sábado, julho 26, 2008

Cotidiano

Causos

Sidney Borges

Os punhos fechados, a testa franzida, a boca cerrada dando a impressão que os dentes a qualquer instante estilhaçariam lançando cacos como se fossem fragmentos de granadas. O passo era rápido, ele bufava, a mim lembrou o trem da Central do Brasil que vez ou outra apitava perto da casa da minha tia Maria. As pessoas olhavam pelas frestas das janelas e portas entreabertas. Ele estava possuído. Foi o que disse a vizinha carola. Propôs chamar o padre, ela adorava o padre. Não sei bem o desfecho, mas ouvindo conversas de adultos aqui e acolá eu soube que tinha alguma coisa a ver com um motorista de caminhão. Homem gentil que dava flores para as mulheres. Augusto sumiu por algum tempo, disseram que foi passar uns dias em Campos do Jordão. Voltou calmo. O motorista continuou gentil, mas por precaução nunca mais estacionou nas imediações. Meu tio Lando que era culto disse uma frase em latim a propósito do fato: ira furor brevis est. Nunca me esqueci, quer dizer: a cólera é uma loucura passageira. Acho que a frase é de Horácio. No ano seguinte a mulher de Augusto fugiu com o motorista do caminhão. Há quem diga que ele não aprendeu nada com o primeiro aviso, nunca levou flores, jamais fez um chamego, não procurou ser gentil. Ficou a ver navios

Deu na Veja

Efeito DD na arrecadação

De Lauro Jardim, na coluna Radar:
A Operação Satiagraha está neste momento fazendo minguar as contribuições de campanha – tanto as doações oficiais quanto as de caixa dois. Empresários tradicionalmente generosos estão com medo de grampos e de acabar caindo em alguma operação da PF. Há campanhas paradas por causa disso. (Do Blog do Noblat)


Nota do Editor - Finalmente está explicada a letargia reinante em Ubatuba. Medo de grampo. Ui, que arrepio. (Sidney Borges)

Brasil

Não foi ele quem inventou a pólvora

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Alguém, de bom senso e de bom coração, precisa dizer ao presidente Lula, antes que ele vá a Beijing, que não foi ele quem inventou a pólvora. Isso é urgente!
Usando expressão típica dele, estou convencida que ele se acha o sal da terra. De tanto dizerem que é inteligente, ele passou a se achar genial. A inteligência é um dom com o qual nascemos, mas assim como a musculatura, precisa ser exercitada. E como é que se exercita a inteligência? Lendo, estudando, se informando.
Ele é, quer gostemos ou não, a figura que representa o Brasil. E, ao contrário do que diz, não temos feito boa figura lá fora. Leiam a imprensa estrangeira, foi o que disse. Conselho que é melhor não seguir: deprime muito.
O Brasil está ficando ridículo. O episódio Daniel Dantas/Protógenes e tudo que envolveu e envolve, é farsa das boas. Teve de tudo: reunião do Presidente do STF com o Presidente da República, na presença inexplicável do Ministro da Defesa; pitos públicos no delegado; entrevistas lacrimejantes do juiz que ordenou a detenção; divulgação de documentos carimbados como sigilosos; transmissão de gravações de conversas que até hoje não sabemos se vão condenar ou inocentar os indiciados; revelação de que há duas correntes na PF; pedido de impeachment do Presidente do STF; passeatas de vinte membros da briosa CUT; mudança de espírito do ministro da Justiça, que não sabe se aplaude ou vaia a PF.
Como sempre, tudo é culpa dos ricos. Da divisão de classes. Dos maus contra os bons e, nesse caso, como em todos os outros, os pobres são bons, os ricos são maus. Quem comeu as três refeições por dia desde a primeira infância, não deve honrar pai e mãe. Quem estudou, deve se envergonhar de saber. Quem tem prazer em ler e aprender, e gosta de falar e escrever corretamente, com certeza é um malfeitor em potencial.
Pior que tudo: para nos livrar do complexo de inferioridade diante da Europa e dos EUA, querem nos enfiar goela abaixo o bolivarianismo e forçar uma ligação fraternal com outros países da América Latina, como se isso fosse ser a salvação de nosso subcontinente. Tremenda tolice. Sempre tivemos relações cordiais com todos, até o momento em que resolvemos bancar o pai patrão. Estamos nos comportando como novos ricos. Talvez seja bom o Lula aprender com Confúcio, também antes de ir à China: “Que bem eu te fiz para me quereres tanto mal?”
Ou ele pensa que vai encontrar hermanos gratos numa hora de aperto?
Ontem a frase do dia aqui no Blog do Noblat foi um retrato do Governo Lula: “Eu não vou diminuir o consumo neste país, porque se tem uma coisa que o povo pobre passou a vida inteira esperando é o direito de comer três vezes ao dia, o direito de entrar num shopping e comprar uma roupinha, comprar alguma coisa e isso nós vamos garantir”.
É estarrecedor! “Eu não vou diminuir o consumo”. O dele? O de sua família? Será que ele está mesmo convencido que a maior necessidade deste povo é ir passear no shopping e comprar uma roupinha? Comer não é, pois a fome, em seu governo, zerou. Ou não?
Quem será que põe essas coisas na cabeça dele?
Esse tipo de generosidade é deletéria, presidente. O que nós precisamos é de creches, escolas fundamentais e técnicas, hospitais públicos de qualidade, transportes, empregos, segurança pública. Sobretudo, da erradicação total do analfabetismo, vergonha maior do Brasil e matriz de todos os males. O resto, “a roupinha, alguma coisinha no shopping”, vem depois, e virá naturalmente.
(Do Blog do Noblat)

Ubatuba

Ubatuba Palace Hotel dá exemplo

Julinho Mendes
Mostrar o que Ubatuba tem de música, de história, de lendas, de literatura, de artistas, enfim, de cultura. Os gestores de cultura e de turismo precisam mostrar, valorizar, apoiar e levar aos turistas o quanto Ubatuba é rica culturalmente.
Foi dado o pontapé inicial. O grupo O Guaruçá - Folclórico Alegórico juntamente com o Ubatuba Palace Hotel (www.ubatubapalace.com.br), provaram que é possível fazer chegar ao turista que Ubatuba, além das praias, tem a sua cultura caiçara viva. E foi o que aconteceu. O Guaruçá, preparado para apresentações em interiores, foi contratado pela gerência do Ubatuba Palace Hotel para mostrar um pouco da cultura folclore-musical de Ubatuba. E olha minha gente: foi um sucesso! Na noite do dia 19 passado, os hóspedes do hotel se deliciaram com as músicas, histórias e encenações que O Guaruçá proporcionou em seu salão de Festa. Saíram contentes. O hotel que propiciou a seus hóspedes um entretenimento a mais, os hóspedes que passaram a conhecer um pouco da cultura caiçara e O Guaruçá que, sendo valorizado (tanto monetariamente quanto artisticamente), pode mostrar o trabalho que vem fazendo para ajudar o desenvolvimento turístico e cultural de Ubatuba. Só não vê quem não quer.
Agradecemos ao Ubatuba Palace Hotel por acreditar e apoiar o trabalho d’O Guaruçá... e que outros empresários hoteleiros sigam esse exemplo. Aos demais grupos folclóricos do município: estejam preparados também para mostrarem seus trabalhos, e ajudarem no crescimento e desenvolvimento turístico de Ubatuba.
É hora também da Fundart (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba), da Secretaria Municipal de Turismo e da Secretaria de Educação, cumprirem com seus papéis valorizando os grupos folclóricos e culturais da cidade, preparando-os (oferecendo cursos de aprimoramento). Não adianta fazer festa popular e trazer grupos de fora para se apresentar aqui, não adianta trazer transatlânticos e não ter o que oferecer de cultural a seus passageiros.
Nesta época de campanha eleitoral gostaria de saber qual o candidato que teria coragem de ter em seu plano de governo, preocupação real em valorizar a cultura caiçara, em especializar grupos folclóricos para se apresentarem em hotéis e transatlânticos, em criar nas escolas municipais a disciplina “Cultura Ubatubana Caiçara”???
Taí senhores candidatos, podem pegar essa idéia e fazer dela parte de suas propostas de governo. Façam e cumpram, porque estaremos cobrando.
Julinho Mendes
julinhomendes@terra.com.br
Fonte: Guaruçá

Opinião

O Ibama contra Angra 3

Editorial do Estadão
Das 60 exigências feitas pelo Ibama para a concessão da licença ambiental prévia para a construção da Usina Nuclear Angra 3, uma é a que verdadeiramente importa - pois pode inviabilizar a obra. Como anunciou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, uma condição imposta pelo Ibama para a expedição da licença ambiental definitiva é a apresentação, pela Eletronuclear, a estatal responsável pelas usinas nucleares, de um projeto de destino final e seguro para os rejeitos nucleares de Angra 3, diferente do método utilizado nas Usinas Angra 1 e 2. No entanto, nem o ministro, nem o Ibama, nem ninguém no mundo sabe com precisão qual é a solução definitiva para os rejeitos das usinas nucleares.
O programa energético prevê a operação de Angra 3 em 2014, desde que as obras comecem em setembro próximo. Mas o Ibama só autorizará o início das obras depois de a Eletronuclear apresentar um projeto adequado para a destinação final dos rejeitos. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu que o governo cumprirá as exigências para que o cronograma seja cumprido, mas observou: "O ministro Minc nos disse que estão fazendo exigências brutais, e nós estamos fazendo um esforço bestial para atender a essas exigências, pois o Brasil precisa dessa energia e vamos começar a construção."
Mesmo que a obra comece no prazo, não há garantia de que, quando concluída, a usina terá autorização da área ambiental para começar a produzir energia. O Ibama condiciona o funcionamento da usina à conclusão do depósito para os rejeitos nucleares. No atual estágio de conhecimento técnico e científico do problema, é uma condição praticamente impossível de ser cumprida.
Os projetos mais avançados de destinação final dos resíduos das usinas nucleares em execução ou em elaboração nos países desenvolvidos que utilizam essa fonte de energia muito mais do que o Brasil só se tornarão realidade depois de 2017 - ou seja, após a data prevista para o início da operação de Angra 3 -, a um custo ainda não inteiramente dimensionado e que pode tornar essas soluções proibitivas para a maioria dos países. Em resumo, o Ibama está exigindo da Eletronuclear o que não existe e, se existisse, poderia ter um custo que o tornaria economicamente inviável.
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Manchetes do dia

Sábado, 26 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Lei seca poupa R$ 4,5 mi em 1 mês a hospitais em SP"
Os 30 hospitais públicos estaduais da Grande São Paulo economizaram R$ 4,5 milhões no primeiro mês de vigência da lei que impede os motoristas de dirigirem após o consumo de bebida alcoólica. O cálculo é da Secretaria de Estado da Saúde. O órgão atribui a economia à queda do total de vítimas de acidentes causados por motoristas alcoolizados. De 19 de maio a 18 de junho (antes da lei), foram atendidos 9.102 acidentados. De 19 de junho (data da sanção da lei) até 20 de julho, 4.449. A queda é de 51%. Segundo a secretaria, os R$ 4,5 milhões equivalem ao custo mensal de hospital de tamanho médio, com 200 leitos. Com tal redução, os R$ 54 milhões poupados em um ano permitiriam construir um hospital desse porte. De acordo com a PM, o número de prisões por embriaguez ao volante diminuiu na cidade de São Paulo, apesar do aumento da fiscalização. Até 18 de junho, eram 6,7 prisões diárias; depois disso, com a vigência da Lei Seca, são 2 por dia.


O Globo
"Rocinha: candidato do tráfico já responde a 14 ações penais"
O candidato a vereador do PSDC Luiz Cláudio Oliveira, o Claudinho da Academia – presidente da Associação dos Moradores da Rocinha e beneficiado pelo curral eleitoral imposto pelo tráfico na favela -, pode ter a candidatura impugnada devido a sua ficha suja. Na última segunda-feira, ele foi intimado pela Justiça Eleitoral a dar esclarecimentos, em 72 horas, sobre suas 22 anotações penais, mas até ontem não havia respondido. Há 14 ações por furto, roubo e violência doméstica, entre outros crimes; sete ações, incluindo uma por homicídio, foram arquivadas. Ele ainda foi absolvido numa ação por tráfico.
O candidato do PRB à prefeitura, Marcelo Crivella, coligado ao partido de Claudinho, levantou suspeitas sobre o documento achado pela polícia na casa do chefe do tráfico, com a ordem para que só o “candidato da Rocinha” facha campanha no local.


O Estado de São Paulo
"SP precisa de mais dR$ 1,4 bi para ensino"
A nova lei que fixa o piso nacional dos salários de professores terá impacto de R$ 1,42 bilhão por ano no orçamento do Estado de São Paulo, informa a repórter Renata Cafardo. A cifra corresponde a 10% das verbas estaduais destinadas á educação. O efeito não se dará por causa do valor do piso, de R$ 950, pois os professores da rede pública estadual já recebem no mínimo R$ 1.502. A lei prevê, porém, que os professores dediquem 33% de sua jornada de trabalho a atividades fora da sala de aula. Hoje eles gastam 20% de seu tempo com isso. Por causa da regra, será necessário contratar mais profissionais. “Para cada três professores, teremos que ter mais um”, diz a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães Castro. “Não temos de onde tirar dinheiro pra isso.” A rede estadual conta atualmente com 245 mil professores.


Jornal do Brasil
"Os vereadores do crime"
Seis vereadores que hoje têm assento na Câmara Municipal do Rio foram beneficiados por alta concentração de votos em currais eleitorais controlados pelo tráfico de drogas ou por milícias nas zonas Oeste, Norte e Sul da cidade. A conclusão se baseia em dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Dois dos vereadores do crime estão presos: Jerominho (PMDB) e Nadinho (DEM). Os outros são Dr. Jairinho (PSC), Deco (PR), Liliam Sá (PR) e Jorginho da SOS (DEM).

sexta-feira, julho 25, 2008

Leoninos são assim

Mick Jagger completa 65 anos sem sinais de aposentadoria

MSN
LONDRES (Reuters) - A partir de sábado, Mick Jagger terá direito a uma aposentadoria básica do governo britânico de quase 91 libras (285 reais) semanais.
Mas ele terá que esperar outros cinco anos para ter direito ao isolamento térmico gratuito do telhado de sua casa. Esse benefício só é dado aos britânicos com mais de 70 anos.
O vocalista da banda britânica Rolling Stones completa 65 anos no sábado e, com isso, se tornará aposentado por idade -- mas apenas no papel.
Mick Jagger continua a fazer o relógio andar para trás com performances ao vivo em que desafia sua idade. Recentemente, impressionou platéias em cinemas com seus malabarismos, caras e bocas captados pelo diretor Martin Scorsese no documentário "Shine a Light".

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Angra 3

Ibama concede Licença Prévia Ambiental da Usina Angra 3

Gloria Alvarez
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) concedeu ontem (23/07/2008), a Licença Prévia Ambiental da Usina Angra 3. Para a efetiva retomada das obras será ainda necessário a obtenção da Licença de Instalação, junto ao IBAMA, e da Licença de Construção, junto à CNEN.

Linha de tempo

Em setembro de 1999 o Ibama emitiu o Termo de Referência do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para o empreendimento Angra 3. O EIA-Rima serve para identificar possíveis danos ambientais, socioculturais e econômicos que possam resultar da instalação do empreendimento. Propõe também medidas compensatórias. Para elaboração do EIA-Rima de Angra 3, a Eletronuclear contratou diversas instituições de pesquisa, tendo a MRS Estudos Ambientais como empresa integradora de todos os estudos realizados.

No dia 17 de maio de 2005, a Eletronuclear encaminhou ao Ibama o EIA-Rima do empreendimento, juntamente com o requerimento da Licença Prévia.

Em abril de 2007 o Ibama informou no Diário Oficial da União, que recebeu da Eletronuclear o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto no Meio Ambiente.

Para divulgar o projeto Angra 3, seus impactos ambientais, bem como para discutir o Relatório, o Ibama promoveu entre os dias 19 e 21 de junho de 2007, três audiências públicas nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro – cidades dentro da área de influência da usinas nucleares. A Eletronuclear, atendendo à convocação do Ibama, participou de todas essas audiências e ainda realizou 17 reuniões prévias, junto a diversas comunidades vizinhas da Central Nuclear, com intuito de esclarecer as dúvidas da população.

Em janeiro de 2008 o Ibama informou que, em atendimento à legislação vigente e à decisão liminar do Juízo da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, promoveria novas audiências públicas relativas ao licenciamento ambiental de Angra 3 nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro. Atendendo ainda à solicitação do Conselho Estadual de Meio Ambiente - CONSEMA do Estado de São Paulo, também promoveria uma audiência pública na cidade de Ubatuba.

A Eletronuclear participou, de 25 a 28 de março, dessas quatro audiências e, mais uma vez, apresentou à população os detalhes técnicos de Angra 3. Orçamento, medidas compensatórias, contrapartidas para os municípios vizinhos, rejeitos radioativos e plano de emergência foram as dúvidas mais recorrentes nos encontros. Aproximadamente cinco mil pessoas participaram das reuniões e das audiências realizadas em 2007 e 2008.

Entrevista com o Diretor-Presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da SIlva, engenheiro naval, mecânico e nuclear

Por que a concessão desta licença pode ser encarada como um marco para a história da energia nuclear no país?

Desde a entrada em operação comercial de Angra 2, em 2001, a concessão da Licença Prévia do Ibama para Angra 3 simboliza um fato extremamente relevante para o setor e deve ser encarada como um reconhecimento, por parte do órgão licenciador, da seriedade e do contínuo compromisso da Eletronuclear com as questões ligadas à preservação do meio ambiente e à segurança operacional de suas instalações.

Qual é a sua visão sobre a energia nuclear hoje?

Hoje, 30 países possuem algumas das 439 usinas elétricas nucleares em operação, com uma capacidade instalada total de 372.000 Mw, atendendo a 16% das necessidades globais de eletricidade. Mais de 30 usinas nucleares se encontram em construção, dentre elas Olkiluoto na Finlândia e Flamanville na França, o que equivale a 7,5 % da potência existente, enquanto cerca de outras 80 estão planejadas, dentre elas Angra 3, no Brasil, e Atucha 2, na Argentina, representando 24% de potência adicional.
Dezesseis países dependem da energia nuclear para produzir mais de ¼ de suas necessidades de eletricidade. França e Lituânia obtêm cerca de ¾ de sua energia elétrica da fonte nuclear, enquanto Bélgica, Bulgária, Hungria, Eslováquia, Coréia do Sul, Suécia, Suíça, Eslovênia e Ucrânia mais de 1/3. Japão, Alemanha e Finlândia geram mais de ¼ , enquanto os EUA cerca de 1/5. No Brasil, a fonte nuclear foi a segunda maior geradora de eletricidade em 2007, superando o gás natural. As Usinas Angra 1 e Angra 2 atenderam 41% da indispensável complementação térmica do Sistema Interligado Nacional, no qual a fonte hídrica, limpa, barata e renovável, é largamente majoritária, fornecendo 91% do total gerado.
Baseado nos princípios do desenvolvimento sustentável, as mais recentes análises, inclusive do próprio IPCC – Intergovernmental Panel on Climage Change, não conseguem elaborar qualquer cenário para os próximos 50 anos no qual não haja uma significativa participação da fonte nuclear para atender às demandas de geração de energia concentrada em larga escala, juntamente com as renováveis, para atender às necessidades dispersas em pequena escala. A alternativa a isto seria exaurir os combustíveis fósseis, aumentando brutalmente a emissão de gases de efeito estufa, ou negar as aspirações de melhoria de qualidade de vida para bilhões de pessoas da geração de nossos netos.

Entrevista com o Superintendente de Gerenciamento de Empreendimento da Eletronuclear, Luiz Manuel Messias, engenheiro eletricicista responsável pelo empreendimento Angra 3:

Quanto tempo será necessário para iniciarem as atividades de construção na Central Nuclear?

A complementação das obras civis referentes à preparação da cava de fundações poderá ser imediatamente iniciada, após autorização específica do Ibama e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Essas atividades, ora planejadas para iniciarem-se em setembro de 2008, com duração de sete meses, compreendem o término da preparação da cava de fundações das edificações da usina, o lançamento do concreto de regularização e os serviços de impermeabilização das lajes de fundações dos edifícios do reator e auxiliar do reator, cuja concretagem está planejada para iniciar até abril de 2009.

Quais as prioridades e as pendências a serem resolvidas?

A retomada do empreendimento exigirá o imediato início do processo de renegociação dos contratos assinados na década de 80, além do início dos processos licitatórios para a execução de serviços de engenharia e para o suprimento de materiais e equipamentos que possam vir a causar impacto negativo na seqüência da execução das obras civis e montagem eletromecânica. Como exemplo dessas aquisições prioritárias, podemos citar as chapas de aço para a confecção da esfera de ação de contenção do edifício do reator. Será necessária contratação imediata de mão-de-obra?A retomada do empreendimento Angra 3 e outros que já se avizinham obrigará a empresa a proceder a uma análise de seus quadros, identificando as necessidades atuais e a médio prazo. Além dos treinamentos normais já praticados, pode-se assegurar que o envolvimento em um empreendimento do porte de Angra 3 é uma oportunidade imperdível de formação de pessoal.

Que outras etapas ainda precisam ser cumpridas para que a Eletronuclear consiga as demais licenças para a retomada da construção de Angra 3?

A primeira licença a ser obtida foi a Licença Prévia do Ibama. Para a obtenção da segunda licença ambiental, a Licença de Instalação, será necessário que a Eletronuclear obtenha aprovação do Ibama para o seu Plano de Cumprimento das Condicionantes e Exigências relativas ao Licenciamento Ambiental, com as imposições da Licença Prévia. Já para a obtenção da Licença de Construção da Cnen, a empresa deverá cumprir todas as exigências que vêm sendo formuladas pelo órgão licenciador no tocante à análise que está sendo efetuada no Relatório Preliminar de Análise de Segurança.
Gloria Alvarez
Assessora Técnica do Diretor-Presidente da Eletronuclear
Coordenadora da Assessoria de Imprensa
Contatos: 21 2588.7606 / Cel. 9642.9910
E-mail: galvarez@eletronuclear.gov.br

Eleições 2008

Tipicidades da Terra Cabralina

Sidney Borges
Acabo de visitar o site do TSE. Ubatuba continua com o placar intacto. Sem candidatos. Zero para prefeito e zero para vereador. Teoricamente a campanha começou no dia 6. Teoricamente. Fico imaginando um candidato a prefeito que tenha confeccionado santinhos com o nome do vice. E o vice é impugnado. O que fazer? Contratar hordas de bóias-frias para recortar o retrato do vice? Ou pintar bigodes fazendo de conta que ele não é ele. No caso do vice ter bigode o jeito é usar corretor para apagar. Ou então jogar os santinhos fora. Reciclar é preciso. Do jeito que a coisa vai, com essa espantosa velocidade, só no fim de agosto é que saberemos quem de fato é candidato. Espero que seja em agosto de 2008. Alguma coisa está errada no processo. Será que ninguém percebeu? Está na hora.

Internet

Manuela d’Ávila está de volta à web

O juiz Ricardo Hermann, da 1a Zona Eleitoral de Porto Alegre, havia dado ordens à deputada federal Manuela d’Ávila, que concorre à Prefeitura, para que retirasse do ar a comunidade em seu nome no Orkut e os vídeos no YouTube. Hermann acaba de voltar atrás e Manuela não será punida.
Agora, para o juiz, os candidatos só serão punidos se for comprovado que são os responsáveis por colocar no ar o material de campanha na web fora do site oficial. Ou seja, vale tudo.
A regulamentação do TSE é tão pouco clara que a campanha na Internet, este ano, será assim. Para cada juiz a regra é uma, muda de cidade em cidade, e as decisões correm o risco de mudar de um dia para o outro. A web acaba de virar terra sem lei. (Pedro Doria Weblog)
Dica do Leopoldo Schuch

Vida



Voando no passado

Sidney Borges
Numa tarde de um sábado longínquo fiz um longo vôo entre Jundiaí, Itatiba e Itu e depois Jundiaí novamente. Decolei cedo, antes do meio dia, o tempo estava perfeito para o vôo de planador. No final da tarde, por volta das cinco horas, me senti cansado e resolvi voltar a Jundiaí. O panorama não poderia ser melhor, ar calmo, céu azul e alguns cúmulus bem definidos, mas espaçados. A cobertura não passava de um oitavo. Sobre Itupeva fiquei baixo, lugar ruim para pousar fora, relevo acidentado e pedras, muitas pedras, de todos os tamanhos. Comecei a procurar a térmica salvadora enquanto remoia Drummond. Logo a encontrei. Firme, forte, ampla. O climb anunciava três metros por segundo com picos de quatro ou cinco. Subi feito rojão e quando atingi a base deu para sentir o oxigênio e a sensação de euforia. Energia potencial é a alegria do piloto de planador, dá liberdade. Foi então que li a palavra cargo. Grande, vermelha, bem na minha frente, talvez a cem metros, ou quem sabe menos. Mergulhei em curva e ao completar cento e oitenta graus empurrei o manche até atingir a VNE. Eu tinha de me afastar da esteira do jato. De longe fiquei observando o 707 da Varig, magnífico pássaro prateado rumando para o pouso em Viracopos. Voava manso, tranqüilo e assim foi diminuindo, diminuindo, até sair do campo visual. Continuei voando, a situação anormal me despertou da letargia, voei até o anoitecer. Naquela noite eu tinha muita coisa para contar.

Angra 3

Exigências do Ibama para Angra 3 vão encarecer tarifa de energia, prevê especialista

Luana Lourenço Repórter da Agência Brasil
Brasília - O especialista em planejamento energético e professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasilia (UnB) Ivan Camargo criticou hoje (24) a lista de condicionantes prevista pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para emissão da
licença ambiental prévia da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. Na avaliação de Camargo, o excesso de exigências vai encarecer o preço final da energia produzida pela usina.
“Todo incremento no custo quem paga é o consumidor final. Evidentemente, essa despesa quem vai pagar somos nós. É uma forma distorcida de criar um imposto, de tornar a energia nuclear ainda mais cara. E o Ministério do Meio Ambiente não pode criar imposto, isso cabe ao Congresso Nacional”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.
De acordo com o professor da UnB, a licença traz muitas exigências “questionáveis”, como a responsabilização da
Eletronuclear pelo saneamento ambiental dos municípios de Paraty e Angra dos Reis e criação de programas de educação ambiental. “Algumas exigências estão ligadas a grandes temas, como saneamento e educação, e isso aí é função do Estado, de certa forma é um jeito de criar um imposto para a energia nuclear”, acrescentou.
Camargo elogiou a condicionante que prevê a destinação definitiva para os resíduos nucleares de alta radioatividade – “é absolutamente correta” – , mas defende que as exigências não sejam maiores que as utilizadas em outros países que adotam a energia nuclear. “É preciso respeitar a tecnologia desenvolvida no mundo, a exigência não precisa ser maior que no resto do mundo, precisa ser compatível; porque toda exigência maior implica em custo”, avaliou.
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Ponto de vista

Comissões processantes

Corsino Aliste Mezquita

Fui alertado em “VISITA DE MANOLO ÍNSULA” para problemas sérios, nas próximas eleições, em muitos municípios do Brasil, e sugerido que, candidatos e cidadãos prestem atenção aos movimentos de outros candidatos, de cabos e de estruturas eleitorais, principalmente, dos vinculados a candidatos à reeleição.
Em alguns municípios, segundo ELE, há juizes e promotores eleitorais divulgando nomes de supostos candidatos de “história suja” e atendendo petições incríveis de impugnação de candidaturas ou de multas a candidatos. Petições apresentadas por supostas “comissões processantes”, organizadas por coligações, para desenterrar processos do passado, inventar calúnias, interpretar textos fora do contexto global e da mensagem óbvia ululante impressa.
Essas atitudes de juizes, promotores e candidatos após o Senado decidir: “NADA DECIDIR SOBRE O ASSUNTO DE HISTÓRIA SUJA”, por contrariar o texto constitucional, e o Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal se manifestar em idêntico sentido, pode criar clima de vale tudo, opressões, intimidações, mordaças e violências nunca antes vividas nesses municípios.
Manolo está preocupado com o fato, por ELE observado de, em municípios menores, juizes e promotores, serem jovens, terem pouca experiência, despacharem há pouco tempo no município, não conhecerem os meandros, tendências, vícios, coronéis das políticas municipais, dependerem de funcionários e serviços dos ocupantes do poder executivo municipal e, nem sempre, possuírem a necessária isenção para emitir pareceres e julgamentos. A prudência, disse, deve imperar neste delicado momento.
Em Ubatuba, segundo suas observações, o processo eleitoral está se iniciando: pasmo, tumultuado, caótico, com pragas de diz que diz, que diz, que o fulano fez, que o cicrano levou, etc..etc..; temos mais eleitores que os justificados pela proporcionalidade da população residente, houve publicidade antecipada e mentirosa e há notícias de procedimentos preocupantes.
Espera, Manolo Insula, que todos respeitem a lei, a ordem, as pessoas, os adversários e, principalmente, os eleitores; campanha e eleições ocorram em clima de serenidade e sejam eleitos os melhores para o progresso do município e o império da paz, a justiça e harmonia sociais. Virtudes sociais, essas, que estão precisando melhorar em Ubatuba.
Concluímos com uma frase de Millor Fernández: “Quem mais intimida é quem também tem mais medo”. (Veja. Ed. 1952. Ano 39, Nº 15 de 19-04-06, pg 27)
VIVA UBATUBA!. Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

As ameaças do mundo e o Estado nacional

Washington Novaes
Kofi Annan é um diplomata experiente, que durante mais de uma década, como secretário-geral da ONU, liderou as tentativas de resolver conflitos muito graves no mundo todo. Com essa experiência, ele tem reiterado que o problema central hoje não está no terrorismo, e sim nas mudanças climáticas e na insustentabilidade dos padrões globais de produção e consumo, já além da capacidade de reposição da biosfera planetária. São esses, a seu ver, os problemas que "ameaçam a sobrevivência da espécie humana". Não estranha, por isso, que ao falar na semana passada (Estado, 15/7) em São Paulo, no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, ele tenha dado ênfase ao documento Global Compact, em torno do qual já reuniu mais de mil empresas de muitos países, dispostas a manter "práticas transparentes para cuidar do meio ambiente". Porque, segundo ele, "hoje nos confrontamos com problemas que não podemos resolver sozinhos. Daí a importância das parcerias".

Tanto no caso das mudanças climáticas como no consumo insustentável de recursos e serviços naturais, não há até aqui regras nem instituições capazes de promover as mudanças indispensáveis em nível global - porque não será suficiente fazê-lo em um só país ou alguns deles. Nem mesmo a ONU tem conseguido avanços decisivos. E de certa forma isso traz de volta ao palco a questão da eficácia do Estado nacional diante das profundas transformações do quadro político-econômico internacional nas últimas décadas. Ainda ao tempo de Annan na ONU, na década de 90, relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) chamavam a atenção para o fato de os governos nacionais, principalmente dos países ditos "em desenvolvimento", terem de governar com a atenção voltada nas 24 horas do dia para computadores com as informações sobre os mercados financeiro e cambial em toda parte. Porque se não fossem capazes de dar respostas imediatas, em tempo real, os resultados para a economia de seus países poderia ser catastrófico. Mas, nesse caso, perguntava o Pnud, onde fica a democracia? Porque esta exige discussão, formação de consenso ou maioria. Sem essa discussão, a democracia se esvai.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 25 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Marta e Alckmin polarizam disputa"
Pesquisa Datafolha em sete capitais mostra que, em São Paulo, a disputa pela prefeitura está polarizada entre Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), líderes em empate técnico. No levantamento feito ontem e anteontem 36%, e o tucano, 32% Marta oscilou dois pontos para baixo em relação à pesquisa anterior, e Alckmin oscilou um ponto para cima. A vantagem da ex-prefeita, que era de sete pontos e superava a margem de erro (três pontos, para mais ou menos), caiu para quatro, o que configura o empate. Segundo ela, ainda é cedo para falar em polarização. Gilberto Kassab (DEM) oscilou negativamente, dois pontos e está com 11% mais que 20 pontos atrás de Marta e Alckmin. A avaliação do prefeito se manteve em relação à pesquisa anterior: para 37%, a gestão é regular; para 35%, ótima ou boa.


O Globo

"Ata do tráfico prova imposição de candidato único na Rocinha"
Um documento apreendido ontem pela Polícia Civil na casa do chefe do tráfico de drogas na Rocinha, Antônio Bomfim Lopes, o Nem, comprova que o traficante impôs o apoio a um único candidato a vereador na favela. "Todo empenho para o candidato da Rocinha, não aceito derrota!!!", diz Nem, num dos trechos do documento de duas páginas, com itens que seriam discutidos em reunião na favela. Para o delegado Allan Turnowski, que comandou a operação, essa é a prova de que o tráfico transformou a favela num curral eleitoral. Nem não cita o nome do candidato único, mas o presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Luiz Cláudio de Oliveira, o Claudinho da Academia, já disse ter o apoio de "cem líderes" locais, embora negue ligação com o tráfico. Na operação, que mobilizou 200 policiais, houve tiroteio: um bandido morreu e cinco foram presos. Nem fugiu.


O Estado de São Paulo
"Juiz manda MST pagar R$5,2 milhões à Vale"
A Justiça Federal de Marabá condenou três líderes do MST no sul do Pará a pagarem R$5,2 milhões de indenização à mineradora Vale. Eles lideram em abril um grupo de sem-terra que interditou a ferrovia da empresa em Carajás, impedindo o transporte de minério até o Porto de Itaqui, no Maranhão. A ferrovia já tinha sido fechada pelo MST duas vezes, em 2007, e a Vale obtivera liminar proibindo novas interdições. Na ofensiva de abril, os sem-terra arrancaram trilhos, incendiaram dormentes e cortaram cabos de energia e de fibra ótica. O MST afirma que os três dirigentes foram condenados sem ter advogado de defesa e pretende recorrer da sentença. A Vale preferiu não se manifestar. Organizações de defesa dos direitos humanos enviaram comunicado à OEA e à ONU pedindo garantias para os sem-terra.


Jornal do Brasil
"Opressão eleitoral em ata do tráfico"
Uma ata de reunião apreendida na casa do traficante Antônio Francisco Barbosa, conhecido com Nem, chefe do crime na Rocinha, exibe a força da opressão eleitoral em curso na favela. Os avisos fazem clara ameaça aos moradores que apoiarem outros candidatos. O documento foi encontrado em megaoperação da Polícia Civil, que deixou dois feridos e um morto. A CPI das Milícias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) pediu ao TRE o mapa dos currais eleitorais existentes hoje na cidade.

quinta-feira, julho 24, 2008

Vale à pena ler de novo

Poema em Linha Reta

Álvaro de Campos

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

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Brasil

Lembranças olfativas

Sidney Borges
Acabei de voltar do passeio com o meu cão. Sempre finalizamos as paradas na palmeira da entrada do bairro. As raízes altas são visitadas por dezenas de cachorros todos os dias. Meu amigo faz a leitura detalhada de todos. Seu nariz é poderoso. As moléculas denunciadoras colidem com os muitos sensores que há, tão eficientes que são capazes de enviar ao cérebro a imagem completa do que está sendo cheirado. Pelo rastro ele sabe o tamanho do visitante, a cor, a idade e até o temperamento. Digo isso a partir da observação, é diferente a reação quando há um rastro de pitbull. Diferente de um poodle. Mas em certos momentos ele fica extasiado. Pára e sonha. Me faz lembrar o filme “Perfume de Mulher”.

Coisa antiga

Hieroglifo do século 13 a.C. é descoberto na Síria

da France Presse
Um hieroglifo gravado da época faraônica, que data do século 13 a.C. (antes de Cristo), foi descoberto perto de Damasco (capital da Síria), informou neste sábado a agência oficial síria Sana.
"O departamento de Antigüidades da periferia de Damasco encontrou um hieroglifo a 27 quilômetros a leste da capital, gravado sobre uma pedra basáltica de 70 por 50 centímetros, formando uma estela", segundo a Sana.
"Esse tipo de estela era freqüente na época dos faraós, que a utilizavam para perpetuar uma ocasião ou uma memória", declarou o chefe do departamento, Mahmud Hammud, destacando que o texto remonta ao período de Ramsés 2º (1290-1224 a.C.).
A estela ilustra a perna do rei e, por trás desta, o pé do deus Amón. O nome do rei Amón aparece escrito sob a gravação cuja data é ilegível.
O texto termina com louvores sobre as qualidades do monarca, prática muito comum na época.


Nota do Editor - Louvar as qualidades do rei ainda é comum nos dias de hoje. No Brasil, por exemplo, não há quem não louve as falas inteligentes de nosso lider máximo, Dom Lulo I, aquele que veio para explicar. (Sidney Borges)

Ponto de vista

Uma direita além dos clichês

Pedro Doria em Weblog
O Brasil já teve bons colunistas de direita. Hoje, não tem. Repetir uma meia dúzia de clichês é fácil. Bater no governo por cacoete, idem. Platéia para o aplauso não faltará. (Blogs com comentários hiper-moderados facilitam muito a vida de quem busca aplauso, à direita e à esquerda; no tempo do impresso não tinha isso.)
David Brooks, do New York Times, é um bom colunista de direita. Do tipo que dá prazer de ler mesmo que seja para discordar.
É o caso de
sua análise da história de Diane McLeod, publicada pelo próprio Times, no domingo. Diane é um dos muitos exemplos por trás da atual crise econômica dos EUA. Recém-separada, deprimida, se deixou seduzir por crédito fácil que conseguiu no cartão de crédito e numa hipoteca da casa. Suaves prestações mensais por dinheiro na mão de imediato.
Curou a depressão no shopping center. Como milhões de pessoas. A bolha do crédito com juros flutuantes explodiu.
História contada, Brooks se lança a descrever as reações imediatas de esquerda e de direita:
A esquerda lê sobre o drama de Diane McLeod e vê um Estado que falhou em regulamentar agentes e empresas de financiamento que flertaram abertamente com o estelionato.
A direita, por sua vez, vê apenas Diane McLeod, uma pessoa que, individualmente, assumiu a responsabilidade por uma dívida e problema dela. Governo e sociedade nada têm a ver com os erros de indivíduos.
O problema não é apenas que, no fim das contas, ambos estão certos. Tampouco que são visões simplistas duma situação que, repetida muitas vezes, está desencadeando uma grave crise econômica. Brooks:
A terceira forma de ver a situação começa com a percepção de que todas as pessoas têm inerte o desejo de ganhar o respeito de seus pares. Indivíduos não constroem suas vidas do nada. Eles absorvem os padrões e normas do mundo ao seu redor.
Tomar decisões – seja a contração de um empréstimo ou a decisão de com quem casar – não é um ato friamente racional. A tomada de decisão vem de uma longa rede de processos e muitos deles não são de todo conscientes. Absorvemos uma maneira de perceber o mundo vinda de nossos pais e vizinhos. Reproduzimos o comportamento daqueles a nossa volta. Só no fim deste processo há motivação consciente.
Se estas premissas estiverem certas, o que aconteceu com McLeod e o sistema financeiro nacional faz parte de uma história social mais ampla. Os Estados Unidos já tiveram uma cultura de gastos comedidos. Mas, nas últimas décadas, ela ruiu silenciosamente.
O tom da coluna é conservador. As escolas, diz Brooks, costumavam arraigar a idéia de pecado na sociedade puritana. Isto não acontece mais. Incentiva-se o consumismo e o fato de ele ser um pecadilho provoca piadas, não asco. É evidente, sugere o colunista, que no fundo o comportamento que corroeu as normas se dá em infinitas decisões pessoais.
‘A virada do mercado irá punir aqueles seduzidos pelas tentações do mercado’, ele conclui. (Direita, nos EUA, mistura puritanismo com Adam Smith.)
No final, pode-se discordar da leitura. Acaso o Estado regulasse atentamente o mercado, certos dramas poderiam ter sido evitados. Não todos, só alguns. Mas direita inteligente vai muito além de seus próprios clichês para compreender uma crise econômica ou suas vítimas.

Pizza

Opinião

O eleitor tem o direito de saber

Editorial do Estadão
Na soma algébrica de prós e contras, a divulgação da primeira "lista suja" compilada pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) - identificando os candidatos a prefeito e vice de 26 capitais brasileiras que respondem a ações penais públicas ou de improbidade administrativa - deixa um saldo positivo para o eleitor. É sabido que a iniciativa da AMB, cujo espaço na internet deverá arrolar também os candidatos às prefeituras e câmaras de todos os 5.565 municípios do País em igual situação, é uma forma de protesto. A entidade está inconformada com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de autorizar as candidaturas de políticos que respondem a acusações na Justiça. Em junho último, por maioria de 1 voto - evidenciando o caráter polêmico da matéria -, o TSE entendeu que eles têm direito a disputar eleições enquanto não forem inapelavelmente condenados.
Isso porque a Lei de Inelegibilidades, com base no princípio constitucional de que todos são inocentes até culpa firmada em sentença de última instância, não inclui a condição de réu entre os motivos para negar registro a um candidato. A AMB, ecoando o ponto de vista de parcela ponderável dos juizados eleitorais regionais, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) por uma interpretação mais restritiva da legislação. Embora se dê como certo que o Supremo rejeitará o pedido, foi um de seus membros, o ministro Carlos Ayres Britto, presidente de turno do TSE, quem pela primeira vez se declarou favorável à divulgação das eventuais ações em curso envolvendo aspirantes a mandatos eletivos. Mas, quando a AMB encampou a idéia, o presidente da Corte, Gilmar Mendes, a classificou de "populismo de índole judicial".
O ideal seria que uma ONG ou outro organismo profissional tivesse se antecipado à associação dos juízes, quanto mais não fosse para que dela não se dissesse que "se meteu em política", como a acusou o notório Paulo Maluf - que enfrenta 7 processos, e é o mais atolado dos 15 políticos da lista inicial da AMB (de um total de 350 nomes checados). De todo modo, a acusação não procede, como tampouco a de populismo. A entidade teve o cuidado de divulgar exclusivamente as ações penais públicas que pesam sobre os candidatos. Ou seja, aquelas que podem ser conhecidas por qualquer pessoa. "Procuramos ser criteriosos", ressalta o secretário-geral da AMB, Paulo Henrique Martins Machado. Portanto, a menos que as suas listas contenham erros ou omissões factuais, o que lançaria uma sombra sobre o trabalho inteiro, elas apenas agrupam informações públicas - de manifesto interesse para o eleitorado.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 24 / 07 / 2008

Folha de São Paulo
"BC intensifica freio na economia"
O Banco Central acelerou o ritmo do aperto monetário e aumentou os juros básicos da economista em 0,75 ponto percentual. A taxa subiu de 12,25% ao ano para 13%. Nas duas reuniões anteriores do Comitê de Política Monetária, a alta foi de 0,5 ponto percentual. O Copom disse que o objetivo é “promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”. A decisão aponta preocupação com o ritmo de expansão econômica e com a inflação, apesar de o IPCA de junho ter indicado estabilidade. O acumulado em 12 meses é de 6,06%, perto do teto da meta do ano (6,5%). A taxa de juros do BC é só uma referência. Na prática os juros são bem maiores.


O Globo
"Líder do MST apóia candidato de curral eleitoral da Rocinha"
O líder do MST José Rainha Júnior, que há anos comanda invasões de terra em São Paulo, disse ontem que incentivou a candidatura a vereador do presidente da associação de moradores da Rocinha, Luiz Cláudio de Oliveira. Claudinho da Academia, como é conhecido, estaria impedindo adversários de fazer campanha no local, o que levou anteontem fiscais do TRE e policiais militares a escoltar uma candidata a vereadora na Rocinha. Segundo denúncias, o curral eleitoral teria o apoio do chefe do tráfico no morro. O MST negou qualquer relação com a diretoria da associação. O candidato Marcelo Crivella, que tem em sua coligação o PSDC, partido de Claudinho, visitou ontem a Rocinha, sem PMs.


O Estado de São Paulo
"BC endurece e faz maior alta de juros desde o início de 2003"
O Banco Central reforçou dose de juros para tentar conter a escalada da inflação. Diante da alta persistente dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem por unanimidade aumentar em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros, que ficou em 13% ao ano. Foi a maior elevação desde fevereiro de 2003, no início do primeiro mandato do presidente Lula. A decisão surpreendeu a maioria dos analistas do mercado financeiro, que esperava um aumento de 0,50 ponto. O objetivo do BC é desacelerar o consumo, uma das causas da pressão sobre os preços. “Teremos de rever nossas expectativas de crescimento da atividade econômica”, disse o economista Constantin Jancso estrategista do Banco Satander. Em sinal de apoio à estratégia adotada pelo BC, Lula afirmou antes do anúncio do Copom, que a prioridade é o combate à inflação: “Tomaremos todas as medidas necessárias para manter a inflação controlada.”


Jornal do Brasil
"Ibama atrasa Angra 3"
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apresentou 60 exigências para conceder a licença definitiva de construção da usina nuclear de Angra 3. Especialistas afirmam que as condições não serão cumpridas até setembro, quando o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, pretendia ver iniciadas as obras. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, oponente histórico da energia nuclear, disse que a questão dos prazos é de responsabilidade dos empreendedores, a estatal Eletronuclear e a empreiteira Andrade Gutierrez. Entre as exigências está a elaboração de um projeto de destinação do lixo atômico.

quarta-feira, julho 23, 2008

Angra 3

Ibama abre polêmica sobre ‘lixo nuclear’ de Angra 3

Do Blog do Josias
Prevê-se para esta quarta-feira (23) o anúncio da concessão da licença ambiental para a retomada das obras, interrompidas há 24 anos, desde 1984.

Há, porém, um problema. O Ibama, órgão que pende do organograma do Ministério do Meio Ambiente, fará nada menos que 61 exigências.

Uma delas foi recebida pelas autoridades energéticas do país como coisa de ecologista radical. Diz-se que é impossível de ser cumprida.

O instituto condiciona o funcionamento futuro da usina à apresentação de uma solução “definitiva” para o tratamento do chamado “lixo nuclear”. É algo que o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), por exemplo, considera absolutamente “descabido”. Lobão alega que nem mesmo os países desenvolvidos –os EUA entre eles—encontraram uma saída para essa encrenca. O Ibama dá de ombros para as ponderações. Ameaça negar, mais tarde, as licenças necessárias para o pleno funcionamento de Angra 3. Chama-se “licença prévia” o documento que será emitido agora. Depois, terão de ser liberados mais dois papéis: a “licença de instalação” e a “licença de operação.”
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O Brasil do qual não me orgulho

Começou a censura à Internet na campanha eleitoral de 2008

Pedro Doria Weblog
Lei é o diabo. Regulamentação de lei, idem. No início deste ano, o ministro Ari Pardendler, do TSE, soltou a resolução 9.504 que proibia qualquer candidato de ter mais de um site na rede para a campanha.
Isto inviabilizaria, sugeri na época, que um candidato tivesse seu site e pusesse, por exemplo, um
filmete no YouTube. Afinal, a página do YouTube e a página de campanha constituiriam dois sites. Assim, a campanha na Internet estaria praticamente inviabilizada.
Assim como ocorreu com o projeto de Eduardo Azeredo sobre cibercrimes, muitos críticos alegaram que esta interpretação da resolução do TSE estava errada. Que ela não coibiria assim a campanha. Que apenas organizava as coisas.
Pois bem: Geraldo Alckmin, candidato à prefeitura de São Paulo, foi obrigada a
retirar todos os vídeos do YouTube. Segundo o juiz: ‘A página do candidato não pode ser relacionada com outros sites gratuitos, como forma de extensão da propaganda eleitoral’. O juiz não está errado tampouco interpretou equivocadamente a resolução do TSE. Fez exatamente o que diz a letra.
Em Porto Alegre, a (bela) candidata Manuela d’Ávila foi obrigada a fechar sua comunidade no Orkut e suspender os vídeos do YouTube. Novamente: o juiz do TER fez cumprir as ordens do ministro Ari Pardendler.
Estão sendo censurados: não podem se expressar com todos os recursos que a Internet permite. Não podem aproveitar a rede para se comunicar em plena liberdade com os eleitores. Por que o YouTube é proibido? Por nada. Para evitar um vago abuso de sei lá o quê.
Começou o período eleitoral no Brasil. Por coincidência, escrevi domingo, no Estado, sobre a
influência da Internet na campanha norte-americana. Aqui no Brasil, seria ilegal.
A censura impetrada pela canetada do Tribunal Superior Eleitoral mal começou. Os primeiros foram os políticos. Os próximos
serão os jornalistas.

Tucano

Quebrando protocolos

Sidney Borges
Hoje tive um arroubo de coragem e resolvi escrever sobre política. Como os leitores sabem não é permitido na internet. Nos Estados Unidos pode, mas aqui não é lá, aqui é aqui. Pois bem vou voltar ao tema senão fico com raiva e começo a rogar pragas malignas. Como discípulo de Bento Carneiro, vampiro brasileiro, tenho um vasto repertório delas. Sou tucano desde a fundação do partido. Nunca me filiei por questões variadas, mesmo assim me considero tucano. Uma espécie de tucano fabiano, como Delfim Netto, socialista fabiano. Por falar em tucanos, democratas, trabalhistas, petistas e outros menos votados, onde está a campanha? Cadê? O gato comeu? Nem campanha nas ruas nem candidatos no site do TSE. Um leitor me perguntou como ficará Ubatuba sem prefeito e vereadores. Imagino que viveremos em estado de anarquia pura, governados do além. Na situação Anchieta, na oposição Cunhambebe. Quem sabe dê certo. Por enquanto resta aguardar. A campanha virá. Espero que antes de outubro. Também espero não ser processado. Tive a ousadia de escrever a palavra política. Sou assim, atrevido, desafiador, tucano...

Ubatuba em foco

Candidatos ubatubenses disputarão 6 mil novos votos em relação a 2004

Três dos quatro candidatos que concorrem às eleições para a prefeitura de Ubatuba deste ano já disputaram os votos dos ubatubenses em 2004, pelo mesmo objetivo. Na eleição passada, Eduardo César, Pedro Tuzino e Paulo Ramos também eram candidatos ao Executivo municipal. O único estreante, desta vez, é o petista Maurício Moromizato.
Entretanto, os políticos, neste ano, terão 6 mil eleitores a mais, em relação à disputa passada. Se em 2004, os candidatos tentavam conquistar o voto de 49.872 pessoas, neste ano, o número de eleitores registrados no Tribunal Regional Eleitoral em Ubatuba é de 55.967.
O crescimento no município pode ser considerado significativo, já que 6 mil eleitores representam quase a metade de votos do vencedor da eleição passada, o atual prefeito Eduardo Cesar, que conquistou o executivo municipal, com 12.109 votos. Além disso, o número de 6 mil supera a quantidade de votos obtidas pelos 3 últimos colocados na última disputa, onde Rogério Frediane, Dra Elizabeth e Fábricio Gomes, juntos, conseguiram 5.651 votos.
Na comparação com 2000 o crescimento é ainda mais significativo, quando Ubatuba apresentava pouco mais de 40 mil pessoas aptas a votarem. Ou seja, em relação a 2000, a quantidade de eleitores cresceu em 15 mil pessoas, número que representa 20% do total de habitantes da cidade atualmente.
Para o promotor, que cuida do setor eleitoral do Ministério Público de Ubatuba, Percy José Cleve Kuster, o número de eleitores está muito acima da média adotada pelo Tribunal Regional Eleitoral. "Nós estamos chegando à marca de quase 60 mil eleitores, sendo que, o último censo apontou um número próximo de 75 mil habitantes em Ubatuba. Com essa população, o normal seria a cidade ter, atualmente, 20 mil eleitores a menos, com apenas 40 mil pessoas votando (número de votantes registrada em 2000)", explica o promotor.
Ele prevê que a cidade tenha de passar por um recadastramento eleitoral nos próximos anos, devido à disparidade de eleitores com o número de habitantes. Para Kuster, a imigração e os chamados "eleitores turistas" (que moram em outras cidades, mas votam em Ubatuba) são os principais fatores para o aumento desregulado de pessoas que votam no município. (Enviado p0r Rui Alves Grilo) (Fonte: Imprensa Livre)

Opinião

Os riscos da banalização do poder de mando

José Nêumanne
Um livro capital para o entendimento do século 20 é Eichman em Jerusalém - Relato sobre a banalidade do mal, de Hannah Arendt. Escalada para cobrir para uma revista americana o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichman, raptado pelo Mossad na Argentina e conduzido à força para Israel, ela argumentou que o mal de nosso tempo não é produto de impulsos infernais, mas da indiferente rotina burocrática de nossa vida. Eichman não era um monstro, mas um burocrata comum, interessado exclusivamente em se dar bem na vida.

Neste século 21, em que os homens de bem vivem sob o domínio do medo do que os burocratas do mal lhes possam fazer, a democracia subordinada à matemática das pesquisas de opinião banaliza o mando. Foi-se o tempo dos grandes projetos políticos, dos estadistas que planejavam para as gerações seguintes. Hoje todos se preocupam apenas em ganhar as próximas eleições, pouco se lixando para o que deles dirão os pósteros. Isso é verdadeiro para o mundo inteiro, mas em poucos lugares é tão óbvio quanto nestes nossos tristes trópicos. E uma evidência escarrada dessa verdade elementar é a tal da Operação Satiagraha, com a qual a Polícia Federal (PF), o Ministério Público e um juiz de primeira instância garantem ter desbaratado uma quadrilha de criminosos de colarinho branco e da qual alguns sumos pontífices do igualitarismo a qualquer custo querem tirar proveito político.
O espetáculo das prisões do banqueiro Daniel Dantas pela PF, atendendo a solicitação do procurador Rodrigo de Grandis acatada pelo juiz federal Fausto De Sanctis, e dos dois habeas-corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, tem sido composto com cenas de opereta bufa. Sem pretender emitir juízo de valor sobre eventuais crimes cometidos, ou não, pelo acusado, urge alertar para a possibilidade de essa farsa se tornar uma tragédia para o Estado de Direito que a sociedade brasileira conseguiu a duras penas após a vigência da Constituição de 1988. Malhar o presidente do Supremo como um Judas em Sábado de Aleluia, lançando no ar suspeitas sobre seu gesto, faz parte da guerra política. Contestar a instituição do habeas-corpus para fazer demagogia, como faz o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT), é uma vilania leviana.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 23 / 07 / 2008

Folha de São Paulo
"Candidatos criticam 'lista suja', incluindo Marta e Maluf"
A Associação dos Magistrados Brasileiros divulgou em seu site lista segundo a qual, dos 350 candidatos a prefeito e a vice nas 26 capitais, 15 estão com “ficha suja” na Justiça. A relação inclui Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP), candidatos à prefeitura paulistana. Ambos atacaram a iniciativa. A coligação de Marta a chamou de “arbitrária, tendenciosa e leviana”, e Maluf declarou que “juízes não devem se meter em política”. Dos 15 citados, Maluf é o que tem mais processos quatro ações penais que tramitam no Supremo e três ações de improbidade administrativa na Justiça de SP. Marta responde a ação penal remetida do STF ao Superior Tribunal de Justiça. Especialistas condenam a divulgação e vêem riso de uma “indústria” de ações contra governantes, para deixá-los com nome sujo. Segundo a AMB, não há juízo de valor na lista.


O Globo
"Deputado de milícia tinha arsenal em casa"
Acusado de chefiar uma milícia na Zona Oeste, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM, mesmo partido do prefeito Cesar Maia) tinha em casa um arsenal apreendido durante a sua prisão pela Polícia Civil. No cerco à casa do deputado – cuja filha, Carmen, é candidata a vereadora – houve tiroteio e um dos milicianos, foragido da Justiça, foi baleado. O deputado foi preso com mais cinco pessoas, mas outras sete fugiram. A Polícia apreendeu documentos com a contabilidade da quadrilha, que faturava por mês até R$ 1,8 milhão, e uma lista com 43 nomes de policiais prestadores de serviços. A Alerj deve abrir processo ético contra o deputado.


O Estado de São Paulo
"Juízes lançam lista de candidatos ficha-suja"
A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) divulgou ontem lista de candidatos que enfrentam processos na Justiça. Dos 350 candidatos a prefeitos vice-prefeito nas 26 capitais, 15 foram incluídos na relação – na qual aparecem dois candidatos a prefeito de São Paulo. Paulo Maluf (PP) é alvo de sete processos: quatro ações penais e três de improbidade administrativa. Marta Suplicy (PT) responde a um processo penal, com base na Lei de Licitações. Os candidatos que figuram na lista acusam a AMB de arbitrariedade e dizem que não podem ser incriminados por causa de processos sem sentença definitiva. “Juízes não têm que se meter em política”, afirma Maluf. O secretário-geral da AMB, Paulo Henrique Martins Machado, alegou que é importante para o eleitor conhecer a ficha judicial dos candidatos. A AMB foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que esses políticos disputem a eleição, mas o pedido deve ser rejeitado.


Jornal do Brasil
"Milícia mandou a currais eleitorais R$ 17 milhões"
Os currais eleitorais impostos por criminosos começaram ontem a ser abertos: a Polícia Civil prendeu o deputado estadual Natalino José Guimarães, acusado, entre outros crimes, de chefiar milícias em Campo Grande. O dinheiro arrecadado pela quadrilha era usado para financiar as pretensões eleitorais do deputado e de seu irmão, o vereador Jerominho. Apenas este ano, foram R$ 17 milhões obtidos nos currais da região. O governador Sérgio Cabral anunciou que aceita a ajuda da Polícia Federal para garantir o livre trânsito dos candidatos.

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terça-feira, julho 22, 2008

Telefonica rides again

Fora de prumo e de rumo

Sidney Borges

A internet descarrilou. Também pode ser descarrilhou. Saiu dos trilhos. Para quem não é familiarizado com o jargão ferroviário, descarrilar significa sair dos trilhos. O que são trilhos? Ora, vá ver se estou na esquina. Sair dos trilhos no sentido estrito, pois sair dos trilhos cabe em muitas situações. Foi a expressão usada pelo advogado da tia Lazinha para definir a conduta do tio Antenor, que chegou bêbado e deu um beijo na boca da Sandrinha. Tio Antenor saiu dos trilhos e hoje paga pensão. A Sandrinha casou-se com o Pedrão, dono da quitanda. O bonde Rubino de Oliveira também descarrilou. Saiu dos trilhos e qual aríete manejado por horda de árabes bateu num Ford Prefect. Felizmente o “Camarão” (era um bonde camarão) estava com pouca energia e apenas arrastou o carro até prensá-lo contra um poste. Ninguém se machucou, mas a acompanhante do motorista era gorda. Ficou entalada. Gritava no mesmo tom da sirene do Stuka que atacou Cracóvia e matou Simon Berger. Um dia eu conto a história de Simon Berger. Sempre que ouço Wagner ou assisto a filmes de Woody Allen me lembro da Polônia. Um dia vou passar pela alfândega polonesa cantando “eu quero invadir sua praia”. Praia? O acidente demorou horas para ter um desfecho. Os bombeiros tiveram de serrar o Prefect ao meio para tirar a mulher. Como ela gritasse mais do que duzentas gralhas em uníssono, o povo comprou uma caixa de bis. Deu certo, sossegou. No fim tudo acabou bem, com sempre acontece no Brasil. Temo apenas pela internet. Descarrilou!

Dipromacia

Descontrole

Luiz Felipe Lampreia
Às vesperas de colher mais um fracasso em sua já bem fornida trajetória no Itamaraty, o ministro Celso Amorim está vendo desaparecer as chances de sucesso em sua maior aposta: a Rodada Doha da OMC. E perde o controle, assimilando os paises desenvolvidos aos nazistas e suas táticas às de Goebels.
Ele tem basicamente razão em dizer que os ricos querem obter muito e dar pouco aos países em desenvolvimento.
O jogo é pesado mesmo. Mas, como na velha piada do sacristão comentando o sermão do padre : "o senhor foi bem, mas não precisava chamar o diabo de filho da puta."

Brasil

Internet e eleição - Justiça na contramão da História

Ricardo Noblat
A campanha a presidente dos Estados Unidos de Barack Obama passará à História como um marco do uso maciço e inteligente da internet para atrair votos e apoios de toda natureza.
Por estas bandas, este ano, se dará o contrário com a campanha de candidatos a prefeito e vereador. A Justiça brasileira está na contramão quando tenta limitar o uso da internet com fins políticos.
Duas decisões recentes revelam nosso atraso.
Em São Paulo, o juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1a Zona Eleitoral, determinou que Geraldo Alckmin retire de sua página de campanha na Internet vídeos veiculados no site YouTube, e elimine os links para que eles possam ser vistos.
Decretou o juiz:
- A página do candidato não pode ser relacionada com outros sites gratuitos como forma de extensão da propaganda eleitoral.
Quer dizer: os vídeos de campanha de Alckmin poderão ser veiculados no YouTube, como admitiu o juiz. Qualquer internauta poderá acessá-los. Qualquer site ou blog poderá oferecer links para eles - menos a página de campanha de Alckmin.
Faz sentido? Nenhum. Rigorosamente nenhum.
Em Porto Alegre, o juiz Ricardo Hermann da 1a Zona Eleitoral, ousou mais. Mandou tirar do Youtube um vídeo da campanha de Manuela d´Ávila, candidata do PC do B a prefeita, e do Orkut uma comunidade formada para apoiá-la.
E se os responsáveis pelo Youtube não atenderem a ordem do juiz? Serão acionados lá fora?
E se forem criadas outras comunidades de apoio a Manuela no Orkut em reação à decisão do juiz de acabar com a que existe hoje?
Na verdade há uma dezena de comunidades de apoio a Manuela no Orkut. Todas serão extintas?
A internet é o último espaço de liberdade do homem a salvo do controle do Estado, observou outro dia o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Em questão de minutos, qualquer um de nós pode criar uma página, hospedá-la em provedor de outro país e publicar o que quiser.
Como impedir que um eleitor de Alckmin ou de Manuela faça isso?
Como impedir que qualquer candidato faça isso?

Dantas de tantas...

Procuradoria de Milão denuncia 8 por espionagem contra Dantas

Ao todo, 34 foram acusados por esquema que teria violado e-mails e pago propina, em meio a briga de telefônicas

Marcelo Godoy
A Procuradoria de Milão, na Itália, denunciou ontem um grupo acusado de participar de um esquema de espionagem que violou e-mails no Brasil e de pagar propina para obter dados de "serviço de informações na Itália e em outros países". O Brasil está na lista. A ação do suposto esquema começou em função da disputa entre sócios da Brasil Telecom (BrT) - Grupo Opportunity e Telecom Itália (TI) - pelo controle da empresa. A briga teve origem em 2000, segundo os procuradores italianos, quando a "Telecom Itália induziu a Brasil Telecom a adquirir a companhia CRT por um preço considerado exorbitante em relação aos valores acertados".

De acordo com a Justiça italiana, a empresa Kroll - a pedido do Opportunity - estava investigando as razões de a TI ter tentado induzir a BrT a comprar a CRT por um preço US$ 100 milhões a mais do que o acertado. A Telefônica, dona da empresa, teve de se desfazer da CRT depois de adquirir em leilão, em 1998, a Telesp e a Telerj celular. O primeiro preço combinado, em janeiro de 2000, pelos acionistas da BrT era de US$ 750 milhões. Meses depois, a TI teria fechado acordo com a Telefônica por US$ 850 milhões - no fim, ficou em US$ 800 milhões.
A investigação na Itália é uma das principais cartas que o banqueiro Daniel Dantas - preso pela Operação Satiagraha, mas libertado por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) - diz ter contra os seus desafetos. Em mais de uma oportunidade, seu advogado Nélio Machado frisou a importância que a defesa de Dantas dava ao inquérito. Machado questionou a imparcialidade do Procuradoria da República no Brasil, ao supostamente ignorar depoimentos dados na Itália, incriminando desafetos do banqueiro.
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Ubatuba em foco

Reflexões sobre Educação Municipal

Corsino Aliste Mezquita
Recebo queixas e lamentações sobre a Educação Municipal. Alguns interlocutores sugerem e indicam crise, decadência, desvios de foco, de dinheiro, empregos de apadrinhados e de eventuais. Outros culpam, de cara, os profissionais da educação. A estes, por uma questão de experiência, longa vivência e espírito de corpo, tenho defendido e, explicado, serem as maiores vítimas, junto com os alunos, de qualquer descaso, desvio, pressão, falha ou falta de atenção das autoridades. Ressalvo, entretanto, poder existir a presença de dirigentes que, deslumbrados com a transitoriedade dos cargos em comissão, se prestem a pressões e opressões menos nobres.
Há fatos publicados que corroboram as apreensões dos confidentes acima. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo registrou, no relatório de avaliação das contas de 2006, ter perdido, o Município de Ubatuba, entre 2004 e 2006, 25 (vinte e cinco) posições no quesito escolaridade, no contexto do Estado de São Paulo. Esse rebaixamento deve obedecer a causas internas.
Na avaliação dos alunos de 1ª a 4ª séries, exercício 2007, a Educação Municipal, não alcançou a média estadual e foi classificado entre os dez municípios, com avaliação mais baixa, no Vale do Paraíba e Litoral Norte. É outro ponto sobre o qual deve refletir-se.
As causas dessa suposta decadência ou retrocesso em uma educação municipal que, como já escrevemos quando responsáveis por sua coordenação, nunca foi brilhante e ou teve todos seus problemas resolvidos, deve merecer estudo profundo e imediato dos responsáveis. Os envolvidos devem também atentar para as propostas, dos candidatos à Prefeitura, visando sanar essa problemática.
Algumas causas parecem evidentes, palpáveis e são apontadas por todos que discutem educação com seriedade e, sem paixões políticas, preocupam-se com a educação de qualidade. Entre elas enumeramos:
Desvio dos recursos da educação para atividades e programas que não constituem “a manutenção e desenvolvimento do ensino”.
Programas qualificados como “confetes” ou de menor importância que tiram o foco do que é transcendente e desviam recursos, equipamentos e pessoas das finalidades prioritárias.Exemplos: Casa de brinquedos, Casa Verde, Hortas suspensas, Educação ambiental fora do contexto escolar, etc.
Interrupção das aulas por longos períodos por terem que preparar as escolas para alojamentos de Jogos Regionais, Jogos da Terceira Idade e outros empréstimos, com gastos dos recursos da educação para adaptação e limpeza. Aulas que, como a experiência tem mostrado, nunca são repostas.
Falhas e escassez no fornecimento de materiais e equipamentos necessários ao exercício das funções docentes e ao aprendizado dos alunos.
Descuidos na formação continuada, sistemática, com temas de interesse dos profissionais e por eles selecionados (esses temas) e ministrados por profissionais competentes.
Mobilidade e eventualidades excessivas de professores, dirigentes e pessoal de apoio, com as conseqüências decorrentes da inexperiência.
Insatisfação, do quadro de pessoal com o ambiente de trabalho e desrespeito a sua profissão e autonomia, gerada por: intromissões de políticos, pessoas de outras secretarias, vereadores, pressões e ou por falta de apoio e materiais necessários.
Todas essas causas exigem solução imediata para termos educação de qualidade.
VIVA UBATUBA!. Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

Plano Marshall para a América do Sul

Rubens Barbosa
A distância entre a retórica e a realidade nas declarações públicas sobre qualquer assunto de altos funcionários do atual governo é conhecida. No tocante à política externa, em especial, esse descompasso está adquirindo características preocupantes, pois a ele se soma uma superestimação de nossa capacidade e de nossos recursos na implementação do que o presidente Lula denominou "política da generosidade" para com nossos vizinhos do subcontinente.

"O Brasil tem que assumir definitivamente a responsabilidade pela integração da América do Sul. Não há concessões excessivas quando as diferenças de dimensão são tão extraordinárias e quando nossos interesses as exigem para a construção na América do Sul de um bloco que nos fortaleça a todos, o Brasil precisa assumir suas responsabilidades para como a região", reza a doutrina oficial.
Se essa premissa - as assimetrias existentes entre os países sul-americanos - fosse obstáculo, nem o México e o Canadá teriam negociado acordos de livre comércio com os EUA. As assimetrias entre eles eram maiores do que as existentes entre o Brasil e o Paraguai, por exemplo.
O mais novo desdobramento da política externa em relação à região foi a sugestão de que "o Brasil deveria promover um Plano Marshall sul-americano para superar a devastação diária causada pelo subdesenvolvimento", no dizer de um dos proponentes da idéia.
Essa eventual iniciativa brasileira, segundo se anuncia, deveria imaginar um programa mais amplo, mais enérgico, mais generoso e mais ágil dos países mais ricos da região em favor dos mais pobres, a exemplo do Plano Marshall. Em termos de política externa, estamos entrando na fase do realismo mágico.
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