sábado, novembro 22, 2008

Poetas



Flor do Cerrado

Caetano Veloso
Todo mundo sabe e você sabe que a cidade vai sumir por debaixo do mar.

É a cidade que vai avançar.
E não o mar.
Você não vê.
Mas da próxima vez que eu for a Brasília.
Eu trago uma flor do cerrado pra você...

Pausa para reclames

Coadjuvantes

Simplesmente Cabo

Sidney Borges
Não há futuro na minha profissão, mas é um trabalho limpo e dá pra ir vivendo. Palavras do Cabo, que apareceu um dia saído do nada. Pouco eu soube de sua vida pregressa. Era mineiro e dizia ter sido cabo da polícia em Governador Valadares. Sem outro nome, virou apenas Cabo.
Trabalhava como homem-placa na Praça Clóvis Beviláqua, onde bateram a carteira do Paulo Vanzolini. Tinha 25 cruzeiros e um retrato. Ele achou barato se livrar do retrato. Queria rasgar, amassar, destruir. A mão iniciava o gesto, o coração interrompia. Seria simples fosse a vida cartesiana. Colocaríamos desfeitos amores e demais dissabores na carteira. O larápio se encarregaria de aliviar nossa alma. Pobre diabo. A carga seria fatal. De ladrão espertalhão cuja mão leve em bolso incauto afunda, a carga viral, miasmática, o transformaria em corcunda. Seguiríamos leves e felizes até o câncer, o infarto ou a bala perdida.
Um dia o Cabo sumiu. Deve ter se mudado morto pra Faculdade de Medicina pra contracenar com estudantes imortais, embora alguns já tenham morrido.
Por que fui me lembrar do Cabo? Não sei, nunca saberei, talvez tenha sido por causa de uma frase.
- Seu Sidineis...
- Prossiga Cabo, disse eu batendo os calcanhares e fazendo continência.
- Seu Sidineis, mulher é tudo igual...
Não entendi o reducionismo, Cabo era solitário. Provavelmente desilusão amorosa. Cantei pra ele: "vinte e cinco francamente achei barato, prá me livrar de meu atraso de vida...". Pelo olhar não fui compreendido...

Pausa para reclames

Energia

Ambientalista defende energia nuclear como forma de reduzir emissões de CO2

Em palestra no Rio, um dos fundadores do Greenpeace afirma que é preciso quadruplicar número de usinas nucleares no mundo

Fonte Nuclear

A expansão da energia nuclear é uma das formas mais eficazes de reduzir as emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2), principal gás responsável pelo aquecimento global. A oposição dos ambientalistas à construção de usinas nucleares e de hidrelétricas é um entrave à redução destas emissões e um incentivo à construção de usinas térmicas. Quem afirma é o canadense Patrick Moore, um dos fundadores do Greenpeace e uma das estrelas do movimento ambientalista internacional. Ele fez palestra ontem no Rio de Janeiro em evento paralelo ao XII Congresso Brasileiro de Energia (CBE), a convite das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), da Eletronuclear, da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) e da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).
A energia nuclear é segura, limpa e econômica, ressaltou Moore, lembrando que 21 países produzem 15% ou mais de sua eletricidade a partir desta fonte. Para ele, é necessário um programa ousado de construção de usinas nucleares para combater o aquecimento global. Ele afirma ser preciso quadruplicar o número de reatores em operação nos próximos 50 a 60 anos, passando dos atuais 439 para cerca de 1.600. Dessa forma, a energia nuclear responderia por mais de 50% da geração mundial.
Moore criticou o fato de os ambientalistas defenderem o abandono não apenas dos combustíveis fósseis, mas também da energia nuclear e da hidroeletricidade. Para ele, isso não é uma proposta sustentável, pois estas fontes juntas representam 91,2% de toda a energia gerada no mundo. As energias nuclear e hídrica se tornam ainda mais importantes ao se levar em conta que a demanda energética mundial está crescendo e as emissões estão aumentando.
Em sua opinião, energias alternativas, como a eólica, são capazes apenas de complementar a geração energética, mas não sustentar o fornecimento energético de um país inteiro, por serem intermitentes e pouco confiáveis. “A energia eólica só é sustentável quando o vento está soprando. Ela só tem um aproveitamento de 30% e precisa de back up. Além disso, precisa ser subsidiada pesadamente. A base de um sistema de geração precisa ser nuclear ou hidrelétrica. Estas são as únicas fontes não-emissoras de gases responsáveis pelo efeito estufa que podem substituir os combustíveis fósseis de forma efetiva”, ressaltou.
Ele citou como exemplo negativo o caso da Alemanha, que tem em vigor uma política de fechamento progressivo de suas usinas nucleares, enquanto mantém um sistema elétrico em que o carvão responde por 60% da geração. “Na Alemanha, o consumo de gás natural está aumentando, mesmo com o investimento em energia eólica e solar. As usinas nucleares respondem por 25% da energia gerada no país. Se elas forem fechadas, como os alemães conseguirão reduzir suas emissões? Os reatores nucleares serão substituídos por carvão ou gás. Além disso, os alemães terão que aumentar as importações de gás da Rússia e de energia da França, onde 78% da geração são nucleares”, argumentou.

Oposição foi erro do movimento ambientalista

Moore afirmou ainda que a oposição à energia nuclear foi um grave erro do movimento ambientalista. Segundo ele, a geração de energia, assim como a medicina, é um uso benéfico da tecnologia nuclear e não pode ser encarada da mesma forma que as armas nucleares. “Os protestos ajudaram a suspender a construção de usinas nucleares em países como os Estados Unidos e o Reino Unido. Se não fosse por isso, hoje haveria bem menos usinas a carvão em operação no mundo”, frisou.
O ambientalista rebateu os argumentos de que a energia nuclear é perigosa e destacou que nunca houve nenhum acidente nuclear no mundo ocidental que resultasse em mortes. No caso de Three Mile Island, em 1979, nos EUA, o prédio de contenção do reator impediu que a radiação atingisse o meio ambiente e a população. Já o acidente de Chernobyl, em 1986, foi o resultado de falhas da antiga União Soviética, que, durante a Guerra Fria, não tinha o mesmo nível de segurança operacional encontrado no Ocidente. O reator – adaptado de um projeto militar para produção de plutônio para armas – não contava com um prédio de contenção e utilizava grafite como moderador, o que permitiu que o incêndio no núcleo durasse duas semanas.
Em sua palestra, Moore enfatizou que o urânio é uma fonte de energia que existe em abundância no mundo e defendeu o reprocessamento do combustível usado, afirmando que, através da reciclagem, pode-se extrair dez vezes mais energia. Por isso, não pode ser chamado de rejeito. “Nós podemos armazenar estes combustíveis usados de forma segura até que possam ser reciclados. Dos 59 reatores franceses, 22 utilizam combustíveis reciclados”, exemplificou.
Uma mudança de percepção sobre a questão dos rejeitos radioativos, aliás, foi um dos fatores que o fizeram mudar de opinião em relação à energia nuclear. “Achava que devia ter medo dos rejeitos. Mas então percebi que eles não estavam fazendo mal a mim ou a qualquer outra pessoa, ao contrário dos combustíveis fósseis. Foi um caso de superar o medo e a emoção e usar a lógica”, concluiu o ambientalista, que foi presidente do Greenpeace no Canadá durante nove anos, diretor do Greenpeace Internacional durante sete anos e hoje preside a consultoria ambiental Greenspirit Strategies.

Imprensa insana

Obama e Osama, os eleitos

Guilherme Fiuza
O mundo escolhe seus símbolos. O maior deles hoje é Barack Obama, o anjo negro, o redentor da esperança. Com a outra mão, o mundo abençoa a autoridade máxima do terrorismo.
Circulou por todo o planeta o recado do “número dois” da Al Qaeda, esculhambando Obama como um negro de segunda classe.
O recado de um líder ou sublíder de uma organização clandestina, amorfa, escondida entre os mundos mítico e virtual, não é um recado. Não é uma mensagem. Não é um discurso. Não é nada. Só passa a ser, quando o mundo civilizado lhe serve de porta-voz.
A Al Qaeda não é o ETA, não é o IRA, não fala com ninguém, não negocia com ninguém, não existe institucionalmente, nem politicamente. É só um jato de terror disforme, que ninguém jamais descreveu ou identificou com um mínimo de exatidão. É “a organização de Osama Bin Laden”, como se isso quisesse dizer alguma coisa.
O mundo civilizado é o assessor de imprensa da Al Qaeda. Ele justifica e unifica um varejão de almas penadas dispostas a amarrar uma bomba na cintura. Os jornais e TVs do ocidente dão organização e identidade a essa geléia do horror.
O “número dois” cospe um insulto qualquer na internet, e a mídia civilizada transforma em manchete. “Os cachorros do Afeganistão acharam deliciosa a carne dos soldados americanos”. Os facínoras devem estar morrendo de rir nas suas cavernas.
E por que “número dois”? Se conferimos a esse sujeito tamanha autoridade, talvez fosse mais apropriado começar a chamá-lo de vice-presidente do conselho, ou chanceler, ou quem sabe “príncipe da Al Qaeda”.
Mas não é justo deixá-lo falando sozinho. É urgente vasculhar na internet as opiniões do “número dois” de Fernandinho Beira-Mar. Com um pouco de sorte, também se localiza por aí o número dois do Maníaco do Parque.
Aliás, os jornalistas econômicos estão perdendo tempo com as enrolações do G-20. Esses sites piratas da Al Qaeda são muito mais afirmativos. Vai ver, a saída para a crise do capitalismo já está lá.

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Palavras

Palavra do Dia: CONSCIÊNCIA

O último dia 20 de novembro foi feriado em 364 municípios do país, como o Dia Nacional da Consciência Negra. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares.
A palavra “consciência” tem sua origem no termo latino ‘conscientia’ e no texto acima designa conhecimento, noção, percepção de situações, fatos, conceitos específicos ligados a determinado tema de interesse social, ideológico, político etc.

Definição do “iDicionário Aulete”:

CONSCIÊNCIA (cons.ci.ên.ci:a) Substantivo feminino.
1 Atributo que permite a uma pessoa a percepção, com certo grau de objetividade, do que se passa em torno de si (o mundo exterior) e dentro de si próprio (o mundo interior ou subjetivo). 2 P.ext. O conhecimento, a percepção desse atributo
3 Capacidade de julgar o que é correto e o que não é, de acordo com valores morais e de conhecimento: Sua ações eram sempre ditadas pelos valores de sua consciência.
4 Conhecimento, noção, percepção (de situações, fatos, conceitos específicos): Tinha consciência de que agira errado.
5 Aplicação e zelo naquilo que se faz ou realiza: Fazia seus trabalhos com muita concentração e consciência.
6 Percepção e conhecimento da própria atividade (psíquica ou física): Não tinha clara consciência do que fazia e do que se passava em sua mente.
7 Honradez, retidão, probidade: Este é um profissional de consciência.
8 Sensibilidade ou pré-disposição para perceber situações, problemas, processos etc. ligados a temas de interesse social, ideológico, político etc.: Sua consciência ecológica o fazia revoltar-se com o desmatamento criminoso.
9 O conjunto das pessoas capazes de ter essa consciência (8): Apelava para a consciência ecológica do país, pedindo o fim desses abusos.
10 Fil. Psic. Com base em conceito do filósofo alemão Nietzsche, e adotado na psicanálise, a faculdade de autopercepção objetiva, limitada pela ação das pulsões e emoções do ser humano
11 Med. Estado em que o sistema nervoso está capacitado aos processos de percepção, reflexão, ação compatível, comportamento coerente etc. Corresponde, comumente, ao estado de quem domina suas capacidades de perceber (ver, ouvir), pensar e agir
12 Psi. Nível de atividade mental no qual se tem percepção dos processos internos e externos (em oposição ao nível da inconsciência ou da subconsciência)
13 Mec. Placa de metal que operador de broca manual coloca no peito para com ele fazer pressão na empunhadura da broca sem se machucar
[Formação: Do latim ‘conscientia’.]

A ponderar...

Cogito, ergo sum?

Diogo Mainardi
Descartes pode me arruinar. Ele mesmo, René Descartes, o pensador francês do século XVII, do Discurso do Método. Na última semana, ele se materializou em meu escritório, com aquele seu aspecto de lateral-direito do Boca Juniors, e ordenou que eu aplicasse imediatamente todas as minhas economias na bolsa de valores. O que fiz? Fechei os olhos e obedeci.

Eu já tinha pensado em fazer o mesmo em meados de outubro, quando Warren Buffett, num artigo para o New York Times, anunciou que aplicaria todo o seu dinheiro no mercado acionário dos Estados Unidos. Ele ditou uma regra simples para orientar os investimentos na bolsa de valores: "Tenha medo quando os outros estão gananciosos, e seja ganancioso quando os outros estão com medo".

Do dia em que o artigo de Warren Buffett foi publicado até este momento, o Dow Jones já despencou mais de 15%. Em vez de contrariar o senso comum, obedecendo à regra de Warren Buffett, tive medo quando os outros tiveram medo e me dei tremendamente bem. Mas Warren Buffett é Warren Buffett e Descartes é Descartes. Em latim, o truísmo soaria melhor. Se Descartes ordena, estou pronto a me sacrificar. Ele determinou meus investimentos na bolsa de valores por meio do livro Os Axiomas de Zurique, de um certo Max Gunther. Retificando: ele determinou meus investimentos na bolsa de valores por meio de um trecho do press release de Os Axiomas de Zurique, porque nem precisei ler o livro.

O trecho dizia que, para especular com sucesso na bolsa de valores, é preciso fazer como Descartes, duvidando sempre das verdades estabelecidas. Dito de outra maneira: se todos estão fugindo da bolsa de valores, pode ser uma boa oportunidade para entrar nela. O que eu fiz? Entrei.

"Penso, logo existo." Em latim, soa melhor: "Cogito, ergo sum". Segundo Os Axiomas de Zurique, o principal enunciado de Descartes sugere que o investidor pense por conta própria. Eu fiz o oposto: deixei que Descartes pensasse por mim. Assim como as ações da Aracruz, a metafísica cartesiana atingiu um novo mínimo. A única certeza que eu tenho é: "Descartes pensa por mim, logo Descartes existe". A rigor, nem isso. Eu só posso afirmar sem titubear o seguinte: "O vulgarizador de Descartes me meteu nessa baita enrascada da bolsa de valores, logo o vulgarizador de Descartes existe".

De fato, seguindo o método de Descartes, nada impede que eu seja apenas um produto da mente de Max Gunther, o autor de Os Axiomas de Zurique. Nesse caso, quem arcará com o prejuízo não serei eu, e sim ele. Quem terá de mendigar nas ruas não serão meus filhos, e sim os dele. Por isso, para mim não importa se os aloprados do governo brasileiro decidiram aumentar o salário dos servidores em mais de 40 bilhões de reais. Com toda a probabilidade, eu nem existo. (Trem Azul)

Ubatuba em foco


Luiz Moura

Despertando a cidadania ubatubense

Luiz Moura
Apesar da intensa chuva, mais de 30 (trinta) pessoas compareceram ao Salão da Igreja São Francisco, Centro, na terça-feira, 18, para assistirem a
palestra “A experiência de uma organização no aprimoramento da cidadania”, proferida por Lizete Verillo, da Amarribo (Amigos Associados de Ribeirão Bonito).
Com o intuito de conhecerem e assimilarem a experiência da ONG de Ribeirão Bonito (SP), líderes, das mais variadas tendências, prestigiaram o evento organizado pelo Fórum Permanente de Proteção à Cidade (movimento em formação, sem vínculo religioso ou político-partidário).

Gostei do que vi. Acredito, como também pude notar em Lizete Verillo, que basta a vontade, a disposição e a coragem, mesmo que de poucos, para o início de grandes conquistas.
Muitos estão descontentes com os rumos que os politiqueiros dão ao nosso município. Se você é um deles participe do Fórum Permanente de Proteção à Cidade (de Ubatuba). A próxima reunião será realizada no dia 26/11/2008, quarta-feira, às 19 horas, no Shopping Iperoig (rua Esteves da Silva, 147, Centro).


Fique atento, pois os que “mamam nas do pudê” farão de tudo para desprestigiar qualquer iniciativa que vislumbrem desestabilizar as “posições” que adquiriram (sabe-se lá de que forma).

Em nome do Fórum Permanente de Proteção à Cidade agradeço a Amarribo por proporcionar a presença de Lizete Verillo em Ubatuba e pela doação das cartilhas “Combate a corrupção nas prefeituras do Brasil” aos que assistiram a palestra, lembrando a todos eles que é imprescindível a leitura do livro antes da reunião de quarta-feira.

Opinião

O trágico sistema de cotas

Editorial do Estadão
Desde que se instaurou o debate sobre a adoção de cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas brasileiras, este jornal se tem manifestado inequivocamente contrário à iniciativa - e não vê motivos para mudar de opinião pelo fato de a Câmara dos Deputados ter acrescentado ao projeto que estabelece nas faculdades federais uma reserva de vagas para negros e indígenas, oriundos da escola pública, uma subcota para estudantes com renda familiar per capita de 1,5 salário mínimo, qualquer que seja a sua autodeclarada etnia. O trecho incluído na proposta que já havia sido aprovada no Senado, para onde voltará em razão disso, foi claramente um esforço de mitigar o que de outro modo seria um malefício absoluto. Ciente de que não conseguiria impedir o pior - ainda mais numa votação marcada, com deslavado oportunismo, para coincidir com o Dia da Consciência Negra -, a oposição aceitou contribuir para a consumação do inevitável se a maioria concordasse com a emenda apresentada pelo deputado tucano e ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, implantando a chamada cota social.

Fechado o acordo, passou em votação simbólica a destinação de pelo menos 50% das vagas nas universidades federais a candidatos que tenham feito os três anos do ensino médio em escolas públicas; destas 25% serão preenchidas por critérios raciais (conforme a proporção dos que, em cada Estado, se tenham declarado negros ou indígenas no censo mais recente do IBGE) e 25% por critérios de renda familiar (o que não impede que um candidato se beneficie tanto de uma coisa como de outra). O mesmo princípio valerá para as escolas técnicas - nesse caso, o aluno deverá ter cursado o ensino fundamental na rede pública. Na pressa de aprovar o projeto na quinta-feira, para fazer boa figura perante o movimento negro, os deputados deixaram passar um artigo que deixa dúvidas sobre a necessidade de os cotistas prestarem vestibular; bastaria "a média aritmética das notas ou menções obtidas no ensino médio". O item decerto cairá no Senado. Evidencia, de todo modo, a sofreguidão da Câmara em se curvar ao politicamente correto.

Assim vai em frente um esquema não apenas equivocado como tentativa de promover a democratização do acesso à educação superior, mas, principalmente, tóxico do ponto de vista das relações sociais entre os brasileiros. Equivocado porque o suposto remédio para a iniqüidade não ataca o foco do mal que a origina: a péssima qualidade do ensino fornecido pela escola pública brasileira, depois de vencida a etapa da universalização do ensino, confirmada pelos resultados do último Enem, por coincidência divulgados ontem. Mantida essa situação, ascenderão à universidade, por meio do perverso mecanismo das cotas, contingentes de todo despreparados para o que ali os espera, dadas as suas deficiências acumuladas ao longo de anos de mau ensino. Se a idéia é promover a população negra, promova-se - mediante a melhora radical da educação pública - a população pobre de que ela é parte. São negros, afinal, mais de 2/3 dos que recebem até 3 salários mínimos. E serão eles os maiores beneficiários da boa escola gratuita, quando e se o Estado conseguir proporcioná-la.
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Manchetes do dia

Sábado, 21 / 11 / 2008

Folha de São Paulo
"Brasil chama embaixador no Equador"
O Brasil decidiu convocar para consultas seu embaixador em Quito, Antonio Marques Porto, em resposta à decisão do Equador de recorrer à Corte Internacional de Arbitragem para não pagar dívida com o BNDES. O débito, de US$ 243 milhões, refere-se a um empréstimo para a construção da hidrelétrica San Francisco, erguida pela construtora brasileira Odebrecht. A obra foi paralisada em razão de problemas estruturais. Segundo o chanceler Celso Amorim, o caso é "sério". E a atitude do governo de Rafael Correia, pouco amistosa: "A decisão foi anunciada em evento público, sem prévia consulta ou notificação ao governo brasileiro". "A natureza e a forma da adoção desse medida não se coadunam com a relação de amizade, e o espírito de diálogo e a cooperação ampla entre Brasil e Equador", disse. Segundo ele, "eventualmente" haverá outras medidas. Para o Equador , a decisão é "normal". "È um procedimento normal de um governo com preocupação sobre algum ato em relação aos interesses do país", disse Ricardo patino, ministro da Coordenação Política.


O Globo
"Brasil muda tom com Equador e chama embaixador de volta"
Diante da ameaça de calote do Equador, que se recusa a pagar US$ 243 milhões ao BNDES, o governo brasileiro decidiu abandonar a retórica de conciliação. O presidente Lula ordenou que o embaixador Antonino Marques Porto, que serve em Quito, volte ao Brasil para consultas. A medida é um passo para o rompimento com o país vizinho. A última vez em que se adotou medida desse tipo foi em 1999, pelo então chanceler Luiz Felipe Lampreia em retaliação a manobras de tropas colombianas no Norte do Brasil. O BNDES era o financiador de uma obra da construtora Odebrecht que vem sendo alvo de acusações de irregularidades pelo governo Rafael Correa. Em setembro, Correa anunciou a expulsão da companhia do país. A nova postura da diplomacia brasileira foi elogiada por ex-chanceleres que, no entanto, acham que a medida pode ter chegado tarde.


O Estado de São Paulo
"Brasil reage à ameaça de calote do Equador"
O Itamaraty convocou ontem para consultas o embaixador brasileiro em Quito, Antonino Marques Porto e Santos. A decisão foi tomada após o governo do Equador anunciar, sem aviso, que submeterá a arbitragem internacional decisão de não pagar dívida de US$ 597 milhões com o BNDES. O valor refere-se a financiamento de obra de uma usina hidrelétrica. A crise começou em setembro, quando o presidente Rafael Correa expulsou do país a empreiteira Odebrecht, responsável pela obra. A convocação do embaixador é o primeiro passo em processo que pode levar ao rompimento de relações diplomáticas.


Jornal do Brasil
"70 mil alunos na linha de tiro"
Cerca de 70 mil alunos de 200 escolas públicas do Rio - segundo levantamento do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) - são obrigados a dividir o tempo de estudo com imposições do tráfico e tiroteios entre policiais e bandidos. "Traficantes pressionam diretoras das escolas. Querem até estabelecer o horário de funcionamento", conta a antropóloga Alba Zaluar. Por isso, revela o Sepe, está difícil convencer professores a trabalharem nessas escolas.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Outro poemeu mágico

De chuvas & trovoadas

Sidney Borges

Céu escurecendo
Chuva à vista.
Preciso me concentrar
Nesta tarde de sexta
Farei ventar,
Gritarei salabindum,
Usarei meus poderes.

A chuva vou espantar
Faz parte de meus deveres

Salabindum é forte
Fui eu que inventei
Significa dá o pira
Nas ruas de Bora Bora,
nas quebradas de Pirapora,
Nos hospícios de Brunei

Chô chuva

Fique longe do pedaço,
Deixe o céu tinto de anil
Pra eu andar Ressaca afora
Passeando com o Brasil.

Salabindum
Chô chuva

São tantas do Dantas...

'Organização criminosa de Dantas faz uso da intimidação', afirma PF

Novo relatório lista crimes contra ordem tributária, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros


Fausto Macedo e Roberto Almeida
O novo relatório da Polícia Federal sobre o banqueiro do Opportunity afirma: “Durante o transcorrer das investigações, pudemos perceber que a organização criminosa liderada por Daniel Dantas faz o uso da corrupção e da intimidação para alcançar seus objetivos”.


Especial explica a Operação que prendeu Dantas

Multimídia: as prisões do banqueiro Daniel Dantas

Saiba quem é o pivô da maior disputa societária do País

São 247 páginas que reúnem indícios, esmiúçam as atividades de Dantas e a ele atribuem longa série de violações e delitos contra a União, assim descritos: “Fica claro que a organização criminosa liderada por Daniel Dantas praticou crimes contra a ordem tributária, crimes contra o sistema financeiro, crime de lavagem de capitais, formação de quadrilha, dentre outros”.

Este é o relatório parcial do inquérito 235/08, que foi presidido até julho pelo delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha e dela afastado desde que descobriu-se que ele recrutou clandestinamente arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para a missão.
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Infância distante

Pírulas e Papagalhos

Sidney Borges
Ora pírulas. Sempre achei que fosse assim, até que um dia tirei zero (0) na escolinha São Pedro do Pary. Eu já contei que tranquei o Geraldo no banheiro? Geraldo, irmão do Guido, um cara legal, um pouco mais velho. Dona Maria, a velha, me mandou ir ao banheiro. Tinha outra dona Maria, a moça, ambas trabalhavam em conjunto em uma sala enorme onde havia alunos da primeira à quarta-série. Dona Maria, a velha, mantinha a ordem na base da porrada. Bobeou entrava na dança. Imaginem vocês a minha situação. Gauche na vida desde pequeno, apanhei bastante. Mas não guardo rancor, a megera me ensinou a ler e está perdoada. A fila de carteiras do primeiro ano era problemática. De vez em quando aquele cheiro insuportável. Uma menina da quarta série, que não me lembro o nome, parecia uma pomba, ia falar com a professora. No ouvido. Chamavam dona Antônia, velhinha, baixinha, gordinha e boazinha. O infrator, com cara de espanto era levado para o banho, não raras vezes com a prova do crime escorrendo pernas abaixo. Para prevenir tais vexames a ida ao banheiro era automática. Como eu detestasse ficar parado, ainda detesto, ia mesmo sem precisar. A "casinha" ficava longe. falam dos cães de Pavlov, mas eu também era condicionado. Se fosse ao banheiro tinha de entrar, puxar a descarga e voltar, ainda que não usasse as facilidades sanitárias. Naquela manhã não consegui entrar. Geraldo ocupava o trono concentrado e quando bati me mandou esperar. O banheiro tinha trinco dentro e fora, nunca entendi o porquê, mas com aquela disposição dos seis anos, que me fazia mexer em tudo, acabei inadvertidamente trancando o Geraldo. Como ele demorasse a sair, desisti de dar a descarga e voltei à aula. O tempo passa, o tempo voa. De um lugar distante, muito distante uma voz abafada gritava: sidineiiii, sidineiiii. No começo não dei bola, mas aos poucos começou um zunzum na sala. Eu queria me esconder, achar um buraco, eu era o único sidinei, só podia ser comigo. O que teria despertado a ira dos deuses, ou dos 700 milhões de demônios do Frei Teobaldo do catecismo?
Dona Maria, a velha, olhou para Dona Maria, a moça e ambas fixaram os olhos em mim. Tentei disfarçar, virei pro lado e dei de cara com a Pomba da quarta-série me olhando feio. Sidinei, o que você fez desta vez? Eu tinha culpa no cartório, tentei usar a técnica do Mandrake, proferí palavras mágicas, fiz gestos hipnóticos. Não funcionou, não fiquei invisível. Dona Maria, a velha, foi investigar. Nem bem saiu da sala deu de cara com dona Antônia trazendo pela mão o Geraldo. Se debulhando em lágrimas. O dedo indicador me indicou. Foi ele professora, o Sidinei me trancou no banheiro. Tentei argumentar que não houve intenção, mas como vocês devem estar desconfiando, foi em vão. Nesse dia entendi o significado da expressão pagar o pato. Me trancaram num quarto escuro com um esqueleto. Minha vingança foi maligna, desmontei o esqueleto e ninguém jamais conseguiu montar novamente, nem eu. Foi como o relógio de bolso que ganhei do meu avô, mas isso é outra história...

Dornier DO-X-1929



Uma máquina fantástica nos céus do Brasil
Enviado por Tiago Rizzi
O hidroavião DO-X 1929 sobrevoou a Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, em 1931. Não, não é OVNI. É um hidroavião de 30 toneladas e 12 motores (eu disse 12!). O flagrante foi obtido durante a escala no Rio de Janeiro do histórico vôo experimental alemão por 45.000 quilômetros da África e Américas do Sul e do Norte, em 1931.
Fabricado pela Dornier alemã, o protótipo DO-X era o maior avião do mundo e jamais entrou em operação comercial, apesar de ter sido testado pela Lufthansa. Tinha três andares com cabine-dormitório, sala de estar, biblioteca, restaurante e bar. Um navio voador de luxo, com tapetes persas, sofás de couro e porcelana fina.
Na foto acima, o avião parece ter "apenas" seis hélices porque os motores são duplos, isto é, para cada um que você está vendo na frente da asa, tem outro na parte de trás. Não creio que exista outro avião com tantos propulsores. A tripulação era de 14 pessoas e a lotação, de 70 passageiros. Sua velocidade de cruzeiro era de 175 km/h, autonomia de 2.300 km e levava 23 mil litros de combustível. Media 40 metros de comprimento e 10 m de largura. Como o projeto não teve prosseguimento comercial, este famoso DO-X 1929 foi desativado em 1934 e levado para o Museu da Aviação em Berlim, onde terminou destruído num bombardeio durante a 2ª Guerra Mundial, em 1945. Repare, na segunda foto acima, a estátua do Cristo Redentor ainda com andaimes, recebendo os retoques finais para sua inauguração em 12 de outubro daquele ano. "Se não podemos evitar o nascer e o morrer, vamos saborear o intervalo."

Coluna da Sexta-feira

Consciência

Celso de Almeida Jr.
Há um princípio fundamental na Declaração da Independência Americana que lembra que todos os homens são iguais. Durante a década de 1960, o líder negro Martin Luther King o transformou em seu sólido alicerce na luta pelos direitos civis, pela igualdade social e, principalmente, contra a discriminação racial.

A frase pétrea que trata da igualdade pode ser associada à regra de ouro de todas as religiões: "Não desejar ao próximo aquilo que não desejamos para nós."

A combinação destes nobres pensamentos merece ser coroada por outra pérola de Luther King: "O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo.

"Bonito, realmente; mas a maravilhosa diversidade cultural da humanidade com suas características sociais, econômicas e políticas, explicita diferenças que, muitas vezes, torna difícil para alguns compreender porque somos iguais. Homens assim, confusos, quando tomados pelo orgulho desmedido, ficam reféns de seus pensamentos, dominados por preconceitos, medos e tabus, considerando os seus valores superiores aos dos outros. Aí, revelam-se agressivos, torpes, sarcásticos, violentos.

E, nessa hora, Martin Luther King alertava: "O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons."

Usar a voz, a palavra, o exemplo para tocar as mentes e os corações, inibindo comportamentos destrutivos é tarefa para corajosos, comprometidos com as gerações futuras. Em sua luta, Luther King bradou: "Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos pequenos viverão, um dia, numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter."

Quanto a nós, em nossa terra, por nossa gente, ficam as perguntas:

Quais são as nossas causas?

Temos disposição e coragem para abraçá-las?

Opinião

Com que números se planejará?

Washington Novaes
Quanto questionado em entrevistas coletivas sobre alguma estatística desfavorável ao governo a que pertencia, o falecido ministro Roberto Campos costumava ironizar e dizer que números poderiam demonstrar qualquer coisa. Por exemplo (hipotético), se cinco pessoas comiam muito enquanto outras cinco comiam quase nada, seria possível afirmar que, na média geral, todas comiam razoavelmente. Talvez o ministro devesse ser convocado neste momento para explicar algumas estatísticas.


Há poucos dias (Estado, 13/11) o Fundo da ONU para a População divulgou que até metade deste século o Brasil terá 254,1 milhões de habitantes, ante 194,2 milhões que teria hoje. Isso aconteceria porque continuará até 2010, pelo menos, com uma taxa de crescimento populacional de 1,3% ao ano, acima da média mundial. E a população mundial até 2050 passará de 6,74 para 9,19 bilhões. São números bastante diferentes dos divulgados em agosto pelo IBGE, que calculou a atual população brasileira em 189,6 milhões (quase 5 milhões menos que o cálculo da ONU) e uma taxa de fecundidade já em 1,8 filho por mulher em idade fértil - abaixo da taxa de reposição populacional, que é de 2 filhos (um para substituir o pai e outro, a mãe; com menos filhos, a população declina). No começo de outubro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), analisando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, do IBGE, apontou uma taxa de fecundidade de 1,83 filho por mulher em idade fértil. E com ela a população chegaria a 2030 com 204,3 milhões e a 2035, já em declínio, com 200,1 milhões. Como poderíamos, então, chegar aos 254,1 milhões estimados pela ONU para 2050? Em julho, a Pesquisa Nacional de Desenvolvimento da Saúde calculava (Folha de S.Paulo, 21/7) que a taxa de fecundidade chegara a 1,8 por mulher já em 2006. Logo em seguida, o IBGE , partindo de uma taxa de 2,1 filhos por mulher, calculava que só em 2043 se chegaria a 1,85.

Números são decisivos para um bom planejamento governamental. Então, é preciso saber com clareza qual o patamar real. Este mês, por exemplo, o Ipea, analisando números da Pnad, mostrou uma realidade dramática: a participação dos rendimentos do trabalho na renda nacional só em 2011, observadas as atuais tendências, voltará ao nível de 1990, quando tinha 45,4% do total (na década de 60 esteve próxima de 60%). De 1990 para cá, o rendimento médio mensal dos 10% mais pobres passou de R$ 67 para R$ 97 e o dos 20% mais pobres, de R$ 202 para R$ 236. No mesmo período, o rendimento médio mensal dos 10% mais ricos caiu de R$ 4.454 para R$ 4.114 e o do 1% mais ricos, de R$ 13.604 para R$ 11.878/mês. Portanto, a média no estrato superior de 1% ainda é 122,4 vezes maior que no estrato dos 10% mais pobres - apesar de evolução favorável nos 16 anos (em 1990 era 200 vezes maior). E pelo menos 60% dos que trabalham estão na informalidade. Algumas explicações para tanta desigualdade podem ser encontradas na própria análise do Ipea, ao mostrar que entre 2000 e 2007 os gastos federais acumulados com juros chegaram a R$ 1,26 trilhão, enquanto na saúde foram de R$ 310,9 bilhões; na educação, de R$ 149,9 bilhões; e nos "investimentos federais", de R$ 93,8 bilhões.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 21 / 11 / 2008

Folha de São Paulo
"BB compra Nossa Caixa por R$ 5,4 bi"
Seis meses após o anuncio oficial do começo das negociações, o Banco do Brasil fechou a compra do controle da Nossa Caixa, pertencente ao governo de São Paulo, por R$ 5,386 bilhões . O pagamento será em 18 parcelas de R$ 299,25 milhões, corrigidas pela Selic (taxa básica de juros do Banco central), a partir de março de 2009. O negócio marca a entrada do BB na corrida de consolidação do sistema finaceiros nacional, acirrada no final de 2007 com a compra do Real pelo Santander e neste mês com a fusão entre Itaú e Unibanco. Com a Nossa Caixa , o BB soma R$ 512,4 bilhões em ativos, mas não recupera a liderança do Itaú/Unibanco ( R$575 bilhões . Para fechar o negócio, os governo federal (do PT ) e estadual (do PSDB)se juntaram contra os bancos privados que pediam um leilão de privatização da Nossa Caixa, fundada em 1917. Com a compra, o BB será o banco com mais agências em SP, a mais importante praça do país _até então, ocupava só o quarto lugar. O presidente do BB, Antonio Francisco de Lima neto, disse que, sem a Nossa Caixa, a instiuiçãoestaria em posição desvantajosa no varejo do setor. A incorporação deve começar em março, após o negócio ter sido aprovado pelos órgãos reguladores e acionistas dos dois bancos e pela Assembléia Legislativa paulista.


O Globo
"BB compra a Nossa Caixa e busca liderança"
O Banco do Brasil deu ontem um passo importante na tentativa de retomar a liderança no ranking dos maiores bancos do país. O posto foi perdido há menos de três semanas, com a megafusão entre Itaú e Unibanco. O BB vai desembolsar R$ 5,4 bilhões em 18 parcelas, comprando 71% do capital da Nossa Caixa, do governo do estado de São Paulo. O negócio faz com que a instituição fique com R$ 512 bilhões em ativos e o maior número de agências em São Paulo, embora permaneça em segundo lugar no país. O acordo, inédito, teve apoio do presidente Lula e foi fechado diretamente com o governador tucano José Serra. Com isso, Serra deve sair fortalecido. O governador paulista prometeu investir o dinheiro em infra-estrutura e hospitais.


O Estado de São Paulo
"BB compra a Nossa Caixa e negocia mais dois bancos"
O Banco do Brasil anunciou on­tem a compra da Nossa Caixa passando a ser o maior banco no Estado. Depois de seis me­ses de negociação, o governo de São Paulo receberá R$ 5,4 bilhões, mas o valor total do ne­gócio alcançará R$ 7,56 bilhões em razão do pagamento a acio­nistas do banco estadual. A transação é parte da resposta do BB à fusão entre Itaú e Uni­banco, que criou a maior insti­tuição financeira do Pais. A rea­ção do BB pode continuar - nos últimos dias, avançaram con­versas para a aquisição de me­tade do banco Votorantim e do Banco de Brasilia (BRB). Para o governo federal, a compra da Nossa Caixa pelo BB ajudará a fortalecer o sistema financeiro nacional diante da crise. Segun­doo ministro Guido Mantega, o momento exige "bancos públi­cos fortes". O novo negócio fa­rá com que 79% dos depósitos estejam concentrados nos cin­co maiores bancos, ante 48% em 1994.


Jornal do Brasil
"País em alerta contra dengue"
Levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 161 municípios identificou infestação pela larva do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, em 65 deles - sendo 14 capitais. Ministro da Saúde, José Gomes Temporão apelou para que o combate à doença seja prioridade dos novos prefeitos, a fim de evitar mortes como as que ocorreram no Rio de Janeiro no início do ano. A capital e oito municípios do estado estão em situação de alerta. O Ministério da Defesa anunciou que colocará 2.321 militares para trabalhar nas ações de combate ao de mosquito.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Da série: "Believe It or Not"

Bolívia estará livre do analfabetismo a partir de dezembro

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou no último domingo (16) que seu país se declarará livre do analfabetismo em 20 de dezembro graças à cooperação de Venezuela e Cuba, os outros dois países da América Latina que alcançaram essa meta

Efe

Boliviano pratica a escrita com o método cubano Evo fez o anúncio no departamento de Cochabamba, declarado a quarta das nove regiões do país sem analfabetos, depois de Oruro, Santa Cruz e Pando.
No próximo sábado Morales fará o mesmo anúncio em Chuquisaca. Em dezembro serão declarados livres do analfabetismo os departamentos de La Paz, Tarija, Potosí e Beni.
A alfabetização foi realizada com o método audiovisual "Yo sí puedo" ("Sim, eu posso", em tradução livre), elaborado por educadores cubanos do Instituto Pedagógico Latino-americano e Caribenho e aplicado na Bolívia desde 2006.
No ato, do qual participou o embaixador cubano na Bolívia, Rafael Dausá, Evo pediu que os voluntários de Venezuela e Cuba continuem no país após dezembro para aplicarem a segunda fase do programa e continuarem educando os alfabetizados.
O presidente boliviano solicitou aos membros de seu Gabinete, às autoridades dos departamentos e aos parlamentares de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), que o acompanhem em sua visita a Cuba em 1º de janeiro de 2009 para comemorar os 50 anos da Revolução Cubana e agradecer pessoalmente ao país pela ajuda na alfabetização.
"Se não fosse Cuba, se não fosse (o ex-presidente cubano) Fidel (Castro), se não fosse o povo cubano, talvez nesse momento não estivéssemos com a campanha contra o analfabetismo", declarou.
O presidente boliviano disse que os funcionários e parlamentares que o acompanharem na visita a Cuba deverão custear com seus próprios meios à viagem. (Enviado por Rui Grilo)


Nota do Editor - Penso que haja confusão na data. O analfabetismo será decretado extinto em 19 de dezembro. Em 20 de dezembro será o princípio do fim do capitalismo e o início do porvir glorioso do chavismo. Apesar do preço do petróleo estar em declínio. Por aqui o lulismo não vai prosperar. Traiu os ideais socialistas e se rendeu aos neoliberais. Argh! Que horror. Viva Perón. (Sidney Borges)

Homenagem ao Dr. Ricardo Cortes


Lá do Sul

NOTAS UBATUBANAS

(Ubatubana sim, pois lembra a cachaça que aqui era produzida e consumida, além da Cidade que é uma cachaça, veio pra cá não tem jeito de não “voltá ou fica de vez”).

Fernando Pedreira
A FAVORITA - A novela global faz um merchandising fantástico de nosso vizinho e trocam o nosso nome por Triunfo, ou seja, Cidade de Bons Restaurantes e Muita Fofoca, não somos nós?

RELAXA E GOZA – Poderiam liberar de vez a música e as mesas dos Quiosques, afinal a organização inexiste, os ônibus e vans circulam e estacionam livremente, a quantidade de ambulantes é astronômica, comércio e prestação de serviços informais em mais de 90%, deixar tudo liberado muda o quê? Afinal as cadeiras já tomam contam das praias, faltam apenas as mesas.

SACANAGEM - O Homem adora falar, principalmente de Turismo, pois conhece do assunto como ninguém, quando quer enrolar então fala mais de vinte minutos e depois ninguém tem coragem de perguntar nada, mas com certeza ninguém entendeu nada, afinal Ele não disse nada. Em frente uma Câmara de TV então!! Agora tirá-lo do Turismo para colocá-lo na Ouvidoria? Não dava pra ir pro Parlatório?

ATENDIMENTO AO TURISTA – Numa conversa em determinado quiosque na Maranduba ouvimos o seguinte:
Turista: - Por favor, Vc. tem banheiro?
Garçonete: - Não, mas logo ali, custa R$ 1,00, olha, ali está o responsável pelo banheiro.
Sinhozinho (responsável): - É um real si quisé, si não vai mija ali no mar mesmo.

Metamorfoses

Magia

Sidney Borges
Paulo Coelho faz ventar. Eu fiz a chuva parar. Estarei ficando mago?

Meteorologia

Trégua, a chuva deu trégua...

Sidney Borges
A chuva nos deu uma trégua, não sei se breve ou definitiva. No momento suficiente para evitar problemas aos que vivem em baixios. Quero dizer, mais problemas. Construir em áreas de risco é um filme antigo, anterior ao "Cinema Novo", embora continue a seduzir a massa, digo o povo. Que sempre quer ter algo novo. O compra compra agora está se transformando em poupa poupa. Lá na terra de Tio Sam, aqui o consumo é feito em escala menor, até por razões culturais. Não temos o hábito de contrair grandes dívidas, um carnêzinho das Casas Bahia é café pequeno. Atire a primeira pedra quem nunca teve. Os americanos não sabem viver sem dever. E um dia precisam pagar. Para pagar é preciso poupar. Para poupar é preciso não comprar. E se ninguém comprar não faz sentido fabricar. Fabricantes sem compradores alopram. E pedem ajuda. Ao governo. O grande pai que abriga e acaricia os ricos. E aos pobres dá esmolas e tira impostos. Voltando à trégua pluviométrica, tenho um papel nisso. Não sei se foi a ameaça de usar magia-negra, jogar sal no meio da rua ou se foi o poema. A chuva parou. Caso volte a cair escreverei outro poema. Sioux, Apaches, Dakotas, Cherokees e demais peles-vermelhas dançavam para atrair chuva. Eu a espanto com poemas. Tenho dito...

Dornier DO-X-1929

A ponderar...

A lavoura arcaica da cana

Carlos Tautz no Blog do Noblat
(...)De explorações dos seres humanos aos impactos sobre a diversidade biológica, os recursos hídricos, a produção de alimentos e a incrível concentração da propriedade da terra, tudo foi magicamente esquecido para aproveitar uma oportunidade de negócios aberta pelo pânico com as mudanças no clima do planeta. Como se fosse possível reescrever um ensaio sobre a cegueira a respeito dos impactos negativos da lavoura mais arcaica do Brasil.

Outra vez o Estado brasileiro opta por intervir na economia da cana para privilegiar grupos econômicos. Como lembra o advogado pernambucano Bruno Ribeiro, estudioso do tema que há quase 20 anos defende organizações como a Comissão Pastoral da Terra e os trabalhadores da Usina Catende, o setor canavieiro foi, é e será o que dele decidir fazer o Estado brasileiro.

"Foi assim na instituição das capitanias hereditárias e na década de 1930, na criação Instituto do Açúcar e do Álcool, e permanece em vigência, quando o BNDES é escolhido como agência viabilizadora da indústria da cana. Somente em 2008, o Banco se comprometeu com o desembolso de R$ 6,4 bilhões para a indústria canavieira. Isso seria suficiente para pagar o seguro desemprego de 500 mil cortadores de cana durante sete anos e meio", diz Ribeiro.
Segundo ele, com tal poder de fogo o Estado tem condições de rapidamente impor a normalização das condições de trabalho no setor (leia-se a aplicação da CLT).

O BNDES, porém, não tem qualquer visão estratégica de desenvolvimento quando faz seus aportes bilionários no setor do etanol. Objetiva exclusivamente a aumentar os números de seus desembolsos e o retorno de seus financeiros, embora pudesse e devesse aproveitar sua capacidade indutora para finalmente fazer avançar as relações de trabalho em um setor conhecido por explorar seus trabalhadores em níveis equiparáveis aos níveis aplicados aos escravos. O Banco prefere, entretanto, tapar o sol com a peneira, quando alguém o lembra de tudo ao redor da indústria do álcool, que é viabilizada pelos seus aportes bilionários. (...)
Leia na íntegra

Calibrando a glicemia


Futebol

Brasil 6, Portugal 2

Sidney Borges
Que jogaço de bola, parecia que os convidados tinham combinado com o Dunga. No início do jogo ele estava sério, com a cara do Zangado. Saiu de campo aplaudido, sorrindo como o Feliz. Talvez imaginando a farrinha de logo depois com a Branca de Neve. Empreguinho garantido vale comemoração. Os portuga deixaram Kaká solto no meio do campo e deu no que deu. Seis azeitonas bacalhau abaixo. O ponto culminante da festa foi a volta triunfal do Massinha acenando para a platéia do "maca-móvel". Que maravilha. Teria sido emocionante se Pelé e Emerson Fittipaldi estivessem a bordo. Pela velocidade da máquina, estonteante, faltou Rubinho ao volante.

Opinião

Como está, fica

Editorial do Estadão
O presidente Lula resolveu manter a Esplanada dos Ministérios imune aos resultados do recente ciclo eleitoral: quem está ministro, anunciou, continuará até o fim do governo, salvo aqueles que pretendem se candidatar a cargos eletivos em outubro de 2010 e, pela lei, serão obrigados a entregar as suas Pastas até seis meses antes. Quem está fora, portanto, não entra. Com isso, cai por terra o plano de um rearranjo do Ministério pelo qual o PMDB, que desfila pelo Planalto os seus ganhos nas urnas municipais, estenderia as suas posses ao Ministério da Justiça, onde o petista Tarso Genro cederia o lugar ao colega da Defesa, o peemedebista Nelson Jobim, que por sua vez seria substituído pelo deputado Aldo Rebelo, do PC do B. (Um interessado no arranjo era o senador José Sarney. A Polícia Federal, subordinada à Pasta, apura “movimentações financeiras atípicas” do empresário Fernando Sarney, filho do cacique.)


A decisão presidencial é má notícia também para alguns dos prefeitos cujos mandatos terminam agora e que esperavam federalizar as suas carreiras. É o caso dos petistas Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, e João Paulo, do Recife. Ambos fizeram os seus sucessores e contavam com uma promoção a fim de se aprovisionar para o próximo pleito. Tampouco haverá prêmio, nesse caso de consolação, para Marta Suplicy, a candidata de Lula derrotada em São Paulo, a quem conviria regressar à Esplanada (ela foi ministra do Turismo). Quaisquer que sejam as suas ambições para 2010, ela terá de cultivá-las sem as benesses de uma chapa-branca.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 20 / 11 / 2008

Folha de São Paulo
"Fuga de dólar cresce; cotação vai a R$ 2,39"
No terceiro pregão seguido de alta, o dólar subiu 2,71% e alcançou R$ 2,39, sua maior cotação desde maio de 2006. A moeda americana acumula elevação de 10,65% no mês. Apesar dos mais de US$ 50 bilhões usados em intervenções neste ano, o Banco Central não consegue deter a depreciação do real. No pico de ontem, o dólar chegou a ser negociado a R$ 2,414. De agosto até ontem, a elevação é de 53%. Desde 2002, quando se valorizou 53%, a moeda americana não encerra um ano em alta. A apreciação tem ocorrido em meio ao aumento da saída de recursos do país. O governo anunciou que as remessas de dólares ao exterior superaram o ingresso de capital estrangeiro em US$ 877 milhões nas duas primeiras semanas do mês. No mesmo período de 2007, houve entrada líquida de US$ 3,182 bilhões.


O Globo
"Senado faz desafio a Lula e devolve MP de filantrópicas"
Após reiteradas queixas sobre o excesso de medidas provisórias editadas pelo governo, que trancam a pauta do Congresso, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), desafiou o presidente Lula e, num gesto inusitado, devolveu a MP 446, que renova o certificado de entidades filantrópicas suspeitas de irregularidades. Decisão semelhante só tinha ocorrido em 1989, mas a devolução na época foi cancelada pelo próprio Senado. Com apoio da oposição, Garibaldi disse que a MP é inconstitucional. O Planalto, por intermédio do ministro José Múcio Monteiro, reagiu dizendo que o ato é político e não previsto no regimento da Casa. O governo não editará outra MP e deixará a questão para o Senado resolver, disse o ministro: "Não estávamos preparados para um gesto deste, inusitado na relação entre os dois poderes." O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), recorreu da decisão de Garibaldi, que terá de ser aprovada pelo plenário.


O Estado de São Paulo
"Alta do dólar já pressiona indústria"
Os preços industriais subiram 16,36% e 12 meses até a primeira prévia do IGP-M de novembro, mostra a Fundação Getúlio Vargas. É o índice mais alto desde fevereiro de 2005. Para os responsáveis pelo estudo, a alta expressiva nos últimos dois meses se explica pela disparada do dólar - ontem, a moeda americana subiu 2,58%, fechando em R$ 2,385, o maior valor verificado desde maio de 2006. Como os preços do setor são menos voláteis, 2009 pode começar com inflação industrial pressionada no atacado - que representa dois terços da inflação atacadista, que por sua vez compõe 60% dos índices da FGV. Indústrias dependentes de insumos importados já negociam com fornecedores e pedem abatimento de até 30%, o equivalente à valorização do dólar nos últimos dois meses.


Jornal do Brasil
"Inflação volta a corroer salário"
Fantasma do passado e ameaça no presente, a inflação voltou a consumir os salários. Segundo o IBGE, a renda teve, em outubro, a maior queda desde janeiro de 2006 - e a principal responsável foi a aceleração dos preços exibida no período. A tendência leva economistas ouvidos pelo JB a preverem juros elevados nos próximos meses, caminho inverso dos EUA, que registraram a maior deflação de preços desde 1947. A queda generalizada avança também sobre a Europa, em decorrência da recessão. A boa notícia é que o desemprego no Brasil caiu mais uma vez, atingindo a segunda menor taxa da História.

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quarta-feira, novembro 19, 2008

Poemeu

Úmida e chata, muito chata...

Tal qual gillette deitada sobre mesa de fórmica

Sidney Borges

Vá-se embora chuva,
nos desobrigue de pagar mico...
vá molhar desertos,
irrigar catingas,
abastecer o velho Chico

Vade retro, dê o fora,
procure vazios e faça poças,
encha poços necessários,
deixe o sol brilhar,
não mofe meus armários...

Há limites. Chega chuva...
Pare de molhar meus ossos.

Isto é um aviso,
vá por bem,
ou irá por mal,
se houver insistência,
mantida a freqüência,
recorro à magia,
e no meio da rua,
deposito sal...

O Sol contente verá,
a chuva morrendo no poente...
e dirá altivo,
fora daqui teimosa umidosa.

Chega de chuva. Chô...

*Sidney Borges é escritor de província, proseador, não é poeta embora faça versos.

Música em Ubatuba


3ª Semana da Música de Ubatuba
Celebreiros Ubatuba
E já estamos indo para o 3º dia da nossa semana e mesmo com a presença descarada de São Pedro os shows estão rolando e as pessoas estão indo!!!
Confira a programação de hoje:
13h:00 - Oficina de Percussão
16h:00 - Oficina de Violão
20h:00 - Coral Prefeito Silvino
20h:15 - Projeto Coral
20h:30 - União Força Fé
21h:15 - Psycos Jam
22h:00 - Pracaniz
A bilheteria abrirá às 19h:30 - Ingressos R$ 5,00
Informações: (12) 9178.8452 - Patrícia
Vamos lá!

Conjuntura

Cinzento e nebuloso

Sidney Borges
Informo aos leitores que a minha capacidade de entendimento se encontra esgotada. Quando ouço ou leio a palavra "satiagraha" meus sentidos se revoltam e um "fade out" escurece tudo. Explico melhor, fui criado assistindo matinées no Savoy. Tenho na minha imaginação que o mal será derrotado. Hollywood não mente, mostra a vida como ela é. Naquelas doces tardes de domingo o mocinho montava um cavalo branco e estava sempre barbeado e penteado. No final se casava com a mocinha, bonitinha, eu até diria gostosinha, mas não ousava, era pecado. De saia rodada e rabo de cavalo. O vilão terminava por ser enviado ao inferno. Com a barba por fazer e os cabelos desgrenhados. Não havia segredos escusos. Nada de gravações e grampos. Estes, se porventura existissem, fixavam louras madeixas. Logo que o filme começava a gente sabia quem era quem. Bandido era bandido, estava na cara, mocinho era mocinho, também estava na cara, cavalo era cavalo, estava no fuço e a mocinha se chamava Nancy. Neste momento que o vulgo chama de atualidade tudo se me é confuso, não sei se torço para o De Sanctis, para o Protógenes ou para o Dantas. Cara de mocinho os três exibem, são perfumados e limpinhos, mas um é bandido, ou talver haja dois bandidos, ou quem sabe seja uma confraria de bandidos, ou na pior das hipóteses são todos mocinhos e eu estou ficando maluco. Que maledeto imbróglio se estabeleceu no mundo desde a queda do Muro de Berlim. Eu era feliz e não sabia, tinha certeza que um dos lados era melhor. Agora só há um lado e o Bush. Ideologia, preciso uma pra viver...

Coluna da Quarta-feira

Furto

Cinthia Sampaio Cristo
Olá a todos... Fui furtada esta noite (terça-feira), estava estudando na casa de uma amiga e ao sair encontrei o vidro do carro quebrado e o painel destruído para tirar o aparelho de som (incompleto, pois a “frente” do mesmo havia sido levada em outra oportunidade há seis meses).
Voltando para Diadema (estava na Pompéia) comecei a fazer um inventário de coisas que estavam no armário, digo, carro e ao chegar em casa fui fazer a conferência do “prejuízo”:
· Foram: vidro do passageiro, aparelho de som (parte de trás), amplificadores (acho que era isso que ficava embaixo do banco), estepe (esse eu não esperava), blusa rosa (?) e um maço de cigarros pela metade (esse eu deveria agradecer);
· Ficaram: No caminho de Swanm de Marcel Proust, A cidadela de A. J. Cronin e La Bodega de Noah Gordon. Blusa preta (?!), raquete de tênis e pasta com documentos.
Conclui que podia ter sido pior... A coluna desta semana teria outro conteúdo, mas a situação me desanimou e então me lembrei de Pasárgada... Segue Manuel Bandeira. Até semana que vem!


Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Opinião

Executivos mostram o rumo

Editorial do Estadão
Reunidos em Istambul, 47 executivos dos maiores grupos industriais com sede em 18 países da Europa cobraram dos governos maior ousadia e mais urgência na execução de políticas de combate à crise. As condições econômicas pioram rapidamente, segundo eles, e é preciso ir além das medidas propostas pelos chefes de governo do Grupo dos 20 (G-20) no último fim de semana, em Washington. Eles aprovaram essas propostas, mas apresentaram uma agenda mais detalhada e mais precisa para o combate à recessão, que já atinge várias grandes economias, e ao "crescente risco de deflação".

A pauta apresentada pelos 47 executivos exclui explicitamente políticas destinadas a subsidiar setores ou companhias em dificuldades. É um contraponto importante à discussão sobre a ajuda à indústria automobilística nos Estados Unidos e na Alemanha. O governo americano tem rejeitado os apelos para socorrer a General Motors e quaisquer outras grandes fabricantes de automóveis. Mas o debate continua aberto e, se nenhuma ajuda for decidida até o fim do ano, uma enorme pressão será exercida sobre o próximo presidente.

No Brasil, grande parte das ações anticrise continua voltada para a solução de problemas setoriais - da indústria automobilística, da construção civil e agora, segundo se anuncia, de fornecedores de equipamentos para usinas de açúcar e álcool. Pode haver bons argumentos a favor de cada uma dessas ações. Todos esses setores são importantes por mais de uma razão, mas outras áreas da economia também são relevantes e uma política de pronto-socorro pode custar muito e produzir muito menos resultados do que seria possível com o mesmo dinheiro.

Foco nas iniciativas é um dos pontos valorizados pelos 47 executivos. O maior desafio presente, segundo eles, é a oferta de crédito, e por isso os bancos centrais devem cortar os juros - onde ainda houver espaço para isso, é claro - rapidamente e com grandes avanços de cada vez. Também é preciso ampliar os estímulos fiscais, especialmente na maior economia da Europa, a Alemanha. O Pacto de Crescimento e Estabilidade da União Européia, lembram os autores da proposta, permite a ampliação dos déficits orçamentários em tempos de crise.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 19 / 11 / 2008

Folha de São Paulo
"JSerra propõe novo critério para promoção de servidores"
O governador de São Paulo enviou à Assembléia Legislativa projeto que prevê, entre outras mudanças a promoção dos servidores administrativos por meio de avaliação de desempenho -e não pelo tempo de serviço. A proposta afeta quase 55 mil funcionarios da ativa de secretarias e autarquias. Há no estado 777 mil servidores. O projeto tambêm prevê reajuste de 40% para trabalhadores que fizeram faculdade e pós-graduação. Se o projeto passar, o servidor será avaliado todo ano e a cada dois poderá concorrer a progressão na carreira. O governo diz que os critérios de avaliação serão em sua maioria objetivos e divulgado previamente. Para Jorge Luiz Grappeggia, diretor do Sindicato dos Servidores do Estado de São Paulo, o projeto contempla reividicação da categoria, ``que está hà muitos anos sem aumentos´´, mas precisa de vários ajustes.


O Globo
"EUA têm a maior queda dos preços desde 1947"
A recessão está trazendo à cena outro fantasma: o da queda generalizada de preços, conhecida como deflação. Nos EUA, o índice de preços no atacado caiu 2,8% em outubro. Foi o maior recuo desde o início da pesquisa, em 1947. A deflação ocorreu da queda de preços das commodities, como minérios, petróleo e grãos. Esses preços recuaram com a queda brutal da demanda. Mas não foi só. No mês passado também houve recuo nos preços na Alemanha, na França, em Portugal e em outros países da Europa. O grande temor é que a deflação reduza a rentabilidade das empresas, ameaçando empregos e realimentando a recessão. No Brasil, a alta do dólar anulou parte da queda de preços das commodities. O novo diretor-geral da Consumer International, Joots Martens, diz que a crise global favorece um consumo mais consciente.


O Estado de São Paulo
"PF já tem elementos para pedir nova prisão de Dantas"
O delegado Ricardo Saadi, novo responsável pelo inquérito da Operação Satiagraha, já dispõe de elementos para pedir a prisão do banqueiro Daniel Dantas, suspeito de crimes financeiros. Saadi recebeu da cúpula da Polícia Federal a tarefa de "desidratar" o relatório do delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso em junho, em meio a acusações de irregularidades e de ter produzido conclusões “subjetivas", questionáveis na Justiça. Desta vez, o pedido de prisão - que, se confirmado, será o terceiro da PF contra Dantas - deverá ser sustentado por um texto objetivo, com provas técnicas, acresci­das de fatos novos. Para a defesa do banqueiro, a nova solicitação "mostrará uma postura de justiça medieval".


Jornal do Brasil
"Crise freia a Petrobras"
A crise financeira e o preço do barril do petróleo forçaram a Petrobras a cortar projetos de exploração. Foram preservados apenas os empreendimentos capazes de ampliar a produção de óleo leve, aí incluídos os da camada pré-sal da Bacia de Santos, com maior valor de mercado. A empresa assegura, no entanto, que o adiamento não vai comprometer o país a curto prazo. O BNDES também prevê dificuldades: negocia com o Banco Central para garantir seus financiamentos.

terça-feira, novembro 18, 2008

Enchente no Sertão da Quina




Crianças são retiradas às pressas de escola por conta da subida do rio

Ezequiel dos Santos
Uma força tarefa realizada por funcionários, pais, moradores e voluntários retirou pelos fundos e por cima do muro crianças que estavam na Escola Municipal Anativa Fernandes Faria, no bairro do sertão da Quina.
A ação foi por conta do volume de água do Rio Maranduba que estava subindo muito rápido e poderia tomar a unidade escolar.
Segundo a direção da escola não houve maiores incidentes com crianças e funcionários, todos foram retirados com segurança e passam bem. Moradores se assustaram com a velocidade com que as águas iam subindo, por conta disto começaram a evacuar a escola.
O nível do rio subiu cerca de três metros em apenas vinte minutos, contam as testemunhas. A ponte de balanço não suportou a força da água e arrebentou.
Moradores mais velhos contam que não é a primeira vez que isto acontece, na década de 1960 e 1970 já ocorreram enchentes desta natureza só que com um volume de prejuízos ainda maior.
O morador Zeca Pedro lembra que uma das vezes a água chegou ao campo de futebol do bairro, cerca de 400 metros distante do rio, na época o local havia se transformado em praia de tanta areia e das roças existentes nada sobrou.
Desta vez não desceram troncos de árvores como daquela vez ”, comentou o morador.

Pizzaria Brasil

Presidente do TCE girou US$ 2 mi, dizem EUA

Por Lilian Christofoletti, na Folha:
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ao Ministério Público do Estado de São Paulo que o presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), Eduardo Bittencourt Carvalho, movimentou pelo menos US$ 2 milhões naquele país. A saída desses valores não foi declarada à Receita Federal.
Segundo o governo norte-americano, Bittencourt movimentou esses recursos no Lloyds TSB Bank, em Miami, e no Citibank, de Nova York. A Folha apurou que essas contas já foram esvaziadas e os valores remetidos para outros países, ainda não identificados. O salário de conselheiro do TCE paulista é, em média, de R$ 21 mil líquidos por mês. Em sua primeira e única manifestação sobre o assunto, em janeiro, Bittencourt informou em nota que as acusações contra ele "são suposições totalmente absurdas e até mesmo ofensivas", que nasceram de uma contenda judicial travada com a ex-mulher. Ontem, advogados dele afirmaram que, ao final das investigações, ficará provada a inocência do conselheiro vitalício do TCE.
Desde janeiro deste ano, após reportagem da Folha, Bittencourt é investigado por suposto enriquecimento ilícito, lavagem e evasão de divisas.
Hoje Bittencourt é alvo de dois inquéritos. Um civil, que apura suposto enriquecimento ilícito e improbidade administrativa (má gestão pública), presidida pelo procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Fernando Grella. Outro, criminal, que corre no Superior Tribunal de Justiça, sob a relatoria da ministra Laurita Vaz.
Os documentos dos EUA foram juntados ao inquérito civil. Cópias deverão ser remetidas ao procedimento criminal.
Os advogados de Bittencourt recorreram à Justiça para tentar impedir o uso dos documentos dos EUA na investigação do procurador-geral.
A defesa alegou que o tratado Brasil-EUA só prevê cooperação no âmbito penal (não cível). Criticou ainda o fato de a ajuda internacional ter ocorrido após um pedido de auxílio direto feito pelo promotor Silvio Marques, o primeiro a investigar o caso, sem passar pela Justiça brasileira.
Grella foi ao STJ e argumentou que o uso é válido, pois o Brasil e os EUA ratificaram a convenção da ONU contra corrupção, de 2003, conhecida como "Convenção de Mérida", que permite o intercâmbio de papéis em inquéritos civis e administrativos, desde que ligados a apuração de corrupção.
Na semana passada, foi quebrado o sigilo bancário e fiscal de Bittencourt. Responsável pela fiscalização e transparência de contas públicas, Bittencourt manteve sociedade com uma empresa "offshore" sediada num paraíso fiscal do Caribe. Segundo documentos da Junta Comercial paulista, em 2002, a "offshore" Justinian Investment Holdings Limited foi sócia do conselheiro na Agropecuária Pedra do Sol, fundada por Bittencourt em 1994.
O nome do verdadeiro proprietário da Justinian, aberta nas Ilhas Virgens Britânicas, é desconhecido -o sigilo é assegurado pelo paraíso fiscal. A Justinian e o conselheiro foram sócios de uma fazenda em Corumbá (MS), adquirida por R$ 1 milhão. A Procuradoria apura se a sociedade serviu para eventuais atividades ilícitas. O representante da Justinian era o hoje ministro do Supremo Tribunal Federal Eros Grau, que advogou até 2004. Não constitui ilegalidade ser representante de offshore. (Do Blog de Reinaldo Azevedo)

Nota do Editor - Conversa mole essa que o paraíso fiscal garante sigilo. Se a justiça realmente tiver interesse há escritórios especializados em desvendar segredos. O preço é alto, mas não há sigilo inviolável. Será que vai dar em alguma coisa toda essa movimentação? Sinceramente não acredito. Posso mudar de idéia, mas penso ser mais fácil o oceano Atlântico secar do que algum corrupto desse naipe se dar mal. (Sidney Borges)
 
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