sábado, agosto 16, 2008

Urgente

Dorival Caymmi morre aos 94 anos no Rio

Compositor baiano teve insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos. Caymmi deixa mais de uma centena de canções, entre elas "Rosa morena".

Do G1, no Rio, com informações da TV Globo
O cantor e compositor Dorival Caymmi morreu na manhã deste sábado, aos 94 anos, no Rio de Janeiro. Caymmi faleceu por volta das 6h de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos.
O músico nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 30 de abril de 1914. Ele deixa mais de cem composições, entre elas ‘Eu não tenho onde morar’, ‘Maracangalha’, ‘O que é que a baiana tem?’ e ‘Rosa Morena’.

Opinião

Os riscos das nanotecnologias

Gilberto Dupas
Nanotecnologia é a nova fronteira da era global. Ela permite o domínio de partículas com dimensões extremamente pequenas que exibem propriedades mecânicas, óticas, magnéticas e químicas inéditas; e é aplicável em amplas áreas de pesquisa e produção, como medicina, eletrônica, computação, física, química, biologia e materiais. Sua aplicação causará enormes impactos na sociedade, gerará enormes lucros com produtos e serviços revolucionários e provocará imensos riscos.

Os patronos dessas técnicas garantem, para um futuro próximo, nanorrobôs circulando pelo sangue humano para reparar células, capturar micróbios ou combater cânceres; materiais dez vezes mais resistentes e cem vezes menos pesados que o aço; e armas e aparelhos de vigilância milimétricos e potentíssimos. Anunciam a implantação de nanochips no organismo humano para substituir ou adicionar células com funções novas, abrindo espaço para uma primeira geração de pós-humanos. E seus oráculos mais delirantes prometem a completa regeneração celular; no limite, a imortalidade.
Mas há sérios alertas: risco de poluição ambiental incontrolável por partículas muito pequenas flutuando no ar, viajando a grandes distâncias e sem controle das barreiras naturais; nanocomponentes acumulando-se na cadeia alimentar com conseqüências não conhecidas; nanodispositivos modificando e controlando a mente humana; e reproduções descontroladas de nanopartículas destruindo vidas e gerando epidemias.
Já existem no mercado muitos produtos que contêm nanotecnologia sem que o saibamos, como protetores solares com partículas nano de óxido de titânio. No entanto, não há pesquisas para verificar como esse óxido penetra nas células, se avança para a corrente sanguínea e que efeitos provoca. Ainda não existem protocolos para padronizar pesquisas toxológicas nessa área. Algumas instâncias reguladoras e governamentais tentam apressar-se em definir critérios e mapear riscos, entre outras coisas, para evitar a política de fait accompli ou de rejeição sumária e não eficaz, como no caso dos transgênicos.
Mais uma vez, a lógica do capital e da acumulação tem sido implacável. As empresas estão fascinadas com as novas possibilidades de inovação e lucros em praticamente todos os setores. Começam-se a produzir em massa toneladas de nanomateriais comerciais para catalisadores, cosméticos, tintas, revestimentos, tecidos, corantes sintéticos, embalagens antimicróbio e cosméticos. E eles estão chegando com força total à medicina. A US Nacional Science Foundation estima que, em dez anos, todo o setor de semicondutores e metade do farmacêutico dependerão de nanotecnologia. Estruturaram-se mitos em torno das maravilhas dessas técnicas, criando ambiente favorável para poder lançar o quanto antes produtos que serão convertidos em objeto de desejo. Os riscos e conseqüências negativas, como sempre, ficam para depois.
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Manchetes do dia

Sábado, 16 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Governador do Rio pede Exército para garantir eleições"
Um dia após o emprego das Forças Armadas nas eleições no Rio ser autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB), enviou ofício ao TSE pedindo tropas federais “o mais breve possível” para atuar na segurança pública durante o período eleitoral.Antes, o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, afirmava não ver necessidade de uso do Exército, apesar das denúncias de que candidatos e jornalistas são impedidos de circular em favelas devido a ameaças de traficantes. Cabral afirmou que seria um “presente” se a força ficasse após o pleito.Depois de receber o ofício de Cabral, Britto disse que será feito um mapeamento para definir onde as Forças Armadas atuarão: “A idéia é identificar ponto de maior dependência dessa influência nociva das duas forças, o tráfico e as milícias”. O reforço só deve chegar após esse mapeamento.


O Globo
"TRE: tráfico exige foto para comprovar voto"
O TRE poderá proibir o uso de celular durante a votação porque tem recebido denúncias de que traficantes e milicianos estão exigindo que eleitores fotografem as urnas para provar seus votos. Ontem, fiscais do TRE fizeram, em favelas, campanha de conscientização sobre o sigilo do voto. O governador Sérgio Cabral pediu o envio das Forças Armadas. Ele criticou o que chamou de “falta de pró-atividade” do Comando Militar do Leste, mas considerou isso um detalhe por ter bom relacionamento com o presidente Lula e o Ministério da Defesa.Pesquisa Ibope mostra que Marcelo Crivella (PRB) cresceu cinco pontos e lidera a disputa no Rio com 28%. Eduardo Paes (PMDB) passou Jandira Feghali (PCdoB) e tem 12%, contra 11% dela.


O Estado de São Paulo
"Marta abre 15 pontos de vantagem"
Pesquisa do Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo mostra que Marta Suplicy (PT) abriu 15 pontos de vantagem na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Em um mês, a petista cresceu 7 pontos e chegou a 41% das intenções de voto. No mesmo período, Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 31% para 26%. O Ibope mediu a preferência dos eleitores em mais três capitais. No Rio, Marcelo Crivella (PRB) ganhou 5 pontos e está com 28%. Em Belo Horizonte, Jô Moraes (PCdoB) continua na frente, com 18%. No Recife, João Costa (PT) avançou para 30% e Mendonça Neto (DEM) caiu para 27%.


Jornal do Brasil
"Sérgio Cabral ataca comandante militar"
O governador Sérgio Cabral enviou ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto, requisitando a presença de tropas federais no Estado para garantir a segurança das eleições e, se possível, sua permanência como força extra de policiamento. Cabral aproveitou a ocasião para um duro ataque à cúpula do Comando Militar do Leste (CML), classificando o comandante, general Luiz Cesário da Silveira, de “pouco pró-ativo” e atribuindo a ele o “ruído de convivência entre o Estado e os militares”. Cabral afirmou ainda que a operação pode contar com o comando de outros oficiais. O CML não comentou as declarações.

Brenda Lee - Dynamite

sexta-feira, agosto 15, 2008

Madeleine Peyroux - This is Heaven to Me

Luis Melodia - Quase Fui lhe Procurar

Madeleine Peyroux - J'ai Deux Amours

The rolling stones

façamos

Clocks Buena vista social club

Ibrahim Ferrer - Dos Gardenias

Pensata

“Cala a boca, Batista!”

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Jô Soares e Chico Anysio são criadores de tipos extraordinariamente engraçados e de bordões que entraram para nosso cotidiano. Quem não viu o deputado Justo Veríssimo, do Anysio, todo janota, com um 'bigodón' que faria o orgulho de Stalin, declarando “Quero que pobre se exploda!”, não sabe o que perdeu. Assim como o bravo general linha dura do Jô, que entra em coma no auge da “gloriosa” e sai do coma num mundo novo, sem militares no governo. A cada novidade que a família lhe contava, com extremo cuidado e preocupação, ele implorava aos médicos: “Me tira o tubo! Me tira o tubo!”.
Foram muitos os personagens e muitos os bordões. Eram engraçados, inteligentes, críticos, sempre atentos ao nosso dia a dia, aos nossos costumes. Razão tinha Tolstoi, grande é falar sobre a nossa aldeia.
Jô tinha um personagem que faz muita falta hoje em dia. Era o Irmão Carmelo, italiano responsável por uma paróquia aqui no Rio. Seu sacristão, o Batista, era interpretado pelo excelente ator Eliezer Motta. Pois bem, Carmelo era rabugento, mas o Batista, francamente, era de tirar a paciência de qualquer um. Só dizia asneiras e o pobre do frade italiano repetia sem parar, naquele seu sotaque carregado, acentuando o som do ‘t’ e puxando muito o ‘s’: “Cala a boca, Batista!”.
A troco de que fui desencavar o Batista? Por conta de uma insônia anteontem à noite. Sem sono nenhum, resolvi me valer da TV e, de canal em canal, bati na TV Câmera que repetia a transmissão da audiência pública da CPI dos Grampos. Na mesa, Daniel Dantas, aquele que foi lá munido de um habeas corpus que lhe dava o direito de permanecer calado. E também de não ser preso ali, na hora. Pois bem, o homem falou, e muito. Não deixou nada sem resposta, mesmo que as respostas fossem interessantíssimas, como frases que no fundo revelam muito e ao mesmo tempo nada revelam.

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Sonhos

Noite de inverno

Sidney Borges
Noite confusa esta última. Eu estava sonhando com o Hotel Le Grau du Roi, situado à beira de um canal que atravessa Aigues-Mortes, cidade cercada de muralhas em direção ao mar. No sonho eu viajava de bicicleta pela estrada branca que ladeia o canal quando um som mais ou menos assim; yam, yam, yam... me colocou em semi-vigília. Estou dormindo ou acordado? Eu sou eu ou sou outra pessoa? Perguntas foram surgindo em cascata em minha cabeça enevoada. Ao fundo yam, yam, yam... Reconheci o quarto, era a minha casa, definitivamente eu estava voltando ao mundo da realidade. Ou pensei que estava, a vida me parece real, principalmente quando ao fundo um alarido ponteado por yams, yams, yams começa a me irritar. Quero dormir, voltar aos canais, pensei com meus botões, embora eu nunca durma com peças de vestuário que tenham botões, pode ser perigoso. Yam, yam, yam... Desta vez foi demais. Peguei a lanterna de CSI, o canivete suíço e saí em busca do alarido. Disposto a tudo. O que eu vi é quase inacreditável, embora eu possa jurar pela vida da mãe de meus leitores que é verdade. Estava acontecendo um leilão no meu jardim. Concorridíssimo. O leiloeiro era um gambá loiro, já meio velho, encanecido, mas muito elegante. Logo descobri que yam, yam, yam significa quem dá mais em gambazês. Pela movimentação da platéia deu para notar que o evento estava no fim. Enquanto a vitrola emitia sons de Bienvenido Granda as últimas peças a serem leiloadas eram apreciadas por gambás de todas as idades e cores. Cheguei perto, que surpresa! Os objetos do desejo eram caramujos, desses que infestaram Ubatuba e agora estão desaparecendo. Bem feito, viraram sushi de gambá. Alguns os preferem vivos, com shoio, dizem que o sabor é inigualável, melhor do que fígado de tartaruga. Sou conservador, ninguém vai me fazer desistir de canja de pingüim. Voltei a dormir, o sonho continuou pelo canal afora, da outra margem uma bromélia me acenou, juro que acenou, acreditem leitores, há bromélias que acenam para mim. O que será isso? Um psicanalista, preciso de um psicanalista. Urgente.

China

O pensamento chinês

Do Trem Azul
Quando, em 1934, Marcel Granet publicou a primeira edição de O pensamento chinês, os estudiosos logo perceberam que estavam diante de um clássico. O tempo confirmou essa impressão. Este livro "cheio de intuições geniais" – nas palavras de Lévi-Strauss – permanece até hoje no catálogo das editoras mais importantes do mundo, como a principal obra de referência sobre o tema que estuda.

O fascínio

A China fascina e perturba o Ocidente, ao mostrar a possibilidade de existir outro pensamento, diferente do nosso, dotado de alta capacidade civilizatória. Seus costumes, suas artes, sua escrita e sua sabedoria conquistaram as imensas populações de todo o Extremo Oriente, tornando-se uma referência essencial para quem quiser conhecer de forma mais abrangente a experiência humana. Este foi o desafio a que Marcel Granet dedicou sua vida, aponta César Benjamin, jornalista e editor da Contraponto Editora.

Uma civilização sem Ciência

A idéia de uma poderosa civilização sem ciência torna-se ainda mais desafiadora quando descobrimos que ela tampouco teve religião, na nossa acepção desse termo. O sentimento do sagrado desempenha na China importante papel, mas não há deuses a serem venerados. O Universo é uno, e a atitude em relação a ele expressa uma familiaridade tranqüila. Não existiu um clero organizado. A religião nunca foi uma função diferenciada da atividade social. O Estado e as leis não têm poder algum que supere a Ordem, ou a Totalidade, categoria suprema.

Nem Deus nem Lei

Mas uma sabedoria independente e totalmente humana" - eis a síntese de Marcel Granet sobre o pensamento chinês, na conclusão deste estudo monumental.

Opinião

Muitas incógnitas no preço dos alimentos

Washington Novaes
Saldos negativos nas contas externas do País nos últimos meses começam a acender luzes de advertência, seja porque aumentam as remessas de lucros e dividendos (maiores que os investimentos) e as saídas nas contas financeiras, seja porque no primeiro semestre deste ano o déficit externo foi o maior desde 1947 e o saldo comercial, inferior em 44,8% ao de igual período do ano passado. A dívida externa volta a superar os US$ 200 bilhões, a dívida líquida do setor público se mantém acima de 40% do PIB e os juros pagos no semestre (R$ 74,8 bilhões) pela dívida interna de R$ 1,239 trilhão equivalem a mais de seis meses de despesas com o maior programa social do governo federal, o Bolsa-Família. Uma das luzes foi acesa pelo próprio ministro das estratégias federais, ao dizer que será difícil sair desse quadro em que o comércio exterior é muito afetado pelos cartéis de compradores de nossos produtos e fornecedores de insumos, principalmente na agricultura (Folha de S.Paulo, 6/8), embora nossas vendas ao exterior não passem de 1,2% do total mundial.

Em todo o quadro, assume destaque progressivo a questão do preço dos alimentos, principalmente pela influência nos índices internos de inflação e na própria oferta interna de alguns bens. O presidente da República, porém, em abril último achava (Estado, 26/4) que "a crise na oferta de alimentos é passageiras, não é coisa perigosa". Será mesmo? Quando se olha o conjunto de causas que estão empurrando para cima o preço dos alimentos e de commodities, sobrevêm muitas dúvidas. Ali se juntam a alta de preços de fertilizantes e dos combustíveis, o aumento da demanda por alimentos, principalmente na Ásia, e a migração de parte dos fundos financeiros para o mercado de commodities, assustados com as crises sucessivas na área do dinheiro.
No setor dos fertilizantes, por exemplo, este jornal lembrou em editorial (21/7) que o governo parecia perdido em meio a altas de 91% no preço do potássio importado, 75% no do nitrogênio e 61% no do fosfato; só produzimos 9 milhões de toneladas das 24,5 milhões consumidas em 2007. O ministro da Agricultura responsabilizava o "oligopólio dos fertilizantes" e a falta de investimentos nossos no setor. O preço de adubos está dobrando em relação à safra anterior, registrou o caderno Agricultura (30/6). Mas não somos os únicos prejudicados. Segundo a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da ONU, nos países ditos em desenvolvimento os gastos com alimentos representam de 60% a 80% dos gastos totais. As importações de alimentos no mundo chegam este ano a US$ 1 trilhão (US$ 215 bilhões mais que no ano anterior). Aqui, diz o Dieese, os preços dos alimentos subiram 30,83% entre julho do ano passado e maio deste ano, com destaque para o feijão (105%).
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 15 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"União paga ajuda bilionária a juízes"
Uma decisão do Conselho da Justiça Federal forçou a União a pagar a juízes de várias instâncias um total de mais de R$1 bilhão em auxílio-moradia retroativa ao período de setembro de 1994 a dezembro de 1997, informa Andréa Michael. Com determinação, esses juízes ganharam o mesmo direito já garantido a ministros do Supremo Tribunal Federal, que, em 1992, tiveram seus salários igualados aos dos congressistas, além da incorporação do auxílio-moradia pago aos parlamentares. A decisão, copiada pelo Conselho Superior de Justiça do Trabalho, se limita ao período de 1994 a 1997, porque o direito reclamado pelos magistrados para anos anteriores prescreveu. Para anos posteriores, foi ganho em ações judiciais. A medida dos conselhos beneficia mais de 4.000 juízes e desembargadores em todo o país e também se aplica a aposentados que, na época, estavam na ativa e a pensionistas. Os pagamentos já estão sendo feitos, conforme disponibilidade orçamentária.


O Globo
"TSE autoriza uso das Forças Armadas na campanha do Rio"
O TSE autorizou o envio de tropas militares ao Rio para garantir a segurança do processo eleitoral. As Forças Armadas podem começar a trabalhar imediatamente, em conjunto com as polícias locais e a Polícia Federal, que integram a força-tarefa criada para coibir a atuação do tráfico e das milícias em comunidades carentes durante a campanha eleitoral. Será a primeira vez que isso ocorrerá no país, já que normalmente as tropas federais são enviadas apenas nas vésperas das eleições. As tropas atuariam nos atos de campanhas de candidatos, nas votações e na apuração do resultado. O presidente do TSE, Ayres de Britto, conversou com o governador Sérgio Cabral, que classificou como bem-vinda a decisão do TSE, e disse que vai acatá-la.A desembargadora Maria Helena Cisne protestou ao dar registro ao candidato ficha-suja Evandro José dos Passos Júnior, réu em dois processos por homicídio.


O Estado de São Paulo
"Inglaterra quer vigiar saída de brasileiros em Cumbica"
O governo britânico pretende impor aos brasileiros, a partir do ano que vem, a necessidade de visto de entrada e propõe medidas que estão criando um constrangimento diplomático. O Brasil, conforme revelou o Estado, já tinha sido incluído pelos britânicos numa lista de 11 países-problema que não estariam combatendo o embarque de imigrantes ilegais. Em ação complementar, o embaixador da Grã-Bretanha em Brasília Petter Collecott, entregou aos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Tarso Genro (Justiça) uma carta com exigências. Para evitar a adoção do regime de vistos, o Brasil teria de aceitar que um policial britânico atue na imigração do Aeroporto de Cumbica e treine funcionários de companhias aéreas. Agências de viagens precisarão, ainda, passar a fazer uma triagem mais rigorosa dos viajantes.


Jornal do Brasil
"Ataques aos royalties do petróleo do Rio"
A pressão contra a manutenção dos royalties do petróleo do pré-sal no Estado do Rio vem de todos os lados. O presidente Lula critica a distorção que beneficia o Sudeste, defende mudanças na regras e aplicação em fundo de educação. Em São Paulo, o governo criou um grupo de trabalho para influenciar nas mudanças da Lei do Petróleo em debate no Congresso. Campanha forte bem também do PSDB, que lidera a frente parlamentar paulista por mudanças de demarcação. Segundo o critério do IBGE, as reservas de Tupi e Júpiter pertencem ao Rio. No modelo tucano, os campos estariam só em São Paulo.

quinta-feira, agosto 14, 2008


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Energia

Angra 2 entre as melhores usinas do mundo

Daniel Mazza Ramos
Angra 2 apresentou uma performance de destaque no ranking elaborado pela Wano (World Association of Nuclear Operators), estando acima da média em oito dos 13 parâmetros usados para comparar o desempenho de usinas do tipo PWR – Siemens/KWU, que além das alemãs inclui Borselle na Holanda, Goesgen na Suíça e Trillo na Espanha. Os números referem-se aos últimos 36, 24, 18 e 12 meses e foram divulgados em agosto. Em três dos índices, a usina brasileira apresentou a melhor performance em sua categoria. O objetivo do acompanhamento da Wano é avaliar o grau de disponibilidade e de segurança das usinas em todo o mundo e, também, indicar eventuais necessidades de ajustes para uma melhoria geral do desempenho. A entidade desenvolveu um conjunto de indicadores específicos para cada tipo de usina, cujo modo de cálculo é padronizado para possibilitar a comparação. A avaliação dos índices é feita mensalmente pelas operadoras e enviada para a Wano, que estabelece metas para o programa que, geralmente, são a média dos valores obtida nos últimos 36 meses.
Em relação ao ítem segurança industrial, Angra 2 esta no grupo com melhor performance em todos os períodos avaliados. Quando se trata de eventos envolvendo a rede elétrica externa, a usina também obteve os melhores indicadores de desempenho nos últimos três anos. Segundo Antonio Carlos Mazzaro, superintendente de Angra 2, os resultados positivos são conseqüência de um trabalho contínuo, com ênfase na área de segurança integrada.
Dos cinco indicadores em que Angra 2 ficou abaixo da média no período de 36 meses, em três (Performance do Sistema de Injeção de Segurança, Performance dos Geradores Diesel e Indicador Químico) as ações de melhoria já surtiram efeito e já estão acima da média nos períodos de 12 e 18 meses. Os índices de Taxa de Paradas Forçadas e Desligamento Automático, porém, ainda estão abaixo da média. Para melhorar esses índices, a Eletronuclear está dando ênfase ao programa de manutenção preventiva e preditiva, além da modernização de equipamentos, utilizando a experiência operacional de outras usinas. A expectativa da empresa é que, nestes dois últimos quesitos, Angra 2 atinja a média ou fique acima dela até o final deste ano.

Os indicadores da Wano são os seguintes:

Fator de Disponibilidade
Perda de Disponibilidade Não-Planejada
Taxa de Perda Forçada
Desligamento Automático
Performance do Sistema de Injeção de Segurança - JND
Performance do Sistema de Água de Alimentação de Emergência - LAR
Performance dos Geradores Diesel
Índice de Confiabilidade do Combustível
Indicador Químico
Exposição Coletiva à Radiação
Número de Acidentes Industriais – pessoal próprio
Número de Acidentes Industriais – pessoal contratado
Perdas em Função da Rede Elétrica

Ponto de vista

Fondue indigesto

Roberto de Mamede Costa Leite
Nesta terceira idade muitos fazem coisas indevidas. Aqui em casa, apesar de não sermos ratos, adoramos comer queijo. Queijo gordo, substancioso, confessadamente gostoso e prejudicial à nossa saúde. Coisa honestamente pecaminosa, mas consentida. Afinal, é dos poucos prazeres que nos restam. Hoje, ao término de nosso estoque de queijo amarelo, o procuramos em Ubatuba para comprar. Não encontramos. Contudo, no caminho atrás do queijo, fomos tropicando com candidatos. Todos registrados na Justiça Eleitoral e prometendo tudo.
Neste tudo que nos sugerem, quase nada há de execução factível. Com este espírito de prometerem o que não podem, o que puderem (é possível que não sejam capazes de distinguir o que de suas ‘competências’) não está nos planos dos ditos.Mesmo em tese.
Imaginem na prática dos eleitos ...
Nós teriamos o direito de acreditar que os eleitos seriam nossos representantes, como é o espírito do contrato social.
E os eleitores vocacionados e honestos teriam todo o justo direito de esperarem ser representados à altura.
Sempre o condicional, infelizmente, para as esperanças que sabemos inexistirem ...
Para os que votaram conscientes e esperançosos de boas mudanças, o ‘day after’ é um desespero, é um beco sem saída, é motivo para pesadelos pelo vácuo cívico, sem moral, sem ética.
A máxima, à cada eleição, infelizmente, é ‘um negro porvir’.
É sintomático que após um mês da eleição não lembremos do voto cometido, pois varremos nosso deslize, envergonhados, para baixo do tapete mental.
Episodicamente, como exige toda boa regra, há as exceções de praxe que mantém um fio de esperança até a próxima eleição.
Consola saber que nós, eleitores-representados, não podemos ser processados pelos deslizes de nossos ‘representantes’. Caso contrário, restaria negar nosso sufrágio secreto. Afinal, este tipo de negação, tão em voga nestes dias, impediria termos que pagar nossas defesas pelos malfeitos de nossos supostos representantes políticos.
Afinal, nunca antes em nossa terra, alegar ignorância conseguiu efeitos tão salvadores.
A ignorância auto alardeada consubstancia hoje, em nosso Brasil, a segunda substância que bóia no vácuo da responsabilização. É maracutaia nova, assemelhada e mais perigosa e repugnante daquela básica e conhecida. À grande massa de manobra ignorante falta informação e espírito crítico para perceber. Mesmo assim, para segurança da falcatrua, tudo é anestesiado por convenientes bolsas família que não os ensinam a pescar, e os forçam a continuar a não pensar, presos na ignorância e nos currais eleitorais. Infelizmente, não se pode deixar de sentir que a grande maioria é de candidatos de si mesmos, sempre sem o menos pudor ou senso de cidadania.
Voltando à vaca fria, em nossa andança de hoje, de queijo e/ou de bom senso cívico, nada achamos. Ofereceram-nos alguns Minas, sem gordura, sem substância, quase ricota. Era dose para leão depois das promessas que acima ouvimos. Cruz credo ...
Da política, candidatos os há muitos, sem substância, sem mensagem, sem inteligência e que, por determinação de nossa mais alta corte, até nem necessitam de ficha corrida limpa.
É básico esperar que quem nos representa, deveria fazê-lo bem. Afinal não somos eleitores de eleições na Mafia ...
Todos estão carecas de saber que a grande maioria dos candidatos não têm saber, vontade ou competência para a mínima representação, a não ser de si mesmos. Exercem o eventual mandato estribados no ‘jogo de cintura’, no máximo, sem qualquer preocupação com potenciais aspectos morais, sociais ou éticos de seus atos. Caso agíssemos como São Thomé, quantos deles resistiriam à extração de uma ‘capivara’ ? É sabido que o Supremo Tribunal Federal os liberou totalmente. Podem ser eleitos. Mesmo os mais facinorosos, apesar de condenados sem trânsito em julgado aos mais hediondos crimes. Não seria o caso de que constasse exigência legal na sentença de cada Instância sobre a inegibilidade imediata ou não do condenado ?
Das exceções à regra acima, aos candidatos vocacionados e motivados de civismo e cidadania, faltam-lhes votos, pois incapazes de prometerem o impossível. Serem coerentes é de suas naturezas honestas e fora do foco dos currais eleitorais.
Já ouvi que o voto da maioria é naqueles que apresentam, mesmo remotamente, esperança de fazer seu eleitor participar de bom negócio. Assim, quantos eleitores pedem e esperam coerência ???
Nossa Justiça é tardia, para dizer o mínimo. E todos somos inocentes até julgamento final. Isto posto, todos compreendem o caminho das pedras. Para o bem e para o mal. D”outro lado, julgar é trabalho que depende de procedimentos complexos e cansativos. De processos ultrapassados, de colcha de retalhos legal que contempla recursos de todo tipo, tudo impedindo decisão definitiva da Justiça.
Procedimentos legais complexos, especiosos e cansativos, à medida dos interesses de quantos se interessam que não se julgue ... Mais ainda: o julgamento feito, completamente, leva à decisão irrevogável.
Para que fim de situação que vai desagradar ? Tantos que hoje são a grande maioria dos que nos governam, em tantas esferas do ‘pudê’ ?
Julgar bem afasta, quase sempre, as indefensáveis defesas. Outro efeito desta conjuntura é que Julgar, definitivamente, determina o fim da labuta de quem, remuneradamente, defende,. Complicado. Das ‘vantagens’ deste sistema interminável que nos informe, entre tantos, Pimenta Neves e seus defensores ... No âmbito das excelência políticas, há que lembrar Jucá, Barbalho, Dirceu, Waldomiro e tantos outros ....
Voltando ao queijo gordo, substancioso, quem sabe o achemos, civicamente, após 2010, num ‘fondue’ sabático ?
Deste ágape de colesterol nos restará, eventualmente, uma cardiopatia. Das excelências que se propõe ao nosso voto obrigatório, certamente, restará, como sempre, uma flatulência cívica.
Há que viver para ver ...
Roberto de Mamede Costa Leite
Praia do Felix - Ubatuba

Eleições 2008

TRE dá razão a Luiz Moura

Ubaweb
A decisão monocrática (decisão proferida por um único juiz) do Juízo da 144ª Zona Eleitoral, que condenou Luiz Moura e o portal UbaWeb ao pagamento de 20.000 UFIR’s, de acordo com pedido da coligação “Novo Tempo” aventando descumprimento da legislação eleitoral, foi anulada.
Os Juízes do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, por votação unânime, deram provimento ao recurso impetrado por Moura, um dos idealizadores do portal UbaWeb (www.ubaweb.com) e candidato ao cargo de Vereador pelo Partido da República (PR) nas eleições de 2008, em Ubatuba (SP). O julgamento teve a participação dos Desembargadores Marcos César (Presidente) e Walter de Almeida Guilherme; dos Juízes Baptista Pereira, Paulo Alcides, Paulo Henrique Lucon e Flávio Yarshell.
O recurso acolhido foi elaborado pelo advogado Michel Kapasi.
Clique aqui para fazer o download do acórdão. (O arquivo tem o formato Adobe PDF e possui 312 KB de tamanho.)

Eleições 2008

Situação dos candidatos

Sidney Borges
Ontem publiquei uma nota dando conta que três candidatos a prefeito foram considerados aptos pelo TSE. Tive o cuidado de colocar um link para o sitio do Tribunal. O fato de haver recursos na Justiça contra alguns pretendentes é outra história, momentaneamente eles estão liberados para fazer campanha. Sobre o amanhã, já dizia Chico Buarque de Holanda, "ninguém sabe, traga-me uma morena antes que o amor acabe".

Opinião

O alcance da vitória russa

Editorial do Estadão
Negociado pelo presidente de turno da União Européia, o francês Nicolas Sarkozy, com os seus colegas Dmitri Medvedev, que recebe ordens do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o georgiano Mikhail Saakashvili, que cutucou com vara curta o urso da vizinhança, confiando pateticamente na proteção do seu padrinho George W. Bush, o cessar-fogo entre Moscou e Tbilisi é na realidade a certidão de nascimento de uma nova ordem internacional. O documento como que atesta a volta ao pódio de uma Rússia carregada de ambições seculares. Ela exibe afinidades com o regime soviético e com o império tzarista que o antecedeu, mas retém quase nada da abertura para a democracia liberal e para o livre mercado, sob o governo pró-ocidental de Boris Yeltsin, nos anos 1990. Putin tomou a si o desmanche do que foi um experimento devastador para a economia, o status e o auto-respeito do país. A sua decisão de "castigar" a Geórgia, como diz Medvedev, é indissociável dessa empreitada.
Nas entrelinhas, o texto do cessar-fogo consigna ainda o maior paradoxo dos tempos atuais - as limitações de que padece a superpotência americana. Os Estados Unidos, cujos gastos bélicos excedem várias vezes os de todas as outras nações, somados, simplesmente não têm como dissuadir ou responder, no plano militar, à primeira agressão sofrida por um seu Estado-cliente, também a primeira incursão russa no estrangeiro desde o fiasco do Afeganistão, nos anos 1980. É certo que a Geórgia não vale uma guerra para Washington, mas nem por isso estão errados os georgianos quando acusam a América de entregá-los à própria sorte, como os aliados fizeram com a Checoslováquia diante da Alemanha nazista, em 1938. O fato de que o presidente Saakashvili praticamente chamou a invasão, ao ordenar na semana passada um insano ataque ao enclave separatista da Ossétia do Sul, de maioria russa e com presença armada russa, não atenua a futilidade da política americana de criar focos de animosidade a Moscou nas suas cercanias e esferas de influência.
A diferença entre Bush e Putin é que Bush não se deu conta da obstinação de Putin em reerguer o poderio russo em todos os campos - ao passo que Putin entendeu que a política externa de puro poder adotada por Bush credenciava a Rússia a cuidar, à sua maneira, dos seus interesses geoestratégicos, a começar da região vital do Cáucaso, por onde passa o seu oleoduto vindo do Mar Cáspio, e onde a sua hegemonia é histórica. O que a impediria de usar força desproporcional contra a Geórgia? As instituições multilaterais desmoralizadas pelo bushismo? O poderio militar americano comprometido pela ocupação do Iraque e a guerra no Afeganistão? A Europa refém dos seus suprimentos energéticos? Isso quando a Rússia vive um período que nosso presidente chamaria de mágico, com as terceiras maiores reservas de divisas do mundo e um formidável superávit comercial proporcionado pelo petróleo e o gás. Putin ainda reconstruiu a sucateada indústria bélica russa e modernizou as suas Forças Armadas.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 14 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Ação da PF foi represália de diretor da Abin, diz Dantas"
O banqueiro Daniel Dantas afirmou na CPI dos Grampos ter recebido em novembro de 2007, a informação de que o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, ex-chefe da Polícia Federal, encomendou uma operação da PF contra ele. Dantas disse ter sido informado de que Lacerda o culpava por um relatório em que apareciam contas no exterior atribuídas ao diretor geral da Abin. Em julho, a Operação Satiagraha da PF, prendeu Dantas, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta e o investigador Naji Nahas. O banqueiro negou ter tentado por intermediário, subornar um delegado da PF. Também afirmou não ter feito espionagem e disse acreditar que a Brasil Telecom, da qual era sócio, contratou a empresa Kroll para investigar a Telecom Itália devido a disputa societária. Lacerda afirmou, por meio de assessoria que aguarda convocação da CPI dos Grampos “para responder a informações infundadas no foro adequado”. Segundo a Abin, o diretor-geral já encaminhou ofício à presidência da comissão para que seja ouvido.


O Globo
"STF reage e alerta: mau uso de algema pode anular prisão"
Um dia depois de a Polícia Federal insistir em algemar seus presos, o Supremo Tribunal Federal aprovou uma súmula vinculante para restringir o uso do instrumento e punir autoridades que abusarem dele. O acusado só poderá ser algemado se resistir à prisão, se houver risco de fuga ou agressão, ou para a proteção de sua própria integridade física. O policial que empregar algemas terá que se justificar por escrito. Em caso de o uso ser julgado indevido, a investigação poderá ser anulada e a autoridade fica sujeita a pagar indenização. Beneficiado por habeas corpus do STF que o libera do uso de algemas, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola deixou a prisão de Bangu 8 ontem para comparecer a duas audiências na Justiça. Candidato à reeleição, o vereador Edson da Silva Mota, de São Gonçalo, foi preso, sob acusação de ser mandante de um assassinato, e logo em seguida deu entrevista, sem algemas. Seus dois filhos, acusados do mesmo crime, foram transferidos algemados.


O Estado de São Paulo
"Governo proibirá concessões em supercampos de petróleo"
O governo definiu que empresas privadas não vão receber novas concessões para explorar as gigantescas reservas recém-descobertas na Bacia de Santos, em área conhecida como camada do pré-sal. Os contratos já assinados, porém, serão respeitados. A gestão de todos os contratos referentes às novas reservas ficará a cargo de uma estatal que será criada por meio de projeto de lei. A chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vão negociar mo Congresso a aprovação do projeto. No caso da camada do pré-sal, a Petrobras terá atuação meramente operacional. O presidente da companhia Sérgio Gabrielli, foi orientado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a argumentar com os acionistas da empresa que a política definida para as novas reservas foi “decisão de Estado”. Em conversas com governadores, Lula tem se lembrado que “50% do capital privado da Petrobras está nas mãos de acionistas norte-americanos.


Jornal do Brasil
"Extorsão contra a CSN"
A Polícia Federal investiga um esquema de fraude que envolve o ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins, os ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, magistrados, advogados, empresários e contraventores. Segundo a denúncia, o grupo tentou extorquir, da Companhia Siderúrgica Nacional, R$ 120 milhões de indenização por quebra de contrato. A ação foi perdida pela CSN para a empresa Incopec, mas o valor teria crescido em progressão geométrica até chegar ao patamar que, segundo a acusação, foi acordado pelos envolvidos. Cassado, Álvaro Lins tentou reaver mandato e manter o foro privilegiado.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Brasil

Uma classe sem rosto definido

Murillo de Aragão
Até a República Velha, a classe média brasileira praticamente não existia, segundo Luiz Carlos Bresser Pereira. Para ele, era um pequeno “estamento de servidores públicos e de profissionais liberais ligados ao estado e à classe patriarcal proprietária de terras”. No período entre 1930 e 1980, com a industrialização, cresceu a médias robustas e, como conseqüência – entre 1930 e 1960 – surgiu uma classe média “privada”, composta de empresários do comércio, indústria e agricultura que se juntaram aos funcionários públicos e de empresas estatais como Correios, Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras, BNDE, entre outros, como os integrantes das forças armadas.
Com a estagnação do país a partir de 1980, a classe media encolheu e perdeu relevância econômica e política, uma vez que setores da alta classe média sofreram redução de renda e representatividade. Agora, por força de um período de estabilidade e crescimento, iniciado com o Plano Real em 1994, surge uma nova classe média – oriunda das classes populares e beneficiada pelos programas assistencialistas do governo e pela expansão do emprego formal.
Na semana passada, duas importantes pesquisas recentes – uma do IPEA e outra da FGV – confirmaram que a classe média (52% da população) é a maior de todas. A notícia é evidentemente auspiciosa. Curiosamente, o mesmo Plano Real que promoveu o empobrecimento da classe media alta – quando eliminou as vantagens do cheque pré-datado, dos tabelamentos de preços (de escolas, planos de saúde e alugueis) e a lucratividade das aplicações over-night – abriu caminho para o fenômeno que ora estamos vivendo: a emergência de uma nova classe média.
No entanto, apesar das óbvias e merecidas saudações pelo fenômeno, algumas questões não foram devidamente consideradas. Em primeiro lugar, apesar do seu tamanho, a classe media é tão dividida quanto o PMDB. O intervalo de renda entre a classe média pobre e a classe média rica é muito grande, tornando seus interesses e as aspirações difíceis de serem medidos, já que existem várias “classes médias”.

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Vida urbana

Bandidinhos covardes e o nariz de palhaço!

Maria Aparecida Morini
Morei no Rio de Janeiro, em Salvador e em São Paulo. E tive minha bolsa roubada pela primeira vez na vida em Ubatuba, no dia 19 de julho, sábado, às 21 horas, na esquina da Av. Monteiro Lobato com a orla, ao lado do restaurante Arrastão, onde havia acabado de jantar e dezenas de turistas circulavam no pedaço. Era um sábado e ninguém imaginaria que seres reptilianos surgissem do nada em cima de uma moto pela contramão e arrancassem a bolsa do meu ombro pelas costas. Ninguém viu nada!!! Só os meus gritos ao voltar correndo ao restaurante pedindo para chamarem a polícia. A via crucis do cancelamento de cartões, talão de cheque, segunda via de documento, começava. Pior são os objetos de valor sentimental (esses não tem preço), além de chaves, batom e tudo de importante e íntimo que uma mulher carrega na bolsa. Por isso gostamos de sair com uma bolsa, e nos sentimos peladas sem ela. Mas pasmem! Ouvi inúmeros relatos de mulheres que tiveram suas bolsas arrancadas por bandidinhos covardes de bicicleta e moto e muitas foram machucadas ao caírem e serem arrastadas pela moto e outras até chutadas pelos canalhas de bicicleta que não conseguiam arrancar a bolsa trançada no ombro ou na cintura da vítima, por segurança... E nada se diz nos noticiários locais!!! Ano de eleição, pode espantar turistas... Vide a ciclovia que deveria ser um local de passeio noturno; é ponto de bandidos, traficantes e viciados em crack! Todo mundo sabe e perguntando por aí, descobri que os ubatubenses sabem até quem trafica crack e vicia os adolescentes, possíveis futuros bandidinhos. Cadê as autoridades dessa cidade? Boca no trombone, gente! Cadê os serviços sociais? E o nariz de palhaço se faz absolutamente necessário quando após fazer o boletim de ocorrência e solicitar segunda via da carteira de motorista, fui informada de que se for pega dirigindo sem a carteira de habilitação serei multada pois o documento é de porte obrigatório... De nada adianta o BO e o pedido de segunda via em mãos! É a lógica da esquizofrenia globalizada!

Finalmente

Ubatuba tem 3 candidatos

Sidney Borges
Maurício Moromizato, Paulo Ramos e Pedro Tuzino aparecem no site do TSE como candidatos aptos a disputar a prefeitura em outubro. Confira aqui.

Deu em O Globo

Mais polêmica para Angra 3

Minc rebate comissão e diz que usina não terá licença sem reservatório exigido

De Mônica Tavares e Bruno Villas Bôas:
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, marcou sua posição contra a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e afirmou que a posição do Ibama sobre Angra 3 já está tomada: sem reservatórios nos parâmetros definidos, a usina nuclear não terá a licença de operação concedida pelo órgão ambiental federal. Segundo Minc, a Cnen está "criando problema" ao dispensar a exigência de um novo tipo de depósito (a chamada solução definitiva) para o lixo nuclear da usina, cuja construção deverá começar em setembro.
O GLOBO informou ontem que a Cnen vai conceder à Eletronuclear — estatal responsável pelo empreendimento — licença de construção da usina com a previsão apenas de um depósito inicial de rejeitos, nos moldes das piscinas utilizadas por Angra 2. A comissão e a Eletronuclear entendem que não cabe ao Ibama fazer exigências de segurança aos empreendedores.
Especialistas afirmam que Angra 3 simplesmente não poderá ser executada sem a piscina. Aquilino Senra, professor de engenharia nuclear da UFRJ e vice-diretor da Coppe, diz que o Ibama não tem competência para impedir a construção da piscina ou exigir uma solução final para os rejeitos.
(Do Blog do Noblat)

Nota do Editor - Estamos frente a frente a mais uma manifestação de esquizfrenia explícita do governo. Não existe solução definitiva para o lixo nuclear. Em nenhum lugar do planeta. A depender desse quesito Angra 3 jamais será construída. (Sidney Borges)

Página virada

''O assunto está encerrado'', dizem comandantes

Recuo de Tarso sobre revisão da Lei de Anistia, após cobrança de Lula, acalma chefes das três Forças

Tânia Monteiro, BRASÍLIA
Depois do recuo do ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre a revisão da Lei de Anistia, forçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a parar de criar polêmicas com os militares, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica consideraram o assunto "encerrado". "A página está virada", disse Jobim, após informar que se reuniu com o presidente Lula na manhã de ontem. De acordo com Jobim, Lula avisou que não trataria do tema na cerimônia em que foi apresentado aos oficiais-generais promovidos, pois já tinha mandado Tarso acabar com a polêmica e "não queria mais ouvir falar no assunto".

Mas no final do dia, em cerimônia da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio, o presidente deu uma declaração no mínimo controversa. Lula afirmou que era preciso "transformar os mortos em heróis e não em vítimas". A frase foi recebida com surpresa na área militar, embora ninguém queira mais discutir este assunto.
Os militares passaram o fim de semana pressionando por um pronunciamento do presidente Lula para encerrar o assunto. Mas ontem, depois de verem que o presidente mandara Tarso baixar o tom e mudar de posição publicamente e de se reunir com Jobim, além de conversar com o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, reconheceram que um pronunciamento público do comandante-em-chefe das Forças Armadas não era necessário.
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Opinião

Experiência que deu certo

Editorial do Estadão
Dois meses depois de ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados e sancionada pelo presidente da República, a Lei 11.689, elaborada para agilizar a tramitação dos processos relativos a crimes contra a vida, como homicídios, começa a apresentar resultados concretos. Graças a ela, o juiz Thiago Elias Massad, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, conseguiu fazer em apenas meia hora o que até recentemente demorava cerca de três a quatro meses.
Numa única audiência, ele ouviu os argumentos do promotor responsável pela acusação e do advogado de defesa de um réu. Depois, tomou a decisão de submetê-lo a um júri popular. Em seguida, ditou o despacho à escrevente, deixando tudo preparado para o julgamento. Uma vez encerrada a etapa de instrução do processo, com uma velocidade inédita no congestionado e moroso Fórum Criminal da Barra Funda, o juiz Massad fez exatamente a mesma coisa em outro processo.
A experiência teve bons resultados porque Massad contou com a colaboração do promotor e do defensor público responsáveis pelo caso e da advogada do acusado. Além de concordar que as testemunhas só precisariam ser ouvidas diante dos jurados, eles apresentaram as alegações oralmente em apenas 20 minutos. Antes da Lei 11.689, as alegações tinham de ser apresentadas por escrito e demoravam dois meses para ser despachadas por um juiz criminal, por causa do trânsito da papelada nos cartórios.
"A nova lei é boa para quem tem bom senso", disse Massad após a experiência. "Os casos podem demorar uns quatro meses para serem julgados, no caso de réus presos. E uns seis, no caso dos réus soltos", afirmou o promotor Roberto Tardelli. "A lei vai fazer deslanchar os casos tecnicamente menos complexos", previu o defensor público Adenor Ferreira da Silva. "É interessante concentrar tudo num ato. Só é preciso que a celeridade não atropele o direito de defesa", concluiu a advogada de defesa do réu, Renata Flório. Todos concordam que nas ações mais simples, que constituem 60% dos processos da Justiça Criminal, haverá maior agilidade nas decisões.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 13 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Rússia se diz vitoriosa e acerta acordo de paz"
O governo da Geórgia aceitou ontem o plano de cessar-fogo negociado entre Rússia e União Européia, encerrando a guerra de seis dias pelo controle da Ossétia do Sul e da Abkházia.Mediado em nome da UE pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, o acordo atende as principais exigências de Moscou – entre elas, a de que a Geórgia se comprometa a não tentar retomar pela força os dois territórios – e reconhece apenas aos russos o direito de manter militares nessas regiões.Horas antes de negociar com Sarkozy, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, já anunciara o fim da ofensiva militar. “O objetivo foi alcançado, o agressor foi castigado e sofreu perdas substanciais”, afirmou ele.

Ontem, na Geórgia ainda foram relatados tiros e explosões que, segundo agências, mataram cinco, entre eles um jornalista holandês. A Rússia negou ataques.Os EUA baixaram o tom contra Moscou: segundo um porta-voz da Casa Branca, é irrelevante apontar culpados pelo conflito.

O Globo
"PF desafia STF e algema 32 de uma só vez"
A Polícia Federal prendeu e algemou 32 pessoas suspeitas de envolvimento com corrupção ontem, na Operação Dupla Face, a primeira depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou limitar o uso de algemas aos casos em que há risco de agressão ou fuga. Os presos, com investigações em Mato Grosso e mais quatro estados, são servidores públicos e despachantes. Advogados reclamaram da exposição de seus clientes, que foram fotografados e filmados no momento da prisão. A OAB de Mato Grosso protestou. O ministro do STF Marco Aurélio Mello disse que “se não há periculosidade, se é crime financeiro, de falcatrua, o chamado crime do colarinho branco, não há necessidade de algema”. O superintendente da PF em Cuiabá, Oslaim Santana, defendeu o uso de algemas: “Depois que alguém é preso, nunca se sabe qual é a sua reação.”Em SP, pai e avô acusados de tentar matar uma jovem fizeram acordo com a Polícia Civil para não serem algemados no momento da prisão.


O Estado de São Paulo
"Rússia e Geórgia assinam acordo"
A Rússia e a Geórgia anunciaram ontem um cessar-fogo, após cinco dias de combate que deixaram cerca de 100 mil refugiados. O acordo – intermediado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy – prevê a retirada das tropas russas do território da Geórgia, que se compromete a não atacar as províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, ambas de maioria russa. Mesmo depois do anúncio do cessar-fogo, aviões russos voltaram a bombardear Gori, cidade da região central da Geórgia que já tinha sido praticamente abandonada por seus moradores.


Jornal do Brasil
"De chefe de polícia a deputado cassado"
Chegou ao fim a carreira política do deputado estadual Álvaro Lins (PMDB): de homem forte da Polícia Civil do Estado nos governos de Anthony e Rosinha Garotinho à condição de parlamentar cassado, a queda de Lins foi sacramentada pela votação secreta da Assembléia Legislativa do Rio que lhe tirou o mandato. Por 36 votos a 24 – mínimo exigido – a maioria dos deputados acolheu as acusações da Polícia Federal contra ele, apontado como um dos chefes de quadrilha que atuavam na cúpula da polícia. Entre os crimes praticados estava a cobrança de pedágio numa espécie de loteamento das delegacias. Nenhum dos 24 que votaram a favor o defendeu em público.

terça-feira, agosto 12, 2008


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Eleições 2008

Coligação "Ubatuba Sim" é deferida

Luana Camargo

A juíza da 144ª Zona Eleitoral de Ubatuba, Roberta Layaun Chiappeta deferiu o pedido de candidatura da coligação majoritária (PSDB-PR), que tem como candidatos Pedro Vicente Tuzino Leite, a prefeito e Ana Barone Clarassoti, a vice-prefeita. Segundo a sentença nº 094/2008, expedida no último dia 31 de julho foram preenchidas todas as condições legais para o registro. Pedro Tuzino e Ana Barone tiveram suas candidaturas confirmadas e estão aptos a disputarem as eleições municipais de 2008.

Internacional

Geórgia reagrupa tropas para defender capital

Por Lourival Sant'Anna, no Estadão On Line:
O confronto militar entre a Rússia e a Geórgia entrou no quarto dia nesta segunda-feira, 11, com bombardeios e disparos de artilharia em vários pontos do território georgiano. O presidente da Geórgia, Mikhail Saashkashvili, fez à noite um pronunciamento dramático à nação, depois de seu governo anunciar que estava reagrupando suas forças em torno de Tbilisi para defender a capital. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chega na terça-feira a Tbilisi, para tentar mediar um acordo.
As forças da Geórgia voltaram a disparar sua artilharia contra Tskhinvali, a capital da província da Ossétia do Sul, que luta pela independência com apoio da Rússia. Os russos, por sua vez, voltaram a bombardear alvos militares georgianos.
O Ministério do Interior da Geórgia afirmou que as tropas russas avançaram 40 quilômetros a partir da Abkházia, outra província separatista, até a cidade de Senaki, em território georgiano.O governo russo negou que suas forças estejam atuando fora dos territórios da Ossétia do Sul e da Abkházia - cuja independência, proclamada no início dos anos 90, não é reconhecida pela comunidade internacional.
Moscou deu um ultimato à Geórgia para que retire mais de 1.500 soldados de Zugdidi, perto da Abkházia, caso contrário eles seriam atacados pelas forças russas. A Geórgia rejeitou a exigência. A Rússia afirmou ter mobilizado na Abkházia mais de 9 mil pára-quedistas, e 350 tanques, veículos blindados e peças de artilharia para evitar uma repetição do que aconteceu na Ossétia do Sul, reocupada pela Geórgia na sexta-feira,8, desencadeando a contra-ofensiva russa.
O governo georgiano afirmou que 50 aviões russos bombardearam a Geórgia na noite de domingo para segunda-feira. Os comandantes militares russos desmentiram essa informação, mas admitiram ter perdido quatro aviões. Eles disseram que 18 soldados russos morreram desde o início dos confrontos, 14 estão desaparecidos e 52, feridos.
O governo georgiano acusou as forças russas de terem ocupado a cidade de Gori, 60 quilômetros a oeste de Tbilisi. O Ministério da Defesa russo negou a informação. Mas tem havido confrontos na cidade, a última posição importante controlada pelos georgianos antes da fronteira com a Ossétia do Sul.
De acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, quase 80% dos moradores de Gori fugiram dos bombardeios russos. "Nosso futuro e nossa liberdade estão sendo atacados", disse Saakashvili, no discurso à nação, na noite de segunda-feira. "Estamos em guerra e temos baixas, mas o inimigo tem baixas ainda maiores. Defenderemos nossa liberdade, nossa pátria até a última gota de sangue." O presidente insistiu que não foi ele quem começou o conflito, ao contrário da versão russa.
Confrontos esporádicos entre os separatistas ossétios e soldados georgianos sempre ocorreram na Ossétia do Sul desde que a província declarou sua independência da Geórgia, em 1992. Na noite de quinta para sexta-feira, um ataque a um blindado georgiano que deixou seis militares feridos deflagrou a ofensiva da Geórgia. Cerca de 1.600 civis morreram nos confrontos, segundo a Rússia, que mantém na Ossétia do Sul soldados que participam de uma "força de paz", junto com georgianos e ossétios. A Geórgia acusa a Rússia de apoiar os separatistas ossétios.
Segundo o governo em Tbilisi, pelo menos 130 civis georgianos morreram e 1.165 ficaram feridos.Sarkozy chega nesta terça-feira, 12, a Tbilisi depois que seu ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, esteve reunido ontem com Saakashvili.
Kouchner deve se encontrar na terça com as autoridades russas. A França exerce a presidência de turno da União Européia.
A situação na capital georgiana era calma ontem. Apenas alvos militares foram atacados pelos russos na cidade e imediações, como uma fábrica de aviões perto do aeroporto (que está fechado desde o início do conflito) e uma instalação de radares.

Brasil

Fora de compasso

Sidney Borges
O tema anistia voltou à baila. O governo quer punir torturadores. Para mim todo esse alvoroço tem cheiro de factóide. Me parece uma forma de tirar o foco do imbróglio Dantas e suas implicações telefônicas. Sou contra a tortura, como humanista não posso admitir que seres humanos sejam seviciados e humilhados em nome de uma causa. Seja ela qual for. Obviamente há situações em que a tortura parece ser uma solução, mas aí mora o perigo, quebrado o protocolo tudo passa a ser possível. Não foi inteligente trazer à luz tal discussão. Os militares estão quietos, melhor que continuem assim. Não é prudente cutucar um leão adormecido. O governo vai bem, a economia navega com vento de popa, o país caminha no rumo da diminuição das desigualdades. O ministro Tarso Genro poderia ter ficado de boca fechada. Não teria engolido mosquitos.

Opinião

Canteiros de obras paradas

Editorial do Estadão
São freqüentes as viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo País para marcar o lançamento da pedra fundamental ou a instalação do canteiro de uma obra inscrita no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula prometeu transformar o País num canteiro de obras do PAC, que se tornou o carro-chefe da campanha de autopromoção do governo. O Rio de Janeiro, talvez pelo interesse político-eleitoral do presidente nas principais cidades fluminenses, já recebeu diversas visitas de Lula. Ali foram instalados vistosos canteiros de obras, mas as obras, em sua grande maioria, estão paradas. Burocracia, falta de pessoal, problemas de gestão, questões ambientais retardam ou impedem a liberação de recursos para levá-las adiante.
O PAC previu investimentos totais de R$ 9,55 bilhões no Rio de Janeiro, em obras de infra-estrutura, como a Usina Hidrelétrica de Simplício, e logísticas, como o Arco Rodoviário (que ligará Itaboraí, ao Porto de Itaguaí), além da reforma do Aeroporto do Galeão, a urbanização de favelas e habitações. No início do ano, muito pouca coisa tinha saído do papel. De R$ 3,58 bilhões programados para favelas, apenas R$ 201 milhões tinham sido aplicados no Pavão-Pavãozinho e em bairros de Nova Iguaçu.
Balanço mais recente mostra que o ritmo de andamento do PAC no Rio diminuiu ainda mais. Em 2008, foram empenhados, isto é, reservados para o pagamento quando as obras ou serviços forem completados, R$ 266,3 milhões, dos quais apenas R$ 9,37 milhões - 3,5% - foram efetivamente pagos até agora, segundo reportagem publicada sábado pelo O Globo. O que foi pago é pouco mais do que o governo já gastou na divulgação do PAC pelo País (R$ 8,7 milhões de propaganda em 2007, sendo R$ 2 milhões para as obras programadas para o Rio).
Nem mesmo os recursos previstos no Orçamento de 2007, e inscritos em restos a pagar em 2008, que totalizam R$ 532,5 milhões para o Rio de Janeiro, foram integralmente liberados. Até agora, de acordo com levantamento feito pelo DEM no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), só R$ 338,5 milhões foram efetivamente pagos.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 12 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Rússia recusa trégua e amplia ataque à Geórgia"
Após controlar boa parte da região separatista da Ossétia do Sul, na Geórgia, a Rússia abriu outra frente de combate ao entrar na Abkházia, no oeste do país.O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, acusa a Rússia de pretender ocupar seu território. Moscou nega e afirma que visa criar zonas-tampão para proteger dos ataques de Geórgia as populações dos enclaves.Os russos rejeitaram dois planos de cessar-fogo propostos pela União Européia e pelo G7. Eles acusam os georgianos de continuar a bombardear a Ossétia, o que o governo do país contesta.O presidente George W. Bush (EUA) disse que a Rússia invadiu um Estado soberano e ameaça um governo democraticamente eleito: “Uma ação assim é inaceitável no século 21”.


O Globo
"Cabral: Infraero deve ‘largar o osso’ e privatizar o Galeão"
Em audiência pública na Assembléia Legislativa, o governador Sérgio Cabral defendeu ontem a concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim para a iniciativa privada. “Vamos largar o osso!”, disse o governador, referindo-se à Infraero, que administra os aeroportos do país. Cabral criticou reformas que não chegam ao fim: “Gambiarra não resolve”. Segundo Cabral, o presidente Lula já estaria sensibilizado para a proposta de concessão, sobretudo diante da necessidade de preparar o Galeão para a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016. O aeroporto foi apontado pelo COI como o ponto mais fraco da cidade, com nota 3,7.


O Estado de São Paulo
"Rússia avança e a Geórgia recua tropas para defender a capital"
A Rússia ignorou os apelos de cessar-fogo feitos pelo Ocidente e lançou ontem ampla ofensiva terrestre dentro do território da Geórgia. Até então, as operações se restringiam às províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Tropas russas ocuparam quatro cidades em território georgiano, entre ela Gori, principal entroncamento viário entre o leste e oeste do país. O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, voltou a pedir intervenção internacional e ordenou a suas tropas que se retirassem da zona de conflito para se concentrar na defesa da capital Tbilisi, situada a apenas 80 km de Gori. Testemunhas do bombardeio russo e Gori dizem que a cidade está destruída: “Parece que explodiu uma bomba atômica lá”, contou ao Estado o policial Kebadze Giorgi, que voltou aliviado para Tbilisi.


Jornal do Brasil
"Rio é campeão de infecções"
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta: o Rio lidera o ranking de infecções após videocirurgias. Só no ano passado, o Estado contabilizou 416 casos – mais de um por dia – dessas contaminações pós-cirúrgicas provocadas pelas chamadas micobactérias de crescimento rápido (MCR), que demora até um ano para se manifestar. O Rio é também o campeão absoluto de hospitais contaminados, respondendo por 77 das 128 das unidades detectadas.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Pensata

Como chegar aos cem

João Pereira Coutinho na Folha Online
Sim, sou um nostálgico da simplicidade. Tenho 5.000, 6.000 livros. Mas o meu sonho supremo era ter apenas dez ou vinte e fechar a contagem. Ah, como seria bom reunir "os livros da minha vida" numa única estante e deixar que o ruído do mundo, e das letras, passasse lá por fora. A biblioteca perfeita não se faz por adição; faz-se por subtração. Não me canso de o repetir.
Como tudo o resto, aliás: acumulamos centenas, milhares de objetos sem desígnio ou sentido. Quando seria possível viver com metade, ou metade da metade, ou metade da metade da metade. Só nos Estados Unidos, leio agora, existem milhares de "centenários": indivíduos que, cansados do excesso consumista, reduziram as suas vidas a cem objetos fundamentais. A moda espalhou-se por jornalistas do Reino Unido. Da Europa. De Portugal. Que fizeram a experiência e sobreviveram a ela.
E por que não? Sentado no sofá da sala, olho em volta e, saturado pela paisagem, começo a subtrair mentalmente. Ao fim de algumas horas, há mais espaço: físico, mental e até existencial. Não acreditam? Acreditem, leitores. E sigam-me, por favor.
Começo pelo quarto. Deixo ficar a cama (1); o jogo de lençóis (2); o cobertor para as noites geladas de Portugal (3); um candeeiro de leitura (4); os três volumes das cartas de Séneca a Lucílio, editados em inglês pela Loeb (7); uma chávena para o chá (8); um lápis para sublinhar ou comentar (9); caneta (10); bloco de notas (11); a fotografia que me acompanha quando desperto ou adormeço (12).
E roupa? Pouca, pouca. Três calças para o verão (15); três para o inverno (18); outro tanto de camisas (24); e de cuecas (30); e de meias (36); um "tweed" invernal (37), um casaco de linho para os dias mais quentes (38); gabardine para a chuva (39); sapatos (dois pares, 43); calções para nadar (44); uma gravata preta para funerais (45).
Na biblioteca, o despojamento é total. Fica a mesa, sim (46); a cadeira que foi do meu pai, e do pai do meu pai (47); o piano (48); o sofá das sestas e das festas (49); a estante (50); e, dentro da estante, por ordem cronológica, a Bíblia (51); a ética e a poética de Aristóteles (53); os Pensamentos de Marco Aurélio (54); as Confissões de Agostinho (55); Dante e a sua Comédia (56); os ensaios de Montaigne (57); a lírica, e só a lírica, de Camões (58); as obras de Shakespeare na edição recente, e excelente, da Royal Shakespeare Company (59); o Orgulho e Preconceito de Jane Austen (60); o Brás Cubas de Machado (61); os Maias de Eça (62); as quatro primeiras novelas satíricas de Evelyn Waugh (66); um volume de crônicas de Nelson Rodrigues (67); óculos para ler (68); o candeeiro para ler com óculos (69); e o laptop, para comentar tanta leitura e responder aos excelentíssimos leitores (70).
A música seria a grande sacrificada. Mas não abriria mão de Noël Coward a cantar velhos temas (71); e de Gershwin ao piano (72); e de Harry James ao trompete (73); e do My Fair Lady, na versão original (74). Ficaria também com uma ópera popular de Mozart, talvez Così Fan Tutte para os dias solares (75); e Bach para os dias chuvosos (76); e guardaria ainda um CD antigo e pirateado com um tema de Ennio Morricone que me enche sempre de felicidade e nostalgia (77). E, antes que seja tarde, o aparelho de som para que a casa não ficasse muda (78).
E antes que me acusem de higiene primitiva, haveria papel higiénico no banheiro (79), uma escova de dentes (80) com pasta a condizer (81); um pente (82); e sabão natural, melhor que todos os cremes (83). Ah, já esquecia: e uma toalha para me limpar (84)!
O que sobra? A cozinha, sim. Mas, não sendo eu homem moderno com talento para os tachos, dispensaria os ditos cujos. Ficaria o telefone para encomendar jantares (85) e a máquina do café para os terminar (86). E dois copos (88), e dois pratos (90), e duas facas (92), e dois garfos (94), e duas chávenas (96), e dois guardanapos de pano (98) - tudo isso para quando você, doce leitora, aqui viesse para jantar. E se pensam que faltam ainda dois objetos para chegar aos prometidos cem, pensem novamente: o jantar seria íntimo e à luz das velas. Duas, para ser mais claro (100).

Editorial

O Brasil que dá vergonha

Sidney Borges
Nos Estados Unidos quando acontece bloqueio de trânsito e somente é permitida a passagem de um veículo a prioridade é definida pelo sistema capitalista. Supondo que estejam na berlinda um tanque dos fuzileiros em vias de conter uma invasão hondurenha, uma ambulância levando um enfartado e um furgão dos correios, terá prioridade o carro postal por transportar valores. No Brasil a coisa não funciona assim. Tudo depende do humor do momento, embora haja aqui uma Constituição. Temos autoridades que decidem como deve ser a vida dos cidadãos sem pensar nos impactos na economia. São funcionários públicos de carreira, concursados. Nunca tiveram a incerteza de não ter dinheiro no fim do mês. Imaginam que o vil metal dá em árvores. Insensíveis vão canetando sem dó nem piedade. Nós blogueiros estamos amordaçados enquanto os jornais podem, a televisão pode, o rádio pode. Se eu colocar o santinho de algum candidato o “Comissão Processante” entra na Justiça e me aplica uma multa. Não é justo, não é sincero, é demagogia pura. No final serão beneficiados os de sempre. Aqueles que detém poder econômico. Eu por minha vez estou sofrendo severo prejuízo. Já deixei de ganhar duas tainhas do candidato peixeiro, três pizzas do pizzaiolo e diversos almoços do dono do restaurante. Escambo é proibido. Assim é o Brasil terra de cartórios e funcionários. Tsk, tsk, tsk... Mais uma vez lanço o meu veemente protesto contra a insensibilidade daqueles que têm o salário garantido pelos impostos que eu pago e que em vez de estimular o desenvolvimento capitalista cuidam de atrapalhar quem trabalha honestamente. Meu desprezo é total.

Olimpíadas

One world, one nightmare

Marcelo Mirisola*
Há quatro anos, Sarah, uma macaca do zoológico de Tel Aviv, resolveu andar sobre as duas patas, e intrigou cientistas do mundo todo. Naquela época, coincidentemente de Olimpíadas, escrevi o seguinte: “O engraçado é que ninguém se espanta com os lutadores de luta greco-romana nem com os judocas peso-pesados, especialistas em ficar de quatro. Eles e a comissão técnica e o Galvão Bueno, todos uivam e batem no peito feito orangotangos. O que essa gente que corre, pula, chuta bolas, nada e ganha medalhas tem de tão especial?”.

O espantoso – escrevi – : “Não é a macaca israelense que resolveu andar feito uma atleta olímpica, mas os atletas olímpicos­ que ficam de quatro e ganham medalhas. A cigarrinha-da­­­­­-­espuma também ‘desafia os próprios limites’ .Vejam só. Nossa amiga­ cigarrinha-da-espuma salta setenta vezes o seu tamanho. Mal comparando (porque a cigarrinha não dá entrevistas) é como se um Ronaldinho, de 1,75m, saltasse sobre duas estátuas da Liberdade, uma sobre a outra”.

Depois de quatro anos a mesma pergunta que não quer calar: “Por que ninguém condecora a cigarrinha-da-espuma?”

E infelizmente – depois de quatro anos, e provavelmente daqui a oito anos – terei de reproduzir o mesmo raciocínio que me obrigo a reproduzir nesse instante, ipsis litteris: onde estão os bombeiros, o presidente e o Galvão Bueno? Cadê o espírito olímpico, os patrocinadores e a Playboy? Os feitos da cigarrinha (já que o quesito “ultrapassar os próprios limites” é o que conta) não são muito mais assombrosos do que a gritaria e “os limites” dessa gente comum que corre, pula, chuta bolas?

Por que esse frenesi? Pra mim, Olimpíada é um festival de gente comum. Tédio, babaquice. O negócio é tão vazio quanto as prateleiras do Ayrton Senna (nenhum livro); típico herói dos heróis de si mesmo. Vou dizer uma coisa: esta gente-bicho ganha muito dinheiro, lê o Paulo Coelho (quando lê) e brota de qualquer lugar. Nada tem de especial. Pegue-se um Rodrigão da vida ( leia-se “Rodrigão” ou qualquer outro da seleção de vôlei, em Atenas ou Pequim, tanto faz); pois bem, se Rodrigão tivesse nascido na Itália, estaria lá nas olimpíadas do mesmo jeito, e com os mesmos 2,04m e defendendo a nação italiana, a porpeta e a pizza napolitana. A geografia é apenas um detalhe que deveria ser ignorado como as falésias, os recifes, os corais e a preferência sexual do Gilberto Gil.

Palavras que escrevi em 2004: “E daí que os africanos são os favoritos na maratona? Qual a diferença de fulano correr nas savanas africanas e na São Silvestre, na Avenida Paulista? Por Netuno! O que o maratonista faz de tão especial? Qualquer fusca modelo 71 tem desempenho superior — e mais confortável, a meu ver. E o Oscar Schmidt? Qual a relevância do Oscar Schmidt? Vejamos: foi candidato a senador apadrinhado por Paulo Maluf (na eleição que elegeu Celso Pitta...). O que mais? Hoje em dia vende badulaques na televisão, dá ‘palestras’ e se proclama ‘exemplo para a juventude’. Sei, sei.

O homem passou a vida enfiando bolas numa cesta! Por todos os Deuses Olímpicos! Além disso, freqüenta o sofá da Hebe! Ele quer dar exemplo para a ‘juventude’... Que juventude? Da TFP, só pode ser”.

Olimpíadas de Pequim, 2008. Eu falava da cigarrinha da espuma. Se não bastasse a pobre cigarrinha ficar sem medalhas, temos, nesse ano da graça de 2008, um agravante hiperbólico: qual seja, o país sede da Olimpíada, a China.

Contudo, eu penso que é exatamente esse agravante que pode dar uma chance aos atletas de se redimirem perante a maior de todas, ela, a cigarrinha-da-espuma.

Os alemães largaram primeiro. E iniciaram os protestos. A ciclista Sabine Spitz escolheu posar com a foto de Yang Tongyan, escritor condenado à prisão por defender a democracia. A nadadora Petra Dallmann também fez sua parte: deixou-se fotografar com a imagem sobreposta de Hu Jia, o principal dissidente chinês que denunciou abuso dos direitos humanos.

Outros atletas estão fazendo o mesmo. Quarta-feira passada, seis ciclistas norte-americanos desembarcaram em Pequim com máscaras respiratórias, uma provável alusão ao ar irrespirável da capital chinesa e ao cheiro de morte que paira sobre todo o país. No dia seguinte ao desembarque – decerto pressionados – pediram desculpas. Mas a imagem havia sido registrada, bastou, portanto, um gesto: nada que exigira muito treino e queima de calorias. O esgrimista Imke Duplitzer deixou-se fotografar com a imagem sobreposta do advogado Gao Zhisheng, conhecido por defender dissidentes políticos. Até o Bushinho (talvez contaminado pela obamania e descontada a piada de péssimo gosto que há por trás disso...) conclamou os atletas norte-americanos a não agirem apenas como esportistas, mas como “embaixadores da liberdade”.

E teve mais. O sudanês naturalizado americano Lopez Lomong, refugiado de guerra e membro do Team Darfur, o mais organizado movimento de atletas contrários ao regime chinês, foi o porta-bandeira dos EUA na cerimônia de abertura da Olimpíada. Mesmo se incluirmos a demagogia útil no Bushinho, não é nada pouco.

Já o Brasil – eita... – começou dando vexame. O nome do atleta Fabio Gomes, que disputará uma medalha no salto com vara, constava de um manifesto internacional contra a violação dos direitos humanos. Houve um erro. Em entrevista ao Jornal Nacional, o infeliz negou peremptoriamente ter assinado qualquer documento. Direitos humanos? Que é isso? O homem só pensa na vara e em ganhar medalhas, ele e o Mutle (o cachorro do Dick Vigarista, lembram?). Infantil para não dizer omisso. Ou em algum instante alguém achou que esse sujeito vislumbrou algo diferente do próprio bolso? Foda-se a liberdade de expressão.

E daí que, em 1989 – segundo informações da Cruz Vermelha – duas mil e seiscentas pessoas foram massacradas na Praça da Paz Celestial? E daí que de lá para cá a repressão política na China só fez piorar? A propósito: qual o recorde mundial no salto com vara? Vale lembrar: a cigarrinha-da-espuma – sem o uso de nenhuma muleta – salta setenta vezes o próprio tamanho; e faz isso com muito mais eficiência, sobriedade e discrição, sem platéias nem chiliques – e de graça. O “atleta” Fabio Gomes achou que estava livrando a cara. Omisso, repito. E o pior é que o dinheiro do contribuinte é que vai encher a barriga e a pretensão de tipos como ele. O governo federal e suas estatais despejaram R$ 1,2 bilhão nessa Olimpíada, sem falar na Lei Piva, que reverte 2% dos prêmios das loterias federais para os esportes “amadores”. Para quê? Para um Fabio Gomes da vida escapar pela tangente, se omitir?

A pergunta que me faço é a seguinte: se Fabio Gomes ganhar uma medalha (ou mesmo se não ganhar, o que é mais provável), a simples presença desse cara em Pequim é comprometedora. Isto é, além de cúmplice. porque sou brasileiro como ele “e não desisto nunca”, eu também estaria sendo omisso? Quantos são os omissos na delegação brasileira? Alguém devia fazer uma pesquisa: para saber, afinal, qual a posição dos atletas brasileiros em relação à censura na China, e o que eles acham da carga horária do trabalhador naquele país, da remoção violenta de moradores da região de Qianmen, e do fato de o governo chinês ter negado visto para dois atletas americanos integrantes de uma organização que presta assistência humanitária às crianças de Darfur. Aliás, será que eles sabem do genocídio que acontece em Darfur? Sabem ao menos onde fica o Sudão? Será que nossos heróis olímpicos sabem que a China é a maior compradora do petróleo produzido naquela região, e a maior vendedora de armas para o seu governo? O que pensam disso? Qual a posição dos atletas brasileiros em relação ao Tibete?

A partir do posicionamento desses atletas, as respectivas derrotas e vitórias de cada um seriam vistas sob um outro ponto de vista. Um sujeito que se omite e compactua com a morte, a arbitrariedade e a censura não merece ganhar medalhas, destoa gravemente da idéia de pertencer a uma nação democrática. Um cara do feito desse Fabio Gomes não me representa, nem aqui, nem na putaqueopariu, muito menos na China.

Alguém poderá dizer: os jogos de Moscou,em 1980, foram muito piores do que os de Pequim em termos de restrição à liberdade de expressão. A diferença é que, naquela época, o presidente dos EUA era Jimmy Carter, e ele liderou o boicote de 61 nações aos jogos olímpicos. No começo daquela década – nada a ver com olimpíadas – Serginho Chulapa azucrinava a vida de Emerson Leão, e morreriam Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes, e Henry Miller. Depois disso, Evandro Mesquita, Serginho Malandro, Ricardo Graça Mello e o “Menino do Rio” e ex-careca André di Biasi inaugurariam a geração saúde e cocaína. Em pouco tempo, coisa de cinco ou seis anos, a Aids, o Ayton Senna e as bandinhas de rock brasilienses explodiriam, e o mundo ficaria irremediavelmente mais chato, conservador (olímpico) e bundão.

Voltando. Eu dizia que a oportunidade que o “atleta” Fabio Gomes jogou na lata do lixo é mais importante do que qualquer podium, qualquer medalha de ouro. Será tão difícil de entender, Galvão Bueno? Por que esse sorriso acolhedor e quentinho, Fátima Bernardes? Por acaso você, além de mãezona exemplar, também é sádica e curte uma necrofilia? Você estaria achando graça de quê? Do assassinato de duas mil e seiscentas pessoas e dos gritos de horror que ecoam na Praça da Paz Celestial? Do espancamento dos seus colegas jornalistas na distante Kashgar quando tentavam cobrir um atentado terrorista? Por que essa fofura e cumplicidade?

Bem, de qualquer forma, desejo que esse tal de Fabio Gomes seja empalado pela vara que tanto preza, para o desagravo da cigarrinha-da-espuma, e para o bem da nação. Por fim, vou ter de citar o Guga. Outra vez, o Guga. Na época em que ganhou o torneio de Roland Garros, ofereceram um carro de bombeiros para ele desfilar nas avenidas de Florianópolis. Sabem o que o Guga disse?: “Só subo em carro de bombeiro para apagar incêndio”. A cigarrinha-da-espuma não chegaria a tanto. O resto é ouro, morte e pesadelo.


PS:

1. "Muito tosco aquele chinês pedalando no ar: alguma coisa estava desajustada na câmera lenta que a tecnologia da censura ajambrou para ele. De resto, quem não sabia que ele ia acender o pavio da pira olímpica? O Marquitos ( aquele do Ratinho,lembram?) faria melhor. Fica dada a sugestão,caso o Lula consiga trazer os próximos jogos para o Brasil".

2. "Queria agradecer a todos que têm participado do Fórum de leitores. Resolvi não responder. Não é por falta de educação. Mas porque não queria transformar isso aqui num blogue. De qualquer forma, muito obrigado".

Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.


 
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