sábado, agosto 30, 2008

Comunicado

Aos companheiros do Partido Verde de Ubatuba

Georg Mascarenhas
Venho tornar público, nos termos em que encaminhei minha carta à Comissão Executiva e, principalmente, dar satisfação aos companheiros do PV de Ubatuba, do meu pedido de AFASTAMENTO TEMPORÁRIO como membro da Comissão Executiva Municipal do partido, desde o dia 27 de julho pp. até o término do próximo pleito eleitoral municipal.
Nesta oportunidade, desejo manifestar que estou convicto de ter tomado a decisão correta pautado nos princípios que sempre definiram a minha posição pessoal; também princípios políticos, éticos, não meramente interesses partidários, mas, ideológicos e de clara identidade com seus propósitos. O confronto que venho travando, para constituirmos uma sociedade realmente consciente das suas responsabilidades sociais e para com o meio ambiente e o respeito por nossa cidade e pelas pessoas, não poucas vezes me têm decepcionado.
A política me cativa quando posso ver através dela a realização desses objetivos. A repudio entretanto, quando a percebo manipulada.
Desejo nas próximas eleições melhor destino para nossa cidade.
Ubatuba, 5 de agosto de 2008.
Respeitosamente,
Georg Mascarenhas

wgeorg@yahoo.com.br

Clique sobre a imagem e saiba mais

Palavras

Palavra do Dia: ENTREVISTA (en.tre.vis.ta)

Uma das práticas mais comuns do jornalismo atual é a exibição e a publicação de entrevistas.
A palavra “entrevista” tem sua origem na junção de “entre” com “vista”, e formou-se a partir da palavra inglesa ‘interview’.
O termo designa o diálogo conduzido por um repórter com determinada pessoa com o fim de realizar um material jornalístico sobre o entrevistado, ou sobre tema da especialidade dele. Além disso, a palavra também é usada para designar a matéria já concluída e publicada/exibida. Também entende-se como “entrevista” o encontro para avaliar profissionalmente determinada pessoa, como na frase “amanhã tenho uma entrevista para aquele emprego que eu sempre quis.”


Definição do dicionário Aulete Digital

ENTREVISTA (en.tre.vis.ta)
Substantivo feminino.
1 Jorn. Diálogo conduzido por um jornalista com o fim de realizar matéria sobre a pessoa escolhida ou assunto de sua especialidade.
2 Jorn. A matéria resultante.
3 Encontro formal para avaliar uma pessoa profissionalmente ou obter informações, esclarecimentos: O candidato ao emprego estava seguro na entrevista.
4 Conversa entre duas ou mais pessoas em lugar determinado.
[Formação: entr(e)-+ vista, sob infl.do ing. interview. Hom./Par.: entrevista (sf.), entrevista (fl. de entrevistar.]

Estados Unidos

O Eddie Murphy político

Diogo Mainardi
John McCain tem o cabo eleitoral perfeito: Vladimir Putin. O cálculo é simples: cada metro quadrado que a Rússia arranca da Geórgia equivale a um eleitor amedrontado a mais que John McCain arrebanha nos Estados Unidos. Se é para guerrear, é melhor ter um presidente guerreiro. Vladimir Putin fez uma campanha porta a porta, derrubando as portas dos georgianos com seus tanques e, candidamente, cabalando votos para John McCain. Algumas semanas atrás, Barack Obama reuniu mais de 200 000 pessoas em outra porta, a de Brandemburgo, em Berlim. John McCain, que imediatamente saiu em defesa dos georgianos, talvez conseguisse reunir uns 2 000 refugiados no pátio de uma fábrica de fertilizantes em Tbilisi. Foi pensando nisso que ele realizou o sonho secreto de todos os homens casados do planeta e despachou sua mulher, Cindy, para a zona de guerra. O melhor conselho que Cindy McCain teria a dar ao presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, seria renunciar às camisas lilases.
Se John McCain pode contar com um cabo eleitoral do peso de Vladimir Putin, Barack Obama tem de refrear o apoio de celebridades como Bruce Springsteen, Bon Jovi e Ben Affleck. A campanha de John McCain avacalhou Barack Obama, rotulando-o como uma estrela deslumbrada com o próprio sucesso. A imagem colou porque ele sempre soou pomposo demais, cabotino demais, ensaiado demais. Até para reclamar do aumento da gasolina ele usa o método Stanislavski.
O fato é que ninguém sabe quem é Barack Obama. Nem ele sabe. Ele é o que os outros desejam que ele seja. Sim, Barack Obama é o primeiro candidato negro da história dos Estados Unidos. Mas, dependendo da platéia, ele pode metamorfosear-se em branco, como o herói de nossa gente, Macunaíma. Barack Obama é meio Grande Otelo, meio Paulo José. Ele se apresenta de um jeito na selva e do jeito oposto na casa de Venceslau Pietro Pietra. Barack Obama, mais do que eleitores, tem devotos. Barack Obama simboliza o novo. Mas, em queda nas pesquisas eleitorais, ele aceita a tutela de um velho e escolhe Joe Biden para ser companheiro de chapa. Um velho cujo único atributo, além de ter superado uma gagueira sessenta anos atrás, é a reconfortante velhice de suas idéias.
Barack Obama foi trombeteado como um candidato capaz de superar as barreiras ideológicas, sociais e raciais dos Estados Unidos e – ajoelhai-vos! – do mundo. Para tentar sustentar essa impostura, ele passou a interpretar uma multiplicidade de papéis, trocando de fantasia a toda hora, como Eddie Murphy naquelas suas comédias rasteiras, que deram o tom a este artigo. Agora isso mudou. A unicidade de Barack Obama, cada vez mais, parece esconder somente uma constrangedora vacuidade. Quanto mais etéreo ele é, mais prático e terreno se torna John McCain. Aos 72 anos, basta ele fazer de conta que ainda está vivo, lembrando-se de respirar a cada 35 minutos. É por isso que ele poderá ser eleito: ocasionalmente, ele respira. (Trem Azul)

Ubatuba em foco

Recursos humanos na Educação Municipal – 2001-2004

Corsino Aliste Mezquita
“Iniciamos 2001 com apenas 15 (quinze) escolas organizadas como unidades de despesa e possibilidade de possuir diretor. O número de alunos atendidos pela Secretaria era de 7.300 (sete mil e trezentos). Encerramos 2004 com 13.000 (treze mil) alunos atendidos, 32 (trinta e duas) escolas organizadas como unidades de despesa e com seus gestores nomeados em plena atividade.
Providências as mais diversas tiveram que ser tomadas para acompanhar o crescimento com soluções urgentes e viáveis. Entre elas podemos citar:
a) Municipalização de professores da Rede Estadual que ficavam adidos com a municipalização dos alunos. Municipalizamos 65(sessenta e cinco), ao todo, e desse número, estão trabalhando 54 (cinqüenta e quatro). Nove aposentaram e dois solicitaram a desvinculação da Secretaria.
b) Nomeação de alguns professores (11 –onze) remanescentes do concurso realizado em 1998, e nomeação, em fevereiro de 2001, de PEB II para os cargos oferecidos em 2000, ao apagar as luzes da administração anterior.
c) Criação de 150 (cento e cinqüenta) funções de Professores Adjuntos e legislação apropriada para sua contratação.
d) Criação de 80 (oitenta) cargos de PEB I, 15 (quinze) cargos de Educação Física PEB II e 15 (quinze) cargos de Educação Artística PEB II.
e) Criação de 5 (cinco) cargos de Diretor de Escola e 5 (cinco) cargos de Vice-Diretor de Escola.
f) Realização de concurso em 2001 para Professor de Educação Básica I –PEB I e chamamento dos aprovados até o n° 159.
g) Realização de prova seletiva para adjuntos, em 2002, tanto para PEB I, como para PAEB II de todas as disciplinas do Núcleo Comum e do Ensino Profissionalizante e chamamento dos classificados.
h) Realização de concurso, em 2004, para o cargo de Auxiliar de Serviços Infantis.
i) Realização de concurso, em 2004, para os cargos de Educação Física, PEB II, Educação Artística, PEB II e Geografia, PEB II.
j) Convocação de número igual de classificados que de vagas existentes para escolha de seus cargos em novembro de 2004, após concurso de remoção, de PEB I, PEB II, de Educação Artística, Geografia e Auxiliar de Serviços Infantis.
Todos os profissionais aqui relacionados tiveram cursos de formação em serviços –PEC- de 72 (setenta e duas) horas por ano nos exercícios de 2002,2003, e 2004, que bastante influenciaram na qualidade de ensino e no aperfeiçoamento dos processos educacionais e nos procedimentos pedagógicos.
O treinamento de Diretores, Vice Diretores e Supervisores foi realizado em ambiente retirado para que os profissionais não ficassem dispersos com outros afazeres ou preocupações.
Dirigentes, Professores e Auxiliares de Serviços Infantis, foram treinados por professores especialistas da UNITAU, da Fundação ORSA e por outros especialistas, professores e doutores em recursos humanos.
A todos aqueles que conosco trabalharam contribuindo para o sucesso dos programas educacionais e das ações da Secretaria deixamos aqui nosso agradecimento pessoal e o testemunho de que as coisas só dão certo quando todos e cada um cumprimos com nosso dever profissional e de cidadania”.
VIVA UBATUBA!. Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

Preconceito no caminho de Obama

Editorial do Estadão
O mundo inteiro sabe que o Partido Democrata fez história ao se tornar a primeira grande agremiação política dos Estados Unidos a escolher um negro como candidato à presidência do país. Mas disso praticamente não se falou nos quatro dias da convenção nacional que referendou por aclamação o nome do senador Barack Hussein Obama. E ele nem sequer mencionou o ineditismo de sua candidatura no discurso de 45 minutos para uma platéia compacta de 80 mil pessoas em um estádio de Denver, Colorado, com que encerrou, em clima de apoteose, o espetáculo histórico da aceitação da sua candidatura. Do começo ao fim dessa convenção, os democratas usaram a tática do subentendido.
Programaram a convenção para que o seu ponto culminante coincidisse com os 45 anos da legendária manifestação pelos direitos civis na qual Martin Luther King descreveu o seu sonho de igualdade racial para 200 mil pessoas reunidas no centro de Washington. Obama, naturalmente, evocou na sua oração o I have a dream de Luther King. Não aludiu, porém, ao que o motivou. Como vem fazendo desde quando, no que parecia uma aspiração irreal, passou a disputar a indicação democrata à sucessão do presidente Bush, preferiu transmitir aos americanos uma mensagem de unidade - juntos, disse, "nossos sonhos podem ser um".
A estratégia do partido e do candidato de isolar a questão racial da campanha eleitoral se conjuga com a deliberação de inculcar na América branca a idéia de que será apenas normal a Casa Branca vir a acolher os Obamas - uma família típica americana, como a apresentou no palco da convenção democrata a mulher do candidato, Michelle, ao lado das filhas Malia e Sasha. Uma coisa e outra demonstram a preocupação com a influência raramente explícita do preconceito nas decisões de voto, se não da maioria dos eleitores brancos, de uma minoria capaz de fazer a diferença nos Estados em que, por isso mesmo, Obama foi amplamente batido nas prévias por Hillary Clinton.
Leia mais

Manchetes do dia

Sábado, 30 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Marta lidera; Ackmin pára de cair"
Após ter caído oito pontos percentuais na pesquisa Datafolha da semana passada, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, manteve seu percentual em novo levantamento, realizado ontem. A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) lidera a disputa com 39%, contra 24% de Alckmin e 16% de kassab. Marta oscilou negativamente dois pontos, enquanto Kassab variou dois pontos para cima. Como a margem de erros é de três pontos, para mais ou para menos, o cenário é estável. A nova pesquisa traz dados favoráveis ao prefeito, que deve disputar com Alckmin uma vaga no segundo turno contra a petista. Entre eles, o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, cita a queda do índice de rejeição a Kassab (de 32% para 26%) e o aumento do nível de aprovação à sua administração (44%). O prefeito também subiu quatro pontos entre o eleitorado de menor renda, no qual tanto Marta quanto Alckmin registraram perdas.


O Globo
"Candidata presa por crime eleitoral vai para solitária...mas continua livre para pedir o seu voto"
A Polícia Federal realizou ontem a mais incisiva ação contra a coação eleitoral imposta pelas milícias no Rio. A Operação Voto Livre, que mobilizou 230 agentes, prendeu 13 pessoas, incluindo a candidata a vereadora Carminha Jerominho (PTdoB), filha do vereador Jerominho (PMDB) e sobrinha do deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido), ambos já presos por envolvimento com milícias. Carminha e mais dez presos foram transferidos para uma prisão de segurança máxima no Paraná, onde ela ficará sob regime disciplinar diferenciado: em solitária, só terá duas horas para banho de sol e não receberá visitas. Beneficiada pela legislação, ela poderá, no entanto, continuar pedindo votos no horário eleitoral. Os presos responderão por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e curral eleitoral. Um delegado responsável pelo processo que levou à demissão de Jerominho da Polícia Civil foi baleado na Tijuca.


O Estado de São Paulo
"Alckmin cai mais e Kassab sobe em SP, aponta Ibope"
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), ganhou 4 pontos percentuais, chegou a 12% das intenções de voto e foi o único candidato a subir, segundo pesquisa do Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo. Com isso, Kassab reduziu para 10 pontos a diferença em relação ao tucano Geraldo Alckmin, que perdeu 4 pontos e foi para 22%. A petista Marta Suplicy continua à frente da disputa em São Paulo – ela oscilou 2 pontos pra baixo e tem 39%. Paulo Maluf (PP) permanece com os mesmos 9% que apresentou nas duas pesquisas anteriores. O novo levantamento reflete o efeito dos primeiros dez dias de propaganda eleitoral no rádio e na TV.


Jornal do Brasil
"Falta de motoristas pára carros da PM"
A presença de veículos da PM em pontos estratégicos da Zona Sul não é só questão de “visibilidade”, como a corporação define. Os carros, novos, estão imobilizados por falta de policiais com carteira de habilitação. Ontem, a reportagem do JB encontrou três carros baseados na Avenida Atlântica, em Copacabana, trancados e sem agentes por perto. Do Leme a Ipanema, havia efetivo só na cabine em frente ao Copacabana Palace. A PM nega prejuízo ao patrulhamento, mas puniu soldados que se afastaram dos carros.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Mistério sempre há de pintar por aí....

Em Ubatuba o impossível acontece

Emilio Campi
A Justiça, consultada, não autorizou a Associação Comercial de Ubatuba – ACIU a promover reuniões individuais com os candidatos ao cargo de Prefeito, somente se fosse um debate com todos ao mesmo tempo. Depois de anunciado, a Justiça também não homologou um debate na ACIU.
Agora, a Justiça, não homologa debate que seria promovido pela Diocese de Caraguatatuba, a mesma que realizou debates com os candidatos a prefeito em Ilhabela e São Sebastião, sem levar em consideração que a Pastoral da Fé realizou eventos semelhantes em Ubatuba em pleitos anteriores.
Louvável a preocupação da Justiça com a democracia, não é? O que pode em outras cidades, é impossível para Ubatuba!
Viva a liberdade de expressão! Viva a “demo-cracia”! Vida longa ao “rei”!
Emilio Campi

editor@litoralvirtual.com.br

Domingo no Faustão, não perca!


Clique sobre a imagem para ampliar

Ubatuba em foco

1 – SEDE DA SECRETARIA

Dando continuidade a “PRESTANDO CONTAS- 2001-2004” transcrevemos o que foi relatado sobre a Sede da Secretaria de Educação.

Corsino Aliste Mezquita

“Encontramos a sede da Secretaria em situação deplorável tanto no prédio, nos seus arredores, nos pátios internos, nos equipamentos e materiais e no funcionamento de alguns dos serviços a serem prestados através dele. Foi um impacto negativo. Procuramos supera-lo gradativamente resolvendo a problemática aos poucos.
Não podíamos aceitar aquela situação. Para nós a Sede da Secretaria deveria ser o coração, o pulmão, o cérebro de toda a estrutura educacional e, esse centro, precisaria ser bonito, elegante, confortável, acolhedor, humano e que, no visual, indicasse que a Educação era tratada com respeito, com carinho, com grandeza por ser o serviço mais importante a ser prestado por uma administração.
Mesmo que por razões como o prédio estar parcialmente ocupado por outras secretarias e por falta de tempo e recursos, não tenhamos conseguido realizar tudo o que desejaríamos, a Sede da Secretaria foi reformada, urbanizada, enfeitada e equipada com novos novéis e recursos necessários a seu bom funcionamento. Cabos e terminais de informática e telefonia foram instalados em todas suas salas.
Os novos ocupantes da Secretaria Municipal de Educação encontrarão em seu interior:
a) Auditório mobiliado e equipado para atender as constantes reuniões que nele são realizadas;
b) Oficina pedagógica para atender professores e funcionários;
c) Sala de Informática para treinamento;
d) Móveis novos em todas as salas;
e) Nova central telefônica;
f) Computadores novos em todas as repartições da Secretaria (Oficina Pedagógica, Sala da Secretaria, Administração, Supervisão, Conselho Municipal de Educação, Manutenção, Transportes, Merenda , etc);
g) Notebook, Filmadora, Máquinas de fotografias digitais, Multimídia, TV, Vídeo, DVD, Equipamentos para transportar esses materiais para eventos fora da Secretaria, etc.
h) Uma Parati, Um Gol e uma Saveiro para uso da Secretaria e dos serviços próprios de seus funcionários.
Todos esses recursos, a preocupação de todos e cada um para que nada faltasse e que prejudicasse a realização dos serviços, criou um ambiente de amizade, entrosamento, colaboração de uns com outros, alegria e satisfação por estar trabalhando para a educação, e fizeram da Secretaria e de todos que trabalhamos, no prédio, uma família extensa, vivendo em clima de paz, harmonia e preocupação constante para produzir serviços de qualidade e atendimento a todos com delicadeza, simpatia e um sorriso nos lábios. As escolas foram contagiadas por esse ambiente de simpatia e alegria. Um banner na recepção dá as boas vindas a todos e os convida a olharem no espelho e sorrirem”. (SIC) Clima da Secretaria. Ano 2004.
VIVA UBATUBA!. Sem dengue e sem caluniadores.

Sites de campanha

TSE adia julgamento sobre internet nas eleições

O Tribunal Superior Eleitoral adiou, na tarde desta quinta-feira (28/8), julgamento do Mandado de Segurança que pede a suspensão dos artigos 18 e 19 da Resolução 22.718/08. A norma fixa que a propaganda eleitoral só será permitida em página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral. A página pode ser mantida até a antevéspera da eleição, no dia 3 de outubro.
O julgamento, que estava agendado para a noite desta quinta, agora deve ocorrer na próxima sessão do TSE, marcada para terça-feira (2/9). A ação foi ajuizada pelo portal iG. Para o portal, a Resolução vai de encontro ao que acontece na Europa e nos Estados Unidos e ainda impede que a internet no Brasil seja um espaço político livre e plural.
De acordo com o iG, a Resolução, além de não permitir que os candidatos façam campanha com ferramentas como Orkut, YouTube, e-mails e mensagem de celular, proíbe a venda de espaços publicitários na internet.
O diretor-presidente do iG, Caio Túlio Costa, diz que a Resolução é um flagrante desrespeito à liberdade constitucional de expressão. “A legislação afronta os princípios da rede, que apontam para um ambiente livre e sem restrições de informação”, diz.
A Justiça Eleitoral ainda não tem posição pacífica sobre a questão. O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, lembrou em entrevista à revista Consultor Jurídico, no entanto, que a internet foi ignorada pela Constituição. “Não é mídia nem imprensa pela legislação”, define Britto, que preferiu não detalhar casos concretos. Segundo ele, o TSE irá se manifestar em cada um deles.
Mas o fato de a Constituição não ter regras específicas sobre a internet e de o TSE ter decidido se manifestar caso a caso, sem criar uma lista de normas, indica que essa ferramenta eleitoral eletrônica terá uso mais amplo.
O deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG) chegou a formular uma Consulta sobre propaganda por e-mail, em banner, blog, link patrocinado, comunidades de relacionamento e outras ferramentas da internet. Em junho, no entanto, o TSE esquivou-se da pergunta e rejeitou a Consulta. “Essa Consulta é uma armadilha”, disse o ministro Joaquim Barbosa, na ocasião.
Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2008

Palavras

Palavra do Dia: CONVENÇÃO (con.ven.ção)

Durante a última semana, ocorreu a convenção do Partido Democrata dos Estados Unidos, que aclamou o nome do senador pelo Estado de Illinois Barack Obama como candidato a presidente do partido nas eleições que acontecerão em novembro próximo.
O substantivo feminino 'convenção' tem sua origem no latim, 'conventio, onis'.
A palavra designa um encontro de pessoas em um mesmo local para discutir determinado tema de interesse comum, assim como também pode designar um conjunto de regras combinado por uma associação, ou a atribuição de significados e interpretações a certos sinais, situações etc., para que sejam entendidos da mesma forma por todos, igualando os comportamentos.


Definição do dicionário Aulete Digital:

CONVENÇÃO (con.ven.ção)
Substantivo feminino.

1 Encontro de pessoas reunidas para discutir assuntos de interesse comum; CONGRESSO; CONFERÊNCIA.
2 Pol. Reunião dos membros de um partido político realizada com o propósito de escolha de candidatos ou de determinação da posição do partido frente a certos temas.
3 Conjunto de regras adotadas a partir de uma combinação ou acordo prévio: A convenção do condomínio proíbe festas na garagem.
4 O que é acatado por uso ou costume social em um grupo, comunidade ou sociedade.
5 Aquilo que somente ganha sentido ou valor após uma combinação prévia: O sinal vermelho é a convenção usada para indicar que se deve parar.
6 Técnica, prática ou recurso adotado por certa atividade ou por certo meio profissional.
7 Jur. Acordo entre duas ou mais partes referente a um fato específico
[Plural: -ções.]
[Formação: Do latim 'conventio, onis'.]

Ficção nada científica

Vote certo, vote consciente! Como?

Julinho Mendes
Se eleito for vou transformar a educação, vou tirar a saúde da UTI, vou gerar mais campo de trabalho, vou priorizar o turismo, vou resgatar a cultura, blablablá, blablablá, blablablá... Que beleza! Parece até que Deus vai ser prefeito e vereador em Ubatuba. São assim os discursos dos nossos e dos outros candidatos nos horários políticos que começam a ecoar pelas rádios da cidade e na televisão. Toda eleição é a mesma ladainha, o mesmo papinho, a mesma baboseira.
O prefeito que aí está já não falou isso antes? O ex-prefeito que aí está já não falou isso antes do antes? Os novos que aí estão já não ouviram isso antes do antes do antes? Então?
O cúmulo da razão é que todos tem razão. A educação tá uma caca, a saúde doente, o trabalho faltando, o turismo falido, a cultura acabando e os blablablás enchendo o bolso dessa turma toda, e nós aqui com cara de penico assistindo e ouvindo tudo isso de novo. De novo não, de velho!
Será, meu Deus, que não tem um candidato que fale sinceramente para nós? Como por exemplo:
- Se eleito for, vou deixar a educação do mesmo jeito, pois povo ignorante é mais fácil de lidar. Se eleito for, a saúde continuará na UTI porque assim os governos do Estado e Federal mandam sempre dinheiro para nós. Se eleito for, o trabalho será o cabidão da Prefeitura! Se eleito for, turista continua tomando cachaça nos quiosques e mijando no mar! Se eleito for, cultura importo de fora porque dá menos trabalho. Se eleito for, vou apadrinhar ex-vereadores, presidentes de associações de bairros, aconchavar diversos partidos políticos, vou torná-los todos meus cabos eleitorais para me reeleger...
Será meu Deus, que não aparecerá unzinho apenas que tenha essa sinceridade e falar a verdade para nós?
Aaaaaah, pare aí! Lembrei agora. Estou sendo injusto. Hoje, Deus colocou um homem dessa sinceridade em meu caminho, ou melhor, na minha frente, dentro de um fuscão velho, com uma caixa de som em cima, parado na luz vermelha do semáforo da Professor Thomaz Galhardo, ele tocava um jingle mais ou menos assim: “Sou cachaceiro sim, mas não sou ladrão!”.
Ma-ra-vi-lho-so! Pronto! Era o que eu mais queria ouvir de um político: a sua sinceridade.
Estão vendo só como tem gente honesta e sincera nesta cidade? Mas... Ei! Venha cá! Quero te falar baixinho: “Estamos num mato sem cachorro. Ou até pior, sem cachorro, com cobras, ratos, veados e lagartos.”
Vote certo, vote consciente! Como?

Charge - Néo


Do Blog do Noblat

Brasil

Mais impostos em 2009

Editorial do Estadão
O brasileiro terá de pagar mais tributos no próximo ano para sustentar o governo federal. O anúncio foi feito pelo próprio governo, quinta-feira, ao enviar ao Congresso a proposta da lei orçamentária de 2009. Segundo o projeto, a receita de impostos e contribuições será 13% maior que o último valor estimado para este ano. O crescimento previsto para a economia é menor do que isso. De acordo com a previsão oficial, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentará 10,53% em termos nominais, isto é, calculado a preços correntes. A fatia entregue ao Tesouro e à Previdência passará, portanto, de 24,83% para 25,38% do valor dos bens e serviços produzidos no País. Em outras palavras, cada brasileiro vai dedicar uma parcela maior de suas horas de trabalho ao custeio da máquina e das operações do poder central.
As despesas com pessoal e encargos aumentarão 16,5%, infladas por salários maiores e por novas contratações, e passarão de 4,63% para 4,87% do PIB. Mais dinheiro para a folha de pessoal não significará, necessariamente, mais e melhores serviços ao contribuinte. O quadro tem crescido seguidamente e o resultado, até agora, tem sido apenas um aumento de custos para os cidadãos. Não há por que esperar novidade quanto a isso. O governo editou neste ano quatro medidas provisórias com aumentos salariais para o funcionalismo e mais duas serão editadas, em breve, segundo anunciou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Tudo isso já está embutido na proposta de lei orçamentária. O efeito financeiro será diluído nos próximos anos, até 2012, quando todas as parcelas de aumento estarão em vigor. O impacto na folha de salários será de R$ 9,9 bilhões neste ano e chegará a R$ 39,5 bilhões no segundo ano de mandato do próximo presidente. Será uma herança especialmente lamentável, porque os gastos com pessoal estão entre os menos flexíveis do orçamento.
Leia mais

Opinião

Um drama que vem embalado

Washington Novaes
A campanha eleitoral na TV e no rádio mostra, principalmente nos grandes centros urbanos, uma temática semelhante, que quase se resume às questões dos transportes, da violência, da educação e da saúde. Quase não está presente nas propostas e discussões a questão dos resíduos, do lixo. E, no entanto, é das mais graves que enfrentam as cidades, das mais populosas às menores. Convém relembrar que já em 2002 eram coletadas 230 mil toneladas diárias só de lixo domiciliar e comercial no País (1,3 quilo por pessoa/dia), sem falar em resíduos de construções (mais que o domiciliar e comercial), lixo industrial, de estabelecimentos de saúde, lixo tecnológico e - ausência absoluta - lixo rural produzido principalmente pelos excrementos de mais de 200 milhões de cabeças de gado bovino, dezenas de milhões de suínos, bilhões de aves. Pouco se sabe também de quanto lixo urbano não é coletado. Fala-se em mais de 10 mil toneladas/dia. E em mais de metade dos municípios todos os resíduos vão para lixões a céu aberto.

Para demonstrar a gravidade da situação basta relembrar que a cidade de São Paulo está com seus aterros esgotados e terá de definir, em curtíssimo prazo, onde depositará as pelo menos 14 mil toneladas diárias de lixo domiciliar e comercial que gera. Curitiba também esgotou seu aterro. Belo Horizonte tem de mandar seu lixo para dezenas de quilômetros de distância. O Rio de Janeiro, que não tem área no município para colocar suas 9 mil toneladas diárias de resíduos e esgotou o Aterro de Gramacho - onde já há trincas perigosas e expulsão do lodo da base (era um manguezal) por causa do excesso de peso acumulado -, tenta licenciar outro aterro em Paciência. Convém lembrar ao eleitorado de todas essas cidades o que aconteceu em Nova York (EUA), que deixou esgotar seu aterro e tem de mandar 12 mil toneladas diárias para mais de 500 quilômetros de distância, em caminhões. Ou em Toronto (Canadá), que também manda 3 mil toneladas diárias para mais de 800 quilômetros de distância, em trem diário especial. A custos astronômicos.
Não bastasse o volume do lixo, é preciso acrescentar que a reutilização e reciclagem de materiais no País é muito insuficiente. As estatísticas dizem que só se reciclam em empresas 45,5% (2,8 milhões de toneladas/ano) do papel e papelão descartados, 45% do vidro, 24,2% das embalagens longa-vida (9,2 bilhões), 1 milhão de toneladas de plásticos e 95% das latas de alumínio. As usinas públicas de reciclagem paulistanas operam com menos de 1% do lixo total. E a esse panorama assustador veio, há poucas semanas, agregar-se mais uma preocupação: a liberação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do uso de embalagens de PET para acondicionar alimentos e bebidas. Hoje, quase 50% do PET usado no País já não é reciclado. E se toda a produção de cervejas no País (9 bilhões de litros/ano) passar a ser envasada em PET, serão descartados entre 14 bilhões e 18 bilhões anuais de garrafas - agravando o problema dos aterros e das embalagens não recolhidas, já que não há retorno e reutilização. Não se sabe ainda como se resolverá juridicamente a questão de haver sido concedida pela Justiça Federal, em Marília (SP), medida que exige aprovação, pelo Ibama, de estudo de impacto ambiental para essa utilização do PET em cervejas.
Leia mais

Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Serra propõe banir cigarro em SP"
Na véspera do Dia Nacional de Combate ao Fumo, o governador José Serra enviou à Assembléia projeto de lei que bane o cigarro dos ambientes coletivos fechados, públicos ou privados. Se a lei passar, em todo o Estado só será permitido fumar ao ar livre ou em casa. Os deputados devem aprovar a proposta ainda neste ano. A infração à lei pode custar até R$3,2 milhões aos recintos. Não há previsão de multa a fumantes, mas se houver insistência, a lei ordena intervenção policial. A nova lei, no entanto, libera o fumo de pacientes em hospitais sob prescrição médica. Também fica liberado em charutarias, o que abre brecha para bares e restaurantes, por exemplo, classifiquem-se como tabacarias para burlar a lei. Médicos julgam a proposta positiva por, entre outros motivos, evitar danos à saúde de fumantes passivos e incentivar combate ao vício. Segundo a Associação de Bares e Restaurantes, a proibição será prejudicial ao setor.


O Globo
"Deputado do PT denunciado por chefiar milícia em favela"
O Ministério Público denunciou à Justiça o deputado e policial civil licenciado Jorge Luiz Hauat, o Jorge Babu, o primeiro petista acusado de chefiar uma milícia. Com ele, mais dez foram processados, entre os quais um tenente-coronel da PM. Babu não teve pedida a prisão porque só pode ser detido em flagrante. A sexta reportagem da série Favela S/A revela um total de 180 políticos que transformaram favelas do Rio em currais eleitorais. Entre eles, pelo menos dois – o vereador Jorge Pereira (PtdoB) e sua mulher, a deputada estadual Graça Pereira (DEM) – fazem assistencialismo com recursos da prefeitura. A polícia apresentou Leandrinho Quebra-Ossos, acusado de ser um dos matadores da quadrilha que seria chefiada pelo deputado Natalino, já preso.


O Estado de São Paulo
"EUA crescem acima do previsto e aliviam mercado"
A divulgação de dados sobre a economia dos Estados Unidos aliviou os analistas e mercados. O Departamento de Comércio americano informou que, em termos anualizados, o PIB do país cresceu 3,3% no segundo trimestre de 2008. A primeira estimativa apresentada pelo governo era de 1,9% e a projeção dos economistas ficava em 2,7%. O movimento foi provocado sobretudo pela ampliação das exportações, mas também porque os consumidores americanos passaram a gastar mais. No primeiro trimestre deste ano, a economia dos EUA tinha crescido 0,9%. No último trimestre de 2007, no auge da crise das hipotecas imobiliárias, o PIB recuara 0,2%. Na avaliação dos economistas, os últimos resultado mostram que começaram a produzir efeito as injeções de dinheiro feitas pelo governo americano na economia. As bolsas americanas, européias e a Bovespa subiram. Análise – E a recessão?

Celso Ming
Agora se vê que depressão de espíritos nem sempre contamina a economia real.

Jornal do Brasil
"Justiça deixa Crivella e Jandira sem Lula na TV"
O TRE do Rio proibiu, em caráter liminar, os candidatos Marcello Crivella (PRB) e Jandira Feghali (PCdoB) de usarem a imagem ou o áudio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no rádio e na TV. O pedido foi feito pela coligação de Eduardo Paes (PMDB) e pelo PT de Alessandro Molon. Lula só poderá aparecer nos programas petistas.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Crônica

O fim da teoria do leão

Luis Fernando Veríssimo
Os números finais das Olimpíadas costumam provocar o que pode ser chamado de sociologia de resultados. Surgem teses sobre as causas sociais e políticas de triunfos e fracassos e a quantidade de medalhas ganhas passa a ser um medidor de virtudes nacionais. Mas, como toda sociologia instantânea, esta tem dificuldade em lidar com o que não é óbvio. É óbvio que ganham mais medalhas os países mais bem alimentados e ricos, que podem investir mais em esportes e preparação de atletas.
Se uma Cuba ganha medalhas em desproporção ao seu poderio econômico e à sua dieta alimentar, a explicação também é óbvia. Países socialistas tradicionalmente usam o esporte como propaganda, seu investimento desproporcional é na competição ideológica. Mas outras exceções ao óbvio desafiam as teses. E muitas vezes levam a fantasias, como a teoria do leão.
Sociólogos de ocasião desenvolveram a tese de que o sucesso de atletas africanos em corridas de fundo devia-se ao fato de terem se criado num ambiente em que poder fugir do leão era condição para a sobrevivência. Uma condição que se sobrepunha a todas as outras. O leão predador, claro, quando não era um leão de verdade, era uma metáfora para todos os perigos da floresta que obrigavam as pessoas a terem pernas ligeiras, e agilidade para não morrer.
Havia vestígios da teoria do leão na velha idéia de que a ascendência africana explicava a habilidade dos brasileiros para o futebol, que ninguém no mundo igualava. Qualquer jogada do Pelé teria, entre os seus antecedentes remotos, um meneio para escapar do leão.
A teoria do leão, que é uma teoria sobre a inevitabilidade, pois diz que um certo tipo de ambiente só pode produzir um certo tipo de atleta, sofreu um duro golpe quando apareceu, numa Olimpíada de inverno, aquela equipe de trenó — da Jamaica! A importância do leão na vocação para o futebol é desmentida cada vez que se vê um Messi fazer em campo o que se esperava que o Ronaldinho fizesse. E se ainda fosse preciso um dado para mostrar como a teoria do leão é furada, basta lembrar que o país que tem a maior costa contínua e algumas das piores estradas do mundo produz mais campeões de automobilismo do que de natação.
Não fomos tão mal assim nas Olimpíadas. Nos casos em que poderíamos ter ido melhor, perdemos para o nosso emocionalismo. E ganhamos de todos nas categorias choro convulsivo e lamentação em equipe. No fim — esta é a minha teoria — os Jogos Olímpicos são entre os de sangue quente e os de sangue frio. Os de sangue frio ganham sempre, mas os de sangue quente são muito mais simpáticos. (Do Blog do Noblat)

Francoise Hardy - Voila - 1967

Não me ufano!

Internet livre: portaria do TSE é censura. E é inconstitucional!

Reinaldo Azevedo
Uma coisa importante, que nos diz respeito de perto, será debatida hoje no Tribunal Superior Eleitoral: a liberdade de expressão na Internet. Faço algumas considerações prévias importantes até chegar ao mérito. Ah, sim, espero que o ministro Ayres Britto considere que nós todos também somos índios. Vamos lá.
O Brasil tem uma Lei de Imprensa estúpida, de 77 artigos, feita em 1967, durante a ditadura, e que está caduca desde a Constituição de 1988. Por quê? Porque essa lei prevê, entre outras coisas, a censura, o que é vetado pelos artigos 5º e 220 da Carta. E não é só. Ela tem um conjunto de flagrantes incompatibilidades com o texto constitucional. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) levou a questão ao Supremo, e o ministro Ayres Britto (sim, o mesmo da Raposa...) fez a coisa certa: concedeu uma liminar declarando sem efeito 16 artigos integrais e partes de outros quatro. Mesmo assim, sobrou muito entulho nos outros 57... Mas isso fica para outra hora.
Pois bem. A Lei de Imprensa não tem sido, por conta da Constituição, empecilho importante à liberdade de expressão. O inimigo da hora é a Resolução 22.718, do Tribunal Superior Eleitoral – que, santo Deus!, é flagrantemente inconstitucional. E digo por quê.
Observem o que dizem estes incisos do artigo 5º da Constituição:
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
Agora vejam este trecho do artigo 220:
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.Não é mesmo coisa de país civilizado? É sim. A barbárie da censura nos chegou, vejam só, não via Lei de Imprensa, mas justamente por intermédio da Resolução 22.718. É aquela que levou alguns juízes eleitorais a multar jornais por terem publicado entrevistas com candidatos: a resolução chama entrevista de “propaganda”.
No caso da Internet, o que dispõe a portaria? Leiam trechos:
Art. 18. A propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral.
Art. 19. Os candidatos poderão manter página na Internet com a terminação can.br, ou com outras terminações, como mecanismo de propaganda eleitoral até a antevéspera da eleição (Resolução nº 21.901, de 24.8.2004 e Resolução nº 22.460, de 26.10.2006).
§ 1º O candidato interessado deverá providenciar o cadastro do respectivo domínio no órgão gestor da Internet Brasil, responsável pela distribuição e pelo registro de domínios (www.registro.br), observando a seguinte especificação: http://www.nomedocandidatonumerodocandidato.can.br, em que nomedocandidato deverá corresponder ao nome indicado para constar da urna eletrônica e numerodocandidato deverá corresponder ao número com o qual concorre.
§ 2º O registro do domínio de que trata este artigo somente poderá ser realizado após o efetivo requerimento do registro de candidatura perante a Justiça Eleitoral e será isento de taxa, ficando a cargo do candidato as despesas com criação, hospedagem e manutenção da página.
§ 3º Os domínios com a terminação can.br serão automaticamente cancelados após a votação em primeiro turno, salvo os pertinentes a candidatos que estejam concorrendo em segundo turno, que serão cancelados após esta votação.

Voltei

Como se vê, a vocação legiferante e burocratizante do Brasil deixa as especificações do Levítico no chinelo. É impressionante! Essa estrovenga tem servido de pretexto para cassar da Internet, especialmente do Orkut, páginas de simpatizantes deste ou daquele candidatos, mas também algumas outras que nada mais fazem do que debater as eleições. Em qualquer caso, trata-se de um absurdo. Ora, eleição é justamente um dos momentos de celebração da democracia. Como compatibilizar o que vai acima com o que está escrito na Constituição?
O TSE estabeleceu para a Internet as mesmas restrições que vigoram paras TVs, também elas caducas e, entendo, inconstitucionais. No capítulo VI, proíbe-se:
III – veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido político ou coligação, a seus órgãos ou representantes (Lei nº 9.504/97, art. 45, III);
IV – dar tratamento privilegiado a candidato, partido político ou coligação (Lei nº 9.504/97, art. 45, IV);
V – veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debatespolíticos (Lei nº 9.504/97, art. 45, V).

Só parece...

Parece razoável? Pois é. Só parece. Afinal de contas, o que significa exatamente veicular uma “opinião favorável”? Se afirmo que Kassab investiu R$ 1 bilhão no Metrô e que Marta não investiu nenhum tostão, muitos dirão, como já disseram, que é opinião favorável ao democrata. Mas isso é só um fato. O que significa dar “tratamento privilegiado” ou fazer uma “alusão dissimulada”? Isso abre terreno para as interpretações as mais estúpidas.
Nada, nada mesmo!, dessa porcaria censória é necessária. Não faz sentido ficar especificando como as pessoas devem exercer a liberdade de expressão e opinião. Que exerçam como quiserem. E que respondam na Justiça por aquilo que disserem. É assim que se faz na democracia. A portaria 22.717 tenta censurar o pensamento para evitar que as pessoas caiam em tentação.
É uma aberração! É inconstitucional. Ayres Britto é o atual presidente do TSE. Contamos com ele. Ministro, nós também somos índios. Também somos homens bons! Garanta-nos o que já nos garante a Constituição. (Reinaldo Azevedo)

Podcast

Correr nu pelo gramado

Diogo Mainardi
Mauro Covacich é o melhor romancista italiano. Ou um dos melhores. Algum tempo atrás, ele largou sua mulher por outra. E resolveu escrever um livro sobre o assunto, contando todos os detalhes do episódio. Inclusive usando o nome real dos protagonistas. Ele fez como aqueles ingleses que arrancam a roupa e, perseguidos por meia dúzia de policiais, correm pelados pelo gramado durante um jogo do Manchester United, com o estádio lotado, até conseguir agarrar Cristiano Ronaldo. Despir-se publicamente foi a maneira mais dolorosa que Mauro Covacich encontrou para expiar seu pecado. Cobrir-se de vergonha. Expor-se ao escárnio coletivo.
Alguém deveria editar os livros de Mauro Covacich no Brasil. Recomendo com entusiasmo. Este último se chama Prima di Sparire, e foi publicado pela Einaudi. Aqui, no podcast, pretendo tratar apenas de uma de suas páginas, a 165, que se refere diretamente a mim. Mauro Covacich é um grande amigo meu, dos tempos em que eu morava na Itália. Ele veio nos visitar no Rio de Janeiro em 2003, no Ano Novo. Fez uma matéria sobre a posse de Lula para o Corriere della Sera, que eu tentei contaminar com uma série de comentários debochados e preconceituosos. Numa das passagens do livro - e estou chegando onde eu pretendia chegar, só falta mais um tantinho -, Mauro Covacich recorda sua viagem ao Brasil. Em particular: os sanduíches de filé com queijo e meu filho mais velho, aquele que tem paralisia cerebral (Sim, eu também já corri pelado pelos campos de futebol, exibindo alegremente minha intimidade, embriagado de felicidade, ziguezagueando para escapar de meus perseguidores).
Na página 165, Mauro Covacich cita expressamente meu filho, Tito, e pergunta a sua mulher:
- Você se lembra da pena que sentíamos daquele menino?
Pena? Eu olho para minha mulher, e minha mulher olha para mim, e nós olhamos para nossos filhos, tanto um quanto o outro, o primeiro com paralisia cerebral e o segundo sem paralisia cerebral, e dizemos em perfeita sincronia:
- Como é que alguém pode sentir pena dele?
Esse é um dos aspectos mais espantosos de se ter um filho como o nosso. Nada nele provoca pena. Nada mesmo. Ele é um homenzinho seguro de si, contagiosamente alegre, independente, cheio de idéias próprias. Mas os sentimentos das pessoas acabam barateando a realidade. Eu sempre tratei os sentimentos, todos eles, com um certo desprezo. Os sentimentos tortos despertados por nosso filho só fortaleceram isso. Em meu caso, correr nu pelo gramado, com meu filho no cangote, à procura de Cristiano Ronaldo, teve esse efeito salutar: me treinou a ignorar o grito passional e confuso da arquibancada. (Do Trem Azul)

Clique sobre a imagem e saiba mais

Política

PTB critica programa de Alckmin e racha no PSDB

Em reunião na segunda-feira, partido aliado lavou "roupa suja" e cobrou uma participação efetiva de Serra na campanha do ex-governador

Ana Paula Scinocca
A crise na campanha tucana em São Paulo já respinga no PTB, principal aliado, a quem coube a indicação do vice, Campos Machado, na chapa encabeçada por Geraldo Alckmin. Uma reunião para "lavar a roupa suja" ocorreu em São Paulo, na última segunda-feira. No encontro, que contou com a presença de alguns interlocutores de Alckmin, petebistas reclamaram da divisão no PSDB e da "falta de qualidade" do programa tucano no horário gratuito da TV.

Um dos caciques do PTB, o senador Romeu Tuma afirmou que a divisão do PSDB - que de um lado apóia Alckmin e do outro sustenta a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) - "desidratou" o candidato tucano. "O PTB está sendo o soro. Nossa militância está agindo na esperança que o pessoal do PSDB, que desidratou o Alckmin, acorde e pare com isso", disse o senador ao Estado.
Para Tuma, a campanha de Alckmin tem claros sinais de que "a divisão está consistente". "Embora o Serra tenha aparecido no programa de Alckmin uma vez, ele continua ao lado do Kassab. É uma clara demonstração de que a divisão está consistente", lamentou. "O PTB está trabalhando firmemente, apesar de só estarmos na coligação da campanha majoritária. Está todo mundo bastante engajado na campanha do Alckmin."

AUSÊNCIA

Outras lideranças do partido compartilham o diagnóstico. Para eles, é preciso que o PSDB se una, sob o risco de Alckmin sair derrotado da campanha à Prefeitura de São Paulo, o que traria prejuízos ao partido na próxima eleição presidencial. Cobram ainda "juízo" do governador José Serra.Para convencê-lo a aderir à campanha de Alckmin, os petebistas só aguardam uma conversa com Serra, que já chegou ao Brasil após viagem ao Japão e a Londres. Vão enviar mensagens de que ou o governador ingressa na campanha ou já pode se considerar derrotado em 2010. Ele é o principal nome do PSDB para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, daqui a dois anos.
Leia mais

Palavras

Palavra do Dia: DESBLOQUEIO (des.blo.quei.o)

Na última semana, uma operadora passou a promover gratuitamente o desbloqueio de determinados aparelhos de telefone celular , mesmo que tenham sido comercializados por uma operadora concorrente. Sua ação é a continuação de uma política adotada pela empresa, contrária à venda de aparelhos bloqueados.
A palavra “desbloqueio” é um deverbal (substantivo originado de um verbo) de 'desbloquear', por sua vez junção do prefixo 'des-' (negação, desfazimento) com o termo “bloquear”, oriundo da palavra francesa ‘bloquer’.
“Desbloqueio” designa a ação ou o resultado de retirar um bloqueio, uma restrição, um impedimento.


Definições do dicionário Aulete Digital para "desbloqueio" e "desbloquear":

DESBLOQUEIO (des.blo.quei:o)
Substantivo masculino. 1 Ação ou resultado de desbloquear. [ Antôn.: bloqueio]
[Formação: Derivado de “desbloquear” Hom./Par.: desbloqueio (sm.), desbloqueio (fl. de desbloquear).]
DESBLOQUEAR (des.blo.que.ar)
verbo transitivo direto.

1 Livrar de bloqueio, de obstrução; DESIMPEDIR: desbloquear uma estrada/uma artéria
2 Acionar (o que estava parado, mobilizado ou interrompido): desbloquear um mecanismo
3 Permitir acesso a (o que estava bloqueado): O banco desbloqueará sua conta imediatamente.
4 Suspender o embargo a (nação, país etc.)
5 Psi. Desfazer o bloqueio emocional a
[Formação: des - + bloquear. Hom./Par.: desbloqueio (fl.), desbloqueio (sm.).]

Convite


Clique sobre a imagem para ampliar

Ubatuba em foco

Recordar é viver

Corsino Aliste Mezquita
Estes dias de campanhas políticas acirradas e, em alguns casos, carregadas de paixões e irracionalidades, são propícios, a promessas irrealizáveis, calúnias ao passado e apropriação de realizações de terceiros como se do candidato fossem.
No intuito de evitar o esquecimento do realizado no passado, considerando a importância de que cada um possa se orgulhar do que realmente fez e a necessidade de preservar a memória histórica, para avaliar o presente e preparar e programar o futuro, publicaremos, por capítulos, o relatório elaborado pela equipe da Secretaria Municipal de Educação, da administração 2001-2004. Relatório publicado, no jornal “A CIDADE”, de 11-12-04, às páginas 10 e 11, sob o título: “EDUCAÇÃO – Prestando contas”.
À época o relatório tinha por finalidade registrar a evolução positiva da Educação Municipal e promover o registro histórico das realizações que com esforço, dedicação e bom uso do dinheiro público, tinham acontecido. Realizações que superaram todas as administrações anteriores e que, na atual, não tem chegado a cinqüenta por cento, mesmo com orçamentos maiores e havendo recebido dois prédios orçados, com projetos aprovados e áreas desapropriadas e licenciadas para construção.
Neste primeiro artigo publicaremos a introdução e a indicação dos assuntos que farão parte das publicações posteriores.

“Prestando contas”

“Estamos encerrando o mandato 2001-2004. Neste período administramos os destinos da Educação Municipal e nos consideramos no dever de apresentar um relatório sucinto das realizações da Secretaria e das Escolas a título de prestação de contas à comunidade e a nossos sucessores na administração da Prefeitura e da Secretaria.
Terá que ser um relato breve para não aborrecer o leitor com detalhes e números intermináveis.
Também para não ocupar grandes espaços do Jornal A Cidade que tanto tem colaborado conosco sempre que dele precisamos. Dividiremos nossa prestação de contas em tópicos. Os tópicos que pretendemos desenvolver são:
1 Sede da Secretaria.
2 Recursos humanos.
3 Programações pedagógicas.
4 Conservação e ampliação da Rede Física.
5 Merenda escolar.
6 Transporte escolar.”

Na transcrição seremos fieis ao que foi escrito e publicado à época. Caberá ao leitor comparar com as realizações posteriores e tirar conclusões.
VIVA UBATUBA!. Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

A ampliação da modernização da Justiça

Editorial do Estadão
Depois do sucesso alcançado pelo "pacto republicano" firmado - após a aprovação da Emenda Constitucional (EC) nº 45 de 2004 - pelos presidentes dos Três Poderes para acelerar a reforma infraconstitucional do Judiciário, a área jurídica do governo quer repetir a dose. Envolvendo quase 20 projetos de lei, o acordo de quatro anos atrás permitiu a aprovação pelo Legislativo, em tempo recorde, de importantes reformas na legislação processual. Foram extintos recursos, encurtados prazos, fundidas etapas judiciais e acelerada a execução das sentenças, propiciando com isso mais rapidez na tramitação dos processos.
A idéia, agora, é ampliar essas mudanças, dando-se, por exemplo, aos mecanismos extrajudiciais de resolução de litígios competência para tratar das chamadas "matérias coletivas", como defesa do consumidor e disputas previdenciárias. Pendências sobre essas matérias abarrotam as instâncias inferiores das Justiças estaduais e federal. A proposta do governo, que tem o apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é permitir que os litígios de massa sejam encerrados em comissões de conciliação, o que descongestionaria o Judiciário.
Outra medida anunciada pelo secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, é ampliar a prerrogativa dos juízes de primeira instância, também para reduzir o excessivo número de processos sobre "matérias coletivas". Pela proposta, caso se deparem com uma grande quantidade de processos sobre um mesmo tema, os juízes poderão suspender sua tramitação e pedir ao Ministério Público que as reúna numa única ação. A decisão dada a essa ação valerá automaticamente para todas as demais.
Leia mais

Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Relator apóia índios contra arrozeiros"
Relator do caso da reserva indígena Raposa/Serra do Sol (Roraima) no Supremo Tribunal Federal, o ministro Carlos Ayres Britto votou no julgamento do STF pela total retirada de não-índios da região. Ele votou também pela manutenção da demarcação de forma contínua. Carlos Alberto Direito, que votaria a seguir pediu vista do processo, interrompendo o julgamento. Não existe prazo para que Direito apresente seu voto,mas ele deverá respeitar pedido do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, para fazê-lo neste semestre. A demarcação da Raposa/ Serra do Sol opõe de um lado o governo federal, índios e ONGs, que querem a manutenção do decreto que definiu a reserva numa área contínua de 1,7 milhão de hectares; do outro, arrozeiros que plantam na reserva.Em seu voto, Ayres Britto se pautou pela defesa dos direitos do índios, disse que eles não podem pagar o preço de possível omissão do Estado na segurança, exaltou o respeito dos indígenas pelo ambiente e citou de Tiradentes a Garrincha.


O Globo
"Gastos públicos crescerão mais que economia em 2009"
O projeto da lei do Orçamento da União para 2009 prevê aumento de gastos em proporção maior que o crescimento da arrecadação de Impostos. As despesas obrigatórias subirão 13,1%, chegando a R$ 455,9 bilhões. Já a receita líquida crescerá 12,5%. Só com o funcionalismo serão gastos R$ 155,3 bilhões, equivalente a 5% do PIB, o maior do governo Lula. O reajuste previsto para o salário mínimo é de 11,98%, elevando-o para R$ 464,72. A proposta mostra aumento da carga tributária, que atingirá 25,38% do PIB. O ministro Paulo Bernardo disse que o governo optou por uma projeção conservadora do aumento do PIB, de 4,5%. A alta da inflação e dos juros, combinada com a desvalorização do dólar, levou o setor público a gastar R$ 18,7 bilhões (33% a mais) só em julho como pagamentos de encargos da dívida.


O Estado de São Paulo
"Governo gasta R$ 106,8 bi com juros"
Prefeituras, Estados e o governo federal gastaram, de janeiro a julho, R$ 106,8 bilhões com o pagamento de juros aos credores da dívida pública. É a primeira vez que, nos sete meses iniciais do ano, o custo dos juros supera os R$ 100 bilhões. O valor registrado neste ano representa um aumento de 14,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados divulgados ontem pelo Banco Central confirmam também que a arrecadação de impostos não pára de crescer e continua a garantir o chamado superávit primário – balanço de receitas menos despesas, excluídos gastos com juros. Quando o peso dos juros é incluído na conta, chega-se a uma déficit nominal, indicador a que o Ministério da Fazenda pretende dar maior ênfase a partir de 2010. Nos sete primeiros meses de 2008, o resultado nominal é de R$ 8,6 bilhões negativos. Apesar disso, o déficit acumulado no ano é 35% menor do que de janeiro a julho de 2007 e o mais baixo para o período desde 1993. “O resultado é bastante razoável, até elevado”, avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.


Jornal do Brasil
"Jovens fogem das urnas"
As eleições deste ano no Rio vão contar com o menor número de eleitores entre 16 e 17 anos desde de 1992 – apenas 0,6% do total. No Brasil, no mesmo período, o número de eleitores desta faixa etária, cujo voto é facultativo, caiu quase à metade. A tendência de evasão das urnas, verificada duas décadas depois de os jovens conquistarem o direito ao voto, é creditada ao desencanto com os políticos e os partidos.

Ilhabela


Enviado por Sandra Maria Colaferri (clique sobre a imagem para ampliar)

quarta-feira, agosto 27, 2008

Astronomia

Duas Luas?

Olá Sidney, estava olhando o Ubatuba Víbora hoje quando me deparei com o "recadinho" Duas luas amanhã, achei estranho, pois já havia um boato como esse em 2003, em que marte estaria do tamanho da lua, algo impossível de acontecer devido à distância dos dois. Até porque se isto acontecesse alteraria a órbita terrestre e criaria ondas fantásticas. De acordo com o texto publicado no site do Terra, o que vai acontecer é que Marte irá chegar ao ponto mais próximo da Terra em quase 60 mil anos. Isso vai acontecer às 6h51, hora de Brasília, quando o planeta vermelho estará a menos de 55,76 milhões de quilômetros de distância, segundo os astrônomos. Contudo, não pense que verá Marte do tamanho da Lua. Mesmo tão perto, a olho nu o planeta vermelho não parecerá muito diferente de uma estrela de brilho intenso. De fato, ele parecerá maior e muito mais brilhante do que normalmente, mas, a grosso modo, terá o tamanho aparente de uma cratera lunar. Com um telescópio potente, o planeta tomará, no máximo, o tamanho de uma uva, segundo a Sociedade Brasileira para o Ensino de Astronomia (SBAE). A última vez que houve tamanha proximidade entre os planetas vizinhos foi em 12 de setembro de 57617 a.C.. Naquela ocasião, Terra e Marte estiveram a 55,72 milhões de quilômetros, ou seja, 40,2 mil quilômetros mais perto do que em 2003. O fenômeno de aproximação só vai se repetir em 28 de agosto de 2287.

Visualização do fenômeno

A Sociedade Brasileira para o Ensino de Astronomia (SBAE) recomenda que os interessados em visualizar o fenômeno procurem observatórios ou telescópios potentes, já que com binóculos ou telescópios caseiros não será possível ver muito do planeta. Em locais com pouca nebulosidade, será possível ver as calotas polares de Marte através de alguns telescópios. A SBAE recomenda ainda que a visualização seja feita à noite, aproveitando o contraste do brilho do planeta com a escuridão do céu. http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,6752,OI133566-EI302,00.html

Um grande abraço dos amigos Allan e Simone

Política

A pouca margem de manobra dos municípios

Bruno Lima Rocha
É parte constitutiva da campanha eleitoral nos municípios uma série de promessas absurdas feitas por candidatos a vereadores. Sem nenhuma conotação elitista, reconheço o problema como muito sério. Para contribuir no debate, inicio aqui uma série de artigos a respeito dos limites já existentes para a gestão dos municípios. Começo pela maior das camisas de força, a Lei Complementar Federal No. 101 de 4 de maio de 2000, também conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Entendo que existem aspectos negativos na LRF, e estes não são poucos. Mas, neste artigo, apenas ressalto seus pontos que vejo como positivos. Na gíria, a LRF amarra os municípios, para o bem e para o mal. Isto porque os obriga a gastar no máximo 60% de sua receita corrente líquida com a folha de pagamento de pessoal. Deste montante, 54% vão para o Executivo municipal e os outros 6% a ser repartido no Legislativo e com o Tribunal de Contas do Município (quando este existir). Prevendo as tentações de alienação de patrimônio público por parte de prefeitos com ânsias privatizantes e problemas de caixa, a LRF tem uma precaução. Há um dispositivo que impede a alienação de patrimônio público para cobrir folha, já que os recursos conseguidos com a privatização não podem ser aplicados para cobrir salário. Ou seja, a municipalidade pode se endividar, mas não vender o pouco que têm.
A simples existência de uma Lei assim é interessante porque impede gastanças e "trens da alegria" tão conhecidos dos brasileiros. Também é positivo constar na LRF a previsão de transparência total. Qualquer cidadão ou entidade da sociedade civil pode ter acesso às contas do Chefe do Executivo durante todo o mandato. Se o direito é exercido ou não, ou se as contas apresentadas são inteligíveis para a maioria dos munícipes, é outro tema. Apenas a capacidade de exigir a abertura de contas é uma quebra com o tradicional mandonismo dos políticos locais. Outro dado a favor da lei é a responsabilização legal sobre os ordenadores de despesa. Todo e qualquer gasto público tem um CPF que o assina e por este se encarrega. Eis o porquê de a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal operarem sobre terreno fértil na punição de desvios municipais.

Leia mais

Crônica

Olhos de cais

Marcelo Mirisola*
Já havia abandonado uma ilha que tinha nome de mulher, abandonei uma cabeleireira que foi meu piçirico e que morreu de Aids nos anos noventa, o gosto por lugares bregas e queijinhos derretidos, havia abandonado uma vida de miojo e casa de praia e até uma gata rajada, Ana C., que morava na churrasqueira dessa casa, eu abandonei; jamais tive vocação para ser enseada, eu tinha de ir antes de eu mesmo virar uma carcaça de cavalo abandonado numa praia deserta – ao sabor das ondas, não. De jeito nenhum. Traí a paisagem e também abandonei amigos queridos e equivocados, e a impressão era de que os havia gastado, tanto as situações como os lugares, lugares onde eu havia imaginado passar o resto dos meus dias, acabaram para mim, sumiram da mesma forma que apareceram, e quando eu usufruía deles, era sincera e displicentemente para sempre; assim, consegui trapacear dois diabos quando enganava a mim mesmo, e também levei uma escuna a pique, eu sei que afundou, juro!, mas eu estava longe, nem o ocaso da escuna, nem Ana C., a gata abandonada na churrasqueira, nem o beijo que ganhei de uma cega no ponto de ônibus, nem a solidão dos demônios abandonados na encruzilhada, nada havia sido o suficiente para me segurar, sempre parti e os bares quebravam quando eu já tinha dado o pinote, desavisado, eu, o mochileiro metafísico, seguia o caminho e até dos crimes que cometi ao longo dessa jornada fui absolvido, por desatenção, sim, inclusive havia cumprido várias penas, e havia me regenerado somente para poder reincidir em crimes muito mais graves, e seria condenado do mesmo jeito: sem me dar conta, inopinado, alheio (como se isso fosse possível, como se não fosse comigo); para mim, bastava jogar minhas tralhas na mala e partir, assim deixei para trás o pior e o melhor dos meus dias, e escrevi tudo isso para esquecer de mim mesmo ou para zerar as coisas e começar tudo outra vez. Eu era um Sísifo em estado de graça e debochado, e sempre tive uma péssima memória. Esse era o meu salvo-conduto, o caminho estava aberto, e eu podia seguir em frente. Também fui abandonado, bom que se diga. Até nesse momento (sem saber) eu seguia meu caminho, porém parti a contragosto, e percebi – pela primeira vez – que a coisa era comigo, afinal.

A lista de abandonos é imensa, quase sempre fruto da escolha sabida e antecipada de antemão, não só da minha parte, mas também da escolha dos outros que me deixaram no meio do caminho. Vários abandonos, aliás, frutificaram desses enganos – aqueles de encontros que jamais deviam acontecer – e que mereciam mesmo ser deixados na poeira dos dias e esquecidos para sempre, como foram. Embora tivesse frutificado. Tive encontros que eram continuidade desses abandonos, e partidas que eram prenúncio de novos abandonos. Mas isso tudo tinha uma razão de ser. Esse “ir” – eu acreditava – existia em razão de dois grandes encontros.

Ou dois equívocos. O primeiro encontro foi marcado com o garoto triste que cavalgava faxineiras, e olhava para baixo. Ele sabia (mas não tinha como auferir) que um dia se transformaria em seu próprio carrasco, ou biógrafo, tanto faz. Esperou trinta anos. E fez a parte dele: assassinou quem mais amava, e a si mesmo, e enfim, encontrou o adulto que desde cedo o envelhecia e o assombrava impiedosamente. O garoto pressentia que nessa ocasião fecharia o ciclo, e morreria em paz. Estava enganado, claro. Encontrou comigo. Virou um fantasma da própria assombração, e sua condenação foi não ter morrido. Pobre garoto. A partir daí apostou/apostamos todas as nossas fichas no segundo encontro. E aqui não dá para deixar de ser brega, patético e açucarado. Mas é o fato: eu sempre fui, eu “ia” e vou?... ao encontro de um grande amor. Éramos, eu e o garoto, somados a uma fraude que tinha de ser vivida, e, no limite, tinha de ser provada até os estertores de um novo equívoco.

A diferença é que agora não mais acertaríamos as contas com fantasmas e fraudes consumadas, teríamos alguém de verdade no meio do caminho para abandonar. Uma coisa que me perguntei, e que o leitor deve estar se perguntando agora é o seguinte: como é que eu podia saber que dessa vez era mesmo de verdade?

Vou fazer um pequeno parêntese (quase um hai cai) e tentar ser o mais ululante possível. Ela fritou rabanadas pra mim no Natal de 2006. Entenderam?

E tem/ou tinha os olhos de cais: desde a primeira vez que a olhei, vi a despedida que me denunciava em seus olhos, aqueles olhos que Vinícius de Moraes tão bem descreveu: “Que olhos os teus/ São cais noturnos, cheios de adeus (...) quantos saveiros, quantos navios, quantos naufrágios, nos olhos teus”.

**********

O restaurante quase vazio. Apenas eu, um garçom careca que dobrava guardanapos, e um casal de namorados à minha frente. Pensei na letra do Vinicius, e tentei em vão afastar João Bosco, que interferia na paisagem. Mas era tarde demais, e a interferência não era tão descabida assim – nesse momento divisei luzes vermelhas sobre bóias amarelas: uma espécie de sinalizador em alto-mar, que afinal cumpria sua função. Orientar os afogados. Tive a convicção de que estava irremediavelmente perdido naquele restaurante. Triste como tinha de ser porque estava num cais que só existia em função da despedida que eu havia inventado para mim mesmo. Várias imagens me ocorreram. Um veleiro bêbado que partira e que havia me deixado em vão, sem um cais para voltar. Em seguida, eu era a própria onda e a espuma da minha memória. Sem lastro, e com o cardápio na mão. Isso tudo e mais gaivotas suicidas que se espatifavam nas vidraças do Planeta’s, o restaurante em questão – na esquina da Augusta com a Martinho Prado.

O casal de namorados à minha frente. Os dois se bicavam o tempo inteiro, um passava manteiga no pão do outro, maior grude. Pensei: “Vai acabar”. Depois vão se aborrecer, e aí – se houver amor mesmo – amanhã o sujeito vai estar aqui na minha cadeira, e a mulher de preto terá ido embora, de táxi. E então, num lugar não tão distante, o fantasma da mulher, linda e de óculos escuros, fará perguntas tolas a si mesma. Perguntas distraídas, que por breves momentos de entorpecimento serão trocadas por um sapato caríssimo parcelado em cinco vezes no cartão de crédito. Mas era entorpecimento, não era felicidade. Isso quer dizer que, se não fosse a cara de besta que ensaiaria na hora de pedir um musse de chocolate para a mocinha do outro lado do balcão, ela quase poderia se dar por satisfeita. Um lindo sapato numa sacola cheia de compras. O que mais uma mulher poderia querer? Ora, o lugar-comum. A felicidade, e mais um musse de chocolate.

Claro que ela não ia obter nenhuma resposta às perguntas tolas que fez a si mesma. Nesse momento – no terceiro musse – remoeria saudades e um bocado de mágoas. Se houvesse amor e se houvesse beleza, as mágoas seriam quase proporcionais às saudades, acho que sim.

Ah, Cacá. E lembrei da última vez que jantamos naquele mesmo restaurante, curiosamente na mesma mesa em que o casal – entre um pão com manteiga e uma azeitona – se mordia feito dois chimpanzés.

Naquela ocasião, lembro como se fosse hoje, Cacá me cobrara: você nunca mais falou aquilo. “Aquilo” o quê? Do que será que ela reclamava?

Nós – nem em momentos de febre alta – havíamos passado manteiga um no pão do outro. A única coisa parecida foi o mel que Cacá despejara no meu waffles de chocolate. Se bem me lembro, ela estragou a parte preferida do meu café da manhã. O que ela queria ouvir ?

---- Você é um charlatão – me acusou.

Fiquei todo orgulhoso de ser acusado de “charlatão”. Mas o que ela queria ouvir?

Cadela, putinha... abre as pernas que eu vou te arregaçar? Te amo?

Nada disso. De modo que fui igualmente generoso nos xingamentos e nos mimos, até chegar a um ponto em que meu repertório praticamente esgotou-se. Nesse ponto, ela foi enfática: “Lembre-se que você é um cara romântico, mas não é melado”.

Ah, claro que sim, a tatuagem. A frase gravada bem ali no último ossinho do cóccix. A frase que eu – assim, sem querer – havia falado junto ao pedido de outro waffles: “Por favor, garçom, traz outro waffles para mim: ‘quem ama não pechincha’”.

O fato de eu ter lembrado disso na hora que vi o fulano reclamando da conta, me sugeriu um belo e definitivo e inapelável final de caso para eles. Desejei pôr-do-sol e gaivotas para o casal.

--- Os olhos teus são cais noturnos, cheios de adeus.

Em seguida, para contemplar o naufrágio do casal que afundava bem ali na minha frente, chamei o garçom e perguntei o resultado do jogo do bicho, e ele – já prevendo outro naufrágio – me sugeriu mais uma garrafa de vinho. Só se for tinto e seco, respondi.

E pensei comigo mesmo: podia ser a última.

*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Palavras

Palavra do Dia: BAFÔMETRO (ba.fô.me.tro)

Recentemente, entrou em vigor a lei que proíbe conduzir veículos sob efeito de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas. Para coibir essa prática, agora proibida, a utilização do bafômetro tornou-se o principal aliado da fiscalização.
A palavra "bafômetro" é um neologismo popular. Origina-se da palavra "bafo", que designa o ar que sai dos pulmões pela boca, hálito, geralmente associado ao mau odor, com o sufixo "metro", que remete à noção de medida.
O termo, então, passou a designar o aparelho que mede a concentração de álcool no sangue a partir do hálito.


Definição do dicionário Aulete Digital:

BAFÔMETRO (ba.fô.me.tro)

Substantivo masculino.

1 Bras. Pop. Aparelho que mede o grau de concentração de álcool no organismo por meio do ar expirado pela boca. [Formação: bafo + -metro]

Angra 3

Eletronuclear propõe uso de cápsulas de aço

Para resolver o problema dos rejeitos atômicos gerados pelas usinas nucleares -, maior gargalo para o avanço do energético na matriz brasileira -, a estatal Eletronuclear começa a tirar do papel um projeto inédito no mundo: as cápsulas de aço

Roberta Scrivano
Para resolver o problema dos rejeitos atômicos gerados pelas usinas nucleares -, maior gargalo para o avanço do energético na matriz brasileira -, a estatal Eletronuclear começa a tirar do papel um projeto inédito no mundo: as cápsulas de aço. O material servirá para armazenar individualmente os componentes atômicos do lixo gerado pelas centrais nucleares. "O conceito é encapsular os elementos combustíveis individualmente, depois de os insumos terem ficado por 10 anos nas piscinas de resfriamento", afirma Leonam dos Santos Guimarães, assessor da presidência da Eletronuclear e que participou da reunião do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, em que foi apresentada a nova proposta.
Para a primeira fase do projeto, que objetiva o desenvolvimento do protótipo da cápsula até 2014, a Eletronuclear investirá R$ 50 milhões. "Esse é o investimento inicial. Depois vamos calcular quanto demandará a construção dos depósitos onde ficarão as cápsulas", afirma Guimarães.
Na semana passada, após ter participado da reunião do Comitê, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, comentou que o Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, falou sobre a possibilidade da utilização da cápsula de aço para armazenar o lixo nuclear, que, segundo ele, garante a segurança dos rejeitos por mais de 500 anos. A cápsula abrigaria o lixo nuclear da Usina de Angra 3, prevista para 2014, e das próximas que serão construídas no Brasil. Segundo Guimarães, as propostas dos depósitos também são uma iniciativa inovadora. "A intenção é construir depósitos intermediários, já que as cápsulas poderão armazenar os rejeitos por até 500 anos", diz o executivo. "Hoje, os diversos países que têm usinas nucleares reprocessam o lixo após o resfriamento, já que os rejeitos tem até 40% de combustível não aproveitado", explica. Guimarães diz que, com as cápsulas, mesmo 500 anos depois, o Brasil poderá reprocessar os elementos para gerar energia.
Guimarães adianta que os depósitos serão aberturas em rochas com estruturas de concreto dentro, como "uma espécie de ninho". "Até 2020 devemos detectar o local onde serão os depósitos", afirma. O especialista explica que ainda há tempo para escolher bem o local, já que as cápsulas só precisarão ser transportadas dez anos após a primeira geração de resíduos (tempo necessário para o resfriamento dos elementos). "Angra 3 entrará em operação em 2014, portanto temos um período ainda para decidir", afirma o assessor.
Questionado sobre a segurança do transporte das cápsulas até os depósitos, Guimarães foi enfático: "A cápsula será mais uma barreira para os resíduos, já que ela será transportada num contêiner que pode armazenar 12 cápsulas", explica.

Pouca informação

Porém, a proposta de armazenar os rejeitos atômicos em cápsulas de aço pode não ser tão eficiente como anunciaram o ministro de Minas e Energia e o asses-sor da Eletronuclear . Reynaldo Barros, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (Crea-RJ), critica a falta de detalhes técnicos da proposta. "Não temos detalhes técnicos essenciais desta cápsula. Não dá para decidir qual a saída para os rejeitos atômicos do dia pra noite", afirma Barros.
Segundo Barros, do Crea, para decidir um destino seguro para o lixo atômico das usinas nucleares, o Brasil deveria investir em estudos geológicos e não tomar a decisão rapidamente. "O nosso programa nuclear sofreu muito para se desenvolver. Se tivesse recebido os devidos investimentos, nós já teríamos uma solução segura", acrescenta. Barros diz que o ideal seria identificar, por meio de estudos geológicos, locais desérticos no território nacional para que seja pesquisada a possibilidade de enterrar os rejeitos.
Procurada, a Organização Não Governamental (ONG) Greenpeace, combatente do setor, disse que não conhece a tecnologia da cápsula.
Barros classifica a idéia de guardar o lixo em cápsulas como "mirabolante". "Essa sugestão saiu só porque o presidente Lula pressionou o Comitê para dar uma solução em 60 dias, mas não pode ser assim", salienta.
Hoje, no Brasil, os rejeitos das duas usinas nucleares em funcionamento (Angra 1 e 2) são colocadas em contêineres de metal, guardados no terreno das centrais geradoras sob temperaturas baixíssimas e mantida sob monitoramento. "Precisamos analisar bastante a nova sugestão para concluirmos se é mais seguro que o método tradicional", afirma Barros. "O grande problema é onde vão guardar as cápsulas".
Apesar das dificuldades relacionadas ao armazenamentos do lixo radioativo, a emissão de carbono das plantas nucleares é zero e especialistas dizem que a operação é segura.

Proposta do Crea

O presidente do órgão afirma que o Crea encaminhou um documento para a audiência pública que a proposta será submetida "Pedimos sustentabilidade para o empreendimento (Angra 3, a próxima nuclear a ser construída no Brasil)", diz Reynaldo Barros. Para ele, a usina de Angra 3 precisa levar em conta questões sociais. "Muito se fala em geração de emprego. Mas o que eles vão fazer com toda a mão-de-obra contratada para a construção da usina", completa Barros.

Nuclear no Brasil

No início do segundo semestre de 2007, o governo federal aprovou a retomada de Angra 3, que irá gerar até 1,3 mil megawatts. Além disso, o governo estima construir, até 2030, quatro novas centrais nucleares. Essa proposta já fazia parte do chamado Plano Decenal, que deveria ser concluído em 2015. Pelo menos duas das novas unidades deverão ser construídas na região Nordeste do País e as outras duas na Sudeste. Até o momento, quatro estados se propuseram a abrigar as usinas: Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
Apesar dos fatores positivos, a grave crise econômica enfrentada pelo Brasil nas décadas de 1980 e 1990 e a forte reação contrária ao setor nuclear depois do acidente da usina de Chernobyl, na Ucrânia, foram alguns dos principais fatores responsáveis por afastar o País do programa que está sendo retomado. As dificuldades encontradas para operar as usinas em ritmo de normalidade também jogaram água em planos de expansão. (Gazeta Mercantil)
 
Free counter and web stats