sábado, julho 19, 2008

Dercy, Dercy, Dercy...

Atriz Dercy Gonçalves morre no Rio aos 101 anos

A comediante Dercy Gonçalves morreu às 16h45 deste sábado, no Hospital São Lucas, em Copacabana (zona sul do Rio), aos 101 anos. Ela foi internada durante a madrugada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) com quadro pneumonia grave, que evolui para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória.
Ela completou 101 anos oficiais no último dia 23 de junho. A comediante costumava dizer ter dois anos a mais que a idade oficial, pois seu pai teria demorado para registrá-la.

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Superpotência!

Porsche passa sinal vermelho nos Jardins e bate em dois BMW

da Folha de S.Paulo
Um motorista aparentemente embrigado dirigindo um Porsche causou ontem um acidente que envolveu, na seqüência, dois BMW na alameda Lorena, nos Jardins, bairro nobre da zona oeste de São Paulo. Ninguém ficou ferido.
O acidente ocorreu por volta das 17h de ontem. O condutor, identificado pela polícia como Luiz David de Almeida Lourenço, 46, diretor financeiro do Pan Americano, se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi encaminhado para o IML (Instituto de Médico Legal) para fazer um exame de sangue. O resultado leva em média 30 dias para sair.
Lourenço voltaria para a delegacia após o exame, o que não havia ocorrido até as 23h30 de ontem.
Ao deixar o 78ºDP (Jardins) em direção ao IML, após o registro da ocorrência, o diretor do banco, aparentando estar alterado, fez caretas para os jornalistas.

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Bem-vindo Cacciola...

Brasil

Planalto avalia erro em "briga" com delegado

De Kennedy Alencar:
O Palácio do Planalto avalia que errou ao "comprar uma briga" com o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
Ontem, um ministro próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse à Folha que "foi um erro brigar com o delegado, que é o herói da história".
Agora, o governo discute estratégia para conter danos. Com Lula e o ministro Tarso Genro (Justiça) em viagem ao exterior, não se sabia até ontem se o Planalto recuaria publicamente ou se daria o assunto por encerrado, considerando-o exclusivo da PF.
O chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, se reuniu com Tarso antes de sua viagem e ambos constataram que repercutiu mal a fita com trechos da conversa entre Queiroz e os superiores. O objetivo da divulgação da fita, editada, era provar que o delegado havia pedido para sair da investigação -reforçando a versão da cúpula da PF, que foi endossada por Lula.
O presidente criticou o delegado, exigiu a sua volta e chegou a dizer que a versão de que Queiroz fora pressionado a deixar o posto era mentirosa. Em entrevista no Palácio do Planalto, negou que o afastamento de Queiroz do caso se tratava de uma operação-abafa -já que a investigação chegou à sua ante-sala, com grampos de conversas entre o petista Luiz Eduardo Greenhalgh e Carvalho. Mas a gravação contradiz a versão da PF. (Do Blog do Noblat)

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Saia justíssima na PF

Protógenes acusa comando da PF de obstruir investigação no caso Dantas

Delegado denuncia ao Ministério Público que foi afastado do inquérito e desmonta versão de que saiu porque quis

Fausto Macedo e Marcelo Godoy
O delegado federal Protógenes Queiroz denunciou ao Ministério Público Federal que foi afastado do inquérito Satiagraha. Em documento de 16 páginas, dividido em tópicos, que protocolou na Procuradoria da República em São Paulo, o delegado queixou-se formalmente sobre "obstrução às investigações do caso". Na representação, ele tenta desmontar a versão da cúpula da Polícia Federal que, por ordem expressa do presidente Lula, divulgou trechos gravados de reunião fechada para tentar mostrar que havia sido do próprio delegado a iniciativa de sair do caso.

A Operação Satiagraha, deflagrada dia 8, desarticulou o que a PF chama de "organização criminosa" , que teria no comando Daniel Dantas. Além do banqueiro, foram presos o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e 15 dos outros 21 investigados. Só dois continuam presos. O esquema envolveria desvio de recursos públicos, corrupção, fraude, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Ontem à noite, depois de enquadrar criminalmente Dantas, o delegado fez lacônica declaração. Anunciou o fim de sua participação no caso, com a entrega do relatório final do inquérito 120233-08. Ressalvou que sua manifestação atendia ordem do Palácio do Planalto: "Como servidor público da PF, uma das reservas morais desse País, e cumprindo determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em obediência à ordem dos meus superiores, apresento nessa data a nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha, em especial no combate à corrupção."
Agradeceu a todos que o auxiliaram na campanha de 4 anos e citou os nomes, um a um, de juízes, procuradores, agentes, escrivães, peritos e delegados, entre eles o ex-diretor-geral da PF Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que deu apoio crucial à Satiagraha. "Como cidadão deixo à História a lição democrática do saudoso Heráclito Fontoura Sobral Pinto: todo poder emana do povo e em seu nome ele é exercido", concluiu Protógenes.
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Tá esquentando...

PF indicia Dantas e mais 9 por gestão fraudulenta e formação de quadrilha

Indiciados são ligados ao banco Opportunity, controlado por Daniel Dantas.O banqueiro ficou calado em depoimento na PF nesta sexta (18).

Roney Domingos Do G1, em São Paulo
A Polícia Federal indiciou em inquérito nesta sexta-feira (18) o banqueiro Daniel Dantas e mais nove pessoas ligadas ao banco Opportunity por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Eles foram investigados pela PF durante a Operação Satiagraha.

Com o indiciamento, os dez se tornam oficialmente suspeitos das acusações constantes no inquérito da PF. Depois da conclusão do inquérito, o Ministério Público vai avaliar se oferece ou não a denúncia à Justiça, que decidirá se aceita ou não.

Além de Dantas, os indiciados são: a irmã do banqueiro, Verônica Dantas, que também atua na diretoria do banco; o ex-marido dela e atual sócio do Opportunity, Carlos Rodenburg; o presidente do banco, Dorio Ferman; a diretora jurídica, Danielle Silbergleid Ninnio; a diretora de relações com investidores, Maria Amália Delfim de Melo Coutrim; o diretor de operações, Eduardo Penido Monteiro; o presidente do Conselho de Administração, Arthur Joaquim de Carvalho; e os executivos do banco Itamar Benigno Filho e Norberto Aguiar Tomaz.

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Manchetes do dia

Sábado, 19 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Procuradoria investiga se houve boicote a delegado"
A pedido do delegado Protógenes Queiroz, responsável pela prisão do banqueiro Daniel Dantas, o Ministério Público Federal vai investigar se a direção da PF tentou obstruir a Operação Satiagraha. Queiroz desmente a PF e diz ter sido obrigado a deixar o caso. O delegado tenta provar que o órgão ignorou seus pedidos de reforço de pessoal. Em conversa telefônica, ele pediu ao menos 50 agentes para ajudá-lo a analisar uma tonelada de papéis e equipamentos. O policial contraria ainda Tarso Genro (Justiça), que reforçou a versão da PF.A gota d’água para Queiroz foi a divulgação de parte da gravação da reunião que decidiu por afastá-lo. A Procuradoria vai apurar se houve coação. PF e governo não falaram. Queiroz entregou seu relatório do caso e afirmou que “cumpriu determinação” do presidente Lula. Diante da PF em SP, agradeceu a colegas e afirmou: “Todo poder emana do povo e para o povo será exercido”. Nélio Machado, advogado de Dantas, disse que o cliente é perseguido por “grupos de poder” e que “se Lula está insatisfeito com alguém da PF, que mude.”


O Globo
"Delegado acusa PF de obstruir investigações no caso Dantas"
O delegado Protógenes Queiroz apresentou ao Ministério Público Federal queixa formal contra a cúpula da Polícia Federal alegando que houve obstrução ao seu trabalho e reclamando da falta de ajuda (material e de pessoal) nas investigações da Operação Satiagraha. Protógenes também afirmou que foi afastado do comando da operação, contrariando a versão oficial do governo. Com base nas denúncias, o MP anunciou que abrirá investigação e pedirá a íntegra da gravação da reunião na PF em que ficou acertada a sua saída.
Ao entregar o relatório final, ontem, o delegado, ironicamente, disse que o fazia "em cumprimento à determinação do excelentíssimo presidente Luiz Inácio Lula da Silva" e em "obediência à ordem dos superiores". Ele pediu o indiciamento de Daniel Dantas e mais nove do Opportunity por gestão fraudulenta e formação quadrilha.


O Estado de São Paulo
"Delegado acusa PF de boicote no caso Dantas"
O delegado Protógenes Queiroz apresentou denúncia formal ao Ministério Público Federal por ter sido afastado do inquérito da operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas. Em documento de 16 páginas, Queiroz reclama de “obstrução às investigações de caso”. A iniciativa contraria a versão da cúpula da Polícia Federal. Por ordem do presidente Lula, a PF divulgou a gravação de trechos de uma reunião para tentar demonstrar que o delegado, na verdade, tinha pedido para sair. Os procuradores Anamaria Osório Silva e Rodrigo de Grandis pediram a abertura de procedimento administrativo para apurar a denúncia de Queiroz. A reunião que definiu a saída do delegado durou 2 horas e meia, mas a PF só divulgou 3 minutos dos diálogos gravados. A íntegra da gravação não será tornada pública com a alegação de que a conversa abordou dados secretos de investigações. “Algumas questões discutidas estão protegidas inclusive por segredo de justiça”, disse o diretor interino da PF, Romero Menezes.


Jornal do Brasil
"Migrantes da violência"
Criado para atender moradores de rua, o programa "De volta à terra natal" , da prefeitura, passou a ter 30% dos atendimentos destinados a comunidades dominadas por milícias. Ontem, a polícia matou oito pessoas numa operação em Bangu. Em Pilares, outro sargento foi atacado por bandidos. No caso da morte de três jovens do Morro da Providência, Edson Paiva confessou tê-los recebido de militares e entregues ao chefe do tráfico do Morro da Mineira.

sexta-feira, julho 18, 2008

Sexta-feira

Hoje eu vi um barquinho a deslizar...

Sidney Borges
Que magnífico veranico tivemos hoje. Céu azul, Sol a brilhar e temperatura agradável. Precisamos divulgar isso. Em julho Ubatuba é sensacional. Durante o dia a praia é convidativa e quando a noite chega a Lua aparece prateada iluminando tudo. Durante a caminhada matinal me detive a contemplar urubus. Quero ser um na próxima vida. Para mim é o máximo que um ser encarnado pode almejar. Voar o dia inteiro, tendo ao lado a companheira definitiva para compartilhar a arte de singrar os céus. A comida é esquisita, mas é questão de referencial. Quem come em restaurantes chineses certamente vai se adaptar ao cardápio. Anotem aí deuses do Olimpo. Quero ser urubu. Da cor do azeviche e da jabuticaba.

Brasil


Ente Dantas e o Poder há motivos inconfessáveis. (Enviado por Ronaldo Dias)

Política

Bobó de camarões impugnados

INGREDIENTES:

- 1 Kg de camarões frescos
- sal
- 3 dentes de alho picados e amassados
- suco de 1 limão
- pimenta do reino
- 1 Kg de mandioca ( prefira as que já vem embaladas e descascadas, é mais prático)
- 1 cebola cortada em rodelas e 2 cebolas raladas
- 1 folha de louro
- 6 colheres de sopa de azeite de oliva
- 2 vidros de leite de coco
- 1 maço de cheiro verde picado
- 2 latas de molho pronto de tomate ( Pomarola)
- 2 pimentões verdes bem picadinhos
- 2 colheres de sopa de azeite de dendê
6 porções


MODO DE PREPARO:

Lave os camarões e tempere com sal, alho, pimenta e limão.
Deixe marinar.
Pegue uma panela com água e cozinhe a mandioca em pedacinhos com louro e cebola em rodelas. Quando estiver mole acrescente um vidro de leite de coco, deixe esfriar um pouco e bata no liquidificador.
Esquente o azeite de oliva, junte a cebola ralada e deixe dourar.
Acrescente os camarões e frite.
Adicione as 2 latas de de tomate, o cheiro verde, o pimentão e deixe cozinhar por alguns minutos.
Junte na mesma panela a mandioca batida no liquidificador, outro vidro de leite de coco e o azeite de dendê, deixe levantar fervura e está pronto.

Ponto de vista

Inchaço versus desenvolvimento

Ernesto F. Cardoso Jr.
Os espaços urbanos tem limites à ocupação humana com vistas ao bem-estar de suas populações. A infringência desses limites é a principal causa das condições subhumanas em que vivem as populações de certas cidades e dos males daí derivados, indistintamente, em qualquer parte do mundo.
É de todos sabido que um rebanho, criado livre no campo, necessita de uma certa área mínima, por cabeça, para que a natureza possa prover o alimento natural dos pastos. Esse espaço mínimo é fundamental ao seu bom desenvolvimento físico e equilíbrio emocional. Situação similar se dá com os seres humanos, sendo necessário atentar que diferentemente dos animais irracionais, a consciência racional dos seres humanos suscita-lhes necessidades espaciais muito além daquelas que minimamente possam satisfazer os animais.
O processo de maciça migração humana das áreas rurais para as urbanas, ocorrida no Brasil após a II Guerra Mundial, em decorrência do maior progresso havido no desenvolvimento industrial e menor e mais lento no setor agrícola, as condições de melhor atendimento social nas cidades, a legislação trabalhista que inicialmente privilegiou o trabalhador da indústria, além de outros fatores, causou o triste desenvolvimento das favelas e dos bairros periféricos desprovidos de infra-estrutura. Em 2005, estimou-se que cerca de 34% da população brasileira vivia em favelas, ou seja, cerca de 52,4 milhões de pessoas. Esses inchaços ocupacionais humanos, desrespeitando os espaços mínimos de bem-estar físico, social e emocional que o ser humano necessita, acarretaram a terrível situação social que enfrentam o Rio e as demais grandes cidades brasileiras e que já se faz sentir nas de menor população. Mesmo as cidades cujos territórios podem se expandir em grandes dimensões, teoricamente capazes de abrigar populações crescentes, esbarram na incapacidade econômica temporal de prover a mínima infra-estrutura física e social, pari passu com esse crescimento.
A questão torna-se, porém, absolutamente crítica quando os espaços de ocupação humana são limitados por condições geográficas e ambientais. Ubatuba, a exemplo de outras cidades em situação idêntica, espremida de um lado entre áreas de preservação de matas e florestas, compondo um maciço montanhoso de 700 m de altura e de outro, das águas de mares e rios, cuja preservação é fundamental à sua sustentabilidade econômica, tem no equilíbrio “contingente populacional/meio ambiente” a chave de seu desenvolvimento. Diversamente das cidades que podem estender seu território acompanhando o crescimento populacional, a nossa, contrariamente, tem na contenção desse crescimento, dentro de limites preservacionistas ambientais inelásticos, a chave de seu desenvolvimento equilibrado, harmônico, ou seja, o bem estar de sua população e dos que para aqui afluem em busca de lazer, prazer e diversão, diga-se, sua atividade turística.
Esta é uma realidade que precisa ser percebida e apreendida por todos que aqui vivem. No passado era comum associarmos o desenvolvimento de uma região ao seu crescimento populacional. Recordo, em minha juventude, na rixa entre cariocas e paulistas, que comparávamos as duas cidades nesses termos. Triste sina, pois, ambas eram, então, mais bem desenvolvidas do que o são atualmente. Bastaria notar as atuais dificuldades de locomoção, o grau de poluição ambiental, a generalizada insegurança pública, a deficiente infra-estrutura, além de outros males causados pelo inchaço populacional e conseqüente deterioração da qualidade de vida.
Nem sempre atentamos para a conceitual distinção entre inchaço populacional e crescimento harmônico sustentável (aqui, sim, cabe bem esta expressão, já tão corriqueira que nem sempre alcança sentido). Assim como o inchaço no corpo humano é sinal de doença, um mal a ser debelado e nunca um desenvolvimento a ser alimentado, e que se não curado derivará outros males que poderão levar à morte, nas cidades não é diferente o fenômeno dos inchaços populacionais. São sinal de grave disfuncionalidade social, acarretadora de outros males, desde a estagnação ao esgarçamento completo do tecido social.
Algumas cidades começam a perceber que a ocupação humana deve obedecer seus limites espaciais. Na China não se deixou esta constatação ao sabor individual, mas, é lei a contenção populacional, como único meio de sustentar e melhorar a condição de vida de suas populações. É importante notar que dá-se na família o mesmo fenômeno que nas cidades, vistas como agrupamentos de indivíduos. A riqueza e bem-estar daquela é em grande parte função do número de familiares sob um mesmo teto, como nestas seu contingente populacional. Não é só a renda que define o nível de riqueza, mas, em especial, sua diluição pelo universo de indivíduos a serem sustentados. Nossas populações menos ilustradas ainda vêem na quantidade de filhos sua segurança futura. A premissa que parece não entenderem, é que a menos que esses filhos sejam colocados no mercado de trabalho muito cedo, em prejuízo de sua formação educacional e profissional, serão ao invés, um encargo pesadíssimo, além do que, dada a qualificação hoje exigida pelo mercado, os menos qualificados irão disputar trabalho menos rendoso.
Em cidades onde o turismo é a principal atividade econômica, os inchaços populacionais acarretam males que diretamente conflitam e destroem essa vocação. São cidades que tem de apresentar um ambiente social equilibrado que reflita segurança e o bem-estar de seus cidadãos; tem de apresentar beleza e refinada infra-estrutura que propicie prazer de lá estar. Tais cidades tem de investir, maciçamente, nessa estrutura, ao invés de ter de comprometer parte substancial de suas receitas em atendimento ao seu crescimento populacional, como em creches, postos de saúde, ensino fundamental e outros equipamentos sociais que, em si, pouco tem a ver, diretamente, com o desenvolvimento de sua vocação. É uma antinomia uma cidade turística apresentar esta distorção nas prioridades de seus investimentos.
Campos do Jordão, ao que sabemos, entre as cidades turísticas de nossa região, tomou a dianteira em se propor determinar um limite ao seu crescimento populacional exógeno, o crescimento derivado das migrações.
Tudo isto fundamentaria, sem sombra de dúvida, nas cidades turísticas de nossa região, os processos de congelamento, para posterior regularização fundiária, das áreas ocupadas irregularmente. È uma ação de coragem que necessita da compreensão de todos e que não deve servir a discursos demagógicos.
Seria oportuno lembrar que em grande parte os inchaços populacionais aqui ocorridos, não o foram por razões naturais de um prévio desenvolvimento econômico, mas, por irresponsáveis surtos de instigação à ocupação irregular, eleitoralmente intencionada, no intuito personalista de angariar votos, de criar currais eleitorais, num imediatismo indesculpável a qualquer que pretenda alardear um mínimo de amor a esta terra, ou interesse em seu desenvolvimento. Foi, assim, que ocorreram as ocupações das encostas, das margens dos rios, das áreas de preservação da Mata Atlântica, das fontes de água potável, etc. e que agora tem de ser contidas e corrigidas pela necessidade de darmos qualidade de vida a esses próprios migrantes, ao mesmo tempo que temos de preservar nosso maior patrimônio, razão de nossa vocação.
Esta é uma ação que tem de atender, também, às exigências bem-vindas, apesar de tardias, das novas legislações ambientais e preservacionistas que exigem prazos e estabelecem condições objetivas de correção destas anomalias e atentados ao meio ambiente. Cumpri-las, exige ação corajosa que não deveria prestar-se à demagogia, na tentativa de confundir as populações atingidas por essas retificações e correções. Não se pretende prejudicar essas populações aqui já fixadas, sujeitas agora ao processo de regularização fundiária, mas, sim, reorganizar essa ocupação para melhoria de seu próprio bem-estar. Ainda aqui, manifesta-se a boa índole do brasileiro e sua leniência. O que em outros países seria corrigido na medida da imputação da infringência legal, aqui é tratado com a sensibilidade e a responsabilidade que a sociedade reconhece ter, da dívida social com essas populações mais carentes e aproveita a situação para prover-lhes, efetivamente, uma redistribuição de renda e de benefícios sociais.
É importante, pois, que neste momento de efervescência eleitoreira, não se dissemine a distorção dos fatos entre essas populações, antes, seria bom observar que desta vez não estão ocorrendo invasões de áreas para cultivo de votos, como várias vezes ocorreu em passado recente. Não estamos esquecidos dos nomes de políticos que foram associados à determinadas invasões. Seria salutar que com a consciência mais firmada da necessária e oportuna regularização fundiária e da melhoria da qualidade de vida que isto trará aos beneficiados que os “ex-bem-feitores” reflitam sobre as profundas feridas sociais e ambientais que causaram, em absoluto desamor à terra.

Água

A religião para conter o deserto?

Washington Novaes
A recente divulgação de mais um relatório da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, assim como novos congressos sobre desertificação no Brasil, trazem de volta o tema. O relatório da FAO, com um balanço dos últimos 20 anos, diz que a degradação do solo no mundo - medida pelo declínio nas funções e na produtividade de um ecossistema - já atinge mais de 20% das terras ocupadas pela agricultura, 10% das pastagens, 30% das áreas de floresta. E afeta 1,5 bilhão de pessoas, com insegurança alimentar, perdas agrícolas, perda da biodiversidade, necessidade de migrar. Também influi no clima, porque a perda de biomassa e de matéria orgânica no solo desprende carbono. E leva à redução do fluxo hidrológico, porque se reduz a capacidade de a terra desmatada reter água. A China está com 457 mil km2 afetados; a Índia, com 177 mil; a Indonésia, 86 mil; Bangladesh, 72 mil. Para o Brasil, o relatório aponta 46 mil km2, embora nossos relatórios nacionais mencionem 180 mil km2 em diferentes etapas do processo de desertificação, principalmente no Semi-Árido nordestino, mais Espírito Santo e Minas Gerais (11 Estados ao todo).

Os relatórios apontam situações difíceis em áreas que o mundo se habituou a considerar desenvolvidas e ausentes de questões dessa natureza. É o caso da Espanha, por exemplo, onde um terço do território é considerado como de "risco significativo" nessa área, principalmente por causa da escassez de água. Até o fim deste século, prevê-se que o fluxo hidrológico ali, especialmente no sul do país, diminua 22%. Barcelona, cidade admirada e invejada, enfrenta uma escassez inédita, que a leva a disputar com outras zonas as águas do Rio Ebro (que quer transpor e captar, para diminuir a crise). E até a proibir que se encham piscinas.
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Opinião

A encenação do presidente

Editorial do Estadão
Ao chamar de mentiroso o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal (PF), por ter difundido a história - verdadeira - de que foi removido do comando da Operação Satiagraha por uma decisão política, o presidente Lula representava seu papel numa farsa muito mal ensaiada por seus protagonistas. Obter o afastamento do delegado foi o único motivo da tensa reunião ocorrida na sede da superintendência da PF em São Paulo, segunda-feira à noite. Dela participaram, além do próprio Protógenes e de seus colaboradores mais próximos no caso, o superintendente regional e emissários da cúpula do órgão. Num esforço inútil para evitar que a sua saída fosse interpretada como um acerto para beneficiar o banqueiro Daniel Dantas - ou como precaução contra novas evidências do envolvimento de gente próxima do governo com o principal alvo da Satiagraha - fabricou-se a esfarrapada versão do desligamento "a pedido": o delegado precisaria concluir um curso de 30 dias, iniciado em março.

Deu tudo errado.

De pronto, ele resistiu ao arranjo, pedindo para continuar instruindo o inquérito, embora longe dos holofotes, pelo menos nos sábados e domingos, quando não teria aulas a freqüentar em Brasília. No relato da Polícia Federal, foi como se ele tivesse querido abandonar a investigação, ou dela se ocupar apenas nos fins de semana. "A sugestão não foi acatada, já que traria prejuízo às pessoas convidadas a prestar esclarecimentos", foi o máximo que uma nota da PF conseguiu tecer. Vencido, Protógenes não só contou a amigos o que se passara, mas ainda lhes disse que a gravação mostra como os fatos se passaram. Fingindo ignorá-los - e fazendo de conta que nada tinha a ver com o defenestramento -, Lula simulou uma repreensão a "esse cidadão", que "não pode, depois de fazer todas as coisas que tinham de ser feitas no processo, na hora de finalizar o relatório dizer "eu vou embora fazer meu curso" e ainda dar vazão a insinuações de que foi tirado".
Na realidade, resolveu atirar no cidadão depois de ser alertado sobre os efeitos adversos, para o governo, de sua retirada abrupta. A advertência chegou tarde, depois que circulou pela mídia a versão de que o presidente, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa - nem sempre pelos mesmos motivos -, queriam ver Protógenes pelas costas. Por isso, sob a suspeita de que ordenara uma operação-abafa para poupar Daniel Dantas, Lula tratou de se desvincular do problema, culpando o policial pelo que, afinal, lhe fizeram. Implicitamente, porém o bastante para os insiders entenderem, também alvejou Genro e Corrêa, porque não teriam sabido conduzir a fritura, sem respingos na imagem presidencial. É pouco provável que a descompostura tenha outro resultado além de evidenciar, pela enésima vez, que Lula jamais se afogará por ter cedido a alguém o último colete salva-vidas.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"PF libera apenas trechos de diálogo com delegado"
A PF divulgou três minutos e 55 segundos de gravação de quase três horas da reunião em que se decidiu a saída do delegado Protógenes Queiróz do comando da Operação Satiagraha. A intenção era provar que Queiroz deixou o caso por iniciativa própria, mas isso não fica claro na gravação. A divulgação foi decidida em reunião do presidente Lula com Tarso Genro (Justiça) e o diretor-geral interino da PF, Romero Menezes. Nos trechos divulgados após ver recusada sua sugestão de sair do caso, Queiroz propõe concluir o inquérito principal e diz não querer voltar a presidir a investigação. Ele disse a amigos que a fita divulgada foi uma “adulteração” do teor da reunião. Tarso Genro afirmou que o relatório do delegado para fundamentar os pedidos de prisão denotava “instabilidade” dele. A PF convidou a delegada Karina Souza a voltar para a operação.


O Globo
"Tráfico executa PMs para roubar armas"
Após uma sucessão de mortes de inocentes causadas por policiais militares nas últimas semanas, um sargento e um cabo da PM foram executados ontem na Rua Fonte da Saudade, na Lagoa, bairro da Zona Sul do Rio. Os dois teriam sido mortos por traficantes que pretendiam roubar suas armas – duas pistolas e um fuzil. Só este ano 60 PMs já foram mortos na cidade. Apesar dos recentes casos de violência, o governador Sérgio Cabral voltou a reafirmar a sua política de segurança: “Não tem recuo na política de combate à criminalidade.”


O Estado de São Paulo
"PF vê indícios de lavagem em conta de Dantas"
A Polícia Federal cruzou informações obtidas pelo Banco Central no Grupo Opportunity com dados de um computador apreendido em 2004 e encontrou uma triangulação que pode sugerir lavagem de dinheiro. A partir de uma conta do banqueiro Daniel Dantas, pouco mais de R$87 milhões tiveram como destino a empresa Topázio Participações Ltda. , que na mesma data transferiu valor equivalente para a empresa Parcom Participações, que tem como um dos principais sócios o Opportunity Fund. Com isso, um dinheiro de origem supostamente ilícita teria retornado lavado.


Jornal do Brasil
"Rio cobra saída para guerra"
A mórbida rotina imposta pela guerra entre criminosos e polícia está levando o Rio a um impasse. Deparados com mortes de civis inocentes, como no tiroteio no Leblon, na quarta-feira, e de policiais, como os que foram executados ontem, na Lagoa, os cariocas se debatem sobre a melhor estratégia para se livrarem da violência. De um lado, defensores da política de enfrentamento. Do outro, críticos de sua eficácia. O JB ouve ambos e tenta achar a saída.

quinta-feira, julho 17, 2008

Dantas/Cacciola

Mais perguntas do que respostas

Continuo cheia de dúvidas a respeito deste caso Daniel Dantas

Lucia Hippolito
Se eu preencher um cheque de mais de R$1.000,00, tenho que dizer para quem é o cheque, assinar atrás. E recebo um telefonema da minha gerente me perguntando se o cheque é meu mesmo.
Isto acontece comigo, com você e com todos os correntistas de bancos sérios.
Entretanto, há mais de uma semana, o noticiário diz que um dos maiores bancos do país não prestou informações sobre uma movimentação financeira de dezenas de milhões de reais, e de um de seus proprietários.
Independentemente do devido processo judicial, o que aconteceu na esfera administrativa? O que as autoridades responsáveis pela regulação têm a dizer?
A resposta a esta denúncia é muito simples e demora no máximo dois dias: o Opportunity entregou ou não entregou as informações? Se não entregou, quais foram as sanções aplicadas? Como o banco continua funcionando?
Os responsáveis deveriam ter sido sumariamente afastados até o final do processo, ou mesmo presos.
Só o Opportunity deixou de enviar informações ou outros bancos também escolhem o que informar e o que não informar, ao mesmo tempo em que exigem que seus clientes prestem as informações?
O fato é que alguém falhou gravemente neste caso. Ou a Polícia Federal está equivocada ou autoridades do governo federal devem prestar contas à sociedade: Coaf, Banco Central, CVM, entre outros órgãos reguladores do sistema financeiro. Todos falharam gravemente e continuam devendo explicações.
Finalmente, uma dúvida sobre Salvatore Cacciola, que acaba de desembarcar no Brasil. Há outros condenados junto com ele no mesmo processo.
Mas enquanto não se chega à última instância, os "colegas" de Cacciola aguardam em liberdade, trabalhando livremente. Por que só Cacciola deve ir preso, se foi o único até agora que passou algum tempo na cadeia -- dez meses em Mônaco?
Muitas perguntas e, até agora, pouquíssimas respostas.

Deputado Clodovil Hernandes

Seguridade aprova exame de próstata para trabalhador

Portal da Câmara
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, nesta quarta-feira, o Projeto de Lei 2374/07, do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), que inclui o exame de próstata para homens a partir dos 40 anos de idade entre os que a empresa deve oferecer gratuitamente ao trabalhador.

"Atualmente, essa prevenção enfrenta graves empecilhos, o que provoca milhares de mortes a cada ano", ressalta Clodovil.

Inclusão na CLT
A comissão seguiu o parecer do deputado Germano Bonow (DEM-RS), relator da matéria, que acrescentou a obrigatoriedade de exame periódico da próstata nas Medidas Preventivas de Medicina do Trabalho da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43).

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado ainda pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Por falar no assunto...

Hi, hi, hi...

Brasil de Tantas

Sidney Borges
Chegou o Cacciola. E agora? Fazer o que com o Cacciola? Sem algemas não tem graça, enganaram a Globo. Cacciola é como Dantas, só que Dantas é quase careca e Cacciola pinta os cabelos da cor da asa da graúna. Dantas sabe de tudo da vida de todo mundo. Prenderam um intocável e estão repatriando outro intocável. Gilmar fique de olho Gilmar, olhe a injustiça. Solte o Cacciola Gilmar. Banqueiro preso deixa frisson no ar! Coloca legislativo, executivo e judiciário em luta corporal. Deixa Lula nervoso. Ele não sabia de nada e quer o delegado de volta. Protógenes! O delegado é bamba na delegacia, mas qualquer criança trotskista sabe que delegado que prende banqueiro não é confiável. Não é justo, não é humano. Não é coisa do Lula que ama os banqueiros. Sugiro ao prisioneiro dois advogados. O Compadre do chefe e o Greenhalgh. Se não funcionar resta o escritório de representações do José Dirceu. Se ainda não der certo, o jeito é relaxar e gozar, como diria a candidata à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy Wermus. Sim ela é casada com um Wermus. Mas um Wermus trotskista.

Opinião

"Atos de insubordinação'' na PF

Editorial do Estadão
A decisão da cúpula da Polícia Federal (PF), determinada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de afastar da Operação Satiagraha o delegado Protógenes Queiroz - e que levou também ao afastamento de seus colaboradores mais próximos, os delegados Carlos Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza -, confirmou a procedência dos protestos diante do espalhafato e, mais do que isso, das irregularidades praticadas pelo condutor da investigação centrada na figura do banqueiro Daniel Dantas. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foi o crítico mais contundente da conduta de Protógenes, porém não o único. O próprio Tarso Genro, embora com o cuidado de elogiar o trabalho de apuração da PF, envolvendo 300 agentes, fez reparos públicos ao comportamento do delegado.
A lista de suas impropriedades - ou "atos de insubordinação", como foram consideradas em Brasília - é alentada. Além da filmagem das detenções, do pedido de prisão de uma jornalista que revelara a operação em curso, da recusa ilegal aos advogados do seu direito de tomar conhecimento do que houvesse sobre os seus clientes no inquérito e dos vazamentos em cascata de gravações protegidas pelo sigilo, pesou decisivamente contra ele, na hierarquia da corporação, o seu pouco-caso em relação aos superiores - praticamente os últimos a saber de suas iniciativas. A pior delas, do ponto de vista institucional, foi a de envolver na investigação, sem autorização de quem fosse, quadros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Eles acabaram tendo acesso a dados sob segredo de Justiça. Por essas razões, Protógenes é alvo de uma sindicância administrativa e de uma representação na corregedoria da PF.
A reiteração das evidências de que ele foi longe demais é importante para desmoralizar inevitáveis teorias conspiratórias segundo as quais o seu desligamento da Operação Satiagraha não passaria de uma operação-abafa em benefício do potentado Daniel Dantas e dos demais investigados por crimes como desvio de recursos públicos, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Mas o desmentido cabal de que se desejaria esvaziar o inquérito contra a patota só virá com a designação de um novo responsável que, à diferença do primeiro, tenha de competência técnica o que esse tinha de queda pela pirotecnia. Mesmo porque a leitura atenta do que vazou até agora do material reunido pela PF autoriza a conclusão de que nada, até aqui, contribuiu tanto para dificultar a condenação dos acusados quanto a monumental incompetência dos que comandaram, até agora, a Operação Satiagraha. Com a substituição desse comando a PF espera, em primeiro lugar, evitar um desfecho melancólico do inquérito. Não bastasse essa preocupação, o organismo e o próprio governo estão às voltas com uma ameaça vinda do interior da corporação.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Lula critica delegado e exige sua volta"
O presidente Lula criticou o delegado federal Protógenes Queiroz, que deixou o comando da Operação Satiagraha, e defendeu que ele fique à frente do inquérito até entregar o relatório final. A operação resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, entre outros. A saída de Queiroz do caso foi decidida na segunda-feira em reunião da PF em São Paulo. Lula chamou de “mentira” a versão de que a PF pressionou Queiroz a sair: “Ninguém pode fazer o trabalho que ele fez por quatro anos e, na hora de terminar o relatório, dizer que vai embora. Tem que ficar no caso”. O delegado afirmou a amigos que não poderia voltar atrás de algo que não decidiu e que o presidente não conhece toda a situação. Na segunda, Lula avalizou o afastamento de Queiróz após Tarso genro (Justiça) lhe dizer que ele e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, consideravam insustentável mantê-lo.


O Globo
"Lula agora quer manter delegado que PF afastou"
O presidente Lula disse ontem que, "moralmente", o delegado Protógenes Queiroz tem de continuar no comando da Operação Santiagraha. Lula negou que tenha havido pressões políticos no caso e determinou que o ministro da Justiça, Tarso Genro, conversasse com a diretoria da PF para anular o afastamento. A PF, no entanto, garante que Protógenes não estará mais no caso a partir de segunda-feira. A operação, que estabeleceu ligação de petistas históricos com Dantas, foi chamada de espetáculo pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. "Acho que esse delegado tem de ficar no caso. Esse cidadão não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos, na hora de finalizar o relatório, dizer 'eu vou embora fazer meu curso' e ainda dar vazão a insinuações de que foi tirado", disse Lula. O juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal de corrupção ativa contra Daniel Dantas por causas do suborno a um delegado da PF.


O Estado de São Paulo
"BC processa o banco de Daniel Dantas por lavagem"
O Banco Central está processando o Opportunity por lavagem de dinheiro, informa o repórter Roberto Almeida. Os indícios contra o banco de Daniel Dantas foram levantados em fiscalização realizada em 2007. Relatório dos fiscais afirma que o Opportunity “nuca implementou controles” sobre as operações de lavagem. O banco abria conta, sem documentação mínima, como comprovante de residência, RG e CPF. Uma das contas com irregularidades é de Maria Alice Dantas, mulher do dono do Opportunity. O cadastro de Maria Alice registra renda mensal não comprovada de R$1.468,44 e patrimônio de R$60 mil. Os fiscais descobriram que pela conta da mulher de Dantas passaram valores incompatíveis com as cifras de seu cadastro. Só em 2005, a movimentação financeira foi de R$21,5 milhões e o saldo das aplicações de R$830 milhões. A Polícia Federal aponta Maria Alice como laranja de Dantas.


Jornal do Brasil
"Juiz torna Daniel Dantas réu em caso de suborno"
O juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, aceitou ontem denúncia contra Daniel Dantas, seu assessor Humberto Braz e o professor Hugo Chicaroni por tentarem subornar um delegado da Polícia Federal que investigava o grupo do banqueiro. Agora, os três passam a ser réus. No rastro da polêmica envolvendo o dono do Opportunity, o presidente Lula pediu à PF a volta ao comando das investigações do delegado Protógenes Queiroz, que ontem ouviu o banqueiro. Em três horas de depoimento, porém, Dantas não respondeu a nenhuma das perguntas dos policiais.

quarta-feira, julho 16, 2008

TV Vibora: "Ouça e sonhe"

Diana Krall - Under My Skin

Cabeção



Pior estudante do mundo repete de ano pela 38ª vez na Índia

Em 1969, Shiv Charan prometeu que iria se casar quando se formasse, e segue solteiro. Apesar de ter levado 'bomba' em quase tudo, ele conta que seu ponto fraco é a matemática.

Em 1969, o indiano Shiv "Pappu" Charan fez uma promessa para sua namorada: assim que ele conseguisse se formar em uma escola para adultos, eles iriam se casar. Na última semana, aos 74 anos, o solteirão pegou seu boletim e descobriu que, pela 38ª vez, havia levado 'bomba'. Apelidado pelos colegas de "o pior aluno do mundo", Pappu tirou nota suficiente para ser aprovado apenas em uma das disciplinas do curso. O 3,4 (de um total de até 10 pontos) em hindi foi seu melhor desempenho nos últimos anos. Ele tirou 1,4 em inglês, 1,7 em ciências, 2,5 em sânscrito e 0,5 em matemática. "Matemática sempre me derruba", afirma. Apesar de mais um ano sem diploma, o indiano não quer saber de desistir. "Enquanto eu viver, vou continuar fazendo as provas pois minha motivação é poder me casar", diz. "Não faz parte da minha natureza mudar minhas promessas. Vou estudar até passar de ano." Nos últimos anos, Pappu virou uma espécie de "atração turística" em sua escola. Ele é o "mascote" de sua turma, formada na maioria por adolescentes de 15 anos. "Quando vou fazer uma prova, as pessoas vêm de vários lugares da Índia para me ver", conta. Mas o indiano diz que trocaria a fama por uma esposa. E, de preferência, jovem. "Não vou casar com nenhuma mulher com mais de 30 anos".

Ubatuba na Bird Fair


José Carlos do SINHORES entrega a Rick Simpson e Carlos Rizzo o bilhete da passagem aérea

Aves de Ubatuba em Londres

Carlos Rizzo
As aves de Ubatuba e também as aves de Caraguatatuba, de São Sebastião e de Ilha Bela estarão representadas na Inglaterra. Com o apoio do Sindicato dos Hotéis vamos mostrar o Litoral Norte durante o maior evento da ornitologia internacional. A Bird Fair é o equivalente mundial da nossa já conhecida Avistar Brasil. É o encontro de operadores do turismo de observação, ornitólogos e observadores de aves numa grande feira de negócios e oportunidades além de importantes contatos com os principais financiadores de projetos envolvendo o estudo e a proteção das aves. A primeira edição da Bird Fair aconteceu timidamente em 1987, ela é realizada dentro de uma reserva florestal e isto possibilitou ano a ano a sua ampliação e crescimento, para a edição de 2008 estima-se um publico de 18.000 especialistas e mais de 300 stands reunidos no maior evento mundial com o tema aves. Se pretendemos tornar o Litoral Norte como destino do turismo de observação a participação na Bird Fair é a melhor oportunidade para os contatos com o mercado emissor da Europa e dos Estados Unidos. Neste ano graças ao apoio do SINHORES poderemos mostrar ao mundo a importância da nossa avifauna e o potencial que a nossa região tem como destino do turismo de observação. Além dessa oportunidade mundial que se abre com a participação na Bird Fair a nova parceria com o SINHORES implica na expansão do trabalho pioneiro de Ubatuba para as outras cidades que compõe o Litoral Norte Paulista. A recente marca de 500 espécies de aves em Ubatuba, a rede hoteleira e gastronomia de primeiro mundo, a cultura e a história do Litoral Norte e, principalmente, as imensas áreas de preservação nas quatro cidades, colaboram para tornar a nossa região como um importante pólo receptivo do turismo de observação. Turismo de qualidade que envolve milhões de dólares em viagens, equipamentos e serviços.

Ponto de vista

Visita

Corsino Aliste Mezquita

No feriado, de Nove de Julho, recebi a sempre grata e divertida visita de Manolo Insula. Era esperada já algum tempo. Manolo chegou eufórico, hilário e gozador. De cara veio dizendo: “Você está ótimo. O tempo não passa por você. Poxa, meu! Esperava te encontrar deitado na urna funerária que fizeram para enterrar a CUT, o Sindicato e todos da CHAPA 1. Desta vez conseguiu escapar e sobreviver. Não se confia, não. Tem gente, por ai, que não respeita ninguém. Por uma gratificação e/ou um carguinho em comissão ou contratado como eventual, mesmo que só seja até o final do ano, vendem colega, sindicato, ética, probidade, negociam empréstimos com BANCO, para os coitados dos funcionários endividados, cobrando, para eles, 5% (cinco por cento), caluniam, difamam e até comemoram as derrotas repassando a carne do churrasco, da esperada vitória, para a Cantina”.
Que isso, Manolo, de onde tirou todo isso?
“Rede de informações Insula Barataria Ltda”. Você sabe que um dia em Ubatuba recebo mais informações que vocês que moram aqui. Já provei isso outras vezes. Quer que te fale outras novidades da política?. Coisas muito graves.
Acalma-te, Manolo. De política agora não dá para falar. A censura proíbe. Até o Senado desistiu de impedir, nas eleições, a participação de supostos corruptos e já condenados.
“Falar pode. Não pode publicar fatos de improbidade atribuídos a candidatos. Falar os podres de nossos impolutos políticos é proibido. Publicar idéias e discutir procedimentos é permitido. Não podemos ter medo. É necessário ficarmos atentos aos movimentos subterrâneos de abertura de cofres e à identificação de compradores e vendidos. Só assim Ubatuba poderá mudar. Entendo que você, já tão visado, não queira se envolver em pândegas”.
De política partidária não quero saber. Pretendo manter-me afastado. Se puder ajudar alguém com idéias o farei com muito prazer e sem almejar nada. Só desejo o melhor para Ubatuba.
VIVA UBATUBA!. Sem dengue e sem caluniadores.

Opinião

Contra o abuso e o descontrole

Editorial do Estadão
Não será com entrevistas bombásticas, nem com manifestos de solidariedade e desagravo, que avançará o debate sobre as normas às quais se deve subordinar o comportamento de magistrados, procuradores e agentes policiais no País. Trata-se de assegurar que o combate à criminalidade, sob todas as suas formas, não se degrade em violações até rotineiras dos direitos individuais - que nem sequer servem para levar esse combate a bom termo. O problema decerto não é novo, mas adquiriu feições novas desde que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, antes ainda de irromper a Operação Satiagraha e muito mais enfaticamente depois, passou a defender a adoção de uma lei rigorosa contra o abuso de autoridade na investigação de ilícitos penais.
Quanto maior a gravidade desses delitos e a notoriedade dos acusados de cometê-los, maior também a tendência à "espetacularização" dos procedimentos, no dizer de Gilmar Mendes. Prisões não só estrepitosas para consumo da mídia, como de discutível utilidade para o bom andamento dos inquéritos; vazamentos de informações protegidas pelo sigilo; e cerceamento do direito de defesa dos suspeitos cuja culpa, aliás, é de antemão dada como líquida e certa são exemplos característicos dos atos abusivos que se tornou imperativo inibir. Há quem diga que essa preocupação apenas se manifesta quando os atingidos fazem parte da chamada elite branca nacional, incluindo influentes endinheirados como Daniel Dantas. Pouco importa. Na realidade, o estabelecimento de limites nítidos à atuação das autoridades judiciais e policiais é do interesse de todos.
Dizia há meio século o udenista mineiro Pedro Aleixo que o mais temível nas ditaduras não é o ditador, mas o guarda da esquina. Ele há de ter inspirado o seu conterrâneo e correligionário Milton Campos, o primeiro ministro da Justiça do regime dos generais, a implantar, em 1965, uma até então inédita legislação contra o abuso de poder. Já passou da hora de atualizá-la. Não se concebe que no Estado democrático um juiz autorize a prisão de um acusado sem que os seus advogados tenham acesso ao inquérito policial em que se fundamentou a detenção. "É uma violência", resumiu o jurista Célio Borja, ex-ministro do STF, em entrevista ao Globo, no domingo. Outro abuso potencial é o que Gilmar Mendes chama "ação combinada" entre os agentes da lei. "Cabe à polícia investigar, ao Ministério Público oferecer denúncia e ao juiz, criticamente, aceitar ou não denúncia, pedidos de prisão, busca e apreensão", distingue.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Pressionado, delegado deixa caso Dantas"
O delegado Protógenes Queiróz, da Polícia Federal, responsável pela Operação Satiagraha - que prendeu, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas -, deixará o caso na semana que vem, Queiróz emais dois delegados que atuaram na operação decidiram sair depois de uma tensa reunião em São Paulo com delegados enviados pela cúpula da PF, informa Rubens Valente. devido a supostos excessos e atos de insubordinação, o chefe da Satiagraha foi convidado a se afastar. A Folha apurou que os três delegados que saíram sentiam-se boicotados pela PF. De acordo com a instituição, a saída de Queiroz, que fará em Brasília um curso para formação de delegado especial, foi uma decisão dele e não comprometerá as investigações da operação. Após reunião com o presidente Lula, o presidente do STF, Gilmar Mendes e o ministro Tarso Genro, negaram divergência durante o processo de prisão e soltura de Dantas. Mendes e Tarso atribuíram à imprensa a tensão entre os Poderes. O afastamento de Queiroz do inquérito foi “coincidência”, disse o ministro.


O Globo
"Delegados que investigaram Daniel Dantas deixam o caso"
Os três delegados que comandaram as investigações da Operação Satiagraha vão deixar o caso nesta sexta-feira. Além de Protógenes Queiroz, que comandou o inquérito, estão fora também seus dois auxiliares, Carlos Eduardo Pellegrini e Karina Souza. A saída de Protógenes foi acertada numa reunião entre ele e a direção da PF, sob a justificativa de que vai fazer um curso de especialização, uma exigência para a promoção de delegado com dez anos de profissão. Fontes ligadas à investigação, no entanto, dizem que os delegados foram afastados por “pressões políticas” desde que um dos grampos revelou o nome do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Ontem, numa reunião com o presidente Lula, o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiram encaminhar proposta para coibir o abuso de autoridade e do processo penal.


O Estado de São Paulo
"PF afasta delegados do caso Dantas"
Os delegados da Polícia Federal responsáveis pela Operação Satiagraha foram afastados das investigações que resultaram na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito Celso Pitta. A saída dos delegados foi acertada durante reunião realizada em São Paulo com participação do chefe do inquérito, Protógenes Queiroz e o diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado, Roberto Trocon Filho, que veio de Brasília para cuidar da questão. Além de Protógenes, deixaram o caso os delegados Karina Marakemi Souza e Carlos Eduardo Pellegrini. O comando da PF considerou insubordinação o fato de Protógenes, sem consulta a seus superiores, ter convocado agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para vigiar suspeitos. A PF confirmou afastamento de Protógenes, mas negou que ele esteja sendo punido. Oficialmente, o delegado está saindo porque pediu, pois precisa assistir aulas de um curso superior que vem fazendo desde março.


Jornal do Brasil
"Guerra na PF derruba o algoz de Daniel Dantas"
O comando da Polícia Federal diz que é só uma coincidência. Mas às voltas com críticas à condução da Operação Satiagraha, que descortinou a rede operada pelo banqueiro Daniel Dantas, o delegado Protógenes Pinheiro Queiroz deixou o caso: vai concluir um curso superior de polícia. A ação da PF foi motivo de embates entre o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Os dois se encontraram ontem com o presidente Lula para aparar as arestas entre os poderes. E atacaram a divulgação prévia de informações do inquérito.

terça-feira, julho 15, 2008

Ubatuba em foco




Falando de pássaros

Sidney Borges
Ontem aconteceu uma reunião no Palace Hotel de Ubatuba onde se falou da arte de observar pássaros. Essa atividade é bastante difundida na Europa, nos Estados Unidos e no Japão e pouco praticada no Brasil. Ubatuba é um lugar propício. Aqui há grande diversidade de espécies, algumas típicas da região, muito valorizadas pelos observadores. Certamente um dia seremos ponto obrigatório para aficionados de todo o Mundo. Quando isso acontecer a cidade será visitada por turistas de grande poder aquisitivo durante o ano todo, velha reivindicação dos comerciantes. A reunião foi organizada por Carlos Rizzo e Paulo Boute, diretor da empresa Boute Expeditions, www.boute-expeditions.com, especializada em expedições de observação de pássaros e safáris fotográficos. Entre os presentes estavam William H. Thompson, III, editor da revista Bird Watcher’s Digest, www.birdwatchersdigest.com e diretor da The Ohio Ornithological Society, www.ohiobirds.org; Charles J. Hagner, editor de World Birder’s Magazine, www.birdsworld.com; Terry E. Moore, Vice President – Sport Optics Division, Leica câmera Inc., www.leicacamerausa.com; Luiz Roberto de Moura, do Portal Ubaweb, www.ubaweb.com; João Moreira de Ubatuba em Revista, www.ubatubaemrevista.com.br; e Sidney Borges, escritor de província quase inédito e editor deste modesto blog.

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Força aí rapaziada...

Australiano de 60 anos se classifica para o hipismo na Olimpíada

da Folha Online
O cavaleiro Laurie Lever, 60, irá participar pela primeira vez de uma edição dos Jogos Olímpicos. Nesta segunda-feira, o Comitê Olímpico Australiano anunciou a convocação do atleta para a prova de saltos.
Lever, que será o atleta mais velho da delegação australiana em Pequim, competirá ao lado de Peter McMahon, Matthew Williams e Edwina Alexander.
O australiano não será o mais velho a participar da competição na China. O posto ficará com o cavaleiro japonês Hiroshi Hoketsu, 67, que participará da prova de adestramento.
O atleta mais velho a conquistar uma medalha olímpica foi o atirador sueco Oscar Swahn, que ficou com a prata no tiro por equipes em Antuérpia-1920, quando tinha 72 anos.

Asilo político. Quero um...

Internet amordaçada

Sidney Borges
Peço desculpas aos leitores. Estou calado. Tenho as mãos amarradas, a boca costurada. Uma resolução impede que os blogs bloguem, isto é, não podemos publicar nada de cunho político. Este país tem peculiaridades que não combinam com o conceito de democracia. Temos congresso, temos poder legislativo, mas a mídia eletrônica está a mercê de um capricho. Mesmo sem uma lei que possa me condenar, não arrisco. Asilo político, a idéia não me sai da cabeça.

Crônica

O mundo vai acabar num mugido

Marcelo Mirisola *
Faz um mês que o paraibano Rinaldo Fernandes me entrevistou no rinaldofernandes.blog.uol.com.br. Esta crônica é uma extensão da entrevista. Eu não queria perder a oportunidade de pôr mais lenha na fogueira. Pois bem, a idéia central é a de que jamais vivemos uma época e uma vida de gado como a que vivemos nos dias atuais. Eu disse a ele que tinha a impressão de que o mundo acabaria num grande mugido.

A questão é que nos últimos anos, a população bovina só fez aumentar e – hoje – ameaça explodir a camada de ozônio com os seus programas de televisão, palpites furados, sushis e peidos irrelevantes – esses últimos, segundo os especialistas em biosfera, não seriam assim tão irrelevantes; ao contrário, seriam de fato a maior ameaça para a camada de ozônio. Há divergências. Para confrontar os cientistas, eu deveria ter sugerido ao Rinaldo que comparasse o começo do século XXI com o final do século XIX. Não o fiz.
Faço agora. Consta que naquela época não tinha Big Brother, nem internet, nem o Caetano Veloso. Mas decerto a vaidade e a vontade de aparecer já existiam. A diferença é que o caboclo não dispunha dos efeitos especiais (ou a tecnologia) de que dispõe hoje para enganar os desavisados. No século XIX, não existia pizza de frango com borda recheada de catupiry. Ou você era um Eça de Queiroz ou era um Mané. O homem moderno nada mais é do que o avanço tecnológico do Mané (ou panaca).
Acontece que o panaca deixou de ser um estigma individual para se tornar expressão de identidade coletiva. Em suma, venceram (eles são muitos) por correspondência e superioridade numérica. Há 40 anos Nelson Rodrigues já havia dado o sinal de alerta. O autor de O casamento pressentiu, entre outros enlaces, o conluio de Luciano Hulk & Angélica. Mas, sobretudo, farejou os seus mais nefastos desdobramentos, ou seja: o forró universitário, a república dos sindicalistas e os game shows que infestariam as televisões nos horários matutinos,vespertinos e noturnos. Muuuuuu.
Hoje em dia todo mundo tem talento. Todo mundo é artista. Basta fazer uma dúzia de tatuagens, um tererê e juntar com um trocadilho e mais uma rima – tanto faz se a “arte” vir acompanhada de cara feia ou de beijinhos no coração. A platéia vai corresponder de um jeito ou de outro. Sabem por quê? Porque no pasto todos têm afinidade. O Mané pode ser vocalista de uma banda de Axé ou cover da Bjork, arranhador de vinil, VJ da MTV, qualquer coisa, tanto faz pichar o muro da casa da dona Alzira ou se candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras.
Nunca houve tanto crédito no pasto, digo, na praça. Pegue um empréstimo no caixa eletrônico, financie sua melancia no pescoço em até 48 vezes,e seja parceirinho do seu traficante. Ou fale com os seus compadres e descole uma bolsa da Petrobras.
A época é de inclusão e interação (essa é a palavra maldita). Vejam os blogs. O que antes era rascunho virou fato consumado. O blogueiro posta a imagem de uma elefanta cagando, depois faz uma rima e deposita um trocadilho em cima da merda e ... voilà! No instante seguinte, meia dúzia de palpiteiros o consagram como gênio da raça. Então um cineasta filma a cagada com subsídio do governo e o blogueiro, dentro de pouco tempo, estará dando seus palpites e desfilando sua ignorância nos game shows da vida.
Resultado: o poder é uma simulação e essa realidade paralela de poder abarca o sujeito e o objeto, e fatalmente compromete o resultado. Às vezes, algo que até podia ser interessante (claro que não estou falando do cocô de elefanta...) é deixado de lado em virtude da interação, da resposta imediata. Que, embora possa ser trasladada para o mundo real e virar camiseta no camelô, jamais deixará de ser uma manifestação virtual e passageira. Ouro de tolo.
Em seguida ele, ainda que gênio mesmo, se transformará num panaca inopinado. Popularmente conhecido como bola da vez. Vai virar mais uma sujeira de umbigo para o monstro da Net Mídia – que aceita qualquer coisa – incorporar e pulverizar. Isto é, esvaziar. O que significa, em última análise: manter sob controle. A pergunta é: controle de quem?
Não sei, e não quero, aqui, criar nenhuma teoria da conspiração. Mas posso assegurar que a internet é a expressão e a extensão mais bem acabada da babaquice em que nos metemos; afinal, é um imenso e ilimitado pasto que engorda e tritura os eventuais talentos e as mais legítimas ilusões. A meu ver, a pior ilusão é fazer acreditar na liberdade e no individualismo. Não há diferenças no pasto virtual, apenas mugidos. Aliás, faço questão de dizer que, embora a contragosto – aqui e agora – nada mais estou fazendo do que me incluir nesse rebanho. Muuuuu.
Em três cliques de mouse, a dona de casa blogueira pode achar que vai derrubar o Lula, ou ser Freud, Marx e – no final das contas – terminar como a Agente 99, namorada do Agente 86. A platéia, que são todos e não é ninguém, aplaude e quer interagir. O que antes era suor e trabalho foi substituído pelo afago e a contrapartida ao afago é mais afago. A receita de nhoque e as grandes subversões se equivalem: porque são feitas da mesma massa, e pela metade. Ninguém enfia até o talo. Às vezes um pai enlouquece e joga a filha da janela (por enquanto, isso é uma exceção). Mas, como eu dizia, temos a SuperNanny para resolver os casos extremos, e esse couro de pica (ou simulacro) se estende para o dia-a-dia, vale para o futebol, e vale para as filas dos restaurantes por quilo.
São três perguntas que não querem calar:1ª (essa lebre foi levantada pelo meu chapa Evandro “Grogotó” Ferreira): Como é que alguém pode sair de casa para comer comida caseira? 2ª: Cadê o Serginho Chulapa?3ª: Se 12% ao mês nem parece banco, parece o quê? Revista Piauí? Parece a consciência lírica dos irmãos Joãozinho e Waltinho Salles? Prosseguindo. O que vou dizer agora é surpreendente. Acredite se quiser: a praga meia-boca atingiu a nova safra de políticos. Eu já havia apontado esse caso na crônica da semana passada. Nunca é demais repetir. Seguinte: há questão de dois ou três anos, a ex-VJ Soninha (hoje colunista de jornal e candidata a prefeita da cidade de São Paulo) dizia numa entrevista que era maconheira, sim, mas pagava suas contas em dia.
Que conversa é essa? “Me drogo, mas pago minhas contas em dia”? Se for para escolher entre uma maconheira que paga suas contas em dia e um candidato que “estupra mas não mata”, ora, eu vou anular meu voto (e sugiro que vocês façam o mesmo); muito embora isso não queria dizer absolutamente nada para os motoristas de táxi – que ficarão com a segunda opção sem pestanejar. Só posso concluir que as almas foram esquartejadas, e que ninguém mais encara o fundo do poço. Tampouco o diabo. Esse pobre coitado que é exorcizado todas as segundas e quintas-feiras nas Igrejas do Bispo Edir, e nem tem a chance de mandar os pastores-meganhas para a puta-que-o-pariu. Pois eu mando aqui e agora, em nome de Jesus!
Por que o excesso de zelo? Por que tanta prudência?
O que fazer? Escrever uma crônica pela metade? Nem pensar. Vou citar William Blake: “A prudência é uma rica rapariga que não casou, a quem a incapacidade faz corte”.
Portanto, raparigas, quando um Mané disser a vocês que vai enfiar só a cabecinha, considerem a hipótese. Muito provavelmente, ele estará falando a verdade. Porque trata-se de um covarde. E a natureza do covarde é a tocaia – o fdp pode estar escondido na casinha do cachorro, numa lan house ou no quarto ao lado do seu, disfarçado de sua mãe. Evidentemente que não há garantias de que sua mãe não é uma drag queen cujo verdadeiro nome é Osama Bin Laden. Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
PS: Continua a Mostra do Cemitério de Automóveis no Rio de Janeiro. Todas as sextas, sábados e domingos à partir das 20h. No Teatro Ziembinski, defronte a estação São Francisco Xavier, na Tijuca. No próximo final de semana, Kerouac, monólogo de Mauricio Arruda Mendonça, com Mário Bortolotto na pele do autor de On the Road.
*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Opinião

A interferência indevida da Abin

Editorial do Estadão
Ocupadas as atenções da opinião pública com o prende-solta de Daniel Dantas e com o que vazou das investigações da Polícia Federal (PF) sobre o labirinto de interesses e ligações dessa figura sui generis do "capitalismo político" brasileiro, ainda não subiu à vista de todos a grave impropriedade, no limite do escândalo, praticada pelo delegado Protógenes Queiroz, o responsável pela Operação Satiagraha. Do ponto de vista institucional, ele fez algo mais condenável do que autorizar a filmagem da detenção de um aturdido Celso Pitta, o ex-prefeito de São Paulo, em traje de dormir; ou do que solicitar - sem sucesso, felizmente - a prisão temporária da jornalista Andrea Michael, da Folha de S.Paulo, que revelara a existência do inquérito contra Dantas, Naji Nahas e muitos mais.
O delegado não só deixou para a vigésima quinta hora a obrigação funcional de dar conhecimento dos seus atos ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, como - à revelia dele e sem autorização judicial - engajou informalmente nas investigações a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), dirigida, aliás, pelo ex-titular da PF Paulo Lacerda. Conforme o Estado noticiou no último sábado, Correa relatou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o insólito procedimento de Protógenes. Com isso, alertou, arapongas da Abin tiveram acesso a informações sigilosas que o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, encarregado do caso, compartilhava apenas com a PF. Lacerda disse considerar "uma rotina" a colaboração da agência com a Polícia Federal. "Os órgãos de inteligência sempre fornecem seus profissionais."
Se o fazem rotineiramente a contrapelo das normas que definem os limites da competência da Abin, pode estar se repetindo, em pleno sistema democrático, a deformação que o regime militar impôs ao ancestral da agência, o Serviço Nacional de Informações (SNI), de triste memória. O SNI surgiu para abastecer a cúpula do Executivo de informes privilegiados sobre o que se passava no País. Aparelhado, transformou-se numa polícia especial - uma Gestapo -, passando a integrar o sistema repressivo da ditadura. O "monstro", como o chamou o seu criador, Golbery do Couto e Silva, chegou a ser um Estado dentro do Estado. Decerto a Abin não irá tão longe, mas todo cuidado há de ser pouco para prevenir a confusão entre a função de coletar informações de interesse do Estado com a de policiar, mesmo quando nascida do enovelado jogo de rivalidades no setor.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Presidente do STF rebate Tarso Genro
O presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, afirmou que o ministro Tarso Genro (Justiça) não tem “competência para decidir inquéritos, muito menos de prisão preventiva”. Para Mendes, o ministro pode elogiar o trabalho da Polícia Federal e o juiz Fausto De Sanctis “como cidadão”. Em entrevista à Folha publicada anteontem, Tarso disse que seria “muito difícil” o banqueiro Daniel Dantas provar inocência. O juiz decretou duas vezes prisão do dono do Opportunity, libertado por hábeas corpus concedidos pelo presidente do Supremo. Em São Paulo, num ato de desagravo promovido por cerca de 400 juízes, promotores e procuradores, De Sanctis afirmou que os magistrados se sentem desprestigiados e classificou como “gota d’água” a atitude de Gilmar Mendes: “Não se julga mais o fato, julga-se o juiz”.


O Globo
"Gilmar: Tarso é incompetente para opinar sobre caso Dantas"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, reagiu às declarações do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que a liberdade do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, abriria a possibilidade de sua fuga do país. Mendes disse que Tarso não tinha competência para opinar sobre o assunto. "Não tenho nenhum conhecimento da crítica do ministro (Tarso Genro) a respeito. E ele não tem competência para opinar sobre o assunto", disse Gilmar. Tarso reagiu indignado. Lembrou que, na sexta-feira, apesar da polêmica instalada sobre o pedido de investigação do juiz da 6ª Vara Criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis, ele se limitou a dizer que tanto as decisões de Gilmar (de soltar Dantas duas vezes) quanto as de Sanctis foram fundamentadas. Ontem, o Palácio determinou o uso de um discurso unificado, de modo a reduzir o impacto das tratativas entre Luiz Eduardo Greenhalgh e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho.


O Estado de São Paulo
"Presidente do STF propõe nova lei contra abuso de poder"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defende alterações na legislação sobre abuso de autoridade e vai discutir o assunto hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mendes critica os métodos de atuação da Polícia Federal e pretende coibir o que , em sua opinião, caracteriza excessos em operações como a que resultou na prisão dó banqueiro Daniel Dantas. A lei que coíbe abusos de autoridade é de 1965 e , de acordo com Mendes, está ultrapassada. “É da época dos militares”, disse. Há exemplos, segundo o presidente do STF, de operações da PF que são marcadas pela “espetacularização” e não rendem sequer denúncia formal contra os investigadores. Mendes pretende ainda que o Conselho Nacional de Justiça defina parâmetros para os juízes de primeira instância possam autorizar gravações de suspeitos.


Jornal do Brasil
"Favela impõe regra para a campanha"
Controlada por milícias, a favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, impõe regras duras a quem deseja fazer campanha. O candidato Marcelo Crivella (PRB) foi cobrado pelo presidente da associação de moradores local por não ter avisado que faria a visita com assessores e candidatos à Câmara de Vereadores. "O Rio não pode aceitar limites à cidadania", disse o senador, enquanto se retirava da comunidade. Mais tarde, Crivella encontrou-se com o arcebispo emérito do Rio, dom Eugenio Sales, que abençoou sua candidatura. Os demais candidatos criticaram a visita. Para teólogos, porém, a religião garante confiabilidade.

segunda-feira, julho 14, 2008

História

Liberté, Égalité, Fraternité

Sidney Borges
Brimo, caiu o bastilha. Essa frase proferida no calçadão da Wall Street de Ubatuba chamou minha atenção. Eu passava pelo local quando ouvi o honrado comerciante árabe avisar o primo que o comprimido estava no chão. Nada a ver, portanto, com a Revolução Francesa, que teve início num 14 de julho, também com uma queda. A queda da Bastilha. Só que a Bastilha francesa era uma prisão onde o governo monárquico enclausurava os opositores. Depois daquele dia do longínquo ano de 1789 o mundo mudou. Ficou melhor, mas ainda há muito a fazer para que se possa dizer que está pronto. Espero que o comprimido, ou melhor, a “bastilha” do brimo
faça efeito. Tinha a cor azul da bandeira da França. "Allez le bleu".

Nucleares

Vazamento radioativo de usina nuclear atinge cidade turística francesa

Por Redação do Greenpeace
Triscastin (Avignon), França — População local está impedida de beber água de dois rios que foram contaminados pelo acidente, ocorrido no último dia 7 de julho.
A Agência de Segurança Nuclear (ASN) francesa confirmou que 30 metros cúbicos de um líquido contendo urânio transbordaram de uma fábrica da central nuclear de Triscastin, próximo a Avignon, na França. A instalação pretence a Socatri e é administrada pela Areva. A usina fica na região de Vaucluse, um conhecido ponto turístico francês, e a população local está impedida de beber a água de dois rios que foram contaminados e de usá-la para irrigação de plantações.
"A poluição radioativa é inerente à indústria nuclear. Usinas nucleares, fábricas de reprocessamento, depósitos, todos estes locais liberam diariamente radioatividade para o meio ambiente", disse Yannick Rousselet, coordenador da campanha de energia do Greenpeace da França.
O vazamento aconteceu dia 7 de julho, às 11 horas da noite. Socatri avisou a Agência de Segurança Nuclear (ASN) no dia 8 de julho, às 7h30 da manhã. Ao perceber a gravidade do acidente, operador da usina convocou a ASN e os governantes tomaram medidas apenas à uma hora da tarde.
"Durante todo esse tempo, nenhuma medida de segurança foi realizada para proteger os habitantes" comenta Rousselet.
"Lentidão, falta de transparência e uma baixa capacidade de resposta são inaceitáveis", completa.
"Este vazamento é mais um exemplo dos riscos da energia nuclear. A quantidade de lixo que vazou em um único acidente é mais que 130 vezes o nível que este reator sozinho tem permissão para liberar no ano inteiro", alerta Aslihan Tumer, coordenador da campanha de nuclear do Greenpeace Internacional.
"Acidentes como este são uma prova da ameaça da energia nuclear. E mesmo assim o governo anuncia a construção de mais 3 ou 4 usinas no Brasil sem ouvir a sociedade e sem considerar as outras opções. O mundo precisa de uma revolução energética baseada na economia de energia e em fontes renováveis que são mais limpas, seguras e baratas", afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace no Brasil
Enviado por Henrique Luís de Almeida

Programa de Gestão Costeira
ASSU-Ubatuba - www.assu.org.br

Opinião

Pensamento mágico

Eliana Cardoso
Escrevo de Nova York. Faz calor. Barack Obama está na boca do povo. E, se a influência de Richard Thaler sobre o candidato for para valer, a economia comportamental também chega lá.

Richard Thaler, pioneiro da aplicação da psicologia à economia financeira, considera o Homo economicus uma ficção, pois nossas escolhas são, muitas vezes, irracionais. A Universidade de Chicago - templo da economia racional - abriga o professor, pois seria irracional deixar novos insights fora dos modelos tradicionais.
O cerne da economia tradicional é a maximização da utilidade - a explicação do comportamento humano como tentativa deliberada de satisfazer preferências. O comportamento racional expulsa incoerências e impulsos viscerais dos modelos econômicos. Um racionalista radical diria que até o comportamento irracional é racional. Quanto menos custa a irracionalidade tanto maior é a quantidade de irracionalidade que se está disposto a comprar. O custo individual de acreditar em Deus, por exemplo, é zero.
Para entender a crítica do economista comportamental à hipótese de racionalidade considere um conjunto de experiências feitas em laboratório. Numa delas, o árbitro oferece US$ 1 mil a dois indivíduos, desde que eles concordem quanto à parcela que cabe a cada um. No cara ou coroa, o árbitro decide quem fará a proposta. A proposta é única e final. O indivíduo que recebe a oferta pode aceitar a proposta ou recusá-la. Se aceita a proposta, cada um recebe a quantia acordada. Se a recusa, nenhum dos dois recebe coisa alguma. Um indivíduo racional abre o jogo oferecendo uma quantia mínima ao outro jogador, que (sendo racional) a aceita, porque ela é melhor do que nada.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 14 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"PF acusa Opportunity de driblar fiscalização"
Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da PF, diz que o Opportunity omitiu transações atípicas em nome do seu dono, Daniel Dantas, de familiares e de funcionários. O texto acusa o banco de “dificultar e até inviabilizar” a fiscalização. (...)


O Globo
"Relação de Daniel Dantas com governo preocupa Lula"
As relações do banqueiro Daniel Dantas com o governo preocupam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discutirá o caso hoje na reunião de coordenação política. Será a primeira avaliação da nova crise que atingiu o governo desde que foi deflagrada a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Há desconforto, por exemplo, com o fato de um petista de confiança, como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, ter envolvido o nome do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no episódio. Segundo fontes, o incômodo com Dantas é tamanho que Lula teria avalizado o acordo para que ele vendesse suas ações da Brasil Telecom, permitindo a fusão com a Oi. Em gravações interceptadas pela PF, Dantas mostra preocupação com a demora da Anatel em aprovar o negócio.


O Estado de São Paulo
"Dantas fez lobby para negócios ilícitos no Planalto, afirma PF"

Relatório da Polícia Federal sustenta que o grupo de Daniel Dantas buscou apoio do Palácio do Planalto para seus negócios ilícitos. Os policiais informam que o advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, apontado como lobista do grupo de Dantas, além de procurar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, esteve também com o ex-ministro José Dirceu para auxiliá-lo na tarefa de facilitar negócios para o grupo. O encontro entre Dirceu e Greenhalgh, ocorrido num hangar do aeroporto de Brasília, foi facilitado por telefonemas de uma pessoa identificada como Evanise Maria da Costa Santos, da Secretaria de Administração da Presidência da República, que ocupa sala no 2º andar do Palácio do Planalto, de onde partiram os telefonemas. Ainda segundo a PF, Greenhalgh teria recebido R$ 650 mil do esquema Dantas. O advogado, respondendo acusações anteriores, divulgou nota sábado em que se diz vítima de represália; que todas conversas que teve “com qualquer pessoa sobre esse caso foram, como está na moda dizer, absolutamente republicanas”.

Jornal do Brasil
"Candidatos usam centros sociais para atrair eleitor"
Pelo menos metade dos atuais vereadores do Rio tem centros sociais em favelas e bairros pobres da cidade, segundo estimativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). (...)

domingo, julho 13, 2008

Replicantes

Mais de mim em mim mesmo!

Sidney Borges
Resolvi ter um clone. Para as tarefas menos agradáveis. Assim posso ouvir música, ler Baudelaire e Proust enquanto o outro escreve. Na hora dos folguedos vou saborear, sem culpa, papos de anjo ao lado da mulher amada. Comecei pela água, 70 litros. Pensei em Perrier, estava em falta. Usei São Lourenço, tão boa quanto e igualmente chique. Juntei cálcio, sódio, potássio, níquel, zinco, ferro, cobre e o escambáu. Nas proporções certinhas da ciência. Ficou esquisito, a matéria prima está toda lá, mas eu não sei a palavra mágica. É detalhe, vou pesquisar até descobrir. Primeiramente palavras começadas com a letra a e seguidas por outro a. Na seqüência as que principiam pela letra a e são seguidas por um b. Abacate, por exemplo. E assim, permutando vogais e consoantes escreverei as palavras possíveis. Uma deve ser a tal. Ter um clone exige sacrifício. Vou vender o segredo para o Daniel Dantas. Ele vai fazer um clone para a carceragem da Polícia Federal. Outro para o entra e sai da dança dos habeas corpus. Um terceiro para aparecer na mídia. Enquanto isso ele estará contando moedas de ouro ao lado da mulher amada. Sem papos de anjo. Dantas não come doces. Tem medo de engordar. Se você o vir ao lado de alguma mulher e tiver papos de anjo na jogada, desconfie. Não pode ser ele, deve ser um clone. A mulher também provavelmente é um clone. Ou os papos de anjo é que foram clonados? Não perca o próximo capítulo de “Interferência Genético-Cibernética”. A novela que vai ensinar como ter um clone de Giselle Bündchen.
 
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