sábado, janeiro 17, 2009

Mulheres no poder


Acima a poderosa da Argentina, Cristina Kirchner e, ao seu lado, a poderosa da Ucrânia, Yulia Timosshenko. Se fosse futebol, seis a zero para a Ucrânia. Abaixo a ministra Dilma antes e depois da reforma. Querem a minha opinião? Gostei. A "Nova Dilma" me parece mais feminina. Perdeu o ar de guerrilheira. Nos tempos de movimento estudantil diziamos que da burguesia queríamos o poder e as mulheres. Vinícius de Moraes ia além: "as muito sem meias que me perdoem, mas elegância é fundamental". Bingo! (Sidney Borges)

Coluna do Sábado

Democracia em concordata

Sidney Borges
Dois assuntos tomaram conta da imprensa nos dias desta semana. O avião que pousou na água e o refúgio concedido ao italiano Cesare Battisti. Do primeiro fica a pergunta no ar: o que fez com que os motores parassem? A resposta não deve demorar, o acidente deixou testemunhas. Por incrível que possa parecer não há uma única vítima a lamentar. Quando acontece um fato tão incomum a televisão fica repercutindo e muito do que é apresentado não faz sentido. Por exemplo, à guisa de comparação mostraram o pouso desastrado de um avião no oceano Índico. O piloto não conseguiu nivelar as asas e tocou a água com a ponta da asa esquerda. A desaceleração produziu forças que partiram o avião ao meio. Entre os mais de 100 mortos mortos estava o seqüestrador. O que ele queria? Não importa, terroristas querem atenção, são eternas crianças carentes. O piloto pouco pode fazer, tinha os olhos turvados pelo sangue que vertia da cabeça aberta por um golpe de machado. Sobre o segundo tema, a concessão de refúgio ao italiano, não há muito a dizer. Se, como afirma a Justiça da Itália, país democrático e soberano, ele foi o autor dos crimes que lhe são imputados, é um assassino e deve ser punido. O ministro Tarso Genro pensa diferente. No cerne da decisão está a "causa". A prática de expropriações revolucionárias, ainda que com efeitos colaterais, é válida, desde que tenha a chancela da esquerda. O que são três ou quatro mortos e um tetraplégico frente à grandeza da revolução proletária? Enfim, quem pratica a ação sofre a reação. A decisão polêmica vai refletir na carreira política de Tarso Genro. Se para melhor ou pior não arrisco palpitar. Sei apenas que foi criado um divisor de águas. Como no dia em que Xerxes atravessou o Helesponto. No caso dos boxeadores cubanos a decisão do governo foi cirúrgica. Os traidores ousaram pedir asilo do paraíso de Fidel. Foram deportados. Como Olga Benário. Tentei explicar à minha sobrinha que há deportações e deportações. Ela não entendeu, é muito jovem para compreender as artimanhas da dialética marxista-leninista. Continuo acreditando na democracia, mas não mataria por ela. Se a ditadura do proletariado acontecer eu fujo. Vou para Roma. Pedir refúgio e garantir o meu sagrado direito de ir e vir, coisa que os comunistas nunca conseguiram dar aos habitantes de seus paraísos. Viva a democracia.

Opinião

O que Chávez quer, Lula deseja

Editorial do Estadão
Em dezembro de 2007, a maioria dos eleitores venezuelanos infligiu ao coronel Hugo Chávez sua maior derrota política, rejeitando em referendo o projeto de uma constituição que, além de institucionalizar o "socialismo do século 21", permitia ao caudilho transformar-se em ditador vitalício. Chávez nunca se conformou com a derrota. No dia 30 de novembro do ano passado, determinou aos deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela que iniciassem a tramitação, na Assembleia Nacional, de uma emenda constitucional que permitisse a reeleição indefinida do presidente da República.

Hugo Chávez tinha pressa. Determinou que o projeto devia estar pronto em dezembro, aprovado pela Assembleia em janeiro e referendado em fevereiro. As duas primeiras etapas do plano continuísta foram cumpridas a tempo e a hora. Nessa quarta-feira, a Assembleia concluiu a votação em segundo turno, promulgou a emenda e remeteu-a ao Conselho Nacional Eleitoral, para que convoque o referendo para o dia 15 de fevereiro. Isso foi possível porque a Assembleia Nacional é controlada por Chávez. Dos 167 deputados, 6 votaram contra o projeto e 5 se abstiveram.

O caudilho tem motivos para tanta pressa. Seus índices de popularidade são altos - em torno de 60% -, mas os índices de aprovação de seu governo, caracterizado pelo descalabro administrativo e pelo descontrole financeiro, estão em franco declínio. Enquanto estava alto o preço do petróleo - produto responsável por quase 70% das receitas do país - era possível mascarar as deficiências do governo. Mas agora, com o petróleo valendo pouco mais da metade do necessário para cobrir as extravagâncias orçamentárias de Chávez, os problemas adquirem a sua exata dimensão - e o desemprego, a inflação e a escassez de produtos essenciais são fatores de crescente desprestígio do regime bolivariano, que se acrescentam ao descontentamento causado pelas restrições cada vez maiores das liberdades civis.

O caudilho trata de impregnar todos os aspectos da vida venezuelana com a abstrusa ideologia do socialismo bolivariano, mas ele mesmo é, antes de tudo, um pragmático. Sabe que seu projeto político não resistirá a uma prolongada crise econômica e social e por isso adota estratégias de sobrevivência.

Até meados do ano passado, desenvolveu um amplo programa de estatização das principais atividades produtivas. Nacionalizou, por exemplo, as operações petrolíferas da faixa do Orenoco, deixando as empresas privadas que trabalhavam na área com participações minoritárias - oneradas, além disso, por pesados impostos e royalties - e passando o seu controle para a estatal PDVSA. A PDVSA, por sua vez, foi transformada numa enorme holding - que controla supermercados, fábricas de cimento, estaleiros e empresas de construção civil - que também financia os projetos sociais e as aventuras da política externa bolivariana. O resultado disso foi a queda da produção de petróleo: quando Chávez assumiu o poder, há dez anos, o país produzia 3,4 milhões de barris/dia; hoje, produz 2,3 milhões.
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Manchetes do dia

Sábado, 17 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Maior banco dos EUA recebe ajuda de US$ 117 bilhões"
O governo dos EUA ofereceu ao maior banco do país, o Bank of América, ajuda de US$ 117,2 bilhões, somando injeção de capital e garantia de perdas – quase 9% dos bens e das riquezas produzidos pelo Brasil em 2007. Em outro sinal da grave crise no setor, o Citigroup confirmou que será dividido em dois: uma “parte boa”, com operações como as de banco comercial, e outra de “ativos arriscados”, como corretoras e financeiras. O socorro é visto como compensação pelo fato de o Bank of América não ter desistido da compra do Merrill Lynch, adquirido em setembro por US$ 40 bilhões. Naquele mês, a concordata do Lehman Brothers e o empréstimo bilionário do governo à AIG fizeram a crise global se agravar. Hoje, o Bank of América alega que a deterioração dos ativos do Merrill Lynch era “muito maior” do que se imaginava. As autoridades americanas discutem a criação de um banco governamental que compraria ativos “podres” em poder das instituições financeiras, como os do setor imobiliário.


O Globo
"EUA socorrem bancos mas ações continuam em queda"
Após uma semana de fortes perdas nas ações do setor bancário, o governo americano anunciou socorro de US$ 20 bilhões ao Bank of America (BofA), além da garantia de US$ 118 bilhões em ativos. Mesmo assim, suas ações caíram 13%. O Citigroup informou que será dividido em dois - uma parte bancária e outra de corretagem e gestão de ativos, que absorverá US$ 301 bi de recursos públicos -, dentro de um pacote lançado ontem depois que o banco informou perdas de US$ 3 bi no último trimestre do ano. Suas ações caíram 3%. Em Londres, o Royal Bank of Scotland caiu 13% na bolsa e os papéis do Barclays tiveram queda de 25%. O dia só não foi pior porque, na expectativa da posse de Obama, na terça-feira, o Dow Jones subiu 0,84%. A Bovespa teve alta de 0,49%.


O Estado de São Paulo
"Crise bancária se agrava nos EUA"
Duas das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos anunciaram ontem perdas bilionárias, aprofundando a crise bancária americana. O Citigroup teve prejuízo de US$ 8,29 bilhões no quarto trimestre de 2008. No mesmo período, o Bank of America perdeu US$ 1,79 bilhão. Numa reação às dificuldades, o Citigroup divulgou os detalhes do plano de reestruturação que vai dividir a instituição em duas partes. Informou, ainda, ter finalizado os termos do acordo pelo qual o Tesouro dos EUA vai garantir eventuais perdas até o limite de US$ 301 bilhões. O Citi acumula prejuízos há cinco trimestres consecutivos e já demitiu 50 mil trabalhadores. No caso do Bank of America, o governo confirmou a liberação de uma ajuda adicional de US$ 20 bilhões. Além disso, comprometeu-se a bancar perdas de até US$118 bilhões. A maior parte dessas garantias se refere a ativos do Merryl Lynch, comprado pelo Bank of America em setembro, em negócio estimulado pelas autoridades americanas. Apesar da ajuda oficial, as ações do Citigroup caíram 8,62% e as do Bank of America, 13,8%.


Jornal do Brasil
"Esperança de cessar-fogo"
Em seu último dia como secretária de Estado, Condoleezza Rice assinou documento pelo qual os EUA se comprometem a impedir que o Hamas receba armas contrabandeadas pela fronteira do Egito. Esta era uma das pré-condições para que Israel aceitasse o cessar-fogo, que deve ser votado ainda hoje, pelos deputados israelenses. À noite, haverá uma reunião do Gabinete de Segurança.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Tiro no pé é pouco...

Mais do caso Battisti

CartaCapital, que está nas bancas paulistanas desde a manhã de hoje, refere-se ao caso Batistti. A idéia central é a de que Tarso Genro cometeu um desatino colossal, e não se sabe bem porque. O desatino se articula a partir de uma premissa claríssima: Cesare Battisti, ex-terrorista, não foi condenado na Itália por causa das idéias políticas que professava nos anos 70, e sim porque matou pessoalmente três pessoas e mandou matar outra, entre elas um joalheiro submetido a uma “expropriação proletária”. O nosso ministro da Justiça desafia o Estado e o povo italiano ao contestar uma decisão passada em julgado, tomada por um tribunal estrangeiro. E também ao afirmar que, devolvido à Itália, o criminoso corre até risco de vida, como o próprio disse em entrevista à revista Época organizada pelo advogado Greenhalgh. Equivale a dizer que o Estado italiano não tem condições de proteger os seus encarcerados. A posição tomada por Tarso Genro é erro gravíssimo, ofende as leis internacionais e já cria uma crise diplomática séria. Os italianos percebem o alcance da afronta, do governo à oposição, da opinião pública à mídia. Da direita à esquerda. É um coro de protestos, com a singular característica, para a Itália atual, de unir a todos. Pergunto aos meus estupefatos botões que gênero de pressões pode ter levado o ministro Genro ao passo falso? Ele teve resistências dentro do seu próprio ministério, e a firme oposição do Itamaraty. A melancólica conclusão dos botões: nada se enxerga, além dos interesses de um pequena grupo de resistentes de uma esquerda obsoleta e corporativista, hoje empenhada sobretudo em ganhar dinheiro, e ainda muito influente nas mais altas esferas do poder político e econômico. É certo que ali o senador Suplicy é figura mínima. (Do Blog do Mino)

Battisti

Qual será o intuito?

Maria Helena Rubinato
Ouvi ontem o Chanceler brasileiro dizer que o Brasil é um país que não tem arestas com ninguém, por isso é bem recebido e ouvido por todos. É verdade (ou era), nunca fomos alvo de preconceito, mesmo porque não tínhamos pendengas com nenhum país. Não tínhamos...


A outra parte da afirmação, “ouvidos por todos”, além de meio exagerada, veio perdendo o impulso que alguma vez teve. E não creio que os últimos acontecimentos venham melhorar nossa situação.

Se houvesse ao menos uma explicação lógica para o asilo a um cidadão italiano, julgado e condenado pela Justiça italiana, uma só, quem sabe nosso país continuaria benquisto? Porque com a Itália, acabamos de criar arestas e farpas bem agudas. Justo com um país que nunca fez mal ao Brasil, muito pelo contrário. E que deu cidadania à senhora do Presidente LILdaSilva, em tempo recorde! E deu também cidadania italiana à senhora do último Ministro da Cultura, senhora Flora Gil. Foi retribuição a essas gentilezas?

Resolvi consultar o que diz o “L’Unitá” on line. O mais importante e influente jornal da esquerda italiana, fundado por Antonio Gramsci em 1924, imagino que não vá ser contestado por essa esquerda de fancaria que por aqui viceja.

A nota do jornal não difere das notas no “La Reppublica” ou no “Corriere della Sera”. É noticiosa, apenas: “A decisão de negar a extradição pedida pela Itália”, explica o Ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, “se baseia no temor de que o apenado seja alvo de perseguição por sua opinião política”. Continua relatando o que já sabemos e que foi amplamente divulgado: que o terrorista era membro do grupo “Proletários Armados para o Comunismo”, foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios, durante muito tempo refugiou-se na França, graças à doutrina Mitterrand, mas quando essa foi abandonada, veio se esconder no Brasil.

Relata a decisão do Conare, repete uma frase dita pelo italiano a um semanário brasileiro (que não identifica), quando ele diz temer ser assassinado se fosse extraditado para seu país. Como é um jornal on-line, pedindo perdão mentalmente ao Sarca, fui ler os comentários. E me diverti à grande, apesar do assunto árido. Têm até um comentarista que brada por coerência! Lembra alguém do nosso pequeno clube? Se alguém achar que escolhi os que apóiam o que penso, que vão lá ler. Vão se surpreender.

“1) Não compreendo os que defendem Battisti. É um assassino culpado de quatro homicídios. Está na hora de acabarmos com esse protecionismo, seja de direita ou de esquerda, ou neutro, como podia ser considerada a doutrina Mitterrand. Battisti fugiu da França porque estava para ser extraditado para a Itália. E é inconcebível a decisão do ministro da Justiça do Brasil. Battisti é um homicida banal (de fato!) que cometeu seus crimes durante assaltos com armas. Essa recusa brasileira me incomoda muito e me faz perder a simpatia que nutria pelo Lula.

2) Aos defensores do corajoso Battisti. Desculpem, mas se vocês estão convencidos da inocência de Battisti, como explicam ele ter fugido da Itália e depois da França? Não podia ficar e explicar seus motivos e a sua inocência? Geralmente, os que fogem é porque têm a consciência suja.

3) O que faremos agora? Vamos perdoá-lo? Trazê-lo de volta, talvez arranjar-lhe um emprego, coisa que tantos estão tentando arranjar neste momento? A desinformação é perigosa: Battisti é um assassino e como tal deve estar preso. O que quer dizer esse comentário de (cita um nome, provavelmente cortado pelo moderador local)? Há uma sentença que o condena por 4 homicídios cometidos em nosso país e que deve ser respeitada. Não podemos invocar a justiça apenas contra nossos adversários políticos e ou contra os que não pensam como nós. Um pouco de coerência, por favor. Acho absurdo que em pleno 2009 não estejamos de acordo ao menos sobre um caso como esse; em minha opinião, ninguém pode pensar de modo diverso. Battisti na cadeia!

4) Mas como é que podemos nos surpreender quando a centro-esquerda na Itália vence sempre, se alguns leitores (por sorte, poucos) de um jornal da esquerda extra-parlamentar (como se dizia antigamente) defendem assassinos que mataram policiais e açougueiros (nenhum nobre ou da alta burguesia!) Incrível, Grotesco e Deprimente.

5) Lula não compreendeu nada. Battisti é um assassino e pronto. Deve cumprir sua pena. Nunca se arrependeu e continua a ser protegido: um absurdo.

6) Cesare Battisti merece ficar preso na Itália para cumprir a pena prevista em seu julgamento; aquele que atira contra um ser vivo é um velhaco criminoso. Falo como homem que sempre tomou posição, que acredita na política de esquerda, que da Constituinte até hoje sempre defendeu ardentemente os princípios e os valores da liberdade, da democracia, e do estado social e de direito, refiro-me ao comunismo e, portanto, ao Partido Comunista Italiano com o qual todos temos um débito e do qual ficamos órfãos, mas que serve até hoje como modelo e exemplo”.

Isso pensam os leitores do L’Unitá. Já o senhor LILdaSilva pensa que um simples exilado (sic) não vai perturbar o bom relacionamento do Brasil com a Itália... E o senhor Celso Amorim acredita que somos muito queridos em toda a parte.

E eu fico com muita pena de não saber iídiche ou árabe ou farsi, para ler os jornais do Oriente Médio. O dado concreto é que deve ser extraordinário ler sobre a tournée do Chanceler e ver como naquela região, ao menos, estamos muito bem cotados. Minoraria a tristeza que ler os jornais italianos despertou em mim. (Do Blog do Noblat)

Colunas do Ubatuba Víbora

A partir da próxima quinta-feira o Ubatuba Víbora terá um novo colunista, o jornalista e publicitário Marcelo Pimentel. Com vocês uma amostra, ou seja, a primeira coluna de quinta-feira que é publicada na sexta-feira. Isso vai acontecer com certa freqüência, dizem por aí que um novo calendário será implantado na cidade. Em Ubatuba tudo é possível, com uma única ressalva, tudo menos oposição. Dá urticária. He, he, he... (Sidney Borges)


Trânsito caótico

Marcelo Pimentel
O crescimento vertiginoso de automóveis nas vias públicas tem provocado constantes aborrecimentos aos motoristas. Por onde se anda encontra-se congestionamentos. Seja nas capitais, como em São Paulo – uma tradição do paulistano – às cidades médias, como Taubaté e São José dos Campos, o número de veículos é infinitamente superior à capacidade de absorção da malha viária.
Como não poderia deixar de ser, Ubatuba não fica ao largo dessa questão. Ao contrário, dia após dia, a cidade enfrenta um novo inimigo a ser combatido, entre tantas mazelas que a cidade já guarda. Não tenho números para dimensionar a frota local, que aumentou sensivelmente nos últimos anos, mas só com essa realidade, Ubatuba já exige um planejamento melhor em seu sistema viário, pensando em longo prazo soluções que possam minimizar o impacto do crescimento da frota.
Mas tem algo muito mais sério a ser combatido: os constantes congestionamentos irritantes na serra que leva a Taubaté. Qualquer feriado de menor impacto já provoca filas intermináveis que têm início no trevo da Rio-Santos até o final da subida da serra, prolongando uma viagem de apenas uma hora e vinte minutos, numa odisséia de três horas, pelo menos.
Foi isso que ocorreu no final do feriado de ano novo. Apesar de todas as tentativas de fugir desse martírio, não teve jeito: mais uma vez tive que amargar uma situação caótica, que não só representa o fim do bom humor de um feriado prolongado, mas também um perigo à segurança dos motoristas, como o ocorrido na volta na noite do sábado, dia 3, quando a Polícia Rodoviária Estadual prendeu dois rapazes em uma moto, presumivelmente prontos para entrar em ação criminosa na serra.
O que, aparentemente, não tem nada a ver com a prefeitura, deve sim passar a ser preocupação dos políticos caiçaras. A cada feriado, mais motoristas revelam seu arrependimento por irem a Ubatuba, dada a volta estressante. É preciso iniciar estudos para viabilizar meios que possam minimizar a situação na Rodovia Oswaldo Cruz. É preciso uma ação mais ativa na Polícia Rodoviária, para que se encontrem mecanismos que possam dar mais fluidez ao tráfego, e com isso, reduzir o sofrimento daqueles que foram a Ubatuba em busca de tranqüilidade e bem estar. E nisso, a prefeitura poderia estar colaborando.
Em tempo: Agradeço ao Sidney Borges pelo espaço concedido, e espero contribuir com debates de interesse de todos de Ubatuba que pensam no melhor para a cidade.

Coluna da Sexta-feira

Saudosa virgindade

Celso de Almeida Jr.
As “Virgens da esquina do pecado” reuniam-se geralmente as sextas e sábados, na avenida Iperoig, em frente ao antigo escritório do Paulo Romero, cruzamento com a Dom João III.


Usávamos repique, repinique, treme-terra, chocalho, reco-reco, surdo e tamborim.

Inspirávamos na turma do Ney, Niltinho, Toninho e outras feras da batucada.


Éramos garotos.

Lembro numa noite em que um grupo de moças animadas, atraídas pela boa cadência, fez cara de decepção. Uma delas comentou que esperava encontrar batuqueiros, digamos, mais nutridos.

Virgens, é claro, éramos nós. Eu, pelo menos, era. Sinceramente, me concentrava no ritmo. Ficava até altas horas curtindo um repertório que cantávamos com alegria contagiante.

Jair Rodrigues, Martinho da Vila, Agepê, Luis Ayrão, Alcione, Beth Carvalho, Noite Ilustrada, Cartola, Paulinho da Viola, Originais do Samba, e tantos outros mereceram a nossa rouca interpretação, pouco afinada, mas vibrante.

No fundo, não só o ritmo, mas as letras nos tocavam. Saboreávamos a poesia.

Quem ouvia, notava o entusiasmo. E se aproximava.

Talvez por isso, numa véspera de Carnaval, a Poty, do Vira Verão, nos contratou para animar a casa. A demissão veio ao final da primeira noite, quando ela percebeu a precariedade do nosso equipamento de som, um amplificador daqueles de vendedor de pamonha, além das constantes investidas das Virgens num isopor exposto na cozinha, lotado de cervejas geladas.

Hoje, espanto-me com a inocência daqueles tempos.

Neste início de 2009, caminhando no Perequê-Açu, flagrei um carro com o porta-malas aberto, rodeado de jovens, ouvindo uma música muito amplificada, onde a cantora, com voz de tudo, menos de virgem, conclamava para que fosse estuprada, surrada, usando um palavreado digno de zona de prostituição decadente.

Moços e moças bonitas, na praia, curtindo um repertório que, confesso, não sei que alegria pode dar.

Eu caminhava sozinho. Na mesma calçada, uma família vinha em minha direção. Foi visível o constrangimento, coroado pelo apertar do passo e um silêncio triste.
Como explicar e aceitar tamanha vulgaridade pública?


Decidi interferir. Encostei no carro, chamei aquele que parecia ser o mais velho do grupo e pedi, reservadamente, que diminuísse o som e explicasse aos amigos os meus argumentos. Ele, muito tranquilo, respondeu: “Tudo bem, tio, foi mal.” Ganhei um sobrinho e certo sossego aos meus ouvidos, pelo menos naquele instante.

Talvez o que falte a juventude de hoje é conhecer coisa melhor. Mergulhados num vazio, agarram-se ao que mais chama a atenção. Quanto mais chocante, melhor. Creio que não conseguem ter prazer com boa música, poesia, comportamentos que integrem, que aproximem, que promovam o crescimento.

Para nós, adultos, cabe a tarefa de orientá-los, ajudando-os a despertar.

Do jeito que está, não sei se nas reflexões que terão no futuro as lembranças serão amenas.

No meu caso, concluo que naquela esquina tinha de tudo. Menos pecado.

Opinião

Decisão desastrada

Editorial do Estadão
Não se pode exigir de um ministro de Estado uma qualidade de atuação que esteja acima de suas próprias limitações. Mas é de se exigir, seguramente, que não atrapalhe - sem razão alguma para fazê-lo, fora o velho ranço ideológico - o governo a que serve e o Estado no qual comanda importante Pasta. Ao dar refúgio a um cidadão italiano, condenado à prisão perpétua por ter assassinado quatro pessoas em sua atividade terrorista, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tomou uma decisão desastrada sob vários aspectos e provocou, desnecessariamente, uma crise diplomática entre o Brasil e a Itália.

Tarso Genro contrariou recomendação expressa do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defendera a extradição do criminoso condenado Cesare Battisti. Desprezou o parecer do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) - órgão consultivo do Ministério da Justiça - que negara o pedido de refúgio de Battisti. Opôs-se ao Itamaraty, que tivera a acuidade de detectar o quanto era importante essa extradição para a diplomacia italiana. O ministro da Justiça fez prevalecer sua opinião pessoal, como se sua expertise (jurídico-internacional? diplomática?) fosse suficiente para solucionar quaisquer problemas "externos" nossos.

O mais grave, porém, é que, ao tentar justificar sua decisão, Tarso Genro arvorou-se em juiz da Justiça italiana, criticando a forma como Cesare Battisti fora julgado e condenado em seu país. Disse ele que o italiano "pode não ter tido direito à própria defesa, já que foi condenado à revelia". Disse também que "há indícios de que o advogado, que defendeu Battisti na Itália, tenha se utilizado de uma procuração falsificada". Como não poderia deixar de ser, o Ministério de Assuntos Estrangeiros da Itália demonstrou profunda contrariedade em relação à atitude do ministro brasileiro. Em nota oficial, além de revelar "surpresa" e "pesar" pela situação, informou que apelará diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deixou insinuada uma ameaça à presença do Brasil na próxima reunião de cúpula do G-8, em julho, na Sardenha - já que atualmente pertence à Itália o comando do Grupo.

Além de manifestar-se através da nota, na qual também revela a "unânime indignação" de todas as forças políticas parlamentares do país, assim como da opinião pública italiana e dos familiares das vítimas dos crimes praticados por Cesare Battisti, o governo italiano convocou o embaixador brasileiro em Roma, o que é a tradução diplomática da crise entre os dois países. Anuncia-se, porém, que o Palácio do Planalto não vai desautorizar o ministro da Justiça, já que Tarso Genro revelara sua posição ao presidente Lula na segunda-feira e dele recebera sinal verde.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Israel ataca prédio da ONU e hospital"
No dia mais intenso em três semanas de ofensiva contra o Hamas, o Exército de Israel voltou a ser criticado ao atingir a sede da agência de ajuda humanitária das Nações Unidas na faixa de Gaza. Também foram alvos de ataques israelenses um prédio que abriga escritórios de jornalistas e um hospital. Nos três casos, houve apenas registro de feridos sem gravidade.


O Globo
"Israel faz 110 ataques e atinge ONU, jornalistas e um hospital"
Em seu maior ataque à Faixa de Gaza, com 110 bombardeios, forças israelenses atingiram ontem a sede das Nações Unidas, um hospital e dois prédios usados pela imprensa. Toneladas de ajuda humanitária foram destruídas pelo fogo no complexo da ONU, deixando revoltado o secretário-geral Ban Ki-moon, que estava em Israel. O porta-voz da agência da ONU em Gaza, Chris Gunness, afirmou à repórter Renata Malkes que todos os sinais indicam que o complexo foi atingido por bombas de fósforo. O premier Ehud Olmert afirmou que Hamas disparou de dentro do prédio, o que foi negado pela ONU. "Este é um incidente infeliz, e peço desculpas", disse. Em outro ataque, Israel matou o ministro do Interior do Hamas, Said Slam. Fontes diplomáticas disseram que Israel analisa os termos para um cessar-fogo aceitos pelo Hamas, que lançou 20 foguetes contra o Sul.


O Estado de São Paulo
"Israel mata líder do Hamas; prédio da ONU é atingido"
O Exército de Israel bombardeou ontem um depósito da ONU em Gaza, em novo incidente com a organização em sua ofensiva no território palestino. O local guardava alimentos para os refugiados. A ação provocou enérgica reação da ONU, de vários países europeus e mesmo dos EUA. O governo israelense admitiu que foi um "grave erro", mas disse que militantes do Hamas estavam atirando de dentro do depósito. As forças de Israel atacaram também um hospital e um escritório de imprensa. Ainda ontem, a ofensiva matou Said Siam, ministro do interior de Gaza e considerado o número três do Hamas. Dirigentes do grupo fundamentalista islâmico propuseram ao Egito um cessar-fogo de um ano se Israel se retirar de Gaza em até uma semana. A chanceler israelense, Tzipi Livni, irá a Washington para finalizar acordo para prevenir que o Hamas se rearme após um eventual cessar-fogo.


Jornal do Brasil
"Montadoras do Rio dão férias coletivas"
Com o setor automobilístico retraído pela crise, as montadoras instaladas no Rio têm optado pelas férias coletivas para não demitirem. É o caso da Volkswagen Caminhões e Ônibus, em Resende, e a Peugeot-Citröen, em Porto Real. Em São Paulo, as centrais sindicais suspenderem as negociações com empresários. Querem a presença da CUT, que não aceita reduzir os salários.

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quinta-feira, janeiro 15, 2009

Terrorista ou idealista?

Duas visões da esquerda sobre um fato:

O caso Battisti

Mino Carta em 13 / 01
Ótima fonte diz que o ministro da Justiça, Tarso Genro, está para manifestar-se a favor do asilo a Cesare Battisti. A fonte, como disse, é ótima, mas espero que esteja errada. Battisti, como já foi fartamente divulgado por CartaCapital, inclusive por um texto de Wálter Fanganiello Maierovitch, o melhor conhecedor entre nós do funcionamento da Justiça italiana, matou pessoalmente três pessoas e foi mandante de um quarto assassínio. Em nome de razões políticas inconsistentes. Foi condenado à prisão perpétua por um tribunal idôneo há muito tempo. Fugiu, e depois de uma passagem pela França, acabou no Brasil, onde está preso, à espera das decisões da Justiça brasileira. Passo por cima das quizílias jurídicas e vou ao ponto. Existe uma campanha a favor de Battisti engendrada nos meios mais ou menos intelectuais de uma esquerda festiva e corporativista. Militam na operação, determinada e capilar, também cidadãos em boa fé, evidentemente prejudicados pela desinformação. Mas os estrategistas não hesitam em omitir fatos e propalar inverdades. Por exemplo: que o pedido de extradição parte do governo de direita de Silvio Berlusconi, quando é do conhecimento até do mundo mineral que partiu do governo anterior, de centro-esquerda. E é a este tempo, aliás, que remonta a primeira reportagem de CartaCapital. Manobras escusas de tal gênero são tanto mais eficazes neste nosso Brasil, tão alheio às vicissitudes sofridas por vários países europeus, sobretudo na década de 70. De todo modo, quem bate recordes em voos da imaginação é o próprio Battisti: em uma entrevista à revista Época, avisa que, se for extraditado, na Itália será assassinado. Talvez suponha que o Brasil em peso foi assistir “Gomorra”.


Cesare Battisti conquista condição de refugiado político

Por REFÚGIO 14/01/2009 às 14:00
O Ministro da Justiça, Tarso Genro concedeu hoje o status de refugiado político ao escritor e ativista Cesare Battisti. Isso significa, na prática, que foi reconhecida oficialmente a perseguição política que Cesare sofre por parte do governo italiano e que sua extradição se torna inconstitucional. Ainda não há previsão, mas Cesare deve sair em breve da Papuda, penitenciária do DF aonde está preso.
Cesare militou no grupo autonomista "Proletários Armados pelo Comunismo" na Itália dos anos 70. Desde que o grupo optou pela luta armada como tática de ataque, Cesare decidiu buscar outras maneiras de atuação e fugiu do país. O escritor sofre de perseguição política desde então: viveu em diversos países clandestinamente e foi condenado a revelia por crimes que não cometeu. Deixou a clandestinidade quando o presidente francês François Miterrand concedeu asilo político a todos/as os/as militantes que abandonassem a luta armada e negou sua extradição à Itália. Quatorze anos depois, quando Cesare já era um escritor policial conhecido e mantinha uma vida estável em Paris, a Itália refez o pedido de extradição à França, dessa vez concedida pelo então Ministro dos Interiores Nicolas sarkozy. Uma vez mais Cesare se encontrava na forçada situação de fuga, clandestinidade, perseguição midiática. Foge para Brasil e é preso um ano depois, no Rio de Janeiro.
A "caça as bruxas" também chega aqui. A Itália pede ao Brasil a extradição do ativista, ainda que o Governo Brasileiro não possa extraditar ninguém por crimes políticos. Mesmo que o caso de Cesare seja explicitamente um caso de perseguição política, seu processo teve demoras inexplicáveis, pareceres favoráveis à extradição quando todos esperavam o contrário e o próprio comitê nacional para os refugiados (CONARE) recusou seu pedido de refúgio, ignorando provas como a declaração pública do ex-Ministro da Justiça Italiano de que todas as garantias de direitos a Cesare eram apenas uma tática para fazer com que o Brasil concedesse sua extradição.
A liberdade de Cesare ajuda a derrubar as grades dos/as presos/as políticos/as do mundo inteiro. Sua vitória sobre as perseguições e prisões é também uma vitória de todos/as nós, que insitimos em lutar por um novo mundo.


Nota do Editor - Não me sinto em condição de julgar se o ministro Tarso Genro agiu certo ou errado ao conceder o asilo. Sei que o Brasil tem uma Constituição a ser respeitada. Se houve erro este será corrigido, se não houve viva a decisão. Sei também que não gosto de terroristas. De qualquer tendência. Suas ações colocam em risco vidas inocentes. (Sidney Borges)

Cyd Charisse e Ricardo Montalban

Ricardo Montalban deixa a Ilha da Fantasia

Sidney Borges
Tottoo, o anão, seria o sucessor, mas não vai assumir por ter se suicidado. Mortos não administram Ilhas. O fato é que os jornais de hoje abriram assim: Los Angeles (EUA). O ator mexicano Ricardo Montalbán, o Senhor Roarke da série de televisão "Ilha da Fantasia", morreu hoje aos 88 anos em sua residência em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, informaram as autoridades locais. Fico triste, o mundo está se tornando chato, nunca imaginei que astros de Hollywood envelhecessem, muito menos que morressem. No vídeo acima Ricardo Montalban exibe seu talento de bailarino ao lado de Cyd Charisse. Quando Deus fez a mulher pensou: um dia vou fazer uma bonita. Planejado e realizado. Com vocês: Cyd Charisse.

Opinião

O ecossistema da propaganda oficial

Eugênio Bucci
Na segunda-feira, dia 12, o jornal O Globo trouxe uma extensa reportagem, assinada por Regina Alvarez, sobre o crescimento da verba do governo federal destinada à publicidade. Em 2009, o Orçamento prevê um total de R$ 547,4 milhões para a Presidência da República e os Ministérios divulgarem o que julgam positivo. O aumento em relação a 2008 é de 35%. São números preocupantes. O dinheiro público, em volumes cada vez maiores, escoa para campanhas cuja finalidade primordial é deixar as autoridades bem na foto. Tanto na administração federal como nos Estados e municípios. O furor da publicidade oficial, que desconhece crises econômicas em sua escalada, constitui um denominador comum entre as principais correntes políticas em atividade no Brasil, à direita e à esquerda.


Basta ver o noticiário. Na mesma segunda-feira, a coluna de Fernando Rodrigues na Folha de S.Paulo informou que o Poder Executivo de São Paulo, entre janeiro e novembro de 2008, gastou nada menos que R$ 110,3 milhões em propaganda. Os telespectadores paulistas sentem isso nos olhos. Foram atropelados por uma avalanche de filmetes enaltecendo os feitos do Palácio dos Bandeirantes. O apetite da publicidade do governo de São Paulo já se fazia sentir no início do ano. "No PPA (Plano Plurianual) enviado à Assembléia, o governo prevê R$ 720.377.473,00 para comunicação social no próximo quadriênio", alertava uma reportagem de Cátia Seabra publicada na Folha Online em 5 de março de 2008.

A regra é a mesma em todo o País. Governar virou sinônimo de anunciar. Antes, o bom governante era aquele que transformava a polis em canteiro de obras. Agora, é aquele que transforma as supostas obras em espetáculo audiovisual. Antes, a imagem ideal de um governante era a do engenheiro, de capacete de plástico na cabeça, vistoriando as construções. Agora, o bom governante tem a imagem de exímio comunicador. Faz mais aquele que sabe comunicar que faz mais. E dá-lhe publicidade custeada com dinheiro público.

Essa publicidade não é de utilidade pública, salvo raríssimas exceções. É proselitismo puro. Em tudo ela se parece com aquela que toma conta do rádio e da televisão em épocas de campanha eleitoral. Na maioria dos casos, as agências e as equipes que produzem as peças para os governos e suas estatais são as mesmas que confeccionam as mensagens dos candidatos. Uma coisa é o prolongamento da outra. A estética do horário político se perpetua por todo o período dos mandatos. O discurso eleitoreiro não cessa. Somos um país em campanha eleitoral permanente.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Fiesp quer cortar jornada e salário sem garantir vagas"
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, afirmou que as companhias terão que demitir se os sindicatos de trabalhadores não fecharem acordos de flexibilização do emprego. Mesmo havendo um entendimento, porém, as empresas não se comprometem a manter as vagas. Segundo Skaf, os setores mais afetados pela crise apontaram a redução de jornada proporcional de salário como a principal alternativa ao corte de postos de trabalho. Força Sindical e Fiesp têm se reunido para criar modelos de acordos.
A conclusão das discussões será divulgada na semana que vem. A central sindical diz que aceita soluções permitidas pela legislação desde que as vagas sejam mantidas. Skaf rebateu críticas feitas pelo ministro do Trabalho Carlos Lupi, às empresas que demitiram após receber incentivos do governo. O IPI é pago pelo consumidor”, disse, em referência à redução do imposto. Para a CUT, que não participou das negociações , a crise provocou uma série de “propostas oportunistas”. Em dezembro, cresceu em mais de 20 mil o número de pedidos de seguro-desemprego registrados pelo Ministério do Trabalho. Dados parciais revelam que foram 4,6% a mais do que em dezembro de 2007.


O Globo
"Demissões provocam atrito entre ministro e empresários"
Um dia após o fechamento do acordo entre a Força Sindical e empresários paulistas para redução de jornada e de salários como forma de evitar demissões, o Presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o ministro do Trabalho,Carlos Lupi, trocaram farpas. O ministro diz que empresas que receberam incentivos fiscais e crédito do governo estão ameaçando demitir. "Estamos analisando que tipo de sanção aplicar e como isso pode ser feito." Skaf desafiou: "Quero saber a lista das empresas que estão sendo salvas. Não é hora de demagogia." A Força propôs redução de salário de 15% mas empresários querem 25%.


O Estado de São Paulo
"Grandes empresas apóiam corte de salários e jornada"
Representantes de 17 das principais empresas do Brasil decidiram ontem, em reunião na sede da Fiesp, propor aos trabalhadores a redução de salários e jornada de trabalho. Eles não estão dispostos a garantir a permanência no emprego para quem aceitar o acordo, como defendem integrantes do governo. Participaram do encontro dirigentes de companhias como Vale, Fiat, Siemens, Embraer, Ambev e Votorantim. Juntas, elas empregam cerca de 20 mil pessoas. A proposta dos empresários divide as centrais sindicais. A Força Sindical está disposta a negociar nos termos propostos pela Fiesp, mas a CUT exige que seja garantido um período de estabilidade para os trabalhadores dos sindicatos que fecharem acordo. "Quem é contra a redução de salário e de jornada num momento atípico desses está a favor do desemprego", afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.


Jornal do Brasil
"Já passam de 1.000 mortos"
Do lado palestino, a conta é de 1.024 mortos na guerra de Israel contra alvos do Hamas em Gaza. Do lado israelense, são 10 os soldados caídos em combate. E na fronteira norte, três foguetes disparados do Líbano atingiram ontem o território do Estado judaico. O Hezbollah, grupo ideologicamente ligado ao Hamas, não assumiu o novo ataque, que ameaça abrir um segundo front no Oriente Médio.Israel respondeu com tiros contra a região de Hasbaya.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Ilhabela


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Equívoco

Processo contra bispo Edir Macedo foi arquivado

Blog do Noblat
Recebi há pouco da assessoria de imprensa da Rede Record de Televisão a nota que segue abaixo:
"A área jurídica da RECORD tem acompanhado o andamento processual da ação judiciária da 4a. Vara Criminal de São Paulo. A direção da RECORD tomou conhecimento da notícia publicada hoje pelo seu Blog "Prisão do bispo Edir Macedo foi expedida", fato que não confere com a realidade. É importante esclarecer que os autos processuais foram arquivados e tanto o acionista Edir Macedo como os demais diretores foram absolvidos da acusação.
Portanto, peço a sua atenção imediata no sentido de corrigir a informação divulgada evitando repercussões equivocadas por parte da Imprensa."


Nota do Editor - Noblat disse, Noblat desdisse. O Ubatuba Víbora divulgou dando o devido crédito ao autor, mas notou que o "furo" não foi noticiado por ninguém mais. Barriga? (Sidney Borges)

Faz sentido

Da realidade

Sartre diz: “o homem é aquilo que decidiu que devia ser”. Aos 20 anos, o famoso compositor mexicano Augustin Lara viu naufragar o navio onde viajava. Durante horas, lutou contra as ondas - jurando a Deus que, se chegasse à praia, esqueceria o passado e começaria nova vida.
Lara chegou numa praia de Tacotlapan, Veracruz. Embora nascido e criado na cidade do México, cumpriu seu juramento - e passou a dizer a todos que Tacotaplan era sua terra natal.
Em 1968, Lara comemorou 70 anos de vida. Vários jornalistas foram à festa em Tacotaplan - e ali, escutaram histórias de velhos que haviam brincado com Lara em sua infância, as ruas onde fez suas primeiras canções. No momento mais importante da festa, o prefeito de Tacotaplan lhe deu as chaves da casa onde nasceu! (Paulo Coelho)

Esperteza

Polícia dos EUA prende empresário que forjou morte em queda de avião

Endividado, Marcus Schrenker teria abandonado o avião que pilotava no domingo.

Da BBC
A polícia do Estado americano da Flórida encontrou o empresário suspeito de tentar forjar a própria morte ao deixar cair o avião que pilotava.
No domingo, Marcus Schrenker, de 38 anos, decolou sozinho a bordo de seu monomotor de Anderson, no Estado de Indiana, em direção à Flórida. Quando sobrevoava o Estado do Alabama, ele fez uma chamada de socorro, dando início a uma grande operação de resgate.
Schrenker foi preso na noite de terça-feira em um acampamento na cidade de Quincy, ao norte da Flórida, depois de ser tratado em um hospital.
As autoridades locais acreditam que ele teria saltado de pára-quedas antes de deixar o avião cair e depois teria escapado de motocicleta.
Ele é acusado de roubar milhões de dólares de investidores e vinha enfrentando problemas financeiros com suas empresas de consultoria, inclusive contraindo uma dívida de US$ 500 mil com uma seguradora.

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Opinião

Mesuras com chapéu alheio

Editorial do Estadão
Já não bastasse a quebra de arrecadação prevista para este ano, como consequência da desaceleração da atividade econômica, as prefeituras terão de fazer mágicas orçamentárias se quiserem cumprir a intempestiva lei federal que estabeleceu o piso salarial de R$ 950 para o professorado brasileiro. O novo mínimo será implantado em duas etapas, com o pagamento de 2/3 do valor fixado a partir de 1º de janeiro e o acréscimo do terço restante em 2010. Projeções elaboradas pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), com base em um levantamento da média salarial do magistério em 398 cidades onde o piso é inferior ao montante determinado pela Lei 11.738, aprovada no ano passado, estimam em R$ 2,4 bilhões o desembolso adicional das prefeituras no presente exercício.

O gasto poderá ser ainda maior se o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento de mérito da ação impetrada por governadores de cinco Estados contra a regra imposta ex-abrupto pela União, mudar o entendimento que prevaleceu no exame da liminar, em dezembro último. Nessa primeira apreciação, o STF entendeu que as vantagens e gratificações auferidas pela categoria devem ser computadas no mínimo profissional. Fosse outra a decisão, em certos casos o salário-base poderia até dobrar. "Foi uma conquista para os municípios", avalia o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, citado pelo jornal Valor. "Mas é uma decisão temporária." O desassossego entre os prefeitos é grande. Eles podem se ver na contingência de pagar as diferenças retroativamente. O STF não marcou prazo para o julgamento definitivo.

A instituição do piso nacional foi saudada pelos membros da Corte como um passo decisivo para a elevação da qualidade do ensino público no País, que passa pela valorização do professor. "Se há uma reforma de primeiríssima prioridade a fazer, é no campo da educação", comentou o ministro Carlos Ayres Brito. "E o ponto de partida só pode ser o piso." Isso não está em discussão. A mesma premissa já havia inspirado o governo Fernando Henrique ao criar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). O que de forma alguma justifica mais essa esperteza do governo Lula de fazer mesuras com o chapéu alheio: o Planalto monopoliza o crédito pela iniciativa meritória e transfere às instâncias subnacionais os respectivos encargos.

Não só isso, como ainda - acentuando a perversão do princípio da solidariedade federativa - impõe as novas obrigações a toque de caixa, sem dar às administrações locais um prazo decente para se adaptar ao novo esquema de gastos. Os prejudicados que se arranjem - deu de ombros o presidente, para todos os efeitos práticos. Os resultados são previsíveis: profunda perturbação das contas públicas municipais, desarticulando a sua estrutura financeira e afetando todas as outras políticas setoriais. Sem falar na forte possibilidade de atropelo da Lei de Responsabilidade Fiscal, em razão do repentino e compulsório aumento das despesas de pessoal das prefeituras - muitas das quais mal-e-mal conseguem se manter dentro dos parâmetros da normalidade fiscal.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 14 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Emprego industrial tem maior queda em 5 anos"
O nível de emprego na indústria brasileira caiu 0,6% entre outubro e novembro passados, segundo o IBGE, na série livre de influências sazonais. Foi o pior desempenho do indicador deste outubro de 2003, quando o país estava em recessão. De acordo com o IBGE, caiu também o número de horas pagas, reflexo de férias coletivas não-programadas. Diante dos indicadores negativos, o Planalto ordenou estudos para que sejam reduzidos ou eliminados impostos para setores com grande emprego de mão-de-obra, um dia depois de a General Motors anunciar a demissão de 744 funcionários. Ainda não há definição sobre quais setores ou impostos seriam atingidos pela nova medida de estímulo. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, chegou a sugerir que empresas beneficiadas pelo governo fossem pressionadas a não demitir. As montadoras, que já pegaram recursos de BNDES e foram beneficiadas pela redução de impostos, como IPI e IOF, estão no alvo das medidas do governo para tentar minimizar os efeitos da crise.


O Globo
"Acordo em SP reduz jornada e salário para evitar demissão"
Um acordo inédito - pelo número de entidades envolvidas, com representantes da indústria, do comércio e da agricultura - foi selado ontem para redução de jornada e de salários. Pelo lado dos trabalhadores, estavam a Força Sindical e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), que representam seis milhões de assalariados em São Paulo. O objetivo é evitar demissões diante do agravamento da crise mundial. Os detalhes devem ser fechados nos próximos dias. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) se recusou a participar da reunião porque não aprova uma negociação única para todos os setores num modelo de acordo "guarda-chuva". Em 2001, a CUT fechou acordo com a Volks alemã para suspender 3 mil demissões em troca de redução de salário e jornada.


O Estado de São Paulo
"Hillary anuncia mudança na política externa dos EUA"
A futura secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, delineou o que deverá ser o pilar da política externa americana no governo de Barack Obama, que assume no dia 20: revitalizar a diplomacia e buscar a cooperação internacional, atraindo para a negociação até mesmo adversários. As declarações, feitas por Hillary ao ser sabatinada no Senado, sinalizam uma ruptura com a era Bush, marcada pelo unilateralismo. "A política externa dever ser baseada num casamento de princípios e pragmatismo, e não em rígida ideologia", afirmou. Segundo Hillary, a estratégia, chamada de "poder inteligente" ("smart power"), combina ferramentas diplomáticas, econômicas, militares, políticas, legais e culturais para costurar soluções globais. No caso do Oriente Médio, ela enfatizou a necessidade de atuar na atual crise entre palestinos e israelenses e indicou a possibilidade de negociar com Irã e Síria.


Jornal do Brasil
"Rio ganha R$ 4,7 bi para linhas do metrô"
O Rio vai receber, até o fim do mês, recursos suficientes para a construção da linha 4 do metrô (Ipanema - Barra da Tijuca) e do Corredor T5 (Barra - Madureira - Penha), além da ampliação da Via Light até a Linha Vermelha e da ligação metroviária entre Niterói e São Gonçalo. O pacote de obras foi apresentado à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que liberará o dinheiro por meio do PAC Mobilidade. A verba, porém, só sairá depois do anúncio das cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo - a presença do Rio é tida como certa.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Coluna da Terça-feira

Saúde Ubatuba. Por um plano municipal de saúde

Maurício Moromizato
Na coluna da semana passada escrevi sobre o planejamento da cidade e sobre a importância da participação popular nos destinos do município desde a fase do planejamento, para que haja um apoderamento dos destinos de Ubatuba por parte de todos os seus cidadãos.
Hoje ofereço aos leitores e cidadãos uma provocação para o debate a respeito da Saúde em Ubatuba.
Inicio com algumas perguntas, a saber: Como estão funcionando os postos de saúde em seu bairro? Existe equipe de Programa de Saúde da Família, com médico, enfermeira, auxiliar de enfermagem e agente comunitário de Saúde atuante? Como está a distribuição de medicamentos no seu posto de saúde? Se você está precisando de exames, há quanto tempo tem aguardado para fazê-lo? Existe tratamento odontológico no Posto de saúde do seu bairro? Como está o atendimento na Santa Casa? E a oferta de transporte para os pacientes que necessitam se deslocar para outros municípios?
Desde a criação do SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS), no final dos anos 80 o Brasil experimenta um avanço nessa questão, sendo o SUS, hoje, com todas as suas carências, o maior e mais abrangente convênio de saúde do País. Sim, porque o SUS é um convênio entre os governos federal, estadual e municipal, para servir todos os cidadãos, que são seus usuários, e que pagam, com seus impostos, pelos serviços prestados. Portanto não é um sistema gratuito e sim, público.
Como mecanismo para evolução do SUS, para seu controle e evolução, foram instituídas esferas de poder a nível Federal, Estadual e Municipal. Sendo assim, temos como instância máxima de poder as CONFERÊNCIAS DE SAÚDE, que servem de base para elaboração de PLANOS DE SAÚDE, que deve ser discutido e aprovado pelo CONSELHO DE SAÚDE. As ações são então executadas pelos GESTORES DE SAÚDE, pagas pelo respectivo PODER PÚBLICO, com contas e ações fiscalizadas e aprovadas pelos CONSELHOS DE SAÚDE. Esse mecanismo, em constante aperfeiçoamento, tem permitido avanços significativos na saúde pública e bem executado pode servir de exemplo para várias áreas da administração pública.
Portanto, a instância máxima de decisão no nível municipal é a CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Geralmente as conferências são quadrienais. Numa Conferência Municipal de Saúde são colhidos os problemas que a população enfrenta, relatados pelos cidadãos em reuniões regionais. Em seguida os dados colhidos com sua respectiva sugestão de solução são sistematizados e ao final, aprovados os mais importantes, em uma grande reunião, com participação de usuários (cidadãos), trabalhadores, prestadores de serviço e gestores. Em Ubatuba temos os resultados da CONFERÊNCIA DE SAÚDE REALIZADA EM 2007, com todos esses dados.
Após a conferência municipal de saúde, o poder público deve confeccionar, em conjunto com o CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE, o PLANO MUNICIPAL DE SAÚDE, que projeta os objetivos do município para os anos seguintes, possibilitando clareza sobre o que se pretende para a saúde pública e controle sobre as ações e recursos a serem utilizados.
UBATUBA NÃO TEM UM PLANO MUNICIPAL DE SAÚDE confeccionado e aprovado segundo essas condições, e precisa urgentemente fazê-lo. É o Plano Municipal de Saúde que permite a obtenção de mais recursos federais e estaduais para a saúde, para investimentos em construção e ampliação da rede pública de saúde, aquisição de equipamentos e materiais e outros mais.
Urge que a Secretaria Municipal de Saúde e o Conselho Municipal de Saúde apresentem um Plano Municipal de Saúde à população da cidade. Além das perguntas acima, cabem outras agora, tais como: Como está a situação da Santa Casa financeira e administrativa da Santa Casa? Quais são os Planos futuros para a assistência hospitalar em Ubatuba? O que será feito na assistência Odontológica? Qual Plano para atuação na questão da zoonose? Como ficará a questão das especialidades médicas na Santa Casa e nos ambulatórios? Qual o papel que será dado às unidades mistas de saúde da Maranduba, Poruba e Ipiranguinha? Como ficarão os convênios administrados pela Santa Casa, como o PSF, Unir e Saúde Mental? O setor da Saúde Pública necessita de recursos humanos. Haverá contratações ou concurso público? Por qual critério?
Como a Saúde é a essência para que todos possamos desenvolver nossas aptidões, nossos deveres e exercer nossos direitos, é desejável que os contribuintes saibam dessas informações, são seu direito, e que o poder público faça “a coisa certa”, que é o seu dever.
Ao Poder Público e ao COMUS, cobro aqui, publicamente, a confecção do Plano Municipal de Saúde, discutido com a população, colocado a público antes de sua aprovação, tecnicamente elaborado, com resposta aos anseios colhidos na conferência municipal de saúde e atualizado por novas consultas. Que siga às diretrizes das instâncias superiores, compatível com o preconizado pela secretaria estadual e pelo ministério da saúde. É obrigação legal tal atitude.
Aos leitores, que como cidadãos, todos estejam atentos a essa necessidade e à possibilidade de melhorar a saúde municipal com essa atitude. Não adianta lembrar-se da saúde só quando se precisa da Santa Casa, de algum medicamento e exame, ou de assistência médica especializada.

Opinião

A ameaça das demissões

Editorial do Estadão
Se discurso oficial criar emprego, o Brasil passará pela crise global com pouquíssimas demissões. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a economia brasileira vai abrir 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada em 2009. Essa estimativa, apresentada há uma semana, foi acompanhada de uma profecia audaciosa: "Em janeiro a situação se estabiliza e em março volta o crescimento forte na área da empregabilidade, que mede o bom resultado de uma economia." Toda pessoa responsável torcerá pelo acerto dessa previsão, mas os dados, neste momento, não justificam muito entusiasmo. Um terço das indústrias pesquisadas no mês passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) planeja demitir pessoal até fevereiro. Essa parcela, 32,5%, é praticamente igual à de janeiro de 1999, quando ocorreu uma das piores crises cambiais das últimas duas décadas.

No Brasil, os efeitos da crise internacional têm sido menos severos, até agora, do que noutras grandes economias, mas os sinais de enfraquecimento da atividade industrial são inequívocos. Houve acúmulo de estoques a partir de outubro, várias indústrias deram férias coletivas e parte dos produtos foi desencalhada graças a cortes de impostos e de preços. As exportações perderam impulso e o mercado interno não foi suficiente, até agora, para compensar o menor dinamismo do comércio exterior.

Até novembro, no entanto, os efeitos da crise no mercado de trabalho foram pouco sensíveis. Nas seis maiores áreas metropolitanas, cobertas pela pesquisa mensal de emprego e renda do IBGE, a desocupação, 7,6%, foi praticamente igual à de outubro, mas sensivelmente inferior à de um ano antes (8,2%). A população ocupada, 22,1 milhões de pessoas, incluía 611 mil pessoas a mais do que em novembro de 2007. A taxa de desemprego manteve-se na altura de 7,5% da população economicamente ativa por quatro meses, a partir de agosto.

Em novembro, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, foram menos favoráveis, mas não receberam muita atenção. Nesse mês, foi contratado 1,27 milhão de trabalhadores e desligado 1,32 milhão. O saldo negativo, 40,8 mil, correspondeu a uma redução de 0,13%.

Os números do Caged e os da pesquisa mensal do IBGE não são diretamente comparáveis. Estes correspondem ao total das contratações e demissões, com ou sem carteira, em seis grandes áreas metropolitanas. Os dados do Ministério do Trabalho têm amplitude nacional, mas só se referem à situação do emprego formal, isto é, com registro em carteira.

Em novembro de 2007, o Caged registrou um saldo positivo de 124,5 mil empregos, quadro bem diferente do observado em novembro de 2008. Os números do mês passado podem ser muito mais preocupantes, segundo as informações extraoficiais antecipadas nos últimos dias. Em dezembro de 2007, a diferença entre contratações e demissões foi um resultado negativo de 319,4 mil. A redução de quadros é normal em dezembro, porque muitos postos abertos nos quatro ou cinco meses finais de cada ano são temporários. Mas em 2008, segundo as notícias antecipadas, os cortes podem ter sido muito maiores, próximos de 600 mil. A diminuição, nesse caso, não terá refletido apenas a variação sazonal da atividade, mas uma rápida piora da situação e das perspectivas da economia.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 13 /01 / 2009

Folha de São Paulo
"GM começa demissões nas grandes montadoras"
A General Motors demitiu 744 funcionários temporários de sua fábrica de São José dos Campos (SP), que tinha 9.300 empregados. É a primeira demissão em massa entre as montadoras de carros instaladas no Brasil depois do agravamento da crise financeira internacional, em setembro de 2008. Segundo a GM, o corte deve-se à redução da atividade industrial em geral e no setor, reflexo da crise. A empresa diz que dará prioridade à recontratação dos demitidos “caso haja retomada dos volumes de vendas”. A decisão acontece após seguidos anúncios de férias coletivas nas montadoras. O vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto não descarta novas dispensas: “Não dá para garantir [empregos]. Quem define é o mercado”. Para sindicalistas, o setor, cuja produção foi recorde em 2008, não tem razões para demitir. Sem dar detalhes, o presidente Lula disse que fará “tudo o que for possível” para gerar empregos. Para ele, além de impedir que o PAC pare, o governo deve “inventar novas obras”.


O Globo
"Prefeituras perdem verba de moradia por falta de projetos"
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê R$ 8 bilhões para urbanização de favelas, construção de moradias e saneamento, mas as prefeituras têm dificuldades para elaborar e executar os projetos dentro das normas exigidas pelo governo federal. Num país em que metade dos domicílios não têm rede de esgoto e onde há um déficit de 7,2 milhões de moradias, além do crescente avanços das favelas, entraves burocráticos e o desconhecimento do programa dificultam o acesso aos recursos. O governo fará um mutirão com os prefeitos para tentar gastar R$ 8 bilhões nos dois últimos anos do mandato do presidente Lula.


O Estado de São Paulo
"Lula prevê trimestre difícil e promete 'inventar' obras"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que o primeiro trimestre é “preocupante" em relação aos efeitos da crise internacional no Brasil. Segundo ele, o governo pretende "tomar a iniciativa de fazer as coisas acontecerem", sobretudo em relação a "empregos, salário e renda". Lula afirmou que "não faltará dinheiro para investimentos" e que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) "tem a responsabilidade de não permitir que pare uma obra do PAC", além de "inventar novas obras importantes". Sem dar detalhes, Lula afirmou que o Planalto está trabalhando com governadores e prefeitos das capitais e vai anunciar novas ações ainda neste mês, principalmente em relação a investimentos. Na sua avaliação, o mundo está sob ameaça de “convulsão social" por causa da crise.


Jornal do Brasil
"Vem aí novo pacote anticrise"
O governo prepara novas medidas para conter os efeitos da crise. O pacote, que sai até dia 23, vai ao encontro do que sugerem analistas, para quem o Planalto deve ampliar investimentos a fim de que o país recupere a confiança. O presidente Lula disse que o primeiro trimestre será "preocupante". A GM vai demitir 744 trabalhadores e o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos (SP) ameaça com greve.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Arte


Bernini
Gian Lorenzo Bernini, reconhecido como o maior escultor do barroco italiano, nasceu em Nápoles, no dia 7 de dezembro de 1598 e faleceu em Roma, em 28 de novembro de 1680. Foi arquiteto, escultor, pintor, e é o maior nome da arte italiana do século XVII, o que, como sabemos, não é pouca coisa...
Como arquiteto, basta lembrar que são dele a Colunata de São Pedro, no Vaticano, e as fontes da Praça Navona, em Roma. Como pintor e desenhista, fez excelentes retratos de papas e santos e projetou suas inacreditáveis obras, algumas das quais veremos durante esta semana. Mas é como escultor, sobretudo, que ele é reverenciado.
Muito religioso, trabalhou de acordo com as conclusões do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, que afirmavam ser função da arte religiosa ensinar e inspirar os fiéis, bem como servir de propaganda da doutrina da Igreja Católica Romana, defendendo que a arte religiosa devia ser inteligível e realista, e acima de tudo, servir como estimulo emocional à religiosidade. Bernini tentou sempre conformar a sua arte a esses princípios.
Contava com o patrocínio de papas e cardeais, mas isso não o impediu de desafiar as tradições artísticas de seu tempo. Seus projetos arquitetônicos e esculturais revelam uma mente inovadora e criativa, no uso de temas e formas, além de um talento extraordinário. O mármore parecia massinha de brincar em suas mãos...
“ O Rapto de Proserpina”, em mármore branco, é uma belíssima estátua, de mais de 2 metros e meio de altura. O detalhe que mostramos hoje é um pequeno exemplo do que esse grande artista conseguia fazer com o cinzel. (Do Blog do Noblat)
Foto: Escultura – O Rapto de Proserpina, 1621/1622 (detalhe)
Acervo da Galleria Borghese, Roma.
Fontes : Lello Universal
www.artchive.com/

Opinião

O silogismo da impunidade

Carlos Alberto Di Franco
O roubo de donativos destinados às vítimas das enchentes em Santa Catarina provocou indignação e também uma discussão sobre os reflexos da impunidade no País. O professor de Ética e Filosofia da Unicamp Roberto Romano disse, em comentário publicado no jornal O Globo, que o comportamento de juízes, políticos e empresários que advogam em causa própria incentiva ações como as dos soldados e voluntários que roubaram alimentos e roupas doados àqueles que perderam tudo o que tinham nas enchentes.


"A gente fica horrorizado. Quando se vê um político dividindo sacos de dinheiro, de forma tranquila, começa-se a achar natural um voluntário separar daquele conjunto o que é melhor para ele. É necessário dar um basta a isso. Quando vamos romper esse ciclo? Quando se banaliza a corrupção se banaliza a culpa. O risco é de que se torne um comportamento epidêmico. Para onde vamos?", pergunta o historiador Marco Antônio Villa. A presidente da Pastoral da Criança, Zilda Arns, disse ter ficado envergonhada com o que aconteceu em Santa Catarina. Para ela, quem rouba donativo não tem firmeza de caráter.

Uma das causas dos crimes e dos desvios de comportamento que castigam a sociedade brasileira é, sem dúvida, a certeza da impunidade. O criminoso sabe que a probabilidade de um longo período de reclusão só existe na letra morta da lei. O Brasil, como bem sabemos, não padece de anemia legal. O nosso drama é a falta de eficácia na aplicação da lei. A Itália, nação também latina e emocional, soube combater suas máfias com notável sucesso. E não falemos nos países anglo-saxões. Lá fora também existe corrupção, só que as autoridades colocam os ladrões na cadeia.

O que a sociedade assiste, em todos os níveis, a começar pelos patamares mais altos, é ao jogo do faz-de-conta e ao triunfo da mais obscena impunidade. O teatro das CPIs, a reeleição de inúmeros corruptos, a novela inacabada dos escândalos que se sucedem e tantas outras bofetadas na cidadania compõem o ambiente perfeito para a institucionalização do crime. A fibra moral da sociedade vai-se desfazendo numa velocidade assustadora. Mas há, estou convencido, causas ideológicas mais profundas para o eclipse da ética e para a explosão das ações criminosas. O relativismo ético, a ausência de limites e a crise da família estão na raiz da patologia social.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 12 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Israel intensifica cerco e se diz perto do objetivo"
O premiê israelense, Ehud Olmert, disse ontem que a ofensiva contra o Hamas está perto de alcançar seus objetivos. Ao mesmo tempo, porém, Israel enviou os primeiros reservistas a Gaza desde o início da operação.


O Globo
"Prefeito baixa decretos para conter expansão das favelas"
O prefeito Eduardo Paes publica hoje no Diário Oficial decretos com o objetivo de conter a expansão das favelas. Um deles visa a firmar convênio com instituições para elaborar regras urbanísticas para que todas as 968 comunidades, até o fim de 2012, tenham por exemplo gabarito máximo.


O Estado de São Paulo
"Fundos privados de pensão perdem R$ 20 bi com a crise"
O patrimônio dos fundos de pensão do Brasil, avaliado hoje em R$ 415 bilhões, encolheu cerca de R$ 20 bilhões em 2008, principalmente por causa da forte queda das bolsas de valores. A avaliação é da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), feita com base em indicadores como o Índice de Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), principal termômetro do mercado acionário no Brasil, que recuou 41% em 2008.


Jornal do Brasil
"Lazer com ordem, na praia e na noite"
A prefeitura volta agora suas baterias para ordenar o lazer do carioca. Ontem, nas praias de Ipanema, Leblon e Copacabana, foram rebocadas kombis usadas como depósito por ambulantes, entre outras ações.

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domingo, janeiro 11, 2009

Sonhos

Domingo ensolarado e modorrento

Sidney Borges
Sonhei que tinha morrido. Não me recordo do quê. Enfarte, acidente, susto, bala ou vício. Fui direto para o céu. A coisa é bem menos burocratizada do que eu imaginava. Um senhor elegante me recebeu, serviu água, cafézinho e me enviou ao portal dos ateus. Lá me deram uma identidade cósmica e um passe para o navio celeste que me levou à definitiva morada. Gostei da casa, estilo despojado, clean, me senti confortável. Bom lugar para passar o resto da eternidade ao som de harpas e trombetas. E cacarejos, será que eu tinha escutado direito? Muitos cacarejos. No quintal dos fundos, encontrei as galinhas. Milhares delas. Sentei-me num banco de madeira e me pus a meditar sobre a vida e a morte enquanto as aves passavam por mim, por cima, por baixo, pelos lados, todas à minha volta. Pareciam me reconhecer. Notei a presença de um pato no meio das penosas. Tive um pressentimento de que as galinhas me eram familiares, como eu era a elas. Em certo momento um galo empoleirado na cerca cantou como que pondo ordem na casa. Chicken a la King. Uma voz ressoou em minha cabeça. Disse alto e em bom som e repetiu algumas vezes, até eu entender. Chicken a la King. Edifício Itália, 1969. Foi o meu pedido num jantar em que eu não me senti à vontade. A galinha, digo o frango abatido em minha honra tinha se transformado em propriedade eterna. Os mistérios começaram a se desfazer, reconheci frangos xadreses, frangos assados, espetinhos, coxinhas, canjas, estavam todos e todas lá, de moela em punho. Satisfeito com a descoberta continuei caminhando a explorar a propriedade. Um lago, que maravilha, eu agora tinha um lago. Ao chegar perto reconheci a taínha da festa do Pedro pescador de 1971. Meus peixes, o lago estava abarrotado de sashimis, sushis e bacalhaus que devorei em gula pantagruélica. Continuei andando, em algum lugar daquele imenso espaço deveriam estar as mulheres. Os latidos da cachorra do vizinho acabaram me trazendo de volta. Sonho estranho, a última coisa da qual consigo me recordar é de uma placa indicativa: alameda dos suinos.

Opinião

Quando dois querem, dois brigam

Editorial do Estadão
Como em toda guerra, no conflito entre Israel e o Hamas não é apenas o embate das forças militares que conta. Guerras são, antes de mais nada, um fenômeno político, e nelas é da maior importância o fator psicológico. Nesse confronto de vontades, vence quem, aconteça o que acontecer, sai com as suas motivações intactas. Israel deveria ter aprendido em 2006 essa lição, ensinada pelo mestre da estratégia Carl von Clausewitz, quando destruiu a máquina militar do Hezbollah, mas se retirou do Líbano como um exército derrotado e desmoralizado. Afinal, o custo de uma vitória militar, principalmente em conflitos assimétricos, como esse entre um Estado e uma organização terrorista - nos quais não é possível atrair o inimigo para a batalha decisiva -, pode ser a perda de apoios externos e a desunião interna do país que obteve sucesso pelas armas - em resumo, a derrota política.

Isso pode se repetir na Faixa de Gaza. O objetivo declarado de Israel é aniquilar a capacidade do Hamas de lançar morteiros e foguetes contra o território israelense. Mas é, também, por meio do isolamento da Faixa de Gaza - privada dos meios básicos de subsistência -, dos bombardeios pelo ar e da invasão por terra, levar a população local a se voltar contra o Hamas, que conquistou o governo do território autônomo em eleições legítimas.

O problema é que tudo conspira contra a consecução desses objetivos. Antes da ofensiva israelense, menos de 20% da população da Faixa apoiava o governo do Hamas. Hoje, o que se sabe pelos depoimentos que chegam da área conflagrada é que a população está, mais do que nunca, unida contra Israel.

A guerra psicológica está sendo claramente perdida por Israel. De 2001 a 2008, o Hamas disparou mais de 8 mil foguetes contra o território de Israel, matando quatro pessoas. A opinião pública mundial jamais se indignou diante desses atos de terrorismo, que se intensificaram a partir de novembro. Desde o início da ofensiva israelense, no entanto, já morreram cerca de 780 palestinos - a maioria civis, mulheres e crianças - e ficaram feridos mais de 3,2 mil. Do lado israelense morreram 13 pessoas, entre elas 10 soldados. Essa desproporção de números reforça a condenação moral que Israel sofre em todo o mundo.

Além disso, é verdade que parte dos arsenais do Hamas foi destruída pelos bombardeios e pelos tanques, mas não há garantias de que os estoques de foguetes não sejam repostos, seja por fabricação própria, seja fornecidos pelo Irã e pela Síria. E o fato é que, se depois de terminada a ofensiva, ainda forem disparados foguetes contra Israel, os palestinos, a opinião pública dos países árabes e muçulmanos e parte da comunidade internacional verão esse feito como uma vitória moral do Hamas.
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Manchetes do dia

Domingo, 11 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Valor de imóvel financiado pode subir"
O pacote habitacional em gestação no governo para tentar evitar uma queda brusca no crescimento econômico poderá elevar dos atuais R$ 350 mil para cerca de R$ 500 mil o teto do valor dos imóveis com financiamento pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
O novo Plano Nacional de Habitação, base do pacote, prevê a concentração de recursos orçamentários e, principalmente, do FGTS para famílias com renda mensal até R$ 2.000. (...)


O Globo
"Favelas crescem 3 milhões de metros quadrados no Rio"
As favelas do Rio tiveram um crescimento de três milhões de metros quadrados entre 1999 e 2008, revela estudo do Instituto Pereira Passos (IPP), um órgão da prefeitura. O levantamento – concluído no fim do ano passado – desmente a tese defendida pelo ex-prefeito Cesar Maia de que ocorrera apenas crescimento vertical das favelas durante a sua gestão. (...)


O Estado de São Paulo
"Total de indústrias dispostas a demitir é o maior desde 99"
Quase um terço da indústria brasileira pretende demitir até o mês que vem. De 1.086 empresas que empregam perto de 1,3 milhão de trabalhadores, 32,5% informaram à Fundação Getúlio Vargas que planejam reduzir o número de operários. Nos últimos dez anos, é o maior índice de companhias dispostas a cortar pessoal. O último pico ocorreu em janeiro de 1999, quando houve mudanças do câmbio fixo para o flutuante. A tendência atual é exatamente oposta à de seis meses atrás, quando 35,7% dos empresários previam contratações no curto prazo. (...)


Jornal do Brasil
"Governo do Rio investiga fraude em Manguinhos"
Desconfiado da existência de um esquema de sonegação fiscal, o governador Sérgio Cabral vai promover o recadastramento de todas as distribuidoras de combustíveis no estado. O alvo principal é a refinaria de Manguinhos, cujo controle acionário foi assumido por empresa comandada por Marcelo Sereno, ex-secretário nacional do PT que chegou a ser envolvido no escândalo do mensalão. (...)
 
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