os trinta anos.

E se eu fui um punheteiro alheio naqueles 80’s, e digno de pena, hoje posso dizer que é a mesma coisa que sinto pelo Supla, e pelos velhinhos remanescentes dos Titãs: pena. O cavanhaque grisalho do Branco Mello é a coisa mais triste e honesta do melhor álbum de todos os tempos da última semana.

Como é que uma banda de rock and roll pode inspirar aconchego e bem-querer?

De qualquer forma, acho interessante e até didático o filme do Branco Mello. Vai servir para os adolescentes de hoje (os que sobraram) conferirem o quão canastrões e bobocas eram os adolescentes da geração anterior. No mínimo, isso pode dar uma medida justa do que acontecerá com eles num futuro próximo. Eu recomendo. Vejam o filme, mesmo porque o acaso não vai proteger ninguém da distração, e nem do próprio ridículo.
*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.
 
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