sábado, dezembro 06, 2008

Brasil

Sobre a crise

Sidney Borges
A crise de 29 marcou a vida brasileira. Minha avó me contou que os fazendeiros de café andavam feito loucos nas imediações da avenida Paulista. Espetáculo estranho. Homens de fraque e longas barbas exibindo cabeleiras desgrenhadas, olhos esgazeados e baba escorrendo dos cantos das bocas. No chão cartolas amassadas. Como contraponto o vendedor da "Fanfulla" apregoando o semanário em italiano. A crise de 29 deixou marcas comportamentais na massa urbana, na época massinha pois a maioria dos brasileiros estava no campo. Diferentemente dos americanos, que vivem endividados e aplicam na bolsa, o brasileiro tem por hábito a temperança. Quando sobra algum dinheirinho vai pra caderneta de poupança, garantida pelo Lula. Se alguém vai ter problemas com a crise certamente serão os grandes empresários. Apostaram na corrente da felicidade e não têm como pagar a conta. Para que não sofram existe o governo. Compromissos assumidos nas campanhas serão honrados. Quem doa ao rei recebe de volta. Com juros. Hoje há mais brasileiros nas cidades do que no campo. O carro chefe da economia ainda é o setor automobilístico. Pelos sinais dos astros está acesa a luz amarela. Sem vender carros não há como pagar salários. Demissões à vista. É o prenúncio da verdadeira crise. Desemprego. Morte civil. Em havendo trabalho o povo continua como sempre, ganhando pouco, gastando pouco, pagando o dízimo para garantir o terreninho no céu e torcendo pelo time do coração aos domingos. Sem faltar feijão, farinha, carne seca e a "marvada", continuaremos contemplando o horizonte. Um dia D. Sebastião voltará montado no corcel branco. Corcel 1974, velho, enferrujado, queimando óleo, mas ainda transportando a esperança nacional.

Fórmula 1

Mosley teme que Honda cause "efeito dominó" na F1

Por Alan Baldwin
LONDRES (Reuters) - A Honda pode gerar um efeito dominó, no qual várias outras montadoras deixariam a Fórmula 1, a não ser que os custos da categoria sejam reduzidos drasticamente, disse o presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Max Mosley, nesta sexta-feira.


"Devo dizer que isso não era totalmente inesperado", disse o britânico a repórteres, depois que a Honda anunciou que está deixando a competição em meio à crise na economia global que causou uma queda nas vendas de carros e o fechamento de fábricas.

"Eu esperava que uma das grandes equipes saísse em algum momento porque, mesmo antes da situação atual, os custos estavam completamente fora de controle".

"E agora eu acho difícil imaginar como qualquer montadora pode ficar, a não ser que façamos reduções substanciais nos custos", acrescentou Mosley, em teleconferência.

As grandes montadoras de carro são donas, em parte ou completamente, de seis das 10 equipes que terminaram a temporada da Fórmula 1 em novembro. Elas também fornecem motores às equipes menores.

Um recente relatório da Formula Money estimou o orçamento anual da Honda em 350 milhões de dólares. Nos últimos cinco anos, a montadora japonesa teria investido 1,5 bilhão de dólares no esporte.

Toyota, BMW, Mercedes, Renault e Fiat (Ferrari) também gastaram mais do que 200 milhões de dólares por ano. A Toyota entrou em 2002 na F1 e nunca ganhou uma corrida.

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Nota do Editor - A Fórmula 1 já não me empolga. Durante muitos anos foi novidade, eu me dava ao trabalho de comprar revistas italianas para saber os segredos da categoria. Hoje não consigo assistir a uma corrida inteira, de vez em quando vejo a largada e volto no final. Se acontece alguma coisa interessante aparece na retrospectiva. Espero que o meu sentimento seja único, muitos vivem do circo e precisam que continue. Mas se depender de mim a Fórmula 1, brinquedinho de meninos abastados, está com os dias contados. (Sidney Borges)

Verão

Agora sim Ubatuba

Leo Rocha
Há pouco mais de um ano, dia 22 de novembro do ano passado para ser mais preciso, escrevi um artigo o qual nomeei “E Ubatuba nada?”. Qual não foi minha surpresa nesta manhã, enquanto checava meus e-mails, em descobrir na minha caixa de entrada que Ubatuba terá uma ótima programação voltada para a juventude.

Serão mais de dez shows com grandes nomes da música brasileira como: NX Zero, Inimigos da HP, Jeito Moleque, Cesar Menotti & Fabiano, Exaltasamba, Fresno, Ana Carolina, entre outros.

Essa foi uma ótima iniciativa dos empresários do grupo 180 e do meu amigo Justo em parceria com a Prefeitura Municipal de Ubatuba, pois parte das bandas se apresentarão em Caraguatatuba e no dia seguinte virão para nossa amada cidade, assim baixando os custos e gerando um bom atrativo turístico para Ubatuba, além de uma boa opção de entretenimento para a juventude local.

Além do entretenimento e do turismo, os organizadores ainda se preocuparam com o social, prova disto é que todos os que levarem um quilo de alimento ao show poderão pagar meia-entrada tendo assim um desconto de até R$ 50,00 que será destinado ao fundo social da Prefeitura Municipal de Ubatuba.

Iniciativas e idéias como esta que trazem progresso para nosso município devem ser sempre reconhecidas, por isso deixo aqui meus parabéns aos idealizadores e organizadores do Festival de Verão Ubatuba 2009. Para mais informações sobre o evento acesse o site www.festivaldeveraoubatuba.com.br

Crise

Cof, cof, cof.

Diogo Mainardi
Benjamin Steinbruch, dono da CSN, publicou na Folha de S.Paulo um artigo intitulado "Expectadores da recessão". Assim mesmo: "expectadores" com "xis". Tenho expectorado continuamente desde setembro, quando meu menorzinho me passou uma tosse. Posso não entender nada de recessão, mas me considero um especialista em matéria de expectoração. Por isso, o artigo de Benjamin Steinbruch me fez refletir profundamente. Dá para expectorar uma recessão? Interpretei da seguinte maneira: cada pneumococo é um keynesiano em potencial, com seus estratagemas para contaminar os organismos do estado e sufocar as vias respiratórias da economia. É isso?

Se entendi direito, Benjamin Steinbruch pertence ao partido dos pneumococos keynesianos. Cito um trecho de seu artigo: "Até a semana passada, pacotes para estimular investimentos e consumo num total de 3 trilhões de dólares já haviam sido anunciados por diferentes governos. No Brasil, o caminho é o mesmo. Uma vez que não temos por aqui nenhum problema de solidez no sistema financeiro, a tarefa é direcionar recursos a empreendedores públicos ou privados que efetivamente tenham coragem e competência para gastá-los de forma produtiva". Cof, cof, cof. Considerando todos os recursos que, nos últimos anos, o BNDES direcionou à CSN, como os 900 milhões de reais para a Nova Transnordestina ou os 300 milhões de reais para o Porto de Sepetiba, Benjamin Steinbruch só pode ser um desses corajosos e competentes empreendedores privados que, segundo ele próprio, teriam de ser contemplados com ainda mais dinheiro público.

Pergunte ao senador petista Aloizio Mercadante o que ele pensa sobre o assunto. Aposto que ele concorda. Achei que os keynesianos fossem mais obsoletos do que as escarradeiras dos tuberculosos, para continuar com a analogia pulmonar. Mas me enganei. Eles voltaram. E em sua forma mais agressiva: a dos keynesianos em causa própria, como o presidente da GM, nos Estados Unidos, ou o presidente da CSN, no Brasil. Benjamin Steinbruch, o Hans Castorp da siderurgia nacional, internado em seu sanatório de verbas do BNDES – sim, Thomas Mann, A Montanha Mágica –, conclui seu artigo recomendando que os recursos públicos "sejam realmente gastos e não fiquem debaixo dos colchões de apavorados expectadores da recessão".

Como eu sou apenas um espectador comum – um espectador com "esse" –, aconselho o governo a fazer o contrário: é melhor ficar sentado na platéia, de mãos dadas com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e assistir aos desdobramentos do espetáculo, deixando o dinheiro prudentemente debaixo do colchão. E se um keynesiano em causa própria expectorar em sua orelha, na poltrona de trás, afaste-o imediatamente: ele é contagioso. (Trem Azul)

Opinião

Por um País da mala branca

Mauro Chaves
Já que os valores morais da sociedade brasileira se encontram tão destroçados (pelo menos no momento), é preciso buscar novas formas de conter os distúrbios de nosso convívio humano e as ameaças à nossa já precária coesão social. E já que nossa sociedade se mostra tão avessa à punição pelo desrespeito à lei (pois a cada eleição perdoa tantos nas urnas), façamo-la, de vez, cumprir a lei apenas mediante incentivos.


Recente moda futebolística pode-nos apontar o caminho dessa transformação, que troca a sanção pelo estímulo e a punição pela perda de vantagem. É a chamada prática da "mala branca", pela qual um clube paga a outro para que este ganhe. É claro que isso nada tem que ver com o suborno da "mala preta" - a execrável compra de goleiros, zagueiros e outros de um time para que deixem a bola passar e percam o jogo.

A "mala branca", ao contrário, é um saudável incentivo para que os profissionais do esporte ajam corretamente, isto é, esforcem-se ao máximo para ganhar um jogo.Com certeza diminuiríamos muito nossos índices de violência e criminalidade se introduzíssemos o conceito da "mala branca" em nossa legislação penal. Por exemplo, de acordo com o nível socioeconômico do criminoso, poderíamos ter reformulado o artigo 121 do nosso Código Penal, nos seguintes termos: "Matar alguém - pena: Perda total do Bolsa-Família (para carentes); ou perda total da aposentadoria integral (para altos escalões)." No campo da administração pública das cidades o conceito teria ampla e benéfica aplicação, ao premiar com melhores obras de infra-estrutura e menores taxas aquelas comunidades que apresentassem os menores índices de violência e criminalidade.

Os membros de cada comunidade seriam solidários na melhoria desses índices, pois sentiriam na própria pele suas variações. Assim, todos cobrariam de todos o comportamento mais pacífico - ou mais respeitador dos direitos de todos -, fiscalizariam e coibiriam os abusos internos da comunidade e até competiriam, com outras comunidades, pela atração de maiores verbas públicas em razão de seu bom comportamento coletivo. As localidades onde houvesse menor incidência de lesões corporais, furtos, atropelamentos, pichações ou excrementos de cachorro nas calçadas - para mencionar variadas modalidades de desrespeito à lei e aos direitos dos cidadãos - poderiam ser beneficiadas com substanciais reduções de IPTU.
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Manchetes do dia

Sábado, 06 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"EUA fecham 533 mil vagas em 1 mês"
A crise econômica eliminou 533 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em novembro, elevando a taxa de desemprego de 6,5% para 6,7%, segundo informou o Departamento do Trabalho. É o maior corte de vagas em um mês no país desde 1974. Há hoje 10,3 milhões de desempregados nos EUA. Os dados de novembro, que registrou a 11º queda mensal consecutiva, ficaram muito acima da previsão de economistas, que estimam em 350 mil postos cortados.No mês, o setor de serviços respondeu por 70% dos empregos eliminados. Desde janeiro, mais de 1,9 milhão de vagas foram suprimidas, com maior aceleração nos últimos três meses. No início da semana, o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica já anunciara que os EUA estão em recessão há um ano. O presidente George W. Bush defendeu cortes nos juros e afirmou que vai estender os prazos de pagamento do seguro-desemprego.


O Globo
"Congresso e governo criam gastos extras em plena crise"
Na contramão do combate à crise econômica, deputados e senadores aprovaram nos últimos dias medidas - a maioria oriunda do Planalto - com impacto bilionário nos gastos públicos. Foram MPs; duas delas sobre alimentos de servidores, que significarão pelo menos R$ 29 bilhões extras só em 2009, ano em que o aperto na economia será maior. Sem contar no contar novos gastos para o setor privado e o INSS, com propostas como a proibição de demissão de maridos de grávidas e o fim do fator previdenciário, ainda em discussão.


O Estado de São Paulo
"EUA cortam 533 mil empregos"
O mercado de trabalho dos EUA fechou 533 mil vagas em novembro, o 11º mês seguido de retração na oferta de empregos do país. Foi o maior corte mensal Desde 1974. A taxa de desemprego subiu para 6,7%, a pior em 15 anos. O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pediu ao Congresso medidas "urgentes" para reativar o mercado de trabalho. Os números do desemprego deram força aos chefes das principais montadoras dos EUA, que pedem US$ 35 bilhões em ajuda oficial para evitar um "desastre inimaginável", na expressão de um deputado democrata. O presidente George W. Bush disse que, talvez, os gigantes da indústria automobilística "possam não sobreviver" à crise. A expectativa de novas ações para estimular a economia fez a Bolsa de Nova York subir 3,09%. Com isso, a Bovespa também fechou em alta,de 0,63%. O petróleo caiu ontem mais 6,55%, fechando a US$40,81.


Jornal do Brasil
"Uma cidade contra o crime"
O Rio terá em breve a Cidade da Polícia, que vai concentrar, na Zona Norte, as delegacias especializadas e unificar a política de combate ao crime. A idéia do governador Sérgio Cabral é facilitar o planejamento de ações, garantir investigações mais ágeis e reunir, num só lugar, delegacias estratégicas hoje instaladas em diferentes pontos. Serão investidos R$ 200 milhões, com financiamento do BNDES. Exemplos de combate ao crime no Rio, o Morro Dona Marta e Complexo do Alemão são os novos laboratórios de segurança pública no Rio.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Coluna da Sexta-feira

Caminho inverso

Celso de Almeida Jr.
Gosto do Alexandre Nunes.
Eu o conheço muito antes de tornar-se Apóstolo.
Com seu irmão, Virgílio, vivi uma adolescência que deixou as melhores recordações.
O veterinário Alexandre, ao iniciar-se na evangelização, revelou uma extraordinária capacidade de agregar pessoas, despertando os mais puros sentimentos de generosidade em seus corações.
Soube agora que ele comandará uma escola, iniciando as atividades pela educação infantil. Estará caminhando por seara nova e, por isso, tenho a obrigação de alertá-lo.
Assisto, há trinta anos, a extraordinária luta de uma educadora que dedica a vida para uma empreitada dessa natureza. Prô Aninha, mãe querida, faz da educação um sacerdócio e não foram poucos os sacrifícios que a nossa família fez para manter o seu colégio funcionando.
Altíssimo é o custo operacional de uma escola, exigindo dedicação exclusiva daqueles que se comprometem a gerenciá-la.
Alexandre montou uma equipe competente. Isso é ótimo. Eu os saúdo pela coragem de criar uma instituição de ensino, mas eu não resisto a uma reflexão divertida...
Sou Católico Apostólico Romano. Respeito as religiões e seus divulgadores; os pastores em especial. Admiro-os pela inteligência, pois, que eu saiba, nenhum deles amarrou balões na cintura e voou por aí, contando exclusivamente com a Providência Divina.
Nessa linha, eu sempre brinquei, respeitosamente, que depois da escola eu montaria uma igreja.
Igrejas são instituições livres de tributos e, para um empresário como eu, bem humorado, sem medo de ser queimado em praça pública, é irresistível não rir da própria desgraça. Afinal, o mesmo país que isenta as igrejas do fisco, descarrega nas escolas uma carga tributária draconiana.
Pois bem, no caminho inverso, Alexandre expande a igreja e cria uma escola.
É evidente que daqui a alguns anos tomaremos um café e, juntos, vamos comemorar os belos frutos que toda a escola sempre traz. Seja religiosa, no caso dele, ou laica, no caso meu.
Espero, entretanto, que eu não esteja falido, pois essa história de eu montar uma igreja é brincadeirinha marota.
Excepcionalmente no meu caso, vou contrariar Darwin e teimar no pensamento de Gil: “Cada macaco no seu galho.”

Opinião

O clima ainda em compasso de espera

Washington Novaes
Estas linhas são escritas ainda sob o impacto das notícias sobre o mais grave desastre climático em Santa Catarina, problemas da mesma ordem nos Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro e com centenas de municípios do Nordeste em estado de emergência por causa da seca - no mesmo momento em que pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, da Embrapa e da Fiocruz prevêem (Estado, 26/11) que as mudanças no clima nas próximas décadas podem agravar a situação no Semi-Árido, com perdas superiores a 60% nas áreas aptas para a agricultura em vários Estados. E tudo isso acontece no mesmo momento em que 192 países discutem em Poznan, na Polônia, caminhos para novo acordo que permita reduzir no mundo as emissões de gases que intensificam o efeito estufa.


Continua muito difícil. Mesmo dentro do bloco europeu, o mais favorável a compromissos obrigatórios de redução (pelo menos 20% até 2020), a própria Polônia, a Itália e alguns outros países acham difícil assumir compromissos agora, em meio à crise financeira. O Japão só quer assumir compromissos no ano que vem. O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e Prêmio Nobel da Paz, Rajendra Pashauri, acha "espantoso" que os países industrializados em poucas semanas mobilizem trilhões de dólares para salvar instituições financeiras, quando não se consegue reunir algumas dezenas de bilhões de dólares anuais para resolver o problema da fome no mundo ou algumas centenas de bilhões para desenvolver tecnologias que reduzam emissões. Uma das razões está em que todos aguardam que mude o governo norte-americano para definir rumos: só à última hora, na conferência de Copenhague (dezembro de 2009), cada país vai abrir o jogo.

Parece temerário. O IPCC considera indispensável baixar as emissões de poluentes em pelo menos 66% até 2050 para evitar que a temperatura suba mais que 2 graus. O relatório sobre efeitos do clima na economia, preparado pelo ex-economista chefe do Banco Mundial sir Nicholas Stern, concorda - e acha que temos menos de uma década para baixar as emissões em 80%, sob pena de enfrentarmos a mais grave recessão econômica da História, que poderá levar à perda de até 20% do produto mundial bruto (mais de US$ 10 trilhões). Diagnóstico divulgado em outubro pela insuspeita Agência Internacional de Energia é ainda mais contundente: não será possível conter a concentração de poluentes na atmosfera em 450 partes por milhão (ppm), será preciso muito esforço para ficar em 550 ppm - e com isso a temperatura planetária subirá pelo menos 3 graus Celsius, com efeitos ainda mais desastrosos. Mas se nada for feito ela poderá subir até 6 graus. Por enquanto, as emissões seguem subindo, por causa do aumento no consumo de energia, que será de 45% até 2030, gerada em 80% pela queima de combustíveis fósseis, principalmente nos países "em desenvolvimento", que passarão de 51% para 62% do consumo total. Para amenizar esse quadro seria preciso investir pelo menos US$ 4,3 trilhões em tecnologias e outros programas.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 05 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Aprovação de Lula bate novo recorde"
Pesquisa DataFolha mostra que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é considerado ótimo ou bom por 70% dos brasileiros, maior aprovação de um presidente desde 1990, no período da redemocratização. O recorde anterior era do próprio Lula, avaliado positivamente por 64% em setembro. A margem de erro do levantamento, feito entre os dias 25 e 28 de novembro, é de dois pontos percentuais A pesquisa revela que o presidente é aprovado pela maioria da população em todos os segmento socioeconômicos e regiões . Lula obtém avaliação positiva mais alta nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que reúnem alguns dos estados mais pobres do país: 81% dos nordestinos vêem sua gestão como ótima ou boa. De 0 a 10, a nota média atribuída ao governo também foi recorde : 7,6.


O Globo
"Dólar sobe 42% na crise e já ultrapassa R$ 2,50"
O dólar subiu ontem pelo sexto dia seguido em relação ao real e atingiu R$ 2,536, a maior cotação desde abril de 2005. Desde o dia 15 de setembro, quando a crise mundial se agravou com a quebra do Lehman Brothers, a moeda americana já acumula avanço de 42,4%. Para analistas, a alta de 2,46% de ontem foi influenciada pelo aumento da procura de empresas que remetem dólares a suas matrizes no exterior. Culpam também a ação de especuladores no mercado futuro de câmbio. O BC não atuou no mercado à vista, mas fez leilão de US$ 314,6 milhões em contratos de swap cambial (para deter a alta da moeda). A Bolsa de São Paulo caiu 0,48%, enquanto a de Nova York recuou 2,51%.


O Estado de São Paulo
"Dólar passa de R$ 2,50, maior valor desde 2005"
O dólar subiu pelo sexto dia se­guido e superou, pela primei­ra vez em três anos e meio, a marca de R$ 2,50. A alta de 1,78% levou a moeda para R$ 2,519. Desde 15 de setembro, quando o Lehman Brothers quebrou, o dólar avançou 40%. Para analistas, a desvalorização do real pode ser explicada pela queda das commodities e pela tímida intervenção do Banco Central. Ontem, a única operação do BC ocorreu após o fechamento dos negócios, algo inusual. Negociou US$ 314,6 milhões em contratos swap cambial, em que a instituição é remunerada pela variação dos juros, e o mercado, pela trajetória do dólar. O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que as ações da instituição estão surtindo efeito - vendeu US$ 6,7 bilhões entre outubro e novembro, injetou mais US$ 11,7 bilhões em operações cujo dinheiro retornará às reservas e negociou US$ 31,1 bilhões em swap cambial.


Jornal do Brasil
"Paz no morro e guerra no asfalto"
Enquanto ontem em Botafogo, no Morro Dona Marta - ocupado há 15 dias pela PM - moradores se acostumavam à nova realidade, sem tráfico, do outro lado da cidade, no Complexo da Maré, manifestantes entravam em confronto com a polícia, acusada da morte de Matheus Carvalho, 8 anos. O menino foi atingido por um tiro na nuca. A Linha Vermelha e Linha Amarela chegaram a ser fechadas e um carro, incendiado.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Parece ficção

O neandertal entre nós

Pedro Doria
O Parque dos Dinossauros é possível? De alguma forma, parece que sim. E o primeiro
mamute vivo após 60.000 anos custaria algo como 10 milhões de dólares. O DNA do animal já foi seqüenciado. Seria teoricamente possível pegar o DNA de um elefante e modificá-lo artificialmente até que fique igual ao do animal extinto. Adaptar o ovo de um elefante para carregar e desenvolver tal código genético, embora difícil, não é impossível. (Ovo, não custa lembrar, não é aquilo que aves e répteis produzem; ovo é o nome da célula produzida pelo encontro de óvulo e espermatozóide.) Uma elefante africana poderia ceder seu útero à cria.
O mesmo processo é possível para o Homo neanderthalensis. Nosso primo mais próximo ainda não teve seu DNA seqüenciado, mas o trabalho está encaminhado. DNA neandertal poderia ser criado a partir do DNA humano, adaptado a um ovo humano e uma mulher cederia seu útero à cria. Uma alternativa seria fazer adaptação a partir do DNA de um chimpanzé e cobrar de uma chimpanzé que engravide da cria.
E há algo de apavorante, de no mínimo desconfortante, nesta idéia.
A fonte é George Church, cientista da Escola de Medicina de Harvard. John Hawks, antropólogo da Universidade do Wisconsin, diz que nada é assim tão simples. Para reproduzir a molécula de DNA do neandertal, será necessário utilizar
DNA de Homo sapiens – nosso – em vários pontos. O chimpanzé é próximo, mas não o suficiente.
(Eu ia escrever DNA humano, e não de Homo sapiens. Acontece que o DNA neandertal também é humano.)
Os neandertais tinham algo entre metro e meio e metro e oitenta de altura, pesavam até 80 quilos. Tinham, relativamente aos Homo sapiens de então, mais força muscular. Mas isto não quer dizer que poderiam encarar um boxeador profissional de hoje. Hawks argumenta, em um
post de seu blog, que eles talvez parecessem um pouco diferentes. Mas, dadas as diferenças entre etnias que já existem entre nós, eles não seriam tão diferentes assim. E eram ágeis caçadores.
Tudo o que arqueólogos e paleontólogos já levantaram e descobriram sobre neandertais não nos permite saber o quão distintos eles eram de nós do ponto de vista cognitivo. É talvez reconfortante imaginar que fossem idiotas – mas não é certo. O que parece certo é que nossos antepassados caçadores-coletores desbancaram seus primos, na Europa. Hawks defende que, mesmo que eles tivessem um nível cognitivo mais baixo, ainda assim seria possível encontrar pessoas com níveis equivalentes, hoje. Somos um bocado diversos, os humanos.
Os humanos neandertais não existem faz 30.000 anos. Até há poucos anos, acreditava-se que era a única outra forma do genus Homo com a qual convivemos. Aí descobriu-se o Homo floresiensis, um nanico apelidado de Hobbit que existiu até pelo menos 12.000 anos atrás em Flores, uma ilhota próxima do Timor, no Pacífico.
Não custa um pouco de nossa história para que tudo fique em contexto: o Homo sapiens surgiu na África, segundo a ciência mais recente, 200.000 anos atrás. Era uma forma primitiva de nós, o Homo sapiens idaltu. Nós, o Homo sapiens sapiens, existimos faz algo entre 160.000 e 150.000 anos. Alguns estudos indicam que temos a capacidade moderna de fala e linguagem faz 60.000 anos. A revolução agrícola, que nos fixou na terra, o momento em que deixamos de ser nômades coletores e caçadores, foi 10.000 anos atrás. Foi 9.000 anos atrás que começamos a nos agrupar na região da Mesopotâmia – atual Iraque – e 5.000 anos atrás já haviam por ali cidades grandes que podemos chamar com tranqüilidade, em seu conjunto, de civilizações. A civilização egípcia é só um pouquinho mais jovem. Roma foi fundada 2.800 anos atás. A Grécia Clássica tem uns 2.600 anos, mais ou menos a mesma idade que os livros mais antigos do Velho Testamento. Paris foi fundada faz 2.060 anos. O Brasil, descoberto há 508 anos. O Homo sapiens deixou a Terra pela primeira vez há 47 anos.
E agora querem trazer o neandertal de volta.
Atualização - Ligeiramente modificado com sugestões de Monsores e Darwinista, nos comentários. Há um texto maior, no Weblog, que conta a história da
origem evolutiva do homem.

Pizzonia pizzou na bola

Crise

Dólar tem mais um dia de disparada e vai a R$ 2,53

Do Globo Online:
O dólar fecha na maior cotação do ano, a R$ 2,536, em alta de 2,46%.O dólar passou a operar volátil, mas a cotação voltou a bater R$ 2,51 a 15 minutos antes do fechamento dos negócios no mercado de câmbio depois de abrir em forte alta, chegando a ser cotado a R$ 2,50. No dia anterior, a cotação do dólar fechou com avanço de 3,46% a R$ 2,475, o maior patamar desde a maxidesvalorização do real em 1999. Segundo os analistas, a alta no preço da divisa reflete tanto a saída de recursos quanto especulação contra o real.
O mercado financeiro doméstico passou a operar sem tendência definida. Cautela e volatilidade voltam a dar o tom no dia. Às 15h38m (horário de Brasília), a Bolsa de Nova York ainda operava em queda, mas o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), subia 0,08, dando sinais de redução de ganhos. As principais bolsas européias fecharam em queda. O índice FTSE, da Bolsa de Londres, caiu 0,15%; o CAC40, da Bolsa de Paris, recuou 0,17%; e o Dax, da Bolsa de Frankfurt, desceu 0,07%.

Histórias brasileiras

A chegada festiva do Graf Zeppelin no Brasil

Do site Pernambuco de A a Z:
O dirigível alemão, que media 235 metros de comprimento, chegou a uma velocidade espantosa para uma aeronave do seu porte: 110 quilômetros por hora. Sua missão era estabelecer o tempo que os dirigíveis levariam para se deslocar da Europa Central até o Brasil, a fim de determinar sua viabilidade econômica como transporte de cargas.
E, quando o "Graf Zeppelin" atracou no Recife, o sucesso foi comemorado: a travessia do Atlântico foi feita em tempo recorde (três dias) e a cidade, local do primeiro pouso, parou diante do espetáculo.
Tudo aconteceu numa quinta-feira, 22 de maio de 1930, ao mesmo tempo em que no Rio de Janeiro o Congresso Nacional proclamava eleito o presidente da República, Júlio Prestes. Mas os jornais de Pernambuco só estamparam em suas primeiras páginas um único assunto: a chegada do dirigível, ocorrida exatamente às 18h35m.
A recepção ao Zeppelin, que havia deixado a base de Friedrichshaven, na Alemanha, às 17h do dia 18 de maio, foi minunciosamente preparada pelas autoridades governamentais.
O prefeito do Recife decretou feriado municipal. O governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, sancionou um extenso decreto estabelecendo como os recifenses deveriam se comportar no dia da chegada do "grande navio aéreo", decreto este que regulamentava até mesmo "o tráfego de veículos e pedestres na cidade".
Para atender a multidão que pagou três mil contos de réis pelo acesso ao Campo do Jiquiá, construído especialmente para o pouso, a Great Western colocou vários trens extras, e 1.010 policiais trabalharam no local.
O grande interesse pela chegada do "Graf Zeppelin" ao Recife tinha uma justificativa: aquela era a primeira vez que o dirigível atracava não só no Brasil, como também na América do Sul.
Além disso, o dirigível, criado no final do século anterior pelo engenheiro alemão Ferdinand von Zeppelin, era o que havia de mais avançado em tecnologia de grandes aeronaves mais leves do que o ar. Equipado com cinco motores Maybach de 530 HP cada, tinha capacidade para transportar nove toneladas de carga, 20 passageiros e 26 tripulantes.
Os Zeppelins eram aeróstatas dirigíveis, de tipo rígido, e, entre 1904 e 1914, foram construídos na Alemanha 25 aparelhos de grande porte, o que deu àquele país a liderança mundial na tecnologia de aeronaves mais leves do que o ar.
O exército e a marinha alemães compraram alguns desses dirigíveis e os outros foram usados por empresas aéreas para transporte a longas distâncias. Dois ficaram mundialmente famosos: o "Hindenburg", concluído em 1936, e o "Graf Zeppelin", que fez a primeira viagem ao Brasil.
Os dirigíveis alemães eram considerados tão confortáveis quanto um transatlântico. Sua carcaça era de alumínio, em forma de cilindro, revestida interiormente de um tecido de seda envernizada, onde ficavam os camarotes da tripulação e as instalações para passageiros e cargas.
Suas dimensões variavam de acordo com a capacidade de transporte do aparelho que era cheio de bolsões de hidrogênio, altamente inflamável. O gás, menos denso que a atmosfera, permitia ao dirigível se deslocar sem consumir combustível.
O dirigível que veio ao Recife tinha 235 metros de comprimento, 33,5 metros de altura e 30,5 metros de diâmetro. Sua força de elevação era de 129 toneladas e as instalações para passageiros eram compostas de dez camarotes com duas camas cada, sala de jantar e de recreio e banheiros.
Voava a uma altura de 150 a 200 metros, com velocidade máxima de 130 km/hora. Depois do primeiro pouso, o "Graf Zeppelin" fez várias viagens ligando o Brasil à Europa, passando quinzenalmente pelo Recife.
Como as mais de cem aeronaves do seu tipo que na década de 1930 circulavam por várias partes do mundo, o "Graf Zeppelin" foi retirado de uso depois que o "Hindenbrg", atingido por um raio, explodiu no ar, em maio de 1937, nos Estados Unidos, matando 37 pessoas.
Estava encerrada a carreira do grande dirigível que, ao pousar no Recife, foi assim aclamado pelo Jornal Pequeno: "Ninguém mais tem dúvida de que ele será, no futuro, o meio preferido, principalmente pela segurança, para o comércio entre os povos dos continentes". (Do Blog do Noblat)

Natal chegando




O cagão, uma bela tradição natalina
A Catalunha, na Espanha, tem uma tradição curiosa para os tempos de Natal: a figura de “El Caganer”, ou “o cagão”. Como o nome nada sutil indica, é um bonequinho que defeca, relata a Der Spiegel. O enfeite, que remonta ao século 17, é colocado no presépio, próximo à cena do nascimento de Jesus – mas não tão perto que possa ofender sensibilidades cristãs. Para a “Associação dos Amigos do Cagão”, trata-se de uma maneira de adicionar o “elemento humano” à santidade do Natal.
O boneco original retrata um camponês com barrete vermelho. Com o tempo, celebridades de diversas épocas se tornaram “Cagões”. Acima, alguns exemplos divertidos.

Ubatuba

Cuidar o presente

Corsino Aliste Mezquita

Sofremos ao tomar conhecimento de desastres naturais previsíveis e imprevisíveis. No Brasil já acostumamos a conviver com os previsíveis e a nada fazer para que se tornem imprevisíveis. É o que, técnicos climáticos, geólogos e especialistas em relevo, estão a criticar e, TODOS, lamentamos na catástrofe catarinense, em outras que ocorrem por todo o Brasil, se repetem ano a ano e poderiam ser totalmente evitadas ou minoradas. Para isso não faltam conhecimentos técnicos, avisos de geólogos, geógrafos, especialistas em clima e cientistas sociais. Faltam, sim, ouvidos aos administradores dos três níveis de governo, para ouvi-los, seguir suas orientações e tomar medidas preventivas, não permitindo a ocupação das áreas de risco, desmatamento e ocupação de encostas, margens de rios, várzeas de águas espraiadas e mantendo limpos leitos de rios, córregos e canais de águas pluviais. No outro extremo: removendo aqueles que já ocuparam essas áreas. Medidas simples que evitariam grandes perdas, materiais e humanas.

Autoridades estaduais e municipais, das regiões Sul e Sudeste, com municípios encravados na Serra do Mar, nos vales fluviais, nas suas encostas e nas planícies litorâneas, não podem esquecer os conselhos e constatações, tantas vezes repetidos, do maior geomorfólogo da história do Brasil, Dr. Aziz Nacib Ab´Sáber: As estruturas geológicas da Serra do Mar são podres. Submetidas a grandes e continuadas chuvas pode apresentar deslizamentos e aludes ou avalanches de terra e vegetação, seguidas de acomodação de camadas e protuberâncias no solo. Todo isso em circunstâncias normais. Devastada a vegetação e retirados os apoios é fácil prever o que vai acontecer.

A primeira vez que ouvi isso do Dr. Aziz foi em 1966, sobre o MORRO SANTA TERESA, em Santos, em um dia de estudo de campo da faculdade de Geografia da PUC-SP. Pediu para olharmos para baixo e observar as encostas ocupadas do morro e disse: “Todas essas casas, um dia, devem amanhecer na avenida. Não sei quando será esse dia, mas podem escrever”. Como previsto, o desastre aconteceu anos depois, com grandes perdas materiais e algumas mortes.

Ubatuba está situada nessa “estrutura geológica podre”, temos o terceiro maior índice pluviométrico do Brasil ( + - 3.000 mm3 ) e, nos últimos trinta anos, tivemos diversos avios prévios da natureza. Infelizmente nossos administradores fizeram ouvidos moucos a esses alertas ou, em atitudes de leniência e ou cumplicidade, toleraram a ocupação de áreas de risco, desmatamento e ocupação de encostas, margens de rios, áreas periodicamente inundadas etc, etc. Os resultados, os problemas e os sofrimentos todos conhecemos e não tivemos uma possível grande catástrofe.

Essas atitudes, do passado e do presente, devem ser abandonadas. É urgente remover obstáculos, apresentar soluções para os problemas e cuidar, cuidar, cuidar para que as ocupações em áreas de risco não continuem avançando. A natureza está avisando: “Cuidem do presente para prevenir o futuro”. Deixem loucuras o obras faraônicas de lado. “Quem avisa amigo é”.
VIVA UBATUBA! SEM DENGUE E SEM OPRESSORES.

Opinião

Como diria Creonte

Eugênio Bucci
Ontem, em audiência pública na Câmara dos Deputados, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, admoestou os que criticaram o empréstimo de R$ 2 bilhões que a Caixa Econômica Federal concedeu à Petrobrás. O dinheiro, conforme disse a ministra, serviu para o pagamento de Imposto de Renda, numa operação "normal". Quanto a isso, ela até pode ter razão. Embora não seja corriqueiro, o expediente não constitui propriamente um escândalo. Ao menos à primeira vista. Como demonstrou o jornalista Elio Gaspari, em sua coluna dominical, publicada no Globo e na Folha de S.Paulo, o montante não é nenhuma fortuna diante do porte da Petrobrás: "Se uma empresa que tem R$ 11 bilhões em caixa e gira em torno de R$ 4 bilhões por mês decide fazer um papagaio de R$ 2 bilhões, nada há de estranho nisso. Grosseiramente, é como se um cidadão que tem R$ 5.000 aplicados e ganha R$ 2.000 mensais resolve pedir ao banco um empréstimo de R$ 1.000." Diante de uma necessidade de caixa, a estatal buscou recursos no mercado a juros que lhe pareceram razoáveis. Até aí, portanto, tudo bem.


O que chamou a atenção na fala da ministra, no entanto, não é o apelo que ela fez à serenidade e à sensatez - o que, de resto, seria o seu melhor papel -, mas o tom de advertência com que ela se dirigiu aos críticos - e, aí, em lugar de rebater os argumentos de modo didático e tranqüilizador, passou a desqualificar os que divergem. Dilma Rousseff passou um pito em quem vê problemas onde ela só vê solução e afirmou que a controvérsia em torno do episódio é "um caso estarrecedor".

"Não é correto expor a Petrobrás a uma situação dessas", ela argumentou, destacando o clima de tensão que domina o mercado financeiro no momento. "Não é possível levantar uma coisa dessas de que a Petrobrás está quebrando." Por isso, segundo a chefe da Casa Civil, criticar a estatal "é dar um tiro no próprio pé".

A expressão "tiro no pé" é bem reveladora. No pé de quem? Elementar: no pé do Brasil. De acordo com a lógica ministerial, no tempo de crise financeira em que nos encontramos, a discordância se converte numa artilharia contra nós mesmos. A conduta ideal, enfim, seria não falar nada, não criticar nada, não "levantar a lebre" - para usar aqui outra expressão da mesma família. Se a operação financeira foi "normal", ainda que surpreendente, o "normal" diante dela seria apenas o silêncio.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 04 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Para governo e indústria, desemprego vai crescer"
No mesmo dia em que a Vale anunciou a demissão de 1.300 funcionário em todo o mundo, o governo federal e a indústria fizeram previsões pessimistas para a economia no inicio de 2009. Conhecido pelo discurso otimista, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) prevê alta do desemprego no primeiro trimestre do ano que vem. Em entrevista a Julianna Sofia, ele disse que só a queda no juro atenuaria a crise. “O primeiro trimestre será brabo. Já estamos fazendo o que pode ser feito. Mas só a redução dos juros pode mudar o quadro, mais por efeito psicológico”, afirmou Lupi, para quem a criação recorde de vagas deste ano não se repetirá em 2009. A Abimaq, que reúne os fabricantes de máquinas e equipamentos, prevê uma "carnificina" no empregos depois das festas de fim de ano, segundo seu vice-presidente, Carlos Pastoriza. Em outubro, o nível de atividade do setor caiu 10,3%. As associação cobra do governo ações para "compensar" a crise como postergação do pagamento de tributos, juro menor a medidas para que os bancos privados voltem a ofertar crédito. Na Vale, além dos 1300 demitidos (20% deles em Minas), 5.550 dos 62.000 funcionários ficarão em férias coletivas até fevereiro. Segundo a companhia, os cortes são uma "adaptação" à demanda menor.


O Globo
"Governo prepara medidas contra onda de demissões"
Numa tentativa de evitar os efeitos de demissões nas empresas, o governo está preparando medidas para manter a economia aquecida. Uma das opções é reduzir Impostos sobre lucro e produção das companhias. Outra alternativa é baixar alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (I0F) em financiamentos de alguns produtos com venda parcelada. O governo está mirando 20 setores com maior risco de desaceleração. Poderá também aumentar de cinco para 10 o número de parcelas do seguro-desemprego, Pelo menos 121.500 trabalhadores de vários setores devem entrar em férias coletivas neste fim de ano. A Vale vai demitir 1.300.


O Estado de São Paulo
"Câmara livra Paulinho e PF indicia mulher do deputado"
O Conselho de Ética da Câmara derrubou ontem parecer que acusava o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), de se beneficiar de desvio de verbas do BNDES. No mesmo caso, porém, a mulher de Paulinho, Elza Pereira, foi indiciada pela Polícia Federal sob acusação de lavagem de dinheiro, relata o repórter Fausto Macedo. Na Câmara, o deputado escapou da cassaçâo por 10 a 4. "O conselho fez justiça", festejou Paulinho. Dois inquéritos contra o deputado ainda correm no STF, o que trata do desvio do BNDES e outro sobre irregularidades no uso de recursos do FAT destinados à Força Sindical.


Jornal do Brasil
"Rio perde corrida contra a dengue"
As últimas duas semanas registraram no estado uma alternância de sol e chuva que compôs o ambiente ideal para a proliferação da dengue: o maior volume pluviométrico em sete anos, intercalado com calor de até 35 graus. Os níveis de infestação do mosquito que transmite a doença já são preocupantes em várias regiões, em especial na Zona Norte do Rio. Mas o combate nessas áreas, que deveria ter-se iniciado esta semana, foi adiado devido a problemas na empresa responsável pela entrega de 4 mil kits com larvicidas. Pior: os 620 militares
convocados pelo governo federal para atuar contra a dengue nem sequer estão treinados. Parte deles iniciará o treinamento somente na próxima segunda-feira.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Pensata vespertina

Vida longa e Nostradamus

Sidney Borges
No ano santo de 1940 a expectativa de vida do brasileiro era de 43 anos. Waal! É pouco. Nos dias atuais aumentou para 72 anos. Continuo achando pouco, mas percebo que com a longevidade houve um deslocamento do eixo da meia idade. As pessoas de 40 anos hoje são jovens, até as de 50 o são. A meia idade começa por volta dos 55 e a velhice nas imediações dos 70. Dentro de vinte anos os que hoje tem 40 serão adolescentes e a velhice vai começar apenas aos 85. A vida média aumentará para 95. Há quem diga que envelhecer é ruim, que perdemos a beleza física, a disposição e padecemos de inúmeros males decorrentes da passagem do tempo. Pode ser verdade, mas não me importo, quero envelhecer para experimentar. A Petrobras pediu um dinheirinho emprestado para pagar contas de curto prazo. Eu entendo o que houve. Deixar dinheiro parado é perder dinheiro, portanto os poucos reais que sobram devem ser aplicados. No caso da petroleira são muitos os reais que sobram, mas estou dando apenas um exemplo. Sugiro ao companheiro trabalhador que não é da zelite nem da direita que faça uso da poupança ou aplique a prazo fixo. Rende pouco mas é garantido e ademais trabalhador não especula no mercado financeiro. Coisa de tubarão. Pode acontecer do cidadão receber uma conta não programada e o dinheiro estar aplicado. O jeito é descontar um cheque com um amigo ou pedir emprestado a um parente. Se não tiver a quem recorrer, um papagaio resolve. Na pior das hipóteses tem os agiotas. Mas a turbulência é passageira, em alguns dias o resgate da aplicação acontece e a casa volta a ficar em ordem. O empréstimo da Petrobras não foi o fim do mundo, Nostradamus não o cita nas profecias. É de conhecimento até do mundo mineral que se o Ubatuba Víbora não deu ninguém sabe o que aconteceu. Com Nostradamos acontece a mesma coisa, embora ligeiramente diferente. Se ele não previu, ninguém sabe quando chega o navio. Navio? Quando mesmo chega o navio?

Acontece em São Paulo

Brasil

A urna eletrônica e a fraude

Lucia Hippolito
A Subcomissão de Segurança do Voto Eletrônico promoveu ontem na Câmara dos Deputados, uma audiência pública. Mais uma vez, cientistas e professores, especialistas em informática mostraram que as urnas eletrônicas brasileiras são, sim, vulneráveis.
Mas o TSE resiste a qualquer auditoria ou teste.
(Anteontem, assistimos na TV a uma matéria mostrando a altíssima possibilidade de fraude nas eleições no município de Caxias, no Maranhão.)
Desde 2003 venho falando e escrevendo sobre o assunto.
A adoção das urnas eletrônicas no Brasil reduziu drasticamente as fraudes. Fraude eleitoral deixou de ser tema prioritário.
Mas ficamos sem um comprovante impresso, que pudesse ser utilizado em caso de necessidade de recontagem.
O vexame das eleições presidenciais americanas de 2000, quando não foi possível recontar muitas urnas na Flórida, só fez confirmar a necessidade de se ter um comprovante da eleição.
Uma lei foi aprovada às pressas, mandando que a Justiça Eleitoral instalasse em todo o país urnas eletrônicas com a capacidade de imprimir o voto. Este voto não ficaria com o eleitor. Seria depositado em outra urna e ficaria guardado com a Justiça Eleitoral para o caso de ser necessária uma recontagem.
Ou seja, uma garantia a mais.
Na época, o presidente do TSE era o ministro Nelson Jobim que, pura e simplesmente, desconsiderou a lei. E não cumpriu.
Quando o prazo para a substituição das urnas estava se esgotando, o TSE passou a alegar que não tinha dinheiro para realizar a substituição a tempo de valer para as eleições municipais de 2004.
Novamente, redigiu-se às pressas um projeto, de autoria do senador tucano Eduardo Azeredo (MG), anulando a lei anterior, isto é, acabando com a obrigatoriedade do voto impresso. Na época, jurava-se que os verdadeiros autores do projeto eram dois famosos ministros do TSE.
E as urnas eletrônicas continuaram sem um comprovante impresso, uma contraprova do voto do eleitor.
Na internet há vários grupos de discussão sobre o assunto, manifestos circularam, com milhares de assinaturas de especialistas do Brasil inteiro.
Nossas urnas passaram por perícias em importantes universidades americanas, para ver se poderiam ser adotadas nos Estados Unidos. E não passaram no teste da segurança.
Os americanos não adotaram a urna brasileira.
Claro que, no Brasil, aquelas fraudes clamorosas deixaram de existir. Hoje a fraude é residual. Mas numa eleição apertada, qualquer voto roubado pode decidir a parada. Neste caso de Caxias (MA), como proceder à recontagem, se não há possibilidade de confronto entre o voto eletrônico e um comprovante qualquer de que o eleitor votou neste e não naquele candidato?

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Vida inteligente? Onde?

E eu com isso?

Por Carlos Brickmann em 2/12/2008
A Microsoft já está preparando o substituto do Windows Vista, que se chamará Windows 7. São algumas centenas de milhões de dólares – mais outras centenas de milhões na adaptação dos programas hoje existentes, nas novas licenças, nos novos processadores especialmente preparados para a nova tecnologia. E, ao que tudo indica, o novo Windows já sairá pronto para as telas sensíveis ao toque, iguais àquelas da Globo.
Então, gastos alguns bilhões de dólares, poderemos receber com muito mais estabilidade os sinais da Internet. Nada nos roubará notícias como estas:


1. Cindy Crawford caminha para manter a forma
2. Carolina Dieckmann exibe biquíni de oncinha durante gravação
3. Atriz vira pin-up nua em ensaio fotográfico
4. Camila Rodrigues faz as unhas em shopping do Rio
5. Com cinco metros, caveira gigante tem funções de sauna
6. Filha de Zezé Di Camargo diz que nunca beijou na frente do pai
7. Naomi Campbell toma sol de calcinha em Miami

Não, caro colega: ela não estava só de calcinha. Estava de blusa, supercoberta. E a calcinha, sinceramente, deveria ter o nome de calçona: é ainda maior que a parte de baixo dos velhíssimos maiôs duas-peças.
(Observatório da Imprensa)

Contemplando Biguás (Sem som)


Ubatuba

Coincidências

Corsino Aliste Mezquita

Sem citar nomes ou detalhes registramos dúvidas sobre as urnas eletrônicas e a sintomatologia ocorrida em Ubatuba nas últimas eleições municipais. O fizemos em três pequenos artigos:
SEM NOMES E SEM DETALHES, (11-10-08);
URNAS INSEGURAS, (20-10-08);
SEGUNDO TURNO, (11-11-08).
Idênticas dúvidas, sintomas, estranhas coincidências e já com provas de fraudes, foram apresentadas, em três reportagens, os dias 24, 25, e 26 - 11 – 08, pela Rede Bandeirantes de TV. Impressionante o paralelismo entre o denunciado em Caxias (Maranhão) e as constatações e reclamos de eleitores de Ubatuba. Deve ter sido mera coincidência. Coincidência que, felizmente, pessoas supostamente ligadas à situação ubatubense, gostariam ver apuradas e esclarecidas. Não sabemos se esse desejo parte de pensar Ubatuba ao longo prazo ou de possuírem informações complementares pesando sobre sua consciência cidadã. Quaisquer seja a causa, é um bom desejo.
Em Caxias (MA) a Polícia Federal investigou e a Rede Bandeirantes de TV publicou:
Protestos da população com os defeitos apresentados pelas urnas;
Reeleição do Prefeito em exercício;
Eleição de onze vereadores da situação e um da oposição;
Passividade da Justiça Eleitoral;
Inconformidade da população com os resultados por não corresponderem às expectativas.
As reportagens provam a insegurança das urnas, a facilidade para serem fraudadas, a passividade da Justiça Eleitoral, em alguns casos, e a necessidade de aperfeiçoar o sistema para que as urnas emitam recibo, o eleitor saiba quem recebeu seu voto e, após conferido, o recibo seja depositado em outra urna para dirimir eventuais dúvidas futuras. A Rede Bandeirantes de TV denunciou um clamor nacional sobre a insegurança das urnas e que as autoridades, dos três níveis, parece não quererem ouvir. Parabéns para a REDE BANDEIRANTES DE TV.
Assistindo às reportagens, da Rede Bandeirantes de TV, foi gratificante constatar que, mesmo não tendo interesses particulares na eleição e a pesar das calúnias, difamações, ORQUESTAÇÃO PUBLICITÁRIA DIFAMATÓRIA USANDO IMPROBAMENTE DINHEIRO PÚBLICO, não perdemos a consciência cidadã, o senso crítico, o poder de observação e a intuição para detectar e avaliar fraudes e injustiças.
VIVA UBATUBA! Sem dengue e sem opressores.

Coluna da Quarta-feira

Orçamento Participativo

Cinthia Sampaio Cristo

Na coluna da semana passada escrevi sobre a importância do Orçamento Municipal e o significado do mesmo para os cidadãos. Procurei reforçar a importância do acompanhamento do processo de elaboração e execução do mesmo, já que nele estão refletidas as prioridades da gestão. Como já disse outras vezes, vivo e trabalho em Diadema, município que procura conduzir suas gestões de maneira democrática e transparente. Tenho participado nestes últimos dois anos das plenárias do orçamento participativo e aproveito o momento para contar um pouco da história do Orçamento Participativo ou Orçamento Democrático. Trata-se de um instrumento de gestão com grande potencial democratizador e de fácil implantação. Fica a sugestão e um breve histórico.

Desde a vinda da família real ao Brasil, em 1808, se teve início o processo de organização das finanças públicas, ou seja, se começou a falar em orçamento. As experiências de gestão pública em que a participação popular recebeu tratamento privilegiado, especialmente no que se refere aos recursos públicos, e, portanto, aos orçamentos, começaram a desenvolver-se no Brasil a partir da década de 80, com o movimento de redemocratização, - apesar de se citar a década de 70 como o pontapé inicial desse tipo de experiência, pelo fato da Prefeitura de Lages, no Estado de Santa Catarina, ter adotado como estratégia de formulação orçamentária reuniões nos bairros com a população, para ouvir diretamente dos interessados as suas necessidades - foi apenas a partir da década de 80 que essa idéia passou a se tornar mais concreta.

A década de 80 marcou o país com muitos episódios importantes, tanto na história política, como na administração pública. Com o agravamento da crise da ditadura militar, emergiu um sentimento de liberdade por parte da população, que crescentemente se mobilizava em favor de formas mais democráticas para o país.

A campanha: "Diretas Já", clamando pelo direito da população eleger o presidente da república, expressava fundamentalmente o sentimento da população de querer estar presente à cena política. Por isso muitos estudiosos chamaram essa época de “participacionista”, porque a participação popular passou a se converter não apenas numa forma prática de exercer a política, mas em uma "utopia" ou "bandeira" política, em si mesma.

Com a posse do presidente José Sarney, em 1985, primeiro presidente civil, após o Golpe Militar de 1964, houve a convocação da "Constituinte", que, constituída após as eleições de 1986, incorporou ao seu regimento interno diversos mecanismos participativos para acolher as demandas dos cidadãos e levá-las à consideração dos deputados constituintes. O sentimento participacionista era suficientemente forte para mobilizar a constituição de um plenário em prol da participação popular na Constituinte. Foram recolhidos abaixo-assinados de mais de 12 milhões de pessoas a propostas apresentadas aos constituintes para incorporação à Constituição Federal, cuja conclusão deu-se em 05 de outubro de 1988, e incorporou o direito ao exercício direto da cidadania como um dos pressupostos do Estado Brasileiro, razão pela qual, são crescentes as inovações institucionais e legais tendo em vista ampliar o alcance da participação popular nas políticas públicas.

Nesse Contexto emerge o Orçamento Democrático (OD) ou Orçamento Participativo (OP) como mecanismo governamental de democracia participativa. Em linhas gerais ele permite aos cidadãos influência ou decisão sobre os orçamentos públicos, geralmente o orçamento municipal, através de processos de participação cidadã. Esses processos costumam contar com assembléias abertas e periódicas e etapas de negociação direta com o governo. Desde então o Brasil vem vivendo essa experiência muito importante de democracia participativa, que se iniciou com o primeiro orçamento participativo municipal em Pelotas, Rio Grande do Sul sendo depois levada para administração de Porto Alegre, na gestão de Olívio Dutra, do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1989, como resultado da pressão de movimentos populares por participar das decisões governamentais e foi lá onde o orçamento participativo ganhou expressão nacional e se difundiu. Neste contexto, várias experiências de gestão participativa de planejamento e execução do orçamento público, foram sendo testadas, em várias cidades, como Diadema (São Paulo) ou Vila Velha (Espírito Santo). Em ambos os casos, foram constituídos órgãos com a presença de moradores para discutir o uso do orçamento municipal. Normalmente, valorizavam-se as associações de moradores como órgãos legítimos de representação dos moradores, e deste modo, tais associações eram convidadas a integrar tais órgãos consultivos em que as prefeituras tomavam conhecimento das necessidades e demandas da população.

Genro e Calife (2002) dizem que “A principal riqueza do Orçamento Participativo é a democratização da relação do Estado com a sociedade. Esta experiência rompe com a visão tradicional da política, em que o cidadão encerra a sua participação política no ato de votar, e os governantes eleitos podem fazer o que bem entendem, por meio de políticas tecnocráticas ou populistas e clientelistas. O cidadão deixa de ser um simples coadjuvante para ser protagonista ativo da gestão pública”. Portanto, pode-se dizer que o objetivo ideal do orçamento participativo ou democrático é concretizar de forma mais direta e cotidiana o contato entre os cidadãos e o governo, de forma a possibilitar que esse considere os interesses e as concepções político-sociais no processo decisório, onde o que está em jogo é o estímulo à crescente participação da população em geral, e dos setores mais carentes, em especial.

Opinião

Para que serve essa TV?

Editorial do Estadão
Depois de um ano de funcionamento e ao volumoso custo inicial de R$ 350 milhões - arcado inteiramente com dinheiro do contribuinte -, a TV Brasil atinge menos de 1% da audiência do País e apenas 52 dos 5.564 municípios brasileiros. A esse valor inicial deve somar-se outro igual em 2009, acrescido de cerca de R$ 20 milhões de patrocínios e prováveis R$ 80 milhões da Contribuição para a Comunicação Social, deduzida do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), a ser regulamentado. Na TV Brasil trabalham 250 dos 1.440 funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). E, apesar do investimento de R$ 100 milhões só em equipamentos e de a presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, ter dito que "não gosta da palavra traço", é com audiência traço - isto é, que não atinge nem 1 ponto de audiência - que sua TV já se acostumou a operar, tais como as muitas TVs comunitárias espalhadas pelo País (que têm a vantagem, em relação à TV Brasil, de não custarem nada aos cofres públicos).

É claro que não se exige que uma televisão pública mantenha as mesmas grandes audiências - arregimentadas graças a programas de forte apelo popular - das redes de TV comerciais, de canal aberto. As TVs educativas têm por missão precípua a elevação do nível educacional e cultural da população, o ensino e o estímulo à apreciação da arte e, como resultado de tudo isso, a formação da consciência crítica dos cidadãos. Aí, de fato, a qualidade importa bem mais do que a quantidade. Mas há que se considerar o mínimo de audiência desejável, sob pena de as programações das emissoras de televisão estatal se tornarem um serviço inócuo de comunicação social - quando não, apenas um eletrônico cabide de empregos.

A razão alegada para que se criasse a logo batizada "TV Lula" seria, justamente, a necessidade de oferecer à população de todo o território nacional programações não atreladas a interesses comerciais de patrocinadores, nisso servindo à sociedade com maior independência e melhor nível do que as outras emissoras de televisão. Desde que foi criada, porém, não se percebeu no que foi levado ao ar pela emissora estatal federal de televisão nada que mostrasse qualidade melhor ou mesmo equivalente aos programas de melhor nível das outras emissoras, de canal aberto ou por assinatura. O que houve, nesse período, foram divergências internas relacionadas ao viés do oficialismo da comunicação - que, segundo a experiência histórica, não costuma dar certo. Saíram diretores divergentes, um editor que denunciou a prática de censura e houve greve de funcionários.

Criada com a fusão da estatal Radiobrás - egressa do sistema militar - com a TV Educativa, que tinha canais no Rio e no Maranhão, a nova emissora começou transmitindo para essas praças em VHF, UHF e emissoras a cabo. Levou um ano para montar uma estrutura que lhe permitisse colocar no ar seu sinal aberto em São Paulo. No começo, preencheu sua grade mantendo muitos programas de suas antecessoras. "Tivemos resultados bastante críticos no primeiro semestre" - reconheceu a diretora Tereza Cruvinel. Não apenas pela parca audiência - acrescentaríamos. É que, depois da incorporação, divergências levaram à saída de Orlando Senna do cargo de diretor-geral e de Mário Borgneth, da diretoria de Relacionamento e Rede. Além disso o jornalista Luiz Lobo, então editor-chefe do Repórter Brasil, foi demitido e denunciou pressões vindas do Palácio do Planalto para censurar matérias sobre temas que desagradavam ao governo.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 03 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Juiz condena Dantas por corrupção"
O juiz Fausto De Sanctis, da 6º Vara Criminal Federal de São Paulo, condenou o banqueiro Daniel Dantas, dono do Oppotunitty, a dez anos de prisão em regime fechado e ao pagamento de R$ 13,42 milhões a título de “multa e reparação” por corrupção ativa. O banqueiro pode recorrer em liberdade. A prisão e a perda definitiva do valor só ocorrerão depois de as cortes superiores (Tribunal Regional Federal, Supremo Tribunal Federal) confirmaram a sentença. Não existe prazo para essa conclusão.
Dantas é acusado de tentar subornar um policial para que excluísse seu nome de uma investigação. O juiz condenou também o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz e o professor Hugo Chicaroni, interlocutores do banqueiro, a sete anos de prisão cada um. Em carta, o advogado de Dantas, Nélio Machado disse que a sentença é “absolutamente nula”: Não houve o crime, a defesa foi cerceada,as provas são fraudadas e o magistrado impediu a perícia”. Os advogados do banqueiro, de Braz e de Chicaroni vão recorrer.


O Globo
"Dantas é condenado a dez anos de prisão por suborno"
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, foi condenado ontem a dez anos de prisão em regime fechado, além de pagamento de R$ 13,4 milhões (danos ao Estado e multa), por tentativa de subornar um delegado da PF. Também foram condenados Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, e Hugo Chicaroni, acusados de negociar o suborno de US$ 1 milhão do delegado Victor Hugo, para que os nomes de Dantas e de seus parentes fossem excluídos das investigações da Operação Satiagraha. O juiz Fausto De Sanctis condenou Dantas por corrupção ativa, afirmando que ele despreza as instituições públicas e reza pela cartilha do “vale-tudo”. A defesa alegou que o processo é fraudado, pediu a suspeição de De Sanctis e recorreu ao Tribunal Ragional Federal, em São Paulo, pedindo a nulidade da sentença.


O Estado de São Paulo
"Crise mundial faz produção da indústria cair 1,7%"
A crise internacional fez a atividade da indústria brasileira cair 1,7% em outubro, na comparação com setembro. Em relação a outubro do ano passado, houve avanço de 0,8%, mas foi o pior resultado em quase dois anos. "O mês de outubro marca a entrada da indústria no novo cenário econômico mundial", disse Silvio Sales, coordenador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo levantamento. Os fabricantes de bens duráveis, como veículos e eletrodomésticos, foram os que mais sentiram os efeitos da crise. Não foi afetado, porém, o ritmo da indústria de bens de capital - máquinas e equipamentos usados pelas próprias fábricas. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que a alta do dólar fez as empresas brasileiras reduzir as importações. Em novembro, a compra de bens de capital no exterior caiu 12,3%, em relação a outubro. Já a aquisição de matérias-primas recuou 11,4%.


Jornal do Brasil
"Justiça condena, mas não prende"
O banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity, foi condenado a 10 anos de prisão. A decisão é do juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo - o mesmo que decretou a prisão do banqueiro, por duas vezes, em julho deste ano. Também foram condenados, a sete anos, dois funcionários de Daniel Dantas, acusados de tentarem subornar um delegado da Polícia Federal para excluir o nome do banqueiro das investigações da Operação Satiagraha. Os réus poderão recorrer da decisão em liberdade, uma vez que o juiz não expediu mandados de prisão.

terça-feira, dezembro 02, 2008

How to start a DC-3

Coluna da Terça-feira

Mais discussão, mais ação e abaixo à omissão

Mauricio Moromizato

Sei que esta coluna está atrasada no horário, mas é que intencionalmente deixei para escrevê-la em viagem. Estou a escrever direto de Santarém, no Pará, nesse meu retorno a minhas atividades profissionais. Trabalho aqui desde 1997, como profissional liberal que sou, por conta e risco. Aqui cheguei numa proposta para exercer minha atividade – a ortodontia- numa época de escassez de profissionais e por isso aqui ganhei um dinheiro bem ganho;muito trabalhado, mas em quantidade que nunca havia ganhado aí no Sul. Após a campanha eleitoral, retorno para iniciar minha despedida dessa empreitada. Está se fechando um ciclo na minha vida.
Quando comecei, só havia a Varig voando para cá, junto com a Nordeste aviação, sua subsidiária regional. A TAM engatinhava e a Gol nem existia. Faltava muita coisa numa região muito rica, que saía do ciclo do garimpo para entrar no ciclo da madeira e da agricultura, junto com um início de desenvolvimento do turismo.
Para crescer, a busca por profissionais e empresas dispostos a trazer sua experiência, seu conhecimento e suas mercadorias para a cidade.
Como político, comecei a observar a cidade e seu desenvolvimento. As oportunidades foram sendo aproveitadas e a cidade se desenvolveu buscando fixar aqui pessoas e empresas que a ajudassem a se destacar.
Imaginem o que é uma cidade do tamanho de Taubaté com acesso apenas por água ou ar, barco ou avião. Um cenário amazônico deslumbrante, com praias fluviais lindíssimas e de nos fazer inveja, águas cristalinas, rios de dimensões oceânicas. Como nunca tive a intenção de me mudar para cá, ajudei vários profissionais daqui a se capacitarem para exercer a ortodontia, pois sempre soube que independente do tempo, minha história em Santarém seria de passagem.
Como é grande e cheio de oportunidades esse nosso Brasil. Que povo. O daqui é por demais hospitaleiro e cordial. Gostam de boa conversa e de escutar sobre nossa vida. Bom humor é uma característica constante do povo. Isso mesmo sendo um local pobre para nossos padrões do Sul do País.
E o que tem a ver Santarém e minha vida profissional com o título da coluna de hoje? Nada, pelo aspecto pessoal, relatado acima. E tudo, pelo que relato agora.
A história política da cidade, que acompanha o seu desenvolvimento, sempre foi marcada pela troca no poder de pessoas do mesmo grupo, representantes dos setores mais fortes economicamente, e dominantes até então eternos da vida dos cidadãos locais. Em 2000, a atual prefeita Maria do Carmo foi eleita deputada federal. Em 2002, corajosamente disputou o governo do estado, sacrificando seu mandato de deputada federal para defender seu partido e colocar os problemas da região do Tapajós (o lindo rio que banha Santarém) na pauta estadual. Foi ao segundo turno, e mesmo derrotada, se credenciou para em 2004 ser eleita a primeira prefeita mulher na história do município. Foi reeleita agora em 2008 e fez um mandato virtuoso, exatamente como o título dessa coluna, com muita discussão, muita ação e sem omissão.
Discussões baseadas em fóruns, seminários e conferências, promovidos e incentivados pelo poder público, sobre os diversos temas da administraão pública, com capacitação permanente, não só dos agentes políticos, mas de toda a população.
Ação, baseada em atitudes que contemplaram toda a cidade, proporcionando melhoria na infra-estrutura (asfaltamento planejado de ruas, construção de postos de saúde e de escolas, desenvolvimento de projetos e planejamento do município). Apesar dos problemas, continuarem grandes, percebe-se mudança por toda a cidade.
E sem omissão, porque está fazendo um governo plural, de respeito aos cidadãos, discutindo todos os problemas apresentados.
Aqui, diferente de nossa Ubatuba, a reeleição foi muito comemorada pelo povo, apesar da ferrenha oposição.
Tenho a convicção que é esse o caminho para Ubatuba. Muita ação, muita discussão e menos omissão. Mas não da prefeitura e sim dos cidadãos.
Na coluna de ontem, meu companheiro de víbora Renato Nunes tocou em alguns pontos nevrálgicos de Ubatuba. Colocar o Plano Diretor em funcionamento, construir e aprovar logo a lei de uso e ocupação do solo, instaurar o conselho da cidade, tornar os conselho municipais já instituídos mais atuantes, melhorar o relacionamento do município com Estado e União, entre outros. Em todos esses movimentos, é vital a participação do cidadão.
E de maneira independente, como o citado companheiro Celso de Almeida Jr., ao pedir o direito de criticar sem ser considerado inimigo, num diagnóstico perfeito de como a administração trata os que se recusam a ser da “turma do amém”.
Por isso, caros leitores, temos que ter um comportamento cidadão. A comunidade tem que ser tratada e entendida como a dona do time, a dona do dinheiro e não como mera torcedora, espectadora dos fatos, gerados pelos que se acham donos do dinheiro e pelos seus empregados (os políticos).
Acrescento aqui alguns pontos a serem vistos pela comunidade leitora, para ajudar Ubatuba: a imprensa local, os fornecedores e prestadores de serviços ao governo municipal, a questão do saneamento básico, a solução para o fechamento do aterro sanitário, a zona azul, só para ficar nos que me vêm prontamente à cabeça.
A crise mundial, que ainda não nos atingiu, mas que vai chegar, mostra com ela que o modelo de desenvolvimento baseado no individualismo, no egoísmo, no materialismo e no consumismo está em processo de acelerado desgaste e que está latente a construção de um novo modelo, voltado para o futuro, para o novo e que terá que ser baseado na coletividade, na participação efetiva de todos nos destinos não só de Ubatuba, mas do planeta. Baseado mais na cooperação que na competição.
É isso. Fazer a nossa parte em Ubatuba, para colocar o nosso grão de areia nessa construção de uma sociedade diferente, mais justa, mais humana, mais segura, mais feliz. Como a fórmula não está pronta, “muita discussão, muita ação e abaixo a omissão”.
Mauricio Moromizato
mauriciomoromizato@hotmail.com

Vidas

Reencadernação

Atribuído a Woody Allen
Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí viro um bebê inocente até nascer. Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto a disposição e espaço maior dia a dia, e depois - Voilà! - desapareço num orgasmo. (Enviado por Ronaldo Dias)

Merenda


Prefeito afastado de Sapucaia recorre de decisão da Justiça

Marcelo Machado (foto) é investigado no caso da merenda - Sapucaia do Sul

O prefeito afastado de Sapucaia do Sul, Marcelo Machado (PMDB), recorreu nesta segunda-feira (1º) da decisão da Justiça Federal. O vice-prefeito, Gilberto Alves, e o secretário da educação do município, Flávio Vargas Fialho, também recorreram da decisão que determinou o afastamento deles dos cargos.
O Ministério Público Federal (MPF) havia ajuizado ação civil pública por improbidade administrativa contra 22 pessoas e empresas suspeitas de fraude na compra de merenda escolar pela prefeitura de Sapucaia do Sul.
Além dos três, também são alvo da ação a primeira-dama Ivete Beatriz Martins Braz da Rocha e sócios das empresas paulistas SP Alimentação e Verdurama, que venceram contratos para o fornecimento da merenda, e da Gourmaitre, que teria dado cobertura ao esquema. (Correio de Notícias Online)

Opinião

Empreguismo estatal

Editorial do Estadão
Contratar pessoal foi uma das atividades principais das empresas controladas pelo governo federal entre 2003, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e 2007. Nesse período, o número de funcionários das companhias federais aumentou 15,2%, de 381.911 para 439.802. No setor financeiro, o aumento ficou um pouco abaixo da média, com expansão de 14,6%. No setor produtivo, o quadro aumentou 15,5% e o número de empregados chegou a 267.464 no ano passado, segundo publicação do Ministério do Planejamento.


A expansão do emprego no setor estatal tem sido justificada, em parte, como conseqüência da substituição de pessoal terceirizado e como reflexo do crescimento econômico. Essa explicação, oferecida por funcionários do governo, está longe de ser convincente, até porque o quadro de funcionários cresceu de forma generalizada, mesmo em empresas com prejuízo, como a Manaus Energia, a Eletronorte e as Centrais Elétricas da Amazônia. O caso da Manaus Energia é dos mais interessantes. O aumento de seu quadro de pessoal, de 140%, foi o maior das estatais federais, com o número de funcionários passando de 427 para 1.027. Mas seu resultado, em 2007, foi um prejuízo de R$ 602 milhões.

Há contrastes notáveis entre empresas do mesmo setor e também de setores diferentes. O número de empregados do Banco do Brasil passou de 80.169 em 2003 para 81.642 em 2007, com variação de apenas 1,8%. O de funcionários da Caixa Econômica Federal cresceu 30,6%, de 57.382 para 74.949. É um desafio encontrar uma justificativa para uma expansão tão acentuada. O caso do Banco do Nordeste do Brasil é ainda mais intrigante: o quadro de pessoal próprio cresceu de 3.666 funcionários em 2003 para 5.726 em 2007. O acréscimo foi de 56,2% e é muito difícil descobrir, nos dados econômicos da empresa, alguma boa explicação para esse aumento. Nesse período, o lucro por empregado caiu de R$ 39 mil para R$ 23 mil. Os depósitos por empregado, de R$ 720 mil para R$ 572 mil, de acordo com o mesmo relatório do Ministério.

As maiores contratações ocorreram no Grupo Petrobrás, com expansão de 42,7%. Entre 2003 e 2007 o número de empregados subiu de 45.476 para 64.885. A campeã do emprego, em termos absolutos, foi naturalmente a empresa mais importante do grupo, a própria Petrobrás. Seu efetivo passou de 36.363 pessoas para 50.207, com variação de 38,1%. Neste ano, até outubro, segundo a informação mais recente, foram contratados mais de 4 mil novos funcionários.
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