sábado, agosto 02, 2008

Brasil

Tarso, Farcs e Dói-Codi

Ruy Fabiano
"A denúncia, por parte da revista colombiana Cambio, de que personagens de proa do governo brasileiro mantêm relações estreitas com a direção das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs), veio à tona quase simultaneamente com a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de reabrir processos contra militares que torturaram presos políticos no curso do governo militar.
São coisas aparentemente distintas, mas que abrem o flanco para que o atual governo seja posto no banco dos réus pelos mesmos motivos pelos quais quer punir os seus adversários do regime de 64. As Farcs, afinal, são uma organização terrorista, que seqüestra pessoas, mata, trafica drogas e armas e mantém em cativeiro, em condições abjetas, mais de setecentas pessoas – muitas das quais inteiramente dissociadas da luta política. Ou seja, o governo que quer punir a tortura do passado a coonesta no presente.
(...) O governo contra-argumenta que os e-mails não provam nada, já que nenhum se dirige diretamente a essas pessoas, mas a gente das próprias Farcs, não havendo nenhum de autoria dos acusados. Entre eles, porém, há um, de Medina a Reyes, tratando da nomeação de sua esposa, apelidada de “Mona”, que evidencia o apoio logístico que estava recebendo por parte do governo Lula.
O e-mail diz: “Na segunda-feira, dia 15, a ‘Mona’ começou em seu novo emprego e, para garanti-la ou impedir que a direita em algum momento a hostilize, a colocaram na Secretaria da Pesca, trabalhando no que chamam aqui de cargo de confiança ligado à Presidência da República.”
Se isso não é uma evidência, então o que será? Mona é funcionária pública do Paraná. Foi transferida por solicitação de Dilma Roussef, que assina o ofício ao governo paranaense. Quando a revista colombiana diz que o governo brasileiro deve, ao menos, uma explicação, diz o óbvio. Ou não?"
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Arriégua!

Candidatura de filho de Lula é impugnada; PT critica decisão

De acordo com a Constituição, são inelegíveis os parentes do presidente "consangüíneos ou afins"

Clarissa Oliveira, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A candidatura do empresário Marcos Lula (PT) - enteado do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva - a uma vaga na Câmara Municipal de São Bernardo foi impugnada.
A impugnação da candidatura foi pedida pelo Ministério Público, com base no artigo 14 da Constituição e no artigo 1º da lei complementar 64/1990 que definem como inelegíveis os parentes do presidente da República "consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção".
Marcos Lula é filho do primeiro casamento da primeira-dama Marisa Letícia e foi adotado pelo presidente Lula. Ele pretendia disputar uma vaga de vereador em São Bernardo.

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Opinião

A gestão Gil

Editorial do Estadão
Não se pode dizer que a gestão do compositor e cantor Gilberto Gil no Ministério da Cultura, durante os mais de cinco anos - e três tentativas de saída - em que lá permaneceu, tenha sido muito boa, ou muito ruim, assim como justo não seria atribuir-lhe a pecha de medíocre, algo incompatível, aliás, com a personalidade de um dos mais criativos artistas da música popular brasileira (MPB). É preciso dar à questão o enfoque correto e condicionar a avaliação à expectativa que se poderia ter na atuação de um artista de grande popularidade na condução da política cultural do País. Não se esperava - a começar pelo presidente Lula - que Gilberto Gil viesse a produzir uma política cultural de grande relevância, modificadora ou transformadora - no melhor sentido - da visão que a sociedade brasileira tem da Cultura e das Artes. Mas se esperava que o governo "pegasse carona" no prestígio artístico e popular do compositor-cantor baiano, fazendo-o funcionar como uma espécie de garoto-propaganda artístico do País pelo mundo afora.

Foi para isso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convidou para o Ministério, pouco depois de eleito pela primeira vez, pelo que somos levados a avaliar que a gestão Gil não se saiu mal. O ministro espalhou a descontração e a informalidade típicas dos brasileiros ao cantar, dançar e transformar cerimônias oficiais, em vários países, naqueles divertidos espetáculos improvisados que só o irreverente talento caboclo seria capaz de produzir. Neste aspecto, nem são cabíveis as críticas feitas ao ministro, quanto ao fato de ele preocupar-se mais com seus shows internacionais do que com os compromissos burocráticos de governo, pois Gilberto Gil, no governo, apenas se dedicou a fazer mais o que sabe fazer melhor - e foi assim que deu visibilidade à sua Pasta ministerial, como, certamente, se previa quando de sua nomeação.
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Manchetes do dia

Sábado, 02 / 08 / 2008

Folha de S. Paulo
"Produção industrial cresce 6,3% no semestre"
A produção industrial teve alta de 6,3% no primeiro semestre deste ano - o maior crescimento nos seis primeiros meses desde 2004. Apenas em junho, na comparação sem influências sazonais com maio, a alta foi de 2,7%. É a maior taxa desde outubro de 2007, ainda imune ao efeito da elevação da taxa básica de juros, Selic. Em relação a junho do ano passado, a elevação foi de 6,6%, segundo os dados do IBGE.


O Globo
"Tortura provoca atrito entre ministros de Justiça e Defesa"
Integrantes do governo Lula não se entendem sobre a proposta de punição de torturadores da ditadura. Um dia após o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, defenderem a condenação de militares torturadores, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, divergiu publicamente da posição dos colegas, defendeu o Exército e criticou a reabertura do debate: “A gente acaba discutindo o passado e não se preocupa com o futuro.” Jobim defendeu que a discussão saia do âmbito do Executivo e fique restrita ao Judiciário. Para ministros do Supremo Tribunal Federal, a lei de anistia brasileira não permite a punição de crimes cometidos durante a ditadura. Em resposta ao ministro da Justiça, militares da reserva farão um seminário no Rio para defender a anistia.


O Estado de São Paulo
"Valor de ações cai ao menor nível em um ano"
A instabilidade dos mercados financeiros globais fez com que o valor total das 398 empresas com ações negociadas na Bovespa caísse para R$ 2,138 trilhões, o menor nível em um ano. Só nos últimos dois meses a perda foi de R$ 438,5 bilhões. “A tendência de curto prazo para a bolsa é negativa, o que faz com que as más notícias prevaleçam”, diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Informações ruins divulgadas ontem sobre as economias dos Estados Unidos e da China derrubaram novamente os mercados. A Bovespa registrou queda de 3,15% e a Bolsa de Nova York recuou 0,45%.
Um dos fatores que derrubaram as bolsas ontem foi a divulgação de prejuízos da montadora americana General Motors. No segundo trimestre, a GM contabilizou, em suas operações mundiais, perdas de US$ 15, 5 bilhões.


Jornal do Brasil
"Tráfico afugenta TRE"
Esbarrou na ameaça do tráfico de drogas a operação do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, realizada ontem na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, contra propagandas irregulares. Depois de retirarem placas e cartazes ilegalmente posicionados, ainda na entrada da favela, fiscais do TRE receberam o aviso de “olheiros” do tráfico. “Vou chamar o dono da boca. Aqui vocês não mandam”, disse um deles para a comitiva, que saiu da comunidade escoltada por dois veículos da PM com policiais armados de fuzis. As dificuldades de fiscalização se repetem na Baixada Fluminense. Em Nova Iguaçu, por exemplo, quatro pessoas respondem por uma área de 524 quilômetros quadrados.

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sexta-feira, agosto 01, 2008

Meus parabéns

Olá Sidney Borges, tudo bem?

Através dos parabens que você recebeu, fiquei sabendo dos quatro anos de existência de seu blog. Quero dar meus parabens também e te desejar felicidades e que você continue escrevendo e nos ensinado com suas belíssimas crônicas, que nos faz pensar e refletir. O seu blog é um importante meio de comunicação para nossa cidade.

Abraços.

Julinho Mendes

Parabéns!

Caro Sidney:

Ao completar-se quatro anos de Ubatuba Víbora não posso deixar de congratular-me com você e com a sabedoria que consiguiu imprimir na mansa Víbora. Foram quatro anos bicudos, cheios de silenciadores e silêncios, comissões processantes, calúnias e difamações e, VOCÊ, teve coragem e prudência para publicar as manifestações cívicas de todos aqueles que, sem apelar a insultos, tiveram identica coragem de manifestar seu pensamento e suas críticas a tudo o que consideravam errado e prejudicial ao Município de Ubatuba e a seus cidadãos. Parabéns.Faço votos para que SABEDORIA, PRUDÊNCIA E CORAGEM acompanhem UBATUBA VÍBORA por muitos e muitos anos.

Felicidades e forte abraço.

Corsino Aliste Mezquita

Brasil

Esses socialistas sonhadores e seus amados guerrilheiros

Sidney Borges
Documentos indicam conexão das FARC com políticos do PT. Essa é a manchete do estadão de hoje. Para mim é natural esse contato. O PT tem entre seus membros adeptos do socialismo. As FARC querem implantar o socialismo na Colômbia e nos demais países da América do Sul. A América do Norte, a Ásia e a Galáxia ficam para depois. Nada mais natural que os adeptos da tese socialista sejam amigos, se visitem e troquem figurinhas. Seria digno de nota se Tarso Genro passasse o fim-de-semana jogando golfe com Bush. Ou se Condolezza Rice fosse vista jantando com Paulo Maluf. Perde tempo a imprensa com factóides, aqui no Víbora vamos direto ao ponto, matamos a cobra e mostramos o pau. Mas nunca matamos víboras, essas moram em nosso coração. O que podemos falar das FARC e dos petistas socialistas? Apenas que estão fora do tempo. Mas se os petistas são inofensivos e não incomodam ninguém, as FARC precisam mudar de tática e soltar os seqüestrados. Coisa feia prender gente inocente. Melhor seria se passassem o tempo sonhando com o eldorado igualitário sem roubar, traficar ou seqüestrar. Isso é coisa de bandidos.

Arquitetura


Tributo a Joaquim Guedes

Maria Clara R. M. do Prado
Combativo, centrado, sensível, criativo, imaginativo, irrequieto. Todos esses adjetivos compõem o perfil de Joaquim Guedes. Marcaram o seu jeito de ser na vida. Nenhum deles, porém, consegue explicar a argúcia com que sua inteligência era capaz de captar a essência dos discursos e a cortante rapidez com que media e avaliava fatos e opiniões.
Arquiteto e urbanista, foi, antes de tudo, um pensador, um homem cuja mente vivia em eterna ebulição, atenta ao mais e ao menos importante. Nada lhe escapava. Os olhos, de vivacidade contundente, funcionavam como dois sensores a perscrutar as pessoas à sua volta.
Tinha opinião para tudo e ávida disposição para o debate. Não gostava da lei que aboliu os cartazes das ruas da cidade de São Paulo porque considerava isso uma ingerência descabida na livre vontade dos cidadãos, na ocupação do espaço urbano. E, na contramão da tendência ecológica, achava ridícula a mania das autoridades locais de gastarem tempo e dinheiro do povo com a plantação de árvores ao longo das avenidas. As ruas, dizia, foram feitas para os veículos transitarem. As calçadas, para as pessoas passarem. Polêmico? É claro, mas se assim não fosse, não seria o ponto de vista do Joaquim Guedes.
Uma das poucas vozes com coragem de criticar a arquitetura de Oscar Niemeyer - que considerava muito distante do objetivo funcional de atender às necessidades dos homens -, Joaquim Guedes sempre defendeu o rigor técnico dos projetos e o entendimento de que a arquitetura deve servir, antes de tudo, ao homem, em sua dimensão social e produtiva.
"Arquitetura é a arte de construir", proclamava, com o tom de voz baixo e afável que lhe era característico, mas que podia facilmente chegar à exasperação quando o interlocutor ousasse tecer alguma consideração contrária.
Sua trajetória profissional começou cedo. Recém-formado pela FAU - a tradicional Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP -, Joaquim, com apenas 24 anos, participou do concurso de projeto urbanístico para a construção de Brasília. Foi um dos primeiros trabalhos entre muitos em sua atuante carreira profissional. Ficou famoso pelas cidades que criou no país nos anos 70, no rastro da ocupação regional movida pela exploração do minério de ferro. Participou do concurso internacional para a construção do Centro Tecnológico Integrado na Bicocca, em 1987, tendo Lina Bo Bardi e Roberto Sambonet como parceiros. A Bicocca era uma área degradada, localizada no norte da Itália, com a característica de ter sido palco de famosa batalha entre povos vizinhos quando o Ducado de Milão pertencia aos franceses, em 1522.
Era uma das poucas vozes com coragem de criticar Niemeyer, pois para ele a arquitetura deve servir ao homem, em sua dimensão social e produtiva
O projeto de Joaquim Guedes na Bicocca não foi o vencedor, mas até hoje suscita interesse de arquitetos e urbanistas pelo diferencial de sua proposta.
Tinha inclinação pelo simples na elaboração das estruturas que deviam ser criadas a partir das necessidades do presente, em linha com o grande arquiteto finlandês, Alvar Aalto, seu grande inspirador, guiado pela preocupação com a funcionalidade da obra. Isso era uma obsessão.
Como arquiteto e urbanista, Joaquim Guedes foi fundamentalmente um intelectual. É conhecido o prefácio que escreveu em 1995 para a edição nacional do livro "Eupalinos ou o Arquiteto", de autoria de Paul Valéry, publicado originalmente na revista "Architectures" em 1921. O texto discorre sobre uma conversa que Fedro e Sócrates teriam desenvolvido, depois da morte, em continuação aos diálogos iniciados em vida. Falam sobre o arquiteto Eupalinos de Mégara, que teria construído o templo de Ártemis, sobre as artes, sobretudo sobre a arte de construir.
"Geometria Habitata" é o título do prefácio. A certa altura, ao mencionar as preocupações de Valéry com os princípios das criações humanas - "para o corpo, que chama de utilidade; ou bem para a alma, que persegue sob o nome de beleza.. os quais, com a solidez ou duração, constituem as grandes qualidades de uma obra completa, só a arquitetura as exige (utilidade e beleza), sendo por isso a mais completa das artes" - Guedes expõe os desafios do ensino no novo milênio.
"Faculdades de Arquitetura não diferem muito das velhas Escolas de Belas-Artes; parecem não saber atualizar o ensino da construção, coisa de engenheiro", diz no prefácio, criticando o estímulo a "exercícios fantasiosos, falsas megaestruturas, indiferentes à natureza dos problemas propostos, exageradas, insolúveis, ou absurdas: exercícios que excluem o aprendizado da paisagem e dos fatores econômicos e sociais, e maltratam as técnicas, em sua natureza e em seu papel enquanto cultura". E alerta: "Há que aprender a imaginar o objeto e ao mesmo tempo inventar a sua construção; do contrário, a escola se torna o lugar de indefinível adestramento do que chamam criatividade, com materiais e métodos quaisquer".
Mais recentemente, escreveu o prefácio do livro "Conversas com Gaudí", de César Martinell Brunet, discípulo do mestre catalão, editado pela Perspectiva, em 2007. Joaquim Guedes não apreciava os trabalhos de Gaudí enquanto arquiteto, pois tinha dificuldade de entender o propósito de sua obra.
Foi implacável: "Personalidade extraordinária, incomparável, solidão perturbadora, ele (Gaudí) pertence à legião dos cavaleiros andantes, antecedentes e seqüentes. Vejo ao seu lado Bispo do Rosário (da colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá, dedicada ao tratamento de doentes mentais), a Dra. Nise da Silveira (fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente), o Marquês de Sade e Oscar Niemeyer; todos pelo seguinte fato da maior relevância: os quatro desconhecem em seu trabalho a pessoa humana, que é o centro obrigatório de toda arquitetura desde os anos trinta - ao ser proclamado por Aalto: o homem está no centro da minha arquitetura", escreveu Joaquim Guedes, citando também "La Rebelión de las Masas" (de José Ortega y Gasset), que voltou a ler em 2006.
Joaquim Guedes nos deixou na noite de domingo, 27 de julho, após ser abatido, na rua, por tresloucado motorista que se esconde do crime cometido. Viveu com emoção. Morreu com emoção. Defeitos, tinha muitos, mas isso não importa. A morte tem o dom de levar consigo as falhas dos humanos. Vivas ficam as lembranças de quem perseguiu com ardor e coerência suas idéias. E uma curiosidade insolúvel: que conversas manterá ele com Fedro e Sócrates na eternidade? (
www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeiro...)

Agosto

Sofrimento cibernético

Sidney Borges
Desde o último sábado estou com problemas de conexão. O “speed”, equipamento básico da vida atual não está funcionando a contento. Reclamei através do serviço de relações com os clientes da Telefônica. Fui muito bem atendido, fique impressionado com a boa vontade. Me prometeram solução imediata, anotei o número do protocolo no desktop. Isso aconteceu na manhã de domingo, uma hora depois recebi uma ligação confirmando a vinda do técnico. Quando será, perguntei. Hoje até às 18h foi a resposta. Fiquei de plantão. Ninguém apareceu. Me senti enganado, traído. Coloquei Maísa e Dolores Duran no MP-3 e saí em busca de uma reposta, procurando de bar em bar. Amigos solidários me instigaram a telefonar novamente. Ontem em um momento de fraqueza sucumbi à tentação e telefonei, ou melhor, tentei, passei o dia tentando. A ligação nunca se completou. Acabava por travar em uma gravação eterno retorno falando maravilhas do speed. Quero um desses. Hoje consegui ligar e completar a ligação. Me prometeram a visita do tão aguardado técnico. Estou de plantão. Já foi pior, um dia será melhor, mas por enquanto a coisa está do jeito da oficina do português.
- Manuel, verifique se o pisca-pisca está funcionando.
- Pois não chefe, é só ligar.
- Está, não está, está, não está...
Esse é o meu speed. Agora não está. Daqui a pouco estará. Se eu não fosse educado escreveria um palavrão.

Opinião

A quem pertence o conhecimento?

Washington Novaes
Mais uma vez, está em ebulição nos meios de comunicação o tema da propriedade do conhecimento na área dos medicamentos. Por dois motivos: 1) O reconhecimento de patentes de medicamentos nos planos internacional e nacional e o direito de "quebrá-las" em casos de necessidade pública; 2) condições de acesso de cientistas no Brasil ao conhecimento de comunidades tradicionais (índios, quilombolas e outras). No plano internacional, este jornal deu ampla cobertura à verdadeira guerra travada em maio no âmbito da Organização Mundial da Propriedade Industrial (Ompi), que regula a questão das patentes, na qual o candidato brasileiro acabou derrotado, por um voto, por outro candidato acusado até de corrupção e assédio sexual. No plano nacional, o embate continua em curso.

Na Ompi, a questão central é uma tentativa de reformular o sistema de reconhecimento de patentes de medicamentos. A proposta enfrenta fortíssima resistência das empresas multinacionais do setor, porque estas desejam que o reconhecimento prossiga mesmo após o prazo de vencimento - contra o desejo de países que querem ter o direito de fabricá-los como genéricos, principalmente medicamentos para tratamento de aids. O temor daquelas empresas é quanto à expansão do mercado de genéricos, que já está na casa dos US$ 36 bilhões anuais e deve chegar, em 2015, a US$ 90 bilhões (Estado, 29/4). Só o mercado mundial de medicamentos derivados de espécies vegetais, segundo o conceituado Thomas Lovejoy, é hoje superior a US$ 200 bilhões anuais. A oposição central à quebra de patentes vem dos EUA e da Suíça. É uma posição tão radical a das indústrias do setor que elas se têm recusado a aceitar a proposta da Organização Mundial de Saúde de receber, do único país que o conseguiu isolar, o vírus que transmite a gripe aviária de ser humano para ser humano - em troca do direito de aquele país fabricar a vacina (que ainda não existe) sem pagar royalties. Enquanto isso, o mundo corre o risco de uma pandemia.
No Brasil, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) anunciou que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial vai "rever as diretrizes de concessão de patentes" no caso de novas formas derivadas de produtos já patenteados e que caíram em domínio público ou não. Isso acontece no momento em que o Ministério da Saúde, por meio da Fundação Oswaldo Cruz, se prepara para lançar, nos próximos meses, um medicamento genérico de medicamento antiaids cuja patente foi quebrada por licenciamento compulsório. A redução de custo poderá chegar a 90%.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 08 / 2008

Folha de S. Paulo
"Chávez vai nacionalizar Santander na Venezuela"
Em discurso transmitido em cadeia de rádio e TV, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que nacionalizará o Banco de Venezuela, um dos maiores do país e unidade local do gigante espanhol Santander. Chávez afirmou que a nacionalização é necessária porque o grupo espanhol negociava com um comprador venezuelano e não pretendia vender o banco ao governo. “Eu, chefe de estado, disse não. Agora vendam ao Estado. Um banco dessa magnitude nos faz muita falta’, declarou o presidente. O Banco da Venezuela é o terceiro maior do país, com 10,7% dês depósitos, 285 agências e 3 milhões de clientes, segundo o balanço semestral do Santander. A unidade venezuelano responde por 2% dos lucros da matriz (US$ 170 milhões). Em geral, no governo chavista, nacionalização não significa expropriação, mas obrigatoriedade de venda ao governo ou renegociação de contratos. Até a conclusão desta edição, o Santader e sua unidade venezuelana não haviam comentado o discurso de Chávez.


O Globo
"Jogos de Pequim já causam tensão entre EUA e China"
A uma semana do início dos Jogos de Pequim, Estados Unidos e China abriram uma guerra diplomática que vai se estender ao campo esportivo a partir do dia 8. Ontem, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Liu Jianchao, criticou durante o encontro do presidente Bush com dissidentes do país na Casa Branca e a declaração de que os atletas americanos devem agir como “embaixadores da liberdade”. “O governo dos EUA tem interferido rudemente em assuntos internos da China”, afirmou ele. Os chineses ficaram furiosos ainda ao saber que Bush pretende estar em um culto de uma igreja em Pequim, após assistir à cerimônia de abertura, dia 8, e falar sobre o livre direito de expressão religiosa.A organização Repórteres Sem Fronteiras está organizando protestos em várias cidades da Europa no dia de abertura dos Jogos contra a censura à internet na China.


O Estado de São Paulo
"Documentos indicam conexão das Farc com políticos do PT"
As conexões das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) com altos funcionários do governo brasileiro, “entre eles ministros, um procurador-geral, um assessor especial da Presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz”, chegaram “a níveis escandalosos” segundo denúncia da revista Câmbio, que circulou ontem na Colômbia. Em entrevista ao estado, domingo, o ministro da Defesa colombiana, Juan Manuel Santos, havia revelado que em recente visita a seu país, o presidente Lula recebeu informações sobre as conexões das Farc no Brasil, fato negado por autoridades brasileiras. A Câmbio, porém reafirmou ontem a existência do “dossiê brasileiro” com base na transcrição de 85 mensagens eletrônicas encontradas num computador do líder guerrilheiro das Farc Raul Reyes, morto no Equador.


Jornal do Brasil
"Transplantes em crise"
A decisão de levar os transplantes para o Hospital Geral de Bonsucesso só fez aumentar a angústia de quem necessita de um órgão no Rio. Ao todo, 7.444 pessoas aguardam por diferentes cirurgias e a situação se agravou após a denúncia de que um grupo de médicos ligados ao Rio Transplantes cobrava até R$ 250 mil por um lugar na fila por um novo fígado, no Hospital do Fundão. A unidade que assumiu o programa sofre com problemas de pessoal e o banco de olhos é um exemplo: fechou no dia 8 de junho, deixando mais de 3 mil doentes à espera. A fraude revelada pela Polícia Federal revolta pacientes.

quinta-feira, julho 31, 2008

Internet



Dica de site

Walmir Americo Orlandeli é cartunista e ilustrador, formado no curso de Publicidade e Propaganda da faculdade Unilago de São José do Rio Preto. Atua na área de cartum e ilustração desde 1994. O site dele traz uma série de ilustrações, quadrinhos, contos e um blog atualizado com freqüência. (Do Blog do Noblat)

Parabéns!

Professor Sidney Borges:

Parabéns pelo quarto aniversário do Ubatuba Víbora. Contribuir para a divulgação do pensamento não é tarefa fácil. Nossa democracia jovem ainda tem imperfeições, mas, com o fortalecimento da imprensa, os próximos aniversários serão comemorados com maior liberdade de expressão. Continue firme.

Um abraço

Celso de Almeida Jr.
Colégio Dominique

4 anos!

Sidney, parabéns!!!!

Quatro anos é a duração de um mandato. Considere-se reeleito para tantos quantos você queira. Nós, além de leitores somos usuários e tiramos proveito de seu esforço bloguístico (até somos levados a inventar palavras novas). Se as pessoas querem expor ou defender um ponto de vista público têm que se comunicar, e para se comunicar têm que usar alguém que se disponha a isso. Portanto, proponho que você seja tratado como cidadão de interesse público. É a única víbora do planeta que é bem vinda todas as manhãs. Sucesso e Saúde

Abraços,

Renato Nunes

Pois é...

O recordista

Do colunista Janio de Freitas na Folha de S. Paulo:

Lula: "Entre todos os países emergentes, o Brasil é o país que tem inflação mais baixa".

E crescimento econômico também.
E meios econômicos de distribuição de renda também.
E desenvolvimento educacional também.
E assistência pública à saúde também.
E previdência social também.

Pensata

O sexo oral

João Pereira Coutinho
Sou fã de "O Sexo e a Cidade". Descobri que era fã numa certa noite de insônia, corria 2004. Liguei a TV, assisti a dez minutos da série e adormeci como um anjo. Fiquei viciado no produto, que viaja comigo para qualquer parte. E quando a insônia regressa, pronta para destruir uma noite de repouso, eu dispenso as pastilhas habituais. Dez minutos com as Spice Girls de Nova York a ruiva, a loira, a morena, a intermédia; nunca tive tempo para decorar os nomes delas e tenho oito horas de sono garantido.
Como explicar o fenômeno? Bom, não sou especialista em neurologia. Mas desconfio que há uma parte do meu cérebro que simplesmente desliga quando existem mulheres a conversar "conversas de mulheres". O meu drama não se limita a séries de tv. Por diversas vezes tombei da cadeira em mesas de restaurante, para pânico das meninas que conversavam em volta. É embaraçoso. E é mais forte do que eu.
Não sou misógino, não sou machista. Com os homens é exatamente a mesma coisa: quatro amigos debatendo "assuntos de homens" futebol, carros, economia, eventualmente mulheres e eu ronco alto. O problema, creio, está nas "conversas de gênero": previsíveis, entediantes, circulares. Serei caso único? Não creio. E há vários anos que defendo "audiobooks" só com homens, ou só com mulheres, conversando os temas habituais entre si. Seriam vendidos em farmácias sem necessidade de receita médica. Não há coisa mais narcótica.
Assim se entende o meu recente ordálio numa sala de cinema. Por motivos de promessa religiosa, assisti a "O sexo e a cidade", versão filme, e posso garantir que teria sido preferível ir a Fátima. O filme pretende fechar a série, retomando o destino das Spice Girls alguns anos depois. A morena está casada e feliz. A ruiva está casada e infeliz. A loira não está casada mas está feliz. E a intermédia, personagem central que narra o destino das outras, quer casar para ser feliz.

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Brasil



28/Julho/2008
Morre o arquiteto Joaquim Guedes


Ex-professor da FAU-USP e presidente licenciado do IAB-SP, arquiteto se destacou por sua crítica ferrenha ao formalismo

Rafael Frank
O arquiteto Joaquim Manoel Guedes Sobrinho, 76 anos, morreu atropelado no dia 27 de julho (domingo). O acidente ocorreu por volta das 20h em frente ao seu apartamento, na avenida Nove de Julho, em São Paulo. O motorista responsável pelo atropelamento fugiu.
Segundo boletim de ocorrência registrado no 15º Distrito Policial do Itaim Bibi, Guedes atravessava a avenida, próximo à esquina com a Rua Groenlândia, quando foi atingido por um veículo. Os dados do carro não foram anotados por testemunhas. A polícia pedirá imagens para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e à segurança de edifícios próximos para tentar visualizar a placa do veículo.Guedes foi professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo) e chegou a lecionar na Escola de Arquitetura de Estrasburgo (França) nos anos 70. Entre seus prêmios estão o "Colar de Ouro" do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) em 2003, comenda máxima do órgão, e o principal Prêmio de Urbanismo-Projeto em 2002, também do IAB, para o novo CEASA de São Paulo. Na 1ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (1965), o arquiteto recebeu o prêmio internacional para Habitação individual.

Ferrenho crítico do formalismo, o arquiteto procurava atender às questões do cotidiano dos usuários de seus projetos. Entre seus trabalhos mais notórios estão o Plano Piloto de Brasília, apresentado ao Concurso de 1957; o Plano Urbanístico Básico de São Paulo (1970); o planejamento das Cidades Novas de Marabá (1973) e Barcarena (1979), no Pará, e Caraíba (1976), na Bahia. Também de autoria do arquiteto são o projeto para o Parque de Tecnologia Avançada em Milão e o projeto para o Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
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Editorial

Quatro anos de estrada

Sidney Borges
Hoje o Ubatuba Víbora completa quatro anos. O momento não é exatamente de comemoração, embora a data enseje um clima de festa. O país vai mal, está sofrendo um retrocesso. Estamos amordaçados a mercê de interpretações pessoais. Apesar de vivermos um tempo de liberdades, é grande a vontade dos poderosos de controlar o que vai por aí. Vira e mexe aparece a tentativa stalinista de colocar a mídia debaixo de grilhões ideológicos. Vamos resistir, sempre, nada é comparável à liberdade, ao direito de ir e vir e expressar o que vai pelo pensamento. O Ubatuba Víbora nasceu às vésperas de uma eleição. A Internet ainda era livre e pudemos divulgar os programas dos candidatos, tivemos um papel na formação da intenção de voto. Desta vez estaremos calados, Torquemada é cruel, um vacilo e o braço pesado da (in)Justiça se faz presente. Um dia a farsa vai terminar – tudo termina - e nos tornaremos de fato uma democracia. Estamos trabalhando para isso. Aos leitores pedimos paciência, continuem nos prestigiando. Eles passarão, nós passarinhos.

Opinião

O gargalo da educação em São Paulo

Luís Fernando de Lima Júnior *
A aprovação automática completou 11 anos de vigência nas escolas públicas do Estado de São Paulo como um dos mais significativos entraves para o desenvolvimento da qualidade do ensino público. Formulada a partir de uma proposta planejada para solucionar os problemas de aprendizagem de uma realidade européia, a divisão da estrutura curricular em ciclos de quatro anos de estudo com regime de progressão continuada não trouxe bons frutos para o ensino paulista.

Na Espanha e na Inglaterra, onde essa proposta teve bons resultados, os ciclos de estudo têm uma duração de dois anos. Nesse período, os alunos estudam em tempo integral, em salas de aula com média inferior a 30 alunos por classe e na passagem de um ano para outro, dentro do mesmo ciclo, praticamente não existe mudança no quadro de educadores. Com um número menor de alunos por sala de aula, o professor, motivado e bem remunerado, pode disponibilizar a atenção necessária à aprendizagem de cada aluno.
No cotidiano escolar, a criança vai para a escola no período da manhã e tem contato com os conteúdos das disciplinas regulares, para no período da tarde participar de oficinas lúdicas, esportivas ou profissionalizantes. Enquanto os colegas desfrutam essas atividades, o aluno que apresenta dificuldades de aprendizagem é colocado em reforço intensivo e o aluno indisciplinado é estimulado a corrigir suas atitudes por não poder participar dessas atividades.
Como dentro do ciclo não se tem a noção de aprovação do primeiro para o segundo ano, pelo fato de as classes receberem nomenclaturas sem referência de série, os alunos entendem a passagem do ano como férias escolares, da mesma maneira que o recesso do meio do ano, pois reiniciam suas atividades no período letivo seguinte como continuidade do anterior. Não existe a noção de aprovação automática, pois o aluno só progride de ciclo se ao final dos dois anos apresentar evolução.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 31 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Gilberto Gil troca governo pela carreira após 5 anos"
O ministro da Cultura Gilberto Gil, anunciou sua saída do governo após reunião com o presidente Lula. Dizendo ter “cumprido um ciclo”, Gil afirmou que seu substituto será o secretário-executivo da pasta, Juca Ferreira, o que o Planalto não confirmou oficialmente. O compositor disse temer que o equilíbrio entre artista e ministro ficasse “crítico”. Em cinco anos, foi a terceira vez que ele pediu para sair. “Disse a Lula que estava 2 a 0 para ele. Hoje, fiz um gol”, declarou Gil, acusado de, pela carreira, deixar o governo em segundo plano. No Rio, antes da reunião com Lula, ele disse que a gestão anterior da Comissão de Ética Pública era “mais tolerante” quanto à sua situação. O presidente da comissão Sepúlveda Pertence não quis opinar. Para críticos de Gil, Ferreira, já chefiava o ministério de fato.


O Globo
"Esquema cobrava R$ 200 mil para furar fila de transplante"
Ex-coordenador do programa Rio Transplante, o cirurgião Joaquim Ribeiro Filho foi preso ontem, em casa, por policiais federais que deflagraram a Operação Fura-Fila. Ele é acusado de receber R$ 200 mil para desviar um fígado. Além dele, outros quatro médicos de sua equipe foram denunciados pelo Ministério Público Federal por tráfico de influência, peculato e enriquecimento ilícito. Os agentes apreenderam documentos no consultório e na casa de Ribeiro. O esquema, segundo o superintendente da PF do Rio, Valdinho Jacinto Caetano, consistia em atestar que o órgão era inadequado para o primeiro da fila e, em seguida, transferi-lo para outra pessoa. As investigações começaram após uma série de reportagens do Globo, em 2003.


O Estado de São Paulo
"Itamaraty teme aumento dos subsídios agrícolas nos EUA"
O Itamaraty teme que os Estados Unidos aumentem os subsídios agrícolas em conseqüência do fracasso das negociações da chamada Rodada de Doha. Sem a definição de novas regras para o comércio mundial, a Casa Branca fica livre para reforçar o apoio financeiro que dá aos fazendeiros americanos, o que prejudica os produtores brasileiros empenhados em ampliar as exportações. A preocupação aumenta porque o Congresso americano acaba de aprovar uma lei que garante a manutenção de subsídios agrícolas bilionários. “Teremos de abrir disputas legais contra esses subsídios”, disse o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. Ele confirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a sobretaxa que o etanol sofre para entrar no mercado americano.


Jornal do Brasil
"R$ 250 mil: o preço de uma vida na fila do transplante"
Joaquim Ribeiro Filho, ex-coordenador do Rio Transplante, foi preso em casa, em Laranjeiras, pela PF. É acusado de manipular a lista de pacientes à espera de um fígado no Hospital do Fundão, dando prioridade a quem pagava R$ 250 mil por uma cirurgia. Dos preteridos, seis teriam morrido enquanto o esquema atuou. Outros quatro médicos da equipe foram denunciados.

quarta-feira, julho 30, 2008


Ponto de vista

Cio dos candidatos

Julinho Mendes
É como se uma fêmea começasse a exalar o seu cheiro para atrair, dos mais diversos e longínquos lugares, seus machos, para alguns dias e algumas noites de amor. Amor para preservação e manutenção da espécie. Amor que, para a fêmea que oferece, prazeroso sem dúvidas, mas muito sofrido, sacrificado. Sofrido também para o macho, que de seu habitat tranqüilo e costumeiro, passa a ser também de sacrifício e disputa, tudo para conseguir o troféu maior: o ato sexual. Tudo em função da perpetuação da espécie. Tudo coisa da natureza que Deus criou.
São assim também as cidades em épocas de eleições, com cios que acontecem de quatro em quatro anos e que duram aproximadamente três meses. Suas fêmeas (Prefeituras e Câmaras Municipais) exalam o cheiro do poder e do dinheiro. Seus machos (os candidatos), atraídos por esse odor, enlouquecem em disputa de tão almejado troféu. Esse cio transforma cidadãos. O “bicho” começa delirando ao pensar no poder e no dinheiro, abandona o lar e larga sua família, passa a andar em bando, vira santinho, faz promessa, fala mentira, xinga, bufa, briga e no final volta para casa acabadinho, magro, endividado, com olheiras e com ar de profunda anemia. São muitos por uma fêmea, são muitos querendo o seu amor, o seu amparo, o seu poder, o seu dinheiro fácil. Não há riscos estar no prazer desse cio político, haverá talvez, decepções, desilusões, surtos psicóticos. Passado o cio tudo volta ao normal. Ao vencedor vida fácil, ao perdedor o consolo de esperar mais quatro longos anos e tentar novamente. Se for astuto, um bom papo de aconchavo, junto ao vencedor, fica resolvido os problemas deixados pelo cio. Vida fácil também terá. É tudo em função da perpetuação da espécie. Tudo coisa da natureza que o poder criou. Tudo as custas do trabalho suado do povo.

Eleições 2008

Candidato com "ficha suja" pode ficar inelegível; veja advogado

da Folha Online
Os presidentes dos 26 tribunais regionais eleitorais do país já se posicionaram contra a candidatura de políticos com "ficha suja" para as
eleições municipais deste ano. Entre os dias 22 e 24 deste mês, o site da Associação dos Magistrados Brasileiros bateu recorde de acesso.
A entidade divulgou a lista de candidatos que respondem processo na Justiça e entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para tornar inelegíveis os que estão condenados em qualquer instância, mesmo que os processos não tenham sido julgados em definitivo. Acompanhe, neste videocast, a entrevista com o advogado Silvio Salata, especialista em direito eleitoral.

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Oba!

Habemus candidatos

Sidney Borges
Finalmente Ubatuba saiu do limbo. Temos candidatos sim. Agora vai!

UBARANA 3 [Ver Prefeitos] - 42 [Ver Vereadores] - SP
UBATUBA 1
[Ver Prefeitos] - 17 [Ver Vereadores] - SP
UBIRAJARA 2
[Ver Prefeitos] 77 [Ver Vereadores] - SP
UCHOA 3
[Ver Prefeitos] - 56 [Ver Vereadores] - SP
UNIÃO PAULISTA 2
[Ver Prefeitos] - 27 [Ver Vereadores] - SP
URÂNIA 2
[Ver Prefeitos] - 70 [Ver Vereadores] - SP
URU 2
[Ver Prefeitos] - 26 [Ver Vereadores] - SP
URUPÊS 2
[Ver Prefeitos] - 73 [Ver Vereadores] - SP

Mudanças

Habemus vice

Sidney Borges
Acordei cedo. Comecei a trabalhar ouvindo Luiz Melodia e Cazuza. Depois do alongamento nas emoções tentei entrar no site do TSE e não consegui. Tentei novamente e mais uma vez não foi possível. Quero saber tudo sobre os candidatos de Ubatuba. Não descansarei, vou continuar acessando até eles se renderem. Ontem circulou na cidade o boato sobre um novo candidato a vice na coligação do Prefeito. Ainda faltam alguns acertos, mas Rui Teixeira Leite é o homem. Vice é um cargo difuso, nebuloso, ninguém sabe direito para que serve. O boato me fez lembrar de dona Alzira, minha professora do primeiro ano primário. Ela dizia que a letra h tinha função no meio da palavra. Mas quando estava colocada no princípio era como um jardinzinho, um enfeite. Por exemplo, a palavra hotel. Sem o h fica otel, que produz o mesmo som de hotel, mas é diferente, pois falta o jardinzinho. Os vices são como o h do começo da frase, jardinzinhos, sem eles ou com eles tudo continua como d’antes no quartel de Abrantes.

É proibido proibir...

Presidente do TSE se diz favorável a propaganda na web

Portal Terra
CURITIBA - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou, em Curitiba, que é praticamente impossível evitar propagandas eleitorais em comunidades de relacionamentos na web ou em sites de vídeo, apesar do TSE ter determinado que as campanhas se concentrem em páginas oficiais dos candidatos. Ayres Britto se disse favorável à liberação de propagandas pela internet e celular, mas garantiu que o Tribunal agirá diante de possíveis abusos.
- A internet realmente se tornou um espaço de propaganda global, que é muito econômico, instantâneo, massivo e que atinge a juventude. Existem mais aspectos favoráveis do que desfavoráveis. Em matéria de internet e celular, eu sou a favor da liberalização. Mas, já foi decidido pelo tribunal que, diante dos abusos, nós vamos agir. Quando chegarem processos no TSE, vamos decidir caso a caso - afirmou.
Em Curitiba, onde participou de uma reunião com os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais da Região Sul, Britto também comentou a questão da divulgação de listas com candidatos que respondem a processos na Justiça. Ele afirmou que mesmo que os tribunais regionais barrem o candidato com "ficha suja", a situação deverá se reverter em caso de recurso ao TSE.
- Se chegar no TSE, há uma possibilidade grande de confirmação da candidatura - disse, lembrando que já há uma manifestação formal do TSE de que a vida pregressa de um candidato não é condição de inegilibidade. - Se nestas eleições isto não é condição, talvez em 2010 mude. Ou ainda depois da aprovação dos quatro projetos sobre este assunto em trâmite no Congresso Nacional - afirmou. Hoje, de acordo com o TSE, só e inelegível o candidato que tiver sentença condenatória definitiva.
No entanto, o presidente do TSE defendeu a divulgação da vida pregressa dos candidatos, embora não concorde com a expressão "ficha suja". - Você coloca juntas pessoas que tiveram um episódio e outras com um numeroso prontuário. A 'ficha suja' parece antecipação de julgamento. O foco não é sujar a ficha de ninguém. É informar o eleitor sobre a história de vida do candidato, para que faça o seu juízo de valor. É preciso entender o significado da vida pregressa - enfatizou.
Sobre a situação do Rio de Janeiro, Britto classificou como gravíssima a pressão do tráfico na política. - Estes segmentos fora da lei agora querem se tornar parte do Estado e do Poder, tentando cargos e coagindo a comunidade. Ainda pressionam dizendo para a população que dá para saber quem votou em quem na urna eletrônica. Isto é gravíssimo - concluiu.

Deu em O Globo

Mamona fracassa... e Lula sonha fazer piraju virar salmão

Biodiesel alternativo, lançado com pompa, precisará de aditivos para não entupir motores. E presidente fala em "futucar" o pré-sal

De Ramona Ordoñez e Maria Lima:
Entrou água no projeto do governo de fazer da mamona um combustível alternativo para as frotas nacional e internacional de veículos. As novas especificações para o biodiesel exigidas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) poderão desestimular a produção a partir do óleo de mamona: muito viscoso e com risco de entupir os bicos injetores dos motores, o produto precisará de aditivos, como os óleos de soja ou girassol, para ser utilizado nos tanques.
Ou seja, o programa, lançado em 2005, com pompa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está ameaçado. Mas, ontem mesmo, numa solenidade na Bahia, Lula já fazia uma nova promessa: transformar piraju (dourado) em salmão para permitir uma competição mais acirrada com o salmão chileno nas gôndolas e peixarias do Brasil. Para ajudar a concretizar essa meta, o presidente anunciou também a criação do Ministério da Pesca (em substituição a uma secretária extraordinária que hoje existe para o setor). A iniciativa vai custar R$ 1,8 bilhão até 2011.
— Da mesma forma que fizemos a reforma agrária na terra, vamos fazer agora a reforma aquária, nas águas — disse Lula.
Com a mudança, além de dobrar a estrutura de servidores da pasta de 200 para 400 cargos, seu orçamento também dobrará dos atuais R$ 250 milhões para R$ 500 milhões por ano. Isso sem contar a criação de superintendências em todos os estados, o que criará novas funções. O Ministério do Planejamento já aprovou a realização de concurso para as 200 vagas já garantidas. (Do Blog do Noblat)

Opinião

A Universidade do MST

Editorial do Estadão
Embora seja uma entidade que não tem existência legal - o Movimento dos Sem-Terra (MST) continua recebendo cada vez mais recursos do governo para a formação de assentados. Quando o presidente Lula tomou posse, em 2003, existiam 13 cursos universitários para assentados, todos na área pedagógica, e 922 alunos matriculados. Hoje são 3.649 estudantes em 49 cursos que vão da agronomia ao direito, passando por ciências sociais e geografia. Com 54 integrantes, a maioria vinculada ao MST, a primeira turma de engenheiros agrônomos, aprovada por um desses cursos, se forma esta semana.
Os cursos para assentados estão subordinados ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), vinculado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Esse programa foi criado em 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de "ampliar os níveis de escolarização formal dos trabalhadores rurais assentados". Em seus primeiros anos de funcionamento, o Pronera foi dedicado a projetos de alfabetização, ensino fundamental e ensino profissionalizante. A partir de 2003 - no governo Lula - a prioridade foi para o ensino universitário.
Em 2003, o Pronera recebeu R$ 9 milhões. Em 2008, o programa tem um orçamento de R$ 54 milhões, dos quais mais da metade é destinada à educação superior. Além desses recursos, o governo repassa R$ 4 milhões para bolsas de pesquisa. Os cursos para assentados funcionam em condições especiais e suas vagas só podem ser ocupadas por estudantes indicados por comunidades rurais, desde que apresentem atestado do Incra comprovando seu vínculo com a reforma agrária.
Esses estudantes não enfrentam os vestibulares comuns. Não ingressam no ensino universitário por mérito, mas por indicação. E têm um calendário escolar diferenciado, que lhes permite conciliar atividades acadêmicas com atividades no campo.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Fracassa acordo de comércio global"
Após nove dias de debates na Suíça, o esforço para tentar salvar sete anos de negociação da Rodada de Doha fracassou. A reunião na Organização Mundial do Comércio não obteve acordo sobre o mecanismo de proteção agrícola para os emergentes. O objetivo do encontro era equilibrar a redução de barreiras agrícolas nos países ricos e a abertura industrial nos emergetnes. Embora ninguém admita a morte da rodada, o processo entra num período de incerteza. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que as negociações podem ficar pendentes até 2013. Ele nega que o Brasil terna errado ao apostar seus esforços na rodada, em vez de buscar acordos bilaterais. Amorim, porém, admite que a tendência agora é retomar contatos para firmar parcerias que haviam sido engavetadas, entre elas as do Mercosul como os EUA e a Europa. Entidades da industria e do agronegócio lamentaram o fracasso.


O Globo
"TRE e polícias criam força especial para as eleições"
Foi acertada ontem no Tribunal Regional Eleitoral a criação de um grupo especial reunindo as polícias Civil, Militar e Federal para combater a imposição de candidatos do tráfico e das milícias em favelas do Rio. As conclusões da reunião em que se decidiu pela criação dessa força especial serão apresentadas hoje ao presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, e ao ministro da Justiça, Tarso Genro. Pelo menos até o momento, o presidente do TRE-RJ, desembargador Roberto Wider, diz que não acha necessária a presença da Força Nacional de Segurança ou de tropas do Exército na cidade com esse objetivo. Segundo Wider, a força especial vai dar apoio a candidatos que queiram segurança para fazer campanha em áreas dominadas pelas milícias ou pelo tráfico. O governador Sérgio Cabral reafirmou que é favorável à presença imediata da Força Nacional de Segurança. Ele disse que assinaria “com o maior prazer” um pedido de envio de tropas junto com o presidente do TRE-RJ.


O Estado de São Paulo
"Fracasso na OMC faz Brasil rever política de comércio"
Fracassaram as tentativas de definir regras menos restritivas para o cenário global. Após sete anos de negociações a Organização Mundial do Comércio (OMC) encerrou ontem, sem acordo, a atual etapa da chamada Rodada de Doha. As previsões mais otimistas são de que os debates possam ser retomados a partir de 2010. O Itamaraty, que apostou fortemente no fechamento de um pacto global terá que mudar sua política dando mais ênfase à busca de acordos comerciais bilaterais. A OMC era a prioridade, mas agora vamos ter de nos concentrar em coisas que dão resultados”, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. “Não posso ficar pendurado aqui mais quatro anos.” O Brasil pretende retomar o diálogo com os parceiros do Mercosul, os Estados Unidos e a União Européia.


Jornal do Brasil
"Brigalhada em Genebra causa prejuízo ao Brasil"
O Brasil tentou, mas Índia, China e EUA não se entenderam. Resultado: após sete anos, terminou sem acordo a Rodada Doha, destinada a ampliar a liberalização do comércio mundial. O fracasso deve prejudicar a confiança dos investidores, alimentar o protecionismo dos países ricos e estimular mais acordos comerciais bilaterais – conseqüências prejudiciais a nações em desenvolvimento, como o Brasil. Analistas prevêem queda do ritmo de expansão das exportações do país em alguns setores. A guerra nos tribunais também vai começar. O primeiro alvo do Brasil serão os subsídios americanos à produção de álcool. O presidente da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, prometeu “não jogar a toalha”, calculando em US$ 130 bilhões anuais o tamanho da economia em tarifas caso o acordo vingasse.

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terça-feira, julho 29, 2008

Deu em O Globo

Receita estuda pôr fim à declaração de isento

Fisco também prepara uma medida para incluir o número do CPF já na certidão de nascimento, gratuita

De Geralda Doca:
A declaração de isento do Imposto de Renda (IR) pode estar com os dias contados. A Receita Federal estuda acabar com a obrigatoriedade de prestação de contas, que todo ano, a partir de setembro, mobiliza milhões de brasileiros, sobretudo os de baixa renda, dispensados de declarar. Quem não se comunica com o Fisco tem o CPF suspenso. Uma instrução normativa sobre a mudança está no forno e aguarda só a decisão final da cúpula do órgão, podendo ser anunciada ainda esta semana. Outra medida de grande impacto, igualmente em fase final de estudo, prevê a inclusão do número do CPF já na certidão de nascimento, gratuita.
Na prática, o cidadão passará a existir para o Fisco assim que nascer. Mas o CPF somente será ativado para fins fiscais quando a pessoa crescer (tiver renda, fizer transação imobiliária ou virar sócio de empresa), explicou um técnico.
Para pôr a idéia em prática, a Receita depende de parecer favorável da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável pelos cartórios. Mas a minuta do protocolo de intenção já está pronta. A proposta é que a novidade comece no Distrito Federal (DF), num projeto-piloto, e depois seja levada para o resto do país. (Do Blog do Noblat)


Nota do Editor - CPF na certidão de nascimento. Depois será a vez do chip. As crianças serão "chipadas" ao nascer. Pagarão impostos a partir do artefato. Relações sexuais serão taxadas. Espirros também. Maus pensamentos pagarão imposto extra. A arrecadação precisa crescer. Na próxima encarnação quero ser urubu. Sem chip. O Grande Irmão vai aos poucos tomando forma. Stálin deve estar rindo no túmulo. (Sidney Borges)

Crônica

Criação de negrinhos

Marcelo Mirisola *
De todo o lixo que circulou na imprensa desde que Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas foram presos e soltos duas vezes, o que mais me enojou foi o grampo de uma conversa entre o especulador Naji Nahas e um doleiro que intermediava uma “remessa” para determinado cliente. O doleiro queria se ver livre do cliente, e pressionava Nahas.

Em dado momento – vou citar de memória –, o especulador libanês diz para o doleiro enviar logo o dinheiro para “o cara” que “enchia o saco” de ambos.O “cara” que enchia o saco de Nahas era Celso Pitta, ex-prefeito da maior cidade do país, São Paulo. Em seguida, um Pitta submisso, liga para um Nahas de saco cheio, e agradece o dinheiro que o teria livrado do perrengue em questão: “Obrigado, obrigado, me livrou do sufoco”. Nahas, lacônico, responde com um “então tá, tchau”, e logo desliga o telefone – como se, do outro lado da linha, o interlocutor não fosse o ex-prefeito da cidade de São Paulo, mas um estorvo. Ou pior. Um empregadinho qualquer que lhe tomava o tempo e devia favores. Precioso tempo, diga-se.
E eu, aqui com os meus botões, fico pensando nos milhares de patos que elegeram esse “empregadinho” para prefeito da cidade de São Paulo. Fico pensando que, antes de servir a Nahas, Pitta era o “negrinho” do dr. Paulo Maluf. Será que os “brimos” fizeram uma permuta com um cavalo de raça, e depois dr. Nahas arrependeu-se porque a tinta branca que cobria Pitta dissolveu-se na chuva?
Imagino que todos nós – eleitores que pagamos IPTU e votamos inclusive nos opositores desses senhores (o que dá na mesma) – estamos a serviço de uma engrenagem que só existe para beneficiá-los. O desprezo com que Nahas tratou o ex-prefeito me diminuiu como cidadão. Me senti um “negrinho” do haras do dr. Nahas. Um pangaré usado e castrado, feito o ex-prefeito Celso Pitta. Um escravo do enfado desses sultões, e do desprezo que eles têm por todos aqueles “valores” que nós, ao contrário, sempre fomos obrigados a engolir. Se eles usurpam as leis e a democracia, por que temos que acreditar nisso? Para servi-los? Para elegê-los? Para enriquecê-los?
E esse dr. Luiz Eduardo Greenhalgh? Lembro dele como advogado defensor de presos políticos, lembro dele na porta das fábricas, nas greves de São Bernardo do Campo, no impeachment de Collor, lembro dele chorando quando Lula foi eleito pela primeira vez, e lembro de Greenhalgh vociferando nos corredores do Congresso Nacional, sempre a favor dos fracos e oprimidos. E agora? Vão apertar esse bigodudo ou ele servirá nosso lombo mais uma vez para a montaria dos seus patrões?
A propósito: quem são os outros “negrinhos” do dr. Naji Nahas? E a criação de Daniel Dantas? Quem são os “negrinhos” do dr. Daniel Dantas?
Antes de prosseguir, quero, desde já, apontar minha ingenuidade. O problema todo está nesse “vão apertar”. Vão, quem? “Eles”? Isso pressupõe jogo limpo, dois lados. Nos faz acreditar que não somos pangarés. Nos faz acreditar na divisão dos poderes. Nas leis, no Estado de Direito e na república e no Papai Noel. O Brasil tropicalizou Montesquieu e o transformou num camelô. Chega a ser ridículo escandalizar-se. Chega a ser ridículo acreditar que algo vai mudar. Que “eles” vão dar um jeito. A indignação, em última análise, transfere para a raposa a responsabilidade de cuidar do galinheiro, faz o pasto dos sultões vicejar, nos escraviza. Tudo o que é coletivo é bovino, eqüino. Pitta era o negrinho preferido do plantel do dr. Maluf. Até que dr. Nahas o comprou. Fizeram um negócio. Só isso. Não há motivo para indignação. Um sultão passou a perna no outro, e o prejuízo foi jogado no lombo dos trouxas que pagaram impostos, e votaram neles. A indignação não corresponde aos fatos. A indignação nos uniformiza e nos transforma em negrinhos desses senhores, iguais ao Pitta – nos iludimos achando que temos (e somos) alguma coisa, quando, na verdade, apenas os servimos: somos empregadinhos deles, e o pior de tudo, eles são nossos credores. E cobram juros altíssimos.
Não me venham falar que sou racista, pois também sou – involuntariamente – um negrinho nesse haras Brasil. O ponto de vista não é meu. Se depender desses senhores (de engenho, de usinas, de empreiteiras e construtoras, de bancos, igrejas e grupos de comunicação), enfim, se depender deles, teremos apenas Ivete Sangalo para ouvir, badalhocas para tirar do traseiro, migalhas e impostos para pagar, e nada vai mudar. “Eles” são os amigos e os respectivos “negrinhos” do dr. Nahas e do dr. Dantas, e de uma ou duas dezenas de canalhas que tripudiam da nossa boa vontade. Aí está o erro. Enquanto não separarmos as coisas, não sairemos do pasto.
Reconhecido o erro, prossigo. E mudo de assunto para falar da mesma coisa. Domingo retrasado, dia 20 de julho, o Estadão publicou o depoimento de Warren Zinn, fotógrafo que cobriu as guerras do Afeganistão e do Iraque. Zinn trata do suicídio de Joseph Dwyer, soldado americano que ele, Zinn, celebrizou numa foto antológica. Na foto, Dwyer carrega uma criança iraquiana ferida após um bombardeio de aviões norte-americanos. Três vidas arrasadas: a do fotógrafo que carrega um sentimento de culpa por ter dado notoriedade ao soldado e às “boas intenções” dos EUA no conflito do Iraque, a vida do soldado que não agüentou a pressão do pós-guerra e suicidou-se e, por fim, a vida arrasada da criança – que terá de conviver para sempre com as seqüelas do bombardeio na mente e no próprio corpo.
Pois bem, liguei essa tragédia ao episódio envolvendo Nahas, Pitta, Dantas et caterva. Num primeiro momento, nem eu mesmo entendi a razão da associação. No entanto, a resposta lacônica de Nahas a Pitta me sugeriu uma pista. Tanto faz se a ordem é bombardear uma aldeia iraquiana ou tentar subornar um delegado da Polícia Federal. Tanto faz se Nahas é libanês e Pitta é um negão afro-descendente. O que une os dois episódios é o serviço que as vítimas prestam aos carrascos. E olha que, aqui, nem estou tratando do óbvio, que é pagar impostos e votar neles (depois eu falo), mas falo de dar verossimilhança a essa canalhada, freqüentar o mesmo barbeiro.
Por que oferecer o lombo? Por que reproduzir os hábitos deles? Por que usar de educação e boa vontade com esses canalhas? Foi isso o que Pitta fez ao recorrer a Nahas. E o fez não somente porque estava num perrengue ululante, mas porque – antes de qualquer coisa e desde sempre – freqüentava o mesmo barbeiro dos sultões, submeteu-se à lógica deles. Deu-lhes verossimilhança. Hábeas corpus. E aí Nahas, o sultão, montou em cima, sem esforço: exercitou o mando, o interesse e o desdém e fez executar sua vontade de dono. Suspeito que Bush, Rumsfeld e Dick Cheney devem usar o mesmo tom lacônico de Nahas em seus telefonemas assassinos.
Voltando ao Brasil do Opportunitty. Eu falava de um sadomasoquismo descompassado aqui em nossas plagas. Uma engrenagem que aperta parafusos espanados. Onde somente o sádico tem prazer. Eu achava que não era bem assim que a coisa funcionava. Pelo que depreendi da leitura da obra de Masoch, existiam partes, e um acordo. Mas eu me enganara. Pitta desqualificou o próprio lombo. No Brasil, Montesquieu virou um estelionatário. Sade e Masoch – que afinal tinham uma ética e uma filosofia um tanto enfadonha na putaria que ensejavam, diga-se de passagem – viraram programa familiar antes da pizza de domingo. O desprezo com que Nahas tratou o ex-prefeito me lembrou que eu fui – e continuo sendo – um trouxa ao ter comparecido às urnas... e isso já faz um bom tempo, desde 1985. Agora, além de negar-lhes verossimilhança, garanto que nunca mais voto na vida.
De volta ao Iraque, onde há 5 mil anos os sumérios começaram toda essa palhaçada. Os EUA invadiram o Iraque e aniquilaram (e continuam aniquilando) toda uma população de civis que nada tem a ver com as oscilações da bolsa de valores de Nova York. Se há essa conexão, entre a invasão e as oscilações da bolsa, e deve haver, algo está muito podre – e o mínimo que eu tenho a fazer é resistir. Isto é, repudiar essa e todas as outras invasões: em sentido amplo, irrestrito e genérico.
Pois bem, vamos ao repúdio. Que tipo de gente “cuida” do mundo? Eu já perdi a conta das vezes em que um operador desesperado da bolsa de valores (daqui e de alhures) foi manchete nos jornais. A pergunta que me faço é a seguinte: como é que eu posso ser cúmplice, e tomar as dores, e me desesperar e ser solidário, e me condoer da ruína de um mauricinho de merda que opera na bolsa de valores? Isso é que é dar verossimilhança, entendem? Eu não passo nem na porta dos restaurantes que ele freqüenta. Odeio sushi. Sou pedestre desde 1997, e usuário dos transportes coletivos. Não tenho plano de saúde. Só como mulher feia, e sou amigo do Bactéria. E se eu melhorasse de vida... bem, se eu melhorasse de vida, continuaria sendo amigo do Bactéria e – claro – continuaria odiando sushi. Mas, enfim, a questão é a seguinte: o que eu, e os poucos leitores de Cioran, temos a ver com as gravatas italianas que esse babaca usa? Quantas horas Pitta ocupou na televisão, e nos jornais e nas revistas, quando foi prefeito da cidade de São Paulo? Quanto tempo o “negrinho” do dr. Nahas tomou de toda uma população? Para quê? Para mentir, para atender aos interesses dos seus donos?
O que eu quero dizer é que não existe representatividade. Portanto, não é nenhuma insensatez da minha parte desejar a lata do lixo para eles. Ora, se eles ignoram um dos princípios básicos da República, nada mais cívico e republicano do que desprezá-los e, conseqüentemente, anular meu voto. Quero dizer que essa gente é irrelevante, e que as discussões em torno dos interesses deles interessam apenas a eles. Alguma vez eles se ocuparam de Dostoievski? Que afinidade eu tenho com esses seres quiméricos, corruptos? Dentro de poucos anos estarão na lata de lixo da história. Que importância tem dr. Adhemar de Barros no meu dia-a-dia? Eu não posso admitir que os herdeiros desse mesmo “lixão Adhemar”, ou seja, Maluf, Pitta, Marta, Kassab, Alckmin, Aécio e afins, invadam o pouco tempo que tenho nesse mundo.Tem gente mais relevante na fila. Fernando Collor ou Albert Camus? Alguém dirá: “Mas as decisões deles afetam diretamente sua vida”. Concordo, e digo que sempre afetaram no pior sentido, e que eu nunca tive opção diferente de votar achando que alguma coisa podia melhorar. Só piorou. A indignação do contribuinte, do eleitor, é afrodisíaco e combustível para esses vermes. Tenho nojo dos terninhos vermelhos da Marta Suplicy. E ela tem nojo dos eleitores (basta olhar na cara, ela não consegue disfarçar a aversão, está na cara!), podem crer. Ela, Kassab, Alckmin. Todos eles. Só existe uma coisa mais broxante e irrelevante e falsa do que Alckmin tomando cafezinho na padaria da esquina, trata-se do governador do Rio de Janeiro indignado, depois de mais um vexame, perguntando: “Que lugar é esse?”.
Essa gente trapaceia, frauda, engana, e ocupa tempo e espaço demasiado na vida de quem só se fode por causa deles. A meu ver, eles não passam de lixo de uma breve história que não me diz respeito, não me diz absolutamente nada. A mesma coisa vale para o campeonato brasileiro de futebol, e vale também para os atletas olímpicos (sabiam que a cigarrinha-da-espuma salta 70 vezes o próprio tamanho?). Ah, Deus, a vida é breve e os conflitos matrimoniais de Luciano Huck e Angélica não podem ser mais urgentes do que os livros de Jorge Luis Borges. Meu amigo Evandrinho “Grogotó” Ferreira é quem diz: “Não há fato ou notícia ou personalidade importante que justifique a existência de um periódico: um jornal sério devia circular uma vez a cada século”. E a manchete deste século, aliás, Bin Laden já deu. O resto é desdobramento, encheção de lingüiça.
Só para terminar. Os diálogos do dr. Nahas com o doleiro, e depois com Celso Pitta, foram a coisa mais nojenta e abjeta, e foram sobretudo um sintoma, ou mais, a prova definitiva e cabal de que eles não participam e jamais vão participar do meu mundo, e vice-versa. É uma questão de correspondência. Me recuso a participar desse lixo. Ora, eu posso não querer me incluir, embora seja incluído a contragosto. Já é alguma coisa, cazzo! Não quero ser mais um negrinho no haras do dr. Nahas, do dr. Maluf, da dona Marta etc. Não quero ser escravo – vou dizer mais uma vez – do enfado desses sultões, e do desprezo que eles têm por todos aqueles valores que nós, ao contrário, sempre fomos obrigados a engolir. Valores deles! Chega a ser ridículo – repito – me indignar como “cidadão”. Cidadão de quê? É ridículo – para não dizer que é má fé – pedir para que o banqueiro Daniel Dantas abra a boca. Para quem? Insisto: se esses canalhas usurpam as leis e a democracia, se eles matam, invadem, aleijam e nos deixam à mercê da gritaria da Ivete Sangalo, por que temos que acreditar e participar disso? Para servi-los? Para incensá-los? Para elegê-los? Para reelegê-los? Para enriquecê-los? Que queimem todos nos quintos dos infernos! Querem saber de uma coisa? Voto nulo é pouco. Estou, nesse momento, anexando ao caldeirão do capeta, junto a essa gente que mandei pros quintos, meu título eleitoral – é uma forma de assegurar uma fogueira completa. Enfim, de aliviar minha consciência, de me ver livre de toda essa sujeira, de fazer política limpa.
*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Opinião

Fábrica d'água

Xico Graziano
Água e desenvolvimento sustentável - esse é o tema central da Expo 2008, que se realiza em Zaragoza, na Espanha. Recursos hídricos mobilizam a Europa, cada vez mais sedenta. Água, em todo o mundo, carrega preocupação.

A grande exposição mundial ocorre a cada dez anos. Lisboa, em 1998, abrigou a anterior Expo, cujo foco mirava os oceanos, intitulados "um patrimônio para o futuro". Agora, pregando o uso sustentável da água, certamente um dos maiores desafios globais da humanidade, a Expo 2008 conta com 104 países participantes e aguarda 6,5 milhões de visitantes. Vale a pena conhecer.
Zaragoza lidera a região de Aragón, no leste espanhol, separada da França pelos picos gelados dos Pirineus. Berço das principais nascentes ibéricas, em suas cordilheiras nascem o Rio Tejo, que atravessa a Península para desaguar no estuário de Lisboa, e o Rio Ebro, que corre para o sul, encontrando o Mediterrâneo.
Este, cuja bacia hidrográfica supera a do Tejo, tornou-se recentemente palco de enorme disputa política, devida à terrível seca que acometeu a Região Metropolitana de Barcelona. Na iminência de 5 milhões de pessoas ficarem sem água sequer para beber, o governo propôs um "transvase", quer dizer, uma transposição do Rio Ebro. Enterrado ao longo da auto-estrada que liga Terragona a Barcelona, um duto levaria o precioso líquido para saciar os catalães.
Os governos regionais de Murcia e Valencia, principais beneficiários naturais daquele manancial, reagiram fortemente, ameaçando levar o caso ao Tribunal Constitucional. Em Aragón, onde se localiza grande parte da bacia hidrográfica, ninguém gostou da idéia. Castilla y León igualmente se opôs ao tratamento diferenciado para Barcelona. A guerra d?água só não ocorreu porque fartas chuvas caíram sobre toda a região espanhola entre abril e maio deste ano, elevando substancialmente o nível dos reservatórios. Bênção dos céus.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 29 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Contas externas têm déficit recorde"
O forte crescimento nas remessas de lucros para o exterior fez as contas externas do Brasil terem déficit de US$ 17,402 bilhões no primeiro semestre, o maior já registrado pelo Banco Central no período. Só em junho, o resultado foi negativo de US$ 2,596 bilhões. Os números se referem à conta de transações corretnes, que inclui todas as negociações de bens e serviços com outros países. O resultado negativo do primeiro semestre corresponde a 2,5% do Produto Interno Bruto – por esse critério, foi o maior déficit desde 2002. As remessas ao exterior cresceram 94% e chegaram a US$ 18,99 bilhões nos primeiros seis meses. Para analistas, o déficit já era esperado, devido à desvalorização do dólar (que, entre outros fatores, impulsiona as importações), mas a velocidade do movimento surpreende. Os investimentos de empresas brasileiras em filiais no exterior também foram recordes, informou o BC. De janeiro a junho, o setor privado nacional investiu US$ 8,579 bilhões em outros países, o maior valor no período desde o início da série estatística, em 1947.


O Globo
"Estado avisa TRE que aceita força-tarefa para eleições"
Argumentando que "quanto mais houver soma no combate ao crime organizado, melhor para a população e para a democracia", o governador Sérgio Cabral afirmou ontem que aceita a criação de uma força-tarefa contra a ação do tráfico e de milícias no processo eleitoral do Rio, se o apoio da Força Nacional de Segurança for pedido pelo presidente do TRE-RJ, Roberto Wider. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, reúne-se hoje com Wider para discutir as medidas necessárias. A proposta da força-tarefa foi levada pelo deputado Raul Jungmann ao presidente do TSE, Ayres Britto. Wider disse que o TRE já identificou as áreas de maior influência de grupos armados e que vai apresentar o mapa ao presidente do TSE amanhã.


O Estado de São Paulo
"Mulheres-bomba matam 57 em ataques no Iraque"
Pelo menos 57 pessoas morreram e 300 e ficaram feridas em quatro ataques de mulheres-bomba em duas cidades do Iraque. Em Bagdá, tr~es mulheres se infiltraram entre a multidão de peregrinos xiitas que seguia para uma mesquita ao norte da cidade. Elas acionaram explosivos que carregavam junto ao corpo, matando no mínimo 32 pessoas. Em Kirkuk, ao norte do país, uma mulher detonou explosivos em meio a manifestantes curdos que protestavam contra mudança de regras eleitorais que pode reduzir o poder do grupo na região. O atentado provocou pelo menos 25 mortes. Insurgentes sunitas recrutam cada vez mais mulheres para lançar ataques suicidas no Iraque, pois elas conseguem driblar com mais facilidade os controles de segurança. Muitas escondem bombas sob a burka e não são sequer revistadas.


Jornal do Brasil
"PF protege juíza eleitoral"
As ameaças de morte à juíza eleitoral de Magé, Patrícia Domingues Salustiano, levaram a Polícia Federal a mantê-la sob proteção permanente. A pressão contra juízes, candidatos e contra o livre direito de voto já faz a PF investigar, há uma semana, a ação de traficantes e milícias que controlam áreas da Região Metropolitana. O mapeamento está adiantado. Apesar disso, o TRE-RJ e o governo estadual acreditam ainda não haver necessidade de uma força-tarefa federal para o caso, como sugerido ao Tribunal Superior Eleitoral. A idéia divide os postulantes à prefeitura.
 
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