sábado, dezembro 27, 2008

Zeppelin

Crônica

Bar ruim é lindo, bicho!

Antonio Prata
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).


No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?


Nota do Editor - O texto acima foi tirado do Blog Antonio Prata - Crônicas e outras milongas, que deve fazer parte dos favoritos de quem gosta de textos bem escritos e com humor. Confira aqui. (Sidney Borges)

As faces do amor

Corre na rede - Marylu

Do Blog do Noblat
O marido estava sentado quieto lendo seu jornal quando sua mulher, furiosa, vem da cozinha e senta-lhe a frigideira nas idéias.
Espantado, ele levanta e pergunta:
-Por que isso agora?
-Isso é pelo papelzinho que eu encontrei no bolso de sua calça com o nome Marylu e um número...
- Querida, lembra do dia em que fui na corrida de cavalos? Pois é... Marylu foi o cavalo em que eu apostei, e o número foi o quanto estavam pagando pela aposta.
Satisfeita, a mulher saiu pedindo 1001 desculpas...
Dias depois, lá estava ele novamente sentado quando leva uma nova porrada, dessa vez com a panela de pressão.
Ainda mais espantado (e zonzo), ele pergunta:
-O que foi dessa vez, meu amor???
-Seu cavalo ligou...

Opinião

Trabalho escravo

Editorial do Estadão
Reportagem da nossa edição de segunda-feira dava conta de que, em um ano, 4.418 pessoas que se encontravam em condições consideradas, pelas autoridades, de trabalho escravo foram localizadas e, por assim dizer, "libertadas".

Desde 2005, quando o presidente Lula lançou o primeiro Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, pretendendo eliminar o problema até 2006, nada menos que 32.185 trabalhadores rurais foram encontrados nessas condições, o que levou a 22.700 autuações, num valor de R$ 46,4 milhões em indenizações e multas.

Há de se reconhecer aí um anacronismo inteiramente incompatível com a modernização das relações de trabalho no Brasil e que já levou o País ao extraordinário nível de produtividade alcançado, inclusive no agronegócio.

O escravismo "moderno", vigente 120 anos depois de decretada a Abolição, é definido pelo artigo 149 do Código Penal e se caracteriza por situações em que a pessoa é submetida a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, a condições degradantes de atividade ou a restrições, por quaisquer meios, no ir-e-vir em razão de dívida contraída com o empregador. É aí que precisamos ponderar se, nas 741 operações de fiscalização realizadas pelo Ministério do Trabalho, não houve qualquer extrapolação do enquadramento legal e criminalização de simples infrações administrativas, de natureza trabalhista. No meio rural a falta de registro em carteira, por exemplo é sem dúvida uma infração trabalhista - mesmo levando em conta as distâncias e as dificuldades em tirar documentação, o que cabe ao próprio trabalhador -, mas nem sempre tem a ver com trabalho escravo ou análogo ao de escravos.

Outra ponderação a fazer é a respeito de uma certa prevenção contra o setor canavieiro. É certo que 29,5% dos trabalhadores que foram encontrados pelas autoridades naquelas condições de trabalho consideradas análogas à dos escravos estavam em lavouras de cana. Também é certo que um quadro comparativo produzido pela Divisão de Fiscalização e Erradicação do Trabalho Escravo evidencia que cresceu o porcentual de casos nos canaviais, em relação a outras culturas. Em 2003, 11,4% das 5.223 pessoas ditas "resgatadas" estavam em plantações de cana. Em 2005 esse porcentual saltou para 32,7% e em 2007 e 2008, quando se tornaram visíveis os primeiros resultados da política governamental de incentivo ao etanol, os casos ultrapassaram 50% em relação ao quadro geral. Mas, há que se levar em conta que a expansão das lavouras canavieiras nos Estados - e Goiás é um bom exemplo disso - também atraiu um número proporcionalmente maior de operações de fiscalização. Quer dizer, parece que as lavouras canavieiras, na medida em que se tornaram alvos preferenciais dos fiscais, passaram a contribuir com um número maior de casos.
Leia mais

Manchetes do dia

Sábado, 27 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Lula muda lei para tornar fundo soberano ilimitado"
Medida provisória editada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permite destinar ao fundo soberano mais que o montante previsto para o ano que vem. O fundo é uma espécie de poupança que o governo planeja ter para gastar em caso de crise e arrecadação menor. A intenção de Lula, segundo a Folha apurou, é que o fundo receba em 2009 mais do que os R$ 14,2 Bilhões que lhe serão destinados até dia 31. Segundo o secretário – adjunto do tesouro, Cleber Oliveira, a MP abre essa possibilidade. “Vai ser avaliado ao longo do ano”. No MP, o Planalto mudou a lei aprovada pelo congresso. Para capitalizar o fundo, poderão ser emitidos títulos da divida pública no valor equivalente ao poupado pelo governo. Sem a mudança, os R$ 14,2 Bilhões seriam exclusivamente para abater a divida. Na pratica, o governo reduz a divida, mas a eleva emitindo títulos no mesmo valor. A oposição ameaça ir ao STF. “Emissão de divida tem que ter previsão orçamentária. Isso é burlar a decisão do congresso”, disse Rodrigo maia (DEM).


O Globo
"Anac ameaça cancelar vôos se Gol não cumprir normas"
Em reunião ontem com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Gol recebeu prazo até 18 de janeiro para resolver um dos problemas que aumentaram as filas de passageiros em seus balcões de check-in: a falta de unificação dos sistemas da companhia com os da Varig. Se o prazo não for cumprido, a Gol não receberá novas autorizações de vôo. Outro problema apontado pela Anac - a permanência dos aviões em solo por tempo acima do previsto, nos aeroportos de Rio e Brasília - terá de ser corrigido até 26 de janeiro, sob pena de cancelamento de vôos já autorizados. A Gol admitiu os problemas apontados pela Anac e se comprometeu a rever os procedimentos de check-in ainda este ano. Ontem, a empresa voltou a atrasar 42,1% dos vôos, mas atribuiu os problemas ao fechamento do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, por causa das chuvas. O atraso da TAM, no entanto, foi de apenas 7,6% dos vôos.


O Estado de São Paulo
"Planalto atropela Congresso com MP do Fundo Soberano"
Medida provisória publicada ontem no Diário Oficial da União autoriza o Tesouro Nacional a emitir títulos públicos federais para capitalizar o Fundo Soberano do Brasil (FSB), uma espécie de poupança a ser utilizada em caso de crise. Essa possibilidade era expressamente vedada na lei que criou o fundo, mas a proibição foi anulada pela MP. O Diário Oficial que trouxe a MP publica também a lei 11.887, que cria o fundo. Assim, em seu primeiro dia de existência, o FSB já foi alterado. O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Cleber Oliveira, diz que essa foi a "opção técnica" encontrada para viabilizar a constituição do fundo ainda em 2008, uma vez que o Congresso deixou de votar projeto de lei que abria um crédito de R$ 14,2 bilhões no Orçamento da União deste ano para essa finalidade. PSDB e DEM devem questionar no Supremo Tribunal Federal (STF) as decisões adotadas pelo governo.


Jornal do Brasil
"Tudo pronto para 2009"
Especialistas relatam que o Brasil é um dos países mais municiados para encarar as turbulências econômicas em 2009. A posição, baseada nos principais indicadores macroeconômicos, não nos dá imunidade contra a crise, mas indica que os impactos serão menores do que na maior parte das economias ricas ou emergentes. Já o Rio também está preparado, mas para fazer uma bela festa de Réveillon em Copacabana.

Clique sobre a imagem e saiba mais

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Xô crise...

Sexta-feira, 27

Sidney Borges
Acabo de ler que um rapaz morreu em Goiânia de forma que podemos classificar de não usual. Foi vitimado por uma descarga elétrica proveniente do celular. Aconteceu durante uma tempestade. Isso é o que chamo de acaso nefasto. O inverso é o acaso auspicioso, modelo "de luxe". Acontece quando alguém ganha a sorte grande sozinho. Morrer de raio no celular é moderno, óbito contemporâneo. Deve haver alguma compensação cósmica. Apartamento celestial com ar condicionado, ou um cartão de crédito estelar. Eu sempre tive comigo que os celulares representam algum perigo. Se não fazem mal à saúde, o que é questionável, pesam no bolso. O desequilíbrio pode danificar a coluna, sugiro que o indivíduo compre dois celulares e coloque um em cada bolso. Um pode ser de mentirinha. Durante algum tempo falaram de câncer, se a coisa tivesse fundamento o Brasil ficaria em maus lençóis. Na terra cabralina funcionam mais de cem milhões de aparelhos. Se existe negócio da China, na China, ou fora da China, é a telefonia celular no Brasil. As concessionária deitam e rolam, fornecem serviços questionáveis a peso de ouro. E nós, "vida de gado", pagamos. Aparelhos caros com dezenas de "gadgets" inúteis e tarifas dignas de nobres ingleses. Esse compra-compra gerou a crise, digo o compra-compra desenfreado dos americanos. Êta povo esquisito, elegeram um pateta, acreditaram no pateta e entraram na maior fria. Tem quem imagine que a crise foi gerada pelo sub-prime, isto é pela inadimplência dos que compraram casa sem poder pagar e não pagaram. Balela, quem gerou a onça foi o governo americano, digo o irresponsável governo republicano dos Estados Unidos da América. Sem aumentar a receita e multiplicando as despesas a vaca vai pro brejo. Imagino o custo das guerras, os números reais nunca saberemos antes do julgamento de Bush. Não tenham dúvida que quando faltar pão e manteiga de amendoim na mesa alguém vai pagar o pato. Bush e a simpaticissima Condoleeza Rice vão sentir o peso da indignação dos sobrinhos de Tio Sam. Coitados, a América é cheia de gente pesada. As armas de destruição em massa, os temidos camelos nucleares eram de mentira. Por aqui a crise ainda não chegou. No final do ano vou estourar um champanhe, acender um "puro" cubano, e gritar bem alto: xô crise, fora daqui. Aconselho os leitores a fazer o mesmo. Vamos nos unir. Fiscais do Sarney contra a crise. Fiscais do Sarney?

Resposta

Papai Noel

Luis Fernando Verissimo
Espero que não tenha acontecido com você o que aconteceu comigo. Papai Noel respondeu ao E-mail que mandei com meus pedidos de Natal, mas num tom irritado que em nada lembrava o jovial velhinho. Sarcástico, perguntou se eu tinha alguma idéia do que significaria, em termos de negociações, propostas e contrapropostas, inclusive com o marido - para não falar na logística da adequação dos seus contratos profissionais e, ainda por cima, a dificuldade para embrulhá-la adequadamente e colocá-la embaixo da árvore - ele me dar a Catherine Zeta-Jones de presente. Argumentou que meu pedido estava completamente fora da realidade e que eu aparentemente não lia os jornais, senão saberia do seu total engajamento numa missão que exige toda a sua energia e todo o seu tempo: nada mais nada menos do que a salvar o sistema capitalista mundial. Contou que tinha sido recrutado para distribuir sacos e sacos de dinheiro a grandes empresas ameaçadas de falência e não tinha condições para atender pedidos sequer de bonecas de pano, o que diria de presentes mais caros como o meu, neste Natal. Estava convencido de que sua ajuda seria importante, talvez decisiva, mas temia que ela o debilitasse, financeiramente de maneira irreversível. “No próximo Natal estarei falido - e quem será o meu Papai Noel?”, perguntou, antes de me xingar de novo.

Leia mais

Coluna da Sexta-feira

Sagrado recado

Celso de Almeida Jr.
Neste Natal conversei com Deus. Ele sempre atende quando chamo. Não o incomodo com freqüência, mas, em datas especiais, não resisto a uma prosinha.
Ele está animado. Acredita que o homem tomará juízo. Quando comecei a me contagiar com a divina alegria, murchei. Suas referências temporais envolvem séculos e séculos e a previsão para a calmaria na Terra está projetada para o ano 10500.
Aproveitei para consultá-lo sobre o chororô ubatubense. Ele revelou-se impaciente com o número de orações suplicando um emprego na prefeitura. Orientou-me a não telefonar para o Eduardo ou para o Maurinho. Eles poderiam pensar que eu estou na fila. Sugeriu que revele as minhas idéias publicamente, através do Ubatuba Víbora. Mandou, inclusive, eu ligar para o Sidney Borges, cumprimentando-o pelo alcance de seu blog.
Protestei! Por ser onipresente, por que não dar o recado direto ao Borjão? Respondeu-me que adora os papos com ele, mas que a conversa geralmente se estende, dada a erudição do interlocutor. E, apesar da ubiqüidade, não é simples dialogar com todo o mundo, ao mesmo tempo.
Ilustrando sua onisciência, sugeriu que eu imaginasse pilotar uma nave espacial, a 300 mil quilômetros por segundo, velocidade da luz. Afirmou que se ficasse três, quatro, cinco milhões de anos nesse turismo sideral, em linha reta, partindo de nosso planeta, eu ainda estaria muito, muito, muito distante dos limites do Universo. Alegou que, com uma Criação dessa envergadura, toda a história da humanidade, com suas guerras, seu orgulho, suas vaidades, seus holocaustos, caberia num imperceptível grão de areia. Por isso, admirava-se com a pequenez das preocupações humanas e a graça dos pedidos que lhe chegavam em orações: não permitir que o Vasco caia para a segundona; convencer o marido a não flertar com a secretária; iluminar o gerente do banco a pagar o cheque sem fundos; garantir a presidência da Câmara; conseguir casar com um jogador de futebol, entre tantos outros. Gostaria que nós aceitássemos que, apesar de sua onipotência, em alguns assuntos Ele não deve interferir. Crê que o egoísmo sem fim é o maior obstáculo para a nossa evolução espiritual.
Encerrei a conversa. Não quis enveredar por esse campo que pouco domino.
Ao me despedir, agendei um novo encontro para a quarta-feira de cinzas. É uma data difícil, quando, tradicionalmente, amanheço com a consciência pesada. Ele riu. Não é um Deus carrancudo. Sabe das fraquezas dos filhos amados e, tenho a impressão, diverte-se com elas.
Concluo, justificando ao Sidney Borges, prezado editor, o porquê de não lhe telefonar. Já considero, com o presente artigo, ter cumprido a ordem do Pai.

Opinião

Perguntas de fim de ano

Washington Novaes
O Brasil chega a este final de ano posto diante de algumas das maiores dúvidas e interrogações de sua história. Trata-se de saber o que fará com sua matriz energética, especialmente com o petróleo, e com seus recursos naturais, no mundo perplexo com a crise financeira e condicionantes "ambientais" muito graves.


Os jornais anunciam que o governo vai contratar um escritório de advocacia para definir o marco legal para a exploração do petróleo na chamada camada pré-sal, depois que o presidente da República optar entre os vários caminhos examinados por uma comissão interministerial. Aí já terá pela frente questões complicadas, de ordem política, financeira e econômica, que têm sido examinadas por este jornal ao longo dos últimos meses. Mas o problema não se esgota nesse ponto. Será preciso saber como o mundo e o País se comportarão no panorama das mudanças climáticas e na discussão sobre a insustentabilidade do uso de recursos e serviços naturais no mundo, já além da capacidade de reposição do planeta. Porque, em princípio, essas duas questões exigirão profundas mudanças nas matrizes energéticas e de transportes em toda a parte (e no consumo de combustíveis), nos padrões de uso de materiais, nos formatos de construção, na agropecuária, em tudo. No caso do petróleo, influenciarão também com os preços a viabilidade ou não da própria exploração das novas jazidas.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a Agência Internacional de Energia e relatórios como o do ex-economista-chefe do Banco Mundial sir Nicholas Stern dizem que será indispensável reduzir em 80% até 2050 as emissões de poluentes (em que os combustíveis fósseis respondem por 80% do total) que intensificam o efeito estufa e acentuam os desastres climáticos. O mundo em crise acolherá as advertências ou seguirá com o atual aumento de emissões, incapaz de investir em busca daquelas mudanças tecnológicas em meio à crise financeira? Se optar pelas mudanças, em que ritmo elas acontecerão e que influência terão no consumo e nos preços do petróleo, do gás natural e do carvão? Hoje o consumo de petróleo está em 85 milhões de barris/dia (34% da demanda total de energia), com previsão de 106 milhões em 2030 (30% de demanda). Subsistirá? Já caiu um pouco neste final de ano e prevê-se nova queda para 2009.

O preço do barril, que já chegou a mais de US$ 150, na semana passada caiu abaixo de US$ 40 - patamar considerado mínimo por muitos analistas para viabilizar investimentos no pré-sal. Ficará mais viável - principalmente nos países que usam diesel e gás para gerar energia - investir em outros formatos de geração? Uma terceira hipótese será a de estarem ou não à disposição tecnologias que permitam evitar as emissões de poluentes sem mudar a matriz energética. A principal delas seria a captura e o sepultamento de carbono emitido em usinas de geração de energia na queima de diesel, carvão mineral ou gás. Tecnicamente é possível, diz o IPCC. Mas não se sabe ainda que conseqüências geológicas, hidrológicas, sismológicas ou na biodiversidade marinha (se a deposição for no mar) terá. A viabilidade de altos investimentos em petróleo estará condicionada por esses fatores. Ainda mais que a produção na camada pré-sal levará 27 anos, como disse o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, num seminário da Federação Única dos Petroleiros. O que acontecerá em tão largo tempo? Principalmente quando não se sabe exatamente qual é o volume de óleo explorável - e isso depende da geologia, da geofísica, da petrofísica e da engenharia, lembrou ele. Assim como depende do custo futuro de navios, plataformas, refinarias e sondas. E o País ainda não sabe exatamente com que receitas de exportação contará nos próximos anos, para poder calcular investimentos.
Leia mais

Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Teles planejam investir R$ 19 bi em celulares no próximo ano"
Apesar da crise, as operadoras de celular devem investir R$19 bi no próximo ano. O valor é 35% superior ao montante investido em 2008. quando as empresas incorporaram 30 milhões de novos clientes. A maior parte dos recursos será destinada às melhorias da rede atual e à aplicação da cobertura da telefonia 3G (terceira geração), tecnologia que permiti o acesso à internet rápida. As companhias pressionaram o governo para ter crédito especial.


O Globo
"Paes combaterá camelôs com guardas nas ruas até de noite"
O centro e mais dois bairros nas Zonas Sul e Norte do Rio receberão um superchoque de ordem a partir de 5 de janeiro: além de combater transporte pirata, estacionamento irregular e população de rua, o governo Eduardo Paes vai estender o horário de trabalho de guardas municipais até as 21h para inviabilizar a estratégia dos camelôs de ocuparem as calçadas após as 18h. "A idéia é mostrar a presença do Estado", disse o futuro secretário da Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, anunciando ainda que os guardas que atuam no trânsito vão assumir gradualmente o preenchimento dos registros de ocorrência de acidentes (Brats). "Cerca de 25% de ocorrências da PM são para o preenchimento de Brats. A idéia é liberar esses soldados para o patrulhamento ostensivo." A nova administração planeja também uma série de demolições de imóveis irregulares já no dia 5.


O Estado de São Paulo
"Imposto sindical mantém gastança de centrais"
Compra de prédio, aluguel de salas, pagamento de dívidas, reembolso de viagens, remuneração de companheiros e até uma sardinhada contra o aumento de juros. Essas foram algumas das formas encontradas pelas seis centrais sindicais para gastar os R$ 61 milhões vindos do governo federal este ano, referentes a 10% do imposto sindical arrecadado - equivalente a um dia de trabalho, descontado do empregado. A parte do bolo é igual à que vai para o Ministério do Trabalho e Emprego. A CUT foi a que mais recebeu: R$ 21,5 milhões. E é a única que ainda não mexeu no dinheiro. O direito à verba veio em 31 de março, quando as centrais foram reconhecidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele vetou na lei a prestação de contas obrigatória ao TCU, mas o tribunal, diz que vai verificar gastos.


Jornal do Brasil
"Natal violento nas estradas do país"
Balanços preliminares de acidentes revelam que o Natal foi marcado pela combinação explosiva de imprudência e péssimas condições das estradas mais afetadas pelas últimas chuvas. É o caso de Minas Gerais. Do dia 20 até quarta-feira, 34 pessoas morreram nas rodovias federais do estado.
No Paraná, foram 145 acidentes, com 124 feridos e seis mortos. Em São Paulo, só no sistema Anhangüera-Bandeirantes, 28 acidentes, 14 feridos e uma morte. No Rio, a expectativa é de números próximos aos de 2007. Os aeroportos do país continuam com atrasos e vôos cancelados.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Detalhes



Jardim

Sidney Borges
Essa rosa é a mais recente moradora da casa. Na semana passada mudou-se para cá um teiú filhote. Está acomodado atrás da máquina de lavar, imagino que esperando o Brasil se acostumar com a idéia. Enquanto isso devora as frutas que ofereço. A brilhante e esfuziante criatura rosácea nasceu na antevéspera do Natal e foi muito aplaudida por todos os que a viram, especialmente o beija-flor verde metálico que a encheu de beijos esta manhã.

JOHN LENNON

2009

O Ano Novo já está batendo na porta

Marcelo Mungioli
Comece a arrumar as gavetas, colocar suas coisas em ordem. Escolha as roupas com as cores do Ano Novo (verde ou vermelho) para a noite da Virada e prepare-se: 2009 tem tudo para ser um dos melhores anos de sua vida!


Digo isso partindo da seguinte premissa: estamos todos mais maduros, já passamos por poucas e boas e estamos aprendendo com os nossos erros cotidianos. Temos 2009 pretextos para que o primeiro dia do próximo ano seja a nossa porta de entrada para a felicidade.


Se você não anda muito bem de saúde, pare e pense em como a medicina evoluiu nos últimos anos. Concentre suas energias positivas, mentalize positivamente e ajude a medicina a fazer o seu papel: deixar você novo em folha!

Se a grana anda curta, anime-se: o ano novo promete ser bem melhor que o passado. Estude novas possibilidades de negócios e serviços. Ouse, saia da mesmice. Invista em você, sempre!


Se a reclamação é o seu amor, ou a falta dele, 2009 lhe oferece a oportunidade de começar tudo outra vez, corrigindo os velhos erros, lançando mão de toda a experiência adquirida nas relações passadas. Ame como nunca amou.

Se a reclamação é que sua vida anda vazia, dedique-se a uma causa justa: procure a nossa Santa Casa, um lar de idosos, um orfanato e passe a ter um bom motivo para viver: ajudar a trazer um pouco de consolo e felicidade aos que pensam que nada tem. Em pouco tempo, sua vida estará plenamente preenchida e uma nova realidade surgirá aos seus olhos.

Para enfrentar estes e os demais problemas da vida, a receita é bom senso e força de vontade para vencer. Ambos estão dentro de você, esperando para serem usados a cada momento.

Nada é impossível para quem acredita, para quem confia, para quem quer algo de verdade. No Ano Novo, aproveite para pedir menos e agradecer mais a Deus, ajudar e confiar mais nos seus semelhantes. São estas mudanças que farão a diferença e tornarão 2009 aquele ano inesquecível.

A todos os amigos, sinceramente, desejo um Natal de Paz, inspirado pela verdade deste nosso Jesus Cristo sempre presente e um Ano Novo repleto de Paz, Saúde, Amor e Prosperidade.

Opinião

O jogo dos reféns

Demétrio Magnoli
Na visita de Lula a Havana, 11 meses atrás, teceu-se a operação diplomática que culminou na Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc), no Sauípe, semana passada. O acerto bilateral entre Brasil e Cuba passou menos pelo Itamaraty do que pelos canais diretos de Lula e do PT com os Castros. Os dois lados compartilhavam o interesse de promover uma iniciativa latino-americana que excluísse Hugo Chávez do centro do palco. O presidente brasileiro almejava recuperar a auréola perdida de liderança regional. Os cubanos pretendiam desvencilhar-se do caixote estreito da Alternativa Bolivariana para as Américas, o grupo geopolítico controlado pela Venezuela, que lhes serviu no cenário imposto pelo governo Bush, mas torna-se quase imprestável com o advento do governo Obama.


"Mesmo que nada tivesse acontecido aqui, essa reunião valeu a pena só pelo fato de o Grupo do Rio ter aprovado a volta de Cuba." Lula é muito claro, quando quer. Essencialmente, nada aconteceu na Calc exceto isto: ao incorporar Cuba, o Grupo do Rio extinguiu-se como mecanismo de consulta de países democráticos da América Latina e construiu um novo degrau na escada que conduz ao cancelamento da OEA. O degrau prévio foi a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, também patrocinado pelo Brasil.

A OEA que se tenta cancelar não é mais o instrumento de hegemonia hemisférica dos EUA de outros tempos. Oriunda da época áurea do pan-americanismo, a organização de segurança regional se completou com o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, que servia ao propósito de subordinar as Forças Armadas das Américas ao comando de Washington. O duplo aparato da guerra fria entrou em crise com a Guerra das Malvinas, em 1982, quando os EUA respaldaram a Grã-Bretanha, sua aliada na OTAN, enquanto os países latino-americanos declararam apoio à reivindicação argentina. Mas a OEA reinventou-se no pós-guerra fria, adotando em 2001 uma Carta Democrática, que foi invocada para deter o golpe de Estado contra Hugo Chávez, no ano seguinte. No Sauípe, sob o cobertor puído da retórica antiamericana, ergueu-se uma frente de rechaço aos compromissos costurados na hora da reconstrução da OEA.

O regime cubano contou com a sorte de atravessar a fase inicial da transição de poder provocada pela doença de Fidel Castro na conjuntura de repúdio internacional às políticas de Bush. A eleição de Obama modifica a disposição das peças no tabuleiro, colocando o problema do ingresso de Cuba no sistema das Américas. A solução democrática do impasse exigiria a libertação incondicional dos presos políticos em Cuba, o levantamento igualmente incondicional do bloqueio econômico americano e uma negociação com vista à instauração dos direitos humanos básicos na ilha. Mas Raúl Castro explora uma hipótese diferente: a incorporação de Cuba a instituições latino-americanas, circundando a OEA, e uma barganha paralela com Washington de troca dos presos políticos por espiões cubanos que cumprem pena nos EUA. No Sauípe, contando com os bons ofícios do Brasil, o ditador cubano avançou nesse rumo estratégico.
Leia mais

Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Americano volta a financiar imóveis"
Os pedidos de hipotecas nos Estados Unidos cresceram 48% na semana encerrada no último dia 19, nível mais alto desde julho de 2003, segundo dados divulgados ontem pela Associação de Bancos de Hipoteca (MBA, na sigla em inglês). Essa alta é sinal de que começa a dar resultado a política do Fed, o banco central americano, de baixar os juros (para quase zero) e baratear o custo do dinheiro no país. Também parece funcionar a intervenção recorde do Fed, de até US$ 500 bilhões, nas três gigantes hipotecárias, Fannie Mae, Freddie Mac e Ginnie Mae.Com as medidas, o juro do financiamento de 30 anos dos imóveis caiu para 5,04%, a menor taxa em cinco anos e após um pico de 6,59% em 2008. E o número de pedidos de financiamentos (novos ou renegociações) subiu 106% em relação ao mesmo período de 2007. Por outro lado, o Ministério do Trabalho informou que houve aumento recorde nos pedidos de auxílio-de-desemprego na semana passada, que chegaram a 586 mil - o maior desde 1982. O gasto médio dos consumidores também caiu 0,6% em novembro, o quinto mês seguido de queda.


O Globo
"Crise pode levar governo a financiar obras do PAC"
Com o agravamento da crise econômica internacional nos últimos três meses, o governo já estuda assumir parte dos US$ 50 bilhões necessários para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, pelo projeto inicial, seriam licitadas e concedidas à iniciativa privada no próximo ano. Ao menos na fase inicial, alguns projetos de rodovias e hidrelétricas podem ser assumidos pela União, que usaria as verbas do Orçamento. Segundo uma fonte da área econômica, a idéia é iniciar essas obras e, depois, repassá-las ao setor privado em um momento de calma maior no mercado externo. De acordo com a fonte, alguns novos projetos poderão ser somados ao PAC em janeiro, quando o programa completará dois anos. Para Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base, o desafio é obter financiamento para os projetos.


O Estado de São Paulo
"Cresce risco de calote de empresas"
O principal indicador de risco de crédito aponta piora na situação das 276 maiores empresas do País, com faturamento superior a R$ 800 milhões. Feito pela Serasa, que tem grandes bancos entre seus clientes, o levantamento reforça temores de que o crédito fique ainda mais escasso em 2009. A nota média das companhias mudou de 4,5 para 5,2 – quanto mais alto o índice, maior o risco de calote – e 34 delas foram rebaixadas para as classes de médio ou alto risco. Outro índice da Serasa mostra que em novembro a inadimplência de pessoas jurídicas cresceu 28,2% em relação ao mesmo mês de 2007. Para o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, a mudança na classificação de risco não reflete a real situação das empresas. “Se os bancos se guiarem por essa fotografia de curto prazo e encarecerem o crédito, vão causar problemas para a economia.”


Jornal do Brasil
"Alemanha e Japão têm pacote de Natal"
O governo do Japão aprovou o maior orçamento público de sua história na esperança de estimular a recuperação econômica. São 88,5 trilhões de ienes (cerca de US$ 980,6 bilhões) a serem aplicados no ano fiscal de 2009. O governo alemão planeja um novo pacote de estímulos de 25 bilhões de euros (US$ 35 bilhões). Os alemães já haviam aplicado 31 bilhões de euros em medidas contra a crise.

quarta-feira, dezembro 24, 2008


Clique sobre a imagem e saiba mais

Imprensa

Noves fora

Ideologia é papel de embrulho em campanha de jornalistas

por Márcio Chaer
(...) Jornalistas não precisam ser imparciais. Mas convém que sejam honestos. É impossível proibir a troca de favores ou a lealdade a fontes. O dinheiro não é um corpo estranho na relação entre empresas, governos e jornais, blogs e revistas — a partir do momento em que os veículos de comunicação o recebem de personagens das notícias pelas portas do departamento comercial. O desejável é que não se misture publicidade com informação jornalística. Quando um órgão de informação passa a trabalhar a favor ou contra empresário, político ou empresa, seria conveniente que informasse frontalmente seus motivos. (...)

Leia mais

Luiz Melodia em Boas Festas

Véspera

Feliz Natal

Sidney Borges
Jesus veio ao mundo nos salvar. Obviamente de nós mesmos. Apesar da tragédia envolvendo martírio, crucificação, ressurreição e depois, em nome Dele, embora eu tenha certeza que sem o apoio Dele, a Inquisição, parece que tudo piorou. Ou se não piorou continua ruim depois de dois mil anos de guerras, matanças, escravidão e intolerância. Segundo o filósofo Theodor Adorno, “a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram essa regressão”. O homem evolui lentamente, se é que no aspecto moral acontece alguma evolução. A atitude predatória e inconseqüente é marca registrada do macaco pelado. O Planeta vai sendo destruído em nome de um consumo desenfreado, esquizofrênico e desnecessário. Talvez a humanidade se mude para outros planetas. Fazer apologia da hecatombe não é do meu feitio, embora seja impossível não abordar o tema quando o propósito do texto é dar boas festas aos amigos. O que eu quero dizer é que lá no Paraíso está na hora de Deus reavaliar o que foi feito e tentar novamente. A vinda de Jesus não deu certo. Salvaram-se algumas dezenas, é verdade, mas a maioria arde nas chamas eternas das fornalhas de Belzebu. Acho que Ele precisa voltar. Se não der certo de novo, Deus vai concluir que a humanidade não tem jeito. Alguma coisa falhou. Quem sabe o barro primitivo não fosse bom, ou um cometa tenha passado no instante do sopro. O defeito está instalado, defeito de fábrica, sem conserto. Deus certamente vai tomar uma providência divina. Antevejo a possibilidade de sermos transformados em bacalhaus. Para gáudio dos ambientalistas a espécie não correrá mais risco de extinção. Com a chegada de seis bilhões de indivíduos frescos as focas terão alimento de sobra e quem sabe, com tempo para pensar, evoluam. Só não entendo o porquê da insistência de Deus em nos salvar se foi ele que criou tudo. Poderia ter nos criado salvos e tudo estaria resolvido. Bom, nesses assuntos eu não me sinto confortável em opinar. Se Jesus voltar terá o meu apoio. Sempre simpatizei com Ele.
Bom Natal a todos.

TV Víbora

Coca-Cola - Tamanho Grande - anos 50

Opinião

Só quem trabalha pode pagar o almoço

José Nêumanne
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encasquetou com a idéia fixa de que ele vai livrar o Brasil da crise se fizer o brasileiro consumir. Por isso, fingiu descer do palanque eleitoral para trocar o papel de eterno candidato pelo de garoto-propaganda do consumismo redentor. A idéia parte do pressuposto aparentemente simples, mas na verdade apenas simplista, de que, se o consumidor comprar, o comércio venderá, levando a indústria a produzir, a empresa a empregar e o trabalhador garantirá, destarte, sua renda para assegurar o próprio poder de compra. Usando uma parábola futebolística da preferência presidencial, é como se uma partida começasse aos 90 minutos e o cronômetro fosse rodando para trás até chegar ao zero - com o resultado predeterminado pelo árbitro. Caberia aos jogadores dos dois times cumprirem as determinações prévias de fazer os gols necessários para a derrota, a vitória ou o empate determinados pelo supremo juiz.


A torcida do Corinthians, contudo, sabe que não se joga o jogo assim, mas na ordem inversa das coisas: ele começa no primeiro minuto e acaba no último; o destino das equipes é determinado por suas atuações; e, embora o juiz possa influir no resultado, não é esperado nem lícito que o faça. Pois dessa forma é também a vida real da economia: o campeonato começa com a disposição de produzir da sociedade, continua com a sua capacidade de poupar e se completa com a necessidade de consumir. Embora corintiano roxo, o presidente parece não ter percebido que os desmandos do clube levaram o time à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. E foram o empenho e engenho dos jogadores, sob uma gestão adequada, que o levaram de volta à Primeira, não apenas a vontade suprema da diretoria nem o entusiasmo da torcida.

Sua Excelência Excelentíssima e seus áulicos poderão argumentar que a teimosa disposição dos japoneses para poupar não os salvou dos estilhaços da crise dos mercados financeiros internacionais. Japoneses são tão viciados em poupança quanto os brasileiros em gastança e tudo indica que estão sendo mais atingidos pelo tsunami de Wall Street que nós aqui nestes tristes trópicos. É fato também que os séculos de cultura e civilização vividos pelos europeus de nada lhes têm valido para livrá-los do pânico da recessão, que assombra o mundo. A antiga habilidade de produzir mais e melhor (inventando sistemas como a linha de montagem, por exemplo), que deu aos antigos colonos da Nova Inglaterra o domínio sobre o mundo, não impediu que a hecatombe fosse nutrida no seio de seu sistema financeiro. Mas isso não modifica leis fundamentais da sobrevivência humana que o apóstolo São Paulo resumiu numa frase genial, que o presidente Lula, mais que seus assessores, comunistas, et pour cause, ateus, deveria ter aprendido, após tantos anos de freqüência de missas: "Quem não trabalha não come."

Os economistas liberais da Escola de Chicago adaptaram a sentença curta, dura e sincera do primeiro teólogo cristão para "não há almoço grátis". E a bruta sentença paulina sobrevive nestes tempos bicudos de pós-capitalismo: não há produção sem consumo nem vice-versa. O trabalho precede a refeição e, em termos atuais, a paga. Pois a produção garante a remuneração, não cabendo nessa equação a velha dúvida entre a precedência do ovo sobre a galinha ou da galinha sobre o ovo. Talvez esta não seja a melhor hora para concentrar esforços na poupança, mas certamente comprar sem freios nada resolve, se não por qualquer outro motivo pelo menos pela óbvia razão de que só compra quem tem dinheiro no bolso e dinheiro, ao contrário do que Lula possa pensar, não é um papel pintado impresso na Casa da Moeda, mas um signo de troca resultante da capacidade de uma sociedade de produzir, poupar e consumir. Não se produzem riquezas só com vontade política e as complicadas malhas da economia real são impermeáveis às leis do marketing político, matéria na qual ele é mestre incontestável.
Leia mais

Manchetes do dia

Quarta-feira, 24 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"BC prevê freada no crédito em 2009"
O Banco Central prevê que, em 2009, o mercado de crédito cresça metade do que aumentou em 2008 (16%, ante 31% neste ano ). Segundo o BC, em meio à crise financeira, os bancos estão emprestando menos e os consumidores têm sido mais cautelosos em contrair dividas. Esse comportamento já se refletiu nos números de novembro, com empréstimos mais caros e com prazo menor. No mês, o crédito para empresas aumentou 3%, mas a variação foi zero para as pessoas físicas. O cenário só não foi pior devido à ação dos bancos oficiais, que ajudou na recuperação dos financiamentos a empresas. Segundo Altamir Lopes, do BC, o crédito para o consumo das famílias foi fortemente afetado pela queda nos empréstimos para a compra de veículos. No mês passado, a inadimplência nas operações com pessoas físicas atingiu 7,8%, o maior valor desde agosto de 2003. Foi a segunda alta seguida desde o agravamento da crise.


O Globo
"Crise eleva juros para consumidores no Natal"
Com a redução do crédito provocada pela crise econômica global, os juros para o consumidor brasileiro voltaram a subir às vésperas do Natal. Dados do Banco Central mostram que as taxas para pessoas físicas, após encerrarem novembro em 58,7%, alcançaram 59,4% em dezembro, o maior nível em três anos. Desde outubro, quando a crise financeira se agravou, as taxas cobradas aos clientes já subiram 6,3 pontos percentuais e os juros do cheque especial alcançaram 174,8%, os mais elevados desde 2003.
Com o encarecimento dos empréstimos, a inadimplência dos clientes bateu recorde. Para o diretor do BC Altamir Lopes, a "alta reflete a aversão ao risco" nos bancos do país. Apesar disso, os brasileiros tomaram este ano empréstimos equivalentes a 40% do PIB do país, também um recorde histórico.


O Estado de São Paulo
"Queda da receita provoca déficit nas contas do governo"
As contas do governo central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central) fecharam o mês de novembro com um déficit de R$ 4,3 bilhões, segundo informou ontem a Secretaria do Tesouro Nacional. O rombo é o primeiro de 2008 e o maior da série histórica, iniciada em janeiro de 1997, sem contar os meses de dezembro, quando costuma ocorrer déficit por causa da concentração de gastos. A principal causa foi a queda da arrecadação federal, em conseqüência dos efeitos da crise sobre a atividade econômica. A receita bruta do Tesouro caiu R$ 10,1 bilhões (18,8%) em novembro, para R$ 43,74 bilhões. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou que o resultado "está absolutamente dentro da programação" e não afetará o superávit primário previsto para o ano. Ele atribui o desempenho a "fatores específicos", como a mudança de data do pagamento dos benefícios da Previdência.


Jornal do Brasil
"Muros cercarão favelas"
A pedido do governador Sérgio Cabral, a Empresa de Obras Públicas vai começar a construir, em janeiro, um muro de três metros de altura e 634 de comprimento no Morro Dona Marta, bairro do Botafogo. O objetivo é conter a expansão da favela. A medida, porém, é polêmica. Em 2004, o então vice-governador Luiz Paulo Conde propôs erguer um muro na Rocinha, mas a idéia foi demolida pelos ataques de ambientalistas. Agora o governo estadual já prepara novas muralhas em outras comunidades - a próxima também na Zona Sul do Rio.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Coluna da Terça-feira

Taxa do lixo em Ubatuba: agradeça ao Prefeito por esse presente de Natal

Maurício Moromizato
Estava preparando uma crônica de Natal, mas não foi possível deixar de comentar o mais recente absurdo de nossa cidade.

Os cidadãos de Ubatuba e os proprietários de imóveis no município acabam de receber um belo presente de Natal da Prefeitura e da Câmara dos Vereadores: está publicada a lei 3145 de 12 de Dezembro de 2008, dispondo sobre a cobrança da Taxa de Coleta de Lixo a partir de 2009. Estão contemplados todos os 36.444 imóveis registrados, com valores proporcionais ao IPTU e os permissionários de quiosques, tributados em R$ 500,00 anuais.

Quem procurar no mesmo jornal, encontrará publicada a lei 3155 de 17 de dezembro de 2008, estimando receita e despesa do Município de Ubatuba para 2009. Nessa lei, no item Receitas correntes, há um item de “outras receitas correntes”, estimado em R$ 9.773.000,00 (nove milhões e setecentos e setenta e três mil Reais), e abaixo, no artigo 5º, como despesa da administração direta aparecem R$ 9.150.969,00 (nove milhões, cento e cinqüenta mil, novecentos e sessenta e nove Reais) para “Gestão Ambiental”, que certamente engloba o total a ser gasto com a coleta do lixo e se pretende arrecadar com essa nova “TAXA DE COLETA DE LIXO”. Não fiz a soma, mas informações extra-oficiais dão conta que a receita dessa nova “TAXA” será por volta desses Nove Milhões de Reais que aparecem como outras receitas correntes e como despesa para gestão ambiental. Ao leitor, informo que o valor acima citado é próximo ao total de gastos previsto para as áreas de segurança pública, assistência social, agricultura, turismo (veja bem, turismo) e desporte e lazer, JUNTOS!!!

Para quem se lembra, o atual prefeito assumiu seu primeiro mandato com problemas no aterro sanitário do município. Teve, portanto, quatro anos para discutir o assunto e resolver o problema. A solução veio há pouco mais de uma semana para o fim de seu mandato, na calada da noite, sem discussão e sem se dar publicidade (e a prefeitura dá publicidade de tudo o que faz!). É assunto a ser tratado pelo Conselho da Cidade, com pressão junto aos órgãos estaduais, para que a solução seja nos prazos adequados e a melhor para o município.
Quem ganha com essa TAXA? Certamente a empresa que transportará o lixo, que aumentará seus lucros de maneira exorbitante fazendo o transbordo de Ubatuba a Tremembé. Alguém mais? Desconheço...


Quem perde com essa TAXA? Todos os cidadãos de Ubatuba, que terão nove milhões ao ano indo literalmente “para o lixo” e para o bolso da felizarda empresa que “ganhar a concorrência” para prestar tão nobre serviço público. Perdemos todos porque seja com a taxa do lixo que deveremos pagar, seja pagando com recursos do orçamento, serão Nove Milhões que deixam de ir para o consumo e para investimentos. Se for pago pelos cidadãos através da taxa criada, é dinheiro (nove milhões ano), que seria gasto com alimentação, vestuário, lazer, educação, cultura, saúde e tantas outras necessidades que já tem o povo de Ubatuba, e que agora poderá ir para o lixo. Se a taxa for revogada (já aconteceu com o presente do ano passado, a taxa dos bombeiros), o dinheiro a ser gasto também será do contribuinte, mas do orçamento público, e aí será dinheiro que deixará de ser gasto com pagamento de funcionários, com construção e melhoria de escolas e postos de saúde, com investimento em cultura, lazer, turismo (já imaginou o quanto se poderia promover Ubatuba com NOVE MILHÕES ao ano), esporte (alô esportistas, já pensaram quanto poderia ser aplicado em transporte para competições, em material e preparação, em escolinhas de esporte?).

Perde muito o meio ambiente, que ficará refém dessa despesa. Já pensou gastar nove milhões/ano efetivamente em gestão ambiental?

É preciso ficar atento aos interesses envolvidos. Quem será que está por trás dos lucros com o aterro em Tremembé, particular, e que poderia ter interesse no atraso do licenciamento de um aterro regional no litoral norte, público, em consórcio com as quatro cidades? Quem está por trás do aparente descaso com o aterro municipal, já que no início do governo atual havia manifestações públicas de técnicos dando conta que havia solução para o aterro de Ubatuba.
Se o transbordo era inevitável, porque a Prefeitura de Ubatuba não colocou o assunto em discussão, de maneira que o dinheiro a ser gasto ficasse no município, com estímulo a que empresários locais investissem de maneira consorciada para fazer o serviço, e mais, que para proteger a economia municipal fosse feito um projeto para que a coleta do lixo também fosse entregue a empresários e empresas locais, minimizando o impacto econômico na cidade. Mais, a Prefeitura de Ubatuba teve quatro anos para dinamizar a coleta seletiva, diminuindo o volume e aproveitando a riqueza que pode sair do lixo. Por que não fez?


Com esse gasto, não dá para aceitar o transbordo, pois é um dinheiro que o município não tem e se tivesse não poderia desperdiçar nesse quesito. Temos outras prioridades e outras urgências.
O Prefeito que tomará posse em primeiro de Janeiro tem obrigação de solucionar essa questão. O melhor a fazer é revogar a lei, colocar o assunto em discussão e buscar a melhor estratégia de ação para a cidade solucionar esse problema. O interesse deve ser público, do município e de seus cidadãos. A discussão deve passar pela proteção da economia municipal na coleta e transbordo temporário do lixo; acionamento jurídico do governo Estadual e de seus órgãos, para proporcionar liberação de áreas para instalação de aterro regional; projetos para o governo federal, com gestão política para recursos que permitam de maneira rápida a instalação do aterro regional, público; programa municipal amplo, urgente e abrangente de coleta seletiva, aproveitando para proporcionar geração de emprego e renda aos nossos cidadãos.


O Prefeito tem a obrigação (e uma grande oportunidade) de chamar para discussão pública a Associação Comercial, o ministério público, os órgãos estaduais envolvidos, a OAB, a sociedade civil, as entidades ambientalistas, os representantes de trabalhadores e todos os cidadãos interessados no tema. Mas tem que ser um chamamento para a discussão, para a elaboração de proposta, para proporcionar conhecimento sobre o tema a todos. Uma conferência sobre o tema, logo após o Carnaval, é possível de ser realizada. Haveria apresentações técnicas sobre o tema, relativas á economia, ao orçamento municipal, a tributação, ao meio ambiente, à coleta seletiva, ao licenciamento ambiental. Na sequência, debates e discussões entre todos para que se levantassem todos os problemas e se propusessem soluções. Se dessa conferência sair que há necessidade de uma taxa e isso for aprovado pela plenária, aí sim se encampa a idéia e se leva para apreciação dos vereadores. Chega de soluções pontuais, de leis de última hora, de descaso com o dinheiro público e com o bolso do cidadão!

Escrevo essas palavras como cidadão e como honrado colunista do UBATUBAVIBORA. Como político, levarei a questão ao PT para discussão e posicionamento partidário e jurídico sobre a TAXA DO LIXO. Convido todos os leitores e mais a ACIU, o ministério público, as entidades ambientalistas, o SINHORES, O Rotary, a maçonaria, o Lions Club, a Associação dos Aposentados, os Sindicatos, os Partidos Políticos e todos os segmentos organizados a se manifestarem publicamente sobre o tema, se favoráveis ou contrários, se querem discutir ou se aceitam tudo como foi feito e como vai ficar.

É como venho pregando sistematicamente nesse espaço: a participação direta nos assuntos que dizem respeito ao município é obrigação de todos nós, e vem antes de exigirmos nossos direitos.
Finalizo desejando a todos um Feliz Natal, com a certeza que os presentes e as presenças na noite de Natal serão muito melhores que o presente dado a todos nós com a “taxa do lixo”.
Muita paz, muita felicidade e muito amor a todos vocês e a quem mais vocês desejarem.
Um forte abraço,
Maurício Moromizato

TV Víbora

Esso Motor Oil Opera - anos 50

TV Víbora

Primeiro comercial Coca-cola no Brasil - anos 50

Câmara

Definição sobre vereadores vai ficar para 2009

Por Luciana Nunes Leal, no Estadão:
Os presidentes do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vão passar as festas de fim de ano sem uma decisão final sobre a emenda constitucional que cria 7.343 vagas de vereadores no País, motivo de grave atrito entre as duas Casas desde a semana passada. O Supremo Tribunal Federal (STF), ao qual Garibaldi recorreu para garantir o aumento das vagas, informou por meio de sua assessoria que o mérito do mandado de segurança será decidido depois do recesso do Judiciário, que termina em 31 de janeiro.

Nos últimos minutos de sexta-feira, o ministro do Supremo Celso de Mello pediu informações à Câmara e não atendeu ao pedido de liminar feito por Garibaldi, para imediata promulgação da emenda, com o argumento de que esgotaria a questão antes das alegações de Chinaglia. Na quinta-feira passada, a Mesa Diretora da Câmara decidiu não promulgar a emenda constitucional, por considerar que ela foi modificada no Senado e deixou de limitar os gastos das câmaras municipais, apesar do aumento de vereadores. A promulgação da emenda deveria ser conjunta, da Câmara e do Senado. Na sexta, Garibaldi impetrou um mandado de segurança no Supremo.

Durante o recesso, o caso ficará sob responsabilidade do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e dificilmente será concedida a liminar pedida por Garibaldi. "Se a liminar não for dada, realmente não acredito que isso seja resolvido este ano. Estou defendendo uma prerrogativa do Senado. Eu esperava um fim de ano sem esse problema. Durante 2008 tivemos um entendimento salutar entre Senado e Câmara", lamentou Garibaldi, ontem.

O relator do mandado de segurança será o ministro Carlos Alberto Direito, que na sexta-feira já tinha viajado em férias. Coube então a Mello, o decano do STF, a providência de pedir mais informações a Chinaglia. Com Mello também em férias, caberá agora a Gilmar Mendes tomar qualquer decisão até o fim de janeiro.

Chinaglia informou ontem que o setor jurídico Câmara providenciará as respostas ao Supremo, assim que receber o despacho do ministro. "Não vou deixar isto para a outra Mesa Diretora", afirmou o deputado, que sairá da presidência no início de fevereiro, quando será eleita uma nova Mesa.

Opinião

Pressa suspeita

Editorial do Estadão
Com a publicação, ontem, no Diário Oficial da União do ato da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que autoriza a Oi a comprar a Brasil Telecom (BrT), conclui-se, em tempo recorde e em circunstâncias nebulosas, o maior negócio do setor de telecomunicações do País desde a privatização do Sistema Telebrás, há cerca de dez anos.

O governo poderá dizer que não passa de simples coincidência o fato de uma das empresas beneficiárias ser também um dos maiores doadores de recursos para a campanha presidencial do candidato do PT. Mas o notório interesse das autoridades em apoiar e, sobretudo, criar as condições legais e financeiras para a concretização de um negócio mal justificado e realizado em condições absolutamente excepcionais deixa o governo em situação no mínimo desconfortável. A fusão das duas operadoras resultará na constituição de uma supertele, com receita líquida anual de R$ 30 bilhões, base de 22 milhões de telefones fixos e mais de 20 milhões de aparelhos celulares, com imenso poder de mercado em sua área de atuação.

A Anatel afirma que, com a constituição da nova empresa, haverá mais equilíbrio econômico e financeiro entre os diversos grupos que atuam na área de telecomunicações no País, pois serão três grandes operadoras em condições de competir entre si. Para o presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), Luis Cuza, porém, a fusão Oi-BrT afetará o mercado brasileiro, pois resultará numa concentração significativa. Por isso, a TelComp anuncia sua disposição de recorrer a todas as instâncias possíveis, administrativas e judiciais, para tentar impedir que a fusão se concretize.

Mas não é só o enorme poder de mercado da nova empresa que causa espanto e desconfiança no cidadão comum e no contribuinte. Os que mais ganham com o negócio são as empresas privadas Andrade Gutierrez - grande financiadora da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e que, coincidentemente, participava da Gamecorp, que tem entre seus sócios Fábio Luis da Silva, filho mais velho do presidente -, do empresário Sérgio Andrade, e La Fonte, de Carlos Jereissati, controladoras da Oi (antiga Telemar).

A trajetória dessas empresas no setor de telecomunicações não teria sido tão vitoriosa, como lembrou o repórter Renato Cruz na edição de domingo do Estado, se não tivesse contado com fortíssimo apoio financeiro do poder público. Sem nenhuma experiência em telecomunicações, o grupo vencedor do leilão de parte do Sistema Telebrás realizado há dez anos e do qual faziam parte as empresas citadas pagou ágio de somente 1% e só se tornou financeiramente viável com dinheiro do BNDES. O mesmo banco oficial destinou recentemente R$ 2,659 bilhões para a reestruturação societária da Oi e o Banco do Brasil concedeu à empresa empréstimo de R$ 4,3 bilhões para a compra da BrT. A generosidade oficial beneficiou um grupo privado num momento em que todos os demais setores da economia necessitam urgentemente de financiamentos, mas não encontram.
Leia mais

Manchetes do dia

Terça-feira, 23 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Emprego em novembro tem pior taxa em 10 anos"
O nível de emprego em novembro registrou a primeira queda nesse mês do ano desde o inicio do governo Lula. Foi a maior retração no mês em dez anos. Segundo o Ministério do Trabalho, houve perda de 40,8 mil vagas –diminuição de 0,13% em relação a outubro. O impacto da crise internacional foi mais sentido pela industria, que fechou 80,8 mil posto. A agricultura cortou 50,5 mil empregos. A construção civil, 22,7 mil. A retração foi aliviada por contratação em serviços e comércio, que criaram somados, 117 mil vagas. O ministro Carlos Lupi (trabalho) classificou de “pífia” a queda de empregos em novembro, em comparação com a intensidade da crise em outros paises. “O mundo está desempregando muito, e o Brasil continua mantendo a empregabilidade forte”, avaliou Lupi. Ainda ontem, relatório do Banco Central condicionou o controle da inflação em 2009 a crescimento menor que o planejado pelo governo. Segundo o BC, a inflação do próximo ano será de 4,7% (a meta é de 4,5%), se a economia crescer 3,2% - o Planalto prevê 4%.


O Globo
"Emprego formal cai pela primeira vez na era Lula"
A crise econômica global interrompeu o longo ciclo de crescimento do emprego com carteira assinada no Brasil. Pela primeira vez no governo Lula, o Ministério do Trabalho registrou a redução de postos de trabalho, constatando um corte de 40.821 vagas em novembro. A maioria das demissões aconteceu na indústria, que diminuiu em 80.789 o número de trabalhadores empregados na metalurgia e nas fábricas de alimentos, material de transporte e calçados. Apesar dos sinais de desaceleração da economia, o presidente Lula disse, em mensagem de Natal na televisão, que a crise não assusta o país.


O Estado de São Paulo
"Emprego com carteira cai pela primeira vez em 6 anos"
O governo federal informou que em novembro houve queda de 0,13% no número de empregos com carteira assinada em relação a outubro. Isso representa uma perda de 40,8 mil empregos formais. A queda não era verificada desde o final de 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso.
Trata-se também do primeiro resultado negativo do emprego no governo Lula, sem considerar os meses de dezembro, quando há normalmente um número alto de demissões, sobretudo as de trabalhadores temporários. O setor automotivo e agricultura foram os principais responsáveis pela redução no número de postos de trabalho. "Essa queda é um reflexo da crise", disse o ministro Carlos Lupi (Trabalho).
Ele tentou minimizar o resultado: "Perder 40 mil empregos não é bom, mas, comparado ao efeito da crise no mundo, é insignificante". A previsão para a criação de novos empregos com carteira assinada em 2008 caiu de 2 milhões para 1,85 milhão, ainda assim um recorde.


Jornal do Brasil
"Viagens de fim de ano em risco"
Sem acordo com as empress aéreas sobre o reajuste salarial da categoria, os aeroviários ameaçam entrar em greve amanhã - véspera de Natal. É mais um ingrediente à receita de fim de ano que complica a vida dos passageiros nos principais aeroportos do país, como os de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Ontem, a Infraero voltou a registrar atrasos. Houve demora em quase 30% dos vôos. Apesar dos problemas, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Ronaldo Seroa, comemora: os atrasos estão menores se comparados aos do ano passado, diz.

Clique sobre a imagem e saiba mais

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Crônica

Dorival Caymmi virou Tartaruga Ninja

Marcelo Mirisola*
Conheci um cãozinho, Bob, que envia e recebe emails. Sua dona jura que sim, e disse que a caixa de entrada do Bob está sempre cheia. Às vezes, ela mesma tem de responder aos emails do “filhão”, tamanho o assédio internético da cachorrada. Imagino os compromissos e as coisas que passam na cabeça dele, e dela. Além de responder emails, Bob anda de skate e toca piano. Um gênio da raça, a dona garante que sim.

Pensei: esse cãozinho ainda vai ser entrevistado pela Ana Maria Braga, e cheguei a uma conclusão definitiva e incontestável: Bob é um gênio porque atende às expectativas da dona, deve ser o Einstein do Pet Shop.

A partir daí dei uns tratos à bola. O segredo do graal é simples: atenda-se às expectativas. Tudo é uma questão de correspondência, e não de valor. Sob esse ponto de vista, para a grande maioria da população brasileira, Lula é um Abraham Lincoln. Quem se atreve a dizer que não? A expectativa foi correspondida e, embora não seja uma verdade necessária, também não é uma mentira incontrolável: trata-se de um fato perfeito e acabado. O contrário disso é burrice.

Assim, fica fácil de entender por que os meganhas do bispo Edir curam paralíticos. É simples! Porque eles efetivamente fazem milagres. Sasha é filha da Xuxa, a banda Calypso é uma revolução estética e – para as necessidades da Ilustrada - Caetano Veloso é o maior pensador da língua portuguesa desde o padre Antônio Vieira. O que mais? Ah, claro. Obama vai salvar o mundo porque é negão e deve ter o pau grande. Alguém vai contestar?

Entrementes também posso ser arbitrário e fazer minhas escolhas. Ninguém tem nada com isso. O Papa Bento XVI não vai canonizar Pio XII, então? Cada um no seu quadrado. Conheço uma garota chamada Cacá Lopes. Para mim, ela é a inteligência mais rápida do Rio de Janeiro. E esse gatilho rápido transcende a voz do Tim Maia que vai do Leme ao Pontal; garota tijucana, importada de Vila Isabel, às vezes, dá uma canja e passeia comigo no calçadão de Copacabana. Ela tem olhos de cais que não fazem questão de esconder a melancolia das despedidas, e – embora faça aniversário no dia de Iemanjá – não gosta do mar.

Eu, paulistano deslumbrado com o canto das sereias (ah, as falecidas ancas de Clara Nunes...), iodo e o sargaço, não entendo essa garota. Apenas tento acompanhar o seu raciocínio e as suas despedidas. Cacá é testemunha que Bob existe.

Mas vamos ao que interessa. Como eu dizia, minha querida Cacá é uma garota que pensa mais rápido do que muito marmanjo metido a sabichão por aí. Para mim, pensar é o oposto do que faz o Caetano Veloso, e não tem nada a ver com expectativas correspondidas. Um negócio até simplório: basta juntar alhos com bugalhos para chegar a qualquer lugar diferente da banda Calypso, geralmente chega-se a uma conclusão brilhante e divertida. Isso sempre funcionou com Mencken, Bierce, Shaw e com o Brecão**.

E é assim, resumidamente, que eu e Cacá flanamos pelo Rio de Janeiro: chutando poodles, tirando da cara dos outros, ouvindo as conversas nas mesas vizinhas ( essa é a melhor parte) e, quase sempre, chegando a conclusões brilhantes e divertidas, mais ela do que eu - que prefiro apenas olhar o oceano enquanto não estou falando um monte de besteiras.

Naquela manhã, as sereias e o mar encapelado urgiam. Estávamos a caminho do Forte de Copacabana. Pra variar, Cacá – contrariada com o canto brega das minhas sereias - chutava pombos e evidentemente implicava com a paisagem. Eu ainda estava traumatizado com a visão que tivera no dia anterior, quando cruzei com um Nelson Motta velho e barrigudo. Quase mando um email pro Bob: “Oi, Bob, au au: como é que o cara que produziu Tim Maia pôde inventar Lulu Santos e Marisa Monte?”

Enfim, pensava na decadência da espécie humana e da espécie canina, quando – sub-repticiamente - Cacá atingiu o alvo em cheio: “O que essa Tartaruga Ninja tá fazendo aqui?”

Sacanagem que fizeram com Dorival Caymmi. O baiano virou Tartatuga Ninja. Está lá, defronte à colônia de pescadores, eternizado no Posto 6. Logo ele, o homem que escreveu que “é doce morrer no mar” – diferentemente de Drummond - além de pagar mico de Tartaruga Ninja, não tem nem um tiquinho de mar que sirva de fundo para uma fotografia besta e inocente. No lugar da paisagem, uma tenda ridícula chamada Orla Digital. Assim não dá. Nem Bob vai mandar emails pra ele. Nem eu vou ter ânimo para mijar em cima do seu violão.

* Brecão é um amigo meu das antigas que ninguém conhece. A última notícia que tive dele foi a de que – antes de fugir do presídio de Curitibanos – andou vendendo antenas parabólicas e cosméticos no Vale do Itajaí. Mas isso já faz um bom tempo, idos dos 90. À época, dividíamos nosso amor com a falecida Marisete, cabeleireira profissional e massagista tailandesa que atendia nos classificados eróticos do Diário Catarinense. Fiquei sabendo que ela morreu de Aids, até hoje não sei se fui eu ou se foi o Brecão quem a contaminou. Que Deus a tenha e que cuide do Brecão também.

*Mais uma entrevista, dessa vez concedida a Walber Schwartz e publicada na íntegra. Basta ir no:
http://www.cultblog.com.br/mirisola.html

*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Simplesmente Carla.

Você sabia?

"Dos 181 países que fazem parte da ONU, somente o Brasil paga salário a vereador."
Leia mais

Coluna da Segunda-feira

A farra do boi

Êêêê, vida de gado,
Povo marcado e povo feliz.

Zé Ramalho, músico e poeta popular


Renato Nunes
O nosso Brasil é um país curioso. Tão cheio de belezas, alegria, folclore, cores, músicas, tudo isso produzido por uma mistura de raças, culturas, índios, europeus, asiáticos, árabes e muita gente mais. Se fossemos relacionar encheríamos páginas, ou faríamos um livro grosso como os de Gilberto Freire ou Darcy Ribeiro, só para citar os mais conhecidos que tentaram compreender e descrever a identidade do povo brasileiro. Com freqüência surgem características novas indicando que a formatação procurada ainda não está concluída.


Creio que nenhum deles poderia imaginar tantas qualidades produzindo tantas maldades, tantas falcatruas. O Brasil de hoje parece uma feijoada que ainda não está pronta, ainda temos que esperar no mínimo meio século para que tudo fique cozido por igual, sem o gosto predominante de nenhum dos ingredientes, até que seja fixado um novo gosto, único, resultante do intercâmbio de tão diferentes paladares.

Porquê tanta maracutaia acompanhada com tanta indiferença pela população? Rimos de tudo, assistimos pela TV programas de humor baseados nas pilantrices das autoridades e fica tudo por isso mesmo. Juizes são presos, presidente de Tribunal de Justiça é preso junto com desembargadores e respeitáveis membros do Poder Judiciário. Policiais, delegados, autoridades e outras peças fundamentais criadas pela Constituição para garantir a normalidade da vida democrática da nação e a defesa de valores éticos, importantes para o futuro das próximas gerações, estão comprometidas com os desvios e assalto às finanças públicas diariamente exibidos nos jornais, e fica tudo por isso mesmo.

O presidente Lula quando foi deputado não quis se recandidatar a novo mandato na Câmara Federal. Indagado sobre a recusa usou uma frase que ficou famosa: “...no Congresso tem mais de trezentos picaretas!” Mais tarde, já eleito Presidente da República, tem usado as picaretas do Congresso para abrir as estradas de seu programa de governo. Decisão arriscada porque não se abrem boas estradas com picaretas ruins.

E vamos nós, convivendo pacífica e ordeiramente com os desmandos oficiais, e ainda iremos, com orgulho cívico, reelegê-los. E querem mais. Porquê aumentar o número de vereadores? Será que as Câmaras Municipais para cumprirem melhor seu papel precisam de mais vereadores? O problema será de quantidade, ou será de qualidade? Porquê será que o Congresso Nacional não se propõe a discutir amplamente a questão eleitoral, decidindo por plebiscito se o voto deve ser obrigatório ou livre, espontâneo e consciente. Sabe-se que voto obrigatório é mercadoria de baixo valor, fácil de ser comprado e está na origem do baixo nível dos legislativos por esse Brasil a fora. Porquê não fazer ao menos uma experiência para ver que padrão sai das urnas?

A briga entre o Senado e a Câmara sobre o aumento dos vereadores é de mentirinha. O líder do PT na Câmara Federal, um deputado por Pernambuco, cinicamente defendeu na TV que os mais de sete mil vereadores não custarão nada aos governos municipais, serão pagos com verbas já existentes. Ora, se as verbas estão assim disponíveis, deixem que os municípios as usem para outros fins, as carências são infinitas.

A lógica da rede de dependências políticas que gera pedidos de verba aos ilustres senhores deputados está na base de toda essa artimanha. Com o passar do tempo desenvolve-se no Brasil a convicção que tudo tem que ser solicitado aos poderosos e às autoridades e não à lei.

Sendo assim, é importante não se indispor com ninguém, você pode vir a precisar de algum empurrão ou pelo menos que não o atrapalhem, já que a lei é mansa, frágil, lenta, manipulável, igual as molduras dos quadros. São só o enfeite. O quadro pode ser péssimo, mas se a moldura for dourada e rebuscada estará enfeitando o salão principal de algum palácio.

Acho que esse é o risco que corremos. Os tempos atuais estão colocando um novo tempero na feijoada da formatação do caráter nacional. Nem o Gilberto Freire nem o Darcy Ribeiro poderiam sonhar com o que vem por aí na identidade de seu amado povo brasileiro.

Opinião

Mudança no ensino médio

Editorial do Estadão
Um ano depois de ter afirmado que o ensino médio vive uma "crise aguda" e reconhecido que as políticas adotadas pelo governo para enfrentá-la não surtiram efeito, o ministro da Educação, Fernando Haddad, voltou a tratar da questão. Agora, ele está anunciando uma proposta de alteração do currículo desse ciclo de ensino, para torná-lo mais técnico e voltado à realidade do mercado de trabalho. Preparada por um grupo interministerial encarregado de formular projetos de qualificação de jovens, a proposta acaba de ser apresentada ao Conselho Nacional de Educação.

Destinado aos estudantes na faixa etária entre 15 e 17 anos e com um currículo reconhecidamente anacrônico, o ensino médio é considerado o principal gargalo do sistema educacional brasileiro. Os índices de aproveitamento dos estudantes, nos mecanismos de avaliação, têm sido assustadoramente baixos. A maioria dos alunos apresenta graves deficiências em matérias básicas, como português, matemática e ciências. Sem saber fazer operações geométricas e ler textos mais complexos, eles têm dificuldade para discutir questões abstratas.

Além disso, o ensino médio registra altas taxas de evasão. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), há 2 milhões de jovens e adolescentes fora do ciclo escolar. Por causa do ensino ruim e de um currículo afastado da realidade social e econômica, eles abandonaram os estudos para procurar emprego. Mas, como têm formação deficiente, o máximo que conseguem é ingressar na economia informal.

Para tentar reduzir os índices de evasão e melhorar os índices de aproveitamento do ensino médio, o MEC quer que as escolas desse ciclo passem a adotar, a partir de 2009, um currículo semelhante aos dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet), que oferecem educação formal e profissional de boa qualidade. "Queremos derrubar a fronteira entre o ensino geral, enciclopédico, e o ensino técnico", diz Haddad.

A implementação dessa proposta, contudo, esbarra em dois problemas. O primeiro é de caráter jurídico. Pela legislação em vigor, os Estados têm ampla autonomia para definir o currículo do ensino fundamental. Em outras palavras, a União não tem competência legal para impor mudanças curriculares no ensino médio. O segundo problema é financeiro. Consideradas instituições de excelência, os centros federais de educação tecnológica custam caro. Eles têm um gasto médio anual por aluno superior a R$ 2 mil. Esse valor é mais do que o dobro do que as unidades mais ricas da Federação gastam por aluno da rede pública de ensino médio. Como muitos Estados têm graves limitações orçamentárias, quem arcaria com a ampliação dos custos gerada pela proposta do MEC? "A reforma passa necessariamente por uma mudança na concepção do regime federativo", diz o secretário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que vem colaborando com Haddad nesse projeto. Contudo, nenhum dos dois esclareceu se a União ajudará financeiramente os Estados que se dispuserem a mudar o currículo do ensino médio. "A idéia é substituir o regime de repartição de responsabilidades por um regime de cooperação entre entes federados. Vamos descobrir no caminho o que o governo poderá fazer nesse sentido", conclui Unger.

Como se vê, essa é mais uma polêmica iniciativa do governo federal, que, nos últimos tempos, vem se especializando em anunciar projetos "politicamente corretos" em matéria de educação, ficando com os dividendos eleitorais e deixando aos Estados a responsabilidade por sua implementação e pelos encargos financeiros.

O exemplo mais ilustrativo dessa estratégia é a lei que criou o piso salarial nacional do professorado e determinou que um terço da carga horária dos professores seja destinada a atividades extraclasse. Enquanto o presidente Lula "faturou" politicamente a iniciativa, os governadores, sem condições orçamentárias para aumentar os salários dos docentes e contratar mais professores, tiveram de argüir, no Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade do piso salarial - que foi mantido - e da jornada extraclasse - que foi extinta -, arcando com o desgaste político que esse tipo de medida acarreta.
Leia mais
 
Free counter and web stats