sábado, agosto 09, 2008

Guerra

Entenda o conflito na Geórgia

Do The Guardian, no Estadão:
A Ossétia do Sul e a outra região separatista da Geórgia na região, a Abkházia, conquistaram uma independência de fato desde o início dos anos 90, mas a Geórgia jamais reconheceu a perda de seu território. A disputa entre Tblisi e as duas regiões foi chamada de "o conflito congelado" porque as questões permaneceram sem resolver, mas não havia luta. O gelo começou a degelar e o calor a crescer no começo deste ano quando o Ocidente reconheceu Kosovo, indo contra a recomendação da Rússia. Os ossétios do sul e os abkházios argumentavam que se Kosovo podia ser independente eles também - e retomaram sua luta pela liberdade.

ORIGEM DA DISPUTA

Os ossétios são descendentes de uma tribo chamada os alanos. Como os georgianos, os ossétios são cristãos ortodoxos, mas têm a sua própria língua. Na época soviética, os ossétios tinham uma região autônoma dentro da Geórgia. Os georgianos dizem que os ossétios colaboravam com os bolchevistas e tendiam a ser mais pró-soviéticos. Seus semelhantes étnicos vivem do outro lado da fronteira na região russa da Ossétia do Norte, por isso eles se sentem mais atraídos para a Rússia do que para a Geórgia - e muitos possuem passaporte russo.
A Abkházia, na costa do Mar Negro, também teve autonomia dentro da Geórgia durante a época soviética. Por causa de seu clima subtropical, ela era o balneário dos líderes soviéticos e hoje continua sendo popular para turistas russos. Ela tem uma população mista de abkházios, gregos, armênios, russos e georgianos, e uma pequena, mas significativa, minoria muçulmana. Milhares de georgianos étnicos fugiram de suas casas na Abkházia durante a guerra civil no início dos anos 90 e hoje vivem como refugiados em Tbilisi e Moscou.

ENVOLVIMENTO RUSSO

A Rússia diz que não pode ficar de lado, pois muitas pessoas nas regiões separatistas são agora seus cidadãos. A Geórgia diz que a Rússia está interferindo em seus assuntos internos e apoiando os separatistas, embora os mantenedores da paz russos deveriam ser supostamente neutros. A Geórgia acusa a Rússia de usar dois pesos e duas medidas ao sufocar sua própria rebelião separatista na Chechênia e, no entanto, encorajar separatistas na Geórgia. A Rússia ficou mais envolvida na região desde que a Geórgia manifestou interesse em entrar na Otan, uma idéia à qual a Rússia se opõe veementemente.

O QUE ESTÁ EM JOGO

O conflito pode se ampliar envolvendo os Estados Unidos, a Europa e outras ex-repúblicas soviéticas. A raiz do problema é que a comunidade internacional não consegue chegar a um acordo sobre regras para a independência de pequenas regiões. A Rússia havia declarado que conceder a independência a Kosovo seria abrir um precedente perigoso. Moscou agora parece decidido a provar que estava com a razão.

Saúde

Anvisa dá alerta sobre bactéria hospitalar

De Cláudia Collucci na Folha de São Paulo
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ontem que o país vive uma "emergência epidemiológica" causada por uma bactéria presente em equipamentos de cirurgia -chamada micobactéria. Há ao menos duas hipóteses para explicar os surtos dessas infecções: sujeira dos aparelhos e resistência da bactéria aos produtos de esterilização.
Nos últimos cinco anos, a micobactéria, uma "prima" da tuberculose, fez 2.102 vítimas em 14 Estados brasileiros, a maioria em hospitais privados. Em São Paulo, foram notificados 43 casos -os últimos em 2004. Neste ano, houve 76 novas ocorrências no Distrito Federal, em Goiás e no Rio Grande do Sul. Duas mortes estão sob investigação no Paraná.
Em razão dessas infecções, que causam perdas de tecidos, nódulos e feridas que não cicatrizam, o governo do Espírito Santo decidiu na última terça suspender as lipoaspirações. Os infectologistas classificam a situação como "grave" e orientam que as pessoas adiem cirurgias eletivas (que podem esperar), como lipoaspiração e implantes de silicone, até que a situação esteja sob controle. (Do Blog do Noblat)

Internacional

Nagasaki pede fim de armas nucleares em aniversário da bomba

Explosão deixou mais de 145 mil mortos nesta cidade japonesa, contra quase 260 mil em Hiroshima

EFE
TÓQUIO - O prefeito de Nagasaki reivindicou neste sábado um futuro sem armas nucleares durante uma cerimônia que lembrou nessa cidade do oeste do Japão o 63º aniversário do lançamento da segunda bomba atômica dos EUA no final da Segunda Guerra Mundial.

Segundo informou a agência local "Kyodo", o regedor, Tomihisa Taue, leu um manifesto pela paz na qual pediu a eliminação dessas armas e lembrou que o ex-secretário americano de Estado Henry Kissinger pediu sua redução paulatina até chegar a sua abolição total.

Na cerimônia participaram cerca de 5.400 pessoas, entre elas o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, logo depois de retornar ao Japão após sua viagem relâmpago à China, para assistir a inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim.

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Região

Ilhabela tem o melhor Índice de Desenvolvimento Municipal do Litoral Norte

Ilhabela - Ilhabela tem o melhor Índice de Desenvolvimento Municipal do Litoral Norte, foi o que revelou pesquisa realizada pela Federação das Industrias do Rio de Janeiro, que aponta o IFDM (Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal) 2005 de todas as cidades brasileiras.
O IFDM considera, com igual ponderação, as três principais áreas de desenvolvimento humano, a saber, Emprego e Renda, Educação e Saúde. A leitura dos resultados – por áreas de desenvolvimento ou do índice final – é bastante simples, variando entre 0 e 1, sendo quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento da localidade.
Ilhabela obteve o melhor resultado do Litoral Norte, ocupando a 76ª posição nacional e a 68ª no Estado, com o IFDM de 0,8486. São Sebastião ocupa a 211ª posição nacional e 145ª do Estado, com o IFDM 0,8032. Ubatuba vem em seguida em 517ª (nacional) e 300ª (Estado), com IFDM 0,7493. E por fim, Caraguatatuba na 869ª colocação nacional e 436ª do Estado, com IFDM 0,7162. Nas avaliações individuais das áreas analisadas, Ilhabela, apresentou resultados expressivos. Alcançou o melhor índice de Educação do Litoral (0,9256), seguido por Caraguatatuba (0,8401); Ubatuba (0,8320) e São Sebastião (0,8272).
Na área da Saúde, o município também lidera, obtendo o índice de 0,8962; na frente de Caraguatatuba (0,8812); São Sebastião (0,8330) e Ubatuba (0,7931). Já no quesito Emprego e Renda, o arquipélago ocupa o segundo lugar do Litoral, com 0,7239; atrás de São Sebastião, que levou a melhor, com 0,7495); Caraguatatuba ficou em terceiro com 0,6632 e Ubatuba em quarto com 0,6227.
O indicador IFDM - Emprego e Renda acompanha a movimentação e as características do mercado formal de trabalho, cujos dados são disponibilizados pelo Ministério do Trabalho. As variáveis acompanhadas por este indicador são: Taxa de Geração de Emprego formal sobre o Estoque de Empregados e sua Média trienal; Saldo Anual Absoluto de Geração de Empregos; Taxa Real de Crescimento do Salário Médio Mensal e sua Média Trienal; e, Valor Corrente do Salário Médio Mensal.
O indicador IFDM - Educação capta tanto a oferta quanto a qualidade da educação do ensino fundamental e pré-escola, conforme competência constitucional dos municípios. As variáveis acompanhadas por este indicador são: Taxa de Atendimento no Ensino Infantil; Taxa de Distorção Idade-série; Percentual de Docentes com Curso Superior; Número Médio Diário de Horas-Aula; Taxa de Abandono Escolar; e, Resultado Médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
Por sua vez, o indicador IFDM - Saúde visa avaliar a qualidade do Sistema de Saúde Municipal referente à Atenção Básica. As variáveis acompanhadas por este indicador são:
Quantidade de Consultas Pré-Natal; Taxa de Óbitos Mal-Definidos; e,Taxa de Óbitos Infantis por Causas Evitáveis.
Podemos apontar várias ações que levaram o município de Ilhabela ao expressivo resultado do IFDM, tais como, o melhor IDEB do Litoral Norte e Vale do Paraíba na área da educação; um dos menores índices de mortalidade infantil do Estado, na área da Saúde e cursos de capacitação e qualificação de mão de obra, e, a implantação do receptivo de navios de cruzeiros que aquecem a economia local, na área de geração de emprego e renda.
O Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) surgiu em resposta à ação 97 do Mapa de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, que propôs a criação de um índice para acompanhar de forma permanente o desenvolvimento humano, econômico e social no interior do estado. Pela inexistência de índices anuais e municipais, foi desenvolvida uma metodologia criando o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal-IFDM, fruto de longa pesquisa do corpo técnico do Sistema Firjan e de consultas a especialistas externos e a diversos órgãos de gestão pública.
O pioneirismo deste trabalho consiste na periodicidade anual, recorte municipal e abrangência nacional do índice. A metodologia desenvolvida permitiu, assim, a geração de índices para todos os municípios, bem como para todos os estados.
O IFDM distingue-se por ter periodicidade anual, recorte municipal e abrangência nacional. O IFDM possibilita o acompanhamento do desenvolvimento humano, econômico e social dos municípios, apresentando uma série anual, de cálculo simplificado e com base em dados oficiais.
Uma das vantagens do IFDM é que permite ainda orientar ações públicas e acompanhar seus impactos sobre o desenvolvimento dos municípios – não obstante a possibilidade de agregação por Estados.
Em 2005, a média brasileira do IFDM totalizou 0,7129 pontos, tendo o valor mais elevado sido atingido em Idaiatuba em São Paulo com 0,9368 pontos e o menor, em Santa Brígida na Bahia com 0,2933 pontos. De acordo com os dados, apenas duas capitais (Curitiba e Vitória) configuravam entre os 100 primeiros colocados, dos quais 82 municípios possuíam menos de 300 mil habitantes e exatamente a metade menos de 100 mil habitantes. Considerando este grupo dos 100 primeiros colocados, 87 municípios estão no Estado de São Paulo. (Fonte: Prefeitura Municipal de Ilhabela)

Opinião

A ''pedagogia'' do Supremo

Editorial do Estadão
O Brasil se tornou um país melhor esta semana graças a duas límpidas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) - uma, contrariando uma opinião pública compreensivelmente revoltada com a desenvoltura dos políticos corruptos que se mantêm impunes; outra, restringindo a situações excepcionais uma prática corriqueira no trabalho policial, apreciada com sabor de desforra por setores dessa mesma opinião pública quando dirigida contra figuras notórias que simbolizam os privilégios da política ou do capital. Ambas as decisões eram esperadas nesse período em que o Supremo tomou a si a incumbência civilizatória de promover "uma pedagogia dos direitos fundamentais", nas palavras do seu presidente e principal porta-voz da causa entre os seus pares, ministro Gilmar Mendes.

A primeira decisão, tomada por 9 votos a 2 na terça-feira, ratificou o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral - vitorioso, é bem verdade, por um único voto de diferença - de que ninguém pode ser privado do direito de disputar uma eleição em razão de acusações pregressas que acabaram levando o candidato ao banco dos réus, enquanto ele não for inapelavelmente condenado em razão de alguma delas. A segunda decisão, adotada por unanimidade no dia seguinte, limitou a eventualidades claramente enunciadas o uso legítimo de algemas no cumprimento de um mandado de prisão e em circunstâncias posteriores - quando houver fundados receios de que o acusado ou poderá fugir ou poderá agredir o agente policial (ou atentar contra a própria vida).
No caso dos chamados "fichas-sujas", o STF não cedeu ao movimento das autoridades eleitorais regionais para negar registro às candidaturas dos políticos que respondem a processos, geralmente por corrupção, em qualquer esfera do sistema judicial. Tampouco cedeu à influente Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) que encampou a bandeira do banimento dos candidatos sub judice, com maciço apoio da sociedade - da ordem de 80% da população, ao que se estima.
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Manchetes do dia

Sábado, 09 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Russos invadem Geórgia após ataque a separatistas"
O premiê russo, Vladimir Putin disse que a "guerra já começou" entre seu país e a ex-república soviética da Geórgia, que iniciaram confrontos cujo saldo é estimado em centenas de mortos.O estopim foi a ofensiva da Geórgia para retomar sua província separatista da Ossétia do Sul. Em seguida, blindados da Rússia responderam com bombardeios a bases aéreas georgianas.Os dois lados se acusam pelo conflito, que rompeu a trégua após a eleição, em 2004, do presidente Mikhail Saakashvili, empenhado em reunificar a Geórgia. Dois terços dos sul-ossetianos têm nacionalidade russa. A origem da tensão está na implosão da URSS; independente, a Geórgia não permitiu desmembrar seu território. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, pediu a saída dos russos do território georgiano.


O Globo
"Governo só liberou 3,5% da verba do PAC no Rio"
Apesar das inaugurações com a presença do presidente Lula e de candidatos às eleições, as obras do PAC ainda não deslancharam no Rio. Levantamento baseado no Siafi mostra que, dos R$ 266,3 milhões empenhados este ano pela União para o estado, só foram pagos R$ 9,37 milhões. O valor é quase igual ao que o governo federal gastou na publicidade do programa em todo o país: R$ 8,4 milhões. No caso do arco rodoviário, por exemplo, o problema vem desde 2007: dos R$ 700 milhões previstos, apenas R$ 100 milhões foram liberados.


O Estado de São Paulo
"Rússia reage e ataca a Geórgia"
Tropas russas invadiram ontem a Geórgia, em reação à ofensiva georgiana na província separatista da Ossétia do Sul. Na véspera, a Geórgia tinha bombardeado Tskinvali, capital da província de 70 mil habitantes – que desde os anos 90 lutam pela independência, com apoio de Moscou. Poucas horas depois do bombardeio, tanques e blindados russos cruzaram a fronteira, ao norte, e rumaram para Tskinvali. A batalha na capital da Ossétia do Sul foi sangrenta e, segundo autoridades locais, o número de mortos pode chegar a 1.400. “Com o pesado bombardeio, Tskinvali está destroçada”, resumiu Marat Kulakhmetov, um dos comandantes russos na região. Aviões russos bombardearam ainda a base militar de Senaki e o porto de Poti, no Mar Negro. O confronto provocou reação internacional imediata. Os Estados Unidos e a União Européia fizeram apelo para um cessar-fogo. O presidente George W. Bush, e o premiê russo, Vladimir Putin, discutiram a situação pouco antes do almoço de líderes mundiais reunidos em Pequim para a abertura da Olimpíada.


Jornal do Brasil
"Candidatura de policiais tira das ruas um batalhão"
Uma tropa de 419 policiais candidatos tentará uma vaga no Legislativo municipal em outubro – o suficiente para lotar um batalhão e uma delegacia do Rio. O número de policias militares (357) e civis (62) em campanha – todos licenciados do trabalho contra a violência – aumentou 32,2% entre praças e oficiais, e 37,7 % entre agentes e delegados nos últimos quatro anos. A Polícia Federal investiga denúncias sobre crimes e a ligação de alguns desses candidatos às milícias que controlam currais eleitorais. O Sindicato dos Delegados de Polícia suspeita que haja distorções diante do volume de aspirantes à carreira parlamentar. Especialistas creditam o fenômeno ao fato de o tema da segurança ter adquirido maior visibilidade na população.

sexta-feira, agosto 08, 2008


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Deu em O Globo

TREs: ‘Poderemos ter bandidos nas prefeituras’

Presidente do colegiado de tribunais diz que decisão do STF sobre ‘fichas-sujas’ deixa magistratura de mãos atadas

De Isabel Braga:
Presidente do colégio de presidentes de tribunais regionais eleitorais, o desembargador Cláudio Santos lamentou ontem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar a candidatura de políticos que respondem a processos judiciais. Ele enfatizou que a decisão da Corte deixa a magistratura de mãos atadas e que, no momento, resta apenas aguardar que o Congresso Nacional aprovou uma lei mais restritiva.
— Pelo menos, por ora, a magistratura está de mãos atadas. Os magistrados devem se submeter à hierarquia jurisdicional. Mas poderemos continuar a ter, à frente das prefeituras e nas câmaras municipais, bandidos de notória visibilidade, o que é uma anomalia jurídica — criticou o desembargador. Leia mais em O Globo
Com suas candidaturas impugnadas horas antes da decisão do Supremo Tribunal Federal que liberou as candidaturas "fichas-sujas", os principais concorrentes à prefeitura de Campos — Rosinha Garotinho (PMDB), Arnaldo França Vianna (PDT) e Paulo Feijó (PSDB) — terão de tentar derrubar a sentença da juíza eleitoral do município, Márcia Alves Succino, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Apesar de a decisão do Supremo beneficiar os candidatos, os advogados dos três disseram que já trabalham na defesa dos clientes.
(Do Blog do Noblat)

Música

A música do dia - 50 anos da bossa nova

Diana Krall - "Insensatez" (30)
Insensatez (Vinicius de Moraes e Tom Jobim) - Diana Krall; do cd: "From this moment on". Ouça aqui
Diana Krall nasceu na Colúmbia Britânica, numa família musical. Começou a tocar piano aos quatro anos. No colegial, entrou num pequeno grupo de jazz. Aos 15, passou a se apresentar regularmente em diversos restaurantes de Nanaimo. Em 1993, Krall lançou seu primeiro álbum "Stepping Out", juntamente com John Clayton e Jeff Hamilton. Leia mais sobre Diana Krall. E confira a letra da música no site "Letras". (Do Blog do Noblat)

Ubatuba

Os rankings da OCDE

Corsino Aliste Mezquita
A revista VEJA (Páginas amarelas- Edição 2072 – ano 41, n° 31 de 06-08-08) publicou entrevista com o físico alemão, ANDREAS SCHLEICHER, responsável pela aplicação das provas para a elaboração do indicador PISA (sigla em inglês para o programa internacional de aferição de estudantes sob a responsabilidade da OCDE). A entrevista enfoca a educação brasileira por ser Brasil um dos cinqüenta e sete países participantes do programa. As idéias apresentadas não trazem grandes novidades para quem acompanhe os movimentos e avaliações da educação brasileira. São conceitos óbvios, de todos conhecidos, mas.... que jamais foram assimilados e pensados com seriedade pela grande maioria dos educadores e políticos brasileiros.
A entrevista sob o título: “Medir para avançar rápido” merece a leitura reflexiva dos educadores brasileiros de todos os níveis. Neste momento de publicação de pesquisas, mal elaboradas e tendenciosas, de responsabilidade do Ministério da Educação, pode colocar uma azeitona crítica na empanada do Ministério.
Destacamos alguns itens:
POSIÇÃO DO BRASIL NOS RANKINGS.
“Na comparação com 57 países, o Brasil sempre aparece entre os últimos colocados em todas as disciplinas”.
“Ao olhar os rankings, pais, educadores e autoridades podem começar a fazer comparações e constatar o óbvio: suas escolas estão bem atrás das dos países da OCDE”.
CAUSAS
“Enquanto o Brasil foca no irrelevante, os países que oferecem bom ensino já entenderam que uma sociedade moderna precisa contar com pessoas de mente mais flexível”.
“Os professores ainda conduzem suas aulas guiados muito mais pelas próprias ideologias do que por conhecimento científico”.....”As linhas pedagógicas são motivadas por crenças pessoais e deixam de enxergar o verdadeiramente eficaz”.
“As verbas disponíveis são muito mal gastas. Com o atual orçamento, os brasileiros poderiam estar num patamar melhor”.
SOLUÇÕES
Obviamente sugere: maiores investimentos, melhor utilização dos recursos, estabelecer metas; fornecer prédios, equipamentos, processos e materiais pedagógicos modernos e adequados ao aprendizado. Com destaque especial apresenta: “disciplina, silêncio harmonia, diálogo e paz” nos ambientes escolares.
Como providência indispensável destaca. “Uma das mais eficazes diz respeito à criação de incentivos para tornar a carreira do professor atraente, de modo que passe a ser escolhida pelos estudantes mais talentosos. Essa é uma realidade bem longínqua para muitos dos países em desenvolvimento, como o Brasil”..... “O que faz estudantes brilhantes optar pela profissão de professor é, muito mais do que o salário acima da média, um ambiente em que eles tem o talento reconhecido e a capacidade intelectual estimulada”..... “O fundamental para eles é que terão mais uma boa perspectiva nos próximos vinte anos”. Infelizmente, no Brasil, só existe isso em alguns municípios. “Os rankings da OCDE mostram que o Brasil está um passo atrás”. Já Ubatuba está vários passos atrás. As reflexões podem servir aos encarregados de executar planos de governo. Digo executar porque de nada adianta prometer e depois fazer o contrário.
VIVA UBATUBA! Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

Muito barulho, muita confusão

Washington Novaes
Há momentos, no Brasil, em que é difícil avaliar a realidade política, tais as contradições entre os diversos agentes ou entre as palavras e as ações. O momento que estamos vivendo é um desses. Nunca se ouviu falar tanto em desenvolvimento sustentável, poucas vezes se caminhou tanto em direções opostas em áreas muito importantes.

Pode-se começar pela licença prévia concedida ao projeto da usina nuclear Angra 3. A primeira pergunta seria se o País precisa de mais energia, inclusive dos 1.300 MW dessa unidade. E vários estudos - da Unicamp, da USP (professor Célio Bermann, entre outros), do WWF, dos professores Pinguelli Rosa (Coppe-UFRJ) e José Goldemberg (ex-ministro e ex-secretário, IEE-USP) e de outras instituições - dizem que o Brasil poderia até reduzir seu consumo em 30% com programas de eficiência e conservação de energia; ganhar mais 10% do consumo atual com repotenciação de usinas antigas; e outros 10%, ainda, aumentando a eficiência nas linhas de transmissão, que hoje perdem 15%. E tudo a custos muito menores. Mesmo se precisasse de mais energia, poderia recorrer a outras fontes, renováveis, mais limpas e mais baratas.
Não bastasse tudo isso, as usinas nucleares enfrentam problemas como o da insegurança: neste momento mesmo, duas usinas da França, país que mais depende de energia nuclear, apresentam vazamentos radiativos perigosos. E não há, em nenhum país, solução para o lixo nuclear. Em Angra 1 e Angra 2, ele continua depositado em piscinas, dentro das próprias usinas. Estados Unidos e Suécia, que tentam sepultar esses resíduos, não conseguiram resolver questões de ordem geológica, hidrológica, sismológica e outras. Aqui, diz o ministro do Meio Ambiente que exige "solução definitiva" (sem dizer qual). Mas o presidente do Ibama ressalva que "ninguém vai descobrir a pólvora". E o ministro de Minas e Energia, antes de definido o caminho, assegura que a implantação do projeto começa em setembro. Em que ficamos?
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Decisão do STF limita utilização de algemas"
O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que algemas só devem ser usadas em casos “excepcionais” e de “evidente perigo de fuga ou agressão”.“O uso de algemas se tornou uma forma de execrar um cidadão”, disse o ministro Marco Aurélio Mello. O tribunal analisou um caso específico, no qual o réu alegou que o fato de estar algemado influiu na sentença – o julgamento foi anulado. Os ministros editarão súmula vinculante, para que a decisão seja seguida nas instâncias inferiores. Após a aprovação da súmula, quem se sentir vítima de abuso poderá recorrer ao Supremo.A discussão sobre abusos renasceu quando Daniel Dantas e outros foram presos na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.


O Globo
"Supremo anula julgamento de homicida por uso de algema"
Por dez votos a zero, o Supremo Tribunal Federal anulou uma condenação por homicídio triplamente qualificado porque o réu foi mantido algemado durante o julgamento. O pedreiro Antônio Sérgio da Silva havia sido condenado a 13 anos e meio de prisão, mas o STF aceitou o argumento de constrangimento ilegal e anulou a sentença. A sessão foi marcada por críticas de ministros do STF ao abuso de autoridade no uso de algemas. Eles estabeleceram que as algemas só podem ser utilizadas para evitar fuga ou agressão.
Enquanto isso, no Rio um rapaz de 17 anos se desvencilhou de três algemas plásticas, roubou a arma do PM que o levava e o matou com três tiros. O menor também foi morto.


O Estado de São Paulo
"STF limita utilização de algemas pela polícia"
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem limitar a colocação de algemas em presos durante operações policiais. Por unanimidade, o plenário do STF resolveu editar uma súmula determinando que algemas só devem ser usadas quando houver chance de fuga do preso ou risco à segurança dele e de outras pessoas. O Supremo vai comunicar oficialmente a decisão ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e aos secretários estaduais de Segurança. Os ministros do STF citaram operações nas quais consideraram ter ocorrido abusos – entre elas, a Satiagraha, em que foram presos o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta. “As três pessoas foram apenadas sem o devido processo legal mediante a imposição de algemas”, disse o ministro Marco Aurélio.


Jornal do Brasil
"Beber fica mais caro"
O governo aumenta em 30%, a partir de outubro, o Imposto sobre Produtos Industrializados para as bebidas alcoólicas “quentes” - como vinho, uísque, aguardentes e batidas. Não foram incluídas no pacote cerveja, refrigerantes e água mineral, que terão maior alíquota quando o Congresso alterar as regras de cobrança de IPI, PIS e Cofins. O governo calcula que as fabricantes farão um repasse de até 5% sobre o preço final das bebidas. Mas representantes das indústrias afirmam que o reajuste do imposto será inteiramente repassado ao consumidor.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Ubatuba em foco



Ubatuba é o primeiro município do Litoral Norte a se integrar ao Programa 'Observando os Rios'

Ubatuba, através do Projeto 'Cuidágua na Escola', é o primeiro município do Litoral Norte a se integrar ao Programa 'Observando os Rios'. O programa faz parte do Projeto Rede das Águas, promovido pela SOS Mata Atlântica e oferece instrumentos de educação ambiental, capacitação e articulação em rede com o objetivo de promover e estimular a participação dos cidadãos na gestão da água e do meio ambiente.
A metodologia desenvolvida especialmente por Samuel Murgel Branco para a Fundação SOS Mata Atlântica tem sido aplicada desde a instituição do Núcleo União Pró-Tietê, utilizando o monitoramento da qualidade da água como instrumento de sensibilização e engajamento social para gestão participativa de bacias hidrográficas.
Em Ubatuba, será feita análise mensal dos rios através de coleta das águas, considerando diversos parâmetros ambientais, como presença de coliformes fecais, lixo, demanda bioquímica de oxigênio e concentração de nitratos. Mediante resultados, a água será classificada em: Ótima, Boa, Aceitável, Ruim e Péssima.A equipe do Projeto 'Cuidágua na Escola' recebeu uma capacitação e já iniciou o monitoramento do Rio Grande na Ilha dos Pescadores, como ponto inicial de amostragem de água, uma vez que a ASSU tem sua sede nas próximidades deste rio.
A primeira observação da equipe, revelou que a água do Rio Grande ainda estava com a qualidade "aceitável", próximo à foz do rio. Porém, lixo e outros impactos ambientais negativos, como a presença de coliformes fecais, foram encontrados.
A educadora ambiental da equipe do Projeto Cuidágua na Escola Débora Olivato, mediante a esse ocorrido, não o classificaria como aceitável e enfatiza o problema da falta de tratamento de esgoto em alguns pontos de Ubatuba.
O oceanógrafo e pesquisador Henrique Luís de Almeida, também integrante do Projeto, salienta: "O resultado desta amostragem que classificou a qualidade da água como aceitável, pode ter sido influenciado pelo horário da maré e pela escassez das chuvas, a partir da análise mensal poderemos encontrar uma relação de como estes fatores ambientais influenciam a qualidade da água no estuário do Rio Grande. É importante considerar também que a metodologia foi desenvolvida inicialmente para monitorar a qualidade da água do rio Tietê e seus afluentes, que têm uma realidade bem mais caótica que os rios de Ubatuba".
Entretanto, observou-se também a presença de manguezal, peixes, tartaruga e aves aquáticas, dotando a Ilha dos Pescadores de grande potencial de recuperação ambiental e paisagística, o que poderá trazer diversos benefícios a qualidade de vida e ao turismo no local.

Além do Rio Grande, os rios Tavares, Maranduba e um riacho da Picinguaba poderão ser monitorados pelas Escolas Mobilizadoras do Projeto Cuidágua na Escola (EMEF Nativa Fernandes Farias, no Sertão da Quina; EMEF Maria Josefina Giglio, na Estufa II; e EMEF Iberê, na Picinguaba), as quais receberão um Kit de análise de água com capacidade para até dois anos e meio de monitoramento.Todas as informações serão cadastradas mensalmente e disponibilizadas no site: www.rededasaguas.org.br.
A Associação Socioambientalista Somos Ubatuba está preocupada com a qualidade das águas de Ubatuba. A ONG prima por resultados inquestionáveis e está empenhada a contribuir para a resolução do problema. (Enviado por Andressa Rocha Derencius)

O Projeto Cuidágua na Escola é uma realização da Associação Socioambientalista Somos Ubatuba (ASSU) em parceria com o Instituto Seiva, as Secretarias Municipais de Educação e Meio Ambiente, o Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha e o Aquário de Ubatuba, é financiado pelo FEHIDRO (Fundo Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo) e conta ainda com o apoio do Comitê de Bacias Hidrográficas (CBH-LN) e da Fundação SOS-Mata Atlântica.

Santa Casa



Neurologistas na Santa Casa de Ubatuba, sim senhor!!

Mara Franhani

Com relação à matéria veiculada na internet sobre a equipe de neurocirurgiões da Santa Casa de Ubatuba, só tenho a lamentar como algumas pessoas desprovidas de consciência e de conhecimento, ou por interesse maldoso de causar danos a pessoas que nem mesmo conhecem, se prestam a tal ação leviana. Apesar do ônus da prova caber a quem acusa, por respeito a nossos usuários vamos esclarecer os apontamentos feitos pelo senhor Marcos Leopoldo Guerra.
Ao que se refere à acusação de que o Dr. Alexandre Rangel não seria especialista em neurocirurgia, o Sr. Marcos deveria procurar melhor tal informação, uma vez que a Santa Casa possui em arquivo os certificados de especialidade dos médicos em questão, como mostra a imagem anexa. Como pode ser observado, o Dr. Alexandre de Araújo Rangel, realizou sua especialização pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, concluindo-a em 2002. Portanto, a alegação é totalmente infundada.
Informamos ainda, que o mesmo é sócio juntamente com o Dr. Hugo Cappelli, da empresa PRONESPE – PROCEDIMENTOS NEUROLÓGICOS ESPECIALIZADOS LTDA, que possui sua documentação completamente em ordem, e que o hospital também mantém a guarda. Salientamos que esta é a mesma empresa que presta serviços em Caraguatatuba/SP.
No que se refere à intitulação do Dr. Marcus Alexandre como Diretor Técnico, observa-se que o Sr. MARCOS LEOPOLDO GUERRA, não tem conhecimento algum sobre a rotina de cadastramentos e registros junto ao CRM, pois a mesma encontra-se em trâmite junto ao CREMESP, já protocolizada e aguardando deferimento.
Observamos na matéria que o mesmo se pautou numa única fonte de informação que infelizmente não soube usar. Seria muito proveitoso se o Sr. MARCOS LEOPOLDO GUERRA já tivesse protocolado junto a todas autoridades mencionadas, tal questionamento porque já teria recebido a resposta e assim se livrado de responder judicialmente pelas calúnias divulgadas.
O único interesse da ATUAL administradora e de toda a equipe da Santa Casa é de fazer com que o hospital logre êxito no que tange ao equilíbrio financeiro e melhor assistência a seus usuários, e como é notório estamos no caminho certo. Também estamos à disposição de todos os munícipes que queiram, de alguma forma, COLABORAR verdadeiramente com o hospital, seja como voluntário, ou através de críticas e sugestões construtivas.
Mara Franhani é diretora Administrativa da Santa Casa de Ubatuba

Brasil

Iraque versus Rio de Janeiro

Diogo Mainardi
(...) fiz umas continhas e concluí espantosamente que, nos últimos dois meses, matou-se mais no Rio de Janeiro do que no Iraque. Claro que foi um exagero. Eu sempre exagero. Sou conhecido por minhas colunas exageradas. No caso, exagerei no número de mortes da guerra no Iraque. Na realidade, a taxa de assassinatos no Rio de Janeiro não superou a do Iraque somente nos últimos dois meses, e sim em todo o ano de 2008. De janeiro a maio, segundo o site Iraq Coalition Casualty Count, foram mortos exatamente 3.458 iraquianos, entre civis e militares. No mesmo período, no Rio de Janeiro, de acordo com os dados oficiais da secretaria de Segurança Pública, foram cometidos 2.441 homicídios dolosos, 87 casos de latrocínio, 17 episódios de lesão corporal seguida de morte e 6 policiais mortos em serviço. Total: 2.551 assassinatos. Considerando que a população do Iraque é duas vezes maior do que a do Rio de Janeiro, pode-se dizer que nossa guerra é mais mortal do que a deles.
Apostei que a mortandade no Brasil ultrapassaria a mortandade no Iraque num artigo publicado em 31 outubro de 2007 . Pode conferir. Sou o Oráculo de Bagdá. Na época, a imprensa americana ainda não havia percebido o efeito do aumento do número de tropas no desfecho da guerra. Depois de ser facilmente enganada por George Bush, que mentiu para poder invadir o Iraque, a imprensa americana foi facilmente enganada pelos detratores de George Bush, que a impediram de captar os primeiros sinais de progresso no país. Mas o que determinou a virada no rumo da guerra não foi só o aumento do número de tropas: foi, sobretudo, a troca do comando da operação, que corrigiu as asnices do grupo que planejara e executara a ocupação - Dick Cheney, Donald Rumsfeld, George Tenet. O que isso quer dizer? Quer dizer que há uma solução técnica para a violência. Que exige investimento, determinação, empenho político, inteligência, preparo e coragem.
Na segunda-feira, entrevistado por Reinaldo Azevedo, o deputado Raul Jungmann calculou que "entre 500 mil a um milhão de cariocas não podem exercer o direito constitucional de escolher livremente seu representante nas eleições de outubro", porque as milícias e o tráfico não deixam. Enquanto isso, o Wall Street Journal noticiava que a milícia de Moqtada Al Sadr, que até recentemente controlava e extorquia as favelas de Bagdá, anunciou o plano de abandonar as armas. Daqui a pouco, todos concordarão que a guerra no Iraque acabou, e terei de fazer mais um artigo sobre o assunto, repetindo os mesmos argumentos. No Rio de Janeiro, mata-se mais do que no Iraque, mas continuaremos a fazer de conta que ainda estamos vivos. (Trem Azul)

Literatura

Escritor novo no pedaço

Sidney Borges
Enquanto caminhava em direção à peixaria tive um acesso de tosse. Nada grave, provavelmente alergia a pólen, ou pode ter sido uma molécula mal recebida. Meus pulmões detestam partículas que estiveram nos pulmões de Cleópatra, comuns no inverno. No percurso encontrei meu amigo Gabriel que está escrevendo um livro. Caminhamos juntos e ele me falou da obra. É sobre a vida de um jovem que vivia na Ilha da Varrição, onde os habitantes tinham compulsão por limpeza. Varreram tanto que a ilha afundou. O herói se refugiou em um iceberg errante onde viveu até a adolescência na companhia de uma loba e quatro pingüins. Um dia o navio gelado adentrou ao Saco de Pallgrande, na Polinésia. Em terra a loba se sentiu em casa. Depois de comer algumas folhas de uma palmeira local chamada pallmeu partiu em busca do desconhecido. O jovem descobriu que tais folhas eram altamente energéticas. Sem saber que o limite eram duas folhas por ano, comeu quatro em uma semana e ganhou uma ereção perpétua. O lado positivo é que hoje ele trabalha como “relógio de sol” na Praça do Sossego, capital de Pallmeu. Gostei da história, Gabriel prometeu me enviar a continuação. Parece que será surpreendente, com detalhes da vida secreta de Barack Obama.

Baleia




Prefeitura Municipal e Aquário de Ubatuba iniciam resgate de ossada de baleia Jubarte

Aquário de Ubatuba

Há cerca de 8 anos, o encalhe de uma baleia morta de 16 metros em Ubatuba se transformou literalmente em um grande problema. O mau cheiro e a dificuldade de dispor da carcaça do animal geraram polêmica e prejudicaram o comércio na região da praia grande.
Agora, a Prefeitura Municipal (através da Secretaria de Obras e da Emdurb) e o Aquário de Ubatuba resolveram dar um final feliz a este episódio e se uniram na empreitada de resgatar a ossada, visando sua exposição ao público na praça Alberto Santos que está em reforma atualmente.
“Este tipo de patrimônio, quando devidamente valorizado, se transforma em um monumento e em uma nova atração turística para a cidade, sem falar em seu inestimável valor científico e educacional.”, diz o oceanógrafo Hugo Gallo, diretor do Aquário , que deverá orientar tecnicamente o trabalho.
Segundo Gallo, o animal era uma fêmea da espécie Jubarte já adulta, espécie que encontra-se entre as mais ameaçadas de extinção no planeta. Segundo ele, “outro benefício da exposição ao público desta ossada é o de as pessoas saberem que estes animais também podem ser vistos em nosso litoral, um dos mais belos e preservados do país.”
A motivação para o início dos trabalhos, partiu do fato deque a PMU está iniciando obras de urbanização da praia grande e a retirada do esqueleto seria dificultada e mais onerosa no futuro, pela necessidade de romper o calçamento que será instalado na rua marginal à praia, onde a mesma está enterrada.
O trabalho deve ser realizado em 3 etapas, sendo uma primeira de prospecção visando confirmar a localização da ossada e o estado dos ossos, quando a maior parte do solo arenoso é retirado com a máquina. Na segunda etapa, deveremos localizar o esqueleto em um eixo e iniciar a retirada e catalogação do material manualmente. ”Esta etapa é muito importante, pois ela sendo bem realizada facilita todo o processo posterior de montagem” diz Gallo.

Após a retirada dos ossos , os mesmos serão transportados para local apropriado, limpos , tratados e depois disso estão prontos para a última etapa: a montagem na praça.
Os trabalhos deverão ser concluídos nesta quinta-feira, 7 de Agosto.
Informações/contatos: 12 3832 13 82/7812 1879

Eleições 2008

STF rejeita pedido de juízes e libera candidatura de 'ficha-suja'

Por 9 a 2, corte decide que, enquanto Lei de Inelegibilidades não for revista, TREs não podem barrar

Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Por 9 votos a 2, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) não podem barrar as candidaturas dos políticos de ficha suja. Prevalece, assim, o que está na Constituição e na atual Lei de Inelegibilidades: ninguém pode ser privado do direito político de se candidatar enquanto o processo a que responde não tiver sido julgado em última instância (transitado e julgado). Isso significa que os "fichas-sujas" listados pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) estão com a candidatura garantida para a eleição municipal de outubro, pois a sentença do STF tem efeito vinculante - os juízes de primeira instância estão impedidos de tomar decisão divergente.

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Opinião

A Lei da Anistia

Editorial do Estadão
O ministro da Justiça, Tarso Genro, está empenhado em fazer da Lei da Anistia letra morta. Como sabe que a revogação pura e simples da lei está além de sua competência como ministro, patrocina uma interpretação enviesada do texto que contribuiu decisivamente para a pacificação política do País, abrindo caminho para a redemocratização. Quer que os "torturadores" - e inclui nessa categoria apenas agentes do Estado - sejam levados à Justiça e punidos. "A partir do momento em que o agente do Estado pega o prisioneiro e o tortura num porão, ele sai da legalidade do próprio regime militar e se torna um criminoso comum. Não foi um ato político. Ele violou a ordem jurídica da própria ditadura e tem de ser responsabilizado", afirmou ele em audiência pública organizada pelo seu Ministério.
Leve-se essa interpretação a sério, e ninguém - da "subversão" ou da "repressão" - terá sido anistiado, uma vez que os governos militares mantiveram intacto o arcabouço jurídico do País, em especial o Código Penal, embora criando regras de exceção - como a prisão sem mandado e a incomunicabilidade. E, assim, nada seria crime por motivação política, e tudo seria vulgar infração da legislação penal.
Essa, aliás, foi uma das características da chamada Revolução. Depois do discurso de 13 de março do presidente Jango Goulart, anunciando o seu projeto de República Popular Democrática, com o golpe de 31 de março instalou-se um governo de força, mas o governante de turno exercia mandato com data certa para terminar e o Congresso e o Judiciário continuaram funcionando. O regime de exceção se manifestava no poder de cassar mandatos eletivos e de suspender os direitos da cidadania. Nos países sul-americanos onde os militares tomaram o poder, na época, a ruptura institucional foi completa. A repressão foi brutal e sistemática. No Uruguai, por exemplo, além dos mortos e desaparecidos, mais de 1 milhão de pessoas tiveram de buscar asilo no exterior, temendo pela própria segurança. Na Argentina e no Chile, os mortos se contaram às dezenas de milhares antes mesmo que os opositores do regime militar se organizassem na resistência armada. No Brasil, os torturados, mortos e desaparecidos, durante as duas décadas de regime militar, não chegaram a 400 - e todos os casos foram documentados pela comissão coordenada pelo arcebispo d. Paulo Evaristo Arns e pelo reverendo Jaime Wright.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 07 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Cursos ruins formam 1 a cada 4 médicas"
Levantamento divulgado pelo Ministério da Educação revela que 27 cursos de medicina do país não têm condições de funcionar, segundo o próprio governo.
Essas escolas, na maioria privadas, formam anualmente cerca de 2.600 alunos – um a cada quatro médicos que concluem o ensino superior na área. Os cursos mal avaliados obtiveram notas 1 e 2 em um novo indicador criado pelo ministério. Esse indicador, o conceito preliminar, vai de 1 a 5 e engloba a titulação de professores, a satisfação dos estudantes e o desempenho dos alunos no Enade (antigo provão, do qual USP e Unicamp não funcionam).
De 153 cursos de medicina, só 4 tiveram nota 5, como “referências” no setor. Outras 15 áreas foram avaliadas. O ministro Fernando Haddad prometeu fiscalização mais rígida.


O Globo
"STF libera candidatura dos fichas-sujas em todo o país"
O Supremo Tribunal Federal decidiu liberar as candidaturas de políticos com ficha suja. No entender de nove dos 11 ministros do STF, o exame da vida pregressa e processos em andamento não podem impedir alguém de concorrer. Vale o princípio constitucional de presunção de inocência. A decisão sepulta a campanha de entidades civis e juízes pelo veto à candidatura de quem responde a ações na Justiça. Mais cedo, em Campos, a Justiça Eleitoral barrara o pedido de registro da candidatura de Rosinha Garotinho porque ela responde a processo por improbidade administrativa.


O Estado de São Paulo
"Investidores tiram US$ 15 bi do País em quatro meses"
Investidores e empresas com negócios no Brasil enviaram para o exterior US$ 15,1 bilhões em quatro meses, segundo dados do Banco Central. Com a crise nos mercados internacionais, dólares saem do País para cobrir prejuízos registrados principalmente nos EUA. Neste ano, o montante total de remessas se aproxima de US$ 20 bilhões. Os números se referem ao saldo das operações de câmbio no segmento financeiro – que inclui investimentos, aplicações financeiras e pagamentos diversos.
O resultado no segmento comercial, ligado a operações de importação e exportação, é positivo, mas nos últimos dois meses foi insuficiente para coibir as saídas financeiras. Em julho, o fluxo cambial teve déficit de US$ 2,4 bilhões. “De um lado, empresas remetem mais lucro porque enfrentam dificuldades nas sedes. De outro, a crise aumenta a aversão ao risco e reduz o fluxo de recursos para o Brasil, diz o economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria Carvalho.


Jornal do Brasil
"STF libera candidato sujo"
O Supremo Tribunal Federal abriu a porteira das candidaturas dos fichas-sujas. Em sessão encerrada à noite, os ministros decidiram, por 9 votos a 2, que a Justiça Eleitoral não pode negar registro a um candidato que seja réu em um processo criminal ou de improbidade administrativa, ou que não tenha sentança julgada em tribunal superior. A decisão, baseada na presunção de inocência, torna elegíveis os candidatos com vida pregressa moralmente questionável - inclusive aqueles que tiveram registros negados ou venham a tê-los, até o dia 16, por tribunais regionais eleitorais.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Brasil

Piada macabra - E os traficantes, acreditem!, exigem "compromisso social" de candidatos

Por Italno Nogueira, na Folha:
A contratação de moradores para atuar na campanha eleitoral ou a oferta de serviços sociais em favelas é estratégia usada para assegurar o acesso de candidatos com segurança a favelas do Rio. Lideranças comunitárias afirmam que, sem essa contrapartida, os traficantes vetam a presença de candidatos em área em que controlam a venda de drogas.
Segundo o presidente da Federação de Favelas do Rio, Rossino Castro Diniz, os presidentes de associações de moradores apresentam aos candidatos uma "listagem de demandas". Ele afirma que o montante "investido" pode chegar a R$ 35 mil em uma comunidade.
"As favelas agora acharam por bem expulsar esses políticos [que só vão às favelas] de quatro em quatro anos para tirar os votos. Os políticos não têm compromisso com a comunidade. A comunidade agora mudou, acordou", disse Diniz."
Em certas comunidades, que não têm candidato próprio, para entrar tem uma listagem de demandas que o político tem que se comprometer. Coisas que já deveriam ser feitas pelo Estado. Se chegou nesse ponto, o Estado é que é o culpado", acrescentou.
A principal reivindicação dos presidentes de associação é a contratação de equipes de campanha nas comunidades. Também podem ser prestados serviços sociais antes das eleições. Conforme Diniz, as entidades não garantem votos para o candidato, só "espaço para fazer a campanha". Ele afirma que desde junho as negociações estão sendo feitas entre candidatos e presidentes de associação. (Do Blog de Reinaldo Azevedo)
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Nota do Editor - O fenômeno não é exclusivo do Rio de Janeiro. Traficantes de um bairro conhecido de uma bela cidade do litoral de São Paulo também agem em benefício da comunidade. Bem, no caso não é fácil distinguir o que é propriamente benefício. Vai embarcada uma gigantesca dose de malefício, tudo depende do referencial. Explico melhor, os traficantes querem faturar, são comerciantes. E querem segurança. Caso a violência aumente, a polícia aumentará as diligências e como à noite todos os gatos são pardos, o tráfico acabará prejudicado. Dessa forma roubos a turistas e outros pequenos delitos são proibidos. E não acontecem, pois a lei do tráfico é severa, transgressores são punidos com a morte. É assim que a coisa funciona, não há vácuo na natureza, onde o Estado não se faz presente alguém assume o papel de Estado. (Sidney Borges)

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Crime e Castigo

Por que Ellen Gracie negou a liberdade ao casal Nardoni

Do Blog do Noblat
No link abaixo está postada a íntegra da decisão da ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, em pedido de habeas corpus em favor de Alexandre Nardoni e Anna Maria Jatobá, acusados pela morte da menina Isabella, de cinco anos, jogada viva do sexto andar do Edifício London, na zona norte de São Paulo, em 29 de março último.
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Ubatuba em foco

Santa Casa de Ubatuba e a farsa dos especialistas

Marcos Leopoldo Guerra
No dia 02 de agosto p.p., a capa do jornal A CIDADE, traz com destaque a notícia de que a Santa Casa de Ubatuba havia contratado uma equipe de neurocirurgia comandada pelos médicos Hugo Capelli e Alexandre Rangel.
Imediatamente acessei o sítio do CRM – SP para obter mais informações sobre os recém contratados. Resultados obtidos:

· Sr Hugo de Castro Cappelli – CRM 111.005, inscrito em 29 de abril de 2003 – especializado em Neurocirurgia;

· Sr Alexandre de Araújo Rangel – CRM 111.036, inscrito em 06 de maio de 2003 – sem especialidade cadastrada;

Além da vasta experiência (05 anos) dos contratados pude também observar que apenas o Sr. Hugo possui especialização em Neurocirurgia, ou seja, o Sr Alexandre é clínico geral e portanto não deve permitir que seu nome seja ligado a uma especialidade que não possui.
No intuito de preservar a ilibada imagem dos que dirigem temporariamente a Santa Casa optei por formular uma denúncia ao Diretor Técnico da mesma. Ao procurar no sítio do CREMESP o nome completo do Diretor Técnico da Santa Casa de Ubatuba. Para minha “surpresa” a pesquisa resultou no seguinte:

Nome: SANTA CASA DE Ubatuba
Mantenedor: IRM DO SENHOR DOS PASSOS DE UBATUBA
CRM da Empresa: 796
Responsável Técnico: EDUARDO DE CARVALHO FERRAZ - CRM: 39887

É exatamente isso senhores leitores o Sr. Marcus Alexandre (que se intitula e é intitulado como Diretor Técnico) não está cadastrado no CREMESP como tal. Isso significa que há a necessidade de se formular uma denúncia crime, face ao Sr Marcus Alexandre por falsidade ideológica. Igualmente responsável pelas irregularidades é a Srª Mara Franhani (atual administradora), a qual, por negligência, falta de conhecimento técnico de suas funções ou por conivência permitiu e continua permitindo que pessoas desqualificadas tecnicamente ocupem funções dentro do hospital em total descumprimento a atual legislação e em total desrespeito àqueles que, compulsoriamente e não por opção, realmente pagam seu salário, ou seja, a população de Ubatuba.
Não é por um mero acaso que a Constituição do Estado de São Paulo impõe que o Secretário Municipal de Saúde seja um profissional da área de saúde.
Especialista é única e exclusivamente aquele que possui além da formação adequada o devido registro de sua especialidade no Conselho de Medicina de sua região. Todo aquele que não possui especialização é considerado como Clínico Geral. O clínico geral pode atuar em qualquer área da medicina desde que não se intitule como especialista. Tal situação além de ferir o Código de Ética Médica, as resoluções do Conselho Federal de Medicina é também considerada como falsidade ideológica.
Apesar de saber que nenhuma atitude será tomada por parte daqueles que possuem a obrigação funcional de fazê-lo, protocolarei, a presente denúncia no COMUS – Ubatuba, Secretaria Municipal de Saúde, Santa Casa de Ubatuba, Gabinete do Prefeito, Promotoria Pública, CREMESP e ouvidoria do SUS.
Na hipótese de ser pura e simplesmente ignorado pela atual administração, no que tange às minhas denúncias, informo, desde já, que utilizarei, inclusive os meios judiciais para obter uma resposta e uma solução para a situação apresentada pois, chegou o momento de os atuais e futuros ocupantes de cargo ou função pública em Ubatuba perceberem que não é mais possível agir em total desrespeito à legislação e à população. Há um número cada vez maior de cidadãos imbuídos de seu papel na sociedade de coibir os desmandos daqueles para os quais outorgamos o poder de nos representar.
Àqueles que pensam ser super-heróis, aos que falam em mudanças de paradigmas, aos que fingem não ter recebido uma denúncia, aos membros da assessoria jurídica que adoram utilizar o termo “prejudicado” sempre que não querem responder a alguma indagação e aos simpatizantes do caos municipal atual deixo uma breve e sincera mensagem:
VOCÊS MUDARÃO, NEM QUE SEJA APENAS DE CIDADE!
Marcos Leopoldo Guerra
ac.tributaria@uol.com.br

Aventura

O resgate da mochila

Sidney Borges
Viajava eu no ônibus das sete quando subitamente me vi estacionado no acostamento, por sorte ao lado de uma parada de ônibus dessas que têm bancos e abrigo contra a chuva, se bem que não estivesse chovendo. O motorista acelerou o motor e ficamos estáticos por uns cinco minutos. Parece pouco quando a gente tem o que fazer, mas uma eternidade se você está esperando que alguma coisa aconteça. Depois de alguns momentos de acelera, desacelera, acelera, desacelera, fomos informados que viria outro ônibus. O nosso teve falta de ar. Seu Antenor tinha falta de ar quando a Sandrinha passava. Ele com 52, ela nos seus 23. Falta de ar de outro tipo. Sem a presença do fluido gasoso que envolve o planeta as portas do bagageiro não puderam ser abertas e o jovem gringo não pôde seguir conosco. Em Ubatuba é usual circularem andarilhos de estrada e jovens gringos. Andam sempre de bermudas, meias e sapatos e agasalhados. Nas costas levam a mochila e nas mãos o cajado. What for? Andarilhos e jovens gringos têm muito em comum, exceto por um pequeno detalhe. Andarilhos são solitários. Jovens gringos têm namoradas sardentas de saias compridas. Sem alternativa descemos para esperar o coletivo substituto e então aconteceu uma conferência informal no abrigo de chuva. Estavam presentes uma freira risonha, um policial militar parecido com o Sargento Garcia, um jovem ambientalista, uma cabeleireira falante e bem informada e o motorista. Excelente motorista, a cara do Zeca Pagodinho. E obviamente eu. Falamos de crimes bárbaros, da novela das oito, do tempo seco e a freira contou de uma viagem em que o ônibus quebrou nos Alpes. Logo chegou o outro coletivo. Embarcamos a tempo de não atrasar os compromissos em São Paulo, menos o jovem gringo e a namorada sardenta. Ficaram sozinhos no ônibus quebrado esperando o resgate da mochila. Não sei o que fizeram, mas na idade deles naquele ônibus vazio na beira da estrada eu saberia o que fazer.

Opinião

O resgate do Estado de Direito

Editorial do Estadão
A má notícia é que a tradição da impunidade incrustada na vida nacional, combinada com a imensa desigualdade de acesso à Justiça entre os brasileiros, terá levado parcelas da população a aceitar, quando não a aplaudir, evidentes violações dos direitos fundamentais da pessoa, sempre que isso lhes parecer eficaz para as ações policiais de combate à corrupção e aos chamados crimes de colarinho-branco. Pelo menos nessa etapa, argumenta-se, os delinqüentes de costas largas provam do tratamento que fariam por merecer até pagar por seus ilícitos - e do qual são poupados por suas privilegiadas conexões com a elite do poder.
A boa notícia é que, contrapondo-se a tais expressões de tolerância a meios condenáveis para fins presumivelmente virtuosos, a questão das condutas indevidas na repressão aos violadores das leis instalou-se na agenda pública do País.
Tantas fez a Polícia Federal (PF) na Operação Satiagraha - da pirotecnia das prisões aos vazamentos em série de documentos protegidos pelo sigilo judicial - que inquietações até então restritas a uma minoria passaram a ecoar na imprensa e a ser compartilhadas por setores crescentes da sociedade, o Executivo e o Congresso Nacional. Esse dado novo é o que explica a direção que tomou o debate O Brasil e o Estado de Direito, promovido anteontem pelo Estado, do qual participaram o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o ministro da Justiça, Tarso Genro, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto. Não obstante diferenças pontuais e de ênfase, os debatedores concordaram quanto ao imperativo de se criar "mecanismos mais efetivos" de controle das operações policiais, nas palavras do procurador-geral.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 06 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"Mapa da violência revela áreas mais perigosas de SP"
Dados inéditos do setor de inteligência da polícia e São Paulo revelam como se distribui, distrito por distrito, a criminalidade na cidade, relatam André Caramante e Evandro Spinelli.Segundo os números, do segundo trimestre de 2008, os crimes contra a vida (homicídios e estupros) atingem principalmente as regiões mais pobres. Já os crimes contra o patrimônio (roubos, furtos, latrocínios) se concentram na região central e nos bairros ricos.No primeiro caso, destacam-se as regiões dos distritos policiais de Jardim Herculano, Parque Santo Antônio e Capão Redondo (zona sul), onde 31,5% dos domicílios têm renda de até três mínimos. O segundo é mais freqüente em bairros como Perdizes e Pinheiros.Os dados são da Coordenação de Análise e Planejamento, órgão da Secretaria da Segurança que estuda a violência. Desde 2002, o Estado os divulga sem divisão por distritos.


O Globo
"Rios viram principal rota do tráfico de drogas no Brasil"
O avião já não é mais o principal meio de transporte utilizado por traficantes para fazer as drogas chegarem ao Brasil, informa Míriam Leitão em sua coluna. O controle do espaço aéreo pelo Sivam-Sipam e o alto custo de manutenção das pistas doe pouso obrigaram o tráfico a adotar os rios como rota preferencial. Com isso, o combate ficou ainda mais difícil nos 22 mil quilômetros de vias navegáveis da Amazônia, principal porta de entrada das drogas. O general Augusto Heleno, comandante do Exército na região, revela que essa mudança exigirá ação conjunta das forças do Estado. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, confirmou que o principal caminho das drogas é pelos rios da Amazônia. Em vários casos, diz ele, o tráfico de drogas está associado a crimes ambientais.


O Estado de São Paulo
"Classe média já é maioria no Brasil"
Dois estudos divulgados ontem comprovam os avanços sociais registrados no Brasil nos últimos anos. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a classe média já representa mais da metade da população nas seis principais regiões metropolitanas do país – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. A estabilidade econômica e o aumento do emprego com carteira assinada colocaram mais famílias na faixa intermediária, que inclui brasileiros com renda mensal domiciliar entre R$ 1.064 e R$ 4.591. Desde 2002, a participação dessa classe média na população economicamente ativa cresceu de 44,19% para 51,89%. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta outra face do mesmo fenômeno. Até o fim de 2008, 3 milhões de moradores dessas regiões metropolitanas terão saído da pobreza ao longo dos seis anos.


Jornal do Brasil
"A vez da classe média"
Pesquisas revelam mudanças na pirâmide social: a pobreza caiu, o número de ricos aumentou e a classe média cresceu, informam a Fundação Getúlio Vargas e o Ipea. Entre 2002 e 2008, enquanto 4 milhões saíram da linha da pobreza, a classe média passou a representar mais da metade da população. Mais emprego e programas sociais são os principais fatores para a boa notícia.

terça-feira, agosto 05, 2008

Brasil

Ficha suja nas eleições de 2008

Lucia Hippolito
Seja qual for o resultado da decisão do Supremo Tribunal Federal na próxima quarta-feira, o tema da vida pregressa dos candidatos entrou definitivamente em pauta.
Afinal, candidatos com ficha suja (processos, condenações em primeira instância etc.) podem ou não assumir cargos eletivos?
Para participar de concurso público, já sabemos que é impossível. Da profissão mais humilde à mais sofisticada, o cidadão deve ter vida exemplar para se transformar em funcionário público concursado.
Mas isto não é exigido quando se trata de candidato a cargo eletivo, de presidente da República a vereador.
Pois a Associação dos Magistrados Brasileiros entrou com uma ação no STF, pedindo a impugnação de artigos da Lei das Inelegibilidades (a Lei Complementar nº 64) que exigem decisões em última instância para negar o registro a candidaturas.
Segundo o entendimento da AMB, estes artigos contrariam a Constituição federal. Diz o § 9º do Art. 14: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta".
Ou seja, a Constituição exige candidato de ficha limpa, para “proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato”.
A AMB quer que o STF diga que este dispositivo é auto-aplicável, isto é, os juízes analisam a vida pregressa dos candidatos e decidem se ele pode ou não concorrer. Outro questionamento da AMB no Supremo é o da interpretação do TSE de que vida pregressa não pode ser obstáculo ao registro de candidaturas.
A decisão do TSE a respeito foi apertadíssima: 4 a 3. Entre os 11 ministros do STF, três são do TSE e se manifestaram assim: Ayres Britto e Joaquim Barbosa votaram a favor da proibição do registro de candidatos com ficha suja; Eros Grau foi contra. Enquanto isso, os presidentes de TREs, em sua esmagadora maioria, apóiam a posição do TRE do Rio, que lidera o movimento pela proibição do registro dos candidatos com ficha suja.
De qualquer forma, mesmo que o STF mantenha a decisão do TSE, garantindo o registro dos candidatos com ficha suja, o tema está definitivamente inscrito nas discussões e deverá ser enfocado nos debates entre candidatos e no horário eleitoral no rádio e na TV.
Já é um avanço.

Opinião

A crise mundial das megacidades

Editorial do Estadão
A edição da revista Grandes Reportagens que esmiúça o fenômeno mundial das megacidades, encartada no Estado do último domingo, coincidiu com a divulgação dos primeiros resultados de um novo levantamento sistemático sobre o desenvolvimento urbano nacional. O trabalho jornalístico, que focaliza uma dezena de megalópoles estrangeiras e se aprofunda, no País, no caso-síntese de São Paulo, é um contraponto vívido ao ordenamento de 5.590 municípios brasileiros segundo uma bateria de indicadores socioeconômicos. De um lado, os testemunhos dos enviados especiais do jornal a 7 dos 25 conglomerados urbanos no exterior com mais de 10 milhões de habitantes (Tóquio, Nova York, Cidade do México, Mumbai, Xangai, Moscou e Lagos, em sentido decrescente) e ainda a Londres, que já não integra essa relação, indicam uma crise de proporções ciclópicas que ameaça levar a colapso os atributos, expectativas e valores historicamente revolucionários, indissociáveis do próprio conceito de metrópole desde o advento da Era Moderna.
A grande cidade - a forma mais progressista de radicação que o homem foi capaz de conceber na face da Terra, alçando a níveis exponenciais o potencial humano para criar riqueza, conhecimento, tecnologia, cultura e liberdade - simplesmente passou do ponto. Tornou-se, como escreveu na revista o governador José Serra, ao falar especificamente de São Paulo, o "lugar geométrico" dos problemas que assombram governos e cidadãos, "o espaço sobre o qual convergem com intensidade máxima desemprego, poluição, trânsito, violência, déficits de transporte público, de saneamento, saúde e ensino básico de qualidade". Notadamente no Terceiro Mundo, cada vez mais o principal gerador de megalópoles, não há governo, dinheiro e coesão social para ao menos estancar as agruras de seu cotidiano. E a grande cidade típica do Primeiro Mundo - Tóquio, Nova York, Londres e Paris - expulsa legiões de moradores, incapazes de arcar com o custo explosivo das suas habitações e serviços.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 05 / 08 / 2008

Folha de São Paulo
"No STF, teles mantêm sigilo de grampos"
O STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu liminar garantindo a 17 operadoras de telefonia fixa e móvel o direito de preservar os nomes de seus clientes que foram alvo de escutas telefônicas no ano passado, e que estão em segredo de justiça. No mês passado, a CPI dos Grampos na Câmara havia aprovado requerimento ordenando às operadoras o envio das cópías de decisões judiciais de interpretações em 2007. As empresas dizem temer ser acusadas de quebrar o sigilo das escutas. Ainda ontem, a CPI decidiu pedir explicações á Justiça Federal sobre decisões que permitiram ao delegado Protógenes Queiros, da PF, acesso irrestrito aos registros de ligações no pais, conforme revelou a Folha. "Estamos vivendo num Estado policialesco", disse o relator Nelson Pellegrino (PT-BA). Em nota, o juiz Federal Fauto de Sanctis, responsavel pela Operação Satiagraha, disse ter mecanismo de controle para evitar o uso ilegal ou abusivo desses dados pela PF.


O Globo
"Argentina leva Chávez sem aviso e frustra Lula"
Depois de desembarcar em Buenos Aires com a maior missão empresarial que o Brasil já levou à Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi surpreendido com um encontro trilateral com a presidente Cristina Kirchner e Hugo Chávez (Venezuela). A chegada de Chávez só deveria ocorrer hoje, quando ele e Cristina irão à Bolívia prestar solidariedade ao colega Evo Morales, afundado numa crise política interna. Lula queria discutir a redução da alíquota do trigo argentino e investimentos do BNDES.


O Estado de São Paulo
"STF quer vara especial para julgar abuso de autoridade"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu a criação de varas da Justiça especializadas no combate a abusos de autoridade em investigações.A proposta foi lançada durante debate promovido pelo Estado que ainda reuniu o ministro da Justiça, Tarso Genro, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto. O tema foi a crise institucional produzida pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Mendes disse que é preciso conciliar o combate à corrupção com o respeito à lei. “O criminoso também tem direitos fundamentais.” Tarso defendeu a PF, mas sugeriu mudanças na legislação para evitar exageros na exposição pública dos presos: “É uma atitude arbitrária que tem que ser vencida.” Souza criticou abusos, porém alertou para a necessidade de não se criarem limites que prejudiquem investigações. Já Britto afirmou que é preciso superar a “lógica policialesca” contra os advogados que defendem suspeitos.


Jornal do Brasil
"Política enriquece candidatos"
Ingressar na vida pública faz bem ao bolso, revelam dados da organização não-governamental Transparência Brasil. Na evolução patrimonial de parlamentares que disputam a eleição deste ano, descobre-se o enriquecimento, em média, de 46,3%. Entre vereadores do Rio, o patrimônio cresceu mais de 110%.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Noturnas

Sonhos de verão

Sidney Borges
Uma noite dessas tive um sonho estranho, na verdade acho que foi um pesadelo. No início eu me vi em meio a um denso nevoeiro e quando este se dissipou percebi que estava em pleno Coliseu. A platéia agitada gritava alguma coisa em latim vulgar. Eu não entendi, no ginásio me ensinaram latim clássico. Um núbio que agitava abanicos gentilmente traduziu. Mata, esfola, arranca o fígado do branquelo. Logo me dei conta que o branquelo a que se referiam os torcedores era o degas que vos escreve. Nesse momento começou o suplício. Primeiro fui mordido por girafas, depois escoiceado por coelhos, o que dá cócegas e como eu começasse a rir fui ensaboado por doze africanas bundudas. Essa última parte não foi das piores, mas quando entraram os leões comecei a suar frio. O núbio me disse ao pé do ouvido que naquela semana a única refeição dos felinos tinha sido iogurte. Desnatado. Estavam ávidos por carne. Imagino que por carne branca, a preferida dos borrachudos, se bem que leões e borrachudos tenham paladares diferentes. Comecei a correr, se os gatos quisessem me pegar teriam de correr muito. A platéia foi ao delírio: fígado, fígado, os torcedores queriam o meu velho fígado fora da cavidade abdominal. Continuei correndo e deixando os leões para trás, até que me ocorreu dar um salto. Foi assim que atravessei o Império romano pela primeira vez. A segunda foi pela Varig nos anos setenta. Acordei gritando mumpf, munpf, yeldz, munnpffst. Não sei o que significa, mas como tudo tem uma razão de ser vou consultar um rabino para tirar as dúvidas. Posso afirmar que ser supliciado no Coliseu foi das coisas mais estranhas que sonhei. Tenho muito mais apreço por outro sonho em que o avião em que eu estava fez um pouso forçado no mar e eu me salvei nadando. Acabei em uma ilha deserta com a mulher mais boa do mundo. Madre Teresa de Calcutá. Felizmente fomos salvos no mesmo dia. Acordei rindo muito, foi um final feliz. Um dia eu conto sobre outro sonho. O helicóptero em que eu viajava caiu. O piloto morreu, coitado, tinha muitos filhos. Eu acabei indo parar em uma ilha habitada por mulheres guerreiras. Todas parecidas com Giselle Bündchen... He, he, he...

Por partes...

As cartas de Chico Picadinho, quatro décadas atrás das grades

Preso por esquartejar duas mulheres, ele ocupa há quase dez anos uma cela individual de 8 metros quadrados

Bruno Tavares
O dia 3 de agosto é tragicamente inesquecível para Francisco Costa Rocha. Há exatos 42 anos, numa chuvosa madrugada de segunda-feira, ele matou e esquartejou a bailarina Margareth Suida, dando início a um dos mais longos períodos de cárcere da história do sistema prisional paulista. Somando as duas vezes em que esteve preso por crimes quase idênticos, o homem eternizado sob a alcunha de Chico Picadinho completará em novembro quatro décadas atrás das grades.

Pelo Código Penal brasileiro, ninguém pode ficar na cadeia mais do que 30 anos, independentemente da pena definida no julgamento. O que transformou o caso de Chico numa "prisão perpétua" foi uma interdição civil, obtida pelo Ministério Público em 1997, pouco antes de a pena imposta a ele chegar ao fim. "Nada mais devo à Justiça Criminal. Nada fiz à Justiça Civil. Entretanto, sou interditado, algo que me faz (Franz) Kafka no seu O Processo", desabafou em carta endereçada a um de seus defensores.
Há quase dez anos, o mundo dele é uma cela individual de 8 metros quadrados na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no interior paulista, unidade que abriga Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, e Mateus da Costa Meira, o atirador do Shopping Morumbi. "Uma pergunta me surge a mim mesmo: ora, se fui julgado e condenado como semi-imputável (pessoa que apresenta traços de comportamento anti-social), se não ocorreu exacerbação de periculosidade, se a minha conduta foi sempre boa, se nenhum outro delito ou falta média ou grave cometi, se jamais tive surto psicótico, nunca necessitando de medicação psiquiátrica, por que ser classificado de inteiramente incapaz?", questiona Chico.
A relutância da Justiça em libertá-lo pode ser explicada pelo histórico dos crimes que cometeu. Tudo começou em 1966, num apartamento da Rua Aurora, centro de São Paulo. "Na época", relembra Chico, "trocava o dia pela noite, afogado na bebida e no uso de anfetaminas, de maneira que o acontecido mais me parecia um horrível pesadelo do que um fato real". Preso três dias depois no Rio, assumiu o crime. Até hoje, diz desconhecer os motivos que o levaram a estrangular e retalhar o corpo da vítima.
Em 1968, foi condenado pelo júri a 15 anos e 6 meses de prisão e mais 2 anos e 6 meses por vilipêndio (aviltar ou ultrajar cadáver). A sentença acabou reformada pelo TJ, convertendo-se em 18 anos de reclusão - nesses casos, conserva-se a pena menor. Após alguns anos na extinta Casa de Detenção do Carandiru, pediu transferência à Penitenciária do Estado, onde passou a se dedicar com afinco ao trabalho, ao estudo e à pintura.
Na cadeia, foi submetido a um sem número de avaliações psiquiátricas e eletroencefalogramas. Diagnosticaram neurose, conflitos não superados e nenhum vestígio de psicopatia. O parecer favorável dos médicos abriu caminho para o pedido de progressão para o regime semi-aberto, concedido em meados de 1972. Dois anos depois, em 1º de junho de 1974, saiu em liberdade condicional.
"À vista de que nada de anormal em mim fora detectado e a caminho da liberdade", relata Chico, "casei com a moça que me acompanhava desde o início de minha prisão". "O enlace matrimonial ocorreu num cartório de Bauru e a festa no prédio da administração do Instituto de Penal Agrícola. Tudo muito simples e bonito." Mas antes que 1975 terminasse, o casamento chegou ao fim, "porém dando de bom fruto uma filha que passou a ser o orgulho da mãe e o meu também".

CRIME TRESLOUCADO

Sem que se desse conta, Chico começou a repetir o mesmo enredo que o levara à prisão dez anos antes. "Após um dia de desventura nos negócios e uma noite de orgia, no apartamento que eu morava, quase na esquina da Rio Branco com a Duque de Caxias, a menos de mil metros, bem menos, do endereço do primeiro crime, aconteceu", recorda num manuscrito de 11 páginas, referindo-se ao assassinato da prostituta Ângela de Sousa Silva. "Ao contrário do primeiro, no segundo as imagens eram de modo a não ter dúvidas da motivação objetiva do tresloucado crime". Julgado e condenado a 10 anos e 8 meses de prisão, teve a pena elevada pelo TJ a 30 anos. Resultado final: 20 anos de cárcere.
Aos 65 anos, Chico ainda anseia por liberdade. "Os meus atos criminosos foram desumanos, reflexo dos meus pensamentos e sentimentos. Fácil me era culpar o medo, as pessoas, as idéias filosóficas ou religiosas como desencadeadoras dos desatinos. Fácil me era deixar levar pela corrente, pelo vento, pelo ambiente, joguete de influências contraditórias. Difícil me foi perceber e crer que tudo é uma questão de visual de mundo, de projeção da mente." (Do Estadão)

Crônica

O carniceiro esotérico

Marcelo Mirisola *
A propósito da captura de
Radovan Karadzic, lembrei de uma crônica que escrevi faz quatro anos. Então resolvi fazer um bem-bolado. Isto é, inserir e reproduzir trechos daquele texto neste daqui, e – no embalo – fazer outras considerações a respeito do mesmo tema. Entre essas considerações, posso apontar uma urgência: quero dizer que o personagem Dragan Dabic, encarnado por Karadzic, definitivamente completa a crônica, faltava ele.
Vamos lá. Radovan Karadzic, ou Dragan Dabic, deve freqüentar um nível espiritual mais elevado que o meu. Ele e a maioria de bruxinhas franqueadas e picaretas que devem IPTU e que são vegetarianos, e que, por um lado, inspiram e expiram (e suspiram) na hora de poupar porcos, vacas, aves e peixes e que, por outro, não estão nem aí na hora de massacrar bípedes muçulmanos da mesma espécie. Não deixa de ser curioso. A sentença dessa gente espiritualizada é a evolução. E, com uma ou outra variante, quem lê Dos¬toiévski e freqüenta churrascarias precisa ser descartado da face de Gaia ou “aprimorar-se enquanto ser humano”. Um longo caminho evolutivo que começa – segundo esses iluminados – por uma reeducação alimentar... depois vem ioga, feng-shui... e suruba com a sua mulher.
Gaia, né? Tô sabendo.
Radovan Karadzic é acusado pela morte de 8 mil mulçumanos em Srebrenica. Também é responsabilizado pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, no qual mais de 11 mil pessoas morreram em decorrência da violência e de fome. Karadzic é um sensitivo. Do tipo evoluído que consome alfajores de soja e usa chapéu panamá; muito provável que ele também seja chegado num incenso fedorento. Porque eu, que adoro uma rabada, é que não suporto o cheiro dessas fumacinhas. Se a intenção é afastar coisas ruins, comigo funciona. Onde tem incenso, eu dou o pinote. Devo mesmo ser uma peste: “Oh, que nojo! Você come cadáver?!”
Sim, um porquinho todo sábado, e adoro roer os ossos chamuscados de uma chuleta. Mesmo porque seria impossível mastigar um boi se ele estivesse vivo. Mas asseguro que no meu cardápio – diferente do menu de Dragan Dabic – não entra acém de muçulmano.
Rita Lee (ou seria o Serguei?) – que é engajada no vegetarianismo, e acha que os consumidores de lombinho de porco deviam queimar nos quintos dos infernos – deve simpatizar com as idéias do carniceiro de Belgrado.
Dragan Dabic escrevia numa revista chamada Zdrav Zivot (Vida saudável). Vejam só os ensinamentos do mestre: “Ainda que não possamos mudar intencionalmente as funções autônomas do nosso corpo, podemos influenciá-las indiretamente através dos itens que introduzimos no nosso corpo, como comida, bebida, cenas, sons ou aromas. Mas a maior influência sobre os acontecimentos dentro do nosso corpo são nossos pensamentos e sentimentos. Se algum dos artefatos acima mencionados é ruim, os processos da vida dentro de nós serão também ruins”.
“Os itens que introduzimos em nossos corpos” – eis as palavras de Dragan Dabic, o guru. Fico pensando. Mais de 20 mil mulheres bósnias foram estupradas: que “itens” será que os milicianos de Karadzic “introduziram” no corpo dessas mulheres? Creio que a velha roqueira assinaria embaixo do pensamento iluminado do carniceiro de Belgrado. O que são 20 mil mulheres estupradas diante da dignidade das alfaces e mandioquinhas hidropônicas? Imaginem o bafo de aviário da roqueira... o bafo de morte inspirado lá das profundezas do seu espírito evoluído. Dá medo.
Antes de continuar, quero deixar bem claro que a aproximação que faço da roqueira brasileira com Karadzic – evidentemente – não tem o menor cabimento, é um exagero propositado. Talvez até atinja a mesma proporção do monte de merda que ouvi dessa gente alternativa nos últimos anos. Eu sempre desconfiei deles. E agora esse Karadzic me aparece falando em meditação, em experiências extra-sensoriais? O nome da revista que ele escrevia, repito: “Vida Saudável”. Além de genocida e terapeuta holístico, debochado.
Isso tudo me remeteu a bicho-grilice de Visconde de Mauá. Senti calafrios na espinha só de pensar naquelas cachoeiras e nas “comunidades” que existem por lá. Quem me garante que por trás de papais noéis bonachões e batas insuspeitas, além da patrulha e da cagação de regras típicas, não se escondem assassinos da pior espécie, degenerados disfarçados de pacifistas? Inspire, expire, interaja, ame e dê vexame, e depois estupre as mulheres perfumadas e elimine essa gente que freqüenta espetos corridos.
Bem, agora vou falar umas coisas que irão chocar muita gente. Não estou me agüentando, peguei no embalo, entendem?
Seguinte. Para mim, os irmãos Gasparetto recebem os espíritos por via anal e, se o Chico Xavier fosse mesmo um santo, não teria passado a vida inteira usando aquela peruca ridícula. Tem mais. Não acredito em beatos e iluminados que respiram o mesmo ar poluído que eu respiro. Isso aqui, aliás, a tal de Gaia, não é lugar para esse tipo de excentricidade. Vai ser santo depois de morto, e não me encha o saco. Não acredito em mulheres com sovaco peludo, espaços alternativos, elfos, sílfides (que são as fêmeas dos silfos, ou gênios do ar) e feng-shui. Também desconfio dos poetas – especialmente daqueles que perguntam: “Gosta de poesia?”
Até que gosto, meu problema é com os poetas. Odeio, odeio poetas. Teve uma época, na minha pré-adolescência, em que eu gostava da Rita Lee. Um amigo meu e escritor, o Nilo Oliveira, esclareceu-me a situação: “Quando a gente tem 12 anos”, disse, “até o Caetano Veloso é um gênio”.
Isso sem falar nos mapas astrais & origamis, nos malditos chacras, no I-Ching e na confusão que esses naturebas fazem com budismo, alfafa, hinduísmo ou qualquer coisa que dá barato e não tem pé nem cabeça. Desconfie quando a Regina Casé citar um pensamento do Dalai Lama, saia de perto quando a Rita Lee estiver de cócoras, decerto ela vai soltar algum presságio depois do peido. ¬
Essa gente é constrangedora. Tem uns que nem disfarçam; organizam-se em ONGs, feirinhas desen¬canadas e embalam o tal do tai chi chuan... na frente das crianças! Sou a favor – nesses casos e no caso de esfihas de frango – do porte de arma, meu espírito é de porco com ascendente na casa do chapéu. Aliás, para fazer previsões, não preciso de runas, nem bola de cristal. Alguém duvida? Então aqui vai: num futuro não muito distante, as churrascarias vão ser lacradas como foram os bingos, e os consumidores de cupim serão perseguidos e execrados como se fossem... vejam só... fumantes. E os camelôs venderão células-tronco na Pça. da República. Assim, as lésbicas finalmente se transformarão em travestis passivos, com direito a um pinto e a duas bolas penduradas no saco.
E a história de São Cipriano? Alguém conhece? Seguinte. O sujeito passou a vida inteira fazendo lobby para o capeta. Um dia, porém, as ofertas do maligno não corresponderam às demandas de sua insensatez. Ou seja, o diabo não deu conta do recado. Aí Cipriano virou casaca e trocou de senhor. Simples, né? O que era macumba virou milagre. Troca de interesses. Quem tiver curiosidade e quiser dar umas risadas, basta dar uma olhada no Grande livro de capa e aço. Tem uma receita que Paracelso dá para criar homúnculos a partir de cocô de gato. Uma boa dica para a dona de casa apimentar seu relacionamento, junto com a dança do ventre.
Hoje, Cipriano é santo da igreja católica com todos os alvarás e certidões negativas. O tipo da coisa (o câmbio) que serve para tudo nessa vida, desde a mulata bilíngue que se oferece no calçadão da boate Help em Copacabana (o maior puteiro a céu aberto da América Latina que está ameaçado de extinção... querem colocar um museu de arte contemporânea no lugar, isto é, trocar seis por meia dúzia) até o pobre coitado vítima de sua caridade. Vale dizer: a paisagem é a mesma. A esmola é a mesma. A canalhice e a santidade andam de mãos dadas.
Espero que Karadzic pague pelos seus crimes, e nunca é demais lembrar que Hitler e Jesus Cristo (que sempre andou, e continua andando pessimamente acompanhado, “amém, irmão”?) também eram vegetarianos. Ainda bem que Rita Lee e Fernanda Young saíram do “Saia Justa”. Isso me faz acreditar que Deus existe. Axé e picanha mal passada para vocês.
*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.
 
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