sábado, julho 12, 2008

E por falar de Dantas, mais umas tantas...

Diogo Mainardi: "Nassif, o banana" - Ou: por que ele foi demitido da Folha

Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.

Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.
Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.
Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.
Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar. (Do Blog de Reinaldo Azevedo)

Jacques Brel-Ne me quitte pas

Meio Ambiente

Falta energia ou falta visão?

Washington Novaes
O tema das barragens e usinas hidrelétricas volta a ocupar espaço abundante no noticiário, por muitas razões:

1) Por ser essa uma fonte renovável e menos poluente de energia, num momento de crise, e que abre a possibilidade de reduzir, com seu uso, as emissões de gases que intensificam o efeito estufa e acentuam mudanças climáticas;
2) pelo ângulo oposto, por estar o Brasil levando adiante vários projetos nessa área, quando alguns estudos mostram a possibilidade de, com conservação e eficiência energética, até reduzir consideravelmente nosso consumo de energia, além de poder recorrer muito mais do que o faz a outras fontes menos problemáticas (eólica, solar, de marés, biocombustíveis, principalmente);
3) porque a construção de hidrelétricas sem preocupação de implantar eclusas que permitam a navegação dificulta depois o aproveitamento desse meio de transporte (onde seja viável e sem custos excessivos);
4) porque grande parte da energia gerada se destina à produção de eletrointensivos (alumínio e ferro-gusa, principalmente), com altos subsídios, que impõem a toda a sociedade (que paga os subsídios) pesados sacrifícios, enquanto beneficiam principalmente consumidores dos países industrializados, grandes importadores desses produtos;
5) porque a interrupção do fluxo de rios e o alto armazenamento de águas suscitam outras preocupações aos estudiosos da área.Pode-se começar pelo fim. O relatório Planeta Vivo 2006 e outros documentos da ONU dizem que a alteração e retenção do fluxo hidrológico no mundo para uso industrial, abastecimento doméstico, irrigação e produção de energia já fragmentam mais de metade dos maiores sistemas fluviais do mundo e 83% do seu fluxo anual (52% de forma moderada, 31% gravemente). A quantidade de água armazenada em reservatórios ou barragens já é, no mínimo, três vezes maior que a contida nos rios. Só barragens com mais de 15 metros de altura são 45 mil no mundo, segundo a Comissão Mundial de Barragens. São muitas as conseqüências: inundação de áreas importantes, perda de biodiversidade, desalojamento de populações, aumento da evaporação, acumulação de sedimentos (e geração de gases), entre outras.
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Opinião

Uma lei para a internet

Editorial do Estadão
Embora contenha pontos controversos ou insuficientemente claros, o projeto que tipifica delitos praticados na internet, aprovado na última quarta-feira pelo Senado, merece o aplauso de todos aqueles que consideram inaceitável que a ampla liberdade de expressão característica da comunicação virtual sirva para a prática de crimes repulsivos, como a disseminação de pedofilia - material pornográfico envolvendo crianças ou adolescentes. A proliferação dessas imagens abjetas preocupa governos no mundo inteiro e mobiliza em toda parte as organizações de proteção à infância. Ninguém tem a pretensão de erradicar esse lixo da rede global de computadores. O que se busca é conter, tanto quanto possível, a sua propagação, criando mecanismos cada vez mais efetivos de identificação dos perpetradores e estabelecendo sanções penais não só para a produção ou o comércio do material, mas também para o seu armazenamento.
Para se ter idéia das dimensões do problema, apenas no primeiro semestre do ano conteúdos pedófilos foram denunciados em 27,8 mil páginas da internet. Mas o número de denúncias, em si, também reflete a intensificação do combate à praga. Em 2006, por exemplo, o Ministério Público Federal de São Paulo acionou a Justiça para obrigar a filial brasileira do Google, a que pertence o site de relacionamento Orkut, a revelar dados de internautas criminosos. No mês passado, a empresa assinou um termo de ajustamento de conduta pelo qual se compromete a manter por até um ano, a critério da Justiça, os registros dos acessos e a identidade de usuários suspeitos, além de remover e, no que estiver ao seu alcance, prevenir a divulgação de materiais infamantes.
A decisão do Senado - que ainda terá de ser apreciada pela Câmara - é o primeiro resultado palpável, no plano legislativo, da CPI da Pedofilia. O texto define uma série de categorias criminais e endurece as penas já existentes. A produção ou a venda de cenas de sexo, reais ou simuladas, com menores de idade sujeitará os responsáveis a até 8 anos de prisão, 2 a mais do que o limite máximo atual. Para o procurador da República Sérgio Suiama, que participou da elaboração do texto apresentado pela CPI, o Senado "preencheu uma lacuna grave na legislação, que não tipificava o crime de posse de material pornográfico infantil nem o aliciamento de crianças e adolescentes em meios eletrônicos". O projeto aprovado também "atende a convenções internacionais sobre a criança".
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Manchetes do dia

Sábado, 12 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Supremo se diz desrespeitado e manda soltar Dantas de novo"
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, mandou soltar pela segunda vez em menos de 48 horas o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, preso na Operação Satiagraha. Dantas deixou à noite a sede da PF em São Paulo e viajou de jatinho para o Rio. Mendes chamou de "absurda" e "inaceitável" a primeira prisão preventiva ordenada anteontem pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de SP. Para ele, o juiz "não indicou elementos concretos" para justificar a prisão e quis "desrespeitar" a decisão anterior do STF.

O ministro quer a investigação de possíveis abusos na determinação das prisões.
Entidades de classe defenderam De Sanctis e criticaram a intenção de Mendes. Manifesto assinado por 121 juízes federais da 3ª Região (SP e MS) diz que "não se vislumbra motivação plausível para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico". A Associação dos Juízes Federais do Brasil manifestou "preocupação" com a atitude de Gilmar Mendes.
Em carta aberta, 26 procuradores da República falaram em "dia de luto para as instituições democráticas brasileiras".

O Globo
"Gilmar solta Dantas, ataca juiz e tensão no Judiciário cresce"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, decidiu ontem, pela segunda vez, libertar o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity. A sentença levou procuradores e juízes federais a lançar manifestos com fortes críticas a Gilmar, elevando a tensão no Judiciário. Os magistrados saíram em defesa do juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis, que por duas vezes mandou prender Dantas, e do procurador Rodrigo de Grandis, que apresentou as denúncias. Gilmar, por sua vez, ordenou que a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue se houve algum tipo de desvio na conduta profissional do juiz De Sanctis. Ao assinar ontem o novo habeas corpus para Dantas, Gilmar disse ter havido uma tentativa do juiz de desrespeitar a decisão do Supremo. De Sanctis negou a notícia de que teria mandado monitorar o presidente do STF. Dantas deixou a PF ontem às 20h20m.


O Estado de S. Paulo
"STF acusa juiz paulista e manda soltar Dantas de novo"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, mandou pela segunda vez a Polícia Federal soltar o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Preso na terça-feira, Dantas foi solto na quinta, por decisão do STF. Na própria quinta, o banqueiro voltou para a cadeia, pois uma nova ordem de prisão foi expedida pelo mesmo juiz da primeira ordem, Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
No despacho de ontem, Mendes acusa De Sanctis de desrespeitar ordens do Supremo: “Não é a primeira vez que o juiz insurge-se contra decisão emanada desta Corte.” Para Mendes, De Sanctis teria tentado driblar liminar do STF que suspendera processo contra o russo Boris Berezovsky, dono de empresa que patrocinava o Corinthians. Diante da informação de que estava sendo monitorado pela PF, Mendes determinou varredura em seu gabinete, mas não foram encontrados grampos.


Jornal do Brasil
"Guerra no Judiciário"
Pela segunda vez em dois dias, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, mandou soltar Daniel Dantas. A decisão deflagrou uma guerra com procuradores e juízes federais. Em carta aberta, 45 procuradores acusaram Mendes de afrontar as instituições, enquanto manifesto de 130 magistrados declarou apoio ao juiz Fausto Martin de Sanctis, autor dos dois pedidos de prisão do banqueiro. A Polícia Federal entrou na crise, acusada de monitorar o presidente do STF, mas uma varredura não achou grampo.

sexta-feira, julho 11, 2008


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Saia Justa

Mendes afrontou as instituições, acusam procuradores

(O documento abaixo reune as assinaturas de 45 Procuradores da República de vários Estados e foi divulgado pouco antes da decisão tomada por Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, de mandar soltar pela segunda vez o banqueiro Daniel Dantas.)

Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4.


Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras

1.Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e outros. As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo.

2.As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.

3.Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível participação em tentativa de suborno de Autoridade Policial não sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação de órgãos estatais.

4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde, desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco. Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores públicos o lado mais fraco da sociedade.

5. As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser cumpridas, como o foi a alsinada decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.

Sérgio Luiz Pinel Dias - PRES
Paulo Guaresqui - PRES
Helder Magno da Silva - PRES
João Marques Brandão Neto - PRSC
Carlos Bruno Ferreira da Silva - PRRJ
Luiz Francisco Fernandes - PRR1
Janice Agostinho Barreto - PRR3
Luciana Sperb - PRM Guarulhos
Ramiro Rockembach da Silva Matos Teixeira de Almeida- PRBA
Ana Lúcia Amaral - PRR3
Luciana Loureiro - PRDF
Vitor Veggi - PRPB
Luiza Cristina Fonseca Frischeisen - PRR3
Elizeta Maria de Paiva Ramos - PRR1
Geraldo Assunção Tavares - PRCE
Rodrigo Santos - PRTO
Edmilson da Costa Barreiros Júnior - PRAM
Ana Letícia Absy - PRSP
Daniel de Resende Salgado - PRGO
Orlando Martello Junior - PRPR
Geraldo Fernando Magalhães - PRSP
Sérgio Gardenghi Suiama - PRSP
Adailton Ramos do Nascimento - PRMG
Adriana Scordamaglia - PRSP
Fernando Lacerda Dias - PRSP
Steven Shuniti Zwicker - PRM Guarulhos
Anderson Santos - PRBA
Edmar Machado - PRMG
Pablo Coutinho Barreto - PRPE
Maurício Ribeiro Manso - PRRJ
Julio de Castilhos - PRES
Águeda Aparecida Silva Souto - PRMG
Rodrigo Poerson - PRRJ
Carlos Vinicius Cabeleira - PRES
Marco Tulio Oliveira - PRGO
Andréia Bayão Pereira Freire - PRRJ
Fernanda Oliveira - PRM Ilhéus
Daniela Batista Ribeiro - PRMG
Israel Silva – PRBA
Nilce Cunha Rodrigues – PRCE
Luiz Fernando Gaspar Costa – PRSP
Douglas Santos Araújo – PRAP
Paulo Roberto de Alencar Araripe Furtado – PRR1
Paulo Sérgio Duarte da Rocha Júnior – PRRN
Cristianna Dutra Brunelli Nácul - PRRS
(Do Blog do Noblat)

Vai e vem



Presidente do STF determina, novamente, liberdade para Daniel Dantas

da Folha Online
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, acatou nesta sexta-feira a petição apresentada pelos advogados de Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, e concedeu liminar para suspender a decisão da prisão preventiva do banqueiro. Dantas está preso preventivamente desde ontem à tarde por decisão da Justiça Federal em São Paulo.
Ele já havia sido preso na terça-feira (8), durante a Operação Satiagraha da Polícia Federal, mas foi solto ontem de madrugada depois que o presidente do STF aceitou o primeiro pedido de liberdade por considerar sua prisão "desnecessária".
A petição acatada por Mendes nesta sexta-feira foi protocolada no mesmo habeas corpus pedido pela defesa anteriormente.
A prisão preventiva de Dantas foi expedida pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido da PF e do Ministério Público Federal com base em documentos encontrados na casa dele na terça-feira. O depoimento de Hugo Chicaroni, também preso durante a operação, reforçou o pedido de prisão.

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Brasil



Dantas: "Vou contar tudo! Detonar!"

Preso, o banqueiro Daniel Dantas ameaça contar tudo o que sabe sobre a corrupção no Brasil

Bob Fernandes

Os intestinos do Brasil.

Daniel Dantas está numa sala da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Seu advogado, Nélio Machado, está próximo.
Diante do banqueiro, o delegado que coordenou a operação Satiagraha, o homem que o prendeu por duas vezes em 48 horas. São 8 da noite da quinta-feira, 10 de julho.
» Opine aqui sobre a prisão de Daniel Dantas
Outros dois dos presos na operação acabam de ser libertados, habeas corpus do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, concedidos ao megainvestidor Naji Nahas e ao ex-prefeito Celso Pitta.
Daniel Dantas parece exausto, rendido, mas não deixou de ser quem é. Obcecado por tudo que foca e toca, brilhante, genial, dizem mesmo os mais empedernidos adversários.
O tempo, pouco tempo, dirá o quanto há de cálculo, quanto há de desabafo no que começa a despejar sobre o delegado Protógenes Queiróz. Primeiro, a senha:
- Eu vou contar tudo! Vou detonar!
Antes ainda, o delegado lhe passa um calhamaço, o relatório das investigações, o fruto de anos de investigações, e diz, na longa conversa informal:
- ...sua grande ruína foi a mídia...você perdeu muito tempo com isso, leia esse capítulo sobre a mídia e entenda porque você está preso...sua defesa começa aqui, com todo o respeito que eu tenho ao seu advogado aqui presente...
Daniel lê, atentamente.
O delegado volta à carga.
- Não continue jogando seus amigos, seus aliados contra mim, isso não vai adiantar nada, como não adiantou...
Daniel, silencioso, parece concordar. O delegado prossegue:
- Se esse jogo continuar, a cada vez serão mais dez anos de prisão... eu tenho pelo menos 5 preventivas contra você, o trabalho do juiz De Sanctis é extraordinário, não há como escapar de novos mandados...e se você insistir agora será com a família toda...serão duzentos anos de prisão...
Silêncio, Protógenes Queiroz fecha o cerco:
- ...vamos fazer um acordo, você me ajuda e eu te ajudo....
Daniel, aquele que é tido e havido como uma mente brilhante, decide. O tempo dirá se cálculo ou rendição:
- Eu vou contar tudo!
E faz jorrar, devastador:
-...vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004...

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Laura Fygi - Don't It Make My Brown Eyes Blue

Fatos da vida

Misteriosos mistérios

Sidney Borges
Comecei a desconfiar do destino quando vi o comentário estranho em meu blog. Não tinha nada a ver com o texto onde fora postado e se bem me lembro não tinha nada a ver com nada. Lembrava filme de espionagem. Obviamente não publiquei. “Doutor Clementino trinta. Venha na sexta-feira 13”. Olhei o calendário, não havia sexta-feira 13 no mês. Dias depois lá estava a mensagem novamente. Tornei a apagar, mas fiquei curioso, um código talvez. Na terceira oportunidade compreendi que o comentário não era para ser publicado, fora endereçado a mim. Quando começou junho a mensagem surgiu com detalhes. “Sexta-feira 13 às 14:30h. Doutor Clementino trinta. É de seu interesse, não deixe de ir.” O endereço me remeteu a um edifício de quatro andares em uma rua do Belenzinho, bairro antigo de São Paulo. Por precaução fui verificar o local no dia 12. Confesso que me senti ansioso. O que seria, ou melhor, o que alguém iria querer comigo, pacato escritor de província quase inédito. No dia 13 logo cedo a mensagem chegou clara e cristalina. “É hoje, não falte”. Meu coração pulou dentro do peito, me senti parte de uma conspiração, quem sabe eu seria recrutado pelo SNI. Bobagem, para que o SNI iria querer um escritor de província quase inédito? Na hora marcada eu estava lá, cheguei na verdade quinze minutos antes. Exatamente às 14:30h um carro preto com os vidros pretos, guiado por um motorista negro passou pelo local. Alarme falso. Instantes depois um moto boy estacionou e perguntou meu nome. Assim que eu disse quem era ele me deu um envelope pardo e volumoso. Em seguida acelerou a moto e sumiu rua acima deixando no ar o cheiro característico de motor dois tempos descarburado. Esperei alguns instantes e para despistar seguidores tomei um ônibus. Fui parar no bairro dos Pimentas onde tomei outro ônibus até Mogi das Cruzes e de lá um trem que me deixou na Estação Roosevelt. Ufa, quatro horas despistando cansa até James Bond. Fiquei orgulhoso de minha estratégia. Despistei bem, nesse quesito eu seria aprovado com mérito na escola de espiões. Precaução é importante na carreira de agente secreto, se bem que não sou espião e sim escritor de província quase inédito. Por excessiva precaução comprei um par de óculos com bigode de um camelô e me disfarcei de rabino. Um dia vou escrever um livro sobre espionagem, ganhar milhões de dólares e morar em um castelo no Sul da França onde pretendo cultivar bromélias do Brasil.
Na confusão que se estabeleceu em minha pacata cabeça de escritor de província antes da fama, acabei esquecendo o envelope no trem. Entrei em casa frustrado, preparei um dry martini mexido e enquanto procurava azeitonas a campainha tocou. Era o moto boy com cara de aborrecido. Convidei-o a entrar, ele declinou e me entregou um envelope pardo volumoso. Desconfio que o mesmo que esteve antes em minhas mãos. Como? O moto boy fez aquele barulhinho de desdém tsk, tsk e antes de ir embora disse que as azeitonas estavam na gaveta das meias. Como ele sabia tanto da minha vida? Mistério. A vida de escritor de província é pacata, mas quando a gente menos espera chegam mensagens que colocam tudo de pernas para o ar. Depois de colocar um DVD do Pernalonga com o volume alto, abri o envelope. Inacreditável, a biografia de José Dirceu, roubada no Guarujá, estava em minhas mãos, com a chancela do autor, Fernando Moraes. Depois de recuperar o fôlego, preparei-me para adentrar aos mais profundos segredos do lulo-petismo, antes sorvi um gole de dry martini, seco como o interior do Ceará. Coloquei a azeitona entre os dentes da frente e mordi. Foi o meu erro, tudo começou a girar e foi então que compreendi que fora dopado. Quando acordei as páginas estavam em branco, alguém tinha entrado em meu apartamento e apagado cada linha do texto. Deve ter gastado umas vinte borrachas, a sujeira no chão denunciou a operação. Fui pegar o aspirador de pó no freezer, não seria desta vez que eu conheceria os bastidores do poder, mas alguma coisa me diz que estou na pista certa. Vou ficar ligado nos comentários. A vida de escritor de província quase inédito pode ser pacata, mas nunca é monótona.

Opinião

Mais rigor no crédito

Editorial do Estadão
Está mais difícil obter empréstimos. Os analistas de crédito acompanham com cuidado a evolução dos pagamentos em atraso e já constataram que, embora o crescimento dos índices gerais de inadimplência não chegue a preocupar, no segmento de financiamento de automóveis eles vêm subindo contínua e rapidamente desde dezembro. Por precaução, as instituições financeiras aumentaram as exigências para conceder financiamentos.
Entre os critérios mais rigorosos utilizados na análise do cadastro dos candidatos a empréstimos está a fatia da renda que pode ser comprometida com as prestações, que foi reduzida em até cinco pontos porcentuais. Instituições que aceitavam o comprometimento de até 35% agora limitam a prestação a, no máximo, 30% da renda.
O índice de inadimplência detectado em maio pelo Relatório de Crédito do Banco Central, de 7,3%, é pouco superior ao de abril, de 7,1%. No caso dos automóveis, os pagamentos com mais de três meses de atraso passaram de 3% em dezembro para 3,7% dos financiamentos. Por causa desses números, da aceleração da inflação, que afeta diretamente a renda real da população, e do risco de desaceleração da economia, que reduziria o nível de emprego, as instituições financeiras estão mais cautelosas.
Aos dados usualmente utilizados no cadastro dos tomadores de empréstimo - nome, endereço, renda, CPF, entre outros -, as instituições financeiras estão acrescentando informações colhidas em entrevistas com o interessado, como mostrou reportagem de Márcia De Chiara publicada segunda-feira pelo Estado. Entre os novos dados solicitados estão a data de recebimento do salário, para verificar se é compatível com a data de vencimento da prestação, e a existência ou não de outras dívidas em nome do interessado.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 11 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Dantas volta à prisão após 11 horas"
Pouco mais de 11 horas após deixar a carceragem da Polícia Federal em São Paulo, beneficiado por hábeas corpus do Supremo Tribunal Federal, o banqueiro Daniel Dantas voltou a prisão. Segundo a Procuradoria, os fundamentos da nova detenção são diferentes. A primeira, decretada pelo juiz Fausto de Sanctis na terça era temporária e incluía Dantas e outros acusados. O motivo da prisão de ontem, que é preventiva e só atingiu o banqueiro, é a acusação de oferecer dinheiro a um delegado da PF. Planilha encontrada no apartamento de Dantas no Rio registra o pagamento de R$1,5 milhão descrito como “contribuição” para evitar o indiciamento de “companheiros”. O presidente do STF, Gilmar Mendes, mandou soltar o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas, que estavam presos na PF. Mendes enviou sua decisão ao Conselho de Justiça Federal e a outros órgãos, para que a atuação do juiz Fausto de Sanctis seja investigada. No Vietnã, Lula defendeu a ação da PF: “Quem achar que pode viver de picaretagem algum dia vai cair”.


O Globo
"Juiz desafia STF e manda prender Dantas de novo"
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, foi preso novamente ontem, menos de dez horas depois de ter deixado a carceragem da Polícia Federal em SP, beneficiado por um habeas corpus do presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), Gilmar Mendes. O juiz da 6ª Vara Federal, Fausto de Sanctis, pediu de novo sua prisão por causa de tentativa de suborno a um delegado da PF e de documentos encontrados em seu apartamento no Rio com “Contribuições ao Clube”, uma lista de distribuição de 30 milhões (não se sabe em que moeda) em propinas, além da descrição de tentativas de manipular a imprensa para agir a favor do grupo Opportunity. Ontem, ainda, Gilmar Mendes concedeu habeas corpus ao investidor Naji Nahas, ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais nove.


O Estado de S. Paulo
"PF volta a prender Dantas ; STF manda libertar Nahas e Pitta"
Preso na terça-feira pela Polícia Federal e solto ontem de manhã por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Dantas voltou a ser encarcerado à tarde, com prisão preventiva decretada sob outra acusação pala 6º Vara federal de São Paulo. O vaivém judicial também envolveu o investigador Naji Nahas e o ex-Celso Pitta: presos na terça junto com o banqueiro, no fim da tarde de ontem eles receberam do STF liminar em habeas-corpus e sua libertação era esperada para a noite. Ás acusações iniciais a Dantas, Nahas e Pitta eram de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, entre outras. O presidente do STF, Gilmar Mendes, considerou que não havia motivo para a prisão. A nova acusação a Dantas é de tentativa de suborno de um delegado para não ser investigado - dois enviados seus teriam oferecido US$ 1 milhão para isso. Gilmar Mendes quer que o Conselho nacional de Justiça, que é presidido por ele próprio, investigue o juiz Fausto Martins De Sanctis, que deu as ordens de prisão.


Jornal do Brasil
"Dantas volta à cadeia e já perde R$ 1 bilhão"
Durante 11 horas a liberdade de Daniel Dantas – motivo de polêmica entre juristas e políticos. De volta à prisão sob novas provas de que tentou subornar um delegado, o banqueiro perdeu dinheiro: os saques do Opportunity já somam R$ 1 bilhão. Do Vietnã, Lula avisou: “Quem achar que pode viver de picaretagem algum dia vai cair”. O presidente do STF, Gilmar Mendes, liberou Celso Pitta, Naji Nahas e nove pessoas.

quinta-feira, julho 10, 2008

Crônica

A alegria do ladrão de galinha

Luis Fernando Veríssimo
Quem deve estar festejando a prisão do Daniel Dantas é o Ladrão de Galinha. Mesmo que o banqueiro já esteja solto, só o fato de vê-lo sendo levado pela polícia certamente encheu de alegria o coração do Ladrão de Galinha e o levou a gritar coisas como “Até que enfim!” dentro da sua cela superlotada, em algum lugar do território nacional. O Ladrão de Galinha é aquela figura sempre citada do folclore brasileiro quando se fala das desigualdades da nossa justiça, o cara que vai preso por um crime menor, sem apelos e recursos, enquanto crimes maiores ficam impunes, ou suspeitos de roubos maiores escapam da prisão.
O Ladrão de Galinha já tinha tido outros motivos para festejar, é verdade, desde que começou o novo ativismo da Polícia Federal, que de uns anos para cá tem prendido muita gente que ninguém esperava. Mas o Daniel Dantas é diferente. Nem interessa ao Ladrão de Galinha saber se o Daniel Dantas é culpado ou inocente do que é acusado. Para ele, Daniel Dantas é um símbolo. O Ladrão de Galinha se considera o anti-Daniel Dantas. É seu oposto em tudo. Seu crime é sempre claro e indiscutível: ele rouba galinhas. É flagrado e preso e pronto. Nada mais insofismável.

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Vai e vem



Daniel Dantas é preso novamente em São Paulo

MSN
Poucas horas após ser libertado, o banqueiro Daniel Dantas voltou a ser preso na tarde desta quinta-feira pela Polícia Federal em São Paulo. Na noite de quarta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, havia concedido o habeas corpus.

Dantas, a irmã Verônica e outros nove funcionários do banco Opportunity foram presos pela PF na Operação Satiagraha, deflagrada na terça-feira para desbaratar um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Eles haviam entrado com pedido de habeas-corpus preventivo em junho, com receio de que fossem alvos de uma ação da Polícia Federal (PF). (Informações da Agência Estado)

Brasil, o mesmo de sempre

Decisão da Justiça se discute, sim

Ricardo Noblat no Blog do Noblat
Há um lugar comum a que os políticos profissionais costumam recorrer quando provocados a respeito de decisões polêmicas tomadas pela Justiça. Eles repetem como meio de se esquivar de comentá-las:
- Decisão da Justiça não se discute. Cumpre-se.
Como não sou político e muito menos profissional, discuto aqui a decisão tomada pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, de soltar o banqueiro Daniel Dantas e mais nove pessoas ligadas ao Grupo Oportunitty e que haviam sido presas, anteontem, pela Polícia Federal.
Qual o principal motivo da prisão de Dantas? A tentativa feita por ele, e amplamente documentada, de subornar um delegado da Polícia Federal para escapar de ser investigado. E para que sua irmã também escapasse.
Emissários de Dantas ofereceram um milhão de dólares ao delegado. Parte do dinheiro em reais acabou entregue. A Justiça autorizara o delegado a receber o dinheiro para que se materializasse o crime de suborno. A polícia monitorou todos os passos do delegado e dos emissários de Dantas.
É razoável supor que uma vez preso por algum tempo, Dantas estivesse impedido de eliminar indícios e provas que a polícia anda à caça e que poderão incriminá-lo mais ainda. Por tabela, é razoável supor que tão rapidamente libertado ele possa agir para dificultar o trabalho da polícia.
A decisão do ministro Mendes não deu importância ao crime de suborno. Nem ao prejuízo às investigações que Dantas possa causar uma vez libertado em tempo recorde.
De resto, desprezou o sentimento cada vez mais enraizado na sociedade de que o Brasil tem uma Justiça de classes. Ela é bondosa e conivente com os endinheirados e espertos. E rigorosa com os desprovidos de recursos e de sobrenomes famosos.
Mendes foi de uma infelicidade atroz ao condenar a "espetacularização" das ações da Polícia Federal logo no dia em que ela prendera dois dos homens mais ricos do país - Dantas e Naji Nahas, acusados por uma penca de crimes. E outra vez foi infeliz ao mandar soltar Dantas e sua turma em tão curto espaço de tempo.
Em entrevista recente à revista Piauí, Dantas afirmou que só temia uma coisa no Brasil: a Polícia Federal. Não tem mais porque temê-la.
Comecei este comentário com um lugar comum e encerro com outro. Um pé-rapado que enfrentasse situação semelhante a de Dantas teria recebido da Justiça o mesmo tratamento?

Redondas



É hoje

Sidney Borges
Hoje é um dia importante. Dia da pizza, uma das maiores criações do gênero humano, como as pirâmides e Giselle Bündchen. Margarita ou mussarela, calabresa ou castelões, aliche ou portuguêsa, alho, atum, tanto faz, importante é a pizza. E os pizzaiolos. Hoje vou fazer um brinde ao gênio que inventou a iguaria, que teve a brilhante idéia de esticar a massa, cobrir com queijo, manjericão e azeite e colocar no forno. Merecia o Premio Nobel.

Joao Gilberto vivo sonhando

Opinião

O mérito é da CPI dos Correios

Editorial do Estadão
A Operação Satiagraha pode surpreender pelo nome, ou melhor, pela estranha predileção da Polícia Federal (PF) por termos exóticos para batizar as suas investigações de grande ressonância - este, do sânscrito, significando "firmeza na verdade", era um dos conceitos costumeiros das pregações do Mahatma Gandhi. Mas é de duvidar que alguém, ao menos entre os brasileiros habituados a ler jornal, tenha se surpreendido com os nomes dos três principais alvos da operação, dos 24 cuja prisão foi decretada por um juiz criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis. Afinal, não é de hoje que, por uma penca de motivos, o banqueiro Daniel Dantas, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta freqüentam a crônica policial, e todos têm "fichas sujas". Tampouco surpreende a promiscuidade do dinheiro fraudulento com a política, ou vice-versa, para a qual a contribuição do trio não pode ser subestimada, variando apenas as peculiaridades dos delitos identificados pelos federais.
Ora cada um por si, como líderes de duas "organizações criminosas", ora mantendo "negócios pontuais conjuntos", apurou a PF, Dantas, o voraz wheeler-dealer do Banco Opportunity e das teles, e o ladino Nahas, que certa vez conseguiu quebrar a Bolsa do Rio, respondem por um dos maiores esquemas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro já flagrado no País, acusados de movimentar somas monumentais de origem ilícita. Só pelo Opportunity Fund, teoricamente vedado a brasileiros, passaram quase US$ 2 bilhões em 10 anos. E o escolado Pitta - "pé-de-chinelo" em comparação com os outros dois - recorria a Nahas para expatriar ou repatriar recursos clandestinos. Além de tráfico de valores e branqueamento de dinheiro manchado, as acusações falam em corrupção ativa, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro, operação ilegal de instituição financeira, gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados e uso indevido de informação privilegiada.
A grande surpresa é que o desvendamento dessas falcatruas remonta a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desmentindo as expectativas de que tais investigações acabam em pizza. Em abril de 2006, o deputado paranaense Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, propôs o indiciamento de Daniel Dantas, a partir da descoberta de que duas empresas controladas por ele pagaram R$ 152,4 milhões a Marcos Valério Fernandes, o operador do mensalão. Ajudando a financiar a compra de congressistas para votarem com o Planalto, Dantas imaginou que os seus negócios seriam recompensados pelo governo petista. "Quase logrou êxito em sua empreitada", anotou Serraglio, "não fosse a brusca guinada política, provocada pela revelação do esquema." Pouco depois, com o desdobramento do inquérito do mensalão, a Polícia Federal, acionada pela Procuradoria-Geral da República, tratou de puxar os outros fios da meada - um trabalho de primeira, como se vê.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 10 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Presidente do STF manda libertar Dantas e mais 10"
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, mandou soltar ontem a noite o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e sua irmã Verônica, que estavam presos na sede da Polícia Federal em São Paulo, acusados de diversos crimes. A decisão foi entendida para outros nove funcionários do banco. A prisão dos 11 fora decretada anteontem na Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal. O ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas continuam detidos, há outros seus presos e cinco foragidos. De acordo com Mendes, a principal razão para a prisão temporária, a coleta de provas, já havia sido cumprida. O presidente do STF rejeitou o argumento da justiça Federal de que a reclusão será necessária para garantir o interrogatório. Sua decisão seria enviada à PF por fax na madrugada de hoje. No início da semana a Procuradoria Geral da República havia encaminhado ao Supremo parecer contrário ao hábeas corpus.


O Globo
"Ação da PF contra Dantas opõe ministro e presidente do STF"
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que não houve abuso de poder na operação da Polícia Federal que levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, além de outros 14. Na véspera, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou a “espetacularização” da operação. Tarso disse que “nunca ninguém reclamou” de algemas nos pobres.


O Estado de S. Paulo
"PF rastreia esquema de lavagem de Daniel Dantas"
A Polícia Federal está mapeando o caminho do dinheiro administrado no exterior pelo Banco Opportunity, de Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha. Há evidências de que recursos obtidos ilegalmente por clientes brasileiros do Opportunity eram remetidos para fora do País e voltaram como investimento estrangeiro legalizado. Os clientes abriam em nome de laranjas, empresas de fachada que mandavam dólares para o exterior. O dinheiro sujo passava por dois paraísos fiscais do Caribe, pela Irlanda e pelos Estados Unidos, antes de retornar lavado ao Brasil. Entre 1992 e 2004, o esquema movimentou US$ 1,97 bilhão. Diante do desgaste provocado pela prisão de Dantas, o Opportunity anunciou ontem mudanças para evitar a fuga de clientes. O principal executivo do grupo, Dório Ferman, também preso pela PF, foi substituído por Afonso Bevilacqua, ex-diretor do Banco Central. Deputados tucanos que integram a CPI dos Grampos querem convocar Dantas para depor.


Jornal do Brasil
"Fundos de Dantas perdem R$ 250 mi"
A ação da Polícia Federal sobre Daniel Dantas já atingiu os fundos de investimento administrados pelo Banco Opportunity: o volume de saques chegou a R$ 255 milhões.O banco tentou aplacar a reação dos investidores, informando que os fundos operam normalmente. O Supremo Tribunal Federal ainda analisa o pedido de habeas corpus para anular a prisão preventiva do banqueiro e sua irmã.

quarta-feira, julho 09, 2008

Ubatuba

I Seminário sobre a Criação do Programa Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável, no âmbito do Município de Ubatuba

"O Programa Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável trabalha com o reaproveitamento de todos os resíduos descartados pós-consumo e estruturas de terra crua (taipa de pilão) em novas construções limpas, educando a população para a sustentabilidade total. Um sistema que visa promover novas políticas públicas, principalmente no que tange ao reuso de todo o lixo transformado em novos elementos construtivos".


Palestrantes: arquitetos Márcia Macul e Sérgio Prado
Local: Câmara Municipal de Ubatuba
Data: 14 / 07 / 08 - segunda-feira, das 17:00 às 19:00 horas

Clique sobre a imagem e saiba mais

Política

Oposição é isso

Sidney Borges
Um candidato a vereador da oposição está começando a campanha corpo-a-corpo pelas ruas. De esquina em esquina cumprimenta as pessoas, troca figurinhas, fala mal do prefeito e diz que vai mudar tudo quando estiver na Câmara. É o que costumam dizer os candidatos enquanto distribuem santinhos. Querem mudar a Câmara. Quem sabe para o Alto da Serra! Mas esse opositor renitente é tão convicto do "ser do contra" que é contra santinhos. Vai distribuir "diabinhos".

Sol quadrado

Nota do MPF acusa Dantas de suborno

Quadrilha montada no Grupo Opportunity associou-se ao grupo do megainvestidor Naji Nahas para faturar alto no mercado de ações com informação privilegiada. Doleiros criaram sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, também utilizado por Celso Pitta.
O juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, acolheu parcialmente manifestação do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP) e decretou a prisão temporária de 22 pessoas e mais duas prisões preventivas que integram dois grupos criminosos que, associados, faturaram alto no mercado de ações mediante informações privilegiadas.
Além das prisões, a Justiça Federal determinou também a realização de 56 mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos hoje, 8 de julho. As 24 ordens de prisão estão sendo cumpridas desde as 6h de hoje. As ordens judiciais foram cumpridas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia e no Distrito Federal.

Batizada de Satiagraha (resistência pela verdade), a nova operação da Polícia Federal não tem relação com a Operação Chacal (caso Kroll), no qual Dantas já responde à ação penal. As investigações em curso partiram de informações enviadas pelo Supremo Tribunal Federal atendendo requerimento do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, no processo do mensalão.
O MPF requereu mais investigações em torno da informação obtida pela CPMI dos Correios de que as empresas Telemig e Amazônia Celular, nas quais o Banco Opportunity, de Dantas, tem participação, foram as principais depositantes nas contas de Marcos Valério, responsável pela arquitetura do esquema ilegal de pagamentos a deputados da base aliada.
A partir dessas informações, a Polícia Federal empreendeu uma série de diligências com autorização judicial, como escutas telefônicas, interceptação de dados, além de elaborar laudos e utilizar informações presentes em um procedimento administrativo interno do Banco Central do Brasil em face do Opportunity.
Na avaliação do procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso e autor dos pedidos de prisão, a investigação da Polícia Federal já se deparou com indícios suficientes dos crimes financeiros de gestão fraudulenta, operação ilegal de instituição financeira, evasão de divisas e concessão de empréstimos vedados, além de uso indevido de informação privilegiada (insider information), lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha.
Foram decretadas as prisões temporárias de Daniel Dantas e de mais dez pessoas ligadas a ele: Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), Carlos Rodemburg (sócio e vice-presidente do banco Opportunity), Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade.
O grupo de Dantas, segundo o MPF, cometeu o crime de evasão de divisas por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. Segundo os laudos periciais, tal fundo movimentou entre 1992 e 2004 quase US$ 2 bilhões. Além de evasão e quadrilha, as investigações já permitem dizer que o grupo de Dantas cometeu também gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados (empréstimos entre empresas do mesmo grupo) e corrupção ativa.
Do grupo de Naji Nahas, foram decretadas a prisão do megainvestidor e de mais dez pessoas: Fernando Nahas (filho), Maria do Carmo Antunes Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeira Bastos, os doleiros Carmine Enrique, Carmine Enrique Filho, Miguel Jurno Neto, Lúcio Bolonha Funaro e Marco Ernest Matalon e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, cliente dos doleiros, que teve operações financeiras ilegais interceptadas pela PF.
O grupo de Nahas, apontam as investigações, teria cometido os crimes de quadrilha, operar instituição financeira sem autorização, uso indevido de informação privilegiada (insider trading) e lavagem de dinheiro.
Corrupção e vazamento - Foi decretada a prisão preventiva de duas pessoas. Uma delas, Hugo Chicaroni, já foi presa. Ambas, a mando de Dantas, ofereceram US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito policial. O fato foi revelado pelo delegado ao juiz, que autorizou uma ação controlada, ou seja, os contatos continuaram sem que fosse dado o flagrante de corrupção ativa contra os corruptores com o intuito de se obter mais informações e provas. O grupo chegou a dar 129 mil reais ao policial.
Dentro do grupo Opportunity, Daniel Dantas e seus associados, segundo a investigação da Polícia Federal e o pedido de prisão formulado pelo MPF, para dar conseqüência a suas ações, formaram uma "infinidade de empresas" que, na sua totalidade são "de 'fachada', 'laranja' e operadas por supostos prepostos ou 'testas de ferro'".
A PF e o MPF apuram o vazamento de informações sigilosas do inquérito que será objeto de investigação própria. De posse da informação sigilosa, o grupo de Daniel Dantas empreendeu uma série de medidas, algumas ilegais, como a tentativa de suborno ao delegado, com o intuito de impedir o prosseguimento das investigações contra ele, sua irmã e Carlos Rodemburg. Entre medidas judiciais, o empresário propôs ação, que tramita do Supremo Tribunal Federal, na qual pede que não seja preso pela ordem da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
O MPF e a PF pediram também a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, pela participação na organização criminosa de Daniel Dantas, mas o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-las. (Do Blog de Reinaldo Azevedo)

Deu em "O Globo"

José Dirceu também está sob investigação da PF

Relatório da inteligência da PF cita Mangabeira; Justiça nega pedido de prisão do ex-deputado petista Greenhalgh

De Ricardo Galhardo:
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o atual ministro do Planejamento de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, são citados em relatório da inteligência da Polícia Federal enviado à Justiça como supostos colaboradores do banqueiro Daniel Dantas. O ex-deputado federal petista Luiz Eduardo Greenhalgh teve o pedido de prisão pedido pela PF e pelo Ministério Público Federal, por supostamente agir em favor do grupo junto a parlamentares e ao governo federal. O pedido foi negado pela Justiça.
"Tal grupo (Opportunity) estaria infiltrado em diversos setores econômicos do país, especialmente nos de privatizações, empresas de telefonia, fundos de pensão, portos, mercados de capitais, mercado bancário, agropecuário e de mineração, utilizando-se de pessoas influentes no meio político como: Naji Nahas, José Dirceu e Mangabeira Unger", diz trecho de um relatório da PF citado na decisão do juiz da 6 Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis.
Ontem, durante entrevista coletiva na Superintendência da PF em São Paulo, o delegado Protógenes Queiroz, chefe da operação, disse que não existem indícios suficientes para estabelecer qualquer ligação entre Dirceu e Mangabeira e as quadrilhas investigadas. Protógenes, no entanto, sugeriu que o ex-ministro da Casa Civil está sob investigação. (Do Blog do Noblat)

Lighthouse Family - Forever you and me - Official video [HQ]

Opinião

Tempos novos no Continente

Editorial do Estadão
O encontro do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com Hugo Chávez, marcado para esta sexta-feira em Caracas, é uma robusta evidência - mas não necessariamente a única - da nova topografia política que começa a se descortinar na América do Sul. Passados sete meses do fiasco do referendo golpista do venezuelano, o formidável triunfo do governo de Bogotá, ao libertar, sem um único tiro, a ex-senadora Ingrid Betancourt e 14 outros reféns da organização narcoterrorista que ainda se faz chamar, pateticamente, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), tirou o gás das bravatas bolivarianas com que o caudilho imaginava se impor aos vizinhos. A estrela que nasce na região é a de Uribe - em tudo e por tudo o oposto do espalhafatoso coronel que não faz muito o cobria de impropérios, como "cínico" e "mentiroso", e agora o chama hermano.
Mas a ascensão do dirigente colombiano não significa que ele, pessoalmente, esteja em vias de se tornar um líder continental, ou que possa alimentar pretensões nesse sentido, na esteira de um eventual (e indesejável) terceiro mandato. Falta-lhe, para tanto, o physique du role; e ao seu país, os recursos de poder que serviriam para projetá-lo além das fronteiras nacionais. O que Uribe incorpora e o que o engrandece - enquanto um apequenado Chávez tenta se recompor do baque sofrido, chegando, para tanto, a ensaiar uma reconciliação com o até aqui odiado Império - são os resultados da determinação de erradicar da Colômbia uma enquistada maldição. Ou seja, o êxito de uma visão política que não nasceu com Uribe, mas dependeu da sua coragem em fazer escolhas estratégicas - o Plano Colômbia, a quatro mãos com os Estados Unidos -, cujo acerto o resgate de Ingrid e dos demais cativos tornou flagrante aos olhos do mundo.
Daí, diga-se de passagem, representarem o proverbial ponto fora da curva os conselhos não solicitados da ex-senadora ao presidente a quem deve a liberdade. Segundo ela, teria chegado a hora de Uribe "mudar esse discurso radical, extremista, de ódio, de palavras muito duras". Os mais de seis anos passados sob o jugo das Farc talvez a tenham impedido de entender que o discurso duro fazia parte de um combate duro, ainda em curso, contra os inimigos do povo colombiano. Agora, em meio às celebrações ao seu redor, ela tampouco parece entender como Uribe completará o desmantelamento da narcoguerrilha - que, ao fim e ao cabo, passará por algum tipo de entendimento com os cabeças sobreviventes do farquismo, dispensadas as malogradas mediações européias. (O chamado alto comissário do governo para a Paz, Luis Carlos Restrepo, disse que não raro os intermediários mais pareciam "conselheiros políticos das Farc".)
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 09 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Operação da PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta"
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta foram presos pela PF, acusados de crimes como formação de quadrilha, evasão e lavagem de dinheiro. Dantas é acusado na Operação Satiagraha (firmeza na verdade, em sânscrito) de utilizar empresas para cometer fraudes, remessas ilegais e lavar dinheiro. Nahas é apontado como o operador de Dantas que cuidava da lavagem no exterior. Pitta, segundo a denúncia do Ministério Público, recorria a Nahas para repatriar recursos. Dantas e Nahas teriam se associado para lucrar especulando com ações a partir de informações privilegiadas. O banqueiro, segundo o Ministério Público cometia evasão de divisas por meio do Opportunity Fund, offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman que teria movimentado quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004. Nahas ainda teria obtido acesso a informações privilegiadas do Banco Central dos EUA sobre o corte de juros no país em setembro de 2007. Ao todo, a Justiça decretou prisão temporária de 22 pessoas e preventiva de 2 entre empresários, doleiros e supostos latranjas.


O Globo
"Daniel Dantas é preso por corrupção e suborno à PF"
O banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta estão entre os 17 presos pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. As investigações sobre os tentáculos de Dantas e Nahas tiveram origem no escândalo do mensalão. As empresas Telemig Celular e Amazonas Celular, do Opportunity, estão entre as que abasteceram contas do publicitário Marcos Valério. Nos meses seguintes, investigações apontaram para uma intrincada rede de lavagem de dinheiro, remessas e corrupção. Ao ter a informação de que poderia ser preso, Dantas tentou subornar um delegado da PF, oferecendo-lhe US$ 1 milhão. Na operação, a PF apreendeu cerca de R$ 1 milhão em dinheiro e três carros importados . A PF cumpriu 56 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio, Bahia e DF. Segundo a PF, Nahas teria usado dados sigilosos do Federal Reserve (BC americano) e até informações privilegiadas sobre descobertas da Petrobras para ganhar dinheiro.O presidente do STF, Gilmar Mendes, criticou o pedido de prisão (negado pela Justiça) de uma jornalista por vazamento de informação. “Faz inveja ao regime soviético”, disse.


O Estado de S. Paulo
"Acusados de corrupção, Dantas, Nahas e Pitta são presos pela PF"
Operação da Polícia Federal levou ontem para a prisão o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e mais 14 pessoas - outras 7 estão sendo procuradas. O grupo é acusado de crimes como desvio de recursos públicos, fraude com ações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A origem do inquérito foi o escândalo do mensalão, investigado pela CPI dos Correios. Por ordem da CPI, a PF apreendeu em 2005 o disco rígido de um computador do Opportunity, grupo empresarial de Dantas sob suspeita de ter financiado o esquema do mensalão. A partir daí, os policiais reuniram indícios de que Dantas chefiava ogigantesco mecanismo de evasão de divisas para paraísos fiscais. Entre 1991 e 2004, a quadrilha teria administrado US$1,9 bilhão por meio de fundo registrado no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Segundo a PF, há pelo menos 8 anos os grupos de Dantas e de Nahas se associaram para promover desfalques, obter empréstimoss irregulares, manipular o mercado financeiro com informações privilegiadas e fazer remessas irregulares. "As duas organizações envolvem uma engenharia financeira que pouco se viu", disse o procurador Rodrigo de Grandis. Pitta é apontado como um dos que se beneficiarm do esquema.


Jornal do Brasil
"Gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, suborno, tráfico de influência..."
A Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais 21 pessoas que gravitam em torno do Grupo Opportunity, de Dantas. Foram apreendidos dinheiro e documentos em 56 diferentes endereços. As investigações começaram há 4 anos, em apuração relacionada ao caso mensalão. Segundo a PF, o banqueiro lavava em paraísos fiscais a fortuna obtida em desvios do setor público. As informações se referem a R$ 2 bilhões movimentados pela rede. Dantas ainda tentou subornar um delegado para evitar a prisão.

terça-feira, julho 08, 2008

Relação estreita?

Ex-mulher relata ao MP 'estreita relação' entre Pitta e Nahas

Segundo Nicéa, um filho do investidor, Fernando Nahas, 'entregava envelopes para seu ex-marido'

Fausto Macedo e Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo
José Luis da Conceição/ AE
Celso Pitta chega ao IML conduzido pela PF SÃO PAULO - O ex-prefeito de São Paulo
Celso Pitta chegou por volta de 11 horas desta terça-feira, 8, na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, preso sob acusação de envolvimento em esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. O cerco a Pitta foi fechado a partir de denúncias que sua ex-mulher, Nicéa, fez ao Ministério Público de São Paulo. Ela revelou, em depoimento formal, que Pitta mantinha "estreita relação" com Nahas.
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Nota do Editor - O que será que a doce Nicéa quis dizer com "estreita relação"? Boa coisa não foi, pois os federais prenderam o ex-prefeito Pitta. De pijama. Curioso, tem gente que usa pijama. De qualquer forma se há uma coisa a temer na vida é uma ex-mulher enfurecida. (Sidney Borges)

Erro médico

Alma feminina

Sidney Borges
Dona Ermelinda lia a sorte e benzia com cinzas do fogão à lenha. Os desenhos abstratos formados na água da latinha de manteiga Aviação eram interpretados com detalhes depois dela se concentrar e rezar baixinho. Dona Ermelinda era gorda, redonda, tinha poucos dentes e usava um lenço na cabeça. Filas se formavam na porta da casa. Moças querendo notícias de namorados, homens de negócios preocupados com a inflação, velhas com reumatismo, enfim gente curiosa como somos todos. Um dia a catarata turvou de vez a visão da velha senhora, já não era possível ler as cinzas.
Internada para operar um dos olhos acabou vítima de uma incrível confusão e teve removido um olho-de-peixe do pé esquerdo. A família ficou furiosa. Foi marcada uma reunião com a presença de filhos, netos, bisnetos e o retrato do falecido. Enquanto deliberavam contra médicos e hospital dona Ermelinda sorria satisfeita imaginando-se de salto alto.

Cadeia!

O inferno de Dantas

Bob Fernandes e Samuel Possebon*
Para se tentar entender quem é Daniel Dantas, preso hoje junto com Verônica Dantas, Dório Ferman, Carlos Rodenburg, Naji Nahas, Celso Pitta e outras duas dezenas de menos ilustres, é preciso antes entender seu fortim e sua obra principal: o grupo Opportunity.
Em tempo: "Sua" obra principal, o Opportunity, mas sem que se deixe de levar em conta a suspeita do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal: Daniel Dantas et caterva soam, por vezes, não serem os "donos", ou, os únicos donos do megaconglomerado.

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Nota do Editor - Sempre ouvi dizer que cadeia no Brasil foi feita para três pes. Pobre, Preto e Puta. A matéria acima mostra alguns ricaços em clima de sol quadrado. No entanto, para não fugir à regra prenderam o Pitta. Tradição é tradição. (Sidney Borges)

Energia

Construção de Angra 3 deve ser retomada em setembro, diz Lobão

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A construção da usina nuclear Angra 3 deve ser retomada no dia 1º de setembro e a obra deverá estar pronta em quatro anos, segundo informou hoje (7) o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Segundo ele, a licença de instalação da usina, que irá gerar 1,3 mil megawatts, será concedida em 15 dias pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nos planos do governo também estão a construção de mais três usinas térmicas movidas a energia nuclear. “Daí por diante, teremos uma térmica nuclear por ano até chegarmos a um total de 60 mil megawatts daqui a 50 anos”, disse o ministro.
Para alcançar essa meta, o governo está formando o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, que será coordenado pela Casa Civil da Presidência da República. O papel do comitê será o de fixar diretrizes e metas para o desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro e monitorar sua implementação. Também fazem parte do grupo os Ministérios de Minas e Energia, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente, da Defesa e da Fazenda. Segundo a Casa Civil, o comitê também vai estudar as disponibilidades materiais e humanas do setor nuclear, considerado cada vez mais estratégico para o desenvolvimento do país por causa da crescente demanda por energia elétrica.
O decreto de criação do comitê foi publicado no Diário Oficial da União da última quinta-feira (3) e os ministérios ainda estão em fase de indicação de seus representantes.
Lobão defende a ampliação do uso da energia nuclear no Brasil, por ser uma uma energia limpa utilizada no mundo todo. Ele destaca que o Brasil tem a sexta maior reserva mundial de urânio, mineral usado na produção de energia nuclear.
“Será uma excelente térmica, com produção firme. Temos tudo para ter sucesso com a produção de energia nuclear”, afirma.

Ubatuba em foco


Rostrhamus sociabilis - Carlos Rizzo

Ubatuba 500 aves


Carlos Rizzo
Desde o primeiro checklist das aves de Ubatuba feito em 1996 o numero de 186 espécies registradas em Ubatuba só aumentou. Em 2002 registrávamos 380 espécies em 2006 saltamos para 476 com a inclusão das aves marinhas.

Quanto mais próximos vamos chegando do numero real de espécies mais difícil o aparecimento de um novo registro. Dia desses Rick Simpson me convidou para ver um gavião e lá fomos para a Praia Grande onde pude registrar este da foto. É um gavião caramujeiro, Rostrhamus sociabilis, esta fácil saber o porquê do sociabilis, basta olhar onde está empoleirado. Aquele bico fino serve para retirar por inteiro a parte comestível do caramujo. Foi a primeira vez que o vi e quando fui anotar na minha lista descobri que ele não constava da lista de Ubatuba.
Há tempos estamos precisando de uma nova consolidação da nossa lista de aves, o Dimitri do Itamambuca no ano passado adiantou o trabalho consolidando a nossa lista com a lista do Comite Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) e a lista do South American Classification Committee (SACC) da American Ornithologists' Union.
Resolvi aproveitar as minhas férias para fazer a consolidação de todas as listas e alterações anotadas desde 2006. De inicio a pretensão era só a correção da lista de 2006 sem expectativas de um numero maior de registros. Sei o quanto isso é difícil. Tenho o controle de cada nova espécie indicada nestes dois anos, o Dimitri anotou inúmeros novos registros, o Rick acrescentou mais outro tanto, mas havia correções e exclusões impostas pelo pessoal do CEO/USP, tudo isso tinha que ser consolidado para chegar num numero atual de espécies.
Qual não foi a minha surpresa quando na quinta-feira, no primeiro fechamento deu um número maior que 500 espécies. Novas correções, nova revisão e no sábado havia 495 espécies. Inconformado, fui conferindo pasta por pasta de todas as espécies e, domingo à tarde tínhamos 498, no começo da noite 499 e às 23 horas do domingo registrei a de numero 500.
Ubatuba 500 aves é uma marca histórica! O número é mágico, não conheço outro município que tenha a mesma marca. Esta pequena porção do nosso imenso território brasileiro abriga cerca de 30% de todas as aves do Brasil e mais de 5% de todas as aves existentes no planeta!
Parabéns Ubatuba! Parabéns a todos que trabalharam para isso! Parabéns a todos que acreditam no projeto das aves de Ubatuba como opção de turismo de qualidade!

Nota do Editor - Fico satisfeito com os resultados, acreditei desde o início na empreitada. Ubatuba tem tudo para se tornar um ponto de referência mundial na arte de observar pássaros. (Sidney Borges)

Aconteceu em Ubatuba


René Nakaya

Encontro aéreo movimentou aeroporto de Ubatuba

Cerca de 50 ultraleves coloriram o céu de Ubatuba durante o final de semana

Sidney Borges
O 1º Encontro Regional de Ultraleves – Ubatuba Voa 2008 movimentou o Aeroporto Gastão Madeira, no centro de Ubatuba, no último final de semana. Aproximadamente 50 ultraleves dos aeroclubes de Atibaia, São José dos Campos, Taubaté, Rio de Janeiro e Curitiba estiveram presentes no evento.
Infelizmente não estive presente, afazeres em Sampa me tiraram da cidade. Aproveito o parágrafo da matéria enviada pela Prefeitura para abrir meu comentário. Eu gostaria de ter ido, tenho o hábito de passear pelos campos de aviação. Gosto do espaço generoso, amplo, que me permite contemplar o horizonte, gosto de lembrar do DC-3 que me levou a Paranaguá em companhia de minha mãe. Eu com pouco mais de três anos, ela com 23, bonita. Enquanto esperávamos meu avô, que veio de Antonina nos buscar de lancha, contemplei extasiado o pássaro metálico decolar e diminuir de tamanho até desaparecer entre as nuvens. Foi paixão imediata, amor à primeira vista. A aviação entranhou no sangue, na alma e lá vai permanecer enquanto eu for passageiro da nave Terra. Foi uma boa iniciativa esse encontro, espero estar presente no próximo.

Opinião

A liberdade maior em xeque

Editorial do Estadão
Assim como eliminou das normas para a campanha deste ano, estabelecidas na resolução 22.718, um artigo que feria a liberdade de imprensa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa novamente cair em si e expurgar do mesmo texto as passagens que ferem o princípio maior da liberdade de expressão, da qual aquela deriva. O artigo em boa hora revogado proibia os então pré-candidatos de expor as suas propostas antes do início oficial da campanha, anteontem. Foi com base nesse dispositivo que um juiz eleitoral multou o jornal Folha de S.Paulo e a revista Veja São Paulo por terem publicado "propaganda extemporânea" em entrevistas com a ainda pré-candidata Marta Suplicy.
Para todos os efeitos práticos, o artigo em questão equiparava a mídia impressa às emissoras de rádio e televisão. Estas, por serem concessões públicas, estão sujeitas, entre diversas outras, às regras do calendário eleitoral que valem para os políticos. Devem, por exemplo, dar tratamento igual aos candidatos cujas chances na disputa se presumem semelhantes. Obviamente isso não se aplica a periódicos escritos, que independem de concessão, permissão ou autorização do Estado para existir. Nesse caso, a interferência é censura prévia, atingindo a liberdade de informar - e o direito do público à informação. Foi tamanha a grita provocada pelas ações contra o jornal e a revista citados que o TSE deu o dito pelo não dito.
Ocorre que permanece outra impropriedade jurídica - a que trata a internet como se fizesse parte do regulamentado sistema de comunicação por rádio ou TV. Primeiro, limita-se a propaganda eleitoral na rede mundial de computadores a uma única página, ou site, em nome do candidato. Segundo e mais importante, estipula-se que as edições online de publicações impressas não podem reproduzir as suas críticas e apoios a candidatos que tiverem incluído na versão em papel. Assim, se um jornal manifestar em editorial a sua preferência por A, B ou C para prefeito da cidade onde é editado - ou, a rigor, de qualquer outra - deverá se autocensurar, deixando de compartilhar o texto com os internautas.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 08 / 07 / 2008

Folha de S. Paulo
"Fome ameaça 100 milhões a mais, diz Banco Mundial"
O presidente do banco Mundial, Robert Zoellick, cobrou que os líderes do G8 (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia) evitem o que chamou de “desastre”: a crise alimentícia global que, de acordo com cálculos do banco, pode levar à fome um contigente adicional de 100 milhões de pessoas. “Não temos o direito de falhar”, disse Zoellick em entrevista à margem do encontro de cúpula do G8, iniciado ontem em Hokkaido, no Japão. Segundo a FAO (órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação), há 854 milhões de pessoas subnutridas no mundo. Para o banco, as providências imediatas que precisam ser tomadas são o atendimento às necessidades urgentes dos países muito pobres, a ajuda a pequenos produtores e eliminação de restrições à exportação de alimentos em 26 países. Ban ki-moon, secretário-geral da ONU, disse que o alto preço dos alimentos faz retroceder o “relógio do desenvolvimento”. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs criar um grupo para obter um “diagnóstico preciso” da crise.


O Globo
"Pai acusa PM de metralhar carro da família e matar filho"
O taxista Paulo Roberto Barbosa Soares, de 45 anos, acusou ontem PMs de terem matado o seu filho, João Roberto, de 3 anos, baleado na noite de domingo durante uma perseguição a assaltantes na Tijuca. Ele negou que tenha ocorrido troca de tiros com os bandidos, como alegaram os dois policiais envolvidos no caso, que já estão presos administrativamente. Baseado no relato de sua mulher, Alessandra Amorim, ferida por estilhaços, Paulo Roberto disse que ela teve o carro metralhado pelos policiais. “Eles metralharam o veículo com a mulher e duas crianças dentro”, afirmou o pai. Atingido por três tiros – um deles na cabeça -, João Roberto teve morte cerebral e, às 20h10m, os aparelhos que o mantinham vivo foram desligados, diante de seus pais, que autorizaram a doação de órgãos. Apenas as córneas da criança, porém, poderão ser aproveitadas. João Roberto completaria 4 anos no próximo dia 29. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu ontem que os policiais do 6º BPM (Tijuca) confundiram o carro da família com o dos bandidos. Ele qualificou a ação como desastrosa e que demonstra “falta de critério, de treinamento”.


O Estado de S. Paulo
"Construção de Angra 3 começa em setembro"
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou ontem que o governo pretende iniciar em 1º de setembro a construção da usina nuclear de Angra 3, no litoral do Rio de Janeiro. O começo das obras só depende do Ibama,q ue deve emitir em até 15 dias a licença de instalação da usina. Dentro do governo, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva era a principal opositora do projeto, que tem o apoio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma rousseff. Lobão disse que a eneergia nuclear ganha espaço no mundo inteiro: "A frança produz 70% de toda a sua energia em usinas nucleares." Os planos anunciados pelo ministro não param em Angra 3 - a idéia é iniciar o quanto antes a construção de outras quatro usinas nucleares.


Jornal do Brasil
"Que polícia é essa?"
A morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado por PMs na Tijuca, domingo, chocou o próprio secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Os policiais deram pelo menos 15 tiros no carro onde a criança seguia com a mãe e o irmão de nove meses. Alegaram uma troca de tiros com bandidos, desmentida por testemunhas. Desesperado, o pai de João disse que a mulher ainda tentou, em vão, alertar os soldados. Beltrame lançou o plano de treinamento da polícia, antecipado pelo JB sexta-feira.

segunda-feira, julho 07, 2008

Editorial

Mordaça indecente

Sidney Borges
Nada pode na internet, nem mesmo o que é permitido em jornais impressos, rádio e televisão. Não podemos falar bem ou mal, na verdade devemos nos calar, é o que eles querem, é deles o poder, a nós cabe obedecer ou enfrentar a força. Os blogs são especialmente visados. São os principais alvos da sanha repressiva que assola a alma brasileira. Apesar de anos de democracia ainda há corações que amam a censura e rezam para seu santo preferido, Torquemada, o inquisidor. Eles nos temem, nos calam, mas é temporário. A verdade prevalecerá e os obscurantistas um dia terão consciência do quão inútil foi a tentativa. Quando estiverem ardendo nos quintos dos infernos.

Espaço do leitor

Ubatuba, concursos públicos e seus milagres

Antônio Carlos da Silva
Há muito e com bastante freqüência temos visto e ouvido nas rádios, telejornais, periódicos e revistas, inúmeros comentários e denúncias sobre “improbidade” e “falcatruas” na realização de concursos públicos pelo Brasil a fora. Como tudo que é moda pega por aqui, a cidade de Ubatuba não ficou atrás e resolveu entrar, e pela porta da frente, para o “seleto” rol das cidades fraudulentas na realização de concursos públicos. Com medo de Ubatuba ficar excluída da “moda”, alguns agentes públicos e políticos do município “arregaçaram as mangas”, “puseram a mão na massa” e resolveram a questão. E como isso foi feito? Realizando o concurso público para o preenchimento de vagas na Câmara Municipal. O resultado do concurso publicado no jornal “A Cidade”, de 28 de junho de 2008, deixou muitos candidatos do certame estupefatos. Já para outros, foi mero cotidiano. É o famoso “eu já sabia”. No resultado do concurso veiculado pela imprensa local vemos nitidamente que os primeiros colocados são parentes de membros do Poder Legislativo (vereadores); outros são parentes de membro da Comissão Organizadora do Concurso; outros são ocupantes em cargos de comissão; outra é amiga de vereador e irmã do mesmo em Cristo, já outros acumulam todos esses atributos. Em um passe de mágica, parentes, agregados e afins de um certo vereador da cidade foram abençoados, pois num estalar de dedos, essas pessoas foram aprovadas com total êxito no concurso. Outro candidato, que já ocupa cargo em comissão, é muito inteligente, mas pecou! Este senhor prestou o concurso para vaga que já ocupa e ficou na primeira colocação. Um pouco suspeito, não? Ou seria impedimento? Onde está a Moralidade Pública? Outro candidato vitorioso também ocupa cargo em comissão, mesmo assim, prestou concurso para ocupar definitivamente esse cargo. Fato um pouco estranho é que seu pai faz parte da comissão organizadora do concurso público. Candidato esperto! Outra candidata, também, vitoriosa, teve a ajuda do senhor, ficando com a primeira colocação para ocupar definitivamente o cargo que já ocupa faz tempo. Sabe tudo de legislação! Milagres a parte, essa é a realidade da cidade em que vivemos. Infelizmente algumas pessoas acham que somos trouxas e iremos ficar de braços cruzados. Muito pelo contrário. Vai demorar alguns anos, mas o Ministério Público e o Poder Judiciário estão aí para resolver mais essa questão vergonhosa que assola nossa cidade. Isso sem contar com o “poder” da imprensa, não a local. Pois esta já tem dono! “Ubatuba sim, sim, sim (...)”.
Antônio Carlos da Silva
antonisilva69@yahoo.com.br
 
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