sábado, dezembro 13, 2008

Música

Doris Day - "Cheek to Cheek"

Cheek to Cheek - Doris Day. Ouça aqui.

Doris Day é uma cantora e atriz norte-americana, que se tornou popular durante as décadas de 50 e 60. Nascida em 3 de abril de 1924, em Cincinnati, brilhou como cantora no filme Ardida como Pimenta. No filme, além de interpretar a personagem do Velho Oeste Jane Calamidade, cantou Secret Love, que recebeu o Oscar de melhor canção. (Blog do Noblat)

Frases

"O meu fim evidente era atar as duas pontes da vida, e restaurar na velhice a adolescência."

Machado de Assis

Triste - Pizzicato Five

Veneza


Pedestres usam passarela para circular pela Praça de São Marcos, em Veneza. Por conta das enchentes, agentes de turismo estão oferecendo pacotes especiais para conhecer a cidade durante a maré alta, que oferecem transporte gratuito em barcos e rotas alternativas por cerca de 190 euros por dia. (Foto: Reuters) (Do Portal G1)

Opinião

Quadrilha de magistrados

Editorial do Estadão
Se se tratasse de uma comédia o público acharia forçada, inverossímil: o presidente de um Tribunal de Justiça (TJ) - portanto, a mais alta autoridade do Poder Judiciário de um Estado - está para comparecer, à tarde, a uma solenidade em que receberia da associação estadual do Ministério Público medalha por serviços prestados no combate à corrupção. Mas o magistrado não pode comparecer à cerimônia por impedimento incontornável. Naquela manhã ele havia sido preso... por corrupção. Mas essa não é uma cena de chanchada. É a triste realidade moral da Justiça do Estado do Espírito Santo, algo que parece ultrapassar todas as medidas de destruição de valores éticos e públicos.

A Polícia Federal (PF) desarticulou no Espírito Santo, com sua Operação Naufrágio - desta vez nome bem apropriado -, o que considera uma quadrilha comandada por magistrados, acusada de venda de sentenças e crimes contra a administração pública. Na operação foram presas oito pessoas, entre as quais o presidente do TJ, desembargador Frederico Guilherme Pimentel, e a diretora encarregada de distribuir os processos, Débora Pignaton Sarcinelli, além de outros dois desembargadores, um juiz, dois advogados e um membro do Ministério Público.

Na terça-feira a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em 24 endereços na capital capixaba. As prisões haviam sido determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que desde abril investiga denúncias sobre o esquema de venda de sentenças. Essas ações foram o desdobramento da Operação Titanic, pela qual a PF desmontara um esquema de comércio ilegal de veículos importados, que envolvia Ivo Cassol Junior, filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol. A PF teve que requisitar ao Banco do Brasil uma máquina de contagem de dinheiro (já que as cédulas eram de baixo valor) para fazer a totalização das notas encontradas na casa de um dos presos, o desembargador Elpídio José Duque. Lembre-se que Duque fora o responsável pela prisão do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo José Carlos Gratz - o que ilustra a incrível "circularidade" da corrupção capixaba.

Aliás, ainda não se sabe qual o fenômeno que tem transformado a corrupção numa verdadeira doença crônica do Estado do Espírito Santo na presente década. Em 2001 fitas gravadas por um empresário e entregues ao Ministério Público revelaram esquema de cobrança de "pedágios", dentro do governo do Estado, para liberar financiamentos e sustar cobrança de impostos. O caso obrigou o então governador José Ignácio Ferreira a demitir cinco secretários, inclusive a própria mulher, e o procurador-geral do Estado. Em 2003 o então presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz, foi preso sob acusação de participar de esquema de distribuição de propina para os deputados e de desviar dinheiro do banco estadual. Libertado por habeas-corpus, ele voltaria a ser preso em 2004 e 2005, acusado de ser o principal chefe do crime organizado no Estado. Conseguiu habeas-corpus para permanecer livre.
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Manchetes do dia

Sábado, 13 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Governo decide garantir a operação de banco pequeno"
O Banco Central anunciará nos próximos dias novas medidas para socorrer bancos pequenos e elevar o crédito. Empréstimos às instituições menores devem passar a ter garantia do Fundo Garantidor de Créditos, informam Guilherme Barros e Vinicius Torres Freire. Criado em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, o FGC é financiado por contribuições dos bancos e existe para cobrir depósitos.


O Globo
"AI-5 entre o falado e o escrito"
A ata da reunião do Conselho de Segurança Nacional, há exatos 40 anos, faz o registro de nascimento do Ato Institucional número 5, o AI-5, com alterações e imprecisões em relação ao que ocorreu no Palácio Laranjeiras, no Rio. A comparação do texto - que só esta semana deixou de ser classificado como secreto - com a gravação da sessão mostra trocas de expressões e até mudanças no discurso de um ministro. Cópia do documento de 30 páginas foi obtido pelo GLOBO. Frases do presidente Costa e Silva, que comandava a reunião, foram alteradas, mudando o sentido. Do então ministro Jarbas Passarinho, a ata modifica a frase "Às favas todos os escrúpulos." A expressão "às favas" foi trocada por "ignoro".


O Estado de São Paulo
"Arrecadação cai e Receita faz blitz em grandes empresas"
A secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, ordenou uma blitz para "identificar” e "combater com firmeza" a inadimplência "grandes contribuintes”. O Estado teve acesso ao e-mail com a determinação, enviado a todos os superintendentes da Receita. De imediato, 400 empresas receberão a visita dos fiscais. Na mensagem, Lina diz que a crise financeira causou redução de R$ 3,2 bilhões na arrecadação prevista para novembro. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ao presidente Lula, essa queda foi provocada em parte pelo atraso do pagamento de impostos, opção de empresas para fazer caixa neste momento de turbulência. Alguns fiscais consideram que a blitz não faz sentido, porque a fiscalização não pode exigir que o empresário em dificuldade pague sua dívida atrasada.


Jornal do Brasil
"AI-5 40 anos"
Em 14 de dezembro de 1968, o Brasil era informado de que, no dia anterior, o governo militar baixara o mais duro dos atos institucionais: o AI-5, que estreitava ainda mais os limites da liberdade concedida pelo regime militar. Como se vê acima, na reprodução do cabeçalho do jornal, com a imposição da censura o JB corajosamente anunciou "tempo negro", no espaço dedicado à previsão meteorológica. Quatro décadas depois, a história, os personagens e as conseqüências são relembradas.

sexta-feira, dezembro 12, 2008


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Coluna da Sexta-feira

Contrastes

Celso de Almeida Jr.
Estive no condomínio Ponta das Toninhas. Há alguns meses não passava por lá. Magnífica é a vista. Consolida a certeza de que estamos num paraíso. Boa parte daquelas casas vale mais de um milhão de reais. Algumas estão à venda. Sempre haverá quem compre.
Nesse mesmo dia ensolarado entrei num mercado no centro da cidade. Na saída, encontrei um vendedor ambulante conhecido de longa data. Estava radiante. Voltava das Toninhas com sua bicicleta antiga. Muito antiga. Corria para comprar mais queijo coalho. Daqueles que vem num palito. Há dez anos ele os vende na praia, assados numa churrasqueirinha portátil. Mostrou-se entusiasmado com esta temporada de verão e não perdeu tempo, voltando rapidamente ao trabalho. Queria avançar até o início da noite.
De uma mansão na Ponta das Toninhas, com um binóculo, é possível conferir o trabalho deste homem nas areias. Provavelmente ele não tenha muita qualificação profissional, mas está lá, por uma década, guerreiro, garantindo o pão.
Os olhos que o miram, possivelmente, ocupam uma cabeça privilegiada que, se ligada a um coração sensível, pensará em como garantir novas oportunidades aos trabalhadores e aos jovens ubatubenses mais humildes.
Tenho esperança no despertar de nossa elite.
Ubatuba tem, em seus condomínios mais luxuosos, homens e mulheres com a real possibilidade de abraçar ações comunitárias que permitam o acesso de muita gente à educação e à cultura.
Quero provocá-los.
Não é possível esperar tudo dos governos.
A iniciativa particular precisa mostrar a sua força, a sua capacidade de organização, o seu real compromisso com um povo que merece apoio e incentivo.
Para tanto, não se pode temer abrir a carteira.
Mais do que discurso, precisamos de dinheiro, bem aplicado, bem direcionado, bem gerenciado.
Não basta a palavra.
É preciso transformá-la em ação.

Opinião

Debaixo da terra, em meio a conflitos

Washington Novaes
Há poucas semanas, na Assembléia-Geral da ONU, foi aprovado um primeiro esboço de regras que permitam solucionar, "de maneira eqüitativa e razoável", conflitos entre países e governos a respeito do uso de aqüíferos subterrâneos compartilhados. Se se chegar a um acordo, poderá ser avanço importante, já que os aqüíferos subterrâneos respondem por 50% do abastecimento de água potável no mundo, 40% da água de uso industrial e 30% da que é usada na irrigação. Mas não há regras eficazes nem para uso nem para os conflitos - na verdade, sabe-se pouco sobre o tema. As águas subterrâneas, diz o professor Galizia Tundisi (Água no Século XXI, Rima Editora, 2003), estão em 134,8 milhões de quilômetros quadrados e estima-se que cheguem a 23,4 milhões de quilômetros cúbicos.


E os conflitos e dramas podem ser graves. Nos anos 70, por exemplo, a Índia construiu uma barragem no Rio Ganges para derivar a água para a região de Tolbak, mas com isso reduziu a recarga de aqüíferos em Bangladesh. Nos EUA, é conhecido o caso do Aqüífero de Ogallala, que fica sob oito Estados e teve suas águas usadas em excesso (mais que a recarga pelas chuvas), baixou 35 metros em meio século e teve de ser submetido a regras severas para dar tempo à recomposição. No Brasil, talvez o caso mais preocupante seja o da cidade de Ribeirão Preto (SP), totalmente abastecida (mais de 500 mil pessoas) por águas subterrâneas - 99 poços licenciados e 200 não regularizados. Ali, nas décadas mais recentes, a depressão do solo por causa do sobreuso tem chegado a um metro por ano e hoje se calcula que esteja entre 70 e 80 metros.

Na própria cidade de São Paulo são muitos milhares de poços que abastecem parte considerável da população, boa parte não licenciados (Estado, 6/10). Cerca de 350 a 400 poços seriam abertos por ano. E as autoridades do setor calculam que existam 5 mil deles - menos do que estima a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, para quem 15% dos 50 mil poços abertos a cada ano estariam na Região Metropolitana de São Paulo. No Estado seriam 40 mil poços, dos quais apenas 18 mil autorizados - 80% dos municípios paulistas usam águas subterrâneas, diz o Ministério do Meio Ambiente. Boa parte dos novos shopping centers e condomínios recorre a essa fonte.

Já há muita preocupação com os níveis de contaminação de muitos desses poços, por agrotóxicos e outros poluentes. Em alguns pontos de Santa Catarina já há água inadequada para consumo humano, por essas causas. Em outros pontos, o problema está em culturas de cana-de-açúcar. Em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, o problema está no risco de contaminação por esgotos. Em 2005, o Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou a Resolução 396, com um marco regulatório para aproveitamento de águas subterrâneas, ainda com escassos resultados práticos. O Laboratório de Estudos das Bacias, da Unesp, promete para este ano um mapa hidrográfico do Aqüífero Guarani. E há um estudo conjunto dos países detentores, financiado pelo Fundo Global do Meio Ambiente.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 12 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Pacote reduz IR e incentiva consumo"
O governo lança um pacote para estimular o consumo e abrandar os efeitos da crise global, que já afetaram a economia e ameaçam jogar o país numa recessão em 2009, risco admitido ontem pela primeira vez pela Fazenda. Ao todo, a Receita vai abrir mão de R$ 8,4 bilhões . O Imposto de Renda ganhará duas novas alíquotas, que na prática farão o imposto cair e beneficiarão sobretudo a classe média. As operações de crédito ao consumidor terão IOF menor, e o IPI sobre carros será reduzido.


O Globo

"Pacote pró-consumo reduz IR e isenta carro popular de imposto"
O governo anunciou ontem um pacote para tentar controlar os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira, com medidas voltadas para estimular o consumo. Foram criadas duas novas alíquotas de Imposto de Renda na fonte (7,5% e 22,5%) que beneficiam, principalmente, quem ganha até R$ 3,5 mil por mês. Em alguns casos, o IR a pagar fica até 50% menor. Também foi reduzido à metade o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito e zerado o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis novos modelo 1.0, que antes era de 7,5%. Para os carros de 1.1 a 2.0, a alíquota cai de 13% para 6,5% (modelos a gasolina) e de 11 % para 5,5% (modelos a álcool ou flex). As medidas de IOF e IPI entram em vigor hoje; a que beneficia a compra de carros terá vigência até 31 de março de 2009. As novas alíquotas do IR começam a vigorar em 1º de janeiro de 2009. Empresários que estiveram com o presidente Lula pediram redução de juros.


O Estado de São Paulo
"Classe média vai pagar menor imposto de renda"
O governo anunciou um pacote para estimular o consumo, principlmente da classe média. As medidas prevêem cortes no Imposto de Renda da Pessoa Física, do Imposto sobre Produto industrializados e do Imposto sobre Operações Financeiras, que se reflete no crediário e no cheque especial. A arrecadação de 2009 perderá R$ 8,4 bilhões. No caso do IR, foram criadas mais duas alíquotas, de 7,5% e 22,5%, que se juntarão às de 15% e 27,5%. O ganho mensal máximo possível para o contribuinte será de R$ 89,50. Já o IOF cairá de 3% para 1,5%, o que deverá reduzir os juros ao consumidor cobrados pe­os bancos, hoje em cerca de 4%. "Vai ter sobra de recursos para aquisição de bens e serviços", disse o ministro Guido Mantega (Fazenda). Novas medidas poderão ser tomadas já, conforme acertado entre o presidente Lula e empresários.


Jornal do Brasil
"Contra a crise, menos imposto"
Empresas e trabalhadores ganharam um alívio tributário inédito. O governo anunciou corte de R$ 8,4 bilhões em impostos, entre redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, do Imposto sobre Operações Financeiras(IOF) no crédito ao consumidor e do Imposto de Renda de pessoas físicas – neste último cria duas novas alíquotas que beneficiarão todas as faixas de renda. AS medidas visam estimular a economia e evitar uma maior contaminação da crise internacional. Um dia depois de o BC manter a Selic em 13,75%, o presidente Lula recomendou aos bancos oficiais baixarem as taxas de juros.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Charge - Amarildo


Blog do Noblat

Frases

Viajando

Alô Sidney, mando minha contribuição para sua nota "Frases". O autor é anônimo; gostei porque acho uma forma muito inteligente e bonita de celebrar a vida:

"Viver na Terra pode ser dispendioso, mas inclui uma viagem anual gratuita em torno do Sol."

Abraço

Renato Nunes

Ontem recebi esse simpático e-mail do Renato Nunes. Chegou em boa hora e acendeu minha imaginação. No momento estou trabalhando em um roteiro sobre a Segunda Lei da Termodinâmica. Tema fisosófico, o conceito de entropia transcende a compreensão do universo estável que nossos parcos sentidos captam. Pensando em transformações reversíveis e na improvável reutilização da energia dissipada no andar do clock natural, acabei viajando sem sair do escritório. Me ocorreu que nós, terráqueos, passageiros da bola azul que dá voltas ao redor do Sol poderíamos não envelhecer. Tenho certeza que o envelhecimento se dá em função do sentido de percurso. Passamos a vida sendo parafusados e ninguém diz nada, ninguém reclama. A cada volta, a cabeça se aproxima do final o que é trágico pois quem não está para nascer, está para morrer. Otimista e inventivo - gosto desses adjetivos quando penso em mim - imaginei o tempo perdido em discussões sem sentido e em boas discussões. Quero esse tempo recuperado. Como? Girando no contra-fluxo, em sentido oposto ao da Terra. Há o perigo de multas cósmicas, fazer o quê? Viver é perigoso. Eu retornaria aos trinta e cinco se pudesse, mas também não me entristeceria com os quarenta. Na verdade estou bem hoje, se me fosse dado permanecer assim por algumas décadas eu estudaria guitarra elétrica para tocar no metrô de Londres e amealhar alguns trocados. Just for fun. Alguém vai dizer que sou esnobe. Por que não o metrô de São Paulo? Por causa dos trocados em euros baby, só por isso. Vou criar a nave da juventude eterna. Viver volteando prum lado só é uma desgraça. Tonteia. Ninguém merece. (Sidney Borges)

Opinião

Retratos numa exposição

Demétrio Magnoli
Os partidos da esquerda tradicional ostentam panteões de ícones. Marx e Lenin são inevitáveis. Depois, tudo fica mais confuso. Stalin caiu no ostracismo, um destino que Mao tende a compartilhar; Trotsky sobrevive numa vertente minoritária; Fidel Castro e Che Guevara brilham nos partidos latino-americanos. A iconografia cumpre funções simbólicas delimitadoras, marcando as fronteiras de uma igreja política, e funções ideológicas norteadoras, identificando a trajetória de uma verdade que risca a história como um cometa. A inclusão de um novo ícone assinala o início de uma nova etapa, que desdobra e atualiza a verdade essencialmente imutável. Num ato público em Porto Alegre, semanas atrás, o PSOL introduziu em seu panteão implícito o retrato do delegado Protógenes Queiroz, que agora está exposto, depois de Marx, Lenin e Trotsky, ao lado do inefável Castro.


Há o óbvio, o não tão óbvio e o realmente importante. O PSOL busca empunhar a bandeira do combate à corrupção, outrora monopolizada pelo PT, num caso que envolve de formas não totalmente esclarecidas o núcleo duro do primeiro governo Lula. O banqueiro Daniel Dantas, pivô do caso, personifica há muito as relações perigosas entre dinheiro e política no Brasil. Ele entrou em cena bem antes que o ex-metalúrgico experimentasse a cadeira presidencial, mas sua influência deletéria chegou ao ápice com a disputa corporativa pelo controle do setor de telefonia, que se ramificou dentro do Palácio do Planalto e cindiu o governo nas alas dos ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken.

A disputa corporativa terminou por um gesto de Lula, mudando a lei em benefício de grandes empresários que, casualmente, associaram-se a um negócio de seu filho e são seus financiadores de campanha. Dantas também se deu bem com o desenlace. Mas sobraram processos e densos mistérios. O banqueiro sabe de coisas que não sabemos - inclusive, talvez, sobre as fontes financeiras do mensalão. Há indícios de que Protógenes foi afastado a partir de uma decisão presidencial de natureza política. O óbvio: um PSOL que fracassou em se erguer como alternativa ao PT investe nessas hipóteses na tentativa de transcender o gueto em que agoniza.

O não tão óbvio é que, canonizando o delegado, o PSOL converte o combate à corrupção no refrão de um perigoso hino político. Ao mimetizar o PT de um passado que já parece tão distante, o partido dos dissidentes aposta suas fichas na repulsa generalizada à impunidade dos poderosos e fabrica um conto de fadas em que Protógenes e Dantas ocupam os lugares dos pólos dicotômicos do Bem e do Mal. Atrás da poeira dessa narrativa, a corrupção degrada-se numa entidade que flutua acima da política, como a gota de óleo na água. Pela mágica de um discurso vulgar, mas de apelo popular, oculta-se o sentido político das corrupções, no plural. Por que altos ministros petistas se envolveram numa guerra travada por empresas privadas em alianças com fundos de pensão de estatais? Qual é a ideologia que oferece legitimação para a intervenção ativa do governo na promoção de uma fusão entre grandes grupos econômicos? São perguntas cruciais que um PSOL seduzido pela doutrina do "capitalismo de Estado" não fará.

O realmente importante situa-se bem abaixo da superfície. Imbuído de um espírito de justiceiro, Protógenes atropelou as regras de conduta policial, inscreveu em seu relatório acusações sem provas contra jornalistas e, violando a lei, associou clandestinamente agentes da Abin a uma operação da Polícia Federal. Temos de escolher entre uma polícia com poderes extraordinários e a impunidade dos corruptores? Existem aqueles que, indignados com a impunidade, perguntam se a primeira alternativa não é o preço inevitável da "limpeza do Brasil". Em outra esfera, existem os pistoleiros de aluguel, que participam da guerra suja travada por antagonistas empresariais imundos. No faroeste da internet, pautados pelos inimigos de Dantas, eles difundem a calúnia contra qualquer crítico dos métodos heterodoxos do delegado. Mas o PSOL, ainda que apenas por motivos egoístas, deveria pensar duas vezes.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 11 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Apesar de pressões, BC mantém juros"
Em sua última reunião de 2008, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter pelo segundo mês seguido a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime, apesar da pressão do presidente Lula pelo corte. Segundo o Copon, a redução chegou a ser discutida, mas a “grande incerteza” do ambiente macroeconômico pesou na decisão de não mexer na Selic. A taxa do BC é apenas um referência para a economia – na prática, os juros são bem mais altos.
De olho nas previsões de queda no crescimento já a partir do final deste ano, o Planalto lança hoje um pacote de medidas para tentar amenizar a repercussão da crise. Elas devem incluir a reformulação da tabela do IR para as pessoas físicas. Entre as medidas estarão redução do IOF, para baratear o crédito, e o IPI, sobretudo para montadoras. Estima-se que o pacote custe R$10 bilhões.


O Globo
"STF: terra é de índios, sem fazendeiros"
Dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, oito votaram pela demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e decidiram que os não-índios, entre eles os produtores de arroz, terão de deixar as terras. Mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Marco Aurélio e só será concluído em 2009. Enquanto os índios comemoravam, os rizicultores avisaram que recorrerão à Justiça, contestando o valor das indenizações.


O Estado de São Paulo
"STF mantém reserva indígena de Roraima"
O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu ontem que a de­marcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Rorai­ma, deve ser em área contínua. Os arrozeiros que ocupam a re­gião terão de sair, mas nem os índios nem a Funai poderão im­pedir que representantes da União entrem nas terras para defender fronteiras ou cons­truir escolas e hospitais. O resulado do julgamento já está de­terminado porque 8 dos 11 mi­nistros do STF apresentaram votos favoráveis à demarcação contínua. A decisão, porém, só deverá ser sacramentada no ano que vem, pois o ministro Marco Aurélio Mello pediu vis­tas do processo para votar após nova análise da papelada. O con­flito em torno da demarcação dura 31 anos.


Jornal do Brasil
"BC sustenta juros altos"
Apesar dos sinais de desaquecimento da economia e de que a inflação perdeu força, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano - desde setembro neste patamar. A decisão, por unanimidade, foi tomada depois de quatro horas de reunião. A maioria dos analistas de mercado esperava a manutenção, mas representantes do setor produtivo e do próprio governo cobravam redução imediata. A trajetória dos juros no Brasil contrasta com a recente tendência de queda em todo o mundo.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Dezembro

Boa noite Ubatuba

Sidney Borges
Hoje seria dia da Cinthia escrever. Ela está atarefada em Diadema e pede desculpas aos leitores. Ontem foi dia do Moromizato que também está agitado agitando por esse Brasil afora, mas garante que volta. A Cinthia também volta. Nas férias ela vai à Patagônia ver pingüins. Estão querendo prender o Dantas, de quem falam tantas que eu já não sei o que pensar. Alguns detratores são antas antiquadas, gente que acredita que o comunismo não deu certo porque não foi no Brasil. Gente fora do tempo, o comunismo acabou e nunca, notem bem, nunca vai voltar da forma como aconteceu, ditaduras fechadas sem criatividade. Poderá existir algum controle da economia, quem se importa com isso? Trabalhadores como eu é que não. Quero a manutenção das liberdades individuais básicas, como o direito de ir e vir. Posto isso pouco me importa de quem é a Petrobras. Minha não é, apesar de eu ser brasileiro e estar em dia com o fisco. Quando explodiu a redentora de 64, que na verdade não explodiu, a bola da vez foi o Lupion. Moisés Lupion. Falavam horrores dele, como falam do Dantas. Sempre tem algum culpado na berlinda, pronto para receber porradas de todos os lados. Amanhã é dia da coluna do Caribé. Se por acaso ele também estiver ocupado eu assumo o comando. Faço uma coluna falando de amenidades. O Corinthians contratou Ronaldo, ex-fenômeno. Tá gordo o cara, com aquele corpinho vai parecer um poste na área adversária. Agora falta o Romário. Depois o Renato Gaúcho como técnico. Acabei me lembrando da música "faz-me rir", quando a linha do timão era Espanhol, Manuelzinho, Beirute, Rafael e Neves. Tempos difíceis, ainda bem que não tinha segundona. Ainda bem é apenas força de expressão, sou torcedor do São Paulo e pouco me importa o que acontece na periferia. Quando o São Paulo perde eu também não me importo. Futebol é apenas uma forma de distrair o povo, que sempre quer ter algo novo.

Frases

Olhar de poeta

“percorrer muitas estradas/ voltar para casa / e olhar tudo como se fosse pela primeira vez”.

T.S. Eliott

Opinião

Controle de entrada

Editorial do Estadão
Há muito o Brasil não observa o princípio, rigorosamente observado em muitos outros países, principalmente os mais desenvolvidos, de controlar a entrada, no seu território, de missões religiosas, missões científicas ou membros de ONGs. Nem mesmo quando se trata da entrada em territórios indígenas ou regiões florestais. Das conseqüências dessa liberalidade, no campo da biopirataria, da exploração ilegal de recursos, do proselitismo religioso que desrespeita a cultura indígena e da influência de representantes de interesses estrangeiros que podem criar transtornos à soberania nacional, já bem se sabe. Eis por que é muito bem-vindo - apesar de tardio - o decreto, à espera de assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estabelece para a entrada de pesquisadores, missionários e ONGs em terras indígenas que submetam seus projetos à prévia análise do Ministério da Justiça e, em se tratando de terras na Amazônia Legal ou na faixa de fronteira, a exame também do Ministério da Defesa e do Conselho de Defesa Nacional.

Pelo texto do decreto, as pessoas físicas ou jurídicas que pretendam desenvolver atividades nas reservas deverão entregar ao Ministério da Justiça um plano de trabalho que especifique o objetivo do projeto, o prazo necessário para sua execução, as estimativas de gastos e as fontes de financiamento. As ONGs precisarão ter cadastro no Ministério da Justiça. Sendo estrangeiro, o pesquisador precisará de visto específico e deverá indicar o percurso a ser feito na terra indígena, bem como as datas previstas para início e término dos estudos - não servindo o visto de turista para essa atividade. Os responsáveis por ONGs estrangeiras deverão apresentar comprovante de autorização para funcionamento da organização no Brasil e certidão de regularidade emitida pelo Ministério.

A licença para entrar na reserva será cancelada se o objeto do estudo for alterado sem a autorização do Ministério da Justiça, hipótese em que os pesquisadores deverão deixar imediatamente a região. O estrangeiro poderá ser deportado se não tiver visto específico para a atividade que for desenvolver. O pesquisador, missionário ou ONG que estiver em terra indígena quando o decreto for publicado terão 180 dias para pedir autorização ao Ministério da Justiça, preenchendo todos os requisitos previstos na nova norma. É bom lembrar que, atualmente, a entrada em terras indígenas não é inteiramente destituída de regulação. As regras são dadas por uma portaria da Fundação Nacional do Índio (Funai), destinada a proteger, especificamente, direitos sobre "as manifestações, reproduções e criações estéticas, artísticas, literárias e científicas" dos índios. Além das limitações desse tipo de restrição, o grande problema atual é o da falta de estrutura e de pessoal para fiscalização. "Hoje o controle, quando feito, é muito frouxo. Além do que, não há qualquer acompanhamento da atividade de quem entra na reserva" - observou o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério, Pedro Abramovay.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 10 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Antes da crise, economia cresce 6,8%"
A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre 6,8% em relação a igual período do ano passado. O resultado praticamente não foi afetado pela crise global. Com esse desempenho, ainda que o Produto Interno Bruto não avance nada no último trimestre em relação a igual período de 2007, o país crescerá 4,8% no ano. O IBGE, que calcula o PIB, também revisou o resultado 2007, de 5,4% para 5,7%. Entre analistas, é quase consensual que a crise, intensificada a partir de outubro, imporá uma retração do PIB no quarto trimestre em relação ao terceiro. Consultorias revisam estimativas e projetam queda de até 1,3% de outubro a dezembro. Se isso ocorrer e a economia continuar esfriando no primeiro trimestre de 2009, o Brasil estará tecnicamente em recessão (dois trimestres seguidos de retração).


O Globo
"Crise freia país no auge do seu crescimento econômico"
A economia brasileira cresceu 6,8% entre julho e setembro em relação ao mesmo período de 2007 e 1,8% na comparação com o segundo trimestre deste ano, segundo o IBGE. A expansão, que superou as previsões mais otimistas foi puxada pela indústria - sobretudo, a construção civil - e por gastos de famílias e governo. Mas foi o último trimestre de crescimento antes do agravamento da crise que varre o mundo desde 15 de setembro. Por isso, as projeções de especialistas são de que o Produto Interno Bruto (PIB) encolha de 0,4% a 1% de outubro a dezembro, agravado por cortes de produção, férias coletivas e demissões. O governo deve zerar o IOF sobre crédito para estimular o consumo.


O Estado de São Paulo
"PIB surpreende e cresce 6,8%"
O PIB brasileiro subiu 6,8% em relação a igual período de 2007. O desempenho, o melhor em quatro anos, superou todas as expectativas, empurrado pelo consumo das famílias e pelos investimentos públicos e privados. Lideraram os setores de construção (11,7%), extração mineral (7,8%) e indústria da transformação (5,9%). O resultado, na opinião de economistas, ajudará o País a enfrentar um período ainda indefinido de forte declínio, mas não deverá ser suficiente para evitar a recessão. Para o quarto trimestre, a previsão é de crescimento próximo de zero, embora Guido Mantega (Fazenda) espere cerca de 3%. Segundo o ministro, o País voltará a crescer a taxas "expressivas" em 2010. Em 2009, a meta do governo é 4%.


Jornal do Brasil
"País cresce, apesar da crise"
O consumo e investimentos fizeram a economia crescer, no terceiro trimestre, 1,8% em relação ao anterior - e 6,8% se comparado ao mesmo período de 2007. São avanços recordes. Embora tenha surpreendido analistas, o resultado abarca um momento ainda pouco afetado pela crise internacional, que se agravou a partir de meados de setembro. Apesar disso, garante ao país uma expansão de pelo menos 5% este ano. Para os economistas, demissões vão frear o consumo no ano que vem.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Em primeira mão

Lula:

Do Blog do Noblat

Se alguém ainda imagina que Lula pode trocar Dilma Rousseff por outro nome para disputar a próxima eleição presidencial é bom que leia com atenção a entrevista concedida por ele ao jornalista Fernando Morais e publicada no terceiro número da revista Nosso Caminho, do arquiteto Oscar Niemeyer. Foi a defesa mais enfática da candidatura Dilma jamais feita por Lula até aqui.

A nova edição da revista será lançada na próxima semana em Brasília pelo próprio Niemeyer, que deverá celebrar ao lado de Lula seu centésimo primeiro aniversário. Veja o que Lula disse a respeito de Dilma:

- Eu acho que a Dilma está fortemente qualificada. Seja do ponto de vista da sua história pessoal, de sua história política, do ponto de vista da competência técnica, de como ela pensa o Brasil e o mundo. A Dilma está infinitamente preparada para ser candidata e ganhar as eleições. É uma mulher preparada para exercitar o poder na sua plenitude total aqui no Brasil. Obviamente que entre o desejo e a conquista tem muito trabalho. Temos dois anos pela frente, temos muita coisa para fazer. E 2009 será um ano de inauguração de muitas obras e de muita costura política.

- A maquete desse projeto, a arquitetura e a engenharia política desse projeto têm que estar prontas no final do ano que vem para se poder colocar mãos à obra. E eu espero construi-lo com tranquilidade, com muita sabedoria porque precisamos eleger alguém que acredite na América do Sul, alguém que tenha os olhos voltados para a África. (...)


Morais - Mas se não for a ministra Dilma, nas suas reflexões sobre 2010 o senhor considera a possibilidade de se coligar com um outro partido sem que o PT esteja na cabeça de chapa?

- Em tese, sim. Quando a gente faz aliança política tem que trabalhar com a hipótese de que o candidato não seja o seu. Quando eu analiso os candidatos visíveis para 2010, vejo que nenhum partido tem um candidato como Dilma. Essa é a minha tranquilidade. E, depois, a segurança. A Dilma é uma mulher de personalidade, daquelas que não vaciliam em momentos difíceis. O Brasil precisa disso. (...)


- O ano que vem não é ainda o ano da Dilma ser candidata. O ano que vem é o ano de nós, que acreditamos nela, começarmos a fazer a campanha dela. Não poderemos entrar na campanha de Dilma sem que se crie uma idéia-força para a campanha dela. Precisamos descobrir a palavra-chave para que ela se transforme num símbolo do mulherio desse país. Mas ainda temos tempo para isso.

Morais - E um terceiro mandato? O senhor pensa em 2014?

- Alguns companheiros falam assim: não tem terceiro mandato? Tudo bem, em 2014 você volta. Essa é uma tese meio boba. Porque se eu trabalho para te eleger presidente e você se elege, eu tenho que trabalhar para você fazer muito mais do que eu e melhor do que eu. Ora, se você fizer mais e melhor do que eu, você tem o direito à sua reeleição. Por que você aceitaria ser um candidato tampão?

- Na América do Sul as coisas tendem a evoluir, não vejo como possam retroceder. Até porque mesmo quando há uma disputa entre dois candidatos, um de esquerda e outro de direita, as pessoas são de posições políticas mais próximas. Aqui no Brasil, por exemplo: quando disputei a presidência com Fernando Henrique Cardoso, foi um prazer para o povo brasileiro não ter que escolher entre um troglodita de direita e um cara comprometido. Não, o povo tinha duas pessoas com tradição de luta para escolher. Quando eu e o Serra disputamos foi a mesma coisa. Você veja, éramos eu, Serra, Ciro e Garotinho. Não tinha ninguém que você pudesse considerar de direita. Depois, com o Alckmin, já foi um atraso, um retrocesso, porque você sabe... Aí era a
Opus Dei, né?

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Fonte de potássio

O céu azulou

Sidney Borges
Tenho por certo que um dia servirão bananas nas primeiras classes dos aviões. Uma praga vem dizimando bananais ao redor do planeta. Felizmente ainda não chegou ao Brasil. Quando as bananas se tornarem raras, seu preço vai subir. Lei da oferta e procura. O que é raro acaba virando chique. Não é dificil decodificar o universo dos endinheirados. Gostam de exclusividade e como têm dinheiro pagam por isso. Vejo com bons olhos, cada um tem o direito de fazer o que quiser com o dinheiro que ganhou. Até transportar na cueca. Uma vez, ou como dizem os gringos quando começam uma história, once upon a time, lá pelos meados dos anos 80, eu estava passeando num palácio árabe em Sevilha. El Alcázar, construído no período dos mouros, que permaneceram na Espanha por 800 anos e deixaram marcas de sua rica cultura humanística. Convém lembrar que o Brasil só tem 500 anos. Em certo momento um guia à frente de um grupo de orientais mostrou uma bananeira. That's a banana tree o que em em português significa essa é uma bananeira. Uma bananeira comum, que há em todos os canto de Ubatuba. Vocês não podem imaginar a excitação. Deu-se um festival de interjeições de espanto acompanhadas do espoucar de dezenas de flashes. Naquele tempo ainda não havia câmeras digitais. Eu sempre desconfiei que ao nascer o bebê japonês ganha uma Pentax e uma Nikon e ao se tornar adulto sai mundo afora clicando. Tudo, de borboleta a baioneta. A empolgação dos japas me contagiou, corri para saber do que se tratava. Orgulhosa a bananeira percebeu que eu era oriundo de um "country of bananas" e me piscou cúmplice. Country of bananas, obviamente, no bom sentido. Mas há outro detalhe sobre as bananas nos aviões. Seres voadores gostam de bananas. Sempre coloco algumas no muro de casa e fico apreciando os pássaros. Saíras, tiês, bem-te-vis, pardais - gosto deles - alguns aos quais não fui formalmente apresentado, pretos como a asa da graúna ou o cabelo do Góis, e outros que não convido e aparecem assim mesmo. Na fruteira sobre a mesa da cozinha, quando o tempo esquenta e as bananas passam do ponto, chegam esquadrilhas de mosquitinhos. Ontem passei um bom par de horas observando esses pequenos seres alados. Eu que me julgo inteligente, demorei horas e horas para aprender a pilotar um avião. Esses companheiros minúsculos sabem tudo da arte de voar, não estolam, não entram em parafuso e nunca colidem, apesar de céu congestionado dos terminais bananíferos. Tenho apreço pelos pássaros e pelos mosquitinhos. Somos pilotos. E gostamos de bananas.

Futebol

Título inalcançável

Sidney Borges
Encontro um amigo corintiano. Seu rosto irradia felicidade. A alegria imensa é fonte de um campo envolvente que contagia a quem dele se aproxima. Pergunto a razão do contentamento. Imaginei que um torcedor do Timão não deveria ter gostado do tri tricolor.
EU
Você não torceu pelo Grêmio?
ELE
Claro que não, só corintianos primários fizeram isso, eu queria ver o São Paulo campeão para tripudiar sobre os bambis.
EU
Não entendi. Explique melhor.
ELE
Apesar do tri e dos seis títulos nacionais, vocês que usam pó-de-arroz jamais colocarão as mãos em nossa taça. O São Paulo nunca será campeão da segundona.

Fui obrigado a concordar. O tricolor não combina com a segunda divisão. É mais provável a Bolívia ganhar a Copa do Mundo. Saí cantarolando: "A taça do mundo é nossa; com brasileiro; não há quem possa..."

Opinião

O PT tropeça na crise

Editorial do Estadão
Já não bastasse a fatalidade de disputar a próxima eleição presidencial, pela primeira vez desde 1989, sem a candidatura Luiz Inácio Lula da Silva, o PT terá contra si na campanha de 2010 os maus ventos da economia. Ainda que os estragos da crise financeira mundial não venham a mergulhar o Brasil numa recessão como a que já se instalou nos países centrais, bastará a ruptura do ciclo de bonança dos últimos anos para recobrir com pesadas nuvens as chances petistas de se manter no governo - com uma provável candidata, a ministra Dilma Rousseff, da escolha pessoal de Lula, sem raízes na agremiação e cujo apelo eleitoral por enquanto se traduz em índices de um dígito nas pesquisas de intenção de voto. Além disso, tampouco se sabe até que ponto a popularidade do presidente se manterá incólume, à medida que se frustrarem as atuais expectativas otimistas da maioria da população, e, menos ainda, qual será a sua capacidade de carrear votos para a sua afilhada política, no cenário de adversidade que se desenha.

O PT, portanto, tem motivos de sobra para se inquietar - e para procurar, desde já, uma estratégia eleitoral que atenue o dano inevitável da ausência, na cédula eletrônica, do nome que agrega votos numa escala a que a legenda não pode aspirar, para si, nem em sonho. Será, ao que tudo indica, uma jornada acidentada e de resultados duvidosos.

O primeiro passo, pelo menos, foi um tropeço. No último fim de semana, mais de 200 dirigentes partidários se reuniram em São Roque, no interior paulista, para um encontro da corrente Construindo um Novo Brasil, que controla o PT, nascida dos escombros do antigo Campo Majoritário, alcançado em cheio pelo escândalo do mensalão em 2005 (o que não abalou a liderança, no grupo, do ex-ministro José Dirceu). Ao cabo de três dias de palestras, com a presidenciável Dilma no papel de debutante, a elite petista chegou à notável conclusão de que a culpa pela versão brasileira da crise econômica cabe ao PSDB e ao DEM.

"A crise tem pai e mãe", proclamou no encerramento da reunião o secretário nacional de Comunicação do partido, Gleber Naime. "Ela é uma crise do modelo neoliberal, daqueles que no Brasil defenderam as idéias de desregulamentação do Estado, ou seja, o PSDB e o DEM. E esse debate o PT vai fazer." A confusão é geral. Para começar, os petistas agem como se as políticas que têm como anátema - aquelas iniciadas no primeiro governo de Fernando Henrique a partir da estabilização da moeda brasileira, com a criação do real, e sensatamente mantida, até hoje, pelo presidente petista - não fossem os alicerces de toda sua imensa popularidade. Além disso e mais importante ainda, foi graças a essas políticas, impropriamente rotuladas de neoliberais, que o Brasil é apontado hoje como o país mais apto entre os emergentes a resistir ao tsunami global. Ou, nos termos de um relatório da OCDE, divulgado na última sexta-feira, o cenário é de perda de ritmo, não de "forte desaceleração".
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Manchetes do dia

Terça-feira, 09 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Expectativa de mais ajuda oficial faz Bolsas subirem"
Os mercados tiveram um dia de fortes altas, impulsionados pelos investimentos em infra-estrutura anunciados pelo presidente eleito Barack Obama, pela expectativa de socorro às montadoras dos EUA e por rumores de novo pacote na China. O Congresso americano enviou à Casa Branca uma proposta de resgate que oferece a General Motors, Chrysler e Ford um empréstimo de curto prazo de US$ 15 bilhões. Em anúncio, a GM pediu desculpas por “trair” os consumidores. Na China, diante de novos sinais de desaceleração econômica, o governo estuda aumentar o pacote de estímulo de US$ 586 bilhões (18% do PIB do país em 2007), anunciado há um mês, com mais investimentos na área social.


O Globo
"Paraguai quer agora dar calote de US$ 19 bi"
Após a recusa do Equador a pagar US$ 243 milhões ao BNDES, agora é a vez do Paraguai que, depois de amanhã, apresentará ao Brasil a proposta de "perdão" de US$ 19 bilhões referentes à obra de Itaipu, concluída em 1984. O Tesouro paraguaio assumiria outros US$ 600 milhões, equivalentes a 3% da dívida. O autor da proposta é o engenheiro Ricardo Canese, negociador do governo Lugo. O ministro Edison Lobão disse ainda desconhecer a proposta.


O Estado de São Paulo
"Crise provoca queda na arrecadação"
A crise econômica começou a atingir a arrecadação, indicam dados preliminares da Receita ainda não divulgados, relatam os repórteres Lu Aiko Otta e Ribamar Oliveira. No mês passado, o volume de tributos obtidos ficou R$ 8,6 bilhões abaixo do programado. O resultado representa queda de 8% em relação às metas do governo. Em geral, as projeções oficiais são conservadoras e vinham sendo superadas nos últimos meses. Em novembro, porém, pela primeira vez os resultados não atingiram o projetado. A redução na arrecadação é liderada pelo Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, pela Contribuição Social sobre Lucro Líquido e pela Cofins. Os dois primeiros refletem lucratividade; o último, faturamento. O IR das empresas, por exemplo, ficou R$ 2,6 bilhões abaixo do esperado em razão da queda do lucro dos setores atacadista, automobilístico e petrolífero. No caso do comércio atacadista, a queda do IRPJ foi de 45% em relação ao programado. A Cofins também caiu nos setores automobilístico, atacadista e metalurgia, com perda de R$ 1 bilhão sobre o projetado.


Jornal do Brasil
"Deflação já ameaça economia brasileira"
O desaquecimento mundial será percebido em breve pelo consumidor. O alerta é da Fundação Getúlio Vargas, diante do resultado do Índice de Preços no Atacado, que registrou deflação. Segundo a FGV, a tendência logo chegará ao varejo. O presidente Lula e o ministro Guido Mantega discutiram ontem medidas contra a falta de crédito para produção. Nos EUA, a crise atinge grandes jornais: o New York Times planeja hipotecar sua sede, e o dono do Los Angeles Times e do Chicago Tribune pediu concordata.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Merenda escolar


Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar 2008
Presidente Lula e Dona Marisa entregam prêmio a 24 prefeituras que se destacaram por oferecer merenda de qualidade aos alunos da rede pública
No dia 10 de dezembro acontecerá em Brasília (DF) a cerimônia de premiação da 5ª edição Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar. Nesta ocasião o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Primeira-Dama e presidente de honra da Ação Fome Zero, a senhora Marisa Letícia Lula da Silva, entregarão os troféus aos 24 municípios premiados. Também participarão da cerimônia Ministros de Estado, outras autoridades e empresários associados à Ação Fome Zero. As categorias das prefeituras premiadas serão conhecidas durante a cerimônia. Com 1.022 municípios inscritos em 2008, o Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar tem como objetivo destacar prefeituras que desempenharam uma boa gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em 2007. Para milhões de crianças no Brasil a merenda escolar é a principal refeição do dia.
A alimentação escolar de qualidade contribui para a promoção da segurança alimentar das crianças e jovens do Brasil, além de ser um instrumento fundamental para a recuperação de hábitos alimentares saudáveis. Os recursos públicos direcionados à merenda escolar, quando adequadamente aplicados, podem gerar riqueza e desenvolvimento para a região. Uma merenda saudável e nutritiva é a base para o crescimento das gerações que construirão o futuro deste país.
As prefeituras contempladas com o Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar foram:

Alto Garças (MT)
Anápolis (GO)
Aparecida (PB)
Campo Alegre (SC)
Capitão Enéas (MG)
Castanhal (PA)
Coimbra (MG)
Conchal (SP)
Diamantino (MT)
Duque de Caxias (RJ)
Francisco Alves (PR)
Guaraí (TO)
Jussara (GO)
Olímpia (SP)
Oriximiná (PA)
Ouro Verde do Oeste (PR)
Paragominas (PA)
Pinheirinho do Vale (RS)
Riacho da Cruz (RN)
Rio de Janeiro (RJ)
Santa Rosa de Viterbo (SP)
São João do Sabugi (RN)
Uberlândia (MG)
Viçosa do Ceará (CE)
O que?
Cerimônia de premiação do Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar
Quando?
Dia 10 de dezembro de 2008, às 13 horas
Onde?
Brasília Alvorada Hotel, em Brasília – DF
Quem participará?
Presidente da República, Primeira-Dama Marisa Letícia, Ministros de Estado, empresários associados à Ação Fome Zero, prefeitos premiados e outros convidados.
*A Ação Fome Zero é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e representa uma aliança de empresas e empresários comprometidos com o desenvolvimento social sustentável do país.

Coluna da Segunda-feira

Conflitos Urbanos Previsíveis

Renato Nunes
Não é preciso ser especialista formado em urbanismo para perceber que a cidade é um organismo vivo. Apesar de não se mover de um lugar para outro, a cidade muda diariamente em razão das atividades das pessoas. Uma cidade é o espaço de desempenho do fazer humano, adoecendo quando as coisas acontecem de modo errado. Antigamente sem luz elétrica e antes da era industrial, as cidades eram mais palpáveis, as ações e os responsáveis eram mais visíveis. Ruas estreitas, armazéns para comércio de produtos de subsistência, de manutenção e serviços artesanais. Andava-se a cavalo, charretes e carroções. Os atritos entre seus habitantes tinham origem em desentendimentos pessoais diretos ou próximos.

Porém, as coisas mudaram. O jogo de pressões econômicas, a energia elétrica, a industrialização e agora a globalização fazem das cidades, mesmo as pequenas como Ubatuba, um universo complexo difícil para se morar. O dia a dia urbano provoca na maior parte dos cidadãos um desgaste diário que muitas vezes não percebemos de onde surgem. Não se trata das questões óbvias como a segurança pública, a falta de água, a limpeza das ruas, ratos, mato e buracos. São agressões estressantes mais sutis, são agressões sem autores. Da mesma forma que uma praça arborizada, silenciosa e limpa cria um momento de paz para quem passa, transtornos e indisciplina provocam muitas vezes atos de loucura no mais pacato cidadão. A disputa por vagas em momentos críticos ou os problemas causados pela localização inadequada de determinadas atividades gera momentos de “stress” alucinantes nas pessoas. Isso tudo tem a ver com a qualidade de vida nas cidades.

Com isso quero dizer que a gestão urbana não pode mais ser realizada pela lógica do “achismo político”. Por exemplo, a Prefeitura de Ubatuba decidiu implantar a zona azul nas ruas centrais da cidade e já demarcou as vagas para esse fim. Muito bom! Entretanto, esqueceu-se das motos. É óbvio que as motocicletas, em numero assustadoramente crescente na cidade, vão se colocar nas vagas dos automóveis, ou entre dois automóveis já estacionados. E haja atrito entre motoqueiros e motoristas. É uma fonte de stress gratuito nascido da falta de planejamento.

Como se vê o assunto é técnico e deve ser conduzido por profissionais da área. Fora da esfera dos interesses políticos, em termos de organização urbana tudo pode ser previsto. Essa postura não reduz a importância dos vereadores e do Prefeito, pelo contrário, cria um balisamento saudável para o natural jogo político. Define as margens para a ação política sem comprometer o interesse maior da comunidade.

As experiências acertadas realizadas em várias cidades brasileiras a partir das ações do arquiteto Jaime Lerner em Curitiba nos anos 70, mostram que estamos muito atrasados ao buscar o desenvolvimento urbano sem levar em conta a qualidade de vida fundamental do cidadão. Não se trata só de desenvolver, mas, desenvolver para quem.

A fórmula encontrada em Curitiba foi a criação do IPUC – Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba, órgão técnico criado à margem do Poder Executivo ou Legislativo, com a finalidade exclusiva de definir todas as ações urbanas. Evidentemente existem embates políticos, mas todas as medidas são tomadas sob a coordenação do IPUC. Hoje Curitiba tem um alto índice de qualidade de vida e os Institutos de Planejamento Urbano se reproduziram em outras cidades.

A partir de janeiro teremos o início de um novo ciclo administrativo para o município. Quem sabe a velha prática casuística possa ser substituída pelas novas ferramentas de gestão urbana?
Com a palavra, os eleitos. E o povo!

Crônica

Pisadas de bola, mentiras, traições e decepções generalizadas

Marcelo Mirisola*
Oscar Niemeyer demorou cem anos para pisar na bola. De repente, virou troféu reciclado de Fórmula 1. Alguns meses depois de apagar cem velinhas, os traços do velho comunista inspiraram uma coleção de jóias da H. Stern. Na semana passada, Barack Obama antecipou a equipe de governo: seu homem no Pentágono (ou o equivalente ao senhor da guerra) – pasmem – é Robert Gates, o mesmo que Bushinho mantém no açougue há dois anos. Tenho medo de fazer uma contabilidade e descobrir quantos inocentes civis morreram no Iraque nesse período em que Gates foi o titular do cutelo, digo, da pasta. Não deixa de ser um mimo para Bush, afinal, Obama demonstra ser um homem afetuoso. Um pouco mais afetuoso do que a recém-nomeada ministra Hilary Clinton que, na campanha eleitoral, o acusou de ser um ingênuo em se tratando de política externa... Vejam só. Vai ver que Obama está querendo provar que não era assim tão inocente: nem bem assumiu a presidência e já virou um branquelo saudosista. Pisou na bola feio. Desse jeito vai acabar feito o Michael Jackson, que jura que Neverland é apenas um lugar incompreensível para os adultos. Eita!

A lista das pisadas de bola é imensa. Vou começar por um caso que não é exatamente um clássico de pisada na bola. Nem se trata de pisada na bola. Porque eles são dos donos da bola e do campinho. Mas vale para aporrinhá-los.

Vamos lá. Antes de ser engolido pelo Itaú, o Unibanco jurava que nem parecia banco. Parecia tudo: cinema, editora Cia das Letras, festival de Paraty... e também parecia com a filha do Ziraldo (aquele da indenização). O banco era dentuço, usava óculos retrô de aros grossos e não tinha vergonha de ser meio emo-modernete – até ganhava prêmio em Berlim – parecia tudo menos banco. Pois bem. Espero que – depois de engolido pelo Itaú – seus marqueteiros mudem de tática e digam logo que o novo Itaú-Unibanco, é ,de fato, um banco que cobra juros de 10% ao mês e esfola seus clientes sem lirismo, sem dó, sem arte nem piedade. Simples assim. Aqui vai a sugestão para o slogan do novo gigante: Itaú & Unibanco: simples assim: no seu forévis.

Voltemos às pisadas na bola. O primeiro caso que me ocorre – e não podia ser diferente – é de um boleiro. Lembram de Walter Casagrande Jr., o maloqueiro da democracia corintiana? Virou mauricinho da Globo, e não agüentou o tranco. Sinceramente, Casão? Desejo as melhoras. Desejo que você se cure – principalmente – da companhia do Galvão Bueno. E Mano Brown? Que agora, além de garoto-propaganda de Jesus, virou garoto propaganda da Nike. A única coisa que ele e os Racionais não vão conseguir mudar – tenho certeza – são as rimas pobres e toscas. Os caras são tão limitados que nem se quisessem conseguiriam ganhar um troco tirando onda com os barquinhos da bossa nova, como fez a ex-banda Sepultura.

Impressionante como essa gente vira a casaca. O rato de porão João Gordo virou um Mickey Mouse – papai Gelol exemplar, com direito a massagens de ofurô e férias na Disney. Nem vou falar do Lula e dos sindicalistas endiabrados do PT – chega a ser redundância e necrofilia com os anos 70 e com aqueles ingênuos que morreram por causa eles. São muitas decepções. Estou puxando pela memória. Se alguém lembrar de mais alguma coisa, por favor, me ajude nos comentários do Fórum.

Nem sei se é correto falar em trairagem. Uma vez que ninguém trai o passado: simplesmente porque não se negocia com aquilo que já foi para o lixo. Ao contrário do futuro que vem embutido no pacote – e que estava lá de tocaia. Só esperando para dar o bote, e tirar suas casquinhas.

Um parêntese. O futuro não muda o passado, o engana. Não é à toa que inventaram o futuro do pretérito. De longe, o tempo verbal mais malandro e escorregadio: ele é a prova de que Deus não existe mas “acontece”, e que está ali apenas para tirar uma onda da cara dos otários. Esse tempo verbal é tão safado – e tão perfeito – que vislumbra uma esperança que jamais poderia existir, e vive em função de uma correção impossível. Sabem por quê? Porque desde sempre, tanto a esperança como a eventual correção daquilo que foi sem nunca ter sido, estiveram viciadas. Uma se alimenta da outra sem dar nem receber. O tal do vício de origem. O futuro do pretérito, aliás, é o meu tempo verbal e existencial preferido.

Voltando. Me ocorreram mais pisadas de bola. O Fábio Jr. Caramba! O cara escreveu “Pai”, a letra mais bonita da MPB, a meu ver, mais bonita que a “Beatriz” do Chico. Essa letra – para um cara sentimental do meu feitio – vale por toda a obra do Caetano Veloso. E aí o que acontece? Fábio Jr. acaba vendendo eletrodomésticos nas casas Bahia junto com o Zezé di Camargo e Luciano. Temos casos de rockeiros e travestis que viraram pais de família, cagadores de regras repetitivos e pastores evangélicos. Taí o Catalau, da falecida banda Golpe de Estado, que não me deixa mentir.

Acredito que o caso mais patético de pisada de bola é o do Cid Moreira, que apavorou o Brasil por décadas. Ah, Cid. Eu lembro que na hora em que o Jornal Nacional começava todo mundo tinha de fazer silêncio em casa, eu morria de medo do vozeirão de fatalidade do Cid Moreira, a voz do Roberto Marinho botando pra fuder, elegia e derrubava presidentes e, agora, ah, meu Deus! Nem o Mister M acredita nele. Ia falar do Pedro Bial, mas esse nunca me enganou. Chegou a enganar até o Paulo Francis, que disse que o queria como o filho que não teve. Da minha parte, sempre o tive como um picareta – desde os tempos em que fazia filminho sobre Guimarães Rosa. Acabou no Big Brother. Tava na cara. Quem mais foi parar em Irajá?

Ainda não vi a Playboy da Claudia Ohana, mas já me disseram que sua mata atlântica foi devastada ao longo desses anos. Outra decepção. Uma pisada de bola atrás da outra. O que é que está acontecendo? Pizza com borda recheada, esfilha de frango... Elton John no Brasil. Outro dia passei nas dunas do Leblon, e no lugar dos malucos fumando maconha, sabem o que vi? Uma academia de ginástica a céu aberto. Eu juro por Deus (que não é aquele vira-casaca que bate ponto no Edir Macedo)... eu juro: uma academia de ginástica nas dunas! Na minha época de colégio, abdominal era castigo.

Acho que nos dias de hoje o mais autêntico e confiável e – sobretudo – o único à prova de decepções é o Kassab. O cara que proibiu o vinagrete na feira vai ter Gabriel Chalita como líder na Câmara Municipal. É previsível o que vem por aí. Kassab & Chalita. Esses dois jamais vão trair seus DNAs. A não ser que Chalita entre para o PSTU e Kassab faça como o Gugu, que casou e é pai de três filhos. Difícil, né? Mas quem é que põe a mão no fogo? Se alguém tiver sugestões e nomes a acrescentar à lista de pisadas de bola, traições e decepções, por gentileza, ajudem-me no Fórum de Leitores. O Natal está chegando. Só peço que poupem o bom velhinho.

* Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Palavras

Palavra do Dia: WORKSHOP

Em muitas faculdades do país são oferecidas atualmente aos alunos diversas atividades complementares para enriquecer o conhecimento, como palestras, oficinas, mesas-redondas e workshops. A palavra “workshop” é da língua inglesa mas acabou por ser incorporada ao idioma devido a seu uso frequente. Designa o treinamento de novas técnicas ou novos conhecimentos etc ., em grupos nos quais os participantes sempre têm espaço para opinar e interagir com o instrutor.

Definição do “iDicionário Aulete”:WORKSHOP

Substantivo masculino.
1 Oficina prática de trabalho ou de treinamento, ou seminário ou curso intensivo, de curta duração, ger. para que os participantes conheçam, discutam e/ou exercitem novas técnicas, novos conhecimentos, novas artes, etc (workshop de vendas; workshop de literatura; workshop de dança): "A terapeuta (...) vai dar um workshop de exercícios chineses para a saúde (...)." (, O Globo, 01.04.04)

Opinião

Cadastro do mau gestor

Editorial do Estadão
Por não dispor de informação, órgãos públicos de determinado município ou Estado podiam contratar pessoas ou empresas condenadas em caráter definitivo por improbidade administrativa em outras localidades. Com o Cadastro Nacional dos Condenados por Atos de Improbidade Administrativa, criado no ano passado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que estará em operação plena dentro de três meses, a alegação de falta de informação não funcionará mais.

O cadastro é um banco de dados com os nomes de pessoas e empresas que, condenadas em qualquer parte do País por atos lesivos ao erário ou que ferem as normas da administração pública, estão inabilitadas para prestar serviços ao governo ou para o exercício de funções públicas. Será um instrumento importante para dar ao administrador público a segurança de que, ao admitir funcionários ou contratar serviços, não está lidando com pessoas físicas ou jurídicas inidôneas.

A Constituição prevê que os atos de improbidade administrativa devem ser punidos com a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. Quatro anos depois de promulgada a Constituição, foi sancionada a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), que definiu três modalidades de atos ilegais que configuram improbidade administrativa: os que resultam em enriquecimento ilícito, os que causam prejuízo ao erário e os que atentam contra os princípios da administração pública.

A lei também detalha as punições que a Constituição prevê para os responsáveis por atos de improbidade administrativa, entre as quais a imposição de multa de até 110 vezes o valor da remuneração do funcionário público. Uma importante inovação em relação à legislação anterior, elaborada na década de 1950, foi o reconhecimento do Ministério Público como agente com poderes para acionar judicialmente os acusados de improbidade. Antes da lei de 1992, apenas o órgão lesado tinha legitimidade para pleitear judicialmente o ressarcimento.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 08 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Serra amplia vantagem para 2010 e Dilma sobe"
Pesquisa Datafolha para a eleição presidencial de 2010 indica que o governador paulista José Serra (PSDB) aumentou sua liderança em relação ao levantamento anterior, realizado em março.

A menos de dois anos da eleição, Serra lidera com taxas que variam de 36% a 47%, conforme o cenário.
O segundo colocado, o deputado Ciro Gomes (PSB), caiu de cinco a seis pontos, enquanto a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), subiu cinco pontos. A ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) ficou estável. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na hipótese em que Aécio Neves substitui Serra como candidato tucano, o governador mineiro oscilou dois pontos para cima e aparece com 17%, mas permanece atrás de Ciro Gomes (com 25%) e em empate técnico com Heloísa Helena (19%).Serra lidera em todas as regiões do país, com melhor desempenho no Sudeste e no Norte/Centro-Oeste. Ciro é mais forte no Nordeste, assim como Heloísa Helena. A intenção de voto em Serra diminui conforme aumenta a escolaridade do eleitorado – o oposto do que acontece com Aécio e Dilma.

O Globo
"Paes diz que Cesar deixa rombo de até 400 milhões"
O prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes, queixou-se ontem de falta de transparência sobre as reais condições financeiras do município e disse desconfiar que o prefeito Cesar Maia esteja com dificuldades para fechar o caixa. Segundo Paes, as contas da prefeitura teriam hoje um rombo de até R$ 400 milhões, calculado por sua equipe de transição. Cesar, que vem dizendo que pretende deixar justamente R$ 400 milhões em caixa para seu sucessor, negou dificuldades e disse que “ainda falta traquejo” aos futuros gestores.


O Estado de São Paulo
"Empréstimo de bancos a emergentes vai a US$ 4,9 tri"
O volume de empréstimos tomados pelos países emergentes nos bancos internacionais quadruplicou entre 2002 e meados deste ano e atingiu US$ 4,9 trilhões, informa o correspondente em Genebra, Jamil Chade. (...)O Brasil ainda tem uma dependência menor que a das economias do Leste Europeu e da Argentina, mas superior à da China. (...).


Jornal do Brasil
"As pedras no caminho de Paes"
Reunido nos últimos três dias com o futuro secretariado, o prefeito eleito Eduardo Paes descobriu que 10 das 18 obras do PAC no Rio estão paralisadas. Do encontro, saiu com outra preocupação: o rombo no caixa da prefeitura pode chegar a R$ 400 milhões. E uma certeza: vai religar os pardais.

domingo, dezembro 07, 2008

São Paulo FC: o maior do mundo

São Paulo Campeão - Pleonasmo



Time que ganhou a final do campeonato paulista de 1957.

Poy, De Sordi e Mauro, Sarará Vitor e Riberto, Maurinho, Amaury, Gino Orlando, Zizinho e Canhoteiro. Eu estava lá no inesquecível 22 de dezembro de 1957. Hoje ganhamos mais um título, fico feliz, mas o primeiro a gente nunca esquece. (Sidney Borges)

Coluna do Domingo

Litoral Norte discute a violência

Rui Grilo
A audiência pública realizada em Caraguatatuba e divulgada na edição de 03/12 do Jornal Imprensa Livre traz como ponto positivo a reunião de diferentes atores: deputados estaduais, representantes dos Conselhos de Seguranças (Conseg’s) e das Polícias Civil e Militar.

A violência é fruto de várias e complexas relações e sem a participação de todos é muito difícil resultados satisfatórios. No entanto, parece que as soluções ficaram mais para apagar incêndio que a prevenção, privilegiando as medidas repressivas. Ainda que a repressão seja necessária como último recurso, só deve ser usada quando realmente necessária para defender e preservar a vida e o bem estar de todos.

Experiências tem mostrado que, mesmo nas sociedades mais avançadas, não há a eliminação total da violência. A diferença é estatística: morre-se mais nos bairros pobres e indivíduos do sexo masculino na faixa dos 15 aos 25. Nem sempre o que é feito em um lugar dá certo em outro mas um grande número de experiências bem sucedidas tem-se valido do incentivo e criação de espaços esportivos e culturais.

Todos os sábados, às 7h na Globo, o Programa AÇÃO, apresentado por Serginho Groisman, mostra algumas dessas experiências de entidades dos mais diferentes lugares do Brasil. O esporte está muito ligado à disciplina, ao trabalho em equipe, à obediência de regras, à queima das energias acumuladas e à superação de limites físicos.

As artes levam à introspecção, à expressão de emoções e valores e a romper os limites da realidade e à sensação de liberdade, como um pino que libera o vapor e impede a explosão da panela de pressão, favorecendo o equilíbrio mental e psicológico.

Segundo o delegado seccional Múcio Alvarenga “os índices de criminalidade diminuíram, tendo aumentado apenas os números de homicídios, por motivos, na grande maioria, de entorpecentes.” Um adolescente de Ubatuba já havia comentado comigo:

"Essa situação de crianças drogadas, cheirando pó, armadas, dando tiro para cima e para baixo já está ficando normal."

Se a sociedade não criar alternativas para inclusão de jovens desempregados, estará cada vez mais jogando-os no braço do crime porque, em fase de formação, são estimulados pela propaganda a consumirem, pois na sociedade capitalista vale quem tem.


Para se incluírem tem que consumir e, para isso, vale tudo. Para a polícia, uma das medidas importantes deveria ser o fechamento de bares irregulares nas periferias das cidades. Diadema foi um dos melhores exemplos nessa direção pois conseguiu reduzir bastante o índice de violência limitando o horário noturno de funcionamento dos bares. Mas não se limitou a isso, implantando um amplo programa de gestão e participação popular, priorizando a criação de espaços culturais e esportivos na periferia.

Propostas que tem dado bastante resultado tem como princípio o conceito de adolescente protagonista, isto é, as ações educativas são desenvolvidas por jovens multiplicadores, eliminando as barreiras de conflito de linguagem e de autoridade, falando de igual para igual e de uma forma lúdica. Governantes mais inteligentes tem feito parcerias, reconhecendo a importância do Movimento HIP HOP ,tem investido no seu fortalecimento como uma estratégia para favorecer a auto-estima e afastar os jovens do tráfico, gerando renda e emprego, utilizando os jovens como monitores de oficinas para formação de dj, rappers, grafiteiros e dançarinos de street dance.

O Projeto Sol, que existe há mais de 25 anos na região de Interlagos, começou tentando recuperar os drogaditos; como o resultado era quase nulo, passou a atuar dentro da favela trabalhando com as crianças e a família e o resultado tem sido bastante satisfatório.

Alguns funcionários, quando crianças, foram atendidos pela entidade, que tem normas disciplinares claras e objetivas. O Gaiato, entidade sediada no Ipiranguinha, e que atende crianças e jovens, também possui em seus quadros de monitores, adultos formados no próprio Gaiato. Esses projetos são, como grandes braços protetores, de uma família ampliada.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Boxe


De La Hoya (esq) é superado por filipino

Pacquiao vence, e De La Hoya diz que precisa pensar melhor sobre a carreira

Ídolo norte-americano não vence uma luta de expressão há seis anos

GLOBOESPORTE.COM Las Vegas, Estados Unidos
Não foram precisos mais do que oito assaltos para que o filipino Manny Pacquiao vencesse o americano Oscar De La Hoya por desistência, neste sábado, em confronto válido pela categoria de meio-médios do boxe. Com o olho esquerdo bastante inchado, De La Hoya não conseguiu suportar o melhor preparo físico do seu oponente, seis anos mais novo.


- Meu coração quer lutar. Mas quando o lado físico não responde, o que eu posso fazer? Eu tenho que ser inteligente e pensar bem sobre o meu futuro - diz um desanimado De La Hoya após a luta, ainda sem anunciar definitivamente a aposentadoria.

A vitória deste sábado foi a de número 48 na carreira de Pacquiao, que tem apenas três derrotas no currículo. O filipino concordou com De La Roya sobre a superioridade no aspecto físico que teve durante a luta.

- Nossos treinamentos foram todos voltados para a velocidade, sabíamos que ela poderia ser a chave para esta luta. Eu treinei duro para este combate, por isso eu mereci a vitória esta noite - vibra.

Como um grande campeão que foi - Oscar venceu nada menos do que dez títulos no boxe -, o norte-americano soube reconhecer a superioridade do adversário.

- Ele é um grande lutador. Eu não tenho nada de ruim para falar sobre Pacquiao. Ele se preparou como um campeão.

Após a luta, De La Hoya foi levado a um hospital para exames de rotina. (G1)

 
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