sábado, janeiro 03, 2009

Peixe das profundezas


Deep Sea Hairy Angler Fish - Nome científico: Caulophryne Jordani

Felicidade

Gente indo. Gente vindo. Gente, muita gente...

Sidney Borges
Faz tempo que não pego um congestionamento. Há três meses fui a São Paulo para não perder a embocadura. Em Ubatuba nunca tive problemas com o trânsito, quando a cidade está cheia ando a pé. Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha, o congestionamento veio a mim hoje de manhã. Veio mas não me pegou. Precavido, matei dois coelhos com um único disparo, caminhei para manter a forma e comprei peixe. E de quebra tive a oportunidade de sentir a emoção reservada aos habitantes das metrópoles. Aquele calor de fritar ovos no asfalto e os carros enfileirados, queimando gasolina e emitindo poluentes. Meus olhos marejaram, estão desacostumados aos gases da civilização. Caminhar faz bem aos ossos e dá tempo para tudo, desde encontrar amigos até ir à feira comer pastel. Na volta havia muitos carros parados nas imediações do Sítio Ressaca, tanto os que iam às praias como os que delas voltavam. Um motorista afoito trafegava pelo acostamento e quase me atropelou. Deve ter ficado bravo. Um réles pedestre, cheio de sacolas, ousou atrapalhar o bólido de 100 mil reais. Na segunda-feira ele irá ao escritório exibir o bronzeado e contar prosa. Espero que vá, pois apressado como estava pode ter virado estatística. No jornal da noite vou saber das estradas. Todo esse alvoroço em nome da felicidade. Fugaz, transitória e efêmera felicidade. Almocei filé de pescada empanado com salada de palmito. Coisa simples, como deve ser a vida de um escritor de província. Estava bom, foi um momento feliz...

Matança ao vivo

Guerra na Faixa de Gaza via internet

Pela primeira vez na história das guerras, é possível assistir no YouTube poucas horas depois vídeos que mostram com precisão recentes ataques aéreos.
O Exército israelense criou dentro do YouTube uma seção que a essa altura já oferece 18 vídeos acessados até aqui 620.231 vezes. O último deles foi postado há nove minutos.
Os vídeos registram o momento exato em que aviões israelenses localizam e destróem alvos do movimento palestino Hamas.
Nas próximas 48 horas estará no ar o Blog da Guerra, alimentado por soldados e pilotos israelenses.
Para acessar os vídeos basta clicar
aqui
O vídeo abaixo foi o mais acessado até agora em três dias - 227.182 vezes (Do Blog do Noblat)

Opinião

A guerra em Gaza

Editorial do Estadão
Em novembro de 2007, o presidente George W. Bush reuniu vários chefes de governo e de Estado em Annapolis, para discutir um plano destinado a resolver a questão palestina. Estabeleceu-se como objetivo a assinatura, até o final de 2008, de um acordo que, definindo as fronteiras do Estado Palestino e as normas de convivência entre os dois povos, levasse a paz duradoura à região. O governo de Israel, embora relutantemente, aceitou a proposta, também acatada pelo líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Tratava-se da primeira tentativa séria e de envergadura de resolver o conflito, desde o fracasso das negociações lideradas pelo presidente Bill Clinton, cerca de oito anos antes - e, por isso, foi recebida com entusiasmo pela comunidade internacional.

Mas o plano de Annapolis não levava em consideração a instabilidade do governo israelense e as profundas divisões internas do movimento palestino. Em junho do ano passado, o governo do primeiro-ministro Ehud Olmert, enfraquecido por uma onda de escândalos, ficou sem condições de negociar com os palestinos concessões que os partidos radicais de oposição consideravam inaceitáveis. Preferiu congelar as conversações de paz a ser derrubado por um voto de desconfiança do Knesset.

A Autoridade Palestina, por sua vez, foi enfraquecida pela disputa interna que culminou com o Hamas expulsando o Fatah da Faixa de Gaza, o que obrigou Mahmoud Abbas a transferir a sede do governo palestino para a Cisjordânia. Ao contrário do Fatah, que negocia diretamente com Israel, o Hamas jamais aceitou as premissas básicas do plano de Annapolis - o reconhecimento do Estado de Israel e a renúncia ao uso da violência.

Com as conversações em ponto morto, Israel e Egito fecharam as fronteiras da Faixa de Gaza e o Hamas ficou isolado. Em novembro do ano passado, o governo egípcio tentou promover a união dos movimentos palestinos. Mas, no último momento, o Hamas se recusou a ir ao Cairo, o que aumentou o isolamento do movimento terrorista entre os próprios países árabes, que apoiavam a iniciativa egípcia.

Com o fechamento das fronteiras, as condições de vida de cerca de 1,5 milhão de palestinos que vivem na Faixa de Gaza se deterioraram ainda mais, e isso se refletiu no apoio popular ao Hamas. Uma pesquisa feita em novembro passado mostrou que apenas 16% dos palestinos apoiavam o Hamas, enquanto cerca de 40% apoiavam o Fatah. O problema é que o apoio popular ao governo da Autoridade Palestina também é pequeno. Apenas 20% da população da Cisjordânia apoia a administração de Mahmoud Abbas, considerada frágil tanto por não ter conseguido manter a união do movimento palestino como por não ter avançado nas negociações com os israelenses.

A ofensiva aérea de Israel contra a Faixa de Gaza, provocada pelo recrudescimento dos ataques com foguetes às cidades do país, está provocando uma consequência indesejada pelo governo israelense. Aumenta não só a adesão interna ao Hamas, como amplia a solidariedade dos países árabes ao movimento terrorista.

O governo israelense está mais preocupado com esse efeito do que com o repúdio da comunidade internacional ao que considera uma resposta desproporcional aos atentados terroristas. Reluta, assim, em desencadear uma operação terrestre contra a Faixa de Gaza, necessária para a destruição dos arsenais do Hamas. O Gabinete teme que suas tropas acabem "atoladas" nos acampamentos de refugiados, envolvidas em uma guerra pouco convencional que a campanha contra o Hezbollah mostrou não ser o forte do Exército israelense - o que acabaria numa matança indiscriminada de civis. Esse seria um preço político alto demais a pagar por uma improvável derrota militar do Hamas.
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Manchetes do dia

Sábado, 03 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Importação cresce e saldo comercial é o pior sob Lula"
Fazenda, pediu mais desoneração dos exportadores. O governo também afirmou que a volatilidade dos preços impede a fixação de uma meta para exportações. Nos cálculos do Desenvolvimento o país deve manter em 2009 a quantidade exportada no ano passado, mas pode haver queda no valor das vendas – há expectativa de redução nos preços neste ano, principalmente nos das commodities. O pior resultado do saldo comercial pesará no fechamento da contabilidade do país. A conta de transações correntes (movimento de mercadorias e serviços entre Brasil e o exterior), que será divulgada neste mês, deve mostrar o primeiro déficit do governo Lula.


O Globo
"Paes encontra R$ 1,3 bilhão em caixa deixado por Cesar"
Após as divergências entre Cesar Maia e Eduardo Paes sobre a situação financeira do município, durante a transição, a secretária municipal de Fazenda, Eduarda La Rocque, disse ontem que a prefeitura tem em caixa R$ 1,3 bilhão, deixado pelo ex-prefeito. Mas o saldo final do caixa ainda é motivo de controvérsia porque o novo governo afirmou que, do total, somente R$ 334 milhões estão disponíveis no Tesouro municipal. A secretária já adiantou que a situação do caixa exige precaução, mas não é um problema. Ela se referia a um possível déficit de R$ 400 milhões apontado pela equipe de Eduardo Paes ainda durante a transição de governo.


O Estado de São Paulo
"Saldo comercial é o menor do governo Lula"
A balança comercial fechou 2008 com superávit de US$ 24,7 bilhões, o pior em seis anos e 38,2% menor que o de 2007. O resultado só não foi pior porque em dezembro as importações caíram mais do que as exportações, como reflexo da alta do dólar. A venda de produtos brasileiros no exterior, que entre janeiro e outubro havia crescido 28% contra igual período de 2007, ficou praticamente igual no último bimestre em relação ao de 2007.
Já o crescimento das importações recuou de 51,6% para 9% depois do pior momento da crise. No acumulado do ano, as exportações totalizaram US$ 197,9 bilhões, cerca de US$ 4,1 bilhões abaixo da meta oficial. Apesar disso, elas foram 23,2% maiores do que o registrado em 2007. Para o governo, o Brasil perdeu menos mercado do que o resto do mundo.
Número: 15% de redução nos gastos de custeio é quanto o prefeito de Curitiba, Beto Richa, determinou ao tomar posse em seu 2º mandato.


Jornal do Brasil
"Futuro indefinido das obras no Rio"
As incertezas sobre o caixa disponível e a imprevisibilidade da arrecadação, devido à crise internacional, abrem uma janela de dúvidas sobre as obras da prefeitura do Rio. No primeiro dia de trabalho, Eduardo Paes anunciou, na Zona Oeste, a construção de uma estação de tratamento de esgoto. O início, porém, dependerá da análise dos contratos acumulados por Cesar Maia. Segundo a secretária de Fazenda, Eduarda laRocque, só no mês que vem se terá uma previsão de quais projetos começarão a ser executados. Além de tomar as primeiras medidas contra a dengue e iniciar o choque de ordem, Paes fez outra promessa: 100 mil casas populares, erguidas na terceira edição do programa Favela-Bairro, com ajuda do BID.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Futebol

Garrincha

Por Carlos Drummond de Andrade
"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

The Pink Panther Original Trailer (Blake Edwards 1963)

Carro dos sonhos



MG-1948

Sidney Borges
Foi pilotando uma máquina igual a essa que atravessei o Estreito de Dardanelos, lotado de tubarões do Mar Egeu, para atacar o povoado de Zarmouf, na Guerra da Criméia. Uma linda camponesa impressionada com meus feitos deu-me o prazer de sua companhia no retorno dos domínios de Morfeu. Noite agitada.

Ano Novo

2009. Quase começando

Sidney Borges
O ano começou a pré-temporada com reforma ortográfica, queima de fogos e posse de políticos. Quanto à reforma, descobri que há um período de carência de quatro anos. Fique tranqüilo, ou melhor, tranquilo. Se você usar o trema de forma indevida não haverá açoite. Imagino que as questões gramaticais da reforma não cheguem a tirar o sono de Nosso Guia. Os esses, o problema são os esses. Israel continua a despejar bombas na Faixa de Gaza. Esse conflito não parece ter solução, temo que ainda vá causar muito choro e ranger de dentes. Em 1967 eu estava no cursinho e pegava carona com dois colegas judeus. Íamos no Aero-Willys cor de areia do pai de um deles. O rádio falava da iminente guerra que seria travada no Oriente Médio, um lugar tão distante da minha realidade como as luas de Saturno. Não era assim para eles, que tinham parentes e amigos em Israel e ficavam preocupados, tensos. Eu lia e acreditava nos jornais que falavam do poderio das forças aéreas árabes, quase invencíveis. Centenas de Migs-21 egípcios não dariam chance a Israel, era questão de tempo. De repente começou a guerra e em algumas horas a aviação árabe foi destruída. No chão. Depois o massacre, Israel venceu em todas as frentes e quando a guerra terminou parecia que a paz seria definitiva. Em 1973 não me surpreendí quando Israel derrotou os vizinhos e recuperou a cidade de Jerusalém. Não vou cansar o leitor, mas o panorama atual não é diferente do que vem acontecendo há 60 anos. Os árabes gritam, esperneiam, atacam e são derrotados. O Hamas não aceita a existência de Israel. O Irã apoia o grupo e está desenvolvendo misseis de longo alcance e tecnologia nuclear capaz de produzir armamentos. No Líbano o Hezbollah continua se armando. Alguns analistas dizem que o grupo é mais poderoso do que qualquer exército árabe, o que me parece uma falácia. O fato é que os foguetes do Hamas atingem Israel. Sem pontaria é verdade, pouco estrago material produzem, mas violam as fronteiras do estado judeu. Se não destroem propriedades, causam medo e insegurança, minam a confiança dos israelenses em seu governo. A reação parece desproporcional. A região controlada pelo Hamas é densamente povoada, nos ataques israelenses morrem mulheres e crianças. As fotos são estampadas nos jornais, o mundo condena a barbárie e pede um cessar fogo imediato. A situação de Israel é difícil: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Pelo que estudei do Oriente Médio tenho certeza de uma coisa. Israel não será destruído, se houver risco o arsenal nuclear será utilizado e o Armageddon bíblico vai fazer sentido. Não se deve cutucar onça com vara curta, a menos que seja uma vara condutora capaz de dar descargas de milhões de volts. Caso contrário as unhadas serão certas e possivelmente fatais. Resta saber se Irã, Hamas e Hezbollah têm cacife para encarar a onça. Será que não existe uma forma de acabar com o morticínio? Se alguém estranhou o título convém lembrar que o ano começa depois do carnaval. Estamos assistindo à preliminar, o jogo de verdade só ao findar dos festejos momescos.

Coluna da Sexta-feira

Pretinho

Celso de Almeida Jr.
Não, prezado leitor, querida leitora. Não corro o risco de amargar algum processo por discriminação racial, demanda atraente para bacharel novo, em abundância nessas terras.
Na menor possibilidade, eu, gato escaldado, alteraria o título para Afrodescendentinho e findaria as esperanças indenizatórias.
O preto a que me refiro não passa de um paninho. Um colete, melhor dizendo, nos moldes dos funcionários da Zona Azul, premiados com o amarelo canário.
A turma que pretendo vestir viria de preto urubu.
Talvez eu recomende dois acessórios, que já flagrei em alguns canarinhos displicentes: chinelão e óculos espelhados. O kit permitiria o impacto necessário à aspereza da tarefa.
Qual tarefa?
Falhei no preâmbulo. Explico.
Confesse. Nós, praianos de bom coração, ficamos ou não ficamos sensibilizados com a sincera lembrança da nossa existência, por distantes parentes queridos, nesta época do ano?
Assim, comovidos, recebemos de braços abertos essa gente de sangue bom, simpática, que, por tempo determinado irá compartilhar a nossa garagem, nossos chuveiros, vasos sanitários, panelas, telefone, colchões, cadeiras e outras miudezas que a grandeza de espírito dispensa revelar.
Avanço agora, na idéia, esclarecendo a tarefa. Um de meus pretinhos, batendo palmas em casa lotada de aparentados, promovendo a contagem física dos excedentes e, instantaneamente, emitindo uma guia: casa número tal, da rua qual, com 8 agregados temporários, R$5 por dia, por cabeça.
Estaria fundada a Zona Roxa, instituição de controle quase soviético.
O roxo inspira-se em apenso masculino, exclusivo de homens de fibra, como deverão ser os pretinhos. Afinal, imagine a reação do acomodado veranista quando receber a guia para recolhimento bancário da inusitada taxa. A zona dispensa explicação. Visite-me num dia desses e descubra o porquê da escolha.
Tenho grande esperança de que meus hóspedes não leiam o Ubatuba Víbora. A quase certeza vem da convicção de que o interesse deles resume-se ao sol, as águas e as areias. Essa franqueza que jorro no teclado não aparece no cotidiano. Dissimulo-a ao máximo, dada a economia de saliva e a língua presa que me cansa argumentar.
Assim, é claro que a estréia desse esquadrão começaria por residência que bem conheço. Nesse dia, simulando surpresa, inescrupulosamente malharia o prefeito por atitude tão arbitrária e inconstitucional. Recomendaria, porém, o imediato recolhimento das taxas, poupando-me de transtornos tributários.
Sonho até, num dia distante, merecer o título de Cidadão Ubatubense, pela fortuna que a idéia agregará ao erário.
Quanto aos pretinhos, aos amarelinhos, aos marronzinhos, ficarão os agradecimentos pela paciência, as desculpas pelo pouco zelo e o pedido de que continuem botando fé nas boas intenções de quem os inventou.

Opinião

No lugar do PIB, uma revolução?

Washington Novaes
O ano terminou com notícias inquietantes sobre a crise financeira mundial e seus reflexos no Brasil - redução das taxas previstas para crescimento econômico em 2009, aumento da dívida pública federal para R$ 1,37 trilhão, menor aumento de renda para as famílias de classe média, desemprego alto. E indagações sem fim sobre a extensão e duração da crise - a que, na verdade, ninguém pode responder com certeza, tal o volume de dinheiro e títulos envolvido e a incapacidade de dizer em que momento terão terminado a "desalavancagem" de ativos "podres" e seus reflexos em cadeia.


Nesse clima, nosso presidente da República se encontrou com o presidente da França para tratar de parcerias entre o Brasil e a União Europeia. Mas praticamente nada se ouviu ou se leu sobre eventuais discussões entre os dois presidentes quanto a tema que se poderá tornar muito relevante: os estudos da Comissão de Avaliação do Desempenho Econômico e Social criada por Sarkozy em 2008 para repensar os critérios do crescimento econômico e bem-estar social, com a participação de notáveis de várias universidades e instituições europeias, asiáticas e norte-americanas, além de representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e Organização Europeia para a Cooperação e Desenvolvimento (OECD, na sigla em inglês), sob coordenação de nomes como Joseph Stiglitz (Prêmio Nobel de Economia, Universidade de Colúmbia), Amartya Sen (também Nobel de Economia, Harvard) e Jean-Paul Fitoussi (Instituto de Estudos Políticos de Paris). É uma comissão que parte do princípio de que os critérios de avaliação das áreas econômica e social por indicadores como o produto bruto e seu crescimento (inferindo, daí, o grau de bem-estar social) são insuficientes, inadequados; será preciso encontrar novos critérios e indicadores para a economia, mas também capazes de avaliar o progresso social e o bem-estar individual. A comissão prevê sua avaliação final para o próximo mês de abril.

É tarefa complexa. Não se trata só de criar mais um indicador. Terá de encontrar caminhos para incluir nos critérios de avaliação questões como as da saúde, do acesso a serviços públicos, da inclusão nos indicadores econômicos do valor do trabalho doméstico não-remunerado, dos custos não-contabilizados do crescimento econômico (as chamadas "externalidades"), da depreciação de equipamentos e instalações. Além disso, a renda e o consumo por residência (e não por indivíduos apenas), a disponibilidade de segurança pública e muito mais. Principalmente a avaliação de questões intrincadas como sustentabilidade dos recursos naturais, assim como dos padrões de produção e consumo.

Nesse caminho há questões complicadas. Só para exemplificar: o orçamento da defesa de um país deve ser considerado como produção, como consumo ou tomando ainda em consideração ângulos complexos como a ética dos orçamentos de guerra? E o orçamento para o sistema prisional? A avaliação da renda pessoal ou setorial deve especificar desigualdades? Deve tomar por base o âmbito nacional, regional ou mundial? No cálculo do produto nacional deve-se deduzir o valor da depreciação dos bens de capital, a depleção de recursos naturais? A descoberta de uma nova mina e sua exploração devem aumentar o cálculo do produto bruto? E a consequente depleção de recursos e a degradação devem reduzi-lo? Como considerar as transferências financeiras internacionais? E a produção de firmas nacionais no exterior?
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 02 / 01 / 2008

Folha de São Paulo
"Na posse, prefeitos já preveem cortes"
Prefeitos que assumiram seus cargos ontem mostraram preocupação com a crise econômica e já anunciaram cortes nos Orçamentos em discursos de posse, embora digam que não pretendem descumprir promessas da campanha eleitoral. No Rio e em Porto Alegre, foi anunciada redução nas despesas de custeio. “É um ano complicado, em que certamente vamos ter os reflexos da crise internacional”, afirmou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). Os prefeitos de Belo Horizonte, Curitiba e Recife também anunciaram cortes. Em Salvador, devem ser tomadas ações específicas, como controle das ligações telefônicas e redução da frota. Em São Paulo, o prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) deve congelar 80% das verbas não-vinculadas, ou seja, o que não estiver comprometido com pagamentos, e suspender novas contratações. Serão preservadas as áreas de saúde, educação e transportes.


O Globo
"Eduardo Paes assume cortando gastos com pessoal e contratos"
Sem receber o cargo de Cesar Maia, Eduardo Paes tomou posse ontem como prefeito do Rio, com um pacote de 40 decretos, marcado por um corte de despesas de 30% dos cargos comissionados e das gratificações; redução de 20% nas despesas de custeio das secretarias, com exceção das de Educação e Saúde; e a suspensão de todos os contratos para obras, fornecimento de materiais e serviços, que serão auditados. Numa devassa no governo Cesar Maia, Paes anunciou que todos os pagamentos e investimentos da prefeitura estão congelados até a conclusão de sindicâncias. Ele determinou uma auditoria dos contratos do município com dispensa de licitação. E acabou com o fim da aprovação automática nas escolas e criou um gabinete contra a dengue.


O Estado de São Paulo
"Prefeitos assumem com corte de gastos"
Os prefeitos das principais capitais do País tomaram posse com um discurso de austeridade como resposta à crise econômica internacional. Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Curitiba os chefes do Executivo enfatizaram a preocupação quanto aos efeitos que a crise pode trazer para a saúde financeira dos municípios. As medidas anunciadas ontem vão desde cortes de investimentos, redução de gastos com custeio e demissões de comissionados a reavaliações de contratos.
O prefeito Beto Richa, de Curitiba, cobrou dos secretários corte de até 15% no gasto com custeio. "Mais do que nunca é preciso governar com os pés no chão, apertando o cinto para que não haja mais sacrifícios para a população." Gilberto Kassab destacou a parceria com o governador José Serra e disse que em São Paulo começa agora "a segunda fase do mesmo governo".
Número: 15% de redução nos gastos de custeio é quanto o prefeito de Curitiba, Beto Richa, determinou ao tomar posse em seu 2º mandato.


Jornal do Brasil
"Paes toma posse e decreta:"
1 Choque de ordem no município

2 Auditoria na Cidade da Música
3 Fim da aprovação automática
4 Aperto no orçamento da prefeitura
Em cerimônia concorrida na Câmara Municipal, o novo prefeito do Rio, Eduardo Paes, tomou posse e destacou a série de medidas e decretos para os primeiros dias no comando da cidade. Uma das principais ações visa a ajustar os gastos da prefeitura - cortes na folha de pessoal, redução dos cargos comissionados e congelamento de R$ 1,3 bilhão do orçamento até que seja concluída auditoria nas contas do município. Medidas envolvendo as finanças dominaram também os discursos de boa parte dos prefeitos que tomaram posse no país.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Posse

Prefeito e vereadores

Sidney Borges
Eduardo Cesar, prefeito reeleito de Ubatuba tomou posse nesta manhã, juntamente com os 10 vereadores eleitos em outubro. Nada de novo no front ocidental, o atual presidente da Câmara continuará no cargo no próximo biênio.

Opinião

Meio século de castrismo

Editorial do Estadão
Aos 50 anos, completados hoje, restou da Revolução Cubana a memória de uma aventura que se prometia gloriosa e a evidência de um desastre construído. A saga dos barbudos y meneludos que desceram da Sierra Maestra para escorraçar de Havana a tirania de Fulgêncio Batista - que seria mais uma do vasto rol de ditaduras cucarachas, não fosse a sua íntima associação com as máfias norte-americanas - eletrizou o mundo talvez como nenhuma outra insurreição armada do século 20; pelo idealismo manifesto dos seus jovens e românticos protagonistas, pela justiça de sua causa e, acima de tudo, pela figura "maior do que a vida", como diriam os americanos, do seu líder Fidel Castro. (Ainda se passariam alguns anos antes que ele cedesse o lugar de honra no panteão da mitologia política do nosso tempo ao seu companheiro Ernesto Che Guevara.)

Fidel personificava admiravelmente o conceito - ou, mais do que isso, o valor moral - da legitimidade do uso da força contra todos quantos nela se apoiassem para oprimir os seus povos. Inscrito desde a tradição iluminista na cultura política ocidental, o direito de resistência ao despotismo projetava-se de Cuba, naqueles tempos trepidantes, como inseparável do direito ao combate, pelas armas, a uma ditadura cruel. Não tardou, porém, para que a bandeira da transformação radical dos padrões de vida dos cubanos fosse erguida por Fidel para justificar o regime crescentemente autoritário que impunha à sua desafortunada ilha e a sua metamorfose pessoal de condutor de um levante democrático em autocrata implacável com o dissenso.

Os formidáveis resultados obtidos pelo regime na erradicação do analfabetismo e na redução dos índices de mortalidade infantil - ponto de partida de uma sequência de avanços sem precedentes na América Latina em matéria de expansão acelerada do acesso à educação e da formação de profissionais da saúde - pareciam dar razão à crença de que essa era a "verdadeira" democracia, por oposição à democracia "burguesa" das liberdades formais que deixava intocadas as condições concretas de existência da grande maioria. Essa construção ideológica foi profundamente abalada, como se sabe, pela mudança tectônica a que o mundo assistiu depois do advento do castrismo - o colapso do chamado socialismo real no Leste Europeu - e pelo desmanche da economia cubana, desnudando um fracasso até então (mal) encoberto pelo milhão de dólares diários que a União Soviética proporcionava, décadas a fio, ao seu Estado-cliente no Caribe. Quando Fidel entrou em Havana, no dia 1º de janeiro de 1959, Cuba tinha a segunda maior renda per capita da América Latina, apesar das grandes desigualdades sociais. Quando a União Soviética desmoronou, a pobreza só não era homogênea, na ilha, porque aos quadros dirigentes do partido não faltavam os gêneros de primeira necessidade que a população era obrigada a racionar.

O estúpido bloqueio imposto à ilha pelos Estados Unidos - que só serviu para prorrogar o de outro modo escasso prazo de validade do "modelo" cubano - decerto contribuiu para exacerbar os efeitos dos programas econômicos de Fidel, um mais aloprado e devastador do que o outro. No entanto, a paternidade dessa sequência de fiascos é intransferível. Não fosse a tábua de salvação do turismo, um caso excepcional de competência da elite dirigente de Havana, de há muito o país teria soçobrado como um desses Estados falidos de que o Quarto Mundo é farto. Mas, ainda que não tivessem chegado a tanto os retrocessos econômicos provocados pela soberba fidelista, com o esfarinhamento dos progressos alcançados no campo social, a tragédia de fundo permaneceria rigorosamente a mesma: o regime liberticida de partido único, com as suas mordaças e os seus presos políticos, ainda intocado pelo tímido reformismo de Raúl Castro.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 01 / 01 / 2009

Folha de São Paulo
"Israel rejeita suspender ataques"
Israel rejeitou a proposta francesa de um cessar-fogo de 48 horas com o Hamas e manteve os ataques aéreos contra a faixa de Gaza. “Se as condições melhorarem e acharmos que vá haver uma solução diplomática que garanta mais segurança, vamos considerá-la. Mas não é o cenário neste momento”, disse o premiê Ehud Olmert. “Não começamos a operação para acabá-la com o disparo de foguetes continuando igual antes.” Os ataques mútuos prosseguiram no quinto dia de ofensiva de Israel, que matou quase 400 pessoas. Cinco israelenses já morreram. Israel convocou 2.500 reservistas e manteve as tropas na fronteira com Gaza. O premi~e do governo do Hamas, Ismail Haniyeh, rejeitou uma trégua e a condicionou ao fim dos ataques e do bloqueio de Gaza.


O Globo
"Réveillon de ouro em Copacabana"
O sucesso do réveillon na Praia de Copacabana deu o tom da expectativa dos cariocas na disputa do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Sem as festas de Ipanema, Flamengo e Lagoa, Copacabana voltou a ser o centro das atenções para a explosão de 24 toneladas de fogos de artifício, que durante 20 minutos emocionou 2 milhões de pessoas, entre cariocas e turistas, que lotaram as areias. A sensação de segurança na orla foi maior que no ano anterior, apesar do registro de três pessoas baleadas. Nem mesmo a chuva atrapalhou. A novidade deste ano foi a contagem regressiva exibida na roda-gigante Rio 2016, no Posto 6. Na Barra, cerca de um milhão de pessoas passaram o réveillon na Praia do Pepê - 200 mil a mais que no ano passado. O show de fogos durou 32 minutos.


O Estado de São Paulo
"Israel rejeita proposta de trégua"
O governo de Israel rejeitou a proposta de cessar-fogo apresentada pela França e decidiu manter os ataques contra o grupo fundamentalista islâmico Hamas, em Gaza. A ação, que já matou 393 palestinos, entrou ontem no quinto dia. "Não lançamos a ofensiva para terminá-la com os mísseis (do Hamas) nos atingindo como antes", disse o premiê de Israel, Ehud Olmert. Tropas israelenses estavam prontas para uma ofensiva por terra. Israel permitiu que grupos de ajuda humanitária entrassem em Gaza. O Egito, que não reconhece a autoridade do Hamas na área, manteve a fronteira fechada.


Jornal do Brasil
"Festas renovam as esperanças do Rio"
Com sua tradicional queima de fogos a praia de Copacabana recebeu o ano de 2009 em noite de pouca chuva e cerca de 2 milhões de pessoas.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Falecimento

Nota de pesar

Ahmad K. Barakat
É com grande consternação que a Associação Comercial de Ubatuba recebeu a notícia do falecimento da Sra. Ana Campi.

A ACIU presta suas condolências aos familiares e amigos dessa ilustre pessoa que nos deixou um belíssimo exemplo de dedicação a família e aos amigos.

Compartilhamos este momento de dor que todos os familiares e amigos estão sentindo, particularmente nosso amigo Emílio Campi e seus filhos.

Cordialmente
Ahmad K. Barakat
Presidente Associação Comercial de Ubatuba
www.aciubatuba.com.br

31 de dezembro

Reflexões reflexivas

Sidney Borges
Um vizinho da casa de meus pais enfartou e teve sorte. Foi dos primeiros no Brasil a receber ponte de safena, técnica ainda experimental. Ficou mais de um mês no balão de oxigênio, antigamente não tinha UTI. Saiu novinho em folha, um verdadeiro milagre, os dedicados médicos do HC salvaram a sua vida. O nome dele era Lourenço, trabalhava como fiscal da Receita Federal e viajava semanalmente ao Rio de Janeiro. Tendo sobrevivido ao enfarte, jurou que não morreria em acidente aeronáutico. Por precavida precaução viajava de Cometa leito, embora tivesse direito a Ponte-aérea. Numa tarde chuvosa teve a visão atrapalhada pelo guarda-chuva e foi atropelado pelo "Estações", em frente à rodoviária do Frias. Dessa vez não houve milagre. Lourenço jaz na campa da família no Quarta-Parada. O cinema e a televisão copiaram a literatura romântica. Criaram salvadores de vidas, médicos abnegados, bombeiros corajosos, heróis de guerra. Bulshit. Na vida real alguns de fato fazem bem o seu trabalho, mas a verdade é que ninguém salva ninguém. Quando o filme termina a vida continua e a morte é certa como os impostos. Por mais que eu tente entender o universo não me dou bem com a idéia da morte. Se um dia eu encontrasse Deus, daria bom dia e faria uma única pergunta:
- Se foi para desfazer por que é que fez?

Luto

Nota de falecimento

Sidney Borges
O Ubatuba Víbora lamenta informar o falecimento, em Caraguatatuba, da senhora Ana Campi, esposa de Emílio Campi, fotógrafo, documentarista e editor do Litoral Virtual.
Ao Emílio, companheiro de tantas jornadas, e a seus filhos, nossa solidariedade nesse momento difícil.

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Ubatuba

Agradecimentos

Corsino Aliste Mezquita
O devir histórico criou calendários, festas e momentos, como pontos de referência e memória, daquilo que a maior parte dos seres humanos, de uma determinada cultura, consideraram como ponto de partida e filosofia de vida digna de imitação e perpetuação.

O nascimento de Cristo, pobre, na cidade de BELÉM DE JUDÁ, passou a ser o marco histórico da civilização ocidental. A mensagem de: “Gloria a Deus nas alturas e paz aos homens por ELE amados” impregnou o desenrolar da história ocidental nos dois últimos milênios. Essa mensagem de harmonia, paz, amor, integração, concórdia, solidariedade e respeito aos seres humanos continua dominando as manifestações religiosas, culturais e artísticas de crentes e não crentes. Pena que nem sempre exista profundeza, na compreensão desses valores, e sejam confundidos com fundamentalismos e exclusivismos que, em absoluto, existem nas mensagens originais.

Imbuído por esse espírito natalino e com o maior respeito à pluralidade e diversidade cultural e de crenças existente, na nossa sociedade, desejo, a todos, felicidade, saúde, paz e prosperidade neste último dia do ano de 2008 e que, a mudança da contagem do tempo, venha acompanhada de alegrias e felicidade em 2009.

Agradeço aos leitores que acompanharam minhas manifestações na imprensa virtual e me honraram com elogios e críticas e, de modo muito especial, aos Senhores: Luiz Roberto de Moura, Sidney Borges e Emílio Campi que, generosamente, publicaram todos os artigos em: O Guaruçá, Ubatuba Víbora e Litoral Virtual. A ELES dedico uma homenagem especial pela abertura democrática e corajosa de seus bloogs às manifestações da população. Ubatuba agradece essa abertura. FELIZ ANO NOVO.

Ubatuba, 31 de dezembro de 2008.
Corsino Aliste Mezquita

Brasil

Gigolô da ignorância alheia

Ricardo Noblat
Lula escolheu para fechar o ano a sua máscara preferida: a de vítima.
Voltou a repetir no Recife, durante a inauguração, ontem, de um parque, que seus críticos torcem para a crise financeira "arrebentar o Brasil". Só assim ele perderia popularidade.
- Tem gente torcendo para a crise arrebentar o Brasil. Tem gente dizendo: "Ah, agora a crise vai pegar o Lula. Agora é que nós vamos ver. Queremos ver se ele vai continuar bom na pesquisa. Queremos ver porque agora ele vai se lascar. É assim que falam.
Os empresários torcem para que a crise arrebente o Brasil - e por extensão os seus negócios? Não são suicidas.
Boa parte dos políticos de oposição é formada por empresários. A parte que não é quer sobreviver como todo mundo. Torce contra a crise e não a favor dela.
A mídia torce pela crise? Ela já está sendo vítima dela. Caiu o volume de anúncios em todos os meios de comunicação. Alguns jornais começaram a demitir.
Jornalista torce pela crise? Para quê? Para perder o emprego?
Interessa aos governadores José Serra e Aécio Neves, ambos aspirantes à vaga de Lula, que a crise desacelere o crescimento do país que pretendem herdar?
Para eles o ideal seria receber uma economia nos trinques. E governar em paz pelos próximos dois anos.
A condição de ex-retirante da seca ajudou Lula politicamente.
A de ex-metalúrgico que perdeu um dedo na prensa, também.
A de quem não estudou, mas mesmo assim chegou à presidência da República - essa nem se fala.
Diante de uma dificuldade maior, Lula veste a máscara de vítima - e desfila com ela por aí.
Foi assim quando vários escândalos ameaçaram seu governo. Ele acusou as elites de desejarem derrubá-lo - mas por que?
Elas jamais lucraram tanto antes. Se dependesse delas, Lula teria um terceiro e até um quarto mandato consecutivos.
A crise pode atrapalhar o plano de Lula de fazer o seu sucessor. Pode até mesmo arranhar sua popularidade.
É por causa disso que ele tenta jogar no colo dos adversários parte da responsabilidade pelos estragos que a crise venha a causar. Quer tirar vantagem da crise.
Esse tipo de comportamento da parte dele tem dado certo até aqui.
Entre nós, Lula é disparado o mais talentoso gigolô da ignorância alheia.

Opinião

Crise no ensino médico

Bráulio Luna Filho
O erro médico é um dos grandes flagelos da atualidade. Paradoxalmente, ante os avanços tecnológicos, da medicina e da ciência, presenciamos um número crescente de denúncias contra médicos, o que demonstra que alguma coisa não vai bem.


Em dez anos, de 1998 a 2007, o número de médicos denunciados no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) cresceu 140%, muito acima da taxa de aumento de profissionais inscritos (42%) e do crescimento populacional de São Paulo no mesmo período (12 %). Em 2007 foram registradas cerca de 4.500 denúncias contra médicos, boa parte relacionada a erros de diagnóstico e de procedimentos clínicos ou cirúrgicos.

Não há escassez de médicos no Brasil, o que não quer dizer que estejam bem distribuídos geograficamente ou por especialidades. Sabe-se que os fatores socioeconômicos e culturais são em parte responsáveis por essa realidade. Não podemos admitir uma política de Estado que tenta reverter a concentração de médicos nos centros urbanos com o simples aumento no número de formandos.

São Paulo conta hoje com 31 escolas de Medicina. Apenas nos últimos anos, entre 2000 a 2007, foram abertos oito cursos - cinco na capital e três no interior. Destes, sete são privados e cobram mensalidades entre R$ 2.600 e R$ 4.300. O Brasil já conta com 176 escolas médicas, mais que EUA, Rússia e China, nações bem mais ricas e mais populosas. Podemos afirmar que não precisamos de mais médicos, e, sim, de bons médicos.

Ao mesmo tempo que luta contra a abertura indiscriminada de escolas médicas, o Cremesp tem apoiado experiências pioneiras na avaliação das escolas médicas e dos seus egressos. Lamentavelmente, essas iniciativas não surtiram efeito. Apesar da participação de inúmeras faculdades de Medicina e entidades do setor, a discussão sobre a insuficiência das avaliações das instituições de ensino é barrada tanto pelos interesses mercantis dos donos das escolas como pelo viés corporativo das entidades de professores.

É esdrúxulo que o debate público abrangente sobre a instituição de exame de habilitação dos médicos recém-formados tenha sido protelado, quando se sabe que na maioria das faculdades do País são raros os indivíduos que, uma vez admitidos, não conseguem obter o certificado de conclusão. Hoje se confunde diploma com proficiência e competência para toda a vida.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 31 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Cresce pressão mundial por trégua"
No quarto dia de sua ofensiva aérea contra a faixa de Gaza, que já matou 384 pessoas, Israel começou a considerar um cessar-fogo de 48 horas proposto pela França para permitir o acesso de assistência humanitária à população de Gaza. A proposta é resultado da pressão pelo fim dos bombardeios feita por União Européia, EUA, Rússia e Nações Unidas, o chamado quarteto de mediadores. As grandes potências mudaram a retórica e passaram a pressionar Israel pelo cessar-fogo. A maior mudança foi dos EUA, que endossaram a declaração conjunta informal do quarteto exigindo “cessar-fogo imediato”. Israel disse que a ajuda humanitária será facilitada, mas que os ataques seguirão. O Hamas também não quis dar o primeiro passo para a trégua. Ontem Israel fez ofensiva marítima na costa de Gaza e intensificou a concentração de tropas e tanques na fronteira.


O Globo
"Israel ignora pressões do mundo e descarta trégua"
Pressionado pelo alto escalão do Exército de Israel e pela comunidade internacional, o premier israelense, Ehud Olmert, rejeitou ontem a possibilidade de uma trégua imedita com o grupo radical palestino Hamas e manteve o bombardeio à Faixa de Gaza. Após quatro dias de conflito, o número de mortos chegou a 383 do lado palestino , e quatro do israelense. Olmert disse que a operasção militar está apenas na primeira fase e vai continuar. O governo estuda convocar mais 2.500 reservistas, o que aumentaria para 9 mil o número de soldados de prontidão na fonteira com Gaza. Hoje, o Gabinete israelense se reúne para discutir se decreta uma trégua, como foi pedido por França e Reino Unido, ou se ordena uma invasão por terra do território. A Marinha de Israel impediu ontem um barco com pacifistas de levar ajuda a Gaza. A embarcação com ajuda humanitária foi abalroada por um navio de guerra de Israel.


O Estado de São Paulo
"Sob pressão, Israel estuda proposta de trégua em Gaza"
Israel deu ontem sinais de que pode ceder à pressão internacional e aceitar uma trégua, após quatro dias de intensos bombardeios contra a Faixa de Gaza, que já mataram mais de 380 palestinos. O grupo islâmico Hamas, que controla Gaza e vem disparando foguetes contra cidades israelenses, também parece disposto a suspender os ataques. O objetivo do cessar-fogo seria a abertura de corredores de ajuda humanitária em Gaza, onde l,5 milhão de moradores enfrentam falta de alimentos e remédios e dependem de assistência externa.
A proposta de trégua partiu da França, em nome da União Européia. A chanceler israelense, Tzvipi Livni, viajará amanhã para Paris a fim de discutir o tema. O governo americano também fez gestões diplomáticas intensas ontem para obter a suspensão do conflito. Além disso, Turquia e Egito trabalham com uma segunda proposta de trégua, com apoio árabe, que inclui a reabertura das fronteiras entre Israel e Gaza.
Apesar da movimentação diplomática, Israel manteve o bombardeio, e mais 13 palestinos foram mortos, entre eles duas irmãs, de 4 e 11 anos de idade. O país avalia que já conseguiu destruir um terço do arsenal de foguetes do Hamas. O premiê israelense, Ehud Olmert, disse que "a operação está apenas no primeiro de seus diversos estágios", referindo- se à possibilidade de invasão de tropas por terra.


Jornal do Brasil
"Fogos de guerra e paz"
Dentro de poucas horas, o mundo celebrará a chegada de 2009, o Dia Internacional da Paz e o Dia da Confraternização Universal. A data, porém, exibe seus contrastes. No Rio, os fogos na Praia de Copacabana - onde são esperados 2 milhões de pessoas - representarão Saturno, com anéis, estrelas e cometas, em referência ao Ano Internacional de Astronomia. Mas, na Faixa de Gaza, os fogos estão longe de espelhar festa e paz.
Até ontem, a ofensiva israelense contra palestinos já deixara quase 400 mortos e mais de 1.500 feridos. E é só o começo, alertou o premier de Israel, Ehud Olmert. Enquanto países europeus pressionam por um acordo de cessar-fogo, o presidente Lula se oferece para mediar o conflito, ignorado até agora por Barack Obama.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Fim-de-ano

Fogos de artifício: só solte os de efeito visual!

Enviado por Percival Brosig
Colorir o céu com fogos de artifício torna estas festas mais bonitas e alegres. Mas alguns fogos produzem um barulho intenso, assustador para animais e também para bebês, que não entendem o que está acontecendo. Muitos animais correm sem destino, causando acidentes e perdendo-se de seus donos. Outros acabam feridos ou mortos, por tentar fugir em desespero. Alguns cães chegam a sofrer convulsões e morrer. Animais silvestres sofrem alterações em seu ciclo reprodutor e também podem chegar ao óbito.

Se você quiser festejar, PREFIRA FOGOS QUE NÃO FAZEM BARULHO! Há muitas opções no mercado que produzem efeitos belíssimos!

Você tem bichos em casa? Siga estas dicas: Mantenha o cão ou gato em lugar seguro, feche bem as janelas, portões e portas. Se ele tiver muito medo dos fogos, coloque-o em um cômodo da casa. Um pouco antes do evento, leve seu animal para perto da TV ou de um aparelho de som e aumente aos poucos o volume, de tal forma que ele se distraia e se acostume com um som alto. Assim, não ficará tão assustado com o barulho intenso e inesperado dos fogos. Você pode usar remédios para acalmá-lo. Prefira os fitoterápicos, que praticamente não têm contra-indicações. Converse antes com o veterinário, para escolher a melhor opção e a dose certa para seu bichinho.
E não esqueça de colocar uma plaqueta de identificação na coleira do animal!
Iniciativa: Sentiens Defesa Animal -
www.sentiens.net

Coluna da Terça-feira

Amigos: Feliz Ano Novo

Maurício Moromizato
Hoje, levantei decidido a escrever uma coluna leve. Sem assuntos ruins relativos à cidade ou à política. Para finalizar o ano devo iniciar colocando mais uma vez o agradecimento aos leitores desse nobre espaço, pela atenção, e ao editor do blog pela oportunidade oferecida e pela lição de democracia e de liberdade de imprensa.

Após o Natal, com sua comemoração do nascimento do Filho de Deus, do presente que recebemos do Grande e Verdadeiro Pai, da oportunidade de (Re) nascimento a cada ano, com novas esperanças e novos objetivos, o ANO NOVO traz a oportunidade de concretização desses ideais Natalinos.

Todos temos os nossos pedidos, nossos planos e desejos para o ano que se inicia.

Há também os conselhos. Os administradores vão nos dizer que temos que estabelecer metas e levar a vida com a mira nelas (nas metas); os médicos vão nos dizer para levar uma vida saudável, longe de vícios e excessos, com mais prevenção do que tratamentos; os engenheiros nos dirão para calcular nossos atos e planejar nossa vida; os economistas nos aconselharão a gastar só o que podemos, a administrar bem o dinheiro; os religiosos nos aconselharão a levar uma vida de fé com todas as implicações dessa opção, enfim, todos tem sua receita para melhorar a vida pessoal das pessoas. Uns por sapiência, outros por interesse e todos mais ou menos válidos, dependendo do interlocutor e de sua situação.

Eu, humano, com defeitos, desejos e planos particulares, tomei uma decisão em relação às outras pessoas com quem convivo e vou conviver: vou propagar e cultivar muito mais as amizades em minha vida. Amizade e todas suas vertentes: na família, no trabalho, na política, na vizinhança. Buscar os antigos amigos da infância e da juventude.
A vida tem me ensinado a cada vez mais que o que vale são os nossos bens imateriais, nosso inventário pessoal e a amizade e a “riqueza” pessoal de cada um está diretamente relacionados com o número de amigos que cada um tem.
Tenho a convicção de que a crise mundial atual é uma crise da humanidade, muito mais que uma crise econômica. Os valores é que estão no centro da questão, pois só existe a crise porque houve ganância, individualismo, desrespeito ao próximo e falta de valores morais, entre outras críticas ao sistema neoliberal, único responsável pelo que estamos passando.
Como a crise é da humanidade, a amizade será fundamental para a sua superação. Amizades pessoais, amizade entre as cidades, amizade entre as religiões, amizade entre os países. Amizade sim, porque a palavra Amizade traz embutida nela a fidelidade, a fraternidade, o compromisso com o outro, o respeito à individualidade, a aceitação das diferenças, a busca pela igualdade entre as pessoas, a valorização do outro, a prevalência do coletivo sobre o individual, a valorização da solidariedade. E essa prática tem que começar pelas pessoas, por cada um de nós, na educação de nossas crianças, na convivência diária de cada um com cada um.
AMIZADE significa PAZ!

Por isso, além do desejo de “que tudo se realize no ano que vai nascer...”, desejo a todos um 2009 repleto de amigos a todos. Com sinceridade.
Segue abaixo uma pequena história recebida de um grande amigo de infância, adolescência, juventude e de sempre, André Mazetto, morador de Campo Grande – MS.


Amigo não tem defeito

O dono de uma loja estava colocando um anúncio na porta:
“Cachorrinhos à venda”.
Esse tipo de anúncio sempre atrai as crianças, e logo um menininho apareceu na loja perguntando:
- Qual o preço dos cachorrinhos?
O dono respondeu: - Entre R$ 30,00 e R$ 50,00.
O menininho colocou a mão em seu bolso e tirou umas moedas:
- Só tenho R$2,37. Posso vê-los???
O homem sorriu e assobiou...
De trás da loja saiu sua cachorra correndo seguida por cinco cachorrinhos. Um dos cachorrinhos estava ficando para trás.
O menininho imediatamente apontou o cachorrinho que
estava mancando.
- O que aconteceu com esse cachorrinho? - perguntou.
O homem lhe explicou que quando o cachorrinho nasceu, o veterinário lhe disse que tinha uma perna defeituosa e que andaria mancando pelo resto de sua vida.
O menininho se emocionou e exclamou: - Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!
E o homem respondeu:- Não, você não vai comprar esse cachorro, se você realmente o quer, eu te dou de presente.
E o menininho não gostou, e olhando direto nos olhos do homem lhe disse:
Eu não o quero de presente. Ele vale tanto quanto os outros cachorrinhos e eu pagarei o preço completo.
Agora vou lhe dar meus R$ 2,37 e a cada mês darei
R$ 0,50 até que o tenha pago por completo.
O homem respondeu: - Você não quer de verdade comprar esse cachorrinho, filho. Ele nunca será capaz de correr, saltar e brincar como os outros cachorrinhos.
O menininho se agachou e levantou a perna de sua calça para mostrar sua perna esquerda, cruelmente retorcida e inutilizada, suportada por um grande aparato de metal.
Olhou de novo ao homem e lhe disse:
- Bom, eu também não posso correr muito bem, e o cachorrinho vai precisar de alguém que o entenda.
O homem estava agora envergonhado e seus olhos se encheram de lágrimas...
Sorriu e disse:
- Filho, só espero que cada um destes cachorrinhos
tenham um dono como você!!!
Na vida não importa como somos, mas que alguém te aprecie pelo que você é, e te aceite e te ame incondicionalmente.
Um verdadeiro amigo é aquele que chega quando o resto do mundo já se foi.
Amigo não tem defeito!!!


FELIZ 2009 A TODOS, AMIGOS!

Ubatuba

Vitória da vitória

Rui Grilo
Hoje recebi esse e-mail abaixo:

Rui,

nós da Cooperuba-tuba elaboramos projeto para Petrobrás com ajuda da Marina (caixa ecônomica de SJC) e graças a Deus fomos selecionados. O projeto é todo voltado à coleta seletiva em Ubatuba. Gostaríamos de pedir que vc, por favor, divulgue, pois para nós é uma grande vitória, e precisaremos muito da força de todos para seguirmos com esse projeto que desde setembro de 2007 iniciamos aqui na região Sul, mas que temos como meta atingir o municipio em três anos (se tivermos apoio). Para nós foi um presentão de Natal. Um feliz ano novo e obrigado pela força.

Um abraço,

Vitoria.

No balanço que fiz deste ano (ANO NOVO, VIDA NOVA) esqueci de colocar como pontos positivos a abertura para colaboração nos virtuais Revista Guaruçá, Ubatuba Víbora e Litoral Virtual. Portanto, aqui vai o meu agradecimento ao Luiz Moura, ao Sidney Borges e ao Emilio Campi.

Através desses espaços pude me contactar com muitas pessoas que não conheço ou das quais não me lembro pois conheço muita gente. Dou aulas desde 71 e, durante vários anos tinha contacto com todos os alunos da escola porque trabalhava na sala de leitura. Quando fazia caminhadas pelo bairro, às margens da represa Guarapiranga, às vezes demorava quase quatro horas pois a cada trecho alguém me parava para conversar. Aqui, em Ubatuba, várias vezes fui surpreendido ao receber e-mails ou quando algumas pessoas vem comentar pessoalmente o teor dos meus textos.

Ao ler o texto da Vitória, fiquei muito feliz pela árdua conquista, e que reforça o texto sobre o lixo publicado no último domingo no UBATUBA VÍBORA. É a grande conquista da tecnologia: colocar-nos em contacto com pessoas que tem as mesmas preocupações e os mesmos desejos. Ou até mesmo divergências que podem ser superadas, como se percebe no texto do Renato Nunes (29/12/08).

Mas diálogo não é só concordância, é o espaço para o confronto e a mudança. Como ensinava MARX , do confronto entre a tese e a antítese surgirá a síntese, que não é igual a nenhuma das duas mas que carrega dentro de si as duas anteriores. Do confronto entre o filho e o pai, nenhum dos dois permanecerá o mesmo; ambos incorporarão valores e idéias do outro sem deixar de serem eles mesmos, com personalidades distintas.

Ao receber o e-mail da Vitória me lembrei do Alemão, esposo de uma amiga minha. Era um sujeito franzino, nordestino, participante e cheio de vida. Ao vê-lo preso na cama, tetraplégico, usando fraldas e sondas, mas lúcido, fiquei imaginando a dor e a revolta que aquele tiro na coluna provocava. Para romper essa prisão, a Regina, sua esposa, levava-o uma vez por semana a uma rádio onde ele fazia um programa. Era a sua maneira de se sentir vivo e útil à comunidade.

Quando vai chegando o domingo, vou ficando cada vez mais tenso, vou me identificando com o Alemão, tentando encontrar um assunto que possa interessar ou que seja importante discutir. Essa tensão me traz a alegria de estar vivo e ainda poder fazer alguma coisa.

Como dizia Guimarães Rosa : “Viver é perigoso”. E escrever é um desnudar-se, é fazer um streap-tease da alma, tornando-nos vulneráveis. Mas realmente só nos aproximamos uns dos outros quando nos desnudamos.

Ao escrever vou fazendo novos parceiros e quando temos algum retorno, isso nos faz sentir como uma das formigas que, com seu pequeno mas incessante trabalho vão construindo os montes de terra e os túneis do formigueiro, arejando a terra e transformando-a. No entanto, sempre há os esquecidos, como as minhocas, que com seu trabalho torna a terra mais rica e produtiva.

A vitória da Vitória veio, de certa forma, reforçar as idéias contidas na mensagem ao prefeito, confirmando que existem saídas para reduzir o gasto com o transbordo do lixo e que um outro mundo é possível.

Parabéns Vitória !
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Rede

Internet supera jornais como fonte de notícias nos EUA

Do blog Idéia 2.0 :
O reino do papel vai se esfarelando. Em estudo conduzido no começo de dezembro, a Pew Research Center for the People & the Press chegou à conclusão que a internet agora é a segunda fonte de informação dos norte-americanos.
Passou, sem qualquer surpresas, os jornais. Em um ano, a fatia dos que recorrem à internet por notícias subiu de 24% para 40%, enquanto os jornais se mantiveram praticamente estáveis em 35%.


A TV continua como fonte líder, com 70% dos entrevistados ligando seus televisores quando estão atrás de notícias.

A liderança folgada da TV também parece ser questão de tempo, já que, entre os mais jovens ouvidos pela pesquisa, a busca por dados na TV ou na internet está empatado - 59% afirmou recorrer a cada um dos meios, contra 28% a jornais.
A escalada de 16 pontos percentuais da web entre 2007 e 2008 (você vê a diferença no gráfico ao lado) é a maior diferença já registrada no período de 12 meses de alguma mídia desde 2001, segundo a Pew.

O motivo? Os jovens, de novo. Em 2007, apenas 34% deles recorriam à internet, número que quase dobrou em um espaço de 12 meses. Um preview do estudo pode ser lido no site da Pew.

Pra boi dormir

''Tenho representatividade para participar da vida política do País''

José Dirceu: ex-ministro; petista crê que será absolvido pelo STF e diz que pedirá anistia na hipótese de julgamento ficar para 2013 ou 2014

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA
Três anos depois te ter o mandato de deputado cassado - no auge do escândalo do mensalão -, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirma ter convicção de que será absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Avalia que sua substituta no posto de braço direito de Lula, a ministra Dilma Rousseff, tem "grande" chance de emplacar como candidata do PT à Presidência em 2010, e que os tucanos agem como se o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) - principal pré-candidato da oposição -, já tivesse sido eleito. "Essa história está distante da realidade. O Serra tem de conquistar Minas e Rio, porque o Norte e Nordeste ele não vai conquistar. E Minas e São Paulo serão os Estados mais afetados pela crise", afirma, em entrevista ao Estado. As respostas de Dirceu foram dadas por e-mail.


Leia a íntegra da entrevista

Nota do Editor - José Dirceu usa o fato de ter lutado contra a ditadura como bandeira de superioridade. Toda uma geração esclarecida lutou contra a ditadura, eu lutei contra a ditadura. A diferença entre o meu ponto de vista e o de Dirceu é que eu não queria substituir a ditadura dos militares pela ditadura do proletariado. Para mim interessava a democracia. Dirceu é um esquerdista profissional. Muito parecido com aqueles que fingem sonhar com o paraíso socialista enquanto desfrutam do luxo da Via Montenapoleone de Milão. (Sidney Borges)

Opinião

A crise do etanol

Editorial do Estadão
Alguns meses atrás, as atividades vinculadas à cana-de-açúcar eram tidas como as mais atraentes da economia nacional. Hoje, atravessam grave crise, especialmente as unidades que se dedicam à produção de álcool. Alguns projetos em fase de implantação foram suspensos, muitas empresas estão inadimplentes e poderão pedir concordata e a cana-de-açúcar plantada em grandes áreas pode não ser colhida.

O setor sucroalcooleiro não foi vítima direta da crise financeira internacional. Dela não sofreu mais que efeitos marginais. Essa crise tem origem no excessivo otimismo com que os produtores de etanol encararam suas possibilidades de exportação, incentivados pelo presidente Lula, certo de que convenceria os países ricos a importar um combustível que reduz a poluição e permite substituir em parte o petróleo - cujo preço, no início de 2008 apresentava uma curva de alta que parecia projetar-se por vários anos à frente.

Tanto a campanha pró etanol brasileiro não teve o êxito almejado quanto o preço do petróleo entrou em declínio.

O malogro deveu-se essencialmente à incapacidade do governo brasileiro de convencer os governos estrangeiros de que a produção da cana-de-açúcar não ocupava área suscetível de reduzir a oferta de alimentos, num momento em que, em razão da queda da produção alimentícia, o mundo se deparava com escassez de gêneros. Para a opinião pública externa, a área ocupada pela cana no Brasil poderia ter sido usada para aumentar a oferta de outros produtos. Além disso, era difícil que alguns movimentos de ecologistas esquecessem das disputas, no País, em torno dos malefícios da monocultura em certas regiões. O Brasil deveria ter-se preparado também para as críticas no exterior de que o corte da cana é obra de trabalho escravo, enquanto, na verdade, parte importante da colheita é feita por máquinas.

Teria sido necessário que, antes mesmo de querer exportar grande quantidade de etanol, o Brasil fizesse investimentos no exterior para promover os motores flex ou para exportar automóveis desse tipo e assim comprovar as vantagens desse combustível.

Os investidores certamente foram seduzidos pelos resultados potenciais. O preço médio do etanol em 2006 era de US$ 469,69 por m³, mas caiu para US$ 418,58 em 2007. Essa variação deveria ter sido observada pelos produtores que, no entanto, preferiram olhar os dados das exportações em 2008, que alcançaram US$ 2,227 bilhões nos 11 primeiros meses do ano ante apenas US$ 1,380 bilhão no mesmo período de 2007. O que não previram foi a rapidez da queda dos preços do petróleo, fator decisivo, pois o etanol só pode ser competitivo se o petróleo custar mais do que US$ 35 o barril, e que os usuários desse combustível precisam de uma faixa de segurança maior. Por outro lado, é preciso levar em conta também a evolução das exportações de açúcar, cuja produção é ligada à de álcool e que estão sofrendo também queda de preços.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 30 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Israel se declara em "guerra total"
No terceiro dia do maior ataque aéreo já lançado contra alvos palestinos, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que o país está em “guerra total” com o grupo Hamas, que controla a faixa de Gaza, e confirmou que uma ação por terra poderá ser o próximo passo. Enquanto a aviação continuava a bombardear bases do Hamas, elevando o total de mortos a mais de 360 (60 civis, estima a ONU) em Gaza, militantes islâmicos respondiam com dezenas de foguetes, que mataram três. Entre outros locais, Israel atacou a Universidade Islâmica e o Ministério do Interior. O Hamas reiterou que não aceitará novas condições para um cessar-fogo. Em diversos países árabes houve protestos contra o ofensiva de Israel e a suposta conivência de Egito e Jordânia com o país vizinho. Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Lula, disse que o ataque a Gaza é uma “brutalidade”.


O Globo
"Israel decreta guerra total; ataques já mataram 350"
No terceiro dia de ataques israelenses à Faixa de Gaza que já mataram 350 palestinos e feriram cerca de 1.400, o ministro da Defesa, Ehud Barak, declarou a área da fronteira entre Israel e Gaza como zona militar fechada e garantiu que seu país está em guerra total contra o Hamas, que governa a região. Jornalistas estrangeiros estão impedidos de entrar em Gaza.
Centenas de tanques e peças de artilharia foram posicionados à espera da ordem para uma invasão terrestre, e aviões e navios de guerra intensificaram os bombardeios, destruindo o Ministério do Interior e casas próximas à residência do premier palestino, Ismail Haniyeh. Entre os mortos, 62 são civis, dos quais 21 crianças . Como cinco irmãs, entre 4 e 17 anos, atingidas m casa. Moradores de Gaza estão sitiados em suas casas numa região que, por si só, já é considerada uma gigantesca prisão.
A incapacidade de lidar com o grande número de feridos e a escassez de alimentos, medicamentos e combustível agravaram ainda mais a situação em Gaza. Ontem, Israel abriu parcialmente dois terminais para permitir a entrada de ajuda. Do lado israelense da fronteira, três pessoas morreram e meio milhão de civis tiveram que se refugiar em abrigos.


O Estado de São Paulo
"Israel avança em 'guerra aberta' contra o Hamas"
O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que o país está em "guerra aberta" contra o Hamas na Faixa de Gaza, no terceiro dia de ofensiva que já matou mais de 350 palestinos - dos quais quase 60 civis, segundo a ONU. Barak disse que Israel usará "todos os meios" para reduzir a capacidade do movimento islâmico palestino de lançar foguetes contra o país, motivo alegado pelos israelenses para sua ação. O Hamas disparou ontem mais de 80 foguetes e morteiros contra Israel, matando três pessoas. Já Israel atacou prédios administrativos do grupo palestino. As bombas mataram quatro irmãs, com idade entre 1 e 12 anos, em Jabaliyah. Outras duas crianças foram mortas em Rafah, próximo do Egito. "Só estamos no começo da batalha. O mais difícil está por chegar e é preciso prepara-se para isso", afirmou o general israelense Dan Harel, referindo-se a uma eventual ofensiva terrestre. A região ao redor de Gaza foi declarada por Israel "zona militar fechada" e analistas militares consideram a invasão inevitável.


Jornal do Brasil
"Estradas matam 180% a mais no feriadão"
O número de mortos em acidentes nas estradas do Rio de Janeiro praticamente triplicou no feriado de Natal deste ano, se comparado com 2007. Foram 14 óbitos, contra cinco no ano passado. Os acidentes também cresceram: de 245 em 2007 para 273 em 2008. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal, que credita a estatística às chuvas intensas em várias regiões do estado e à imprudência dos motoristas. Os números reforçam a atenção dos policiais na segunda fase da Operação Fim de Ano, que termina no domingo. O Departamento de Estradas de Rodagem promete reparar as vias danificadas pelas chuvas.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Ubatuba em foco



Em Ubatuba, uma nova opção de cultura e lazer

Divulgação

O Instituto Pau Brasil de História Natural - IPBHN uma OSCIP, vai inaugurar em seu décimo aniversário, no dia 30 de dezembro de 2008, o Espaço Viva Ciência. É um espaço de divulgação científica cuja primeira exposição abordará o tema “A vida na Terra”. Esta exposição já esteve no Alto Tietê e agora, maior e mais diversificada, será instalada no litoral norte, em Ubatuba, possibilitando aos moradores do litoral e Vale do Paraíba a conhecer a história da vida no Planeta Terra. Lá o visitante poderá ter uma idéia da principal teoria de aparecimento do Universo – o Big Bang; poderá admirar uma riquíssima coleção de cristais de todo o mundo, minerais de importância para o ser humano, conhecer as teorias do aparecimento da vida no planeta e acompanhar passo a passo a evolução em painéis, dioramas, vitrines com fósseis verdadeiros, reconstituições de animais pré históricos e atuais. Há também uma ala onde se pode ver a árvore evolutiva dos humanos e seus ancestrais.
Esta é a primeira atividade do IPBHN no litoral norte, mas já estão sendo planejadas atividades para todos os grupos estudantis desde o ensino fundamental até universitários. “A idéia é criar um espaço onde se possa discutir ciência, onde a população possa informar-se sobre ciência e assim melhorar sua própria vida e do ambiente onde vive” – diz Paulo Auricchio idealizador do projeto.
Desta forma, a missão do Espaço Viva Ciência é promover a divulgação científica envolvendo ações multidisplinares em benefício da diversidade biológica e cultural visando o desenvolvimento sustentável – enfatiza Ana Lúcia Auricchio, presidente da instituição.
No próximo ano serão oferecidas atividades culturais, cursos e divulgação de práticas auto-sustentáveis, ações ambientais voltadas à escola, seus professores e alunos.
O espaço é um Ponto de Cultura do Ministério da Cultura e do Fundo Nacional da Cultura. Com essa identidade, o Espaço Viva Ciência já chega equipado. Para um futuro próximo, pretende tornar disponível sua biblioteca cujo acervo é de mais de 7 mil obras na área de meio ambiente, um acervo de vídeos ambientais, cdteca e mapas.
Você pode conhecer o Espaço Viva Ciência na Av. Guarani, 245 Itaguá, Ubatuba tel (012) 3832 6794. (Enviado por Carlos Rizzo)
http://www.institutopaubrasil.org.br

As aparências enganam




O que você está vendo?
Sidney Borges
Um incauto observador poderá tirar conclusões apressadas do quadro acima e dizer que nas fotos há dois animais bebendo água. No alto uma onça e embaixo um animal que não é bem um animal, no sentido que as pessoas dão à palavra. É um cachorro. Brasil, o meu cachorro. Esperto como o Rin-tin-tim.
Então o que você está vendo? Ficou confuso, não sabe direito, eu explico. Na foto superior há de fato uma onça bebendo água, foto arriscada, quando tirei fiquei com medo. Tirei da Internet, acredito que seja de domínio público. Ao sorver o precioso líquido o felino produziu ondas que se propagam pela superfície do lago. Mostrei ao Brasil, que como disse anteriormente, não é um cão qualquer. Ele não ligou para a onça, Brasil não aprecia gatos, mas fixou os olhos nas ondas. Momentos depois o ví produzindo suas próprias ondas, às quais olhava embevecido.
Brasil tem imensa curiosidade, variou a intensidade dos golpes na água e tirou conclusões importantes sobre velocidade, freqüência e outras grandezas associadas ao movimento ondulatório. Depois foi dormir, o pensar científico exige muito do cérebro. Mais tarde vamos passear e discutir interferência em duas dimensões.

Frô


Nasceu na varanda. Desconfio que seja uma petúnia, o que me remete aos tempos da Petúnia Resedá da Simone. Eu trabalhava como caixeiro-viajante. Vendia aulas de Física por esse Brasil afora. Petúnia Resedá e Querelas do Brasil, com o Quarteto em Cy, tocavam nas rodoviárias enquanto eu esperava o tempo passar. Gostei da jovem petúnia a quem batizei de Frô. Acho que ela veio me dar Feliz Ano Novo. Feliz Ano Novo pra você também Frô. Volte sempre, na Páscoa tem chocolate. (Sidney Borges)

Coluna da Segunda-feira

Fim de ano?

Renato Nunes
Ou início de ano? O que queremos comemorar? Resposta complicada. Por dentro, no íntimo, temos nossas expectativas, alegrias e desgostos, material necessário para fazermos um balanço pessoal do ano que passou. Desse balanço organizamos nosso rumo do novo ano. Mas por fora, abertamente, com a família, amigos, vizinhos, somos levados de roldão no meio do barulho, fogos e buzinaços para comemorar a entrada do ano novo. É só alegria. Ninguém se reúne para fazer uma choradeira geral, uns dando tapinhas nas costas dos outros para consolar suas tristezas e frustrações. Quem ganha os aplausos é o ano que entra e não o que sai. Saem aplaudidas a esperança e as incertezas do futuro. Xô tristezas e certezas passadas.

Parece até que a realidade se divide de acordo com os ponteiros do relógio, na passagem da meia noite do dia 31 para a zero hora do dia 1º, como se um dia não tivesse nada a ver com o outro e ficou tudo para trás. No mundo inteiro, as diferentes culturas comemoram dessa forma. São festas diferentes, outros símbolos e até outras datas, mas o sentido é o mesmo, viva o ano novo.

É bom que seja assim, mas todos sabemos que apesar das alegrias e bons fluidos do futuro nada pode ser esquecido, situações importantes não devem ser negligenciadas só porque pertencem a acontecimentos do ano que se finda.

Mas cada vez mais nos obrigam ao esquecimento. As energias do civismo que reclama se dissipam. A tradição de alegria gera festas cujo sentido solidário foi distorcido e que são acompanhadas e patrocinadas pelo comércio e pela TV. Vender muito, esse é o grande compromisso que orienta a programação e falseia a visão da realidade. Mostra, no fim do ano, um mundo novo que vai começar a partir dali. Perdoa-se tudo, inclusive as inépcias do poder público, as promessas não cumpridas. A mensagem por trás disso tudo diz: não proteste, esqueça, agora é vida nova, vamos começar tudo de novo.

O excelente artigo do Rui Grilo publicado no Víbora na Coluna de Sexta Feira, “A Constituição Cidadã e a mídia”, além do caráter extremamente pertinente e grave da denúncia e do elevado e oportuno distanciamento partidário, expõe os responsáveis pelo atraso brasileiro e o perigo do esquecimento a que toda a sociedade é submetida.

Lembra ele que a Constituição Cidadã assim foi chamada porque ouviu “movimentos sociais com o objetivo de assegurar e ampliar direitos e melhores condições de vida”, e que os avanços na área de comunicações foram prejudicados pelo “intenso lobby dos detentores das concessões, sendo grande parte deles parlamentares e membros do executivo”. E acrescenta que o “Conselho de Comunicação Social há mais de dois anos não se reúne” e que “cerca de 400 projetos foram apresentados mas não foram votados”.

É lamentável. Conforme o Art. 227 da Constituição também lembrado pelo Rui, é a família e a sociedade cumprindo suas obrigações e o Estado, através dos deputados, senadores e poder executivo descumprindo a citada determinação constitucional. Jogam há anos e em todas as áreas contra as melhorias propostas pela sociedade por razões de interesse político ou econômico.
Dirão que esse é o ônus da Democracia, que o povo não sabe votar e que o tempo irá melhorar o nível de nossos representantes. Isso é verdade, mas não pode parar por aí. A única maneira de forçar um político a priorizar a sociedade e não a própria carreira é pôr sua reeleição em risco. É tiro e queda, tiro certeiro.

Está na hora de criar um movimento social apartidário de pressão e monitoramento da ação parlamentar em todos os níveis, municipal, estadual e federal. E de registro para evitar que os bandoleiros do poder público caiam no esquecimento.

400 projetos apresentados sobre um único tema e que não foram votados, não dá para esquecer.

Como se vê, não existe o passado. O passado é o bolso de trás da calça. Pra você se desfazer do passado tem que jogar fora a calça, e aí, você fica nu como veio ao mundo. Cheio de incertezas, novidades e assombrações.

Busque o novo, exija, crie, adapte-se, mas esteja sempre com seu passado à mão, ele é a luz que te guia.


São meus votos para 2009.
 
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