sábado, junho 28, 2008

De convenção em convenção


Faltam duas

Sidney Borges
Ontem lamentavelmente não havia um fotógrafo para registrar meus cumprimentos ao prefeito Eduardo Cesar na inauguração do Memorial Ciccillo Matarazzo. Momentos depois fui para a Câmara onde acontecia a convenção do PDT e convidado, posei ao lado de Paulo Ramos e Jairo dos Santos. Depois tomei uma Coca-Cola ao lado de Pedro Tuzino. Sempre fazendo cheese. Hoje vou ser fotografado ao lado de Maurício Moromizato na Convenção do PT. Digo de Moromizato e Tato, pois a festa é dos dois.
Fotos de Luiz Moura

TV Víbora: Chet Baker, just Chet Baker

I've Never Been In Love Before

TV Víbora: Chet Baker, just Chet Baker

"Everything happens to me"

Ubatuba em foco

Memorial Ciccillo Matarazzo

Sidney Borges
Ontem foi aberto ao público o Memorial Ciccillo Matarazzo, na Praça 13 de Maio, no prédio da Biblioteca Municipal. Organizado pelo jornalista e ex-prefeito de Ubatuba, Celso Teixeira Leite, por inspiração do prefeito Eduardo Cesar, o espaço servirá de referência a quem tiver interesse pela história da cidade. O edifício que abriga o Memorial, ex-sede da prefeitura, de autoria de Oswaldo Arthur Bratke, foi restaurado e agora conta também com uma galeria de ex-prefeitos. Sinto-me honrado em participar do novo espaço através de um texto de minha autoria, publicado no jornal “Correio de Litoral”, em 2003.

Ciccillo

Memorial : A arte de esquecer

“Cada um de nós é quem é porque tem suas próprias memórias”
(Ivan Izquierdo)

José Nelio de Carvalho

É do médico e neurocientista Ivan Izquierdo, conhecido e respeitado internacionalmente por seus estudos sobre memória, a idéia: “...esquecemos para poder pensar, e esquecemos para não ficar loucos; esquecemos para poder conviver e para poder sobreviver. “ (A Arte de Esquecer, pg.22).
A inauguração do Memorial Ciccillo Matarazzo tem um mérito: a de contribuir para a afirmação da memória coletiva referente a um período recente da história de Ubatuba, que não está isolada do que ocorria no país e no mundo.
A partir de 1946, é intensa a mudança da conjuntura nacional. Fim do Estado Novo, eleições e nova Constituição. Após o mandato do marechal Dutra, novamente Getúlio. Suicídio. Em seguida, após o período JK, novas crises, renúncia de Jânio, deposição de Jango, e por fim o período que se iniciou em 1964.
Enquanto isto, a indústria na sua fase atual se instala no país. Volta Redonda, a indústria automobilística. Novas estradas. Novas usinas. Angra, Terminal da Petrobrás, Rio-Santos. O Brasil não é mais rural. As cidades incham. Ubatuba é de novo descoberta e se integra nessa nova realidade. Algumas pessoas com interesse em Ubatuba, como o ex-prefeito de São Paulo, Wlademir de Toledo Piza convencem Ciccillo Matarazzo a se candidatar a Prefeito de Ubatuba.
O tempo era de mudança. Alta a temperatura da política.
O Brasil todo sentiu o choque de 64. Grandes e pequenos embates. Ficaram marcas. Algumas estão no esquecimento. A fila andou e a sociedade se transformou. A Nação mudou. E Ubatuba também.
Tanto na memória coletiva, como na individual, o esquecimento pode ser fruto da repressão voluntária ou involuntária do meio social e de alguns de seus agentes.
Mas, para a construção do futuro, é importante lançar luz sobre o esquecimento e clarear os fatos.
O Prefeito Ciccillo prestará mais um grande serviço a Ubatuba. Prefeito num momento crítico para a história do país, conhecido nacional e internacionalmente, certamente teria muito mais o que nos relatar neste memorial.
Esta tarefa ele deixou para as futuras gerações para que, de forma científica, tornem viva a memória de Ubatuba.
Este memorial certamente servirá de incentivo ao conhecimento do passado, não podendo se constituir em obra de arte para o esquecimento de fatos que às vezes incomodam os que estiveram no plantão do Poder.
Tenho a convicção que a maior obra de Ciccillo será a de motivar as futuras gerações a guardar a memória de Ubatuba “com tudo que ela tem”.
José Nelio de Carvalho é advogado e ex-prefeito de Ubatuba

Opinião

A reunião de Jeddah

Editorial do Estadão
Reunidos para tratar do equilíbrio entre a oferta e a demanda do petróleo e, sobretudo, de medidas capazes de conter a explosão de preços, produtores e consumidores chegaram pelo menos a um acordo: o preço do petróleo está alto demais. Parece pouco, mas se se recordar que, quando se reuniram há dois meses em Roma, nem a esse acordo haviam conseguido chegar, pode-se dizer que na reunião de Jeddah houve algum avanço.
Os números são claros: nos últimos 12 meses, o óleo tipo West Texas Intermediate (WTI) saiu da faixa dos US$ 65 para mais de US$ 130 o barril (ontem, chegou a US$ 140), agravando pressões inflacionárias e reduzindo o crescimento da economia mundial. Mas não houve consenso com relação aos fatores que têm impulsionado o preço do petróleo. Os produtores atribuem a alta à especulação financeira, à fraqueza do dólar e à instabilidade política em algumas regiões produtoras. Os grandes consumidores rejeitam essa explicação e argumentam que a produção não está sendo suficiente para atender à demanda crescente. Os dois lados têm alguma dose de razão.
A produção caiu em países como a Nigéria - que está deixando de produzir 1 milhão de barris por dia -, o México, o Reino Unido e a Noruega, o que dá força aos que apontam para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda como principal causa da alta do petróleo. Numa tentativa de responder aos que utilizam esse argumento, a Arábia Saudita, maior produtor mundial, dispôs-se a fornecer mais 200 mil barris por dia, ou 2,1% dos 9,5 milhões de barris exportados hoje, e anunciou o aumento de sua capacidade de 11,4 milhões para 15 milhões de barris/dia até 2018.
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Manchetes do dia

Sábado, 28 / 06 / 2008

Folha de São Paulo
"Inflação do aluguel sobe 13% em 1 ano"
O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) utilizado para reajustar aluguéis e tarifas de energia, alcançou 13,44% nos últimos 12 meses, disse a FGV (Fundação Getúlio Vargas). É o mais alto desde outubro de 2003. Em junho, o índice foi de 1,98%, o maior desde fevereiro de 2003. No acumulado do ano, o IGP-M está em 6,82%. O IPA (Índice de Preços por Atacado) responde por 60% do índice geral. Os preços do atacado estão sendo pressionados pelos produtos agropecuários, com aumento de 3,35% em junho. Em casos como o do feijão, que em um ano subiu 150% no atacado, a alta tem sido repassada ao varejo. Empresas e consumidores com dívidas e custos atrelados ao IGP-M querem trocar de indexador.


O Globo
"Fome atinge maioria dos que têm Bolsa Família"
Apesar de beneficiadas pelo Bolsa Família, 20,7% das famílias inscritas no programa ainda passam fome e 34,1% sofrem com a falta de comida em casa, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). O levantamento, em que foram entrevistados cinco mil titulares do cartão em 229 municípios, traça o perfil de consumo dos beneficiados e revela que, após a alimentação (citada em 87% das respostas), o dinheiro é gasto com outras necessidades, como a compra de material escolar (46%), vestuário (37%) e remédios (22%). Para o governo, está provado que o dinheiro chega a quem mais precisa. A situação dessas pessoas, segundo o governo, poderia ser pior antes da criação do programa, que atinge 11,1 milhões de famílias.


O Estado de São Paulo
"Preços da construção pressionam a inflação"
A inflação voltou a dar um salto neste mês, com alta dos preços, tanto do material quanto da mão-de-obra da construção. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), apurado pela Fundação Getúlio Vargas, atingiu em junho 1,98%, a maior marca desde fevereiro de 2003. Nos últimos 12 meses, acumula elevação de 13,44%. Os preços dos alimentos continuam a subir no atacado e no varejo. "Não sei quando isso vai acabar", disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. A situação é preocupante porque o IGP-M serve de parâmetros para o reajuste de tarifas públicas como o pedágio das estradas e a conta de energia-elétrica. É o índice mais usado também para corrigir o valor dos aluguéis e o preço de serviços como a TV por assinatura.


Jornal do Brasil
"Índice que reajusta aluguel sobe 13,44%"
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), usado especialmente em reajustes de aluguel, registra uma alta acumulada de 13,44% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação no ano chegou a 6,82%. O aumento pode ser aplicado nos contratos que vencem em julho. Foi a maior elevação registrada em cinco anos, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Analista do mercado defende negociação dos aluguéis. O proprietário tem de reconsiderar, e o inquilino, refazer o contrato, afirma Rodolpho Vasconcellos.

Eleições 2008



Candidatos majoritários pelo PDT

A foto acima foi tirada durante convenção do PDT. Paulo Ramos de Oliveira e a Dra. Haydée Guimarães foram confirmados como candidatos a Prefeito e Vice-prefeito.

Nélia C. C. Santos

Flip

Eletronuclear apóia a VI Festa Literária Internacional de Paraty

Gloria Alvarez
A VI Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, acontecerá entre os dias 2 e 6 de julho e contará, mais uma vez, com a participação da Eletronuclear, que vem apoiando o evento desde a sua primeira edição. A Flip, realizada pela Associação Casa Azul, é considerada o maior evento literário da América Latina. Este ano reunirá cerca de 40 autores de todo o mundo e homenageará o escritor Machado de Assis, a propósito do centenário de sua morte em setembro. Por ocasião da Flip, a Eletronuclear está levando à Paraty o espetáculo Um homem célebre, trama baseada em um conto de Machado de Assis. Serão duas apresentações no dia da abertura da Festa (02/07): às 17h30 e às 19h30, na Casa da Cultura de Paraty (R. Dona Geralda, 177 – Centro Histórico.) Este é mais um investimento da Eletronuclear na área cultural do entorno das usinas nucleares. Ano passado a empresa lançou, também durante a Flip, o livro de fotografias Olhares (da Editora Desiderata) com imagens da Costa Verde, assinadas pelo fotógrafo Nélio Rodrigues.
Gloria Alvarez
Assessora Técnica do Diretor-Presidente da Eletronuclear
Coordenadora da Assessori de Imprensa
Contatos: 21 2588.7606 / Cel. 9642.9910
E-mail: galvarez@eletronuclear.gov.br

sexta-feira, junho 27, 2008

Acordos e desacordos

Coligação PT - PTB Diretório do PTB de Ubatuba

Há algumas semanas o PTB de Ubatuba tornou público o seu apoio à pré-candidatura do empresário Sérgio Caribé à prefeitura pelo PSDB. Por serem o PTB e o PSDB aliados históricos em São Paulo, o diretório petebista em Ubatuba, acreditou ser Sérgio Caribé o propiciador das mudanças positivas sonhadas por todos nós.
Por estranhos fatores e "forças ocultas", o Sr. Sérgio Caribé, que havia sido escolhido candidato a prefeito em uma prévia de seu partido, não foi referendado em convenção.
Diante da nova posição aprovada pelo diretório do PSDB de Ubatuba, o PTB deu por encerrado o compromisso assumido.
Como a política séria em Ubatuba tem pressa de devolver a dignidade e a esperança aos cidadãos de bem, no dia 25 de junho de 2008, o PT – Partido dos Trabalhadores e o PTB - Partido Trabalhista Brasileiro, firmaram acordo sobre a maior coligação de oposição responsável ao atual modelo de gestão administrativa de Ubatuba, hoje liderado pelo Partido Democratas – DEM (antigo PFL... Arena...).
Com a coligação PT - PTB, nasce uma estrutura inabalável, que promete desmistificar o “Resgate” de uma gestão participativa e progressista, propalado e pouco praticado pela atual administração municipal que está em final de atividades.
Maurício Moromizato e Tato - pré-candidatos a prefeito e vice, juntamente com os pré-candidatos à vereança, reconhecem que Ubatuba precisa de pulso firme na administração pública municipal e decência na política para retomar o desenvolvimento. A população precisa saber que a união PT - PTB em Ubatuba não é mera formalidade eleitoral, mas um compromisso que envolve ética, honestidade e respeito por pessoas.
Há quem duvide da possibilidade de vitória dessa gente que sonha com a geração de empregos, educação de qualidade e saúde ao alcance de todos. Talvez, sejam mesmo sonhadoras e visionárias, porém, são únicas em seus propósitos de construir uma nova história para o nosso município.
Não foram poucos os esforços para se construir uma aliança maior entre todos os partidos que não compartilham com a filosofia da atual administração pública municipal. Como na política cada partido faz sua escolha a partir de decisões internas, PT e PTB esperam novas adesões ao movimento que se inicia como perspectiva real de mudanças.
Em tempo, o Diretório Municipal do PTB em Ubatuba convida toda a comunidade para prestigiar sua Convenção de consolidação dos nomes que farão parte da disputa eleitoral em 2008.


PTB - Partido Trabalhista Brasileiro de Ubatuba

Convenção do PT

C O N V I T E

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores – PT tem o prazer de convidá–lo para a CONVENÇÃO PARTIDÁRIA, a ser realizado no próximo dia 28, à partir das 15:00 h, no plenário da Câmara Municipal na Av. Iperoig n° 218 – Centro, nesta cidade.


PAUTA

- Homologação do candidato majoritário;
- Eleições proporcionais – ratificação dos candidatos;
- Homologação de coligação com outros partidos políticos;
- Diretrizes do Programa de Governo Municipal.


Mauricio Humberto F. Moromizato
Presidente Diretório Municipal
Ubatuba/SP

TRE

Por unanimidade, Jairo fica

Assessoria Jairo dos Santos

Por decisão unânime dos desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, o Vereador Jairo dos Santos, PSB, vai continuar ocupando sua cadeira na Câmara Municipal de Ubatuba. Jairo estava respondendo processo movido pelo PT, Partido dos Trabalhadores, por infidelidade partidária. O vereador agradece a todas as pessoas e comunidades que estiveram ao lado dele, torcendo e orando para que a justiça fosse feita.

Opinião

A violência no trânsito

Editorial do Estadão
O número de pessoas que morrem a cada ano em acidentes de trânsito nas ruas da cidade de São Paulo aumentou 9,63% entre 2001 e 2007 - de 1.681 para 1.843 vítimas. É a segunda maior causa de mortalidade, entre todas as de origem externa registradas no banco de dados da Secretaria Municipal da Saúde (em primeiro lugar, estão os homicídios).
Para o secretário municipal dos Transportes e atual presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Alexandre de Moraes, o crescimento de 33% da frota de veículos é a principal causa de aumento do total de mortes no trânsito.
No período de seis anos, a malha viária paulistana manteve-se praticamente a mesma, sem qualquer correção de antigas falhas de projetos que atrapalham a circulação e tornam o trânsito cada vez mais perigoso - curvas mal dimensionadas, acessos que provocam gargalos, sinalização ruim, entre outros. Os 17 mil quilômetros de ruas da capital que eram ocupados, em 2001, por 4 milhões de veículos, hoje recebem, diariamente, 5,3 milhões de automóveis, caminhões, ônibus e motos.
Porém, contrariando o secretário de Transportes, especialistas em trânsito explicam que essa maciça concentração de veículos nas ruas e avenidas provoca apenas a redução da velocidade média do tráfego, o aumento dos congestionamentos e, conseqüentemente, diminue as possibilidades de acidentes.
Em entrevista ao Estado, o médico Mauro Taniguchi, coordenador do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade de São Paulo (Pro-AIM), da Secretaria da Saúde, afirma que o aumento dos acidentes se deve ao relaxamento no cumprimento das normas de segurança estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde 1997. Na época, a capital registrava mais de 1,9 mil mortes ao ano provocadas por acidentes de trânsito. Um ano depois do início da fiscalização para o cumprimento do código, o total de mortes em acidentes de trânsito caiu quase 40%. Porém, no ano passado, as estatísticas mostraram um grave retrocesso que fez São Paulo viver novamente o índice de 12 anos atrás.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 27 / 06 / 2008

Folha de São Paulo
"País ignora o que ocorre em 14% da Amazônia, diz Incra"
Um levantamento do Incra revela que o órgão ignora o que se passa em 710,2 mil km2 da Amazônia Legal, que compreende 59% do território do país. A área composta de terras federais não-contínuas, representa 14% da região e 65% da parte sob responsabilidade do instituto. O Incra não sabe se essa parcela da Amazônia, espalhada por Mato Grosso e pelos Estados do Norte, está com posseiros ou grileiros nem o que é produzido ou devastado ali. A maior quantidade de terras de situação fundiária desconhecida fica no Pará. (288,6 mil km2). Para mudar esse quadro, o Incra pretende mapear as terras e regularizá-las, tentando concluir a tarefa em pelo menos 200Km2 até o final do ano. O objetivo é estabelecer um plano para os próximos cinco, seis anos” afirma o presidente do Incra, Rolf Hackbart. Em parceria com o órgão, o Exército mapeará 30 mil km2 na região da BR-163, no PA, conhecida pelo alto índice de violência e grilagem de terras públicas. “A Amazônia é um mundo desconhecido, não é avenida Paulista; ninguém sabequem está lá”, diz Hackbart.


O Globo
"Desemprego cai, mas inflação já causa diminuição de renda"
A taxa de desemprego recuou de 8,5% para 7,9% no mês passado, o menor para um mês de maio desde 2002, divulgou ontem o IBGE. Foi a terceira queda consecutiva registrada na pesquisa em seis regiões metropolitanas do país. Em maio de 2007, a taxa de desemprego era de 10,1%. A escalada da inflação, no entanto, já provoca estrago nos salários. O rendimento médio real recuou 1% no mês, passando a R$ 1.208,20 em maio. Os números de emprego do IBGE foram influenciados pelo desempenho da construção civil e por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os analistas ressalvam também que muitas das novas vagas abertas têm salários menores, o que puxa para baixo o rendimento médio do país. Os metalúrgicos de São Paulo, filiados à Força Sindical, começam hoje a discutir a pauta de reivindicações da campanha deste ano.


O Estado de São Paulo
"Bolsas desabam com risco nos EUA e petróleo"
A divulgação de avaliações negativas sobre grandes empresas americanas e a alta de quase 4% no preço do petróleo derrubaram ontem os mercados financeiros globais. A Bolsa de Valores de Nova York caiu 3,03% e acumula em junho perdas de 9,38%, no pior desempenho desde a Grande Depressão. A bolsa eletrônica Nasdaq teve queda de 3,33%. A Bovespa recuou 2,89% e poderia ter registrado números piores não fossem pelas ações da Petrobras. Os investidores ficaram alarmados com relatórios do banco de investimentos Goldman Sachs que prevê dificuldades financeiras para os gigantes dos EUA: o Citigroup e a General Motors. O valor das ações do Citi caiu 6,26%, ficando no menor nível em quatro meses. O caso da GM foi mais grave – a cotação dos papéis da companhia despencou 11% atingindo o mais baixo patamar em 34 anos. O presidente do Federal Reserve (o banco central americano), Bem Bernanke, alimentou o temor dos mercados, ao afirmar que os bancos dos EUA precisam de mais capital para se recuperar das perdas dos últimos meses.


Jornal do Brasil
"Governo esconde projeção de inflação"
A ordem veio do governo: não divulgar previsões trimestrais sobre inflação, como vinha ocorrendo havia 22 anos. Agora, só uma vez a cada 12 meses, ou "quando for conveniente". Eis a nova recomendação ao Ipea, o instituto de pesquisa econômica vinculado ao Núcleo Especial de Assuntos Estratégicos, do ministro Mangabeira Unger. O comando do órgão negou ter sofrido pressões do Palácio do Planalto para esconder números num momento de alta da inflação. Mas confirmou que recebeu a orientação do presidente Lula e de Unger.

quinta-feira, junho 26, 2008

Jovem Guarda

Morre aos 56 anos a cantora da Jovem Guarda Sylvinha Araújo

Ela lutava contra um câncer de mama e estava internada na capital paulista

FAMOSIDADES Em São Paulo
A cantora da Jovem Guarda Sylvinha Araújo morreu na noite desta quarta-feira (25), em São Paulo. Aos 56 anos, ela lutava contra um câncer de mama e estava internada no Hospital Nove de Julho desde o último dia 4. As informações são do site "G1". Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a cantora faleceu às 20h35 e seu corpo será sepultado no cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, Grande São Paulo. Sylvinha, que era casada com o também cantor Eduardo Araújo desde 1969, deixa dois filhos. Apesar da doença, a mineira da cidade de Mariana não parou de cantar. Antes da internação, Sylvinha Araújo preparou um DVD em celebração aos 40 anos da Jovem Guarda. A obra, que contou com a participação de Roberto Carlos, Wanderléia e Erasmo Carlos, entre outros ícones da música brasileira, foi lançada no ano passado. A cantora foi lançada nos anos 60 por Chacrinha. Durante a carreira artística, ela comandou o programa "O Bom", lançou vários discos com o marido, gravou cerca de dois mil jingles para comerciais e ainda participou do movimento "Jovem Guarda".

Nota do Editor - Quando Eduardo Araujo e Silvinha começaram a aparecer juntos ele foi chamado de "papa anjo". Com toda a razão, ela era uma loirinha de aspecto angelical. Tinha uma voz linda, afinadíssima e apenas dezessete anos. Não sei se é impressão minha ou é fato, mas o câncer está levando muita gente ultimamente. Gente que eu conhecia e gostava. (Sidney Borges)

Tucanos

PSDB de Ubatuba lamenta morte de Ruth Cardoso

Rogério Frediani

Aos 77 anos, morreu nesta terça-feira, dia 24, Ruth Vilaça Correia Leite Cardoso, ex-primeira dama e antropóloga. Segundo informações do cardiologista Arthur Beltrame, Ruth Cardoso teve um infarto fulminante.
Ruth, durante o mandato do marido, ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, fundou e presidiu o Comunidade Solidária, atual Comunitas, organização responsável por programas sociais e de voluntariado.
O PSDB de Ubatuba lastima esta grande perda. Uma mulher guerreira, generosa e que sempre lutou por um país mais humano, mais justo. O Partido da Social Democracia Brasileira está de luto, num momento em que comemorava os 20 anos de fundação, pois perdeu parte de sua história.
Rogério Frediani
Presidente do Diretório Municipal
PSDB de Ubatuba

Política

Eduardo Cesar e Moralino são os candidatos do DEM

Convenção do DEMOCRATAS em Ubatuba define candidatura de Eduardo Cesar e Moralino

Roberto de Carvalho Rezende
Em convenção realizada no último domingo, dia 22, o DEMOCRATAS de Ubatuba elegeu o nome de Eduardo Cesar para concorrer pelo partido ao cargo majoritário nas eleições de 5 de outubro. Em chapa única, Eduardo Cesar foi escolhido como candidato à reeleição a prefeito e Moralino Valim Coelho foi acolhido pelos convencionais para concorrer ao cargo de vice-prefeito em coligação com o PMDB.
A convenção aconteceu em clima de grande festa, com o plenário e a frente da Câmara Municipal de Ubatuba totalmente lotados de convencionais, representantes de partidos que integram a coligação liderada pelo DEMOCRATAS e simpatizantes ao nome de Eduardo Cesar como candidato à reeleição municipal. Todos os dez partidos coligados ao DEMOCRATAS (PV, PPS, PSC, PRTB, PRP, PSDC, PP, PHS, PMDB e PRB) tiveram seus representantes utilizando a tribuna da Câmara para apoiar os nomes de Eduardo Cesar e Moralino para o pleito de outubro. A convenção acabou com uma grande queima de fogos, em um ambiente em que todos estavam satisfeitos com o resultado obtido. “Agradeço primeiramente a Deus, a minha família e a todos os presentes aqui. Também agradeço aos meus amigos que sempre me apoiaram. Este é um momento muito importante, que define nossa luta em continuar trabalhando em prol do município, levando adiante um trabalho sério para que a cidade siga no caminho certo”, disse Eduardo Cesar.
Roberto de Carvalho Rezende

Presidente da Comissão Provisória do DEM de Ubatuba

Opinião

A volta da censura à imprensa

Editorial do Estadão
Nos primeiros anos da era Lula, não faltaram motivos para a imprensa temer por sua liberdade. Desde a malfadada tentativa de criar um conselho federal e conselhos regionais para ''fiscalizar'' a atividade jornalística à tentativa, igualmente abandonada, de expulsar o correspondente estrangeiro que escrevera sobre o presidente e a bebida - para citar os exemplos mais escabrosos -, o governo emitiu sucessivos sinais de estar interessado em intimidar e, no limite, manietar os meios de comunicação.
Em cada caso, a pronta reação da sociedade e do conjunto dos órgãos de mídia fez ver ao Planalto que o Brasil havia amadurecido o suficiente para não se intimidar diante de quaisquer ameaças dos poderosos de turno ao fundamento constitucional que, acima de todos os outros, distingue o sistema democrático dos regimes de força. Hoje em dia, escolado, o máximo que Lula se permite são eventuais diatribes contra tópicos do noticiário. Ficando nisso, o essencial está preservado.
Ou assim parecia, antes que as baldadas ameaças do Executivo cedessem lugar a um perigo ainda maior, por vir de onde tem vindo - o Judiciário. Pelo País afora, juízes que parecem ter perdido a noção do valor concreto das liberdades públicas vêm tomando decisões francamente incompatíveis com o exercício do direito de informar e ser informado, como se este não precedesse todos os demais na hierarquia jurídico-legal das democracias. Tais decisões nem sempre repercutem com a devida intensidade por afetar pequenas empresas jornalísticas a distância dos principais centros metropolitanos. Nem por isso se deve desconsiderar o seu potencial de gerar perniciosos efeitos cumulativos, fomentando, no limite, uma cultura liberticida. O fato de se tratar de sentenças de primeira instância, passíveis de revogação em escalões superiores, não retira a gravidade da ameaça. Seja porque produzem conseqüências objetivas desde o primeiro momento, seja porque obrigam os atingidos a onerosas e demoradas contestações.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 26 / 06 / 2008

Folha de São Paulo
"Bolsa Família sobe acima da inflação em ano de eleições"
A pouco mais de três meses das eleições municipais o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste médio de 8% nos benefícios do Bolsa Família, principal programa social da gestão petista. O percentual supera os índices anuais de inflação. A decisão foi tomada em reunião no Planalto na terça à noite, com a presença de Lula e alguns ministros. O presidente baseou-se em parecer do advogado-geral dfa União, José Antonio Toffoli, que afirmou não ver impedimento legal para o reajuste em ano de eleções. O valor médio do benefício passará de R$78,70 para R$85, que começarão a ser pagos em julho. Na prática, nem todas as famílias receberão o mesmo percentual de aumento: os índices variam de 0% a 11%, dependendo da faixa em que cada beneficiário se enquadre. A oposição elogiou a medida. O presidente do Tribunal do Superior Eleitoral Carlos Ayres Britto, afirmou que o reajuste poderá ser contestado, mas preferiu não adiantar sua posição: "Prefiro aguardar uma possível representação no TSE para me pronunciar".


O Globo
"Bolsa Família sobe acima da inflação em ano eleitoral"
A pouco mais de três meses da eleição, o governo anunciou ontem que dará aumento acima da inflação para o Bolsa Família, beneficiando cerca de 45 milhões de pessoas. O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, tinha pedido reajuste de 6% por causa dos reajustes de preços de alimentos, mas o presidente Lula e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento), em reunião anteontem, decidiram ir além, alegando que, para os mais pobres, a inflação de alimentos, medida pelo INPC, chegou a 8%. A oposição protestou e estuda questionar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o suposto uso eleitoreiro do programa. Com a inflação maior, categorias mais mobilizadas com data-base no segundo semestre - como bancários, petroleiros e metalúrgicos - se preparam para arrancar ganhos reais nos salários, como vinham onseguindo desde 2004.


O Estado de São Paulo
"BC eleva estimativa da inflação para 6%"
O Banco Central divulgou ontem relatório em que eleva para 6% a projeção da inflação para este ano. Em relatório distribuído em março, a previsão era de 4,6%. O centro da meta oficial de inflação para 2008 é de 4,5% com tolerância de 2 pontos porcentuais para baixo e para cima. O diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, afirmou que o BC continuará a aumentar a taxa de juros na tentativa de conter a inflação: "Faremos o que for necessário, enquanto for necessário." Provocou nervosismo no mercado financeiro o Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15), prévia da inflação do mês. O resultado, de 0,90% foi o mais alto apurado pelo IBGE desde julho de 2004. A alta de preços já não se limita aos alimentos, mas atinge também itens como produtos de higiene pessoal e de manutenção de residências.

Jornal do Brasil
"Guerra na Providência: sobrou para o mais fraco"
O custo do embargo ao projeto Cimento Social, no Morro da Providência, recaiu sobre os mais fracos. Apesar de Estado e município terem mostrado interesse em concluir a reforma das casas, o TRE-RJ vetou a ajuda e deixou a cargo dos próprios moradores arrumar o dinheiro necessário. O MP Federal investiga os gastos do Exército no projeto que, segundo revelou o JB, incluíram a compra de bens de luxo e até o pagamento de contas do Comando Militar do Leste.

quarta-feira, junho 25, 2008

Eleições 2008

Times quase completos

Sidney Borges
Hoje foi um dia decisivo na política de Ubatuba. As alianças estão se completando. O PTB de Tato e o PT de Moromizato acabam de se coligar. Moromizato sai para prefeito. Desejo boa sorte aos dois, ambos meus amigos. No mais, vamos aguardar o nome do(a) vice de Paulo Ramos. No entanto, como tudo é possível, usando de devida cautela advinda da experiência, só darei as demais chapas depois de terminadas as convenções.

Deu em O Globo

Lula quer barrar ‘ficha suja’

Presidente pede reforma contra candidaturas de quem é alvo de processos de corrupção

De Luiza Damé, Chico de Gois e Marcelo Gomes:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, em solenidade do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Palácio do Planalto, mudanças na legislação eleitoral para impedir que candidatos com ficha suja na Justiça possam concorrer. Sem citar nomes e falando hipoteticamente, o presidente afirmou não ser mais aceitável que um governador perca o cargo por corrupção e possa disputar uma eleição para o Senado. Disse que é preciso coragem para fazer uma reforma política, mudando essa situação.
Numa crítica velada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que liberou o registro para candidatos com ficha suja que ainda não tenham sido julgados em última instância, Lula disse que a população não pode ficar à mercê da interpretação da Justiça Eleitoral.
— Neste país tem lei em que a pessoa é cassada por corrupção quando é governador e pode ser candidato ao Senado nas eleições seguintes. Ou seja, você tira um mandato de quatro anos e dá um mandato de oito anos — disse Lula, quando condenava, em discurso, os desvios de recursos públicos. (Do Blog do Noblat)

Política

Frenesi

Sidney Borges
É a palavra que melhor define os acontecimentos políticos de Ubatuba. Ontem o candidato do PSDB, Pedro Tuzino, conversou longamente com a presidente do PR, Ana Barone. Eu imagino que há oitenta por cento de chances da dupla vingar. Digo isso porque pode ocorrer uma reviravolta. Vivem acontecendo, sempre há o fator surpresa espreitando. Há dois meses eu trocava figurinhas em companhia de dois amigos, Flávio Médici e Marcos Guerra. Estávamos no Shopping Iperoig tomando café quando Pedro Tuzino se juntou a nós. Posteriormente Miriam Tabarro aderiu ao grupo. Conversa vai, conversa vem, Pedro disse que estava se retirando da política. Sua vida agora seria totalmente voltada à carreira na Sabesp. Não acreditei, mas fiz cara de assentimento. Notei no semblante dos companheiros a mesma percepção, só não piscamos uns para os outros porque não seria educado. Entendi a posição de Pedro. Vivi situação semelhante quando em companhia de meu colega de escola, Ricardo Marques de Azevedo, vi o São Paulo ser desmontado em pleno Morumbi pelo América de Rio Preto. Quatro a um. Que vexame. Um tal de Cabinho, que posteriormente se tornou ídolo no México, fez três gols. Jurei que não torceria mais, mas quando o Tricolor virou o jogo contra o Palmeiras e ganhou de dois a um, fazendo dois gols em cinco minutos, desenrolei a bandeira e voltei a torcer. Fiz bem, depois disso foi só alegria.
Pedro voltou. Chegou, viu e venceu. Tirou Caribé da disputa. Alguns adversários afoitos chegaram a comemorar. Com o tempo vai cair a ficha. Pelas pesquisas Caribé era um forte candidato. Tirá-lo do páreo foi de bom tamanho. Será mesmo? Há um fator da maior importância que parece não ter sido levado em conta. O estilo de Pedro Tuzino. A partir de agora ele vai mergulhar na disputa com a volúpia de um faminto em busca do prato de comida. A campanha ainda não começou oficialmente, mas vai ser renhida. Antevejo baixarias mil, chutes nas partes baixas, gritos, tapas empurrões e cuspidas, o que vai gerar ressentimentos. Eu que sou apreciador de boxe gosto de lutadores técnicos, mas tenho preferência pelos aguerridos. Vai ser uma briga e tanto. Vou comprar ingresso para as cadeiras de ringue. Ainda não escolhi para quem torcer, em boxe é assim. A definição da preferência vem com o desenrolar da luta. Depois do terceiro round farei minhas apostas.

Angra 3

Ministro admite que licenciamento ambiental pode ser moeda política

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem que licenciamentos ambientais podem servir de moeda de troca em negociações políticas. "O critério de licenciamento é técnico, mas ele pode ser dado em seis meses ou em um mês", disse.


Agência Estado
O ministro participou ontem, em São Paulo, de uma sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo. Minc admitiu que esse seria um "ato político", mas garantiu não significar uma análise frouxa do pedido. "O que for ambientalmente correto e viável é sim; o que não for, é não."
Ele disse que projetos combatidos por sua antecessora, a senadora Marina Silva (PT-AC), podem receber o licenciamento desde que eles tenham pouco impacto no ambiente e que haja a correta compensação pelo empreendimento. Entre eles estão dois projetos polêmicos: a hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, e a usina nuclear Angra 3, no Rio, duas obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Sou crítico do uso de energia nuclear no Brasil, por falta de correta adequação dos resíduos, por questões de segurança e outros pontos", afirmou. "Porém, assim como a Marina perdeu na votação sobre Angra 3 e deu continuidade ao projeto, também darei. Isso é fazer parte de um governo plural."
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Nota do Editor - Sou contra mas não sou. Também não sou a favor mas darei parecer favorável. Faz sentido. Assim é se lhe parece. Melhor vestir meu coletinho florido e sair por aí pra ver o que há. (Sidney Borges)

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Recordando a Ditadura

Jornal da Tarde é censurado

Liminar concedida ontem impediu a publicação de reportagem sobre supostas irregularidades cometidas no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Juristas e representantes de entidades de classe consideraram a decisão censura prévia

FELIPE GRANDIN,
felipe.grandin@grupoestado.com.br
Passados quase 40 anos da adoção do AI-5, que marcou o início do período mais duro do regime militar, o Jornal da Tarde volta a ser vítima de um ato de censura. Liminar concedida ontem pelo juiz-substituto Ricardo Geraldo Rezende Silveira, da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo, proibiu a publicação de reportagem sobre supostas irregularidades cometidas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) - que estão sendo apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A liminar foi entregue ontem às 20h na redação do JT por Cláudia Costa, advogada do Cremesp. Sua autenticidade foi confirmada pela Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça. O juiz não foi encontrado para comentar a decisão.
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Brasil de luto

Morre em São Paulo a ex-primeira-dama Ruth Cardoso

Mulher do ex-presidente FHC, ela havia sido internada no fim de semana; corpo será velado a partir das 11

Janete Longo/AE - 10/11/07
Morreu às 20h40 desta terça-feira, 24, aos 77 anos a ex-primeira-dama e antropóloga
Ruth Cardoso, segundo informou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra. Ruth morreu de infarto fulminante, conforme informação do seu médico cardiologista Arthur Beltrame. Mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ela havia sido internada no último fim de semana no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, mas recebeu alta na segunda-feira, 23. O corpo será velado a partir das 11 horas desta quarta-feira na Sala São Paulo, e o enterro está marcado para esta quinta-feira às 10 horas no Cemitério da Consolação.
Após receber alta do Sírio Libanês, Ruth foi internada no Hospital do Rim e Hipertensão (ligado à Unifesp), em São Paulo, para passar por um cateterismo. No mesmo dia, foi liberada. Segundo o cardiologista Beltrame, o procedimento foi considerado "bem sucedido." "Ela tinha problemas coronarianos havia mais de seis anos e hoje [terça-feira] teve uma morte súbita", afirmou. "O cateterismo foi normal. Os médicos estavam contentes com o resultado, mas a Medicina não é onipotente." Ruth sofria de angina e vinha sentindo dores no peito.

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Ubatuba

Ações amalucadas

Corsino Aliste Mezquita
Por circunstâncias da vida chegara, às minhas mãos, papelório enviado pelo Executivo para não responder aos pedidos de informação solicitados pela Câmara de Vereadores.
“Nunca antes” tinha visto tanto desrespeito ao Poder Legislativo; tanta ocultação da verdade; tamanha falta de educação cívica e política. Nenhum dos questionamentos é respondido e expressões como as a seguir relacionadas são usadas a toda hora:
“Sim”. “Não”. “Não há funcionários para elaborar as respostas”. “Prejudicado”. “Está a sua disposição na Prefeitura”. Etc.. etc...
Entre outros motivos, esse comportamento esdrúxulo, desrespeitoso, ilegal e falto dos princípios mais elementares de cidadania e educação política, deve estar acontecendo pela falta de instrução, ausência de conhecimentos administrativos e legais de quem assina as missivas. Em lógica estudamos que: “Ninguém pode dar o que não tem”. A Bíblia registra: “Não se pode pedir uvas ao espinheiro”. Sancho Panza, o fiel escudeiro do Quixote, sentenciava: “Não peças pêra ao olmo”. Só assim podem se entender essas negativas de respostas amalucadas, alopradas e extravagantes.
Impressiona verificar que, o Sr. Presidente da Câmara, não toma as providências que a lei lhe faculta e seria obrigado a tomar para exigir o respeito que a instituição que preside merece.
Causa também estranheza a falta de apetite, da maior parte dos vereadores, para fiscalizar o Poder Executivo, denunciar e requerer providências sobre: prédios públicos abandonados e se deteriorando, alugueis supostamente desnecessários e superfaturados, obras com processos de construção intermináveis e termos aditivos de preço e prazo abusivos, Santa Casa assustadora, propaganda mentirosa e usando menores de idade, e outras “cositas mas”, que não cabem neste breve comentário.
Infelizmente essas omissões honram pouco o Poder Legislativo, colocam em risco a democracia e os direitos dos cidadãos. O povo consciente condena esses comportamentos e cria nuvem de desconfiança sobre os seus representantes que, não o representam e só cuidam de seus interesses.
VIVA UBATUBA!. SEM DENGUE E SEM CALUNIADORES.

Opinião

A desigualdade diminui

Editorial do Estadão
Graças ao crescimento econômico, à elevação do salário mínimo e aos programas de ajuda aos pobres, a distribuição de renda vem se tornando menos desigual nas seis maiores áreas metropolitanas do Brasil, segundo estudo recém-divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O trabalho, contido em oito páginas de tabelas, gráficos e textos explicativos, é mais uma confirmação da tendência apontada por estudos mais amplos e mais minuciosos publicados por vários pesquisadores nos últimos dois anos. A partir de 2003, os mais pobres tiveram aumentos de renda maiores que aqueles conseguidos pelos trabalhadores das faixas mais altas nas áreas metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, de acordo com o informe distribuído na última segunda-feira.
Mais importante que a redução da desigualdade, em termos práticos, foi a redução da pobreza durante esse período. Com mais dinheiro, milhões de pessoas puderam consumir mais produtos e ter acesso a melhores condições de vida. As tabelas e gráficos mencionam explicitamente o rendimento das pessoas em suas ocupações principais, mas os números incluem, segundo explicações fornecidas pelo presidente do Ipea, benefícios previdenciários e transferências de renda por meio de programas sociais.
O trabalho não especifica o peso de cada fator, mas não é muito difícil entender o quadro. Dois componentes políticos são evidentes: o aumento do salário mínimo e a ampliação das transferências por meio do Programa Bolsa-Família. Também os principais fatores econômicos parecem claros: a expansão da economia criou empregos, estimulou a formalização dos contratos e permitiu a elevação dos salários nas faixas inferiores.
A valorização real dos salários, no entanto, só foi possível graças ao freio imposto à inflação pela política monetária. Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse ouvido alguns conselheiros e aceitado a idéia de "um pouco mais de inflação para um pouco mais de crescimento", o poder de compra dos pobres teria crescido bem menos, se tivesse chegado a crescer. São eles, em geral, os mais prejudicados quando ocorre uma elevação geral e continuada de preços.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 25 / 06 / 2008

Folha de São Paulo
"Justiça Eleitoral veta obra e Exército deixa morro no Rio"
Após a Justiça Eleitoral embargar as obras do projeto Cimento Social, as tropas do Exército deixaram o morro da Providência (centro do Rio). Em 14 de junho, três jovens do morro foram entregues por militares a traficantes e depois mortos. O juiz Fábio Uchoa Montenegro considerou que a obra na Providência tem objetivo eleitoral, por beneficiar "diretamente" o senador e pré-candidato a prefeito do Rio pelo PRB, Marcelo Crivella, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, passou o dia em reunião no Comando Militar do Leste e ordenou a saída das tropas: "Paralisadas as obras, cessa a razão da permanência do Exército, que era dar segurança a elas. Logo,as tropas já saíram". A União pode recorrer à segunda instância do Tribunal Regional Eleitoral. Crivella negou que o projeto seja eleitoreiro e disse lamentar sua paralização. Moradores da Providência que trabalham na obra protestaram contra o embargo.


O Globo
"Juiz pára obra de Crivella por uso eleitoral e o Exército sai"
As obras do projeto Cimento Social, que reformava casas no Morro da Providência e de onde o Exército retirou três jovens e os entregou a traficantes de uma favela rival, foram embargadas ontem pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio. Segundo o juiz Fábio Uchôa, o projeto é irregular porque foi contratado em ano eleitoral e por ter sido usado na campanha do senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato à prefeitura.
O caso será remetido para o Ministério Público Eleitoral e para o procurador regional eleitoral, Rogério Nascimento. Caso seja comprovado o abuso de poder econômico, o senador responderá por crime eleitoral e, no limite, poderá ter o registro de sua candidatura cassado.
Equipes da Justiça Eleitoral lacraram os canteiros de obras, provocando protestos de operários. Logo após, o Exército deixou a favela. O senador, em nota, negou qualquer conotação eleitoreira no projeto.


O Estado de São Paulo
"Donos da Varig têm dívida de R$377 milhões com a União"
Dez das mais de 40 empresas de transporte urbano da família Constantino têm uma dívida tributária de pelo menos R$877 milhões, a maior parte com o INSS. É o que mostra uma lista parcial de débitos levantada por Sônia Figueiras no cadastro mais atualizado de devedores da Previdência de setembro de 2007, e em processos que correm no Judiciário, por iniciativa do governo federal e de Estados. Apesar dessa situação, o grupo ao qual pertence também a Gol, comprou a Varig. Os negócios envolvendo essa última companhia vêm sendo questionados por ex-diretores da Agência Nacional de Aviação Civil - segundo eles, houve interferência do Palácio do Planalto. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional vê indícios de que a família compra e vende empresas de transporte urbano em um esquema que envolve laranjas, para escapar das cobranças tributárias. Os advogados dos Constantino negam qualquer irregularidade.


Jornal do Brasil
"Exército esconde da polícia informações sobre o tráfico"
A inteligência do Exército fez um levantamento detalhado sobre o tráfico de drogas no Morro da Providência durante os sete meses em que os militares estiveram na favela. Nenhuma das informações do relatório – como a localização dos paióis de armas e munição dos bandidos e as casas de cada um dos chefes – foi repassada à Secretaria de Segurança. O Comando Militar do Leste não comenta a denúncia, mas o defensor público da União, André Ordacgy, considera o fato “muito estranho”.

terça-feira, junho 24, 2008

Urgente

Ex-primeira-dama Ruth Cardoso morre em São Paulo

da Folha de S.Paulo / da Folha Online
A ex-primeira-dama Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, morreu na noite desta terça-feira, em São Paulo. As causas da morte não foram confirmadas.
Ela havia recebido alta na segunda-feira (23) do hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista (região central de São Paulo). Segundo reportagem da Folha, a ex-primeira-dama foi internada após sentir fortes dores no peito.

Deu no Estadão

Sob pressão, partidos já vetam candidato ficha-suja

De Ana Paula Scinocca:
A pressão popular para evitar que políticos com ficha suja possam disputar eleições e a decisão de entidades como a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) de divulgar em seu site (
www.amb.com.br) a lista de processos a que cada um dos concorrentes deste ano responde na Justiça estão obrigando os partidos a rever normas internas e a filtrar a escolha de nomes. Embora nem todas as legendas tenham estabelecido novas regras, é consenso entre as principais o veto a candidatos que sejam alvo de processos criminais.
Algumas siglas já definiram novas regras para a seleção de candidatos. Quem se envolveu em crimes contra a vida, por exemplo, dificilmente vai conseguir se candidatar este ano. O DEM baixou uma resolução na semana passada com uma série de proibições aos filiados interessados em concorrer a algum cargo eletivo. O PMDB e o PPS também recomendaram aos seus diretórios municipais “bom senso e cautela” na hora de ratificar ou vetar eventual candidatura. (Do Blog do Noblat)


Nota do Editor - Nas vésperas da eleição de 2004 o Ubatuba Víbora lançou a campanha: "Ficha Limpa e disponibilidade integral". Foi dirigida à escolha do secretariado. Não causou maior impacto, hoje vemos com satisfação a posição da Justiça e dos partidos. Não podemos continuar colocando raposas tomando conta de galinheiros. Acaba faltando ovos. (Sidney Borges)

Personagens

Filha de Fidel em filme

O jornal francês Le Monde fala da filha bastarda do "ditador" cubano Fidel Castro, cuja vida será adaptada para o cinema pelo cineasta norte-americano Bobby Moresco.

Ele também bastardo, como eu Nascida três anos antes da revolução de 1959, de um relacionamento extraconjugal entre Fidel - "ele também bastardo, como eu" - e Natalia Revuelta - "mulher sublime e distante" -, Alina Fernandez diz ter se criado à sombra dessa casal impossível. Parte de uma família da melhor burguesia da Havana, ela recorda a mãe como “uma militante entusiasmada", e de uma casa muitas vezes repleta de homens barbudos entre os quais a figura central era sempre a de Fidel. Na época, Alina considerava que fosse filha de Orlando Fernandez, o marido de sua mãe. Esse primeiro pai deixou a ilha, e foi substituído gradativamente pelo barbudo onipresente na televisão e visto na casa em visitas ocasionais. "Eu e minhas amigas esperávamos todos os dias que ele acabasse logo o discurso, reprisado pela televisão à tarde, para que a gente pudesse assistir aos desenhos animados. Mas que nada". Em 1964, Fidel enviou Revuelta a Paris como primeira secretária da embaixada cubana, e Alina acompanhou a mãe. Elas viveram lá por um ano e meio, e ao voltarem a Havana a mãe lhe contou pela primeira vez que o barbudo era seu pai real. "Foi um choque", admite Alina.

Natália Revuelta


Natália Revuelta, mãe de Alina

Melhor quando era a puta do barbudo

Natália Revuelta, mãe de Alina Mas com o tempo Fidel rompeu seu relacionamento com Revuelta, que caiu em desgraça. Ela procurou refúgio no partido, trabalhando sem descanso em diversos dos ministérios do regime. "Os Castro a tratavam bem melhor quando ela era a puta do barbudo do que quando se tornou a ex-amante do comandante”, escreveu Alina em sua autobiografia, "Fidel, Meu Pai". Cresceu sem muito contato com o pai, e quando precisava de ajuda recorria ao irmão deste, Raúl, "sempre disponível para ajudar a família". E a pressão sobre ela não parava de crescer. Seus colegas de escola, seus amigos, pessoas que ela mal conhecia, lhe pediam que encaminhasse cartas a seu pai. Ela começou a ler esses textos, e descobriu neles como que um resumo de todos os sofrimentos que afligiam a ilha. "As pessoas me usavam como intermediária. Essa é o outro lado da moeda", diz Alina. Na faculdade, Alina voltou a se aproximar de Fidel, pela última vez. Quando ela se afastou do círculo do chefe, caiu sob a vigilância dos serviços de espionagem e se tornou objeto de conspirações. Aos 23 anos, ela rompeu o relacionamento com o pai. "Uma separação sem dramas. Alina teve de esperar 15 anos para conseguir deixar Cuba - 15 anos que passou tentando "me adaptar à minha inadaptação". Trabalhava como modelo para uma casa de moda de Havana. Mais tarde, se tornou dissidente, mas sem se tornar parte de uma organização política, porque não podia se aproximar de outros dissidentes - "uma vida de cão", ela diz. Com a queda do muro de Berlim, em 1989, as coisas pioraram ainda mais: havia falta de comida, as pessoas se matavam por uma bicicleta, a angústia era permanente. Ela conseguiu um falso passaporte e comprou passagens de avião para três turistas espanhóis que viriam a Cuba. No dia em que saiu da ilha, em 1993, ela se maquiou, passou pela alfândega falando com sotaque espanhol e conseguiu chegar a Madri. Lá, depois de uma campanha internacional de pressão diplomática, sua filha Mumin foi se juntar a ela algumas semanas mais tarde. Elas viveram em Barcelona e Nova York, onde Alina se manifestou contra a presença de Fidel na ONU (a foto correu mundo). Depois de oito anos de exílio, se radicou em Miami. Quanto a Fidel, ela se mostra reservada com relação a sua doença: "É algo natural para alguém com mais de 80 anos". (Trem Azul)

Crônica

Os muros do Colégio Santa Cruz

Marcelo Mirisola*
Semana retrasada os manos pichadores aqui de São Paulo foram convocados por um estudante de Belas Artes para deixar suas marcas no prédio da bela faculdade. Se a notícia parece datada, meu texto, e o que eu penso sobre o assunto, nada tem a ver com as calças. O mesmo vale para a entrevista que Malu Montoro, diretora do Colégio Santa Cruz, deu a respeito de uma festa junina patrocinada por uma cervejaria em seu arraial.

Não vou levar em conta o calendário da borracharia Brasil. O que pega aqui não são as análises de especialistas e os palpites de futriqueiros em geral. Esqueçam a Fashion Week, o próximo escândalo envolvendo políticos canalhas e as declarações do travesti que comeu Ronaldinho. Isso tudo reflete apenas o precipício que nos induz invariavelmente ao erro e ao final da picada. Daí que vou mirar em dois alvos. O meu interesse é mostrar que a suposta “civilização” (Colégio Santa Cruz) anda de mãos dadas com a suposta “barbárie”; qual seja, os manos pichadores da Faculdade de Belas Artes. Confesso que vibrei com a atitude dos pichadores. E fiquei chocado com as declarações de Malu Montoro, diretora do Colégio Santa Cruz.

Mas pensei o seguinte:

Os muros e a cidade inteira pichada me parecem incompletos e preguiçosos, e a estrutura dos pichadores (ou a tese: começo, meio e fim) carece visivelmente de mais trabalho – mas, sobretudo, carece de audácia. Ainda assim tenho de reconhecer: os manos sabem zoar. Aqui entre nós: hoje em dia – infelizmente – fazer sujeira é algo mais honesto e necessário do que fazer literatura, festinha junina, arte ou a viadagem que o valha.

Essa minha observação "estética" (é claro) só vale no caso de os pichadores anônimos terem optado deliberadamente pela sujeira e – evidentemente – pelo anonimato.

Se foi isso mesmo, eu tiro meu chapéu para eles. Só faço uma ressalva: em vez do muro da dona Alzira, pichem o carro, a casa de campo e a casa de praia, o condomínio, as vidas passadas, o presente e a vida futura e, sobretudo, os muros que Malu Montoro, diretora do Colégio Santa Cruz, ergueu entre ela e o resto da sociedade. A questão era uma cervejaria que teria patrocinado a festa junina do Colégio Santa Cruz. A entrevista que essa senhora concedeu a Mônica Bérgamo,no jornal Folha de S. Paulo do dia 21/6, é a coisa mais arrogante, asquerosa e nojenta que li nas últimas décadas.

Para mim, fica difícil, até entre aspas, reproduzir as palavras e o “pensamento” dessa senhora. Mas vamos lá. Perguntada sobre o que achava do episódio, ela diz que: “Há todo um trabalho extremamente positivo em torno disso. Obviamente, se houve algum tipo de falha, ela é muito pequena perante o significado de entrosamento, desenvolvimento e recuperação da cultura brasileira que existe numa festa desse tipo”.

Uma festa do tipo junina. Ah, sei. Ela fala em “significado de entrosamento”? O que seria isso? Imagino que no boleto bancário “eu recebo para transformar seu filho num playboy e você me paga muito caro por isso” esteja implícita a resposta. Outras 136 empresas também patrocinaram o “evento”, segundo dona Malu Montoro.

Digamos que dona Malu Montoro tivesse outra explicação. Vamos insistir. Que tipo de entrosamento? Então a educadora – como se fosse a representante de uma ONG do Jardim Pantanal – encerra a primeira parte do seu brilhante raciocínio, dizendo que a “comunidade” sabia do patrocínio da cervejaria. Se tem “comunidade” na jogada, a sacanagem se justifica. Assim é fácil,né? Imagino que a comunidade a que se referiu é a dos manos do Alphaville. Ou seria a comunidade dos manos de Higienópolis? Ou as minas da Daslu?
Na resposta seguinte chama um pai de aluno (esse trouxa deve gastar uns dois mil reais de mensalidade) que acusou a presença de uma cervejaria entre os 136 patrocinadores da festa junina , de “pentelho” .

Consta que dona Malu Montoro é uma educadora e que se preocupa com a “recuperação da cultura brasileira” e consta que em colégios como o Santa Cruz é que se formam as “elites” do nosso país. Se é isso mesmo, ou seja, se dona Malu Montoro queria “recuperar a cultura brasileira”, quero dizer que ela conseguiu! Curiosamente numa festa caipira. Todo o esplendor e podridão do Brasil. Num arraial patrocinado por 136 urubus. Tudo ali, resgatado e conservado na cabeça de laquê de dona Malu Montoro.

E a farinha, dona Malu? Quem é que patrocinou o pó para os meninos?

Não confio no Lula, e acho mesmo que ele é um “mafioso” das cavernas. Mas depois das declarações de dona Malu Montoro, fiquei convencido de que o presidente tem lá os seus motivos para festejar a ignorância e tripudiar “dazelite” que mandam e desmandam “nestepaís”. Quem é o civilizado? Que é o bárbaro?

Daí que eu acho que os Manos têm que ir além da Faculdade de Belas Artes, têm que pichar a boca da dona Malu Montoro e pichar os pais e os alunos do Colégio Santa Cruz, e todos os patrocinadores envolvidos no “evento”, e deviam aproveitar para pichar o Bradesco, o Unibanco e as agências de exibição (porque não são cinemas) dos banqueiros, pichem a bunda dos participantes do festival de Paraty, e os curadores e o público do Itaú Cultural (que estão lá para isso mesmo: de bundinha empinada, esperando levar tinta no rabo); pichem as madames amigas da Malu que freqüentam a Casa do Saber, as câmaras municipais e as assembléias legislativas, pichem o poder Judiciário e pichem o Palácio dos Bandeirantes, pichem o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, os shoppings e os condomínios fechados, e não deixem de pichar as camionetes 4x4 estacionadas em filas duplas. Pichem a vitrine da livraria Cultura, pichem a Fnac e pichem as igrejas neo-pentecostais, pichem as sinagogas e as mesquitas; aliás, pichem todas as igrejas e supermercados. Pichem os “espaços” Credicard e Mastercard. Não se esqueçam de pichar os estádios de futebol, e os ginásios poliesportivos, pichem também a embaixada da China e a casa do Silvio Santos. Pichem as empresas de construção civil. Pichem o lugar-comum, e as antenas de televisão. Pichem o prédio da Editora Abril e as tatuagens dos DJs da MTV. Pichem a sujeira!

Uma dica. Toda semana os grandes jornais publicam um guia/roteiro do que está acontecendo na cidade. Cinema, teatro, bares e restaurantes. Pichem essa mauricice chamada Vida Cultural, e pichem a bunda das pessoas. Isso mesmo! Tem um monte de mauricinho por aí metido a artista, que ganha uma grana do governo para divertir os outros mauricinhos, eles estão tirando da cara de vocês, manos! Pichada neles! Pichem a Lei Rouanet e – se for possível – pichem a bunda do Rouanet (que se localiza na Academia Brasileira de Letras). Pichem o Teatro Oficina e não se esqueçam do Zé Celso, ele vai adorar! E pichem os Sesis e os Senacs da vida também. As casas de cultura e tudo o que carregar o nome de “espaço”, é tudo enganação! Pichem as Rosas e a Casa das Rosas.

Pichem os políticos, e pichem as escolas onde os filhos desses políticos estudam. Sabem quanto custa a mensalidade do colégio Santa Cruz? Quanto custa uma mensalidade no Equipe? Pra quê? Pra formar mauricinho lírico, cultural? Tinta neles! Pichem os clubes onde os mauricinhos se isolam do mundo, e pichem as hípicas e as masmorras sadomasoquistas que eles freqüentam. Pichem os spas, e as academias de yôga e de hidroginástica. Pichem as clínicas de cirurgias plásticas e de reconstituição hormonal, e pichem os poodles e os pet shops, sejam mais invasivos. Pichem o prédio da Bienal, pichem as caveirinhas da Fashion Week e as cafetinas que as exploram.

Na semana passada lançaram a biografia de Paulo Maluf. Onde estavam vocês? Pichem as colunas sociais, pichem o Café Suplicy e joguem tinta preta nos tapetes vermelhos, pichem os lugares onde uma empadinha custa mais do que um PF; pichem a Oscar Freire e a galeria Ouro Fino, pichem o Borba Gato e pichem o Cristo Redentor, pichem tudo que for bunda mole no Brasil, e não se esqueçam de pichar a pichação de vocês mesmos, o garrancho e a sujeira têm de prevalecer, pichem tudo o que for autoridade; vocês já picharam a gramática e a sintaxe, ora, pichem a lógica, a disciplina e a hierarquia, pichem as salas Vips e não se esqueçam de pichar os aeroportos. Por que só ponto de ônibus e por que somente os muros da casa da dona Alzira?

Sejam mais audaciosos, pichem o prédio do Lula em São Bernardo do Campo, e pichem Higienópolis inteira, pichem a USP e pichem a Daslu. Têm as agências de publicidade, as baias de telemarkenting, subam a serra e pichem todos os pedágios, e pichem o Hotel Toriba em Campos do Jordão, pichem a casa da Hebe Camargo no Morumbi ...

A lista é imensa, eu poderia sugerir o parque aquático da Xuxa (ou é do Gugu?) ou dizer pra vocês picharem a privada onde fazem suas merdas, tanta coisa, agora não lembro. De qualquer forma, parabéns pela pichação na Faculdade de Belas Artes. Aliás, esse endereço merecia ser pichado toda semana, faltou vocês picharem o reitor e as secretárias e o pessoal do almoxarifado, e os seguranças também. Da próxima vez – tenho certeza – vocês vão fazer o serviço completo. A parada é a seguinte: tem muita sujeira para ser emporcalhada. Agora que começaram enfiem até o talo. Não sejam covardes, deixem a dona Alzira em paz, e toda vez que forem pichar um muro, lembrem-se do laquê obsceno de dona Malu Montoro. Os muros do Colégio Santa Cruz não podem permanecer brancos e impunes.
*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Editorial

O papel dos partidos

Sidney Borges
Qual é o papel dos partidos políticos no Brasil? Antes de responder seria interessante que os leitores lessem o conteúdo programático das agremiações que há. Falo de PT e PSDB em destaque, são os que hoje disputam o bolo e de PMDB e DEM, coadjuvantes. Do ponto de vista ideológico não existem diferenças fundamentais, todos se parecem o que acaba por transformá-los em meros passaportes eleitoreiros. Não há bandeiras a defender, não há mudanças a propor, há apenas um gigantesco apetite pelo poder. Peguemos como exemplo um político habilidoso e experiente, o presidente Lula. Imaginemos que ele pudesse concorrer em 2010 e por razões quaisquer deixasse o PT e aderisse ao PRTB do “Aerotrem” do meu amigo Luiz Bischoff. Nas vésperas da eleição PT, PMDB, PDT e mais uma penca de agremiações estariam aliadas ao poderoso PRTB. Ou isso ou nada, pois assim como temos algumas certezas na vida, a morte entre elas, se não houver chuva de canivetes Lula leva qualquer eleição no Brasil. A persistir o processo democrático, que apesar dos defeitos é o melhor que há, deveremos caminhar para o bipartidarismo. Seria da maior importância a existência de ambições ideológicas diferentes, pois da forma como o Brasil vai só há dois slogans possíveis. O “sim” e o “sim senhor”. Em Ubatuba o slogan do momento é “Valha-me São Benedito!

Opinião

A melhor solução para o PSDB

Editorial do Estadão
Terminávamos o editorial de sábado, sobre as perspectivas da candidatura de Geraldo Alckmin à Prefeitura paulistana - e a dissidência aberta no partido em torno dela -, afirmando que o que se passa agora em São Paulo pode dar o tom para o que acontecerá no plano nacional, quando chegar a hora de escolher o candidato para as eleições presidenciais. Referíamo-nos tanto ao problema da ruptura da já tradicional aliança dos tucanos com os ex-pefelistas - hoje democratas - como à disputa interna, do PSDB, em torno das candidaturas mais fortes do partido à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não por coincidência os atuais governadores dos dois Estados que detêm os maiores colégios eleitorais do País: São Paulo e Minas Gerais.
Depois que o grupo de 11 vereadores (entre os 12 da bancada) conseguiu angariar assinaturas para oficializar, na Convenção de domingo, uma chapa em apoio à reeleição do prefeito Gilberto Kassab, a disputa entre os dois grupos - kassabistas e alckmistas - chegou ao clímax, revelando uma animosidade talvez até maior do que a que se manifestara entre as facções do PMDB, que acabou levando um dos grupos a criar, há 20 anos, o PSDB. É claro que o governador José Serra, voltando de viagem ao exterior na véspera da Convenção - que teve toda a aparência de uma fuga à obrigação de intervir na crise do seu partido -, tinha que dar conta de sua liderança e resolver o complicado problema. E resolveu, não permitindo que os tucanos se engalfinhassem numa briga suicida. Obteve o acordo pelo qual os kassabistas tucanos desistiram de lançar a chapa contra a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo - afinal lançada oficialmente com o respaldo de 89,9% dos convencionais que votaram domingo (1.164 do total de 1.344).
Embora a verdade dos fatos não possa confirmar o discurso do ex-governador, no sentido de que "a divergência acabou" - pois a cem metros da Assembléia Legislativa, onde se realizava a Convenção municipal tucana, 10 dos vereadores dissidentes e mais três dezenas de militantes faziam reunião contra a candidatura Alckmin e a favor de Kassab -, é inegável que, nas circunstâncias, o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. "Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno" - disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 24 / 06 / 2008

Folha de São Paulo
"Lula e Teixeira se reuniram seis vezes, admite Planalto"
A Presidência reconheceu que Roberto Teixeira esteve ao menos seis vezes no Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública de Lula. O advogado é acusado de influir na aprovação da venda da VarigLog ao fundo Matlin Patterson e a três sócios brasileiros, em junho de 2006.


O Estado de São Paulo
"Projeção para o deficit externo já chega a US$ 21 bi"
A deterioração das contas externas levou o Banco Central (BC) a elevar de US$ 12 bilhões para US$ 21 bilhões a projeção de déficit em conta corrente do Brasil em 2008. O número indica que cresce a distância entre o valor dos dólares gastos com importações, viagens internacionais e remessas de lucros e dividendos ao exterior, de um lado, e os ingressos de moeda estrangeira por meio das exportações, de outro.

segunda-feira, junho 23, 2008


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Ponto de vista

Convenção do PSDB

Leo Rocha
Como todos sabem, ocorreu no dia 20 último a convenção municipal que todos esperavam. O PSDB, finalmente, resolveu a disputa interna que se arrastava há algum tempo. Assim, é natural que haja descontentes entre os que não conseguiram fazer prevalecer a sua vontade. Dentre estes, alguns chegam às raias do absurdo e já fofocam sobre uma suposta venda de partido.
Queiram estas, ou não, O PSDB escolheu Pedro Tuzino como seu candidato a prefeito nas próximas eleições. Pedro já foi candidato a prefeito por duas vezes e, em ambas, faltou pouco para se eleger. Sempre foi, portanto, um candidato natural. É bom lembrar que o ex-prefeito Zizinho Vigneron perdeu três eleições antes de chegar ao Paço Anchieta. Por que, então, Pedro Tuzino não pode tentar novamente? Pedro foi escolhido pelos convencionais, de maneira democrática, como melhor candidato no PSDB para disputar o cargo de prefeito. É um homem inteligente, com tino político, habilidade no falar e sólida experiência administrativa. Com essa bagagem, tem condições de fazer uma administração como Ubatuba nunca viu. Usufruindo de grande prestígio no PSDB estadual, tem condições de trazer muitos benefícios ao município, tendo o Governo do Estado como parceiro e amigo em uma possível administração. Resta agora ao PSDB obter uma aliança forte, o que certamente conseguirá, e Pedro Tuzino terá chances reais de se eleger prefeito, e mudar Ubatuba para melhor. O PSDB é um partido no qual a população de Ubatuba confia, por ser um partido que governa para o povo, com ética e respeito pelo dinheiro público. Prova disso são os votos que aqui sempre teve, destinados aos seus deputados, senadores, governadores e presidentes. É bem provável que tenha chegado a hora de receber, também, a maior quantidade de votos da população para os cargos de prefeito e vereadores.
Nossos cidadãos sabem que o PSDB é um partido sério, que tem compromisso com Ubatuba. Por isso peço à população ubatubense que não dê ouvidos a intrigas e fofocas, que vêm sendo produzidas e disseminadas em nosso meio por políticos de baixa estatura ética, acuados pelo medo de ser alijados do poder, e nos acompanhe na busca por dias melhores para Ubatuba.
Leo Rocha
Presidente da Juventude do PSDB de Ubatuba
www.ojovemcaicara.blogspot.com

Nota do Editor - Concordo com o Leo Rocha. É inadmissivel pensar em venda de partido. O PSDB está unido, vai batalhar pela vitória e isso certamente irá aborrecer o prefeito Eduardo Cesar. Acredito que ele terá de rever alguns acordos, a entrada de um adversário do calibre de Pedro Tuzino no páreo mudou tudo. Eu sou um bom leitor de caráteres, conheço um pouco do japonês, sei que ele é obstinado e vai tentar ganhar e se alguém um dia imaginou que pudesse controlá-lo, quebrou a cara, agora quem dá as cartas é ele. Em outubro saberemos os nomes dos verdadeiros vencedores. Uma coisa é certa, em política quem não tem mandato não manda. Será que o PSDB faz três vereadores? Eu não apostaria um níquel nisso. (Sidney Borges)

Brasil

Pode ser que ele esteja maluco

Texto de João Ubaldo Ribeiro no Estadão deste domingo
Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.
Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.
Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.
Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.
Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.
Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.
Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.
 
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