sábado, janeiro 31, 2009

Comilança & Pança


Sobremesas saborosas esbanjam calorias

O açúcar nos dá prazer mesmo quando não é doce ─ uma pista importante para a escalada da obesidade

por Zane B. Andrews e Tamas L. Horvarth (Clique aqui e leia na fonte)
A epidemia de obesidade tem estimulado os cientistas a entender melhor os mecanismos de que o cérebro dispõe para controlar os hábitos alimentares das pessoas.


Há um consenso entre os cientistas de que dois mecanismos neurobiológicos gerais comandam o consumo de alimentos: um controla a necessidade e o outro o desejo de comer.

No cérebro, o hipotálamo é parcialmente responsável pelo controle homeostático do consumo de alimentos recebendo, coordenando e respondendo a pistas e sinais metabólicos do sistema digestivo. Ao incorporar esses sinais, o hipotálamo nos informa quando precisamos comer para manter o peso ideal.

No entanto, sabe-se que centros mais elaborados do cérebro também controlam o desejo de comer influenciando significativamente no consumo de alimentos. O sistema de recompensa da dopamina é um desses centros: Quando sonhamos com uma taça de sorvete de chocolate depois de jantar, um alimento que não ingerimos por sentir fome, mas por pura vontade de comer, é o nosso sistema de recompensa de dopamina que está agindo. Em muitas situações, o desejo de comer pode superar a necessidade, levando as pessoas a ingerirem alimentos saborosos mesmo quando não sentem fome. Nossa incapacidade de bloquear esses estímulos compensadores de consumo de alimentos prevalece sobre o controle homeostático, contribuindo, ao longo do tempo, para a obesidade.

O neurocientista Ivan de Araujo e colegas estudaram essa questão, na Duke University, utilizando uma linha de camundongos geneticamente modificados sem um receptor de função essencial para detectar o sabor adocicado. Nesses camundongos qualquer mudança no sistema de recompensa não pode ser atribuída à degustação de alimentos ou à sensação de doçura. Se esses camundongos preferem o sabor doce é porque os alimentos mais doces têm mais calorias, implicando que há algum prazer associado ao consumo de calorias.

Os autores mostraram que os camundongos geneticamente modificados eram completamente insensíveis às propriedades recompensadoras em relação à sacarose (açúcar comum) não mostrando preferência por sacarose ou água pura. Os camundongos de controle, sem mutações genéticas, ao contrário, preferiram majoritariamente a solução de sacarose.

Os cientistas submeteram então diferentes espécies de camundongos a um “protocolo de condicionamento”, no qual os roedores tinham acesso alternado à água ou sacarose durante seis dias. No decorrer dessas sessões de condicionamento, os camundongos com modificações genéticas conseguiram associar soluções doces à carga calórica depois de ingeridas, já que a água com açúcar tem mais calorias que a água pura. Curiosamente, ambas as espécies de camundongos consumiram quantidades maiores de sacarose. Embora os camundongos geneticamente modificados não identificassem o sabor doce, foram condicionados a preferir a água com açúcar. Esta descoberta sugere que os camundongos sem receptores funcionais para o doce conseguiram detectar as propriedades calóricas da sacarose. Parece existir uma sensação prazerosa associada à ingestão de alimentos calóricos.

Substituindo a sacarose por sucralose ─ adoçante com sabor muito parecido com o açúcar ─ os pesquisadores observaram que tanto um quanto outro aumentava o nível de dopamina acima do padrão nos camundongos de controle; os camundongos modificados apenas mostraram aumento de dopamina com açúcar, indicando que a carga calórica (e não o doce) estava ativando seu sistema de recompensa de dopamina.

Embora esses resultados mostrem que a carga calórica afeta o sistema de recompensa da dopamina no cérebro independentemente do paladar nos camundongos com modificações genéticas, os camundongos normais não mostraram maior liberação de dopamina para a sacarose em comparação com a sucralose.

Entender as propriedades de recompensa de certos alimentos nos ajudará a planejar meios eficientes para reduzir o ‘desejo’ de comer desde que a ‘necessidade’ de comer seja satisfeita. Esse estudo também acrescenta dados novos às pesquisas, ao mostrar que os sinais metabólicos não são domínio exclusivo do hipotálamo e que as interferências entre os sinais metabólicos e os centros cerebrais associados ao desejo de comer são muito mais freqüentes que se imaginava. Dessa forma, categorizar o consumo de alimentos como hedônico versus homeostático pode não só ser redundante, mas enganoso. Quando se trata de comer, necessidade e desejo podem estar muito próximos.

Tradição

Inhame.

Diogo Mainardi (Clique aqui e leia na fonte)
Inhame? Inhame é o protagonista de Brazil, o romance que o americano John Updike ambientou no Rio de Janeiro. O tubérculo representa os atributos viris de um trombadinha negro que seduz uma adolescente branca. O romance só tem isso: inhame para cá, inhame para lá. É John Updike parodiando Agamenon Mendes Pedreira, a maior autoridade brasileira em matéria de vegetais de duplo sentido.

John Updike morreu na semana passada. Eu me lembrei da singela hospitalidade com a qual ele foi recebido durante sua passagem pelo Brasil. Nós herdamos o espírito acolhedor dos tupinambás. Aos estrangeiros ilustres que desembarcam em nossas praias, vamos logo oferecendo as melhores mulheres da tribo e uns espetinhos tostados de carne humana. John Updike – o Caramuru da Pensilvânia – se impressionou com nosso caráter generoso e, dois anos depois de vir para cá, dedicou-nos seu romance mais desastrado, Brazil.

O refúgio concedido por Lula ao terrorista italiano Cesare Battisti, condenado por participar de quatro assassinatos em nome dos "Proletários Armados pelo Comunismo", é perfeitamente coerente com nosso passado. Nós sempre soubemos acolher os estrangeiros. Em particular, os criminosos. Fazemos isso desde a época do descobrimento. Antes de voltar para Portugal, Pedro Álvares Cabral abandonou dois degredados portugueses entre os índios. Os primeiros europeus residentes no Brasil foram dois bandidos. Cesare Battisti, acomode-se. Cesare Battisti, posso apresentar-lhe minha filha?

Há outros casos como o dele. O médico nazista Josef Mengele, depois de torturar milhares de prisioneiros em Auschwitz – amputando seus membros, injetando tinta em seus olhos, esterilizando-os com raios X e costurando-os uns aos outros a fim de torná-los siameses –, refugiou-se na Praia de Bertioga. O chefe mafioso Tommaso Buscetta, acusado de tráfico de drogas e assassinatos na Itália e nos Estados Unidos, escondeu-se no Rio de Janeiro.

Nosso costume de abrigar criminosos de todas as espécies alimentou também as tramas de uma infinidade de filmes estrangeiros. Como Interlúdio, de Alfred Hitchcock (Ingrid Bergman infiltra-se num bando de cientistas nazistas que opera no Rio de Janeiro). Ou O Mistério da Torre, de Charles Crichton (Alec Guinness rouba um carregamento de ouro de um banco e foge para o Brasil, onde encontra Audrey Hepburn, no papel de Chiquita). O resto dos filmes ambientados aqui é desoladoramente ruim. O Brasil tem este efeito: nunca consegue inspirar algo que preste. Como aconteceu com John Updike e seu inhame. O Brasil só é bom mesmo para assassinos. Cesare Battisti, aceita mais um espetinho?

Deu na Carta Capital

Caso Battisti - E que esperava o ministro Tarso?

De Mino Carta (Clique aqui e leia na fonte)
Consta que Cesare Battisti há anos escreve romances policiais. Arrisco que o melhor é sua própria história. Concluída pelo happy ending de filme hollywoodiano, graças ao governo brasileiro, disposto a atender aos apelos da gauche caviar, como se diz em Paris, a dos representantes do chique radical.


Recordo um programa do rádio brasileiro que me encantava a adolescência, contemporâneo da PRK 30 de Lauro Borges e Castro Barbosa, de uma graça hoje inconcebível. Era o contraponto de outro programa, grave e compenetrado, conduzido por um locutor chamado Gastão, a quem cabia entrevistar o doutor Leite de Barros para evocar casos remotos e próximos de crimes memoráveis. A conclusão vinha pela voz de barítono do doutor: “Sim, Gastão, o crime não compensa”. A história de Battisti teria de seguir pelo rumo oposto.

O APRENDIZADO. Há uma ficha detalhada da polícia italiana de um jovem cidadão nascido em Cisterna Latina, região do Lazio, em 1954. Aos 18 anos, a 13 de março de 1972, Cesare é preso pela primeira vez por furto agravado. Dois anos depois, a 19 de junho, preso novamente por lesões pessoais agravadas. Preso ainda a 2 de agosto de 1974, por rapina agravada e sequestro de pessoa. Denunciado a 25 de outubro do mesmo ano por desfrutamento de incapaz (por debilidade mental ou menoridade) para a prática de atos libidinosos. Preso em Udine, norte da Península, em 1977, por rapina. Admitamos, não é uma ficha enaltecedora do caráter e das tendências de qualquer um.

A CONVERSÃO. No cárcere de Udine, Battisti conhece Arrigo Cavallina, preso por eversão, que o doutrina a respeito dos objetivos da luta revolucionária. O nosso herói encontra uma grande motivação. Sai da prisão ainda em 1977 e passa a militar no PAC, Proletariados Armados para o Comunismo. Primeira ação revolucionária: a 6 de junho de 1978, Battisti e sua namorada da época, Enrica Migliorati, universitária de 20 anos, assassinam Antonio Santoro, carcereiro na prisão de Udine, na porta de sua casa. Atingido nas costas, quem atira é Battisti. Santoro deixa mulher e três filhos. Por ocasião de um interrogatório, ex-noiva de Battisti, Maria Cecilia B., atualmente professora universitária, declarou: “Na primavera de 1979, Battisti, ao descrever a sensação experimentada ao matar alguém e, sobretudo, ao ver sair o sangue de um homem baleado, referiu-se ao assassínio de Santoro para se declarar um dos seus autores”.

O ASSASSINO E O ARREPENDIDO. Seguem-se os demais assassínios que levam à condenação de Battisti, julgado à revelia. A 16 de fevereiro de 1979, do joalheiro Pierluigi Torreggiani (cuja joalheria foi assaltada e depenada em nome de uma “expropriação proletária”) e do açougueiro Lino Sabbadin, ambos réus por terem morto a tiros dois assaltantes. A 19 de abril, morre debaixo dos tiros do PAC o agente Andrea Campagna. Pouco mais de dois meses após, Battisti é preso em Milão. Mais dois anos. A 4 de outubro de 1981, um commando terrorista ataca o cárcere de Frosinone, onde Battisti se encontra, e ele evade, em companhia de um camorrista.

AS FUGAS. Battisti foge para a França, depois para o México, enfim volta a Paris em 1990, onde em novembro é preso ao preparar uma rapina. Libertado em abril de 1991, alega sua condição de refugiado político e se vale da chamada Doutrina Mitterrand, que oferece abrigo a este gênero de foragidos, ditos políticos. Caduca a Doutrina com o advento de Chirac, e em 2003 a Itália solicita novamente sua extradição. A 10 de fevereiro de 2004 é preso novamente, um ano após é destinado à prisão domiciliar. Em seguida, a Justiça francesa dá sinal verde para a extradição. É quando ele foge para o Rio de Janeiro, ponto final de criminosos verdadeiros e de ficção, a 21 de agosto de 2004. Para enfim cair nas malhas da polícia brasileira, a 18 de março de 2007. É material para um enredo de cortar o fôlego. Muito instrutiva para entrar nos detalhes a leitura de uma reportagem assinada por Giacomo Amadori na revista Panorama, edição 29/1.

A AFRONTA. De saída, uma pergunta: compete a um ministro da Justiça de um país democrático contestar a sentença passada em julgado do tribunal de outro país democrático? Esta pergunta aqui já foi formulada, mas vale repeti-la, a bem da razão e do direito internacional. Digamos que o processo que condenou Battisti sofra de vícios irreparáveis. Quem é, porém, o ministro da Justiça do Brasil, a não ser aos olhos dos patriotas de ocasião, para afrontar o Estado de um país amigo e democrático que ostenta uma tradição jurídica milenar?

Estabelecida a premissa, outras considerações se avolumam. Os argumentos da decisão brasileira são insustentáveis, em primeiro lugar porque provam a ignorância da história recente da Itália e peremptoriamente negam a capacidade do Estado italiano de proteger seus carcerados. Trata-se de ofensa gravíssima, e ao ser praticada demonstra, além da desinformação, a insensibilidade política e diplomática. Não vale a pena insistir na inconsistência das motivações. Vale, entretanto, registrar que um dos argumentos brandidos alude a um delator sumido debaixo de identidade falsa, que jogou lenha na fogueira para salvar a própria pele. Pois Pietro Mutti, o arrependido, não desapareceu depois de oito anos de cárcere, e hoje é um operário com identidade intacta, disposto a insistir na sua denúncia, como relata Amadori na Panorama.

Já Arrigo Cavallina, aquele que converteu Battisti à causa do PAC, recusou-se ao arrependimento, mas hoje afirma: “A meu respeito, Mutti disse coisas substancialmente verdadeiras, não entendo por que teria de denegrir Battisti. Quando ouço que o Cesare faz o papel de vítima do outro lado do mundo, tenho de sorrir”.

Outro argumento demolido pela reportagem de Panorama é o de que Battisti não teve assistência judicial correta. Muito pelo contrário, sempre teve em todas as ocasiões, na Itália e na França, sem contar a qualidade de promotores como Pietro Forno e Armando Spataro. Este define Battisti como “assassino puro”.

A REAÇÃO DA ITÁLIA. Aqui não há surpresas. A afronta não foi perpetrada contra um governo, contingente como todos os governos democráticos, e agora entregue a uma figura medíocre, caricata e, segundo CartaCapital, voltada exclusivamente para os seus interesses pessoais de homem mais rico da Itália. Não é por acaso que quem escreveu para o presidente Lula foi o presidente Giorgio Napolitano, ou seja, o representante do Estado em um país de regime parlamentarista. Como temíamos, a crise diplomática fermenta e Roma retira seu embaixador no Brasil, Michele Valensise. Em outros tempos uma decisão deste porte seria prenúncio de guerra, mas hoje é pelo menos muito grave.

De certa forma, um esclarecimento em relação ao revide italiano vem nas declarações do chanceler Franco Frattini, ao afirmar que “Battisti não merece o status de refugiado”. E acrescenta que o Brasil “é país amigo da Itália desde sempre”, donde o espanto e a repulsa. A Itália não esperava por esta atitude do Brasil, “daí a reação tão grave”, esclarece Frattini.
Aprovada, diga-se, de um lado a outro do cenário político italiano. Walter Veltroni, comunista histórico das levas mais recentes e líder do Partido Democrático, de oposição a Berlusconi e herdeiro do PCI, propõe uma “moção comum” do Parlamento “porque, neste caso, o país deve ficar unido”.


OS FINALMENTES. Nos próprios corredores do Planalto admite-se a possibilidade de que o Supremo venha a declarar inconstitucional a decisão do ministro da Justiça. Neste caso, a questão teria de ser administrada diretamente pelo presidente da República. Lula seria capaz de voltar atrás? A considerar os eventos que se seguiram ao anúncio da extradição negada, CartaCapital tem sérias dúvidas a respeito.

Um caminho a ser seguido pela Itália, o de recurso à Corte de Haia, já está a ser definido, e o tribunal internacional seria solicitado por “violação dos direitos humanos”, fórmula perigosa porque, se aceita, não deixaria de criar sérios embaraços para a política exterior brasileira. A Corte, faz dois anos, manifestou-se a favor da extradição.

Não nos tira o sono o cancelamento da viagem do premier Berlusconi ao Brasil, antes agendada para março próximo. Pesam mais as considerações da The Economist, na sua última edição. Diz o semanário mais influente do mundo que as razões apresentadas “para proteger Battisti” não convencem e define como “anacrônica” a tradição do País de dar asilo a figuras contraditórias como Alfredo Stroessner e Oliverio Medina.

Enfim, toca em um ponto que coincide com o pensamento de CartaCapital: como é possível que o governo abrigue um ex-terrorista, e tanto mais alguém que cometeu seus crimes à sombra de um disfarce ideológico, enquanto teme punir os torturadores do Terror de Estado gerado pela ditadura?

Permanece o mistério: por que o Brasil negou a extradição? Arriscamos um palpite: Battisti serve a uma manobra para recompactar o PT, estilhaçado por refregas internas, recentes e nem tanto, na perspectiva das eleições de 2010.

Opinião

A saia-justa de Lula em Belém

Editorial do Estadão
O presidente Lula foi a Belém fazer média com os ativistas do Fórum Social Mundial, caprichando na retórica bolivariana para se mostrar rigorosamente alinhado com as estrelas do convescote: os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e, ainda, Fernando Lugo - seus adversários naturais por diferentes motivos - geopolíticos, econômicos e ideológicos. Como sempre acontece nessas situações, a quadratura do círculo não deu certo. O contorcionismo oratório do presidente para se compor com o ideário da brava gente alternativa há de ter soado artificial aos seus próprios ouvidos. Pela simples razão de que Lula, como já se cansou de ressalvar, não é de esquerda nem considera o regime de mercado uma criação luciferina, muito menos imagina que o Brasil pode subir aos palcos globais fazendo coro com a Venezuela, Bolívia e Equador. O Paraguai é um caso à parte.

É genuína - e procedente - a sua indignação com o preço ainda imprevisível que o Brasil terá de pagar pela farra homérica de um sistema financeiro que se comportou como os proverbiais dementes que tomam conta do hospício. "Nós que fizemos sacrifícios para salvar nossos países estamos vendo que as conquistas na América Latina estão ameaçadas", disse ele em seu discurso no seminário A América Latina e o Desafio da Crise Financeira Internacional, da noite da quinta-feira. O resto do discurso foi uma tentativa de varrer para debaixo do tapete as diferenças inconciliáveis entre a sua visão dos fatos e a dos dirigentes cuja ascensão ao poder representa, segundo ele, "uma nova correlação de forças no Continente".

É uma saia-justa. De um lado, Lula precisa de tantos apoios quantos conseguir reunir para carregar nos foros mundiais a bandeira da formação de uma "nova ordem econômica". Por intermédio do G-20 - produto genuíno da velha ordem -, sustenta, os países emergentes devem forçar a discussão do controle do mercado financeiro para que a economia real não seja atingida pelos descalabros da economia de papel. De outro lado, Lula sabe que a sua importância como interlocutor dos poderosos da Terra deriva não apenas do peso específico do País que governa, mas também, em ampla medida, do fato de ele se distinguir nitidamente dos colegas da vizinhança. Eles são vistos como são: ou populistas estabanados desprovidos de seriedade ou simplesmente figuras inexpressivas. Enquanto o presidente metalúrgico impôs-se ao respeito internacional. Deve ter-lhe custado muito esforço a escolha de uma maneira de agradar ao Fórum Social, mais uma vez reunido no Brasil, sem fazer o saludo a la bandera, exibindo afinidades postiças com os bolivarianos.

A que escolheu, com duvidoso sucesso, foi dizer as coisas que eles esperavam ouvir embora não acreditando minimamente nelas. É o que deu o tom de sua retrospectiva da atitude dos países ricos e do execrado Fundo Monetário Internacional (FMI) na última década e meia. "Eles tinham a solução para todos os nossos problemas e diziam o que tínhamos de fazer", lembrou. "Diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, cortar gasto, fazer choques de gestão e mandar trabalhadores embora (sic). Parecia que eram infalíveis, e nós, incompetentes." "Mas, Deus escreve certo por linhas tortas, porque o ''deus mercado'' quebrou." O que ele não disse, nem obviamente poderia, é que, por ter feito o que diziam que "tínhamos de fazer", o Brasil reuniu as condições para - já sob o seu governo - tirar proveito do período sem precedentes de expansão da economia mundial, movida, aliás, por uma fartura extravagante de crédito.

Dito de outro modo, não tivesse o Brasil feito os "sacrifícios" a que se referiu na fala em Belém, Lula não teria em que apoiar o seu bordão do "nunca antes na história deste país" - e não se fará a ele a enorme injustiça de acusá-lo de não saber disso. No entanto, quem quer que se pusesse na sua pele sentiria de imediato o dilema que tentou resolver se apegando à fórmula segura de falar mal do Consenso de Washington, do FMI e dos demais suspeitos de sempre, omitindo o efeito virtuoso para a economia brasileira do modelo hoje em crise - por motivos que, não lhe sendo inerentes, não o desqualificam. Malabarismo inútil, afinal. Sintomaticamente, Lula foi o único dos presidentes que compareceram ao Fórum que o MST não convidou para o seu evento sobre a "integração popular" da América Latina. É que João Pedro Stédile conhece muito bem a ideologia de Lula: ela é lulista.
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Manchetes do dia

Sábado, 31 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Em 9 anos, homicídio cai 66% em SP"

Estado atribui melhora a investimento na polícia; em 2008, porém, crimes como assalto e roubo de carga cresceram

Pelo nono ano seguido, caiu o total de assassinatos no Estado de São Paulo: foram 4.426 casos em 2008, 451 a menos que em 2007. O índice ainda é alto se comparado ao de países desenvolvidos, mas, desde o recorde histórico de 1999 (12.818 casos), a queda é de 65,5%. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública. Apesar da redução, o Estado é “zona epidêmica de homicídios” – para a Organização Mundial da Saúde, há epidemia quando o índice supera 10 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em São Paulo, são 10,76 por 100 mil. Em 2008, o recuo nos assassinatos foi menor no interior do Estado que na capital. Ele foi acompanhado pela alta em alguns crimes contra o patrimônio, como latrocínios (assalto seguido de morte), que subiram 22,5%. Assalto e roubo de carga também cresceram. O governo paulista atribui a queda dos homicídios ao investimento nas polícias, à maior apreensão de armas e à construção de presídios (o Estado tem 145 mil presos). Segundo especialistas, São Paulo elevou a sua taxa de encarceramento para o dobro da nacional.

O Globo
"Protecionismo abre o 1 º confronto da era Obama"

Brasil e União Europeia podem ir à OMC; recessão nos EUA agora é oficial

A decisão de incluir no pacote de estímulo à economia americana uma cláusula de proteção à indústria do aço dos EUA abriu o primeiro confronto da era Obama. E conseguiu um feito inédito: pela primeira vez, gerou fortes críticas tanto no Fórum Econômico quanto no Social Mundial. Em Davos, o chanceler Celso Amorim admitiu a possibllldade de o Brasil se aliar à União Europeia para, juntos, irem à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra os EUA o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, condenou os americanos e, em Belém, Lula disse que o protecionismo é um "equívoco". Pressionada, a Casa Branca admitiu que poderia poderá rever a cláusula. A economia americana encolheu 3,8% no quarto trimestre, pior resultado desde 1982.

O Estado de São Paulo
"Governo prepara ofensiva para baixar spread bancário"

Uma das propostas é divulgar ranking dos bancos que têm taxas mais altas

O governo vai aumentar a pressão para que os bancos privados reduzam o spread -diferença entre o que o banco paga quando capta dinheiro e o que cobra quando o empresta. Por ordem do presidente Lula, estão sendo fechados os cálculos para que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil cortem o spread e reduzam juros. Outra medida em estudo é a divulgação do ranking das instituições que têm spread mais alto. Irrita o governo o argumento dos bancos de que, mesmo com queda do custo de captação do dinheiro, o spread não pode cair agora porque o risco de calote aumentou. Membros da equipe econômica lembram que, em 2007, quando a inadimplência diminuiu, o spread não foi reduzido. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rebateu ontem a principal reivindicação dos bancos: o corte do compulsório, dinheiro que os bancos são obrigados a manter depositado no BC. Para Meirelles, esse dinheiro é "um trunfo do Brasil".


Jornal do Brasil
"Manchete: Barack Obama tira US$ 1 bi do Brasil"

O Brasil vai perder US$ 1 bilhão por ano se os EUA mantiveram, no pacote de estímulo à economia americana, a cláusula que proíbe a importação de ferro e aço estrangeiros para projetos de infra-estrutura financiados pelos US$ 819 bilhões do programa. O prejuízo virá com a queda da receita de exportações de aço - no ano passado foram vendidas mais de 1,2 milhão de toneladas. O cálculo é do Instituto Brasileiro de Siderurgia. Diante de reações contrárias em todo o mundo, inclusive do presidente Lula, a Casa Branca admitiu que Barack Obama pode rever a medida, considerada protecionista.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Reminiscências

Manhã de sábado

Sidney Borges
Numa manhã de sábado, em 1969, eu apreciava o magnífico Porsche de um colega da escola. Ao meu lado outro colega, Marek Banbulla, filho do cônsul da Polônia em São Paulo. Fiz uma provocação:
-Marek na Polônia tem desses carros?
A resposta foi seguida de uma aula que me é útil até hoje.
-Tem, talvez não tantos como no Brasil, mas existe uma classe de trabalhadores que vive com dinheiro suficiente para ter carros de luxo.
Depois da implantação do comunismo o governo deixou que os pequenos proprietários de terras permanecessem livres para plantar e comerciar.
O exemplo da União Soviética, que sob a orientação de Lênin e Trotsky, matou milhões de camponeses de fome e colapsou o abastecimento por anos não foi seguido. Com o passar do tempo os agricultores criaram cooperativas e com o excedente da produção, isto é, depois de entregar a parte do governo, acabaram formando uma sólida burguesia nos moldes europeus. Daí os BMW, Mercedes e Porsches que circulam pelas ruas e estradas da Polônia.
O outro lado da moeda é que apesar de dinheiro no bolso e carros bonitos os ricos camponeses não podem ir a Paris ou Roma. É proibido. No comunismo as liberdades individuais não existem.
Talvez um dia aconteça um sistema que junte o que há de virtuoso no comunismo com as liberdades e a alternância de poder do capitalismo. Mas se acontecer será a longo prazo.

Temo que a longo prazo estejamos mortos.

Mundo

Delírios na selva

Nelson Motta (Clique aqui e leia na fonte)
O mais bonito dos surrealistas, nos anos 20, era que eles não queriam apenas mudar a arte, mas a vida. Salvador Dali, Buñuel, Breton, Man Ray, Duchamp, a linguagem dos sonhos e dos pesadelos, imagens do inconsciente — novas visões de corpo e alma. Mudou a arte, sem dúvida, mas o ser humano... Da mesma forma, mas sem a mesma graça, a ambição dos comunistas cubanos nos anos 60 era não só o igualitarismo e a sociedade sem classes, mas a criação do "novo homem cubano", e a nova mulher, por supuesto. Ético, patriota, disciplinado, consciente, politizado, justo, solidário, boa saúde, bons dentes, estudado, este novo ser surgiria como o fruto final da Revolução. Como diria Copélia, não a famosa sorveteria cubana mas a de "toma lá dá cá", prefiro não comentar. No desmantelamento da União Soviética, a Rússia e outras repúblicas socialistas que aderiram ao capitalismo se tornaram, porque já eram antes, alguns dos países mais corruptos do mercado livre. Claro, eram os antigos "novos homens", formados na burocracia estatal corrupta e infiltrados em toda a sociedade, criando uma cleptocracia. Os sonhos do Fórum Social Mundial são mais modestos, apenas a transformação do mundo. O problema é que são muitas as aproximações, e contradições, entre um novo mundo que eles creem possível e um mundo velho que já se provou impossível e desmoronou com o Muro de Berlim. Outro problema comum a surrealistas, comunistas e foristas é a confusão entre ideais, sonhos e delírios, que sempre acabam custando caro para os que eles querem "libertar". Do tempo dos surrealistas e da revolução cubana o mundo melhorou muito, pela ação de homens e mulheres de boa vontade, mas o ser humano, não sei não... Está para nascer sistema político ou econômico capaz de criar, além de um mundo novo, um novo homem. Ou talvez o "novo homem" dos velhos comunas só exista mesmo na Suécia, na Noruega, na Dinamarca, que investiram fundo na social democracia, criaram prosperidade e distribuíram riqueza e educação, criando condições para uma forma mais civilizada de viver. Embora chatíssima, para padrões latino-americanos.
Texto publicado no Globo de hoje.

Crise

Presidentes celebram colapso do neoliberalismo

De O Globo (Clique aqui e leia o original)
Identificados como o bloco da verdadeira esquerda sul-americana por parte dos movimentos sociais, os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) celebraram ontem o "colapso do neoliberalismo de Davos", em referência ao encontro que reúne a nata do capitalismo nos Alpes suíços nesta mesma época. Os presidentes unificaram o discurso e deixaram um recado claro para os participantes do Fórum Social Mundial (FSM): é preciso unificar a América Latina para enfrentar a crise econômica. Pediram ainda apoio da esquerda mundial para seus governos.


Nota do Editor - Há uma flagrante contradição na "festa". A Venezuela de Chávez depende dos Estados Unidos como um recém-nascido depende da mãe. Quem mais vai comprar o petróleo venezuelano quando a crise bater forte? (Sidney Borges)

Dois pesos, duas medidas...

Pugilista cubano diz que queria refúgio no Brasil

Jamil Chade, GENEBRA (Clique aqui e leia o original)
O pugilista cubano Erislandy Lara afirma que gostaria de ter recebido o status de refugiado no Brasil. Hoje, vive como exilado em Miami, onde é boxeador profissional. "Pedi asilo à polícia no Brasil e não me foi dada a oportunidade", afirmou Lara, em entrevista ao Estado.


Em 2007, o pugilista cubano tentou escapar da delegação de seu país nos Jogos Pan-americanos do Rio. Mas foi detido alguns dias depois e devolvido ao governo de Cuba, após ser encontrado pela Polícia Federal. Na época, o governo garantiu que Lara não tinha pedido para ficar.

O então presidente Fidel Castro prometeu que o perdoaria. Mas Lara nunca mais voltou a lutar em seu país e sequer foi selecionado para os Jogos Olímpicos de Pequim. Insatisfeito, ele voltou a tentar escapar de Cuba. No ano passado, saiu de lancha no meio da noite de Cuba e chegou até o México. De lá, foi para a Alemanha. Agentes de boxe conseguiram documentos necessários para que ele pedisse residência permanente na Alemanha. No fim do ano passado, seus agentes optaram por levá-lo aos Estados Unidos, onde obteve status de refugiado.

Lara admite que não nunca ouviu falar do caso do italiano Cesare Battisti. Mas diz que achou "estranho" não ter recebido o mesmo tratamento. "Não conheço esse caso, mas eu não estava fazendo nada de errado. Mesmo assim, não me aceitaram no Brasil", afirmou. Sem esconder a contrariedade com comentários de que age com dois pesos e duas medidas, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que, em 2007, recebeu "fortes protestos" da embaixada de Cuba no Brasil, por ter concedido refúgio político a outros dois outros atletas cubanos - um jogador de handebol e outro ciclista. Além deles, Tarso citou três músicos do conjunto Los Galanes.

"Quem pediu para ficar no Brasil ficou", afirmou, repetindo que Lara e o também pugilista Guillermo Rigondeaux não solicitaram refúgio. "Obviamente que eles não pediram refúgio e isso está mais do que provado, pois tudo foi acompanhado pelo Ministério Público e pela OAB", insistiu Tarso. "Ocorre que se martelou tanto uma inverdade que, aparentemente, ela se transformou em verdade."

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Coluna da Sexta-feira

Grito ausente

Celso de Almeida Jr.

Posso estar enganado.
Geralmente, estou.
Mas, tenho a impressão de que as mídias eletrônicas ubatubenses estão dinamizando o debate sobre temas importantes para o nosso desenvolvimento.
Esse acervo de documentos e pensamentos arquivados digitalmente, possível de ser acessado em qualquer instante, garante a rápida comparação de idéias, contribuindo para uma reflexão mais embasada.
Os textos em jornal impresso trazem dificuldades para se arquivar. A não ser que você seja um profissional do assunto, a ponto de colecionar artigos, geralmente a possibilidade de consulta veloz é mais difícil.
Na internet, não. Os textos estão digitalizados, organizados. O acesso aos diversos pensamentos torna-se rápido acelerando, também, a revisão de conceitos sobre os temas mais complexos.
Essa ferramenta é especialmente importante para os jovens. Quero ver muitos professores estimulando a juventude a expor o pensamento, as idéias, valendo-se das mídias eletrônicas de Ubatuba.
Nós, adultos, precisamos entender melhor os anseios daqueles que irão garantir o nosso futuro.
Vamos ouvi-los, lê-los, sugerindo o registro de seus sentimentos, aqui e agora.
Sei que muitos já tem os seus blogs, orkuts, etc. Mas eu gostaria de encontrá-los nesse espaço comunitário, tipicamente de adultos. Não tenho a esperança que eles nos leiam. Mas quero que eles saibam que nós os lemos.
Incluí-los digitalmente, portanto, passa a ser o desafio do momento, estimulando o acesso a cultura, ao debate.
Não vamos condená-los pelo uso inadequado da língua. Vamos perdoar os equívocos gramaticais. Devemos minimizar o impacto dos delírios juvenis, afinal, não custa lembrar que já vivemos essa fase adorável. Temos que aceitar as suas críticas ácidas, com aquela arrogância típica dos destemidos.
São eles, com a energia do entusiasmo, que podem contribuir para a velocidade das mudanças necessárias.
Ao trabalho, professores e editores virtuais!
Conclamem a garotada.
Vamos ouvi-los berrar.

Opinião

Uma decisão a favor do atraso científico

Washington Novaes
Não poderia ser mais incompreensível e inquietante a notícia de que o Congresso Nacional reduziu em 18%, no Orçamento federal para 2009, os recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia (22/1) - uma redução de R$ 1,1 bilhão, do qual R$ 819 milhões destinados ao Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e R$ 180 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (este último anulado terça-feira última). É um grave problema para o País. O próprio presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, assim como o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, consideraram a decisão "extremamente grave".


O ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, foi mais longe: "É uma decisão irresponsável", que obrigará aqueles órgãos a "mandar embora" grande parte dos bolsistas que financiam, no momento em que "investir em ciência e tecnologia é uma das saídas para a crise financeira que o mundo enfrenta". Nesta hora, não se pode aceitar que o Congresso corte recursos maiores que o orçamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a maior entre todas as instituições de pesquisa do País. E no momento em que, segundo o Banco Mundial, o Brasil ainda investe apenas 1,02% de seu produto bruto anual em pesquisa - embora o presidente da República houvesse prometido chegar a 2010 com 1,5% (os países da OCDE investem em média 2,26%).

É também uma decisão muito problemática para áreas fundamentais num país que tem em seu patrimônio natural uma de suas armas mais fortes (Estado, 15/7/2008), já que recursos naturais são hoje um fator escasso no mundo (consumo já 30% além da capacidade de reposição da biosfera). Como encontrar, sem investimentos em ciência, soluções econômicas e sociais baseadas na biodiversidade e que conservem biomas como a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, os recursos pesqueiros? Como desenvolver variedades agrícolas (soja, milho, feijão, café e outras) para substituir as que já estão tendo sua produtividade afetada pelo aumento da temperatura e pelas mudanças climáticas? Como desenvolver sistemas científicos avançados para previsões mais apuradas e com mais antecedência nessa área, para ajudar a evitar "desastres naturais" e dramas para as populações (como os que estão acontecendo hoje em vários Estados)? Como investir no desenvolvimento de energias renováveis e alternativas, que poderão ser uma das grandes armas da economia brasileira nas próximas décadas? Como aumentar o conteúdo tecnológico de nossas exportações e depender menos de importações às quais os países que nos vendem agregam todos os fatores, enquanto nós continuamos a comprar fora insumos caros e a depender fortemente de commodities cujo preço não controlamos?
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 30 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"O governo quer comprar e revender casa popular"

Medida para aquecer mercado atingiria quem ganha de R$ 1.200 a R$ 2.200

Por meio de licitação, o governo quer comprar casas de construtoras e refinancíá-las pela Caixa Econômica Federal. A medida é parte de pacote que deve ser fechamento na semana que vem. Os financiamentos beneficiaram quem tem renda mensal entre R$ 1.200 e R$2.200. O governo quer a construção de 1 milhão de moradias até 2010 em todo o pacote habitacional. Para quem recebe no máximo R$ 1.200 por mês, já existe financiamento subsidiado. O plano prevê a redução de impostos da área de construção. Os principais objetivos d pacote são manter aquecido o mercado de construção civil e atender a uma faixa de renda que não consegue financiamento a juros subsidiados nem pode arcar com os que já existem. A empresas pediram de R$ 1.500 a R$ 1.600 por metro quadrado, mas o presidente Lula achou caro. Os estudos envolvem unidades de 40 metros quadrados, 60 metros quadrados e 80 metros quadrados. Nas planilhas mostradas ao governo, constatou-se que 40% dos custos se referem a taxas, impostos, seguros e “spread”.

O Globo
"Crise já provoca medo de nova onda protecionista"

Pacote americano pode criar barreiras a produtos europeus e brasileiros

O Fórum Econômico, de Davos, foi marcado por alertas de que uma nova onde de protecionismo ameaça o mundo diante do agravamento da crise financeira. A Comissão Européia disse que vai contestar cláusula do pacote americano que proíbe a compra de ferro e aço estrangeiros - como europeus e brasileiros - para projetos de infraestrutura financiados com recursos do Tesouro. O pacote de Obama será votado em breve no Senado. Em Belém, no Fórum Social, os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) celebraram o 'colapso do neoliberalismo de Davos'. Greve na França levou um milhão às ruas.

O Estado de São Paulo
"Senado dos EUA defende plano mais protecionista"

Emenda prevê que dinheiro vá só para fornecedores americanos

O Senado americano pretende acentuar o caráter protecionista do pacote de estímulo econômico aprovado pela Câmara dos Representantes. Os deputados já tinham determinado que, nos projetos incluídos no plano, só fossem usados ferro e aço produzidos nos EUA. Agora deve ser acrescentada ao texto uma emenda do senador democrata Byron Dorgan, definindo que todo o dinheiro do pacote seja destinado a fornecedores americanos. O Senado deve ainda elevar o montante do plano de US$ 819 bilhões para US$ 887 bilhões. Em Davos, onde acompanha o Fórum Econômico Mundial, o deputado democrata Brian Baird admitiu que não teria votado a favor do pacote se ele não proibisse a compra de aço estrangeiro. "O contribuinte americano não vai apoiar a criação de empregos em outros países", disse Baird ao enviado especial Fernando Dantas.


Correio Braziliense
"“A briga está boa”"

Dizendo-se ainda “entrincheirado” em favor da construção da Praça da Soberania na Esplanada e sentindo-se estimulado pela polêmica, arquiteto escreve texto, manda ao Correio e desqualifica os críticos, citando o superintendente do Iphan, Alfredo Gastal. Ao defender o monumental obelisco em frente à Rodoviária, Oscar Niemeyer se permite uma velada e raríssima crítica ao projeto urbanístico de Lucio Costa, o Plano Piloto - segundo ele,“dividido entre pobres e ricos, os primeiros em seus apartamentos confortáveis (…), os outros esquecidos pelas cidades-satélites”. A respeito do debate, o Palácio do Buriti informou que o assunto não será tratado na reunião do governador José Roberto Arruda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para o início de fevereiro.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Sessão gente-fina

O poliédrico Greenhalgh

Mino Carta (Clique aqui e leia o original)
Respondo a Oton. Sim, Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Cesare Battisti, é o mesmo que também figura no exército de leguleios que amparam as ações de Daniel Dantas. Poderia acrescentar o seguinte: Dantas é também aquele que entregou à Veja um dossiê falso sobre contas no exterior do presidente da República, do ex-diretor da PF e ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, do ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, do senador Romeu Tuma. Ou, por outra: Greenhalgh jura fidelidade petista enquanto recebe polpudos emolumentos de quem se esforça para abalar o próprio Lula. Tem mais: Greenhalgh é o mesmo que se encontra às escondidas, em um hangar da TAM, com José Dirceu, para discutir o Caso Battisti. Será que só falaram de Battisti?

Nota do Editor - Tenho certa desconfiança, fundamentada em fatos como a reunião sigilosa citada acima, que o refúgio concedido a Battisti tem o dedo de Dirceu. O prestígio de Lula na Europa vai ser abalado, nem tanto pelo refúgio, mas pelas razões alegadas, altamente ofensivas ao Estado Italiano. (Sidney Borges)

Caso Battisti

O Marcola da itália

Podcast de Diogo Mainardi (Clique aqui e ouça)
O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:

"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".

Ponto.

Nos últimos anos, "La Repubblica" foi um dos jornais estrangeiros que mais tolamente se encantaram com o presidente brasileiro. Agora mudou. A abestalhada claque italiana de Lula passou a enxergá-lo como um retrato do caudilho bananeiro.

Um documento que recebi na semana passada pode ajudar a explicar essa baba raivosa na boca dos italianos. Trata-se da ficha do Ros - o Grupo de Operações Especiais da polícia militar italiana - sobre os terroristas do PAC - os Proletários Armados pelo Comunismo -, do qual fazia parte Cesare Battisti.

Primeiro trecho:

"Os Proletários Armados pelo Comunismo formaram-se nos últimos meses de 1977, no âmbito da luta contra a nova realidade do regime carcerário de segurança máxima, que acabara de ser instituído".

E eu acrescento: os atentados terroristas do PCC, em maio 2006, ocorreram pelo mesmo motivo - a transferência de alguns membros do bando para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O PAC é o PCC do país da Tarantella (sim, estou parodiando o editorialista do "La Repubblica"). Tarso Genro alegou que Cesare Battisti foi perseguido por suas ideias políticas. A única ideia que ele tinha era essa: aliviar o cárcere duro, exatamente como o Comando Vermelho em Bangu 3.

Segundo trecho da ficha policial:

"Em 6 de junho de 1978, o PAC assassinou, na frente da cadeia de Udine, o coronel Antonio Santoro, comandante dos agentes penitenciários. No documento de reivindicação, lê-se: O Estado usa a cadeia como uma ameaça contra qualquer tipo de divergência, de obtenção de renda por outros meios, de conflito de classe. E para readquirir o controle dos presídios, isola a faixa mais combativa [dos prisioneiros proletários], o que acarreta seu aniquilamento. Precisamos deter esse projeto, reforçando nossa prática comunista, concretizando-a em armamentos e em contrapoder".

Compare-o agora a um manifesto do PCC: A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se 'a clientela do sistema penal', a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.

O assassinato do coronel Antonio Santoro por parte do grupo comandado por Cesare Battisti, na realidade, teve um motivo bem mais banal do que se poderia concluir lendo o altissonante manifesto do PAC. Segundo a ficha da polícia, o chefe dos agentes penitenciários foi morto somente por causa da demora em oferecer atendimento médico a outro militante do grupo, que se machucou jogando futebol na cadeia. Aparentemente, o que os terroristas queriam obter era um Mário Américo para cada prisioneiro.

Em 1979, o PAC seguiu essa mesma lógica de apoio sangrento à bandidagem comum nos assassinatos de um joalheiro e de um açogueiro. De acordo com o documento preparado pelos Carabinieri, o bando de Cesare Battisti executou os comerciantes porque eles "fizeram justiça com as próprias mãos, matando dois assaltantes".

Cesare Battisti é isso, é só isso: o Marcola do país da macarronada.

CartaCapital

"Esperávamos mais dele e estamos decepcionados"

Mino Carta (Clique aqui e leia o original)
Não falarei do Caso Battisti, embora o Febeapá continue a se enriquecer, e sim de Lula, por quem tenho, como já disse, amizade e afeto há 32 anos. Estivemos, nós de CartaCapital, a favor dele em 2002 e 2006, e estaríamos hoje, assim como estivemos contra o governo FHC desde 1994.


Reparem, contudo. A amizade é uma coisa, o apoio é outra. Não significa aprovação automática, resulta, isto sim, de um raciocínio político, o qual não deixa de ser pragmático. Por exemplo: em 2002 e 2006 entendemos que Lula era o melhor candidato.

É comum no Brasil a expectativa do salvador da pátria, nós não partilhamos dela, pessimistas, ou céticos, na inteligência, e otimistas na ação, como recomendava Antonio Gramsci.

Verifico que, além dos indomáveis freqüentadores do Febeapá, temos de lidar também com os maniqueístas e os fanáticos do Apocalipse.


A questão, a meu ver, não está na separação abrupta entre Bem e Mal, assim como se pretendêssemos que quem não é a favor bandoleia-se de imediato do lado oposto.

Lula não foi e não é o salvador da pátria e CartaCapital jamais imaginou que poderia ser. Esperávamos mais dele, é isso, e estamos decepcionados de muitos pontos de vista.

Reconhecemos méritos do seu governo, mas o Bolsa Família é pouco demais enquanto os cofres dos ricos engordam de forma desmesurada, sem contar esse seu aspecto, se não de migalha, de esmola.

CartaCapital não se afastou um milímetro da sua linha de sempre, em quinze anos de vida a serem completados logo mais, baseada na prática de um modelo de jornalismo que respeita a verdade factual, exerce o espírito crítico e fiscaliza o poder onde quer que se manifeste.

E neste blog não escrevi há algum tempo que Lula estaria disposto a apoiar a candidatura Serra em 2010. Escrevi simplesmente que de ótima fonte recebera a seguinte informação: Lula não se agastaria diante de uma vitória do governador de São Paulo. Com quem, aliás, tem boa relação.


Nota do Editor - É por isso que aprecio Lula. Como afirma Mino Carta ele não se agastaria com a vitória de Serra em 2010. O Ubatuba Víbora aproveita para tornar público o que seus leitores já estão carecas de saber, menos o tycoon da imprensa ubatubense que nunca ficará careca. Em 2010 este Blog vai apoiar José Serra. Tenho dito... (Sidney Borges)

Opinião

No que está dando o desgoverno

Editorial do Estadão
Adotada em circunstâncias nebulosas por aloprados funcionários de segundo escalão do Ministério do Desenvolvimento, na ausência do seu titular, em viagem ao exterior - e sem comunicação prévia nem mesmo ao presidente da República -, a imposição intempestiva de licenças prévias para a importação de cerca de 3 mil produtos, que respondem por 60% do valor das compras brasileiras no exterior, é a evidência irrefutável do nível a que chegou o desgoverno Lula.

Pelo modo como foi tomada a decisão, considerada a "mais estranha" da administração lulista, pelo seu impacto instantâneo sobre a atividade produtiva, pela rasteira que a enormidade aplicou às diretrizes da política comercial - desmoralizando os reiterados discursos presidenciais contra o protecionismo - e, enfim, pelas mendazes tentativas dos autores da molecagem de justificar o injustificável, a iniciativa condensa a incapacidade do governo em lidar com uma crise econômica que traz problemas novos praticamente a cada dia e que, quanto mais se agrava, mais parece agravar também a dislexia administrativa que acometeu o Planalto.

Sob o choque dos dados mais recentes sobre o intercâmbio comercial do País - pela primeira vez desde março de 2001, o ano começou com um déficit no setor provocado pela crescente diferença entre os ritmos de crescimento das exportações - cada vez mais lento - e das importações - cada vez mais acelerado -, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o seu colega do Desenvolvimento, Miguel Jorge, decidiram na semana passada, por precaução, monitorar de perto a evolução das compras, em especial de bens de consumo e aquelas oriundas da Argentina, país com o qual o desequilíbrio se acentuou dramaticamente (queda de 40% nas vendas para o país e adoção, pelo governo de Buenos Aires, de licenciamento prévio para a entrada de produtos brasileiros). À revelia dos ministros, no entanto, os burocratas tomaram o freio nos dentes e instituíram a regra destrambelhada que um empresário comparou a "tomar um antibiótico para curar um resfriado".

Ele se referia ao descompasso clamoroso entre o diktat que dá superpoderes à burocracia e a sua alegada razão de ser - "permitir o acompanhamento das importações". Tentando encobrir o sol com a peneira, o responsável-mor por aquilo que os seus próprios colegas chamam, caridosamente, "barbeiragem", o sub do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, se pôs a jurar que a licença prévia não equivale a uma barreira, porque seria concedida, em cada caso, em até 10 dias. A desculpa trôpega não enganou ninguém. "Estamos já em uma crise grave, e o governo aumenta a incerteza pegando as empresas desprevenidas", reagiu o ex-ministro Marcílio Marques Moreira. "Depois de anos de superávit, no primeiro momento de déficit o governo adota barreiras." O governo? Que governo?

Nos últimos dias, quatro ministros se engalfinharam publicamente (Mangabeira Unger e Patrus Ananias, Reinhold Stephanes e Carlos Minc) e só tardiamente se ouviu uma balbuciante advertência de que os briguentos poderiam ser demitidos. E em seguida veio o vexame do controle das importações. Eis o nervo do problema: o presidente Lula, cujo absenteísmo crônico dispensa comprovação, deixou a casa ao deus-dará porque dela afastou também a autoridade a quem incumbe, por definição, coordenar as ações da equipe ministerial e administrar as inumeráveis questões do dia a dia do Executivo, com as quais o seu chefe não deve mesmo se ocupar (além daquelas, de sua alçada, das quais quer distância). A autoridade, evidentemente, é a ministra-chefe do Gabinete Civil da Presidência, Dilma Rousseff. Mas, em perene campanha para fazer dela a sua sucessora, Lula a transformou na sua inseparável companheira de viagem.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 29 / 01 / 2009

Folha de São Paulo

"Lula amplia Bolsa Família e dá merenda para jovens"

Medidas são anunciadas um dia após corte de R$ 37 bi no orçamento

Um dia após o governo cortar R$ 37 bilhões do orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas na área social que custarão mais R$ 871 milhões por ano ao Estado. O Bolsa Família, principal programa social do Planalto passará a atender mais 1,3 milhões de famílias (ao todo, 12,3 milhões). O limite de renda para obter ajuda federal subiu de R$ 120 para R$ 137 mensais por pessoa. O governo também dará merenda escolar, antes restrita aos ensinos infantil e fundamental, aos alunos do ensino médio da rede publica – alguns dos quais, maiores de 16 anos, podem votar. Medida provisória assinada ontem prevê R$ 322 milhões para os 7,3 milhões de estudantes dessa faixa. Segundo o Planalto, as ações visam ampliar a rede de proteção social; para a oposição, elas são eleitoreiras.

O Globo
"Lula amplia Bolsa Família um dia após cortar o Orçamento"

Programa custará mais meio bilhão; merenda é estendida para ensino médio

Depois de cortar R$ 37,2 bilhões no Orçamento, o governo Lula ampliou o Bolsa Família, com a inclusão de 1,3 milhão de famílias em seu principal programa social. O custo extra será de R$ 549 milhões este ano. Para permitir o aumento, o governo elevou o teto do programa, que atendia apenas famílias com renda de até R$ 120 mensais por pessoa. O novo teto é de R$ 137. O valor do benefício não subiu. O ministro Patrus Ananias disse que o aumento da linha de renda corresponde à variação da inflação medida pelo INPC. A inclusão dos novos beneficiários será gradual, de maio a outubro. Num encontro com 17 governadores da Amazônia Legal e do Nordeste, o presidente Lula anunciou, por medida provisória, R$ 547 milhões para a educação. O programa estenderá a merenda a estudantes do ensino médio e dará reforço ao transporte escolar. Mas o dia também foi de protestos por causa dos cortes no Orçamento. Em Belém, ambientalistas consideraram lamentável o bloqueio dos recursos do Meio Ambiente.

O Estado de São Paulo
"FMI derruba previsão de crescimento para o Brasil"

Estimativa para 2009 cai de 3% para 1,8%; projeção para o mundo é de 0,5%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 3% para 1,8% a estimativa de crescimento do Brasil em 2009. Foi a segunda vez em quatro meses que o FMI baixou a projeção, que era inicialmente de 3,5%. Apesar disso, o desempenho do País deve ficar acima da média da economia global - que, de acordo com o Fundo, deverá crescer apenas 0,5%. A taxa é a mais baixa desde a Segunda Guerra Mundial. Outro que vê dificuldades para o Brasil é o economista Nouriel Roubini, célebre por ter previsto a crise financeira global. Ele acha que o País sofrerá forte desaceleração, relata de Davos, na Suíça, o enviado especial Fernando Dantas. "O crescimento do Brasil pode ser próximo de zero, pode ser 1% ou até acabar sendo negativo", disse Roubini, uma das estrelas do Fórum Econômico Mundial.


Correio Braziliense
"Debate sobre praça chega ao Planalto"

Em reunião marcada para 6 de fevereiro no Planalto, o governador José Roberto Arruda discutirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o polêmico projeto da Praça da Soberania — conjunto formado por um prédio em forma de semicírculo, um estacionamento subterrâneo e um obelisco de 100 metros de altura entre a Rodoviária e o Congresso. Nascida de um pedido presidencial, a ideia concebida por Oscar Niemeyer é alvo de debate acalorado desde a exibição do primeiro croqui pelo Correio. Daí a iniciativa de Arruda de ouvir Lula. Em princípio, segundo o governador, o GDF não tem dinheiro para erguer o novo monumento neste ano.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

O outro lado da moeda 2

Reação de Berlusconi a asilo é reacionária e direitista

José Dirceu (Clique aqui e leia o original)
"Na reação ao governo brasileiro por ter concedido asilo político ao escritor italiano Cesare Battisti, toda operação feita pelo governo do 1º ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, é típica de seu caráter reacionário e direitista, além de autoritário.


Seu governo é legal, num país democrático, mas constituído de partidos comprometidos com o neo-fascismo. Daí esse caráter de cruzada e vendeta que está dando a uma decisão soberana do governo brasileiro. Fora o tom saudosista de todo o discurso do governo italiano e de sua diplomacia, como se a Itália ainda fosse uma potência colonial e o Brasil uma república de bananas.


A retirada do Brasil do embaixador italiano - Michele Valensise -, apesar de sua gravidade, é mais um ato na ópera bufa e de má qualidade que Berlusconi está dirigindo. Não devemos recuar e não devemos dar satisfações à Itália. Assim como não deu a França (que acolheu Battisti por uma década) quando adotou o mesmo procedimento soberano do Brasil e concedeu refúgio a condenados pela justiça italiana. E, contra a França, a Itália não fez nada.


Toda discussão é legitima, assim como toda cobertura que a imprensa brasileira está dando ao caso, apesar do apoio velado de alguns veículos de comunicação à posição italiana, um apoio compreensível, mais pela posição ideológica comum, ou pelo simples desejo de não perder a oportunidade de fazer oposição ao governo Lula.


Discussões sobre a forma ou a conveniência da decisão brasileira frente à reação do governo Berlusconi agora são secundárias. O que temos que fazer é defender a decisão (de conceder o asilo) que, além de legal, é legítima e soberana.


Trata-se de um direito líquido e certo e está de acordo com as leis internacionais. A maioria dos países do mundo, em respeito à sua Constituição e leis, agiria da mesma forma. Quanto a Berlusconi e seu governo, não dá para levá-los muito a sério. Pelo menos a Europa não os leva. O que não significa que não devamos nos preocupar com as relações com o povo e com a Itália."

Nota do Editor - O ex-ministro José Dirceu tem razão quando diz que a reação de Berlusconi é direirista. Até il mondo minerale de Mino Carta sabe que Berlusconi é um homem de direita. O que queria o astuto e arguto ex-guerrilheiro José Dirceu? Uma reação esquerdista? Sem chance... (Sidney Borges)

Crise

O debate sobre a nacionalização dos bancos

por Paulo Moreira Leite (Clique aqui e leia o original)
O debate do momento, nos Estados Unidos e Inglaterra, é a nacionalização dos bancos. Não é invenção de dinossauros dos estudos econômicos. Embora os bancos desses dois países já tenham recebido bilhões de dólares em ajuda financeira, até hoje não se mostraram capazes de ficar de pé com as próprias pernas. Não conseguiram capitalizar-se. A cada dia acumulam novos rombos, descobrem mais balanços ruins e produzem novas incertezas e muita instabilidade. Mesmo aliados consistentes da economia de mercado, aqueles que gritavam “deixa quebrar” há menos de seis meses, já admitem a nacionalização — mesmo que façam questão de lembrar que não é uma panacéia que vai resolver todos os problemas do capitalismo. Não vai mesmo. A maioria dos países já teve bancos estatais, e muitos foram para o cemitério das boas intenções — quando elas existiam — como sinônimo de corrupção, desperdício e empreguismo. Mas hoje um impasse está colocado.


Os bancos estão fragilizados e buscam proteção para calotes passados e futuros. (A recessão, cada vez mais amarga, não ajuda ninguém a pagar nem a receber contas, como se sabe). O mercado está em fuga e os empréstimos não saem. Nessa situação, a saída é bater à porta dos cofres públicos. A alternativa é a bancarrota, num colapso descontrolado que seria ainda pior que o cotidiano amargo e incerto em que nos encontramos. O problema é como fazer isso. São duas hipóteses. Entrega-se o dinheiro aos bancos, para aplicá-lo à sua maneira, com sua lógica e seus interesses. Com pequenas nuances, é que se tem feito até aqui, com os resultados que se conhece. Ou compra-se ações, transformando o Estado em acionista, muitas vezes majoritário.

Não é uma questão técnica, quando se recorda que a medida envolve um dos fundamentos da economia de mercado, que é a propriedade privada. Após quase três décadas de privatização e enxugamento do Estado, essa medida também implicaria uma respeitável mudança de direção.

A nacionalização dos 10 principais bancos americanos — que enfrentam graus maiores ou menores de dificuldade –, com todos os custos envolvidos, não sái por menos de US$ 2 trilhões. Num mundo muito diferente do atual, mas onde enfrentava uma realidade muito parecida — a falta de confiança de investidores e consumidores — Franklin Roosevelt fechou os bancos privados americanos por uma semana. Aproveitou o período para fazer uma auditoria e, quando os guichês reabriram, só estavam autorizadas instituições cujos balanços haviam sido aprovados por auditores do governo. Não resolveu tudo, mas foi um começo. Milhões de americanos que já guardavam seu dinheiro em casa voltaram a fazer depósitos nas instituições autorizadas a funcionar.

A Suécia é considerada o melhor caso de sucesso contra uma crise financeira em tempos recentes. A nacionalização funcionou. No Japão, o Estado demorou a intervir nos bancos. A economia patinou por muito mais tempo. Mas não há garantia de sucesso. Depois de promover a nacionalização parcial do sistema bancário britânico, o governo trabalhista enfrenta uma ameaça de crise fiscal e monetária. Isso porque o Estado pode impedir um banco de ir à lona — mas é preciso fazer mais para arrumar a economia. Um cuidado essencial é manter o setor privado com disposição para o investimento e um certo grau de risco — mas isso não acontece quando ele sente-se sob ameaça.

Estado novo de novo

Evolução

Sidney Borges
O progresso da humanidade não é linear, em certos momentos avançamos mais. Infelizmente o desenvolvimento parece estar sempre atrelado aos conflitos. É difícil afirmar com certeza, mas se não tivesse acontecido a Segunda Guerra Mundial talvez eu não usasse um computador para escrever.


A sociedade humana tem alguma semelhança com o mundo infinitamente pequeno dos quanta. Os avanços acontecem em pacotes durante as crises. A energia da turbulência é absorvida e depois devolvida na forma de descobertas.

Na escola aprendemos que o átomo é semelhante ao sistema planetário, com o núcleo na posição do Sol e os elétrons girando como se fossem planetas.

Essa concepção criada por Rutherford explica satisfatoriamente os fenômenos que envolvem a Física e a Química e poderia ser considerada definitiva não fosse um pequeno senão.

Os elétrons têm carga e segundo Maxwell, cargas aceleradas emitem energia.

Abrindo parênteses, o que mantém o elétron girando é a velocidade, que pode ser traduzida por energia cinética. Se o elétron perder energia sua velocidade diminui, a órbita decai e, bau-bau, nem quero imaginar, o Universo desaparece em um amontoado de partículas juntinhas qual sardinhas em latas.

Waal, São Bohr deu a solução e nos salvou. Segundo as tábuas que recebeu no deserto, existem níveis energéticos no átomo, isto é, se o elétron estiver na órbita que lhe foi destinada pelo Arquiteto do Universo não haverá emissão de energia e o mundo não correrá o risco de acabar.

Hoje vou acender uma vela para São Bohr na encruzilhada das facas flamejantes.

Coloquei esse nariz de cera para entrar no cerne da questão. Nem tanto ao mar, nem tanto à Terra. A crise que colocou nas cordas o neoliberalismo mostra que certo controle do Estado é bem-vindo. Parâmetros. Precisamos deles ou a ganância humana entra em cena e estraga a festa.

Esqueci de dizer que o ser humano não foi um bom projeto, o Arquiteto deixou alguns detalhes por conta do acaso e deu no que deu.

Bem, voltando ao mundo misterioso da economia, parece que vamos entrar em uma nova era. Bohr diz que o elétron emite energia depois de receber energia externa.

Como afirmou um dia Clodovil, para dar é preciso ter o que dar.

Com a bufunfa debaixo do braço a bolinha veloz, tatuada com um sinal de menos, muda de nível cheia de energia. Mas como o bom filho sempre à casa torna, o elétron emocionado adentra ao lar. E é no momento em que salta para os braços de mamãe que emite a energia recebida.

Não confundir o salto do elétron com os salta-pocinhas da cidade do Porto.

Quem sabe o estado novo, não confundir com o similar que grassou em terras tupiniquins, falo do estado novo das coisas que estão tirando o sono da galera. Pois é, quiçá o estado novo consiga colocar no mesmo saco Adam Smith e Marx. Quem sabe? Nobody knows.

Na bonança pós-crise vamos ter comunismo com liberdade, ou seja, o patrão será o Estado e todos terão emprego e estabilidade. Mas poderão falar mal do governo e viajar nas férias. Legal né?

O problema vai ser dos banqueiros.

Quando o banco falir não vai haver Banco do Brasil para comprar, como aconteceu recentemente com o Banco Votorantim. Se fosse no tempo dos tucanos o socorrinho de bilhões seria taxado como escândalo. Agora foi apenas um passo rumo ao socialismo.

Viva o Brasil, entra ano, sai ano e tudo continua a mil. Os ricos cada vez mais ricos dão vivas ao Lula. Felizes e contentes sob o céu azul da cor do anil.

Brasil

Farra Social Mundial

por Guilherme Fiuza (Clique aqui e leia o original)
Você, que espera ansiosamente todos os anos para ouvir a ladainha de Noam Chomsky, Bernard Cassen, Tarik Ali e outros quixotes do embelezamento do oprimido, agora tem uma motivação a mais.


O Fórum Social Mundial, também conhecido como clube das lamúrias politicamente corretas, este ano será realizado com o seu dinheiro.

O governo brasileiro, um dos protagonistas do guevarismo chapa-branca que avança na América do Sul, resolveu estatizar a esquerda fashion week. Nada mais coerente. Se o Fórum Social Mundial é contra o mercado e o capitalismo, já era hora de atarraxá-lo à teta estatal.

Lula pegou só mais 80 milhões de reais dos impostos que você paga para bancar a festa na Amazônia.

Realmente, não era justo esse spa ideológico contra o neoliberalismo continuar sendo bancado por ONGs revolucionárias. O poder foi conquistado justamente para extorquir o contribuinte burguês.


A pauta geral do encontro é a crise da civilização. A recessão mundial será saudada com retórica triunfalista, na linha “Brizola tinha razão”. O capitalismo bambeia, Bin Laden não morreu e chegou o dia de filosofar sobre o nada às custas do Estado.

E ainda dizem que o paraíso não existe.

Imprensa

O que de fato importa

Sidney Borges
Enquanto os jornalões e os sites dos jornalões discutem as peripécias amorosas da Luana Piovanni ou o novo corte de cabelo do Ronaldo Fenômeno fico a matutar sobre o interesse que há nessas notícias. Talvez mascarar a realidade, tirar do povo bobo que sempre quer ter algo novo a atenção. O que de fato importa fora o bem-estar pessoal? A vida sexual dos outros? O povo ri de tudo, mergulha nas novelas e aceita com naturalidade que um político receba um salário minguado e multipique seu patrimônio de forma exponencial. O ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, "Maverick", esteve recentemente na berlinda por conta de um divórcio litigioso. A fortuna que o "gorducho" exibe é no mínimo estranha. Ele fez carreira como político, cujos salários não enriquecem ninguém. Não há registro de que tenha recebido grande herança, nem ganhado na loteria inúmeras vezes, como conteceu com alguns deputados de muita sorte. No entanto a massa o vê passar coberto de ouro, balançando a pança e sorri satisfeita. Não vou me alongar muito, circula um e-mail na rede falando sobre a Receita federal cruzar informações com a finalidade de identificar sonegadores. O e-mail me foi enviado na forma de advertência, como se eu tivesse algo a esconder, medo de ser apanhado por fraude. Não corro esse risco, mas os que costumam receber comissões e não declarar podem se preparar para explicar ao Leão de onde veio o dinheiro. Ah, dirão os idiotas da objetividade, sempre haverá laranjas para assinar confissões. Pois eu digo que esses merecem pagar dobrado, vão mofar na cadeia por serem além de tudo burros. Acobertam criminosos e comem migalhas. O cerco aos que exercem o poder de forma a aumentar o próprio patrimônio, em detrimento do bem estar da população, está se fechando. Quem viver verá. Poucas são as fortunas dos inúmeros milionários do Brasil que foram amealhadas de forma honesta. Posso citar algumas... ahn... aquela... como é mesmo? Memória, o passar do tempo afeta a memória.

Política

PSDB exige de Sarney compromisso contra 3º mandato de Lula

Por Christiane Samarco, da Agência Estado:
A tendência do PSDB é votar em José Sarney (PMDB-AP) para presidente do Senado, mas, para obter a promessa de voto fechado dos 13 senadores tucanos, o candidato terá de assumir, segundo informação de líderes tucanos, um compromisso público com o partido: o de barrar qualquer iniciativa de governistas em favor do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bancada de senadores do PSDB reúne-se às 11 horas de quarta-feira, 28, para fechar a lista de exigências políticas e de espaço de poder no Legislativo, que será encaminhada ainda amanhã a Sarney e ao candidato petista à presidência da Casa, senador Tião Viana (AC)."

Como temos sérias dúvidas sobre as intenções democráticas de vários setores do governo, queremos saber dos candidatos se tentativas golpistas teriam êxito", antecipou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele e o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), se encarregarão de procurar Sarney e Viana para apresentar as postulações do partido. "Queremos um presidente com sinceros compromissos democratas e de respeito às minorias e ao direito de voz da oposição, que não pode ser mutilada no Congresso", afirma Guerra.

Não só. Os tucanos querem também comandar a primeira vice-presidência da Casa, a terceira secretaria, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Relações Exteriores (CRE). E não será nada fácil fechar este acordo, uma vez que, além das disputas internas, há brigas entre os partidos pelas comissões técnicas e pelas 11 vagas na Mesa Diretora. A cadeira de primeiro vice-presidente, cobiçada por petistas no caso de Tião Viana perder a presidência para Sarney, está sendo disputada pelos tucanos Marconi Perillo (GO) e Álvaro Dias (PR).

Apesar de boa parte dos tucanos afirmar que prefere o perfil de Viana ao de Sarney, todos admitem, nos bastidores, que fica difícil negar apoio ao PMDB para votar em um candidato petista. Além da dificuldade de explicar o voto à opinião pública, há resistência das regionais do partido, por conta do agravante da disputa entre petistas e tucanos nas bases, Brasil afora.

Se a decisão da bancada confirmar a tendência majoritária, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), terá de administrar um velho adversário no Senado e, pior, ainda corre o risco de não emplacar um aliado antigo na Câmara. Embora o PSDB da Câmara tenha fechado oficialmente com a candidatura do presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), a contabilidade tucana revela que o peemedebista tem hoje algo em torno de 35 votos dos 59 tucanos. Uma dezena deles admite, reservadamente, que votará no candidato Aldo Rebelo (PC do B-SP), e o restante diz que prefere Ciro Nogueira (PP-PI).

Nota do Editor - Esse compromisso me faz lembrar do escorpião pedindo carona ao sapo para atravessar o rio. O final da história todos sabem. Sarney só tem compromisso com Sarney. Dizem por aí que é de autoria dele a frase conservacionista: "Foda-se o mico-leão dourado". (Sidney Borges)

Arquitetura

Edifício Vilanova Artigas - degradação

Benedito Lima de Toledo
O estado de degradação a que se viu conduzido o Edifício Vilanova Artigas, sede da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), é fato que se alinha entre os crimes contra o patrimônio da humanidade. Reconhecido internacionalmente por seu caráter inovador, surpreende por seu estado atual. Regularmente nele são ministrados cursos de restauro e preservação de bens culturais. Hoje parecem esquecidos os princípios que regem os graus de intervenção em monumentos históricos, a saber: preservação, conservação, reparo e restauração.


Preservação entende-se como atividade permanente, referida, por vezes, como "lição de casa". Conservação vincula-se à profilaxia, como detecção imediata de vazamentos ou imunização de componentes suscetíveis a ataques de térmitas. Reparo constitui intervenção mais complexa, a exemplo da substituição de elementos degradados, preservando-se sempre harmonia do conjunto. Por esse método e seguindo a sequência referida, provavelmente não se tornará necessária atingir o terceiro e mais complexo grau de intervenção: a restauração.

O conceito moderno de restauração foi formulado por Camillo Boito (1836-1914) em 1883, durante congresso realizado em Roma. Os princípios essenciais em que se baseia esse conceito foram assim sumarizados por Renato Bonelli.

"1. Os monumentos têm valor não somente para o estudo arquitetônico, mas como uma evidência da história dos povos e das nações e, portanto, devem ser respeitados uma vez que qualquer alteração é enganosa e conduz a deduções erradas.

2. Os monumentos devem ser consolidados antes que reparados; reparados antes que restaurados. Adições e renovações devem ser evitadas.

3. Se adições forem indispensáveis por razões de estabilidade ou por outras razões absolutamente necessárias, elas deveriam ser executadas com base em dados seguros e com diferentes características e materiais, mantendo-se, ao mesmo tempo, a aparência do edifício.

4. Adições feitas em diferentes épocas devem ser consideradas parte do monumento e conservadas, salvo se forem causa de obstrução ou alterações."

A doutrina conheceu uma difusão muito lenta. Somente em 1931, na Conferência Internacional de Restauração de Atenas, seus princípios foram consagrados. A sistematização e a modernização desses conceitos devemos a Giovannoni (1873-1947), seu principal propagador e um dos mentores da Carta de Atenas. Para Giovannoni, o monumento não pode ser dissociado do seu meio. É conceito de entorno. A condição de monumento se estende à cidade.

Cesare Brandi (1906-1988), arquiteto e crítico de arte, foi um dos responsáveis pela fundação do Instituto Central de Restauro de Roma, instituição onde se formulou uma Teoria do Restauro, impropriamente chamada "restauração científica". Nela vamos encontrar uma definição de restauração, geralmente aceita como mais abrangente: "Restauração de uma obra de arte pode ser definida como o reconhecimento metodológico de uma obra de arte em sua forma física e em sua dualidade estética e histórica, com vista à sua transmissão ao futuro." Após considerar diversos fatores intervenientes, Brandi acrescenta que "o equilíbrio desses requisitos, frequentemente opostos, conduz ao segundo princípio de restauração: deve-se visar o restabelecimento da unidade potencial da obra sem cometer uma falsificação artística ou histórica e sem obstruir qualquer traço da existência da obra ao longo do tempo".

Em nosso país é hábito percorrer caminho inverso ao proposto por Camillo Boito em 1883. No geral, começamos pela restauração e, ainda assim, quando pressentimos ruína iminente. Justificativa usual: "Não há verba." Nem interesse pela cultura, poderíamos acrescentar.
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Nota do Editor - A leitura do texto do professor Benedito Lima de Toledo nos remete a um problema agudo do patrimônio arquitetônico de Ubatuba. O Casarão do Porto. (Sidney Borges)
 
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